Archive for setembro \29\UTC 2010

Aposentadoria com ações – Entrevista para TV Infomoney

Posted on 29/09/2010. Filed under: Finanças |

Em 24/09/2010 fui entrevistado pela TV Infomoney sobre o tema “Aposentadoria com Ações“.

Em quase 10 minutos de papo, passamos por quase todos os pontos relevantes para um planejamento financeiro autônomo.

Para assistir, clique aqui.

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Livro “Quanto Custa Ficar Rico?” no blog do Estadão

Posted on 29/09/2010. Filed under: Finanças |

O livro “Quanto Custa Ficar Rico?” conseguiu mais um espaço nobre da mídia brasileira.

Agradecimentos ao pessoal do Estadão pela reportagem.

Para ler, clique aqui.

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Livro “Quanto Custa Ficar Rico?” em destaque na Folha de São Paulo

Posted on 29/09/2010. Filed under: Finanças |

O livro “Quanto Custa Ficar Rico?” recebeu um belo destaque no Jornal Folha de São Paulo, com direito a uma ilustração do nosso IRP – Índice de Riqueza Pessoa.

Veja abaixo:

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Livro “Quanto Custa Ficar Rico?” na Revista Investmais de Outubro 2010 – Já nas Bancas!

Posted on 29/09/2010. Filed under: Finanças |

Logo após o lançamento do livro, em 11 de Agosto de 2010, concedi uma entrevista ao Francisco Tramujas da Investmais.

Na edição de outubro, a revista nos concedeu um generoso espaço, dando chamada na capa e publicando uma boa parte de nossa entrevista.

A revista está nas bancas e a capa é a que vai abaixo:

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Como Escolher Uma Corretora para Começar a Investir em Ações?

Posted on 28/09/2010. Filed under: Finanças |

Quem já foi a uma palestra ou curso sobre o Método INI sabe do seu poder de estimular pessoas que nunca investiram em ações a darem os primeiros passos na bolsa de valores.

O motivo de tamanho estímulo é muito simples. O Método INI é um dos únicos conteúdos educacionais, na área de bolsa de valores, que atende aos anseios dos tradicionais investidores de poupança e renda fixa.

Um investidor conservador consegue ver, durante um curso, que o comportamento sugerido e as ferramentas oferecidas constituem um modo de entrar no mercado sem se expor a riscos exagerados e com tempo suficiente para ganhar experiência e conhecimento nessa modalidade de investimento.

A pergunta que sempre vem depois é: – Como faço para entrar no mercado de ações?

Como o primeiro passo é sempre procurar uma corretora, esse artigo procura discutir os parâmetros mais relevantes na hora de escolher a sua.

Corretoras para investidores experientes A Vitrine de Corretoras

Como sugerido no título, não é para esse público que este artigo está destinado, porém há uma dica preciosa para os investidores que necessitam de ferramentas mais complexas e velozes.

Para os mais experientes, para os que utilizam técnicas de curtíssimo prazo, para os que procuram carteiras administradas, para os que utilizam derivativos, termo e outras opções mais complexas de investimento, a escolha é, realmente, muito complexa e subjetiva.

Quanto à parte subjetiva, pouco se pode dizer, mas para saber se uma corretora atende a todas as necessidades, tanto técnicas quanto geográficas, a BM&F Bovespa lançou uma ferramenta chamada Vitrine de Corretoras onde qualquer investidor poderá descobrir quais intermediários atendem a suas necessidades.

Para acessar, clique AQUI.

Corretoras para investidores iniciantes

Para iniciantes a situação é bem menos complexa. Ou deveria ser, mas infelizmente há pessoas sem qualquer experiência entrando em bolsa diretamente nos mercados de futuros, termo e opções. Muitas vezes alavancados.

Antes de prosseguir, saiba que utilizar instrumentos derivativos SEM CONHECIMENTO E EXPERIÊNCIA é como atravessar uma rua movimentada de olhos vendados. Se o leitor se encontra nessas condições, a sugestão é rever seus conceitos. Talvez buscar aconselhamento em outros médicos (corretoras) ou fazer alguns cursos sobre o assunto.

Mas para quem entende que bolsa é poupança de longo prazo e sabe que é preciso longos meses, até anos, para ter intimidade com as ferramentas e com as companhias em que investe, a decisão sobre a corretora ideal fica mais simples.

Parâmetros fundamentais para a escolha de sua corretora Iniciantes

Geografia

Ter uma corretora perto de sua casa, ou em sua cidade, não é, de forma alguma, pré-condição para ser bem atendido ou para abrir uma conta.

A maioria absoluta de investidores iniciantes, principalmente aqueles com aportes menores, utilizam ferramentas virtuais para realizar suas operações com ações.

Pode ser que o trânsito de documentos fique um pouco mais complexo, pelo uso do correio, mas feito o cadastro, raramente é necessário ir até o escritório da corretora. Todo o processo costuma ocorrer em frente a um computador, via Home Broker, Skype, MSN e outros instrumentos de comunicação de custo baixíssimo para falar com a corretora, com os agentes autônomos, com outros investidores e com analistas.

E para aqueles que realmente fazem questão de visitar o escritório da corretora, a boa notícia é que muitas têm representantes (agentes autônomos) em centenas de cidades brasileiras. A Vitrine de Corretoras da BM&FBovespa ajuda a achar esses representantes.

Taxa de Corretagem

O intermediário (corretora) cobra um percentual do valor transacionado a título de corretagem. A bolsa também cobra outras taxas, geralmente menores que a da corretora.

Nesse caso já é necessário algum cálculo para evitar custos de transação excessivos, isso porque algumas corretoras oferecem taxas fixas e outras utilizam a Tabela Bovespa, que é uma sugestão de custos que variam de acordo com a operação. Normalmente os custos com base nessa tabela são chamados de corretagem cheia.

Como a Tabela Bovespa lhe garante uma corretagem máxima de 2% sobre o valor da operação, pode-se considerar que esse é o máximo aceitável para um investidor iniciante.

Dessa forma, na hora de escolher entre corretagem fixa ou variável, ele deve considerar sua expectativa de movimentação para definir racionalmente seus custos.

A conta precisa é um pouco complexa, mas pode ser aproximada por algo bem simples. Se sua corretora tem um valor fixo de R$ 15,00 por operação, o divisor de águas é R$ 750,00 por operação (R$ 15,00 ÷ 2%). Se for operar sempre com valores superiores a esse, a corretagem fixa é mais vantajosa. Se for operar sempre abaixo, a corretagem variável vai ser a mais indicada.

Há corretoras que querem se diferenciar por preço e outras por serviços agregados. Por isso, há corretagens fixas variando de R$ 2,50 a R$ 30,00 por operação, assim como há corretagens variáveis indo de 0,3% a 2% por operação.

Taxa de Custódia

As ações podem ser custodiadas (guardadas) nos bancos designados pelas Companhias Abertas ou na CBLC. A vantagem de ter ações custodiadas nesta última é que estão disponíveis imediatamente para negociação. Mas há um custo para essa facilidade.

Assim como na corretagem, há intermediários que nada cobram pela custódia (mediante alguma outra compensação) e outros que chegam a cobrar R$ 30,00 por mês. Para valores custodiados muito elevados, pode haver outros custos envolvidos.

Muitas vezes as corretoras que cobram preços mais elevados embutem vários serviços que podem ou não ser do interesse do investidor. Essa percepção só ficará clara quando o mesmo desenvolver habilidade suficiente para distinguir o que lhe é realmente importante.

Subjetividades à parte, também é possível estabelecer um divisor de águas para a taxa de custódia.

A outra opção para o investimento em bolsa seriam os fundos de ações. Um fundo costuma cobrar entre 2% e 4,5% de taxa de administração, sobre o valor do patrimônio, dependendo de suas características.

Pegando uma média de 3% de taxa de administração, caso optasse por um fundo, e um valor mensal de custódia de R$ 10,00, que é um bom indicador médio para carteiras de pequeno e médio portes, o investidor deveria ter pelo menos R$ 4.000,00 (R$ 120,00 ÷ 3%) em custódia para que seus custos operando sozinho sejam equivalentes aos de utilizar fundos de ações.

Há uma grande quantidade de corretoras que não cobra do cliente a taxa de custódia, mas comumente exigem um determinado número de operações por mês.

Medos e riscos

Outro obstáculo ao investidor iniciante é o medo de se envolver em algo que não conhece.

Infelizmente, ensinar o operacional da bolsa, de compra e venda, de envio de dinheiro, de retirada de dinheiro, não é eficaz na teoria. É como dar aulas teóricas sobre andar de bicicleta. Pode ajudar, mas não vai resolver.

Mesmo os simuladores ajudam um pouco no operacional, mas difundem um sentimento irreal e que, ao contrário do que se imagina, podem afastar de vez o investidor conservador da bolsa.

Ao receber R$ 200.000,00 de dinheiro virtual, ele faz operações que jamais faria com R$ 200,00 de dinheiro próprio. Mesmo que ganhe muito na simulação, se é conservador, vai entender que aquela loteria não é para ele. E se não é conservador, e ganhar muito, é capaz de iniciar seus investimentos com aporte desproporcional ao seu conhecimento.

A mecânica das operações básicas do mercado só vai ser REALMENTE aprendida na prática. Não há outra instância a recorrer.

Seu risco será reduzido se seguir os dois primeiros princípios do Investidor Consciente. O primeiro é investir pouco (de acordo com seu patrimônio e renda) e sempre, e o segundo é reinvestir todos os ganhos que obtiver no mercado.

Se a bolsa cair 50% e você tiver comprado R$ 200,00 em ações, verá seu patrimônio cair para R$ 100,00, mas poderá comprar mais ativos por preços baixos durante a crise. Mas se colocou tudo o que tinha, por hipótese, R$ 200.000,00, não haverá o que fazer, ao menos não será possível equilibrar suas compras nos momentos de bolsa depreciada, pois todo seu dinheiro já está no mercado.

A bolsa para todos os bolsos!

Antes da revolução promovida pela tecnologia de informação nas operações de bolsa, investir em ações era um pouco caro para o pequeno poupador. As corretoras, pelos elevados custos de relacionamento, comunicação e oportunidade, davam pouca atenção a esse público.

De alguns anos para cá, o custo operacional e acesso à informação caíram o suficiente para que se possa dizer: Investir em bolsa é para todos os bolsos!

Não há mais desculpa para não começar a conhecer o mercado de ações.

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Capitalização da Petrobras – Os preços e outras dúvidas

Posted on 24/09/2010. Filed under: Finanças |

Enfim, os preços!

Estava correta a visão do UBS a respeito do pedido de aumento do lote suplementar por parte do governo. A demanda estava forte, mas isso não acabou significando preços mais altos.

O governo, provavelmente, regulou o valor e o montante de ações para permitir o aporte integral da cessão onerosa.

Mais adiante faremos as contas para ver se os números fazem sentido.

Outro ponto importante, é que os minoritários devem ter estabelecido limites próximos aos valores de mercado atuais. O que faz sentido, pois deixar o preço livre poderia fazê-lo pagar R$ 28, R$ 29 por algo que poderia comprar a qualquer momento por R$ 25, R$ 26.

Os preços:

Petrobras PN – R$ 26,30 (PETR4)

Petrobras ON – R$ 29,65 (PETR3)

Os fatos oficiais estão aqui:
http://www.bmfbovespa.com.br/pt-br/mercados/acoes/empresas/FormConsultaDetalhePlantaoNot.asp?Data=24/09/2010&Sequencia=1537

O valor total da capitalização.

Devemos esquecer o que sabemos até agora, pois a emissão feita ontem pela Petrobras não tem a mesma relação entre ON e PN divulgada no prospecto. Eles emitiram, proporcionalmente, mais PN.

Pelo que consegui entender (acredite, não é fácil…) o total captado foi o seguinte:

Novas Emissões Valor R$
ON 2.293.907.960 29,65 68.014.371.014
PN 1.788.515.136 26,30 47.037.948.077
Total 4.082.423.096 115.052.319.091

Segundo as informações oficias, haveria a possibilidade de emissão de um lote suplementar de quase 188 milhões de ações.

Dúvidas que não consegui sanar

Segundo o governo, o interesse dos minoritários foi enorme. A demanda foi pelo dobro de ações. Essa informação foi veiculada às 10:10 na Globo News, com base nos discursos de autoridades na BM&F Bovespa.

Fica uma dúvida. Se a demanda foi tão grande, por que a emissão foi menor do que a prevista (4,082 bilhões de ações contra 4,7 bilhões, com o aumento do lote de 10% para 20%)?

Por que, também, o preço foi mais baixo que o de mercado?

Ninguém sabe ainda qual será a nova participação do governo, mas os entes públicos afirmaram que os R$ 74,808 bilhões da cessão onerosa foram aportados integralmente.

Dúvidas de amigos investidores

Esqueci de falar sobre os fundos de índices. Muitos amigos pensam que os fundos de índices vão precisar entrar na oferta pública da Petrobras para continuar espelhando o índice.

Não está correta essa visão.

Eles precisam manter a proporção de Petrobras no IBOVESPA (ou nos outros índices). Essa proporção não muda, diretamente, com a oferta.

Se a Petrobras respondia, por hipótese, por 20% do IBOVESPA, nada mudará com a capitalização. A Bovespa, até onde sei, não estabeleceu regra para o preço ex-subscrição.

Portanto, os fundos de índices não só não vão, como não podem entrar na subscrição. imaginem se aumentassem a proporção de Petrobras em 50% na carteira? Iria distorcer todo o fundo. O Índice é calculado pelo número de negócios e valor negociado na bolsa. Nada a ver, diretamente, com valor de mercado.

A participação do governo

A Petrobras tinha 8,774 bilhões de ações. Ao preço do bookbuilding, isso significaria um valor de mercado de R$ 247,75 bilhões.

A parte de todos os entes do governo antes da capitalização é uma incógnita, mas estima-se algo como 40%. Ver declaração de Mantega aqui. Isso significa R$ 99,1 bi.

A nova configuração da Petrobras terá 12,856 bilhões de ações como valor de mercado de R$ 362,8 bilhões.

O governo comprou R$ 74,808 bi dos R$ 115,052 bi emitidos.

Sua participação poderá ir para 47,9%.

O tamanho da capitalização da União

O Miguel Daoud, coitado, ficou numa saia justa hoje na Globo News. Perguntado sobre os motivos de tanta comemoração, se a maior parte da capitalização não ficará com a Petrobras (apenas R$ 40 bilhões ficarão com a empresa), ele respondeu totalmente sem querer…

“O governo estava com muitos problemas de caixa e essa entrada da venda dos barris deverá resolver o problema das contas públicas desse ano”. Não foi exatamente isso, mas o sentido é preciso.

Ficou um certo constrangimento no ar… afinal, o Estadão publicou esse fato em 09/09 e ninguém mais falou sobre o assunto.

Apesar do equilíbrio entre o que os entes governamentais aportaram e o valor da cessão onerosa darem a impressão de que não houve ganho financeiro ou contábil para o controlador, na prática a situação não é bem essa.

A única forma de não haver ganho financeiro ou contábil para o controlador seria se ele emitisse os R$ 74,808 em títulos e a Petrobras pagasse a cessão onerosa COM OS MESMO TÍTULOS.

O tamanho da capitalização do governo será exatamente a diferença entre R$ 74,808 bilhões e o valor aportado pela União. Pelo valor das ON, guardem esse número:

R$ 39.610.000.396,00

Ou esse:

R$ 35.197.999.604,00

O primeiro seria o aporte da União. O segundo o aporta NA União.

Acredito que em breve a nova composição acionária da Petrobras será divulgada em fato relevante, daí poderemos concluir melhor o que aconteceu.

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Capitalização da Petrobras – Lei de Bicks ou Lei de Schultz

Posted on 22/09/2010. Filed under: Finanças, Humor |

Nunca antes na história desse país…

… se soube tão pouco sobre um evento tão importante!

Há corretoras prevendo que o bookbuilding vá trazer as PN a R$ 31,00, enquanto outras apostem em R$ 25,00.

Alguns interpretam o aumento do lote suplementar como uma indicação de alto volume (R$), mas outros, como o UBS, dizem que a demanda não garante preço, pois os investidores podem ter colocado um limite baixo.

Well, well, well…

Ainda restou uma dúvida

No dia 3, quando postei a leitura do prospecto, levantei várias dúvidas. Continuo com a maioria delas, mas algumas já não têm mais importância.

Sobrou uma apenas: O governo e os controlados entrarão na formação de preço?

É uma dúvida importante, pois eles representam até 68% da oferta (R$ 75 bi) e já avisaram que não há limite. Se o papel sair a R$ 30,00 ou R$ 35,00, vão comprar do mesmo jeito.

Tenho receio de que isso adicione ingredientes de excesso de demanda ao caldeirão de preços.

Recorrendo a duas velhas amigas

Calma gente, não é a Jeanne Mary Corner.

Qualquer pessoa que já tenha feito prova de química ou física de múltipla escolha já usou as famosas leis de Bicks e de Schultz.

Elas são especialmente úteis quando o aluno não consegue perceber diferença entre as opções A), B), C) e D).

Aí, só Bicks e Schultz.

Vamos recorrer a esses dois amigos do aluno perdidão, para estimar o preço do bookbuilding. Bicks e Schultz cabem bem por aqui.

Opção A) PN – 27,03 e ON 31,25

Essa é a opção da criatividade ZERO. Mesmo valor indicado no prospecto. Schultz e Bicks indicam 25% de chance.

Opção B) PN – 21,62 e ON 25,00

Essa opção indica grande demanda por papéis, mas com preços indicativos baixos. Schultz e Bicks indicam 25% de chance.

Opção C) PN – 24,33 e ON 28,13

Outra opção sem criatividade, ficando no intervalo médio dos preços anteriores. Os alemães também indicam 25% de chance.

Opção D) Nenhuma das Anteriores

Bicks e Schutz adoram essa… 25% de chance…

Corolário da lei de Schultz

“Quando você não sabe a resposta, todas as opções são iguais. Se você gostou mais de uma delas, provavelmente estará errada.”

Axioma de Bicks

“Quando for chutar uma resposta, não pense.”

Amanhã o mercado saberá!

Pela movimentação de pais-de-santo, cartomantes, realejos e grafistas, o bookbuilding promete ser altamente técnico.

Meus búzios, por aqui em Criciúma, indicam que o preço sairá entre R$ 0,01 e R$ 99,99, com margem de erro de 80%.

Brincadeiras à parte, e com pedido sincero de perdão pela brincadeira aos grafistas (tenho muitos amigos adeptos), está chegando ao fim a maior capitalização do mundo.

Agora já dá para falar: Nunca antes na história desse planeta… (risos)

Pessoal, só lamento que essa OPA não tenha sido organizada pela Eike Batista…

Se fosse, os americanos já teriam hipotecado Nova Iorque para não serem diluídos…

E vamos em frente!

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Nosso livro nas páginas da Revista RI

Posted on 22/09/2010. Filed under: Finanças |

A revista RI, a mais importante para o mercado de Relações com Investidores, publicou um release do livro “Quanto Custa Ficar Rico” em sua edição de número 146.

O link está aqui.

Fica meu agradecimento a toda família Nogueira. Ronaldo, Ricky e Ronnie pela deferência e gentileza.

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Capitalização da Petrobras – Debate no Conta Corrente Especial

Posted on 20/09/2010. Filed under: Finanças |

Durante o último final de semana (18-19 de setembro 2010), fui convidado para explicar algumas questões sobre a capitalização da Petrobras no programa Conta Corrente Especial da Globo News.

Bom, tentei ser o mais didático possível, mas o Adriano Pires estava tão descrente com a atuação do governo, que acabei atuando como um contemporizador…

Acho que se a Dilma vir o vídeo, é capaz de me chamar para o governo… É mole?

Bom, mas há um ponto importante. O aumento do lote suplementar é um sinal inequívoco de forte demanda.

Seria muito ruim se isso não se verificasse na prática, pois daria margem a indagações na justiça por manipulação de preço.

É sério. Depois desse sinal, a Petrobras só tem subido.

O link aqui.

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Falta de Educação Financeira Pode Fazer Investidor Levar 4 Vezes mais Tempo para Alcançar a Riqueza

Posted on 14/09/2010. Filed under: Finanças |

Breve histórico

O Brasil foi, provavelmente, o maior amigo dos rentistas durante a década de 1990 e o início dos anos 2000.

Para ilustrar esse fato, pegue a inflação anual em 1998, medida pelo IPCA, que foi de 1,66%. Pois só no mês de outubro daquele ano, já descontado o imposto de renda, a rentabilidade mensal da SELIC foi de 2,94%.

Só a partir do final do ano de 2007 é que as taxas mensais, baseadas na SELIC, ficaram abaixo de 1%.

Quase todos os economistas concordam que, para o desenvolvimento sustentável do país, esses juros mais baixos precisam se manter e, preferencialmente, ficar ainda menores.

Para o bem da economia do país, mas não para aqueles que viviam de renda, a época dos juros nas alturas parece ter ficado para trás.

A educação financeira ficou ainda mais importante

Sempre foi desejável conhecer melhor o mundo dos investimentos, bolsa de valores, imóveis, debêntures e outros veículos para acumular patrimônio no longo prazo. Porém, com taxas de juros de 26,5% ao mês, sem qualquer esforço um investidor poderia ter rentabilidades superiores às obtidas pelos melhores fundos de ações do planeta.

Estima-se que as rentabilidade médias obtidas por Warren Buffet e George Soros circulam entre 20% e 25% ao ano. Qualquer um conseguia números dessa grandeza investindo em renda fixa no país.

Hoje, a opção por deixar todos os investimentos em instrumentos de risco “zero” ou muito baixo, pode fazer com que o investidor jamais consiga atingir o status de Riqueza, conforme proposto e instrumentalizado no livro “Quanto Custa Ficar Rico?”.

A Riqueza, segundo o livro

Sem entrar em detalhes e refinamentos constantes no livro, o conceito de Riqueza significa, em outras palavras, Liberdade Financeira Plena.

Apresentar um Índice de Riqueza Pessoal (IRP) de 100% significa que o indivíduo pode ter suas necessidades de subsistência integralmente cobertas pelo yield líquido de seus ativos. Yield líquido é a remuneração em dinheiro de seus ativos, livre de inflação.

Não há qualquer relação com consumo de bens de luxo, carrões, grandes restaurantes ou vinhos de US$ 6.000,00. Para a maioria dos livros de finanças pessoais, isso não é Riqueza. Isso é consumo.

Quanto tempo leva para ficar rico?

Para mostrar o impacto da educação financeira na formação de patrimônio e no status de Riqueza dos indivíduos, propõe-se o estudo a seguir.

O estudo compara três investidores, um com elevado conhecimento das alternativas de investimento, outro com bom conhecimento de instrumentos de renda fixa e um terceiro que utiliza somente os instrumentos de risco mínimo e quer total comodidade.

Condições básicas para os 3 investidores:

  • Todos partem de patrimônio ZERO.
  • Conseguem poupar 20% de sua renda anual
  • Como conseqüência direta, conseguem viver com 80% de sua renda anual
  • Inflação de 4,0% ao ano para os próximos anos.

Características específicas dos investidores:

Investidor A – elevado grau de conhecimento sobre investimentos

  • Esse investidor consegue, durante o período em que está acumulando patrimônio, uma rentabilidade média de 20% ao ano, com renda variável focada em longo prazo e reinvestimento de dividendos. Essa rentabilidade já é livre de IR* e não desconta a inflação (rentabilidade nominal).
  • No momento em que precisa “remunerar o patrimônio”, ou seja, maximizar o yield ele é capaz de migrar sua carteira de investimentos para um portfolio que lhe dê 7,0% ao ano, já descontada a inflação, em dividendos e juros de títulos públicos e privados.

* O investidor de longo prazo em bolsa de valores tem instrumentos simples para evitar carregar um grande estoque de imposto, conforme visto no livro “O Mercado de Ações em 25 Episódios”.

Investidor B – Conhece bem os instrumentos de renda fixa, mas não usa instrumentos de renda variável.

  • Esse investidor consegue, durante o período em que está acumulando patrimônio, uma rentabilidade média de 9% ao ano, com renda fixa, pública e privada. Essa rentabilidade já é livre de IR e não desconta a inflação (rentabilidade nominal).
  • No momento em que precisa “remunerar o patrimônio”, ou seja, maximizar o yield ele é capaz de migrar sua carteira de investimentos para um portfolio que lhe dê 5,0% ao ano, já descontada a inflação, em juros de títulos públicos e privados.

Investidor C – Não tem qualquer conhecimento sobre opções de investimento. Prefere poupança ou fundos de renda fixa com elevada taxa de administração.

  • Esse investidor consegue, durante o período em que está acumulando patrimônio, uma rentabilidade média de 7,0% ao ano, com caderneta de poupança e fundos de renda fixa com elevado custo operacional. Essa rentabilidade já é livre de IR e não desconta a inflação (rentabilidade nominal).
  • No momento em que precisa “remunerar o patrimônio”, ou seja, maximizar o yield ele não é capaz de migrar sua carteira de investimentos para um portfolio de maior yield e mantém as mesmas aplicações, o que lhe rende 3,0% ao ano, já descontada a inflação, em juros de poupança e fundos.

Resultados

O Investidor A conseguiria acumular patrimônio suficiente para financiar sua subsistência exclusivamente com o yield de seu portfolio em 15 anos e 11 meses.

O Investidor B conseguiria acumular patrimônio suficiente para financiar sua subsistência exclusivamente com o yield de seu portfolio em 33 anos e 7 meses.

O Investidor C conseguiria acumular patrimônio suficiente para financiar sua subsistência exclusivamente com o yield de seu portfolio em 55 anos e 6 meses.

O que se pode entender do estudo é que, no Brasil de juros mais modestos, o investidor vai precisar incrementar seu conhecimento sobre instrumentos de renda variável, se quiser atingir a Riqueza, ou a Liberdade Financeira Plena, em um tempo mais curto.

É importante ressaltar que as rentabilidades sugeridas são hipotéticas. Apesar do histórico da bolsa brasileira indicar rentabilidades muito superiores aos 20% obtidos pelo Investidor A, esse patamar não é baixo e vai requerer, no mínimo, intimidade com o mercado, intimidade com as empresas em que investe e muita disciplina para reinvestir todos os ganhos durante o período de semeadura.

Para fazer seu próprio cálculo, há duas planilhas disponibilizadas para download a seguir:

– Planilha 1: Quanto tempo leva para ficar rico, partindo de patrimônio ZERO?

– Planilha 2: Quanto tempo leva para ficar rico, partindo do patrimônio atual?

Importante! Os cálculos são complexos e requerem métodos numéricos, portanto é necessário habilitar as macros (programação) das planilhas.

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Bill Gates e Steve Jobs – Paródias sobre dinheiro…

Posted on 13/09/2010. Filed under: Humor |

… MUITO DINHEIRO…

Divirtam-se

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Capitalização da Petrobras – Estadão Desvenda o Mistério

Posted on 10/09/2010. Filed under: Finanças |

A agência Estado publicou na noite ontem em seu site e como manchete principal em seu jornal “O Estado de São Paulo”, uma matéria que corrobora a primeira impressão sobre a leitura do Prospecto.

“É possível que, em vez de o governo capitalizar a Petrobras, o minoritário é que vai capitalizar o governo.”

Não é com esses termos que o jornal se manifesta, mas dá no mesmo. Leia aqui.

BNDES, Caixa, FSB, todos são minoritários e dinheiro não tem carimbo. Se um investidor individual colocou R$ 300.000 e a Caixa colocou R$ 1 bilhão, no caixa da empresa entrarão R$ 1.000.300.000. Tudo é da Petrobras.

Se sai do caixa da empresa para o governo, é o minoritário capitalizando a União.

Minha ingenuidade…

É realmente uma arte ser brasileiro. Quando li as notícias iniciais da capitalização da Petrobras, sabia que o governo não teria dinheiro para aportar e inventaria alguma estratégia viável.

Vender poços de petróleo era uma idéia interessante para substituir esse aporte. Faz parte do negócio da empresa e é algo reconhecido por investidores estrangeiros e nacionais.

Mas havia entendido que o governo aportaria em barris SOMENTE o necessário para chamada de capital.

Se precisasse aportar R$ 40 bi, venderia, por hipótese, 2,8 bilhões de barris. Se precisasse aportar R$ 50 bi, venderia o equivalente em barris.

Não passou pela minha cabeça que o governo pudesse vender para a Petrobras R$ 75 bilhões em barris, independente do resultado da capitalização. Tudo foi muito rápido, tem menos de 10 dias!

Qual o valor da receita esperada pela União?

Nas páginas 67-68 do prospecto, a União já define o seu aporte (não o das coligadas), considerando uma não-adesão de 50% dos minoritários na oferta primária. A União só compraria ON.

Segundo o prospecto, isso daria uma compra de 1.335.919.069 ações ON. A R$ 31,25, significa um aporte de R$ 41.747.470.906,00.

Também pelo prospecto a União, diretamente, não participaria de nenhuma outra oferta (varejo, institucional e lotes extras).

Qual a expectativa de receita a ser recebida pela União?

R$ 74.808.000.000 menos R$ 41.747.470.906 = R$ 33.060.529.094

E se a capitalização for um sucesso, e o governo e controlados não conseguirem colocar os R$ 75 bi?

O que o Estadão sugere é que a estratégia de colocar todos os entes federais para comprar ações em dinheiro ou em títulos públicos vai funcionar como uma forma de comprar qualquer sobra possível da capitalização, de maneira que ela seja um sucesso, pelo menos até o suficiente para cobrir a cessão onerosa.

Mas essa não é a questão mais relevante. O que assustaria mesmo, seria o fato de a capitalização ser um sucesso, com elevada participação dos minoritários.

É que, nesse caso, quem colocaria dinheiro não seria o BNDES, FSB ou Caixa, mas sim os minoritários que nada tem a ver com o governo.

Imagine que a oferta capte R$ 110 bi, conforme as projeções do prospecto, com ampla adesão dos minoritários (80%) e sucesso nas ofertas de varejo e institucional (sem lotes extras).

Os entes de governo, incluindo a união, conseguiriam aportar não mais do que R$ 46,99 bilhões. Os outros R$ 63,81 bilhões viriam de minoritários, pois eles exerceriam seus direitos de preferência.

E a Petrobras teria que pagar os R$ 74,808 bi. Nesse caso, não restaria dúvida de que parte do dinheiro que foi utilizado para pagar a cessão onerosa teria vindo de minoritários.

Não dá para afirmar que os investidores pessoas-físicas estão cientes dessa possibilidade. Tudo foi muito rápido.

Não é bom para a Petrobras, nem para o minoritário e pode ser ruim também para o majoritário (União).

Se o dinheiro ficasse no caixa da Petrobras, a operação estaria mais do que justificada. Mas, como se vê e com base na página 140 do prospecto, apenas 32% do valor capitalizado ficará com a empresa.

O governo corre risco de parecer inimigo da empresa que é tratada como um orgulho para os brasileiros.

Por fim, mas não menos importante

Só para lembrar o mecanismo de aporte. Muitos devem estar confusos com a questão de “aportar barris de petróleo”.

A União, através do Tesouro Nacional, vai emitir títulos públicos para pagar sua parte na capitalização.

Considerando as premissas do próprio prospecto, emitiria R$ 41 bilhões.

Em 30 de setembro de 2010, receberia, com os mesmo títulos públicos e com dinheiro, R$ 74,808 bilhões.

O aporte do governo virá em títulos públicos. A operação só não vai aumentar a dívida pública, pois o governo receberá, ainda dentro do mês de setembro, R$ 74,808 bi, que entrará como receita semelhante à obtida nas privatizações.

Como emitirá, provavelmente, menos do que receberá, isso deve contribuir para melhoria das contas públicas.

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A queda das elétricas – ameaça ou oportunidade?

Posted on 10/09/2010. Filed under: Finanças |

A ANEEL

Como vocês já devem ter lido ou visto em jornais e programas de TV, a ANEEL resolveu publicar várias regras que beneficiam o consumidor, especialmente o inadimplente, e aumentam os custos das concessionárias do setor elétrico.

Além disso, arbitrariamente definiu uma taxa de desconto (ganho máximo das elétricas) de 7,15%, hoje está em 9,95% para a definição das futuras tarifas.

As primeiras regras já entram em vigor neste ano, a nova taxa vai ficar em consulta pública até dezembro. Se a taxa for inviável, é possível que as empresas consigam uma revisão para cima.

Leiam aqui.

Por que as elétricas caíram de 8% a 15% em 3 dias?

A perda não é imediata, vai vigorar a partir de 2011, porém as perspectivas de receita, geração de caixa e lucro mudam imediatamente. Dessa forma, alguns analistas estimam uma queda de até 10% para os preços-justos dessa ações.

Valuation é isso aí. Fluxo de caixa descontado. Caiu a perspectiva de fluxo… caiu o preço justo.

Meus dividendos, como ficam?

Se os lucros caem, os dividendos tende a cair, mas não necessariamente o dividend yield (DY), pois esse depende do preço que você pagou pela ação.

Quem comprou Eletropaulo a R$ 37 há algum tempo, provavelmente teria um DY menor do quem a comprou a R$ 30,50 ontem. Mesmo que, naquela época, ainda não houvesse a possibilidade de uma redução tão forte nos termos que balizarão reajustes futuros.

E certamente para quem já há alguns anos faz poupança em Eletropaulo, Equatorial, AES Tietê e Coelce, tendo comprado essas empresas a valores 40% – 50% menores do que os que estão hoje (já depois da queda), não deverá ser significativamente afetado pela possível mudança;

Redução de preço traz…

Aumento de demanda. É a lei. E, ao menos no Brasil, funciona melhor até do que o código penal. Não é impossível que uma redução nas tarifas, como ocorrido algumas vezes, tenha impacto direto no aumento de demanda.

Dessa forma, não necessariamente as perdas com preço se transfeririam integralmente para perdas na receita e no lucro.

Elétricas crescem com…

Elétricas crescem com o crescimento do PIB do país, melhorias operacionais e redução de perdas e roubos, crescimento da população, crescimento no número de domicílios e no número de eletrodomésticos por domicílio, redução de custos de financiamento (BNDES a 4,5% ou 6%) etc.

É normal o nervosismo e a venda desenfreada. Há todos os perfis possíveis na bolsa. Há até quem faça trade com elétricas. É o trade-jabuti, dada a baixa volatilidade das ações.

Apesar da imprudência da ANEEL, ao oferecer um WACC quase 30% menor do que o anterior, e das interessantes benesses ao consumidor, especialmente em época de eleição, o sistema ANEEL-Elétricas-Consumidores é complexo demais e tenderá a buscar uma convivência aceitável para todos.

E se o DY de COELCE já estava em 15% quando a COCE3 custava R$ 30,00, é possível que fique até maior para quem a comprou ontem por R$ 26,80.

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Capitalização da Petrobras – Leitura do Contrato de Cessão Onerosa

Posted on 09/09/2010. Filed under: Finanças |

Em posts anteriores levantei uma dúvida, com base na página 140 do prospecto da Petrobras, quanto à possibilidade do governo receber mais do que o aporte que vai fazer na empresa.

Pois a leitura do contrato de Cessão Onerosa e a transcrição da Teleconferência com o Presidente Gabrielli deixam a questão mais clara.

A teleconferência de Gabrielli, a lei e as Participações Especiais.

Ontem procurei fazer um contraponto construtivo à posição do engenheiro Paulo Lima (ler aqui). Ele afirma em artigo do portal Energia Hoje que a União perderá US$ 160 bilhões, em valores de hoje, se abrir mão das Participações Especiais nos campos da Cessão Onerosa.

Vi 2 problemas no artigo:

1- Não vi garantias de que as Participações Especiais não seriam cobradas. As leis, a meu ver, deveriam dizer isso explicitamente. Talvez eu tenha perdido alguma pelo caminho… mas investiguei bastante e li todos os PLC que consegui achar.

2- Do ponto de vista econômico, parece irreal pensar que os 5 bilhões de barris iriam gerar, em valores de hoje, US$ 250 bilhões (sem descontar o que a União receberia) em participações especiais. No melhor momento da Petrobras e do Petróleo (2008) ela pagou, no ano, US$ 6,5 bilhões para uma produção de 800 milhões de barris. Parece sem sentido.

Mas Gabrielli afirma, categoricamente, que as Participações Especiais não serão cobradas. Aqui.

Como se pode ver no link, às 19:01 do dia 02 de Setembro de 2010 o presidente afirma que as Participações não serão cobradas, pois já entraram no custo.

Infelizmente tenho que retornar à questão:

– Não achei a lei que garante a não incidência das Participações Especiais.

– Se Gabrielli afirma que já entraram no custo, isso significa que estão incluídas no valor que a Petrobras vai pagar pela cessão onerosa? Se isso for verdade, o dinheiro terá que ser distribuído imediatamente entre os entes da federação, conforme a lei atual.

Bom, mas como já disse anteriormente, não tenho erudição jurídica suficiente para esgotar o assunto. Resta-nos acompanhar. Caso algum leitor tenha algum link indicando a lei que muda essa questão, será muito bem vindo na área de comentários.

A questão financeira é mais simples e direta.

Ontem, ao ler na íntegra o contrato de Cessão Onerosa, consegui tirar duas dúvidas:

– A Petrobras vai pagar ao governo R$ 74,8 bilhões em 30 de setembro de 2010, independente da participação da União no processo de capitalização. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa…

– O pagamento será em títulos públicos ou dinheiro.

Na mesma teleconferência os dirigentes da Petrobras afirmam isso algumas vezes:

– 18:59 – O valor a ser capitalizado será de R$ 74,808 bilhões

– 19:28 – A empresa está fazendo uma aquisição firme. Não há dúvidas quanto ao volume sendo adquirido. Por isso, estamos com 5 bilhões a mais, independente de onde virão. Isso é o que o contrato nos assegura. No nosso balanço, ao final do 3º tri, incorporamos o direito adquirido de produção de 5 bilhões de barris.

– 19:42 –

Vamos pagar o valor já. Um cheque razoável de 74 bilhões de reais.

Só tem um coisa que falta fechar…

Não tenho condições técnicas para me estender sobre a questão da legislação. Sei que o congresso correu para definir as condições para exploração do pré-sal, por isso mesmo não seria impossível que tenham cometido algum “pecadilho” legal. Na pressa essas coisas acontecem.

Mas quanto à questão da capitalização dá para falar, pois o entendimento é claro.

1. A Petrobras vai transferir ao governo R$ 74,808 bilhões de CAIXA (títulos são quase tão líquidos quanto dinheiro).

2. O Governo vai aportar, de acordo com as páginas 67-68 do Prospecto, aproximadamente R$ 48 bilhões, já considerando um percentual razoável de não-adesão dos minoritários.

Pergunto: Por que a Petrobras, que precisa de CAIXA, vai transferir ao governo quase R$ 27 bilhões (segundo as expectativas do próprio governo), dinheiro aportado por minoritários?

Seria razoável uma operação casada: aportou R$ 48 bilhões, transfere o número de barris que atinja os R$ 48 bilhões.

Ou, se o governo forçasse o aporte dos R$ 74,808 bilhões. Só que isso, pelas regras do Prospecto, só acontecerá se houver uma adesão baixíssima dos minoritários.

Esperemos os desdobramentos…

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Forja Taurus no Clube Stratocaster

Posted on 09/09/2010. Filed under: Finanças |

Alguns comentários sobre a Forja Taurus (8% do patrimônio do clube).

Ramo de atuação

Nem todos sabem, mas a Forja Taurus não atua somente no segmento de Armas, apesar de ser o carro-chefe da empresa.

Outros itens de segurança como blindagens e capacetes, além da produção de máquinas e ferramentas especiais, representaram quase 34% do faturamento da companhia no 1S10.

O setor de armas, principalmente por conta das vendas aos EUA, ainda representa quase a totalidade das exportações e 66,5% das vendas totais.

Investir em empresas de armas???

Apenas um cotista reclamou da entrada da Taurus no portfólio, por questões de natureza moral/ética. Meu contraponto, apesar de respeitar muito as colocações do cotista, foi colocar que não há evidências, em nenhum país do mundo, que o volume de armas nas mãos da população esteja ligado ao crescimento da violência.

Aliás, o país com mais armas “per capita” no mundo é o Canadá. Que está longe de ser um lugar preocupado com índices de violência. Nos EUA, apesar do sensacionalismo de “Columbine”, é quase impossível achar algum Estado que tenha índices de violência semelhantes aos do Brasil. E absolutamente impossível achar algum Estado com os índices encontrados no Espírito Santo (100 homicídios/100 mil habitantes), ou na Venezuela (140 homicídios/100 mil habitantes).

Outro ponto que coloquei é que não poderia, como representante e fundador do clube, desistir de uma oportunidade de investimento por motivos controversos. Carros matam quase tanto quanto armas, alguém poderia argumentar que não deveríamos investir em Marcopolo ou Randon… Aliás, no RJ até bueiro da Light mata!!!!

Aliás, políticos corruptos matam mais do que tudo! Mas eu prometo que se o Senado e a Câmara abrirem o capital, jamais vou colocar um centavinho só do clube nos IPO´s…

Voltando à FJTA4

Quem tem ações há algum tempo conhece a política de dividendos/bonificações da FJTA. É corriqueiro, na assembléia que homologa os resultados do ano, a empresa declarar uma bonificação gratuita (10%-20%) e uma distribuição de lucro da ordem de 30%.

É muito semelhante à prática da Itaúsa.

As ações estão cotadas, hoje, a R$ 4,35.

O Valor Patrimonial das ações (1S10) está em R$ 3,28. P/VPA = 1,32

O P/L está um pouco prejudicado, pois incorpora um resultado muito fraco do 3T09. O LPA acumulado, incluindo esse trimestre fraco está em R$ 4,25, indicando um P/L levemente superior a 10. Nada assustador, a empresa já chegou a ter P/L 30 em 2007. Naquela época, nem Pensar. Ave Buffett, Ave Graham e Ave prof. Robert Shiller!

A manter o padrão de vendas e margens, a empresa poderia chegar a um Lucro de R$ 65 milhões (34 milhões no 1S10). Isso indicaria, caso ocorra, um LPA de R$ 0,51. Um P/L de 8,5 é confortável para uma small cap.

Reestruturação

Logo na Home Page de Companhia há informações sobre os entendimentos para substituição do presidente, possível entrada no Novo Mercado e emissão de ações.

Os principais acionistas PN (Previ e Geração Futuro) pressionam a companhia para deixar o passado “familiar” um pouco de lado e profissionalizar a FJTA.

Não parece ser para agora, algo para 2011, 2012.

Aliás, pelas recentes trocas de ações ON por PN da Randon, a empresa deve ir pelo mesmo caminho.

Melhores práticas de Governança Corporativa são sempre bem vindas!

O problema maior

Sem contar as considerações de cunho moral/ético, a questão mais complicada de investir em FJTA é a baixíssima liquidez. Se algum acionista com R$ 3 milhões em FJTA acorda desejando trocar de posição, pode escrever que a menina vai cair por alguns dias…

Uma reformulação no controle, permitindo voto a todos os acionistas, e uma emissão em torno de R$ 150 milhões (25% do valor de mercado) poderia melhorar a liquidez, o que permitiria a atuação de investidores maiores.

Vamos esperar. Mas não adianta ter pressa. Esse processo é demorado mesmo. O controlador tem 74 anos e trouxe a empresa praticamente do ZERO, a um faturamento bruto de quase R$ 1 bilhão.

O sujeito tem muitos méritos!

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Capitalização da Petrobras – Comentários sobre Artigo do Portal Energia Hoje

Posted on 08/09/2010. Filed under: Finanças |

O objetivo de hoje era ler as 80 páginas do Contrato de Cessão Onerosa entre a Petrobras e a União, para tirar aquela dúvida sobre a possibilidade do governo receber “troco” pela vendas dos barris.

Mas um amigo que trabalha no ramo de Petróleo me alertou para um artigo do portal/revista Energia Hoje, onde um ex-funcionário da Petrobras e Doutor em Engenharia de Fluidos (Paulo César Ribeiro Lima) afirma que a cessão onerosa é, na verdade, uma cessão com bônus, pois a União (nós…) estaria abrindo mão de US$ 160 bilhões de dólares, em valores de HOJE.

Depois escrevo sobre o contrato de cessão onerosa.

Para ler o artigo do engenheiro (é curto) clique aqui.

Por que o governo perderia dinheiro?

Na colocação do engenheiro Paulo Lima, o contrato de Cessão Onerosa não prevê pagamento de Participações Especiais no petróleo retirado das áreas de concessão.

Participações Especiais são pagamentos trimestrais sobre lucro de campos que atinjam substanciais volumes de produção. As alíquotas podem chegar a 40%.

O engenheiro afirma que, ao abrir mão desse valor o Estado incorreria numa perda muito maior do que o valor pago pela Petrobras pela Cessão Onerosa.

Não consegui respaldo para as afirmações do engenheiro

É evidente que, se o artigo estiver correto, dará margem a muita contestação na justiça. Afinal, a Petrobras é uma empresa de economia mista, com 60% de seu capital em mãos privadas (mais da metade disso em mãos de estrangeiros).

Primeira dúvida

Acabo de ler o contrato de Cessão Onerosa e, realmente, ele se apresenta omisso quanto à questão das Participações Especiais. Isso significa que não há detalhamento explícito sobre as Participações Especiais.

Mas não significa que elas não serão cobradas!

Os projetos de lei 5938/2009 e 5941/2009 não são, de forma alguma, categóricos ao afirmar que as Participações Especiais não incidem sobre a Cessão Onerosa.

Numa leitura leiga, pois não sou advogado, parece que os regimes permanecerão os mesmos.

Isso, inclusive, é outra dúvida importante a tirar sobre o processo de capitalização da Petrobras.

A empresa terá que pagar as Participações Especiais sobre o petróleo extraído dos campos da Cessão Onerosa?

Segunda dúvida

Essa questão jurídica é meio complexa, mas a questão financeira é bem simples.

No ano de 2008, com aquele petróleo de US$ 150, a Petrobras pagou a título de Participação Especial, algo como R$ 11,5 bilhões. Veja no release de resultados de 2008.

A dólares de hoje, isso indicaria US$ 6,5 bilhões.

As participações especiais só começam após alguns anos de produção, de forma que, para os campos da cessão onerosa, seriam esperados somente a partir de 2019-2023, dependendo dos campos. Para mais sobre a curva das Participações Especiais, clique aqui.

O volume de produção da Petrobras, que gerou aquelas participações, foi de, aproximadamente, 800 milhões de barris. 800 milhões de barris = US$ 6,5 bilhões. 5 bilhões de barris = US$ 40 bilhões.

Sei que nem todos os campos estão sob o regime de Participações Especiais, só os mais produtivos, mas mesmo assim a diferença é muito grande.

Considero sem sentido falar em uma perda de US$ 160 bilhões A VALOR PRESENTE, de um fluxo que se iniciará em 2019 e que, hoje, não passa de US$ 6,5 bilhões por ano.

Por fim…

É possível que o engenheiro esteja correto, e que minha avaliação peque em algum ponto onde minha erudição não alcança.

Entretanto, com os dados disponíveis no mercado, vejo fragilidade em dois pontos:

– Afirmar que as participações não serão pagas. Será?

– Afirmar que a perda será de, a valor presente, US$ 160 bi na extração de 5 bilhões de barris, quando a Petrobras paga apenas US$ 6,5 bi na extração de 800 milhões de barris. Isso dá algo como US$ 8,1 bilhões a cada bilhão de barris, se multiplicar por 5 daria, a valores de hoje, US$ 40 bi. É menos do que o governo vai arrecadar com a venda. E ainda ganhará royalties (esses com certeza).

Alguém poderia argumentar: Mas nem todos os campos pagam Participações Especiais… E eu digo: mais um motivo para achar que as premissas do engenheiro podem estar exageradas. Isso também poderá ocorrer nos campos da Cessão.

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Capitalização da Petrobras – Update 4 – A Imprensa não está informando adequadamente…

Posted on 06/09/2010. Filed under: Finanças |

A imprensa não está fazendo um bom trabalho na informação dos desdobramentos do prospecto da Petrobras. Não é culpa dos jornalistas, como ficou evidente no UPDATE 3, há muitas dúvidas mesmo para quem leu todo o prospecto e tem bom entendimento do mercado de ações.

Leiam o que saiu na Agência Estado hoje: aqui.

No sábado, o Jornal O Globo (não tenho o link) afirmou que a Oferta Prioritária seria de 80% das ações emitidas e que os 20% restantes iriam para as ofertas de Varejo e Institucional. A primeira informação está correta e é tratada de forma claríssima no prospecto. A segunda informação é duvidosa. Não há, em qualquer parte do prospecto (eu li a versão do dia 03, não sei se há outra) a indicação de que os 20% restante iria para essas ofertas.

No link da Agência Estado, ao menos, eles não se aventuram a informar o que não está claramente explícito no prospecto. Porém, deixam claras as inconsistências.

Afirmam que serão 3 ofertas. A Prioritária, que será exclusiva dos acionistas atuais, a de Varejo, que distribuirá as sobras da Prioritária e a Institucional, que distribuirá as sobras das duas ofertas.

Pois bem… se a prioritária distribuirá 80% do total ofertado, para onde vão os 20%?

Outra informação imprecisa que está sendo veiculada é que o acionista precisa aportar 34% de seu patrimônio atual para não ser diluído.

Não é verdade. Serão emitidas 42,85% de novas ações, mesmo que o acionista compre 34% ele será diluído. Ele poderá ser diluído em 30% (se não entrar) ou 6% (se entrar com 34%).

O resumo das dúvidas

Para facilitar, coloco um resumo das dúvidas que tive ao ler o release. Caso algum leitor mais atento tenha conseguido compreender o prospecto melhor, coloque os esclarecimentos nos comentários. Vai nos ajudar bastante!
Ah… não esqueça de indicar a fonte, ou a página do prospecto que tira a dúvida.

1. Qual o destino dos 20% de ações não distribuídas na Oferta Prioritária?

2. O Governo afirmou que vai subscrever até R$ 75 bilhões sem limite de preço. Como seu direito é bem menor (entre R$ 40 e R$ 48 bilhões), essa “compra firme” vai impactar de que forma o bookbuilding? Sabemos que se há um comprador enorme, que paga qualquer preço, isso pode puxar bastante o preço para cima. Existe esse risco?

3. Na página 140 do prospecto, a empresa afirma que 68% dos R$ 110 bi irá para pagar a cessão onerosa. Se a capitalização for um sucesso e os minoritários exercerem maciçamente seu direito de preferência, o governo NÃO VAI colocar os R$ 75 bilhões (iria, no máximo, a R$ 48 bilhões).
Se o governo não colocar os R$ 75 bilhões, equivalente à cessão onerosa, a Petrobras vai precisar pagar o valor integral?
Trocando em miúdos: Existe o risco do governo aportar, por hipótese, R$ 48 bilhões em títulos, e receber de volta R$ 75 bilhões em títulos e dinheiro?

4. Há a previsão de rateio das sobras da oferta prioritária para os que compraram ações. Há também previsão de rateio das sobras das sobras.
Pergunto: É possível que todas as ações sejam subscritas pelos atuais acionistas, comprando as sobras das sobras?
Outra: Se isso é possível, e o Governo vai comprar 68% do valor total previsto para a oferta, isso significa que o governo vai atuar nas sobras e nas sobras das sobras?
Se for assim, dificilmente vai sobrar ações para o varejo. Exceto se for muito ruim a adesão ao direito de preferência.

É isso.

São dúvidas que a empresa consegue dirimir em segundos. Vamos esperar!

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Capitalização da Petrobras – Update 3 – Leitura do Prospecto

Posted on 03/09/2010. Filed under: Finanças |

O prospecto de 620 páginas foi divulgado hoje, dia 03/09/2010. Para ler o prospecto, clique aqui.

Há uma enormidade de notícias sobre o assunto, elas já trazem todos os pontos mais evidentes da oferta.

Vou procurar não ser trivial e trazer pontos ainda não tratados pelos jornais, bem como levantar algumas questões que não consegui entender ao ler o prospecto.

A oferta básica e os lotes extras

A oferta pública vai, inicialmente, disponibilizar 2,17 bilhões de novas ações ON e 1,58 bilhões de ações PN, totalizando 3.759.941.898 novas ações. A proporção entra ON e PN é EXATAMENTE igual à que a companhia tem hoje (57,82% de ON e 42,18% de PN).

Essa nova emissão, aos preços praticados no prospecto (R$ 31,25 para ON e R$ 27,03 para PN) representaria um aumento de capital de R$ 110,8 bilhões.

Pelo que entendi, caso haja demanda, um lote adicional e um lote suplementar, totalizando 15% a mais no número de ações, poderão ser ofertados.

Nessa hipótese o valor da companhia poderia chegar (aos preços colocados anteriores) a R$ 385 bilhões.

Primeira dúvida… Quem comprará as ações que não vão à oferta prioritária?

O prospecto indica que apenas 80% das ações emitidas irá a mercado na oferta prioritária (aos acionistas atuais). Porém não consegui encontrar qual seria o destino dos 20% restante.

Pode-se ter a impressão de que as ações restantes iriam diretamente a mercado, sem passar pelo direito de preferência, mas isso TAMBÉM não é dito, de forma clara, pelo prospecto.

Uma opção plausível seria a de que o governo e as entidades relacionadas iriam subscrever diretamente essas ações.

Isso faz algum sentido pela leitura das páginas 67 e 68 do prospecto. A posição do Governo sairia de 2.818.751.784 ações ON para 4.154.670.853 ações ON, 1.335.919.069 a mais (47,4% a mais).

Isso não seria possível, caso o governo exercesse exclusivamente seu direito de preferência (55,56% das ON). Como somente 80% das ações irá a oferta pública prioritária (total de 1.739.259.091 ações ON), a União só poderia comprar, antes das sobras, 966.332.367 ações ON, bem menos do que está antecipado no prospecto.

A não ser que esteja considerando comprar as sobras da Oferta Prioritária, mas é uma premissa que, creio eu, não deveria estar no prospecto.

É possível que os 20% seja comprado pela União e coligados, mas não dá para afirmar. Se alguém tiver informações mais detalhadas, deixe nos comentários que aprovo e todos poderão ver.

Obs. Pausa para o português… 80% e 20% são números menores do que 1, portanto a concordância dos verbos, no singular, está correta.

Acionistas do FMP-FGTS

O governo resolveu a questão do FGTS indicando que o direito de preferência desse grupo está limitado a 30% do saldo restante nas contas vinculadas de FGTS.

Pelo que entendi, se o sujeito não tiver o suficiente, perderá participação.

Haverá diluição, mesmo para os que exercerem todo o direito de preferência

A companhia vai emitir, no mínimo, 42,85% a mais de ações com base no que tem hoje. Porém, o direito de preferência estará limitado a 80% dessa emissão, o que equivale a 34,28%;

A diluição (perda de participação) mínima, para quem exercer o direito e não comprar sobras, será de 6% da participação, (1,3428/1,4285).

Para quem não exercer o direito, a diluição de participação será de 30%, (1/1,4285).

O curioso dessa diluição é que os números são quase redondos. Dá 5,99958% no primeiro caso e 29,9979% no segundo caso.

Alguém fez essa conta… com certeza!

As sobras e as “sobras das sobras”

O prospecto trata das sobras das páginas 74 a 76.

Pelo que consegui entender da leitura das regras, caso haja sobras na primeira reserva, quem manifestou interesse em comprar essas ações poderá participar do rateio das sobras, até o limite da proporção de sua participação na subscrição.

Caso haja sobras das sobras, as ações poderão ser INTEGRALMENTE rateadas entre os acionistas interessados.

Em resumo, pode ser que não sobre nada da Oferta Prioritária. Pode ser que tudo fique entre os sócios atuais.

E ainda, os acionistas ON poderão participar de sobras das “sobras das sobras” das PN…

Como o governo e o BNDES já indicaram que desejam subscrever ações até o limite de R$ 74.807.616.407,00 (quase 70% de toda a expectativa de aporte) é razoável esperar que não haverá sobras…

A parte do governo não vem em dinheiro.

O contrato de cessão onerosa garante ao governo uma venda de R$ 74,8 bilhões em barris do pré-sal. É dessa forma (indiretamente) que o governo vai aportar seus recursos no aumento de capital.

O presidente Gabrielli deu uma entrevista hoje que traz informações, em minha opinião, que podem desestimular o investidor individual a acompanhar o aumento de capital. Leia aqui.

Ele afirma que:

– O primeiro campo cedido pelo governo entrará em produção em 2015 e o último em 2020.
– As reservas de 5 bilhões de barris só poderão ser incorporadas após 4 anos, pois é a fase prevista para exploração
– Caso haja poços secos, o prejuízo é da Petrobras

Infelizmente não são notícias boas. A Petrobras vai COMPRAR os 5 bilhões de barris por R$ 75 bilhões. Antes a empresa pagava um valor pequeno pelas concessões, para arcar com todo o risco da operação. Inclusive de não ter petróleo.

Não é razoável que ela pague essa fortuna por uma área que, ao que tudo indica, não há comprovação suficiente da existência de petróleo.

Só para ter uma idéia, Eike Batista gastou R$ 800 milhões nas primeiras licitações da OGX. A empresa, hoje, vale R$ 66 bilhões e, segundo o release de resultados tem mais de 6 bilhões de barris comprovados.

Teria sido melhor para a Petrobras comprar a OGX. Com todo o respeito…

Agora a dúvida maior. Eu realmente não entendi o que li no prospecto! Ou entendi e não acreditei…

Peço, por favor, que leiam a página 140 do prospecto, a que trata da “Destinação dos Recursos“.

Pois bem, como o aporte do governo não será feito em dinheiro, para a Petrobras seria melhor que esse aporte fosse o menor possível.

Pela leitura da página 68, pode-se entender que o aporte do Governo e do BNDES (pela nova posição de ações que teriam após a oferta) ficaria em R$ 48 bilhões, e os R$ 62 bilhões restantes viriam do mercado, totalizando R$ 110 bilhões.

Pois o prospecto diz CLARAMENTE que 68% dos recursos captados será destinado à contrapartida da Cessão Onerosa. 68% de R$ 110 bi correspondem a aproximadamente os R$ 75 bi que a Petrobras terá que pagar ao governo.

Só que meu entendimento tinha sido outro. Imaginei que o governo iria utilizar o contrato de cessão onerosa EXCLUSIVAMENTE para pagar seu aporte no aumento de capital.

Pela leitura do prospecto, caso realmente o mercado entre com R$ 62 bilhões, o governo fará um aporte em títulos públicos de R$ 48 bilhões, e receberá da Petrobras R$ 75 bilhões em dinheiro e títulos, pelo contrato de cessão onerosa.

Isso não faz qualquer sentido. Em vez de capitalizar a Petrobras os investidores estariam capitalizando a União!!!

Está aí uma coisa que precisa ser esclarecida. Minha primeira impressão indicava que o governo aportaria “barris” até o limite da chamada de capital, não mais do que isso.

Dúvidas… isso é que dá querer ler um prospecto de 620 páginas…

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Capitalização da Petrobras – Update 2 – Qual será o aporte?

Posted on 02/09/2010. Filed under: Finanças |

Quais os limites da capitalização da Petrobras?

Esses limites e alguns outros parâmetros importantes foram definidos na Assembléia Geral Extraordinária do dia 22 de junho de 2010. Leia a ata aqui.

A Petrobras promete para amanhã (3 de setembro de 2010) um prospecto mais claro sobre as condições da oferta, mas dá para adiantar alguns pontos e levantar algumas dúvidas.

Na ata fica um pouco confusa a questão do direito de preferência. A leitura do início do documento passa a impressão de que a empresa vai conceder direito de preferência aos acionistas antigos, mas o texto final do Estatuto Modificado da Petrobras parece deixar claro que a empresa PODE não dar o direito de preferência aos acionistas atuais.

Veja a seguir o texto do Artigo 4°:

“§ 1º- Observada a disposição transitória prevista neste Estatuto, a Companhia está autorizada a aumentar o capital social, independentemente de reforma estatutária, por deliberação do Conselho de Administração, em até R$ 60.000.000.000,00 (sessenta bilhões de reais), mediante a emissão de ações preferenciais e até o limite quantitativo de 2.400.000.000 (dois bilhões e quatrocentos milhões) de ações, sem conceder direito de preferência aos acionistas, ou, se concedido este direito, com redução do prazo de que trata o artigo 171, parágrafo 4º, da Lei das Sociedades por Ações.”

De qualquer forma, as condições expostas na ATA indicam os seguintes limites para a capitalização:

Distrib. Atual Novas Emissões Nova Distrib.
ON 5.073.347.344 3.200.000.000 8.273.347.344
PN 3.700.729.396 2.400.000.000 6.100.729.396
Total 8.774.076.740 5.600.000.000 14.374.076.740

Há um limite de R$ 150 bilhões que indicaria um preço de R$ 28,125 para a ON e R$ 25,00 para a PN.

Ao preço de hoje, a emissão de 3,2 bilhões de ações ON e 2,4 bilhões de ações PN indicariam uma capitalização de mais de R$ 160 bilhões, superior ao limite financeiro imposto pela AGE. É possível que o preço da oferta pública, indicado no prospecto de amanhã venha com os valores indicados acima.

O aporte da união ficaria em R$ 74,808 bilhões

O DRI da Petrobras, Almir Barbassa, indicou que a empresa pagará R$ 74,808 pelos barris da concessão. Leia aqui.

Esse valor deixa a operação um pouco mais complexa, pois é bem superior ao direito de subscrição da União.

Conforme visto no post anterior, a participação da União está em 51,27% das ações ON, após a capitalização do BNDES e da Caixa. Somando as participações de outras entidades ligadas ao governo, chegaria 57,5% do capital votante.

Não é razoável esperar que o governo vá comprar ações PN. Portanto, esses R$ 74,8 bi serviriam para comprar a emissão das ON.

O direito do governo seria, hoje, de comprar 51,27% dos R$ 90 bilhões de novas ações ON, ou seja, pouco mais de R$ 46 bilhões (supondo Petr ON a R$ 28,125).

Se for oferecido o direito de preferência a todos os acionistas, não será possível aportar R$ 74,8 bilhões na primeira rodada do aporte. Talvez nas sobras seja possível, caso haja pouco interesse dos minoritários.

Sem o direito de preferência, dá para aportar todo o valor da venda dos barris.

Amanhã, dia 03/09/2010, provavelmente tudo ficará claro. Mas caso o governo possa subscrever o equivalente a R$ 74,8 bilhões em ações ON, conforme indicado pelo DRI da Companhia, levará 2.659.840.000 das 3.200.000.000 ações ON que poderão ser emitidas.

Supondo que a empresa emita todas as ações previstas na AGE (3,2 bi de ON e 2,4 bi de PN), a participação do governo no capital de controle saltaria para, no mínimo, 63,59% e no capital total para 36,60%.

Qual a perspectiva para o aporte do minoritário?

Na hipótese trabalhada acima, o detentor de ações ON perderia participação, pois apenas 1/5 das novas ações emitidas iria para a oferta pública e há mais de 42% de PETR3 nas mãos de minoritários.

Talvez isso explique um pouco o fenômeno que está ocorrendo hoje, no qual as PN sobem forte e as ON caem também com grande intensidade.

Em princípio pode ser garantido o direito de preferência integral para as PN, sem grandes transtornos.

O valor de mercado da Petrobras é, hoje, de R$ 250 bilhões. Caso a capitalização seja integralmente concluída, respeitando o limite de R$ 150 bi indicado na AGE, o valor da companhia poderia chegar a R$ 405 bi.

Um cálculo por baixo indica que o acionista minoritário poderá ser chamado a aportar em dinheiro algo como 60% de sua posição atual em Petrobras (150 bi / 250 bi).

Como o governo está autorizando bancos públicos e fundos governamentais a participar ativamente do processo, é possível que, mesmo que os minoritários não acompanhem, os entes estatais adquiram boa parte das sobras, fazendo com que a capitalização seja bem sucedida.

A Petrobras indicou que precisaria levantar em torno US$ 58 bi (R$ 102 bi) para financiar todo o seu plano estratégico. Levantaria, no caso da capitalização ser bem sucedida, um pouco menos do que isso (R$ 75,19 bi, o resto vem em barris), porém sua capacidade de endividamento aumentaria bastante, o que permitiria a entrada de recursos provenientes de dívida.

Os novos múltiplos da Petrobras

Para um lucro da ordem de R$ 30 bi, o valor de mercado de R$ 405 bi indica um P/L da ordem de 13,50. Que não é baixo, em comparação com seus pares no mundo, mas é confortável.

Em posts anteriores coloquei que a Petrobras durante algum tempo foi considerada uma empresa de petróleo diferenciada, por conta das expectativas do pré-sal. Isso já acabou, o que fica evidente pelo preço que se paga pela companhia.

Por isso, é importante ficar atento para a possibilidade da Petrobras acabar valendo mais do que a Exxon ou do que a Petrochina. Não faz sentido, como visto em posts anteriores, pois a Exxon, por exemplo, tem faturamento e lucro bem superiores.

Só para ter uma idéia, em 2008 a receita da Exxon foi quase metade do PIB brasileiro. Quatro vezes superior à da Petrobras, em dólares.

Ajustes nos múltiplos, no médio/longo prazo, costumam ocorrer por ajuste nos preços e não nos lucros.

Escrevi um artigo publicado no blog do INI (aqui) que indica, com base em estudos do prof. Robert Shiller (Yale), e outros pesquisadores, dois pontos:

– Os múltiplos fundamentalistas (P/L principalmente) tendem a oscilar em torno de sua média histórica.
– Os múltiplos se ajustam em torno da média por mudanças no PREÇO e não no LUCRO.

Não há evidência estatística de que os lucros sobem forte, para diminuir o P/L, nem que caem forte, para aumentar o P/L.

Em outras palavras. Se a ação está com múltiplo alto, quem cai é o preço. Não é o lucro que sobe, para ajustar o P/L.

A própria Petrobras é um exemplo dessa premissa. Em 2007/2008, por conta do pré-sal, seu P/L chegou a espantosos 20x. Hoje está em 8. E o lucro se manteve estável entre R$ 28 bi e R$ 32 bi. Quem caiu foi o preço, conforme demonstrado no estudo de Shiller.

Cuidados importantes!

É evidente que um aporte de R$ 75 bi em dinheiro, mais R$ 75 bi em ativos, transformará significativamente o balanço da companhia. Isso pode trazer um certo conforto no curto prazo. Sem pressão de queda nas ações.

Mas é imprudente sonhar com a Petrobras novamente a R$ 50,00 num horizonte próximo. É importante lembrar que a companhia poderá sair de um montante de 8,77 bilhões de ações para 14,37 bilhões. A Petrobras a R$ 50,00 indicaria um valor de mercado da ordem de R$ 718 bilhões, ou US$ 410 bilhões. 35% superior ao valor atual da Exxon e 40% superior ao valor atual da Petrochina.

Qualquer investidor deve ter em mente que esse projeto é de longo prazo. Longo prazo de verdade.

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Capitalização da Petrobras – Update 1 – A capitalização do BNDES e da Caixa

Posted on 02/09/2010. Filed under: Finanças |

Capitalização de empresas 100% estatais com cessão de ações da Petrobras, excedentes ao mínimo necessário para o controle.

O governo emitiu duas medidas provisórias (MP 487 e MP 500) autorizando a capitalização (injeção de capital) em empresas estatais e da administração pública, a partir da cessão de ações em poder da União.

O resultado foi a capitalização do BNDES com transferência de 139.754.560 ações ON da Petrobras (equivalente e R$ 4,5 bi) e da Caixa com transferência de 77.641.422 ações ON da Petrobras (equivalente a R$ 2,5 bi). Veja aqui.

Isso fez com que a participação da União no capital votante da Petrobras caísse de 55,56% para 51,27%, e no capital total (ON+PN) de 32,13% para 29,65%.

Toda essa movimentação tem impacto direto no montante a ser aportado pelos acionistas da Petrobras, pois será a partir da participação da União que serão calculados os parâmetros da Oferta Pública.

A justificativa principal e a motivação das MPs.

Toda medida provisória vem acompanhada de um Exposição de Motivos, que, no caso, é claramente focada na necessidade de capitalização da Petrobras. Leia nos links a exposição de motivos assinada por Guido Mantega para a MP 487 e a MP 500.

Apesar das justificativas do aporte ficarem centradas na necessidade de dar conforto patrimonial e melhorar os índices da Basiléia dos bancos estatais, o objetivo é buscar apoio em outros órgãos da administração federal para garantir o sucesso da Oferta Pública.

Há ainda outros pontos interessantes nas MPs.

Elas autorizam a União a ceder seu direito de preferência a outros órgãos, desde que mantida a quantidade mínima de ações para manutenção do controle.

O que diz a lei sobre o “Direito de Preferência”?

A lei n° 6.404/76 indica que os acionistas atuais podem se habilitar, na proporção que subscreveram, às sobras de direitos de preferência não exercidos.

Isso significa que, antes das sobras irem a mercado, haverá um outro rateio entre os acionistas que subscreveram a oferta inicial.

Dessa forma o governo garante seu controle, pois aportará integralmente sua parte via cessão onerosa dos barris e ainda poderá ceder a outros órgãos seu direito de preferência sobre as ações que não forem subscritas (sobras).

A participação direta e indireta do governo pode crescer bastante.

Não dá para afirmar categoricamente, mas os objetivos parecem ser dois, basicamente:

– Aumentar a participação direta e indireta do governo no capital da Petrobras
– Garantir relativo sucesso à oferta pública, contando com aportes de outras entidades estatais e fundos de pensão.

É uma forma de garantir um aporte razoável de caixa, mesmo que a oferta tenha pouca adesão por parte dos minoritários. Mais do que dos 5 bilhões de barris, a Petrobras precisa mesmo é de dinheiro para garantir seu plano estratégico.

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  • Disclaimer

    Este blog é um ambiente privado para expor opiniões, estudos, reflexões e comentários sobre assuntos ligados a finanças, bolsa de valores, economia, política, música, humor e outros temas.

    Seus objetivos são educacionais ou recreativos, não configurando sob nenhuma hipótese recomendação de investimento.

    O investidor consciente deve tomar decisões com base em suas próprias crenças e premissas. Tudo que lê ou ouve pode ser levado em consideração, mas a decisão de investimento é sempre pessoal. Tanto na escolha de ações para carteira própria, quanto na escolha de gestores profissionais para terceirização da gestão.

    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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