Falta de Educação Financeira Pode Fazer Investidor Levar 4 Vezes mais Tempo para Alcançar a Riqueza

Posted on 14/09/2010. Filed under: Finanças |

Breve histórico

O Brasil foi, provavelmente, o maior amigo dos rentistas durante a década de 1990 e o início dos anos 2000.

Para ilustrar esse fato, pegue a inflação anual em 1998, medida pelo IPCA, que foi de 1,66%. Pois só no mês de outubro daquele ano, já descontado o imposto de renda, a rentabilidade mensal da SELIC foi de 2,94%.

Só a partir do final do ano de 2007 é que as taxas mensais, baseadas na SELIC, ficaram abaixo de 1%.

Quase todos os economistas concordam que, para o desenvolvimento sustentável do país, esses juros mais baixos precisam se manter e, preferencialmente, ficar ainda menores.

Para o bem da economia do país, mas não para aqueles que viviam de renda, a época dos juros nas alturas parece ter ficado para trás.

A educação financeira ficou ainda mais importante

Sempre foi desejável conhecer melhor o mundo dos investimentos, bolsa de valores, imóveis, debêntures e outros veículos para acumular patrimônio no longo prazo. Porém, com taxas de juros de 26,5% ao mês, sem qualquer esforço um investidor poderia ter rentabilidades superiores às obtidas pelos melhores fundos de ações do planeta.

Estima-se que as rentabilidade médias obtidas por Warren Buffet e George Soros circulam entre 20% e 25% ao ano. Qualquer um conseguia números dessa grandeza investindo em renda fixa no país.

Hoje, a opção por deixar todos os investimentos em instrumentos de risco “zero” ou muito baixo, pode fazer com que o investidor jamais consiga atingir o status de Riqueza, conforme proposto e instrumentalizado no livro “Quanto Custa Ficar Rico?”.

A Riqueza, segundo o livro

Sem entrar em detalhes e refinamentos constantes no livro, o conceito de Riqueza significa, em outras palavras, Liberdade Financeira Plena.

Apresentar um Índice de Riqueza Pessoal (IRP) de 100% significa que o indivíduo pode ter suas necessidades de subsistência integralmente cobertas pelo yield líquido de seus ativos. Yield líquido é a remuneração em dinheiro de seus ativos, livre de inflação.

Não há qualquer relação com consumo de bens de luxo, carrões, grandes restaurantes ou vinhos de US$ 6.000,00. Para a maioria dos livros de finanças pessoais, isso não é Riqueza. Isso é consumo.

Quanto tempo leva para ficar rico?

Para mostrar o impacto da educação financeira na formação de patrimônio e no status de Riqueza dos indivíduos, propõe-se o estudo a seguir.

O estudo compara três investidores, um com elevado conhecimento das alternativas de investimento, outro com bom conhecimento de instrumentos de renda fixa e um terceiro que utiliza somente os instrumentos de risco mínimo e quer total comodidade.

Condições básicas para os 3 investidores:

  • Todos partem de patrimônio ZERO.
  • Conseguem poupar 20% de sua renda anual
  • Como conseqüência direta, conseguem viver com 80% de sua renda anual
  • Inflação de 4,0% ao ano para os próximos anos.

Características específicas dos investidores:

Investidor A – elevado grau de conhecimento sobre investimentos

  • Esse investidor consegue, durante o período em que está acumulando patrimônio, uma rentabilidade média de 20% ao ano, com renda variável focada em longo prazo e reinvestimento de dividendos. Essa rentabilidade já é livre de IR* e não desconta a inflação (rentabilidade nominal).
  • No momento em que precisa “remunerar o patrimônio”, ou seja, maximizar o yield ele é capaz de migrar sua carteira de investimentos para um portfolio que lhe dê 7,0% ao ano, já descontada a inflação, em dividendos e juros de títulos públicos e privados.

* O investidor de longo prazo em bolsa de valores tem instrumentos simples para evitar carregar um grande estoque de imposto, conforme visto no livro “O Mercado de Ações em 25 Episódios”.

Investidor B – Conhece bem os instrumentos de renda fixa, mas não usa instrumentos de renda variável.

  • Esse investidor consegue, durante o período em que está acumulando patrimônio, uma rentabilidade média de 9% ao ano, com renda fixa, pública e privada. Essa rentabilidade já é livre de IR e não desconta a inflação (rentabilidade nominal).
  • No momento em que precisa “remunerar o patrimônio”, ou seja, maximizar o yield ele é capaz de migrar sua carteira de investimentos para um portfolio que lhe dê 5,0% ao ano, já descontada a inflação, em juros de títulos públicos e privados.

Investidor C – Não tem qualquer conhecimento sobre opções de investimento. Prefere poupança ou fundos de renda fixa com elevada taxa de administração.

  • Esse investidor consegue, durante o período em que está acumulando patrimônio, uma rentabilidade média de 7,0% ao ano, com caderneta de poupança e fundos de renda fixa com elevado custo operacional. Essa rentabilidade já é livre de IR e não desconta a inflação (rentabilidade nominal).
  • No momento em que precisa “remunerar o patrimônio”, ou seja, maximizar o yield ele não é capaz de migrar sua carteira de investimentos para um portfolio de maior yield e mantém as mesmas aplicações, o que lhe rende 3,0% ao ano, já descontada a inflação, em juros de poupança e fundos.

Resultados

O Investidor A conseguiria acumular patrimônio suficiente para financiar sua subsistência exclusivamente com o yield de seu portfolio em 15 anos e 11 meses.

O Investidor B conseguiria acumular patrimônio suficiente para financiar sua subsistência exclusivamente com o yield de seu portfolio em 33 anos e 7 meses.

O Investidor C conseguiria acumular patrimônio suficiente para financiar sua subsistência exclusivamente com o yield de seu portfolio em 55 anos e 6 meses.

O que se pode entender do estudo é que, no Brasil de juros mais modestos, o investidor vai precisar incrementar seu conhecimento sobre instrumentos de renda variável, se quiser atingir a Riqueza, ou a Liberdade Financeira Plena, em um tempo mais curto.

É importante ressaltar que as rentabilidades sugeridas são hipotéticas. Apesar do histórico da bolsa brasileira indicar rentabilidades muito superiores aos 20% obtidos pelo Investidor A, esse patamar não é baixo e vai requerer, no mínimo, intimidade com o mercado, intimidade com as empresas em que investe e muita disciplina para reinvestir todos os ganhos durante o período de semeadura.

Para fazer seu próprio cálculo, há duas planilhas disponibilizadas para download a seguir:

– Planilha 1: Quanto tempo leva para ficar rico, partindo de patrimônio ZERO?

– Planilha 2: Quanto tempo leva para ficar rico, partindo do patrimônio atual?

Importante! Os cálculos são complexos e requerem métodos numéricos, portanto é necessário habilitar as macros (programação) das planilhas.

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  • Disclaimer

    Este blog é um ambiente privado para expor opiniões, estudos, reflexões e comentários sobre assuntos ligados a finanças, bolsa de valores, economia, política, música, humor e outros temas.

    Seus objetivos são educacionais ou recreativos, não configurando sob nenhuma hipótese recomendação de investimento.

    O investidor consciente deve tomar decisões com base em suas próprias crenças e premissas. Tudo que lê ou ouve pode ser levado em consideração, mas a decisão de investimento é sempre pessoal. Tanto na escolha de ações para carteira própria, quanto na escolha de gestores profissionais para terceirização da gestão.

    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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