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O índice P/L (Preço/Lucro) do Ibovespa. Metodologia para cálculo.

Posted on 30/06/2015. Filed under: Finanças |

Por que não existe uma fonte de pesquisa com dados confiáveis e diários sobre o Índice Preço/Lucro ou o Dividend Yield do índice Bovespa ou de outros índices setoriais?

Quando conseguimos acesso a esse número, normalmente é de alguma pesquisa pontual da bloomberg ou de outro provedor de dados, mas não existe, até onde consegui apurar, uma fonte consistente, atualizada e online para dar publicidade a um indicador tão importante para o Mercado.

Por que é tão importante ter o P/L do Ibovespa ou o P/L setorial?

Desde os tempos do Instituto Nacional de Investidores, quando ensinávamos o Método INI, havia essa carência.

O investidor fazia sua análise pelo método INI e não conseguia comparar os parâmetros encontrados com uma média histórica do índice, com uma média do setor etc. E essa falta de dados e de informações deixava o investidor inseguro, principalmente o iniciante.

Para um americano é trivial calcular o índice P/L e o Dividend Yield* da Exxon Mobil e comparar com o índice P/L do S&P500, ou do setor de petróleo. E ainda conseguir fazer uma comparação histórica, voltando 5, 10 anos.

Essa abundância de informações transmite muito mais segurança ao investidor/analista.

* Para mais detalhes sobre esses indicadores, procurar no blog ou no livro “O Mercado de Ações em 25 Episódios”.

Mas e por aqui em Vera Cruz?

Sempre achei uma verdadeira aberração não termos, ao menos não de forma simples, sistemática e GRATUITA (ou barata), uma informação tão relevante para o mercado e para os investidores.

Há alguns estudos na internet, mas bastante superficiais. E não ajudam a quem quer montar uma base de dados que dê o resultado DIARIAMENTE, sem grande esforço de pesquisa. Isso sim seria interessante. Se a cada necessidade de atualização dos dados for necessário um longo estudo, certamente os dados ficarão caros e inacessíveis.

Entendo que há também problemas de ordem metodológica, como a existência de ONs e PNs, UNITS, empresas com prejuízo, P/Ls muito altos, problemas com a ponderação das Companhias no índice etc.

Mas esse problema pode ser facilmente endereçado.

Como resolver a questão da atualização diária do banco de dados?

No meu livro “Investimentos para não Especuladores – O Método SEMPRE” creio ter conseguido montar uma estrutura de levantamento de dados que permitiria, com pouco esforço adicional, calcular diariamente o P/L, o Dividend Yield e qualquer outro indicador que dependa do Valor de Mercado das Companhias.

Lucro e dividendo são dados públicos e de fácil acesso

O Lucro da Companhia (sem ajustes) e os dividendos pagos são fáceis de parametrizar através das informações publicadas no site da CVM/Bovespa. Ainda que se usem os dividendos pagos no regime de caixa e o lucro no regime de competência.

Já o preço de mercado…

Mas não há uma “fonte oficial” com os valores de mercado das Companhias. É importante notar que NÃO estamos falando das cotações diárias, mas do valor de mercado total.

Se algum provedor de dados ou casa de Análise quiser prover informações diárias e históricas sobre o P/L, Dividend Yield e outros índices, vai precisar montar um banco de dados com o histórico diário dos preços de mercado das Companhias.

Isso não é tão trivial, mas é mandatório e tem uma grande vantagem.

O preço de mercado da Vale no último dia útil de 2005, por exemplo, é um dado que NÃO MUDA. É um dado histórico, não há evento passado ou futuro que faria esse número mudar.

Para isso a cotação não serve, pois há ajustes para cada evento societário, como pagamento de dividendos, bonificações, subscrições etc. Ainda que haja a cotação histórica, há alguma confusão com a quantidade de ações. Por isso é fundamental o dado agregado.

Levantar os dados passados dará um trabalho inicial, mas o banco de dados desenvolvido NÃO mudará. Atualizar os dados para o futuro também é bem simples.

Os detalhes para consolidar esses dados eu escrevi no livro que citei acima, para mais informações ele pode ser consultado.

Mas daqui por diante vamos tratar do Índice.

O P/L do Índice Bovespa

Para que esse índice possa ser informado diariamente será necessário ter uma fonte de dados com todos os Valores de Mercado das Companhias que compoem o índice, também em bases diárias.

A partir daí, o P/L diário (ou o dividend yield) das Companhias fica fácil de calcular, bastando dividir esse valor de mercado pelo lucro acumulado em 12 meses (quatro trimestres) ou dividir o dividendo pago nos últimos 4 trimestres pelo valor de mercado.

E a inflação?

Faço esse pequeno parêntese porque li em alguns estudos que o P/L histórico é ajustado para efeitos inflacionários.

No meu entendimento isso não faz sentido, uma vez que o P/L reflete um momento macroeconômico que não tem a ver com perda de valor do dinheiro no tempo (conceito básico de inflação). Tem a ver com taxas de juros e com o interesse e a aversão a risco dos investidores.

Não faz muito sentido dizer que um P/L 14,4 no ano de 1970 seja “mais alto” que um P/L de 14,4 em 2015.

Voltando…

O cálculo do valor de mercado diário das Companhias traz algumas dificuldades, como, por exemplo, escolher se retira ou não as ações em tesouraria, ou, ainda, decidir o que fazer quando a ON não tem liquidez diária. Também é especialmente complicado saber EXATAMENTE em qual dia uma bonificação ou subscrição teve efeito no preço de mercado. Quando é um percentual grande é fácil, mas quando falamos de um aumento de capital de 2%, fica bem mais difícil.

Mas a grande vantagem é que não será necessário rever a cada evento acionário. Uma vez calculado o Valor de Mercado da Companhia para determinado dia, será assim para sempre (se não houve erro inicial).

Nos links abaixo há planilhas que ajudam nesse cálculo. Para quem quiser montar esse banco de dados, terá que passar pelos passos descritos nesses artigos:

Histórico de Preço/Lucro 2008 a 2015 – Marcopolo – POMO3 e POMO4

Histórico de Preço/Lucro 2007 a 2015 – Randon – RAPT4

Como reunir esses dados num índice único?

Em tese, de posse de todos os índices P/L das ações que compõem o índice bastaria multiplicar diariamente pelos respectivos pesos.

Importante notar que nós não estamos calculando P/L da ON ou da PN, mas da empresa, de forma que, se há PETR3 e PETR4 no índice, o P/L vai ser o MESMO.

Isso evita distorções desnecessárias como na Usiminas, por exemplo, em que a alta das ON vem seguida de baixa nas PN, por especulação sobre troca de controle e tag along, mas o P/L da Companhia pouco muda.

Ou nas Teles, que durante muitos anos chegavam a ter 150% de prêmio no valor das ON.

Imagine um índice composto por apenas 7 empresas, veja o exemplo de cálculo ponderado dos P/Ls:

Ticker Part % dia P/L no dia P/L Ponderado
Ação A 29,46% 22,80 6,72
Ação B 8,48% 8,50 0,72
Ação C 5,46% 17,56 0,96
Ação D 29,73% 16,58 4,93
Ação E 10,08% 9,44 0,95
Ação F 1,06% 6,01 0,06
Ação G 15,73% 7,44 1,17
P/L índice 15,51

Seria facílimo, se os P/Ls fossem sempre comportados. Mas não são. Veremos a seguir alguns ajustes para tornar o cálculo mais confiável.

Ajustes no P/L

Quem acompanhou as análises no livro sobre o Método SEMPRE, viu que, com o advento do IFRS, os lucros contábeis nem sempre revelam o que realmente aconteceu com a empresa naquele determinado exercício.

Os resultados dos últimos 3 anos da VALE, demonstram bem isso. Enquanto houve prejuízos ou lucros muito reduzidos na medida contábil, a própria empresa divulgou um “lucro recorrente” bem superior, que é a medida de lucro, expurgados fatores não recorrentes e sem efeito de caixa.

Mas é CLARO que não é possível, nem razoável, ajustar os lucros para calcular o P/L da bolsa. É preciso usar o lucro oficial, contábil, publicado.

Isso é possível fazer na análise de uma empresa, mas não para todas.

Cortar P/Ls negativos

Uma parametrização razoável é excluir Companhias com P/L negativo (prejuízo contábil) da medida do P/L da bolsa.

Mas isso não é tão simples. Para funcionar, será necessário excluir da base de cálculo a participação percentual da empresa no índice.

Explico. Se a VALE, por exemplo, representasse 10% do índice e começasse a apresentar P/L negativo, seria necessário retirá-la do cálculo do P/L, redistribuindo seus 10%, de forma ponderada, entre as empresas que sobraram.

É uma conta simples e fácil de parametrizar.

Cortar P/Ls muito altos

Aqui já não é tão simples.

Enquanto um P/L 40 é impensável para empresas como Bradesco ou Itaú, foi a realidade dos últimos anos para empresas como as Lojas Americanas. Não me perguntem o porquê, nunca entendi. E como o papel está parado há quase uma década, enquanto os lucros sobem, parece que não fazia sentido mesmo pagar tão caro no passado.

Há algumas metodologias plausíveis:

– Corte de valores irrazoávels fixos e para qualquer ação da carteira teóric, acima de, por exemplo, P/L 50.

– Corte de valores irrazoáveis em comparação com o histórico da própria empresa. Nesse caso pode-se calcular a média diária em 2-3 anos, o desvio padrão e cortar P/Ls acima da média + 2 desvios, por exemplo.

O que é fundamental é que a página que vai exibir esse “P/L do Ibovespa” explicite a metodologia e, preferencialmente, indique as ações que foram cortadas em determinado período.

Vale lembrar que a lógica de exclusão de empresa do P/L do Ibovespa segue a mesma parametrização da exclusão de P/L negativo. A participação da empresa excluída no índice precisa ser rateada, proporcionalmente, para as participações das empresas que sobraram.

Outros fatores de exclusão seriam interessantes, como retirar, por princípio, empresas pré-operacionais.

Por que ter esses dados facilitaria a vida do investidor?

Antes vale relembrar que a parametrização seria fácil, porém NÃO EXISTE, ao menos não de fácil e gratuito (barato) acesso, uma fonte confiável para o valor de mercado diário de todas as empresas do índice.

Qualquer um que quiser divulgar esse dado precisará levantar esses dados. Eu fiz isso algumas vezes para algumas empresas e estimo o trabalho, para quem entende, em 3 horas de trabalho para levantar os dados dos últimos 15 anos de cada empresa.

Não é tão caro, nem tão difícil, e o resultado (inclusive financeiro) pode ser recompensador.

Imagine para os usuários do Método INI, do Método SEMPRE ou de outros approachs fundamentalistas ter acesso diário e facilitado a:

– P/L do Ibovespa, do setor bancário, do setor de bens de capital, do setor de consumo, varejo etc.

– Dividend yield (levantado com lógica semelhante à do P/L) de cada setor.

– Histórico de 10 anos de P/L e Dividend Yield para todas as empresas da bolsa.

– Histórico comparativo de P/L entre as empresas, seus setores e as médias dos índices.

Seria bem mais fácil comparar e estimar P/Ls futuros, o investidor e o analista não-profissional teriam, ao menos, base de comparação, tanto do presente quanto do passado.

E ainda poderiam comparar com os pares internacionais (lembrando que há considerações de Risco Brasil a fazer).

A pergunta mais importante?

Uma página como essa, que poderia mostrar online o P/L e o DY atual do Ibovespa e dos outros índices, além do P/L e DY dos setores da economia, teria quantas visitas diárias?

Se oferecesse gráficos comparativos entre o P/L (ou DY) da empresa, de concorrentes, da bolsa, do setor, da renda fixa (também é fácil de fazer), tudo parametrizável pelo próprio usuário, teria quantas visitas diárias?

Sendo a única fonte para acesso a esses dados, qual seria a monetização possível com essa ferramenta?

Ficam as questões para os empreendedores de plantão.

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Para entender a crise na Grécia. E é importantíssimo entender!

Posted on 29/06/2015. Filed under: Administração, Finanças, Política | Tags:, , , , , , , |

É amigos,

Estamos, 4 anos depois, discutindo a Grécia e a Zona do Euro novamente.

Reli meus posts de 2011 e, infelizmente, não mudaria uma vírgula da análise feita à época.

Para quem quiser entender a natureza dos problemas, vale a leitura. Não mudou nada.

Em 17/10/2011:

Dívida Grega: Erros que parecem acertos…

Em 19/10/2011:

Bancos x Governos – Erros e Acertos

Em 03/11/2011:

Referendo na Grécia? Enfim uma atitude que combate causas, não sintomas.

Em 07/11/2011:

“A Grécia não é mais um país” ou “Deixe-me ser pobre em paz!”

Em 08/11/2011:

A Itália e a invenção da “Chamada de Margem” política e social

Em 02/12/2011:

Lições da Islândia. A ressurreição de um país.

E vamos acompanhar para ver se, dessa vez, entendem que o problema não é a Grécia, é o Euro.

 

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  • Disclaimer

    Este blog é um ambiente privado para expor opiniões, estudos, reflexões e comentários sobre assuntos ligados a finanças, bolsa de valores, economia, política, música, humor e outros temas.

    Seus objetivos são educacionais ou recreativos, não configurando sob nenhuma hipótese recomendação de investimento.

    O investidor consciente deve tomar decisões com base em suas próprias crenças e premissas. Tudo que lê ou ouve pode ser levado em consideração, mas a decisão de investimento é sempre pessoal. Tanto na escolha de ações para carteira própria, quanto na escolha de gestores profissionais para terceirização da gestão.

    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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