Política

O que ninguém nos conta sobre o recorde nas bolsas e nos ativos de risco.

Posted on 06/10/2017. Filed under: Administração, Finanças, Política | Tags:, , , , , , , |

Retórica nuclear entre EUA e Coreia do Norte, retornos baixíssimos com dividendos, risco político no governo Trump, terrorismo mundial, ascensão do fundamentalismo, tensões geopolíticas no oriente médio, furacões, terremotos, ufa!, e as bolsas só sobem, praticamente sem volatilidade.

O que está acontecendo?

Por que ativos de risco NÃO se comportam como tal, ou seja, apresentando oscilações significativas diante de riscos mensuráveis, plausíveis e até quando se manifestam, de fato, as catástrofes?

É o que vou tentar responder.

Claro que vou tentar tratar por um prisma que ninguém tratou, ou que pouca gente tratou, uma vez que os principais analistas e economistas não chegam a um consenso sobre essa nova exuberância irracional nos mercados.

Ao final deste artigo, acredito eu, ficará demonstrado que há uma gigantesca disfunção nos mercados financeiros e de capitais, em todo o planeta. Vamos explorar esse tema, ver suas causas e elaborar esboços de solução. A ver.

Em artigo traduzido pelo jornal Valor Econômico, publicado em 25 de setembro de 2017, o professor Robert Shiller, prêmio Nobel de economia e um economista influente que previu a bolha imobiliária americana, demonstrou que o seu indicador de “preço-lucro corrigido ciclicamente (Cape)” estava acima de 30 no mercado americano, um forte indicador que as ações estariam sobreprecificadas (caras).

Além disso, o índice VIX, que mede a volatilidade no mercado estaria em níveis anormalmente baixos, e por tempo demasiado. Ele não se arriscou a dizer que estamos em uma bolha nos ativos de risco.

Alan Greenspan, que cansou de avisar sobre a exuberância irracional antes do crash de 2008, diz hoje que temos um risco significativo no mercado de renda fixa (dívida soberana e de empresas). Mas ninguém sabe quando e se vai estourar, nem ele.

No Brasil é ainda mais interessante. Em 11 de setembro último a revista exame publicou um estudo da economática mostrando que o dividend yield no Brasil (retorno com dividendos) era o MENOR desde 1995, apenas 1,34%. A julgar que em 1994 nem tínhamos moeda, é provável que seja o menor retorno da história. E estamos no recorde da bolsa.

Em outro artigo recente, Armínio Fraga relatou que ninguém consegue entender bem os motivos para que o crescimento econômico, com baixíssimas taxas de juros, não tenha gerado inflação mais alta. Ao que tudo indica, o Fed só não sobe as taxas de juros, por que a inflação está consistentemente abaixo das metas. Já está mudando, sinalizando entender que as taxas de juros baixas não vão levar a inflação para a meta.

Mas eu acho que não é tão difícil entender, se formularmos hipóteses diferentes

Ninguém se questiona sobre a natureza da taxa de juros, o motivo de sua existência e quais os fundamentos que deveriam guiá-la.

Tratamos apenas de relações de causa e efeito já padronizadas e predefinidas nos livros e finanças e economia. Porém, creio, não será a dinâmica dos fluxos de interesse pelo dinheiro (oferta e demanda de liquidez) que vão nos ajudar a entender a incrível disfunção que vive hoje o mercado de ativos financeiros em todo o planeta.

As taxas de juros não foram invenções da teoria financeira, na verdade a teoria financeira modelou e deu dinamismo à mediação QUE SEMPRE EXISTIU entre o interesse de poupadores e investidores. Essa negociação entre quem quer consumir/investir hoje e quem quer adiar esse consumo/investimento é muito anterior à teoria financeira. Desde que alguém topou ceder 10 vacas por um ano, para receber 11 vacas no futuro, já havia sensibilidade a taxas de juros, a matemática só permitiu registro, leitura e ampliação da complexidade.

E como a demanda e oferta de liquidez são resultado de uma interação humana, devem atender aos interesses de ambas as partes, ou seja, se me proponho a abrir mão de consumo por 30 anos, esse sacrifício atual deve atender meus interesses de consumo no futuro, bem como ao interesse do investidor/empreendedor no momento.

A racionalidade média dos agentes econômicos funcionou muito bem em todas as eras, mesmo quando ainda não se dominava técnica para cálculo de juros compostos. Funcionou ainda melhor com o desenvolvimento de técnicas para cálculo de valor presente de ativos complexos como derivativos, por exemplo.

Mas, hoje, não funciona mais. Não atende os interesses dos investidores/poupadores de curto ou de longo prazo. A teoria financeira continua existindo, as fórmulas e os cálculos continuam valendo, mas a realidade das finanças mundiais deixou de mediar corretamente os interesses de poupadores e investidores/empreendedores e, se nada for feito, poderá passar décadas destruindo valor de aposentadorias da geração atual e das próximas.

Mas o livre mercado não deveria regular esses interesses, ajustando o preço dos ativos?

Sim, correto. O problema é que há entidades gigantes e irracionais agindo de forma deliberada contra o equilíbrio natural dos preços dos ativos.

Antes de falarmos dessas entidades, vejamos os motivos pelos quais a realidade dos preços dos ativos, nos dias de hoje, NÃO ATENDE mais à racionalidade dos poupadores (aqueles que cedem o capital) e dos investidores/empreendedores (aqueles que usam o capital para dar retorno futuro aos poupadores). Eles continuam investindo por não haver opção, mas os objetivos racionais não serão atingidos.

Importante ressaltar que poupador, neste texto, é aquele que oferece capital hoje, para consumir no futuro, estamos falando APENAS de longo prazo, que é, em essência, o capital usado para investimento não especulativo. Investidor/empreendedor é aquele que toma o capital e usa em projetos não especulativos agora. Ambos não são atendidos pela realidade financeira atual. Veremos a seguir.

As taxas de juros, conforme já sugerido, devem refletir o preço de equilíbrio entre poupadores e investidores, oferta e demanda de capital.

O problema é que o interesse de poupadores deve se materializar em prazos que não devem exceder 30 a 35 anos, pensando em formação de patrimônio para aposentadoria.  É razoável crer que após engrenar a vida profissional, quando se melhora o salário ou se atinge um nível médio na carreira, entre 25 e 35 anos de idade, a expectativa do poupador (que abre mão de consumo hoje para garanti-lo no futuro) e de passar de 25 a 35 anos investindo para acumular capital de aposentadoria. Ninguém se programa para investir por 55-60 anos para conseguir se aposentar. Não cabe na expectativa de vida (life span) humana média.

Essa é uma realidade que se verifica individualmente, mas principalmente em fundos de pensão. As “contas” atuariais dos fundos sempre levam em consideração, um acúmulo por 25, 30, 35 anos, uma aposentadoria (retiradas) a partir dos 60-65 anos, com sobrevida de 25 a 30 anos. Isso não é por acaso, reflete a expectativa de vida das pessoas, capacidade produtiva por faixa etária etc.

Digo tudo isso para lembrarmos que as taxas de juros PRECISAM servir a esse objetivo dos poupadores. São centenas de milhões ao redor do mundo (a considerar os que fazem qualquer tipo de previdência, ultrapassa a casa do bilhão com certeza, dada a poupança privada de 50% da renda na China).

Com relação aos investidores/empreendedores (tomadores do capital), cada projeto deve apresentar a maturação e o retorno nos períodos planejados. Uma concessão governamental deverá dar o retorno esperado no prazo da concessão, um projeto altamente arriscado deverá apresentar seu retorno (ou prejuízo) num prazo de 5 anos. Em todas as áreas há uma expectativa de retorno e de taxas de juros, dentre de um prazo razoável. Ninguém investe racionalmente em retornos previstos para 80-100 anos.

O que diz a teoria financeira?

Vivemos uma era de juros baixíssimos e até negativos. E isso cria sérios problemas para toda a teoria e prática financeira com as quais estamos acostumados. Pior do que isso, afasta as finanças da necessidade prática da indústria de fundos de pensão e da realidade de poupadores de longo prazo. E também atrapalha investidores/empreendedores, por outros motivos.

A ver.

A aposentadoria possível

Pensemos em uma taxa de juros real da ordem de 3,5% ao ano, a partir de instrumentos de renda fixa de baixo ou baixíssimo risco, algo que era possível, num passado não remoto, nos títulos de países desenvolvidos de médio e longo prazo.

Com essa taxa, um indivíduo poderia acumular 20% de sua renda anual, por 35 anos, e conseguir se manter por mais 25 anos EXCLUSIVAMENTE com o dinheiro acumulado para a aposentadoria.

Ou seja, sem correr riscos em outros ativos, um conjunto de instrumentos de renda fixa seria suficiente para que ele próprio cuidasse de sua aposentadoria (ou que seu fundo de pensão o fizesse).

Correndo um pouco mais de risco, investindo em dívida privada + dívida soberana, há 10 ou 15 anos seria possível obter 5,5% ao ano em termos reais (apesar de que, se a renda subir, também subiria o aporte, de forma que o impacto de uma inflação baixa não seria tão significativo).

Nessas condições, sem ainda correr riscos excessivos, poupando 20% da renda anual por 26 anos apenas, seria possível viver com a mesma renda (efetivamente utilizada) pelos 26 anos seguintes.

Aos que consideram poupar 20% da renda “impossível”, vale lembrar que já deixamos 11% ao INSS, e a soma de décimo-terceiro e adicional de férias já significam outros 11,1%. Não é impossível e já é uma realidade para muita gente. Em termos mundiais, nem se fala, é até baixo esse percentual. O problema no Brasil é que a maioria das pessoas confia sua aposentadoria EXCLUSIVAMENTE ao governo, de forma que não formamos poupança e nem cultura de autonomia financeira.

A aposentadoria impossível

A realidade atual das taxas de juros torna quase impossível acumular dinheiro para se aposentar, com risco baixo, dentro de um prazo razoável ou com índice de poupança racional.

Vejamos.

Peguemos uma taxa de 1,5% ao ano, lembrando que alguns títulos soberanos de países europeus atingiram taxas NOMINAIS negativas para prazos de 10 anos, e menores que 0,5% para 30 anos.

Com essa taxa de 1,5% ao ano, acumulando 20% da renda anual por 35 anos, o dinheiro acumulado duraria APENAS 12 anos.

Para garantir que o montante acumulado dure 25 anos, seria necessário acumular dinheiro por 55 anos!!!!!!!!!!!!!

Essa realidade NÃO FAZ SENTIDO e NÃO ATENDE a realidade dos poupadores de longo prazo, menos ainda dos fundos de pensão. Não há fundo de pensão que exija investimentos por 55 anos para começar a pagar a aposentadoria. Ninguém investiria nisso.

Essa falta de retorno dos ativos menos arriscados vai exigir das pessoas MAIS poupança e menos consumo.

Para se aposentar com 35 anos de contribuição, seria necessário poupar 32% da renda anual, um sacrifício de consumo bem mais significativo do que os 20% de nossos exemplos iniciais.

A aposentadoria no infinito

Os juros negativos são uma distorção da realidade financeira, uma disfunção, uma anomalia que afasta a racionalidade mínima necessária para toda a teoria econômico-financeira funcionar.

Há menos de 1 ano estimava-se haver cerca de US$ 15 trilhões investidos a juro zero ou negativo. Isso é quase 20% do PIB mundial. Diante dessa realidade toda a estrutura teórica desmorona. Não é à toa que as políticas monetárias não funcionam e que ninguém consegue explicar como taxas de juros persistentemente baixas não levam as pessoas a consumir e elevar a inflação.

Juro positivo tem efeito de amplificar o capital investido, juro negativo tem efeito de IMPOSSIBILITAR atingir determinadas cifras.

Vejamos o desastre se nossas economias para a aposentadoria fossem investidas em juros negativos. Coloquemos 0,5% negativos ao ano.

OBSERVAÇÃO: Se o leitor pensou que bastaria deixar o dinheiro no banco, para evitar juros negativos, o governo Suíço, quando percebeu que isso poderia ocorrer, estabeleceu taxas em depósitos à vista. Para pequenos poupadores, poderia funcionar, mas grandes fundos não podem deixar o dinheiro em depósito à vista.

Com juro negativo de 0,5%, aplicando 20% de nossa renda anual por 35 anos, o dinheiro acumulado duraria pouco mais de 7 anos.

Para conseguirmos acumular dinheiro suficiente, poupando por 35 anos, para viver mais 25 anos após a aposentadoria, seria necessário acumular 46% da renda anual. Além de ser dificílimo, ainda teria impacto catastrófico na economia real, pois o consumo desabaria.

E como isso prejudica investidores/empreendedores?

O leitor deve estar se perguntando se esses juros baixos e excesso de liquidez não seriam bons para quem vai tomar capital. É inequívoco que tomar dinheiro emprestado a 5% ao ano é melhor do que tomar a 12%, mas essa é uma lógica linear curta. Na verdade essa grande irracionalidade gerada pelo excesso de liquidez (dinheiro demais no mundo) é péssima para todo o sistema e prejudica, e muito, os investidores.

Por quê?

Primeiro porque, ao demandar mais esforço de poupança, mais restrição ao consumo atual, para garantir fundos à aposentadoria, a tendência é de um consumo menor hoje e, a continuarem baixos os juros, ou pior, se nem houver a expectativa de alta no futuro, provavelmente mais recursos serão retirados do consumo atual. E isso é péssimo para empreendedores atuais e futuros.

Outro ponto é que, dado o excesso de liquidez, tanto o empreendedor quanto dezenas de concorrentes conseguem captar rapidamente grandes volumes a custo baixo. Isso pode até ser bom para os consumidores, mas é destruidor de capital.

Em um mundo de recursos escassos, os juros são maiores, mas a seleção de projetos é bem mais rigorosa, apenas os de maior potencial são escolhidos. Hoje surge um aplicativo de sucesso, em 5 minutos já há 20 concorrentes capitalizados entrando no negócio.

Repito, pode funcionar para o consumidor, mas isso impacta para baixo o fluxo de caixa mesmo dos projetos vitoriosos. E se o fluxo de caixa é menor, a remuneração do investidor também é menor. Easy money tem sempre o mesmo efeito, seleção menos criteriosa, voluntarismo financeiro e pouco controle. Invariavelmente gera pouco retorno.

Mas a alta nas bolsas e nos ativos de risco não ajudaria na formação de poupança de longo prazo?

Infelizmente não, e aqui mora o perigo maior para os poupadores de longo prazo. Como houve queda significativa na remuneração de ativos de baixo risco, o que torna mais difícil cumprir metas atuariais, os recursos acabam sendo canalizados para projetos de risco elevado.

O problema é que, se antes o investidor esperava 15% a 20% ao ano de um projeto arriscado, hoje se contenta com 6% a 8%.

Isso porque o cálculo de retorno DEPENDE dos juros pagos pelo ativo sem risco e também da relação oferta VS demanda por capital.

Qual é o problema de aceitar retornos menores de projetos de risco?

O problema é que pagamos mais caro pelo MESMO RISCO!

Isso mesmo, o risco do fluxo de caixa pouco muda. Ele depende das condições da economia, da capacidade técnica, da estrutura de custos da mercadoria, da concorrência, do interesse do consumidor e da vários fatores que não são (ou são pouco) influenciados pelas taxas de juros.

Na prática se um projeto tivesse chance de 20% de quebrar nos primeiros 5 anos, pouco importa se você espera dele retorno de 8% ao ano ou de 20%. Se quebrar, vai quebrar por fatores alheios ao seu investimento. O problema é que se você descontou esse fluxo de caixa à taxa de 8%, pagou MUITÍSSIMO MAIS CARO do que se tivesse descontado a 20%.

Em resumo, os riscos são os mesmos, só estamos pagando caríssimo por eles.

E é isso que estamos vendo no mundo hoje.

Quando os mercados de risco NÃO se movimentam diante de terremotos, furacões, retórica belicista, risco de shut down no governo americano, guerra nuclear, expansão fundamentalista, secessão no Iraque e na Espanha, retrocesso na relação EUA-Irã etc., não significa que os riscos não existam, eles estão lá e podem fazer o mesmo estrago de antes. Mas continuamos comprando…

No more fly-to-quality

Não há mais “fuga para qualidade”, por 2 motivos, porque a qualidade (risco baixo) paga juros baixíssimos (já em alta apenas nos EUA) e porque há excesso de dinheiro (liquidez) no mundo. Qualquer movimento brusco, com essa quantidade de dinheiro, poderia derrubar ainda mais o retorno dos ativos de “qualidade”. Aliás, o motivo dos juros negativos em países nórdicos, principalmente durante a crise do Euro, era excesso de “fuga para a qualidade”. Demanda demais e oferta de menos.

Quem é o paquiderme na sala que está causando esse alvoroço todo?

O livre mercado não consegue autorregular os interesses de ofertantes e demandantes de ativos porque há 2 paquidermes na sala, cujos movimentos impedem o mercado de agir racionalmente.

O primeiro é a China e sua economia e moeda controladas. São trilhões de dólares praticamente sem utilidade, sendo usados em projetos tocados pelo governo e por estatais chinesas. Nada disso dá retorno, é só jogar dinheiro fora e manter o “crescimento econômico” nas alturas. A questão da moeda chinesa é ainda mais grave, pois é mantida desvalorizada propositalmente para garantir exportações. Isso faz com que um grupo muito grande de poupadores e investidores sejam MENOS rico do que deveriam.

Mas não vou tratar especificamente desta questão, pois essa política chinesa de absorção da poupança privada mundial já existia e não e a causadora principal das disfunções atuais. É importante, mas além de não ser a principal, ainda depende de um país incontrolável e exótico ao sistema capitalista moderno. Não dá para “consertar” a China.

O problema maior são os GOVERNOS.

Mais precisamente os bancos centrais e as políticas monetárias e econômicas aplicadas após a crise de 2008.

Essa crise espalhou ativos péssimos pelo mundo inteiro. Lixo tóxico, papéis que não valiam nada, contratos descumpridos etc.

A solução global, para evitar o colapso do sistema financeiro e garantir que os bancos continuassem a emprestar, foi promover relaxamentos quantitativos (quantitative easing) e baixar os juros, uma coisa ajudando a outra.

Em outras palavras, os bancos centrais mundiais resolveram dar liquidez ao que não era líquido. Comprar ativos que os bancos não conseguiam vender e que não tinham aceitação no mercado.

Então os bancos centrais passaram a trocar os ativos tóxicos e/ou ilíquidos por títulos públicos de altíssima liquidez.

Essa brincadeira dura quase 10 anos e já inundou o mercado de ativos altamente líquidos, represando a porcaria nos ativos dos bancos centrais.

Um artigo recente publicado no jornal O Globo indica que os ativos dos quatro principais bancos centrais do mundo (EUA, Japão, União Europeia e China) saíram de US$ 6,5 trilhões em 2008 para mais de US$ 17 trilhões em 2016.

Muito desse crescimento se deveu a compra de ativos de baixa liquidez, que estão todos hoje nos balanços dos bancos centrais, principalmente nos EUA e Europa.

Uma boa imagem sobre o tema seria imaginar que os BCs receberam esgoto e pagaram com água limpa. Os reservatórios de água limpa do mercado financeiro privado estão abarrotados, pois não há sede ou asseio que precise de tanta água, mas os reservatórios dos Bancos Centrais estão represando trilhões de litros de esgoto. Ninguém quer que essa barragem estoure.

Como o livre mercado pode autorregular os preços dos ativos e ajustá-los o interesse dos agentes se há um agente gigantesco agindo de forma irracional, com objetivos completamente diversos dos de poupadores e de investidores/empreendedores?

É impossível, por isso essa disfunção tremenda nas finanças e esse medo recorrente de um grande estouro de bolhas por todos os lados. De dívida privada a bitcoin, de shadow banking na china e na índia ao S&P 500. Um medo generalizado que, por conta da irracionalidade e do excesso de dinheiro, não se converte em prudência e volatilidade.

As bolhas vão estourar?

A verdadeira bolha é de liquidez e essa dificilmente estoura. O evento que faria a disponibilidade financeira desaparecer é grave demais, algo como calote de um desses bancos centrais. Não deve ocorrer.

Falando de forma direta, a solução REAL seria o enxugamento da liquidez que, em outras palavras, o desaparecimento do dinheiro desnecessário. Daquele exagero de água limpa que ninguém consegue usar.

Para o mundo parece haver dois caminhos. O do medo, que significa empurrar tudo com a barriga e continuar fornecendo liquidez, permitindo que os governos continuem a ditar as regras econômicas, as taxas de câmbio e a estrutura das taxas de juros (China principalmente), fazendo o mundo virar um grande Japão, de economia modorrenta, pouco crescimento, juros baixíssimos, taxa de poupança cada vez maior para a aposentadoria, mas sem sofrer grandes colapsos. Para um país rico isso não é tão grave, mas para quem é pobre e tem pressa em crescer, é gravíssimo.

O resultado disso é um empobrecimento gradual, um desaparecimento da liquidez ao longo de 50 anos de investimento em péssimos projetos e de retorno baixíssimo.

O segundo caminho já está sendo trilhado pelo banco central americano. Subir juros, parar de comprar ativos ilíquidos e reduzir seu balanço. E o efeito já está sendo sentido, com juros de longo prazo na faixa de 2,5% a 2,6% ao ano. O Federal Reserve tem muito poder para restaurar a normalidade no mercado de ativos de risco zero (ou baixíssimo), para que volte a fazer sentido nas carteiras de longo prazo.

Já está, ao que parece, convencido de que até a inflação responderá melhor (no caso deles subindo) sob taxas de juros racionais.

O Fed está procurando fazer tudo de forma transparente e evitando grandes impactos no mercado. Se conseguir recolocar os títulos de 30 anos ao patamar de 3,5% a 4% ao ano, é extremamente provável que os ativos, ao menos os de renda fixa privada, percam significativo valor.

Os técnicos do Fed perceberam algo que os BCs do mundo ainda não notaram. Ao zerar as taxas de juros ele perdeu completamente o poder de política monetária. Gastou a última bala (zerar os juros) e seus objetivos foram apenas parcialmente cumpridos, uma vez que não temos crescimento pujante em lugar algum no mundo desenvolvido e a inflação continua persistentemente baixa. As pessoas não consomem, os salários não sobem, o endividamento das famílias está em queda e, pior, o endividamento das empresas está nas alturas.

Imagine se, por algum motivo, a recessão voltasse mesmo com os juros zerados e com os balanços empanturrados de ativos ilíquidos. Qual seria a ação possível dos bancos centrais? Nenhuma. Não haveria nada a fazer diante de um cenário de recessão se os juros já estão zerados. Teriam que se reinventar.

Não sei para onde vamos, mas com certeza estamos em um momento disfuncional do mercado financeiro, ou seja, ele não está cumprindo a função de satisfazer o interesse dos participantes livres.

Já havia debatido isso em julho de 2016, neste artigo. As coisas pouco mudaram.

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Erros grosseiros sobre a capitalização da Petrobras. Lamento ainda ter que explicar isso depois de 7 anos.

Posted on 28/08/2017. Filed under: Finanças, Política | Tags:, , |

O nobre consultor do Jornal O Globo para a área de óleo e gás, Adriano Pires, escreve um artigo (leia AQUI) impreciso e incorreto sobre a capitalização da Petrobras e o imbróglio envolvendo a União e a empresa a respeito da cessão onerosa.

É importante alertar, tanto investidores quanto contribuintes, sobre as imprecisões do artigo. Ele gera expectativas infundadas e conta de forma equivocada um momento triste do mercado de capitais brasileiro.

A cessão onerosa.

Adriano explica a cessão onerosa: “A Cessão onerosa é um regime jurídico criado em junho de 2010 através da Lei 12.276, em momento da grande capitalização da empresa. A ideia era que a  Petrobras tivesse condições econômicas de fazer frente aos vultosos investimentos necessários para exploração e desenvolvimento dos campos do pré-sal. Para isso, o governo cedeu cinco bilhões de barris de reserva de petróleo – ou seja, a serem descobertos – a US$ 8,56 dólares/barril em troca de ações. A operação resultou num aumento de capital de US$ 70 bilhões, dos quais US$ 42,5 bilhões foram subscritos pela União, através da transferência da propriedade sobre os ativos da chamada Cessão onerosa.”

Errado. Em essência e forma.

Acompanhei de perto o processo, fui, provavelmente, o primeiro a alertar que quem se capitalizaria seria a UNIÃO e não a Petrobras. Soube disso desde a primeira leitura do prospecto e falei no programa Conta Corrente especial junto com o próprio Adriano Pires.

A confusão dele é justificável, pois a propaganda do governo era de que a União “aportaria barris de petróleo” para acompanhar o aumento de capital.

Mas, como quase tudo na Era Lula-Dilma, era apenas uma farsa.

A lei citada pelo Adriano é bem clara e NÃO diz o que ele afirma. Apenas autoriza a VENDA (cessão onerosa é venda) de até 5 bilhões de barris diretamente e sem licitação à Petrobras. E também autoriza o governo a aumentar o capital na Petrobras aportando TÍTULOS PÚBLICOS e não barris. É o contrário do que Adriano afirma.

Vejam:

Art. 1°  Fica a União autorizada a ceder onerosamente à Petróleo Brasileiro S.A. – PETROBRAS, dispensada a licitação, o exercício das atividades de pesquisa e lavra de petróleo, de gás natural e de outros hidrocarbonetos fluidos de que trata o inciso I do art. 177 da Constituição Federal, em áreas não concedidas localizadas no pré-sal.”

“Art. 9°  Fica a União autorizada a subscrever ações do capital social da Petrobras e a integralizá-las com títulos da dívida pública mobiliária federal.”

O governo não subscreveu ações através da transferência da propriedade dos ativos da cessão onerosa, é um erro material afirmar isso. A União Federal aportou títulos públicos na capitalização e recebeu um cheque para pagar a cessão onerosa (de R$ 75 bilhões).

O erro material é óbvio, basta ler a lei, mas não seria grave se o governo tivesse REALMENTE aportado R$ 75 bilhões em títulos públicos. Não foi isso que aconteceu. A União autorizou vários entes ligados, como Caixa, BNDES e Fundo Soberano a entrar na capitalização para atingir os tais R$ 75 bi da cessão onerosa. Mas a União não chegou nem perto de aportar isso.

Foi uma “mágica” para transformar essa capitalização da Petrobras em RECEITA PRIMÁRIA do governo e superávit primário.

Ou seja, o governo levou cerca de R$ 30 bilhões da Petrobras em DINHEIRO. Os jornais da época noticiaram bastante isso, eu acompanhei no blog, não entendo o motivo de ainda haver quem pense que o governo “aportou barris de petróleo no aumento de capital”.

Vou colocar os artigos que escrevi à época, vale como relato de um momento confuso do mercado de capitais brasileiro e para mostrar que Adriano Pires ainda está com a visão “inicial” do processo de capitalização:

https://blogdoportinho.wordpress.com/2010/08/17/capitalizacao-da-petrobras-importante/

https://blogdoportinho.wordpress.com/2010/08/26/capitalizacao-da-petrobras-i-atualizacao-2608/

https://blogdoportinho.wordpress.com/2010/09/02/capitalizacao-da-petrobras-update-1-a-capitalizacao-do-bndes-e-da-caixa/

Nesse próximo artigo já dá para ver que a União estava se movimentando para NÃO precisar aportar os R$ 75 bi.

https://blogdoportinho.wordpress.com/2010/09/02/capitalizacao-da-petrobras-update-2-qual-sera-o-aporte/

Aqui em 03/09/2010, 6 dias antes do Estadão publicar, nosso blog já alertava que quem iria se capitalizar seria a UNIÃO.

https://blogdoportinho.wordpress.com/2010/09/03/capitalizacao-da-petrobras-update-3-leitura-do-prospecto/

No artigo publicado em 09/09/2010, perguntei:

1. A Petrobras vai transferir ao governo R$ 74,808 bilhões de CAIXA (títulos são quase tão líquidos quanto dinheiro).

  1. O Governo vai aportar, de acordo com as páginas 67-68 do Prospecto, aproximadamente R$ 48 bilhões, já considerando um percentual razoável de não-adesão dos minoritários.

Pergunto: Por que a Petrobras, que precisa de CAIXA, vai transferir ao governo quase R$ 27 bilhões (segundo as expectativas do próprio governo), dinheiro aportado por minoritários?

Seria razoável uma operação casada: aportou R$ 48 bilhões, transfere o número de barris que atinja os R$ 48 bilhões.

Ou, se o governo forçasse o aporte dos R$ 74,808 bilhões. Só que isso, pelas regras do Prospecto, só acontecerá se houver uma adesão baixíssima dos minoritários.

Esperemos os desdobramentos…

https://blogdoportinho.wordpress.com/2010/09/10/capitalizacao-da-petrobras-estadao-desvenda-o-misterio/

https://blogdoportinho.wordpress.com/2010/09/22/capitalizacao-da-petrobras-lei-de-bicks-ou-lei-de-schultz/

Após o fim do processo, praticamente todos os órgãos de imprensa noticiaram o que foi dito neste blog, que o governo foi capitalizado em cerca de R$ 30 bilhões.

https://oglobo.globo.com/economia/capitalizacao-da-petrobras-pode-dar-reforco-de-30-bi-para-superavit-primario-2947456

Foi uma grande “mágica” orçamentária, que acabou drenando os recursos da empresa culminando no desastre da dívida que explodiu em 2014 (além do Petrolão, que está intimamente ligado a essa megalomania governamental).

Diga-se, a informação ao mercado ESTAVA DADA, tanto é verdade que eu consegui chegar a essa conclusão apenas pela leitura do prospecto.

Voltando a Adriano

No artigo publicado em O Globo de hoje, Adriano ainda trata de forma imprecisa a questão da revisão da cessão onerosa:

O acordo rezava ainda que, quando a  Petrobras descobrisse esses barris, haveria um encontro de contas entre a estatal e o Tesouro, baseado no preço estabelecido em 2010 e o do momento da declaração de comercialidade. Ocorre que a empresa descobriu reservas que ultrapassaram os cinco bilhões de barris, alcançando cerca de 17 bilhões. Esses 12 bilhões de barris a mais levaram o nome de extensão da Cessão onerosa . E o regime jurídico para explorar e produzir esses barris no pré-sal e o regime da partilha também foram criados em 2010.”

O governo Dilma – aproveitando-se de artigo da Lei da Partilha, que permite dar à  Petrobras sem licitação áreas de pré-sal que sejam consideradas estratégicas – publicou uma resolução do Conselho Nacional de Politica Energética (CNPE) cedendo à estatal os 12 bilhões de barris de reserva da extensão da Cessão onerosa . Porém, o TCU bloqueou essa operação até o momento. Diante de tal quadro, o que o governo deveria fazer com o intuito de beneficiar o Tesouro e a  Petrobras ?

A revisão da Cessão Onerosa NÃO TEM QUALQUER RELAÇÃO com os 12 bilhões de barris a mais. É uma questão do preço pago pelos 5 bilhões de barris. Como se lê nas notas explicativas sobre o assunto no Balanço da Petrobras:

11.2. Direito de exploração de petróleo – Cessão Onerosa A Petrobras e a União assinaram, em 2010, o Contrato de Cessão Onerosa, pelo qual a União cedeu à Petrobras o direito de exercer as atividades de pesquisa e lavra de petróleo, gás natural e outros hidrocarbonetos fluidos localizados na área do pré-sal, com produção limitada ao volume máximo de 5 bilhões de barris equivalentes de petróleo, em até 40 anos, renováveis por mais cinco anos, sob determinadas condições. Em contrapartida, a Petrobras pagou à União o montante de R$ 74.808, que em 31 de março de 2017, encontra-se registrado no Ativo Imobilizado da companhia.”

O Contrato estabelece que, imediatamente após a declaração de comercialidade de cada área, são iniciados os procedimentos de revisão do Contrato, os quais devem estar baseados em laudos técnicos de certificadores independentes, contratados pela Petrobras e pela ANP.  A conclusão da revisão somente ocorre após o fim da revisão de todas as áreas.”

Caso a revisão conclua que os direitos adquiridos alcancem um valor maior do que o inicialmente pago, a companhia poderá pagar a diferença à União ou reduzir proporcionalmente o volume total de barris adquiridos nos termos do Contrato. Se a revisão concluir que os direitos adquiridos resultam em um valor menor do que o inicialmente pago pela companhia, a União reembolsará a diferença, em moeda corrente, títulos ou outro meio de pagamento, sujeito às leis orçamentárias.”

A questão dos 12 bilhões de barris é um “não-problema”, não tem aprovação do TCU e, principalmente, não tem registro contábil algum nas contas da Petrobras. Foi uma pedalada Dilmista que não tem qualquer efeito prático.

A questão da diferença de preço dos 5 bilhões de barris, essa sim é algo gravíssimo e urgente, uma vez que tanto a União quanto a Petrobras alegam ter mais de US$ 15 bi a receber.

Em resumo, Adriano quer sugerir, tão somente, que o governo poderia vender os barris excedentes do Pré-sal. Para chegar a tal conclusão não precisaria ter feito o preâmbulo incorreto e impreciso que fez, principalmente por ser consultor da área de óleo e gás de um dos principais jornais do Brasil.

Ao final do artigo, sugere que o governo pague a Petrobras com o resultado do leilão dessas áreas do Pré-sal, porém tanto o governo quanto a Petrobras se assumem como credores um do outro e não como devedores. Além de impreciso e incorreto, o artigo me pareceu ingênuo, principalmente quando sugere que as coisas sejam feitas com urgência. Nem a definição de quem deve a quem está tomada. E controlador e Companhia não se confundem, cada um tem que lutar pelo que considera correto (ou deveria ser assim).

Faço meu papel, como fiz à época, de ir além das obviedades e retratar o que me pareceu ter ocorrido. Ainda há muitos brasileiros que acham que o governo “aportou barris” na Petrobras. Não foi nada disso. Aportou dinheiro e teve um lucro de R$ 30 a 33 bilhões em parte ÀS CUSTAS dos minoritários.

Espero que O Globo corrija essas informações.

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Porque saí do RPPS ou A (minha) Reforma da Previdência

Posted on 21/08/2017. Filed under: Filosofia, Finanças, Matemática, Política | Tags:, , |

Bom, parece que a Reforma da Previdência vai virar mesmo um arremedo para durar uns 4 ou 5 anos, ou nem sairá.

Dado isso, temos que nós mesmos tratar de correr para organizar nossas finanças, pois, ainda que muitos neguem, o problema da previdência pública é real e impactará a vida de todos, NÃO SÓ DOS MAIS POBRES, mas, principalmente, dos que recebem mais.

Há fatos que considero incontestáveis, se o leitor não concorda com eles, não sei se o resto do texto interessará. São eles:

  • Há déficit na previdência e ele é crescente.
  • Com o passar dos anos e com o envelhecimento da população, esse déficit vai piorar.
  • O orçamento público é insuficiente. Para tudo (exceto para os barões).
  • O cobertor é curto, se aumentar o gasto com a previdência no nível previsto, vai faltar para outras áreas.
  • Direito adquirido e expectativa de direito são robustos conceitos jurídicos, mas fragilíssimos conceitos econômicos. Não há ordem judicial que faça aparecer um dinheiro que não há.
  • Quem deve se aposentar a partir de 2030, provavelmente (diria 99% de chance) precisará complementar significativamente a aposentadoria com recursos acumulados privadamente.

Adeus previdência pública!

Tomei posse na CVM, autarquia federal que regula o mercado de capitais, em fevereiro de 2012. Foi o último mês em que você pôde entrar no serviço público no regime de aposentadoria integral (ou pela média do salário da ativa).

Em março de 2012, Dilma regulamentou o Funpresp e, desde então, NENHUM servidor público federal pode se aposentar com mais do que o teto do INSS. Isso mesmo. Juiz ganhando R$ 80.000, sem entrou após a regulamentação, vai se aposentar com R$ 5.500. Vai precisar fazer poupança privada para compor a renda no futuro.

Alvíssaras, alvíssaras! Parabéns a Dilma e Lula! É muito importante que os servidores, que já ganham mais (por enquanto) e têm estabilidade (segurança de fluxo de caixa, também por enquanto), destinem boa parte de sua poupança privada de longo prazo para projetos e de investimento e NÃO para o orçamento público.

A janela de saída.

Há cerca de 1 ano o governo abriu uma janela para que os servidores ainda na regra antiga pudessem sair do regime próprio de previdência (RPPS). Isso significa pagar menos contribuição previdenciária (servidores pagam 11% em cima de todo o salário), porém abrir mão da tão sonhada aposentadoria pública integral.

Foi a minha oportunidade de dizer adeus à previdência pública!

Quer dizer, nem tanto, pois ainda sou obrigado a contribuir até o teto do INSS, mas o governo me deu a liberdade e a oportunidade de cuidar privadamente da minha aposentadoria, ao menos em parte.

Por que abandonei voluntariamente a tão sonhada aposentadoria do servidor público federal?

Há muitos motivos, alguns pessoais e morais, e outros financeiros e atuariais. Sou da área de finanças por gosto, vejo o futuro como um conjunto de probabilidades, analiso os eventos no futuro por sua densidade de probabilidade (chance de acontecerem) e, para o futuro, vejo algumas questões que me parecem bastante prováveis. Outras praticamente certas.

Antes de elencar os motivos, vale colocar que decisões pessoais são… pessoais! Nada do que escrevi, ou escreverei, deve ser visto como um caminho correto ou errado para as decisões dos leitores.

Vamos às questões.

Questões tributárias.

  • Hoje aposentados do serviço público pagam IR de 27,5% (mesmo com mais de 65 anos) + contribuição de 11% ao RPPS (sobre a parcela que excede o teto do INSS), com previsão de alta para 14%.
  • Ao acumular patrimônio pela previdência privada, paga-se apenas 10% sobre o valor retirado (mais de 10 anos de aporte). Além disso, o valor aplicado pode ser abatido do IRPF do exercício, o que traz um ganho de 27,5% de início.
  • É altamente provável que a contribuição suba, tão logo seja aprovada a reforma da previdência (se for), para 14% (essa proposta foi feita em 15/08/2017).
  • A continuar esse caminho do déficit, gigante e crescente, é altamente provável que, tanto a alíquota do IR para os maiores salários, quanto a contribuição ao RPPS continue subindo. Não estranharia se em 2030 estejamos pagando 35% de alíquota máxima de IR e entre 16% e 22% de contribuição ao RPPS. Aqui no RJ já houve propostas de contribuição extraordinária nesses níveis.
  • Não é impossível que aumentem o imposto sobre previdência privada, mas é um tiro no pé desestimular poupança privada de longo prazo, a única que vai sustentar o crescimento do país, dado que a poupança pública acabou.
  • Em resumo, meu custo tributário na aposentadoria estaria, hoje, na faixa de 35% (IR e RPPS), deve aumentar e não espantaria se chegasse a 50% em 20 anos. O custo atual de retirada dos valores acumulados em previdência privada está em 10%, e considero improvável que aumente (muito), dada a necessidade de estímulo à poupança privada de longo prazo.

Questões culturais.

  • Formar poupança privada é questão cultural. Você se surpreenderia com a quantidade de médicos, juízes, executivos, com rendas superiores a R$ 600 mil, R$ 1 milhão ao ano que não formam patrimônio, ou que mantêm reservas insignificantes perto de seus custos anuais. R$ 200 mil em reservas é muito para quem gasta R$ 80 mil por ano, mas é pouco relevante para quem gasta R$ 500 mil ao ano.
  • É comum ver as pessoas fazendo reformas de 5 em 5 anos na casa onde moram, ou até em casas de veraneio. Quando olham o que gastaram ao longo de décadas nessas reformas, poderiam ter acumulado patrimônio para complementar confortavelmente sua aposentadoria. E o imóvel de uso próprio não é ativo. Reduz necessidade de caixa, mas não gera renda.
  • A Previdência Pública reforça essa leniência com a poupança privada que vemos em toda a população. É inacreditável que um pedreiro que chega a cobrar de R$ 300 a R$ 400 a diária, sonhe em se aposentar com salário mínimo ou com R$ 1.500 por mês. Se acumulasse patrimônio por 10 anos ou 15 anos, sem ser genial nas finanças, já teria recursos suficientes em poupança privada para usufruir de renda semelhante.
  • Há o desconhecimento, mas há o desestímulo mesmo, provocado pela expectativa de que é inevitável depender do governo quando ficar mais velho. É uma expectativa altamente empobrecedora, tanto para o indivíduo, quanto para o país.
  • Para quem tem 15, 20 anos ou mais para acumular patrimônio, aprender sobre as formas de investimento privado (são muitas e para os mais diversos apetites por riscos) deve ajudar na aposentadoria. Mesmo para o aposentado que recebe um bom dinheiro, a falta de experiência na gestão financeira de sua renda e patrimônio prejudica bastante seu período de aposentadoria. Não é à toa que a maioria esmagadora dos aposentados, ESPECIALMENTE DO SERVIÇO PÚBLICO, vive com sua renda comprometida significativamente no consignado.
  • Enfim, é melhor levar a experiência de ter gerido sua própria vida financeira e sua própria poupança, além de ter uma reserva significativa durante a aposentadoria, do que ter passado a vida na expectativa de apoio do governo e sem reserva alguma.

Questões financeiras e de seguridade

Trato por “questões financeiras e de seguridade” aquelas decisões que envolvem variáveis de risco e retorno e de diversificação.

  • Os riscos da aposentadoria pública estão ligados ao orçamento público, tanto no RPPS quanto no RGPS (INSS). Ocorre que, como se sabe, o déficit do funcionalismo é muito mais elevado, o desequilíbrio é maior e os salários são 7 vezes maiores, de forma que podemos dividir o risco do RPPS e do RGPS, apesar de terem a mesma fonte de pagamento.
  • Os riscos de uma taxação extra, ou excessiva, sobre as pensões e aposentadorias me parecem muitíssimo mais elevados para quem está no RPPS. Primeiro porque o déficit é maior (e aqui não cabe discutir conceitos de justiça, apenas conceitos financeiros) e segundo porque é mais palatável para a sociedade sobretaxar quem ganha R$ 20.000,00 do que quem ganha R$ 984,00. Dessa forma, o risco de quem está no RGPS (ou nas mesmas regras) me parece MENOR do que o risco de quem está no RPPS. Em resumo, vão “descascar” primeiro os que ganham mais e têm maior déficit, para depois chegarem a quem ganha menos. Aliás, isso já tem sido uma realidade para os servidores públicos federais desde 2003, pois já pagam 11% sobre suas aposentadorias e tem idade mínima de 60 anos (não há idade mínima nem contribuição de aposentados no RGPS).
  • Os regimes de previdência pública também são regimes de seguridade, ou seja, buscam amparar o cidadão e sua família no caso de sinistros como morte e invalidez permanente. Na previdência privada esses seguros precisam ser contratados à parte. Nos regimes FECHADOS de previdência, como no FUNPRESP, há formação de fundos para garantir essa seguridade, ou seja, paga-se um pouco a mais para reservar fundos para pagar pensões por morte e invalidez. Mas isso nada tem a ver com capitalização, tem a ver com seguro mesmo.
  • A seguridade no RPPS (do governo puramente), para quem tem pouco tempo de serviço público, não é tão interessante, pois para o caso de invalidez e morte há substanciais cortes nos benefícios à família ou ao indivíduo. Entrando no FUNPRESP, há formação de um fundo (caro) para pagar pensões no caso de sinistros. Esse fundo, me parece, está superdimensionado, pois, para cada R$ aportado pelo beneficiário, cerca de 0,41 centavos são destinados ao fundo (porque o governo coloca também R$ 1). Além disso, o FUNPRESP é o regime para todos os novos servidores, desde 2012, com a aprovação da idade mínima de 65 anos (se não for agora, será em 2019 ou 2020), é provável que haja muitos servidores jovens entrando e contribuindo por 30 a 40 anos para o FUNPRESP. Não me parece que esse fundo ficará “sem dinheiro” para pagar as pensões. Acho até que está superdimensionado.
  • Já as regras de seguridade do RPPS tendem a piorar com as reformas da previdência, essa próxima e as várias outras que virão nos próximos 20 anos. É bem provável que as pensões por morte e invalidez sejam expressivamente reduzidas (já está em pauta). No caso do FUNPRESP ou da contratação de seguros privados, o que vale é o contrato e a disponibilidade financeira. É provável que, nos próximos anos, a seguridade contratada privadamente ou nos fundos fechados seja muito superior à seguridade social. Por incrível que pareça, a decisão de sair do RPPS, contratando os seguros corretos (ou entrando no FUNPRESP), pode reduzir os riscos de fluxo de caixa no caso de sinistros.
  • Há o risco de sucateamento do serviço público, esse risco não é desprezível (escrevi esse texto bem antes das mudanças propostas em 15/08). Achatamento salarial, redução de carga, PDV, está tudo na mira do governo. E continuará, pois o déficit pesado da previdência está no serviço público, em todos os níveis. Quando o Brasil estava “bombando” entre 2011 e 2014, os salários na iniciativa privada, para quem tem boa formação, estavam bastante atraentes. Se Dilma tivesse seguido o caminho proposto por Palocci e outros, de buscar o déficit nominal ZERO, talvez ainda estivessem todos na cadeia, mas a economia estaria voando. Nosso problema é essencialmente fiscal, se não houvesse isso, nossa economia estaria inundada de dinheiro barato (os juros seriam mínimos e sobra dinheiro no exterior). Seria altamente provável que profissionais bem formados deixassem o serviço público. Se isso acontecer, e você tiver 15 a 20 anos de contribuição ao RPPS, vai pensar duas vezes antes de sair e perder o dinheiro pago para a aposentadoria. Mas se esse dinheiro tiver sido acumulado no FUNPRESP ou em previdências privadas, o servidor poderá sair levando o dinheiro acumulado para a aposentadoria. A decisão fica bem menos difícil. Sair do RPPS reduz o risco de perder oportunidades por estar preso a um regime para o qual você já contribuiu muito.
  • Há o risco de gestão e de fraudes nas previdências privadas, inclusive no FUNPRESP. Ocorre que é possível diversificar as fontes de aposentadoria, como em outros fundos de previdência, fundos de investimento imobiliário, ações etc.. No RPPS há o risco de má gestão do orçamento público também, aliás, isso nem é risco, é certeza. Na verdade estamos trocando um risco sobre o qual temos algum controle (participação nas assembleias, troca de gestores, seleção de riscos da carteira, venda pura e simples etc.) por um risco sobre o qual nosso controle é apenas no voto nos políticos, e nunca deu muito certo.

Em resumo, com visão exclusivamente financeira (de riscos de fluxo de caixa), entendo que sair do RPPS foi “vender um ativo com perspectiva ruim” para selecionar e me posicionar em “ativos melhores e com maior diversificação”.

É evidente que, para quem tem 25 anos ou mais de contribuição ao RPPS e para quem está próximo de se aposentar (até 10 anos) os riscos são muito diferentes, até porque devem ter pouco tempo para acumular poupança privada. Talvez para estes a ideia seria apertar um pouco mais o cinto, renunciar a determinados padrões de consumo para acumular alguma poupança privada para compor com a aposentadoria pública e reduzir seus riscos.

Se eu pudesse resumir minha motivação para sair do RPPS diria apenas que entendo ser a coisa certa a fazer. Vou destinar a minha poupança com vistas à aposentadoria para investimentos privados e não para o orçamento público. Orçamento público não gera riqueza, aliás, há eloquentes exemplos no mundo inteiro que demonstram isso.

Se o Brasil entrar nos eixos e orçamento equilibrar, significa que a economia voltou a andar forte, gerar riqueza e pagar os impostos. Nesse caso os investimentos privados também devem dar resultado. Se o Brasil quebrar, é melhor ter a opção de mexer com a poupança acumulada privadamente (para comprar dólar, por exemplo, se a coisa for mesmo para o buraco) do que ficar com a expectativa de direito de receber uma aposentadoria de um estado quebrado.

A minha contribuição para a melhoria do Brasil é essa, reduzir o compromisso do governo comigo e destinar os excedentes para investimentos privados. Que espero que voltem com força. Os “investimentos públicos” já demonstraram que são sorvedouros de dinheiro, não geram qualquer riqueza.

Haverá leitores que vão me tomar por tolo, por acreditar em investimentos privados, em capitalismo etc.. Minha visão a esse respeito é bem simples. Há riscos nos investimentos privados, para esses riscos há cálculos de mitigação e diversificação. Posso acessar 4 grandes gestores para meus fundos de previdência privada, 12 ou 15 ações, mercado interno e externo, estratégias com opções etc.. Há riscos ao depender do governo para garantir meus proventos no futuro e para esses riscos eu não tenho nenhuma estratégia de mitigação, ninguém tem.

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Temer Fica para a Economia Melhorar? Vocês entenderam tudo errado!

Posted on 19/05/2017. Filed under: Administração, Finanças, Política |

Quem pensa assim não faz ideia da REAL origem de nossa crise econômica. É muito diferente do que as pessoas pensam.

Falta de dinheiro público é só uma parte da explicação

É inegável, basta ver as contas do governo, a carga tributária e a relação dívida/PIB para constatar que o estado Brasileiro está em vias de falir. Falir mesmo, não aquelas bobagens que o PT dizia de FHC, que quebrou o Brasil 3 vezes. Nada disso, agora a coisa é real.

A expectativa do Itaú e de outros bancos é que, sem a reforma da previdência, chegaremos em 2 anos à fatídica relação dívida/PIB de 100%. Com juros ainda altíssimos. Isso é absolutamente insustentável.

Como o Brasileiro sente essa crise orçamentária?

Os governos do PT distribuíram alguns trilhões de reais na economia, seja com repasses diretos ou crédito subsidiado, tudo obtido a base de endividamento da União e das empresas públicas. Esse dinheiro na economia deu a (falsa) impressão de riqueza e prosperidade. Soldadores com salário de R$ 10.000 e operadores de guindaste ganhando mais que analistas do Banco Central foram apenas reflexo dessa exuberância de dinheiro público na economia.

Ocorre que essa fonte secou. Não só momentaneamente, mas para sempre. O único “motor” que os políticos brasileiros conhecem para mover a economia é o gasto público. Não temos mais acesso a isso. E teremos menos ainda no futuro.

MESMO com as reformas, a previsão é de orçamento cada vez mais apertado e a trajetória da dívida continuará explosiva, apenas ganhará uma sobrevida de alguns anos.

Em resumo, o Batman de outrora (dinheiro público na veia) não pode ser mais chamado. Está aposentado por invalidez permanente.

Quem poderá nos salvar?

Agora vem a REAL explicação do tamanho de nosso buraco econômico.

Dado que não há, e não haverá, excedentes de orçamento público para investimento, precisaremos contar com os excedentes de poupança privada. Mas é claro que isso NÃO EXISTE no Brasil. Nossa poupança privada nacional é pífia.

Mesmo durante o boom de aberturas de capital entre 2005 e 2008, mais de 80% do dinheiro era estrangeiro.

No exterior há vários trilhões de dólares investidos em títulos que rendem juro negativo, mas mesmo assim o Brasil não passa nem perto de ser um potencial destino para esse dinheiro. Preferem ter perda certa e pequena lá fora, do que se aventurar em terra brasilis.

Por quê?

Não amigo, não é pela crise política, não é pelo Foro de São Paulo, não é pela narrativa do golpe, não é nada disso. É por um motivo bem mais simples.

Existe um cerco violentíssimo contra a corrupção e a lavagem de dinheiro no mundo, há acordos de compartilhamento de informações entre bancos centrais e departamentos de justiça de vários países. Mesmo os paraísos fiscais mais relutantes, como o Panamá por exemplo, estão aos poucos cedendo à pressão internacional.

O que explodiu o sistema criminoso não foi o juiz Moro, ele foi uma parte apenas. O que foi definitivo para ruir o sistema foi o auditor da Petrobras ter se negado a assinar o balanço do terceiro trimestre de 2014.

O castelo de cartas da corrupção ruiu por medo dos fornecedores de serviços da Petrobras de sofrerem processos bilionários nos EUA e em seus países de origem. E foi exatamente o que aconteceu, e acontece até hoje.

Pouca gente acompanha os efeitos da lava-jato nos fornecedores estrangeiros da Petrobras, mas praticamente todos os envolvidos estão sendo (ou foram) processados em seus países de origem e até nos EUA, com pagamento de multas bilionárias e prejuízos gigantes. Prejuízos muito maiores do que os ganhos que tiveram por aqui.

E a tendência, a partir desses acordos internacionais anticorrupção e lavagem de dinheiro, é restringir ainda mais os recursos para países em que a corrupção é um método corriqueiro de fazer negócio.

A própria JBS, para conseguir se manter nos EUA, terá que fazer um acordo de leniência com as autoridades locais, com multas bilionárias e sanções pesadíssimas. Eles sabem disse e já iniciaram as conversas por lá.

E foram várias empresas brasileiras buscando acordos com o Departamento de Justiça dos EUA (e aqui também). Braskem, Embraer, Eletrobrás, Odebrecht, OAS etc., se enrolando com a justiça americana e brasileira.

Até pouco tempo atrás o risco moral e financeiro de participar de um sistema corrupto como o brasileiro era relativamente baixo. Não tínhamos notícias, até 2014, de empresas brasileiras processadas nos EUA e na Europa, fazendo acordos milionários (às vezes bilionários) para se livrar de sanções penais e administrativas no exterior.

E isso não é exclusividade do Brasil, os EUA penalizaram severamente bancos europeus envolvidos na crise de 2008, isso inclusive foi um dos motivos para o surgimento desse novo modelo de governança. Risco é custo e o risco da corrupção ficou altíssimo nos últimos 10 anos.

Esse movimento NÃO TEM VOLTA.

Se o Brasil quiser voltar a ser destino de pesados investimentos estrangeiros, e dinheiro há aos montes, além de ótimos projetos a realizar por aqui, precisará convencer as empresas e os investidores de que é possível fazer negócio por aqui sem o risco moral e econômico de fazer parte de uma teia criminosa.

Acreditem, é tão simplório quanto isso. Relação risco e retorno, tanto moral quanto econômica.

Para quem não sabe, a lei norte-americana (Foreign Corrupt Practices Act) permite responsabilização criminal e cível de qualquer ato de corrupção de qualquer empresa que tenha interesses nos EUA, seja ela americana ou não, esteja ela atuando nos EUA ou não. É uma lei criada para garantir a entrada de empresas norte-americanas em países altamente corruptos, onde essa prática destrói o ambiente competitivo. Outro objetivo é proteger investimentos de cidadãos americanos fora de seu país.

Lula ODEIA essa lei e já externou isso. É essa lei, que tem derivações em outros países, que assombra empresas que operam em países como Brasil e Venezuela. Lula acha que é uma invasão de soberania, mas na verdade o que ele quer é que o “jeitinho corrupto brasileiro” continue.

Antes da cooperação internacional o custo de pagar propina no metrô de SP ou na Sete Brasil era aceitável para esses operadores, hoje o custo é muitíssimas vezes maior do que qualquer lucro que se pode conseguir extrair desses contratos. Não vale a pena correr o risco.

É essa equação que explica nossa crise econômica, atual e futura: Falta estrutural e crescente de dinheiro público, falta de ambiente saudável e leal para investimentos privados e uma guerra entre os organismos da justiça e as várias organizações criminosas infiltradas em todas as instâncias de poder do país.

Independente das narrativas de esquerda e direita, dos Reinaldos Azevedos da vida e das viúvas de Dilma, o áudio e o comportamento de Temer, para qualquer investidor estrangeiro, é crime e demonstra que temos um mafioso sentado na cadeira de presidente. É um homem a serviço da proteção do mesmo sistema corrupto que destruiu reputações, empresas, empregos e fortunas, mas que insiste em se manter de pé no país.

E assim não tem negócio. Antigamente valia correr o risco de pagar o custo Brasil, no que se refere à corrupção, hoje não vale mais a pena investir bilhões e correr o risco de ser processado em seu país, multado em outros bilhões e, pior, ainda perder o dinheiro investido por aqui. O risco não se paga.

Há coisas sobre a qual ter dúvida é uma ingenuidade à qual não posso ceder.

Não tenho dúvidas de que Temer é apenas mais um proposto da organização criminosa que assola o país há décadas. Isso é muito claro para todos os operadores, em todos os países. A eventual vitória de Temer, mantendo-se na presidência e implantando as reformas parecerá uma vitória do Brasil, mas é só o caminho mais óbvio de fortalecimento da máfia. Acabamos de ver isso acontecer com Lula e a “Carta aos Brasileiros”. Seguir a cartilha do FMI e da austeridade, manter as regras do Plano Real foram só instrumentos para se perpetuar no poder, com volumes de propina inimagináveis. Era virtude de um lado, lamaçal de outro. Deu no que deu.

Se Temer vencer, sair ileso, e aprovar as reformas (o que considero praticamente impossível), será um vitória de Pirro para o Brasil. Venceremos da mesma forma de sempre, com a corrupção como método e a cara de pau como script.

Não torça por Temer, ele é exatamente a mesma coisa que Dilma e Lula, só mais envernizado.

A única saída duradoura para o Brasil é pela virtude. Não sei se vamos conseguir, mas certamente não será com Temer, Lula, Aécio ou adjacências.

Ps. Antes dos áudios talvez pairasse dúvidas sobre quem é Temer, eu mesmo lhe dava o benefício da dúvida. Mas depois não há mais NENHUMA dúvida. Por mais que se queira defender as reformas, é evidente que Temer é um inimigo da Lava-jato e agirá assim nas oportunidades que tiver. Lamento pelo Brasil, mas temos que tocar as reformas com outro personagem. Espero que seja rápido.

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Bolha Imobiliária – Arrecadação de ITBI no Rio de Janeiro em 2017 cairá a níveis de 2011.

Posted on 13/05/2017. Filed under: Administração, Finanças, Política | Tags: |

É um título forte, mas essa é uma previsão até otimista a respeito da arrecadação do ITBI na cidade do Rio de Janeiro para o ano de 2017.

A prefeitura, a partir da arrecadação de R$ 625 milhões em 2016 está prevendo para 2017 R$ 645 milhões. Ocorre que, até 13 de maio, havia atingido apenas R$ 166 milhões. Considerando a sazonalidade histórica (obtida dos dados mensais de ITBI), com forte concentração em novembro e dezembro, dá para estimar, se o mercado continuar com o mesmo apetite, que atingirá cerca de R$ 598 milhões, bem próximo da arrecadação de 2011 (ver tabela abaixo)

Aliás, a última vez em que os quatro primeiros meses  de arrecadação do ITBI estiveram na faixa de R$ 160 milhões foi em 2011 mesmo (R$ 165 milhões).

Vale lembrar que tanto o passado quanto o horizonte visível em 2011 eram infinitamente melhores do que em 2017. Vínhamos de um PIB crescendo 7,5% em 2010, e os juros atingiriam, em alguns meses, 7,25%. Além disso, atingiríamos em breve o pleno emprego e a expectativa do trabalhador e do mercado era a melhor possível. 2017 não se parece com 2011.

E pior, 2018 ainda é ano de eleição. Ano em que políticos são especialmente incompetentes e irresponsáveis. Não surpreenderia se o final de 2017 fosse (bem) pior que o final de 2011.

Isso tudo em valores nominais. Sem desconto da inflação.

Se descontarmos o INCC (inflação dos custos da construção civil) de um período iniciado em 2008, por exemplo, o valor previsto para a arrecadação do ITBI nesse ano será equivalente em termos reais ao de 2008.

Ano 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017P
ITBI R$ mi 344  388  494  589  744  786  737  667  625 598
INCC 3,20% 7,57% 7,58% 7,26% 8,07% 6,74% 7,22% 6,34% 1,10%
INCC Acumul 3,20% 11,01% 19,43% 28,10% 38,44% 47,77% 58,43% 68,47% 70,33%
Atualizado  344  376  445  493  581  568  499  421  371  351

Falta de dados…

Infelizmente a prefeitura poderia, com facilidade, pois são informações parametrizadas, prover dados robustos sobre as vendas de imóveis na cidade. Seria facílimo, por exemplo, nos fornecer o número de imóveis negociados, a metragem acumulada, as regiões da cidade etc. Saberíamos praticamente tudo do mercado de imóveis em nossa cidade. Mas não há onde achar essas informações.

Nos EUA quando você vai comprar um imóvel, consegue todo o histórico das últimas negociações do mesmo. Está na internet. Aqui no Brasil, tem que pagar um cartório para tirar uma certidão de ônus reais. Custo Brasil, mais motivos para nossa pobreza.

Voltando à bolha, o que sabemos é que os imóveis subiram, entre 2008 e 2017, muito mais do que o INCC acumulado. Quando trazemos a valor presente (para o final de 2008) a arrecadação prevista, e otimista, de 2017, há equilíbrio com a arrecadação de 2008. Porém, é razoável crer que os imóveis tenham subido, pelo menos, 3 vezes mais do que o INCC (210%). Eu até arriscaria que subiram mais do que isso, talvez umas 4 ou 5 vezes.

É bastante plausível que, em quantidade vendida, tenhamos menos de metade do que se verificou no fraco ano de 2008. Talvez bem menos da metade. Não surpreenderia se, em quantidade, estivéssemos vendendo menos de 1/4 das unidades que vendíamos em 2008 e 2009. O balanço da Brasil Brokers mostra uma realidade até pior do que essa.

Conceituando bolha

Bolha nada mais é que a observação de preços excessivamente irreais em um grupo de ativos. Mas nem sempre a bolha “estoura” como poderíamos esperar. O que estamos vendo, com certa clareza, é que os imóveis continuam com valores bem superiores à renda do mercado interessado, fenômeno que expliquei no início de 2014, motivo pelo qual há menos negócios, bem menos negócios, acontecendo.

Aliás, as incorporadoras não ajudam no processo de aquecer o mercado. Um dos mais importantes drives para compra de um imóvel e ter vendido outro. É bem mais comum alguém dar uma entrada de R$ 700 mil porque vendeu um imóvel por R$ 600 mil, do que alguém pegar R$ 700 mil da poupança privada que fez ao longo de anos e se descapitalizar para imobilizar esse dinheiro.

Como as incorporadoras pedem R$ 15 a 20 mil no metro quadrado, não resta opção ao interessado a não ser vender seu imóvel usado por R$ 12 a R$ 14 mil o metro quadrado.

E encalha, invariavelmente, encalha. Se o imóvel novo custasse R$ 12 mil (e existem alguns em botafogo e no jardim oceânico, mas também não estão vendendo) o metro quadrado, o interessado poderia baixar o seu para uma faixa bem mais acessível e dar liquidez no seu imóvel.

É um verdadeiro ciclo vicioso, de expectativas irreais e de muita perda econômica. Os balanços das construtoras não me deixam mentir.

O custo de oportunidade que ninguém entende.

É tolice esperar 2 anos para vender um imóvel por se recusar a dar 25% de desconto (em 2 anos você já poderia recuperar esse dinheiro com facilidade no mercado de renda fixa), mas é o que a maioria faz.

Não nota que 1 ano de espera representa 12% a 15% de custo de oportunidade jogado no lixo.

A continuar esse marasmo financeiro no Brasil, e não há muitos motivos para acreditar em recuperação firme antes de 2019, é provável que os preços reais dos imóveis (descontados pela inflação) em 2019 estejam em patamares próximos aos de 2010.

Vão continuar sendo pra lá de milhão, mas representando coisa semelhante ao preço de 2010.

Quais os sinais antecedentes de melhora?

Antes de aquecer o mercado imobiliário, será necessária uma melhora substancial em vários fatores. No emprego e na renda é algo básico e evidente. Mas também os bancos precisam repassar as quedas nos juros da SELIC para essas linhas de financiamento. Ainda não está acontecendo e, mesmo que a SELIC chegue a 1 dígito, rapidamente, não há garantias de transferência das quedas para o consumidor.

Aqui no RJ a coisa do emprego é mais delicada. A estimativa do ex-presidente, de 600 milhões de desempregados no setor de óleo e gás, é um pouco exagerada. Algo como 300 mil BONS empregos desapareceram aqui no RJ. Um pouco menos que os 600 milhões, mas ainda assim um péssimo número.

Há a questão dos servidores, tanto estaduais quanto municipais (se Crivella não estiver blefando, o dinheiro vai até setembro). Há o estoque boçal de imóveis na Zona Oeste, em especial Jacarepaguá e o Lado B da Avenida das Américas. O estoque do consórcio Carvalho Hoskem – Odebrecht na vila Olímpica é indecente. E olha que os imóveis da Vila do Pan AINDA não foram todos vendidos. O Pan foi em 2007.

That´s it Folks. Há o caminho do giro, que significa adaptar-se ao mercado, há o caminho da margem, que significa esperar o mercado se adaptar a você.

Por enquanto o mercado do Rio de Janeiro é um non sense só. É péssimo para ambos os lados, para compradores e vendedores. Não há non sense maior do que um mercado ruim tanto para vendedores quanto para compradores. Ou há um ajuste nas percepções e expectativas, ou vamos continuar fazendo cada vez menos negócios, como bem mostram os números.

Estamos no fundo do poço?

Naturalmente o poço tem fundo, mas não me arrisco a dizer que já chegamos a ele. Se fosse obrigado a apostar, apostaria em 2018 como fundo do poço, caso a reforma da previdência passe e elejamos um ser humano racional e menos comprometido com o lastro de falcatruas dos últimos 517 anos.

Mas se a Reforma da Previdência não passar, o que NÃO É IMPOSSÍVEL, aí o fundo do poço vai se movimentar bastante. Alegremente e serelepe para baixo.

E se ainda por cima elegermos um “cerumano” irracional, que chuta 600 milhões de desempregados sem perceber a bobagem que fala, por exemplo, aí o fundo do poço será como o tempo na física quântica. Teremos que remodelar o conceito para compreendê-lo. Vai ser bem feio. Recomendo estoques significativos de Rivotril, dólar e latinhas de atum.

Parece pessimismo, mas é só o caminho de sempre aqui em Vera Cruz.

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Bolha imobiliária. O resultado (assustador) da Brasil Brokers

Posted on 31/03/2017. Filed under: Finanças, Política | Tags:, , , , |

Vivemos uma realidade ainda bizarra no Rio de Janeiro. A violência está aumentando de forma MUITO evidente, as UPPs fizeram água, os morros onde tinham dado certo, na Tijuca, Botafogo, Copacabana e Ipanema, vivem aos tiros por aqui.

E, apesar de haver oportunidades quando há alguém REALMENTE interessado em vender (e que dê sorte de encontrar alguém realmente interessado em comprar), ainda há loucuras inomináveis como aptos a R$ 12.000 o metro quadrado na rua Bento Lisboa, a poucas centenas de metros de um morro barra pesada. E em um lugar bem feio.

No condomínio Morada do Sol há gente pedindo R$ 900.000, mesmo preço de 2013, e outros pedindo R$ 1.400.000, ambos em estados semelhantes. Isso não é mercado, é non sense.

Mas isso é problema de quem está interessado em vender e em comprar. Nós aqui vamos mostrar o inacreditável resultado da Brasil Brokers.

Brasil Brokers (BBr)

Quem mora no Rio e se interessou por imóveis nos últimos anos deve ter percebido que o nome Brasil Brokers foi crescendo assustadoramente no mercado de corretagem. Praticamente todas as corretoras se coligavam, algumas eram compradas e incorporadas.

A BBr não é construtora ou incorporadora, é uma empresa de intermediação (corretora). Seus dados são interessantes para mostrar o que REALMENTE vendeu e por quanto. E a quantas anda o mercado.

As demonstrações financeiras são um desastre, mas aqui vamos tratar apenas dos dados históricos operacionais, e ver o quanto eles nos dizem sobre os últimos 8 anos do mercado imobiliário.

Resultados Br Brokers 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016
Vendas (R$ Milhões)   11.025     15.303     17.569   18.897   16.815   12.324     7.037     4.880
Unidades vendidas   56.769     68.128     74.130   60.676   41.308   28.723   20.058   11.215
Ticket médio R$ mil       194 225 237 311 407 429 351 435
Unidades lançadas   77.839   102.451   128.414   89.470   79.980   61.946   33.824   29.424
Lançados – vendidos   21.070     34.323     54.284   28.794   38.672   33.223   13.766   18.209
Lançados/vendidos 1,37 1,50 1,73 1,47 1,94 2,16 1,69 2,62

 

A irracionalidade do mercado em números

Perceba que a BBr saiu de vendas na faixa de R$ 11 bi para quase R$ 19 bi entre 2009 e 2012, um ano antes do auge da bolha de preços.

Atingiu o volume máximo de vendas em 2011, 74.130 unidades.

Quem viveu esse mercado deve lembrar que a coisa cresceu seriamente (em termos de preço) entre 2011 e 2013, e isso dá para ver nos preços médios de vendas, saindo de R$ 237 mil para R$ 407 mil. A carteira da BBr também trabalhava com imóveis mais baratos. Os balanços não dividem as vendas por região, apenas por categoria.

O interessante dos números é que eles mostram, com clareza, como as pessoas e os empreendedores tomam decisões erradas, com base apenas em dados passados.

Quem me acompanha no blog sabe que escrevi EXATAMENTE nessa época que, ao menos no RJ (imagino que nos outros estados não fosse diferente), os imóveis tinham atingido valores irracionais para a renda da população. Não que não pudessem pagar, mas para morar num apto novo no Catete você precisaria de um casal de Juízes. Isso é non sense. Relendo todos os meus posts, vejo que era tudo meio óbvio. Mas as pessoas curtem mesmo se enganar.

Voltemos aos resultados…

Entre 2009 e 2012 houve algum equilíbrio entre lançados e vendidos, em torno de 1 vez e meia. Provavelmente por força do momento pujante, as apostas quase dobraram. Perceba que a relação lançados/vendidos aumentou muito, e mesmo com a redução recente nos lançamentos (de 2015 para cá), como as vendas são muito fracas, a relação explodiu. Mesmo em 2016 para cada unidade vendida, foram lançadas 2,62 unidades.

É um desequilíbrio duradouro, vai demorar bastante para cair. Mesmo que se equilibre o número de lançamentos, ainda há um estoque considerável para comercializar.

Quem passa ali na região Olímpica da Barra, no empreendimento da Carvalho Hosken com a Odebrecht (vila Olímpica, Ilha Pura), se assusta. São milhares de aptos completamente vazios.

Como os prédios são escuros, fica parecendo um mausoléu vertical. Sem exageros.

O volume de vendas e lançamentos

Do ápice de 74 mil unidades em 2011, fomos a 11 mil unidades em 2016. Uma queda de mais de 7 vezes.

2015 já foi um ano péssimo, conturbado e de queda brutal no PIB. Ainda assim, 2016 conseguiu ter queda de quase 50% no número de unidades vendidas.

Tivemos 128 mil lançamentos em 2011 e apenas 29 mil em 2016. Ainda assim o mercado absorve, percentualmente, muito menos.

Por que os preços não caem?

Essa não é uma questão simples.

Há o grupo dos investidores/gestores profissionais, o grupo dos que tem apenas um imóvel e o grupo das famílias que têm vários imóveis.

Profissionais

O resultado da PDG saiu no dia 29/03/2017. Um desastre assombroso. Prejuízo de R$ 2,4 bilhões SÓ no quarto trimestre.

São 5,4 bilhões de prejuízo em 2016, patrimônio líquido virado (passivo a descoberto) de R$ 3,4 bilhões e incríveis R$ 5,8 bilhões de passivo circulante, para quitar em até 1 ano. Profissionais também erram.

Recuperação judicial é legal, mas não faz milagres.

Os gestores profissionais dos fundos de investimento imobiliário atuam com a lógica financeira clássica. Oferta e demanda. Não há demanda, baixa-se o preço. E ainda assim a vacância é muito grande. O BRCR chegou a alugar para a TIM, empresa grande e com $$$, com 2 anos de carência. 2 anos sem pagar aluguel.

Como há muita liquidez nas cotas, o preço de mercado dos imóveis, com base nas cotas, chegou a desabar até 60% em alguns fundos.

Os pequenos e médios incorporadores e construtores continuam querendo dar vazão os terrenos caros que compraram na Zona Sul e Barra. Uma “zapeada” vai mostrar imóveis por empreitada em Botafogo e Jardim Oceânico a preço que eles chamam de “custo”, menos de R$ 9.000 o metro quadrado.

E, mesmo sendo poucas unidades e muito mais baratos do que as opções novas ou usadas do mesmo nível, os empreendimentos não decolam. E o motivo é simples. Famílias raramente compram imóveis nessas condições e não há mais investidores.

Antes, esses negócios voavam, pois havia muita gente disposta a comprar na planta e revender a posteriori. Isso acabou. Na verdade, quem tem dinheiro está esperando para ver até onde vai o mercado para entrar.

Um FII de participações (BPFF11) acaba de aprovar um aumento de capital de 40%, buscando dinheiro novo dos cotistas para aproveitar eventuais oportunidades de imóveis comerciais ou de fundos muito baratos. A oferta deve durar 6 meses e o dinheiro deve ser usado ao longo do ano de 2018.

Há dinheiro, mas não faz sentido investir diante de tantas turbulências e de tanta incerteza. Principalmente diante de tão avassaladora falta de demanda.

Os donos de um imóvel apenas

Esse é o cara que quer se mudar da cidade ou quer vender o imóvel em que morava para morar em algo mais modesto ou aplicar o dinheiro.

Esse costuma querer MESMO vender ou alugar, e aceita condições de mercado, reduz restrições de fiança e negocia preço.

Normalmente os imóveis estão em bom ou excelente estado, pois ele não é investidor e não vive de imóveis. Preparou o imóvel para morar.

Se você pretende comprar um imóvel, provavelmente vai comprar de alguém assim. Raramente esse cara se dá ao luxo de ser irracional, pois mesmo que dê descontos de 20% a 30% no preço, a aplicação do dinheiro no mercado vai dar de 3 a 4 vezes mais do que o aluguel.

Não são muitos nessa situação, pois o brasileiro é meio joão-de-barro, quer casa e vai lutar até o final, mesmo comprometendo as finanças e a racionalidade, para manter o teto.

Mas como há ainda menos compradores, pois a renda brasileira caiu a níveis de 2011 e continua em queda, e os preços não voltaram para os níveis de 2010-2011, mesmo ótimas oportunidades não vendem ou demoram a sair.

Hoje é uma questão de sorte, muita sorte, conseguir um negócio confortável para ambos os lados.

Os donos de vários imóveis

É bem comum haver famílias que vivem de um extenso patrimônio imobiliário. E, mesmo sentados em um patrimônio muito elevado, a renda gerada não costuma ser tão confortável.

Isso se reflete na qualidade sofrível dos imóveis. Não é raro você ver aptos em Ipanema com armários de péssima qualidade, pois o proprietário não negocia melhorias, daí o inquilino compra o mais barato. É meio bizarro o sujeito alugar um imóvel sem armários, mas é extremamente comum aqui no Rio.

Hoje é bem razoável estimar que o valor líquido que se consegue tirar de um patrimônio imobiliário na Zona Sul do Rio não passe de 0,2% a 0,25%. Isso contando Imposto de Renda, manutenção, vacância, administração etc.

Para ter uma renda mensal de R$ 10.000, o sujeito deve ter, em imóveis, cerca de R$ 4 milhões a R$ 5 milhões.

É um disparate financeiro. Se vendesse por R$ 2 milhões tiraria, investindo TAMBÉM em imóveis, porém através de fundos, receberia de R$ 12 mil a R$ 15 mil. Sem IR, gerido por terceiros, sem dor de cabeça de vacância (diluída).

Se conseguisse vender pelos R$ 4 milhões, poderia quase triplicar a renda com muito menos dor de cabeça.

Mas é impossível que isso aconteça. Esses proprietários raramente vendem, raramente investem e criam sérias dificuldades até para alugar.

Aqui no RJ já se está pedindo fiador com 2 imóveis e renda superior a 5 aluguéis. Além da avaliação da renda do próprio inquilino.

Ou o seguro-fiança, que é uma bizarrice brasileira. O banco paga 3 ou 4 aluguéis no caso de inadimplência, mas já recebeu de 4 a 5 do inquilino, em um contrato de 30 meses. E após pagar o locador pelo sinistro (evento de crédito), ainda vai executar o locatário.

Faz sentido o modelo, só não vejo sentido em cobrar 2 aluguéis por ano para uma situação em que o risco do banco é baixíssimo. E o retorno tende a ser gigantesco. Depois de um contrato de 30 meses, o risco do banco é virtualmente ZERO.

As pessoas que têm muitos imóveis, normalmente criam um sistema de dependência, com muitos familiares, principalmente idosos, dependendo dessa renda. Normalmente acabam criando sistemas dentro da própria família para fazer a gestão.

Como as rendas caíram bastante, aqueles que não são “podres de ricos”, podem colocar alguns imóveis à venda.

E são, normalmente, aqueles incríveis apartamentos velhíssimos por R$ 25 mil o metro quadrado no Leblon, ou por R$ 15 mil o m2 em Botafogo.

E não baixam, pois a necessidade não costuma ser grande o suficiente. Normalmente se resolve com um ajuste para baixo no padrão de vida, para preservar o patrimônio em tijolo.

Esses imóveis só vão a mercado por preço baixo quando os proprietários originais, as pessoas que formaram a poupança originalmente, falecem. Daí a corrida para o inventário e o interesse dos herdeiros acabam levando os imóveis a mercado em condições mais racionais.

Vai se ajustar?

Realmente não faço ideia.

Parece-me que ainda teremos problemas sérios com a renda e com o emprego por mais 12 a 18 meses. O governo não tem recurso algum para ajudar ou apoiar o emprego. Aliás, ajudaria se saísse da frente.

Aqui no RJ há a possibilidade da aprovação de medidas extremamente duras contra o funcionalismo, que já passa por um momento delicadíssimo.

Além da contribuição previdenciária de 20% e 22% por 3 anos, ainda querem aprovar (está no Congresso para depois vir para a Assembleia) a proposta de redução de salário e de jornada. São 600 mil pessoas, entre aposentados e na ativa, a maioria na Capital.

Aquele momento mágico de esperança, que fez os preços da Tijuca ultrapassarem Moema e Vila Olímpia (em imóveis de mesmo padrão), já era.

É difícil antecipar movimentos financeiros quando há tantos agentes que se comportam fora dos padrões de racionalidade do mercado.

Acertei com relação ao teto, pelos dados da BBr, o preço de 2012-2013 é o vigente, para negócios que FECHAM, não para essa loucura pedida no ZAP.

Mas eu não me arrisco a dizer que cairão para os valores de 2010, pois eram MUITO mais baixos do que os de 2012.

É mais provável que a oferta de lançamentos se restrinja MUITO para manter preços.

Isso já quebrou PDG e é uma aposta perigosa. Pode acabar levando outras para o buraco.

É uma queda de braço estranha, com dois braços fraquíssimos, oferta e demanda.

É mais um clássico brasileiro. Está péssimo para quem quer vender, e também para quem quer comprar. Economia brasileira PURA!

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Reforma da Previdência – Parte 2: Quem está por trás da reforma são os gestores da Previdência Privada?

Posted on 17/03/2017. Filed under: Filosofia, Finanças, Política | Tags:, , , |

Outro ponto bastante difundido, por quem é contra a reforma da Previdência, é que o objetivo seria rechear o bolso das entidades de previdência privada.

É bem comum esse pensamento no brasileiro. Sempre prefere acreditar que há um plano da burguesia para afastar o “povo” do seu suado dinheirinho. É uma conveniência histórica, moldada em décadas de crença de que a luta de classes é o único modelo para compreensão da sociedade.

Mas vamos assumir que seja isso mesmo. Que há um plano para migrar parte significativa dos recursos previdenciários para mãos privadas. Os malditos burgueses querem mais dinheiro!!! E também os Ianques malditos querem nossas riquezas!!!

Por que você deveria se importar com isso?

Caso seu dinheiro fosse aplicado em regimes de previdência privada, você poderia escolher entre centenas de gestores e ter vários fundos, com os mais variados perfis, se preferir diversificar.

Seu dinheiro seria SEU e não serviria para repartir com outros aposentados. Você teria condições de fiscalizar e avaliar a gestão do seu patrimônio, pedindo migração e portabilidade se não concordar com os caminhos ou não gostar da rentabilidade.

Vejo um monte de gente reclamando que pagou demais ao INSS, que o patrão pagou demais também, e que a aposentadoria é uma miséria. E estão certos!

Mas a regra é essa, desde o início. NÃO É MAIS RELEVANTE O QUE VOCÊ PAGOU, pois a previdência não tem patrimônio, não tem títulos públicos, não tem ações de empresa, não tem acumulação de capital, só tem receita e gasto. E hoje o gasto é bem maior que a receita, ou seja, jamais terá patrimônio, pois não conseguirá acumular, não há excedentes. O que você pagou, já foi pro bolo. E outra pessoa já comeu faz tempo.

É essa regra, injusta e cada vez mais injusta, principalmente com quem é mais jovem, que está vigendo hoje. É para a manutenção dessa regra que os sindicatos saem às ruas em greves. É para manter esse modelo que as pessoas demonizam a iniciativa e a previdência privadas.

É tolice acreditar que seu dinheiro do INSS estava guardado numa poupança em seu nome. Todo mundo sabe que isso não existe. O dinheiro entra e sai. Não acumula, ao contrário, falta.

As domésticas

As domésticas estão no grupo que paga menos INSS, pois recolhem cerca de 8% e o patrão outros 12%, totalizando 20% de contribuição mensal.

Imaginemos uma doméstica que receba R$ 1.000,00 na carteira. Sobrará mensalmente R$ 920,00 no contracheque e sua contribuição total mensal ao Regime Geral de Previdência seria de R$ 200,00 (somando o patronal).

Esse dinheiro, no modelo atual, não é dela, serve para engrossar o orçamento da União.

Se os R$ 200,00 estivessem aplicados num regime PRIVADO de previdência, onde o valor acumulado seria DELA e não do “bolo” previdenciário, teríamos várias possibilidades.

Vou assumir algumas premissas simples. Salário em moeda estável (para evitar cálculos complexos de inflação), Retorno dos investimentos de 5,0% acima da inflação (para poder usar moeda forte, com base em metas atuariais reais de fundos de previdência) e que os custos do gestor sejam pagos pelo 13°, que não está entrando na conta do patrimônio acumulado. IR de retirada de 10%, como a regra atual (após 10 anos)

Iniciando sua vida profissional aos 20 anos, contribuindo por 25 anos (de forma espaçada, acumulando 10 anos sem contribuir, porém rendendo) e se aposentando aos 55 anos.

Essa é uma história comum e plausível. Lembrando que os 55 anos não dependem de regra previdenciária, pois ela é dona do dinheiro. E pode retirar quando quiser.

Seria possível acumular, até os 55 anos, cerca de R$ 150.000 em valores de hoje. Permanecendo aplicados nas mesmas condições, ela poderia retirar um salário líquido de R$ 920 por exatos 224 meses. Pouco menos de 20 anos.

Iniciando sua vida profissional aos 20 anos, contribuindo por 30 anos (de forma espaçada, acumulando 10 anos sem contribuir, porém rendendo) e se aposentando aos 60 anos.

Seria possível acumular, até os 60 anos, cerca de R$ 208.000. Permanecendo aplicados nas mesmas condições, ela poderia retirar um salário líquido de R$ 920 (em valores estáveis) por exatos 436 meses. Pouco menos de 37 anos. Teria dinheiro até os 97 anos.

Se falecesse aos 80, sua família receberia um saldo bruto de R$ 140.000,00.

Iniciando sua vida profissional aos 20 anos, contribuindo por 35 anos (de forma espaçada, acumulando 10 anos sem contribuir, porém rendendo) e se aposentando aos 65 anos.

Seria possível acumular, até os 65 anos, cerca de R$ 282.000. Permanecendo aplicados nas mesmas condições, ela poderia retirar um salário líquido de R$ 920 (em valores estáveis) para sempre, o que significa que os herdeiros poderiam ter esse volume financeiro de forma vitalícia (mantendo-se as premissas iniciais).

Para brincar, no modelo “Temer”, contribuindo por 49 anos, iniciando a vida profissional aos 16 anos, e se aposentando aos 65 anos (sem interrupção).

Seria possível acumular, até os 65 anos, cerca de R$ 487.000. Permanecendo aplicados nas mesmas condições, ela poderia retirar um salário bruto de R$ 2.500 (em valores estáveis) por 32,5 anos (até os 97,5 anos).

Há problemas e riscos com esse modelo de acumulação privado?

Sem dúvida. Há possibilidade de má gestão, pode haver fraude, pode ser que os custos aumentem, pode ser que a rentabilidade seja menor, pode ser necessário complementar com um seguro de vida ou invalidez. Sem dúvida pode haver problemas.

E os problemas do sistema público?

Seriam, em suma, os mesmos, porém bastante amplificados pela falta de accountability (prestação de contas).

Poderia haver fraude? Não só poderia como é quase diário o sangramento das contas públicas com “jeitinhos” que oneram o INSS. Em um simples pente-fino o governo pôs em dúvida 90% dos benefícios de afastamento por invalidez ou doença. Há de tudo, picaretagem, má-fé, até desembargador e almirante de 90 anos solteiro, casando com meninas e meninos de 25 para manter a pensão por mais algumas décadas.

Pode haver má gestão no setor público? A dúvida nem é essa, mas se poderia haver boa gestão. Essa, nunca apareceu por essas bandas. É quase certeza de má gestão.

Os custos podem aumentar? Bom, creio que a Reforma proposta agora e as várias já feitas mostram que o custo pode, e VAI, aumentar bastante.

Em resumo, os problemas possíveis em ambos os sistemas de previdência são os mesmos, porém na iniciativa privada são uma possibilidade apenas remota (fraude), no setor público os problemas são quase uma certeza, além de uma rotina.

Mas o brasileiro prefere o sistema público.

Aposentadoria pública poderia ser um colchão de segurança contra a indigência e a pobreza extrema. Um valor relativamente baixo que protegeria as pessoas de viver em condições degradantes. Isso sim é “social”, isso faz parte do nosso Pacto democrático. Isto posto, entendo que, até determinado valor, poderíamos contribuir para um regime de partilha, mas deveríamos buscar o “conforto” da aposentadoria em outras bandas que não o regime previdenciário público.

Isso porque, quando recebo uma aposentadoria de R$ 30 mil, por mais justa e honesta que seja, não se pode justificar pelo “social”, mas apenas pelo direito adquirido na legislação vigente e passada. E o nosso Pacto Social não é para isso, para esse nível de garantia. Cedo ou tarde, por mais garantido que seja o direito, haverá ajustes orçamentários para fazer o custo caber na receita. É onde estamos hoje. Se não iniciarmos o ajuste, em 3 anos haverá ainda menos receita, e muito mais custo.

Em resumo, o sistema é péssimo e infinitamente pior do que qualquer regime privado, mas o brasileiro vê o governo como sua última tábua de salvação. O que é uma pena.

A natureza da nossa pobreza

Essas décadas de ensino e discurso “ideologizado”, de debates sobre luta de classes, sobre a vilania da burguesia, sobre a maldade do empresário, nos afastam, sobremaneira, da riqueza. Somos e seremos pobres, pois odiamos o sucesso.

Adoramos dinheiro público e nem ao menos nos tocamos que o orçamento público só é deficiente porque nossa economia é esquálida, fraca e sem dinheiro privado. Queremos crescer, queremos emprego, queremos mais orçamento público, mas demonizamos quem investe e traz divisas, quem “alimenta” todo o sistema, quem toma riscos privados. Principalmente estrangeiros.

A principal diferença entre a Previdência Pública e a Previdência Privada

Aqui é que, em minha opinião, a previdência privada dá um banho na pública em termos de importância para o desenvolvimento da nação.

Ambos os modelos são captadores de poupança popular, tomam dinheiro do cidadão hoje, com promessa de aposentadoria no futuro.

Porém a previdência pública não tem qualquer compromisso atuarial ou de formação de patrimônio, ou seja, o dinheiro captado NÃO SERÁ investido, não vai gerar negócios, não vai gerar recursos, não vai financiar a produção, não vai gerar riqueza, apenas será redistribuído.

Parece bonito falar em “distribuição” de renda e recursos, mas acho que os brasileiros concordam que essa distribuição não é, ou não parece ser, justa. Tanto é verdade que todos reclamam da aposentadoria do INSS, mas veem privilégios espalhados aos quatro cantos, como aposentadorias especiais, de perseguidos políticos, acumuladas há 100 anos etc.

Na Previdência Privada o pagamento das aposentadorias depende do acúmulo de patrimônio. Depende da qualidade do gestor. Depende da escolha dos projetos de investimento. Depende das ações em que se investe. Depende de quanta riqueza aquele dinheiro aplicado pode gerar.

A poupança popular captada pelo governo vira consumo imediato, vira sabonete, arroz, carne e, claro, azeita as engrenagens da corrupção estatal. A poupança popular captada pelos fundos de previdência privada vira investimento, vira financiamento de longo prazo, e todos os agentes (exceto em caso de corrupção) deveriam buscar a excelência na gestão, para se diferenciar na competição acirrada pelos recursos do poupador.

Por pior que seja o sistema privado, seria impossível se aproximar do desastre escabroso e da irracionalidade do sistema público. É uma roda da pobreza, girando cada vez mais rápido e de forma cada vez menos harmoniosa.

Manter previdência pública para reduzir a vulnerabilidade das pessoas na velhice, eu concordo, faz parte do nosso Pacto Social, estou dentro. Mas o ideal seria que o plus, o conforto, viesse de esforço e riscos privados. Seríamos bem mais ricos. Nossos filhos e netos agradeceriam.

Mas o brasileiro prefere acreditar ser altamente provável que o burguês e o empresário sejam maus, apesar de ser açoitado e humilhado nas filas dos hospitais, nas greves infinitas da educação pública e na aposentadoria insuficiente e injusta, oferecidos pelo estado brasileiro.

Fraudes em fundos de pensão

Sempre haverá quem faz questão de não entender coisas simples. Haverá aquele a criticar meu texto por não lembrar dos escândalos no Postalis, Petros, Funcef, inúmeros fundos de previdência municipais e estaduais etc., fraudes mil, destruição da poupança captada.

O burguesão raiz capta dinheiro, corre riscos com o próprio capital, prefere menos interferência estatal e investe para enriquecer a si e ao seu acionista, o burguesão brasileiro quer saber como é que vai sangrar o estado, os pensionistas e os funcionários públicos, como o estado vai protegê-lo da concorrência, para garantir seu enriquecimento fraudulento.

É sempre a falta de accountability do Estado que permite esses escabrosos escândalos. É triste, mas infelizmente em cada fraude e cada sistema de corrupção há alguma entidade pública, sindical ou política envolvida.

A fraude na operação “carne podre” de hoje, típica da burguesia brasileira. Conluio com políticos, agentes públicos, perseguição a funcionários públicos que denunciaram o esquema, ministros envolvidos, empresas penduradas no BNDES envolvidas. Tudo errado.

Demonizamos o capitalismo liberal brasileiro, o que é o mesmo que demonizar um unicórnio rosa. Ambos não existem e nunca existiram. Nos bastidores é sempre alguém pintando e enfeitando um jerico.

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Reforma da Previdência – Parte 1: há déficit?

Posted on 15/03/2017. Filed under: Administração, Filosofia, Matemática, Política | Tags:, , , , , |

Iniciamos nossa série sobre a Reforma da Previdência com o principal motor dos debates, se a previdência está quebrada ou não.

Os que argumentam que não está partem do pressuposto que o dinheiro da previdência vem de uma arrecadação mais ampla, e não apenas com a contribuição do empregado e do patrão ao RGPS ou RPPS (regimes geral e próprio da previdência social), que serve a outros propósitos sociais e que bastaria uma redistribuição para arcar com as aposentadorias e pensões.

Outros ainda afirmam que o dinheiro arrecadado com esse propósito é “desviado” para outras finalidades pela desvinculação das receitas da união.

Um último grupo associa a falta de dinheiro com má gestão do governo, dívidas de contribuintes inadimplentes, pagamento de juros da dívida pública e corrupção.

Há déficit?

Não é necessário apelar às filigranas orçamentárias para convencer as pessoas de que há déficit. Basta que qualquer brasileiro se pergunte:

  • Pago pouco imposto? Dá para pagar mais?
  • Os serviços públicos que recebo em troca são bons?

Exceto por grupos privilegiadíssimos, qualquer brasileiro responderia que paga impostos demais e recebe serviços de menos. Aliás, o Brasil é lanterna nos rankings internacionais de retorno com pagamento de impostos.

A impressão é meio óbvia, o governo arrecada muito e oferece pouco. As aposentadorias são insuficientes (no RGPS), o sistema de saúde é sofrível, a segurança é nula e ninguém confia na educação pública para formar bem seu filho (salvo raríssimas exceções).

Pois é. Retorno à pergunta: há déficit?

Vou deixar dois artigos, para quem quiser ler em detalhes os números que apresentarei.

Artigo 1.

Artigo 2.

O buraco que todo mundo vê.

Pouca gente sabe, mas o tal “superávit primário” que o governo busca NÃO é superávit de verdade (nominal). Não leva em consideração o pagamento de juros. Na verdade, os governos, desde 1994 pelo menos, NUNCA tiveram superávit nominal. Rodamos no vermelho sempre.

E a conta desse buraco se reflete no aumento da dívida pública.

A dívida pública, que todos demonizam, serviu para pagar o que faltava no orçamento. Quem empresta dinheiro ao governo, não é vilão, é só alguém que quer poupar e encontra um ente descontrolado, ávido por dinheiro para fechar suas contas. O vilão nessa história é outro.

Veja o governo do RJ, por exemplo. Pela lei de responsabilidade fiscal não pode se endividar sem aval do Tesouro Nacional. O que está acontecendo? Não paga ninguém. O funcionalismo está com salários atrasados 1 ou 2 meses, mas tem fornecedor que não vê a cor do dinheiro há 2 anos. E talvez nunca veja. E o Estado não paga porque não pode se endividar e, mesmo que pudesse, não encontraria quem quisesse lhe emprestar dinheiro, pois o risco é altíssimo.

Antes de demonizar a “dívida pública”, procure imaginar como seria rodar no vermelho e NÃO poder se endividar. Se tiver dificuldade de imaginar, olhe para o Rio de Janeiro.

Demonizar aquele que empresta e perdoar aquele que gasta em excesso é o caminho do calote, da insensatez financeira, e, claro, da miséria. Imagine o Brasil inteiro nas condições do Rio de Janeiro? Sem dinheiro, com déficit e sem ter a quem recorrer para captar recursos (se endividar)? Infelizmente isso NÃO é impossível de acontecer.

Há déficit nas contas públicas. Em TODAS. Aliás, na verdade NUNCA houve foi superávit.

Você pensa: Ah, mas esse déficit não é da previdência. Correto, não é mesmo, mas isso importa? Se falta para saúde, educação, assistência básica, segurança etc., também falta (e faltará mais ainda) para pagamento de aposentadorias decentes.

O numerário do caos.

Em 1995 o governo pagou R$ 17,9 bilhões em juros da dívida pública, teve um déficit nominal (já incluído o pagamento de juros) de R$ 14 bilhões, cerca de 2% do PIB. A dívida pública em R$ era R$ 61 bilhões e de US$ 106 bi, totalizando cerca de R$ 150 bi (o dólar era barato em 1995).

Em 2016 atingimos números catastróficos. Pagamos R$ 407 bilhões de juros nominais (conta própria do TN), somados a um déficit primário (tínhamos superávit primário até 2013!!!) de R$ 155 bilhões, conseguimos a proeza de “arrombar” o cofre público (dinheiro nosso) em mais de R$ 560 bilhões, coisa de 9% do PIB. A dívida pública bruta atingiu impressionantes R$ 4,37 trilhões, quase 70% do PIB.

Repito a pergunta: Há déficit?

Aliás, modifico a pergunta:

Cara, você realmente acha que não há déficit? 

As discussões sobre filigranas orçamentárias são mesmo relevantes? Os números que são públicos, e com os quais todos concordam, já não são aterrorizantes?

Saímos de R$ 18 bilhões de juros nominais pagos em 1995 para R$ 407 bilhões em 2016, coisa de 16% ao ano de alta.

Saímos de uma dívida bruta de R$ 150 bilhões para R$ 4,37 trilhões, alta de 17,5% ao ano.

Saímos de um déficit nominal de R$ 14 bilhões em 1995 para impressionantes R$ 560 bi em 2016.

Parece sustentável isso? Basta dar uma “ajeitada” nos números, tirar um pouquinho daqui e dali para pagar as aposentadorias?

Qual é a vantagem de acreditar que não há déficit? Qual o conforto disso?

Se você não se assustou com os dados atuais, provavelmente não faz ideia do que está acontecendo com o país. Não é nem questão de perguntar se há déficit, mas de como vamos parar essa sangria antes do colapso total das contas públicas.

O buraco atual é claro, evidente e inequívoco. Quem está lutando para “provar” que não há déficit, provavelmente tem interesses corporativistas (alguns funcionários públicos insensíveis ao desequilíbrio e que querem manter o status quo), ideológicos (acefalia matemática pura e simples) ou políticos (querem se reeleger dando esperanças vãs às pessoas).

O presente é desastroso, mas e o futuro, como será?

Reverteremos esse déficit, sobrará dinheiro para pagar as aposentadorias e serviços públicos?

Os otimistas acham que vamos parar de piorar e voltar a ter superávit primário em 2020, ou seja, esse buraco, na melhor das hipóteses, vai piorar as contas públicas, dívida etc., por mais três ou quatro anos.

Mas esses são os otimistas.

Sem forte disciplina fiscal atingiremos uma dívida bruta de mais de 80% do PIB já em 2018. A continuar a gastança, o céu é o limite. Aliás, o inferno do Rio de Janeiro é o limite.

gasto com previdência saiu de 3,4% do PIB em 1988 para 11,2% em 2016. Parece sustentável? Vai aumentar ou não?

Por que o brasileiro acha confortável acreditar que o dinheiro público é infinito, se é ele próprio que paga?

We are not getting any younger…

Nem os defensores de que a previdência está nadando em dinheiro se atrevem a dizer que o futuro será melhor do que passado ou o presente.

Haverá mais aposentados em 2030 e menos trabalhadores na ativa. E em 2040. E em 2050.

É longe? Quem tem 48 anos deveria se preocupar com 2030, pois estará aposentado até lá. Assim como quem tem 38 anos, ou 28 anos.

Nossa juventude tem demonstrado ser trabalhadora, devotada e dedicada ao trabalho e estudo, ou está cada vez mais perdida no hedonismo, nas facilidades da era digital e na superproteção parental e estatal?

Eu, com 30 anos de estudo, mestrado e pós-graduações, vários livros escritos, várias atividades remuneradas e tributadas, estou pagando a aposentadoria dos brasileiros já aposentados e prestes a se aposentar.

Mas quem vai pagar a minha está sendo instruído nas escolas públicas e privadas a fugir do empreendedorismo e odiar o capitalismo, a fugir dos objetivos “pequeno-burgueses” de estudar, ganhar dinheiro, empreender e vencer.

E mesmo quem está começando a vida profissional de forma centrada e focada, nem sonha em usar o regime da previdência social para se aposentar.

É isso mesmo que você leu. Jovens bem formados, em sua maioria, estão mandando uma banana para o sistema previdenciário público, já entenderam que desse mato não sai cachorro. Quem tem 25 a 35 anos hoje, e está bem empregado, tem certeza absoluta que não poderá contar com a previdência pública. E isso TAMBÉM é uma realidade no serviço público, federal ao menos. A garotada que vai produzir os excedentes para as futuras aposentadorias, se pudesse, guardaria o dinheiro para si.

Eles não são “maus”, apenas não são tolos.

A pergunta fica ainda mais assustadora: haverá déficit no futuro?

Bom, os artigos apresentados utilizam números reais do Tesouro e do BACEN, não são reportagens de jornal ou luta política. Quem quiser se aprofundar pode lê-los, pois não pretendo “provar” que há déficit. É matéria de crença e de decisão, não de prova. Quem acredita no que é altamente provável e verossímil, consegue decidir se proteger.

Qualquer brasileiro com mais de 30 anos é capaz de entender que está assolado por impostos, não é à toa que pagamos 2 a 3 vezes mais caro por carros, eletrônicos, remédios e até comida do que um norte-americano médio ou até do que um português ou italiano.

É capaz de entender que não recebe NADA em troca. Ou melhor, recebe 60.000 homicídios, recebe filas de 5 anos para um exame simples, recebe descaso, recebe tapas na cara com privilégios INJUSTIFICADOS a alguns membros da casta do funcionalismo e da política, recebe, enfim, muito pouco para nossa pesada estrutura tributária.

Qualquer um pode ver que há desequilíbrio generalizado nas contas públicas, não faz sentido achar que está tudo péssimo no orçamento, mas tudo ótimo na parte que paga minha aposentadoria. Isso é uma negação que pode custar o futuro de muita gente.

Na verdade, o artigo não responde, mas devolve a pergunta: há déficit?

Você leitor, precisa escolher em que acreditar. Na avalanche de números catastróficos ou no terninho dos desembargadores e auditores fiscais sindicalizados, cuja aposentadoria DEPENDE que você continua quietinho. Mas pagando.

Nessa primeira parte tratamos apenas do déficit. Em outros artigos trataremos de assuntos delicados como a demonização INJUSTIFICADA do fator previdenciário, a injustiça e o desequilíbrio com o pessoal do RGPS, o erro de confundir expectativa de vida ao nascer com idade mínima de aposentadoria, a questão atuarial e, principalmente, debater o que efetivamente ocorre com pessoas vulneráveis, com pouca instrução e empregabilidade. Dá para falar em idade mínima de 65 anos para eles?

Façamos um concurso de direitos adquiridos: o que pesaria mais?

Cada um crê no que lhe é conveniente. O que me é conveniente é acreditar que vou ter que me cuidar à parte da previdência pública, pois é bastante provável que esta tenha pouco dinheiro para distribuir no futuro. Além disso sou sensível para entender que, em havendo pouco dinheiro, será necessário prevalecer o direito do mais vulnerável ou necessitado. Ambos teremos “direitos adquiridos”, mas seria insensível demais esmagar os miseráveis para manter pensões e aposentadorias recheadas para poucos.

Por isso apelo a quem ganha bem, por favor, não se passe por HIPOSSUFICIENTE! Garanta-se por contra própria, há muitos vulneráveis no Brasil para que precisemos ajudar a quem ganha bem, tem estudo, instrução e amparo. 

Mas se você não quiser acreditar em nada disso e pensar que está tudo bem e que, ao final, tudo vai se acertar, pois o Brás é tesoureiro, ok.

It´s only your future.

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A Bolha Imobiliária Que Não Existe. O Maior Estoque de Imóveis Está Com… Os Bancos!!!

Posted on 07/03/2017. Filed under: Finanças, Política | Tags:, , |

Eu escrevi muito sobre a bolha imobiliária, por quase 7 anos. Antes de muita gente se pronunciar sobre o tema.

Até desenvolvi uma planilha para cálculo de preço justo do imóvel. Através dela consegui descrever 4 momentos:

– Entre 2010 e 2011, NÃO havia bolha, pois as premissas e as expectativas colocadas na planilha, com quedas de juros e preços de aluguéis, mostravam que os imóveis, ao menos na área nobre do Rio de Janeiro, estavam com preços adequados.

– Entre 2012 e 2013 perdemos a mão nos preços. Altas de mais de 100% em alguns bairros. Estávamos no limite do aceitável em termos de preço justo, calculado pela planilha.

– Entre 2014 e 2015 o preço dos imóveis ultrapassou (e muito) a renda e o estilo de vida das famílias, de forma que se esperava que uma família com renda de R$ 40 mil por mês conseguisse comprar um imóvel que, 8 anos antes, era almejado por quem tinha renda de R$ 6 a 8 mil. Imóvel ruim e mal localizado. Non sense.

– Em 2016 e no início de 2017 temos o óbvio. Quebradeira de construtoras e recorde de retomada de imóveis.

O que é bolha?

Muita gente acha que, para se caracterizar a bolha, é necessário que exploda, ou seja, que a queda dos preços seja devastadora e imediata. Não é necessário que isso ocorra, principalmente em um país com inflação elevadíssima como o nosso.

Como já disse em outros posts, o preço dos aluguéis já retornou a patamares de 2012, em alguns lugares (com condomínios caros) voltou a 2010. Com relação ao preço dos imóveis, ainda que a maioria esteja em patamares elevados, já se encontra opções bem próximas ao que se via em 2012-2013.

Isso já significaria uma perda inflacionária de quase 30%. E não estamos nem perto do fim.

Por que não estourou?

Primeiro porque brasileiro não entende imóvel como investimento, não percebe que o mesmo pode ser um passivo ou ativo, dependendo do preço e do custo de oportunidade.

Quem tem 5 imóveis na Zona Sul do Rio pode estar “sentado” em cima de R$ 5 milhões, que, com certeza, estará lhe dando, tirando vacância, custos, manutenção, taxas e impostos, menos de 0,2% ao mês. Há investimentos com risco semelhante dando 0,7%. Mas é impossível que ele venda, pois imóvel é algo menos arriscado do que “dinheiro”. Já escrevi sobre o fetiche da iliquidez. É uma proteção contra o desequilíbrio orçamentário. Realmente o imóvel ajuda a manter o patrimônio de quem não é controlado nas finanças.

Segundo porque a estrutura de juros para empreendimentos imobiliários no Brasil é subsidiada. Mesmo para quem pega empréstimo fora do SFH, os juros são menores do que a captação básica bancária. Então, os juros sobem de 9% para 12%, e os contratos já firmados não mudam.

E terceiro porque ninguém sabe o que fazer com os estoques retomados. Estão ainda “encarteirados”.

Veja na reportagem do valor (reproduzo ao final):

http://www.valor.com.br/financas/4888230/calotes-levam-bancos-acumular-r-10-bilhoes-em-bens-retomados

A maior incorporadora do Brasil!

Não é a Cyrela, é a união de bancos. O estoque retomado pelos bancos é maior do que o estoque da Cyrela, e isso é particularmente ruim, pois os bancos têm imóveis mais baratos, usados, o que é raro no estoque de incorporadoras. O valor é maior, mas a quantidade deve ser muito maior.

E ainda não foram “distribuídos” os estoques da PDG, que acaba de entrar em Recuperação Judicial. Lembrando que os maiores credores são os próprios bancos.

E estamos falando prioritariamente de imóveis residenciais, os comerciais estão bem piores.

A bolha não estourou a ponto de comprarmos apartamentos excelentes em bairros nobres por preços muito baixos, e talvez isso não ocorra mesmo, pois há pouquíssima oferta, mas já destruiu, com segurança, mais de R$ 100 bilhões entre quebras, retomadas, perda de valor de fundos imobiliários, perda de valor nas incorporadoras etc. Só a PDG chegou a valor R$ 12 bilhões, hoje vale pouco mais que nada.

Isso ainda não se verificou nos estoques, continuam, nos balanços, a preços extremamente elevados. Vimos em um post recente meu, aptos de 92 metros quadrados na subida da favela, em Laranjeiras, por R$ 1,4 milhão NO BALANÇO da incorporadora, ou seja, nem era preço de venda, era contábil.

Para onde vão os estoques?

Dos lançamentos comerciais prefiro nem comentar, pois é catástrofe total. A região do Porto Maravilha tem 85% de vacância. Não entendo porque não alteraram a proposta para formatar empreendimentos residenciais na região. Mesmo que os lançamentos parem hoje, não deve levar menos que 10 anos para ocupar os imóveis comerciais da região. Talvez nunca sejam ocupados. O Rio está em franca decadência, precisa se recuperar.

Pelo visto os bancos não sabem bem o que fazer com os imóveis residenciais retomados. E poderão vir muitos, principalmente das SPEs da PDG.

Estão evitando os tradicionais leilões presenciais, pois há muita combinação de preços. Nos on-line os imóveis não estão saindo nem em segunda oportunidade, pois os preços estão quase a mercado.

Alguns estão pensando em criar empresas específicas para desovar os estoques. Outros já retiraram do jurídica o processo de retomada, de tão grande o volume.

Uma coisa é certa, os imóveis precisarão vir ao mercado, não há o que fazer com eles, exceto vender. E isso poderá pressionar ainda mais os preços.

Minha impressão pessoal é que ainda estamos longe da estabilização. A aprovação das reformas e o equilíbrio fiscal poderão ajudar na queda dos juros e na retomada da economia, mas ainda vai levar, pelo menos, de 12 a 18 meses para sentirmos a diferença.

Calotes levam bancos a acumular R$ 10 bilhões em bens retomados

Se os cinco maiores bancos brasileiros decidissem juntar todos os imóveis recebidos em garantia de empréstimos não pagos, brigariam pelo posto de maior incorporadora do país. Com o agravamento da crise, o estoque desse tipo de ativo mais que dobrou nos últimos dois anos e chegou a quase R$ 10 bilhões. Para efeito de comparação, a Cyrela, a maior empresa do setor, contava com R$ 6,4 bilhões em imóveis no estoque em setembro do ano passado.

O estoque de bens retomados pelos bancos é composto em sua maioria por imóveis, mas também inclui itens como veículos, máquinas e equipamentos. O crescimento desses ativos está principalmente relacionado ao avanço da inadimplência. Banco do Brasil (BB), Itaú Unibanco, Caixa Econômica Federal, Bradesco e Santander se tornaram donos de todo esse patrimônio quando executaram garantias de empréstimos não pagos. Agências bancárias que deixaram de ser usadas nos últimos anos também entram nessa conta, mas somam uma pequena fatia desse montante.

Apesar de representar uma oportunidade para as instituições financeiras recuperarem ao menos parte das perdas geradas pelos calotes, esses bens tomados também trazem alguma dor de cabeça, principalmente pelas proporções que tomaram. Para instituições que têm como objetivo abrir contas correntes e emprestar dinheiro, administrar um portfólio com características tão diversas tem sido uma tarefa bastante complexa.

Na pacata cidade de Conceição das Alagoas (MG), de 26,5 mil habitantes, o Bradesco tenta vender um imóvel ocupado pela Igreja do Deus de Maravilhas, por R$ 127 mil, em um leilão marcado para esta terça-feira. O Santander se tornou proprietário de um posto de combustível na Vila Olímpia, em São Paulo, avaliado em R$ 9,4 milhões, e também de um haras em Boituva (SP), cujo lance mínimo é de R$ 8,25 milhões.

Fazendas, mansões à beira-mar em Angra dos Reis (RJ), prédios comerciais e até casebres fazem parte dos bens que passaram a integrar o balanço dos bancos, conforme mostram os chamados dos leilões. Em um período de retração da economia, que levou a um excesso de oferta de imóveis, a venda em muitos casos tem sido feita a preços bem abaixo daqueles estimados inicialmente pelos bancos quando aceitaram as garantias. Isso quando eles conseguem se desfazer dos ativos.

Pelas normas do Banco Central, as instituições financeiras têm um prazo de até um ano para vender os bens que não fazem parte do uso. Esse período é prorrogável por até mais dois anos, mas esses bens trazem custos enquanto se mantêm no balanço. Eles consomem, por exemplo, o capital que poderia ser usado em empréstimos. Além disso, esses ativos precisam ter laudos de avaliação feitos por empresas independentes quando superam R$ 51,1 mil, um serviço pago pelo banco. Fora despesas que a própria venda traz, como corretagem e comissões.

O tamanho do estoque de ativos tomados dos devedores que atrasaram as prestações varia bastante de banco para banco. Entre as explicações estão o saldo e a maturidade da carteira de crédito de cada instituição financeira, além das operações em outras áreas, como seguros.

Dona da maior carteira de financiamentos para a compra da casa própria, a Caixa também detém o maior estoque de ativos tomados dos devedores que atrasaram as prestações. O banco público tem 24 mil imóveis disponíveis para venda. Segundo a Caixa informou por meio de sua assessoria de imprensa, o banco tem dado prioridade a empréstimos com garantia real como forma de mitigar riscos. Já o BB possui o menor estoque em balanço. Procurados, BB, Itaú, Bradesco e Santander não concederam entrevista.

Para evitar perdas no gerenciamento desses ativos, os bancos mudaram a forma como trabalham na cobrança, retomada e revenda de imóveis e outras garantias. Os leilões presenciais foram praticamente abolidos e agora se concentram na internet, por exemplo.

Em um grande banco, a área operacional que cuida dos financiamentos em atraso, como a cobrança, foi separada da equipe jurídica. As medidas ajudaram a reduzir o prazo entre a retomada e o leilão do bem dado em garantia para algo entre 45 a 60 dias, em média, segundo um executivo que pediu que seu nome e o da instituição para a qual trabalha não fossem revelados.

Outro banco estuda colocar esses bens dentro de uma empresa que vai cuidar especificamente da venda deles. Para isso, parcerias com empresas especializadas na comercialização de apartamentos e outros bens também estão no radar.

Na maioria dos casos, a execução das garantias serve apenas para diminuir o prejuízo dos bancos com o crédito inadimplente. Por isso, o tempo é crucial para evitar perdas ainda maiores. Não são raras as situações em que o devedor consegue travar a venda do ativo na Justiça. Há casos de veículos há 20 anos parados em razão de alguma pendência judicial. “Tudo isso se traduz em mais spread na hora do financiamento”, afirma uma fonte.

O número crescente de bens retomados colocados à venda pelos bancos tem despertado a atenção de empresas especializadas em ativos “estressados” – por exemplo, a Enforce, do BTG Pactual, e a Jive. Gestores de fundos imobiliários também começam a avaliar esses bens, mas ainda estão restritos a praças com bastante liquidez, como São Paulo.

Apesar do crescimento do volume de imóveis, veículos e máquinas no balanço dos bancos, o Banco Central diz que esses bens ainda são pouco relevantes para o sistema bancário. Eles representam 2,2% do patrimônio líquido e 0,2% do ativo total das instituições financeiras.

FONTE: Valor Econômico

 

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O mercado de imóveis comerciais no Rio de Janeiro. Um horror anunciado. PDG, CHL e a exuberância irracional de quem paga muito caro.

Posted on 06/03/2017. Filed under: Administração, Finanças, Política | Tags:, , , , , , , |

O Edifício Galeria EDGA11B é um retrofit de classe A num lugar privilegiado do centro do RJ, Rua da Quitanda 86. O empreendimento é de um fundo de investimento imobiliário (EDGA11B).

O fundo foi lançado em 2012 a R$ 380 milhões, com 24.400 metros quadrados de área locável. Hoje está valendo pouco mais de R$ 200 milhões.

É isso mesmo, algo como R$ 8.900 o metro quadrado para um imóvel classe A, no coração do centro do RJ. E tem gente comprando imóvel comercial no Leblon (na planta) por R$ 44.000 o metro quadrado. Cada um escolhe a lixeira em que quer jogar seu dinheiro.

Voltando à catástrofe particular desse fundo.

O administrador evita divulgar o nome dos inquilinos em atraso, mas há dívidas de mais de R$ 8 milhões com inadimplentes. Como a Secretaria de Cultura do Estado do RJ está lá, é provável que seja um dos inadimplentes.

Com a entrada em recuperação judicial da PDG, soubemos que sua subsidiária integral (CHL) também não vinha pagando aluguéis e despesas desde 05 de maio de 2016.

É isso mesmo, uma incorporadora que não paga o aluguel. Sensacional! É o personal trainer que vende a malhação, mas não malha…

Há 4 ações de cobrança e 1 de despejo em andamento.

O fundo chegou a valer, antes de o impeachment ser uma realidade plausível, R$ 140 milhões, o equivalente a cerca de R$ 6 mil o metro quadrado de escritórios TOP, Classe A.

Ainda assim, com toda essa catástrofe, o fundo paga o equivalente a 0,6% ao mês de aluguéis (os $$$ que entram, claro), isento de IR. Cerca de 2 a 3 vezes mais do que se ganha alugando por conta própria aqui no Rio de Janeiro (contando vacância, custos, IR etc.)

Mais um retrato do buraco imobiliário em que nos metemos.

Ps. aos que compram imóveis comerciais pagando R$ 25 mil, R$ 35 mil o metro quadrado fica o alerta. Finanças não têm muito espaço para tergiversações, se há aplicação de mesmo risco com rendimento 2, 3, 4 vezes maior, e você opta pela pior, estará agindo de forma irracional. PONTO. Além de perder rentabilidade muito maior com risco semelhante, você ainda ajuda a formar o preço irracional. O imóvel não “vale” X ou Y, você é que paga X ou Y, daí ele “vale” isso. A irracionalidade atrapalha o mercado. É o que estamos vendo no Brasil hoje. Em todas as áreas.

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Os posts proibidos sobre Eike Batista e a Petrobras estão de volta!

Posted on 01/02/2017. Filed under: Finanças, Humor, Política |

É amigos, só quem viveu aqueles anos de ouro, entre 2008 e 2010, com Lula aprovado por 97% da população, Eike no estrelato, sabe como era difícil combater a irracionalidade daqueles tempos.

Ainda no INI escrevi alguns posts (antes do blog era para uma lista de emails) com críticas ao Eike e a seus projetos, bem como à Petrobras.

Alguns amigos próximos, da área acadêmica e do mercado, me sugeriram retirar os posts, pois não se rema contra a maré, iria acabar sobrando para o peixe pequeno. E assim fiz, até porque Eike, em idos de 2008-2009, era a vedete da bolsa e muita gente com capacidade de análise investiu nas empresas dele. E a Petrobras era a vedete mundial das bolsas, com o Pre-sal. Falar mal era certeza de remar contra a maré e ser taxado de anti-patriota, invejoso, burro, fascista etc.

Creio que agora, com parte da caterva na cadeia, posso republicar. Foram excluídos em 2010 aqui do blog. Voltam agora.

EIKE BATISTA

12 de junho de 2008

É senhores…
Eike Batista, para se vingar de sua Ex, quer se tornar o homem mais rico do mundo. Se continuar vendendo “vento” a preço de “ouro”, vai conseguir rapidinho.
Há dois fenômenos importantes na Bolsa. O Mico Preto e a Pirâmide. São semelhantes, mas vale uma explicação para os que nunca se viram numa situação de mico ou de pirâmide.
Mico Preto – É quando todos começam a especular sobre uma ação sem fundamentos sólidos, e a boataria faz com que os traders comprem e vendam absurdamente o papel, fazendo com que suba vertiginosamente. Um dia, seu José de Arimatéia acorda e lê no jornal que a ação da Kepler Weber já subiu 1.000.000% em um dia. Seu josé então, vende suas VALE5 por R$ 100.000 e compra tudo de Kepler Weber. Daí, sai de férias. Quando volta, olha sua conta no home broker e tem 1 trilhão de ações da Kepler Weber que, a preço de mercado, estão valendo R$ 3.549,30. E SE CONSEGUIR VENDER, pois ninguém mais compra o lixo. Seu José de Arimatéia ficou com o Mico Preto.
Pirâmide – Um dia, alguns investidores descobrem uma empresinha chamada Plascar. Não negocia nada, tem um histórico de prejuízos, mas está para ser comprada por um grupo estrangeiro. Ela custa R$ 1,00 por ação. Daí esse grupo começa a comprar devagarzinho. Outros começam a entrar também, seguindo o grupo inicial e empurrando a cotação para cima. Daí o grupo americano entra com a boataria e outro grupo, muito maior, começa a entrar na ação. Depois que ela já subiu 1.500%, chegando a R$ 15,00 em 6 meses, seu José de Arimatéia abre o jornal e descobre a Plascar! Vende R$ 100.000 de PETR4 e compra tudo de PLAS3. Ocorre que, como nas pirâmides, os primeiros ganham muito, os que vêm logo depois ganham um pouco menos e os últimos pagam a conta dos primeiros. Quando seu José de Arimatéia, voltando das férias em São Tomé das Letras, abre o home broker vê que suas ações valem apenas R$ 5,00 e seu patrimônio está em R$ 33.000.
Eike Batista acaba de vender a OGX por um valor equivalente a R$ 31 bi. Mais que telemar, eletrobrás, 4x mais que Sadia, quase uma Itaúsa… Ai, ai…
O que OGX produz? Nada.
Quando vai produzir? Sei lá!
Vai ter lucro? Como vou saber!
Distribuirá dividendos? Só Deus sabe.
Se se o dólar disparar com os juros americanos subindo e o barril de petróleo cair…
O que ela tem, afinal, para valer R$ 31 bi?
AHHHHHH! Ela comprou os direitos de exploração de alguns poços de petróleo…
Só? Sim, só.
Já encomendou as sondas?
E se os poços não forem viáveis?
E se os custos de exploração subirem ainda mais?
A própria MMX só tem lucro pela reavaliação de ativos, pois seus resultados são inexpressivos. Ainda assim consegue vender por bilhões e bilhões!!! Muitos vão argumentar que a empresa valorizou 400% em 2 anos. É fato, mas quem era o investidor inicial? Ele mesmo, Eike Batista. Esse não tem o que perder.
Ainda bem que não vende aos pobres mortais, pois o mínimo para investir era R$ 300.000. Não dá para uma sardinha se aventurar nesse mercado.
O que acontecerá no futuro? Vai ser mais uma empresa a se mover de acordo com as cotações do Petróleo. Deve dar muito dinheiro para alguns, menos para outros e prejuízo para a maioria, falando a longo prazo, óbvio.
Esperemos…
DEPOIS DE DANIEL DANTAS
11 de julho de 2008
Uau…
A PF está cumprindo mandado de busca e apreensão na casa de Eike Batista…
Como os investidores não são bobos, estão torrando os papéis do Eike.
No momento, a OGXP3 está com queda de 20% e a MMXM3 está com queda de 13%.
É complicado mesmo, pois a OGX é só projeto, que sem o Eike perdem muito valor e a MMX pode ter problemas com suas minas, já que a PF está investigando justamente esses processos.
A bruxa tá solta!!!

Eike destrói o estatismo no setor de petróleo. Ou não?

 Caríssimos,

A leitura do release de resultados da OGX, para o ano de 2009, é um exercício muito elucidativo… ou não…

Para quem quiser ler a íntegra segue o link:
http://ogx.infoinvest.com.br/ptb/883/Release4T09portugusvfinal.pdf

Mas não será necessário, pois os dados mais importantes relatarei a seguir.

A confiar nas previsões da OGX, ou a Petrobras é um desastre como empresa, ou a OGX é um prodígio, um fenômeno.

Como não sou especialista em petróleo e gás, peço ajuda aos amigos leitores e a especialistas, que porventura passarem por aqui, para me ajudar na série:

Explica aí, que eu não entendi!

1. A projeção da OGX é de que estará produzindo 730 mil barris/dia em 2015 (7 anos após sua captação primária na bolsa) e 1,38 milhão de barris/dia em 2019 (11 anos de vida operacional).

Isso significa que:

  • A OGX afirma que vai atingir em 11 anos o que a petrobras levou 48 anos para atingir (2001-2002). Ainda, afirma que pretende atingir nos mesmos 11 anos de vida, quase 70% de toda a produção da Petrobras, no Brasil, para o ano de 2009, que era de 2,05 milhões de barris.

Pergunto aos visitantes do blog:

  • Isso faz sentido?
  • As previsões são excessivamente otimistas?
  • A Petrobras não é eficiente?
  • A OGX é um fenômeno sem par no mundo do petróleo?
  • Está muito mais fácil retirar petróleo hoje?

2. A OGX diz ter uma certificação elaborada pela D&M de até 6,7 bilhões de barris comprovados, em apenas 2,5 anos de operação.

Isso significa que:

As colocações são um pouco imprecisas no release. Confesso que não compreendi na íntegra oq que eles quiseram dizer. Mas a Petrobras tinha, em 2009, reservas provadas de 12,1 bilhões de barris, o que indica que a OGX teria um volume equivalente a quase 60% das reservas da Petrobras. AMBAS não consideram o pré-sal, pois os poços de Eike não estão lá e os 12,1 bi também não incluem o pré-sal.
Pergunto aos visitantes do blog:

  • É isso mesmo, ou entendi errado?

3. Por que não há informações sobre a qualidade do petróleo? O óleo a ser extraído dos poços de Eike é leve (valorizado) ou pesado (desvalorizado)? A diferença entre os preços do óleo leve e pesado é de quase 40%, pois seu refino custa muito mais caro.

4. A OGX tem em caixa R$ 7,3 bilhões. Ela teve lucro em 2008 e 2009 por conta das aplicações financeiras dessa dinheirama. Praticamente todo o gasto que faz com exploração não trata como custo, mas como ativo “intangível”, prática aceita pelos princípios contábeis.

Isso significa que:

  • A OGX captou, em meados de 2008, R$ 6,7 bilhões de dinheiro novo, proveniente do mercado, das pessoas, dos investidores. Terminou 2008 com R$ 7,6 bilhões em dinheiro e 2009 com R$ 7,3 bilhões. A OGX vale, em bolsa, R$ 58 bilhões. A Eike tem 62% da OGX, o que significa R$ 35,96 bilhões OU US$ 20,5 bilhões.

Pergunto aos visitantes do blog:

  • Se a empresa tinha, em 2008, R$ 7,6 bi em dinheiro e recebeu, no mesmo ano, R$ 6,7 b ilhões, quanto Eike colocou de grana DELE, na empresa?
  • O valor do ativo no balanço em 2008 era de R$ 9,7 bi, sendo R$ 7,6 bi de “tangíveis” e R$ 2,1 de “intangíveis”. Isso significa que Eike, no máximo, teria colocado R$ 3 bi na empresa, pouca coisa em grana e muito em “intangíveis”. Se colocou R$ 3 bi (foi muito menos), como poderia ter multiplicado seu capital por 12 em pouco mais de 2 anos?

Encerrando a batalha!

Senhores, tudo é possível. Tudo mesmo.

O petróleo pode ir a US$ 500,00, Eike pode ter descoberto o filé mignon do petróleo brasileiro (num poço que já havia sido devolvido pela Petrobras à ANP em 2001), mas não é provável.

A minha principal questão, no título do post, não é duvidar da capacidade operacional e do futuro brilhante da OGX, mas compará-la com a Petrobras.

Acho que Lula deveria pedir ao Eike para não divulgar releases tão espetaculares.

Fica dificílimo defender o monopólio estatal e a idéia de competência da Petrobras quando uma empresa com 2,5 anos de operação pretende chegar a produzir, em 11 anos, a 65% do que a Petrobras levou 56 anos para atingir. Isso com velhos campos já rejeitados pela própria estatal, de petróleo pesado.

O valor de mercado da OGX não faz qualquer diferença para o sucesso da empresa, exceto se Eike quiser levantar mais grana. Poderia ser R$ 100 bi ou R$ 10. Aliás, no auge da crise, chegou a valer menos do que o que tinha em caixa. Nessa época, era um negócio espetacular!

Agora, do fundo do coração, torço para estar errado em minhas desconfianças sobre o excessivo otimismo da OGX. Torço mesmo, pois se é possível fazer isso, não haverá qualquer problema de falta de petróleo no mundo. Será abundante em breve. Ou só existe uma OGX no mundo?

Enquanto isso, estima-se que os carros elétricos serão responsáveis por 86% das vendas de carros dos EUA, em 2030…

Esse mundo está muito complexo. Gostaria de entendê-lo melhor…

2- Eike Batista, o empresário-projeto, é o oitavo homem mais rico do mundo!

É meus amigos, o mundo das finanças, assim como o Brasil, não está mesmo para amadores…

Eike Batista, o empresário-relâmpago, o empresário-projeto, conseguiu amealhar uma fortuna de US$ 27 bilhões em poucos anos.

Apesar da EBX existir há muito tempo, foi de 2004 para cá, mais precisamente com a abertura de capital da MMX em 2006, que Eike conseguiu o milagre da multiplicação dos dólares.

Em pouco mais de 4 anos (a contar da abertura de capital da MMX) consegui atingir uma fortuna que rivaliza com grandes empresários e investidores de atuação mundial, com produtos e serviços vendidos em 200 países e quase 2 bilhões de pessoas atendidas. Veja:

1 – US$ 53,5 bi – Carlos Slim, dono da América móvil (Claro, no Brasil), começou a investir em 1965, iniciou o negócio de telefonia em 1990. Hoje tem cerca de 100 milhões de clientes no mundo e suas empresas pagam, por ano, mais de US$ 5 bilhões em impostos.

2- US$ 53,0 bi – Bill Gates, dispensa apresentações. Atinge o mundo todo, atua na vida das pessoas, mais de um bilhão delas, diariamente. Sem comentários sobre sua importância e sobre o tamanho de seus negócios.

3- US$ 47,0 bi – Warren Buffett, também dispensa comentários. Investe desde 1491, financiando a viagem de Colombo. É dono da mais respeitada empresa de participações dos EUA. Tem participações relevantes nas maiores companhias do mundo. Investe, sem brincadeira, há mais de 65 anos.

8 (por enquanto) – US$ 27,0 bi – Eike Batista. Tem uma infinidade de empresas que valem bilhões, mas que nada produzem (por isso empresário-projeto). Se não acreditam em mim, leiam o resumo do que fazem as empresas de Eika na página da própria EBX:
http://www.ebx.com.br/empresas.php

Conseguiram achar um barrilzinho de petróleo produzido? Alguma produção de minério relevante? Algum aluguel de estrada de ferro ou porto?

Não é mole, não!

O nome da brincadeira é: Mercado de Ações!

Eike, não demora, vai ser o mais rico do mundo.

(Re)Descobriu o jeito mais fácil de fazer fortuna. Aliou conhecimento privado e público, ótimos relacionamentos, projetos gigantescos, o maior período de liquidez do mercado mundial e aproveitou para fazer o lançamento de seus projetos, e captar fortunas no mercado de ações.

Agora vai lançar a OSX que, pelo que li, é uma empresa que presta serviços para a própria OGX e que pretende prestar serviços para as outras empresas de Eike. Espera captar R$ 10 bi.

É algo muito estranho você criar uma empresa para servir à sua própria empresa… e abrir seu capital!!!!

O cara consegue tirar bilhões até da verticalização de seus próprios projetos.

Imagino que ele tenha pensado o seguinte: pô, estou pagando uma fortuna para esses prestadores de serviço! Vou criar a OSX e pagar para mim mesmo.

Seria lindo, se não pudesse criar um evidente conflito de interesses. Bom, mas isso não somos nós que vamos dizer…

Como funciona o milagre da multiplicação dos bilhões?

É simples.

Quando você abre o capital de sua empresa, normalmente coloca algo como 30% à venda. Os outros 70% são seus.

Se você capta, R$ 10 bi, como se pretende com a OSX, por 30% do negócio. Significa que o valor dela na bolsa será de R$ 33,3 bi e que Eike vai ficar R$ 23,3 bi mais rico ou US$ 13 bi, em números internacionais.

Daí, basta inventar uma outra empresa para fornecer o papel higiênico, as canetas, os bloquinhos de papel para as empresas EBX aumentar sua fortuna em US$ 7 bi para passar Warren Buffett!

Não estou dizendo que os projetos não possam dar certo!

É claro que o investidor que colocou a grana dele nas empresas, acredita que os projetos serão um sucesso.

E ele até teve uma fantástica venda de parte da MMX por US$ 5 bi para a Anglo American. Um negócio que a Anglo deve estar lamentando até agora, pois logo depois seus lucros caíram 53% com a crise mundial…

Comprar promessa, dá nisso. O futuro a Deus pertence. Se houver outro boom de commodities nos próximos anos, recuperará o investimento. Se não… micou!

Justiça seja feita a Eike, ele não deixa pequenos investidores brincarem em suas ofertas públicos. É de R$ 300 mil para cima. As sardinhas estão a salvo!

O que o futuro nos reserva?

Acredito que Eike não tenha qualquer interesse em produzir nada. Se conseguir um ganho de capital vendendo seus ativos, vai fazê-lo. Daí com o dinheiro novo, vai comprar outros ativos, criar outros projetos e vender na bolsa.

Só vai parar quando atingir a fortuna de US$ 1 trilhão ou quebrar. Ou ainda, quando a Luma de Oliveira voltar para ele…

Aliás, tô achando que essa fortuna tá com cara de bombeiro, uniforme de bombeiro, perna de bombeiro, bíceps de bombeiro, peitoral de bombeiro…

E dá-lhe Eike! Detone esses ianques malditos!

KKKKKK

3- A Verdadeira Identidade de Eike Batista!

O Mr. X é sensacional.
Sua capacidade para comprar direitos de exploração das riquezas do país, abrir o capital sob promessas de gigantismo nacionalista e depois vender esses direitos, ou parte deles, para empresas estrangeiras, está começando a levantar desconfianças sérias em Lula.
MMX
Primeiro a MMX, que iria competir com a VALE, viu sua principal mina ser vendida para Sinhá Elizabeth e Nhô Edward, num negócio fantástico para os acionistas, mas estranho para os planos de gigantismo nacionalista.
A MMX ficou com patrimônio líquido negativo…
OGX
Agora Mr. Fujiro e Mr. Takaro estão querendo comprar participação nos poços da OGX. Nada contra, mas se o China comprou… é do China. Qual percentual? Ainda não se sabe.
Sonhos com a VALE
Se conseguir seu sonho de ouro de retirar Agnelli da presidência da Vale e assumir o posto que já foi de seu pai, é capaz de vender 30% de Carajás para o Burkina Faso ou para o Butão.
É um passaro, é um avião, não é…
Lula já está desconfiando que essa incrível capacidade de repassar a estrangeiros as riquezas nacionais jamais poderia vir de um vilão comum…
Lula teme descobrir que Eike Batista é, na realidade, … Fernando Henrique Cardoso!
ahahahaha!
Perdoem a brincadeira no meio de tanta coisa séria…
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As Construtoras já valorizaram até 190% em 2017! Chegou a recuperação do setor?

Posted on 17/01/2017. Filed under: Finanças, Política |

Tem coisa que dá certa preguiça.

Estava acompanhando as altas de Rossi, PDG e Viver (entre outras) nos últimos dias na bolsa. Coisa de 30% ao dia. Imaginei que o fato de os juros poderem chegar a 9,75% ainda esse ano talvez pudesse ter ajudado, mas estava meio exagerada aquela alta.

Pois que leio no Portal Infomoney que o principal motivo é uma mudança na regra dos distratos. Agora as construtoras poderão manter entre 9% e 15% do valor do imóvel, não serão obrigadas a devolver tudo.

http://www.infomoney.com.br/mercados/acoes-e-indices/noticia/6027113/entre-selic-solucao-para-distrato-imobiliarias-sobem-ate-190-2017

Isso é bom?

Das construtoras citadas uma já está em recuperação judicial e as outras pavimentam o caminho para lá. Para subir 190% em poucos dias, deveria ser uma notícia robusta e, principalmente, de resultado imediato.

Imediato não é, porque ainda que seja aprovada HOJE a regra, quem já comprou continua na regra antiga. E se não fosse continuar, se a regra fosse mudar contratos atuais (o que me parece impossível), vão devolver (mesmo quem estava propenso a manter o negócio) e judicializar.

Na prática o que ocorrerá será um aumento no risco do comprador, que estará com uma possibilidade de perda que não tinha antes. É SÓ ISSO que muda.

Olha, nessa hora tem que ser racional. O que vai acontecer?

  1. A) As pessoas vão comprar mais, porque ficou mais arriscado para elas? Com certeza, não.
  2. B) As pessoas vão sair desesperadas para comprar antes que mude a regra. Até poderia ser, mas não me parece que o “estoque” de demanda reprimida seja grande. Aliás, eu acho até que não existe, não com esse nível de preços. Uma família com R$ 500.000 guardados e renda bruta de R$ 25.000 por mês NÃO configura demanda para um imóvel de R$ 1.200.000, pois teria que ZERAR suas reservas e pagar uma prestação de R$ 8.500 por mês. Fica menos interessante ainda se ele puder alugar imóvel semelhante por R$ 3.500. Se o imóvel for a R$ 900.000 e os juros voltarem a 8,5% ao ano (crédito imobiliário) PODE SER que essa família seja uma demanda real para esse imóvel. Hoje, não.
  3. C) As vendas vão diminuir, pois aumentou o risco do investidor/trader (que já está em extinção) e os compradores de imóveis para uso próprio costumam ser conservadores, a decisão de compra, com risco aumentado, deve fazê-los esperar mais, fugir de lançamentos (que tem o risco de perder 10%, aliado ao risco da entrega, da construtora, da desvalorização etc.), requerer ainda mais descontos para se decidir.
  4. D) Os distratos vão aumentar, pois os novos contratos são PIORES para o comprador e contratos piores, com riscos maiores, tendem a ter preços depreciados. Não é a mesma coisa comprar um imóvel com entrada de 10% na planta e saber que receberei de volta se desistir, do que comprar sabendo que posso perder tudo. Quem tem um dos “últimos contratos” com garantia plena, pode tentar exercer esse direito e recomprar depois em condições melhores.

Um parêntese. Eu entendo o lado das construtoras ao tentar equilibrar a relação comercial, dividindo o risco com o comprador, mas elas reclamam HOJE dessa regra, porém é meio evidente que isso ajudou e muito nas vendas dos últimos anos. É claro que se meu risco é zero, eu assino o contrato com mais facilidade. Se quisessem, realmente, ter mudado a regra durante o boom, já teriam conseguido, lobby não faltava, ainda mais na era PT, com tapete vermelho ao empresariado “public-budget addicted”. Mas naquela época a regra ajudava, né?

Bom, não tenho bola de cristal, mas eu não acho razoável apostar em melhorias de curto prazo, pois me parece mais provável aproveitar para devolver (num mercado já muito fraco) e esperar o mercado com a nova regra (que pode piorar), do que sair correndo para aproveitar esse último suspiro da regra atual.

Ou seja, não dá para acreditar que, no curto prazo, teremos um boom de vendas.

Também não acho razoável acreditar que isso vá aumentar o número de negócios no longo prazo, pois impõe uma penalidade ao comprador que antes não havia. Não melhora nada para quem assina o cheque, aliás piora bastante. 10% de um imóvel é um risco MUITO alto. É provável que haja ainda menos negócios.

Se pudesse apostar, apostaria em queda no número de negócios após a entrada em vigor da regra e algum efeito imediato nos distratos, para pior.

Mas as ações subiram. Fazer o quê, né?

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A respeito da economia em 2016. Por que o desastre? E 2017?

Posted on 30/12/2016. Filed under: Finanças, Política |

Acompanho com atenção o noticiário econômico. É meu trabalho. Há excelentes análises sobre o buraco econômico em que se encontra o Brasil, mas são apenas parciais e não formam um “modelo de compreensão” que nos permita mapear o futuro e diagnosticar corretamente o presente.

Apresentar um modelo para compreendermos razoavelmente o que está acontecendo é o objetivo deste artigo.

Essa é uma crise como todas as outras?

Há gente boa dizendo isso. Que sairemos dessa rápido e tudo voltará a ser como antes, pois já vivemos muitas crises.

Discordo frontalmente. Não é igual e nunca seremos os mesmos novamente. E isso pode ser até bom.

Até o Plano Real nossas crises eram, essencialmente, de balança de pagamentos, de falta de dólares. Havia outras questões, mas sempre caímos em dois destinos: Pedir dinheiro ao FMI, ou assemelhados, e dar calote. Demos vários calotes. O de Sarney destruiu nossa economia por 10 anos, no mínimo. O de JK foi patético, não era necessário, mas o “auxílio” dos cepalinos e de Celso Furtado foi decisivo para a “aventura soberana de não respeitar contratos”. Como se isso fosse bonito.

A hiperinflação era um problema?

Para a economia e para o cidadão desbancarizado sem dúvida, mas não para o mercado financeiro e PRINCIPALMENTE para os entes da federação. Para o setor público a inflação era uma benção. Facilitava o fechamento de contas.

Quando veio o Plano Real os desequilíbrios, que sempre existiram, mas eram escondidos pela inflação, vieram à tona. Foi necessário o PROER, mesmo assim vários bancos quebraram e/ou foram absorvidos por bancos menos enrolados.

Com relação aos desequilíbrios nos entes da federação, foram propostos e aprovados vários mecanismos de governança para a União, Estados e Municípios, como a centralização da dívida no governo central, lei de responsabilidade fiscal, proibição de o governo se financiar com bancos públicos ligados diretamente à administração central etc.

E passamos por outras tantas crises durante a implantação do Plano Real, ao menos até 2002. Ainda prioritariamente por questões de desequilíbrio cambial, mas agora com inflação controlada e boas regras e leis de governança.

Qual a grande diferença dessa crise para as outras?

Primeiro, não há o componente cambial. Ótimo!

Segundo, é a primeira vez que não temos a “solução fiscal”. Em resumo, não existe a possibilidade de “abrir o cofre, subir a dívida e deixar para o próximo governante o pepino”.

Ao brasileiro que me lê, lamento afirmar que não vivemos num capitalismo normal ou saudável. Num capitalismo normal há apelo à poupança popular (das pessoas) para o investimento. São investidores, fundos de pensão privados, pequenos poupadores entregando dinheiro no interesse de obter renda, dividendos, aluguéis etc.

Aqui no Brasil praticamente tudo, todas as decisões, passam pela opção de aportes, planos ou subsídios do governo. Mercado de caminhões cresceu por crédito subsidiado do governo. Concessões cresceram porque o BNDES financiou barato, às vezes 100% do investimento. Mercado de petróleo cresceu porque a política permitiu que a Petrobras se endividasse em R$ 500 bilhões para bancar a política de conteúdo nacional (que pode até ser justificável, mas nunca em patamares de 65%).

Em resumo, toda a pujança dos últimos anos foi sustentada, quase que exclusivamente, com dinheiro público. O setor privado praticamente não correu riscos. Estão quebradas as empresas? Sim, mas não porque correram riscos privados e sim porque correram o risco da dependência de políticas públicas para crescer, se endividaram, ou por conta própria ou por exigência do próprio governo (mesmo quando não queriam ou não precisavam). Acabou o dinheiro público, acabou a receita pujante e sobrou a dívida.

Quando digo que não há mais a solução fiscal, significa que não há mais como aumentar nossa dívida interna para, de forma falsa, forjar uma nova era de crescimento econômico a base do orçamento público.

De todas as crises anteriores nós saímos com “estímulo público”. Essa opção não está disponível, pois o estoque da dívida é alto e os juros ainda muito altos, de forma que o custo de manutenção dessa dívida é extremamente pesado. Não dá para brincar e se arriscar perto de uma relação de 90% a 100% de dívida/PIB.

Em resumo, não dá para chamar o Public-Batman. Sempre chamamos o salvador que abriria as torneiras. Podem tentar chamar, não há mais água. Nem sei se ainda há torneiras.

E a solução inflacionária?

Alguns analistas dizem que a solução vai ser imprimir dinheiro. Novamente discordo. Não somos mais o mesmo país da década de 1980.

Para que um governante começasse a imprimir dinheiro, teríamos que mudar todas as legislações que permitiram o equilíbrio monetário e inflacionário. Se fizessem hoje, sem mudar as leis, cometeriam uma série de crimes evidentes.

Por que Dilma usou a contabilidade criativa? Porque não podia imprimir dinheiro, tinha que “burlar” o sistema parecendo fazer a coisa dentro da lei e das boas práticas.

Quando Temer levantou o tapete e foi obrigado a olhar com os óculos da contabilidade normal viu que teríamos (e teremos) uns R$ 500 bilhões de déficits nos 3 anos seguintes POR CAUSA do elefante embaixo do tapete.

Se até Dilma e Arno Augustin, que nunca tiveram qualquer escrúpulo ou respeito pela LRF, não conseguiram imprimir dinheiro DENTRO da lei e da ética contábil, não será Temer a conseguir.

Há a possibilidade de destruirmos as leis que seguram a inflação e os governantes? Há. E já começamos, mas não será tão simples.

Querem exemplos do que o Brasil poderá fazer para voltar à década de 1980? Cito alguns (ainda não ocorreram, mas fiquemos de olho):

  • Autorização legal para os bancos e empresas públicas emprestarem para os governos (todos), ou financiarem seus déficits (comprarem debêntures do RJ, por exemplo).
  • Permissão para que os Estados se endividem por conta própria, sem aval da União e sem limite, como funcionava antes.
  • Abertura de cofres da União para salvar estados e municípios quebrados, sem contrapartida de longo prazo.
  • Desconstrução das propostas de reforma previdenciária, em todos os níveis federativos (o RJ terá 50% do total dos servidores aposentados em 8 a 10 anos).
  • Controle cambial, caso haja fuga de capitais, por não aprovarmos nenhuma reforma (está longe, mas não se esqueçam da Argentina e da Venezuela, começou devagar por lá).

Alguns desses itens até são feitos, de forma moderada e com controle central. O BACEN e o Tesouro sabem o que está acontecendo e monitoram.

Ainda se fizéssemos tudo o que foi dito acima, tenho dúvidas se haveria qualquer alívio para a crise, mesmo que de curto prazo. A única certeza seria a destruição dos avanços anti-inflacionários do Plano Real.

O RJ até tentou acessar os mercados recentemente, com venda de créditos fiscais através da sua entidade de previdência (uma burla da governança e da ética contábil). Não funcionou, pois os investidores pediram mais de 60% ao ano de taxas de juros.

Maldade dos investidores? Eu acho que foi é burrice aceitar 60%, eu não emprestaria mesmo que o governo me prometesse 200% de juros. Iria receber com precatórios com desconto de 90% a partir de 2050.

Mas por que parecemos TÃO mal?

Realmente essa crise parece não ter fim, mas a nossa percepção está agravada pelo mesmo motivo discutido antes, neste artigo.

Infelizmente o “sangue nas veias” da economia brasileira tem sido, por longas décadas, quiçá séculos, o dinheiro público.

E não só os subsídios a empresas, mas também as transferências às pessoas. Há cidades (não me surpreenderia se ultrapassassem 50% do total dos municípios) que vivem quase que exclusivamente das pensões, aposentadorias, bolsas e salários pagos pelos governos (todos).

Aqui no RJ a renda desabou para taxistas, para comerciantes do SAARA, para restaurantes e para o comércio em geral porque as pessoas com salários médios mais elevados (servidores e aposentados do serviço público) não estão recebendo. O valor dos aluguéis está igual aos de 2012. E ainda assim os imóveis não estão sendo alugados. Os aluguéis comerciais nem existem mais. É melhor deixar o inquilino de graça, pagando os custos. São 35% de vacância.

E a coisa se alastra por vários municípios da baixada. Os prefeitos não reeleitos abandonaram suas funções no final de 2016. Simplesmente sumiram.

Um parêntese penal. Falta rigor em nossa lei. Se todos esses prefeitos fujões fossem presos e tivessem seus bens confiscados, não teríamos tanto lixo moral e intelectual se candidatando. A prisão é pouco para um covarde que abandona a cidade e deixa os servidores e a população sem coleta de lixo, sem salários etc.

O RJ pode ser uma antecipação do quadro que pode acontecer no resto do país. É um laboratório, precisamos resolver rápido (não será indolor) a questão fiscal daqui e promover as mesmas reformas em outros estados.

A percepção de que estamos MUITO MAL vem daí, da falta de “sangue” nas veias da economia, porque o coração que a bombeava (o orçamento público) está parando.

Qual a solução para 2017 (e adiante)?

Infelizmente a tentativa dos nossos políticos será evitar medidas impopulares. É pouco provável, no que depender dos legislativos (todos os níveis), que haja medidas severas para cortar na carne e reduzir privilégios.

E isso, dado que não há solução fiscal disponível, deve agravar ainda mais a situação.

Há dinheiro privado para investir, principalmente estrangeiro, mas não há qualquer confiança no país, qualquer confiança de que estancaremos a sangria nas contas públicas e o crescimento vertiginoso da dívida (prevista para atingir 77% do PIB em 2017).

Sem dúvida as ações impopulares, que devolveriam o equilíbrio fiscal, poderiam despertar o interesse de quem quer garantias para investir no Brasil, mas os parlamentares, principalmente nos estados e municípios não me parecem interessados em tomar qualquer decisão nesse sentido. Um cortezinho de cargos aqui, uma redução de benefícios ali, mas nada de longo prazo.

Creio que, dessa vez, vamos até o limite, até a ruptura, até o impossível. Impossível que já é realidade no Rio de Janeiro.

E o impossível pode ser a própria solução, ou seja, confrontados com a inevitável e inexorável falência do nosso modelo de capitalismo de estado (inchadíssimo e de privilégios), precisaremos, sem qualquer outra opção viável, de redução significativa da máquina pública.

E aqui não se está falando de reduzir investimentos saúde, educação e segurança, é tolo quem acha que nossos impostos são arrecadados para isso, são arrecadados para distribuir e manter privilégios, ao povo vai a parte magra, vai o chã de dentro, o filé mignon fica com os Odebrechts, as vacas de Picciani e o implante de Renan.

Vale repetir: É tolo quem acha que nossos impostos são arrecadados para que o Estado nos sirva bem. Creio que o nível avassalador de comprometimento dos nossos políticos com propinas que destruíram a nação mostra a quem nosso orçamento serve realmente.

Quando falo de reduzir o Estado, é simplesmente parar de tentar controlar a economia, parar de criar dificuldades para “vender” facilidades, enfim, sair da frente de quem quer empreender, além de reduzir privilégios, corrigir distorções, criar legislação mais pesada para punir corruptos etc.

A solução, pelo que parece, será a própria falta dela.

O que NÃO é solução!

Sempre há pessoas de esquerda, progressistas, anti-capitalistas etc., me lendo, e certamente devem achar tudo que escrevo uma grande bobagem, julgando que o Brasil sairá do buraco com aumento de investimento público, calote da dívida interna, redução dos juros na marra etc..

Recomendaria parar de pensar nessas soluções, pois além de não funcionarem, elas decretariam o fim do seu sonho socialista brasileiro (que na prática sempre foi um pesadelo).

Primeiro porque não há espaço fiscal para aumento do investimento público, ou seja, não torça pelo impossível. É insensatez.

Segundo porque o calote na dívida interna não pode ser dado “apenas nos ricos e nos bancos”, ele só pode ser dado a todos, e isso nos levaria a um lugar que vocês não conhecem, apesar de sempre terem torcido por isso, o caos financeiro absoluto.

E o caos financeiro absoluto reduziria tão dramaticamente o poder econômico do governo, que seria a forma mais rápida de exterminar com qualquer sonho socialista que vocês venham a ter. Por um motivo simples, vocês só são socialistas por acreditarem que o governo proverá. Após um calote da dívida interna, o governo não conseguirá prover nem os salários de servidores de qualquer nível. Faltará arrecadação e o mercado de crédito não existirá mais. Será o inverno nuclear das finanças públicas, o ambiente onde nada floresce. Esqueçam, o calote é a hecatombe do seu ideal de esquerda, é o governo sem dinheiro e sem crédito. Se acham que a experiência de calote da Argentina e do Equador são exemplos (ou da Islândia), é provável que não saibam a diferença entre dívida interna e externa.

Terceiro porque os juros, hoje, até poderiam cair a uma faixa de 11 a 12% ao ano (no início do governo Temer esse era o juro dos prefixados), mas o efeito só seria sentido, em termos fiscais, em uns 3 ou 4 anos. E ainda precisamos resolver os salários de novembro do ano de 2016.

O melhor que vocês podem fazer é tocar suas vidas, fazer oposição alegórica às medidas de austeridade e torcer para o capitalismo por aqui florescer para você poder usar suas boas intenções a partir de um orçamento farto e crescente, coisa que só a geração de riqueza, típica da liberdade econômica e do livre mercado, pode dar.

Ps. Preciso comentar sobre Lula. Há um vídeo dele propondo pegar parte das nossas reservas em dólares para estimular a economia. E ele fala de usar esse dinheiro, aqui, pagando em Reais obras de infra-estrutura. É evidente que está, mais uma vez, fazendo lobby para empreiteiras bilionárias, e com o aplauso entusiasmado da plateia petista. Deus sabe onde encontram esses cérebros.

Mas isso também não é uma solução, aliás, isso não é nada. Primeiro porque o próprio Lula, em 2009, já autorizou o uso da valorização das reservas para capitalizar o tesouro nacional. Nós estamos usando isso há anos para amortizar a dívida e pagar juros. Segundo porque você não consegue fazer os dólares “desaparecerem”, portanto, eles precisarão ser comprados por alguém. Se o governo colocar US$ 100 bi à venda, provavelmente o câmbio vai se apreciar, tornando nossos produtos menos atraentes lá fora, piorando a situação da indústria. Há compradores com excesso de R$ interessados em comprar US$ 100 bi? À vista? E terceiro porque as reservas não são dinheiro de orçamento ou dinheiro para investir, são o que o próprio nome diz: RESERVAS. É algo que você usa de acordo com a necessidade de dólares na economia. É como se fosse um estoque regulador de alguma commodity. Se as reservas não tiverem volume relevante, não vão servir como proteção.

Pelo jeito, a aposta de Lula e do PT era mesmo uma volta acelerada à década de 1980, com vulnerabilidade cambial e tudo.

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Aleppo. Barbárie e Descaso. Como chegamos até aqui. A Doutrina Obama.

Posted on 21/12/2016. Filed under: Filosofia, Política | Tags:, , , , , , , , |

Os debates sobre Aleppo e seu massacre de crianças, estupros em massa e covas coletivas estão, corretamente, focando na emergência. Na necessidade urgente de viabilizar a saída imediata dos civis do inferno.

Estamos juntos nessa, mas esse artigo pretende debater os motivos que nos trouxeram até aqui. Qual o papel da Doutrina Obama nessa realidade geopolítica?

Em resumo…

Sem entrar em filigranas geopolíticas, a leitura direta do que ocorre na Síria é bem simples.

Após a primavera árabe, que derrubou alguns ditadores e modificou alguns regimes na Ásia e na África, houve um levante na Síria, reprimido de forma violenta.

Os rebeldes, não muito diferentes dos que derrubaram Mubarak e Gaddafi, foram apoiados discretamente por forças estrangeiras, a quem interessava a flexibilização em ditaduras como a da Bashar Al Assad.

Desde o início a Rússia apoiou Assad e vetou qualquer resolução da ONU que pedisse a saída do ditador sírio, ou o diálogo com os rebeldes.

Não há tropas enviadas diretamente por estrangeiros com poder bélico relevante. Não estão lá os boinas azuis, os mariners ou qualquer exército ocidental. Mas Putin está lá, diariamente, com a força militar que a Rússia pode oferecer.

Putin vem enganando, e todos sabem, os ocidentais e seus aliados árabes dizendo que está enfrentando os terroristas do Estado Islâmico e suas derivações, mas na verdade quer garantir uma vitória esmagadora de Assad, seu aliado. A parte “esmagadora” não é figura de linguagem.

Na prática temos um grupo de rebeldes (com os mais variados motivos, alguns bastante retrógrados) lutando com algum apoio do ocidente, algum financiamento “por baixo dos panos”, contra o poderio militar russo. Todo ele e sem limites, sem convenção de Genebra e com um padrão civilizatório digno de Átila, o Huno.

A doutrina Obama

Lamento pelos muitos amigos e familiares que tem apreço pelo presidente “cool” norte-americano, mas a catástrofe de Aleppo, e as que virão, estão em grande parte associadas ao novo modelo de política externa dos EUA.

Obama assumiu os Estados Unidos com alguns propósitos, o mais eloquente deles era retirar as tropas do Oriente Médio. É bem verdade que não cumpriu a promessa, ao menos não completamente.

Porém sua política externa, muitas vezes chamada de “Obama doctrine foreign policy”, deliberadamente retirou os Estados Unidos da posição de única superpotência, líder do mundo livre e do capitalismo, líder do livre mercado e da livre concorrência.

E retirou mesmo. Não há preponderância norte-americana em praticamente nenhum conflito (talvez apenas naqueles iniciados pelos próprios), nem na defesa de qualquer sistema de valores ocidentais. Obama nunca proferiu a expressão “terrorismo Islâmico”. Obama professa o que se vê hoje na Europa, da tolerância como valor em si mesmo, absoluto, sem qualquer avaliação ou julgamento ético e moral.

Quando houve o massacre numa boate LGBT nos EUA, a primeira frase de Obama foi que “aquele era um dia muito triste para a comunidade LGBT”.

Um verdadeiro líder do mundo ocidental diria que é um dia triste para a humanidade. Um líder conciliador não divide, não escolhe o discurso específico para uma minoria e menospreza a dor e o horror compartilhados por milhões de pessoas que não fazem parte dessa minoria, mas que estão do mesmo lado em termos de sofrimento com a tragédia. Foi um discurso sectário. Líderes que dividem são populistas, sanguinários ou ditadores. “Dividir para Conquistar”.

Obama conseguiu desviar o transatlântico de valores dos EUA para o mar aberto da incerteza, moral e civilizatória. Para fora do maniqueísmo, para fora de um ideal civilizatório, para fora de uma “guerra-fria de valores”, para fora de um sistema moral.

Essa atitude de neutralidade é aplaudida por muitos, principalmente pelas pessoas que vivem na platônica realidade do politicamente correto, que pretendem criar um mundo onde não haja discurso que possa ferir outro ser humano, onde não haja conceitos ou preconceitos.

Um bizarro mundo de uniformidade de pensamento, coisa jamais vista na história da humanidade e nem enredada na mais eloquente ficção futurista (pois não é um futuro nem provável, nem verossímil).

Obama está lá na Síria.

Está lá, justamente por não estar. Justamente por ser o musculoso halterofilista, faixa preta em Karatê e armado até os dentes, que se recusa a intervir quando o marido espanca a esposa e os filhos, diante de seus olhos, sob o pretexto de que “faz parte da cultura milenar de onde eles vieram”.

Está lá por realmente acreditar que não há valores que mereçam ser estimulados ou difundidos e professados. Exceto a própria ausência de valor.

A diferença entre uma guerra promovida pelos EUA e o que se verifica em Aleppo.

Alguns leitores argutos devem estar se perguntando sobre as políticas norte-americanas belicosas que justificaram a invasão do Afeganistão e do Iraque, por que seriam menos nocivas do que a Doutrina Obama?

Ora, ora, ora.

Os motivos foram errados e também contrários ao posicionamento da ONU. Algumas pessoas entendem que foi uma guerra comercial e não com o objetivo de instaurar uma democracia no Iraque. E ainda que fosse esse o objetivo, o Iraque deveria ter o “direito” de viver em ditadura, sem intervenção estrangeira, pelo princípio da autodeterminação dos povos.

Parece fazer sentido, mas é importante pontuar a extrema diferença entre uma guerra conduzida pela liderança norte-americana e pela Rússia, por ditaduras teocráticas ou cleptocracias africanas.

Não faz sentido clamar por direitos humanos na Síria. Os protagonistas não fazem ideia do que é isso. É um conceito muito caro aos ocidentais, liderados pelos EUA e Europa, mas que nada significa para Putin ou Assad.

Putin era da KGB, na URSS (recomendo a leitura do livro Sussurros, 800 páginas de horror documentado) os fins justificavam os meios e os seres humanos, a individualidade e a vida, nunca foram fins em si mesmos, apenas meios para os objetivos do poder central e da nomenklatura.

Regimes onde o ser humano é meio, onde a individualidade deve ser sufocada pela coletividade, costumam se apresentar como ditaduras sanguinárias e imorais. E parte do mundo ainda é assim. Mas certamente não os EUA, apesar dos esforços dos ditadores do pensamento (politicamente correto) em fazer o mundo crer que os norte-americanos são os grandes inimigos da paz mundial.

Todas as falhas dos EUA nas guerras que conduziram, sejam elas reais ou narrativas inventadas, encontram caminho legal ou moral para serem expostas e combatidas. Guantánamo, as torturas e as operações secretas são feridas abertas dentro da própria sociedade norte-americana e também no resto do planeta.

E os dirigentes não podem fugir de enfrentar, até judicialmente, essas questões humanitárias e MORAIS.

Haverá o texano que quer aniquilar os terroristas, haverá o californiano que quer dar-lhes rosas. Qualquer que seja o caminho da política norte-americana, ambos serão ouvidos e terão voz ativa. A ambos deverá ser dada explicação e justificativa, racional ou moral.

O padrão civilizatório dos EUA (e do mundo ocidental) é completamente diferente do observado em Putin, Assad, Mugabe, Gaddafi, Sadam etc.

Pensar que o padrão civilizatório ocidental é melhor é cair numa armadilha intelectual. Ele não é e nem precisa ser melhor, basta que seja o padrão que você QUER para sua vida, sua família e seu convívio social.

Basta que você entenda que no seu país as mulheres devem ter os mesmos direitos que os homens, para que você rejeite situações de mutilação genital, apedrejamento por adultério ou proibição de mostrar o rosto e o corpo.

Discutir a “superioridade” é perda de tempo. É o que você quer e isso já é muito importante. É o padrão civilizatório que você deseja para si e para os seus. É o que se manifesta no voto, nos livros, nos discursos, nas narrativas, e em toda a pluralidade que só sociedades livres conseguem gerar.

E é esse padrão que era carregado no tal transatlântico que se perdeu no mar da incerteza moral.

Aleppo mostra que perdemos tudo.

É assustador ver sírios aparecendo na TV clamando aos prantos por ajuda da comunidade internacional, estranhando que “ninguém vá fazer nada” contra a barbárie inacreditável promovida pela Rússia e por Assad. É assustador por que ninguém vai ouvi-los, ou atender a seus apelos.

Há poucos anos havia a expectativa de intervenção econômica e até militar em episódios de barbárie em larga escala, ainda que os esforços fossem insuficientes ou ainda que a Rússia e a China tenham tentado barrar qualquer atuação da ONU contra ditaduras aliadas.

Hoje o máximo que a França faz, após a disseminação de fotos com pilhas de crianças mutiladas em Aleppo, é apagar as luzes da Torre Eiffel.

A ausência da liderança norte-americana é tão nociva para a geopolítica internacional,  e tão confusa para os seus críticos, que nem há mais discurso antiamericano ou anti-imperialista.

Apesar de a Rússia estar esmagando ativistas na Síria, mesmo aquelas vozes engajadas das redes sociais, tão eloquentes para peitar os EUA, simplesmente não criticam Assad ou Putin, apenas clamam por socorro às vítimas. Eles não estão cometendo crimes horrendos? Por que não criticar?

Porque as críticas são tão relevantes para Putin quanto uma mudança momentânea na direção do vento em sua Dacha.

Tanto os massacrados quanto os ativistas de direitos humanos ficaram órfãos da política intervencionista dos EUA. Os massacrados serão, cada vez mais, massacrados e os ativistas vão cansar de espernear em redes sociais a pedir, Deus sabe para quem, ajuda humanitária e um corredor de evacuação de civis em Aleppo.

É muito estranho esse mundo sem polarização e sem liderança. Nós não sabemos lidar com ele. Quem combateu a política externa intervencionista norte-americana deve estar percebendo que, sem ela, até o próprio norte moral e econômico a combater se perdem.

Chega a ser ingênuo cobrar proteção a civis ou respeito aos direitos humanos a Putin e Assad. No modelo civilizatório de ambos, essas “frivolidades ocidentais” nada significam. Além dos próprios Sírios, nós é que sofremos, nós é que nos descabelamos, nós é que gritamos diante de um fenômeno tão macabro levado a cabo por líderes tão desumanos.

Quem se importa com a violação dos direitos humanos dos Sírios somos nós, os ocidentais. O sentido da liberdade individual, da declaração universal dos direitos humanos, das repúblicas modernas e da democracia representativa só existe, como valor inegociável, em nosso modelo civilizatório.

Mesmo quando os Estados e as autoridades de países ocidentais parecem atropelar esses valores republicanos, religiosos ou morais, os caminhos para a crítica livre, para a intervenção jurídica, para a declaração à imprensa, para fazer filmes críticos, para espernear em redes sociais, para ocupar wall street, para votar e mudar o dirigente etc., estão à disposição. E são usados diuturnamente, com muita verborragia e com muito lobby, pelos ativistas dos direitos humanos, entre outros.

Michael Moore, se fizesse o que faz na Rússia, teria sofrido um acidente com plutônio antes de lançar o primeiro filme. Nos EUA é voz eloquente.

A Doutrina Obama deixou os ativistas órfãos. Não sabem o que fazer com a política do multiculturalismo e da autodeterminação dos povos (qualquer que seja o caminho).

Todos os antiamericanos eram valentes e agressivos ao criticar os EUA. Afinam diante de Putin e Assad. Clamam por direitos humanos, mas, como não há interlocutor interessado (Obama está na internet promovendo memes de si mesmo), falam ao vento. E não culpam Putin. E não culpam Assad. Não há nem mais os Estados Unidos para culpar.

Conservadores x Progressistas

Os conservadores não são “aqueles que querem manter tudo como está”. São aqueles que respeitam tradições, pois sabem que raízes levam dezenas, centenas de anos, e trilhões de interações humanas para se firmarem.

É claro que o futuro poderá melhorar essas tradições e até substituí-las por valores que vão continuar nos dando conforto moral e espiritual para viver em sociedade, porém, em alguns casos, não raros, mudamos para pior. Para muito pior.

E disso os conservadores querem se proteger. Destruir uma tradição imperfeita, através de um processo revolucionário, pode descambar para a barbárie e para a falta de parâmetros mínimos de civilidade.

Parece-me que há uma severa inversão civilizatória em curso.

A ausência de uma liderança moral mundial colocou a Nau humana à deriva.

Quem poderia segurar o timão do transatlântico está em seus aposentos presidenciais, fazendo vídeos engraçados para o facebook e acariciando um cachorrinho fofo. E todos em volta estão felizes.

Menos os meninos de Aleppo.

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Renan Calheiros venceu o STF. E a corte absolutista insiste em não entregar Luís XVI.

Posted on 07/12/2016. Filed under: Filosofia, Finanças, Política | Tags:, , , , |

Por quem os sinos dobram, brasileiro?

Pela constituição brasileira de 1988 e pelo governo Temer que pereceram hoje, dia 07 de dezembro de 2016.

O Brasil se superou ao referendar a desobediência civil em nome da governabilidade e do conveniente conchavo.

Conseguimos decidir que um presidente do senado não pode suceder o presidente da república, criando duas categorias de “chefes de poder”.

A categoria constitucional e a categoria paraconstitucional, ou categoria “Renan”. Conseguimos fugir da categoria “Cunha”, mas não conseguimos fugir de sermos humilhados pelo homem que usa aviões da FAB, que faltam para transportar órgãos e salvar vidas, para seu seboso e milionário implante capilar.

Num momento em que Temer, cada vez mais esquálida figura, precisa de apoio para aprovar reformas extremamente impopulares, e fundamentais, os poderes conseguem se unir para homologar a desobediência civil, encarnada no Renan fujão e na mesa do senado escorregadia.

Perdeu Temer. Perdeu Brasil. O interino que virou efetivo precisa do maior sacrifício que a história já requereu do povo brasileiro, e lutou para mostrar que há categorias de cidadãos que jamais passarão pelo constrangimento de serem interpelados pela justiça, por mais que roubem, por mais que estuprem a moralidade e a urbanidade.

O povo, Temer, contrariado, talvez lhe desse apoio na empreitada de salvar o Brasil, mas teria sido necessário entregar Renan e alguma parte significativa da horda de corruptos que transforma a governabilidade num jogo mafioso. E tão exclusivamente um jogo mafioso.

Agora acabou. Esqueça. Eu sei que o Brasil quebrou e precisa de nossa ajuda, mas não há um só poder em que se possa confiar. A constituição é rasgada, categorias e gradações de desacato são autorizadas, em conluio evidente para a retirada de pautas desconfortáveis para o judiciário. Não esperaram nem o defunto esfriar para retirar a urgência da pauta-chantagem do abuso de autoridade. Somos idiotas para não notar a coincidência?

Por quem os sinos dobram? Dobram em choro por todos nós.

Não acredite, Temer, que haverá conforto nos corredores palacianos. Não haverá. Não acredito em você, não tenho interesse em fazer qualquer sacrifício para manter essa ordem constitucional. Defendi a racionalidade contra os raivosos, me expus por 14 anos, me indispus em vários meios. Tudo pela racionalidade financeira. Agora deixarei você explicar aos raivosos que estes devem se sacrificar pelo status quo. Vai fundo. Tá contigo a bola.

Mais 2 anos de desordem e desconfiança e o país implode em uma nova constituição, que será extremamente desagradável para todos, mas eu poderia apostar que no interregno entre a desordem e a nova ordem, a coisa não vai funcionar bem para quem está, evidentemente, escandalosamente, desavergonhadamente e gritantemente do lado da imoralidade, da vergonha e da patifaria.

PEC 55, reforma da previdência, novos refis etc., de que adianta? Quem quer pagar para ver? Quem quer sustentar, pagar impostos, para deleite da imoralidade? Quem nos poderes da república tem moral para pedir sacrifício?

Qual o seu sacrifício Temer?

Jogaram pesado hoje.

É o fim da constituição cidadã. É, de certa forma, o fim das sequelas do regime militar.

Espero que, dessa vez, joguemos fora a água imunda de esgoto parlamentar e os bebês de Rosimery, Sarney, Calheiros, Barbalhos além de toda essa fantasmagórica esquerda lunática que ainda vive escondida atrás da perspectiva de um verde-oliva que já não existe há décadas.

A lata do lixo da história é um lugar que não merece receber tamanha toxicidade. Nós brasileiros precisamos inventar um novo inferno para desejar aos nossos representantes. O pior pesadelo de Dante não merece vocês.

Zerou a confiança. Tchau, querido.

Ps. aos inacreditáveis seres que acham que isso só está acontecendo porque Dilma saiu, só tenho a lamentar a incapacidade analítica. Não fazem a menor ideia do que está por vir. Uma nova constituição não promete ser “progressista”. Serão atropelados.

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A Lei do Abuso de Autoridade dá superpoderes a bandidos.

Posted on 05/12/2016. Filed under: Finanças, Política | Tags:, , |

Se a lei de abuso de autoridade passar como está, no Senado Federal, parece-me que só será preso no Brasil quem implorar pela prisão à autoridade policial ou judiciária.

Não sou jurista, mas parece-me que há artigos que praticamente inviabilizariam qualquer procedimento investigativo.

Deixa um espaço infinito para interpretações de advogados de suspeitos buscarem processar a autoridade judiciária ou policial.

Alguns pontos:

Art. 9º Decretar prisão preventiva, busca e apreensão de menor ou outra medida de privação da liberdade, em manifesta desconformidade com as hipóteses legais: Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.

Ora, todos os advogados da Odebrecht, de Lula e dos envolvidos no Petrolão tiveram entendimento de que o Juiz Sérgio Moro prendia em desconformidade com as hipóteses legais. Mesmo suas prisões não tendo sido revertidas em tribunais superiores. Após a lei, se um colegiado de segunda instância revir a posição do juiz que mandou prender, este será preso?

Na prática o que ocorrerá é que os juízes vão evitar a prisão, deixando o caminho livre e folgado para a bandidagem. E não só o colarinho branco. Ou, o que também é ruim, por corporativismo os juízes de segunda instância não reverterão as decisões de primeira.

Juízes deveriam poder ter sua decisão revista sem que configure crime. Estão, literalmente, criminalizando o judiciário.

Art. 10. Decretar a condução coercitiva de testemunha ou investigado desnecessariamente ou sem prévia intimação de comparecimento ao juízo: Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.

Ora, é realmente necessário convite formal? E no caso de ser necessário surpreender o suspeito? Fulano, você poderia vir aqui na PF tomar um café e trocar dois dedinhos de prosa?

Há gente inocente passando por constrangimento? Pode até ser, mas é meio óbvio que é uma minoria insignificante.

Vamos mesmo dar a meliantes o direito de um convite formal antes da condução coercitiva?

Parece uma lei feita sob medida para o “Caso Lula”. Quando a PF esteve na casa do ex-presidente tinha um mandado de condução coercitiva, mas só usaria se Lula se recusasse a ir. NÃO USOU!

Com esse artigo, parece-me que o procedimento seria criminalizado, pois indicaria premeditação e o mandado teria sido expedido ANTES do convite.

Devemos mesmo tratar patifes e pilantras com essa deferência, com esse carinho?

Art. 13. Constranger o preso ou o detento, mediante violência, grave ameaça ou redução de sua capacidade de resistência, a: I – exibir-se ou ter seu corpo ou parte dele exibido à curiosidade pública; II – submeter-se a situação vexatória ou a constrangimento não autorizado em lei; Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa, sem prejuízo da pena cominada à violência.

Redução de sua capacidade de resistência pode significar qualquer coisa, até forçá-lo a entrar na viatura segurando seus braços para trás. Toda e qualquer prisão, por si só, já é uma situação vexatória e um constrangimento. Como agirá um policial federal sabendo que seus procedimentos podem levá-lo à cadeia por 4 anos, de acordo com a interpretação dos rechonchudos e riquíssimos advogados de defesa e da relação dos senhores congressistas com ministros de tribunais superiores que, não raro, lhes devem favores?

Se eu fosse policial, não prenderia mais ninguém.

Art. 14. Fotografar ou filmar, permitir que fotografem ou filmem, divulgar ou publicar filme ou filmagem de preso, internado, investigado, indiciado ou vítima em processo penal, sem seu consentimento ou com autorização obtida mediante constrangimento ilegal: Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.

Você pode ir para a cadeia porque alguém filmou a prisão e você não viu e não evitou. Aqui até atitude de terceiros pode virar crime imputado à autoridade policial.

O que fazer agora para prender alguém? Evacuar o prédio, retirar todas as pessoas das ruas e entrar na garagem retirando ela com capuz até um carro de vidros espelhados?

Isso talvez garanta que ninguém verá o “corpo” do suspeito, nem filmará suas vergonhas, mas tem cabimento esse procedimento? Por que não há pudor algum ao roubar e sequestrar a legislação para interesse próprio, mas deverá haver na hora de prender Renan, Lula ou Collor?

Art. 15. Deixar de advertir o investigado ou indiciado do direito ao silêncio e do direito de ser assistido por advogado ou defensor público: Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. Parágrafo único. Incorre nas mesmas penas quem: I – prossegue com o interrogatório de quem decidiu exercer o direito ao silêncio ou o de quem optou por ser assistido por advogado ou defensor público, sem defensor;

Tem algum cabimento proibir a autoridade de prosseguir com o interrogatório quando alguém diz que quer ficar em silêncio? O que é isso? Não pode mais continuar perguntando, modificar a questão, tentar obter informação?

Bandido virou o que agora? É hipossuficiente para ser interrogado, mas não para cometer o crime? Entenda que o problema não é preservar garantias, pois estas já estão garantidas, é criminalizar, de forma severa, um procedimento fundamental para a instrução processual. Pelo teor da lei, se o bandido disser que quer ficar em silêncio, a autoridade que tentar continuar o interrogatório poderá ser presa.

Várias atitudes de autoridades policiais, do MP e do judiciário restariam criminalizadas com esse artigo. Faz sentido um juiz ser preso por continuar a perguntar a quem se recusa a responder? Que crime é esse?

Art. 18. Submeter o preso a interrogatório policial durante o período de repouso noturno, salvo se capturado em flagrante delito ou se ele, devidamente assistido, consentir em prestar declarações: Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.

O cara preferencialmente assalta, rouba bancos, estupra, mata etc., à noite e de madrugada, mas temos que respeitar seu horário de sono para interrogá-lo? Que isso seja uma prática desejável, ok, eu pessoalmente não acho, mas transformar em crime com pena de prisão um interrogatório às 22:00?

Art. 23. Invadir ou adentrar, clandestina, astuciosamente ou à revelia da vontade do ocupante, o imóvel alheio ou suas dependências, assim como nele permanecer nas mesmas condições, sem determinação judicial e fora das condições estabelecidas em lei: Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. 1º Incorre nas mesmas penas quem, na forma prevista no caput: II – executa mandado de busca e apreensão em imóvel alheio ou suas dependências, mobilizando veículos, pessoal ou armamento de forma ostensiva e desproporcional, ou de qualquer modo extrapolando os limites da autorização judicial, para expor o investigado a situação de vexame;

O que é desproporcional? Os carros da polícia devem ficar ocultos? Os policiais não devem usar uniforme? O que é ostensivo? Aparecer? Ser visto? Quanto ao armamento, não pode usar .45, tem que ser .38?

Que mundo é esse em que vamos deixar criminosos melindrados se sentirem “ofendidos” e pedirem prisão para os executores dos mandados de prisão? Que raio de superpoder é esse?

Art. 28. Induzir ou instigar pessoa a praticar infração penal com o fim de capturá-lo em flagrante delito, fora das hipóteses previstas em lei: Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (anos) anos, e multa.

Quer dizer então que se um cidadão recebe pedido de propina, avisa às autoridades, as autoridades não mais poderão sugerir que ele vá ao encontro do político ladrão para consumar o ato de corrupção?

Esse artigo ajuda a quem? À sociedade ou aos meliantes?

Art. 31. Prestar informação falsa sobre procedimento judicial, policial, fiscal ou administrativo com o fim de prejudicar interesse de investigado: Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. Parágrafo único. Incorre nas mesmas penas quem, com a igual finalidade, omite dado ou informação sobre fato juridicamente relevante e não sigiloso.

Essa é ótima, não só a autoridade não poderá criar situações hipotéticas para buscar informações do preso (como a possibilidade de um comparsa entregar ele, por exemplo), como terá obrigação de contar TUDO o que sabe ao suspeito, sob pena de ir para a cadeia.

Quer dizer, se 2 comparsas estão sendo interrogados em salas diferentes a polícia precisaria transmitir tudo o que eles falam e alegam um do outro, pois são fatos jurídicos relevantes?

Como será o interrogatório daqui por diante? Esperar que a providência divina ilumine o suspeito e este confesse?

Art. 38. Coibir, dificultar ou, por qualquer meio, impedir a reunião, a associação ou o agrupamento pacífico de pessoas para fim legítimo: Pena – detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa.

Ora, há políticos que entendem a ação dos Black blocs e dos arruaceiros com coquetel molotov como ordeiras e legais. Vamos prender o policial que coibir?

É inegável a aderência de muitos desses pontos ao interesse de políticos encrencados com o MP e o judiciário.

É inegável que muitos pontos aqui são de especial interesse para advogados de clientes riquíssimos e poderosos.

É inegável que Renan e seus asseclas querem mesmo criminalizar procedimentos que os incomodam ou podem incomodar. É tolice achar que serviria para proteger os pobres.

A impressão que dá é que querem transformar bandidos em mais uma minoria protegida, com superpoderes que jamais estarão ao alcance dos cidadãos que não cometem crimes.

Nós que sofremos com os efeitos do crime, seja com a falta de dinheiro para pagar serviços públicos básicos ou com atentados à nossa própria vida, não temos e não teremos poder algum.

O Brasil é realmente um paraíso para a bandidagem.

Ps. Não sou jurista, apenas falo o que seria o senso comum.

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A esquerda brasileira e a Revolução Francesa. Entenderam tudo errado.

Posted on 30/11/2016. Filed under: Filosofia, Finanças, Política | Tags:, , , , , , , , |

Há uma bizarrice nas redes sociais, sugerindo que os movimentos de esquerda que atacaram Brasília no dia 29.11.2016 seriam o povo que tomou a bastilha e derrubou a Monarquia.

Nada mais falso que isso.

Black blocs, MST, MTST, UNE etc., são franjas da mesma monarquia que está implorando por ser derrubada por OUTROS movimentos, estes liberais, pró-mercado e anticorrupção.

Isso mesmo, meu nobre gauchiste, você estaria do lado da Monarquia e do Clero em 1789 e jamais do lado dos que queriam reduzir privilégios, impostos e o poder do Estado.

Primeiro, Segundo e Terceiro Estado.

O Clero, o Primeiro Estado, seria os nossos políticos que recusam qualquer mudança que possa lhes tirar poder. E você apoia! Ontem, mesmo dia 29.11.2016, na câmara o PC do B e o PT foram os partidos que mais atacaram o poder judiciário e rejeitaram a criminalização de enriquecimento ilícito de servidor público e as mudanças nas regras na prescrição de crimes contra o patrimônio público.

Até o ressarcimento aos cofres públicos  de dinheiro roubado do Estado foi negado pela “frente esquerdista” em aliança com PMDB, PP etc. (exatamente como nos governos Lula e Dilma).

A nobreza, o Segundo Estado, era composto pela realeza e por milhares de cortesãos (puxa-sacos), que sobreviviam a base do Estado. Quer coisa mais “de esquerda” do que isso, viver às custas do Estado por subserviência a uma causa? Não é esse o ideal marxista-leninista, o Estado como único provedor inquestionável?

O Terceiro Estado era explorado pelos dois primeiros e incluía burgueses, sans-cullotes e camponeses. Todo o peso dos impostos recaia sobre este último Estado, dado que os dois primeiros tinham isenção tributária e usufruíam do Tesouro da Realeza com gordas pensões, empregos públicos e subvenções.

Luta contra a PEC não faz de você um Jacobino, nem um esquerdista clássico da revolução.

Nossos Girondinos são os membros da Alta Burguesia, que não querem mudanças radicais, mas já entenderam que seus negócios não vão prosperar na continuidade da corrupção estatal. É fácil ver, dado que todos os que se locupletaram de dinheiro público e promessas de políticos estão em recuperação judicial, enrolados com a polícia ou em situação econômica muito pior do que antes da cleptocracia PT-PMDB. Estão aí os gigantes da indústria e do setor financeiro. Até eles querem mudança.

Já nossos Jacobinos são os pequenos empresários, profissionais liberais e trabalhadores em geral que odeiam a pressão do Estado sobre seus bolsos e os péssimos serviços públicos que recebem em troca dessa opressiva carga tributária e regulatória.

Até a “esquerda” jacobina, mais agressiva, não representaria JAMAIS o interesse dos que incendiaram Brasília em 29.11.2016, pois eram, em essência, burgueses, profissionais liberais e artesãos com interesses AINDA mais radicais contra o Estado. Nada a ver com você amigo vermelho.

Coxinhas e vermelhinhos

Os “coxinhas”, em suas diversas matizes, representam os ideais da Revolução Francesa, sem o interesse no período de terror, pois não quer que a Monarquia volte.

São eles que saem às ruas pela prisão de TODOS os políticos envolvidos em falcatruas, pelo aumento das penas, pela redução da impunidade, pelo apoio às medidas anticorrupção, pela redução do poder do Estado, pelo fim do compadrio na indicação de membros do STJ, STF, Tribunais de contas, pela agilidade no STF, enfim, exclusivamente medidas que TIRAM poder do Estado, do “Clero” e da “Monarquia”.

Você, amigo de esquerda, quer, na verdade, a volta de Luís XVI e Maria Antonieta. Nem preciso dizer quem são, não é mesmo?

Quer apenas que as verbas públicas estejam ao seu serviço. Dizem que pensam nos pobres, desvalidos etc., mas se assim fosse, iriam querer a expansão do livre mercado, das empresas, da burguesia, da livre iniciativa, do investimento privado etc., que, por evidente, é o único caminho conhecido pelo homem, em todos os tempos, em todos os povos, para gerar riqueza e retirar as pessoas da miséria.

É claro que o amigo esquerdista não vê isso, pois associa a própria existência da pobreza ao capitalismo, quando, por óbvio, a pobreza é a condição natural do ser humano e jamais poderá ser suplantada SEM liberdade de associação, respeito à propriedade privada e aos contratos.

O fato de existirem pobres e “podres de ricos” numa mesma sociedade não a torna pior do que uma onde só há pobres e miseráveis. Nessa última além de não haver ricos, não há qualquer expectativa para um pobre sair de sua condição, pois não há para onde ir. Procure nascer na Selva (ou na Venezuela) para ver como a pobreza, em ambientes anticapitalistas, é uma condição intransponível. Exceto para o Clero e para a Monarquia, que vocês tanto defendem (Chávez, Fidel, Stálin eram mais absolutistas, para seus povos, que Luis XVI e todos os Papas pós inquisição.)

A constituinte

Vale lembrar aos vermelhinhos que se sentem “do lado certo” da Revolução Francesa Tupiniquim, que a Constituição Francesa pós-Revolução inspirou-se na Constituição dos Estados Unidos da América (de 1787) e foi a síntese do pensamento iluminista liberal e burguês.

Acho que não há nada MENOS esquerdista que isso, não é mesmo?

Vocês não vão mudar o Brasil, representam a falência, representam a continuidade de um Estado paquidérmico de direitos infinitos e deveres incompatíveis com o financiamento desses direitos. Representam o próprio desequilíbrio fiscal, hoje quase intransponível. Representam a crença de que calotes e descumprimentos de contratos, valentia anticapital, nos levariam ao paraíso de um mundo sem dívidas reconhecidas e juros escorchantes.

Estão errados. Há farto material de prova que esse modelo é fracassado, leva à miséria e ao desespero e distribui pobreza, cada vez maior, exceto para o Clero e a Monarquia.

Na verdade, no fundo, vocês querem mesmo é fazer parte desses dois últimos. Apesar de, erroneamente, acharem-se Jacobinos.

Não se iludam, à época vocês dariam suas vidas por Luís XVI e não por Danton.

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Michel Temer, o Golpe da Anistia ao Caixa 2 e os Escravos da Narrativa

Posted on 25/11/2016. Filed under: Filosofia, Finanças, Política | Tags:, , , , , , , , , , , , , , |

Diante de todo o descalabro na política nacional, com forte reação da opinião pública, pressão da mídia, do MP e do judiciário, das redes sociais e até de grupos de enfrentamento, como o que invadiu o congresso por acreditar que a Anistia havia sido votada, ouvimos uma voz irritante falando:

– Cadê as panelas?

Meu Deus, como é insuportável! Como é desagradável! Como é equivocado perguntar, diante de toda a gritaria ensurdecedora, onde estão as panelas!

Em busca da narrativa perdida.

A esquerda, o petismo e suas franjas e adjacências viajam, sem perceber, num mundo paralelo. São escravos cegos, remando ao ritmo ditado pelos almirantes intelectuais das Galés em busca de um porto seguro de ideias erradas e inverossímeis.

As pessoas que vivem a normalidade da razão, que buscam porto seguro em evidências empíricas ou corroboração factual de seus pressupostos, veem, e não acreditam no que veem, a vergonhosa impostura intelectual que assola os novos escravos da narrativa.

Perdem-se no mar dos fatos e, de vez em quando, aportam em uma ilha de conforto no erro e na confusão mental e moral.

Para quem vive de narrativa, é imperioso descobrir fragmentos de realidade e transformar em vergonhosa retórica moral e intelectual.

Após o mensalão, inventaram um mundo em que quem fura a fila não pode reclamar de desvios bilionários dos políticos de estimação do petismo e dos intelectuais da esquerda. Uma pessoa normal sabe que até o goleiro Bruno pode reclamar do roubo de dinheiro público, qualquer um pode, pois um erro moral ou crime não justificará o outro nunca. A hipocrisia de quem agride não conserta o erro do agredido.

Hoje nossos heróis, perdidos e sem rumo, aportam em qualquer ilha de bobagens para justificar suas narrativas de ideias erradas e distorcidas sobre o mundo.

É Moro à serviço da CIA, é o MP em conluio com a Chevron, é o Cunha que não iria ser preso após a queda da Dilma, é Sérgio Cabral que ficaria livre, é a PF que não prende ninguém de direita etc.

Foreign Corrupt Practices Act

A minha “ilha da fantasia moral esquerlouca” preferida, uma das coisas mais ridículas que já ouvi, é a história de que as leis anti corrupção nos EUA, que punem qualquer empresa que tenha negócios por lá e tenham cometido atos de corrupção em qualquer lugar do mundo, seriam um instrumento imperialista para permitir que empresas norte-americanas possam concorrer sem o peso da corrupção local nos países “periféricos”.

O mais divertido é que é isso mesmo. O objetivo do Foreign Corrupt Practices Act é justamente combater a concorrência desleal da corrupção, do conluio e da fraude.

Essa ilha de narrativa é tão inacreditável que o sujeito mira num fato virtuoso, conhecido e compartilhado por todas as empresas que fazem negócios com os EUA, para justificar a corrupção local como se fora uma vantagem competitiva das nossas empresas e do nosso jeitinho maravilhoso de roubar a nós mesmos.

E acham que é imperialismo, mesmo sabendo que há multas pesadíssimas inclusive contra bancos suíços e europeus.

É ou não é inacreditável?

A mais recente ilha da fantasia da narrativa.

Essa bizarrice de perguntar onde estão as panelas é inacreditável. Elas estão soando de forma ensurdecedora, mas não são de metal.

Por que insistem no inexplicável?

Porque vivem, como já dito, numa Galé de escravos, remando ao som de fragmentos de ideias propostas por construtores de narrativas, em busca de um porto seguro para “verdades” inverossímeis.

Perceba que, quando criticam, o fazem com “certeza absoluta” de que estão certos. A ponto de se indispor com gente realmente preocupada com a situação calamitosa do país e engajada em não permitir a continuidade do descalabro.

Os deputados e senadores estão tentando, diuturnamente, salvar suas próprias peles e as de seus corruptores. E voltam atrás regularmente, pois a pressão é gigante. Eles afirmaram em várias oportunidades que a pressão está insuportável. Abriram fogo contra o ministério público e contra o judiciário (estratégia usada para acabar com a operação Mãos Limpas na Itália) e até contra O Antagonista, o porta-voz do Impeachment, que hoje é o principal calo no sapato de Temer e de Renan.

Quem faz essa pressão em cima dos “nobres” congressistas? Você que critica as panelas? O PT? Lula e Dilma? Os ex-aliados de Dilma, como: Renan Calheiros, Jáder, Requião e até o Temer (esqueceram de quem ele era vice)?

Não, meu amigo. Quem está tentando salvar o Brasil dessa imoralidade são as pessoas a quem você quer atingir perguntando “onde estão as panelas”. São as pessoas que gritam contra a corrupção com todas as forças e ferramentas que têm, que estão ao seu lado, mas você prefere ignorar e ofender com sua retórica jocosa e pretensiosa. Não tem graça nenhuma. E não tem sofisticação alguma.

Quem encheu o telefone do Rodrigo Maia e de vários congressistas com cobranças contra a anistia foram os mesmos que bateram panelas para tirar Dilma. Assim como quem enche diariamente as caixas de mensagem, whatsapps, emails, perfis, twitters etc, de congressistas cobrando compostura e vergonha na cara também bateram panela contra Lula.

Você acha que as panelas não estão soando, mas diariamente mensagens contra a corrupção e a vergonhosa anistia atingem top trends mundiais no twitter. E concorrendo contra escândalos de celebridades mundiais como Justin Bieber e até contra a fúria atleticana e colorada contra seus técnicos e times.

Vocês perguntam onde estão as pessoas que foram às ruas, onde estão os movimentos “de direita” que levaram à queda de Dilma e do petismo necrosado, mesmo diante de uma enxurrada de eventos criados justamente para encher as ruas no combate à corrupção NO GOVERNO DO SEU VICE!

Abandonem a escravidão da narrativa a que servem, o Brasil precisa disso!

Nenhum fato real se encaixa na narrativa do “cadê as panelas”. É uma atitude que tenta atingir gente que está preocupadíssima com a situação do país, que está sofrendo e com medo de perder a guerra contra os barões do Brasil, contra Renan e sua camarilha. Essa situação é ruim para você também, e pode piorar bastante.

O que você ganha dividindo os esforços de quem quer combater a escumalha que governa o Brasil entre pressionar os congressistas e se defender do grotesco “cadê as panelas”?

O Brasil vive um frágil equilíbrio econômico, entre a esperança de retomar a normalidade e receber investimentos, ainda que pequenos, ou cair de vez no descrédito nacional e internacional e passar longos anos sem crescimento e, pior, sem orçamento público suficiente para pagar os serviços mínimos à população.

Michel Temer não entendeu que é IMPOSSÍVEL recuperar a credibilidade econômica mantendo o modelo de aceitação da corrupção como método de fazer política. O PT foi o partido que institucionalizou e justificou moralmente a corrupção NACIONAL como método de enfrentamento das “elites imperialistas brancas de olhos azuis”. Isso destruiu o Brasil, ou reconstruímos ou voltaremos à década de 1980, mas com um país infinitamente pior, mais violento e com menos espaço orçamentário.

A crise é moral, a crise é ética. E sem resolvermos isso, não há dinheiro, não há esperança e não há investimento externo.

A polarização não vai acabar se o antagonismo, mesmo diante de temas de interesse comum, continuar.

A retórica de esquerda reinou incólume no Brasil, desde o fim do governo JK até 2014. Falavam sozinhos com o campo de força invisível do politicamente correto mantendo as pessoas de fora do “grupo” bem distantes de importuná-los no campo de ideias tortas e erradas que cultivavam. Nunca houve contraditório para o ideário de esquerda, até 2 ou 3 anos atrás. Roberto Campos morreu falando sozinho. Hoje seria o líder liberal que não existe no Brasil.

A revolução da racionalidade trivial (do homem simples) contra a impostura arrogante da narrativa é coisa recente. Eu pessoalmente sofri o preconceito esquerdista contra a racionalidade instrumental básica por longos anos, mesmo estando certo em quase tudo o que apontei como destruidor, como está claro nos textos do meu blog.

Não fiquem melindrados por perder a guerra dos fatos e também das versões. Vocês reinaram 95% do tempo, agora o barco virou e não vão reinar mais. O escudo que permitia que bobagens soassem como sofisticação hegemônica (moral e intelectual) acabou.

O Rei está nu e não toma banho desde 1917.

Há uma oportunidade para a aliança neste momento em que, EVIDENTEMENTE, os inimigos são os mesmos e os métodos de luta contra eles também podem se somar.

Mas você prefere a etiqueta da grosseria.

Você prefere ofender quem grita contra a corrupção a se unir para cobrar os corruptos.

Sua única luta agora, parece, é por outra narrativa conveniente, como a que quer manter o sorvedouro de dinheiro público para projetos fracassados, refletida nos movimentos de ocupação das escolas, nos pleitos dos sindicatos, MSTs e outras franjas que sobrevivem apenas do orçamento público.

Gastamos todo o dinheiro que tínhamos e somos uma nação de analfabetos com diploma de pós-graduação. Somos uma nação de viciados em dinheiro públicos.

Em crise de abstinência.

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Putin e Trump, o que a imprensa não vê. Ou se recusa a ver.

Posted on 21/11/2016. Filed under: Filosofia, Finanças, Política | Tags:, , , , , |

No sábado, dia 19.11.2016, o programa do Willan Waack na Globo News se propôs a discutir a futura geopolítica de Trump.

3 especialistas, que realmente entendiam do assunto, nos brindaram com algumas boas ideias e com um monte de trivialidades.

Mas, a meu ver, todos erram por evitar pensar “fora da caixinha”. Há uma unanimidade ao assumir que a situação com Trump ficaria mais perigosa, que Trump aceitaria a política expansionista de Putin na Criméia, na Ucrânia e nos Balcãs.

Porém esquecem de um ponto, Putin disse que haveria a terceira guerra mundial se Hillary vencesse, e não Trump. Logo Hillary e Obama, que nunca confrontaram Putin em nada. A doutrina Obama é clara ao retirar dos EUA protagonismo na geopolítica mundial.

Mas a explicação é meio óbvia, apesar de nenhum dos especialistas ter levado para esse lado.

Putin é remanescente da Guerra Fria. Putin sabe que a Rússia Grande só existirá no campo bélico. Fora disso, a Rússia é apenas uma economia menor que a da Coréia do Sul e totalmente dependente de seus vizinhos europeus para consumir seu gás e óleo, cada vez mais baratos.

Obama não o enfrentou. Obama permitiu o protagonismo da Rússia, mesmo em situações vexatórias como na Ucrânia e na Síria. O mundo inteiro sabe que a Rússia afirma enfrentar o ISIS, mas é pretexto para destruir os rebeldes e garantir Bashar Al Assad no poder.

Putin continua abertamente sua corrida armamentista, lançando há pouco o Satã 2, arma nuclear que poderia atingir qualquer cidade do mundo. Putin fala abertamente em uso tático de armas nucleares (menores). Putin fala abertamente em retomar sua área de influência no leste europeu. Putin quer instalar mísseis na Venezuela.

Obama não se importa. Obama é Ghandi no lugar errado. A não violência e a não intervenção (objetivos declarados de Obama, porém não totalmente cumpridos) retirou o protagonismo dos EUA e é por isso que Putin atribui a terceira guerra mundial à gestão de Obama e à ex-possível gestão de Hillary, e não à Trump.

Ele não é Hitler. Ele sabe que a Rússia grande não é a da terceira guerra mundial, mas a da guerra fria.

Putin quer e precisa de um adversário também belicoso. Se ele quisesse um adversário frágil e calado, iria preferir a continuidade da Doutrina Obama.

Não é verdade, portanto, que o mundo ficará mais perigoso com Trump. Talvez regridamos para ter tensões geopolíticas que há muito não víamos, mas nós convivemos com isso por quase 50 anos.

O mundo que não conhecemos é o de Putin livre, sem oponente. Só sabemos que ele demonstra interesse em recuperar a influência da antiga URSS. Mas não conhecemos esse mundo sem os EUA de Reagan.

Na minha modesta opinião, que é contrária à da maioria dos analistas, Putin quer retomar o único quadro geopolítico em que ele é relevante, o da corrida armamentista e da guerra fria.

Mas precisa de um oponente.

Hitler queria dominar o mundo, portanto não precisava de nenhum adversário forte, Putin sabe que dominar um mundo com armas atômicas é impossível (ele acabaria e não haveria o que dominar), portanto PRECISA de um adversário. Obama nunca foi.

Obama está certo? Trump está errado?

Essas perguntas não fazem muito sentido, apenas apaziguam nossa necessidade de assumir lados, de procurar alguma moralidade que nos traga conforto.

O que importa é saber o interesse dos protagonistas. Se soubermos, podemos tomar decisões corretas, se nos recusarmos a saber, por motivos moralistas, vamos tomar decisões erradas.

Infelizmente o mundo inebriado pelo politicamente correto não consegue pensar fora dessa ética globalista.

Mas a realidade não se encaixa no pensamento confortável. É por isso que estamos em crise econômica, moral e, futuramente, poderemos estar de volta à guerra fria.

Nós continuamos sendo inteligentes, porém o politicamente correto “proíbe” que trabalhemos intelectualmente cenários incômodos, fora da moral geralmente aceita. A imprensa está tomada por essa vírus do caminho intelectual proibido.

E dessa forma continuaremos com opiniões bovinas, convenientes e erradas.

Por que será que todos dizem que Trump irá iniciar a terceira guerra mundial, enquanto Putin diz justamente o contrário, que Hillary o faria, mesmo com a doutrina Obama deixando o baixinho russo deitar e rolar na geopolítica mundial? Todos os cenários apresentados pelos “analistas” corretos, não explicam isso!

Porque Putin, provavelmente, quer a guerra fria e não a terceira guerra. E esta seria provável, sem adversários. Há 2 cenários para quem é forte militarmente. Conquista e equilíbrio. Putin clama, desesperadamente, pelo equilíbrio. Mas dentro da guerra fria, onde a mãe Rússia voltará a dar as cartas, mesmo sendo uma economia esquálida e frágil. Pior será se o futuro do petróleo for tenebroso. Não sobrará muito da economia russa.

Se estou errado nem é tão importante. Mas é bom deixar um pensamento fora da caixinha circulando, para as pessoas raciocinarem de maneira alternativa. Todo mundo pensando do mesmo jeito é um saco.

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Rio de Janeiro: O Caos financeiro, a Casta de Privilegiados e o Ocaso do Brasil

Posted on 17/11/2016. Filed under: Filosofia, Finanças, Política |

O governo do Rio de Janeiro quebrou e não deve se recuperar antes de 2022, se conseguir.

Em essência o problema foi utilizar todo o espaço fiscal gerado pelo boom do petróleo, da ilusão da copa e das olimpíadas para permitir o crescimento de despesas permanentes.

Há um grupo de “analistas” que dizem que o problema não é de crescimento de despesas, mas de redução de receitas. É uma análise conveniente, mas errada e ineficaz. Uma análise honesta deve encarar o problema de acordo com as armas que o estado tem para solucioná-lo. E certamente não está à disposição aumentar a receita em 30%. Nem com aumento de impostos, nem com a expectativa de crescimento econômico. Não há qualquer arsenal de aumento de receitas à disposição de QUALQUER governo na federação, nem no Governo Federal.

Ou se olha pelo lado dos cortes, ou deixamos a coisa explodir em uns 3 anos. Quando falo explodir, não é nada perto do que vivemos nos últimos 516 anos. É algo que ainda não ocorreu por aqui.

O Rio já dá uma ideia de como seria essa explosão. Falta dinheiro para coisas básicas como pagar salário e aposentadorias, mas há uma luta, principalmente por parte da ala mais privilegiada (judiciário e legislativo), para defender o recebimento prioritário de seus vencimentos. Clássico “farinha pouca, meu pirão primeiro”. O problema é que a farinha é, em última análise, fornecida por quem já recebe pouquíssimo pirão e não tem qualquer motivo para entender o faisão dos desembargadores do TJ-RJ.

O ocaso do Brasil

Busca-se o socorro do governo federal. Se vier essa ajuda, comprar dólar vai ser uma boa opção para o médio prazo. Vamos quebrar.

Seria o clássico abraço de afogado. Se o governo central oferecer ao RJ qualquer tábua de salvação, mais 10 estados destruídos virão abraçar a frágil boia, o que levará todos para um buraco que ainda não vimos.

O governo central tem déficits que beiram 10% do PIB ao ano. A dívida cresce sem limites. Os juros voltaram a subir forte em novembro. Com Dilma já teríamos quebrado, sem as iniciativas tímidas de redução de gasto promovidas por Temer, o mercado já teria se retirado do Brasil e de seu futuro. Mas Temer também corre esse risco, de quebrar o Brasil, pois as resistências ao controle de gastos, mesmo numa expectativa péssima para o futuro das receitas, são fortíssimas, principalmente por quem não quer perder privilégios sobre o orçamento público. Aqui inclui-se de tudo. Empreiteiros, empresários, funcionários públicos, bolsistas e outros grupos estado-dependentes.

Mas esse orçamento acabou.

A injustiça e a percepção da injustiça.

Do ponto de vista dos “direitos adquiridos”, todo corte parece injustiça. Mas não é isso que pode gerar convulsão social. Pagar o pato faz parte. Mas pagar sozinho, não.

Enquanto os governos pedem sacrifício aos servidores e à população, principalmente aos menos abastados e protegidos, a estrutura inadmissível de privilégios continua incólume, inabalável e crescente.

O servidor que ganha R$ 3.500,00 não entende porque seu salário precisa ser reduzido em 20% enquanto membros do legislativo e do judiciário ostentam remunerações, que são decididas por eles mesmos, que ultrapassam R$ 100.000 por mês.

O problema é que a redução ou congelamento de salários em poderes que usam seu orçamento como bem entendem, é ineficaz, pois sempre haverá retroativos convenientemente inventados, sempre haverá ressarcimento de despesas médicas infinitas, sempre haverá uma portaria ou norma à disposição para repor qualquer “necessidade” de quem não precisa de nada.

Na verdade, quem pagará o pato é aquele que vive no limite. Tirará o filho da escola, cortará no mercado, cancelará o plano de saúde, vai se mudar para longe do trabalho para poder pagar o aluguel. O Estado não estará lá para lhes prover reembolsos do Samaritano ou auxílio moradia no Leblon.

Não vai dar certo

O nível de desequilíbrio das contas é tão alto, e contínuo, que não adiantará empurrar com a barriga até uma eventual melhora da economia. Esta não virá antes de 2018, se é que virá.

O problema é que vivemos um momento em que as principais lideranças brasileiras estão envolvidas com problemas pessoais, principalmente com a polícia.

Os chefes do executivo, atuais e anteriores, estão enrolados na lava-jato, os chefes do legislativo também. Só conseguem pensar em legislar para se livrar da justiça. O país precisa desesperadamente de reformas, em todas as áreas, mas os esforços mais eloquentes estão em livrar Renan Calheiros da cadeia. Com o STF empenhadíssimo nessa e em outras operações-abafa.

A maioria dos privilégios nababescos pagos ao legislativo e ao judiciário, principalmente estaduais, já poderiam ter sido barrados no STF, há anos, mas convenientemente dormitam até hoje nas gavetas de quem pediu vista ou trancou a pauta. Corporativismo? Talvez seja pior que isso.

Pedir sacrifícios ao povo brasileiro e desfilar imoralidades com dinheiro público não vai dar certo. Os “senhores do orçamento” precisam, voluntariamente, extinguir obscenidades como usar de aviões da FAB indiscriminadamente, gastos milionários com cartões corporativos e penduricalhos imorais (ainda que pseudo-legais) nos vencimentos de quem abriga até colégio bilíngue de filho no orçamento público.

Análise puramente econômica

Na verdade, a análise não pretende ser um libelo puritano e moral, nada disso.

Os caminhos para a solução estão dados, todos conhecemos há décadas. É sacrifício mesmo. E barra pesada.

Quando o mercado aplaudiu a PEC 241 e a futura reforma da previdência não o fez por ser “mal”, por ser o “grande satã”, ou por que o “FMI mandou”. O fez porque é da sua natureza entender as contas de risco e retorno.

Se o ente tomador de empréstimo (Brasil) é solvente e tem uma evolução positiva nessa solvência, o mercado empresta barato. Caso contrário, empresta caro. Ou não empresta.

Isso não é matéria de caráter moral, é tão somente cálculo estatístico trivial de desvios padrões, médias e covariâncias. Ser estúpido com matemática custa caro, por isso o mercado costuma não falhar nessas modelagens simples.

Podemos mandar o mercado às favas?

Sim, e, se isso acontecer, há opções para quem quer se proteger como o dólar e os títulos pós-fixados, ou até os atrelados à inflação. Ou até sair do país, caso migremos ao modelo bolivariano (que já foi brasileiro) de controle cambial, inflação mascarada e controle de capitais. Aí é dólar a R$ 7,00 e inflação descontrolada.

 

Há boas perspectivas para a economia?

Não vejo nenhuma. Se os governantes brasileiros decidirem esperar por um milagre, é bom desistirem e se acostumarem com invasões de assembleias, de câmaras e de suas próprias privacidades.

Petróleo não subirá de forma significativa, aliás corre o risco de cair. Trump pode reduzir o poderio econômico chinês, consequentemente o preço de outras commodities que vendemos. Nossas receitas orçamentárias não vão subir. Há fila de empresas com risco de pedir recuperação judicial. Os juros voltaram a subir, pois o Brasil está menos confiável. O mercado imobiliário não passará nem perto da recuperação, sem crédito e sem emprego. A queda na renda dos funcionários públicos, forçada pelos desequilíbrios orçamentários, pelos aumentos de contribuições previdenciárias e pela incerteza quanto ao pagamento, vai reduzir significativamente o poder de consumo em várias cidades brasileiras, dificultando a recuperação econômica. A carência de recursos nos governos vai reduzir demais os projetos privados que, infelizmente, se acostumaram e ficaram viciados em dinheiro público, em correr risco com o dinheiro do contribuinte. Não há dinheiro privado para investimento nas empresas brasileiras, estão todas cortando.

A única boa expectativa que tínhamos era receber dinheiro do exterior, abundante e barato. O problema é que o Brasil enfeiou. O Brasil está fedorento. O Brasil está sanguinário. O Brasil não fez, e pelo jeito não fará, nenhum dos seus deveres de casa.

O Brasil não é mais destino para nada. Levaremos, nessa toada, outros 500 anos para voltar ao grau de investimento.

O que fazer?

Equilibrar o que está desequilibrado, moralizar o que está imoral, para então pedir apoio e sacrifício à população.

Temer não tem a legitimidade do voto e de um projeto de governo vitorioso nas urnas. Mas isso é o de menos, pois ele poderia “ganhar” essa legitimidade, honrando os motivos que levaram as pessoas às ruas pelo fim do governo inacreditável de Dilma Rousseff.

Para começar, poderia parar de jantar com Renan Calheiros. Aliás, se o STF julgar e condenar Renan, o que já poderia ter feito há 2 anos, será um bom início. Dará o sinal de que a monarquia está acabando.

O caminho, único e evidente, é entregar Luis XVI e Maria Antonieta ao povo, antes que o povo resolva toma-los à força. Força aqui não é “força de expressão”, a invasão da Assembleia do RJ, do Congresso Nacional e a hostilização de políticos e juízes do STF já são realidade.

Os caminhos constitucionais estão abertos. Fim de dinheiro subsidiado para empresas bilionárias (o maior de todos os pecados do PT). Teto constitucional está aí para ser cumprido. Demissão de servidores (o que Pezão quer evitar) também. Para a demissão chegar aos servidores estáveis, os governos têm que cortar todos os cargos em comissão, ou seja, retirar da máquina milhares de apadrinhados, por que não fazem? Reforma da previdência, reforma trabalhista etc., estão todas aí.

Pudemos empurrar com a barriga por 516 anos, mas acabou a barriga e o caminho. Não dá para esconder nada embaixo do tapete agora.

Não dá para pedir sacrifício ao povo sem mostrar severos cortes em benefícios injustificáveis e imorais.

É difícil demais ver um salário de R$ 5.000 cair para R$ 4.000, por um esforço de equilíbrio orçamentário, e saber que há salários imunes a esses cortes, pois sua composição é de penduricalhos bilionários.

Talvez seja a hora de um “populismo salarial”, ou seja, não cortar de quem ganha menos e buscar o ressarcimento em quem ganha mais. Prefiro ver meu PM ganhando os mesmos R$ 3.000 e meus desembargadores vendo seus vencimentos caírem de R$ 100.000 para R$ 30.000. É justo e moral. Não vou entrar no mérito da legalidade, pois quem faz as leis e quem as julga são exatamente os que mais benefícios auferem da legislação e de sua interpretação. É causa própria, só consigo avaliar a moralidade. É imoral e, ainda que fosse legal, é conflito de direito adquirido. Nosso pacto social promete o paraíso em troca de nossos impostos. Recebemos o inferno. Nós contribuintes temos nosso direito constitucional negado diariamente.

Nem Bolsonaro, nem Trump, em 2018.

A julgar pelo caminho que o Brasil está tomando, de total confusão orçamentária, o próximo presidente não precisará apenas ser boquirroto, falastrão e conservador. Não adianta querer perseguir os bandidos de rua e destroçar a esquerda e o insuportável “politicamente correto”, apenas. Vai ter que endereçar a questão de Luís XVI e Maria Antonieta.

Vai ser a principal guerra em 2018. Quem mostrar que consegue transformar a destinação dos recursos públicos em algo mais equilibrado, menos imoral e menos injusto, deve vencer a eleição.

O discurso está dado. Pezão não usou, mas se fosse eu, usaria.

Quando recebesse a ordem judicial para pagar primeiro o salário dos juízes e desembargadores, eu chamaria a TV, rasgaria a ordem ao vivo, e diria que o salário de quem ganha menos será pago primeiro, se sobrar pagaria o resto. Falaria o seguinte:

– Descumpro a ordem judicial sim, pode mandar me prender. Não vou pagar salário de R$ 170.000 a desembargador e deixar professor de R$ 1.600 sem dinheiro. Se quiser, liga para a PM e convença-os a me prender por pagar primeiro o salário do soldado que toma tiro pela população, em vez do auxílio moradia de quem tem apartamento próprio em Ipanema.

Está na hora de mudar o equilíbrio de forças no orçamento público. Ou é voluntário, ou será pela desobediência civil pura. Chegará um momento em que sonegar será questão de honra para a população.

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  • Disclaimer

    Este blog é um ambiente privado para expor opiniões, estudos, reflexões e comentários sobre assuntos ligados a finanças, bolsa de valores, economia, política, música, humor e outros temas.

    Seus objetivos são educacionais ou recreativos, não configurando sob nenhuma hipótese recomendação de investimento.

    O investidor consciente deve tomar decisões com base em suas próprias crenças e premissas. Tudo que lê ou ouve pode ser levado em consideração, mas a decisão de investimento é sempre pessoal. Tanto na escolha de ações para carteira própria, quanto na escolha de gestores profissionais para terceirização da gestão.

    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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