Bancos x Governos – Erros e Acertos

Posted on 19/10/2011. Filed under: Finanças |

Por conta do meu último post (Dívida Grega: Erros que parecem acertos…), recebi alguns comentários duros, porém honestos e corretos.

Acredito ter dado a impressão de que sou “contra governos” e “pró-bancos”. Não era essa a intenção e procuro corrigir com alguns outros dados e insights.

Agradeço aos leitores e comentaristas pelo estímulo à pesquisa e ao contraditório!

É só pragmatismo.

O que quis dizer é que a derrocada do sistema financeiro é um custo que ninguém quer pagar. Melhor, ninguém PODE pagar. Antes disso ocorrer, os países vão apertar severamente os cintos e “socializar” o prejuízo. Até o último vintém.

Colocado dessa forma pode parecer algo perverso, algo arquitetado pelo pior capitalismo, mas é, antes de tudo, o caminho menos doloroso, menos difícil.

O colapso do sistema bancário é a forma mais rápida e mais “descontrolada” de empobrecimento de que se tem notícia. É muito mais rápido do que decretar moratória de dívida soberana, cortar gastos do governo pela metade ou retornar ao Marxismo-Stalinista.

É isso mesmo. Nem um governo stalinista conseguiria destruir tão rapidamente a economia de um povo, de um país. Bom, mas é melhor não apostar nisso, pois os Stalinistas sempre surpreendem… rs

A pirâmide (esquema Ponzi)

Calma, pode deixar a carteira em paz… Maddoff está preso!

Se quiserem ter uma idéia do desastre que seria uma corrida aos bancos, pensem em um esquema de pirâmide GIGANTE, com, vamos dizer, 80% da população da Europa.

O que iria acontecer se TODOS pedissem para receber o dinheiro imediatamente?

Bom, seria a forma mais rápida de construir uma sociedade comunista. As poupanças e a expectativa de poupança seriam dizimadas, pois elas só existem pela confiança que temos no sistema bancário. Mesmo o pessoal que tem dinheiro guardado no colchão não ficaria bem, pois o dinheiro, rapidamente, passaria a não ter valor. Voltaríamos ao escambo, no caso da confiança sucumbir.

Nenhum governo sequer cogita essa hipótese.

O caso Islândia

O Islândia nos dá um belo exemplo do caso acima. Nunca em toda a história do capitalismo bancos foram tão irresponsáveis como os Islandeses. Conseguiram atingir uma dívida privada de 12 vezes o PIB do país. Captaram depósitos em Euro, alavancaram-se em euro, mesmo não sendo essa a moeda do país.

O governo Islandês nacionalizou todos os bancos envolvidos e entregou para a população TODA a dívida. Coisa de US$ 350 mil a US$ 400 mil por habitante! (Há muitos posts sobre o assunto no blog. Vale a leitura. É uma viagem no tempo.)

Por quê? Ora, porque a outra opção seria exterminar o sistema financeiro local, deixando os bancos quebrarem e destruírem toda a poupança dos islandeses, todos os meios de pagamento e outros desdobramentos. Seria como chutar o tabuleiro do jogo “Monopólio” e jogar todas as pecinhas e notinhas ao vento. Teria que começar tudo de novo.

Quando o governo nacionalizou os bancos, a confiança de que as poupanças e depósitos seriam protegidos voltou. A confiança é tudo.

Foi uma catástrofe. Foi uma vergonha. Mas foi inevitável.

É só pragmatismo.

As dívidas soberanas são um problema dos governos, pois só eles podem resolvê-lo

Os governos europeus estão agindo para forçar a desalavancagem dos bancos. Veja aqui. Por outro lado pediram aos bancos para comprar títulos de países quebrados. Agora querem que os bancos se recapitalizam. Mas também querem que assumam prejuízos com esses títulos.

São coisas contraditórias.

Não faz sentido querer que os bancos reduzam sua alavancagem e exigir, ao mesmo tempo, que participem dos programas de socorro a países endividados. Não faz sentido pedir aos bancos para assumir prejuízos e dizer que vão disponibilizar 2 trilhões de euros para proteger o sistema, além de oferecer outros 200 bilhões para recapitalização.

São coisas que rumam para lados opostos, sendo exigidas ao mesmo tempo.

Dívida soberana se resolve de forma bem simples. Rumar em direção ao superávit ou ao déficit controlável. Reduzir a dívida a níveis aceitáveis. Aliás, o FMI sabia bem esses números, deve ter jogado fora…

E isso só se resolve com elevado prejuízo político. Quanto mais tempo passar, mais elevado é.

O pragmatismo… de novo

Em resumo, quis ser prático e objetivo.

A corrida por bônus e por elevação dos lucros trimestrais deve ter levado os dirigentes a operarem fora, completamente fora, das regras de segurança e saúde do sistema financeiro. Ninguém viu, ou ninguém se importou com isso. Por “ninguém” entenda-se: TODOS. Nem governos, nem órgãos de fiscalização e nem indivíduos. Talvez Noriel Roubini tenha visto.

Buffett falou, durante a crise de 2008, que “só quando a maré baixa é que sabemos quem estava nadando pelado”. E o sistema financeiro parecia a terra da Macunaíma. Todo mundo nu!

O sistema financeiro tem regras bem feitas e responsáveis. Se os bancos não as seguem, há que regular, há que criar instrumentos de controle externo. Os governos são eleitos para criar essa proteção às economias populares.

Os governos tem um papel importante a desempenhar. Mas é preciso pragmatismo. É preciso fazer o que tem que ser feito. É preciso seguir a máxima dos operadores de bolsa: “O primeiro prejuízo é o menor”.

Assumam os prejuízos políticos o quanto antes. Caso contrário, a Grécia não será o único país a ter greves infindáveis e confrontos violentos nas ruas.

Não há muita opção. Os bancos não vão resolver e já farão um enorme favor se não quebrarem.

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11 Respostas to “Bancos x Governos – Erros e Acertos”

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Olá, Portinho
Sua visão pragmatista é a de um cientista, ok. É uma filosofia que funciona muito bem no mundo da ciência. Da hard science, pelo menos. Física, química, matemática. Conhecimento puro, vamos dizer, e mesmo aqui cabem ressalvas. Afinal a física não existe sem físicos, os físicos pertencem a instituições e as instituições custam dinheiro, o que vai dar na economia e, em última instância, na política. Ligar esses pontinhos geralmente incomoda.
O problema é que economia não é ciência (até os velhinhos do Nobel concordam). Economia é só o braço técnico da política (o braço armado é a polícia). Ela usa ferramentas estatísticas para informar os governos sobre as consequencias dos seus atos (lembrando que, na raiz da palavra, estatística significa “a ciência do estado” cujo 1º objeto foi o controle das riquezas e, posteriormente, das populações: Malthus e cia).
O comentário do leitor Roger vai nessa direção, a meu ver. Ele aponta para um problema moral, ou seja, jurídico e político:
“De quem é a culpa? A quem cabe o prejuízo?”
Se um banco empresta sem lastro na certeza de que o governo virá em seu socorro, socializando o prejuízo, então, bem, a boa lógica manda que o mesmo banco seja obrigado a socializar tb os seus lucros, já que estes, em última análise, não lhe pertencem pois dependem do governo que, por sua vez, se apóia na confiança das pessoas que pagam os impostos que servem para socorrer os bancos. Nada de Marx. Apenas um critério básico da justiça chamado equidade. Lembrando que a função 1ª da justiça é coibir a “iniquidade”, ou seja, o tratamento desigual daqueles que se submetem à mesma lei. Os banqueiros claramente se valem desta iniquidade em benefício próprio, no que se mostram excelentes pragmáticos. Os políticos têm medo dos banqueiros e se valem da apatia das pessoas para empurrar com a barriga: pragmatismo puro. Só falta pragmatismo do lado das pessoas comuns. Elas é que precisam, no seu próprio interesse, de pragmatismo suficiente para colocar em risco os governos que, por sua vez, em nome da sobrevivência, passariam a regular melhor os bancos. Uma meia dúzia em N.Y. parece ter compreendido esse raciocínio. E como todo bom argumento, ele se espalha…
Agora, fazendo o caminho inverso. Se as pessoas confiam no governo que sustenta as instituições, inclusive bancárias, e se estas, assim como os institutos de física, são comandadas por indivíduos que estão submetidos às mesmas leis do restante da população, a qual está acostumada a sofrer as consequencias de seus atos, nada mais justo que os banqueiros amarguem seus prejuízos sozinhos. E se o sistema financeiro, que é feito de poucos homens, não pode falir, para o bem de muita gente, muito bem, cabe ao governo, que é eleito por estes últimos, punir exemplarmente alguns para que os seus colegas sejam estimulados a tomar decisões mais sensatas no futuro, no que demonstrariam outra boa dose de saudável pragmatismo. E isso em nada prejudicaria o sistema, pelo contrário: veríamos uma porção de gente sensata cercada de pragmatismo por todos os lados!
A falha no seu argumento, a meu ver, está em confundir a parte com o todo: banqueiros e bancos. Não vejo nada que impeça os governos de, ao mesmo tempo, punir banqueiros e salvar bancos. Ninguém é insubstituível. As instituições saudáveis costumam expulsar naturalmente seus elementos disfuncionais. Questão de higiene. (Parece que a polícia do Rio chegou a conclusões semelhantes)
Espero não ter sido muito radical.

Abraços

Oi Franco,
Agradeço a visita.
Sua posição e a posição do Roger estão corretas, nunca disse o contrário. Não há dúvida de que alguns dirigentes de bancos deveriam enfrentar punições mais severas, mas no âmbito penal e das finanças pessoais (cadeia e sequestro de bens). Jamais contra o Banco. O prejuízo máximo que eles podem enfrentar diz respeito às suas posses e à sua liberdade.
Porém tanto o texto do Roger quanto o seu perceberam conceitos que nunca estiveram no meu texto.
Não há um só parágrafo, ou frase em que justifico ou tento justificar a barbeiragem dos banqueiros. Não há parte em que os trato como vítimas ou executivos que “mereçam” ser salvos da crise.
Meu texto não trata de problemas políticos, morais e éticos. Evito ao máximo entrar nesses campos. Não é o objetivo desse blog.
As colocações de vocês são muito pertinentes, mas tratam de justiça, de culpabilidade, de igualdade e outros temas não financeiros.
Meu texto não defende a injustiça ou a inequidade. Peço a gentileza que releia os dois e procure qualquer parte que justifique o que os banqueiros fizeram.
No final do seu texto você aponta para a “falha” no meu argumento. Você diz que não vê nada que impeça os governos de punir banqueiros e salvar os bancos. Eu também não. E meu texto não diz o contrário. Meu texto também não diz que as pessoas são insubstituíveis. Como vê, não podem ser imputados como “falhas” do meu argumento, pois nunca estiveram lá.
Meu ponto central é bem simples: o primeiro prejuízo é o menor.
O futuro já está definido: os bancos serão salvos. E se não forem, será por imperícia política e significará o colapso do sistema.
Se os dirigentes entenderem isso logo, pararão de tergiversar e de obrigar os bancos a tomar decisões contraditórias.
Abraço e obrigado pela visita!

Olá, Portinho

Bom, qdo o assunto tem consequencias políticas, lógico que entramos num vespeiro.

Em 1º lugar, o contexto. Vc começa o 2º artigo assim:
“Acredito ter dado a impressão de que sou “contra governos” e “pró-bancos”. Não era essa a intenção.”
A verdade é que a gente pode controlar o que fala, mas não o que os outros entendem, né mesmo? Intenções não são comunicadas somente pela sucessão lógica dos argumentos. Há tb a oportunidade e o “tom”, todo o subtexto que envolve a palavra. Eu e o Roger, por algum motivo, detectamos mais do que o seu texto dizia explicitamente.
Ao dizer, p. ex., que certa exigência dos governos “é uma resposta típica de uma criança de 8 anos”, vc detecta uma verdade, faz uma crítica e defende uma posição, tudo ao mesmo tempo, destilando ironia com endereço certo. A verdade é que a política é sim um campo minado onde as discussões parecem ser travadas entre crianças de 8 anos (idade em que as pessoas costumam confrontar-se com questões morais básicas às quais retornarão ao longo da vida). A crítica, que era o cerne do seu argumento, está na constatação de que esse tipo de discussão se desvia do problema econômico em pauta (mas quem disse que a política está preocupada com a realidade objetiva dos problemas?). A posição, que vc nega, fica evidente na direção tomada pela ironia: dirigida aos governos, não aos bancos. Claro que não precisa dizer com todas as letras, o movimento inteiro do texto implica esse posicionamento, não? Não vale a desculpa de ter contornado cuidadosamente as armadilhas políticas e morais envolvidas. Certos problemas são ambíguos por natureza e não se prestam a análises sob condições controladas, como os experimentos em física. É nesta parte que eu apontei o vínculo umbilical que amarra num mesmo balaio economia, política, governo e polícia. São faces diferentes do poder de estado. Exatamente o poder que mantém as condições institucionais para o funcionamento do sistema financeiro. Condições essas que têm sido “pragmaticamente” aproveitadas pelos banqueiros em benefício PESSOAL próprio.

Dito isto, reconheço que vc não apresenta exatamente um “argumento” onde se possa encontrar falha. Fui demasiado severo onde vc foi espertamente cauteloso. Ponto pra vc (e não é o programa do BB!) rsrsrsrs
Mas o meu ponto era outro. Trata-se apenas da ingenuidade que é acreditar que as intervenções políticas sobre assuntos econômicos devam ser inteiramente racionais. Política e economia lidam com paixões humanas básicas: ganância e poder. Há algo mais irracional? (Talvez o amor, diriam os poetas…) A política está sempre e unicamente preocupada com a manutenção do poder, o que, em sociedades “livres” significa tentar contentar a gregos e baianos desagradando a todos! “Jogar para a torcida” faz parte do repertório básico do pragmatismo político, assim como esconder-se nas brechas da lei é prática consagrada do pragmatismo econômico. Cabe apenas considerar que, de um ponto de vista estritamento conceitual, ambas as atitudes são perfeitamente legítimas em seus respectivos campos. Assim como acampar, reivindicar, protestar e incomodar (ou mesmo confundir deliberadamente as questões) é perfeitamente legítimo do ponto de vista de que está do lado “ruim” da “inEquidade”. Cada um usa o pragmatismo que lhe convém.

Como vc aponta, tudo é uma questão de confiança. Quando a confiança nos governos é abalada, as consequencias políticas são tão naturais qto as leis da economia…

Vale lembrar que tratar problemas econômicos como assunto meramente “técnico”, desvinculado de suas consequencias para a sociedade em geral tem até um nome em teoria política: chama-se “tecnocracia”. Discussão pra mais de metro, concorda?

Tenho certeza que vc receberá estas observações com verdadeiro espírito científico
O legal do seu blog é que a gente pode entrar em discussões pesadas mantendo o nível elevado

Um abraço

Oi Franco,
Desculpe a demora em responder. Você tem razão quanto ao tom irônico, já me desculpei com o Roger.
Quanto ao comportamente dos líderes, entendo que só adiam o desfecho, pois atuam apenas em sintomas, nunca em causas.
E isso faz sentido, pois a união é monetária e não política. Se fosse política os ajustes na Grécia e nos outros países seria mandatória.
É bem complicada a situação do Euro. Depois escrevo sobre isso.
Quanto ao bom ambiente do blog, é fruto da elevada qualidade dos visitantes e dos comentaristas.
Abraço,
Portinho

Parabéns Paulo, extramamente adequada sua tréplica…

Oi, Portinho

Grato pela réplica já que certamente vc tem outras atividades além de responder posts! rsrsrsrs

Apenas para esclarecer o ponto onde a discussão levantada pelo seu post se torna necessariamente ambígua, sendo, a meu ver, impossível desvincular os aspectos econômicos e políticos, cito a sua frase:

“O futuro já está definido: os bancos serão salvos. E se não forem, será por imperícia política e significará o colapso do sistema.”

Vamos fazer como o Jack:
1º- os bancos, na pessoa de seus dirigentes, que (supõe-se) são cidadãos como outros quaisquer, tomaram DELIBERADAMENTE e com perfeito CONHECIMENTO dos riscos, decisões altamente perigosas que se revelaram equivocadas e que estavam ALÉM do poder de intervenção direta dos governos E da sociedade
2º- eles só o fizeram porque contavam DESDE O PRINCÍPIO com o fato de que as possíveis consequencias seriam tão graves que os os governos, na pessoa dos representantes eleitos, teria NECESSARIAMENTE que vir em seu socorro para evitar o colapso
3º- os governos hesitam em CONFIRMAR a expectativa inicial dos banqueiros, socorrendo-os, devido às pressões POLÍTICAS exercidas legitimamente por OUTROS setores da sociedade, que, p.ex., pagam impostos, e NÃO CONTAM com qualquer benevolência por parte do governo
4º- esta hesitação é sim, “jogar para a torcida” como vc bem apontou, mas não deixa de ser perfeitamente legítima dado que (supõe-se) os governos devam atender a TODOS os setores, sob pena de terem a sua LEGITIMIDADE contestada, o que é tão ou mais grave que o colapso do sistema econômico, já que este último DEPENDE inteiramente daquele

A sua posição parece ser a seguinte, corrija-me se estiver errado: “Chega de discussão! O que passou, passou, não adianta chorar o leite derramado, vamos limpar a cozinha e seguir em frente” como se nada de grave tivesse acontecido, quando a discussão toda gira precisamente em torno do fato de que, sim, alguém falhou, devemos consertar, porém precisamos IMPEDIR que isso ocorra novamente! É neste ponto muito específico que está o nó: confundir o fato de que não se pode permitir o colapso do sistema com o outro fato, absolutamente distinto, de que a falha não foi um “desastre natural”, uma enchente ou um terremoto, onde inexistem culpados, mas um ATO DELIBERADO pelo qual UM setor da sociedade colocou em risco todo o RESTANTE.

A situação é análoga ao debate atual sobre o trânsito: não se trata de saber se o motorista é ou não culpado, ele É culpado obviamente por ter deliberadamente ASSUMIDO O RISCO de dirigir embriagado. O que precisa ser decidido é o GRAU da sua culpa: homicídio culposo ou DOLOSO?

Sob a sua perspectiva, é como se os bancos (e os banqueiros, por extensão) fossem os filhinhos mimados do estado que PODEM perfeitamente pegar emprestado o Porsche do papai, sair pra balada, beber todas e depois causar qualquer tipo de acidente, pois SABEM-SE protegidos pela condição de prediletos. Voltando à teoria política, o nome técnico disto é “privilégio”, ou seja, lei de cunho particular, algo que vai contra todos os (supostos) princípios da democracia que é a base política que GARANTE a existência do sistema financeiro.

Não lhe parece natural que NENHUM OUTRO setor da sociedade se sinta satisfeito com isto?

Forte abraço!

Ops!
Só pra completar o raciocício desenvolvendo a metáfora:

Não se trata de decidir se a vítima será ou não socorrida, pois o resgate já foi chamado. A questão é se devemos, com a desculpa da emergência, permitir que o motorista fuja a pé, ou pior, pegue outro carro! rsrsrsrs

Abraço!

Caro Franco,
Publico seus comentários e respeito sua interpretação do meu texto, porém não concordo com a mesma. Não tive qualquer intenção de passar a mão na cabeça de banqueiros e em nenhum ponto disse que mereçam apoio ou resgate. Em nenhum ponto tratei de eventuais punições a culpados. Só disse, e repito, que os bancos e os banqueiros são personalidades jurídicas e políticas (se assim prefere) totalmente diferentes. Destruir Dick Fuld tem um impacto, destruir o Lehman, tem outro. Tanto econômico, como político e como social.
Em suas colocações, volta e meia, surge a questão da “culpabilidade” dos banqueiros. Não tratei disso, não era o foco do texto.
Quanto à salvação dos bancos, tratei como fato consumado ou como jogo jogado. E o é, se não for, azar o nosso.
Quanto à salvação dos banqueiros, creio que não haja qualquer alusão a isso, nem em tese, nem em valor, no meu texto.
A interpretação é livre, e quem escreve, pinta, canta ou se expõe de qualquer outra forma está sujeito a ser interpretado de uma forma que não tinha previsto.
Pensei ter sido claro ao afirmar que banqueiros não são bancos, que as organizações precisam ser salvas, pois são elas que mantêm a roda da economia girando. Quanto aos culpados, não os procurei no texto.
O final do seu texto imputa a mim a “perspectiva” de que os banqueiros estão autorizados a bater, bêbados, com seus porsches, pois terão que ser salvos de qualquer maneira. Não consigo entender como isso está no meu texto.
Os bancos não são motoristas bêbados. Os bancos são os carros, a bebida, a estrada etc. Farão mal se forem utilizados de forma irresponsável.
Se puder, peço que releia meu texto e procure onde fui condescendente com banqueiros irresponsáveis.
Agradeceria se pudesse fazê-lo.

Olá, Portinho

Bom, bancos são diferentes de estradas, avenidas, viadutos e carros: são feitos de pessoas e confiança. A não ser quando alguém diz “Vou ao banco!”, que se trata de um imóvel. São usos diferentes da palavra. Se excluirmos as pessoas, ficamos apenas com suas sedes, agências, móveis e equipamentos. Nenhum deles vai me emprestar dinheiro, com ou sem garantias.
Textos de opinião são diferentes de artigos científicos, quero crer. Não se submetem às mesmas regras. Ainda mais quando tratam de política. E política é um vespeiro, como tinha dito.
Sua argumentação começou pelo pragmatismo, que é uma concepção científica bem estabelecida. Mas se a economia não é ciência, política muito menos. Na ciência, não há culpados, mas na política, sim, daí as inúteis discussões entre os garotos de 8 anos.
Mas é claro que isso é tb questão de interpretação.

Espero não tê-lo irritado.

Forte abraço!

Caro Franco,
Não irritou não. Minha posição sobre o texto que escrevi já foi exposta de forma clara nos outros comentários. Nada a acrescentar.
Abraço,
Portinho


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  • Disclaimer

    Este blog é um ambiente privado para expor opiniões, estudos, reflexões e comentários sobre assuntos ligados a finanças, bolsa de valores, economia, política, música, humor e outros temas.

    Seus objetivos são educacionais ou recreativos, não configurando sob nenhuma hipótese recomendação de investimento.

    O investidor consciente deve tomar decisões com base em suas próprias crenças e premissas. Tudo que lê ou ouve pode ser levado em consideração, mas a decisão de investimento é sempre pessoal. Tanto na escolha de ações para carteira própria, quanto na escolha de gestores profissionais para terceirização da gestão.

    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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