Archive for fevereiro \27\UTC 2008

A parábola do taxista pródigo

Posted on 27/02/2008. Filed under: Finanças, Humor |

Não está mole não…
 
Imagine um taxista de PARIS, em março de 2008. O sindicato consegue aumentar a bandeirada de 4,30 euros para 7,00 euros, e o quilômetro rodado de 1,50 euro para 3,00 euros. Mesmo assim a demanda não cai e o carro fica ocupado 110% do dia.
 
Lindo não é?
 
Bom, mas acontece que o carro parou por que a bateria não funciona mais e as pastilhas de freio acabaram.
 
Ao chegar à loja de auto-peças, o sujeito fala que há uma fila de espera de 2 meses para a bateria e de 6 a 8 meses para a pastilha de freio. O que nosso taxista faz?
 
a) paga ágio de 150% pelas peças?
b) manda vir um genérico do exterior pagando uma fortuna de frete?
c) Fica meses parado?
 
A parábola acima ilustra bem o que está acontecendo no mundo, principalmente por conta da China. Alguns exemplos:
 
1) A VALE está importando pneus para caminhões gigantes e trazendo-os de avião. Detalhe, cada pneu pesa 4 toneladas e tem 5 metros de altura.
2) As obras do PAC estão emPACadas, pois não há máquinas para alugar. Há espera de 3 meses para alugar um trator, uma escavadeira.
3) O frete do minério de ferro está mais caro do que o próprio produto.
4) Os mercados de minério de ferro e de petróleo chegaram a um ponto inédito: a demanda é maior do que a oferta.
5) Em 2007 a Marcopolo não conseguia vender carroceria, pois as montadoras não tinham chassis para entregar.
6) Agora em 2008, a espera por caminhões grandes é de até 8 meses, impactando as vendas da Randon.
 
É senhores…
 
Não sei por quanto tempo vai durar, mas a situação é incrível. Normalmente filas de espera e desabastecimento estão relacionados a trapalhadas de governantes, vide o plano cruzado de Funaro e a cruzada bolivariana de Chávez. Dessa vez é fruto de uma demanda sem precedentes, mesmo com o mundo produzindo como nunca.
 
Onde e quando isso vai parar?
 
Divino sabe, Divino diz…
 
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Lucro da PDVSA. A realidade cobra seu preço.

Posted on 22/02/2008. Filed under: Finanças, Humor, Política |

É amigos,
 
O que acontece se você é incompetente durante muito tempo? Bom, a realidade acaba por cobrar seu preço.
 
O Coronel Hugo Chávez trata a Petroleos de Venezuela SA (PDVSA) como fonte de recursos para financiar sua revolução bolivariana. Isso é notório e afirmado pelo próprio Hugo Chávez. Não é invenção de quem não gosta dele, é algo do qual ele, até, se orgulha.
 
Pois bem, nossas irmãos sul-americanos vêm passando por severos transtornos de desabastecimento, falta de perspectivas econômicas, fuga de capitais, fuga (expulsão) de investimentos estrangeiros e liberdade de expressão duvidosa.
 
Infelizmente a situação tende a ficar pior.
 
Como sabem, a Venezuela produz muito pouco do que consome e necessita de reservas em dólar para garantir o trade com outros países, para abastecê-la de bens primários. Quem garante esses dólares é a PDVSA, com suas substanciais exportações de petróleo.
 
Acaba de sair na Bloomberg:
O lucro da PDVSA do primeiro semestre de 2007 (acreditem, eles ainda estão divulgando o primeiro semestre de 2007) caiu 69% e as receitas quase 20%. Mesmo com o petróleo batendo todos os recordes de preço desde 2007.
Leiam vocês mesmos:
 
Há algumas lições a tirar dessa história. A mais importante é que as práticas administrativas consagradas em livros e pela história, têm uma razão de ser. Têm motivos para serem consideradas de excelência e serem recomendadas aos alunos de faculdades, gestores de empresas e de governos.
 
Ninguém consegue renegar técnicas de gestão consagradas e, ainda, obter bons resultados administrativos por muito tempo. Senhores, lutar contra a realidade não é a melhor maneira de mudá-la, acreditem. Prefiram compreendê-la, entender seus métodos e estruturas para então, com mais propriedade, promover as mudanças.
 
A outra lição é que precisamos de medidas precisas de nossas atividades, para podermos melhorar. Os casos de Venezuela e Argentina são emblemáticos. Ambas estão crescendo a mais de 8% ao ano, durante 4 ou mais anos.
 
Pois bem, organismos independentes afirmam que os dados inflacionários daqueles países são “ajustados” de acordo com a conveniência política. Como o crescimento é real (acima da inflação), como saberemos que esses países REALMENTE estão crescendo, dado que a inflação divulgada chega a ser a metade do que a percebida pela população?
 
Se estamos errados e a Venezuela realmente veio crescendo 10% ao ano nos últimos 4 anos, por que a situação de desabastecimento e a queda nos lucros da maior empresas do país?
 
É isso aí pessoal. Não dá para ser exótico por muito tempo sem pagar o preço do exotismo.
Dúvidas?, perguntem à Baby Consuelo…
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Cartas de Estocolmo

Posted on 14/02/2008. Filed under: Finanças |

Li um artigo interessante no site do Noblat e quero enviar para vocês. É de uma estudante de doutorada brasileira que mora na Suécia, terminando um doutorado.

Ela trata dos preços e dos salários na Suécia. Vocês vão ver que, mesmo com salários altos e excelente distribuição de renda, o pacote de consumo do sueco é bem restrito, em termos de qualidade e sofisticação. É bem verdade que na Suécia não há necessidade de pagar por saúde, educação e segurança, ou seja, plano de saúde, escola dos filhos e seguros em geral…

Certa vez o Tomzinho de Ipanema e da Plataforma (aquele que dá nome ao aeroporto), disse, ao comparar o Brasil com os Estados Unidos:

“A diferença entre o Brasil e os Estados Unidos é que lá é bom, mas é uma merda. Já o Brasil é uma merda, mas é bom…”

Got it?

Leiam:

Preços relativos, poder de compra e outros babados

Trouxe do Brasil dois vestidos que “herdei” da minha mãe. Semi-novos, pediam uma boa lavagem a seco para ficarem no ponto.

Hoje levei-os à tinturaria. Quase caí sentada! A lavagem dos dois vestidos custava exatamente 720 coroas suecas, ou seja, 200 reais! Não sei quanto os vestidos custaram, mas, certamente, se eu sujá-los um par de vezes mais, fica mais em conta comprar novos aí…

Depois de deixar as roupas na lavanderia, fomos ao supermercado. Encontramos deliciosas melancias brasileiras. Compramos uma, pequenininha (3,5 quilos, talvez), para matar a minha vontade. Pela bagatela de 21 reais!

Sobre o preço da carne, nem sei se é bom falar. O quilo de carne moída sai pelo equivalente a 25 reais, mas por qualquer carne melhorzinha paga-se no mínimo 50 reais. Filet mignon, nem pensar! Principalmente agora com o bloqueio da EU à carne brasileira. O negócio é se preparar para uma dieta de frango…

Os preços aqui são altos, talvez porque os salários, e conseqüentemente os custos, também são elevados em comparação com o Brasil. E a melancia, a manga, o mamão têm que ser transportados daí, não é mesmo? Não vou nem falar dos custos ambientais de cada fatia…

Já o mercado de trabalho sueco é famoso por achatar a distribuição dos rendimentos. No final das contas, a escolha da profissão se faz muito mais pela vocação ou ambição pessoal, do que pelas diferentes possibilidades em termos de remuneração futura. O que, aliás, pode ser muito positivo…

Salvo quando diretores de empresas privadas ou bancos, executivos da indústria ou do sistema financeiro, ou grandes estrelas do show business, as pessoas normalmente ganham salários brutos que variam entre 20 e 45 mil coroas, ou seja, algo entre 5,5 e 12 mil reais.

Não há salário mínimo fixado, mas, pensando bem, o sujeito, mesmo desempregado, ganha pelo menos uns dois a três mil reais por mês do seguro desemprego. Um trabalhador sueco que trabalha a jornada completa, na média, deve ganhar por volta de cinco ou seis mil reais.

Não raro um pedreiro, ou outro tipo de trabalhador da construção civil, ganha mais do que um professor, um funcionário público graduado ou um enfermeiro ou funcionário de banco. E isso não tem nada que ver com o prestígio das diferentes profissões…

A diferença entre o salário bruto e o líquido é de cerca de um terço. O imposto de renda leva mais de 30% do rendimento mensal do trabalhador. Mas, com o sistema de taxas progressivas, o imposto chega a levar até metade dos rendimentos acima de uma certa faixa.

Mas se os salários, em média, são mais altos do que no Brasil, os preços, como já disse, são também mais amargos. Um último exemplo: quer morar perto do centro de Estocolmo? Prepare-se, então, para desembolsar quatro mil reais pelo aluguel de 100 metros quadrados!

É claro que tudo isso é relativo e que a taxa de câmbio é quem manda no jogo. Mas achei que, juntando esses dados, eu poderia ver as coisas de uma melhor perspectiva, principalmente ao voltar para cá depois de umas semanas “em casa”…

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Hugo Chávez, mais uma vez…

Posted on 11/02/2008. Filed under: Finanças, Política |

Como havia dito na semana passada, a Exxon conseguiu bloquear ativos da PDVSA na justiça, acho que em quatro países.
 
É evidente que a reação do coronel Hugo Chávez não poderia ser, por hipótese, recorrer ao mesmo tribunal.
 
Fez das suas.
 
Acabou de dizer que cortará o envio de petróleo aos EUA e vai forçar o petróleo até 200 dólares.
 
Hoje também prometeu estatizar ativos da Nestlé por causa do desabastecimento crônico que assola o país.
 
E vamos vender o sofá…
 
A questão é: devemos ficar preocupados?
 
Well, por enquanto nós só “achamos” que Chávez é desequilibrado, mas se ele parar de vender para os EUA teremos certeza.
 
É que boa parte do petróleo venezuelano SÓ PODE SER VENDIDO A REFINARIAS americanas, são as únicas preparadas para o tipo de óleo.
 
Outro problema é que a PDVSA tem sido responsável por manter a miséria do país em estado suportável, aceitável. Sem ela, penso, os Venezuelanos passariam fome subsaariana.
 
Desabastecimento já há, dólares só quem tem é a PDVSA, pois é responsável por 90% das exportações do país. Ou seja, só vão conseguir comer o que produzem, que não é suficiente nem para uma pequena parte da população.
 
É triste, mas é fato.
 
O Fidel até pode alegar que muito da miséria de Cuba é fruto dos embargos americanos, mas Chávez não pode.
 
A miséria absurda vivida na Venezuela, contrastando com os luxos dos governantes, é fruto exclusivo de sua própria ação política, de sua extravagante aposta na alternativa bolivariana.
 
Os EUA inundam a Venezuela com petrodólares. Os receitas de exportação da Venezuela cresceram exponencialmente nos últimos anos. Não falta grana.
 
Acho que não devemos nos preocupar com a “guerra econômica” proposta por HC. Ele iria deixar os americanos com uma gasolina mais cara e os venezuelanos na miséria absoluta.
 
Extravagância intelectual tem limite.
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PDVSA x EXXON – Precedente interessante…

Posted on 08/02/2008. Filed under: Finanças, Política |

 
Pessoal,
 
A Exxon Mobil acaba de afirmar ter conseguido congelar US$ 12 bi da PDVSA (Estatal venezuelana).
 
Como sabem, a Venezuela estatizou ativos da Exxon em 2007, sem pagamento de indenização.
A Conoco Phillips também teve ativos estatizados, mas ainda espera uma decisão amigável.
 
É uma notícia bem perigosa para a Venezuela e esses países da “alternativa bolivariana”, pois se utilizam bastante desse expediente nacionalista de “estatizar” unilateralmente ativos estrangeiros. A Venezuela vive quase que exclusivamente do petróleo e a PDVSA financia as iniciativas de Chávez no mundo inteiro.
 
Como sabem, a Venezuela está passando por um momento delicado de desabastecimento. Se a Exxon realmente conseguiu bloquear ativos da PDVSA, para garantir sua indenização, a situação na Venezuela pode piorar significativamente.
 
A PDVSA já conseguiu, no ano passado, a proeza de aumentar suas receitas em 20% e reduzir seu lucro em 40%. É realmente um resultado sofrível.
 
É uma notícia péssima para o povo venezuelano, mas é como diz o ditado: não existe almoço de graça. Há regras no mundo dos negócios, burlá-las tem seu preço.
 
Respeito as iniciativas dos povos livres da América Latina, mas seria bom que as “alternativas bolivarianas”, também respeitassem as regras e condições democráticas dos outros países do mundo. Não teríamos problemas como esses.
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Dólar Salvador no Carnaval

Posted on 01/02/2008. Filed under: Finanças, Humor |

Preparados para o Carnaval?
 
Eu já importei minha fantasia de subprime. É feia como a dor-de-dente e já vem toda quebrada.
 
Bom, a notícia é interessante. Nosso saldo comercial caiu 70% em relação ao ano passado, menos de US$ 1bi.
 
Isso é um forte indício de que teremos um ano de dólar estável ou em alta (mais provável).
 
Acreditem, essa virada é importante para nossas empresas exportadoras.
 
God bless the King Momo!
 
E vamos à folia…
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  • Disclaimer

    Este blog é um ambiente privado para expor opiniões, estudos, reflexões e comentários sobre assuntos ligados a finanças, bolsa de valores, economia, política, música, humor e outros temas.

    Seus objetivos são educacionais ou recreativos, não configurando sob nenhuma hipótese recomendação de investimento.

    O investidor consciente deve tomar decisões com base em suas próprias crenças e premissas. Tudo que lê ou ouve pode ser levado em consideração, mas a decisão de investimento é sempre pessoal. Tanto na escolha de ações para carteira própria, quanto na escolha de gestores profissionais para terceirização da gestão.

    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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