Archive for novembro \22\UTC 2011

100.000 visitas. Obrigado!

Posted on 22/11/2011. Filed under: Finanças |

100.000 visitas, 304 seguidores, 361 artigos e 1 trilhão de agradecimentos!

Nobres leitores, muito obrigado!

Para um blog como o nosso, baseado apenas em artigos, textos inéditos, estudos e longas reflexões, atingir 100.000 visitas é um feito que muito nos honra.

Os blogs de notícias acabam recebendo 10, 12 visitas do mesmo indivíduo todos os dias, além de deixar seu espaço de comentários para homéricas pancadarias. Não é o caso por aqui.

Sem qualquer propaganda, sem patrocínio e sem tempo para escrever tanto quanto gostaria, fico imensamente feliz com o resultado, até aqui do Blog do Portinho.

Os comentaristas do blog, poucos é verdade, são sempre valiosos e precisos. Além de estimular o autor a buscar ampliar seus estudos e rever seus conceitos.

O começo

Esse blog é um prolongamento do relacionamento que tinha com minha lista de amigos, alunos, professores etc. A maioria dos posts antigos refere-se a outros assuntos, que não finanças. Principalmente música e humor. Afinal, até meados de 2008 fui um músico bem ativo aqui no Rio. Depois das crises… Só crise!!! Xô!

Em homenagem a esse dia, segue o post mais antigo. Os leitores mais recentes não vão entender nada, mas os que me acompanham há quase uma década, vão ter ótimas lembranças!

Nós prometemos… – convite para show

Abraços e muito obrigado!

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Forjas Taurus – FJTA4 – Breve comentário sobre os resultados do 3T11

Posted on 22/11/2011. Filed under: Finanças |

Enfim o resultado incorporando a Polimetal

Como sabem os que acompanham o blog, as Forjas Taurus fizeram uma operação há alguns meses em que a companhia aceitava incorporar uma empresa de propriedade dos controladores, Polimetal, em troca de uma forte diluição na posição de controle.

Conversei com muito gente no mercado e, pelo que pude apurar, pouca gente entendeu a operação. Acho que nem a bolsa entendeu, pois fez uma ajuste estranhíssimo no valor de mercado da FJTA. A empresa fechou num preço e abriu ex com, praticamente, a mesma quantidade de ações e 25% de ajuste para baixo. Bizarre….

A empresa apanhou na bolsa, e continua apanhando, por conta dessa incorporação.

Enfim saiu o release do 3T11 e trouxe, realmente, uma deterioração forte em muitos aspectos, principalmente no endividamento.

Endividamento

A Polimetal realmente estava com problemas. Ela acrescentou pouco mais de R$ 100 milhões ao Ativo da FJTA, mas reduziu o Patrimônio Líquido em mais de R$ 120 milhões. Isso significa que a empresa tinha passivo a descoberto (patrimônio líquido negativo).

Infelizmente não dá para entender em detalhes, pois há poucas informações, mas pelo que li, provavelmente a FJTA já dava garantias aos empréstimos da Polimetal. Com a incorporação a rubrica de AVAIS E GARANTIAS saiu de R$ 111 milhões para zero, mas o endividamento de longo prazo foi de R$ 132 milhões para R$ 235 milhões.

É provável também que a FJTA tenha incorporado um valor próximo a R$ 40 milhões em debêntures da Poli. Não dá para saber, mas é o que parece na mudança do 2T11 para o 3T11.

Isso tudo posto, e com a queda na geração de caixa, O endividamento líquido da companhia subiu de R$ 312 milhões (2,24x o EBITDA) para R$ 383 milhões (3,17x).

O mercado podia não saber por que estava batendo, mas a danada sabia por que estava apanhando (rsrsrs).

Câmbio pesou.

O 3T11 ainda não havia incorporado a recente valorização do dólar. Na média, entre julho e meados de setembro, a moeda ficou em ridículos R$ 1,60.

Essa cotação prejudicou bastante a FJTA, principalmente na área de armamentos, mais sensível ao câmbio.

Preço de mercado não é bem esse…

A companhia está com valor de mercado, hoje, próximo a R$ 190 milhões. Há, entretanto, cerca de 10% das ações emitidas em tesouraria. Isso significa que essas ações são dos atuais investidores.

A FJTA não tem o que fazer com essas ações. Não é possível vendê-las a mercado, pois a liquidez é baixa. Vender R$ 19 milhões a mercado pode ser doloroso para as ações, que já estão sofrendo bastante. Se cancelar as ações, não haverá ganho. É capaz de forçar ainda mais a queda.

A empresa não tem fluxo, não está no radar de ninguém, por isso não há como incorporar “notícias fundamentalistas” de forma racional.

Mas, em tese, o investidor de FJTA pode considerar que seu P/L é cerca de 10% menor e/ou que seu LPA é cerca de 10% maior. Não é nada, não é nada… não é nada mesmo!

O futuro e a governança

Quem acompanha o movimento diário da FJTA sabe que não há possibilidade de milagre de fluxo. E também sabe que, infelizmente, bons fundamentos não necessariamente seriam incorporados ao preço das ações. Ao menos não imediatamente ou não racionalmente.

A companhia precisa indicar sinais de mudança na governança. Que o mercado dela é bom e crescente, todos sabem. Que o dólar em elevação poderá trazer alento aos números, também. Mas o mercado precisa voltar a tê-la como alvo.

Outro ponto possível seria uma eventual venda de controle. Uma empresa que futura R$ 650 milhões, já teve lucro de R$ 70 milhões (2010), tem ativos de R$ 1,1 bi, Patrimônio líquido de R$ 323 milhões, pode ser considerada “barata” a R$ 190 milhões.

Mesmo com a enorme queda no lucro o P/L da Cia está em 6,15. Descontando as ações em tesouraria estaria em 5,50. O P/VPA esta em 0,59.

Well. Acho que a FJTA prova uma das máximas do mercado: Contra fluxo, não há argumentos.

Até a Geração Futuro que tanto apostou na companhia, já não se mostra tão confiante. Aliás, nem dá para saber a “confiança” da Geração, pois ela publica as posições dos fundos misturando Randon e FJTA. Não dá para saber se, dos 15% do setor de bens de capital, FJTA é 2%, 1% ou 0,000001%. Está certa, é um direito dela. Mas, infelizmente, o papel perdeu um dos mais proeminentes avalistas. Ou não?

Por fim… não é o fim.

Ao contrário dos episódios de Sadia e Aracruz, a deterioração no balanço da FJTA parece reversível, sem a necessidade de extravagâncias.

No plano dos fundamentos dá para acompanhar e identificar os caminhos. No plano do mercado não dá. A empresa precisa de liquidez e quem tem Market Value de R$ 190 milhões dificilmente tem liquidez.

É trabalho para muitos anos. Seria um grande conforto para os acionistas se a companhia contratasse algum especialista nessa área.

Ou então a gente se reúne, bate na porta do Eike Batista e diz: Eike, quer comprar uma beretta? É R$ 1,99!

Brincadeira…

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A Itália e a invenção da “Chamada de Margem” política e social

Posted on 08/11/2011. Filed under: Finanças |

Nobres leitores. Vivemos uma era de rara velocidade.

Dada a perigosa crise fiscal e financeira na Eurozone, não há tempo para digerir os efeitos políticos e sociais das demandas dos mercados globais e das instituições reguladoras supranacionais.

Ontem Portugal recebeu uma missão do FMI para fiscalizar suas contas. Hoje Berlusconi vai enfrentar uma batalha no parlamento que pode lhe forçar ao caminho da renúncia. Veja aqui.

São economias em estágio moderado de putrefação. Já a Grécia, é um quase-cadáver.

Não quero discutir nesse post as culpas históricas, a incompetência dos dirigentes, as festas de Berlusconi com Ronaldinho Gaúcho (será?) e/ou questões óbvias ululantes.

Escrevo, pois acho que vale levantar derivações importantes desses últimos acontecimentos, que passarão despercebidas enquanto houver pressa e medo. Depois, certamente, haverá muita discussão sobre os efeitos inéditos dessa crise na soberania dos países.

“Se Berlusconi cair, pessoas como eu começarão a olhar para a Itália novamente”

A frase acima foi dita por um gestor do ING ao The Hague. Em todos os jornais de economia e finanças, diz-se que é vontade do mercado que Berlusconi saia, para dar lugar a alguém que possa implementar as reformas exigidas pela UE. “The market´s bias is fairly clear”, afirma outro estrategista, agora do RBC Capital Markets.

Assim como na Grécia deve assumir Papademos, homem de confiança do UE, ex-VP do Banco Central Europeu e em Portugal o poder fiscalizatório já não é mais função parlamentar, mas do FMI, na Itália outro egresso de organismos multilaterais europeus, Mario Monti, pode assumir o governo. Para o Brasil, contanto que não seja Paolo Rossi, tudo bem (brincadeirinha…)

O frase título desse subtópico é comum. Imagino que muitos investidores digam isso todos os dias, seja em referência a países ou a empresas. Porém, hoje em dia a pressão do sistema financeiro é mais forte do que a vontade dos povos. Muito mais forte, a ponto de exercer poder de forma quase imediata. Em países democráticos a substituição de um governo pode levar anos e, normalmente, ocorre nas urnas. Já nessa nova era…

Chamada de Margem

Em linguagem de mercado, os PIIGS “venderam” seu equilíbrio fiscal a descoberto, para entrar e fazer parte da Eurozone. Deixaram para “acertar” as contas e “entregar” esse status de equilíbrio nos anos seguintes à instauração da moeda única.

Mas, ao contrário do que ocorre com vendas a descoberto na nossa bolsa, não houve “chamadas de margem” diárias (ou periódicas) para evitar o colapso do investimento (entrada na zona do Euro).

Agora, ao que parece, o mercado exige “chamadas de margem” políticas e sociais.

O país só vai evitar o colapso financeiro se entregar “margens” sociais (queda de salários, demissões no funcionalismo público, corte de pensões, aumento de idade mínima para aposentadoria, repressão a movimentos contrários às medidas etc.) e políticas (indicar e manter em posições de comando, políticos de confiança da UE, do ECB, do FMI e, em última análise, do sistema financeiro internacional).

São tempos notáveis.

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“A Grécia não é mais um país” ou “Deixe-me ser pobre em paz!”

Posted on 07/11/2011. Filed under: Finanças |

Os episódios recentes ocorridos na Grécia valem por uma viagem no tempo, por décadas, em alguns poucos meses.

Os estudantes de economia, principalmente aqueles que não viveram a fase precária das contas externas brasileiras, têm uma rara oportunidade de ver a deterioração de um país e a entrega quase absoluta de seus instrumentos de soberania a organismos internacionais.

O que resta à Grécia, como instrumento de afirmação de soberania?

  • Política monetária? Isso não é possível num regime de moeda compartilhada.
  • Política fiscal? A única possível é aquela definida pelas exigências do resgate.
  • Democracia e livre escolha de seus dirigentes? Renuncia quem atrapalha o bailout, entre quem estiver afinado com os economistas da zona do Euro.

Como é possível, nesse momento, tratar a Grécia como um país soberano?

Lembram da gritaria “Fora FMI”, nos 494 anos pré-Real, aqui em Vera Cruz?

A interferência do FMI, perto do que ocorre na zona do Euro, se assemelharia a tentar invadir os Estados Unidos com L´Armata Brancaleone. Nem faria cócegas, no máximo mataria dois ou três Mariners e tanto rir.

Branca, Branca, Branca! Leon, Leon, Leon!

O nível de ingerência do “Estado do Euro” no Estado Grego é semelhante ao imposto a nações derrotadas em guerra. Só falta dissolver o exército e cobrar pelos danos em batalha. Bom, a cobrança até que está sendo feita…

A Culpa e o Dolo

Daria para escrever 15.000 páginas para relatar o desleixo e o descaso com que a Grécia conduziu seus primeiros anos de Euro. Um país, outrora pobre para padrões europeus, compartilhava então a mesma moeda dos primos ricos do Norte. Não deveria surpreender que o país não tivesse preparo histórico, econômico e cultural para lidar com essas novas condições.

No caso da Grécia, pelo populismo barato de alguns dirigentes e pela síndrome do “sapo cozido” de seu povo, há culpa e há dolo.

Mas pelo avançado estado de putrefação em que se encontra a economia grega, há também culpa e dolo por parte das instituições “mantenedoras” da estabilidade do Euro. Só a completa ausência de olfato para não sentir o cheiro do azeite apodrecendo ao sol de 400 graus ou do insuportável odor de 120% de relação dívida/PIB ou ainda, se preferir, de 16% de déficit fiscal.

E não foi o caso. Não foi falta de olfato. Foi opção. A crítica maior ao estatutos do Euro diz que criaram ótimas regras, porém não previram punições claras e tempestivas aos membros que não as cumprissem.

Por que chegamos a esse ponto, se os sinais da tormenta sempre estiveram claros?

Ser pobre em Euro é muito difícil!

Era difícil entender que Jorginho Guinle estava pobre, vendo-o todos os dias tomando whisky no Copacabana Palace. É muito difícil ser pobre e Jorginho Guinle ao mesmo tempo!

A natureza da nação grega não é compatível com o Euro. Melhor dizendo, ter a Grécia e a Alemanha com a mesma moeda é uma anomalia econômica que ainda precisa de muito estudo para ter seus efeitos compreendidos.

A riqueza e a pobreza são conceitos relativos. Falando sem cuidados metodológicos, pode-se dizer que a inflação nos torna mais pobres em relação a nós mesmos. A desvalorização do câmbio nos torna mais pobres em relação aos outros.

Essas coisas acontecem quando um país toma medidas econômicas infelizes. Aliás, a Argentina é um bom exemplo. A inflação, que dizem ser maior do que oficialmente falado (e deve ser mesmo, basta voltar lá a cada 2 anos), destrói o poder aquisitivo do Argentino para comprar seus próprios bens e a desvalorização cambial torna os bens importados cada vez menos acessíveis. E isso evita que o colapso chegue rápido. Talvez nem chegue.

As respostas “de sistema”, infelizmente, não estão disponívels para a Grécia. Não há como a Grécia experimentar a “pobreza” que adviria, naturalmente, de suas atitudes perdulárias e fiscalmente irresponsáveis.

Isso porque, ao compartilhar a moeda com outros 16 países, não há como ter inflação exclusiva, nem como ter desvalorização cambial.

Não faz sentido que um litro de coca-cola suba 50% em Euro na Grécia e não na Itália ou na Eslovênia.

A única forma de agir é não-natural. Marretando as fontes de “riqueza”. Salários, benefícios, direitos, pensões e outras rendas da população grega.

É pena que seja assim, mas é o que está acontecendo. Se não é possível ajustar o poder aquisitivo pela inflação alta e câmbio desvalorizado, não há outra alternativa de curto prazo que não seja achatar na marra a renda.

A Grécia deve quase US$ 500 bilhões. Não é problema exclusivo dela, é de todos.

A Grécia será ajudada (deverá ser) se ficar ou se sair do Euro. É caro demais um default desordenado. O ultimato de Sarkozy-Merkel não terá efeitos práticos. A Grécia será ajudada de qualquer jeito. Se sair do Euro, ao menos, não será mais problema no futuro. It´s an one-time bill.

Don´t shoot me. I´m only the piano player!

Sei que o Euro é um sonho para muitos europeus. Um sonho de integração, de unidade, de paz. Sei também que o que escrevi não é muito favorável à moeda única e que isso pode gerar animosidades e deixar alguns leitores valiosos do blog um pouco contrariados. Lamento se o texto causou qualquer mal estar nesse sentido.

A leitura de sites de economia, no Brasil e no Exterior, mostra já um ceticismo muito grande com relação a “soluções reais” para os desequilíbrios na Zona do Euro. Já é comum ver economistas não alinhados (sem compromisso com o main stream, sem medo do erro) indicando que a Grécia não deveria continuar na Zona do Euro. Nos EUA a literatura nesse sentido é farta.

As soluções não naturais estão sendo testadas, mas, acredito, que só se tornarão estáveis por caminhos longos e dolorosos. Longo será o tempo para ajustes fiscais e dolorosas serão as consequências na riqueza das nações e dos povos da Zona do Euro.

São tempos difíceis.

Ps. O Incrível Exército de Brancaleone é um filme imperdível. Se não viram, procurem (R$ 1,99 nas Lojas Americanas, provavelmente). Se já viram, vejam de novo. Mario Monicelli criou o Don Quixote do cinema.

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Referendo na Grécia? Enfim uma atitude que combate causas, não sintomas.

Posted on 03/11/2011. Filed under: Finanças |

Bom… estou escrevendo este post às 13:35h, horário brasileiro de verão, do dia 03 de novembro de 2011.

Há apenas alguns minutos o título do post estava valendo, agora já não vale mais. Quer dizer, vale, mas o tal referendo deve ir por água abaixo. O Primeiro Ministro não segurou o rojão. Vejam a informação AQUI.

O referendo do ponto de vista político

Bom, ele, ao que tudo indica, não existe mais, porém afirmei na chamada que o referendo seria uma “resposta às causas” e não aos sintomas. Por quê?

Não é de hoje que a idéia da moeda única na Europa não me parece duradoura ou consensual. Quando estive na França e na Itália em 2007, ainda se lia nas notas fiscais o preço em Euro e em Lira e Franco. Em outro momento, disseram-me que as pessoas pagavam mais por cédulas emitidas na Alemanha. Isso mesmo, o Euro emitido na Alemanha valia mais que o Euro emitido na Itália, por exemplo.

Voltando à Grécia, o Primeiro Ministro, ao sugerir o Referendo, estava tomando uma decisão política acertada. Ele representa uma nação soberana, por mais endividada que esteja. Seria uma atitude esquizofrênica julgar que pode tomar decisões avassaladoras para a população de dentro de uma sala confortável com representantes da Alemanha e França, sem impacto nas ruas.

Hoje o presidente da Itália disse que mexer nas aposentadorias iria causar uma “revolução” no país. Não duvido. Por mais que a moeda seja única, os países e os povos não o são.

Sair ou não sair do Euro?

Após a indicação do referendo, Alemães e Franceses logo disseram que se tratava de uma decisão de continuar ou não na Zona do Euro.

Foi uma jogada perigosa. A saída da Grécia levaria a UE a caminhos obscuros, impensáveis, talvez incontroláveis. Não lembro de algum episódio semelhante na história econômica mundial. Um país inteiro ter que recuperar sua estrutura monetária.

Quanto tempo levaria? E as dívidas em Euro?

A Grécia, mesmo que continue e siga o receituário proposto, ficará muitos anos, em situação difícil, sem qualquer liberdade fiscal (a monetária já não existe), sem instrumentos que lhe permitam voltar a crescer economicamente.

Se sair, também passará muitos anos em dificuldades. Mas terá de volta instrumentos econômicos que poderiam trazer crescimento. Teria de volta a política monetária.

A Argentina decretou default há 10 anos e, por força de OUTRA política monetária equivocada, retomou o crescimento. Infelizmente os argentinos não sabem beber pouco remédio. Bebem até que o remédio traga outra doença.

Seria impensável, inaceitável que a Grécia saísse do Euro e, em alguns anos, estivesse em situação muito melhor do que quando fazia parte da união monetária.

É possível?

Tudo é. Talvez seja mais provável que saia ainda mais rápido do buraco do que se seguir o receituário da UE. Afinal, se nós brasileiros pudermos ir a Atenas, pagando em Dracmas, por 1/3 do preço que gastamos em Pernambuco, Floripa ou Rio de Janeiro… seria uma festa! Basta ver o que o dólar barato tem feito com Nova Iorque. Na semana do Thanksgiving é mais fácil achar um brasileiro nas lojas do que cidadãos de todas as outras nacionalidades somadas. Inclusive norte-americanos! Não riam. Não é brincadeira.

Seria um péssimo exemplo, não é? Imagine se os outro países endividados começassem a ver esse caminho como uma solução?

Well, well, well…

Tratamento dos sintomas e diagnóstico

O que se vê na Grécia, Itália, Portugal e Espanha são sintomas de um mesmo diagnóstico: Síndrome da Moeda única.

A Europa, apesar da proximidade entre as nações, é um continente divididíssimo. A antiga Iugoslávia abrigava povos que nem tinham o mesmo alfabeto. Deu no que deu.

Para ter uma boa noção da divisão cultural, moral, religiosa, bélica, política e étnica que se verifica na Europa sugiro a leitora do livro “Pós Guerra – Uma História da Europa desde 1945” de Tony Judt. Sem qualquer devaneio ou julgamento de valor o autor nos leva a entender que a Europa é, e sempre foi, um continente dividido.

Mas agora está junto, com o Euro.

A tarefa do Euro é Hercúlea. Aliás, nem Hércules daria conta. Criar um mecanismo econômico de controle e planejamento centrais é tipicamente “nadar fortemente contra a maré”. É uma atitude absolutamente anti-sistêmica, anti-natural. Para dar certo, infelizmente, só com severas restrições, que é o que se tenta impor agora, tardiamente, à Grécia, Itália, Portugal etc…

Como em todo regime de planejamento central, só o dirigismo, a coerção e, eventualmente, a violência (nesse caso, não física) conseguem domar o organismo econômico não-natural.

O problema não é a Grécia, Portugal, Espanha, Irlanda e Itália. É o Euro e o dirigismo econômico do século XXI. Pode durar, sem dúvida, mas para ser “natural” e fluir sem a necessidade de coerção, há que unir o que nunca foi unido.

Por isso disse que o referendo atacava as causas da Síndrome da Moeda Única e não os sintomas. Todo o resto é tratar sintomas e esperar que a parte do organismo em evidente putrefação, retome o tom róseo da saúde financeira.

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  • Disclaimer

    Este blog é um ambiente privado para expor opiniões, estudos, reflexões e comentários sobre assuntos ligados a finanças, bolsa de valores, economia, política, música, humor e outros temas.

    Seus objetivos são educacionais ou recreativos, não configurando sob nenhuma hipótese recomendação de investimento.

    O investidor consciente deve tomar decisões com base em suas próprias crenças e premissas. Tudo que lê ou ouve pode ser levado em consideração, mas a decisão de investimento é sempre pessoal. Tanto na escolha de ações para carteira própria, quanto na escolha de gestores profissionais para terceirização da gestão.

    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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