Archive for novembro \30\UTC 2016

A esquerda brasileira e a Revolução Francesa. Entenderam tudo errado.

Posted on 30/11/2016. Filed under: Filosofia, Finanças, Política | Tags:, , , , , , , , |

Há uma bizarrice nas redes sociais, sugerindo que os movimentos de esquerda que atacaram Brasília no dia 29.11.2016 seriam o povo que tomou a bastilha e derrubou a Monarquia.

Nada mais falso que isso.

Black blocs, MST, MTST, UNE etc., são franjas da mesma monarquia que está implorando por ser derrubada por OUTROS movimentos, estes liberais, pró-mercado e anticorrupção.

Isso mesmo, meu nobre gauchiste, você estaria do lado da Monarquia e do Clero em 1789 e jamais do lado dos que queriam reduzir privilégios, impostos e o poder do Estado.

Primeiro, Segundo e Terceiro Estado.

O Clero, o Primeiro Estado, seria os nossos políticos que recusam qualquer mudança que possa lhes tirar poder. E você apoia! Ontem, mesmo dia 29.11.2016, na câmara o PC do B e o PT foram os partidos que mais atacaram o poder judiciário e rejeitaram a criminalização de enriquecimento ilícito de servidor público e as mudanças nas regras na prescrição de crimes contra o patrimônio público.

Até o ressarcimento aos cofres públicos  de dinheiro roubado do Estado foi negado pela “frente esquerdista” em aliança com PMDB, PP etc. (exatamente como nos governos Lula e Dilma).

A nobreza, o Segundo Estado, era composto pela realeza e por milhares de cortesãos (puxa-sacos), que sobreviviam a base do Estado. Quer coisa mais “de esquerda” do que isso, viver às custas do Estado por subserviência a uma causa? Não é esse o ideal marxista-leninista, o Estado como único provedor inquestionável?

O Terceiro Estado era explorado pelos dois primeiros e incluía burgueses, sans-cullotes e camponeses. Todo o peso dos impostos recaia sobre este último Estado, dado que os dois primeiros tinham isenção tributária e usufruíam do Tesouro da Realeza com gordas pensões, empregos públicos e subvenções.

Luta contra a PEC não faz de você um Jacobino, nem um esquerdista clássico da revolução.

Nossos Girondinos são os membros da Alta Burguesia, que não querem mudanças radicais, mas já entenderam que seus negócios não vão prosperar na continuidade da corrupção estatal. É fácil ver, dado que todos os que se locupletaram de dinheiro público e promessas de políticos estão em recuperação judicial, enrolados com a polícia ou em situação econômica muito pior do que antes da cleptocracia PT-PMDB. Estão aí os gigantes da indústria e do setor financeiro. Até eles querem mudança.

Já nossos Jacobinos são os pequenos empresários, profissionais liberais e trabalhadores em geral que odeiam a pressão do Estado sobre seus bolsos e os péssimos serviços públicos que recebem em troca dessa opressiva carga tributária e regulatória.

Até a “esquerda” jacobina, mais agressiva, não representaria JAMAIS o interesse dos que incendiaram Brasília em 29.11.2016, pois eram, em essência, burgueses, profissionais liberais e artesãos com interesses AINDA mais radicais contra o Estado. Nada a ver com você amigo vermelho.

Coxinhas e vermelhinhos

Os “coxinhas”, em suas diversas matizes, representam os ideais da Revolução Francesa, sem o interesse no período de terror, pois não quer que a Monarquia volte.

São eles que saem às ruas pela prisão de TODOS os políticos envolvidos em falcatruas, pelo aumento das penas, pela redução da impunidade, pelo apoio às medidas anticorrupção, pela redução do poder do Estado, pelo fim do compadrio na indicação de membros do STJ, STF, Tribunais de contas, pela agilidade no STF, enfim, exclusivamente medidas que TIRAM poder do Estado, do “Clero” e da “Monarquia”.

Você, amigo de esquerda, quer, na verdade, a volta de Luís XVI e Maria Antonieta. Nem preciso dizer quem são, não é mesmo?

Quer apenas que as verbas públicas estejam ao seu serviço. Dizem que pensam nos pobres, desvalidos etc., mas se assim fosse, iriam querer a expansão do livre mercado, das empresas, da burguesia, da livre iniciativa, do investimento privado etc., que, por evidente, é o único caminho conhecido pelo homem, em todos os tempos, em todos os povos, para gerar riqueza e retirar as pessoas da miséria.

É claro que o amigo esquerdista não vê isso, pois associa a própria existência da pobreza ao capitalismo, quando, por óbvio, a pobreza é a condição natural do ser humano e jamais poderá ser suplantada SEM liberdade de associação, respeito à propriedade privada e aos contratos.

O fato de existirem pobres e “podres de ricos” numa mesma sociedade não a torna pior do que uma onde só há pobres e miseráveis. Nessa última além de não haver ricos, não há qualquer expectativa para um pobre sair de sua condição, pois não há para onde ir. Procure nascer na Selva (ou na Venezuela) para ver como a pobreza, em ambientes anticapitalistas, é uma condição intransponível. Exceto para o Clero e para a Monarquia, que vocês tanto defendem (Chávez, Fidel, Stálin eram mais absolutistas, para seus povos, que Luis XVI e todos os Papas pós inquisição.)

A constituinte

Vale lembrar aos vermelhinhos que se sentem “do lado certo” da Revolução Francesa Tupiniquim, que a Constituição Francesa pós-Revolução inspirou-se na Constituição dos Estados Unidos da América (de 1787) e foi a síntese do pensamento iluminista liberal e burguês.

Acho que não há nada MENOS esquerdista que isso, não é mesmo?

Vocês não vão mudar o Brasil, representam a falência, representam a continuidade de um Estado paquidérmico de direitos infinitos e deveres incompatíveis com o financiamento desses direitos. Representam o próprio desequilíbrio fiscal, hoje quase intransponível. Representam a crença de que calotes e descumprimentos de contratos, valentia anticapital, nos levariam ao paraíso de um mundo sem dívidas reconhecidas e juros escorchantes.

Estão errados. Há farto material de prova que esse modelo é fracassado, leva à miséria e ao desespero e distribui pobreza, cada vez maior, exceto para o Clero e a Monarquia.

Na verdade, no fundo, vocês querem mesmo é fazer parte desses dois últimos. Apesar de, erroneamente, acharem-se Jacobinos.

Não se iludam, à época vocês dariam suas vidas por Luís XVI e não por Danton.

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Michel Temer, o Golpe da Anistia ao Caixa 2 e os Escravos da Narrativa

Posted on 25/11/2016. Filed under: Filosofia, Finanças, Política | Tags:, , , , , , , , , , , , , , |

Diante de todo o descalabro na política nacional, com forte reação da opinião pública, pressão da mídia, do MP e do judiciário, das redes sociais e até de grupos de enfrentamento, como o que invadiu o congresso por acreditar que a Anistia havia sido votada, ouvimos uma voz irritante falando:

– Cadê as panelas?

Meu Deus, como é insuportável! Como é desagradável! Como é equivocado perguntar, diante de toda a gritaria ensurdecedora, onde estão as panelas!

Em busca da narrativa perdida.

A esquerda, o petismo e suas franjas e adjacências viajam, sem perceber, num mundo paralelo. São escravos cegos, remando ao ritmo ditado pelos almirantes intelectuais das Galés em busca de um porto seguro de ideias erradas e inverossímeis.

As pessoas que vivem a normalidade da razão, que buscam porto seguro em evidências empíricas ou corroboração factual de seus pressupostos, veem, e não acreditam no que veem, a vergonhosa impostura intelectual que assola os novos escravos da narrativa.

Perdem-se no mar dos fatos e, de vez em quando, aportam em uma ilha de conforto no erro e na confusão mental e moral.

Para quem vive de narrativa, é imperioso descobrir fragmentos de realidade e transformar em vergonhosa retórica moral e intelectual.

Após o mensalão, inventaram um mundo em que quem fura a fila não pode reclamar de desvios bilionários dos políticos de estimação do petismo e dos intelectuais da esquerda. Uma pessoa normal sabe que até o goleiro Bruno pode reclamar do roubo de dinheiro público, qualquer um pode, pois um erro moral ou crime não justificará o outro nunca. A hipocrisia de quem agride não conserta o erro do agredido.

Hoje nossos heróis, perdidos e sem rumo, aportam em qualquer ilha de bobagens para justificar suas narrativas de ideias erradas e distorcidas sobre o mundo.

É Moro à serviço da CIA, é o MP em conluio com a Chevron, é o Cunha que não iria ser preso após a queda da Dilma, é Sérgio Cabral que ficaria livre, é a PF que não prende ninguém de direita etc.

Foreign Corrupt Practices Act

A minha “ilha da fantasia moral esquerlouca” preferida, uma das coisas mais ridículas que já ouvi, é a história de que as leis anti corrupção nos EUA, que punem qualquer empresa que tenha negócios por lá e tenham cometido atos de corrupção em qualquer lugar do mundo, seriam um instrumento imperialista para permitir que empresas norte-americanas possam concorrer sem o peso da corrupção local nos países “periféricos”.

O mais divertido é que é isso mesmo. O objetivo do Foreign Corrupt Practices Act é justamente combater a concorrência desleal da corrupção, do conluio e da fraude.

Essa ilha de narrativa é tão inacreditável que o sujeito mira num fato virtuoso, conhecido e compartilhado por todas as empresas que fazem negócios com os EUA, para justificar a corrupção local como se fora uma vantagem competitiva das nossas empresas e do nosso jeitinho maravilhoso de roubar a nós mesmos.

E acham que é imperialismo, mesmo sabendo que há multas pesadíssimas inclusive contra bancos suíços e europeus.

É ou não é inacreditável?

A mais recente ilha da fantasia da narrativa.

Essa bizarrice de perguntar onde estão as panelas é inacreditável. Elas estão soando de forma ensurdecedora, mas não são de metal.

Por que insistem no inexplicável?

Porque vivem, como já dito, numa Galé de escravos, remando ao som de fragmentos de ideias propostas por construtores de narrativas, em busca de um porto seguro para “verdades” inverossímeis.

Perceba que, quando criticam, o fazem com “certeza absoluta” de que estão certos. A ponto de se indispor com gente realmente preocupada com a situação calamitosa do país e engajada em não permitir a continuidade do descalabro.

Os deputados e senadores estão tentando, diuturnamente, salvar suas próprias peles e as de seus corruptores. E voltam atrás regularmente, pois a pressão é gigante. Eles afirmaram em várias oportunidades que a pressão está insuportável. Abriram fogo contra o ministério público e contra o judiciário (estratégia usada para acabar com a operação Mãos Limpas na Itália) e até contra O Antagonista, o porta-voz do Impeachment, que hoje é o principal calo no sapato de Temer e de Renan.

Quem faz essa pressão em cima dos “nobres” congressistas? Você que critica as panelas? O PT? Lula e Dilma? Os ex-aliados de Dilma, como: Renan Calheiros, Jáder, Requião e até o Temer (esqueceram de quem ele era vice)?

Não, meu amigo. Quem está tentando salvar o Brasil dessa imoralidade são as pessoas a quem você quer atingir perguntando “onde estão as panelas”. São as pessoas que gritam contra a corrupção com todas as forças e ferramentas que têm, que estão ao seu lado, mas você prefere ignorar e ofender com sua retórica jocosa e pretensiosa. Não tem graça nenhuma. E não tem sofisticação alguma.

Quem encheu o telefone do Rodrigo Maia e de vários congressistas com cobranças contra a anistia foram os mesmos que bateram panelas para tirar Dilma. Assim como quem enche diariamente as caixas de mensagem, whatsapps, emails, perfis, twitters etc, de congressistas cobrando compostura e vergonha na cara também bateram panela contra Lula.

Você acha que as panelas não estão soando, mas diariamente mensagens contra a corrupção e a vergonhosa anistia atingem top trends mundiais no twitter. E concorrendo contra escândalos de celebridades mundiais como Justin Bieber e até contra a fúria atleticana e colorada contra seus técnicos e times.

Vocês perguntam onde estão as pessoas que foram às ruas, onde estão os movimentos “de direita” que levaram à queda de Dilma e do petismo necrosado, mesmo diante de uma enxurrada de eventos criados justamente para encher as ruas no combate à corrupção NO GOVERNO DO SEU VICE!

Abandonem a escravidão da narrativa a que servem, o Brasil precisa disso!

Nenhum fato real se encaixa na narrativa do “cadê as panelas”. É uma atitude que tenta atingir gente que está preocupadíssima com a situação do país, que está sofrendo e com medo de perder a guerra contra os barões do Brasil, contra Renan e sua camarilha. Essa situação é ruim para você também, e pode piorar bastante.

O que você ganha dividindo os esforços de quem quer combater a escumalha que governa o Brasil entre pressionar os congressistas e se defender do grotesco “cadê as panelas”?

O Brasil vive um frágil equilíbrio econômico, entre a esperança de retomar a normalidade e receber investimentos, ainda que pequenos, ou cair de vez no descrédito nacional e internacional e passar longos anos sem crescimento e, pior, sem orçamento público suficiente para pagar os serviços mínimos à população.

Michel Temer não entendeu que é IMPOSSÍVEL recuperar a credibilidade econômica mantendo o modelo de aceitação da corrupção como método de fazer política. O PT foi o partido que institucionalizou e justificou moralmente a corrupção NACIONAL como método de enfrentamento das “elites imperialistas brancas de olhos azuis”. Isso destruiu o Brasil, ou reconstruímos ou voltaremos à década de 1980, mas com um país infinitamente pior, mais violento e com menos espaço orçamentário.

A crise é moral, a crise é ética. E sem resolvermos isso, não há dinheiro, não há esperança e não há investimento externo.

A polarização não vai acabar se o antagonismo, mesmo diante de temas de interesse comum, continuar.

A retórica de esquerda reinou incólume no Brasil, desde o fim do governo JK até 2014. Falavam sozinhos com o campo de força invisível do politicamente correto mantendo as pessoas de fora do “grupo” bem distantes de importuná-los no campo de ideias tortas e erradas que cultivavam. Nunca houve contraditório para o ideário de esquerda, até 2 ou 3 anos atrás. Roberto Campos morreu falando sozinho. Hoje seria o líder liberal que não existe no Brasil.

A revolução da racionalidade trivial (do homem simples) contra a impostura arrogante da narrativa é coisa recente. Eu pessoalmente sofri o preconceito esquerdista contra a racionalidade instrumental básica por longos anos, mesmo estando certo em quase tudo o que apontei como destruidor, como está claro nos textos do meu blog.

Não fiquem melindrados por perder a guerra dos fatos e também das versões. Vocês reinaram 95% do tempo, agora o barco virou e não vão reinar mais. O escudo que permitia que bobagens soassem como sofisticação hegemônica (moral e intelectual) acabou.

O Rei está nu e não toma banho desde 1917.

Há uma oportunidade para a aliança neste momento em que, EVIDENTEMENTE, os inimigos são os mesmos e os métodos de luta contra eles também podem se somar.

Mas você prefere a etiqueta da grosseria.

Você prefere ofender quem grita contra a corrupção a se unir para cobrar os corruptos.

Sua única luta agora, parece, é por outra narrativa conveniente, como a que quer manter o sorvedouro de dinheiro público para projetos fracassados, refletida nos movimentos de ocupação das escolas, nos pleitos dos sindicatos, MSTs e outras franjas que sobrevivem apenas do orçamento público.

Gastamos todo o dinheiro que tínhamos e somos uma nação de analfabetos com diploma de pós-graduação. Somos uma nação de viciados em dinheiro públicos.

Em crise de abstinência.

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Putin e Trump, o que a imprensa não vê. Ou se recusa a ver.

Posted on 21/11/2016. Filed under: Filosofia, Finanças, Política | Tags:, , , , , |

No sábado, dia 19.11.2016, o programa do Willan Waack na Globo News se propôs a discutir a futura geopolítica de Trump.

3 especialistas, que realmente entendiam do assunto, nos brindaram com algumas boas ideias e com um monte de trivialidades.

Mas, a meu ver, todos erram por evitar pensar “fora da caixinha”. Há uma unanimidade ao assumir que a situação com Trump ficaria mais perigosa, que Trump aceitaria a política expansionista de Putin na Criméia, na Ucrânia e nos Balcãs.

Porém esquecem de um ponto, Putin disse que haveria a terceira guerra mundial se Hillary vencesse, e não Trump. Logo Hillary e Obama, que nunca confrontaram Putin em nada. A doutrina Obama é clara ao retirar dos EUA protagonismo na geopolítica mundial.

Mas a explicação é meio óbvia, apesar de nenhum dos especialistas ter levado para esse lado.

Putin é remanescente da Guerra Fria. Putin sabe que a Rússia Grande só existirá no campo bélico. Fora disso, a Rússia é apenas uma economia menor que a da Coréia do Sul e totalmente dependente de seus vizinhos europeus para consumir seu gás e óleo, cada vez mais baratos.

Obama não o enfrentou. Obama permitiu o protagonismo da Rússia, mesmo em situações vexatórias como na Ucrânia e na Síria. O mundo inteiro sabe que a Rússia afirma enfrentar o ISIS, mas é pretexto para destruir os rebeldes e garantir Bashar Al Assad no poder.

Putin continua abertamente sua corrida armamentista, lançando há pouco o Satã 2, arma nuclear que poderia atingir qualquer cidade do mundo. Putin fala abertamente em uso tático de armas nucleares (menores). Putin fala abertamente em retomar sua área de influência no leste europeu. Putin quer instalar mísseis na Venezuela.

Obama não se importa. Obama é Ghandi no lugar errado. A não violência e a não intervenção (objetivos declarados de Obama, porém não totalmente cumpridos) retirou o protagonismo dos EUA e é por isso que Putin atribui a terceira guerra mundial à gestão de Obama e à ex-possível gestão de Hillary, e não à Trump.

Ele não é Hitler. Ele sabe que a Rússia grande não é a da terceira guerra mundial, mas a da guerra fria.

Putin quer e precisa de um adversário também belicoso. Se ele quisesse um adversário frágil e calado, iria preferir a continuidade da Doutrina Obama.

Não é verdade, portanto, que o mundo ficará mais perigoso com Trump. Talvez regridamos para ter tensões geopolíticas que há muito não víamos, mas nós convivemos com isso por quase 50 anos.

O mundo que não conhecemos é o de Putin livre, sem oponente. Só sabemos que ele demonstra interesse em recuperar a influência da antiga URSS. Mas não conhecemos esse mundo sem os EUA de Reagan.

Na minha modesta opinião, que é contrária à da maioria dos analistas, Putin quer retomar o único quadro geopolítico em que ele é relevante, o da corrida armamentista e da guerra fria.

Mas precisa de um oponente.

Hitler queria dominar o mundo, portanto não precisava de nenhum adversário forte, Putin sabe que dominar um mundo com armas atômicas é impossível (ele acabaria e não haveria o que dominar), portanto PRECISA de um adversário. Obama nunca foi.

Obama está certo? Trump está errado?

Essas perguntas não fazem muito sentido, apenas apaziguam nossa necessidade de assumir lados, de procurar alguma moralidade que nos traga conforto.

O que importa é saber o interesse dos protagonistas. Se soubermos, podemos tomar decisões corretas, se nos recusarmos a saber, por motivos moralistas, vamos tomar decisões erradas.

Infelizmente o mundo inebriado pelo politicamente correto não consegue pensar fora dessa ética globalista.

Mas a realidade não se encaixa no pensamento confortável. É por isso que estamos em crise econômica, moral e, futuramente, poderemos estar de volta à guerra fria.

Nós continuamos sendo inteligentes, porém o politicamente correto “proíbe” que trabalhemos intelectualmente cenários incômodos, fora da moral geralmente aceita. A imprensa está tomada por essa vírus do caminho intelectual proibido.

E dessa forma continuaremos com opiniões bovinas, convenientes e erradas.

Por que será que todos dizem que Trump irá iniciar a terceira guerra mundial, enquanto Putin diz justamente o contrário, que Hillary o faria, mesmo com a doutrina Obama deixando o baixinho russo deitar e rolar na geopolítica mundial? Todos os cenários apresentados pelos “analistas” corretos, não explicam isso!

Porque Putin, provavelmente, quer a guerra fria e não a terceira guerra. E esta seria provável, sem adversários. Há 2 cenários para quem é forte militarmente. Conquista e equilíbrio. Putin clama, desesperadamente, pelo equilíbrio. Mas dentro da guerra fria, onde a mãe Rússia voltará a dar as cartas, mesmo sendo uma economia esquálida e frágil. Pior será se o futuro do petróleo for tenebroso. Não sobrará muito da economia russa.

Se estou errado nem é tão importante. Mas é bom deixar um pensamento fora da caixinha circulando, para as pessoas raciocinarem de maneira alternativa. Todo mundo pensando do mesmo jeito é um saco.

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Rio de Janeiro: O Caos financeiro, a Casta de Privilegiados e o Ocaso do Brasil

Posted on 17/11/2016. Filed under: Filosofia, Finanças, Política |

O governo do Rio de Janeiro quebrou e não deve se recuperar antes de 2022, se conseguir.

Em essência o problema foi utilizar todo o espaço fiscal gerado pelo boom do petróleo, da ilusão da copa e das olimpíadas para permitir o crescimento de despesas permanentes.

Há um grupo de “analistas” que dizem que o problema não é de crescimento de despesas, mas de redução de receitas. É uma análise conveniente, mas errada e ineficaz. Uma análise honesta deve encarar o problema de acordo com as armas que o estado tem para solucioná-lo. E certamente não está à disposição aumentar a receita em 30%. Nem com aumento de impostos, nem com a expectativa de crescimento econômico. Não há qualquer arsenal de aumento de receitas à disposição de QUALQUER governo na federação, nem no Governo Federal.

Ou se olha pelo lado dos cortes, ou deixamos a coisa explodir em uns 3 anos. Quando falo explodir, não é nada perto do que vivemos nos últimos 516 anos. É algo que ainda não ocorreu por aqui.

O Rio já dá uma ideia de como seria essa explosão. Falta dinheiro para coisas básicas como pagar salário e aposentadorias, mas há uma luta, principalmente por parte da ala mais privilegiada (judiciário e legislativo), para defender o recebimento prioritário de seus vencimentos. Clássico “farinha pouca, meu pirão primeiro”. O problema é que a farinha é, em última análise, fornecida por quem já recebe pouquíssimo pirão e não tem qualquer motivo para entender o faisão dos desembargadores do TJ-RJ.

O ocaso do Brasil

Busca-se o socorro do governo federal. Se vier essa ajuda, comprar dólar vai ser uma boa opção para o médio prazo. Vamos quebrar.

Seria o clássico abraço de afogado. Se o governo central oferecer ao RJ qualquer tábua de salvação, mais 10 estados destruídos virão abraçar a frágil boia, o que levará todos para um buraco que ainda não vimos.

O governo central tem déficits que beiram 10% do PIB ao ano. A dívida cresce sem limites. Os juros voltaram a subir forte em novembro. Com Dilma já teríamos quebrado, sem as iniciativas tímidas de redução de gasto promovidas por Temer, o mercado já teria se retirado do Brasil e de seu futuro. Mas Temer também corre esse risco, de quebrar o Brasil, pois as resistências ao controle de gastos, mesmo numa expectativa péssima para o futuro das receitas, são fortíssimas, principalmente por quem não quer perder privilégios sobre o orçamento público. Aqui inclui-se de tudo. Empreiteiros, empresários, funcionários públicos, bolsistas e outros grupos estado-dependentes.

Mas esse orçamento acabou.

A injustiça e a percepção da injustiça.

Do ponto de vista dos “direitos adquiridos”, todo corte parece injustiça. Mas não é isso que pode gerar convulsão social. Pagar o pato faz parte. Mas pagar sozinho, não.

Enquanto os governos pedem sacrifício aos servidores e à população, principalmente aos menos abastados e protegidos, a estrutura inadmissível de privilégios continua incólume, inabalável e crescente.

O servidor que ganha R$ 3.500,00 não entende porque seu salário precisa ser reduzido em 20% enquanto membros do legislativo e do judiciário ostentam remunerações, que são decididas por eles mesmos, que ultrapassam R$ 100.000 por mês.

O problema é que a redução ou congelamento de salários em poderes que usam seu orçamento como bem entendem, é ineficaz, pois sempre haverá retroativos convenientemente inventados, sempre haverá ressarcimento de despesas médicas infinitas, sempre haverá uma portaria ou norma à disposição para repor qualquer “necessidade” de quem não precisa de nada.

Na verdade, quem pagará o pato é aquele que vive no limite. Tirará o filho da escola, cortará no mercado, cancelará o plano de saúde, vai se mudar para longe do trabalho para poder pagar o aluguel. O Estado não estará lá para lhes prover reembolsos do Samaritano ou auxílio moradia no Leblon.

Não vai dar certo

O nível de desequilíbrio das contas é tão alto, e contínuo, que não adiantará empurrar com a barriga até uma eventual melhora da economia. Esta não virá antes de 2018, se é que virá.

O problema é que vivemos um momento em que as principais lideranças brasileiras estão envolvidas com problemas pessoais, principalmente com a polícia.

Os chefes do executivo, atuais e anteriores, estão enrolados na lava-jato, os chefes do legislativo também. Só conseguem pensar em legislar para se livrar da justiça. O país precisa desesperadamente de reformas, em todas as áreas, mas os esforços mais eloquentes estão em livrar Renan Calheiros da cadeia. Com o STF empenhadíssimo nessa e em outras operações-abafa.

A maioria dos privilégios nababescos pagos ao legislativo e ao judiciário, principalmente estaduais, já poderiam ter sido barrados no STF, há anos, mas convenientemente dormitam até hoje nas gavetas de quem pediu vista ou trancou a pauta. Corporativismo? Talvez seja pior que isso.

Pedir sacrifícios ao povo brasileiro e desfilar imoralidades com dinheiro público não vai dar certo. Os “senhores do orçamento” precisam, voluntariamente, extinguir obscenidades como usar de aviões da FAB indiscriminadamente, gastos milionários com cartões corporativos e penduricalhos imorais (ainda que pseudo-legais) nos vencimentos de quem abriga até colégio bilíngue de filho no orçamento público.

Análise puramente econômica

Na verdade, a análise não pretende ser um libelo puritano e moral, nada disso.

Os caminhos para a solução estão dados, todos conhecemos há décadas. É sacrifício mesmo. E barra pesada.

Quando o mercado aplaudiu a PEC 241 e a futura reforma da previdência não o fez por ser “mal”, por ser o “grande satã”, ou por que o “FMI mandou”. O fez porque é da sua natureza entender as contas de risco e retorno.

Se o ente tomador de empréstimo (Brasil) é solvente e tem uma evolução positiva nessa solvência, o mercado empresta barato. Caso contrário, empresta caro. Ou não empresta.

Isso não é matéria de caráter moral, é tão somente cálculo estatístico trivial de desvios padrões, médias e covariâncias. Ser estúpido com matemática custa caro, por isso o mercado costuma não falhar nessas modelagens simples.

Podemos mandar o mercado às favas?

Sim, e, se isso acontecer, há opções para quem quer se proteger como o dólar e os títulos pós-fixados, ou até os atrelados à inflação. Ou até sair do país, caso migremos ao modelo bolivariano (que já foi brasileiro) de controle cambial, inflação mascarada e controle de capitais. Aí é dólar a R$ 7,00 e inflação descontrolada.

 

Há boas perspectivas para a economia?

Não vejo nenhuma. Se os governantes brasileiros decidirem esperar por um milagre, é bom desistirem e se acostumarem com invasões de assembleias, de câmaras e de suas próprias privacidades.

Petróleo não subirá de forma significativa, aliás corre o risco de cair. Trump pode reduzir o poderio econômico chinês, consequentemente o preço de outras commodities que vendemos. Nossas receitas orçamentárias não vão subir. Há fila de empresas com risco de pedir recuperação judicial. Os juros voltaram a subir, pois o Brasil está menos confiável. O mercado imobiliário não passará nem perto da recuperação, sem crédito e sem emprego. A queda na renda dos funcionários públicos, forçada pelos desequilíbrios orçamentários, pelos aumentos de contribuições previdenciárias e pela incerteza quanto ao pagamento, vai reduzir significativamente o poder de consumo em várias cidades brasileiras, dificultando a recuperação econômica. A carência de recursos nos governos vai reduzir demais os projetos privados que, infelizmente, se acostumaram e ficaram viciados em dinheiro público, em correr risco com o dinheiro do contribuinte. Não há dinheiro privado para investimento nas empresas brasileiras, estão todas cortando.

A única boa expectativa que tínhamos era receber dinheiro do exterior, abundante e barato. O problema é que o Brasil enfeiou. O Brasil está fedorento. O Brasil está sanguinário. O Brasil não fez, e pelo jeito não fará, nenhum dos seus deveres de casa.

O Brasil não é mais destino para nada. Levaremos, nessa toada, outros 500 anos para voltar ao grau de investimento.

O que fazer?

Equilibrar o que está desequilibrado, moralizar o que está imoral, para então pedir apoio e sacrifício à população.

Temer não tem a legitimidade do voto e de um projeto de governo vitorioso nas urnas. Mas isso é o de menos, pois ele poderia “ganhar” essa legitimidade, honrando os motivos que levaram as pessoas às ruas pelo fim do governo inacreditável de Dilma Rousseff.

Para começar, poderia parar de jantar com Renan Calheiros. Aliás, se o STF julgar e condenar Renan, o que já poderia ter feito há 2 anos, será um bom início. Dará o sinal de que a monarquia está acabando.

O caminho, único e evidente, é entregar Luis XVI e Maria Antonieta ao povo, antes que o povo resolva toma-los à força. Força aqui não é “força de expressão”, a invasão da Assembleia do RJ, do Congresso Nacional e a hostilização de políticos e juízes do STF já são realidade.

Os caminhos constitucionais estão abertos. Fim de dinheiro subsidiado para empresas bilionárias (o maior de todos os pecados do PT). Teto constitucional está aí para ser cumprido. Demissão de servidores (o que Pezão quer evitar) também. Para a demissão chegar aos servidores estáveis, os governos têm que cortar todos os cargos em comissão, ou seja, retirar da máquina milhares de apadrinhados, por que não fazem? Reforma da previdência, reforma trabalhista etc., estão todas aí.

Pudemos empurrar com a barriga por 516 anos, mas acabou a barriga e o caminho. Não dá para esconder nada embaixo do tapete agora.

Não dá para pedir sacrifício ao povo sem mostrar severos cortes em benefícios injustificáveis e imorais.

É difícil demais ver um salário de R$ 5.000 cair para R$ 4.000, por um esforço de equilíbrio orçamentário, e saber que há salários imunes a esses cortes, pois sua composição é de penduricalhos bilionários.

Talvez seja a hora de um “populismo salarial”, ou seja, não cortar de quem ganha menos e buscar o ressarcimento em quem ganha mais. Prefiro ver meu PM ganhando os mesmos R$ 3.000 e meus desembargadores vendo seus vencimentos caírem de R$ 100.000 para R$ 30.000. É justo e moral. Não vou entrar no mérito da legalidade, pois quem faz as leis e quem as julga são exatamente os que mais benefícios auferem da legislação e de sua interpretação. É causa própria, só consigo avaliar a moralidade. É imoral e, ainda que fosse legal, é conflito de direito adquirido. Nosso pacto social promete o paraíso em troca de nossos impostos. Recebemos o inferno. Nós contribuintes temos nosso direito constitucional negado diariamente.

Nem Bolsonaro, nem Trump, em 2018.

A julgar pelo caminho que o Brasil está tomando, de total confusão orçamentária, o próximo presidente não precisará apenas ser boquirroto, falastrão e conservador. Não adianta querer perseguir os bandidos de rua e destroçar a esquerda e o insuportável “politicamente correto”, apenas. Vai ter que endereçar a questão de Luís XVI e Maria Antonieta.

Vai ser a principal guerra em 2018. Quem mostrar que consegue transformar a destinação dos recursos públicos em algo mais equilibrado, menos imoral e menos injusto, deve vencer a eleição.

O discurso está dado. Pezão não usou, mas se fosse eu, usaria.

Quando recebesse a ordem judicial para pagar primeiro o salário dos juízes e desembargadores, eu chamaria a TV, rasgaria a ordem ao vivo, e diria que o salário de quem ganha menos será pago primeiro, se sobrar pagaria o resto. Falaria o seguinte:

– Descumpro a ordem judicial sim, pode mandar me prender. Não vou pagar salário de R$ 170.000 a desembargador e deixar professor de R$ 1.600 sem dinheiro. Se quiser, liga para a PM e convença-os a me prender por pagar primeiro o salário do soldado que toma tiro pela população, em vez do auxílio moradia de quem tem apartamento próprio em Ipanema.

Está na hora de mudar o equilíbrio de forças no orçamento público. Ou é voluntário, ou será pela desobediência civil pura. Chegará um momento em que sonegar será questão de honra para a população.

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Por que Trump venceu as eleições nos EUA? Esqueça as análises simplistas, a coisa é ainda mais simples do que parece.

Posted on 09/11/2016. Filed under: Filosofia, Política | Tags:, , , , |

Trump tem um conjunto infinito de características que deveriam tê-lo levado a uma derrota fácil. Mas venceu. E não venceu por causa do muro, do racismo, da xenofobia, da misoginia, da bomba na jihad ou pela “burrice” do americano médio. Foi outro o motivo de sua acachapante vitória.

Trump pensa coisas estranhas e fala coisas mais estranhas ainda. Trump parece ter sonegado impostos. Trump parece mentir sobre sua própria fortuna. Trump conta vantagem sobre sua posição social e suas conquistas amoro$a$. Trump parece ter contratado imigrantes ilegais. Trump fala mal de algumas raças e credos. Trump quer bombardear o inimigo que ataca os EUA. Trump conta piadas sem graça. Trump se refere às mulheres de forma vulgar. Trump é hedonista.

Enfim, Trump é o estereótipo perfeito da afronta à agenda globalista e politicamente correta.

Hillary, ao contrário, é o perfeito clichê politicamente correto.

É amiga de Bono, abraça toda e qualquer minoria (e suas agendas), acolhe todas as religiões e suas bizarrices, está do lado dos artistas progressistas, não gosta de armas, é mulher, preocupa-se com os pobres (mesmo vestindo roupas de 50 mil dólares), não comete gafes politicamente incorretas, conta piadas assépticas, discursa para não ofender, é anti-imperialista etc..

O mundo viu os dois como candidatos ao cargo máximo da democracia ocidental, mas na verdade o que aconteceu foi um embate entre uma agenda opressora e a reação a esta.

Não é o que você está pensando. Não é Trump o ponta de lança da agenda opressora de que estou falando.

Antes de continuar é necessário dizer que não pretendo fazer julgamento de valor sobre o futuro papel de Trump, ou o ex-futuro papel de Hillary na presidência. Isso foi secundário na eleição. Quero apenas sugerir, fora das ideias do main stream, o motivo de Trump ter vencido, mesmo quando forçou a barra para ser estridente, histriônico e politicamente incorreto.

Trump não é “o” americano médio. Não cometa esse erro de análise.

É fácil ler na imprensa hoje a explicação de que ganhou o americano médio idiota. O branco pouco letrado e simplório.

Mas Trump é muito mais do que isso. Trump, ou ao menos o personagem que ele encarnou durante a eleição, é o americano médio, mínimo e máximo.

Trump exibiu praticamente todos os pecados morais, intelectuais e até legais que permeiam a sociedade americana (e mundial).

Não é difícil acreditar que 90%, talvez mais, da população americana tenha alguma das características que considera desprezíveis ou reprováveis em Trump.

Sonegar impostos, contratar imigrantes ilegais, se ofender com agendas de minorias, cometer gafes, contar piadas ruins sobre temas sensíveis, ser vaidoso com suas conquistas, querer explodir o inimigo que lhe ameaça, ser grosseiro, rude e xucro, pintar o cabelo com tintura de mau gosto, colecionar rifles, adorar dinheiro e sucesso, vangloriar-se de conquistas sexuais, trocar sexo por dinheiro etc.

Alguns desses tópicos configuram crime nos EUA (sonegação ou prostituição), mas Hillary e sua campanha preferiram atacar as características comportamentais, os valores de Trump.

Ora, não é evidente que ser um idiota vá gerar alguma atividade criminosa no futuro. Muita gente vive com valores confusos durante sua vida inteira e não cria transtornos para ninguém, talvez para si mesmo. Estaríamos a criminalizar a burrice, a idiotice ou a ignorância?

Não se pode mais ser idiota em paz no mundo?

Ora, somos todos idiotas aos olhos de alguém. Todo mundo é o imbecil de alguém. Com certeza alguém que me lê neste momento está pensando “que idiota!”.

Antigamente o “tiozão deslocado no churras” era motivo de piada interna, alguém da família brincava com ele, as piadas sobre as bobagens que ele fazia e dizia nos encontros de família viravam um elemento de integração até para ele, que curtia ser o centro das atenções, mesmo que por motivos pouco nobres.

Hoje, quando a pessoa destoa em público ou em família, minimamente, do que é politicamente aceito, não há mais espaço para ela no debate familiar ou social. Só é menos execrada que o fumante, ou nem isso.

Não há mais piada engraçada no mundo. Não há mais espaço para alguém que personifique conceitos politicamente incorretos.

São execrados socialmente e sua atitude é vista como a representação clara e inequívoca de valores negativos absolutos como o mal, o ódio, a burrice, o erro.

Donald Trump foi massacrado por cada um dos defeitos que fez questão de projetar.

E há, ao menos, um destes defeitos em cada americano, médio, ou 5 estrelas Bono-style.

Até as pessoas que estrelam a agenda progressista e politicamente correta tem vários dos pecados de Trump em seu currículo, mas são alienados o suficiente para só ver bondade, acerto e inteligência em seus atos e pensamentos.

Wagner Moura e Gregório Duvivier têm a certeza de que estão do lado do bem absoluto, do nirvana intelectual e moral, mas são apenas seres humanos carentes de autocrítica.

Donald Trump venceu porque encarnou a libertação para quem não é, não se considera e não quer ser perfeito.

Qualquer americano que tenha, algum dia na vida, se comportado como Trump, nas mais variadas facetas de sua personalidade, se incomodou quando o bilionário foi tratado como a representação do mal absoluto, do erro evidente, do indesejável e do inaceitável.

O uso equivocado da palavra tolerância

Tolerância não é amar, aceitar, desejar ou incentivar. Tolerar é conviver mesmo sem gostar, mesmo sem amar, mesmo sem aceitar e incentivar.

Reproduzo aqui os significados para a palavra tolerância: 1. ato ou efeito de tolerar; indulgência, condescendência; 2. tendência a admitir, nos outros, maneiras de pensar, de agir e de sentir diferentes ou mesmo diametralmente opostas às adotadas por si mesmo.

É possível ser como Donald Trump e ser tolerante.

Trump se diz contra mexicanos e imigrantes, mas cansou de contratar esses mesmos imigrantes durante décadas, podem até se odiar, mas viveram sua simbiose. Trump trata as mulheres de forma vulgar, mas quem somos nós para criticar sua vida conjugal. É acordo mútuo ou ele sequestrou sua esposa?

Mas é possível ser Wagner Moura e ser tolerante? É possível ser Hillary Clinton e ser tolerante? É possível chamar 25% a 30% do eleitorado americano de “basket of deplorables”, “racist, sexist, homophobic, xenophobic, Islamaphobic…” e ser tolerante?

Aliás, o que isso tem a ver com tolerância? Uma coisa é não gostar de outro grupo, outra é classificá-lo como o mal absoluto, inequívoco e desprezível.

Quem tem um ideal de mudar o outro para só então aceitá-lo pode ser tudo, menos tolerante.

Por definição, só existe tolerância na diferença. Agendas igualitárias são opressivas e intolerantes. Mas é curioso que justamente a blitzkrieg do politicamente correto cobre tolerância, quando, na verdade, quer mesmo é doutrinar e subjugar.

Eu posso não acreditar no que você acredita, não gostar do que você gosta e não compartilhar dos seus valores e ainda assim ser um bom colega de trabalho, parente e até amigo. Mas é impossível ser isso tudo se você me considera deplorável, detestável ou desprezível.

Burrice não é crime, idiotice não é crime, ignorância não é crime. Se o americano é livre, ele pode perfeitamente ser idiota, burro e ignorante. Deveria ser um direito inalienável, cláusula pétrea da constituição, a garantia de poder ser burro livremente.

Não estou chamando os eleitores de Trump, ou ele, de burro. Quem fez isso foi Hillary e a imprensa americana (e brasileira).

Trump criticava características e ações específicas de Hillary e Obama, enquanto os dois preferiram o atacavam por ser “evidentemente” o mal, por estar “inequivocamente” errado. E isso é apenas arrogância intelectual. Deu errado, mesmo contra o pior candidato republicano jamais imaginado.

A perfeição de Jesus Cristo e a perfeição de Hillary Clinton.

Nós aceitamos viver uma ideia de busca da perfeição de comportamento, aceitamos nos penitenciar por fugir da vida em Cristo, em Buda ou em Maomé. Conseguimos depositar nosso sistema de crenças e seguir o misticismo milenar.

Mas qual o critério de superioridade moral e comportamental de Hillary ou do ideário globalista politicamente correto?

Não há, mas mesmo assim Hillary e seus seguidores comportam-se como messias portadores da boa nova, do último código de conduta, do pensamento correto e da ação justa.

É por isso que perderam a eleição contra o perfeito anti-herói.

O maior de todos os idiotas intolerantes não é aquele que acha que está certo. É aquele que tem certeza de que está certo.

E no que tange à certeza arrogante da virtude, Hillary e seus seguidores estão anos-luz à frente de Trump e de seu exército de homens simples, moralmente perseguidos.

Aprendam, engulam a derrota e pratiquem tolerância. Mas a verdadeira, não aquela que pressupõe que eu mude para você me aceitar.

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  • Disclaimer

    Este blog é um ambiente privado para expor opiniões, estudos, reflexões e comentários sobre assuntos ligados a finanças, bolsa de valores, economia, política, música, humor e outros temas.

    Seus objetivos são educacionais ou recreativos, não configurando sob nenhuma hipótese recomendação de investimento.

    O investidor consciente deve tomar decisões com base em suas próprias crenças e premissas. Tudo que lê ou ouve pode ser levado em consideração, mas a decisão de investimento é sempre pessoal. Tanto na escolha de ações para carteira própria, quanto na escolha de gestores profissionais para terceirização da gestão.

    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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