Putin e Trump, o que a imprensa não vê. Ou se recusa a ver.

Posted on 21/11/2016. Filed under: Filosofia, Finanças, Política | Tags:, , , , , |

No sábado, dia 19.11.2016, o programa do Willan Waack na Globo News se propôs a discutir a futura geopolítica de Trump.

3 especialistas, que realmente entendiam do assunto, nos brindaram com algumas boas ideias e com um monte de trivialidades.

Mas, a meu ver, todos erram por evitar pensar “fora da caixinha”. Há uma unanimidade ao assumir que a situação com Trump ficaria mais perigosa, que Trump aceitaria a política expansionista de Putin na Criméia, na Ucrânia e nos Balcãs.

Porém esquecem de um ponto, Putin disse que haveria a terceira guerra mundial se Hillary vencesse, e não Trump. Logo Hillary e Obama, que nunca confrontaram Putin em nada. A doutrina Obama é clara ao retirar dos EUA protagonismo na geopolítica mundial.

Mas a explicação é meio óbvia, apesar de nenhum dos especialistas ter levado para esse lado.

Putin é remanescente da Guerra Fria. Putin sabe que a Rússia Grande só existirá no campo bélico. Fora disso, a Rússia é apenas uma economia menor que a da Coréia do Sul e totalmente dependente de seus vizinhos europeus para consumir seu gás e óleo, cada vez mais baratos.

Obama não o enfrentou. Obama permitiu o protagonismo da Rússia, mesmo em situações vexatórias como na Ucrânia e na Síria. O mundo inteiro sabe que a Rússia afirma enfrentar o ISIS, mas é pretexto para destruir os rebeldes e garantir Bashar Al Assad no poder.

Putin continua abertamente sua corrida armamentista, lançando há pouco o Satã 2, arma nuclear que poderia atingir qualquer cidade do mundo. Putin fala abertamente em uso tático de armas nucleares (menores). Putin fala abertamente em retomar sua área de influência no leste europeu. Putin quer instalar mísseis na Venezuela.

Obama não se importa. Obama é Ghandi no lugar errado. A não violência e a não intervenção (objetivos declarados de Obama, porém não totalmente cumpridos) retirou o protagonismo dos EUA e é por isso que Putin atribui a terceira guerra mundial à gestão de Obama e à ex-possível gestão de Hillary, e não à Trump.

Ele não é Hitler. Ele sabe que a Rússia grande não é a da terceira guerra mundial, mas a da guerra fria.

Putin quer e precisa de um adversário também belicoso. Se ele quisesse um adversário frágil e calado, iria preferir a continuidade da Doutrina Obama.

Não é verdade, portanto, que o mundo ficará mais perigoso com Trump. Talvez regridamos para ter tensões geopolíticas que há muito não víamos, mas nós convivemos com isso por quase 50 anos.

O mundo que não conhecemos é o de Putin livre, sem oponente. Só sabemos que ele demonstra interesse em recuperar a influência da antiga URSS. Mas não conhecemos esse mundo sem os EUA de Reagan.

Na minha modesta opinião, que é contrária à da maioria dos analistas, Putin quer retomar o único quadro geopolítico em que ele é relevante, o da corrida armamentista e da guerra fria.

Mas precisa de um oponente.

Hitler queria dominar o mundo, portanto não precisava de nenhum adversário forte, Putin sabe que dominar um mundo com armas atômicas é impossível (ele acabaria e não haveria o que dominar), portanto PRECISA de um adversário. Obama nunca foi.

Obama está certo? Trump está errado?

Essas perguntas não fazem muito sentido, apenas apaziguam nossa necessidade de assumir lados, de procurar alguma moralidade que nos traga conforto.

O que importa é saber o interesse dos protagonistas. Se soubermos, podemos tomar decisões corretas, se nos recusarmos a saber, por motivos moralistas, vamos tomar decisões erradas.

Infelizmente o mundo inebriado pelo politicamente correto não consegue pensar fora dessa ética globalista.

Mas a realidade não se encaixa no pensamento confortável. É por isso que estamos em crise econômica, moral e, futuramente, poderemos estar de volta à guerra fria.

Nós continuamos sendo inteligentes, porém o politicamente correto “proíbe” que trabalhemos intelectualmente cenários incômodos, fora da moral geralmente aceita. A imprensa está tomada por essa vírus do caminho intelectual proibido.

E dessa forma continuaremos com opiniões bovinas, convenientes e erradas.

Por que será que todos dizem que Trump irá iniciar a terceira guerra mundial, enquanto Putin diz justamente o contrário, que Hillary o faria, mesmo com a doutrina Obama deixando o baixinho russo deitar e rolar na geopolítica mundial? Todos os cenários apresentados pelos “analistas” corretos, não explicam isso!

Porque Putin, provavelmente, quer a guerra fria e não a terceira guerra. E esta seria provável, sem adversários. Há 2 cenários para quem é forte militarmente. Conquista e equilíbrio. Putin clama, desesperadamente, pelo equilíbrio. Mas dentro da guerra fria, onde a mãe Rússia voltará a dar as cartas, mesmo sendo uma economia esquálida e frágil. Pior será se o futuro do petróleo for tenebroso. Não sobrará muito da economia russa.

Se estou errado nem é tão importante. Mas é bom deixar um pensamento fora da caixinha circulando, para as pessoas raciocinarem de maneira alternativa. Todo mundo pensando do mesmo jeito é um saco.

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Olá, Paulo!

Acompanho teu blog faz pouco tempo. Tem sido interessante tuas análises e opiniões.

Abraço!

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  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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