Nem de esquerda, nem de direta. Somos coletivistas ou individualistas.

Posted on 06/08/2018. Filed under: Filosofia, Finanças, Política | Tags:, , , , , , , , , |

O leitor deve lembrar-se de uma polêmica recente nas redes sociais indagando se o nazismo foi um movimento de direita ou de esquerda.

Os lados contrários apresentaram seus argumentos e, aparentemente, ninguém mudou de opinião. Quem relacionava Hitler à esquerda entendeu que seus argumentos eram suficientes, quem o relacionava à direita, se manteve firme.

Não vou entrar na discussão se Hitler foi de esquerda ou de direita, mas COM CERTEZA ele era um coletivista. Assim como foram Stálin, Mao, Fidel, Mussolini etc.

Os conceitos de esquerda e direita ficaram muito fluidos e difíceis de definir. Tanto é verdade que a nova direita brasileira se define como “conservadora nos costumes” e “liberal na economia” e a esquerda procura se espelhar em regimes europeus bem sucedidos de estado do bem estar social, para defender suas doutrinas.

Mas essa confusão seria desfeita se passássemos a classificar nossos pontos de vista entre o coletivismo e o individualismo, posicionando-nos em algum lugar entre esses dois pontos.

Coletivismo e Individualismo

Por conveniência histórica a esquerda demonizou o conceito de individualismo e enalteceu o conceito de coletivismo, sob o aspecto moral.

O individualista é associado ao egoísmo e ao desdém pelas questões sociais, o coletivista seria alguém preocupado com o outro, que quer resolver os problemas de todos. Criou-se uma falsa dualidade entre egoístas e altruístas.

É uma simplificação conveniente, mas errada.

As pessoas são individualistas ou coletivistas de acordo com sua visão fundamental do direito.

Não pretendo discorrer sobre questões específicas de direito, pois não é minha área, mas apenas sobre como pensam os individualistas e coletivistas a respeito do regime ideal de direito.

Um individualista entende que os direitos individuais são os fundamentais e devem ser respeitados de forma inequívoca para o bem estar da sociedade, sendo esses direitos superiores aos direitos da coletividade.

Um coletivista entende que os direitos da coletividade devem se impor aos direitos individuais. O interesse social será SEMPRE maior do que o individual.

Esquecendo os utópicos, como libertários e anarquistas (que pregam ausência de governo), tanto coletivistas quanto individualistas concordam com a ideia da necessidade de um governo, como garantidor do seu regime de direito.

O individualista puro existe apenas no campo da utopia, pois, como entende ser necessário um governo para garantir os direitos individuais, alguma restrição de liberdade haverá (como a exigência do pagamento de impostos).

Infelizmente, o coletivista puro pode existir no campo da realidade, uma vez que sociedades totalitárias, em que o regime de direito pressupõe a extinção de direitos individuais básicos,  existiram e ainda existem.

A maioria das pessoas, porém, encontra-se entre esses dois extremos.

UM ALERTA!

Muitas pessoas que se consideram “de direita” vão se identificar com traços do coletivismo. Aqui no Brasil fomos instruídos a depender do governo, tanto é fato que a maioria dos aposentados do INSS não guardou dinheiro (previdência individual) entregando seu futuro e sua sorte ao orçamento público. É uma confiança e tanto.

Não se assuste se você se identificar com aspectos do coletivismo, como disse, não há individualista puro e nem todos os aspectos do coletivismo são nocivos.

Não há qualquer julgamento de valor absoluto nesse artigo, apenas minhas opiniões.

Exemplo de visão de direito

Um exemplo polêmico pode demonstrar como os individualistas e coletivistas sentem a função do direito e o papel do Estado.

Até junho de 2008, não era automaticamente crime dirigir sob o efeito de álcool no Brasil. Além disso, a definição de crime no trânsito exigia a demonstração de que o motorista que bebeu expôs os outros a perigo.

Em junho de 2008 foi estabelecida a Lei Seca no país, criminalizando o motorista que tivesse um nível igual ou superior a 0,6 g/L de álcool no sangue.

Em 2012 adotou-se a tolerância zero para quem fosse pego dirigindo após ingerir qualquer volume de bebida alcoólica.

Sempre foi crime matar ou ferir alguém estando bêbado ao volante, mas a Lei Seca passou a tipificar como crime o próprio fato de dirigir após beber, independente das circunstâncias (expor ou não os outros a perigo, estar ou não em condições suficientes de reflexo) ou da existência, ou não, de danos mensuráveis.

Um individualista não concorda com legislações que restringem severamente direitos a fim de coibir um crime potencial (aumento de probabilidade de acidentes). Entende que o regime de direito deveria ser rigoroso com quem efetivamente comete um crime contra o direito de outro indivíduo.

O histórico do Brasil nesse aspecto é péssimo. Além de as penas serem brandas (ainda são), poucas pessoas são realmente punidas. Se você matar alguém no trânsito, mesmo estando bêbado como um gambá, dificilmente permaneceria preso, mesmo hoje.

Para o individualista, o individuo que cometeu o crime, estava bêbado e matou uma pessoa no trânsito por exemplo, deveria ter uma pena elevada, compatível com o dano criado, rapidez no processo e na execução da pena e ônus financeiro, podendo ser processado por danos materiais e lucros cessantes, indenizando a família da vítima.

Se o risco de dirigir bêbado e atropelar alguém for pegar 20 anos de cadeia e perder seu patrimônio, e se esse risco for bem divulgado (publicidade é fundamental), a tendência seria, ao menos nas pessoas conscientes, evitar esse risco. Inconsequentes não se importam com a lei.

Hoje, se você matar alguém no trânsito pode, acredite, ter sua pena de 5 a 8 anos de cadeia convertida em pagamento de cestas básicas. Para o individualista, é inadmissível que a conduta criminosa que tira efetivamente a vida de terceiros tenha pena tão desproporcional ao dano criado.

Para o coletivista criar uma lei punindo rigorosamente a todos, independente das características pessoais, das situações sociais e da quantidade de álcool ingerido, por um crime de caráter potencial (ele não matou, apenas elevou a probabilidade), é o caminho indicado.

A Lei Seca está longe de ser o único exemplo. Recentemente, no Rio de Janeiro, pela quantidade de crimes cometidos por duplas em motocicletas, aventou-se a possibilidade de PROIBIR andar em dupla. Não passou a legislação, mas o princípio era o mesmo, punir a todos pelo crime de uns poucos.

O brasileiro é bastante coletivista, nossa formação, infelizmente, prega a dependência do governo. Quando há algum problema, o brasileiro costuma pensar: – o governo tem que proibir isso!

A Lei Seca deu certo?

Em termos morais e educacionais aparentemente sim, mas não é possível afirmar que houve queda nas mortes no trânsito por conta disso. Apesar das reportagens na imprensa exaltando a lei, não há evidências empíricas de que deu certo. Ao menos as mortes, em termos absolutos, não caíram (até aumentaram).

Veja nos dados do DATASUS (o DPVAT não é um bom indicador, pois pode haver fraude):

http://vias-seguras.com/os_acidentes/estatisticas/estatisticas_nacionais

Ou aqui:

http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/deftohtm.exe?sim/cnv/ext10uf.def

Procure por “acidentes de transporte” (dados até 2016).

Obs. Não estou afirmando que não deu certo, só que não é possível ver claramente nas estatísticas a queda nos números do que se queria coibir.

Qual é o problema do direito coletivo?

Chamo de direito coletivo aquele que se propõe a defender determinada coletividade abstrata (conjunto de pessoas com características similares) de outra coletividade abstrata.

O direito individual é bastante claro e bem definido. Quem ofende e quem processa são polos claros na ação. Se há dano material ou moral ao indivíduo, o fato é passível de formação de prova e pode ser debatido com clareza nos tribunais. É possível medir o impacto do crime, o nível da ofensa e o prejuízo criado, COM BASE NA PERCEPÇÃO do ofendido.

Isso é impossível para o direito coletivo. O crime não depende da percepção individual de quem foi ofendido, mas do dano moral coletivo, que sabe-se lá como é medido.

O direito coletivo, na prática, é o direito de todos, mas ao mesmo tempo não é o direito de ninguém em específico.

Esse direito tem mais efeito de ordem moral, pois acaba por punir comportamentos considerados genericamente ofensivos à coletividade, independentemente do dano medido, ou até diante da inexistência de qualquer dano.

O episódio da russa assediada por brasileiros na copa dá um exemplo disso.

Em um tribunal, se a moça pedisse indenização por danos morais ou materiais, teríamos uma medida clara do prejuízo que lhe causou. Inclusive, poderia até entender que não houve dano relevante e que não haveria necessidade de judicialização.

Quando passamos para a moral coletiva, parte das pessoas entendeu que era um dano a todas as mulheres, parte entendeu que era irrelevante. Houve pedidos de condenação moral e de penas que iam deste o espancamento dos caras, à perda de emprego e ao abandono por parte de sua família até, simplesmente, pena nenhuma.

Perceba, é a “justiça” de todos, mas não é a de ninguém em específico. Talvez alguns tenham ficado felizes com os danos sofridos na vida privada dos brasileiros (os que tiveram publicidade), outros podem ter considerado exagero, alguns podem ter ficado com medo, outros aproveitaram para surfar a onda e posar de bons moços (mesmo tendo uma vida privada repleta de episódios REAIS de machismo) e a maioria se calou.

Outro exemplo, para um coletivista, a tal “cultura do estupro” será resolvida a partir de uma agenda cultural para “mudar toda a sociedade”. Quando perguntaram à candidata do PCdoB o que ela faria para acabar com os estupros, ela disse que “combatendo a cultura do estupro” e que queria viver em um país onde não houvesse estupros. Não há qualquer proposta de direito individual aqui, nem para proteger uma vítima específica, nem para apenar um ofensor, apenas uma vaga proposta de revolução cultural, que, por óbvio, deverá atingir a todos. Tanto a vítima quanto o agressor não tem identidade, não tem cara. São estatísticas da agenda coletivista.

Para um individualista, seria resolvida com 50 camburões e 200 processos por assédio após uma micareta. Todos os envolvidos, ofensores e ofendidos, se entendendo na justiça.

Por mais que a sociedade tenha mudado com a forte agenda cultural revolucionária, não me parece que a dança de rostinho colado de 30 anos atrás seja menos respeitosa com as mulheres do que os bailes funks das periferias ou as micaretas dos endinheirados.

Se mudamos, mudamos para pior em termos de respeito ao próximo.

Em resumo o direito individual é claro, assim como os mecanismos para sua imposição. O direito coletivo é turvo, por isso é mais utilizado como instrumento de enforcement da mudança cultural e moral, do que propriamente um sistema organizado para punição e ressarcimento de danos reais.

Pode parecer lindo, mas é muito evidente que não funcionou. Não estamos melhores, nem em números, nem em respeito, nem em percepção.

Talvez tenhamos apenas mais medo, o que promove maior afastamento e menos diálogo. Só isso.

Mas quem somos nós nessa régua do direito?

O individualista máximo “possível” é aquele que entende que o governo existe APENAS para garantir seus direitos individuais básicos. Parece simples, mas não é. É necessário estruturar um sistema legislativo, para definir essa lei, um sistema judiciário e uma força militar e policial.

Os direitos individuais básicos são aqueles que protegem o indivíduo da imposição da força e da arbitrariedade contra sua vida, sua propriedade e sua liberdade. Boa parte dos direitos enunciados na Declaração Universal dos Direitos Humanos diz respeito à proteção contra a imposição da arbitrariedade do Estado e do outro, além do RESPEITO à individualidade.

Um “conservador nos costumes” e “liberal na economia” será um individualista se entender que o direito ao seu conservadorismo não exige extinção ou perseguição da moralidade dos outros, e também se professar a crença no livre mercado, na livre associação e na livre concorrência. E isso vale para proteger o beato do reformista social, e vice-versa.

Para ele, o papel do Estado será garantir, da melhor forma possível, esses dois pontos.

Ele NÃO será um individualista se entender que o Estado precisa impor uma moralidade específica ou se entender que o Estado pode substituir o livre mercado na decisão sobre os interesses subjetivos dos consumidores.

O Estado brasileiro é péssimo como mediador desses objetivos.

Do ponto de vista econômico, evidentemente é capturado por forças oligárquicas que querem EXTINGUIR a concorrência e agir de forma desleal com o consumidor e com o contribuinte.

Isso é absolutamente inequívoco. Foi assim, é assim e, a depender do próximo presidente, continuará sendo assim.

Nesse aspecto PT, MDB e PSDB atuam da forma bem semelhante. São contrários à liberdade econômica, e seu sistema de regulação defende interesses inconfessáveis e concentradores de poder e de processo decisório. Hoje, ao menos, quando são descobertos, vão para a cadeia (exceto o PSDB).

Do ponto de vista do respeito à moralidade alheia, o Estado brasileiro também é péssimo garantidor. As lutas por direitos civis individuais, em vez de ocuparem racionalmente a agenda e o sistema legislativo e a representação política, transformam-se em batalhas morais e culturais altamente opressivas, divisoras da sociedade e promotoras de intolerância.

Um individualista apoiará sempre a igualdade de direitos civis, pois é também uma proteção contra a tirania individual e do Estado contra si. Direitos iguais independente da raça, credo e orientação sexual serão suas bandeiras.

Entretanto não concordará com a imposição de moralidade contrária a seus valores e buscará se proteger desse sistema opressivo. Enquanto a luta for por direitos iguais, o individualista estará dentro, quando for pela repressão moral e revolução cultural, estará fora e lutando contra esse novo modelo de tirania.

Já para o coletivista, o Brasil é um paraíso. Até nosso fracasso como nação é algo positivo para o coletivista puro (que entende o direito coletivo como superior ao direito individual).

Veja o que ocorre na Venezuela. Racionalmente é impossível acreditar que o bolivarianismo trouxe sucesso e prosperidade, sob qualquer ponto de vista, ao povo venezuelano. Porém, o regime ainda é considerado um símbolo para movimentos coletivistas por aqui. PT, PC do B, PSOL estão aí para provar meu ponto.

O sucesso de políticas liberais e individualistas seria algo destruidor para o sonho dos coletivistas, por isso não podem permitir, de maneira alguma, que essas experiências sejam implementadas no Brasil.

Tanto é verdade, que ainda se discute volta de monopólios e reestatização de empresas. Tanto é verdade, que o coletivista sabota qualquer tentativa de promoção da liberdade econômica no Brasil, odeia a concorrência e prefere que o povo maranhense, por exemplo, espere mais 150 anos por saneamento básico, a entregar esse ramo para a iniciativa privada.

Sendo mais preciso quanto a esse ponto, tanto a direita (MDB, PP, PR) quanto a esquerda brasileira, ambas coletivistas, odeiam a iniciativa privada apenas até o ponto em que conseguirem encontrar uma forma de ganhar dinheiro ilícito com ela. Aí tudo fica liberado.

Está aí o Brasil dos últimos 30 anos que não me deixa mentir.

Para o coletivista puro, o regime de direito ideal é aquele que submete o direito à vida, à propriedade e à liberdade ao crivo do Estado.

A ofensa aberta à vida só tem lugar quando o regime coletivista já se consolidou (stalinismo e nazismo), mas a ofensa à propriedade e à liberdade já são amplamente exercidas aqui no país.

Nossa constituição é coletivista. Submete a propriedade à sua função social e submete o poder de avalizar essa função social à burocracia estatal.

Ao contrário do ideal “virtuoso” imaginado pelos coletivistas utópicos, inocentes úteis, a desapropriação de terras acaba, sempre, atendendo ao interesse dos coletivos de poder. São as corporações, as oligarquias e os sistemas de apoio político. Não há “povo”, apenas interesses de repartição de butins e manutenção de poder, sem criação de riqueza.

No âmbito cultural, o país é ainda mais opressivo. Nosso regime de direito impõe, cada vez mais, diferenciação entre coletivos de cidadãos. Mas não só no direito. Há esforço integrado de forças coletivas organizadas para imposição de agendas morais tão modernas quanto confusas.

Uma clássica prisão sem grades stalinista, imposta pela ditadura moral do politicamente correto.

Lamento afirmar aos leitores que mesmo gente que se considera liberal na economia e conservadora nos costumes, volta e meia, acaba se entregando a alguma agenda moral a ser imposta, via governo, ao outro.

Isso é evidente pelo comportamento revelado nas redes sociais.

A socialdemocracia, o coletivismo e o individualismo

É importante notar que é possível haver socialdemocracia tanto sob o ponto de vista coletivista, quanto individualista. É possível ter Estado do bem estar social sob qualquer um desses dois pactos do direito.

A diferença SEMPRE estará no papel do Estado sobre os direitos individuais básicos e sobre a moralidade.

Estados altamente liberais, que não se metem em questões morais e regulam os sistemas sob sua tutela para ampliar as liberdades individuais e proteger a vida e a propriedade, são individualistas.

O dinheiro de impostos, nesses Estados, não volta sob a forma de poder excessivo ao governo, ao contrário, volta como poder ao cidadão. Nesse aspecto, um sistema de vouchers, em que uma mãe recebe uma determinada quantia para matricular seu filho em qualquer escola, é individualista, enquanto um sistema educacional formatado e gerido por uma burocracia estatal tende a ser coletivista.

Perceba que coletivismo e individualismo são posturas relacionadas ao regime de direito e ao papel do Estado nesse balanço entre individuo e coletividade. Não necessariamente uma nação com ampla liberdade individual será uma nação com Estado mínimo (provendo apenas segurança).

Vale relembrar que um individualista está pacificado com um pacto social que pressupõe a existência de um governo, portanto entende que pagar impostos faz parte desse pacto.

A forma da distribuição desses impostos é que poderá trazer liberdade ao indivíduo, ou concentrar poder na burocracia estatal.

Resumindo o ponto fundamental do artigo.

O Brasil é um país fracassado não por ter sido governado até 1994 pela direita, ou desde então pela esquerda. É um país fracassado porque é COLETIVISTA.

É um país que despreza os direitos individuais básicos, de forma proposital e ideológica. É Alckmin fazendo pacto com o PCC, é PT defendendo a “humanidade” de estupradores e pedófilos. Para ambos, que se dane a vítima. É melhor defender uma “categoria” utópica ou um “bem maior” do que desvendar um assassinato ou um estupro e condenar o ofensor canalha a 30 anos de prisão.

Despreza a propriedade. Nossa legislação foi sendo modificada de tal forma que, se invadem sua casa, não basta chamar a polícia para retirar o invasor, será necessário aguardar o judiciário emitir uma ordem para reintegração. E ainda vão discutir se você tem ou não esse direito, a depender da “função social” da sua casa. Tudo decidido pela burocracia estatal, que lhe atinge, mas protege o agressor.

Despreza a individualidade. Sob o pretexto de enfrentar o Status Quo, o patriarcado ou o capitalismo liberal (que é raro por aqui) a elite política e intelectual brasileira cria campos minados ideológicos, com violenta repressão moral, confinando a maioria dos brasileiros a prisões politicamente corretas, das quais não saem com medo de pisar em uma bomba ideológica e sofrer nas mãos de justiceiros sociais.

Despreza a vida e o direito de defesa. O estatuto da legítima defesa no Brasil acabou. O revide precisa ser proporcional, ou seja, sempre que você vencer no revide, poderá (e será) processado pelo Estado com toda sua força, e ainda corre o risco de ter que indenizar o bandido e sua família. Não raro vemos comerciantes e cidadãos que revidaram sendo presos e processados. Postura típica de Estado coletivista, protege o “coletivo de vulneráveis” e estraçalha o direito individual mais básico que é proteger sua vida e de sua família.

Esquerda e direita não são designações suficientes para entendermos a realidade brasileira (e mundial). Nesse aspecto, coletivismo e individualismo funcionam melhor.

É confuso, por exemplo, chamar George Soros, especulador do mercado financeiro, de esquerdista. Mas não é confuso chamá-lo de coletivista.

E assim vale para Fernando Henrique Cardoso, Sarney e a maioria dos políticos brasileiros, que quer concentrar poder nas mãos da burocracia estatal, reduzindo, cada vez mais, as liberdades individuais.

Isso atinge pobres, ricos, pretos, brancos, homo, hétero, trans, cis, e qualquer brasileiro individualista.

Minha posição.

Não consigo ser o individualista máximo possível. Não fico à vontade com a ideia de um governo exclusivamente dedicado à defesa de direitos individuais básicos (segurança).

Viveria tranquilamente sob um pacto de proteção social formatado para garantir serviços de educação básica (não a universitária), saúde pública e, claro, segurança, DESDE QUE o recurso público seja direcionado a prestigiar o emprendedorismo, a meritocracia, a liberdade de escolha, o comércio e o formalismo cultural/educacional.

Poderia ser um programa de vouchers para a família decidir onde gastar com saúde e educação, ou até renda mínima, desde que o governo tenha pouca, ou nenhuma, possibilidade de influir na conduta moral ou orientação política do segurado.

Assim eu topo. Hoje, como está, a impressão que tenho é que meu dinheiro é usado para sustentar tanto a burocracia estatal, quanto para viabilizar sistemas de privilégios e de desvios de verbas públicas.

Em um sistema de liberdade, cada beneficiário é, ao mesmo tempo, um fiscal do serviço prestado. Se recebe um voucher e procura um serviço, dentre várias opções concorrentes, cobra qualidade, pois pode escolher. Pune o mal gestor, pois pode escolher. Ninguém vai tratar o serviço público como algo “de graça”, pois seu custo será claro e evidente.

Quando alguém paga e recebe um mau serviço, reclama. Quando o estado presta um mau serviço, o povo resigna-se, pois não consegue ver com clareza o seu direito.

Um estado assim, que destina os recursos públicos para prover liberdade, eu topo bancar. Hoje, o uso dos recursos públicos apenas fomenta mais insegurança, intolerância, desperdício e corrupção. E eu banco mesmo sem concordar. Coletivismo puro.

 

PS, para quem ainda tiver paciência, aproveito para prestar reverência ao filósofo que melhor definiu o coletivismo.

Karl Popper contra Theodor Adorno e Olavo de Carvalho

Karl Popper é um filósofo da ciência muito lido, tanto por esquerdistas quanto por direitistas.

Mesmo tendo escrito o mais contundente documento antimarxista da história, foi mais contundente do que Hayek e Ayn Rand, Popper conseguiu ter alguns de seus livros lidos (e respeitados) em várias faculdades de ciências humanas e sociais, mesmo as que apresentam forte viés marxista.

Teve a coragem de enfrentar pessoalmente, no campo das ciências sociais, os membros da Escola de Frankfurt e tentar lhes mostrar que as ciências sociais NÃO PRECISAVAM abdicar da lógica formal para serem efetivas. Foi tão bem sucedido que a réplica de Adorno (no debate de 1961) se limitava a dizer que “concordo, mas é insuficiente”.

Marxista típico, Adorno vê um caminho prático proposto por Popper, mas prefere continuar viajando na poesia infrutífera da dialética sem compromisso.

O método dialético, infelizmente, abre espaço para que um charlatão se passe por um perito, para sempre. Talvez por isso tenha tantos defensores.

Em sistemas científicos de verificação e validação (sociedades abertas) isso é muito mais difícil e, se acontecer, o charlatão vai durar pouco (vide a polêmica da Fusão a Frio em 1989).

Mas não é só a esquerda que ataca Popper. Olavo de Carvalho chegou a dizer que o livro “A Sociedade Aberta e Seus Inimigos” estava entre os 10 piores livros do Século XX.

Ao contrário da visão do filósofo brasileiro, considero, provavelmente, que este livro traz a leitura que falta para os defensores das democracias liberais, da ciência e do direito individual compreenderem o mundo nos últimos três séculos.

No livro, escrito um ano depois de o “Caminho da Servidão” de Hayek, Popper faz a mais brilhante desconstrução de Marx, em termos sociológicos e políticos, e consegue definir o conceito de coletivismo para abarcar as principais experiências sociais de cunho marxista da humanidade.

Consegue reunir Hitler e Stálin em um mesmo grupo, de forma inequívoca.

Popper é ainda muito lido pelas esquerdas. Exceto esse livro.

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Leandro Karnal sequestrou a Declaração Universal dos Direitos humanos.

Posted on 14/04/2018. Filed under: Filosofia, Finanças, Política | Tags:, , , , , , , , |

Declaração Universal de Direitos Humanos (DUDH) não é um documento “de esquerda” ou progressista. Ao contrário, a DUDH é um documento pró-indivíduo e família, em defesa da propriedade privada, anti-coletivista e contra o poder estatal desproporcional.

É preciso relembrar o ambiente mundial de sua formulação. 1948, pós-guerra, o horror do nazismo relevado, mostrando que não há limites para a maldade humana, a Europa completamente destruída e os principais desdobramentos da guerra-fria só teriam início em 1949 e depois em 1951 com a guerra da Coréia.

Veja o que proclama em seu início: “Considerando que o desconhecimento e o desprezo dos direitos do Homem conduziram a atos de barbárie que revoltam a consciência da Humanidade e que o advento de um mundo em que os seres humanos sejam livres de falar e de crer, libertos do terror e da miséria, foi proclamado como a mais alta inspiração do Homem”.

Sem dúvida a principal motivação da DUDH foi se posicionar contra as atrocidades da segunda grande guerra, mas também proclamar que os homens deveriam viver sob um regime de direito e não opressivo, vejam:

Considerando que é essencial a proteção dos direitos do Homem através de um regime de direito, para que o Homem não seja compelido, em supremo recurso, à revolta contra a tirania e a opressão”.

Adiante trataremos da parte da declaração que poderia ser considerada contrária ao livre mercado e a favor do poder estatal, e que é amplamente recitada pelos grupos coletivistas (anti-individuo, anti-empreendimento e anti-capitalista).

Mas vamos iniciar com os direitos individuais e familiares para ver que a DUDH nada tem de coletivista ou “de esquerda”.

Para exemplificar como o conteúdo da DUDH é distorcido, vou usar um texto de Leandro Karnal, publicado em 01/04/2018, creio que no jornal O Estado de São Paulo, em que o filósofo trata da questão dos direitos humanos.

Quero ressaltar que estou usando o Karnal apenas para exemplificar a distorção do significado da DUDH. Não faço julgamento de valor sobre Karnal, apenas discuto algumas ideias colocadas por ele no artigo, e procuro mostrar que não são verdadeiras e que ele mesmo não as segue.

Vejamos como Karnal entende o significado da DUDH:

Direitos são humanos, ou seja, valem para todos, inclusive para criminosos presos. Sigo a tônica do documento assinado pelo Brasil na ONU: a Declaração Universal dos Direitos do Homem, de 1948. A palavra-chave é universal. Basta “ser humano” para ter direito ao direito. Eu, sem ficha policial, trabalhando 16 horas por dia, digno do ambíguo título de “homem de bem” não tenho mais direitos humanos do que um traficante. Ainda que o traficante deva ser processado e punido, ele continua dotado de direitos humanos. Deve ser julgado e encarcerado em caso de comprovada sua atividade criminosa. Porém, em nenhum momento ele deixa de ter direito a um habeas corpus ou perde a proteção de todo cidadão pela Constituição de 1988, que proíbe tortura em qualquer ser humano.”

A DUDH declara igualdade, mas não nivela os direitos de infratores e não-infratores. Muito pelo contrário, nem todos os direitos humanos valem para criminosos presos, e para saber disso basta ler a própria declaração universal dos direitos humanos – DUDH.

A declaração de direitos humanos reconhece o direito dos países ao encarceramento, desde que dentro do processo legal, e, por isso mesmo, reconhece que nem todos os direitos estarão a disposição de todos os seres humanos.

E isso, em si, já diferencia infratores de não-infratores.

O próprio Karnal definiu o “criminoso preso” como público de destaque de sua análise, e NESSA CONDIÇÃO há vários direitos da declaração que não lhe são garantidos.

Do artigo 3º ele não tem direito à liberdade.  Do artigo 13 não teria direito de livremente circular e escolher residência, nem de sair do país. A liberdade de reunião, prevista no artigo 20, não é plena. Do artigo 21 ele não terá os direitos políticos e à participação em funções públicas. Do artigo 23 não terá o condenado o direito à livre escolha de trabalho.

Isso sem falar que o gozo dos direitos de vários outros artigos fica bastante prejudicado pela condição de encarcerado.

Karnal diz que ele, “cidadão de bem”, não tem mais direitos do que um traficante e afirma que o traficante deveria ser processado e punido. Mas, se isso ocorrer, se for condenado, vários direitos previstos na carta não mais valerão para ele, enquanto apenado.

Ou seja, não é verdade. Pode ser um belo “argumento de prateleira”, uma estratégia para se sentir “bom e justo”, mas não é uma declaração verdadeira.

Por fim, vale corrigir o texto de Karnal, ninguém tem “direito a um Habeas Corpus”, as pessoas têm direito de peticionar. Petições de Habeas Corpus são negadas todos os dias, ele não tem o direito, apenas a expectativa de obter um Habeas Corpus.

E segue Karnal:

“Tão talentosa em tantas coisas, Hebe Camargo disse no ar, certa vez, que os “direitos humanos deveriam ser para humanos direitos”. A falácia faz sucesso, mas é um grave equívoco. Direitos humanos para todos os seres humanos, inclusive para quem desdenha deles ou que comete infrações. Os direitos humanos são para a sociedade entender que toda exclusão de uma vida do rol das existências defensáveis tem o dom de banalizar a própria vida e diluir a fronteira que nos separa da barbárie. Falamos de direitos universais para que o mal não atinja todos. É quase um gesto de egoísmo, pois significa que qualquer relativização de direitos humanos é uma maneira de eu despertar o ovo da serpente, liberar a violência de aparatos repressores que, historicamente, deixam de reconhecer contenção. Ao defender a dignidade básica como valor universal, eu abro uma brecha na represa do ódio que, com certeza, vai encontrando novos espaços para fluir. Em nenhum momento isso significa defesa do crime. Toda a sociedade deve ser implacável na prisão e julgamento de criminosos comprovados. Lutar contra o mal é lutar contra o conceito em todas as instâncias, desde o criminoso em si até o das forças policiais e do Estado. O relativismo no campo da lei cria monstros e é a gênese de todo fascismo.

Interessante Karnal falar de relativização dos direitos humanos e da lei.

Como a DUDH, enquanto declaração de direitos civis, é um documento focado no indivíduo e declara os direitos do indivíduo, é também um documento de proteção contra o coletivismo, contra a imposição de valores e crenças, seja de minorias ou de maiorias.

E os grupos coletivistas, dos quais Karnal faz parte, ainda que de forma indireta, relativizam a DUDH o tempo inteiro.

Vejamos.

Artigo 19: Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão; esse direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.

O que falar da liberdade de apoiar e votar no Bolsonaro, da liberdade de ser contra a ideologia de gênero, da liberdade para defender a escola sem partido, ou mesmo da liberdade de querer criar sua família dentro de uma religião?

 

E quando alguém profere uma ideia contrária à hegemonia moral politicamente correta e ouve “nazista”, “fascista”, “machista”, “capitão do mato” etc.? Isso acontece todos os dias.

Como essas clássicas atitudes do “debate e da luta política” se coadunam com os direitos humanos previstos na declaração?

E aqui não cabe dizer que “o outro lado também faz”, pois o criminoso também agride os direitos humanos, mas o coletivista defende que a sociedade não agrida os direitos humanos desse criminoso em resposta.

Dessa forma o coletivista não pode justificar seus ataques morais contra os “ignorantes, fascistas e nazistas” da “direita nacional”, alegando um justo revide.  Se não há justo revide contra estupradores e latrocidas, certamente não haverá contra quem tem opinião diversa, por pior que pareça, e que não é crime.

O descumprimento do artigo 19 é altamente opressivo em nossa sociedade, a “criminalização da opinião” virou regra nos debates das redes sociais. Pessoas são escorraçadas por opiniões política e ideologicamente não alinhadas à hegemonia moral politicamente correta, e Karnal não é diferente. Basta ver os vídeos com as opiniões dele sobre quem defende o “Escola sem Partido”. Não há argumento, apenas xingamento e desprezo pela opinião alheia. Além de evidente arrogância.

E o artigo 26, que diz que os pais têm prioridade de direito na escolha do tipo de instrução que será ministrada a seus filhos?

Esse direito humano vale ser lembrado sem tradução. Do original em inglês: “(3) Parents have a prior right to choose the kind of education that shall be given to their children.

Como se dá o respeito a esse artigo quando Karnal manifesta-se agressivamente contra a ofensiva dos pais que querem lutar contra a ideologia na escola (escola sem partido), que nada mais é do que querer garantir aos filhos uma educação escolhida por eles próprios, os pais, como está EXPLÍCITO na DUDH?

Como isso se coaduna com a base nacional curricular, como os pais terão a prioridade se alguns burocratas com valores desconhecidos pelos pais vão decidir sobre o tipo de educação que seus filhos terão?

Ainda que você defenda a BNCC e a ideologia na escola, é direito seu e posso respeitar sua opinião, é evidente que lutar contra isso NÃO é fascismo, obscurantismo, nazismo, é, tão somente, lutar por um direito humano previsto na DUDH.

E quando o artigo 16 afirma que: A família é o elemento natural e fundamental da sociedade e tem direito à proteção desta e do Estado?

Essa família deve ser protegida pela sociedade e pelo Estado como elemento natural e fundamental da sociedade. Como funciona esse direito humano fundamental com as doutrinas que querem destruir a família tradicional?

Lutar pelo seu direito à formação de uma família não-tradicional é uma coisa, plenamente justificável, mas lutar para destruir o modelo tradicional é infração (ou relativização) aos direitos humanos.

E o maravilhoso artigo 17, que diz que todo ser humano tem direito à propriedade e que ninguém será arbitrariamente privado de sua propriedade.

Como funciona esse direito fundamental na doutrina marxista de luta de classes, na doutrina das esquerdas latino-americanos, na defesa de Cuba e Venezuela, nos planos do MST e do MTST etc.?

Eu pergunto: Essas atitudes não configuram flexibilização dos artigos da declaração dos direitos humanos?

Com a devida vênia, a DUDH é relativizada com frequência, principalmente por quem mais se diz defensor de direitos humanos.

E isso é fácil de explicar. O coletivista só assume como direitos humanos, o direito da coletividade que ele representa. Quando a DUDH proclama direitos do indivíduo e da família, que não são classes protegidas, o coletivista ignora solenemente a declaração.

Não há qualquer dúvida que os coletivistas, progressistas e as pessoas que querem cercear as liberdades individuais em suposta proteção a minorias (a hegemonia moral do politicamente correto é isso), relativizam amplamente partes da DUDH quando lhes é interessante.

E a outra parte, que proclama direito à dignidade no trabalho, na saúde, economia etc., é amplamente distorcida pelo coletivista. Vejamos.

Artigos que proclamam o direito à dignidade humana

Já vimos que grande parte da DUDH trata de direitos do indivíduo e da família, direitos estes que deveriam ser garantidos pelo Estado Moderno. Ou seja, são um reconhecimento de obrigação do Estado para com o indivíduo.

Alguns artigos da DUDH declaram outras obrigações do Estado e da comunidade internacional, especificamente sobre os direitos sociais, culturais e econômicos.

O artigo 22 é base para os direitos detalhados nos artigos 23 a 27, que falam de direito a repouso, à educação fundamental básica gratuita, salário digno, seguridade social, seguro desemprego etc., diz ele:

Artigo 22 – Toda a pessoa, como membro da sociedade, tem direito à segurança social; e pode legitimamente exigir a satisfação dos direitos econômicos, sociais e culturais indispensáveis, graças ao esforço nacional e à cooperação internacional, de harmonia com a organização e os recursos de cada país

Apesar de garantir o direito de exigir direitos econômicos, sociais e culturais, a declaração não é irresponsável, pois também associa esses direitos às possibilidades e recursos do país.

Nos artigos seguintes, trata de direitos econômicos e sociais que, pelo artigo 22 , precisam estar de acordo com os recursos do país.

Declara-se que não deve haver discriminação nos salários, que deveriam ser garantidas férias pagas e o lazer, que todos deveriam ter um padrão de vida que garantisse a dignidade humana e que todos deveriam ter acesso a uma rede de proteção social que envolve segurança, saúde e previdência (seguro contra fatalidades).

No artigo 26, é direito humano a educação básica gratuita. Já a profissionalizante deverá ser garantida aos que se interessam, de acordo com o seu mérito.

Rede de proteção social não significa criar um povo dependente do Estado.

A declaração indica que um determinado padrão de dignidade humana é desejável, mas não é irresponsável a ponto de indicar os caminhos econômicos para esse feito. Não demoniza ou preconiza qualquer método de produção ou de geração de riqueza. Não é anti-capitalista, não mesmo. Nem poderia ser, protegendo o indivíduo, a família, a propriedade, o direito e os contratos.

O regime de plena atenção aos direitos humanos é o ambiente perfeito para o modo de produção capitalista. Salários dignos significam mais receitas e lucros, portanto mais remuneração do capital e investimento. Só um tolo acha que um acionista prefere que sua empresa venda menos por motivos ideológicos. Isso é non sense.

Mas o coletivista entende a DUDH como um argumento de luta, como um instrumento para acusar qualquer situação de desequilíbrio ou de pobreza como um descumprimento de direitos humanos básicos.

É uma ótica conveniente, porém errada, pois se esquece de que os direitos econômicos e sociais derivam do esforço nacional, do tipo de organização e dos recursos de cada país. Segundo a própria declaração dos direitos humanos.

Ou seja, não vêm de graça. Nunca vêm de graça.

Mas infelizmente garante discurso a quem crê que o direito prevalece, mesmo quando é inviável, infactível ou impossível. Ou até quando é indesejável.

A crença no direito, independente da sua factibilidade, é um entrave à formação de riqueza e à sabedoria.

Pessoalmente entendo ser necessário o desenvolvimento de uma rede de proteção social. Eu prefiro viver em um país em que as políticas públicas procurem equilibrar e harmonizar o desequilíbrio natural das relações humanas (são desiguais, pois somos desiguais). Essa é minha opinião.

Porém entendo que os indivíduos deveriam ser estimulados a NÃO DEPENDER dessa rede de proteção, a não contar com ela. Ela representa um ideal de proteção e seguridade, mas nada tem a ver com prosperidade ou liberdade. É tolice achar que o Estado poderá prover tudo para você atingir sua plenitude como ser humano. Jamais poderá.

A experiência, de todos os países e de todos os povos, mostra que o espírito empreendedor encontra as soluções para os problemas que aparecem diante de si e dos seus, mas o espírito coletivista tende a esperar por uma solução “de sistema”, que resolva tudo, todas as estruturas.

E, infelizmente, morre sem ver a solução “perfeita” e definitiva, enquanto poderia ter vivido em busca de soluções imperfeitas, mas funcionais, honestas e gratificantes.

Nesse ponto, o coletivista distorce o objetivo da DUDH, organizando a sociedade para cobrar os direitos sócio-econômicos, sem qualquer preocupação com a organização e os recursos de cada país.

E, por isso, fracassa. Fracassa com o país e, principalmente, com as pessoas a quem pretende proteger. Por isso os pobres salvos nos últimos anos não deixaram de ser pobres. O coletivista fracassou com eles, pois fracassou em gerar riqueza (e também em distribuí-la).

Enfim…

É possível compreender a Declaração Universal dos Direitos Humanos como sendo um documento de respeito ao indivíduo e à família, de proteção à propriedade e à opinião, de priorização dos pais na escolha da educação dos filhos, de reconhecimento da família como célula primordial da sociedade, isso tudo é muito claro e explícito.

E, infelizmente, são temas amplamente flexibilizados pelos coletivistas, que se autoproclamam os maiores defensores dos direitos humanos.

E também é possível compreender a DUDH como documento de estímulo à criação de redes de proteção social nos países, SEMPRE em harmonia com as condições econômicas e estruturais daquele país.

Nesse ponto, a principal distinção entre liberais e coletivistas, é que liberais entendem que essas redes de proteção social JAMAIS poderiam levar o indivíduo à dependência do Estado, pois resta evidente que depender de um ente terceiro para sua subsistência está longe de ser uma ideia razoável de liberdade. Lembremo-nos que a família é a célula a se proteger, portanto não deve ser aprisionada, não deve ser dependente. Dependência não é liberdade, é apenas uma das formas de aprisionamento. Melhor depender de si, com a proteção do direito.

Já o coletivista entende que o Estado é o único que pode “resolver” as contradições estruturais do capitalismo, portanto, não só as pessoas mais pobres devem depender do Estado, como também as mais ricas. Os governos totalitários são assim, mesmo os que permitem a propriedade privada e o empreendimento, acabam dando um jeito de fazer o empreendedor mendigar ajuda estatal.

Aliás, não foi muito diferente do que aconteceu no Brasil nos últimos 15 anos (e até antes). Coletivistas não suportam a vitória obtida sem apoio do Estado, por isso a subserviência da elite empresarial brasileira a um modelo corrupto de governança. Infelizmente os coletivistas no poder não deixam opção, ou está do lado do Estado, ou não compete.

Dessa maneira eu posso afirmar, com tranquilidade, que aceito viver sob os preceitos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, sem relativizá-los, seria bastante confortável para mim, pois não desrespeita nenhum fundamento do livre empreendimento, da sociedade contratual e da manutenção da lei e da ordem.

Um mundo em que a DUDH é respeitada é um mundo racional, é um ambiente perfeito para o capitalismo.

Mas os coletivistas não podem dizer o mesmo. E realmente não respeitam a DUDH, ou a entendem apenas no que lhes é conveniente.

Por que Karnal afirma que não relativiza os direitos humanos, mas age em desacordo com essa afirmação?

É super simples de entender.

Karnal é um pensador/filósofo “do bem”. Isso significa que precisa se posicionar do lado de uma moralidade absoluta e indiscutível. Do lado da “verdade”.

Mas essa é uma ideia e uma expectativa tola e irreal. Karnal, e qualquer pessoa, apenas se posiciona de acordo com uma determinada moralidade, nunca do lado da “verdade”. Isso é o ápice da arrogância, crer que sua opinião é a moralidade suprema, a verdade e o caminho a seguir. Só aceitaria isso de um profeta, mas isso se dá no campo do mistério e da imaterialidade. Na religião.

Filósofos e pensadores de verdade assumem seu lado da moralidade e o defendem. Não tem a expectativa irracional de estar certo, de forma absoluta, apenas consideram que suas ideias são virtuosas, nunca perfeitas, mas defensáveis e merecedoras de difusão e publicidade.

É assim com Rogers Scruton, Jordan Peterson e Thedore Dalrymple. São pensadores conservadores que apenas defendem sua posição na moralidade.

Karnal, e a maioria dos coletivistas, seriam muito mais felizes se assumissem que apenas defendem um determinado modelo de moralidade, e não moralidade absoluta.

Ficaria muito mais divertido ver Karnal assumir que relativiza vários direitos humanos e defender esse ponto de vista. Ao se posicionar do lado “do bem”, Karnal apenas demonstrou inconsistência e incoerência entre a visão que faz de si, e seus próprios atos.

E isso, apesar de toda a erudição e capacidade oratória, faz dele um pensador menor, inconsistente e incoerente.

Mas, claro, é só minha opinião. Apenas meu entendimento de como são as coisas. Nada mais do que isso. Não confundir com a verdade, por favor.

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A esquerda brasileira e a Revolução Francesa. Entenderam tudo errado.

Posted on 30/11/2016. Filed under: Filosofia, Finanças, Política | Tags:, , , , , , , , |

Há uma bizarrice nas redes sociais, sugerindo que os movimentos de esquerda que atacaram Brasília no dia 29.11.2016 seriam o povo que tomou a bastilha e derrubou a Monarquia.

Nada mais falso que isso.

Black blocs, MST, MTST, UNE etc., são franjas da mesma monarquia que está implorando por ser derrubada por OUTROS movimentos, estes liberais, pró-mercado e anticorrupção.

Isso mesmo, meu nobre gauchiste, você estaria do lado da Monarquia e do Clero em 1789 e jamais do lado dos que queriam reduzir privilégios, impostos e o poder do Estado.

Primeiro, Segundo e Terceiro Estado.

O Clero, o Primeiro Estado, seria os nossos políticos que recusam qualquer mudança que possa lhes tirar poder. E você apoia! Ontem, mesmo dia 29.11.2016, na câmara o PC do B e o PT foram os partidos que mais atacaram o poder judiciário e rejeitaram a criminalização de enriquecimento ilícito de servidor público e as mudanças nas regras na prescrição de crimes contra o patrimônio público.

Até o ressarcimento aos cofres públicos  de dinheiro roubado do Estado foi negado pela “frente esquerdista” em aliança com PMDB, PP etc. (exatamente como nos governos Lula e Dilma).

A nobreza, o Segundo Estado, era composto pela realeza e por milhares de cortesãos (puxa-sacos), que sobreviviam a base do Estado. Quer coisa mais “de esquerda” do que isso, viver às custas do Estado por subserviência a uma causa? Não é esse o ideal marxista-leninista, o Estado como único provedor inquestionável?

O Terceiro Estado era explorado pelos dois primeiros e incluía burgueses, sans-cullotes e camponeses. Todo o peso dos impostos recaia sobre este último Estado, dado que os dois primeiros tinham isenção tributária e usufruíam do Tesouro da Realeza com gordas pensões, empregos públicos e subvenções.

Luta contra a PEC não faz de você um Jacobino, nem um esquerdista clássico da revolução.

Nossos Girondinos são os membros da Alta Burguesia, que não querem mudanças radicais, mas já entenderam que seus negócios não vão prosperar na continuidade da corrupção estatal. É fácil ver, dado que todos os que se locupletaram de dinheiro público e promessas de políticos estão em recuperação judicial, enrolados com a polícia ou em situação econômica muito pior do que antes da cleptocracia PT-PMDB. Estão aí os gigantes da indústria e do setor financeiro. Até eles querem mudança.

Já nossos Jacobinos são os pequenos empresários, profissionais liberais e trabalhadores em geral que odeiam a pressão do Estado sobre seus bolsos e os péssimos serviços públicos que recebem em troca dessa opressiva carga tributária e regulatória.

Até a “esquerda” jacobina, mais agressiva, não representaria JAMAIS o interesse dos que incendiaram Brasília em 29.11.2016, pois eram, em essência, burgueses, profissionais liberais e artesãos com interesses AINDA mais radicais contra o Estado. Nada a ver com você amigo vermelho.

Coxinhas e vermelhinhos

Os “coxinhas”, em suas diversas matizes, representam os ideais da Revolução Francesa, sem o interesse no período de terror, pois não quer que a Monarquia volte.

São eles que saem às ruas pela prisão de TODOS os políticos envolvidos em falcatruas, pelo aumento das penas, pela redução da impunidade, pelo apoio às medidas anticorrupção, pela redução do poder do Estado, pelo fim do compadrio na indicação de membros do STJ, STF, Tribunais de contas, pela agilidade no STF, enfim, exclusivamente medidas que TIRAM poder do Estado, do “Clero” e da “Monarquia”.

Você, amigo de esquerda, quer, na verdade, a volta de Luís XVI e Maria Antonieta. Nem preciso dizer quem são, não é mesmo?

Quer apenas que as verbas públicas estejam ao seu serviço. Dizem que pensam nos pobres, desvalidos etc., mas se assim fosse, iriam querer a expansão do livre mercado, das empresas, da burguesia, da livre iniciativa, do investimento privado etc., que, por evidente, é o único caminho conhecido pelo homem, em todos os tempos, em todos os povos, para gerar riqueza e retirar as pessoas da miséria.

É claro que o amigo esquerdista não vê isso, pois associa a própria existência da pobreza ao capitalismo, quando, por óbvio, a pobreza é a condição natural do ser humano e jamais poderá ser suplantada SEM liberdade de associação, respeito à propriedade privada e aos contratos.

O fato de existirem pobres e “podres de ricos” numa mesma sociedade não a torna pior do que uma onde só há pobres e miseráveis. Nessa última além de não haver ricos, não há qualquer expectativa para um pobre sair de sua condição, pois não há para onde ir. Procure nascer na Selva (ou na Venezuela) para ver como a pobreza, em ambientes anticapitalistas, é uma condição intransponível. Exceto para o Clero e para a Monarquia, que vocês tanto defendem (Chávez, Fidel, Stálin eram mais absolutistas, para seus povos, que Luis XVI e todos os Papas pós inquisição.)

A constituinte

Vale lembrar aos vermelhinhos que se sentem “do lado certo” da Revolução Francesa Tupiniquim, que a Constituição Francesa pós-Revolução inspirou-se na Constituição dos Estados Unidos da América (de 1787) e foi a síntese do pensamento iluminista liberal e burguês.

Acho que não há nada MENOS esquerdista que isso, não é mesmo?

Vocês não vão mudar o Brasil, representam a falência, representam a continuidade de um Estado paquidérmico de direitos infinitos e deveres incompatíveis com o financiamento desses direitos. Representam o próprio desequilíbrio fiscal, hoje quase intransponível. Representam a crença de que calotes e descumprimentos de contratos, valentia anticapital, nos levariam ao paraíso de um mundo sem dívidas reconhecidas e juros escorchantes.

Estão errados. Há farto material de prova que esse modelo é fracassado, leva à miséria e ao desespero e distribui pobreza, cada vez maior, exceto para o Clero e a Monarquia.

Na verdade, no fundo, vocês querem mesmo é fazer parte desses dois últimos. Apesar de, erroneamente, acharem-se Jacobinos.

Não se iludam, à época vocês dariam suas vidas por Luís XVI e não por Danton.

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Michel Temer, o Golpe da Anistia ao Caixa 2 e os Escravos da Narrativa

Posted on 25/11/2016. Filed under: Filosofia, Finanças, Política | Tags:, , , , , , , , , , , , , , |

Diante de todo o descalabro na política nacional, com forte reação da opinião pública, pressão da mídia, do MP e do judiciário, das redes sociais e até de grupos de enfrentamento, como o que invadiu o congresso por acreditar que a Anistia havia sido votada, ouvimos uma voz irritante falando:

– Cadê as panelas?

Meu Deus, como é insuportável! Como é desagradável! Como é equivocado perguntar, diante de toda a gritaria ensurdecedora, onde estão as panelas!

Em busca da narrativa perdida.

A esquerda, o petismo e suas franjas e adjacências viajam, sem perceber, num mundo paralelo. São escravos cegos, remando ao ritmo ditado pelos almirantes intelectuais das Galés em busca de um porto seguro de ideias erradas e inverossímeis.

As pessoas que vivem a normalidade da razão, que buscam porto seguro em evidências empíricas ou corroboração factual de seus pressupostos, veem, e não acreditam no que veem, a vergonhosa impostura intelectual que assola os novos escravos da narrativa.

Perdem-se no mar dos fatos e, de vez em quando, aportam em uma ilha de conforto no erro e na confusão mental e moral.

Para quem vive de narrativa, é imperioso descobrir fragmentos de realidade e transformar em vergonhosa retórica moral e intelectual.

Após o mensalão, inventaram um mundo em que quem fura a fila não pode reclamar de desvios bilionários dos políticos de estimação do petismo e dos intelectuais da esquerda. Uma pessoa normal sabe que até o goleiro Bruno pode reclamar do roubo de dinheiro público, qualquer um pode, pois um erro moral ou crime não justificará o outro nunca. A hipocrisia de quem agride não conserta o erro do agredido.

Hoje nossos heróis, perdidos e sem rumo, aportam em qualquer ilha de bobagens para justificar suas narrativas de ideias erradas e distorcidas sobre o mundo.

É Moro à serviço da CIA, é o MP em conluio com a Chevron, é o Cunha que não iria ser preso após a queda da Dilma, é Sérgio Cabral que ficaria livre, é a PF que não prende ninguém de direita etc.

Foreign Corrupt Practices Act

A minha “ilha da fantasia moral esquerlouca” preferida, uma das coisas mais ridículas que já ouvi, é a história de que as leis anti corrupção nos EUA, que punem qualquer empresa que tenha negócios por lá e tenham cometido atos de corrupção em qualquer lugar do mundo, seriam um instrumento imperialista para permitir que empresas norte-americanas possam concorrer sem o peso da corrupção local nos países “periféricos”.

O mais divertido é que é isso mesmo. O objetivo do Foreign Corrupt Practices Act é justamente combater a concorrência desleal da corrupção, do conluio e da fraude.

Essa ilha de narrativa é tão inacreditável que o sujeito mira num fato virtuoso, conhecido e compartilhado por todas as empresas que fazem negócios com os EUA, para justificar a corrupção local como se fora uma vantagem competitiva das nossas empresas e do nosso jeitinho maravilhoso de roubar a nós mesmos.

E acham que é imperialismo, mesmo sabendo que há multas pesadíssimas inclusive contra bancos suíços e europeus.

É ou não é inacreditável?

A mais recente ilha da fantasia da narrativa.

Essa bizarrice de perguntar onde estão as panelas é inacreditável. Elas estão soando de forma ensurdecedora, mas não são de metal.

Por que insistem no inexplicável?

Porque vivem, como já dito, numa Galé de escravos, remando ao som de fragmentos de ideias propostas por construtores de narrativas, em busca de um porto seguro para “verdades” inverossímeis.

Perceba que, quando criticam, o fazem com “certeza absoluta” de que estão certos. A ponto de se indispor com gente realmente preocupada com a situação calamitosa do país e engajada em não permitir a continuidade do descalabro.

Os deputados e senadores estão tentando, diuturnamente, salvar suas próprias peles e as de seus corruptores. E voltam atrás regularmente, pois a pressão é gigante. Eles afirmaram em várias oportunidades que a pressão está insuportável. Abriram fogo contra o ministério público e contra o judiciário (estratégia usada para acabar com a operação Mãos Limpas na Itália) e até contra O Antagonista, o porta-voz do Impeachment, que hoje é o principal calo no sapato de Temer e de Renan.

Quem faz essa pressão em cima dos “nobres” congressistas? Você que critica as panelas? O PT? Lula e Dilma? Os ex-aliados de Dilma, como: Renan Calheiros, Jáder, Requião e até o Temer (esqueceram de quem ele era vice)?

Não, meu amigo. Quem está tentando salvar o Brasil dessa imoralidade são as pessoas a quem você quer atingir perguntando “onde estão as panelas”. São as pessoas que gritam contra a corrupção com todas as forças e ferramentas que têm, que estão ao seu lado, mas você prefere ignorar e ofender com sua retórica jocosa e pretensiosa. Não tem graça nenhuma. E não tem sofisticação alguma.

Quem encheu o telefone do Rodrigo Maia e de vários congressistas com cobranças contra a anistia foram os mesmos que bateram panelas para tirar Dilma. Assim como quem enche diariamente as caixas de mensagem, whatsapps, emails, perfis, twitters etc, de congressistas cobrando compostura e vergonha na cara também bateram panela contra Lula.

Você acha que as panelas não estão soando, mas diariamente mensagens contra a corrupção e a vergonhosa anistia atingem top trends mundiais no twitter. E concorrendo contra escândalos de celebridades mundiais como Justin Bieber e até contra a fúria atleticana e colorada contra seus técnicos e times.

Vocês perguntam onde estão as pessoas que foram às ruas, onde estão os movimentos “de direita” que levaram à queda de Dilma e do petismo necrosado, mesmo diante de uma enxurrada de eventos criados justamente para encher as ruas no combate à corrupção NO GOVERNO DO SEU VICE!

Abandonem a escravidão da narrativa a que servem, o Brasil precisa disso!

Nenhum fato real se encaixa na narrativa do “cadê as panelas”. É uma atitude que tenta atingir gente que está preocupadíssima com a situação do país, que está sofrendo e com medo de perder a guerra contra os barões do Brasil, contra Renan e sua camarilha. Essa situação é ruim para você também, e pode piorar bastante.

O que você ganha dividindo os esforços de quem quer combater a escumalha que governa o Brasil entre pressionar os congressistas e se defender do grotesco “cadê as panelas”?

O Brasil vive um frágil equilíbrio econômico, entre a esperança de retomar a normalidade e receber investimentos, ainda que pequenos, ou cair de vez no descrédito nacional e internacional e passar longos anos sem crescimento e, pior, sem orçamento público suficiente para pagar os serviços mínimos à população.

Michel Temer não entendeu que é IMPOSSÍVEL recuperar a credibilidade econômica mantendo o modelo de aceitação da corrupção como método de fazer política. O PT foi o partido que institucionalizou e justificou moralmente a corrupção NACIONAL como método de enfrentamento das “elites imperialistas brancas de olhos azuis”. Isso destruiu o Brasil, ou reconstruímos ou voltaremos à década de 1980, mas com um país infinitamente pior, mais violento e com menos espaço orçamentário.

A crise é moral, a crise é ética. E sem resolvermos isso, não há dinheiro, não há esperança e não há investimento externo.

A polarização não vai acabar se o antagonismo, mesmo diante de temas de interesse comum, continuar.

A retórica de esquerda reinou incólume no Brasil, desde o fim do governo JK até 2014. Falavam sozinhos com o campo de força invisível do politicamente correto mantendo as pessoas de fora do “grupo” bem distantes de importuná-los no campo de ideias tortas e erradas que cultivavam. Nunca houve contraditório para o ideário de esquerda, até 2 ou 3 anos atrás. Roberto Campos morreu falando sozinho. Hoje seria o líder liberal que não existe no Brasil.

A revolução da racionalidade trivial (do homem simples) contra a impostura arrogante da narrativa é coisa recente. Eu pessoalmente sofri o preconceito esquerdista contra a racionalidade instrumental básica por longos anos, mesmo estando certo em quase tudo o que apontei como destruidor, como está claro nos textos do meu blog.

Não fiquem melindrados por perder a guerra dos fatos e também das versões. Vocês reinaram 95% do tempo, agora o barco virou e não vão reinar mais. O escudo que permitia que bobagens soassem como sofisticação hegemônica (moral e intelectual) acabou.

O Rei está nu e não toma banho desde 1917.

Há uma oportunidade para a aliança neste momento em que, EVIDENTEMENTE, os inimigos são os mesmos e os métodos de luta contra eles também podem se somar.

Mas você prefere a etiqueta da grosseria.

Você prefere ofender quem grita contra a corrupção a se unir para cobrar os corruptos.

Sua única luta agora, parece, é por outra narrativa conveniente, como a que quer manter o sorvedouro de dinheiro público para projetos fracassados, refletida nos movimentos de ocupação das escolas, nos pleitos dos sindicatos, MSTs e outras franjas que sobrevivem apenas do orçamento público.

Gastamos todo o dinheiro que tínhamos e somos uma nação de analfabetos com diploma de pós-graduação. Somos uma nação de viciados em dinheiro públicos.

Em crise de abstinência.

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  • Disclaimer

    Este blog é um ambiente privado para expor opiniões, estudos, reflexões e comentários sobre assuntos ligados a finanças, bolsa de valores, economia, política, música, humor e outros temas.

    Seus objetivos são educacionais ou recreativos, não configurando sob nenhuma hipótese recomendação de investimento.

    O investidor consciente deve tomar decisões com base em suas próprias crenças e premissas. Tudo que lê ou ouve pode ser levado em consideração, mas a decisão de investimento é sempre pessoal. Tanto na escolha de ações para carteira própria, quanto na escolha de gestores profissionais para terceirização da gestão.

    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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