Filosofia

Leandro Karnal sequestrou a Declaração Universal dos Direitos humanos.

Posted on 14/04/2018. Filed under: Filosofia, Finanças, Política | Tags:, , , , , , , , |

Declaração Universal de Direitos Humanos (DUDH) não é um documento “de esquerda” ou progressista. Ao contrário, a DUDH é um documento pró-indivíduo e família, em defesa da propriedade privada, anti-coletivista e contra o poder estatal desproporcional.

É preciso relembrar o ambiente mundial de sua formulação. 1948, pós-guerra, o horror do nazismo relevado, mostrando que não há limites para a maldade humana, a Europa completamente destruída e os principais desdobramentos da guerra-fria só teriam início em 1949 e depois em 1951 com a guerra da Coréia.

Veja o que proclama em seu início: “Considerando que o desconhecimento e o desprezo dos direitos do Homem conduziram a atos de barbárie que revoltam a consciência da Humanidade e que o advento de um mundo em que os seres humanos sejam livres de falar e de crer, libertos do terror e da miséria, foi proclamado como a mais alta inspiração do Homem”.

Sem dúvida a principal motivação da DUDH foi se posicionar contra as atrocidades da segunda grande guerra, mas também proclamar que os homens deveriam viver sob um regime de direito e não opressivo, vejam:

Considerando que é essencial a proteção dos direitos do Homem através de um regime de direito, para que o Homem não seja compelido, em supremo recurso, à revolta contra a tirania e a opressão”.

Adiante trataremos da parte da declaração que poderia ser considerada contrária ao livre mercado e a favor do poder estatal, e que é amplamente recitada pelos grupos coletivistas (anti-individuo, anti-empreendimento e anti-capitalista).

Mas vamos iniciar com os direitos individuais e familiares para ver que a DUDH nada tem de coletivista ou “de esquerda”.

Para exemplificar como o conteúdo da DUDH é distorcido, vou usar um texto de Leandro Karnal, publicado em 01/04/2018, creio que no jornal O Estado de São Paulo, em que o filósofo trata da questão dos direitos humanos.

Quero ressaltar que estou usando o Karnal apenas para exemplificar a distorção do significado da DUDH. Não faço julgamento de valor sobre Karnal, apenas discuto algumas ideias colocadas por ele no artigo, e procuro mostrar que não são verdadeiras e que ele mesmo não as segue.

Vejamos como Karnal entende o significado da DUDH:

Direitos são humanos, ou seja, valem para todos, inclusive para criminosos presos. Sigo a tônica do documento assinado pelo Brasil na ONU: a Declaração Universal dos Direitos do Homem, de 1948. A palavra-chave é universal. Basta “ser humano” para ter direito ao direito. Eu, sem ficha policial, trabalhando 16 horas por dia, digno do ambíguo título de “homem de bem” não tenho mais direitos humanos do que um traficante. Ainda que o traficante deva ser processado e punido, ele continua dotado de direitos humanos. Deve ser julgado e encarcerado em caso de comprovada sua atividade criminosa. Porém, em nenhum momento ele deixa de ter direito a um habeas corpus ou perde a proteção de todo cidadão pela Constituição de 1988, que proíbe tortura em qualquer ser humano.”

A DUDH declara igualdade, mas não nivela os direitos de infratores e não-infratores. Muito pelo contrário, nem todos os direitos humanos valem para criminosos presos, e para saber disso basta ler a própria declaração universal dos direitos humanos – DUDH.

A declaração de direitos humanos reconhece o direito dos países ao encarceramento, desde que dentro do processo legal, e, por isso mesmo, reconhece que nem todos os direitos estarão a disposição de todos os seres humanos.

E isso, em si, já diferencia infratores de não-infratores.

O próprio Karnal definiu o “criminoso preso” como público de destaque de sua análise, e NESSA CONDIÇÃO há vários direitos da declaração que não lhe são garantidos.

Do artigo 3º ele não tem direito à liberdade.  Do artigo 13 não teria direito de livremente circular e escolher residência, nem de sair do país. A liberdade de reunião, prevista no artigo 20, não é plena. Do artigo 21 ele não terá os direitos políticos e à participação em funções públicas. Do artigo 23 não terá o condenado o direito à livre escolha de trabalho.

Isso sem falar que o gozo dos direitos de vários outros artigos fica bastante prejudicado pela condição de encarcerado.

Karnal diz que ele, “cidadão de bem”, não tem mais direitos do que um traficante e afirma que o traficante deveria ser processado e punido. Mas, se isso ocorrer, se for condenado, vários direitos previstos na carta não mais valerão para ele, enquanto apenado.

Ou seja, não é verdade. Pode ser um belo “argumento de prateleira”, uma estratégia para se sentir “bom e justo”, mas não é uma declaração verdadeira.

Por fim, vale corrigir o texto de Karnal, ninguém tem “direito a um Habeas Corpus”, as pessoas têm direito de peticionar. Petições de Habeas Corpus são negadas todos os dias, ele não tem o direito, apenas a expectativa de obter um Habeas Corpus.

E segue Karnal:

“Tão talentosa em tantas coisas, Hebe Camargo disse no ar, certa vez, que os “direitos humanos deveriam ser para humanos direitos”. A falácia faz sucesso, mas é um grave equívoco. Direitos humanos para todos os seres humanos, inclusive para quem desdenha deles ou que comete infrações. Os direitos humanos são para a sociedade entender que toda exclusão de uma vida do rol das existências defensáveis tem o dom de banalizar a própria vida e diluir a fronteira que nos separa da barbárie. Falamos de direitos universais para que o mal não atinja todos. É quase um gesto de egoísmo, pois significa que qualquer relativização de direitos humanos é uma maneira de eu despertar o ovo da serpente, liberar a violência de aparatos repressores que, historicamente, deixam de reconhecer contenção. Ao defender a dignidade básica como valor universal, eu abro uma brecha na represa do ódio que, com certeza, vai encontrando novos espaços para fluir. Em nenhum momento isso significa defesa do crime. Toda a sociedade deve ser implacável na prisão e julgamento de criminosos comprovados. Lutar contra o mal é lutar contra o conceito em todas as instâncias, desde o criminoso em si até o das forças policiais e do Estado. O relativismo no campo da lei cria monstros e é a gênese de todo fascismo.

Interessante Karnal falar de relativização dos direitos humanos e da lei.

Como a DUDH, enquanto declaração de direitos civis, é um documento focado no indivíduo e declara os direitos do indivíduo, é também um documento de proteção contra o coletivismo, contra a imposição de valores e crenças, seja de minorias ou de maiorias.

E os grupos coletivistas, dos quais Karnal faz parte, ainda que de forma indireta, relativizam a DUDH o tempo inteiro.

Vejamos.

Artigo 19: Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão; esse direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.

O que falar da liberdade de apoiar e votar no Bolsonaro, da liberdade de ser contra a ideologia de gênero, da liberdade para defender a escola sem partido, ou mesmo da liberdade de querer criar sua família dentro de uma religião?

 

E quando alguém profere uma ideia contrária à hegemonia moral politicamente correta e ouve “nazista”, “fascista”, “machista”, “capitão do mato” etc.? Isso acontece todos os dias.

Como essas clássicas atitudes do “debate e da luta política” se coadunam com os direitos humanos previstos na declaração?

E aqui não cabe dizer que “o outro lado também faz”, pois o criminoso também agride os direitos humanos, mas o coletivista defende que a sociedade não agrida os direitos humanos desse criminoso em resposta.

Dessa forma o coletivista não pode justificar seus ataques morais contra os “ignorantes, fascistas e nazistas” da “direita nacional”, alegando um justo revide.  Se não há justo revide contra estupradores e latrocidas, certamente não haverá contra quem tem opinião diversa, por pior que pareça, e que não é crime.

O descumprimento do artigo 19 é altamente opressivo em nossa sociedade, a “criminalização da opinião” virou regra nos debates das redes sociais. Pessoas são escorraçadas por opiniões política e ideologicamente não alinhadas à hegemonia moral politicamente correta, e Karnal não é diferente. Basta ver os vídeos com as opiniões dele sobre quem defende o “Escola sem Partido”. Não há argumento, apenas xingamento e desprezo pela opinião alheia. Além de evidente arrogância.

E o artigo 26, que diz que os pais têm prioridade de direito na escolha do tipo de instrução que será ministrada a seus filhos?

Esse direito humano vale ser lembrado sem tradução. Do original em inglês: “(3) Parents have a prior right to choose the kind of education that shall be given to their children.

Como se dá o respeito a esse artigo quando Karnal manifesta-se agressivamente contra a ofensiva dos pais que querem lutar contra a ideologia na escola (escola sem partido), que nada mais é do que querer garantir aos filhos uma educação escolhida por eles próprios, os pais, como está EXPLÍCITO na DUDH?

Como isso se coaduna com a base nacional curricular, como os pais terão a prioridade se alguns burocratas com valores desconhecidos pelos pais vão decidir sobre o tipo de educação que seus filhos terão?

Ainda que você defenda a BNCC e a ideologia na escola, é direito seu e posso respeitar sua opinião, é evidente que lutar contra isso NÃO é fascismo, obscurantismo, nazismo, é, tão somente, lutar por um direito humano previsto na DUDH.

E quando o artigo 16 afirma que: A família é o elemento natural e fundamental da sociedade e tem direito à proteção desta e do Estado?

Essa família deve ser protegida pela sociedade e pelo Estado como elemento natural e fundamental da sociedade. Como funciona esse direito humano fundamental com as doutrinas que querem destruir a família tradicional?

Lutar pelo seu direito à formação de uma família não-tradicional é uma coisa, plenamente justificável, mas lutar para destruir o modelo tradicional é infração (ou relativização) aos direitos humanos.

E o maravilhoso artigo 17, que diz que todo ser humano tem direito à propriedade e que ninguém será arbitrariamente privado de sua propriedade.

Como funciona esse direito fundamental na doutrina marxista de luta de classes, na doutrina das esquerdas latino-americanos, na defesa de Cuba e Venezuela, nos planos do MST e do MTST etc.?

Eu pergunto: Essas atitudes não configuram flexibilização dos artigos da declaração dos direitos humanos?

Com a devida vênia, a DUDH é relativizada com frequência, principalmente por quem mais se diz defensor de direitos humanos.

E isso é fácil de explicar. O coletivista só assume como direitos humanos, o direito da coletividade que ele representa. Quando a DUDH proclama direitos do indivíduo e da família, que não são classes protegidas, o coletivista ignora solenemente a declaração.

Não há qualquer dúvida que os coletivistas, progressistas e as pessoas que querem cercear as liberdades individuais em suposta proteção a minorias (a hegemonia moral do politicamente correto é isso), relativizam amplamente partes da DUDH quando lhes é interessante.

E a outra parte, que proclama direito à dignidade no trabalho, na saúde, economia etc., é amplamente distorcida pelo coletivista. Vejamos.

Artigos que proclamam o direito à dignidade humana

Já vimos que grande parte da DUDH trata de direitos do indivíduo e da família, direitos estes que deveriam ser garantidos pelo Estado Moderno. Ou seja, são um reconhecimento de obrigação do Estado para com o indivíduo.

Alguns artigos da DUDH declaram outras obrigações do Estado e da comunidade internacional, especificamente sobre os direitos sociais, culturais e econômicos.

O artigo 22 é base para os direitos detalhados nos artigos 23 a 27, que falam de direito a repouso, à educação fundamental básica gratuita, salário digno, seguridade social, seguro desemprego etc., diz ele:

Artigo 22 – Toda a pessoa, como membro da sociedade, tem direito à segurança social; e pode legitimamente exigir a satisfação dos direitos econômicos, sociais e culturais indispensáveis, graças ao esforço nacional e à cooperação internacional, de harmonia com a organização e os recursos de cada país

Apesar de garantir o direito de exigir direitos econômicos, sociais e culturais, a declaração não é irresponsável, pois também associa esses direitos às possibilidades e recursos do país.

Nos artigos seguintes, trata de direitos econômicos e sociais que, pelo artigo 22 , precisam estar de acordo com os recursos do país.

Declara-se que não deve haver discriminação nos salários, que deveriam ser garantidas férias pagas e o lazer, que todos deveriam ter um padrão de vida que garantisse a dignidade humana e que todos deveriam ter acesso a uma rede de proteção social que envolve segurança, saúde e previdência (seguro contra fatalidades).

No artigo 26, é direito humano a educação básica gratuita. Já a profissionalizante deverá ser garantida aos que se interessam, de acordo com o seu mérito.

Rede de proteção social não significa criar um povo dependente do Estado.

A declaração indica que um determinado padrão de dignidade humana é desejável, mas não é irresponsável a ponto de indicar os caminhos econômicos para esse feito. Não demoniza ou preconiza qualquer método de produção ou de geração de riqueza. Não é anti-capitalista, não mesmo. Nem poderia ser, protegendo o indivíduo, a família, a propriedade, o direito e os contratos.

O regime de plena atenção aos direitos humanos é o ambiente perfeito para o modo de produção capitalista. Salários dignos significam mais receitas e lucros, portanto mais remuneração do capital e investimento. Só um tolo acha que um acionista prefere que sua empresa venda menos por motivos ideológicos. Isso é non sense.

Mas o coletivista entende a DUDH como um argumento de luta, como um instrumento para acusar qualquer situação de desequilíbrio ou de pobreza como um descumprimento de direitos humanos básicos.

É uma ótica conveniente, porém errada, pois se esquece de que os direitos econômicos e sociais derivam do esforço nacional, do tipo de organização e dos recursos de cada país. Segundo a própria declaração dos direitos humanos.

Ou seja, não vêm de graça. Nunca vêm de graça.

Mas infelizmente garante discurso a quem crê que o direito prevalece, mesmo quando é inviável, infactível ou impossível. Ou até quando é indesejável.

A crença no direito, independente da sua factibilidade, é um entrave à formação de riqueza e à sabedoria.

Pessoalmente entendo ser necessário o desenvolvimento de uma rede de proteção social. Eu prefiro viver em um país em que as políticas públicas procurem equilibrar e harmonizar o desequilíbrio natural das relações humanas (são desiguais, pois somos desiguais). Essa é minha opinião.

Porém entendo que os indivíduos deveriam ser estimulados a NÃO DEPENDER dessa rede de proteção, a não contar com ela. Ela representa um ideal de proteção e seguridade, mas nada tem a ver com prosperidade ou liberdade. É tolice achar que o Estado poderá prover tudo para você atingir sua plenitude como ser humano. Jamais poderá.

A experiência, de todos os países e de todos os povos, mostra que o espírito empreendedor encontra as soluções para os problemas que aparecem diante de si e dos seus, mas o espírito coletivista tende a esperar por uma solução “de sistema”, que resolva tudo, todas as estruturas.

E, infelizmente, morre sem ver a solução “perfeita” e definitiva, enquanto poderia ter vivido em busca de soluções imperfeitas, mas funcionais, honestas e gratificantes.

Nesse ponto, o coletivista distorce o objetivo da DUDH, organizando a sociedade para cobrar os direitos sócio-econômicos, sem qualquer preocupação com a organização e os recursos de cada país.

E, por isso, fracassa. Fracassa com o país e, principalmente, com as pessoas a quem pretende proteger. Por isso os pobres salvos nos últimos anos não deixaram de ser pobres. O coletivista fracassou com eles, pois fracassou em gerar riqueza (e também em distribuí-la).

Enfim…

É possível compreender a Declaração Universal dos Direitos Humanos como sendo um documento de respeito ao indivíduo e à família, de proteção à propriedade e à opinião, de priorização dos pais na escolha da educação dos filhos, de reconhecimento da família como célula primordial da sociedade, isso tudo é muito claro e explícito.

E, infelizmente, são temas amplamente flexibilizados pelos coletivistas, que se autoproclamam os maiores defensores dos direitos humanos.

E também é possível compreender a DUDH como documento de estímulo à criação de redes de proteção social nos países, SEMPRE em harmonia com as condições econômicas e estruturais daquele país.

Nesse ponto, a principal distinção entre liberais e coletivistas, é que liberais entendem que essas redes de proteção social JAMAIS poderiam levar o indivíduo à dependência do Estado, pois resta evidente que depender de um ente terceiro para sua subsistência está longe de ser uma ideia razoável de liberdade. Lembremo-nos que a família é a célula a se proteger, portanto não deve ser aprisionada, não deve ser dependente. Dependência não é liberdade, é apenas uma das formas de aprisionamento. Melhor depender de si, com a proteção do direito.

Já o coletivista entende que o Estado é o único que pode “resolver” as contradições estruturais do capitalismo, portanto, não só as pessoas mais pobres devem depender do Estado, como também as mais ricas. Os governos totalitários são assim, mesmo os que permitem a propriedade privada e o empreendimento, acabam dando um jeito de fazer o empreendedor mendigar ajuda estatal.

Aliás, não foi muito diferente do que aconteceu no Brasil nos últimos 15 anos (e até antes). Coletivistas não suportam a vitória obtida sem apoio do Estado, por isso a subserviência da elite empresarial brasileira a um modelo corrupto de governança. Infelizmente os coletivistas no poder não deixam opção, ou está do lado do Estado, ou não compete.

Dessa maneira eu posso afirmar, com tranquilidade, que aceito viver sob os preceitos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, sem relativizá-los, seria bastante confortável para mim, pois não desrespeita nenhum fundamento do livre empreendimento, da sociedade contratual e da manutenção da lei e da ordem.

Um mundo em que a DUDH é respeitada é um mundo racional, é um ambiente perfeito para o capitalismo.

Mas os coletivistas não podem dizer o mesmo. E realmente não respeitam a DUDH, ou a entendem apenas no que lhes é conveniente.

Por que Karnal afirma que não relativiza os direitos humanos, mas age em desacordo com essa afirmação?

É super simples de entender.

Karnal é um pensador/filósofo “do bem”. Isso significa que precisa se posicionar do lado de uma moralidade absoluta e indiscutível. Do lado da “verdade”.

Mas essa é uma ideia e uma expectativa tola e irreal. Karnal, e qualquer pessoa, apenas se posiciona de acordo com uma determinada moralidade, nunca do lado da “verdade”. Isso é o ápice da arrogância, crer que sua opinião é a moralidade suprema, a verdade e o caminho a seguir. Só aceitaria isso de um profeta, mas isso se dá no campo do mistério e da imaterialidade. Na religião.

Filósofos e pensadores de verdade assumem seu lado da moralidade e o defendem. Não tem a expectativa irracional de estar certo, de forma absoluta, apenas consideram que suas ideias são virtuosas, nunca perfeitas, mas defensáveis e merecedoras de difusão e publicidade.

É assim com Rogers Scruton, Jordan Peterson e Thedore Dalrymple. São pensadores conservadores que apenas defendem sua posição na moralidade.

Karnal, e a maioria dos coletivistas, seriam muito mais felizes se assumissem que apenas defendem um determinado modelo de moralidade, e não moralidade absoluta.

Ficaria muito mais divertido ver Karnal assumir que relativiza vários direitos humanos e defender esse ponto de vista. Ao se posicionar do lado “do bem”, Karnal apenas demonstrou inconsistência e incoerência entre a visão que faz de si, e seus próprios atos.

E isso, apesar de toda a erudição e capacidade oratória, faz dele um pensador menor, inconsistente e incoerente.

Mas, claro, é só minha opinião. Apenas meu entendimento de como são as coisas. Nada mais do que isso. Não confundir com a verdade, por favor.

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Bitcoin. O que sabemos até agora.

Posted on 28/12/2017. Filed under: Filosofia, Humor | Tags:, , , |

Creio que essa febre por criptomoedas, colocando-as no noticiário e sujeitando-as às mais diversas explicações, já nos permite debater “o que é isso?”.

Ainda não encontrei nenhuma narrativa convincente a respeito das criptomoedas, ao menos a respeito dos motivos pelos quais poderiam ser considerados ativos. E, principalmente, não há narrativa convincente a respeito do fundamento para comprar ou “investir” em Bitcoin.

Vamos ao que já se pode saber e ao que ainda é obscuro.

  1. Criptomoedas não são moedas

Moeda não existe por si, moeda é criação destinada à comparação de valor entre bens. Se permitir diferenciarmos o valor de um cacho de bananas do valor de uma coleira anti-pulgas, a moeda cumprirá seu papel.

Tudo que envolve as criptomoedas não se parece com o que envolve o mundo das moedas. Não existe IPO (abertura de capital) para lançar moedas de verdade. Ninguém faz um ICO (oferta inicial de moedas) para o dólar ou para qualquer coisa que se pareça moeda.

A proliferação dessas criptomoedas, várias já na casa dos bilhões de dólares de valor de mercado, também é algo completamente diverso do mundo das moedas. Não faz sentido ter 40 criptomoedas concorrendo entre si e surgindo a todo instante.

Mas creio que nem os first-users do Bitcoin o entendem hoje como moeda. Após a entrada nos mercados futuros a narrativa atual é compará-lo com o Ouro, como reserva de valor.

Bitcoin não é moeda e não se parece com moeda. E também não é meio de pagamento. Aliás, Bitcoin não é nem mesmo o software que permite as transações entre os participantes do sistema.

  1. Bitcoin também não é ouro, nem nenhuma outra commodity.

A comparação com o ouro se dá porque ambos não teriam valor intrínseco, valor fundamental. Ou seja, a negociação do ouro no mercado futuro, seu preço, nada teria a ver com o seu valor em uso.

Mas eu entendo essa percepção a respeito do ouro como bastante errada. É claro que a negociação de seu valor no mercado futuro tem a ver com o seu valor em uso.

A prova disso é que quem precisa usar, paga a cotação atual do ouro, não o compra por um preço mais baixo, por um preço teórico fundamental.

Com o petróleo é a mesma coisa, De quase US$ 150, caiu a US$ 30 em alguns meses, há alguns anos. Por quê? Qual o valor fundamental do petróleo? Qual o seu valor em uso?

Em ambos os casos, INCLUSIVE para moedas como o dólar e o euro, o preço à vista é derivado do preço do mercado futuro (ou do mercado mais líquido).

Quem vai dizer que o ouro ou o petróleo estão caros ou baratos? Qual seria o “preço justo em uso” dessas commodities? Não há. O preço é aquilo que acontece no mercado futuro. E é isso, só isso, nada mais do que isso.

A principal diferença entre ouro e petróleo é que o mercado futuro de petróleo acaba influenciando o exercício físico dos contratos, ou seja, há MUITA negociação física de petróleo. Para commodities de uso em larga escala no mundo, esses contratos futuros acabam virando troca de mercadorias por dinheiro mesmo, em algum momento.

No mercado de moedas ou de ouro (reserva de valor) a troca de mercadorias costuma ser irrelevante, às vezes inexistente.

O Bitcoin tem várias características distintas do ouro. A primeira delas é que o Bitcoin não tem nenhum valor intrínseco. Não tem valor em uso, não tem valor fundamental. Nesse aspecto ele não poderia ser comparado a uma commodity real. O ouro é utilizado. Entre 10% e 20% do ouro minerado no mundo vai para aplicações nobres de tecnologia, medicina e biotecnologia. O Bitcoin não tem serventia no mundo real, ao contrário das commodities.

Outra questão é que a história do ouro, do interesse por ouro, tem milhares de anos. Seja pela facilidade para cunhar moedas, seja pelo interesse dos povos orientais (o que estimulou a negociação com a Europa), seja por ter sido adotado como sistema monetário até algumas décadas atrás.

Mas o que piora a situação de comparação entre criptomoedas e ouro é que já há várias em circulação. E várias por vir. Quantos novos “ouros” teremos?

Por que alguma delas viraria algo parecido com o ouro no imaginário da humanidade?

Já vimos que não é moeda e também não é commodity. O que será?

  1. A tecnologia do Bitcoin é revolucionária

É mesmo? Por quê?

A justificativa da velocidade para mandar dinheiro entre pessoas é furada. Em 2009 um investidor dinamarquês, que recebemos em nossos escritórios no Rio, comprou ações da Petrobras, na bolsa de Nova Iorque, utilizando sua conta (em Coroas Dinamarquesas) no Saxobank. Isso tudo de um computador no Brasil. A compra foi imediata. Tudo ocorreu mais rápido que num piscar de olhos. O câmbio de danish krone para dólar e a compra das ações. E custou ZERO de corretagem (provavelmente o banco tirava seu FEE da operação de câmbio).

Ainda que a tecnologia por trás do Bitcoin fosse mais rápida (e não é), não poderia ser tratada como revolucionária por isso.

Quanto à segurança, ainda que os critérios meramente tecnológicos fossem superiores à segurança do sistema bancário, há várias questões em que o Bitcoin é pior. Não há fundo garantidor de crédito se uma corretora quebrar ou for hackeada. Não há seguro contra fraudes. Não há qualquer estrutura jurídica que proteja o investidor. Se perder a senha, perdeu os Bitcoins. Em caso de morte, se a família não souber a senha, perdeu a herança.

A segurança não se faz apenas na estrutura tecnológica, mas na relação entre as pessoas e as instituições. O Bitcoin não se relaciona com as estruturas de proteção dos mercados.

Se alguém hackeasse o Itaú, ou até o Banco Central, poderíamos recuperar o Status quo em poucas horas e ninguém perderia seu dinheiro, ou sono, por isso. O Bitcoin, se for hackeado, ou se for detectada alguma falha de segurança, pode, simplesmente, desaparecer. E, como já dito, não há como recorrer a qualquer estrutura de proteção do mundo real.

Como já dito, a segurança do sistema financeiro é responsabilidade do próprio sistema, de forma que os investidores contam com proteção, às vezes até proteção dos governos, como na crise de 2008. Já a segurança do Bitcoin depende exageradamente da disciplina individual de cada um.

  1. O risco legal-tributário

Outro ponto que pouco se debate é que o Bitcoin, ainda que não se saiba o que é, traz obrigações legais-tributárias das quais os operadores não podem fugir, menos ainda fingir que a criptomoeda está imune aos impostos.

Qualquer bem comprado sobre o qual se realiza ganho de capital será tributado.

Um trader de Bitcoin deveria oferecer à tributação seus ganhos, ainda que não haja clareza sobre a natureza das criptomoedas.

Para quem comprou e nunca vendeu, está tudo ok. Mas para quem fez várias incursões e realizou lucros, é arriscadíssimo manter esse ganho fora dos olhos da Receita. No Brasil as penalidades são pecuniárias, pesadas, mas aceitáveis (principalmente para quem teve bons ganhos), mas nos EUA pode até dar cadeia.

E, ao que parece, ninguém se importa com isso. Não é assim que a Receita vai ver o assunto. É ingenuidade achar que, por não ter natureza clara, a Receita vai abdicar de exigir impostos sobre ganho de capital.

E lembre-se, por mais “libertária” que seja a criptomoeda, você não vai fugir de uma intimação para abrir suas contas e suas operações em criptomoedas. A intimação e a cadeia são coisas bem palpáveis, do mundo real mesmo. O blockchain é lindo e pode ocultar seu nome, até chegar uma ordem judicial obrigando você mesmo a abrir o sigilo.

  1. A esquizofrenia das ofertas públicas inicias de moedas

Um das crenças mais irracionais a respeito do Bitcoin e de outras criptomoedas é que a “vitória” da tecnologia subjacente a elas traria ganhos aos detentores da moeda.

Isso não faz qualquer sentido. O Bitcoin não é um título de propriedade da rede, do software, de nada. Não é uma ação. A tecnologia do Bitcoin nem mesmo é proprietária, é livre. Quem tem Bitcoin não tem direito patrimonial sobre nada, exceto sobre o próprio Bitcoin.

Essas ofertas inicias de criptomoedas me assustam, pois capta-se dinheiro para desenvolver uma nova moeda, que significa desenvolver uma tecnologia, mas, até onde sei, o ganho do investidor vai se dar pela eventual valorização da moeda, porém a moeda NÃO costuma ser um título de propriedade sobre o investimento feito para desenvolvê-la.

Se a Adobe quiser captar dinheiro para desenvolver um software revolucionário de computação gráfica, os financiadores sabem que comprarão direitos de propriedade sobre os lucros desse novo software, eles não vão ganhar dinheiro recebendo desenhos virtuais ou flores em 3D desenvolvidas no software que financiaram. Eles vão ganhar se o software der certo e vender muito. Se der certo e não vender nada, perderão seu dinheiro.

É non sense econômico achar que o Bitcoin seria uma participação patrimonial no sucesso da rede que transaciona os próprios Bitcoins.

  1. O risco das más companhias

Um especialista brasileiro em Bitcoins exaltou o fato de a criptomoeda transacionar sem regulação e sem interferência de uma autoridade central. Em resumo, os governos não “saberiam” o que você está fazendo.

Essa característica é “bonita”. Uma rede cuja segurança é garantida pelo interesse de todos na higidez do sistema.

Mas essa característica é também perigosa. Além do risco de não contar com proteção alguma das instituições financeiras mundiais, ainda podemos fazer companhia a pessoas REALMENTE interessadas em fugir das autoridades.

A regulação central serve aos propósitos dos governos, mas também serve aos propósitos dos cidadãos. Não gostamos de pagar impostos, mas gostamos de usufruir do nosso dinheiro ganho legalmente.

Apesar de os impostos serem vistos como uma imposição arbitrária dos governos, eles são a única forma de financiamento do Estado Moderno. E uma das principais funções desse Estado é garantir a propriedade privada e seus derivados (contratos, trânsito de recursos etc.). Mesmo o Bitcoin, ou qualquer outro ativo que o indivíduo possa chamar de “seu”, é propriedade privada e só será mantido sob esse pacto social do Estado Moderno pós-feudal.

Não é razoável que queiramos fazer parte de uma rede mundial que protegeria de forma consistente criminosos, pedófilos, traficantes de armas e de drogas, entre outros que teriam interesses não republicanos e inconfessáveis para fugir do “regulador central”, da polícia e dos governos.

As redes bancárias em paraísos fiscais já são um estorvo para a sociedade, só recentemente as forças tarefas anticorrupção de vários países estão conseguindo atuar para coibir o uso desses instrumentos.

Já temos dificuldade para entender qual a vantagem que o Bitcoin traria para a sociedade, não faz sentido exaltar aquilo em que o Bitcoin é mais perigoso e mais prejudicial.

Entendo que, se começar a ser visto apenas, ou principalmente, como uma forma de transacionar dinheiro sem ser visto, vai acabar caindo na mesma categoria da dark web. E as companhias na dark web são as piores possíveis.

  1. O Bitcoin e o day-trade de estrume

Assisti a algumas palestras do folclórico Didi, o analista gráfico das agulhadas. Em uma delas ele contou uma história engraçada. Ele estava ensinando que, para análise gráfica “raiz”, é irrelevante saber qual o ativo que se está negociando, basta ver os gráficos e os indicadores.

Ele disse que viu uma oportunidade de trade no mercado futuro de uma commodity que ele não conhecia. Fez a tal agulhada dele e ganhou alguns milhares de dólares. Por curiosidade foi saber o que significava aquele ticker que negociou. E descobriu que se tratava de estrume (faz muitos anos, não tenho certeza se era estrume ou banha de porco, mas vale a história).

Qualquer coisa serve para trade, para negociação. O mercado de apostas na Inglaterra aborda até o nome que cachorrinho do filho da princesa vai receber. O mundo é um grande cassino, e não só o mundo das finanças.

Quando o Lula falou que a mamona salvaria o mundo (biodiesel), as ações da Brasil Ecodiesel estreavam na bolsa a R$ 12,00. Hoje, em valores atualizados, está a centavos (a empresa mudou de nome várias vezes, bem como mudou de ramo).

A Telebras é uma empresa que dá prejuízo recorrente sempre, mas funciona para trade, tem valor de mercado, ainda que, talvez, não devesse ter.

Há uma ENORMIDADE de empresas que valem provavelmente nada, mas que ainda negociam, algumas fortemente, sem qualquer base fundamental, apenas na vibração do grande cassino da humanidade.

Não é pelo fato de que o Bitcoin negocia, tanto em mercados à vista, quanto em mercados futuros, que ele, realmente, valha alguma coisa, ou que traga algum valor para a sociedade.

Se você ganhou, e ganha, muito dinheiro com Bitcoin, o significado disso tudo é só esse mesmo, que ganhou muito dinheiro com negociação de alguma coisa.

E, nesse caso, mesmo que todas as suas premissas para explicar o seu sucesso no mercado de Bitcoins sejam furadas (e devem ser, pois ninguém sabe para que serve), aproveite o momento.

Você já ganhou dinheiro, não precisa estar certo.

Para finalizar

Na verdade o Bitcoin é exatamente o que falei dele no meu primeiro artigo que escrevi sobre o assunto. Uma moeda de game. As pessoas são recompensadas por jogar. E só.

Depois da alguns meses acompanhando as notícias, lendo e acompanhando especialistas, entendo que essa característica do Bitcoin se mantém. É uma recompensa por jogar um jogo. O resto dos significados do Bitcoin ainda está em formação.

Mas, se as pessoas apostam em qualquer coisa, por que não no preço de uma moeda de game, não é?

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Bitcoins. Um sistema de pagamentos, uma moeda ou um grande videogame?

Posted on 14/09/2017. Filed under: Administração, Filosofia, Finanças | Tags:, , , , , , |

Não é um texto para explicar bitcoins, blockchain, algoritmos etc., mas para tentar desvendar REALMENTE o que é o fenômeno que tomou conta do imaginário dos investidores.

Como é um mundo de paixões, já aviso aos adoradores e detratores do Bitcoin que sou amigo de ambos, o que vou escrever a seguir é EXCLUSIVAMENTE minha opinião. E, como de hábito, só me dou ao trabalho de escrever porque acredito ser uma opinião diferente da que se lê no mainstream da imprensa especializada.

Por que o Bitcoin existe?

Primeiro é preciso entender que não é o Bitcoin que interessa, mas sim o sistema que foi criado para permitir que ele seja transacionado (a Rede ou Sistema Bitcoin).

Vou me aventurar a tentar entender os motivos que levaram o fantasma Satoshi Nakamoto a criar a Rede Bitcoin (ou sistema Bitcoin). É uma aventura e tanto, pois nem sabemos se Satoshi é uma pessoa, várias pessoas ou uma empresa.

Não acredito em interesses financeiros desses gênios da informática e de criptografia. Eles são mais recompensados “provando suas teorias” ou criando algoritmos impenetráveis ou geniais, do que recebendo dólares. Até porque, nesse nível de genialidade e domínio das ferramentas, dinheiro jamais seria problema para eles.

Eu não acho que o interesse por trás da criação da Rede Bitcoin, por mais que se tente provar o contrário, tenha sido econômico, ou seja enriquecer os criadores ou, ainda, vir a ser um benchmark de moeda transnacional, sem autoridade central.

Eu acho, tão somente, que os criadores acreditavam ter pensado e desenhado um modelo MUITO MELHOR, mais barato e mais seguro para registros de transações com moeda, transações financeiras. E isso é o que importava para eles. Nada de dominar o mundo ou substituir o sistema financeiro.

A criação de um videogame transnacional autônomo

Hoje estamos acostumados com jogos online, em que players de todo o mundo se encontram no game, se ajudam ou se enfrentam em algoritmos de guerra, zumbis, fazendinhas de unicórnios etc.

Essa grande rede requer investimentos constantes para existir e suportar os acessos. Quanto mais sucesso faz o jogo online, mais capacidade computacional, mais banda, mais nuvem, mais memória etc. serão necessários.

Quem faz isso acontecer (investimento e manutenção) é uma autoridade central, que ganha dinheiro através da venda dos consoles, dos games ou de assinaturas dos jogadores. Isso é um business clássico, com uma organização central, planos de negócios, análise de lucratividade, ajustes de custos, remuneração de acionistas etc.

E se pensássemos em fazer isso SEM a autoridade central (controlador da empresa dona do game)? Ou seja, se a própria interação entre os jogadores, do mundo todo, fosse capaz de prover toda a infraestrutura necessária para o jogo funcionar?

Significa que os próprios jogadores disponibilizariam a capacidade computacional de suas máquinas para que o algoritmo do jogo rodasse, disponibilizariam espaços na nuvem etc.. Tudo isso tem um custo na vida real. A energia, o aluguel de espaço etc..

Se fôssemos capazes de “remunerar” esses jogadores com coisas do próprio jogo como diamantes que compram bichinhos, vidas extras, energia extra, novas armas, novas cores e tudo o que fizer sentido e for valioso no jogo, as pessoas que querem jogar promoveriam esforços para comprar máquinas melhores, mais espaço na nuvem entre outros itens para ganhar mais benefícios e ter mais sucesso no game.

Aliás, isso já é feito com frequência. Os games são assim, toda hora cobrando uns trocados para dar mais vidas, mais moedas, mais dicas e outras coisas que são valiosas para os jogadores. E eles pagam. Mas, no caso, pagam para uma autoridade central, que desenvolveu o game, é responsável pelo seu funcionamento, por consertar bugs, por fornecer a capacidade computacional necessária e faz isso tudo com o dinheiro que recebe dos jogadores.

A estratégia da criação da Rede Bitcoin, no meu modo de ver, é semelhante à estratégia dos desenvolvedores de games, mas sem a autoridade central. Cria-se um algoritmo que tem algum interesse para as pessoas (inicialmente só iniciados e interessados em explorar a criação e o uso de criptomoedas), gera-se um modelo de recompensas para quem prover o necessário para o algoritmo rodar e torce-se para que a Rede cresça.

Nesse aspecto, a Rede Bitcoin não difere muito de um gigante videogame, onde jogar significa prover capacidade computacional para o próprio jogo (além de transacionar as moedas) e os Bitcoins seriam as recompensas coletadas (como as moedas do Super Mário).

Mas o que seria um sistema de pagamentos?

Falemos agora do que seria a parte séria do Bitcoin.

Um sistema de pagamentos é algo extremamente complexo, caro e que requer investimentos bilionários e constantes em segurança e capacidade computacional.

Pense na quantidade de transações que o sistema que processa os dados dos cartões VISA precisa fazer, por segundo, para garantir a fidelidade das informações, quem paga e quem recebe, que não haverá fraude, roubo de dados etc. Quanto custa fazer bilhões de operações por hora, garantindo segurança e a fidedignidade para isso tudo?

Pense agora em todas as transações bancárias, compensações e seus registros em bancos centrais, sistemas de controle de lavagem de dinheiro etc. Quanto custa para manter esse sistema financeiro interligado?

Agora vamos para outros sistemas menores, pense no Paypal, no sistema de pontos da Multiplus ou Smiles, no Mercado Pago etc.

No Multiplus você ganha os pontos por fazer transações que geram riqueza para terceiros parceiros. Esses pontos, ao entrarem no sistema, também precisarão de um sistema de pagamentos, que identifique as transações e faça os débitos e créditos corretamente, além de proteger as informações sobre as transações.

No Paypal ou Mercado Pago você poderia fazer suas compras e vendas por anos sem nunca precisar transferir o dinheiro para o sistema bancário normal. Imagine que você seja um vendedor do ebay ou mercado livre e também compre suas mercadorias por lá. Você, eventualmente, só precisaria retirar o lucro de suas transações, mantendo as compras todas em dinheiro registrado no próprio mercado pago.

A Rede Bitcoin NÃO É MUITO DIFERENTE DISSO, aliás é bem parecida, exceto por não ter um responsável central e único e por permitir que a própria Rede gere moedas.

O que importa é Rede ou Sistema Bitcoin e NÃO a criptomoeda!

Rede Bitcoin é o sistema de pagamentos (não vou entrar em detalhes técnicos, não é minha praia) e Bitcoin é a moeda do Super Mário de US$ 4.000 que remunera aqueles que ajudam essa rede a andar.

Eu acredito que a intenção do criador da Rede era provar que a lógica de seu algoritmo, que foi criado para construção de um sistema de pagamentos em que a segurança se baseia no controle realizado pela própria rede e sem autoridade central, seria superior, mais seguro e mais barato que os sistemas de pagamentos caríssimos utilizados hoje.

Entendo que seria impossível provar isso captando dinheiro no mercado para construir um protótipo e demonstrar sua segurança, estabilidade e confiabilidade . É uma ideia muito sofisticada para captar recursos suficientes para construir essa Rede sozinho.

Os bancos dificilmente se interessariam, de início, pois significaria perder o controle centralizado sobre o sistema, espalhando suas características de segurança para milhares de contrapartes. Muito arriscado.

O gênio então criou o tal sistema de investimento-recompensa autônomo para dar suporte a sua ideia (a do sistema de pagamentos). Criou o Bitcoin, que remuneraria as pessoas que colaborassem com o suporte e o “BackOffice de hardware” da Rede Bitcoin. A tal mineração nada mais é do que oferta de capacidade computacional PARA A REDE BITCOIN, não sai daí, não vai para o mundo.

No início fazia sentido apenas para uma rede de nerds (gênios com interesses peculiares) que compreenderam o “game”, se interessavam pela ideia de criptomoedas e “jogavam” para coletar suas recompensas. Era barato e divertido, para quem entendia o algoritmo e sabia como jogar.

Naturalmente levou muito tempo para despertar o interesse de investidores, que não necessariamente entenderam ou entendem a profundidade da rede e seus objetivos, mas conseguiram ver uma forma de ganhar dinheiro, investindo para prover capacidade computacional à própria rede e recebendo moedas que passaram a ter valor referenciado em dólar.

Vale repetir em negrito: O Bitcoin é uma remuneração virtual recebida por quem oferece capacidade computacional para a própria rede bitcoin existir.

Não me arriscaria a dizer que é mais do que isso. Ele pode ser interpretado pelas pessoas como muitas coisas, como dinheiro virtual, como o futuro das moedas ou como o passaporte para a fortuna, mas, a rigor, ele é SÓ ISSO que escrevi. Pelo menos na minha opinião.

Por que vale tanto a moeda do Super Mário?

O motivo é sempre o mesmo, muitos interessados em comprar e poucos interessados em vender. Quando sai negócio, o preço é alto.

Aliás, a própria moeda do Super Mário, a do jogo, poderia ter valor referenciado em dólar, caso os jogadores quisessem burlar o sistema de coletas e comprassem de terceiros (por fora do jogo, em dinheiro) que repassariam a eles suas conquistas.

Na verdade, como já dito, as recompensas de videogames tem valor referenciado em dólar, dado que é possível comprá-las do próprio desenvolvedor.

Mas vamos pensar numa hipótese interessante, relacionada a sistemas de pagamentos.

Pense que o Mercado Pago, sistema de pagamentos do Mercado Livre, comece a chamar de MP a sua moeda, e garanta que, ao entrar no sistema R$ 1,00 valerá 1 MP e quando sair do sistema 1 MP valerá R$ 1,00. Como é hoje, se você coloca R$ 1.000 poderá retirar R$ 1.000, não importa se a moeda se chama MP ou Narjara Turetta (sem contar as taxas).

Agora imagine que as pessoas PREFIRAM ter MP a Real. Pode ser por qualquer motivo, imagine que as transações em MP (dentro do sistema de pagamentos do Mercado Pago) fiquem fora do sistema financeiro nacional e permitam, por exemplo que se transacione sem imposto e sem identificação de compradores e vendedores.

COM CERTEZA as pessoas passariam a comprar “por fora” MPs e pagariam em R$, de forma a evitar transacionar pelo sistema tradicional e com registro (compra de MPs diretamente pelo Mercado Pago). Poderia pagar, por exemplo, R$ 1,50 por fora do sistema, para o detentor do MP transferir para ele por dentro do sistema 1 MP, pois esse 1 MP permitiria várias transações ocultas e sem impostos. Essa transação, em tese, estaria fora do sistema bancário e o repasse do dinheiro também.

É mais ou menos como funciona o sistema de dólar paralelo em países com controle cambial, ou o nefasto sistema de lavagem de dinheiro.

Isso é um sistema de pagamentos paralelo ao sistema financeiro, mas NÃO é como a Rede Bitcoin, pois existe uma contraparte central, o Mercado Pago, que precisa gastar fortunas para manter esse sistema funcionando e recebe comissões nas vendas para mantê-lo, além de garantir o câmbio na entrada e na saída (R$ 1,00 = 1 MP).

Na Rede Bitcoin quem sustenta a estrutura são os mineradores e quem garante a segurança é a própria rede e os mecanismos iniciados pelos fundadores. E também não há nenhuma contraparte central garantindo a troca de Bitcoins por dólares.

Por que usei o exemplo do MP? Para mostrar o que seria um sistema de pagamentos paralelo ao sistema financeiro em que as trocas POR FORA do sistema poderiam se dar em valores diferentes da “lógica oficial” ou do fundamento.

Retornando ao questionamento inicial, o Bitcoin só vale muito porque há compradores para pagar o preço que vendedores pedem.

Mas não se deve buscar “fundamento” no Bitcoin (como há no exemplo do MP). Ele não tem qualquer fundamento que justifique qualquer preço. É só uma questão de fluxo mesmo. Vamos explorar esse tema.

Tem perigo de não conseguir vender meus Bitcoins?

Essa pergunta é interessante. Não existe um “estoque” de dólares para pagar Bitcoins. As transações são sempre entre quem TEM os dólares para dar e quem TEM os bitcoins para entregar. As corretoras só fazem essa intermediação e cobram um fee por isso.

E, vale repetir, isso tudo é FORA do jogo, fora da Rede. Como seria aquela troca de reais por MPs no exemplo do Mercado Pago.

Exceto em casos de fraudes como as do Maddoff, em tese se você conseguir vender seus Bitcoins a contraparte pagará em dinheiro e você receberá.

O risco é tão somente o de liquidez. Se houver uma corrida por dólares (venda de bitcoins), o preço pode cair de US$ 4.000 para US$ 400 ou US$ 0,40. É só uma questão de fluxo. Desde que haja contraparte interessada em pagar, por algum preço você venderá.

Não há contraparte central garantindo NADA, se ele será vendido por US$ 4.000, US$ 30.000 ou US$ 0,01 depende apenas do interesse de vendedores e compradores.

Até porque, é PRECISO REPETIR, as transações de corretoras de Bitcoins NÃO FAZEM PARTE DO JOGO. O sistema não registra transações em dólar ou de câmbio, apenas a transferência do Bitcoin entre partes. As trocas ocorrem por fora.

O Bitcoin se tornará uma moeda amplamente aceita?

Acho que não era esse o objetivo de quem criou a rede. Não vejo motivo para a moeda ser aceita de forma global, pois isso exigiria integração com centenas de sistemas de pagamentos. Assim como você não consegue comprar nada em ações da Usiminas, dificilmente comprará tudo em bitcoins. Tanto é fato que não estamos falando majoritariamente de troca de Bitcoins por chocolate ou passagens aéreas, mas de troca por dólares em corretoras de fora do sistema.

O objetivo, na minha modestíssima opinião de quem NÃO é especialista no assunto, é que o Bitcoin foi criado APENAS para ser a moeda que recompensaria jogadores de um grande game cujo objetivo é manter a si mesmo vivo e operando, até provar um ponto: que o sistema de pagamentos é melhor, mais seguro e mais barato do que os atuais.

Não vejo o Bitcoin, nem hoje e provavelmente nunca, cobrindo as três funções básicas da moeda: ser meio de troca, sendo um intermediário entre as mercadorias; ser unidade de conta, como referencial das trocas, o instrumento pelo qual as mercadorias são cotadas, e reserva de valor: poder de compra que se mantém no tempo, ou seja, forma de se medir a riqueza.

O Bitcoin não é um meio de troca, não é um intermediário entre mercadorias, ele, para ser aceito livremente, precisa ser transformado em outra moeda. Uma moeda precisa SOZINHA representar preços que equiparam bananas e turbinas de jatos, o Bitcoin não é isso, ele precisa da referência de câmbio em dólar para fazer sentido como meio de pagamento. O dólar não precisa de nada.

Não é uma unidade de conta, pois não presta como referencial entre mercadorias, dada sua oscilação completamente alheia à realidade da economia real, dos custos, receitas, inflação etc.

E não é uma reserva de valor, pois não mantém poder de contra, ao contrário, dispara o poder de compra.

Bitcoin não é moeda, ao menos não do jeito que entendemos e com o objetivo que as moedas foram criadas, para facilitar a troca de mercadorias.

As pessoas sempre se questionam: E se todos os lugares passarem a aceitar o Bitcoin?

Esse é um artifício retórico, conveniente para manter a crença, mas despropositado como argumento lógico.

Se fosse possível, num estalar de dedos, que todas as mercadorias pudessem ser referenciadas em Bitcoins e estes fossem amplamente aceitos, EVIDENTEMENTE o valor do Bitcoin passaria a ser ditado pelo valor da Mercadoria e não o contrário. É uma tolice crer que se pudermos comprar hoje um pãozinho por 0,0001 BTC, em 100 dias poderíamos comprar 50 pãezinhos com a mesma quantidade de moeda. Se isso fosse possível, imediatamente o BTC perderia a função de moeda.

É possível que alguém acredite que, quando o estoque de Bitcoins estiver representando, por hipótese, US$ 1 trilhão, ele teria lastro para ser aceito universalmente e, mesmo que parasse de subir, quem investiu US$ 10 em 2013 já teria sua “riqueza” de US$ 10 milhões e poderia usar livremente nesse mundo novo em que o Bitcoin será amplamente aceito.

Há vários problemas com essa crença, o primeiro é acreditar em enriquecimento sem causa. Pode acontecer, mas é anormal. O segundo problema é acreditar que a entrada de um estoque gigante para consumo não impactaria os preços e, principalmente, não se tornaria alvo de política monetária dos países.

Se você pensar que o Bitcoin substituirá as moedas por estar livre de amarras impostas pelos bancos centrais, você já está considerando que ele não é uma moeda, mas um serviço. Você compra a possibilidade de ficar invisível ou transacionar em mercados ilícitos ou ocultos. Isso não é função da moeda, servir a determinados nichos de interesse.

Outro ponto é que nada impede que o próprio sistema financeiro utilize a tecnologia do blockchain e passe registrar as transações em moeda corrente. Tenho dificuldade para ver como o Bitcoin continuaria a existir depois que sua tecnologia fosse amplamente difundida no sistema financeiro.

Perceba: Para que o Bitcoin seja amplamente aceito, deveria ser irrelevante comprar com Bitcoin ou com dólares. E se for o caso, o Bitcoin não é necessário. E ainda que sobreviva, se virar moeda MESMO, seu valor vai variar de acordo com índices de preço. O rabo não abana o cachorro.

Claro, sempre pode haver aplicações de nicho.

Bitcoin é um ativo?

Entendo ser perigoso tratar Bitcoin como um ativo, pois, como já dito, toda a lógica da Rede Bitcoin e sua organização é hermética, ou seja, fechada em si mesma. Quem ganha Bitcoins pela mineração não está oferecendo capacidade computacional para fins externos à rede, mas exclusivamente para ela, de forma que tudo o que se gera no Bitcoin fica por lá mesmo.

Como já dito, as trocas de Bitcoins por dólares são feitas por corretoras, que não tem qualquer relação com o sistema em si (exceto o registro de cessão dos Bitcoins do vendedor para o comprador).

Não tem relação com o mundo real, não gera qualquer benefício ao mundo real, portanto não deveria gerar expectativa de benefícios futuros a ponto de ser chamado de um ativo.

Seu preço, vale repetir, é alto exclusivamente por que há compradores ao preço que os vendedores desejam vender.

A Rede Bitcoin poderia ser “vendida” e gerar riqueza para os detentores de Bitcoins?

Não, e mesmo que isso fosse possível, quem tem Bitcoins não tem uma “ação da Rede Bitcoin”, tem algo que, um dia, foi recompensa para manter essa rede funcionando. Ou seja, se fosse possível COMPRAR a rede (e não é, além de não fazer sentido) os detentores de Bitcoins NÃO são os acionistas que se beneficiariam de uma oferta pública de aquisição.

Como a Rede Bitcoin poderia ser útil ao mundo real?

Creio que já foi útil, tanto é verdade que há um pool de bancos gigantes na Europa estudando implementar um sistema semelhante para substituir várias partes de seus atuais sistemas de pagamentos, caros e inseguros.

Se, por exemplo, vários sistemas bancários e de integração com os sistemas financeiros nacionais começarem a usar o modelo de blockchain, ou outro que se prove mais barato, eficiente e seguro, todos sem autoridade central e com segurança garantida pela vigilância da própria rede, creio que o objetivo do criador do Bitcoin, ao menos o objetivo que acredito ser “o” verdadeiro, já terá sido alcançado e a rede e sua história ficarão famosos para sempre, mas as “moedas” serão o que sempre foram, uma recompensa para quem joga, por manter o  jogo funcionando.

Recentemente o governo Chinês proibiu ICOs (lançamento iniciais de moedas virtuais, tipo IPO de empresas abertas). A justificativa era que seria captação ilegal de recursos.

Se for troca de moedas virtuais por moedas virtuais novas, até acho que poderia passar pelo regulador, mas se for troca de dinheiro real por moedas virtuais, entendo que é mesmo fraude e captação ilegal de recursos.

Isso porque, como dito, o máximo que uma moeda virtual pode fazer é auxiliar na criação de um sistema de pagamentos baseado nessa própria moeda virtual. E, em sendo de código aberto como o Bitcoin (um diferencial de segurança), não há motivo para alguém “comprar” esse sistema, basta fazer outro.

Entendo que as moedas competidoras não trazem os mesmos atributos de sucesso da rede Bitcoin, que foi, tão somente, convencer as pessoas a investirem EXCLUSIVAMENTE para manter a rede funcionando e em teste contínuo. As novas moedas parecem ter objetivos mais mundanos, como fazer dinheiro real.

A estratégia para fazer dinheiro no mundo real é bem conhecida, investir grana e ganhar grana. Não é captar grana real, pagar em promessas de recebimento de moedas virtuais novas, e gastar a grana real para fazer um sistema em que essas moedas virtuais novas possam circular. É muito non sense para ser oferta pública de captação de poupança popular. É claro que o regulador vai bloquear.

Por que comprar Bitcoin?

O único motivo, de TODAS as pessoas que compraram Bitcoins, é ganhar dinheiro. Só esse, não há outro. Os mineradores iniciais, e talvez alguns que existam até hoje, podem ter objetivos diversos, como preservar e “provar” o modelo, mas quem faz mineração hoje, gastando milhões de dólares, também quer ganhar dinheiro.

Qualquer que seja a decisão, de comprar ou vender, eu teria em mente o seguinte:

O Bitcoin é uma remuneração virtual recebida por quem oferece capacidade computacional para a própria Rede Bitcoin existir. É um loop hermético que alimenta a si mesmo.

Ele não é mais nem menos do que isso. O que acontece fora da Rede Bitcoin, nas corretoras etc., não diz respeito ao projeto original e não impacta o processo interno, apenas estimula o crescimento da capacidade computacional MUITO acima das necessidades do próprio jogo.

Recomendo a mesma coisa que se recomenda para grafistas, especuladores, jogadores de cartas e frequentadores de cassinos. Tenham um objetivo, tanto de perda quanto de ganho. E fiquem nesse objetivo, pois depois que se entra no jogo é difícil manter a racionalidade.

Por fim, vale colocar que esse é um artigo exploratório, ou seja, reflete uma opinião que pode ser mudada, dado que o tema é muito recente, complexo e pouco estudado. Ninguém sabe ao certo o que fazer com as criptomoedas, nem mesmo saberiam afirmar que são mesmo moedas ou que serão moedas.

Mas, até o presente momento, é como entendo esse movimento. Um grande videogame que ganhou mercado secundário no mundo real para transacionar as recompensas obtidas por manter esse mesmo videogame funcionando. Não é nada mais do que isso. Se as pessoas pagam US$ 4.000 por um Bitcoin, o motivo NÃO está no jogo, mas fora dele.

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Porque saí do RPPS ou A (minha) Reforma da Previdência

Posted on 21/08/2017. Filed under: Filosofia, Finanças, Matemática, Política | Tags:, , |

Bom, parece que a Reforma da Previdência vai virar mesmo um arremedo para durar uns 4 ou 5 anos, ou nem sairá.

Dado isso, temos que nós mesmos tratar de correr para organizar nossas finanças, pois, ainda que muitos neguem, o problema da previdência pública é real e impactará a vida de todos, NÃO SÓ DOS MAIS POBRES, mas, principalmente, dos que recebem mais.

Há fatos que considero incontestáveis, se o leitor não concorda com eles, não sei se o resto do texto interessará. São eles:

  • Há déficit na previdência e ele é crescente.
  • Com o passar dos anos e com o envelhecimento da população, esse déficit vai piorar.
  • O orçamento público é insuficiente. Para tudo (exceto para os barões).
  • O cobertor é curto, se aumentar o gasto com a previdência no nível previsto, vai faltar para outras áreas.
  • Direito adquirido e expectativa de direito são robustos conceitos jurídicos, mas fragilíssimos conceitos econômicos. Não há ordem judicial que faça aparecer um dinheiro que não há.
  • Quem deve se aposentar a partir de 2030, provavelmente (diria 99% de chance) precisará complementar significativamente a aposentadoria com recursos acumulados privadamente.

Adeus previdência pública!

Tomei posse na CVM, autarquia federal que regula o mercado de capitais, em fevereiro de 2012. Foi o último mês em que você pôde entrar no serviço público no regime de aposentadoria integral (ou pela média do salário da ativa).

Em março de 2012, Dilma regulamentou o Funpresp e, desde então, NENHUM servidor público federal pode se aposentar com mais do que o teto do INSS. Isso mesmo. Juiz ganhando R$ 80.000, sem entrou após a regulamentação, vai se aposentar com R$ 5.500. Vai precisar fazer poupança privada para compor a renda no futuro.

Alvíssaras, alvíssaras! Parabéns a Dilma e Lula! É muito importante que os servidores, que já ganham mais (por enquanto) e têm estabilidade (segurança de fluxo de caixa, também por enquanto), destinem boa parte de sua poupança privada de longo prazo para projetos e de investimento e NÃO para o orçamento público.

A janela de saída.

Há cerca de 1 ano o governo abriu uma janela para que os servidores ainda na regra antiga pudessem sair do regime próprio de previdência (RPPS). Isso significa pagar menos contribuição previdenciária (servidores pagam 11% em cima de todo o salário), porém abrir mão da tão sonhada aposentadoria pública integral.

Foi a minha oportunidade de dizer adeus à previdência pública!

Quer dizer, nem tanto, pois ainda sou obrigado a contribuir até o teto do INSS, mas o governo me deu a liberdade e a oportunidade de cuidar privadamente da minha aposentadoria, ao menos em parte.

Por que abandonei voluntariamente a tão sonhada aposentadoria do servidor público federal?

Há muitos motivos, alguns pessoais e morais, e outros financeiros e atuariais. Sou da área de finanças por gosto, vejo o futuro como um conjunto de probabilidades, analiso os eventos no futuro por sua densidade de probabilidade (chance de acontecerem) e, para o futuro, vejo algumas questões que me parecem bastante prováveis. Outras praticamente certas.

Antes de elencar os motivos, vale colocar que decisões pessoais são… pessoais! Nada do que escrevi, ou escreverei, deve ser visto como um caminho correto ou errado para as decisões dos leitores.

Vamos às questões.

Questões tributárias.

  • Hoje aposentados do serviço público pagam IR de 27,5% (mesmo com mais de 65 anos) + contribuição de 11% ao RPPS (sobre a parcela que excede o teto do INSS), com previsão de alta para 14%.
  • Ao acumular patrimônio pela previdência privada, paga-se apenas 10% sobre o valor retirado (mais de 10 anos de aporte). Além disso, o valor aplicado pode ser abatido do IRPF do exercício, o que traz um ganho de 27,5% de início.
  • É altamente provável que a contribuição suba, tão logo seja aprovada a reforma da previdência (se for), para 14% (essa proposta foi feita em 15/08/2017).
  • A continuar esse caminho do déficit, gigante e crescente, é altamente provável que, tanto a alíquota do IR para os maiores salários, quanto a contribuição ao RPPS continue subindo. Não estranharia se em 2030 estejamos pagando 35% de alíquota máxima de IR e entre 16% e 22% de contribuição ao RPPS. Aqui no RJ já houve propostas de contribuição extraordinária nesses níveis.
  • Não é impossível que aumentem o imposto sobre previdência privada, mas é um tiro no pé desestimular poupança privada de longo prazo, a única que vai sustentar o crescimento do país, dado que a poupança pública acabou.
  • Em resumo, meu custo tributário na aposentadoria estaria, hoje, na faixa de 35% (IR e RPPS), deve aumentar e não espantaria se chegasse a 50% em 20 anos. O custo atual de retirada dos valores acumulados em previdência privada está em 10%, e considero improvável que aumente (muito), dada a necessidade de estímulo à poupança privada de longo prazo.

Questões culturais.

  • Formar poupança privada é questão cultural. Você se surpreenderia com a quantidade de médicos, juízes, executivos, com rendas superiores a R$ 600 mil, R$ 1 milhão ao ano que não formam patrimônio, ou que mantêm reservas insignificantes perto de seus custos anuais. R$ 200 mil em reservas é muito para quem gasta R$ 80 mil por ano, mas é pouco relevante para quem gasta R$ 500 mil ao ano.
  • É comum ver as pessoas fazendo reformas de 5 em 5 anos na casa onde moram, ou até em casas de veraneio. Quando olham o que gastaram ao longo de décadas nessas reformas, poderiam ter acumulado patrimônio para complementar confortavelmente sua aposentadoria. E o imóvel de uso próprio não é ativo. Reduz necessidade de caixa, mas não gera renda.
  • A Previdência Pública reforça essa leniência com a poupança privada que vemos em toda a população. É inacreditável que um pedreiro que chega a cobrar de R$ 300 a R$ 400 a diária, sonhe em se aposentar com salário mínimo ou com R$ 1.500 por mês. Se acumulasse patrimônio por 10 anos ou 15 anos, sem ser genial nas finanças, já teria recursos suficientes em poupança privada para usufruir de renda semelhante.
  • Há o desconhecimento, mas há o desestímulo mesmo, provocado pela expectativa de que é inevitável depender do governo quando ficar mais velho. É uma expectativa altamente empobrecedora, tanto para o indivíduo, quanto para o país.
  • Para quem tem 15, 20 anos ou mais para acumular patrimônio, aprender sobre as formas de investimento privado (são muitas e para os mais diversos apetites por riscos) deve ajudar na aposentadoria. Mesmo para o aposentado que recebe um bom dinheiro, a falta de experiência na gestão financeira de sua renda e patrimônio prejudica bastante seu período de aposentadoria. Não é à toa que a maioria esmagadora dos aposentados, ESPECIALMENTE DO SERVIÇO PÚBLICO, vive com sua renda comprometida significativamente no consignado.
  • Enfim, é melhor levar a experiência de ter gerido sua própria vida financeira e sua própria poupança, além de ter uma reserva significativa durante a aposentadoria, do que ter passado a vida na expectativa de apoio do governo e sem reserva alguma.

Questões financeiras e de seguridade

Trato por “questões financeiras e de seguridade” aquelas decisões que envolvem variáveis de risco e retorno e de diversificação.

  • Os riscos da aposentadoria pública estão ligados ao orçamento público, tanto no RPPS quanto no RGPS (INSS). Ocorre que, como se sabe, o déficit do funcionalismo é muito mais elevado, o desequilíbrio é maior e os salários são 7 vezes maiores, de forma que podemos dividir o risco do RPPS e do RGPS, apesar de terem a mesma fonte de pagamento.
  • Os riscos de uma taxação extra, ou excessiva, sobre as pensões e aposentadorias me parecem muitíssimo mais elevados para quem está no RPPS. Primeiro porque o déficit é maior (e aqui não cabe discutir conceitos de justiça, apenas conceitos financeiros) e segundo porque é mais palatável para a sociedade sobretaxar quem ganha R$ 20.000,00 do que quem ganha R$ 984,00. Dessa forma, o risco de quem está no RGPS (ou nas mesmas regras) me parece MENOR do que o risco de quem está no RPPS. Em resumo, vão “descascar” primeiro os que ganham mais e têm maior déficit, para depois chegarem a quem ganha menos. Aliás, isso já tem sido uma realidade para os servidores públicos federais desde 2003, pois já pagam 11% sobre suas aposentadorias e tem idade mínima de 60 anos (não há idade mínima nem contribuição de aposentados no RGPS).
  • Os regimes de previdência pública também são regimes de seguridade, ou seja, buscam amparar o cidadão e sua família no caso de sinistros como morte e invalidez permanente. Na previdência privada esses seguros precisam ser contratados à parte. Nos regimes FECHADOS de previdência, como no FUNPRESP, há formação de fundos para garantir essa seguridade, ou seja, paga-se um pouco a mais para reservar fundos para pagar pensões por morte e invalidez. Mas isso nada tem a ver com capitalização, tem a ver com seguro mesmo.
  • A seguridade no RPPS (do governo puramente), para quem tem pouco tempo de serviço público, não é tão interessante, pois para o caso de invalidez e morte há substanciais cortes nos benefícios à família ou ao indivíduo. Entrando no FUNPRESP, há formação de um fundo (caro) para pagar pensões no caso de sinistros. Esse fundo, me parece, está superdimensionado, pois, para cada R$ aportado pelo beneficiário, cerca de 0,41 centavos são destinados ao fundo (porque o governo coloca também R$ 1). Além disso, o FUNPRESP é o regime para todos os novos servidores, desde 2012, com a aprovação da idade mínima de 65 anos (se não for agora, será em 2019 ou 2020), é provável que haja muitos servidores jovens entrando e contribuindo por 30 a 40 anos para o FUNPRESP. Não me parece que esse fundo ficará “sem dinheiro” para pagar as pensões. Acho até que está superdimensionado.
  • Já as regras de seguridade do RPPS tendem a piorar com as reformas da previdência, essa próxima e as várias outras que virão nos próximos 20 anos. É bem provável que as pensões por morte e invalidez sejam expressivamente reduzidas (já está em pauta). No caso do FUNPRESP ou da contratação de seguros privados, o que vale é o contrato e a disponibilidade financeira. É provável que, nos próximos anos, a seguridade contratada privadamente ou nos fundos fechados seja muito superior à seguridade social. Por incrível que pareça, a decisão de sair do RPPS, contratando os seguros corretos (ou entrando no FUNPRESP), pode reduzir os riscos de fluxo de caixa no caso de sinistros.
  • Há o risco de sucateamento do serviço público, esse risco não é desprezível (escrevi esse texto bem antes das mudanças propostas em 15/08). Achatamento salarial, redução de carga, PDV, está tudo na mira do governo. E continuará, pois o déficit pesado da previdência está no serviço público, em todos os níveis. Quando o Brasil estava “bombando” entre 2011 e 2014, os salários na iniciativa privada, para quem tem boa formação, estavam bastante atraentes. Se Dilma tivesse seguido o caminho proposto por Palocci e outros, de buscar o déficit nominal ZERO, talvez ainda estivessem todos na cadeia, mas a economia estaria voando. Nosso problema é essencialmente fiscal, se não houvesse isso, nossa economia estaria inundada de dinheiro barato (os juros seriam mínimos e sobra dinheiro no exterior). Seria altamente provável que profissionais bem formados deixassem o serviço público. Se isso acontecer, e você tiver 15 a 20 anos de contribuição ao RPPS, vai pensar duas vezes antes de sair e perder o dinheiro pago para a aposentadoria. Mas se esse dinheiro tiver sido acumulado no FUNPRESP ou em previdências privadas, o servidor poderá sair levando o dinheiro acumulado para a aposentadoria. A decisão fica bem menos difícil. Sair do RPPS reduz o risco de perder oportunidades por estar preso a um regime para o qual você já contribuiu muito.
  • Há o risco de gestão e de fraudes nas previdências privadas, inclusive no FUNPRESP. Ocorre que é possível diversificar as fontes de aposentadoria, como em outros fundos de previdência, fundos de investimento imobiliário, ações etc.. No RPPS há o risco de má gestão do orçamento público também, aliás, isso nem é risco, é certeza. Na verdade estamos trocando um risco sobre o qual temos algum controle (participação nas assembleias, troca de gestores, seleção de riscos da carteira, venda pura e simples etc.) por um risco sobre o qual nosso controle é apenas no voto nos políticos, e nunca deu muito certo.

Em resumo, com visão exclusivamente financeira (de riscos de fluxo de caixa), entendo que sair do RPPS foi “vender um ativo com perspectiva ruim” para selecionar e me posicionar em “ativos melhores e com maior diversificação”.

É evidente que, para quem tem 25 anos ou mais de contribuição ao RPPS e para quem está próximo de se aposentar (até 10 anos) os riscos são muito diferentes, até porque devem ter pouco tempo para acumular poupança privada. Talvez para estes a ideia seria apertar um pouco mais o cinto, renunciar a determinados padrões de consumo para acumular alguma poupança privada para compor com a aposentadoria pública e reduzir seus riscos.

Se eu pudesse resumir minha motivação para sair do RPPS diria apenas que entendo ser a coisa certa a fazer. Vou destinar a minha poupança com vistas à aposentadoria para investimentos privados e não para o orçamento público. Orçamento público não gera riqueza, aliás, há eloquentes exemplos no mundo inteiro que demonstram isso.

Se o Brasil entrar nos eixos e orçamento equilibrar, significa que a economia voltou a andar forte, gerar riqueza e pagar os impostos. Nesse caso os investimentos privados também devem dar resultado. Se o Brasil quebrar, é melhor ter a opção de mexer com a poupança acumulada privadamente (para comprar dólar, por exemplo, se a coisa for mesmo para o buraco) do que ficar com a expectativa de direito de receber uma aposentadoria de um estado quebrado.

A minha contribuição para a melhoria do Brasil é essa, reduzir o compromisso do governo comigo e destinar os excedentes para investimentos privados. Que espero que voltem com força. Os “investimentos públicos” já demonstraram que são sorvedouros de dinheiro, não geram qualquer riqueza.

Haverá leitores que vão me tomar por tolo, por acreditar em investimentos privados, em capitalismo etc.. Minha visão a esse respeito é bem simples. Há riscos nos investimentos privados, para esses riscos há cálculos de mitigação e diversificação. Posso acessar 4 grandes gestores para meus fundos de previdência privada, 12 ou 15 ações, mercado interno e externo, estratégias com opções etc.. Há riscos ao depender do governo para garantir meus proventos no futuro e para esses riscos eu não tenho nenhuma estratégia de mitigação, ninguém tem.

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Reforma da Previdência – Parte 2: Quem está por trás da reforma são os gestores da Previdência Privada?

Posted on 17/03/2017. Filed under: Filosofia, Finanças, Política | Tags:, , , |

Outro ponto bastante difundido, por quem é contra a reforma da Previdência, é que o objetivo seria rechear o bolso das entidades de previdência privada.

É bem comum esse pensamento no brasileiro. Sempre prefere acreditar que há um plano da burguesia para afastar o “povo” do seu suado dinheirinho. É uma conveniência histórica, moldada em décadas de crença de que a luta de classes é o único modelo para compreensão da sociedade.

Mas vamos assumir que seja isso mesmo. Que há um plano para migrar parte significativa dos recursos previdenciários para mãos privadas. Os malditos burgueses querem mais dinheiro!!! E também os Ianques malditos querem nossas riquezas!!!

Por que você deveria se importar com isso?

Caso seu dinheiro fosse aplicado em regimes de previdência privada, você poderia escolher entre centenas de gestores e ter vários fundos, com os mais variados perfis, se preferir diversificar.

Seu dinheiro seria SEU e não serviria para repartir com outros aposentados. Você teria condições de fiscalizar e avaliar a gestão do seu patrimônio, pedindo migração e portabilidade se não concordar com os caminhos ou não gostar da rentabilidade.

Vejo um monte de gente reclamando que pagou demais ao INSS, que o patrão pagou demais também, e que a aposentadoria é uma miséria. E estão certos!

Mas a regra é essa, desde o início. NÃO É MAIS RELEVANTE O QUE VOCÊ PAGOU, pois a previdência não tem patrimônio, não tem títulos públicos, não tem ações de empresa, não tem acumulação de capital, só tem receita e gasto. E hoje o gasto é bem maior que a receita, ou seja, jamais terá patrimônio, pois não conseguirá acumular, não há excedentes. O que você pagou, já foi pro bolo. E outra pessoa já comeu faz tempo.

É essa regra, injusta e cada vez mais injusta, principalmente com quem é mais jovem, que está vigendo hoje. É para a manutenção dessa regra que os sindicatos saem às ruas em greves. É para manter esse modelo que as pessoas demonizam a iniciativa e a previdência privadas.

É tolice acreditar que seu dinheiro do INSS estava guardado numa poupança em seu nome. Todo mundo sabe que isso não existe. O dinheiro entra e sai. Não acumula, ao contrário, falta.

As domésticas

As domésticas estão no grupo que paga menos INSS, pois recolhem cerca de 8% e o patrão outros 12%, totalizando 20% de contribuição mensal.

Imaginemos uma doméstica que receba R$ 1.000,00 na carteira. Sobrará mensalmente R$ 920,00 no contracheque e sua contribuição total mensal ao Regime Geral de Previdência seria de R$ 200,00 (somando o patronal).

Esse dinheiro, no modelo atual, não é dela, serve para engrossar o orçamento da União.

Se os R$ 200,00 estivessem aplicados num regime PRIVADO de previdência, onde o valor acumulado seria DELA e não do “bolo” previdenciário, teríamos várias possibilidades.

Vou assumir algumas premissas simples. Salário em moeda estável (para evitar cálculos complexos de inflação), Retorno dos investimentos de 5,0% acima da inflação (para poder usar moeda forte, com base em metas atuariais reais de fundos de previdência) e que os custos do gestor sejam pagos pelo 13°, que não está entrando na conta do patrimônio acumulado. IR de retirada de 10%, como a regra atual (após 10 anos)

Iniciando sua vida profissional aos 20 anos, contribuindo por 25 anos (de forma espaçada, acumulando 10 anos sem contribuir, porém rendendo) e se aposentando aos 55 anos.

Essa é uma história comum e plausível. Lembrando que os 55 anos não dependem de regra previdenciária, pois ela é dona do dinheiro. E pode retirar quando quiser.

Seria possível acumular, até os 55 anos, cerca de R$ 150.000 em valores de hoje. Permanecendo aplicados nas mesmas condições, ela poderia retirar um salário líquido de R$ 920 por exatos 224 meses. Pouco menos de 20 anos.

Iniciando sua vida profissional aos 20 anos, contribuindo por 30 anos (de forma espaçada, acumulando 10 anos sem contribuir, porém rendendo) e se aposentando aos 60 anos.

Seria possível acumular, até os 60 anos, cerca de R$ 208.000. Permanecendo aplicados nas mesmas condições, ela poderia retirar um salário líquido de R$ 920 (em valores estáveis) por exatos 436 meses. Pouco menos de 37 anos. Teria dinheiro até os 97 anos.

Se falecesse aos 80, sua família receberia um saldo bruto de R$ 140.000,00.

Iniciando sua vida profissional aos 20 anos, contribuindo por 35 anos (de forma espaçada, acumulando 10 anos sem contribuir, porém rendendo) e se aposentando aos 65 anos.

Seria possível acumular, até os 65 anos, cerca de R$ 282.000. Permanecendo aplicados nas mesmas condições, ela poderia retirar um salário líquido de R$ 920 (em valores estáveis) para sempre, o que significa que os herdeiros poderiam ter esse volume financeiro de forma vitalícia (mantendo-se as premissas iniciais).

Para brincar, no modelo “Temer”, contribuindo por 49 anos, iniciando a vida profissional aos 16 anos, e se aposentando aos 65 anos (sem interrupção).

Seria possível acumular, até os 65 anos, cerca de R$ 487.000. Permanecendo aplicados nas mesmas condições, ela poderia retirar um salário bruto de R$ 2.500 (em valores estáveis) por 32,5 anos (até os 97,5 anos).

Há problemas e riscos com esse modelo de acumulação privado?

Sem dúvida. Há possibilidade de má gestão, pode haver fraude, pode ser que os custos aumentem, pode ser que a rentabilidade seja menor, pode ser necessário complementar com um seguro de vida ou invalidez. Sem dúvida pode haver problemas.

E os problemas do sistema público?

Seriam, em suma, os mesmos, porém bastante amplificados pela falta de accountability (prestação de contas).

Poderia haver fraude? Não só poderia como é quase diário o sangramento das contas públicas com “jeitinhos” que oneram o INSS. Em um simples pente-fino o governo pôs em dúvida 90% dos benefícios de afastamento por invalidez ou doença. Há de tudo, picaretagem, má-fé, até desembargador e almirante de 90 anos solteiro, casando com meninas e meninos de 25 para manter a pensão por mais algumas décadas.

Pode haver má gestão no setor público? A dúvida nem é essa, mas se poderia haver boa gestão. Essa, nunca apareceu por essas bandas. É quase certeza de má gestão.

Os custos podem aumentar? Bom, creio que a Reforma proposta agora e as várias já feitas mostram que o custo pode, e VAI, aumentar bastante.

Em resumo, os problemas possíveis em ambos os sistemas de previdência são os mesmos, porém na iniciativa privada são uma possibilidade apenas remota (fraude), no setor público os problemas são quase uma certeza, além de uma rotina.

Mas o brasileiro prefere o sistema público.

Aposentadoria pública poderia ser um colchão de segurança contra a indigência e a pobreza extrema. Um valor relativamente baixo que protegeria as pessoas de viver em condições degradantes. Isso sim é “social”, isso faz parte do nosso Pacto democrático. Isto posto, entendo que, até determinado valor, poderíamos contribuir para um regime de partilha, mas deveríamos buscar o “conforto” da aposentadoria em outras bandas que não o regime previdenciário público.

Isso porque, quando recebo uma aposentadoria de R$ 30 mil, por mais justa e honesta que seja, não se pode justificar pelo “social”, mas apenas pelo direito adquirido na legislação vigente e passada. E o nosso Pacto Social não é para isso, para esse nível de garantia. Cedo ou tarde, por mais garantido que seja o direito, haverá ajustes orçamentários para fazer o custo caber na receita. É onde estamos hoje. Se não iniciarmos o ajuste, em 3 anos haverá ainda menos receita, e muito mais custo.

Em resumo, o sistema é péssimo e infinitamente pior do que qualquer regime privado, mas o brasileiro vê o governo como sua última tábua de salvação. O que é uma pena.

A natureza da nossa pobreza

Essas décadas de ensino e discurso “ideologizado”, de debates sobre luta de classes, sobre a vilania da burguesia, sobre a maldade do empresário, nos afastam, sobremaneira, da riqueza. Somos e seremos pobres, pois odiamos o sucesso.

Adoramos dinheiro público e nem ao menos nos tocamos que o orçamento público só é deficiente porque nossa economia é esquálida, fraca e sem dinheiro privado. Queremos crescer, queremos emprego, queremos mais orçamento público, mas demonizamos quem investe e traz divisas, quem “alimenta” todo o sistema, quem toma riscos privados. Principalmente estrangeiros.

A principal diferença entre a Previdência Pública e a Previdência Privada

Aqui é que, em minha opinião, a previdência privada dá um banho na pública em termos de importância para o desenvolvimento da nação.

Ambos os modelos são captadores de poupança popular, tomam dinheiro do cidadão hoje, com promessa de aposentadoria no futuro.

Porém a previdência pública não tem qualquer compromisso atuarial ou de formação de patrimônio, ou seja, o dinheiro captado NÃO SERÁ investido, não vai gerar negócios, não vai gerar recursos, não vai financiar a produção, não vai gerar riqueza, apenas será redistribuído.

Parece bonito falar em “distribuição” de renda e recursos, mas acho que os brasileiros concordam que essa distribuição não é, ou não parece ser, justa. Tanto é verdade que todos reclamam da aposentadoria do INSS, mas veem privilégios espalhados aos quatro cantos, como aposentadorias especiais, de perseguidos políticos, acumuladas há 100 anos etc.

Na Previdência Privada o pagamento das aposentadorias depende do acúmulo de patrimônio. Depende da qualidade do gestor. Depende da escolha dos projetos de investimento. Depende das ações em que se investe. Depende de quanta riqueza aquele dinheiro aplicado pode gerar.

A poupança popular captada pelo governo vira consumo imediato, vira sabonete, arroz, carne e, claro, azeita as engrenagens da corrupção estatal. A poupança popular captada pelos fundos de previdência privada vira investimento, vira financiamento de longo prazo, e todos os agentes (exceto em caso de corrupção) deveriam buscar a excelência na gestão, para se diferenciar na competição acirrada pelos recursos do poupador.

Por pior que seja o sistema privado, seria impossível se aproximar do desastre escabroso e da irracionalidade do sistema público. É uma roda da pobreza, girando cada vez mais rápido e de forma cada vez menos harmoniosa.

Manter previdência pública para reduzir a vulnerabilidade das pessoas na velhice, eu concordo, faz parte do nosso Pacto Social, estou dentro. Mas o ideal seria que o plus, o conforto, viesse de esforço e riscos privados. Seríamos bem mais ricos. Nossos filhos e netos agradeceriam.

Mas o brasileiro prefere acreditar ser altamente provável que o burguês e o empresário sejam maus, apesar de ser açoitado e humilhado nas filas dos hospitais, nas greves infinitas da educação pública e na aposentadoria insuficiente e injusta, oferecidos pelo estado brasileiro.

Fraudes em fundos de pensão

Sempre haverá quem faz questão de não entender coisas simples. Haverá aquele a criticar meu texto por não lembrar dos escândalos no Postalis, Petros, Funcef, inúmeros fundos de previdência municipais e estaduais etc., fraudes mil, destruição da poupança captada.

O burguesão raiz capta dinheiro, corre riscos com o próprio capital, prefere menos interferência estatal e investe para enriquecer a si e ao seu acionista, o burguesão brasileiro quer saber como é que vai sangrar o estado, os pensionistas e os funcionários públicos, como o estado vai protegê-lo da concorrência, para garantir seu enriquecimento fraudulento.

É sempre a falta de accountability do Estado que permite esses escabrosos escândalos. É triste, mas infelizmente em cada fraude e cada sistema de corrupção há alguma entidade pública, sindical ou política envolvida.

A fraude na operação “carne podre” de hoje, típica da burguesia brasileira. Conluio com políticos, agentes públicos, perseguição a funcionários públicos que denunciaram o esquema, ministros envolvidos, empresas penduradas no BNDES envolvidas. Tudo errado.

Demonizamos o capitalismo liberal brasileiro, o que é o mesmo que demonizar um unicórnio rosa. Ambos não existem e nunca existiram. Nos bastidores é sempre alguém pintando e enfeitando um jerico.

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Reforma da Previdência – Parte 1: há déficit?

Posted on 15/03/2017. Filed under: Administração, Filosofia, Matemática, Política | Tags:, , , , , |

Iniciamos nossa série sobre a Reforma da Previdência com o principal motor dos debates, se a previdência está quebrada ou não.

Os que argumentam que não está partem do pressuposto que o dinheiro da previdência vem de uma arrecadação mais ampla, e não apenas com a contribuição do empregado e do patrão ao RGPS ou RPPS (regimes geral e próprio da previdência social), que serve a outros propósitos sociais e que bastaria uma redistribuição para arcar com as aposentadorias e pensões.

Outros ainda afirmam que o dinheiro arrecadado com esse propósito é “desviado” para outras finalidades pela desvinculação das receitas da união.

Um último grupo associa a falta de dinheiro com má gestão do governo, dívidas de contribuintes inadimplentes, pagamento de juros da dívida pública e corrupção.

Há déficit?

Não é necessário apelar às filigranas orçamentárias para convencer as pessoas de que há déficit. Basta que qualquer brasileiro se pergunte:

  • Pago pouco imposto? Dá para pagar mais?
  • Os serviços públicos que recebo em troca são bons?

Exceto por grupos privilegiadíssimos, qualquer brasileiro responderia que paga impostos demais e recebe serviços de menos. Aliás, o Brasil é lanterna nos rankings internacionais de retorno com pagamento de impostos.

A impressão é meio óbvia, o governo arrecada muito e oferece pouco. As aposentadorias são insuficientes (no RGPS), o sistema de saúde é sofrível, a segurança é nula e ninguém confia na educação pública para formar bem seu filho (salvo raríssimas exceções).

Pois é. Retorno à pergunta: há déficit?

Vou deixar dois artigos, para quem quiser ler em detalhes os números que apresentarei.

Artigo 1.

Artigo 2.

O buraco que todo mundo vê.

Pouca gente sabe, mas o tal “superávit primário” que o governo busca NÃO é superávit de verdade (nominal). Não leva em consideração o pagamento de juros. Na verdade, os governos, desde 1994 pelo menos, NUNCA tiveram superávit nominal. Rodamos no vermelho sempre.

E a conta desse buraco se reflete no aumento da dívida pública.

A dívida pública, que todos demonizam, serviu para pagar o que faltava no orçamento. Quem empresta dinheiro ao governo, não é vilão, é só alguém que quer poupar e encontra um ente descontrolado, ávido por dinheiro para fechar suas contas. O vilão nessa história é outro.

Veja o governo do RJ, por exemplo. Pela lei de responsabilidade fiscal não pode se endividar sem aval do Tesouro Nacional. O que está acontecendo? Não paga ninguém. O funcionalismo está com salários atrasados 1 ou 2 meses, mas tem fornecedor que não vê a cor do dinheiro há 2 anos. E talvez nunca veja. E o Estado não paga porque não pode se endividar e, mesmo que pudesse, não encontraria quem quisesse lhe emprestar dinheiro, pois o risco é altíssimo.

Antes de demonizar a “dívida pública”, procure imaginar como seria rodar no vermelho e NÃO poder se endividar. Se tiver dificuldade de imaginar, olhe para o Rio de Janeiro.

Demonizar aquele que empresta e perdoar aquele que gasta em excesso é o caminho do calote, da insensatez financeira, e, claro, da miséria. Imagine o Brasil inteiro nas condições do Rio de Janeiro? Sem dinheiro, com déficit e sem ter a quem recorrer para captar recursos (se endividar)? Infelizmente isso NÃO é impossível de acontecer.

Há déficit nas contas públicas. Em TODAS. Aliás, na verdade NUNCA houve foi superávit.

Você pensa: Ah, mas esse déficit não é da previdência. Correto, não é mesmo, mas isso importa? Se falta para saúde, educação, assistência básica, segurança etc., também falta (e faltará mais ainda) para pagamento de aposentadorias decentes.

O numerário do caos.

Em 1995 o governo pagou R$ 17,9 bilhões em juros da dívida pública, teve um déficit nominal (já incluído o pagamento de juros) de R$ 14 bilhões, cerca de 2% do PIB. A dívida pública em R$ era R$ 61 bilhões e de US$ 106 bi, totalizando cerca de R$ 150 bi (o dólar era barato em 1995).

Em 2016 atingimos números catastróficos. Pagamos R$ 407 bilhões de juros nominais (conta própria do TN), somados a um déficit primário (tínhamos superávit primário até 2013!!!) de R$ 155 bilhões, conseguimos a proeza de “arrombar” o cofre público (dinheiro nosso) em mais de R$ 560 bilhões, coisa de 9% do PIB. A dívida pública bruta atingiu impressionantes R$ 4,37 trilhões, quase 70% do PIB.

Repito a pergunta: Há déficit?

Aliás, modifico a pergunta:

Cara, você realmente acha que não há déficit? 

As discussões sobre filigranas orçamentárias são mesmo relevantes? Os números que são públicos, e com os quais todos concordam, já não são aterrorizantes?

Saímos de R$ 18 bilhões de juros nominais pagos em 1995 para R$ 407 bilhões em 2016, coisa de 16% ao ano de alta.

Saímos de uma dívida bruta de R$ 150 bilhões para R$ 4,37 trilhões, alta de 17,5% ao ano.

Saímos de um déficit nominal de R$ 14 bilhões em 1995 para impressionantes R$ 560 bi em 2016.

Parece sustentável isso? Basta dar uma “ajeitada” nos números, tirar um pouquinho daqui e dali para pagar as aposentadorias?

Qual é a vantagem de acreditar que não há déficit? Qual o conforto disso?

Se você não se assustou com os dados atuais, provavelmente não faz ideia do que está acontecendo com o país. Não é nem questão de perguntar se há déficit, mas de como vamos parar essa sangria antes do colapso total das contas públicas.

O buraco atual é claro, evidente e inequívoco. Quem está lutando para “provar” que não há déficit, provavelmente tem interesses corporativistas (alguns funcionários públicos insensíveis ao desequilíbrio e que querem manter o status quo), ideológicos (acefalia matemática pura e simples) ou políticos (querem se reeleger dando esperanças vãs às pessoas).

O presente é desastroso, mas e o futuro, como será?

Reverteremos esse déficit, sobrará dinheiro para pagar as aposentadorias e serviços públicos?

Os otimistas acham que vamos parar de piorar e voltar a ter superávit primário em 2020, ou seja, esse buraco, na melhor das hipóteses, vai piorar as contas públicas, dívida etc., por mais três ou quatro anos.

Mas esses são os otimistas.

Sem forte disciplina fiscal atingiremos uma dívida bruta de mais de 80% do PIB já em 2018. A continuar a gastança, o céu é o limite. Aliás, o inferno do Rio de Janeiro é o limite.

gasto com previdência saiu de 3,4% do PIB em 1988 para 11,2% em 2016. Parece sustentável? Vai aumentar ou não?

Por que o brasileiro acha confortável acreditar que o dinheiro público é infinito, se é ele próprio que paga?

We are not getting any younger…

Nem os defensores de que a previdência está nadando em dinheiro se atrevem a dizer que o futuro será melhor do que passado ou o presente.

Haverá mais aposentados em 2030 e menos trabalhadores na ativa. E em 2040. E em 2050.

É longe? Quem tem 48 anos deveria se preocupar com 2030, pois estará aposentado até lá. Assim como quem tem 38 anos, ou 28 anos.

Nossa juventude tem demonstrado ser trabalhadora, devotada e dedicada ao trabalho e estudo, ou está cada vez mais perdida no hedonismo, nas facilidades da era digital e na superproteção parental e estatal?

Eu, com 30 anos de estudo, mestrado e pós-graduações, vários livros escritos, várias atividades remuneradas e tributadas, estou pagando a aposentadoria dos brasileiros já aposentados e prestes a se aposentar.

Mas quem vai pagar a minha está sendo instruído nas escolas públicas e privadas a fugir do empreendedorismo e odiar o capitalismo, a fugir dos objetivos “pequeno-burgueses” de estudar, ganhar dinheiro, empreender e vencer.

E mesmo quem está começando a vida profissional de forma centrada e focada, nem sonha em usar o regime da previdência social para se aposentar.

É isso mesmo que você leu. Jovens bem formados, em sua maioria, estão mandando uma banana para o sistema previdenciário público, já entenderam que desse mato não sai cachorro. Quem tem 25 a 35 anos hoje, e está bem empregado, tem certeza absoluta que não poderá contar com a previdência pública. E isso TAMBÉM é uma realidade no serviço público, federal ao menos. A garotada que vai produzir os excedentes para as futuras aposentadorias, se pudesse, guardaria o dinheiro para si.

Eles não são “maus”, apenas não são tolos.

A pergunta fica ainda mais assustadora: haverá déficit no futuro?

Bom, os artigos apresentados utilizam números reais do Tesouro e do BACEN, não são reportagens de jornal ou luta política. Quem quiser se aprofundar pode lê-los, pois não pretendo “provar” que há déficit. É matéria de crença e de decisão, não de prova. Quem acredita no que é altamente provável e verossímil, consegue decidir se proteger.

Qualquer brasileiro com mais de 30 anos é capaz de entender que está assolado por impostos, não é à toa que pagamos 2 a 3 vezes mais caro por carros, eletrônicos, remédios e até comida do que um norte-americano médio ou até do que um português ou italiano.

É capaz de entender que não recebe NADA em troca. Ou melhor, recebe 60.000 homicídios, recebe filas de 5 anos para um exame simples, recebe descaso, recebe tapas na cara com privilégios INJUSTIFICADOS a alguns membros da casta do funcionalismo e da política, recebe, enfim, muito pouco para nossa pesada estrutura tributária.

Qualquer um pode ver que há desequilíbrio generalizado nas contas públicas, não faz sentido achar que está tudo péssimo no orçamento, mas tudo ótimo na parte que paga minha aposentadoria. Isso é uma negação que pode custar o futuro de muita gente.

Na verdade, o artigo não responde, mas devolve a pergunta: há déficit?

Você leitor, precisa escolher em que acreditar. Na avalanche de números catastróficos ou no terninho dos desembargadores e auditores fiscais sindicalizados, cuja aposentadoria DEPENDE que você continua quietinho. Mas pagando.

Nessa primeira parte tratamos apenas do déficit. Em outros artigos trataremos de assuntos delicados como a demonização INJUSTIFICADA do fator previdenciário, a injustiça e o desequilíbrio com o pessoal do RGPS, o erro de confundir expectativa de vida ao nascer com idade mínima de aposentadoria, a questão atuarial e, principalmente, debater o que efetivamente ocorre com pessoas vulneráveis, com pouca instrução e empregabilidade. Dá para falar em idade mínima de 65 anos para eles?

Façamos um concurso de direitos adquiridos: o que pesaria mais?

Cada um crê no que lhe é conveniente. O que me é conveniente é acreditar que vou ter que me cuidar à parte da previdência pública, pois é bastante provável que esta tenha pouco dinheiro para distribuir no futuro. Além disso sou sensível para entender que, em havendo pouco dinheiro, será necessário prevalecer o direito do mais vulnerável ou necessitado. Ambos teremos “direitos adquiridos”, mas seria insensível demais esmagar os miseráveis para manter pensões e aposentadorias recheadas para poucos.

Por isso apelo a quem ganha bem, por favor, não se passe por HIPOSSUFICIENTE! Garanta-se por contra própria, há muitos vulneráveis no Brasil para que precisemos ajudar a quem ganha bem, tem estudo, instrução e amparo. 

Mas se você não quiser acreditar em nada disso e pensar que está tudo bem e que, ao final, tudo vai se acertar, pois o Brás é tesoureiro, ok.

It´s only your future.

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Aleppo. Barbárie e Descaso. Como chegamos até aqui. A Doutrina Obama.

Posted on 21/12/2016. Filed under: Filosofia, Política | Tags:, , , , , , , , |

Os debates sobre Aleppo e seu massacre de crianças, estupros em massa e covas coletivas estão, corretamente, focando na emergência. Na necessidade urgente de viabilizar a saída imediata dos civis do inferno.

Estamos juntos nessa, mas esse artigo pretende debater os motivos que nos trouxeram até aqui. Qual o papel da Doutrina Obama nessa realidade geopolítica?

Em resumo…

Sem entrar em filigranas geopolíticas, a leitura direta do que ocorre na Síria é bem simples.

Após a primavera árabe, que derrubou alguns ditadores e modificou alguns regimes na Ásia e na África, houve um levante na Síria, reprimido de forma violenta.

Os rebeldes, não muito diferentes dos que derrubaram Mubarak e Gaddafi, foram apoiados discretamente por forças estrangeiras, a quem interessava a flexibilização em ditaduras como a da Bashar Al Assad.

Desde o início a Rússia apoiou Assad e vetou qualquer resolução da ONU que pedisse a saída do ditador sírio, ou o diálogo com os rebeldes.

Não há tropas enviadas diretamente por estrangeiros com poder bélico relevante. Não estão lá os boinas azuis, os mariners ou qualquer exército ocidental. Mas Putin está lá, diariamente, com a força militar que a Rússia pode oferecer.

Putin vem enganando, e todos sabem, os ocidentais e seus aliados árabes dizendo que está enfrentando os terroristas do Estado Islâmico e suas derivações, mas na verdade quer garantir uma vitória esmagadora de Assad, seu aliado. A parte “esmagadora” não é figura de linguagem.

Na prática temos um grupo de rebeldes (com os mais variados motivos, alguns bastante retrógrados) lutando com algum apoio do ocidente, algum financiamento “por baixo dos panos”, contra o poderio militar russo. Todo ele e sem limites, sem convenção de Genebra e com um padrão civilizatório digno de Átila, o Huno.

A doutrina Obama

Lamento pelos muitos amigos e familiares que tem apreço pelo presidente “cool” norte-americano, mas a catástrofe de Aleppo, e as que virão, estão em grande parte associadas ao novo modelo de política externa dos EUA.

Obama assumiu os Estados Unidos com alguns propósitos, o mais eloquente deles era retirar as tropas do Oriente Médio. É bem verdade que não cumpriu a promessa, ao menos não completamente.

Porém sua política externa, muitas vezes chamada de “Obama doctrine foreign policy”, deliberadamente retirou os Estados Unidos da posição de única superpotência, líder do mundo livre e do capitalismo, líder do livre mercado e da livre concorrência.

E retirou mesmo. Não há preponderância norte-americana em praticamente nenhum conflito (talvez apenas naqueles iniciados pelos próprios), nem na defesa de qualquer sistema de valores ocidentais. Obama nunca proferiu a expressão “terrorismo Islâmico”. Obama professa o que se vê hoje na Europa, da tolerância como valor em si mesmo, absoluto, sem qualquer avaliação ou julgamento ético e moral.

Quando houve o massacre numa boate LGBT nos EUA, a primeira frase de Obama foi que “aquele era um dia muito triste para a comunidade LGBT”.

Um verdadeiro líder do mundo ocidental diria que é um dia triste para a humanidade. Um líder conciliador não divide, não escolhe o discurso específico para uma minoria e menospreza a dor e o horror compartilhados por milhões de pessoas que não fazem parte dessa minoria, mas que estão do mesmo lado em termos de sofrimento com a tragédia. Foi um discurso sectário. Líderes que dividem são populistas, sanguinários ou ditadores. “Dividir para Conquistar”.

Obama conseguiu desviar o transatlântico de valores dos EUA para o mar aberto da incerteza, moral e civilizatória. Para fora do maniqueísmo, para fora de um ideal civilizatório, para fora de uma “guerra-fria de valores”, para fora de um sistema moral.

Essa atitude de neutralidade é aplaudida por muitos, principalmente pelas pessoas que vivem na platônica realidade do politicamente correto, que pretendem criar um mundo onde não haja discurso que possa ferir outro ser humano, onde não haja conceitos ou preconceitos.

Um bizarro mundo de uniformidade de pensamento, coisa jamais vista na história da humanidade e nem enredada na mais eloquente ficção futurista (pois não é um futuro nem provável, nem verossímil).

Obama está lá na Síria.

Está lá, justamente por não estar. Justamente por ser o musculoso halterofilista, faixa preta em Karatê e armado até os dentes, que se recusa a intervir quando o marido espanca a esposa e os filhos, diante de seus olhos, sob o pretexto de que “faz parte da cultura milenar de onde eles vieram”.

Está lá por realmente acreditar que não há valores que mereçam ser estimulados ou difundidos e professados. Exceto a própria ausência de valor.

A diferença entre uma guerra promovida pelos EUA e o que se verifica em Aleppo.

Alguns leitores argutos devem estar se perguntando sobre as políticas norte-americanas belicosas que justificaram a invasão do Afeganistão e do Iraque, por que seriam menos nocivas do que a Doutrina Obama?

Ora, ora, ora.

Os motivos foram errados e também contrários ao posicionamento da ONU. Algumas pessoas entendem que foi uma guerra comercial e não com o objetivo de instaurar uma democracia no Iraque. E ainda que fosse esse o objetivo, o Iraque deveria ter o “direito” de viver em ditadura, sem intervenção estrangeira, pelo princípio da autodeterminação dos povos.

Parece fazer sentido, mas é importante pontuar a extrema diferença entre uma guerra conduzida pela liderança norte-americana e pela Rússia, por ditaduras teocráticas ou cleptocracias africanas.

Não faz sentido clamar por direitos humanos na Síria. Os protagonistas não fazem ideia do que é isso. É um conceito muito caro aos ocidentais, liderados pelos EUA e Europa, mas que nada significa para Putin ou Assad.

Putin era da KGB, na URSS (recomendo a leitura do livro Sussurros, 800 páginas de horror documentado) os fins justificavam os meios e os seres humanos, a individualidade e a vida, nunca foram fins em si mesmos, apenas meios para os objetivos do poder central e da nomenklatura.

Regimes onde o ser humano é meio, onde a individualidade deve ser sufocada pela coletividade, costumam se apresentar como ditaduras sanguinárias e imorais. E parte do mundo ainda é assim. Mas certamente não os EUA, apesar dos esforços dos ditadores do pensamento (politicamente correto) em fazer o mundo crer que os norte-americanos são os grandes inimigos da paz mundial.

Todas as falhas dos EUA nas guerras que conduziram, sejam elas reais ou narrativas inventadas, encontram caminho legal ou moral para serem expostas e combatidas. Guantánamo, as torturas e as operações secretas são feridas abertas dentro da própria sociedade norte-americana e também no resto do planeta.

E os dirigentes não podem fugir de enfrentar, até judicialmente, essas questões humanitárias e MORAIS.

Haverá o texano que quer aniquilar os terroristas, haverá o californiano que quer dar-lhes rosas. Qualquer que seja o caminho da política norte-americana, ambos serão ouvidos e terão voz ativa. A ambos deverá ser dada explicação e justificativa, racional ou moral.

O padrão civilizatório dos EUA (e do mundo ocidental) é completamente diferente do observado em Putin, Assad, Mugabe, Gaddafi, Sadam etc.

Pensar que o padrão civilizatório ocidental é melhor é cair numa armadilha intelectual. Ele não é e nem precisa ser melhor, basta que seja o padrão que você QUER para sua vida, sua família e seu convívio social.

Basta que você entenda que no seu país as mulheres devem ter os mesmos direitos que os homens, para que você rejeite situações de mutilação genital, apedrejamento por adultério ou proibição de mostrar o rosto e o corpo.

Discutir a “superioridade” é perda de tempo. É o que você quer e isso já é muito importante. É o padrão civilizatório que você deseja para si e para os seus. É o que se manifesta no voto, nos livros, nos discursos, nas narrativas, e em toda a pluralidade que só sociedades livres conseguem gerar.

E é esse padrão que era carregado no tal transatlântico que se perdeu no mar da incerteza moral.

Aleppo mostra que perdemos tudo.

É assustador ver sírios aparecendo na TV clamando aos prantos por ajuda da comunidade internacional, estranhando que “ninguém vá fazer nada” contra a barbárie inacreditável promovida pela Rússia e por Assad. É assustador por que ninguém vai ouvi-los, ou atender a seus apelos.

Há poucos anos havia a expectativa de intervenção econômica e até militar em episódios de barbárie em larga escala, ainda que os esforços fossem insuficientes ou ainda que a Rússia e a China tenham tentado barrar qualquer atuação da ONU contra ditaduras aliadas.

Hoje o máximo que a França faz, após a disseminação de fotos com pilhas de crianças mutiladas em Aleppo, é apagar as luzes da Torre Eiffel.

A ausência da liderança norte-americana é tão nociva para a geopolítica internacional,  e tão confusa para os seus críticos, que nem há mais discurso antiamericano ou anti-imperialista.

Apesar de a Rússia estar esmagando ativistas na Síria, mesmo aquelas vozes engajadas das redes sociais, tão eloquentes para peitar os EUA, simplesmente não criticam Assad ou Putin, apenas clamam por socorro às vítimas. Eles não estão cometendo crimes horrendos? Por que não criticar?

Porque as críticas são tão relevantes para Putin quanto uma mudança momentânea na direção do vento em sua Dacha.

Tanto os massacrados quanto os ativistas de direitos humanos ficaram órfãos da política intervencionista dos EUA. Os massacrados serão, cada vez mais, massacrados e os ativistas vão cansar de espernear em redes sociais a pedir, Deus sabe para quem, ajuda humanitária e um corredor de evacuação de civis em Aleppo.

É muito estranho esse mundo sem polarização e sem liderança. Nós não sabemos lidar com ele. Quem combateu a política externa intervencionista norte-americana deve estar percebendo que, sem ela, até o próprio norte moral e econômico a combater se perdem.

Chega a ser ingênuo cobrar proteção a civis ou respeito aos direitos humanos a Putin e Assad. No modelo civilizatório de ambos, essas “frivolidades ocidentais” nada significam. Além dos próprios Sírios, nós é que sofremos, nós é que nos descabelamos, nós é que gritamos diante de um fenômeno tão macabro levado a cabo por líderes tão desumanos.

Quem se importa com a violação dos direitos humanos dos Sírios somos nós, os ocidentais. O sentido da liberdade individual, da declaração universal dos direitos humanos, das repúblicas modernas e da democracia representativa só existe, como valor inegociável, em nosso modelo civilizatório.

Mesmo quando os Estados e as autoridades de países ocidentais parecem atropelar esses valores republicanos, religiosos ou morais, os caminhos para a crítica livre, para a intervenção jurídica, para a declaração à imprensa, para fazer filmes críticos, para espernear em redes sociais, para ocupar wall street, para votar e mudar o dirigente etc., estão à disposição. E são usados diuturnamente, com muita verborragia e com muito lobby, pelos ativistas dos direitos humanos, entre outros.

Michael Moore, se fizesse o que faz na Rússia, teria sofrido um acidente com plutônio antes de lançar o primeiro filme. Nos EUA é voz eloquente.

A Doutrina Obama deixou os ativistas órfãos. Não sabem o que fazer com a política do multiculturalismo e da autodeterminação dos povos (qualquer que seja o caminho).

Todos os antiamericanos eram valentes e agressivos ao criticar os EUA. Afinam diante de Putin e Assad. Clamam por direitos humanos, mas, como não há interlocutor interessado (Obama está na internet promovendo memes de si mesmo), falam ao vento. E não culpam Putin. E não culpam Assad. Não há nem mais os Estados Unidos para culpar.

Conservadores x Progressistas

Os conservadores não são “aqueles que querem manter tudo como está”. São aqueles que respeitam tradições, pois sabem que raízes levam dezenas, centenas de anos, e trilhões de interações humanas para se firmarem.

É claro que o futuro poderá melhorar essas tradições e até substituí-las por valores que vão continuar nos dando conforto moral e espiritual para viver em sociedade, porém, em alguns casos, não raros, mudamos para pior. Para muito pior.

E disso os conservadores querem se proteger. Destruir uma tradição imperfeita, através de um processo revolucionário, pode descambar para a barbárie e para a falta de parâmetros mínimos de civilidade.

Parece-me que há uma severa inversão civilizatória em curso.

A ausência de uma liderança moral mundial colocou a Nau humana à deriva.

Quem poderia segurar o timão do transatlântico está em seus aposentos presidenciais, fazendo vídeos engraçados para o facebook e acariciando um cachorrinho fofo. E todos em volta estão felizes.

Menos os meninos de Aleppo.

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Renan Calheiros venceu o STF. E a corte absolutista insiste em não entregar Luís XVI.

Posted on 07/12/2016. Filed under: Filosofia, Finanças, Política | Tags:, , , , |

Por quem os sinos dobram, brasileiro?

Pela constituição brasileira de 1988 e pelo governo Temer que pereceram hoje, dia 07 de dezembro de 2016.

O Brasil se superou ao referendar a desobediência civil em nome da governabilidade e do conveniente conchavo.

Conseguimos decidir que um presidente do senado não pode suceder o presidente da república, criando duas categorias de “chefes de poder”.

A categoria constitucional e a categoria paraconstitucional, ou categoria “Renan”. Conseguimos fugir da categoria “Cunha”, mas não conseguimos fugir de sermos humilhados pelo homem que usa aviões da FAB, que faltam para transportar órgãos e salvar vidas, para seu seboso e milionário implante capilar.

Num momento em que Temer, cada vez mais esquálida figura, precisa de apoio para aprovar reformas extremamente impopulares, e fundamentais, os poderes conseguem se unir para homologar a desobediência civil, encarnada no Renan fujão e na mesa do senado escorregadia.

Perdeu Temer. Perdeu Brasil. O interino que virou efetivo precisa do maior sacrifício que a história já requereu do povo brasileiro, e lutou para mostrar que há categorias de cidadãos que jamais passarão pelo constrangimento de serem interpelados pela justiça, por mais que roubem, por mais que estuprem a moralidade e a urbanidade.

O povo, Temer, contrariado, talvez lhe desse apoio na empreitada de salvar o Brasil, mas teria sido necessário entregar Renan e alguma parte significativa da horda de corruptos que transforma a governabilidade num jogo mafioso. E tão exclusivamente um jogo mafioso.

Agora acabou. Esqueça. Eu sei que o Brasil quebrou e precisa de nossa ajuda, mas não há um só poder em que se possa confiar. A constituição é rasgada, categorias e gradações de desacato são autorizadas, em conluio evidente para a retirada de pautas desconfortáveis para o judiciário. Não esperaram nem o defunto esfriar para retirar a urgência da pauta-chantagem do abuso de autoridade. Somos idiotas para não notar a coincidência?

Por quem os sinos dobram? Dobram em choro por todos nós.

Não acredite, Temer, que haverá conforto nos corredores palacianos. Não haverá. Não acredito em você, não tenho interesse em fazer qualquer sacrifício para manter essa ordem constitucional. Defendi a racionalidade contra os raivosos, me expus por 14 anos, me indispus em vários meios. Tudo pela racionalidade financeira. Agora deixarei você explicar aos raivosos que estes devem se sacrificar pelo status quo. Vai fundo. Tá contigo a bola.

Mais 2 anos de desordem e desconfiança e o país implode em uma nova constituição, que será extremamente desagradável para todos, mas eu poderia apostar que no interregno entre a desordem e a nova ordem, a coisa não vai funcionar bem para quem está, evidentemente, escandalosamente, desavergonhadamente e gritantemente do lado da imoralidade, da vergonha e da patifaria.

PEC 55, reforma da previdência, novos refis etc., de que adianta? Quem quer pagar para ver? Quem quer sustentar, pagar impostos, para deleite da imoralidade? Quem nos poderes da república tem moral para pedir sacrifício?

Qual o seu sacrifício Temer?

Jogaram pesado hoje.

É o fim da constituição cidadã. É, de certa forma, o fim das sequelas do regime militar.

Espero que, dessa vez, joguemos fora a água imunda de esgoto parlamentar e os bebês de Rosimery, Sarney, Calheiros, Barbalhos além de toda essa fantasmagórica esquerda lunática que ainda vive escondida atrás da perspectiva de um verde-oliva que já não existe há décadas.

A lata do lixo da história é um lugar que não merece receber tamanha toxicidade. Nós brasileiros precisamos inventar um novo inferno para desejar aos nossos representantes. O pior pesadelo de Dante não merece vocês.

Zerou a confiança. Tchau, querido.

Ps. aos inacreditáveis seres que acham que isso só está acontecendo porque Dilma saiu, só tenho a lamentar a incapacidade analítica. Não fazem a menor ideia do que está por vir. Uma nova constituição não promete ser “progressista”. Serão atropelados.

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A esquerda brasileira e a Revolução Francesa. Entenderam tudo errado.

Posted on 30/11/2016. Filed under: Filosofia, Finanças, Política | Tags:, , , , , , , , |

Há uma bizarrice nas redes sociais, sugerindo que os movimentos de esquerda que atacaram Brasília no dia 29.11.2016 seriam o povo que tomou a bastilha e derrubou a Monarquia.

Nada mais falso que isso.

Black blocs, MST, MTST, UNE etc., são franjas da mesma monarquia que está implorando por ser derrubada por OUTROS movimentos, estes liberais, pró-mercado e anticorrupção.

Isso mesmo, meu nobre gauchiste, você estaria do lado da Monarquia e do Clero em 1789 e jamais do lado dos que queriam reduzir privilégios, impostos e o poder do Estado.

Primeiro, Segundo e Terceiro Estado.

O Clero, o Primeiro Estado, seria os nossos políticos que recusam qualquer mudança que possa lhes tirar poder. E você apoia! Ontem, mesmo dia 29.11.2016, na câmara o PC do B e o PT foram os partidos que mais atacaram o poder judiciário e rejeitaram a criminalização de enriquecimento ilícito de servidor público e as mudanças nas regras na prescrição de crimes contra o patrimônio público.

Até o ressarcimento aos cofres públicos  de dinheiro roubado do Estado foi negado pela “frente esquerdista” em aliança com PMDB, PP etc. (exatamente como nos governos Lula e Dilma).

A nobreza, o Segundo Estado, era composto pela realeza e por milhares de cortesãos (puxa-sacos), que sobreviviam a base do Estado. Quer coisa mais “de esquerda” do que isso, viver às custas do Estado por subserviência a uma causa? Não é esse o ideal marxista-leninista, o Estado como único provedor inquestionável?

O Terceiro Estado era explorado pelos dois primeiros e incluía burgueses, sans-cullotes e camponeses. Todo o peso dos impostos recaia sobre este último Estado, dado que os dois primeiros tinham isenção tributária e usufruíam do Tesouro da Realeza com gordas pensões, empregos públicos e subvenções.

Luta contra a PEC não faz de você um Jacobino, nem um esquerdista clássico da revolução.

Nossos Girondinos são os membros da Alta Burguesia, que não querem mudanças radicais, mas já entenderam que seus negócios não vão prosperar na continuidade da corrupção estatal. É fácil ver, dado que todos os que se locupletaram de dinheiro público e promessas de políticos estão em recuperação judicial, enrolados com a polícia ou em situação econômica muito pior do que antes da cleptocracia PT-PMDB. Estão aí os gigantes da indústria e do setor financeiro. Até eles querem mudança.

Já nossos Jacobinos são os pequenos empresários, profissionais liberais e trabalhadores em geral que odeiam a pressão do Estado sobre seus bolsos e os péssimos serviços públicos que recebem em troca dessa opressiva carga tributária e regulatória.

Até a “esquerda” jacobina, mais agressiva, não representaria JAMAIS o interesse dos que incendiaram Brasília em 29.11.2016, pois eram, em essência, burgueses, profissionais liberais e artesãos com interesses AINDA mais radicais contra o Estado. Nada a ver com você amigo vermelho.

Coxinhas e vermelhinhos

Os “coxinhas”, em suas diversas matizes, representam os ideais da Revolução Francesa, sem o interesse no período de terror, pois não quer que a Monarquia volte.

São eles que saem às ruas pela prisão de TODOS os políticos envolvidos em falcatruas, pelo aumento das penas, pela redução da impunidade, pelo apoio às medidas anticorrupção, pela redução do poder do Estado, pelo fim do compadrio na indicação de membros do STJ, STF, Tribunais de contas, pela agilidade no STF, enfim, exclusivamente medidas que TIRAM poder do Estado, do “Clero” e da “Monarquia”.

Você, amigo de esquerda, quer, na verdade, a volta de Luís XVI e Maria Antonieta. Nem preciso dizer quem são, não é mesmo?

Quer apenas que as verbas públicas estejam ao seu serviço. Dizem que pensam nos pobres, desvalidos etc., mas se assim fosse, iriam querer a expansão do livre mercado, das empresas, da burguesia, da livre iniciativa, do investimento privado etc., que, por evidente, é o único caminho conhecido pelo homem, em todos os tempos, em todos os povos, para gerar riqueza e retirar as pessoas da miséria.

É claro que o amigo esquerdista não vê isso, pois associa a própria existência da pobreza ao capitalismo, quando, por óbvio, a pobreza é a condição natural do ser humano e jamais poderá ser suplantada SEM liberdade de associação, respeito à propriedade privada e aos contratos.

O fato de existirem pobres e “podres de ricos” numa mesma sociedade não a torna pior do que uma onde só há pobres e miseráveis. Nessa última além de não haver ricos, não há qualquer expectativa para um pobre sair de sua condição, pois não há para onde ir. Procure nascer na Selva (ou na Venezuela) para ver como a pobreza, em ambientes anticapitalistas, é uma condição intransponível. Exceto para o Clero e para a Monarquia, que vocês tanto defendem (Chávez, Fidel, Stálin eram mais absolutistas, para seus povos, que Luis XVI e todos os Papas pós inquisição.)

A constituinte

Vale lembrar aos vermelhinhos que se sentem “do lado certo” da Revolução Francesa Tupiniquim, que a Constituição Francesa pós-Revolução inspirou-se na Constituição dos Estados Unidos da América (de 1787) e foi a síntese do pensamento iluminista liberal e burguês.

Acho que não há nada MENOS esquerdista que isso, não é mesmo?

Vocês não vão mudar o Brasil, representam a falência, representam a continuidade de um Estado paquidérmico de direitos infinitos e deveres incompatíveis com o financiamento desses direitos. Representam o próprio desequilíbrio fiscal, hoje quase intransponível. Representam a crença de que calotes e descumprimentos de contratos, valentia anticapital, nos levariam ao paraíso de um mundo sem dívidas reconhecidas e juros escorchantes.

Estão errados. Há farto material de prova que esse modelo é fracassado, leva à miséria e ao desespero e distribui pobreza, cada vez maior, exceto para o Clero e a Monarquia.

Na verdade, no fundo, vocês querem mesmo é fazer parte desses dois últimos. Apesar de, erroneamente, acharem-se Jacobinos.

Não se iludam, à época vocês dariam suas vidas por Luís XVI e não por Danton.

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Michel Temer, o Golpe da Anistia ao Caixa 2 e os Escravos da Narrativa

Posted on 25/11/2016. Filed under: Filosofia, Finanças, Política | Tags:, , , , , , , , , , , , , , |

Diante de todo o descalabro na política nacional, com forte reação da opinião pública, pressão da mídia, do MP e do judiciário, das redes sociais e até de grupos de enfrentamento, como o que invadiu o congresso por acreditar que a Anistia havia sido votada, ouvimos uma voz irritante falando:

– Cadê as panelas?

Meu Deus, como é insuportável! Como é desagradável! Como é equivocado perguntar, diante de toda a gritaria ensurdecedora, onde estão as panelas!

Em busca da narrativa perdida.

A esquerda, o petismo e suas franjas e adjacências viajam, sem perceber, num mundo paralelo. São escravos cegos, remando ao ritmo ditado pelos almirantes intelectuais das Galés em busca de um porto seguro de ideias erradas e inverossímeis.

As pessoas que vivem a normalidade da razão, que buscam porto seguro em evidências empíricas ou corroboração factual de seus pressupostos, veem, e não acreditam no que veem, a vergonhosa impostura intelectual que assola os novos escravos da narrativa.

Perdem-se no mar dos fatos e, de vez em quando, aportam em uma ilha de conforto no erro e na confusão mental e moral.

Para quem vive de narrativa, é imperioso descobrir fragmentos de realidade e transformar em vergonhosa retórica moral e intelectual.

Após o mensalão, inventaram um mundo em que quem fura a fila não pode reclamar de desvios bilionários dos políticos de estimação do petismo e dos intelectuais da esquerda. Uma pessoa normal sabe que até o goleiro Bruno pode reclamar do roubo de dinheiro público, qualquer um pode, pois um erro moral ou crime não justificará o outro nunca. A hipocrisia de quem agride não conserta o erro do agredido.

Hoje nossos heróis, perdidos e sem rumo, aportam em qualquer ilha de bobagens para justificar suas narrativas de ideias erradas e distorcidas sobre o mundo.

É Moro à serviço da CIA, é o MP em conluio com a Chevron, é o Cunha que não iria ser preso após a queda da Dilma, é Sérgio Cabral que ficaria livre, é a PF que não prende ninguém de direita etc.

Foreign Corrupt Practices Act

A minha “ilha da fantasia moral esquerlouca” preferida, uma das coisas mais ridículas que já ouvi, é a história de que as leis anti corrupção nos EUA, que punem qualquer empresa que tenha negócios por lá e tenham cometido atos de corrupção em qualquer lugar do mundo, seriam um instrumento imperialista para permitir que empresas norte-americanas possam concorrer sem o peso da corrupção local nos países “periféricos”.

O mais divertido é que é isso mesmo. O objetivo do Foreign Corrupt Practices Act é justamente combater a concorrência desleal da corrupção, do conluio e da fraude.

Essa ilha de narrativa é tão inacreditável que o sujeito mira num fato virtuoso, conhecido e compartilhado por todas as empresas que fazem negócios com os EUA, para justificar a corrupção local como se fora uma vantagem competitiva das nossas empresas e do nosso jeitinho maravilhoso de roubar a nós mesmos.

E acham que é imperialismo, mesmo sabendo que há multas pesadíssimas inclusive contra bancos suíços e europeus.

É ou não é inacreditável?

A mais recente ilha da fantasia da narrativa.

Essa bizarrice de perguntar onde estão as panelas é inacreditável. Elas estão soando de forma ensurdecedora, mas não são de metal.

Por que insistem no inexplicável?

Porque vivem, como já dito, numa Galé de escravos, remando ao som de fragmentos de ideias propostas por construtores de narrativas, em busca de um porto seguro para “verdades” inverossímeis.

Perceba que, quando criticam, o fazem com “certeza absoluta” de que estão certos. A ponto de se indispor com gente realmente preocupada com a situação calamitosa do país e engajada em não permitir a continuidade do descalabro.

Os deputados e senadores estão tentando, diuturnamente, salvar suas próprias peles e as de seus corruptores. E voltam atrás regularmente, pois a pressão é gigante. Eles afirmaram em várias oportunidades que a pressão está insuportável. Abriram fogo contra o ministério público e contra o judiciário (estratégia usada para acabar com a operação Mãos Limpas na Itália) e até contra O Antagonista, o porta-voz do Impeachment, que hoje é o principal calo no sapato de Temer e de Renan.

Quem faz essa pressão em cima dos “nobres” congressistas? Você que critica as panelas? O PT? Lula e Dilma? Os ex-aliados de Dilma, como: Renan Calheiros, Jáder, Requião e até o Temer (esqueceram de quem ele era vice)?

Não, meu amigo. Quem está tentando salvar o Brasil dessa imoralidade são as pessoas a quem você quer atingir perguntando “onde estão as panelas”. São as pessoas que gritam contra a corrupção com todas as forças e ferramentas que têm, que estão ao seu lado, mas você prefere ignorar e ofender com sua retórica jocosa e pretensiosa. Não tem graça nenhuma. E não tem sofisticação alguma.

Quem encheu o telefone do Rodrigo Maia e de vários congressistas com cobranças contra a anistia foram os mesmos que bateram panelas para tirar Dilma. Assim como quem enche diariamente as caixas de mensagem, whatsapps, emails, perfis, twitters etc, de congressistas cobrando compostura e vergonha na cara também bateram panela contra Lula.

Você acha que as panelas não estão soando, mas diariamente mensagens contra a corrupção e a vergonhosa anistia atingem top trends mundiais no twitter. E concorrendo contra escândalos de celebridades mundiais como Justin Bieber e até contra a fúria atleticana e colorada contra seus técnicos e times.

Vocês perguntam onde estão as pessoas que foram às ruas, onde estão os movimentos “de direita” que levaram à queda de Dilma e do petismo necrosado, mesmo diante de uma enxurrada de eventos criados justamente para encher as ruas no combate à corrupção NO GOVERNO DO SEU VICE!

Abandonem a escravidão da narrativa a que servem, o Brasil precisa disso!

Nenhum fato real se encaixa na narrativa do “cadê as panelas”. É uma atitude que tenta atingir gente que está preocupadíssima com a situação do país, que está sofrendo e com medo de perder a guerra contra os barões do Brasil, contra Renan e sua camarilha. Essa situação é ruim para você também, e pode piorar bastante.

O que você ganha dividindo os esforços de quem quer combater a escumalha que governa o Brasil entre pressionar os congressistas e se defender do grotesco “cadê as panelas”?

O Brasil vive um frágil equilíbrio econômico, entre a esperança de retomar a normalidade e receber investimentos, ainda que pequenos, ou cair de vez no descrédito nacional e internacional e passar longos anos sem crescimento e, pior, sem orçamento público suficiente para pagar os serviços mínimos à população.

Michel Temer não entendeu que é IMPOSSÍVEL recuperar a credibilidade econômica mantendo o modelo de aceitação da corrupção como método de fazer política. O PT foi o partido que institucionalizou e justificou moralmente a corrupção NACIONAL como método de enfrentamento das “elites imperialistas brancas de olhos azuis”. Isso destruiu o Brasil, ou reconstruímos ou voltaremos à década de 1980, mas com um país infinitamente pior, mais violento e com menos espaço orçamentário.

A crise é moral, a crise é ética. E sem resolvermos isso, não há dinheiro, não há esperança e não há investimento externo.

A polarização não vai acabar se o antagonismo, mesmo diante de temas de interesse comum, continuar.

A retórica de esquerda reinou incólume no Brasil, desde o fim do governo JK até 2014. Falavam sozinhos com o campo de força invisível do politicamente correto mantendo as pessoas de fora do “grupo” bem distantes de importuná-los no campo de ideias tortas e erradas que cultivavam. Nunca houve contraditório para o ideário de esquerda, até 2 ou 3 anos atrás. Roberto Campos morreu falando sozinho. Hoje seria o líder liberal que não existe no Brasil.

A revolução da racionalidade trivial (do homem simples) contra a impostura arrogante da narrativa é coisa recente. Eu pessoalmente sofri o preconceito esquerdista contra a racionalidade instrumental básica por longos anos, mesmo estando certo em quase tudo o que apontei como destruidor, como está claro nos textos do meu blog.

Não fiquem melindrados por perder a guerra dos fatos e também das versões. Vocês reinaram 95% do tempo, agora o barco virou e não vão reinar mais. O escudo que permitia que bobagens soassem como sofisticação hegemônica (moral e intelectual) acabou.

O Rei está nu e não toma banho desde 1917.

Há uma oportunidade para a aliança neste momento em que, EVIDENTEMENTE, os inimigos são os mesmos e os métodos de luta contra eles também podem se somar.

Mas você prefere a etiqueta da grosseria.

Você prefere ofender quem grita contra a corrupção a se unir para cobrar os corruptos.

Sua única luta agora, parece, é por outra narrativa conveniente, como a que quer manter o sorvedouro de dinheiro público para projetos fracassados, refletida nos movimentos de ocupação das escolas, nos pleitos dos sindicatos, MSTs e outras franjas que sobrevivem apenas do orçamento público.

Gastamos todo o dinheiro que tínhamos e somos uma nação de analfabetos com diploma de pós-graduação. Somos uma nação de viciados em dinheiro públicos.

Em crise de abstinência.

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Putin e Trump, o que a imprensa não vê. Ou se recusa a ver.

Posted on 21/11/2016. Filed under: Filosofia, Finanças, Política | Tags:, , , , , |

No sábado, dia 19.11.2016, o programa do Willan Waack na Globo News se propôs a discutir a futura geopolítica de Trump.

3 especialistas, que realmente entendiam do assunto, nos brindaram com algumas boas ideias e com um monte de trivialidades.

Mas, a meu ver, todos erram por evitar pensar “fora da caixinha”. Há uma unanimidade ao assumir que a situação com Trump ficaria mais perigosa, que Trump aceitaria a política expansionista de Putin na Criméia, na Ucrânia e nos Balcãs.

Porém esquecem de um ponto, Putin disse que haveria a terceira guerra mundial se Hillary vencesse, e não Trump. Logo Hillary e Obama, que nunca confrontaram Putin em nada. A doutrina Obama é clara ao retirar dos EUA protagonismo na geopolítica mundial.

Mas a explicação é meio óbvia, apesar de nenhum dos especialistas ter levado para esse lado.

Putin é remanescente da Guerra Fria. Putin sabe que a Rússia Grande só existirá no campo bélico. Fora disso, a Rússia é apenas uma economia menor que a da Coréia do Sul e totalmente dependente de seus vizinhos europeus para consumir seu gás e óleo, cada vez mais baratos.

Obama não o enfrentou. Obama permitiu o protagonismo da Rússia, mesmo em situações vexatórias como na Ucrânia e na Síria. O mundo inteiro sabe que a Rússia afirma enfrentar o ISIS, mas é pretexto para destruir os rebeldes e garantir Bashar Al Assad no poder.

Putin continua abertamente sua corrida armamentista, lançando há pouco o Satã 2, arma nuclear que poderia atingir qualquer cidade do mundo. Putin fala abertamente em uso tático de armas nucleares (menores). Putin fala abertamente em retomar sua área de influência no leste europeu. Putin quer instalar mísseis na Venezuela.

Obama não se importa. Obama é Ghandi no lugar errado. A não violência e a não intervenção (objetivos declarados de Obama, porém não totalmente cumpridos) retirou o protagonismo dos EUA e é por isso que Putin atribui a terceira guerra mundial à gestão de Obama e à ex-possível gestão de Hillary, e não à Trump.

Ele não é Hitler. Ele sabe que a Rússia grande não é a da terceira guerra mundial, mas a da guerra fria.

Putin quer e precisa de um adversário também belicoso. Se ele quisesse um adversário frágil e calado, iria preferir a continuidade da Doutrina Obama.

Não é verdade, portanto, que o mundo ficará mais perigoso com Trump. Talvez regridamos para ter tensões geopolíticas que há muito não víamos, mas nós convivemos com isso por quase 50 anos.

O mundo que não conhecemos é o de Putin livre, sem oponente. Só sabemos que ele demonstra interesse em recuperar a influência da antiga URSS. Mas não conhecemos esse mundo sem os EUA de Reagan.

Na minha modesta opinião, que é contrária à da maioria dos analistas, Putin quer retomar o único quadro geopolítico em que ele é relevante, o da corrida armamentista e da guerra fria.

Mas precisa de um oponente.

Hitler queria dominar o mundo, portanto não precisava de nenhum adversário forte, Putin sabe que dominar um mundo com armas atômicas é impossível (ele acabaria e não haveria o que dominar), portanto PRECISA de um adversário. Obama nunca foi.

Obama está certo? Trump está errado?

Essas perguntas não fazem muito sentido, apenas apaziguam nossa necessidade de assumir lados, de procurar alguma moralidade que nos traga conforto.

O que importa é saber o interesse dos protagonistas. Se soubermos, podemos tomar decisões corretas, se nos recusarmos a saber, por motivos moralistas, vamos tomar decisões erradas.

Infelizmente o mundo inebriado pelo politicamente correto não consegue pensar fora dessa ética globalista.

Mas a realidade não se encaixa no pensamento confortável. É por isso que estamos em crise econômica, moral e, futuramente, poderemos estar de volta à guerra fria.

Nós continuamos sendo inteligentes, porém o politicamente correto “proíbe” que trabalhemos intelectualmente cenários incômodos, fora da moral geralmente aceita. A imprensa está tomada por essa vírus do caminho intelectual proibido.

E dessa forma continuaremos com opiniões bovinas, convenientes e erradas.

Por que será que todos dizem que Trump irá iniciar a terceira guerra mundial, enquanto Putin diz justamente o contrário, que Hillary o faria, mesmo com a doutrina Obama deixando o baixinho russo deitar e rolar na geopolítica mundial? Todos os cenários apresentados pelos “analistas” corretos, não explicam isso!

Porque Putin, provavelmente, quer a guerra fria e não a terceira guerra. E esta seria provável, sem adversários. Há 2 cenários para quem é forte militarmente. Conquista e equilíbrio. Putin clama, desesperadamente, pelo equilíbrio. Mas dentro da guerra fria, onde a mãe Rússia voltará a dar as cartas, mesmo sendo uma economia esquálida e frágil. Pior será se o futuro do petróleo for tenebroso. Não sobrará muito da economia russa.

Se estou errado nem é tão importante. Mas é bom deixar um pensamento fora da caixinha circulando, para as pessoas raciocinarem de maneira alternativa. Todo mundo pensando do mesmo jeito é um saco.

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Rio de Janeiro: O Caos financeiro, a Casta de Privilegiados e o Ocaso do Brasil

Posted on 17/11/2016. Filed under: Filosofia, Finanças, Política |

O governo do Rio de Janeiro quebrou e não deve se recuperar antes de 2022, se conseguir.

Em essência o problema foi utilizar todo o espaço fiscal gerado pelo boom do petróleo, da ilusão da copa e das olimpíadas para permitir o crescimento de despesas permanentes.

Há um grupo de “analistas” que dizem que o problema não é de crescimento de despesas, mas de redução de receitas. É uma análise conveniente, mas errada e ineficaz. Uma análise honesta deve encarar o problema de acordo com as armas que o estado tem para solucioná-lo. E certamente não está à disposição aumentar a receita em 30%. Nem com aumento de impostos, nem com a expectativa de crescimento econômico. Não há qualquer arsenal de aumento de receitas à disposição de QUALQUER governo na federação, nem no Governo Federal.

Ou se olha pelo lado dos cortes, ou deixamos a coisa explodir em uns 3 anos. Quando falo explodir, não é nada perto do que vivemos nos últimos 516 anos. É algo que ainda não ocorreu por aqui.

O Rio já dá uma ideia de como seria essa explosão. Falta dinheiro para coisas básicas como pagar salário e aposentadorias, mas há uma luta, principalmente por parte da ala mais privilegiada (judiciário e legislativo), para defender o recebimento prioritário de seus vencimentos. Clássico “farinha pouca, meu pirão primeiro”. O problema é que a farinha é, em última análise, fornecida por quem já recebe pouquíssimo pirão e não tem qualquer motivo para entender o faisão dos desembargadores do TJ-RJ.

O ocaso do Brasil

Busca-se o socorro do governo federal. Se vier essa ajuda, comprar dólar vai ser uma boa opção para o médio prazo. Vamos quebrar.

Seria o clássico abraço de afogado. Se o governo central oferecer ao RJ qualquer tábua de salvação, mais 10 estados destruídos virão abraçar a frágil boia, o que levará todos para um buraco que ainda não vimos.

O governo central tem déficits que beiram 10% do PIB ao ano. A dívida cresce sem limites. Os juros voltaram a subir forte em novembro. Com Dilma já teríamos quebrado, sem as iniciativas tímidas de redução de gasto promovidas por Temer, o mercado já teria se retirado do Brasil e de seu futuro. Mas Temer também corre esse risco, de quebrar o Brasil, pois as resistências ao controle de gastos, mesmo numa expectativa péssima para o futuro das receitas, são fortíssimas, principalmente por quem não quer perder privilégios sobre o orçamento público. Aqui inclui-se de tudo. Empreiteiros, empresários, funcionários públicos, bolsistas e outros grupos estado-dependentes.

Mas esse orçamento acabou.

A injustiça e a percepção da injustiça.

Do ponto de vista dos “direitos adquiridos”, todo corte parece injustiça. Mas não é isso que pode gerar convulsão social. Pagar o pato faz parte. Mas pagar sozinho, não.

Enquanto os governos pedem sacrifício aos servidores e à população, principalmente aos menos abastados e protegidos, a estrutura inadmissível de privilégios continua incólume, inabalável e crescente.

O servidor que ganha R$ 3.500,00 não entende porque seu salário precisa ser reduzido em 20% enquanto membros do legislativo e do judiciário ostentam remunerações, que são decididas por eles mesmos, que ultrapassam R$ 100.000 por mês.

O problema é que a redução ou congelamento de salários em poderes que usam seu orçamento como bem entendem, é ineficaz, pois sempre haverá retroativos convenientemente inventados, sempre haverá ressarcimento de despesas médicas infinitas, sempre haverá uma portaria ou norma à disposição para repor qualquer “necessidade” de quem não precisa de nada.

Na verdade, quem pagará o pato é aquele que vive no limite. Tirará o filho da escola, cortará no mercado, cancelará o plano de saúde, vai se mudar para longe do trabalho para poder pagar o aluguel. O Estado não estará lá para lhes prover reembolsos do Samaritano ou auxílio moradia no Leblon.

Não vai dar certo

O nível de desequilíbrio das contas é tão alto, e contínuo, que não adiantará empurrar com a barriga até uma eventual melhora da economia. Esta não virá antes de 2018, se é que virá.

O problema é que vivemos um momento em que as principais lideranças brasileiras estão envolvidas com problemas pessoais, principalmente com a polícia.

Os chefes do executivo, atuais e anteriores, estão enrolados na lava-jato, os chefes do legislativo também. Só conseguem pensar em legislar para se livrar da justiça. O país precisa desesperadamente de reformas, em todas as áreas, mas os esforços mais eloquentes estão em livrar Renan Calheiros da cadeia. Com o STF empenhadíssimo nessa e em outras operações-abafa.

A maioria dos privilégios nababescos pagos ao legislativo e ao judiciário, principalmente estaduais, já poderiam ter sido barrados no STF, há anos, mas convenientemente dormitam até hoje nas gavetas de quem pediu vista ou trancou a pauta. Corporativismo? Talvez seja pior que isso.

Pedir sacrifícios ao povo brasileiro e desfilar imoralidades com dinheiro público não vai dar certo. Os “senhores do orçamento” precisam, voluntariamente, extinguir obscenidades como usar de aviões da FAB indiscriminadamente, gastos milionários com cartões corporativos e penduricalhos imorais (ainda que pseudo-legais) nos vencimentos de quem abriga até colégio bilíngue de filho no orçamento público.

Análise puramente econômica

Na verdade, a análise não pretende ser um libelo puritano e moral, nada disso.

Os caminhos para a solução estão dados, todos conhecemos há décadas. É sacrifício mesmo. E barra pesada.

Quando o mercado aplaudiu a PEC 241 e a futura reforma da previdência não o fez por ser “mal”, por ser o “grande satã”, ou por que o “FMI mandou”. O fez porque é da sua natureza entender as contas de risco e retorno.

Se o ente tomador de empréstimo (Brasil) é solvente e tem uma evolução positiva nessa solvência, o mercado empresta barato. Caso contrário, empresta caro. Ou não empresta.

Isso não é matéria de caráter moral, é tão somente cálculo estatístico trivial de desvios padrões, médias e covariâncias. Ser estúpido com matemática custa caro, por isso o mercado costuma não falhar nessas modelagens simples.

Podemos mandar o mercado às favas?

Sim, e, se isso acontecer, há opções para quem quer se proteger como o dólar e os títulos pós-fixados, ou até os atrelados à inflação. Ou até sair do país, caso migremos ao modelo bolivariano (que já foi brasileiro) de controle cambial, inflação mascarada e controle de capitais. Aí é dólar a R$ 7,00 e inflação descontrolada.

 

Há boas perspectivas para a economia?

Não vejo nenhuma. Se os governantes brasileiros decidirem esperar por um milagre, é bom desistirem e se acostumarem com invasões de assembleias, de câmaras e de suas próprias privacidades.

Petróleo não subirá de forma significativa, aliás corre o risco de cair. Trump pode reduzir o poderio econômico chinês, consequentemente o preço de outras commodities que vendemos. Nossas receitas orçamentárias não vão subir. Há fila de empresas com risco de pedir recuperação judicial. Os juros voltaram a subir, pois o Brasil está menos confiável. O mercado imobiliário não passará nem perto da recuperação, sem crédito e sem emprego. A queda na renda dos funcionários públicos, forçada pelos desequilíbrios orçamentários, pelos aumentos de contribuições previdenciárias e pela incerteza quanto ao pagamento, vai reduzir significativamente o poder de consumo em várias cidades brasileiras, dificultando a recuperação econômica. A carência de recursos nos governos vai reduzir demais os projetos privados que, infelizmente, se acostumaram e ficaram viciados em dinheiro público, em correr risco com o dinheiro do contribuinte. Não há dinheiro privado para investimento nas empresas brasileiras, estão todas cortando.

A única boa expectativa que tínhamos era receber dinheiro do exterior, abundante e barato. O problema é que o Brasil enfeiou. O Brasil está fedorento. O Brasil está sanguinário. O Brasil não fez, e pelo jeito não fará, nenhum dos seus deveres de casa.

O Brasil não é mais destino para nada. Levaremos, nessa toada, outros 500 anos para voltar ao grau de investimento.

O que fazer?

Equilibrar o que está desequilibrado, moralizar o que está imoral, para então pedir apoio e sacrifício à população.

Temer não tem a legitimidade do voto e de um projeto de governo vitorioso nas urnas. Mas isso é o de menos, pois ele poderia “ganhar” essa legitimidade, honrando os motivos que levaram as pessoas às ruas pelo fim do governo inacreditável de Dilma Rousseff.

Para começar, poderia parar de jantar com Renan Calheiros. Aliás, se o STF julgar e condenar Renan, o que já poderia ter feito há 2 anos, será um bom início. Dará o sinal de que a monarquia está acabando.

O caminho, único e evidente, é entregar Luis XVI e Maria Antonieta ao povo, antes que o povo resolva toma-los à força. Força aqui não é “força de expressão”, a invasão da Assembleia do RJ, do Congresso Nacional e a hostilização de políticos e juízes do STF já são realidade.

Os caminhos constitucionais estão abertos. Fim de dinheiro subsidiado para empresas bilionárias (o maior de todos os pecados do PT). Teto constitucional está aí para ser cumprido. Demissão de servidores (o que Pezão quer evitar) também. Para a demissão chegar aos servidores estáveis, os governos têm que cortar todos os cargos em comissão, ou seja, retirar da máquina milhares de apadrinhados, por que não fazem? Reforma da previdência, reforma trabalhista etc., estão todas aí.

Pudemos empurrar com a barriga por 516 anos, mas acabou a barriga e o caminho. Não dá para esconder nada embaixo do tapete agora.

Não dá para pedir sacrifício ao povo sem mostrar severos cortes em benefícios injustificáveis e imorais.

É difícil demais ver um salário de R$ 5.000 cair para R$ 4.000, por um esforço de equilíbrio orçamentário, e saber que há salários imunes a esses cortes, pois sua composição é de penduricalhos bilionários.

Talvez seja a hora de um “populismo salarial”, ou seja, não cortar de quem ganha menos e buscar o ressarcimento em quem ganha mais. Prefiro ver meu PM ganhando os mesmos R$ 3.000 e meus desembargadores vendo seus vencimentos caírem de R$ 100.000 para R$ 30.000. É justo e moral. Não vou entrar no mérito da legalidade, pois quem faz as leis e quem as julga são exatamente os que mais benefícios auferem da legislação e de sua interpretação. É causa própria, só consigo avaliar a moralidade. É imoral e, ainda que fosse legal, é conflito de direito adquirido. Nosso pacto social promete o paraíso em troca de nossos impostos. Recebemos o inferno. Nós contribuintes temos nosso direito constitucional negado diariamente.

Nem Bolsonaro, nem Trump, em 2018.

A julgar pelo caminho que o Brasil está tomando, de total confusão orçamentária, o próximo presidente não precisará apenas ser boquirroto, falastrão e conservador. Não adianta querer perseguir os bandidos de rua e destroçar a esquerda e o insuportável “politicamente correto”, apenas. Vai ter que endereçar a questão de Luís XVI e Maria Antonieta.

Vai ser a principal guerra em 2018. Quem mostrar que consegue transformar a destinação dos recursos públicos em algo mais equilibrado, menos imoral e menos injusto, deve vencer a eleição.

O discurso está dado. Pezão não usou, mas se fosse eu, usaria.

Quando recebesse a ordem judicial para pagar primeiro o salário dos juízes e desembargadores, eu chamaria a TV, rasgaria a ordem ao vivo, e diria que o salário de quem ganha menos será pago primeiro, se sobrar pagaria o resto. Falaria o seguinte:

– Descumpro a ordem judicial sim, pode mandar me prender. Não vou pagar salário de R$ 170.000 a desembargador e deixar professor de R$ 1.600 sem dinheiro. Se quiser, liga para a PM e convença-os a me prender por pagar primeiro o salário do soldado que toma tiro pela população, em vez do auxílio moradia de quem tem apartamento próprio em Ipanema.

Está na hora de mudar o equilíbrio de forças no orçamento público. Ou é voluntário, ou será pela desobediência civil pura. Chegará um momento em que sonegar será questão de honra para a população.

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Por que Trump venceu as eleições nos EUA? Esqueça as análises simplistas, a coisa é ainda mais simples do que parece.

Posted on 09/11/2016. Filed under: Filosofia, Política | Tags:, , , , |

Trump tem um conjunto infinito de características que deveriam tê-lo levado a uma derrota fácil. Mas venceu. E não venceu por causa do muro, do racismo, da xenofobia, da misoginia, da bomba na jihad ou pela “burrice” do americano médio. Foi outro o motivo de sua acachapante vitória.

Trump pensa coisas estranhas e fala coisas mais estranhas ainda. Trump parece ter sonegado impostos. Trump parece mentir sobre sua própria fortuna. Trump conta vantagem sobre sua posição social e suas conquistas amoro$a$. Trump parece ter contratado imigrantes ilegais. Trump fala mal de algumas raças e credos. Trump quer bombardear o inimigo que ataca os EUA. Trump conta piadas sem graça. Trump se refere às mulheres de forma vulgar. Trump é hedonista.

Enfim, Trump é o estereótipo perfeito da afronta à agenda globalista e politicamente correta.

Hillary, ao contrário, é o perfeito clichê politicamente correto.

É amiga de Bono, abraça toda e qualquer minoria (e suas agendas), acolhe todas as religiões e suas bizarrices, está do lado dos artistas progressistas, não gosta de armas, é mulher, preocupa-se com os pobres (mesmo vestindo roupas de 50 mil dólares), não comete gafes politicamente incorretas, conta piadas assépticas, discursa para não ofender, é anti-imperialista etc..

O mundo viu os dois como candidatos ao cargo máximo da democracia ocidental, mas na verdade o que aconteceu foi um embate entre uma agenda opressora e a reação a esta.

Não é o que você está pensando. Não é Trump o ponta de lança da agenda opressora de que estou falando.

Antes de continuar é necessário dizer que não pretendo fazer julgamento de valor sobre o futuro papel de Trump, ou o ex-futuro papel de Hillary na presidência. Isso foi secundário na eleição. Quero apenas sugerir, fora das ideias do main stream, o motivo de Trump ter vencido, mesmo quando forçou a barra para ser estridente, histriônico e politicamente incorreto.

Trump não é “o” americano médio. Não cometa esse erro de análise.

É fácil ler na imprensa hoje a explicação de que ganhou o americano médio idiota. O branco pouco letrado e simplório.

Mas Trump é muito mais do que isso. Trump, ou ao menos o personagem que ele encarnou durante a eleição, é o americano médio, mínimo e máximo.

Trump exibiu praticamente todos os pecados morais, intelectuais e até legais que permeiam a sociedade americana (e mundial).

Não é difícil acreditar que 90%, talvez mais, da população americana tenha alguma das características que considera desprezíveis ou reprováveis em Trump.

Sonegar impostos, contratar imigrantes ilegais, se ofender com agendas de minorias, cometer gafes, contar piadas ruins sobre temas sensíveis, ser vaidoso com suas conquistas, querer explodir o inimigo que lhe ameaça, ser grosseiro, rude e xucro, pintar o cabelo com tintura de mau gosto, colecionar rifles, adorar dinheiro e sucesso, vangloriar-se de conquistas sexuais, trocar sexo por dinheiro etc.

Alguns desses tópicos configuram crime nos EUA (sonegação ou prostituição), mas Hillary e sua campanha preferiram atacar as características comportamentais, os valores de Trump.

Ora, não é evidente que ser um idiota vá gerar alguma atividade criminosa no futuro. Muita gente vive com valores confusos durante sua vida inteira e não cria transtornos para ninguém, talvez para si mesmo. Estaríamos a criminalizar a burrice, a idiotice ou a ignorância?

Não se pode mais ser idiota em paz no mundo?

Ora, somos todos idiotas aos olhos de alguém. Todo mundo é o imbecil de alguém. Com certeza alguém que me lê neste momento está pensando “que idiota!”.

Antigamente o “tiozão deslocado no churras” era motivo de piada interna, alguém da família brincava com ele, as piadas sobre as bobagens que ele fazia e dizia nos encontros de família viravam um elemento de integração até para ele, que curtia ser o centro das atenções, mesmo que por motivos pouco nobres.

Hoje, quando a pessoa destoa em público ou em família, minimamente, do que é politicamente aceito, não há mais espaço para ela no debate familiar ou social. Só é menos execrada que o fumante, ou nem isso.

Não há mais piada engraçada no mundo. Não há mais espaço para alguém que personifique conceitos politicamente incorretos.

São execrados socialmente e sua atitude é vista como a representação clara e inequívoca de valores negativos absolutos como o mal, o ódio, a burrice, o erro.

Donald Trump foi massacrado por cada um dos defeitos que fez questão de projetar.

E há, ao menos, um destes defeitos em cada americano, médio, ou 5 estrelas Bono-style.

Até as pessoas que estrelam a agenda progressista e politicamente correta tem vários dos pecados de Trump em seu currículo, mas são alienados o suficiente para só ver bondade, acerto e inteligência em seus atos e pensamentos.

Wagner Moura e Gregório Duvivier têm a certeza de que estão do lado do bem absoluto, do nirvana intelectual e moral, mas são apenas seres humanos carentes de autocrítica.

Donald Trump venceu porque encarnou a libertação para quem não é, não se considera e não quer ser perfeito.

Qualquer americano que tenha, algum dia na vida, se comportado como Trump, nas mais variadas facetas de sua personalidade, se incomodou quando o bilionário foi tratado como a representação do mal absoluto, do erro evidente, do indesejável e do inaceitável.

O uso equivocado da palavra tolerância

Tolerância não é amar, aceitar, desejar ou incentivar. Tolerar é conviver mesmo sem gostar, mesmo sem amar, mesmo sem aceitar e incentivar.

Reproduzo aqui os significados para a palavra tolerância: 1. ato ou efeito de tolerar; indulgência, condescendência; 2. tendência a admitir, nos outros, maneiras de pensar, de agir e de sentir diferentes ou mesmo diametralmente opostas às adotadas por si mesmo.

É possível ser como Donald Trump e ser tolerante.

Trump se diz contra mexicanos e imigrantes, mas cansou de contratar esses mesmos imigrantes durante décadas, podem até se odiar, mas viveram sua simbiose. Trump trata as mulheres de forma vulgar, mas quem somos nós para criticar sua vida conjugal. É acordo mútuo ou ele sequestrou sua esposa?

Mas é possível ser Wagner Moura e ser tolerante? É possível ser Hillary Clinton e ser tolerante? É possível chamar 25% a 30% do eleitorado americano de “basket of deplorables”, “racist, sexist, homophobic, xenophobic, Islamaphobic…” e ser tolerante?

Aliás, o que isso tem a ver com tolerância? Uma coisa é não gostar de outro grupo, outra é classificá-lo como o mal absoluto, inequívoco e desprezível.

Quem tem um ideal de mudar o outro para só então aceitá-lo pode ser tudo, menos tolerante.

Por definição, só existe tolerância na diferença. Agendas igualitárias são opressivas e intolerantes. Mas é curioso que justamente a blitzkrieg do politicamente correto cobre tolerância, quando, na verdade, quer mesmo é doutrinar e subjugar.

Eu posso não acreditar no que você acredita, não gostar do que você gosta e não compartilhar dos seus valores e ainda assim ser um bom colega de trabalho, parente e até amigo. Mas é impossível ser isso tudo se você me considera deplorável, detestável ou desprezível.

Burrice não é crime, idiotice não é crime, ignorância não é crime. Se o americano é livre, ele pode perfeitamente ser idiota, burro e ignorante. Deveria ser um direito inalienável, cláusula pétrea da constituição, a garantia de poder ser burro livremente.

Não estou chamando os eleitores de Trump, ou ele, de burro. Quem fez isso foi Hillary e a imprensa americana (e brasileira).

Trump criticava características e ações específicas de Hillary e Obama, enquanto os dois preferiram o atacavam por ser “evidentemente” o mal, por estar “inequivocamente” errado. E isso é apenas arrogância intelectual. Deu errado, mesmo contra o pior candidato republicano jamais imaginado.

A perfeição de Jesus Cristo e a perfeição de Hillary Clinton.

Nós aceitamos viver uma ideia de busca da perfeição de comportamento, aceitamos nos penitenciar por fugir da vida em Cristo, em Buda ou em Maomé. Conseguimos depositar nosso sistema de crenças e seguir o misticismo milenar.

Mas qual o critério de superioridade moral e comportamental de Hillary ou do ideário globalista politicamente correto?

Não há, mas mesmo assim Hillary e seus seguidores comportam-se como messias portadores da boa nova, do último código de conduta, do pensamento correto e da ação justa.

É por isso que perderam a eleição contra o perfeito anti-herói.

O maior de todos os idiotas intolerantes não é aquele que acha que está certo. É aquele que tem certeza de que está certo.

E no que tange à certeza arrogante da virtude, Hillary e seus seguidores estão anos-luz à frente de Trump e de seu exército de homens simples, moralmente perseguidos.

Aprendam, engulam a derrota e pratiquem tolerância. Mas a verdadeira, não aquela que pressupõe que eu mude para você me aceitar.

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Por que o povo brasileiro tem se sentido cada vez mais pobre?

Posted on 19/09/2016. Filed under: Administração, Filosofia, Finanças, Política |

Por que o povo brasileiro tem se sentido cada vez mais pobre?

Quem ganha salário mínimo até conseguiu manter o poder de compra dos últimos 20 anos. Em 1997 1 salário mínimo comprava 1,26 cesta básica. Em 2016 compra mais, compra 2,02 cestas básicas.

Mas e o SEU salário?

O salário médio foi destroçado nos últimos 20 anos. Mesmo com todo o boom dos últimos anos, foi tudo ilusão.

Ilusão que passou e deixou R$ 4 trilhões de dívida para nossos filhos e netos pagarem.

Nesse vídeo mostro um pequeno resumo do achatamento salarial do brasileiro. E mostro onde erramos.

Triste é saber que tem gente que AINDA acredita no papo furado de político populista.

 

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O Canecão e o Socialismo. Uma história de fracasso.

Posted on 14/09/2016. Filed under: Administração, Filosofia, Finanças, Política | Tags:, , , |

Fui criado aqui na Zona Sul do Rio de Janeiro. Desde que me entendo por gente o Canecão era uma referência em shows e cultura por aqui.

Havia um embate entre o capitalista que explorava o local e a UFRJ, que durou anos. Enquanto a universidade não conseguiu tirar o empresário a casa funcionou a todo vapor, gerando emprego e renda para garçons, músicos, cantores, pessoal da limpeza, comerciantes locais, ambulantes etc.

Aí o pessoal do almoço grátis tomou conta. E o Canecão não gera mais riqueza, é só patrimônio público mal empregado depreciando e perdendo valor.

Em meados de 2016 parece que o pessoal do Ocupaminc resolveu “tomar” o Canecão para fazer uns shows gratuitos etc. aparentemente com forte conexão política, o Fora Temer corre solto.

Essa ocupação é bem divertida, pois mostra com clareza a inexistência do almoço grátis.

Eles alegam que os shows são “gratuitos”, mas esquecem que SEMPRE há financiamento.

Se a UFRJ cedeu o espaço, a luz, funcionários para a segurança e limpeza, se terceiros cederam os equipamentos, os técnicos e a iluminação, se músicos tocaram sem cachê, se a prefeitura não coletou impostos, se os direitos autorais não foram pagos etc. HOUVE CUSTO. Alguém arcou com isso tudo, mas na cabeça dos organizadores, tudo foi de graça.

É um sistema fadado ao fracasso, pois a motivação para a “doação” de uma extensa e cara infraestrutura depende de fatores alheios ao projeto, alheios ao evento. Se qualquer elo quebrar, não tem mais nada.

Na época do bom e velho capitalismo, toda essa estrutura era financiada por uma única motivação. Uma motivação GENUÍNA, o meu interesse de ver o show. Meu interesse de deixar de consumir outra coisa, o meu interesse em deixar de poupar para transferir essa riqueza para ESSE SISTEMA.

A ilusão do almoço grátis é um fardo para nosso país. Vejam o vídeo, explico claramente porque não há sucesso no socialismo. É coisa bem simples. Os interesses do socialista são bonitos, mas falsos.

Curioso é que o vídeo foi publicado pouco antes do Ocupaminc “retomar” o canecão… Viralizou no facebook, será que viram?

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A Juíza e a meritocracia. Uma verdade dolorosa.

Posted on 14/09/2016. Filed under: Filosofia, Finanças, Política | Tags:, , , , , , , , |

Viralizou o post de uma mulher que passou num concurso para juíza, onde ela atribuía grande parte do seu sucesso ao fato de ser branca, ter família estruturada, ter estudado em bons colégios etc., e estava triste por que o governo não garantia essas oportunidades a todos.

O post viralizou, pois muitos leitores viam nele um reconhecimento de que a meritocracia não funciona, que seria uma farsa ou uma estratégia das elites para se manter no poder.

Pois o que está por trás desse movimento, fortíssimo, anti-meritocracia, é outra coisa.

Um sistema em que você é recompensado por seu esforço é desejado por todos. Não há um só desses contrários à meritocracia que não espera ser recompensado por fazer mais e melhor.

O ponto não é o pobre, não é a justiça social, não é a luta de classes. O ponto também não é a meritocracia.

O ponto é o mérito em si. É o sistema que avalia o mérito. São os valores que a sociedade considera meritórios.

Quem avalia o mérito em uma sociedade capitalista é o mercado. E os valores do mercado são bem claros: produtividade, empreendedorismo, respeito aos contratos, respeito à propriedade privada, respeito às leis etc.

A vitória do indivíduo nessa sociedade EXIGE respeito a esses cânones. Não há garantias de sucesso, de igualdade ou de facilidade, mas é extremamente improvável ser reconhecido por seu mérito sem seguir esses valores no livre mercado.

Em uma sociedade autocrática, o mérito é avaliado pelo grupo que está no poder. E é tão somente a subserviência ao projeto de poder implementado por esse grupo que trará a recompensa.

É extremamente provável que o indivíduo “fiel”, verdadeiramente fiel, ao partido, ao tirano ou ao populista da vez, ganhe espaço na burocracia estatal.

E é isso que vimos nos últimos anos no Brasil, na Venezuela, na Argentina e historicamente na URSS, em Cuba e na Coréia do Norte (entre outros).

Quem indica o mérito é o grupo no poder. Quem recompensa por esse mérito é o grupo no poder.

É por isso que as mesmas pessoas que são “contra” a meritocracia, afirmando que ela é uma farsa e só serve às elites, também não enxergam a roubalheira do PT, a farsa de Lula, os crimes (não só os do impeachment) de Dilma, a destruição da economia etc.

Elas querem, realmente, a recompensa por sua servidão irracional e cega.

Perceba que não é a meritocracia em si que atacam, pois, assim que seu grupo chegou ao poder, eles se esforçaram pela recompensa. Seu esforço foi servir, cegamente, ao projeto.

Qualquer ser humano vive na perspectiva de retorno por seu esforço. Nos EUA ou na Coréia do Norte.

Nos EUA vence quem gera valor para muitos, ainda que apenas como pequena parte de um projeto vitorioso, de uma empresa lucrativa ou até de uma obra espiritual ou religiosa.

Os 2 bilhões de pessoas que usam windows reconhecem diariamente o mérito do Tio Bill. Outros bilhões reconhecem o mérito do Tio Zuckerberg, do Tio Jobs, do Tio Alexander Fleming etc.

Na Coréia do Norte vence quem serve a um interesse particular.

– Ah! Mas os governos têm que dar oportunidades iguais a todos!

Essa é mais uma farsa na história dos contrários à meritocracia. É evidente que em uma sociedade menos desigual, mais pessoas poderiam atingir o sucesso. Mas não é esse o ponto.

A desigualdade em países ricos e empreendedores, onde o mérito é avaliado pelo mercado, é grande. Mas a desigualdade em países autocráticos é ainda maior. É maior e PIOR!

O nível de acesso aos bens e ao consumo por gente pobre nos EUA é infinitamente superior ao nível de acesso dos cubanos ou venezuelanos de classe média ou até ricos. Uma médica cubana terá dificuldade para comprar absorvente íntimo, um industrial venezuelano não conseguirá comprar papel higiênico.

Mas o ditador e sua família, a cúpula da burocracia estatal e do partido, consomem sem restrições. Não ficam “ricos”, pois não é necessário, o Estado está a serviço de seus luxos e seus pecados.

Não se iluda brasileiro, com esse discurso fácil.

A luta dos contrários à meritocracia é outra, é para que um regime autocrático decida quem merece e quem não merece.

Não tem nada a ver com os pobres, nada a ver com justiça social, nada a ver com redução da desigualdade ou luta de classes.

É só interesse de se dar bem, bajulando o déspota da vez.

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Escola é mesmo lugar para ideologia? Cuidado com Leandro Karnal.

Posted on 13/09/2016. Filed under: Administração, Filosofia, Finanças, Política | Tags:, , , , , , , |

Escola é mesmo lugar de ideologia?

Karnal diz que é. E que sonha ver alunos debatendo Stuart Mill e Marx.

Há incontáveis evidências de que as ideias de John Stuart em economia influenciaram sistemas vitoriosos, empiricamente observáveis, duradouros, que enriquecem, que reduzem a escassez, que respeitam as liberdades individuais.

Quando Karnal pede para mantermos a “ideologia” na escola, é para que se discuta o marxismo que é, em essência, uma sucessão de fracassos econômicos e sociais, baseado num modelo de homem que não existe, no mesmo patamar de sistemas vitoriosos e com previsões verificáveis há centenas de anos (antes mesmo de Mill).

Ele quer nos fazer crer que acreditar em premissas liberais com 6.000 anos (isso mesmo 6.000) de resultados notáveis para reduzir a escassez, gerar riqueza e respeitar a livre iniciativa, o indivíduo e a propriedade privada (humanismo puro) é tão ideológico quanto acreditar num sistema fracassado, que não respeita liberdade alguma e que não tem qualquer verificação empírica ou lógica de sucesso ou mínima condição de funcionamento.

Se uma escola privada quiser fazer do Marxismo um Totem, problema de quem paga. Em escola pública acho temerário. Já há poucos recursos para instrumentalizar os meninos com o mínimo de capacidade interpretativa, se perdermos tempo com ilusões inverificáveis, tiraremos desse garoto a chance de conseguir, realmente, a compreender o que lê.

Talvez seja esse o objetivo de Leandro Karnal. Para acreditar em Marx é conveniente confundir milhão com bilhão.

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Marilena Chaui enfrenta princípios básicos de finanças

Posted on 21/07/2016. Filed under: Administração, Filosofia, Finanças, Humor, Política |

Que tal ver Marilena Chauí enfrentando princípios básicos de finanças? Chega a ser engraçado.

Toda a verborragia ideológica não dura 3 minutos diante de conhecimentos triviais sobre financiamento, propriedade e renda.

É assustador que um discurso tão frágil, arcaico e errado consiga repercutir em tantas mentes jovens. Vamos compartilhar e tentar fazer o iluminismo, o século das luzes, chegar a esses meninos e meninas.

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O cabo de força de 1,5 metro e as origens da nossa pobreza.

Posted on 20/07/2016. Filed under: Administração, Filosofia, Finanças, Música, Política | Tags:, , , , |

Brasilzão na contramão da riqueza!

Precisei comprar um cabo de força de 3 metros para meu amplificado e PÁ!!!! Descobri que padronizaram os tamanhos, agora só há uma “necessidade” aceitável: 1,46 metro.

Então é isso. O fabricante ou importador não podem mais se guiar pela demanda de mercado. Dane-se a demanda. Ela está errada. Quer 3 metros? Exagero. Quer 5 metros? Ostentação! Metro e meio é suficiente para tudo.

Aí a gente empobrece e dizem que a culpa é do capitalismo, do liberalismo. Brincadeira!

 

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Brasil, origens da nossa pobreza. O remédio para Porfiria e o Uber.

Posted on 11/07/2016. Filed under: Administração, Filosofia, Finanças, Política | Tags:, , , , , , , , , , , , , , , , , |

Porfiria não é uma pessoa, é uma doença genética rara, bastante agressiva, que pode paralisar os músculos e levar à morte.

As pessoas que têm a forma mais grave da doença precisam de um remédio produzido na França, caríssimo (hematina). Esse remédio poderia ser usado para controlar crises severas (devastadoras), mas custa cerca de R$ 100 mil por crise. Ver reportagem do JN aqui.

A falta de liberdade para empreender

Há pouquíssimas pessoas que precisariam dessa medicação, mas ainda assim, segundo a ANVISA, uma empresa pediu para fazer a importação e comercialização desse remédio no Brasil.

Mesmo com pouco mercado, o laboratório resolveu empreender, assumir os riscos, a regulação dura, controles de preços etc., e investir para oferecer o produto a quem precisa (inclusive para o Estado).

A ANVISA negou, pois a norma brasileira só permite a importação em casos excepcionais, por requisição de hospitais ou por prescrição médica.

????

Mas não será SEMPRE excepcional, requerido por hospitais onde o paciente está internado ou por prescrição médica, que o remédio será usado?

As pessoas não conseguem comprar e, mesmo que consigam o direito de importar, pelo custo, certamente só o fariam durante uma crise. Imagine a angústia…

Os Estados, que perdem ações na justiça e são obrigados a comprar, também não conseguem comprar.

E, com certeza, pelas dificuldades enfrentadas todos pagam mais caro.

Não seria melhor se fosse vendido aqui mesmo?

O normativo brasileiro

Não são todas, mas as normas brasileiras costumam engessar o livre empreendimento. Impõem custos desnecessários. São contrárias à livre iniciativa.

Quando o governo tem o direito de permitir ou não algum serviço ou produto, parece que ficamos 20 ou 30 anos atrasados em relação aos países desenvolvidos.

Foi assim com a lei de reserva de informática. Todos tinham computadores bons, menos nós.

É assim com a obrigação de manter orelhões (custo pesado às Teles), mesmo havendo quase 300 milhões de linhas móveis no Brasil.

Faltam normas pró-mercado, que ajudem a livre iniciativa.

Aqui no Brasil a impressão é que, de início, é proibido empreender. Todo o normativo é feito para enquadrar o livre empreendedor em alguma transgressão e proibi-lo de atuar.

Depois de proibir, um dia, quem sabe, daqui a 10 anos, o Estado possa estudar a liberação. Devagar.

O que estamos vivendo com o Uber e os Táxis é bem isso.

Nem o taxista que paga diária e se diz explorado, quer largar seu patrão e sair em busca de empreender por conta própria.

Até nessa falta de iniciativa tem a influência do Estado, pois o taxista deve saber que, cedo ou tarde, o Leviatã brasileiro vai dar um jeito de sufocar a livre iniciativa. Seja com um batalhão de regras anticoncorrenciais, seja com normas sem sentido, seja com proibição pura e simples.

A corrida não é pela livre iniciativa, não é pelo século XXI, não é pela riqueza, não é pela liberdade. É pelo fim do Uber. É pelo monopólio estatal que vai dizer quando (e se) o brasileiro vai poder usar um produto que revoluciona o serviço de transporte.

Voltando à Porfiria

O normativo do Estado faz o quê: Prejudica os pacientes, prejudica a indústria brasileira, prejudica o comércio brasileiro, prejudica os médicos e hospitais e prejudica até o próprio Estado e seus entes, que pagam mais caro e não conseguem cumprir nem ordens judiciais.

A que serve o normativo? Exclusivamente para deixar o poder na mão do Estado. Poder é dinheiro. Negar é dinheiro. Liberar é dinheiro.

Deixar a livre iniciativa funcionar é dinheiro, muito dinheiro, mas nas mãos do mercado, dos empresários e dos trabalhadores.

O político brasileiro não suporta ver as coisas funcionarem sem poder tirar uma casquinha, seja em espécie, seja em propaganda pessoal.

O cara inventa o Uber e revoluciona o mundo, mas o político que libera o serviço é que é o “grande empreendedor”, aquele a quem, pobres brasileiros, devemos reverenciar.

Vergonha!

Fiquemos animado!

Sim!!! Essa situação sugere que uma reforma pró-mercado nas normas brasileiras, talvez com um modelo Federal servindo de base aos outros entes federativos, faria os nós se desatariam por si mesmos. E rapidíssimo.

Normas pró-mercado mudam o mundo corporativo em meses.

Até na União Soviética pós-revolução houve afrouxamento no controle estatal, e floresceu uma burguesia firme e produtiva, sob Lênin. A nova política econômica – NEP.

Depois Stálin mandou matar todo mundo.

Tem gente que não acredita em livre iniciativa. Acredita no Estado ditando as regras econômicas.

Está aí o resultado. Brasilzão 60.000 homicídios por ano! Com leis vigentes que proíbem o cavalo das carruagens de fazer cocô na rua.

Espero que os “estatólatras” não precisem pegar um táxi com 2 crianças em dia de chuva. Ou que não tenham alguma doença “protegida pelo Estado”.

Ave Ceasar!

 

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  • Disclaimer

    Este blog é um ambiente privado para expor opiniões, estudos, reflexões e comentários sobre assuntos ligados a finanças, bolsa de valores, economia, política, música, humor e outros temas.

    Seus objetivos são educacionais ou recreativos, não configurando sob nenhuma hipótese recomendação de investimento.

    O investidor consciente deve tomar decisões com base em suas próprias crenças e premissas. Tudo que lê ou ouve pode ser levado em consideração, mas a decisão de investimento é sempre pessoal. Tanto na escolha de ações para carteira própria, quanto na escolha de gestores profissionais para terceirização da gestão.

    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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