A esquerda brasileira e a Revolução Francesa. Entenderam tudo errado.

Posted on 30/11/2016. Filed under: Filosofia, Finanças, Política | Tags:, , , , , , , , |

Há uma bizarrice nas redes sociais, sugerindo que os movimentos de esquerda que atacaram Brasília no dia 29.11.2016 seriam o povo que tomou a bastilha e derrubou a Monarquia.

Nada mais falso que isso.

Black blocs, MST, MTST, UNE etc., são franjas da mesma monarquia que está implorando por ser derrubada por OUTROS movimentos, estes liberais, pró-mercado e anticorrupção.

Isso mesmo, meu nobre gauchiste, você estaria do lado da Monarquia e do Clero em 1789 e jamais do lado dos que queriam reduzir privilégios, impostos e o poder do Estado.

Primeiro, Segundo e Terceiro Estado.

O Clero, o Primeiro Estado, seria os nossos políticos que recusam qualquer mudança que possa lhes tirar poder. E você apoia! Ontem, mesmo dia 29.11.2016, na câmara o PC do B e o PT foram os partidos que mais atacaram o poder judiciário e rejeitaram a criminalização de enriquecimento ilícito de servidor público e as mudanças nas regras na prescrição de crimes contra o patrimônio público.

Até o ressarcimento aos cofres públicos  de dinheiro roubado do Estado foi negado pela “frente esquerdista” em aliança com PMDB, PP etc. (exatamente como nos governos Lula e Dilma).

A nobreza, o Segundo Estado, era composto pela realeza e por milhares de cortesãos (puxa-sacos), que sobreviviam a base do Estado. Quer coisa mais “de esquerda” do que isso, viver às custas do Estado por subserviência a uma causa? Não é esse o ideal marxista-leninista, o Estado como único provedor inquestionável?

O Terceiro Estado era explorado pelos dois primeiros e incluía burgueses, sans-cullotes e camponeses. Todo o peso dos impostos recaia sobre este último Estado, dado que os dois primeiros tinham isenção tributária e usufruíam do Tesouro da Realeza com gordas pensões, empregos públicos e subvenções.

Luta contra a PEC não faz de você um Jacobino, nem um esquerdista clássico da revolução.

Nossos Girondinos são os membros da Alta Burguesia, que não querem mudanças radicais, mas já entenderam que seus negócios não vão prosperar na continuidade da corrupção estatal. É fácil ver, dado que todos os que se locupletaram de dinheiro público e promessas de políticos estão em recuperação judicial, enrolados com a polícia ou em situação econômica muito pior do que antes da cleptocracia PT-PMDB. Estão aí os gigantes da indústria e do setor financeiro. Até eles querem mudança.

Já nossos Jacobinos são os pequenos empresários, profissionais liberais e trabalhadores em geral que odeiam a pressão do Estado sobre seus bolsos e os péssimos serviços públicos que recebem em troca dessa opressiva carga tributária e regulatória.

Até a “esquerda” jacobina, mais agressiva, não representaria JAMAIS o interesse dos que incendiaram Brasília em 29.11.2016, pois eram, em essência, burgueses, profissionais liberais e artesãos com interesses AINDA mais radicais contra o Estado. Nada a ver com você amigo vermelho.

Coxinhas e vermelhinhos

Os “coxinhas”, em suas diversas matizes, representam os ideais da Revolução Francesa, sem o interesse no período de terror, pois não quer que a Monarquia volte.

São eles que saem às ruas pela prisão de TODOS os políticos envolvidos em falcatruas, pelo aumento das penas, pela redução da impunidade, pelo apoio às medidas anticorrupção, pela redução do poder do Estado, pelo fim do compadrio na indicação de membros do STJ, STF, Tribunais de contas, pela agilidade no STF, enfim, exclusivamente medidas que TIRAM poder do Estado, do “Clero” e da “Monarquia”.

Você, amigo de esquerda, quer, na verdade, a volta de Luís XVI e Maria Antonieta. Nem preciso dizer quem são, não é mesmo?

Quer apenas que as verbas públicas estejam ao seu serviço. Dizem que pensam nos pobres, desvalidos etc., mas se assim fosse, iriam querer a expansão do livre mercado, das empresas, da burguesia, da livre iniciativa, do investimento privado etc., que, por evidente, é o único caminho conhecido pelo homem, em todos os tempos, em todos os povos, para gerar riqueza e retirar as pessoas da miséria.

É claro que o amigo esquerdista não vê isso, pois associa a própria existência da pobreza ao capitalismo, quando, por óbvio, a pobreza é a condição natural do ser humano e jamais poderá ser suplantada SEM liberdade de associação, respeito à propriedade privada e aos contratos.

O fato de existirem pobres e “podres de ricos” numa mesma sociedade não a torna pior do que uma onde só há pobres e miseráveis. Nessa última além de não haver ricos, não há qualquer expectativa para um pobre sair de sua condição, pois não há para onde ir. Procure nascer na Selva (ou na Venezuela) para ver como a pobreza, em ambientes anticapitalistas, é uma condição intransponível. Exceto para o Clero e para a Monarquia, que vocês tanto defendem (Chávez, Fidel, Stálin eram mais absolutistas, para seus povos, que Luis XVI e todos os Papas pós inquisição.)

A constituinte

Vale lembrar aos vermelhinhos que se sentem “do lado certo” da Revolução Francesa Tupiniquim, que a Constituição Francesa pós-Revolução inspirou-se na Constituição dos Estados Unidos da América (de 1787) e foi a síntese do pensamento iluminista liberal e burguês.

Acho que não há nada MENOS esquerdista que isso, não é mesmo?

Vocês não vão mudar o Brasil, representam a falência, representam a continuidade de um Estado paquidérmico de direitos infinitos e deveres incompatíveis com o financiamento desses direitos. Representam o próprio desequilíbrio fiscal, hoje quase intransponível. Representam a crença de que calotes e descumprimentos de contratos, valentia anticapital, nos levariam ao paraíso de um mundo sem dívidas reconhecidas e juros escorchantes.

Estão errados. Há farto material de prova que esse modelo é fracassado, leva à miséria e ao desespero e distribui pobreza, cada vez maior, exceto para o Clero e a Monarquia.

Na verdade, no fundo, vocês querem mesmo é fazer parte desses dois últimos. Apesar de, erroneamente, acharem-se Jacobinos.

Não se iludam, à época vocês dariam suas vidas por Luís XVI e não por Danton.

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  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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