O STF, Michel Temer, o Mercado e o único objetivo REAL do governo.

Posted on 23/11/2017. Filed under: Finanças, Política | Tags:, , , , , |

Hoje, dia 23/11/2017 o STF quase nos livrou da incrível excrescência do Foro Privilegiado, irrestrito e atemporal, para quase 55.000 autoridades públicas.

Por melhores que tenham sido os motivos para a criação da prerrogativa de Foro, o que ocorre hoje é uma vergonha. Qualquer crime, agressão a mulher, estupro, assassinato, roubo qualificado, latrocínio, participação em milícias, enfim, qualquer um, tendo sido cometido antes ou durante o mandato, dá prerrogativa de Foro às autoridades envolvidas.

Creio ser meio óbvio que o motivo da criação desse instituto não era entulhar tribunais superiores com estelionatários, traficantes, assassinos e estupradores comuns, com mandato. Mas é como funciona, como ficou evidente nos votos dos ministros.

Mas não salvou, conforme já havia sido antecipado na imprensa

Os meios de comunicação já haviam antecipado que algum ministro “alinhado aos foreiros” iria pedir vistas e, na prática, empurrar com a barriga, sem prazo, a decisão que já tem maioria.

A decisão que seria tomada hoje é ALVISSAREIRA. Só haverá foro para crimes cometidos durante o mandato e relacionados ao mesmo. Se for parlamentar e matar ou estuprar, primeira instância. Se estava respondendo na primeira instância ANTES de se eleger, continuará lá.

É o pesadelo dos políticos que buscam a eleição, desesperadamente, para evitar o julgamento pelo juiz natural. E o motivo é óbvio.

Relacionamento e indicação.

Enquanto em tribunais superiores há, por óbvio, um sistema de influências e de relacionamento entre os indicados e os políticos, às vezes não republicano, muito dificilmente um juiz natural fará parte da rede de influência do político-réu.

E é isso que não querem os parlamentares.

A justificativa de Toffoli foi meio ridícula, pois ele teve 177 dias desde a liberação do voto do relator e mais 56 dias para ler o voto parcialmente divergente do min. Alexandre de Moraes. Creio que tempo mais que suficiente para ao menos saber do que se trata a questão de ordem e o voto dos ministros. Ele afirmou que ainda “não estava clara” a questão.

Como não há o que fazer para evitar a sabujice, fazem o que querem sem qualquer accountability.

Temer e o paradoxo do “bom presidente forçado”.

Para entender a política brasileira não é preciso modelos sofisticados de pensamento. É tudo meio óbvio.

Os interesses são claros. As corporações, em todos os poderes (executivo, legislativo e judiciário) e em todos os níveis (federal, estadual e municipal) tem objetivo único de manter seu sistema de poder.

Quando um governante não privatiza, não é por ideologia de esquerda, mas por manutenção e/ou ampliação de seu poder de barganha, que o ajuda na perpetuação de seu sistema de poder.

Quando aparece uma inovação como o Uber ou o Netflix, as leis não são apenas relacionadas ao pagamento de impostos, mas ao controle dos empreendimentos. É preciso alvará, é preciso registro, é preciso carimbo, é preciso conteúdo específico, é preciso pedir benção ao Estado, é preciso dar ao governo a possibilidade de criar reservas de mercado para seus apoiadores, à custa da receita das empresas.

Quando o governo quer investimentos expressivos em infra-estrutura, ele cria regras que impossibilitam o agente privado de operar com lucro a juros de mercado. Daí ele acena com financiamento subsidiado público. Não há nada MENOS capitalista do que o capitalismo brasileiro.

Isso tudo dá poder de indicar QUEM VENCE no mercado brasileiro (lembram dos Campeões Nacionais?). E a máquina NÃO abre mão de poder e de legislar no sentido de controlar, e controlar significa também ter o poder de não controlar. A clássica criação de dificuldades para vender facilidades. Muitas vezes de forma não republicana.

Tinha uma lava-jato no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma lava-jato

Goste-se ou não, por evidente a lava-jato abalou a estrutura desse sistema retroalimentado de perpetuação de poder.

Alguns amigos defendem Temer, chego a ouvir que é o melhor presidente da história brasileira (é isso mesmo, ouvi isso), por entender que as aprovações, ou tentativas de aprovação, de grandes reformas do Estado Brasileiro estão saindo no governo Temer. E duas reformas importantes realmente saíram, a trabalhista (que provavelmente vai ser destroçada pelas emendas parlamentares) e o teto de gastos (que é boa, mas não deveria livrar legislativo e judiciário).

E ainda há outras na fila, como a da previdência.

E aqui o paradoxo me choca, profundamente, pois a situação é tão óbvia e tão dantesca que deveríamos estar escandalizados.

Temer tem 2 chances de se livrar da cadeia.

A primeira chance é tornar-se uma eminência parda, uma força política inequívoca, o homem que pegou o Brasil quebrado e entregou uma economia pujante.

A outra chance é manter foro privilegiado através de alguma emenda constitucional que garanta isso a ex-presidentes, ou eleger comparsas para pegar um ministério.

Essa segunda chance, ao que parece, está sendo orquestrada no congresso, o que salvaria inclusive Lula e Dilma. Faz sentido que isso ocorra, pois há uma maioria de 2/3 de investigados, ou quase isso.

Mas a primeira chance é que me intriga.

Os amigos que apoiam Temer, certamente não o fazem por coadunarem-se com as práticas criminosas do presidente, nem por sua relação com a lata do lixo da política. Eles apoiam porque entendem que ele conseguiu reformas revolucionárias em pouco tempo, o que é bastante difícil aqui no Brasil. Ele destruiu o movimento sindical “fake”, aquele que existe apenas porque “existe o dinheiro, tem que gastar”, mas não representa ninguém. Isso é revolucionário no país.

Ainda há uma ampla agenda de redução dessas amarras estatais, com privatizações de grandes sistemas de “poder” na Eletronorte, Furnas, Itaipu etc. Adicionalmente, a redução do nefasto papel destruidor de valor e concentrador de renda do BNDES, abrindo espaço para um mercado de dívida privada pujante e um mercado de capitais funcional (por aqui isso não existe).

Alvíssaras, alvíssaras!!! Só que não…

O que fica claro de tudo isso é que, não só Temer, mas TODOS os políticos, sabem EXATAMENTE o que fazer para o país decolar, para a economia se livrar das amarras e crescer como gente normal. Normal aqui refiro-me a Peru, Chile e Colômbia, nada fancy, mas apenas países menos amarrados, que tem juros baixos, baixíssimo imposto sobre o consumo, aliança com países vitoriosos, repúdio ao bolivarianismo e outras facilidades à população.

Então temos uma grande maldição, eterna maldição, que ora está explicitada por Temer e sua desesperada tentativa de se livrar da cadeia, através da virtude econômica.

Somos, e aqui não me refiro apenas ao “zé povinho”, mas ao empresariado também, marionetes à espera dos movimentos que o governo nos permitirá fazer, no tempo em que ele quiser, o quanto quiser e até quando deixar.

Foi assim com as reservas de informática. Era assim com a proibição de importação de instrumentos musicais. É assim com tudo. Por isso confundimos riqueza da nação com tamanho do orçamento público.

Recuso-me a aplaudir

Não posso me conformar com o sistema títere-titereiro. Não posso achar normal que os políticos soltem as amarras da economia de acordo com a conveniência de um pequeno grupo de novos senhores do engenho, dosando a ração de comida e liberdade de seus escravos e de sua criadagem, aqueles que existem apenas para servi-los.

Não há NADA de liberal em Temer. Ele está apresentando um receituário óbvio, que nunca foi aplicado porque nós, os selvagens, não “merecemos” a liberdade de empreendimento e o fluxo livre de capitais que o mundo já experimenta há pelo menos 50 anos.

E o está fazendo para livrar-se da cadeia e do “juiz natural”.

Durmamos com um barulho desses.

Para salvar a economia e promover o crescimento, Temer aplica um receituário que todos sempre souberam, todos pregaram e todos escreveram. De gente sofisticada, a gente simples. De Alexandre Schwartzman a Miriam Leitão. Do micro-empreendedor individual ao industrial. Mas o faz pelo motivo errado.

Poderia ser ingênuo e aplaudi-lo por tentar fazer tantas coisas demandadas há séculos por quem deseja investir no Brasil, mas eu não posso fechar os olhos para o óbvio.

O Status Quo é o que é porque sabe se manter como Status Quo. As movimentações são, como se vê, no sentido de voltar tudo como antes.

E aqui a união é plena, de todas as matizes, de PT a PSDB, direita, esquerda e centro.

Aliás, agora que surgiram efetivamente opções efetivamente de direita e/ou de mercado, é que ficou claro que vivemos uma ilusão de polarização direita-esquerda no país.

Em 2018 Alckmin será um candidato de esquerda. Sempre foi, só não víamos com clareza, pois o Status Quo é eficiente em criar estratégias diversionistas para nós, os selvagens, brigarmos com o que vemos, enquanto a boiada da corrupção e do compadrio entra inteira por outras portas.

Fernando Henrique nos enganou quando disse que o embate PT-PSDB era pela “chave do cofre”. Mentira, o cofre continuou aberto a todos.

Temer e 2018

Não haverá recuperação econômica que livre Temer do que ele é. Ele é o que é. É o que vimos e ouvimos que ele é. É o que suas alianças mostram que ele é. É o que os encontros secretos com Toffoli, Gilmar e Aécio mostram que ele é.

E não há crescimento de 3% em 2018 que fará as pessoas esquecerem isso.

Seu movimento será, cada vez mais, no sentido de livrar-se do juiz natural de formas heterodoxas. Ou conseguindo imunidade no congresso, ou destruindo cabalmente a lava-jato, ou costurando algum candidato pró-Status Quo que possa vencer as eleições de 2018.

E nesse caso entendo que o único candidato que se ajusta ao interesse de Temer é Lula. É ingênuo quem pensa que Lula e Temer estão em barcos diferentes, seguindo caminhos diferentes. É ingênuo e tem problemas de memória, pois Temer está lá por causa de Lula. Era vice do PT. Esteve (e está) na mesma canoa furada, ambos tirando a água e tentando remendar o furo.

Lula seria o único que poderia aglutinar todas as forças políticas encrencadas com a polícia em torno de algum projeto nacional pró-corrupção, anti-lava-jato.

O vencedor em 2018 será alguém que se mostrar disposto a explodir o Status Quo. Alguém sem compadrios nos tribunais superiores, e que não deve favor ao coronelado histórico brasileiro.

Se essa pessoa não existir, viveremos outra ilusão, outro mise-em-scène démodé. Mais um jogo para divertir-nos, os selvagens, enquanto passa a caravana da vagabundagem.

Como sói acontecer há 517 anos.

Anúncios
Ler Post Completo | Make a Comment ( 16 so far )

A esquerda brasileira e a Revolução Francesa. Entenderam tudo errado.

Posted on 30/11/2016. Filed under: Filosofia, Finanças, Política | Tags:, , , , , , , , |

Há uma bizarrice nas redes sociais, sugerindo que os movimentos de esquerda que atacaram Brasília no dia 29.11.2016 seriam o povo que tomou a bastilha e derrubou a Monarquia.

Nada mais falso que isso.

Black blocs, MST, MTST, UNE etc., são franjas da mesma monarquia que está implorando por ser derrubada por OUTROS movimentos, estes liberais, pró-mercado e anticorrupção.

Isso mesmo, meu nobre gauchiste, você estaria do lado da Monarquia e do Clero em 1789 e jamais do lado dos que queriam reduzir privilégios, impostos e o poder do Estado.

Primeiro, Segundo e Terceiro Estado.

O Clero, o Primeiro Estado, seria os nossos políticos que recusam qualquer mudança que possa lhes tirar poder. E você apoia! Ontem, mesmo dia 29.11.2016, na câmara o PC do B e o PT foram os partidos que mais atacaram o poder judiciário e rejeitaram a criminalização de enriquecimento ilícito de servidor público e as mudanças nas regras na prescrição de crimes contra o patrimônio público.

Até o ressarcimento aos cofres públicos  de dinheiro roubado do Estado foi negado pela “frente esquerdista” em aliança com PMDB, PP etc. (exatamente como nos governos Lula e Dilma).

A nobreza, o Segundo Estado, era composto pela realeza e por milhares de cortesãos (puxa-sacos), que sobreviviam a base do Estado. Quer coisa mais “de esquerda” do que isso, viver às custas do Estado por subserviência a uma causa? Não é esse o ideal marxista-leninista, o Estado como único provedor inquestionável?

O Terceiro Estado era explorado pelos dois primeiros e incluía burgueses, sans-cullotes e camponeses. Todo o peso dos impostos recaia sobre este último Estado, dado que os dois primeiros tinham isenção tributária e usufruíam do Tesouro da Realeza com gordas pensões, empregos públicos e subvenções.

Luta contra a PEC não faz de você um Jacobino, nem um esquerdista clássico da revolução.

Nossos Girondinos são os membros da Alta Burguesia, que não querem mudanças radicais, mas já entenderam que seus negócios não vão prosperar na continuidade da corrupção estatal. É fácil ver, dado que todos os que se locupletaram de dinheiro público e promessas de políticos estão em recuperação judicial, enrolados com a polícia ou em situação econômica muito pior do que antes da cleptocracia PT-PMDB. Estão aí os gigantes da indústria e do setor financeiro. Até eles querem mudança.

Já nossos Jacobinos são os pequenos empresários, profissionais liberais e trabalhadores em geral que odeiam a pressão do Estado sobre seus bolsos e os péssimos serviços públicos que recebem em troca dessa opressiva carga tributária e regulatória.

Até a “esquerda” jacobina, mais agressiva, não representaria JAMAIS o interesse dos que incendiaram Brasília em 29.11.2016, pois eram, em essência, burgueses, profissionais liberais e artesãos com interesses AINDA mais radicais contra o Estado. Nada a ver com você amigo vermelho.

Coxinhas e vermelhinhos

Os “coxinhas”, em suas diversas matizes, representam os ideais da Revolução Francesa, sem o interesse no período de terror, pois não quer que a Monarquia volte.

São eles que saem às ruas pela prisão de TODOS os políticos envolvidos em falcatruas, pelo aumento das penas, pela redução da impunidade, pelo apoio às medidas anticorrupção, pela redução do poder do Estado, pelo fim do compadrio na indicação de membros do STJ, STF, Tribunais de contas, pela agilidade no STF, enfim, exclusivamente medidas que TIRAM poder do Estado, do “Clero” e da “Monarquia”.

Você, amigo de esquerda, quer, na verdade, a volta de Luís XVI e Maria Antonieta. Nem preciso dizer quem são, não é mesmo?

Quer apenas que as verbas públicas estejam ao seu serviço. Dizem que pensam nos pobres, desvalidos etc., mas se assim fosse, iriam querer a expansão do livre mercado, das empresas, da burguesia, da livre iniciativa, do investimento privado etc., que, por evidente, é o único caminho conhecido pelo homem, em todos os tempos, em todos os povos, para gerar riqueza e retirar as pessoas da miséria.

É claro que o amigo esquerdista não vê isso, pois associa a própria existência da pobreza ao capitalismo, quando, por óbvio, a pobreza é a condição natural do ser humano e jamais poderá ser suplantada SEM liberdade de associação, respeito à propriedade privada e aos contratos.

O fato de existirem pobres e “podres de ricos” numa mesma sociedade não a torna pior do que uma onde só há pobres e miseráveis. Nessa última além de não haver ricos, não há qualquer expectativa para um pobre sair de sua condição, pois não há para onde ir. Procure nascer na Selva (ou na Venezuela) para ver como a pobreza, em ambientes anticapitalistas, é uma condição intransponível. Exceto para o Clero e para a Monarquia, que vocês tanto defendem (Chávez, Fidel, Stálin eram mais absolutistas, para seus povos, que Luis XVI e todos os Papas pós inquisição.)

A constituinte

Vale lembrar aos vermelhinhos que se sentem “do lado certo” da Revolução Francesa Tupiniquim, que a Constituição Francesa pós-Revolução inspirou-se na Constituição dos Estados Unidos da América (de 1787) e foi a síntese do pensamento iluminista liberal e burguês.

Acho que não há nada MENOS esquerdista que isso, não é mesmo?

Vocês não vão mudar o Brasil, representam a falência, representam a continuidade de um Estado paquidérmico de direitos infinitos e deveres incompatíveis com o financiamento desses direitos. Representam o próprio desequilíbrio fiscal, hoje quase intransponível. Representam a crença de que calotes e descumprimentos de contratos, valentia anticapital, nos levariam ao paraíso de um mundo sem dívidas reconhecidas e juros escorchantes.

Estão errados. Há farto material de prova que esse modelo é fracassado, leva à miséria e ao desespero e distribui pobreza, cada vez maior, exceto para o Clero e a Monarquia.

Na verdade, no fundo, vocês querem mesmo é fazer parte desses dois últimos. Apesar de, erroneamente, acharem-se Jacobinos.

Não se iludam, à época vocês dariam suas vidas por Luís XVI e não por Danton.

Curta nossa página no facebook: https://www.facebook.com/pauloportinhoRJ/

slide-revoluo-francesa-9-638

Ler Post Completo | Make a Comment ( 4 so far )

Michel Temer, o Golpe da Anistia ao Caixa 2 e os Escravos da Narrativa

Posted on 25/11/2016. Filed under: Filosofia, Finanças, Política | Tags:, , , , , , , , , , , , , , |

Diante de todo o descalabro na política nacional, com forte reação da opinião pública, pressão da mídia, do MP e do judiciário, das redes sociais e até de grupos de enfrentamento, como o que invadiu o congresso por acreditar que a Anistia havia sido votada, ouvimos uma voz irritante falando:

– Cadê as panelas?

Meu Deus, como é insuportável! Como é desagradável! Como é equivocado perguntar, diante de toda a gritaria ensurdecedora, onde estão as panelas!

Em busca da narrativa perdida.

A esquerda, o petismo e suas franjas e adjacências viajam, sem perceber, num mundo paralelo. São escravos cegos, remando ao ritmo ditado pelos almirantes intelectuais das Galés em busca de um porto seguro de ideias erradas e inverossímeis.

As pessoas que vivem a normalidade da razão, que buscam porto seguro em evidências empíricas ou corroboração factual de seus pressupostos, veem, e não acreditam no que veem, a vergonhosa impostura intelectual que assola os novos escravos da narrativa.

Perdem-se no mar dos fatos e, de vez em quando, aportam em uma ilha de conforto no erro e na confusão mental e moral.

Para quem vive de narrativa, é imperioso descobrir fragmentos de realidade e transformar em vergonhosa retórica moral e intelectual.

Após o mensalão, inventaram um mundo em que quem fura a fila não pode reclamar de desvios bilionários dos políticos de estimação do petismo e dos intelectuais da esquerda. Uma pessoa normal sabe que até o goleiro Bruno pode reclamar do roubo de dinheiro público, qualquer um pode, pois um erro moral ou crime não justificará o outro nunca. A hipocrisia de quem agride não conserta o erro do agredido.

Hoje nossos heróis, perdidos e sem rumo, aportam em qualquer ilha de bobagens para justificar suas narrativas de ideias erradas e distorcidas sobre o mundo.

É Moro à serviço da CIA, é o MP em conluio com a Chevron, é o Cunha que não iria ser preso após a queda da Dilma, é Sérgio Cabral que ficaria livre, é a PF que não prende ninguém de direita etc.

Foreign Corrupt Practices Act

A minha “ilha da fantasia moral esquerlouca” preferida, uma das coisas mais ridículas que já ouvi, é a história de que as leis anti corrupção nos EUA, que punem qualquer empresa que tenha negócios por lá e tenham cometido atos de corrupção em qualquer lugar do mundo, seriam um instrumento imperialista para permitir que empresas norte-americanas possam concorrer sem o peso da corrupção local nos países “periféricos”.

O mais divertido é que é isso mesmo. O objetivo do Foreign Corrupt Practices Act é justamente combater a concorrência desleal da corrupção, do conluio e da fraude.

Essa ilha de narrativa é tão inacreditável que o sujeito mira num fato virtuoso, conhecido e compartilhado por todas as empresas que fazem negócios com os EUA, para justificar a corrupção local como se fora uma vantagem competitiva das nossas empresas e do nosso jeitinho maravilhoso de roubar a nós mesmos.

E acham que é imperialismo, mesmo sabendo que há multas pesadíssimas inclusive contra bancos suíços e europeus.

É ou não é inacreditável?

A mais recente ilha da fantasia da narrativa.

Essa bizarrice de perguntar onde estão as panelas é inacreditável. Elas estão soando de forma ensurdecedora, mas não são de metal.

Por que insistem no inexplicável?

Porque vivem, como já dito, numa Galé de escravos, remando ao som de fragmentos de ideias propostas por construtores de narrativas, em busca de um porto seguro para “verdades” inverossímeis.

Perceba que, quando criticam, o fazem com “certeza absoluta” de que estão certos. A ponto de se indispor com gente realmente preocupada com a situação calamitosa do país e engajada em não permitir a continuidade do descalabro.

Os deputados e senadores estão tentando, diuturnamente, salvar suas próprias peles e as de seus corruptores. E voltam atrás regularmente, pois a pressão é gigante. Eles afirmaram em várias oportunidades que a pressão está insuportável. Abriram fogo contra o ministério público e contra o judiciário (estratégia usada para acabar com a operação Mãos Limpas na Itália) e até contra O Antagonista, o porta-voz do Impeachment, que hoje é o principal calo no sapato de Temer e de Renan.

Quem faz essa pressão em cima dos “nobres” congressistas? Você que critica as panelas? O PT? Lula e Dilma? Os ex-aliados de Dilma, como: Renan Calheiros, Jáder, Requião e até o Temer (esqueceram de quem ele era vice)?

Não, meu amigo. Quem está tentando salvar o Brasil dessa imoralidade são as pessoas a quem você quer atingir perguntando “onde estão as panelas”. São as pessoas que gritam contra a corrupção com todas as forças e ferramentas que têm, que estão ao seu lado, mas você prefere ignorar e ofender com sua retórica jocosa e pretensiosa. Não tem graça nenhuma. E não tem sofisticação alguma.

Quem encheu o telefone do Rodrigo Maia e de vários congressistas com cobranças contra a anistia foram os mesmos que bateram panelas para tirar Dilma. Assim como quem enche diariamente as caixas de mensagem, whatsapps, emails, perfis, twitters etc, de congressistas cobrando compostura e vergonha na cara também bateram panela contra Lula.

Você acha que as panelas não estão soando, mas diariamente mensagens contra a corrupção e a vergonhosa anistia atingem top trends mundiais no twitter. E concorrendo contra escândalos de celebridades mundiais como Justin Bieber e até contra a fúria atleticana e colorada contra seus técnicos e times.

Vocês perguntam onde estão as pessoas que foram às ruas, onde estão os movimentos “de direita” que levaram à queda de Dilma e do petismo necrosado, mesmo diante de uma enxurrada de eventos criados justamente para encher as ruas no combate à corrupção NO GOVERNO DO SEU VICE!

Abandonem a escravidão da narrativa a que servem, o Brasil precisa disso!

Nenhum fato real se encaixa na narrativa do “cadê as panelas”. É uma atitude que tenta atingir gente que está preocupadíssima com a situação do país, que está sofrendo e com medo de perder a guerra contra os barões do Brasil, contra Renan e sua camarilha. Essa situação é ruim para você também, e pode piorar bastante.

O que você ganha dividindo os esforços de quem quer combater a escumalha que governa o Brasil entre pressionar os congressistas e se defender do grotesco “cadê as panelas”?

O Brasil vive um frágil equilíbrio econômico, entre a esperança de retomar a normalidade e receber investimentos, ainda que pequenos, ou cair de vez no descrédito nacional e internacional e passar longos anos sem crescimento e, pior, sem orçamento público suficiente para pagar os serviços mínimos à população.

Michel Temer não entendeu que é IMPOSSÍVEL recuperar a credibilidade econômica mantendo o modelo de aceitação da corrupção como método de fazer política. O PT foi o partido que institucionalizou e justificou moralmente a corrupção NACIONAL como método de enfrentamento das “elites imperialistas brancas de olhos azuis”. Isso destruiu o Brasil, ou reconstruímos ou voltaremos à década de 1980, mas com um país infinitamente pior, mais violento e com menos espaço orçamentário.

A crise é moral, a crise é ética. E sem resolvermos isso, não há dinheiro, não há esperança e não há investimento externo.

A polarização não vai acabar se o antagonismo, mesmo diante de temas de interesse comum, continuar.

A retórica de esquerda reinou incólume no Brasil, desde o fim do governo JK até 2014. Falavam sozinhos com o campo de força invisível do politicamente correto mantendo as pessoas de fora do “grupo” bem distantes de importuná-los no campo de ideias tortas e erradas que cultivavam. Nunca houve contraditório para o ideário de esquerda, até 2 ou 3 anos atrás. Roberto Campos morreu falando sozinho. Hoje seria o líder liberal que não existe no Brasil.

A revolução da racionalidade trivial (do homem simples) contra a impostura arrogante da narrativa é coisa recente. Eu pessoalmente sofri o preconceito esquerdista contra a racionalidade instrumental básica por longos anos, mesmo estando certo em quase tudo o que apontei como destruidor, como está claro nos textos do meu blog.

Não fiquem melindrados por perder a guerra dos fatos e também das versões. Vocês reinaram 95% do tempo, agora o barco virou e não vão reinar mais. O escudo que permitia que bobagens soassem como sofisticação hegemônica (moral e intelectual) acabou.

O Rei está nu e não toma banho desde 1917.

Há uma oportunidade para a aliança neste momento em que, EVIDENTEMENTE, os inimigos são os mesmos e os métodos de luta contra eles também podem se somar.

Mas você prefere a etiqueta da grosseria.

Você prefere ofender quem grita contra a corrupção a se unir para cobrar os corruptos.

Sua única luta agora, parece, é por outra narrativa conveniente, como a que quer manter o sorvedouro de dinheiro público para projetos fracassados, refletida nos movimentos de ocupação das escolas, nos pleitos dos sindicatos, MSTs e outras franjas que sobrevivem apenas do orçamento público.

Gastamos todo o dinheiro que tínhamos e somos uma nação de analfabetos com diploma de pós-graduação. Somos uma nação de viciados em dinheiro públicos.

Em crise de abstinência.

Curta nossa página no facebook: https://www.facebook.com/pauloportinhoRJ/

 

Ler Post Completo | Make a Comment ( 2 so far )

Vão Privatizar a Marmita!

Posted on 09/07/2016. Filed under: Administração, Filosofia, Finanças, Humor, Matemática, Política | Tags:, , , , , , , , , |

Esse senhor do vídeo, Bohn Gass (pum cheiroso em alemão), está preocupado com o fim do conteúdo nacional, pois até a marmita será estrangeira.

Apesar de ser careca, barbudo e articulado, o que, aliado ao sotaque sulista é quase uma garantia de conteúdo, o youtubber não tem a mais remota noção da realidade.

Não me importaria em rebater, se imposturas como essa não influenciassem tantas pessoas. Influenciam.

Vamos, humildemente, demonstrar as aberrações intelectuais de Herr Bohn Gass.

Brevemente!!!

“Os golpistas querem tirar o pré-sal da Petrobras”.

Errado! O pré-sal não é da Petrobras, é da União. A única parte do pré-sal licitada recentemente foi arrematada por um consórcio do qual a Petrobras tem apenas 40%. Nem da área licitada a Petrobras é dona.

“Estudos sérios dizem que podemos chegar a 200 bilhões de barris no pré-sal, o que daria US$ 10 trilhões de dólares”.

É encantador.

A Petrobras tinha reservas provadas de 16 bilhões de barris em 2012. Em 2016 (em janeiro, ainda não tinha dado tempo de o Serra doar as reservas para a Chevron) as reservas tinham caído para 13 bilhões de barris. Dados da própria Petrobras (última planilha, barris equivalentes):

http://www.investidorpetrobras.com.br/pt/destaques-operacionais/reservas-provadas

Outra coisa ma-ra-vi-lho-sa é fazer a conta de receita sem considerar custos. A Petrobras hoje perde dinheiro na extração. Se realmente tivesse 200 bilhões de barris e começasse a produzir TUDO de uma vez só, o preço do petróleo iria a 5 dólares. Produzir sem demanda, oferta sem demanda… preço baixo.

Mesmo assim, e o custo? Não conta? Sai de graça o petróleo de lá?

“Lula e Dilma fizeram um projeto (partilha) para garantir emprego no Brasil, tecnologia brasileira, ajudar a indústria nacional e garantir recursos para programas sociais”.

Esse vídeo é recente. É até difícil saber a que planeta, ou a que época, Herr Bohn Gass pertence.

Garantir emprego no Brasil?

A indústria do petróleo demitiu mais de 150.000 pessoas em 2 anos. Os maiores salários do Brasil. Beiramos 12 milhões de desempregados.

Garantir tecnologia brasileira?

Temos a impressão de que a “tecnologia é brasileira”. Não é. É mundial e está a serviço de quem pagar. A lista de fornecedores de tecnologia da Petrobras é majoritariamente de estrangeiros.

Mas a Petrobras já mandou tudo para o exterior. As gestões anteriores pegaram dinheiro emprestado na China. E o chinês exigiu “conteúdo chinês”. Olha que coisa! Isso na gestão de Aldemir Bendine e Graça Foster.

Não foi a Chevron. Não foram os Rotschild. Nem os Rockfeller. Nem o FBI. Nem a CIA. A culpa é do FHC.

Apoiar a indústria nacional?

A Odebrecht agradece. A Andrade Gutierrez agradece. A Queiróz Galvão agradece. A Sete Brasil agradece. Vou parar por aqui ou a CIA vai acabar me lendo.

Garantir recursos para programas sociais?

Bom, com rombo de R$ 140 bi em 2015, expectativa de rombos de R$ 170 bi em 2016 e R$ 139 bi em 2017, temos é que torcer para que exista ainda algum Estado Brasileiro após esse período.

Se isso tudo foi um projeto de Lula e Dilma (e foi), tenho dificuldade de lembrar de fracasso tão avassalador. Acho que é a maior experiência de perda de dinheiro da história do planeta.

Parabéns! Querem acabar com o capitalismo queimando todo o dinheiro dos investidores!

“Michel Temer retirou a urgência dos projetos de combate à corrupção enviados por Dilma”

Pois é. Agora foi a Dilma que propôs as 10 medidas contra a corrupção, não foi iniciativa dos procuradores da República que integram a força-tarefa da Operação Lava Jato, endossada pela Procuradoria-Geral da República. E que obteve cerca de 2 milhões de assinaturas!

Esse pessoal rouba tudo mesmo.

“Quem vai se dar bem com a mudança do sistema de partilha é a Chevron, a Exxon, a Shell, a BP, as grandes empresas de petróleo”.

Essas empresas operam no mundo inteiro. Pagando muitíssimo menos em royalties e impostos do que pagam no Brasil. Será que elas exploram os EUA, a Noruega, o Canadá, a Escócia etc.? Sério? Mesmo o americano pagando metade do que pagamos pelo combustível?

Que exploração é essa que, para produzir no Brasil, paga royalties, participações, bônus da assinatura, uma tonelada de impostos, e despeja tudo no bolso do consumidor brasileiro?

Ah, essa exploração eu conheço. E o explorador começa com a letra “Estado” e termina com a letra “Mais Estado”.

“Se a Chevron e as outras vencerem, o emprego vai para fora do Brasil”.

Bom, só se levarem o pré-sal embora. Na verdade o emprego vai embora se elas forem embora.

E é o que está acontecendo. Bye-bye emprego. A Chevron, a Exxon, a Shell, a BP vão levar seus investimentos para outro lugar. E gerar empregos por lá.

Herr Bohn Gass não gosta de empresa estrangeira. Herr Bohn Gass gosta é de Tudobras S.A..

“Se tirar o conteúdo nacional, desde a marmita, que é o alimento do trabalhador, até a plataforma, vão para fora do Brasil, transferindo renda para o exterior”.

É realmente um problema grave. Conteúdo nacional na marmita. Seria garantia de haver feijão? Ou legumes de assentamentos do MST?

Será que seremos obrigados a comer chucrute? Ou cachorro, se a marmita for chinesa?

Jesus Cristo amado, o que é isso?

Tô rindo tanto que nem consigo tratar dos impropérios do final do vídeo…

Seria hilário, se não fosse tão trágico.

 

 

Ler Post Completo | Make a Comment ( 5 so far )

  • Disclaimer

    Este blog é um ambiente privado para expor opiniões, estudos, reflexões e comentários sobre assuntos ligados a finanças, bolsa de valores, economia, política, música, humor e outros temas.

    Seus objetivos são educacionais ou recreativos, não configurando sob nenhuma hipótese recomendação de investimento.

    O investidor consciente deve tomar decisões com base em suas próprias crenças e premissas. Tudo que lê ou ouve pode ser levado em consideração, mas a decisão de investimento é sempre pessoal. Tanto na escolha de ações para carteira própria, quanto na escolha de gestores profissionais para terceirização da gestão.

    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

Liked it here?
Why not try sites on the blogroll...