Archive for setembro \26\UTC 2011

Lançamento Coberto – Atualização dos Estudos de 2005 a 2010

Posted on 26/09/2011. Filed under: Finanças |

Caros leitores,

Muitos acompanharam a (longa) série de estudos sobre lançamento coberto, iniciada há alguns meses. Como os resultados, ao menos com a minha metodologia de estudo, foram muito ruins, recebi um grande número de críticas e alguns estudos que confrontariam os meus resultados.

Bom, praticamente todos os estudos que recebi tinham pecados metodológicos, matemáticos e/ou de coleta de dados, por isso não os publiquei aqui. Mandei minhas considerações para os autores dos comentários ou dos estudos contraditórios.

Para quem ainda não leu, seguem os links para toda a série:

Parte 1: Opções – Lançamento Coberto para Financiamento de Carteira, um estudo ASSUSTADOR!
Parte 2: Opções – Lançamento Coberto para Financiamento de Carteira, um estudo ASSUSTADOR!
Parte 3: Opções – Lançamento Coberto para Financiamento de Carteira, um estudo ASSUSTADOR!
Parte 4: Opções – Lançamento Coberto para Financiamento de Carteira, um estudo ASSUSTADOR!
Opções – Conceituando Financiamento e strikes “longos”
Parte 5: Opções – Financiamento de Carteira com Strikes Longos – A pedidos!
Parte 6: Financiamento de carteira com Strikes Longos
Parte 7: Financiamento de carteira com Strikes Longos
Comparativo: Rolagem ou Exercício de opções
Opções – Estudos nos EUA (CBOE)

Surgiu, enfim, um estudo correto com resultados favoráveis ao financiamento de carteira!

Há alguns dias recebi um estudo excelente. Não pude verificar a correção de todos os dados, mas por amostragem pareciam corretos. Ainda, o pesquisador que elaborou o estudo tem um conhecimento invejável do excel, o que permitiu que ele fizesse um estudo REAL com o lançamento coberto para a Petrobras entre 2005 e agosto de 2011.

Trocamos alguns emails uns dias atrás, mas não obtive autorização para publicar o estudo aqui no blog. É pena, pois o estudo parece corretíssimo do ponto de vista metodológico e técnico.

Por respeito ao pesquisador não vou indicar seu nome e nem o blog/site em que publicou seus resultados. Se receber autorização, posto imediatamente.

Mas alguns de vocês já devem ter lido o estudo. Ao final ele indica, respeitosamente, alguns motivos para as falhas do meu estudo.

Mas…

O estudo parece favorável ao financiamento, mas… acaba ajudando a demonstrar outros perigos dessa técnica.

Como o estudo dele utilizava Petrobras em 2011 e o meu, originalmente, terminava em 2010, resolvi atualizar as planilhas para VALE e PETR até agosto de 2011. Isso porque a Petrobras teve uma grande queda nos últimos meses, o que pode ter impactado negativamente a estratégia Buy and Hold (B&H). Os dados novos estão a seguir.

VALE

PETR

Os resultados pouco diferem do que tinha encontrado anteriormente.

Como a Petrobras caiu bastante, teria sido MENOS DIFÍCIL bater o B&H. Enquanto para lançamentos ATM (no dinheiro), teria sido necessário um ganho líquido de 4,84% ao mês, com os lançamentos cobertos até dez/2010. Até ago/2011 teria sido necessário 4,44% líquidos. Pouca mudança.

Para lançamentos OTM (6% fora do dinheiro, por exemplo), até dez/2010 teria sido necessário um ganho líquido de 2,16%, enquanto que até ago/2011 bastaria um ganho de 1,93%.

Os resultados do estudo discordante.

No estudo que recebi os resultados foram os seguintes:

  • B&H – 117,24% de ganho patrimonial
  • LC ITM – 122,43% de ganho patrimonial
  • LC OTM – 151,38% de ganho patrimonial

Não é um ganho desprezível, mas ao analisar o estudo mais detalhadamente enviei ao pesquisador as seguintes considerações:

1- O meu estudo

O meu estudo não indicou categoricamente que o uso de LC deteriora o patrimônio, ele disse que, para isso não ocorrer, é necessário rentabilidades mensais muito elevadas.

A única observação que fiz foi que não acredito nessas rentabilidades, de forma consistente.

Você demonstrou que, na média, a Petrobras obteve rentabilidades elevados no OTM o que, em tese, garantiria o bom resultado para o LC.

Ponto para o LC, mas… não é só isso.

2- Lançamento coberto para formação de patrimônio

De uma perspectiva ampla, mesmo o seu estudo demonstra que o LC não é uma forma adequada para acumular patrimônio. Se a leitura ficar ponto-a-ponto, pode até parecer uma ótima, mas, mesmo com base no seu estudo, a Petrobras só conseguiu se recuperar no LC nos primeiros meses de 2011, mais precisamente em fevereiro.

Se pensarmos apenas pela quantidade de ações em cada estratégia, o lançador só teria ficado com quantidade MAIOR do que o B&H em 11 meses, dos 80 estudados. Sendo que em maio de 2008 o número de ações do B&H, e consequentemente o patrimônio, era 99% maior do que o do LC. Ou seja, o ganho foi causado pela deterioração do ativo, o que é péssimo para acumulação de patrimônio, tanto para o LC quanto no B&H.

Refiz meus estudos por aqui e vi que a Petrobras não ganhou nem da renda fixa nesse período, mesmo descontando o IR. Se o mesmo estudo fosse feito para a VALE, com certeza o LC teria fracassado de forma cabal, como formador de patrimônio.

3- O lançamento coberto tira o foco da companhia e dos fundamentos

A Petrobras não é um exemplo metodologicamente correto para o teste de LC, pois houve um episódio pontual que diluiu a riqueza do acionista em 1/3, a capitalização. Essa diluição se verifica no preço, mas não se verifica nas opções. Opção não é evento de longo prazo, é taxa de juros de curto prazo.

Ao utilizar o LC, o indivíduo perde o foco do que realmente interesse no acúmulo de patrimônio: os resultados e perspectivas crescentes para a companhia.

É evidente que fazer LC em um ativo “parado” ou em queda dará resultado melhor na comparação com o B&H. Porém o B&H (na realidade o DCA – Dollar Cost Averaging, que é o que o INI estimula) só funciona em empresas de crescimento.

A Petrobras tem crescimento nos fundamentos, mas a diluição a trouxe para um patamar “normal” 35% abaixo do que anteriormente. Se a petrobras voltar a R$ 50,00, ela valerá mais do que a Exxon Mobil, companhia de 2 a 4 vezes maior do que a PETR.

Em resumo, ao diluir o acionista, os múltiplos fundamentalistas da Petrobras subiram bastante. P/L de 7,5 para 11, por exemplo. Já tratei disso no blog algumas vezes.

Isso o LC não pesca, mas a análise fundamentalista trivial pega.

4- Custos elevadíssimos com impostos

Ao investidor de longo prazo é possível evitar o carregamento de estoque do IR, conforme demonstrei no livro “25 Episódios”. Mesmo que não faça o que indiquei, a lei lhe garante a venda de R$ 20.000 sem pagar IR.

No estudo que foi apresentado, o IR sobre o ganho com opções é integral e deve ser recolhido todo mês em que houver ganho. E ainda há possibilidade de pagar imposto no exercício (OTM).

A título de teste, coloquei uma perda de 5% na média das opções (pois nem sempre há imposto e há possibilidade de compensação). Já assim, o número total de ações seria menor do que no B&H. E fiz isso no seu estudo, não no meu.

O IR é particularmente ruim para o lançador de opções, pois ele pode pagar tanto quando é exercido quanto na hipótese de não ser exercido. Veja o primeiro mês do seu estudo. O lançador teve um custo de R$ 94,00 e um preço de venda de R$ 96,00 + R$ 2,35 da opção. Pagará IR em cima de R$ 4,35 por ação. Mas, do ponto de vista patrimonial ele teve perda, pois a ação foi a R$ 102,50.

Já em 2008, quando teve muitos ganhos com a queda das ações, deveria ter pago 15% de IR em todos os meses, sobre o valor integral do prêmio da opção.

Se refizer o estudo considerando esses termos, não seria surpreendente que voltasse a ficar 25% a 30% mais baixo que o B&H.

5- Por fim

Caro XXX, você fez um trabalho muito bom, muito minucioso e correto. Se quiser, posso divulgá-lo no meu blog, pois tenho certeza de que será do interesse dos leitores.

Entretanto, terei que colocar as observações acima.

Caso tenha algum contraponto aos itens acima, sou todo ouvidos (e olhos, rsrs). Gosto mesmo é de pensar e aprender!

Veja o histórico terrível de quantidade de ações, retirado da sua planilha (só ficou bom no final porque a ação se deteriorou, coisa que ninguém quer):

QTD B&H QTD LC OTM
1.063 1.088 -2,30%
1.063 1.049 1,33%
1.063 1.053 0,95%
1.079 1.093 -1,28%
1.079 1.136 -5,02%
1.079 1.036 4,15%
1.096 1.081 1,39%
1.096 971 12,87%
4.386 3.600 21,83%
4.386 3.793 15,63%
4.386 3.842 14,16%
4.386 3.616 21,29%
4.429 3.286 34,78%
4.429 3.307 33,93%
4.429 3.419 29,54%
4.486 3.594 24,82%
4.486 3.472 29,21%
4.486 3.571 25,62%
4.486 3.573 25,55%
4.486 3.589 24,99%
4.486 3.710 20,92%
4.486 3.695 21,41%
4.574 3.725 22,79%
4.574 3.612 26,63%
4.612 3.793 21,59%
4.612 3.916 17,77%
4.612 4.027 14,53%
4.645 3.645 27,43%
4.645 3.732 24,46%
4.645 3.571 30,08%
4.645 3.474 33,71%
4.687 3.676 27,50%
4.687 3.360 39,49%
4.717 2.992 57,65%
4.717 2.735 72,47%
4.717 2.927 61,15%
4.735 3.087 53,39%
4.735 2.637 79,56%
4.735 2.777 70,51%
4.744 2.593 82,95%
9.489 4.999 89,82%
9.489 5.190 82,83%
9.489 5.387 76,15%
9.489 5.595 69,60%
9.489 5.848 62,26%
9.489 6.388 48,54%
9.489 6.824 39,05%
9.489 6.890 37,72%
9.753 7.320 33,24%
9.753 6.978 39,77%
9.753 7.175 35,93%
9.864 7.569 30,32%
9.864 7.478 31,91%
9.864 7.397 33,35%
9.942 7.598 30,85%
9.942 7.744 28,38%
9.942 7.730 28,62%
9.988 7.819 27,74%
9.988 7.986 25,07%
10.034 8.268 21,36%
10.034 8.473 18,42%
10.034 8.855 13,31%
10.034 7.935 26,45%
10.034 8.077 24,23%
10.110 8.333 21,32%
10.167 8.548 18,94%
10.167 8.727 16,50%
10.229 9.117 12,20%
10.229 9.398 8,84%
10.229 9.664 5,85%
10.276 10.071 2,04%
10.276 10.179 0,95%
10.339 10.387 -0,46%
10.339 10.611 -2,56%
10.386 10.690 -2,84%
10.386 10.995 -5,54%
10.514 11.513 -8,68%
10.514 11.805 -10,94%
10.514 12.166 -13,58%
10.600 12.646 -16,18%
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Livro Esgotado pela Terceira vez – 25 Episódios

Posted on 26/09/2011. Filed under: Finanças |

Caros amigos,

Há alguns dias vários leitores do blog enviaram mensagens dizendo que não estavam conseguindo comprar o livro “O Mercado de Ações em 25 Episódios”.

Entrei em contato com a editora e, (in)felizmente, o livro estava realmente esgotado e com fila de espera para a nova reimpressão.

Como autor fico triste por saber que alguém quis comprar o livro e não pôde, mas por outro lado preciso agradecer a muitos de vocês por ajudar na divulgação desse trabalho.

É um livro fora do mainstream, fora daquelas pilhas de livros dos aeroportos e sem qualquer estratégia de marketing ou vendas. Só o boca-a-boca e a enorme generosidade dos leitores para fazer o livro continuar vendendo bem, mesmo após 2 anos de seu lançamento.

MUITO OBRIGADO!

Paulo Portinho
Ps. o livro já está em reimpressão, mas parece que a Saraiva/Siciliano on-line conseguiram um lote. O INI (www.ini.org.br) tem alguns poucos livros ainda em estoque.

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MAD – Otimização dos aportes – Método dos Aportes Dobrados

Posted on 19/09/2011. Filed under: Finanças |

Caros leitores,

Nosso blog tem recebido muitos leitores vindos de outros portais para ler o artigo:

O Método dos Aportes Dobrados – Técnicas para gestão de aportes em carteira própria e em fundos de Ações

Um leitor mais atento perguntou: Por que aportes dobrados? Por que não triplicados ou 50% maiores?

Creio que a resposta que enviei a ele vale para todos os que leram e gostaram do artigo. Mas aproveitei a idéia do leitor e calculei, com uso de métodos numéricos, qual seria o percentual de elevação ideal para os aportes.

1° – O importante não é a matemática, mas a disciplina!

Minha resposta ao leitor:

O MAD é apenas um disciplinador “turbinado”. Isso porque o aporte regular já é a forma mais indicada (e testada durante décadas) para formar patrimônio em qualquer modalidade de aplicação e, principalmente, em renda variável.

Os americanos chamam de Dollar Cost Averaging (há outros posts sobre o assunto em meu blog). Turbinado porque ele potencializa o “cost averaging”, comprando AINDA MAIS quando se está em baixa.

Não trabalhei para achar o ponto ótimo, pois sempre seria algo relativo ao passado, nada diria para o futuro (ou muito pouco).

Em outros posts mostrei que nem todos os perfis de evolução de cota daria resultados superiores com o uso do MAD (principalmente fundos alavancados e/ou com muitos outliers, pontos fora da curva).

Mas a principal mensagem do post é a da disciplina.

2° – Mas qual seria o multiplicador adequado para o Método dos Aportes Crescentes (mudei o nome para retirar dobrados)?

Para calcular esse número complicado, precisei usar uma ferramenta quase desconhecida do EXCEL, o SOLVER. Acredito que todos os que têm excel podem habilitar o solver, basta seguir as instruções de “São Google”.

Essa ferramenta faz o excel rodar todas as possibilidades para uma determinada variável, a partir de restrições que você mesmo coloca ou programa. É um grande amigo dos pesquisadores.

Bom, pedi ao Solver que calculasse todas as opções de multiplicadores para os aportes. Inicialmente o multiplicador era 2 (dois), pois os aportes eram dobrados.

Mas qual teria sido o multiplicador ideal?

2? 1,50? 3,47?

Só para relembrar, com o MAD (multiplicador 2), entre 1998 e 2010, o investidor teria obtido um patrimônio 44,1% maior do que se tivesse feito aportes regulares.

A ferramenta indicou que, se o investidor tivesse utilizado 1,63 em vez de 2, seu resultado seria MAXIMIZADO e ele teria obtido 54,3% a mais do que com aportes regulares.

Por fim

Esse maximizador (1,624505) é um ente matemático apenas. Não tem valor didático, apenas cumpre o papel de mostrar o ponto máximo de resultado para os aportes crescentes.

E quanto ao futuro, esse número pode variar.

Isso posto, saímos da matemática aplicada e voltamos ao mundo real: o importante é a disciplina!

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  • Disclaimer

    Este blog é um ambiente privado para expor opiniões, estudos, reflexões e comentários sobre assuntos ligados a finanças, bolsa de valores, economia, política, música, humor e outros temas.

    Seus objetivos são educacionais ou recreativos, não configurando sob nenhuma hipótese recomendação de investimento.

    O investidor consciente deve tomar decisões com base em suas próprias crenças e premissas. Tudo que lê ou ouve pode ser levado em consideração, mas a decisão de investimento é sempre pessoal. Tanto na escolha de ações para carteira própria, quanto na escolha de gestores profissionais para terceirização da gestão.

    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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