Finanças

Bitcoin. O que esperar do Mercado Futuro?

Posted on 11/12/2017. Filed under: Administração, Finanças, Política | Tags:, |

Em setembro de 2017 escrevi um artigo explicando o que é o Bitcoin, segundo minha percepção é claro.

Em resumo, expliquei que, no meu entendimento, o Bitcoin é como a moeda do Super Mário, ou seja, uma recompensa virtual que você recebe por jogar um determinado jogo. No caso do Bitcoin, seria a recompensa por oferecer capacidade computacional para que o próprio jogo “rode”.

A diferença entre as recompensas que você ganha por seus esforços em um videogame e o Bitcoin é a existência de um mercado secundário (o primário é dentro do jogo) relativamente líquido para comprar suas conquistas virtuais em moeda corrente.

E subiu mais 500% desde então!

É claro que fui confrontado, educadamente, por gente que não concordava com o que escrevi. Mas, creio eu, houve mudanças significativas nos últimos 3 meses que corroboram em grande parte o que está no artigo.

Primeiro, há apenas 3 meses ainda se falava que o Bitcoin viraria uma moeda de uso corrente, e que isso seria seu grande valor. Deveríamos entrar hoje e, quando a moeda fosse aceita em qualquer estabelecimento, estaríamos bastante ricos, pois o poder de compra já estaria nas alturas.

Nada disso fazia sentido e, hoje, acho que faz menos sentido ainda.

O que vimos foi uma quantidade crescente de pessoas aceitando Bitcoin, mas não para fazer disso uma moeda de troca. O quitandeiro que aceita Bitcoin não usa Bitcoin para pagar seu fornecedor. E assim vale para os estabelecimentos que aceitam a “moeda” virtual, eles o fazem EXCLUSIVAMENTE para acumular Bitcoins e não para circular como meio de pagamento.

A prova mais contundente de que Bitcoin não é (e provavelmente não será) moeda é que as narrativas adotadas, inclusive pelos defensores da “moeda” virtual, já não levam em consideração esse futuro.

A principal comparação do Bitcoin hoje é com o Ouro, que evidentemente não é moeda, mas é visto como reserva de valor que também não tem “fundamento”, ou seja, seu preço é dado por compradores e vendedores no mercado futuro e pouquíssimo se negocia no mercado à vista. Em resumo, o valor do OURO não é dado por seu uso (fundamento), mas pela percepção de reserva de valor medida pela negociação de derivativos de ouro.

Bitcoin então seria o novo “Ouro”?

Seria MUITO surpreendente se o Bitcoin virasse uma “commodity sem fundamento” como o Ouro. Isso porque o Ouro levou várias centenas de anos para se tornar o que é. Está presente e era valorizado na história de vários povos, está no imaginário popular há, talvez, 2 milênios (ou mais). Além disso, foi utilizado mundialmente como padrão de conversão e reserva de valor por vários países, inclusive e principalmente os mais desenvolvidos.

Não é impossível, mas parece improvável demais que o Bitcoin consiga, em alguns anos, ocupar o espaço de “commodity irracional universal” que o Ouro ocupa. Chamo de irracional, pois os preços de soja, petróleo, gás, carvão entre outras commodities tem relação direta com seu valor de uso, seu custo de produção, expectativa de demanda, expectativa de oferta etc., já o ouro é mais negociado como reserva de valor e pouca relação tem com seu valor de uso.

E o Mercado Futuro?

Tinha dúvidas se derivativos de Bitcoin iriam encontrar giro relevante em sua estreia, mas parece que tanto a demanda quanto a oferta desses derivativos foram bastante grandes, de forma que é possível acreditar que os contratos futuros e opções terão negociação suficiente para cumprir o papel de proteção (hedge) e de especulação que os derivativos costumam prover.

Coisa que pouca gente sabe é que várias cotações à vista costumam ser derivadas dos contratos a termo (futuros). É estranho, pois os derivativos é que deveriam se movimentar a partir das oscilações do ativo subjacente, porém isso é APENAS uma questão de fluxo, de liquidez e de volume. O mercado que forma preço é o que tem mais liquidez.

As operações com derivativos montam às centenas de trilhões de dólares. A maior parte das negociações envolvendo moedas, por exemplo, ocorre em mercados futuros, a negociação “física”, em que a moeda troca de mãos no mercado à vista, é mínima em comparação com os contratos de proteção e especulação. As operações do Banco Central, de SWAP Cambial, estão aí para demonstrar.

A respeito do futuro do Bitcoin com a introdução de um mercado de derivativos baseados nele apenas podemos especular, pois é tudo muito novo.

Mas provavelmente, caso o mercado tenha realmente grande liquidez, o Bitcoin deve frear sua oscilação.

A expectativa geral era de que o Bitcoin disparasse com a entrada do Mercado Futuro e aumentasse rapidamente seu valor ao longo do tempo. Mas se esse mercado funcionar como funciona para outras commodities, provavelmente o preço do ativo subjacente (ou seja lá o que for o Bitcoin), é que será influenciado pelo preço futuro.

Quem vai dizer qual mercado vai mandar nos preços à vista é a liquidez. Se o mercado futuro girar dezenas de vezes mais que o mercado à vista, provavelmente a lógica e a racionalidade dos traders de derivativos vai se impor sobre a negociação à vista do ativo subjacente. E isso deve frear a irracionalidade econômica do Bitcoin.

Deve, mas nunca podemos saber até que ponto as pessoas estão dispostas a se arriscar. Lembro que em 1997, metade da economia da Albânia foi varrida do mapa por um esquema de pirâmide.

O Bitcoin não é um Esquema Ponzi, não é ilegal, mas tem alguns aspectos parecidos. O principal é convencer milhões de pessoas a investirem com expectativas irracionais de retorno, o segundo aspecto é não ter qualquer fundamento econômico palpável e o terceiro é não ter qualquer regulação.

E por isso cresce, e pode crescer ainda mais. O céu (ou o inferno) é o limite quando não há fundamento. Tudo pode.

Outros riscos

Formação de preços é coisa séria para o mercado. Enquanto no mercado de Bitcoin, completamente desregulado, seria razoavelmente fácil montar uma operação Zé-com-Zé, em que dois ou mais grandes players dão liquidez ao Bitcoin elevando os preços artificialmente, no mercado comum isso é crime. E esses preços são formados nas corretoras, não necessariamente no blockchain.

A vantagem (ou desvantagem) de um mercado futuro forte, é que um grande player pode sair do ativo sem derrubar a cotação à vista. É um risco, pois se alguns tubarões saírem, devagar, as sardinhas não tem condição de manter a cotação. Mas para quem acumulou bilhões é um grande negócio vender no mercado futuro e garantir o preço. Dá para sair sem assustar. Pelo menos no início. Como já disse, o mercado futuro tende a negociar MUITO MAIS do que o próprio estoque da commodity. De valor nocional, o mercado de derivativos mundial beira o quatrilhão de dólares, mais de 10 vezes o PIB mundial.

Mas continua subindo!

A explicação é simples. O Bitcoin já é negociado por mais de 1 milhão de brasileiros. Da vovó ao verdureiro, todos querem comprar Bitcoin. E assim é no mundo. As pessoas com um pouco mais de instrução financeira também compram, mas normalmente com dinheiro de aposta (aquele que pode perder).

Bitcoin não tem fundamento, é só fluxo e, repito, a prova disso é que nem se fala mais nele como moeda, mas como tecnologia ou reserva de valor (como o Ouro). Isso em apenas 3 meses. Ninguém sabe qual será a narrativa para justificar seu valor em 3 meses.

É a moeda do Super Mário, com mercado secundário. E só. O que não significa que você não possa ficar milionário no mundo real. Ou não.

O futuro do Bitcoin chega rápido. Veremos o que acontecerá.

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O STF, Michel Temer, o Mercado e o único objetivo REAL do governo.

Posted on 23/11/2017. Filed under: Finanças, Política | Tags:, , , , , |

Hoje, dia 23/11/2017 o STF quase nos livrou da incrível excrescência do Foro Privilegiado, irrestrito e atemporal, para quase 55.000 autoridades públicas.

Por melhores que tenham sido os motivos para a criação da prerrogativa de Foro, o que ocorre hoje é uma vergonha. Qualquer crime, agressão a mulher, estupro, assassinato, roubo qualificado, latrocínio, participação em milícias, enfim, qualquer um, tendo sido cometido antes ou durante o mandato, dá prerrogativa de Foro às autoridades envolvidas.

Creio ser meio óbvio que o motivo da criação desse instituto não era entulhar tribunais superiores com estelionatários, traficantes, assassinos e estupradores comuns, com mandato. Mas é como funciona, como ficou evidente nos votos dos ministros.

Mas não salvou, conforme já havia sido antecipado na imprensa

Os meios de comunicação já haviam antecipado que algum ministro “alinhado aos foreiros” iria pedir vistas e, na prática, empurrar com a barriga, sem prazo, a decisão que já tem maioria.

A decisão que seria tomada hoje é ALVISSAREIRA. Só haverá foro para crimes cometidos durante o mandato e relacionados ao mesmo. Se for parlamentar e matar ou estuprar, primeira instância. Se estava respondendo na primeira instância ANTES de se eleger, continuará lá.

É o pesadelo dos políticos que buscam a eleição, desesperadamente, para evitar o julgamento pelo juiz natural. E o motivo é óbvio.

Relacionamento e indicação.

Enquanto em tribunais superiores há, por óbvio, um sistema de influências e de relacionamento entre os indicados e os políticos, às vezes não republicano, muito dificilmente um juiz natural fará parte da rede de influência do político-réu.

E é isso que não querem os parlamentares.

A justificativa de Toffoli foi meio ridícula, pois ele teve 177 dias desde a liberação do voto do relator e mais 56 dias para ler o voto parcialmente divergente do min. Alexandre de Moraes. Creio que tempo mais que suficiente para ao menos saber do que se trata a questão de ordem e o voto dos ministros. Ele afirmou que ainda “não estava clara” a questão.

Como não há o que fazer para evitar a sabujice, fazem o que querem sem qualquer accountability.

Temer e o paradoxo do “bom presidente forçado”.

Para entender a política brasileira não é preciso modelos sofisticados de pensamento. É tudo meio óbvio.

Os interesses são claros. As corporações, em todos os poderes (executivo, legislativo e judiciário) e em todos os níveis (federal, estadual e municipal) tem objetivo único de manter seu sistema de poder.

Quando um governante não privatiza, não é por ideologia de esquerda, mas por manutenção e/ou ampliação de seu poder de barganha, que o ajuda na perpetuação de seu sistema de poder.

Quando aparece uma inovação como o Uber ou o Netflix, as leis não são apenas relacionadas ao pagamento de impostos, mas ao controle dos empreendimentos. É preciso alvará, é preciso registro, é preciso carimbo, é preciso conteúdo específico, é preciso pedir benção ao Estado, é preciso dar ao governo a possibilidade de criar reservas de mercado para seus apoiadores, à custa da receita das empresas.

Quando o governo quer investimentos expressivos em infra-estrutura, ele cria regras que impossibilitam o agente privado de operar com lucro a juros de mercado. Daí ele acena com financiamento subsidiado público. Não há nada MENOS capitalista do que o capitalismo brasileiro.

Isso tudo dá poder de indicar QUEM VENCE no mercado brasileiro (lembram dos Campeões Nacionais?). E a máquina NÃO abre mão de poder e de legislar no sentido de controlar, e controlar significa também ter o poder de não controlar. A clássica criação de dificuldades para vender facilidades. Muitas vezes de forma não republicana.

Tinha uma lava-jato no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma lava-jato

Goste-se ou não, por evidente a lava-jato abalou a estrutura desse sistema retroalimentado de perpetuação de poder.

Alguns amigos defendem Temer, chego a ouvir que é o melhor presidente da história brasileira (é isso mesmo, ouvi isso), por entender que as aprovações, ou tentativas de aprovação, de grandes reformas do Estado Brasileiro estão saindo no governo Temer. E duas reformas importantes realmente saíram, a trabalhista (que provavelmente vai ser destroçada pelas emendas parlamentares) e o teto de gastos (que é boa, mas não deveria livrar legislativo e judiciário).

E ainda há outras na fila, como a da previdência.

E aqui o paradoxo me choca, profundamente, pois a situação é tão óbvia e tão dantesca que deveríamos estar escandalizados.

Temer tem 2 chances de se livrar da cadeia.

A primeira chance é tornar-se uma eminência parda, uma força política inequívoca, o homem que pegou o Brasil quebrado e entregou uma economia pujante.

A outra chance é manter foro privilegiado através de alguma emenda constitucional que garanta isso a ex-presidentes, ou eleger comparsas para pegar um ministério.

Essa segunda chance, ao que parece, está sendo orquestrada no congresso, o que salvaria inclusive Lula e Dilma. Faz sentido que isso ocorra, pois há uma maioria de 2/3 de investigados, ou quase isso.

Mas a primeira chance é que me intriga.

Os amigos que apoiam Temer, certamente não o fazem por coadunarem-se com as práticas criminosas do presidente, nem por sua relação com a lata do lixo da política. Eles apoiam porque entendem que ele conseguiu reformas revolucionárias em pouco tempo, o que é bastante difícil aqui no Brasil. Ele destruiu o movimento sindical “fake”, aquele que existe apenas porque “existe o dinheiro, tem que gastar”, mas não representa ninguém. Isso é revolucionário no país.

Ainda há uma ampla agenda de redução dessas amarras estatais, com privatizações de grandes sistemas de “poder” na Eletronorte, Furnas, Itaipu etc. Adicionalmente, a redução do nefasto papel destruidor de valor e concentrador de renda do BNDES, abrindo espaço para um mercado de dívida privada pujante e um mercado de capitais funcional (por aqui isso não existe).

Alvíssaras, alvíssaras!!! Só que não…

O que fica claro de tudo isso é que, não só Temer, mas TODOS os políticos, sabem EXATAMENTE o que fazer para o país decolar, para a economia se livrar das amarras e crescer como gente normal. Normal aqui refiro-me a Peru, Chile e Colômbia, nada fancy, mas apenas países menos amarrados, que tem juros baixos, baixíssimo imposto sobre o consumo, aliança com países vitoriosos, repúdio ao bolivarianismo e outras facilidades à população.

Então temos uma grande maldição, eterna maldição, que ora está explicitada por Temer e sua desesperada tentativa de se livrar da cadeia, através da virtude econômica.

Somos, e aqui não me refiro apenas ao “zé povinho”, mas ao empresariado também, marionetes à espera dos movimentos que o governo nos permitirá fazer, no tempo em que ele quiser, o quanto quiser e até quando deixar.

Foi assim com as reservas de informática. Era assim com a proibição de importação de instrumentos musicais. É assim com tudo. Por isso confundimos riqueza da nação com tamanho do orçamento público.

Recuso-me a aplaudir

Não posso me conformar com o sistema títere-titereiro. Não posso achar normal que os políticos soltem as amarras da economia de acordo com a conveniência de um pequeno grupo de novos senhores do engenho, dosando a ração de comida e liberdade de seus escravos e de sua criadagem, aqueles que existem apenas para servi-los.

Não há NADA de liberal em Temer. Ele está apresentando um receituário óbvio, que nunca foi aplicado porque nós, os selvagens, não “merecemos” a liberdade de empreendimento e o fluxo livre de capitais que o mundo já experimenta há pelo menos 50 anos.

E o está fazendo para livrar-se da cadeia e do “juiz natural”.

Durmamos com um barulho desses.

Para salvar a economia e promover o crescimento, Temer aplica um receituário que todos sempre souberam, todos pregaram e todos escreveram. De gente sofisticada, a gente simples. De Alexandre Schwartzman a Miriam Leitão. Do micro-empreendedor individual ao industrial. Mas o faz pelo motivo errado.

Poderia ser ingênuo e aplaudi-lo por tentar fazer tantas coisas demandadas há séculos por quem deseja investir no Brasil, mas eu não posso fechar os olhos para o óbvio.

O Status Quo é o que é porque sabe se manter como Status Quo. As movimentações são, como se vê, no sentido de voltar tudo como antes.

E aqui a união é plena, de todas as matizes, de PT a PSDB, direita, esquerda e centro.

Aliás, agora que surgiram efetivamente opções efetivamente de direita e/ou de mercado, é que ficou claro que vivemos uma ilusão de polarização direita-esquerda no país.

Em 2018 Alckmin será um candidato de esquerda. Sempre foi, só não víamos com clareza, pois o Status Quo é eficiente em criar estratégias diversionistas para nós, os selvagens, brigarmos com o que vemos, enquanto a boiada da corrupção e do compadrio entra inteira por outras portas.

Fernando Henrique nos enganou quando disse que o embate PT-PSDB era pela “chave do cofre”. Mentira, o cofre continuou aberto a todos.

Temer e 2018

Não haverá recuperação econômica que livre Temer do que ele é. Ele é o que é. É o que vimos e ouvimos que ele é. É o que suas alianças mostram que ele é. É o que os encontros secretos com Toffoli, Gilmar e Aécio mostram que ele é.

E não há crescimento de 3% em 2018 que fará as pessoas esquecerem isso.

Seu movimento será, cada vez mais, no sentido de livrar-se do juiz natural de formas heterodoxas. Ou conseguindo imunidade no congresso, ou destruindo cabalmente a lava-jato, ou costurando algum candidato pró-Status Quo que possa vencer as eleições de 2018.

E nesse caso entendo que o único candidato que se ajusta ao interesse de Temer é Lula. É ingênuo quem pensa que Lula e Temer estão em barcos diferentes, seguindo caminhos diferentes. É ingênuo e tem problemas de memória, pois Temer está lá por causa de Lula. Era vice do PT. Esteve (e está) na mesma canoa furada, ambos tirando a água e tentando remendar o furo.

Lula seria o único que poderia aglutinar todas as forças políticas encrencadas com a polícia em torno de algum projeto nacional pró-corrupção, anti-lava-jato.

O vencedor em 2018 será alguém que se mostrar disposto a explodir o Status Quo. Alguém sem compadrios nos tribunais superiores, e que não deve favor ao coronelado histórico brasileiro.

Se essa pessoa não existir, viveremos outra ilusão, outro mise-em-scène démodé. Mais um jogo para divertir-nos, os selvagens, enquanto passa a caravana da vagabundagem.

Como sói acontecer há 517 anos.

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Balanceamento de carteira 1995 a 2017, o que aconteceu?

Posted on 09/11/2017. Filed under: Administração, Finanças, Matemática |

Um dos estudos mais badalados que publiquei no livro O Mercado de Ações em 25 Episódios foi o que tratava do balanceamento de carteira de investimentos, como forma de aproveitar o melhor dos mundos da renda fixa e da renda variável.

Tratava-se de iniciar uma carteira com 50% em renda variável e 50% em renda fixa. Quando a diferença entre os montantes atingisse 30%, por exemplo, deveríamos retirar recursos de onde houve valorização e colocar onde houve desvalorização.

Por exemplo, se a bolsa disparasse e atingisse 65.000, enquanto a renda fixa permanecesse em 50.000, deveríamos vender 7.500 em ações e aplicar em renda fixa. Teríamos ao final, 57.500 em cada tipo de investimento na carteira balanceada.

Essa é uma técnica para evitar os sentimentos irracionais do investidor que, por natureza, se assusta quando a bolsa desaba e pensa em vender, assim como ao ver a bolsa disparar fica lamentando não ter colocado mais dinheiro, e desanda a colocar mais. Além de permitir que, num momento de baixa expressiva da bolsa, haja recursos em renda fixa para aproveitar a queda.

As principais lições

As principais lições do estudo são três. A primeira é que NÃO adianta fazer ajustes com oscilações pequenas, tipo 5% ou 10% de diferença. Tanto pela complexidade, quanto pelo custo de fazer centenas de operações, e também pelo simples fato de que fazer o ajuste com patamares maiores 20%, 30% ou 40% dá resultados melhores.

A segunda é que os resultados, se tomadas em prazo curto (5 a 8 anos), dependerão MUITO do início da renda variável. Se começarmos com a bolsa muito barata, teria sido melhor investir tudo em bolsa, assim como se tivermos começado com a bolsa muito alta (cara), teria sido melhor investir em renda fixa apenas (colocar os R$ 100.000 em renda fixa e não balancear). Mas quando vamos para horizontes maiores, esse “início” faz menos diferença.

Por fim a lição principal é que, ao seguir o método, seremos racionais sempre e, no longo prazo, isso fez uma diferença enorme, tanto em aumento de retorno quanto de redução de risco.

Aos leitores recomendo a leitura dos artigos originais, estão no blog e no livro. Aqui vamos apenas atualizar os resultados para um horizonte de quase 23 anos.

Resultados para o período de quase 23 anos.

Para um horizonte longo fica bem evidente não apenas os bons resultados do método, mas principalmente a redução dos riscos.

Peguemos o ano de 1995, o primeiro da análise (antes de 1995 não havia moeda no Brasil, de forma que o estudo ficaria excessivamente complexo e sem sentido).

O Ibovespa do início do ano estava em 4.319 pontos. Se colocássemos R$ 50.000 em renda fixa e R$ 50.000 em renda variável no início de janeiro de 1995 e fizéssemos o balanceamento de carteira cada vez que o montante de uma aplicação ultrapassasse 30%, teríamos o seguinte:

  • Teríamos feito 19 operações de balanceamento.
  • Se os R$ 100.000 tivessem sido investidos em Renda Variável apenas, teriam se tornado R$ 1.720.000.
  • Se os R$ 100.000 tivessem sido investidos em Renda Fixa apenas, teriam se tornado R$ 1.816.000.
  • Se os R$ 100.000 tivessem sido investidos metade em Renda Fixa e metade em Renda Variável fazendo o balanceamento, teriam se tornado R$ 2.487.000. 37% a mais do que investindo apenas em renda fixa e 45% a mais do que investindo apenas em renda variável.
  • Nos últimos 60 meses (de setembro de 2017 para trás), o valor investindo na carteira balanceada seria MAIOR do que o valor investindo em apenas um tipo de ativo em 100% dos meses.

Essas conclusões ficam claras no gráfico:

Perceba que a carteira balanceada, na maioria das vezes, esteve acima do investimento individual nos ativos.

Os piores anos para o balanceamento.

É importante colocar que estamos terminando o início dos aportes no ano de 2009, para que tenhamos um horizonte superior a 8 anos de investimento. Como já dito, no curto prazo, a dependência do “momento” é muito grande e distorce a prática de balanceamento, que deve ser pensada como gestão de longo prazo.

Nos 15 anos analisados (anos base de 1995 a 2009, de início do investimento), o método do balanceamento teria sido PIOR que investir tudo em Renda Variável apenas para quem começou no ano de 2003. O que faz sentido, pois viemos de uma dúvida econômica grande com a eleição e a bolsa tinha caído bastante. Como teríamos comprado “barato”, o investimento em Renda Variável teria vencido. Apenas para quem começou a investir nesse ano. Veja o Gráfico:

De qualquer maneira é muito evidente a redução da volatilidade (e do risco) para quem investiu na carteira balanceado.

Interessante também notar que a diferença não foi tão grande, de R$ 659 mil para R$ 625 mil (da RV para a balanceada). Mas em relação à renda fixa a diferença foi enorme. De R$ 625 mil para R$ 422 mil em RF.

De 2003 para hoje seriam quase 15 anos completos, perceba que, no início, como compramos a bolsa muito “barato”, o investimento em RV ganha quase sempre, pois os prazos são curtos. Já a partir dos últimos 5 anos, há bem mais equilíbrio entre a RV e o balanceamento. Na verdade, foram 40 meses em que a RV estaria na frente e 20 meses em que a balanceada estaria na frente. Pelo histórico da análise, não será surpreendente se nos próximos 60 meses essa lógica se inverter e a balanceada passar a ganhar na maioria dos meses.

a Renda Fixa (RF) teria vencido em 3 oportunidades, para quem iniciou seus investimentos em 2006, 2007 e 2008. Também faz sentido, pois foram os anos de recorde da bolsa, ou seja, compramos caro. Agora é que estamos batendo os patamares atingidos em 2008 e 2009.

No ano de 2008 a diferença foi a pior em favor da RF, com R$ 225 mil contra R$ 179 mil da balanceada e pífios R$ 116 mil da renda variável (pois 2008 se iniciou a 63 mil pontos o Ibovespa).

Vejamos o gráfico:

Mais uma vez se percebe redução da volatilidade e da eventual perda de arriscar investir apenas em bolsa, tendo comprado em um início tão ruim.

Em resumo

Nos 15 anos de início dos investimentos (inícios em 1995 a 2009), a carteira balanceada teria VENCIDO em 11, a carteira de renda variável em apenas 1 ano de início (2003) e a carteira de RF em 3 anos de início (2006, 2007 e 2008). Sendo que, em todos esses anos, houve atipicidades, como mínimas históricas ou máximas históricas.

Se considerarmos um horizonte mínimo de 15 anos, significa que teríamos que contar apenas que começou a investir de 2002 para trás. Nesse caso, o balanceamento teria vencido em TODOS os casos, com ampla vantagem na quantidade de meses em que esteve à frente das outras opções (considerando apenas os últimos 5 anos).

Por que funciona?

Na verdade, não há qualquer mistério no ocorrido, apenas reflete uma conduta racional, com parâmetros quantitativos claros. É extremamente provável que uma ação objetiva (balancear a cada 30% de diferença) que vai garantir comprar bolsa quando estiver barata (relativamente, não absolutamente) e vender bolsa quando estiver cara, traga melhores resultados no longo prazo do que tentar acertar.

Não é, entretanto, garantia de sucesso futuro. Como vimos, para períodos menores, houve momentos em que o balanceamento perdeu.

Parece uma panaceia, uma grande estratégia, que deveria ser seguida por todos. Parece mesmo, mas não é seguida por todos e provavelmente não será. E é fácil explicar.

Em quase 23 anos, de 1995 a 2017, o investidor teria feito APENAS 19 operações em 273 meses. Não há emoção.

Outro ponto é que, dificilmente alguém vai seguir os parâmetros de forma precisa (30%), muito provavelmente vai “achar” que a hora é outra e vender com diferenças menores. Seja por “intuição” ou por tédio mesmo.

E investidores profissionais, gestores de fundos, precisam se diferenciar, portanto se arriscam mais. Principalmente porque esse método é excepcional no longo prazo, mas nos primeiros anos é muito volátil e pode deixar os cotistas dos fundos ressabiados com a competência do gestor.

Mas para o pequeno investidor que quer evitar a “síndrome da troca de pernas”, que é comprar na alta e vender na baixa, ou que não quer ser uma mão Dinah da bolsa de valores para adivinhar o momento, o método é um guia anti-vacilo.

Não é panaceia, mas é racional e manterá o investidor na racionalidade básica do mercado que é, comprar na baixa e vender na alta. Comprar na “mais baixa” e vender na “mais alta”, não é racional é Lei de Bicks ou de Schultz. Popularmente, é chute.

Ps. Alerto que isso NADA tem a ver com análise gráfica, estamos falando de 19 operações em 273 meses e não de 273 operações em 19 segundos. São objetivos diferentes.

Baixar a planilha aqui.

 

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O que ninguém nos conta sobre o recorde nas bolsas e nos ativos de risco.

Posted on 06/10/2017. Filed under: Administração, Finanças, Política | Tags:, , , , , , , |

Retórica nuclear entre EUA e Coreia do Norte, retornos baixíssimos com dividendos, risco político no governo Trump, terrorismo mundial, ascensão do fundamentalismo, tensões geopolíticas no oriente médio, furacões, terremotos, ufa!, e as bolsas só sobem, praticamente sem volatilidade.

O que está acontecendo?

Por que ativos de risco NÃO se comportam como tal, ou seja, apresentando oscilações significativas diante de riscos mensuráveis, plausíveis e até quando se manifestam, de fato, as catástrofes?

É o que vou tentar responder.

Claro que vou tentar tratar por um prisma que ninguém tratou, ou que pouca gente tratou, uma vez que os principais analistas e economistas não chegam a um consenso sobre essa nova exuberância irracional nos mercados.

Ao final deste artigo, acredito eu, ficará demonstrado que há uma gigantesca disfunção nos mercados financeiros e de capitais, em todo o planeta. Vamos explorar esse tema, ver suas causas e elaborar esboços de solução. A ver.

Em artigo traduzido pelo jornal Valor Econômico, publicado em 25 de setembro de 2017, o professor Robert Shiller, prêmio Nobel de economia e um economista influente que previu a bolha imobiliária americana, demonstrou que o seu indicador de “preço-lucro corrigido ciclicamente (Cape)” estava acima de 30 no mercado americano, um forte indicador que as ações estariam sobreprecificadas (caras).

Além disso, o índice VIX, que mede a volatilidade no mercado estaria em níveis anormalmente baixos, e por tempo demasiado. Ele não se arriscou a dizer que estamos em uma bolha nos ativos de risco.

Alan Greenspan, que cansou de avisar sobre a exuberância irracional antes do crash de 2008, diz hoje que temos um risco significativo no mercado de renda fixa (dívida soberana e de empresas). Mas ninguém sabe quando e se vai estourar, nem ele.

No Brasil é ainda mais interessante. Em 11 de setembro último a revista exame publicou um estudo da economática mostrando que o dividend yield no Brasil (retorno com dividendos) era o MENOR desde 1995, apenas 1,34%. A julgar que em 1994 nem tínhamos moeda, é provável que seja o menor retorno da história. E estamos no recorde da bolsa.

Em outro artigo recente, Armínio Fraga relatou que ninguém consegue entender bem os motivos para que o crescimento econômico, com baixíssimas taxas de juros, não tenha gerado inflação mais alta. Ao que tudo indica, o Fed só não sobe as taxas de juros, por que a inflação está consistentemente abaixo das metas. Já está mudando, sinalizando entender que as taxas de juros baixas não vão levar a inflação para a meta.

Mas eu acho que não é tão difícil entender, se formularmos hipóteses diferentes

Ninguém se questiona sobre a natureza da taxa de juros, o motivo de sua existência e quais os fundamentos que deveriam guiá-la.

Tratamos apenas de relações de causa e efeito já padronizadas e predefinidas nos livros e finanças e economia. Porém, creio, não será a dinâmica dos fluxos de interesse pelo dinheiro (oferta e demanda de liquidez) que vão nos ajudar a entender a incrível disfunção que vive hoje o mercado de ativos financeiros em todo o planeta.

As taxas de juros não foram invenções da teoria financeira, na verdade a teoria financeira modelou e deu dinamismo à mediação QUE SEMPRE EXISTIU entre o interesse de poupadores e investidores. Essa negociação entre quem quer consumir/investir hoje e quem quer adiar esse consumo/investimento é muito anterior à teoria financeira. Desde que alguém topou ceder 10 vacas por um ano, para receber 11 vacas no futuro, já havia sensibilidade a taxas de juros, a matemática só permitiu registro, leitura e ampliação da complexidade.

E como a demanda e oferta de liquidez são resultado de uma interação humana, devem atender aos interesses de ambas as partes, ou seja, se me proponho a abrir mão de consumo por 30 anos, esse sacrifício atual deve atender meus interesses de consumo no futuro, bem como ao interesse do investidor/empreendedor no momento.

A racionalidade média dos agentes econômicos funcionou muito bem em todas as eras, mesmo quando ainda não se dominava técnica para cálculo de juros compostos. Funcionou ainda melhor com o desenvolvimento de técnicas para cálculo de valor presente de ativos complexos como derivativos, por exemplo.

Mas, hoje, não funciona mais. Não atende os interesses dos investidores/poupadores de curto ou de longo prazo. A teoria financeira continua existindo, as fórmulas e os cálculos continuam valendo, mas a realidade das finanças mundiais deixou de mediar corretamente os interesses de poupadores e investidores/empreendedores e, se nada for feito, poderá passar décadas destruindo valor de aposentadorias da geração atual e das próximas.

Mas o livre mercado não deveria regular esses interesses, ajustando o preço dos ativos?

Sim, correto. O problema é que há entidades gigantes e irracionais agindo de forma deliberada contra o equilíbrio natural dos preços dos ativos.

Antes de falarmos dessas entidades, vejamos os motivos pelos quais a realidade dos preços dos ativos, nos dias de hoje, NÃO ATENDE mais à racionalidade dos poupadores (aqueles que cedem o capital) e dos investidores/empreendedores (aqueles que usam o capital para dar retorno futuro aos poupadores). Eles continuam investindo por não haver opção, mas os objetivos racionais não serão atingidos.

Importante ressaltar que poupador, neste texto, é aquele que oferece capital hoje, para consumir no futuro, estamos falando APENAS de longo prazo, que é, em essência, o capital usado para investimento não especulativo. Investidor/empreendedor é aquele que toma o capital e usa em projetos não especulativos agora. Ambos não são atendidos pela realidade financeira atual. Veremos a seguir.

As taxas de juros, conforme já sugerido, devem refletir o preço de equilíbrio entre poupadores e investidores, oferta e demanda de capital.

O problema é que o interesse de poupadores deve se materializar em prazos que não devem exceder 30 a 35 anos, pensando em formação de patrimônio para aposentadoria.  É razoável crer que após engrenar a vida profissional, quando se melhora o salário ou se atinge um nível médio na carreira, entre 25 e 35 anos de idade, a expectativa do poupador (que abre mão de consumo hoje para garanti-lo no futuro) e de passar de 25 a 35 anos investindo para acumular capital de aposentadoria. Ninguém se programa para investir por 55-60 anos para conseguir se aposentar. Não cabe na expectativa de vida (life span) humana média.

Essa é uma realidade que se verifica individualmente, mas principalmente em fundos de pensão. As “contas” atuariais dos fundos sempre levam em consideração, um acúmulo por 25, 30, 35 anos, uma aposentadoria (retiradas) a partir dos 60-65 anos, com sobrevida de 25 a 30 anos. Isso não é por acaso, reflete a expectativa de vida das pessoas, capacidade produtiva por faixa etária etc.

Digo tudo isso para lembrarmos que as taxas de juros PRECISAM servir a esse objetivo dos poupadores. São centenas de milhões ao redor do mundo (a considerar os que fazem qualquer tipo de previdência, ultrapassa a casa do bilhão com certeza, dada a poupança privada de 50% da renda na China).

Com relação aos investidores/empreendedores (tomadores do capital), cada projeto deve apresentar a maturação e o retorno nos períodos planejados. Uma concessão governamental deverá dar o retorno esperado no prazo da concessão, um projeto altamente arriscado deverá apresentar seu retorno (ou prejuízo) num prazo de 5 anos. Em todas as áreas há uma expectativa de retorno e de taxas de juros, dentre de um prazo razoável. Ninguém investe racionalmente em retornos previstos para 80-100 anos.

O que diz a teoria financeira?

Vivemos uma era de juros baixíssimos e até negativos. E isso cria sérios problemas para toda a teoria e prática financeira com as quais estamos acostumados. Pior do que isso, afasta as finanças da necessidade prática da indústria de fundos de pensão e da realidade de poupadores de longo prazo. E também atrapalha investidores/empreendedores, por outros motivos.

A ver.

A aposentadoria possível

Pensemos em uma taxa de juros real da ordem de 3,5% ao ano, a partir de instrumentos de renda fixa de baixo ou baixíssimo risco, algo que era possível, num passado não remoto, nos títulos de países desenvolvidos de médio e longo prazo.

Com essa taxa, um indivíduo poderia acumular 20% de sua renda anual, por 35 anos, e conseguir se manter por mais 25 anos EXCLUSIVAMENTE com o dinheiro acumulado para a aposentadoria.

Ou seja, sem correr riscos em outros ativos, um conjunto de instrumentos de renda fixa seria suficiente para que ele próprio cuidasse de sua aposentadoria (ou que seu fundo de pensão o fizesse).

Correndo um pouco mais de risco, investindo em dívida privada + dívida soberana, há 10 ou 15 anos seria possível obter 5,5% ao ano em termos reais (apesar de que, se a renda subir, também subiria o aporte, de forma que o impacto de uma inflação baixa não seria tão significativo).

Nessas condições, sem ainda correr riscos excessivos, poupando 20% da renda anual por 26 anos apenas, seria possível viver com a mesma renda (efetivamente utilizada) pelos 26 anos seguintes.

Aos que consideram poupar 20% da renda “impossível”, vale lembrar que já deixamos 11% ao INSS, e a soma de décimo-terceiro e adicional de férias já significam outros 11,1%. Não é impossível e já é uma realidade para muita gente. Em termos mundiais, nem se fala, é até baixo esse percentual. O problema no Brasil é que a maioria das pessoas confia sua aposentadoria EXCLUSIVAMENTE ao governo, de forma que não formamos poupança e nem cultura de autonomia financeira.

A aposentadoria impossível

A realidade atual das taxas de juros torna quase impossível acumular dinheiro para se aposentar, com risco baixo, dentro de um prazo razoável ou com índice de poupança racional.

Vejamos.

Peguemos uma taxa de 1,5% ao ano, lembrando que alguns títulos soberanos de países europeus atingiram taxas NOMINAIS negativas para prazos de 10 anos, e menores que 0,5% para 30 anos.

Com essa taxa de 1,5% ao ano, acumulando 20% da renda anual por 35 anos, o dinheiro acumulado duraria APENAS 12 anos.

Para garantir que o montante acumulado dure 25 anos, seria necessário acumular dinheiro por 55 anos!!!!!!!!!!!!!

Essa realidade NÃO FAZ SENTIDO e NÃO ATENDE a realidade dos poupadores de longo prazo, menos ainda dos fundos de pensão. Não há fundo de pensão que exija investimentos por 55 anos para começar a pagar a aposentadoria. Ninguém investiria nisso.

Essa falta de retorno dos ativos menos arriscados vai exigir das pessoas MAIS poupança e menos consumo.

Para se aposentar com 35 anos de contribuição, seria necessário poupar 32% da renda anual, um sacrifício de consumo bem mais significativo do que os 20% de nossos exemplos iniciais.

A aposentadoria no infinito

Os juros negativos são uma distorção da realidade financeira, uma disfunção, uma anomalia que afasta a racionalidade mínima necessária para toda a teoria econômico-financeira funcionar.

Há menos de 1 ano estimava-se haver cerca de US$ 15 trilhões investidos a juro zero ou negativo. Isso é quase 20% do PIB mundial. Diante dessa realidade toda a estrutura teórica desmorona. Não é à toa que as políticas monetárias não funcionam e que ninguém consegue explicar como taxas de juros persistentemente baixas não levam as pessoas a consumir e elevar a inflação.

Juro positivo tem efeito de amplificar o capital investido, juro negativo tem efeito de IMPOSSIBILITAR atingir determinadas cifras.

Vejamos o desastre se nossas economias para a aposentadoria fossem investidas em juros negativos. Coloquemos 0,5% negativos ao ano.

OBSERVAÇÃO: Se o leitor pensou que bastaria deixar o dinheiro no banco, para evitar juros negativos, o governo Suíço, quando percebeu que isso poderia ocorrer, estabeleceu taxas em depósitos à vista. Para pequenos poupadores, poderia funcionar, mas grandes fundos não podem deixar o dinheiro em depósito à vista.

Com juro negativo de 0,5%, aplicando 20% de nossa renda anual por 35 anos, o dinheiro acumulado duraria pouco mais de 7 anos.

Para conseguirmos acumular dinheiro suficiente, poupando por 35 anos, para viver mais 25 anos após a aposentadoria, seria necessário acumular 46% da renda anual. Além de ser dificílimo, ainda teria impacto catastrófico na economia real, pois o consumo desabaria.

E como isso prejudica investidores/empreendedores?

O leitor deve estar se perguntando se esses juros baixos e excesso de liquidez não seriam bons para quem vai tomar capital. É inequívoco que tomar dinheiro emprestado a 5% ao ano é melhor do que tomar a 12%, mas essa é uma lógica linear curta. Na verdade essa grande irracionalidade gerada pelo excesso de liquidez (dinheiro demais no mundo) é péssima para todo o sistema e prejudica, e muito, os investidores.

Por quê?

Primeiro porque, ao demandar mais esforço de poupança, mais restrição ao consumo atual, para garantir fundos à aposentadoria, a tendência é de um consumo menor hoje e, a continuarem baixos os juros, ou pior, se nem houver a expectativa de alta no futuro, provavelmente mais recursos serão retirados do consumo atual. E isso é péssimo para empreendedores atuais e futuros.

Outro ponto é que, dado o excesso de liquidez, tanto o empreendedor quanto dezenas de concorrentes conseguem captar rapidamente grandes volumes a custo baixo. Isso pode até ser bom para os consumidores, mas é destruidor de capital.

Em um mundo de recursos escassos, os juros são maiores, mas a seleção de projetos é bem mais rigorosa, apenas os de maior potencial são escolhidos. Hoje surge um aplicativo de sucesso, em 5 minutos já há 20 concorrentes capitalizados entrando no negócio.

Repito, pode funcionar para o consumidor, mas isso impacta para baixo o fluxo de caixa mesmo dos projetos vitoriosos. E se o fluxo de caixa é menor, a remuneração do investidor também é menor. Easy money tem sempre o mesmo efeito, seleção menos criteriosa, voluntarismo financeiro e pouco controle. Invariavelmente gera pouco retorno.

Mas a alta nas bolsas e nos ativos de risco não ajudaria na formação de poupança de longo prazo?

Infelizmente não, e aqui mora o perigo maior para os poupadores de longo prazo. Como houve queda significativa na remuneração de ativos de baixo risco, o que torna mais difícil cumprir metas atuariais, os recursos acabam sendo canalizados para projetos de risco elevado.

O problema é que, se antes o investidor esperava 15% a 20% ao ano de um projeto arriscado, hoje se contenta com 6% a 8%.

Isso porque o cálculo de retorno DEPENDE dos juros pagos pelo ativo sem risco e também da relação oferta VS demanda por capital.

Qual é o problema de aceitar retornos menores de projetos de risco?

O problema é que pagamos mais caro pelo MESMO RISCO!

Isso mesmo, o risco do fluxo de caixa pouco muda. Ele depende das condições da economia, da capacidade técnica, da estrutura de custos da mercadoria, da concorrência, do interesse do consumidor e da vários fatores que não são (ou são pouco) influenciados pelas taxas de juros.

Na prática se um projeto tivesse chance de 20% de quebrar nos primeiros 5 anos, pouco importa se você espera dele retorno de 8% ao ano ou de 20%. Se quebrar, vai quebrar por fatores alheios ao seu investimento. O problema é que se você descontou esse fluxo de caixa à taxa de 8%, pagou MUITÍSSIMO MAIS CARO do que se tivesse descontado a 20%.

Em resumo, os riscos são os mesmos, só estamos pagando caríssimo por eles.

E é isso que estamos vendo no mundo hoje.

Quando os mercados de risco NÃO se movimentam diante de terremotos, furacões, retórica belicista, risco de shut down no governo americano, guerra nuclear, expansão fundamentalista, secessão no Iraque e na Espanha, retrocesso na relação EUA-Irã etc., não significa que os riscos não existam, eles estão lá e podem fazer o mesmo estrago de antes. Mas continuamos comprando…

No more fly-to-quality

Não há mais “fuga para qualidade”, por 2 motivos, porque a qualidade (risco baixo) paga juros baixíssimos (já em alta apenas nos EUA) e porque há excesso de dinheiro (liquidez) no mundo. Qualquer movimento brusco, com essa quantidade de dinheiro, poderia derrubar ainda mais o retorno dos ativos de “qualidade”. Aliás, o motivo dos juros negativos em países nórdicos, principalmente durante a crise do Euro, era excesso de “fuga para a qualidade”. Demanda demais e oferta de menos.

Quem é o paquiderme na sala que está causando esse alvoroço todo?

O livre mercado não consegue autorregular os interesses de ofertantes e demandantes de ativos porque há 2 paquidermes na sala, cujos movimentos impedem o mercado de agir racionalmente.

O primeiro é a China e sua economia e moeda controladas. São trilhões de dólares praticamente sem utilidade, sendo usados em projetos tocados pelo governo e por estatais chinesas. Nada disso dá retorno, é só jogar dinheiro fora e manter o “crescimento econômico” nas alturas. A questão da moeda chinesa é ainda mais grave, pois é mantida desvalorizada propositalmente para garantir exportações. Isso faz com que um grupo muito grande de poupadores e investidores sejam MENOS rico do que deveriam.

Mas não vou tratar especificamente desta questão, pois essa política chinesa de absorção da poupança privada mundial já existia e não e a causadora principal das disfunções atuais. É importante, mas além de não ser a principal, ainda depende de um país incontrolável e exótico ao sistema capitalista moderno. Não dá para “consertar” a China.

O problema maior são os GOVERNOS.

Mais precisamente os bancos centrais e as políticas monetárias e econômicas aplicadas após a crise de 2008.

Essa crise espalhou ativos péssimos pelo mundo inteiro. Lixo tóxico, papéis que não valiam nada, contratos descumpridos etc.

A solução global, para evitar o colapso do sistema financeiro e garantir que os bancos continuassem a emprestar, foi promover relaxamentos quantitativos (quantitative easing) e baixar os juros, uma coisa ajudando a outra.

Em outras palavras, os bancos centrais mundiais resolveram dar liquidez ao que não era líquido. Comprar ativos que os bancos não conseguiam vender e que não tinham aceitação no mercado.

Então os bancos centrais passaram a trocar os ativos tóxicos e/ou ilíquidos por títulos públicos de altíssima liquidez.

Essa brincadeira dura quase 10 anos e já inundou o mercado de ativos altamente líquidos, represando a porcaria nos ativos dos bancos centrais.

Um artigo recente publicado no jornal O Globo indica que os ativos dos quatro principais bancos centrais do mundo (EUA, Japão, União Europeia e China) saíram de US$ 6,5 trilhões em 2008 para mais de US$ 17 trilhões em 2016.

Muito desse crescimento se deveu a compra de ativos de baixa liquidez, que estão todos hoje nos balanços dos bancos centrais, principalmente nos EUA e Europa.

Uma boa imagem sobre o tema seria imaginar que os BCs receberam esgoto e pagaram com água limpa. Os reservatórios de água limpa do mercado financeiro privado estão abarrotados, pois não há sede ou asseio que precise de tanta água, mas os reservatórios dos Bancos Centrais estão represando trilhões de litros de esgoto. Ninguém quer que essa barragem estoure.

Como o livre mercado pode autorregular os preços dos ativos e ajustá-los o interesse dos agentes se há um agente gigantesco agindo de forma irracional, com objetivos completamente diversos dos de poupadores e de investidores/empreendedores?

É impossível, por isso essa disfunção tremenda nas finanças e esse medo recorrente de um grande estouro de bolhas por todos os lados. De dívida privada a bitcoin, de shadow banking na china e na índia ao S&P 500. Um medo generalizado que, por conta da irracionalidade e do excesso de dinheiro, não se converte em prudência e volatilidade.

As bolhas vão estourar?

A verdadeira bolha é de liquidez e essa dificilmente estoura. O evento que faria a disponibilidade financeira desaparecer é grave demais, algo como calote de um desses bancos centrais. Não deve ocorrer.

Falando de forma direta, a solução REAL seria o enxugamento da liquidez que, em outras palavras, o desaparecimento do dinheiro desnecessário. Daquele exagero de água limpa que ninguém consegue usar.

Para o mundo parece haver dois caminhos. O do medo, que significa empurrar tudo com a barriga e continuar fornecendo liquidez, permitindo que os governos continuem a ditar as regras econômicas, as taxas de câmbio e a estrutura das taxas de juros (China principalmente), fazendo o mundo virar um grande Japão, de economia modorrenta, pouco crescimento, juros baixíssimos, taxa de poupança cada vez maior para a aposentadoria, mas sem sofrer grandes colapsos. Para um país rico isso não é tão grave, mas para quem é pobre e tem pressa em crescer, é gravíssimo.

O resultado disso é um empobrecimento gradual, um desaparecimento da liquidez ao longo de 50 anos de investimento em péssimos projetos e de retorno baixíssimo.

O segundo caminho já está sendo trilhado pelo banco central americano. Subir juros, parar de comprar ativos ilíquidos e reduzir seu balanço. E o efeito já está sendo sentido, com juros de longo prazo na faixa de 2,5% a 2,6% ao ano. O Federal Reserve tem muito poder para restaurar a normalidade no mercado de ativos de risco zero (ou baixíssimo), para que volte a fazer sentido nas carteiras de longo prazo.

Já está, ao que parece, convencido de que até a inflação responderá melhor (no caso deles subindo) sob taxas de juros racionais.

O Fed está procurando fazer tudo de forma transparente e evitando grandes impactos no mercado. Se conseguir recolocar os títulos de 30 anos ao patamar de 3,5% a 4% ao ano, é extremamente provável que os ativos, ao menos os de renda fixa privada, percam significativo valor.

Os técnicos do Fed perceberam algo que os BCs do mundo ainda não notaram. Ao zerar as taxas de juros ele perdeu completamente o poder de política monetária. Gastou a última bala (zerar os juros) e seus objetivos foram apenas parcialmente cumpridos, uma vez que não temos crescimento pujante em lugar algum no mundo desenvolvido e a inflação continua persistentemente baixa. As pessoas não consomem, os salários não sobem, o endividamento das famílias está em queda e, pior, o endividamento das empresas está nas alturas.

Imagine se, por algum motivo, a recessão voltasse mesmo com os juros zerados e com os balanços empanturrados de ativos ilíquidos. Qual seria a ação possível dos bancos centrais? Nenhuma. Não haveria nada a fazer diante de um cenário de recessão se os juros já estão zerados. Teriam que se reinventar.

Não sei para onde vamos, mas com certeza estamos em um momento disfuncional do mercado financeiro, ou seja, ele não está cumprindo a função de satisfazer o interesse dos participantes livres.

Já havia debatido isso em julho de 2016, neste artigo. As coisas pouco mudaram.

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Bitcoins. Um sistema de pagamentos, uma moeda ou um grande videogame?

Posted on 14/09/2017. Filed under: Administração, Filosofia, Finanças | Tags:, , , , , , |

Não é um texto para explicar bitcoins, blockchain, algoritmos etc., mas para tentar desvendar REALMENTE o que é o fenômeno que tomou conta do imaginário dos investidores.

Como é um mundo de paixões, já aviso aos adoradores e detratores do Bitcoin que sou amigo de ambos, o que vou escrever a seguir é EXCLUSIVAMENTE minha opinião. E, como de hábito, só me dou ao trabalho de escrever porque acredito ser uma opinião diferente da que se lê no mainstream da imprensa especializada.

Por que o Bitcoin existe?

Primeiro é preciso entender que não é o Bitcoin que interessa, mas sim o sistema que foi criado para permitir que ele seja transacionado (a Rede ou Sistema Bitcoin).

Vou me aventurar a tentar entender os motivos que levaram o fantasma Satoshi Nakamoto a criar a Rede Bitcoin (ou sistema Bitcoin). É uma aventura e tanto, pois nem sabemos se Satoshi é uma pessoa, várias pessoas ou uma empresa.

Não acredito em interesses financeiros desses gênios da informática e de criptografia. Eles são mais recompensados “provando suas teorias” ou criando algoritmos impenetráveis ou geniais, do que recebendo dólares. Até porque, nesse nível de genialidade e domínio das ferramentas, dinheiro jamais seria problema para eles.

Eu não acho que o interesse por trás da criação da Rede Bitcoin, por mais que se tente provar o contrário, tenha sido econômico, ou seja enriquecer os criadores ou, ainda, vir a ser um benchmark de moeda transnacional, sem autoridade central.

Eu acho, tão somente, que os criadores acreditavam ter pensado e desenhado um modelo MUITO MELHOR, mais barato e mais seguro para registros de transações com moeda, transações financeiras. E isso é o que importava para eles. Nada de dominar o mundo ou substituir o sistema financeiro.

A criação de um videogame transnacional autônomo

Hoje estamos acostumados com jogos online, em que players de todo o mundo se encontram no game, se ajudam ou se enfrentam em algoritmos de guerra, zumbis, fazendinhas de unicórnios etc.

Essa grande rede requer investimentos constantes para existir e suportar os acessos. Quanto mais sucesso faz o jogo online, mais capacidade computacional, mais banda, mais nuvem, mais memória etc. serão necessários.

Quem faz isso acontecer (investimento e manutenção) é uma autoridade central, que ganha dinheiro através da venda dos consoles, dos games ou de assinaturas dos jogadores. Isso é um business clássico, com uma organização central, planos de negócios, análise de lucratividade, ajustes de custos, remuneração de acionistas etc.

E se pensássemos em fazer isso SEM a autoridade central (controlador da empresa dona do game)? Ou seja, se a própria interação entre os jogadores, do mundo todo, fosse capaz de prover toda a infraestrutura necessária para o jogo funcionar?

Significa que os próprios jogadores disponibilizariam a capacidade computacional de suas máquinas para que o algoritmo do jogo rodasse, disponibilizariam espaços na nuvem etc.. Tudo isso tem um custo na vida real. A energia, o aluguel de espaço etc..

Se fôssemos capazes de “remunerar” esses jogadores com coisas do próprio jogo como diamantes que compram bichinhos, vidas extras, energia extra, novas armas, novas cores e tudo o que fizer sentido e for valioso no jogo, as pessoas que querem jogar promoveriam esforços para comprar máquinas melhores, mais espaço na nuvem entre outros itens para ganhar mais benefícios e ter mais sucesso no game.

Aliás, isso já é feito com frequência. Os games são assim, toda hora cobrando uns trocados para dar mais vidas, mais moedas, mais dicas e outras coisas que são valiosas para os jogadores. E eles pagam. Mas, no caso, pagam para uma autoridade central, que desenvolveu o game, é responsável pelo seu funcionamento, por consertar bugs, por fornecer a capacidade computacional necessária e faz isso tudo com o dinheiro que recebe dos jogadores.

A estratégia da criação da Rede Bitcoin, no meu modo de ver, é semelhante à estratégia dos desenvolvedores de games, mas sem a autoridade central. Cria-se um algoritmo que tem algum interesse para as pessoas (inicialmente só iniciados e interessados em explorar a criação e o uso de criptomoedas), gera-se um modelo de recompensas para quem prover o necessário para o algoritmo rodar e torce-se para que a Rede cresça.

Nesse aspecto, a Rede Bitcoin não difere muito de um gigante videogame, onde jogar significa prover capacidade computacional para o próprio jogo (além de transacionar as moedas) e os Bitcoins seriam as recompensas coletadas (como as moedas do Super Mário).

Mas o que seria um sistema de pagamentos?

Falemos agora do que seria a parte séria do Bitcoin.

Um sistema de pagamentos é algo extremamente complexo, caro e que requer investimentos bilionários e constantes em segurança e capacidade computacional.

Pense na quantidade de transações que o sistema que processa os dados dos cartões VISA precisa fazer, por segundo, para garantir a fidelidade das informações, quem paga e quem recebe, que não haverá fraude, roubo de dados etc. Quanto custa fazer bilhões de operações por hora, garantindo segurança e a fidedignidade para isso tudo?

Pense agora em todas as transações bancárias, compensações e seus registros em bancos centrais, sistemas de controle de lavagem de dinheiro etc. Quanto custa para manter esse sistema financeiro interligado?

Agora vamos para outros sistemas menores, pense no Paypal, no sistema de pontos da Multiplus ou Smiles, no Mercado Pago etc.

No Multiplus você ganha os pontos por fazer transações que geram riqueza para terceiros parceiros. Esses pontos, ao entrarem no sistema, também precisarão de um sistema de pagamentos, que identifique as transações e faça os débitos e créditos corretamente, além de proteger as informações sobre as transações.

No Paypal ou Mercado Pago você poderia fazer suas compras e vendas por anos sem nunca precisar transferir o dinheiro para o sistema bancário normal. Imagine que você seja um vendedor do ebay ou mercado livre e também compre suas mercadorias por lá. Você, eventualmente, só precisaria retirar o lucro de suas transações, mantendo as compras todas em dinheiro registrado no próprio mercado pago.

A Rede Bitcoin NÃO É MUITO DIFERENTE DISSO, aliás é bem parecida, exceto por não ter um responsável central e único e por permitir que a própria Rede gere moedas.

O que importa é Rede ou Sistema Bitcoin e NÃO a criptomoeda!

Rede Bitcoin é o sistema de pagamentos (não vou entrar em detalhes técnicos, não é minha praia) e Bitcoin é a moeda do Super Mário de US$ 4.000 que remunera aqueles que ajudam essa rede a andar.

Eu acredito que a intenção do criador da Rede era provar que a lógica de seu algoritmo, que foi criado para construção de um sistema de pagamentos em que a segurança se baseia no controle realizado pela própria rede e sem autoridade central, seria superior, mais seguro e mais barato que os sistemas de pagamentos caríssimos utilizados hoje.

Entendo que seria impossível provar isso captando dinheiro no mercado para construir um protótipo e demonstrar sua segurança, estabilidade e confiabilidade . É uma ideia muito sofisticada para captar recursos suficientes para construir essa Rede sozinho.

Os bancos dificilmente se interessariam, de início, pois significaria perder o controle centralizado sobre o sistema, espalhando suas características de segurança para milhares de contrapartes. Muito arriscado.

O gênio então criou o tal sistema de investimento-recompensa autônomo para dar suporte a sua ideia (a do sistema de pagamentos). Criou o Bitcoin, que remuneraria as pessoas que colaborassem com o suporte e o “BackOffice de hardware” da Rede Bitcoin. A tal mineração nada mais é do que oferta de capacidade computacional PARA A REDE BITCOIN, não sai daí, não vai para o mundo.

No início fazia sentido apenas para uma rede de nerds (gênios com interesses peculiares) que compreenderam o “game”, se interessavam pela ideia de criptomoedas e “jogavam” para coletar suas recompensas. Era barato e divertido, para quem entendia o algoritmo e sabia como jogar.

Naturalmente levou muito tempo para despertar o interesse de investidores, que não necessariamente entenderam ou entendem a profundidade da rede e seus objetivos, mas conseguiram ver uma forma de ganhar dinheiro, investindo para prover capacidade computacional à própria rede e recebendo moedas que passaram a ter valor referenciado em dólar.

Vale repetir em negrito: O Bitcoin é uma remuneração virtual recebida por quem oferece capacidade computacional para a própria rede bitcoin existir.

Não me arriscaria a dizer que é mais do que isso. Ele pode ser interpretado pelas pessoas como muitas coisas, como dinheiro virtual, como o futuro das moedas ou como o passaporte para a fortuna, mas, a rigor, ele é SÓ ISSO que escrevi. Pelo menos na minha opinião.

Por que vale tanto a moeda do Super Mário?

O motivo é sempre o mesmo, muitos interessados em comprar e poucos interessados em vender. Quando sai negócio, o preço é alto.

Aliás, a própria moeda do Super Mário, a do jogo, poderia ter valor referenciado em dólar, caso os jogadores quisessem burlar o sistema de coletas e comprassem de terceiros (por fora do jogo, em dinheiro) que repassariam a eles suas conquistas.

Na verdade, como já dito, as recompensas de videogames tem valor referenciado em dólar, dado que é possível comprá-las do próprio desenvolvedor.

Mas vamos pensar numa hipótese interessante, relacionada a sistemas de pagamentos.

Pense que o Mercado Pago, sistema de pagamentos do Mercado Livre, comece a chamar de MP a sua moeda, e garanta que, ao entrar no sistema R$ 1,00 valerá 1 MP e quando sair do sistema 1 MP valerá R$ 1,00. Como é hoje, se você coloca R$ 1.000 poderá retirar R$ 1.000, não importa se a moeda se chama MP ou Narjara Turetta (sem contar as taxas).

Agora imagine que as pessoas PREFIRAM ter MP a Real. Pode ser por qualquer motivo, imagine que as transações em MP (dentro do sistema de pagamentos do Mercado Pago) fiquem fora do sistema financeiro nacional e permitam, por exemplo que se transacione sem imposto e sem identificação de compradores e vendedores.

COM CERTEZA as pessoas passariam a comprar “por fora” MPs e pagariam em R$, de forma a evitar transacionar pelo sistema tradicional e com registro (compra de MPs diretamente pelo Mercado Pago). Poderia pagar, por exemplo, R$ 1,50 por fora do sistema, para o detentor do MP transferir para ele por dentro do sistema 1 MP, pois esse 1 MP permitiria várias transações ocultas e sem impostos. Essa transação, em tese, estaria fora do sistema bancário e o repasse do dinheiro também.

É mais ou menos como funciona o sistema de dólar paralelo em países com controle cambial, ou o nefasto sistema de lavagem de dinheiro.

Isso é um sistema de pagamentos paralelo ao sistema financeiro, mas NÃO é como a Rede Bitcoin, pois existe uma contraparte central, o Mercado Pago, que precisa gastar fortunas para manter esse sistema funcionando e recebe comissões nas vendas para mantê-lo, além de garantir o câmbio na entrada e na saída (R$ 1,00 = 1 MP).

Na Rede Bitcoin quem sustenta a estrutura são os mineradores e quem garante a segurança é a própria rede e os mecanismos iniciados pelos fundadores. E também não há nenhuma contraparte central garantindo a troca de Bitcoins por dólares.

Por que usei o exemplo do MP? Para mostrar o que seria um sistema de pagamentos paralelo ao sistema financeiro em que as trocas POR FORA do sistema poderiam se dar em valores diferentes da “lógica oficial” ou do fundamento.

Retornando ao questionamento inicial, o Bitcoin só vale muito porque há compradores para pagar o preço que vendedores pedem.

Mas não se deve buscar “fundamento” no Bitcoin (como há no exemplo do MP). Ele não tem qualquer fundamento que justifique qualquer preço. É só uma questão de fluxo mesmo. Vamos explorar esse tema.

Tem perigo de não conseguir vender meus Bitcoins?

Essa pergunta é interessante. Não existe um “estoque” de dólares para pagar Bitcoins. As transações são sempre entre quem TEM os dólares para dar e quem TEM os bitcoins para entregar. As corretoras só fazem essa intermediação e cobram um fee por isso.

E, vale repetir, isso tudo é FORA do jogo, fora da Rede. Como seria aquela troca de reais por MPs no exemplo do Mercado Pago.

Exceto em casos de fraudes como as do Maddoff, em tese se você conseguir vender seus Bitcoins a contraparte pagará em dinheiro e você receberá.

O risco é tão somente o de liquidez. Se houver uma corrida por dólares (venda de bitcoins), o preço pode cair de US$ 4.000 para US$ 400 ou US$ 0,40. É só uma questão de fluxo. Desde que haja contraparte interessada em pagar, por algum preço você venderá.

Não há contraparte central garantindo NADA, se ele será vendido por US$ 4.000, US$ 30.000 ou US$ 0,01 depende apenas do interesse de vendedores e compradores.

Até porque, é PRECISO REPETIR, as transações de corretoras de Bitcoins NÃO FAZEM PARTE DO JOGO. O sistema não registra transações em dólar ou de câmbio, apenas a transferência do Bitcoin entre partes. As trocas ocorrem por fora.

O Bitcoin se tornará uma moeda amplamente aceita?

Acho que não era esse o objetivo de quem criou a rede. Não vejo motivo para a moeda ser aceita de forma global, pois isso exigiria integração com centenas de sistemas de pagamentos. Assim como você não consegue comprar nada em ações da Usiminas, dificilmente comprará tudo em bitcoins. Tanto é fato que não estamos falando majoritariamente de troca de Bitcoins por chocolate ou passagens aéreas, mas de troca por dólares em corretoras de fora do sistema.

O objetivo, na minha modestíssima opinião de quem NÃO é especialista no assunto, é que o Bitcoin foi criado APENAS para ser a moeda que recompensaria jogadores de um grande game cujo objetivo é manter a si mesmo vivo e operando, até provar um ponto: que o sistema de pagamentos é melhor, mais seguro e mais barato do que os atuais.

Não vejo o Bitcoin, nem hoje e provavelmente nunca, cobrindo as três funções básicas da moeda: ser meio de troca, sendo um intermediário entre as mercadorias; ser unidade de conta, como referencial das trocas, o instrumento pelo qual as mercadorias são cotadas, e reserva de valor: poder de compra que se mantém no tempo, ou seja, forma de se medir a riqueza.

O Bitcoin não é um meio de troca, não é um intermediário entre mercadorias, ele, para ser aceito livremente, precisa ser transformado em outra moeda. Uma moeda precisa SOZINHA representar preços que equiparam bananas e turbinas de jatos, o Bitcoin não é isso, ele precisa da referência de câmbio em dólar para fazer sentido como meio de pagamento. O dólar não precisa de nada.

Não é uma unidade de conta, pois não presta como referencial entre mercadorias, dada sua oscilação completamente alheia à realidade da economia real, dos custos, receitas, inflação etc.

E não é uma reserva de valor, pois não mantém poder de contra, ao contrário, dispara o poder de compra.

Bitcoin não é moeda, ao menos não do jeito que entendemos e com o objetivo que as moedas foram criadas, para facilitar a troca de mercadorias.

As pessoas sempre se questionam: E se todos os lugares passarem a aceitar o Bitcoin?

Esse é um artifício retórico, conveniente para manter a crença, mas despropositado como argumento lógico.

Se fosse possível, num estalar de dedos, que todas as mercadorias pudessem ser referenciadas em Bitcoins e estes fossem amplamente aceitos, EVIDENTEMENTE o valor do Bitcoin passaria a ser ditado pelo valor da Mercadoria e não o contrário. É uma tolice crer que se pudermos comprar hoje um pãozinho por 0,0001 BTC, em 100 dias poderíamos comprar 50 pãezinhos com a mesma quantidade de moeda. Se isso fosse possível, imediatamente o BTC perderia a função de moeda.

É possível que alguém acredite que, quando o estoque de Bitcoins estiver representando, por hipótese, US$ 1 trilhão, ele teria lastro para ser aceito universalmente e, mesmo que parasse de subir, quem investiu US$ 10 em 2013 já teria sua “riqueza” de US$ 10 milhões e poderia usar livremente nesse mundo novo em que o Bitcoin será amplamente aceito.

Há vários problemas com essa crença, o primeiro é acreditar em enriquecimento sem causa. Pode acontecer, mas é anormal. O segundo problema é acreditar que a entrada de um estoque gigante para consumo não impactaria os preços e, principalmente, não se tornaria alvo de política monetária dos países.

Se você pensar que o Bitcoin substituirá as moedas por estar livre de amarras impostas pelos bancos centrais, você já está considerando que ele não é uma moeda, mas um serviço. Você compra a possibilidade de ficar invisível ou transacionar em mercados ilícitos ou ocultos. Isso não é função da moeda, servir a determinados nichos de interesse.

Outro ponto é que nada impede que o próprio sistema financeiro utilize a tecnologia do blockchain e passe registrar as transações em moeda corrente. Tenho dificuldade para ver como o Bitcoin continuaria a existir depois que sua tecnologia fosse amplamente difundida no sistema financeiro.

Perceba: Para que o Bitcoin seja amplamente aceito, deveria ser irrelevante comprar com Bitcoin ou com dólares. E se for o caso, o Bitcoin não é necessário. E ainda que sobreviva, se virar moeda MESMO, seu valor vai variar de acordo com índices de preço. O rabo não abana o cachorro.

Claro, sempre pode haver aplicações de nicho.

Bitcoin é um ativo?

Entendo ser perigoso tratar Bitcoin como um ativo, pois, como já dito, toda a lógica da Rede Bitcoin e sua organização é hermética, ou seja, fechada em si mesma. Quem ganha Bitcoins pela mineração não está oferecendo capacidade computacional para fins externos à rede, mas exclusivamente para ela, de forma que tudo o que se gera no Bitcoin fica por lá mesmo.

Como já dito, as trocas de Bitcoins por dólares são feitas por corretoras, que não tem qualquer relação com o sistema em si (exceto o registro de cessão dos Bitcoins do vendedor para o comprador).

Não tem relação com o mundo real, não gera qualquer benefício ao mundo real, portanto não deveria gerar expectativa de benefícios futuros a ponto de ser chamado de um ativo.

Seu preço, vale repetir, é alto exclusivamente por que há compradores ao preço que os vendedores desejam vender.

A Rede Bitcoin poderia ser “vendida” e gerar riqueza para os detentores de Bitcoins?

Não, e mesmo que isso fosse possível, quem tem Bitcoins não tem uma “ação da Rede Bitcoin”, tem algo que, um dia, foi recompensa para manter essa rede funcionando. Ou seja, se fosse possível COMPRAR a rede (e não é, além de não fazer sentido) os detentores de Bitcoins NÃO são os acionistas que se beneficiariam de uma oferta pública de aquisição.

Como a Rede Bitcoin poderia ser útil ao mundo real?

Creio que já foi útil, tanto é verdade que há um pool de bancos gigantes na Europa estudando implementar um sistema semelhante para substituir várias partes de seus atuais sistemas de pagamentos, caros e inseguros.

Se, por exemplo, vários sistemas bancários e de integração com os sistemas financeiros nacionais começarem a usar o modelo de blockchain, ou outro que se prove mais barato, eficiente e seguro, todos sem autoridade central e com segurança garantida pela vigilância da própria rede, creio que o objetivo do criador do Bitcoin, ao menos o objetivo que acredito ser “o” verdadeiro, já terá sido alcançado e a rede e sua história ficarão famosos para sempre, mas as “moedas” serão o que sempre foram, uma recompensa para quem joga, por manter o  jogo funcionando.

Recentemente o governo Chinês proibiu ICOs (lançamento iniciais de moedas virtuais, tipo IPO de empresas abertas). A justificativa era que seria captação ilegal de recursos.

Se for troca de moedas virtuais por moedas virtuais novas, até acho que poderia passar pelo regulador, mas se for troca de dinheiro real por moedas virtuais, entendo que é mesmo fraude e captação ilegal de recursos.

Isso porque, como dito, o máximo que uma moeda virtual pode fazer é auxiliar na criação de um sistema de pagamentos baseado nessa própria moeda virtual. E, em sendo de código aberto como o Bitcoin (um diferencial de segurança), não há motivo para alguém “comprar” esse sistema, basta fazer outro.

Entendo que as moedas competidoras não trazem os mesmos atributos de sucesso da rede Bitcoin, que foi, tão somente, convencer as pessoas a investirem EXCLUSIVAMENTE para manter a rede funcionando e em teste contínuo. As novas moedas parecem ter objetivos mais mundanos, como fazer dinheiro real.

A estratégia para fazer dinheiro no mundo real é bem conhecida, investir grana e ganhar grana. Não é captar grana real, pagar em promessas de recebimento de moedas virtuais novas, e gastar a grana real para fazer um sistema em que essas moedas virtuais novas possam circular. É muito non sense para ser oferta pública de captação de poupança popular. É claro que o regulador vai bloquear.

Por que comprar Bitcoin?

O único motivo, de TODAS as pessoas que compraram Bitcoins, é ganhar dinheiro. Só esse, não há outro. Os mineradores iniciais, e talvez alguns que existam até hoje, podem ter objetivos diversos, como preservar e “provar” o modelo, mas quem faz mineração hoje, gastando milhões de dólares, também quer ganhar dinheiro.

Qualquer que seja a decisão, de comprar ou vender, eu teria em mente o seguinte:

O Bitcoin é uma remuneração virtual recebida por quem oferece capacidade computacional para a própria Rede Bitcoin existir. É um loop hermético que alimenta a si mesmo.

Ele não é mais nem menos do que isso. O que acontece fora da Rede Bitcoin, nas corretoras etc., não diz respeito ao projeto original e não impacta o processo interno, apenas estimula o crescimento da capacidade computacional MUITO acima das necessidades do próprio jogo.

Recomendo a mesma coisa que se recomenda para grafistas, especuladores, jogadores de cartas e frequentadores de cassinos. Tenham um objetivo, tanto de perda quanto de ganho. E fiquem nesse objetivo, pois depois que se entra no jogo é difícil manter a racionalidade.

Por fim, vale colocar que esse é um artigo exploratório, ou seja, reflete uma opinião que pode ser mudada, dado que o tema é muito recente, complexo e pouco estudado. Ninguém sabe ao certo o que fazer com as criptomoedas, nem mesmo saberiam afirmar que são mesmo moedas ou que serão moedas.

Mas, até o presente momento, é como entendo esse movimento. Um grande videogame que ganhou mercado secundário no mundo real para transacionar as recompensas obtidas por manter esse mesmo videogame funcionando. Não é nada mais do que isso. Se as pessoas pagam US$ 4.000 por um Bitcoin, o motivo NÃO está no jogo, mas fora dele.

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All in Love is Fair – Stevie Wonder – 2017 Version – Oil & Gas Trio

Posted on 10/09/2017. Filed under: Finanças |

Nossa releitura para um clássico de Stevie Wonder.

Espero que curtam!

 

 

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O PIB Trimestral e as Falsas Expectativas

Posted on 01/09/2017. Filed under: Finanças |

Acaba de sair o resultado do PIB do segundo trimestre. Alta de 0,2% em relação ao primeiro trimestre e alta de 0,3% em relação ao segundo trimestre de 2016.

No semestre (2016 x 2017) houve estabilidade, não crescemos nada.

Na comparação anual (últimos 12 meses x doze meses anteriores) estamos com uma queda de 1,4%.

Vai ter tweetaço do Meirelles e do Mansueto? Provavelmente, mas não há absolutamente nada a comemorar.

Nem vou entrar nos números em si, para ver os setores que foram bem ou mal, a queda nos investimentos etc., vou apenas relembrar os períodos de comparação.

Primeiro semestre de 2016.

Estávamos sob a batuta da “Senhora”. O Brasil em compasso de espera, praticamente tudo parado, bolsa abaixo dos 50.000 pontos, incerteza completa na economia e na política, congelamento de qualquer atitude de investimento e de consumo.

O petróleo estava em 30 dólares no início de 2016, só se recuperou no segundo semestre. O minério de ferro estava em US$ 40 no início de 2016, só se recuperou a partir de abril daquele ano. E o dólar? Bateu R$ 4,15! E a inflação, gigante.

Em resumo, era um Brasil parado, esperando definições, com commodities em baixa. O afastamento de Dilma ocorreu em 12 de maio, e o impeachment propriamente dito, em 31/08/2016.

Primeiro semestre de 2017

Esqueçam Temer, o mercado só vê Meirelles.

Bolsa subindo, perto de seu recorde histórico, liberação de 50 bilhões de reais diretamente nos bolsos dos brasileiros (FGTS), volta de IPOs, melhora das expectativas, entrada recorde de recursos externos, recorde de superávit na balança comercial, teto de gastos aprovado, reforma trabalhista aprovada, juros em queda livre, mercado externo favorável e… estamos comemorando uma estagnação em relação ao período da “Senhora”, de Bendine, de Tombini?

É como comemorar ser reserva do Muralha no Flamengo.

Chega a ser incrível que, mesmo com todos os estímulos, com gente racional na fazenda e no BACEN, com juros mais baixos, dólar confortável, inflação baixíssima, commodities recuperadas etc., estejamos comemorando um resultado pífio desses. Vamos relembrar que o Brasil do primeiro semestre de 2016 estava paralisado. Vamos olhar o fluxo e as circunstâncias e não o número em si.

Os segundos semestres…

A partir de agora Temer será comparado com Temer (pois Dilma já era carta fora do baralho no segundo semestre de 2016, mesmo faltando o desfecho no congresso).

E é bem difícil acreditar que Temer vencerá Temer, por motivos bastante simples.

Primeiro, o segundo semestre de 2016 foi MUITO melhor do que o primeiro, em termos de praticamente tudo. Commodities em alta, mercado externo pacificado, ainda havia algum investimento público, ainda havia orçamento público, o RJ não estava precisando de dinheiro federal ainda, dólar comportado, inflação comportada etc.

Para que o segundo semestre de 2017 seja bem melhor que o de 2016, precisaríamos de… outra liberação do FGTS? Que as commodities aumentem novamente em 50% seus preços? Que o governo tenha mais condições de investir e apoiar o investimento? BNDES?

Nada disso está na manga.

Aliás, os resultados da arrecadação nos primeiros meses desse trimestre (julho e agosto) mostram que a atividade está pífia, que as contas não fecham e que o governo vai ter que contingenciar praticamente TODO o investimento previsto, além de, eventualmente, cortar despesas obrigatórias.

Para conseguirmos atingir o crescimento previsto na revisão orçamentária (0,5%), teríamos que crescer mais de 2% (fazendo uma conta rápida) em relação ao segundo semestre de 2016.

Well, well, well… É uma luta complicada.

Mas teremos tweetaço! Teremos triunfalismo Temeriano.

Hy-Brasil is not sinking!

O Brasil me lembra da ilha de Hy-Brasil no filme “Erik, o Viking” (Monty Python).

Hy-Brasil era uma ilha paradisíaca, com habitantes alegres e crédulos. Tinha orgulho de sua música e acolhia bem os forasteiros.

Um dia (como na mitologia) a ilha começou a afundar. Seu rei (interpretado por Terry Jones, na foto) reuniu os habitantes para começar a cantoria e avisar: “Hy-Brasil não está afundando”. E todos acreditaram nele e tocaram até que a última tuba afundar no mar.

Estamos indo alegres, inzoneiros e faceiros, rumo ao abismo.

Com juízes ganhando 80 mil por mês e liberando ejaculadores de transporte público. Com a milícia tomando conta da baixada fluminense. Com Gilmar Mendes, que em si já é um símbolo do atraso institucional e moral.

Brasil, meu Brasil brasileiro, vou cantar-te nos meus versos, bloob, bloob…

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Jump Van Halen – Versão 2017 Trio Oil & Gas

Posted on 28/08/2017. Filed under: Finanças |

Aproveitando o post sobre a Petrobras de hoje, compartilho com vocês um pouco da minha versão “guitarra e voz”.

É uma versão da música Jump do Van Halen, mais lenta e swingada.

Espero que gostem!

 

 

 

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Erros grosseiros sobre a capitalização da Petrobras. Lamento ainda ter que explicar isso depois de 7 anos.

Posted on 28/08/2017. Filed under: Finanças, Política | Tags:, , |

O nobre consultor do Jornal O Globo para a área de óleo e gás, Adriano Pires, escreve um artigo (leia AQUI) impreciso e incorreto sobre a capitalização da Petrobras e o imbróglio envolvendo a União e a empresa a respeito da cessão onerosa.

É importante alertar, tanto investidores quanto contribuintes, sobre as imprecisões do artigo. Ele gera expectativas infundadas e conta de forma equivocada um momento triste do mercado de capitais brasileiro.

A cessão onerosa.

Adriano explica a cessão onerosa: “A Cessão onerosa é um regime jurídico criado em junho de 2010 através da Lei 12.276, em momento da grande capitalização da empresa. A ideia era que a  Petrobras tivesse condições econômicas de fazer frente aos vultosos investimentos necessários para exploração e desenvolvimento dos campos do pré-sal. Para isso, o governo cedeu cinco bilhões de barris de reserva de petróleo – ou seja, a serem descobertos – a US$ 8,56 dólares/barril em troca de ações. A operação resultou num aumento de capital de US$ 70 bilhões, dos quais US$ 42,5 bilhões foram subscritos pela União, através da transferência da propriedade sobre os ativos da chamada Cessão onerosa.”

Errado. Em essência e forma.

Acompanhei de perto o processo, fui, provavelmente, o primeiro a alertar que quem se capitalizaria seria a UNIÃO e não a Petrobras. Soube disso desde a primeira leitura do prospecto e falei no programa Conta Corrente especial junto com o próprio Adriano Pires.

A confusão dele é justificável, pois a propaganda do governo era de que a União “aportaria barris de petróleo” para acompanhar o aumento de capital.

Mas, como quase tudo na Era Lula-Dilma, era apenas uma farsa.

A lei citada pelo Adriano é bem clara e NÃO diz o que ele afirma. Apenas autoriza a VENDA (cessão onerosa é venda) de até 5 bilhões de barris diretamente e sem licitação à Petrobras. E também autoriza o governo a aumentar o capital na Petrobras aportando TÍTULOS PÚBLICOS e não barris. É o contrário do que Adriano afirma.

Vejam:

Art. 1°  Fica a União autorizada a ceder onerosamente à Petróleo Brasileiro S.A. – PETROBRAS, dispensada a licitação, o exercício das atividades de pesquisa e lavra de petróleo, de gás natural e de outros hidrocarbonetos fluidos de que trata o inciso I do art. 177 da Constituição Federal, em áreas não concedidas localizadas no pré-sal.”

“Art. 9°  Fica a União autorizada a subscrever ações do capital social da Petrobras e a integralizá-las com títulos da dívida pública mobiliária federal.”

O governo não subscreveu ações através da transferência da propriedade dos ativos da cessão onerosa, é um erro material afirmar isso. A União Federal aportou títulos públicos na capitalização e recebeu um cheque para pagar a cessão onerosa (de R$ 75 bilhões).

O erro material é óbvio, basta ler a lei, mas não seria grave se o governo tivesse REALMENTE aportado R$ 75 bilhões em títulos públicos. Não foi isso que aconteceu. A União autorizou vários entes ligados, como Caixa, BNDES e Fundo Soberano a entrar na capitalização para atingir os tais R$ 75 bi da cessão onerosa. Mas a União não chegou nem perto de aportar isso.

Foi uma “mágica” para transformar essa capitalização da Petrobras em RECEITA PRIMÁRIA do governo e superávit primário.

Ou seja, o governo levou cerca de R$ 30 bilhões da Petrobras em DINHEIRO. Os jornais da época noticiaram bastante isso, eu acompanhei no blog, não entendo o motivo de ainda haver quem pense que o governo “aportou barris de petróleo no aumento de capital”.

Vou colocar os artigos que escrevi à época, vale como relato de um momento confuso do mercado de capitais brasileiro e para mostrar que Adriano Pires ainda está com a visão “inicial” do processo de capitalização:

https://blogdoportinho.wordpress.com/2010/08/17/capitalizacao-da-petrobras-importante/

https://blogdoportinho.wordpress.com/2010/08/26/capitalizacao-da-petrobras-i-atualizacao-2608/

https://blogdoportinho.wordpress.com/2010/09/02/capitalizacao-da-petrobras-update-1-a-capitalizacao-do-bndes-e-da-caixa/

Nesse próximo artigo já dá para ver que a União estava se movimentando para NÃO precisar aportar os R$ 75 bi.

https://blogdoportinho.wordpress.com/2010/09/02/capitalizacao-da-petrobras-update-2-qual-sera-o-aporte/

Aqui em 03/09/2010, 6 dias antes do Estadão publicar, nosso blog já alertava que quem iria se capitalizar seria a UNIÃO.

https://blogdoportinho.wordpress.com/2010/09/03/capitalizacao-da-petrobras-update-3-leitura-do-prospecto/

No artigo publicado em 09/09/2010, perguntei:

1. A Petrobras vai transferir ao governo R$ 74,808 bilhões de CAIXA (títulos são quase tão líquidos quanto dinheiro).

  1. O Governo vai aportar, de acordo com as páginas 67-68 do Prospecto, aproximadamente R$ 48 bilhões, já considerando um percentual razoável de não-adesão dos minoritários.

Pergunto: Por que a Petrobras, que precisa de CAIXA, vai transferir ao governo quase R$ 27 bilhões (segundo as expectativas do próprio governo), dinheiro aportado por minoritários?

Seria razoável uma operação casada: aportou R$ 48 bilhões, transfere o número de barris que atinja os R$ 48 bilhões.

Ou, se o governo forçasse o aporte dos R$ 74,808 bilhões. Só que isso, pelas regras do Prospecto, só acontecerá se houver uma adesão baixíssima dos minoritários.

Esperemos os desdobramentos…

https://blogdoportinho.wordpress.com/2010/09/10/capitalizacao-da-petrobras-estadao-desvenda-o-misterio/

https://blogdoportinho.wordpress.com/2010/09/22/capitalizacao-da-petrobras-lei-de-bicks-ou-lei-de-schultz/

Após o fim do processo, praticamente todos os órgãos de imprensa noticiaram o que foi dito neste blog, que o governo foi capitalizado em cerca de R$ 30 bilhões.

https://oglobo.globo.com/economia/capitalizacao-da-petrobras-pode-dar-reforco-de-30-bi-para-superavit-primario-2947456

Foi uma grande “mágica” orçamentária, que acabou drenando os recursos da empresa culminando no desastre da dívida que explodiu em 2014 (além do Petrolão, que está intimamente ligado a essa megalomania governamental).

Diga-se, a informação ao mercado ESTAVA DADA, tanto é verdade que eu consegui chegar a essa conclusão apenas pela leitura do prospecto.

Voltando a Adriano

No artigo publicado em O Globo de hoje, Adriano ainda trata de forma imprecisa a questão da revisão da cessão onerosa:

O acordo rezava ainda que, quando a  Petrobras descobrisse esses barris, haveria um encontro de contas entre a estatal e o Tesouro, baseado no preço estabelecido em 2010 e o do momento da declaração de comercialidade. Ocorre que a empresa descobriu reservas que ultrapassaram os cinco bilhões de barris, alcançando cerca de 17 bilhões. Esses 12 bilhões de barris a mais levaram o nome de extensão da Cessão onerosa . E o regime jurídico para explorar e produzir esses barris no pré-sal e o regime da partilha também foram criados em 2010.”

O governo Dilma – aproveitando-se de artigo da Lei da Partilha, que permite dar à  Petrobras sem licitação áreas de pré-sal que sejam consideradas estratégicas – publicou uma resolução do Conselho Nacional de Politica Energética (CNPE) cedendo à estatal os 12 bilhões de barris de reserva da extensão da Cessão onerosa . Porém, o TCU bloqueou essa operação até o momento. Diante de tal quadro, o que o governo deveria fazer com o intuito de beneficiar o Tesouro e a  Petrobras ?

A revisão da Cessão Onerosa NÃO TEM QUALQUER RELAÇÃO com os 12 bilhões de barris a mais. É uma questão do preço pago pelos 5 bilhões de barris. Como se lê nas notas explicativas sobre o assunto no Balanço da Petrobras:

11.2. Direito de exploração de petróleo – Cessão Onerosa A Petrobras e a União assinaram, em 2010, o Contrato de Cessão Onerosa, pelo qual a União cedeu à Petrobras o direito de exercer as atividades de pesquisa e lavra de petróleo, gás natural e outros hidrocarbonetos fluidos localizados na área do pré-sal, com produção limitada ao volume máximo de 5 bilhões de barris equivalentes de petróleo, em até 40 anos, renováveis por mais cinco anos, sob determinadas condições. Em contrapartida, a Petrobras pagou à União o montante de R$ 74.808, que em 31 de março de 2017, encontra-se registrado no Ativo Imobilizado da companhia.”

O Contrato estabelece que, imediatamente após a declaração de comercialidade de cada área, são iniciados os procedimentos de revisão do Contrato, os quais devem estar baseados em laudos técnicos de certificadores independentes, contratados pela Petrobras e pela ANP.  A conclusão da revisão somente ocorre após o fim da revisão de todas as áreas.”

Caso a revisão conclua que os direitos adquiridos alcancem um valor maior do que o inicialmente pago, a companhia poderá pagar a diferença à União ou reduzir proporcionalmente o volume total de barris adquiridos nos termos do Contrato. Se a revisão concluir que os direitos adquiridos resultam em um valor menor do que o inicialmente pago pela companhia, a União reembolsará a diferença, em moeda corrente, títulos ou outro meio de pagamento, sujeito às leis orçamentárias.”

A questão dos 12 bilhões de barris é um “não-problema”, não tem aprovação do TCU e, principalmente, não tem registro contábil algum nas contas da Petrobras. Foi uma pedalada Dilmista que não tem qualquer efeito prático.

A questão da diferença de preço dos 5 bilhões de barris, essa sim é algo gravíssimo e urgente, uma vez que tanto a União quanto a Petrobras alegam ter mais de US$ 15 bi a receber.

Em resumo, Adriano quer sugerir, tão somente, que o governo poderia vender os barris excedentes do Pré-sal. Para chegar a tal conclusão não precisaria ter feito o preâmbulo incorreto e impreciso que fez, principalmente por ser consultor da área de óleo e gás de um dos principais jornais do Brasil.

Ao final do artigo, sugere que o governo pague a Petrobras com o resultado do leilão dessas áreas do Pré-sal, porém tanto o governo quanto a Petrobras se assumem como credores um do outro e não como devedores. Além de impreciso e incorreto, o artigo me pareceu ingênuo, principalmente quando sugere que as coisas sejam feitas com urgência. Nem a definição de quem deve a quem está tomada. E controlador e Companhia não se confundem, cada um tem que lutar pelo que considera correto (ou deveria ser assim).

Faço meu papel, como fiz à época, de ir além das obviedades e retratar o que me pareceu ter ocorrido. Ainda há muitos brasileiros que acham que o governo “aportou barris” na Petrobras. Não foi nada disso. Aportou dinheiro e teve um lucro de R$ 30 a 33 bilhões em parte ÀS CUSTAS dos minoritários.

Espero que O Globo corrija essas informações.

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Porque saí do RPPS ou A (minha) Reforma da Previdência

Posted on 21/08/2017. Filed under: Filosofia, Finanças, Matemática, Política | Tags:, , |

Bom, parece que a Reforma da Previdência vai virar mesmo um arremedo para durar uns 4 ou 5 anos, ou nem sairá.

Dado isso, temos que nós mesmos tratar de correr para organizar nossas finanças, pois, ainda que muitos neguem, o problema da previdência pública é real e impactará a vida de todos, NÃO SÓ DOS MAIS POBRES, mas, principalmente, dos que recebem mais.

Há fatos que considero incontestáveis, se o leitor não concorda com eles, não sei se o resto do texto interessará. São eles:

  • Há déficit na previdência e ele é crescente.
  • Com o passar dos anos e com o envelhecimento da população, esse déficit vai piorar.
  • O orçamento público é insuficiente. Para tudo (exceto para os barões).
  • O cobertor é curto, se aumentar o gasto com a previdência no nível previsto, vai faltar para outras áreas.
  • Direito adquirido e expectativa de direito são robustos conceitos jurídicos, mas fragilíssimos conceitos econômicos. Não há ordem judicial que faça aparecer um dinheiro que não há.
  • Quem deve se aposentar a partir de 2030, provavelmente (diria 99% de chance) precisará complementar significativamente a aposentadoria com recursos acumulados privadamente.

Adeus previdência pública!

Tomei posse na CVM, autarquia federal que regula o mercado de capitais, em fevereiro de 2012. Foi o último mês em que você pôde entrar no serviço público no regime de aposentadoria integral (ou pela média do salário da ativa).

Em março de 2012, Dilma regulamentou o Funpresp e, desde então, NENHUM servidor público federal pode se aposentar com mais do que o teto do INSS. Isso mesmo. Juiz ganhando R$ 80.000, sem entrou após a regulamentação, vai se aposentar com R$ 5.500. Vai precisar fazer poupança privada para compor a renda no futuro.

Alvíssaras, alvíssaras! Parabéns a Dilma e Lula! É muito importante que os servidores, que já ganham mais (por enquanto) e têm estabilidade (segurança de fluxo de caixa, também por enquanto), destinem boa parte de sua poupança privada de longo prazo para projetos e de investimento e NÃO para o orçamento público.

A janela de saída.

Há cerca de 1 ano o governo abriu uma janela para que os servidores ainda na regra antiga pudessem sair do regime próprio de previdência (RPPS). Isso significa pagar menos contribuição previdenciária (servidores pagam 11% em cima de todo o salário), porém abrir mão da tão sonhada aposentadoria pública integral.

Foi a minha oportunidade de dizer adeus à previdência pública!

Quer dizer, nem tanto, pois ainda sou obrigado a contribuir até o teto do INSS, mas o governo me deu a liberdade e a oportunidade de cuidar privadamente da minha aposentadoria, ao menos em parte.

Por que abandonei voluntariamente a tão sonhada aposentadoria do servidor público federal?

Há muitos motivos, alguns pessoais e morais, e outros financeiros e atuariais. Sou da área de finanças por gosto, vejo o futuro como um conjunto de probabilidades, analiso os eventos no futuro por sua densidade de probabilidade (chance de acontecerem) e, para o futuro, vejo algumas questões que me parecem bastante prováveis. Outras praticamente certas.

Antes de elencar os motivos, vale colocar que decisões pessoais são… pessoais! Nada do que escrevi, ou escreverei, deve ser visto como um caminho correto ou errado para as decisões dos leitores.

Vamos às questões.

Questões tributárias.

  • Hoje aposentados do serviço público pagam IR de 27,5% (mesmo com mais de 65 anos) + contribuição de 11% ao RPPS (sobre a parcela que excede o teto do INSS), com previsão de alta para 14%.
  • Ao acumular patrimônio pela previdência privada, paga-se apenas 10% sobre o valor retirado (mais de 10 anos de aporte). Além disso, o valor aplicado pode ser abatido do IRPF do exercício, o que traz um ganho de 27,5% de início.
  • É altamente provável que a contribuição suba, tão logo seja aprovada a reforma da previdência (se for), para 14% (essa proposta foi feita em 15/08/2017).
  • A continuar esse caminho do déficit, gigante e crescente, é altamente provável que, tanto a alíquota do IR para os maiores salários, quanto a contribuição ao RPPS continue subindo. Não estranharia se em 2030 estejamos pagando 35% de alíquota máxima de IR e entre 16% e 22% de contribuição ao RPPS. Aqui no RJ já houve propostas de contribuição extraordinária nesses níveis.
  • Não é impossível que aumentem o imposto sobre previdência privada, mas é um tiro no pé desestimular poupança privada de longo prazo, a única que vai sustentar o crescimento do país, dado que a poupança pública acabou.
  • Em resumo, meu custo tributário na aposentadoria estaria, hoje, na faixa de 35% (IR e RPPS), deve aumentar e não espantaria se chegasse a 50% em 20 anos. O custo atual de retirada dos valores acumulados em previdência privada está em 10%, e considero improvável que aumente (muito), dada a necessidade de estímulo à poupança privada de longo prazo.

Questões culturais.

  • Formar poupança privada é questão cultural. Você se surpreenderia com a quantidade de médicos, juízes, executivos, com rendas superiores a R$ 600 mil, R$ 1 milhão ao ano que não formam patrimônio, ou que mantêm reservas insignificantes perto de seus custos anuais. R$ 200 mil em reservas é muito para quem gasta R$ 80 mil por ano, mas é pouco relevante para quem gasta R$ 500 mil ao ano.
  • É comum ver as pessoas fazendo reformas de 5 em 5 anos na casa onde moram, ou até em casas de veraneio. Quando olham o que gastaram ao longo de décadas nessas reformas, poderiam ter acumulado patrimônio para complementar confortavelmente sua aposentadoria. E o imóvel de uso próprio não é ativo. Reduz necessidade de caixa, mas não gera renda.
  • A Previdência Pública reforça essa leniência com a poupança privada que vemos em toda a população. É inacreditável que um pedreiro que chega a cobrar de R$ 300 a R$ 400 a diária, sonhe em se aposentar com salário mínimo ou com R$ 1.500 por mês. Se acumulasse patrimônio por 10 anos ou 15 anos, sem ser genial nas finanças, já teria recursos suficientes em poupança privada para usufruir de renda semelhante.
  • Há o desconhecimento, mas há o desestímulo mesmo, provocado pela expectativa de que é inevitável depender do governo quando ficar mais velho. É uma expectativa altamente empobrecedora, tanto para o indivíduo, quanto para o país.
  • Para quem tem 15, 20 anos ou mais para acumular patrimônio, aprender sobre as formas de investimento privado (são muitas e para os mais diversos apetites por riscos) deve ajudar na aposentadoria. Mesmo para o aposentado que recebe um bom dinheiro, a falta de experiência na gestão financeira de sua renda e patrimônio prejudica bastante seu período de aposentadoria. Não é à toa que a maioria esmagadora dos aposentados, ESPECIALMENTE DO SERVIÇO PÚBLICO, vive com sua renda comprometida significativamente no consignado.
  • Enfim, é melhor levar a experiência de ter gerido sua própria vida financeira e sua própria poupança, além de ter uma reserva significativa durante a aposentadoria, do que ter passado a vida na expectativa de apoio do governo e sem reserva alguma.

Questões financeiras e de seguridade

Trato por “questões financeiras e de seguridade” aquelas decisões que envolvem variáveis de risco e retorno e de diversificação.

  • Os riscos da aposentadoria pública estão ligados ao orçamento público, tanto no RPPS quanto no RGPS (INSS). Ocorre que, como se sabe, o déficit do funcionalismo é muito mais elevado, o desequilíbrio é maior e os salários são 7 vezes maiores, de forma que podemos dividir o risco do RPPS e do RGPS, apesar de terem a mesma fonte de pagamento.
  • Os riscos de uma taxação extra, ou excessiva, sobre as pensões e aposentadorias me parecem muitíssimo mais elevados para quem está no RPPS. Primeiro porque o déficit é maior (e aqui não cabe discutir conceitos de justiça, apenas conceitos financeiros) e segundo porque é mais palatável para a sociedade sobretaxar quem ganha R$ 20.000,00 do que quem ganha R$ 984,00. Dessa forma, o risco de quem está no RGPS (ou nas mesmas regras) me parece MENOR do que o risco de quem está no RPPS. Em resumo, vão “descascar” primeiro os que ganham mais e têm maior déficit, para depois chegarem a quem ganha menos. Aliás, isso já tem sido uma realidade para os servidores públicos federais desde 2003, pois já pagam 11% sobre suas aposentadorias e tem idade mínima de 60 anos (não há idade mínima nem contribuição de aposentados no RGPS).
  • Os regimes de previdência pública também são regimes de seguridade, ou seja, buscam amparar o cidadão e sua família no caso de sinistros como morte e invalidez permanente. Na previdência privada esses seguros precisam ser contratados à parte. Nos regimes FECHADOS de previdência, como no FUNPRESP, há formação de fundos para garantir essa seguridade, ou seja, paga-se um pouco a mais para reservar fundos para pagar pensões por morte e invalidez. Mas isso nada tem a ver com capitalização, tem a ver com seguro mesmo.
  • A seguridade no RPPS (do governo puramente), para quem tem pouco tempo de serviço público, não é tão interessante, pois para o caso de invalidez e morte há substanciais cortes nos benefícios à família ou ao indivíduo. Entrando no FUNPRESP, há formação de um fundo (caro) para pagar pensões no caso de sinistros. Esse fundo, me parece, está superdimensionado, pois, para cada R$ aportado pelo beneficiário, cerca de 0,41 centavos são destinados ao fundo (porque o governo coloca também R$ 1). Além disso, o FUNPRESP é o regime para todos os novos servidores, desde 2012, com a aprovação da idade mínima de 65 anos (se não for agora, será em 2019 ou 2020), é provável que haja muitos servidores jovens entrando e contribuindo por 30 a 40 anos para o FUNPRESP. Não me parece que esse fundo ficará “sem dinheiro” para pagar as pensões. Acho até que está superdimensionado.
  • Já as regras de seguridade do RPPS tendem a piorar com as reformas da previdência, essa próxima e as várias outras que virão nos próximos 20 anos. É bem provável que as pensões por morte e invalidez sejam expressivamente reduzidas (já está em pauta). No caso do FUNPRESP ou da contratação de seguros privados, o que vale é o contrato e a disponibilidade financeira. É provável que, nos próximos anos, a seguridade contratada privadamente ou nos fundos fechados seja muito superior à seguridade social. Por incrível que pareça, a decisão de sair do RPPS, contratando os seguros corretos (ou entrando no FUNPRESP), pode reduzir os riscos de fluxo de caixa no caso de sinistros.
  • Há o risco de sucateamento do serviço público, esse risco não é desprezível (escrevi esse texto bem antes das mudanças propostas em 15/08). Achatamento salarial, redução de carga, PDV, está tudo na mira do governo. E continuará, pois o déficit pesado da previdência está no serviço público, em todos os níveis. Quando o Brasil estava “bombando” entre 2011 e 2014, os salários na iniciativa privada, para quem tem boa formação, estavam bastante atraentes. Se Dilma tivesse seguido o caminho proposto por Palocci e outros, de buscar o déficit nominal ZERO, talvez ainda estivessem todos na cadeia, mas a economia estaria voando. Nosso problema é essencialmente fiscal, se não houvesse isso, nossa economia estaria inundada de dinheiro barato (os juros seriam mínimos e sobra dinheiro no exterior). Seria altamente provável que profissionais bem formados deixassem o serviço público. Se isso acontecer, e você tiver 15 a 20 anos de contribuição ao RPPS, vai pensar duas vezes antes de sair e perder o dinheiro pago para a aposentadoria. Mas se esse dinheiro tiver sido acumulado no FUNPRESP ou em previdências privadas, o servidor poderá sair levando o dinheiro acumulado para a aposentadoria. A decisão fica bem menos difícil. Sair do RPPS reduz o risco de perder oportunidades por estar preso a um regime para o qual você já contribuiu muito.
  • Há o risco de gestão e de fraudes nas previdências privadas, inclusive no FUNPRESP. Ocorre que é possível diversificar as fontes de aposentadoria, como em outros fundos de previdência, fundos de investimento imobiliário, ações etc.. No RPPS há o risco de má gestão do orçamento público também, aliás, isso nem é risco, é certeza. Na verdade estamos trocando um risco sobre o qual temos algum controle (participação nas assembleias, troca de gestores, seleção de riscos da carteira, venda pura e simples etc.) por um risco sobre o qual nosso controle é apenas no voto nos políticos, e nunca deu muito certo.

Em resumo, com visão exclusivamente financeira (de riscos de fluxo de caixa), entendo que sair do RPPS foi “vender um ativo com perspectiva ruim” para selecionar e me posicionar em “ativos melhores e com maior diversificação”.

É evidente que, para quem tem 25 anos ou mais de contribuição ao RPPS e para quem está próximo de se aposentar (até 10 anos) os riscos são muito diferentes, até porque devem ter pouco tempo para acumular poupança privada. Talvez para estes a ideia seria apertar um pouco mais o cinto, renunciar a determinados padrões de consumo para acumular alguma poupança privada para compor com a aposentadoria pública e reduzir seus riscos.

Se eu pudesse resumir minha motivação para sair do RPPS diria apenas que entendo ser a coisa certa a fazer. Vou destinar a minha poupança com vistas à aposentadoria para investimentos privados e não para o orçamento público. Orçamento público não gera riqueza, aliás, há eloquentes exemplos no mundo inteiro que demonstram isso.

Se o Brasil entrar nos eixos e orçamento equilibrar, significa que a economia voltou a andar forte, gerar riqueza e pagar os impostos. Nesse caso os investimentos privados também devem dar resultado. Se o Brasil quebrar, é melhor ter a opção de mexer com a poupança acumulada privadamente (para comprar dólar, por exemplo, se a coisa for mesmo para o buraco) do que ficar com a expectativa de direito de receber uma aposentadoria de um estado quebrado.

A minha contribuição para a melhoria do Brasil é essa, reduzir o compromisso do governo comigo e destinar os excedentes para investimentos privados. Que espero que voltem com força. Os “investimentos públicos” já demonstraram que são sorvedouros de dinheiro, não geram qualquer riqueza.

Haverá leitores que vão me tomar por tolo, por acreditar em investimentos privados, em capitalismo etc.. Minha visão a esse respeito é bem simples. Há riscos nos investimentos privados, para esses riscos há cálculos de mitigação e diversificação. Posso acessar 4 grandes gestores para meus fundos de previdência privada, 12 ou 15 ações, mercado interno e externo, estratégias com opções etc.. Há riscos ao depender do governo para garantir meus proventos no futuro e para esses riscos eu não tenho nenhuma estratégia de mitigação, ninguém tem.

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O desastre de maio: Henrique “Mantega” Meirelles e Michel Temer “Rousseff” Lulia.

Posted on 30/06/2017. Filed under: Finanças |

Ontem (29.06.2017), ouvindo a CBN, começou uma propaganda da Petrobras, falando sobre a reestruturação da empresa. Não acho legal fazer propaganda institucional que não “vende” alguma coisa, parece desperdício de dinheiro, mas como a empresa estava muito desacreditada, compreendi a situação.

Ao final ouvi: “Petrobras, Governo Federal”. Qual é a lógica de fazer uma propaganda da empresa, para exaltar o controlador? Seria o mesmo que, há alguns anos, a Oi lançar a seguinte peça: “Venha para a Oi e obtenha 50% de desconto no primeiro ano de assinatura. Grupo Jereissati”ou o Itaú: “Juros mais baixos no cartão de crédito Personalité. Família Setúbal”.

Mesmíssima palhaçada que víamos e ouvíamos nos tempos de Inácio e Rousseff.

Ocultaram o resultado das contas públicas?

Não tinha conseguido ler o resultado das contas públicas de maio, que prometia ser absolutamente desastroso. Ouvi a CBN por mais de 1:30h e nada. Ao final do programa, perto das 19:00, Sardenberg citou que o déficit de maio foi recorde. Mas não elaborou nada, não chegou SEQUER a falar os números globais. Não citou número algum.

Aquelas chamadas de 30 em 30 minutos, que falam das principais notícias, não falaram NEM do próprio déficit, quiçá dos valores.

Por que ignorar algo tão estrondosamente desastroso?

Não sei se faz parte de algum pacote publicitário evitar alarde sobre notícias verdadeiramente ruins para a economia, que poderiam deixar os brasileiros e o empresariado mais pessimistas.

Mas a atitude frágil de Meirelles, diante de um desastre sem precedentes (já vou mostrar), mostra que estão querendo dourar a pílula até onde der.

O objetivo, assumido por Meirelles, de cumprir a meta de déficit, custe o que custar, a julgar pelos dados de maio e dos primeiros 5 meses de 2017, beira a irresponsabilidade. Vamos chegar em setembro sem saber onde cortar. Já há contingenciamento em gastos obrigatórios.

Já não é a primeira vez que Meirelles dá uma “Mantegada” nos dados econômicos. A comemoração do “fim da recessão”, com o tal aumento de 1% no PIB. Não há o que comemorar, principalmente porque a comparação é com o quarto trimestre dessazonalizado de 2016.

Se formos comparar com o primeiro trimestre de 2016, quando era Dilma ainda no comando, um caos na economia e ainda mais incerteza na política, com o petróleo a US$ 30 , dólar a R$ 4,00 e vários outros elementos horríveis, nossa economia CAIU 0,4%.

Isso mesmo. O primeiro trimestre de Temer perde para um primeiro trimestre ridículo, ainda sob o comando de Dilma.

O que há a comemorar, ministro?

Em mais uma “Mantegada”, o governo do Rio manobrou para aprovar um teto de gastos com base em 2015, ano de gastança generalizada, em vez de usar o ano de 2016, em que não havia o que gastar. Isso só foi feito por pressão do judiciário e do legislativo do Rio, que não queriam ficar restritos em seus orçamentos.

Ao que tudo indica, Meirelles vai topar essa manobra, e abrir os cofres para o Rio, os jornais do Rio só noticiam isso. Porteira que passa boi, passa uma boiada, virão outros, sedentos pelas mesmas benesses.

Vai pagar como ministro?

O desastre de maio

Todos já sabiam da queda da arrecadação em maio, mas o mercado errou FEIO a perspectiva de déficit para o mês. Estimavam entre R$ 12 bi e R$ 27,7 bi, na média R$ 19 bi.

E o que ocorreu? Impressionantes R$ 29,4 bilhões de déficit primário (sem contar os juros) para o mês de maio, o pior da história e acima da expectativa mais pessimista do mercado.

Não surpreende que não se queira alardear esses dados. Mas o Correio Brasiliense fez uma boa matéria sobre o assunto, que resumo para vocês a seguir.

Nossa meta fiscal desse ano é de R$ 139 bilhões de déficit, o que em si já é um vexame, mas conseguimos atingir inacreditáveis R$ 167,6 bilhões nos últimos 12 meses, terminados em maio.

O aumento das despesas em maio foi de 12%, a queda na receita foi de 1,6% em maio.

O que está acontecendo com as contas públicas, ministro? Não há investimento, não há receita, não há crescimento, só há buraco e crescimento de despesas.

A “expectativa” da secretária do Tesouro Nacional é de que os déficits sejam menores no futuro. Com base em quê?

Não bastam as “receitas extraordinárias”, que também estão difíceis de sair, pois o patamar de despesas não deve ceder, ou seja, se já estamos em 11,8% de alta com pessoal até aqui, mais 7,2% com benefícios previdenciários, não deve haver redução nestas rubricas nos próximos meses (comparando com o ano passado), principalmente porque, como se verá na tabela abaixo, não há muito espaço para reduzir ainda mais o investimento, já está mínimo.

Mantega?

O que me aborrece não é o resultado, mas a “Mantegada”, a falta de responsabilidade de assumir que, já em maio, comprometemos de morte a péssima meta estabelecida.

Ao fazer isso, ao tergiversar e transmitir mensagens tranquilizadores, nossos congressistas pensam que a situação não é urgente, que dá para empurrar com a barriga e barganhar um troquinho em apoio a Temer e às reformas, até o momento, pífias.

2018 é ano de eleição. É ano que não se corta nada, ao contrário, se gasta para garantir a reeleição.

Estamos próximos a um turning point, um momento em que, de manada, os investidores podem começar a desacreditar até em Meirelles e, por consequência, no próprio país. Se esse momento chegar, não haverá para onde correr, nem a tão sonhada redução de juros vai se manter. Vai fazer o quê, chamar o Armínio, ex-futuro-ministro de Aécio Neves?

Meirelles e sua equipe são o último fiapo de esperança dos donos do dinheiro mundial (e precisamos deles desesperadamente), caso se rompa, não vejo alternativa para recuperação da confiança.

Esperava menos “política” e mais economia de Meirelles.

Mansueto, corre daí…

Ps. Ao terminar essas mal traçadas linhas, vejo que o STF respondeu ao pedido de prisão de Aécio, não só negando, como mandando voltar ao Senado. E também que Fachin mandou soltar Rocha Loures.

Não me surpreenderia se grande parte dessa frustração de receitas seja de gente revoltada por pagar impostos, que faz questão de reduzir seu pacote de consumo ou evitar investir, para não municiar um bando de políticos e togados inconsequentes.

É quase um dever patriótico no Brasil tirar dinheiro dessa súcia que nos governa. Acho que a única solução vai ser deixar quebrar essa bodega, só assim para acabar com a mamata e a cara de pau.

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Por que não devemos temer Lula?

Posted on 23/06/2017. Filed under: Finanças |

É absolutamente inequívoco que Joesley sabe muito contra Lula e outros políticos, mas limitou-se, por enquanto, ao que atinge Temer, Aécio e satélites do PT e PMDB. Até Cunha está “jogando no ventilador”, confessando encontros suspeitíssimos (Cunha, Joesley e Lula em março de 2016? É assustador) provavelmente para forçar o STF a rever o acordo de delação.

É um tiro que pode sair pela culatra, pois se Joesley se julgar traído pela justiça brasileira, certamente fará um acordo semelhante nos EUA e entregará cada mísero detalhe da corrupção que ajudou a montar e irrigar.

Temer e seu ministro da justiça podem até estar torcendo por isso, mas um bilionário acuado, com 95% dos segredos ainda não revelados, e tentando manter seu negócio nos EUA, poderá deixar metade dos políticos brasileiros sem poder pisar em solo americano, quiçá sair do país. Rato acuado enfrenta leão.

É bom esses tupiniquins de colarinho branco lembrarem que o petrolão só explodiu depois que a auditoria independente da Petrobras se recusou a assinar o balanço, com receio das represálias violentas que poderiam sofrer nos EUA. É sujeira demais para pouco tapete, não será indolor.

Voltando a Lula

Mas, pelo que vejo, a principal vertente das teorias sobre a motivação de Janot e Fachin é a que estes estariam preparando o terreno para uma antecipação das eleições, dando espaço para Lula se candidatar. E pelo histórico medonho de Fachin de apoio ideológico ao PT e à Dilma Rousseff, não tiro o mérito da teoria.

Mas ninguém deveria ter medo de Lula candidato em eleições diretas, nem agora, nem em 2018 e nem nunca mais. Seus seguidores fiéis, aqueles que votariam nele mesmo se fosse filmado estuprando uma criança, talvez consigam um piso de 15% a 20% em majoritárias nacionais, mas Lula precisaria de mais, e não tem de onde tirar. Explico.

Lula é um ilusionista, um prestidigitador. Lula só funciona quando consegue emplacar um sistema de propaganda para disseminar as narrativas que lhe convém. E isso não depende só dele, depende, e muito, das circunstâncias.

Em 1989, 1994 e 1998 ele tentou isso. Como o representante dos trabalhadores (mesmo sem trabalhar), contra a elite, contra a Globo, contra o sistema financeiro, contra os EUA etc.. Deu completamente errado, perdeu primeiro para um neófito combatente de funcionários públicos abastados (marajás) em 1989, depois perdeu para o Plano Real em 1994, que tinha poucos meses de implantação e ninguém sabia se iria dar certo, e em 1998 para uma mínima sensação de bem-estar e riqueza, produzida pela queda da inflação, pelo frango a R$ 1,00 e pelo dólar baixo (artificialmente). E essas duas últimas, perdeu no primeiro turno.

Em 2002, 2006, 2010 e 2014 conseguiu sucesso na construção de narrativas. Mas as circunstâncias foram mudando. Muito.

Em 2002 iria perder a eleição, até que alguém resolveu forçá-lo a assinar uma carta de compromisso com a estabilidade. E, como não é burro, narrativas à parte, ao ser eleito continuou com a austeridade, quase que de forma intocada, durante 6 a 7 anos, no período mais longo sem crises, internas e externas (salvo o soluço do mensalão), da história recente do país.

Lula teve a faca e o queijo nas mãos para organizar o país de forma a manter seu grupo no poder por mais 30 anos. Não faltaram propostas, inclusive, e principalmente, de petistas em quem ele confiava, para mirarmos o déficit nominal ZERO.

Mas Lula é escravo da narrativa. Para ele, o mundo que facilita o discurso é mais interessante do que o mundo real. E ele se perdeu da realidade entre 2008 e 2010, ao assumir a narrativa da marolinha e conduzir todo o futuro do Brasil para “provar”que a crise não nos atingiria.

Repetiu as políticas de Andreazza e Delfim no início da década de 1980, quando expulsaram Mário Henrique Simonsen do governo e convenceram os militares de que conseguiríamos nadar da contramão da austeridade mundial. Tivemos uma década perdida lá, aqui teremos, possivelmente, 2 décadas perdidas.

Tudo para manter a narrativa triunfalista de PACs, Pré-sal, política contracíclica, MCMV, bolsas, revolução cultural, universidade para todos (Lula viaja até hoje no jatinho do dono da Kroton), Indústria Naval forte, Crédito farto para todos e muita retórica bonita que causou desarranjo fiscal severo nas contas dos governos. O Rio de Janeiro é só o primeiro a mostrar os efeitos mais devastadores desse desarranjo.

Os adversários.

A eleição de Dilma em 2014 nos remete a outro problema que garantiu a Lula ser eleito e manter seu sucessor, mesmo em situações adversas. Os adversários. Não vou tratar da fragilidade intelectual e moral de Aécio, Alckmin, Serra e outros, mas apenas demonstrar que eles não representam, em absoluto, os valores básicos dos brasileiros.

Dizer que o brasileiro gosta de governo grande é uma meia-verdade, pois gostar de receber benesses dos governos não é privilégio do brasileiro. Quando a Suíça fez um referendo sobre um salário mínimo a ser pago pelo governo de 6.000 euros por mês, 60% da população foi contra. Mas tinha 40% querendo a mamata. Não é privilégio de brasileiro querer um quinhão do orçamento público.

Existe o outro lado também, a parte do brasileiro que ODEIA o governo e o Estado. É a parte do brasileiro que tenta empreender, que tem que deixar 50% de sua renda em impostos, que não consegue andar nas ruas sem medo, que detesta políticas frouxas contra criminosos, que fica anos esperando uma cirurgia de catarata, que paga 3 vezes mais caro por bens acessíveis a todos em países desenvolvidos, que leva 30 anos para ter esgoto tratado, 20 anos para ter um metrô só esperando até que os políticos possam dividir a propina etc.

O brasileiro médio tem muito mais motivos para detestar um estado intrometido e musculoso do que para adorá-lo. Principalmente se não estiver nas castas privilegiadas.

Além disso, o brasileiro é, em sua maioria, um povo conservador, de modos simples e pensamento direto. Essas sofisticações de esquerda (PSDB é de esquerda, enrustida, mas é) funcionam como poesia econômica, mas o povo não entende nada disso. E não entende porque não é para entender mesmo, pois não faz sentido algum.

Para que ter medo de Lula em 2018?

Lula vai precisar adotar um discurso para 2018. Como ele vai conciliar o estado de completa destruição orçamentária do Brasil com sua narrativa de salvador da pátria?

Uma coisa é certa. O discurso incendiário de 1989 não o levará nem para o segundo turno. Mirar no sistema financeiro, nos rentistas, na renegociação da dívida, na baixa dos juros na marra, no aumento do gasto público, aumento de concursos etc., não funcionou NUNCA para Lula, mesmo quando poderia funcionar.

Esse discurso é inviável por conta de uma característica simples do cálculo financeiro. Investidores compram “valor presente de fluxos futuros”, se há uma perspectiva de que um candidato lhes tirará esse fluxo futuro, ou o reduzirá bastante, tudo se refletirá HOJE. Isso significa que praticamente TUDO vai explodir. Juros nas alturas (juro não é vontade política, é resultado de leilão), dólar em 6 reais, calotes generalizados nas dívidas das empresas e risco iminente de calote na dívida mobiliária interna. A semelhança com 2002 não será mera coincidência.

E esse desastre não vai esperar para acontecer em 2022, mas ocorrerá já em meados de 2018, bastando Lula ter alguma chance e os adversários continuarem fraquíssimos como foram em outras eleições.

Outro ponto, com esse discurso quem vai financiar o partido e a campanha? Os sindicatos de metalúrgicos da Alemanha Oriental, o ouro de Berlim, os petrodólares de Chávez, os pesos cubanos, as contas bloqueadas com o dinheiro da corrupção ou Jack Sparrow?

Ou será que Lula reencarnará o “paz e amor” e defenderá as reformas da previdência e trabalhista, a austeridade, o respeito aos contratos e a redução do gasto público?

Fica difícil de saber em que situação ele perderia mais votos, se assumindo o discurso de sua militância ou traindo seus devotos.

De novo,  os adversários.

Outra questão nova em 2018 serão as narrativas de contrapropaganda e os interlocutores.

Nunca houve debate político no Brasil, apenas diferentes matizes da mesma verve totalitária de esquerda, sempre em direção ao massacre dos direitos dos indivíduos em nome de um INEXISTENTE direito do povo e da coletividade. Direito da coletividade é um eufemismo teórico que serve apenas ao propósito de impor severas restrições aos direitos dos indivíduos. No Brasil esse modelo imperou e proliferou, principalmente a partir da constituição de 1988, aquela que garantia os direitos na canetada.

Isso acabou. Esse debate político monocromático, em 50 tons de vermelho, acabou. Haverá discurso para todo gosto em 2018. Desde aqueles fortemente armamentistas, que já em 2003 no estatuto do desarmamento representava 70% dos brasileiros, hoje talvez atinja 80% ou mais, até os radicalismos antiestatais.

Todos esses discursos são melhores e mais aderentes à verdadeira característica do povo brasileiro do que as narrativas de Lula.

É tolice achar que o brasileiro é de esquerda só porque curte receber dinheiro do estado. Ele pode curtir e ser de direita. Mas todos se encontram no mesmo lugar, detestam burocracia, detestam pagar impostos excessivos, detestam impunidade, odeiam a bandidagem e consideram os serviços públicos péssimos e muitíssimo piores do que os serviços privados.

Quem acompanhou os debates em SP viu que João Dória foi atacado com todas as falácias clássicas da esquerda, procuraram elitizá-lo, ele aceitou de bom grado, criticaram sua casa de milhões, ele disse que era dinheiro de trabalho, nada colou, saiu de 2% para a vitória no primeiro turno, CONTRA SEU PRÓPRIO partido, ou boa parte dele.

É improvável que Lula vença os debates com suas antigas armas, seja com Dória, Bolsonaro ou derivações, sem a proteção do esgarçado kevlar do politicamente correto.

De que adianta chamar alguém de armamentista, militarista etc., se ele se assumir assim, defender suas posições e estiver em consonância com grande parte do eleitorado?

Lula, e seus postes, precisam de um borra-botas da esquerda enrustida, acuado, para vencer. Foi assim com Alckmin, Marina, Aécio, Serra etc.

Se as pessoas não acharem loucura os discursos agressivos contra a bandidagem, não adianta invocar estatuto de direitos humanos ou o ECA para combater o discurso, só vai perder voto.

Se as pessoas não acharem loucura a privatização em massa, a redução do estado, a redução de privilégios de castas de servidores, não vai adiantar falar em estado grande, em grandes campeões nacionais, em investimento público, só vai perder voto.

Entendam que não é Dória ou Bolsonaro que representam a mudança, mas o reconhecimento de que não se combate propaganda com teses de doutorado e dados oficiais, propaganda se combate com técnicas de comunicação e, principalmente, com a criação de narrativas mais fortes, mais verossímeis do que a narrativa imposta pelo adversário.

Muitos candidatos já perceberam isso. Lula não está preparado para atacar valores capitalistas e ver o oponente agradecendo o ataque e exaltando os mesmos valores. Lula está acostumado a pseudo-capitalistas envergonhados. Esses também estão extintos. O PSDB, salvo Dória ou similares, não tem a menor condição de emplacar um quarto lugar com seus clássicos, inodoros e insípidos “cabeças brancas”.

E se tudo der errado e Lula ganhar?

Aí teríamos uma noção do que teria sido sua vitória em 1989. Em 2019 pegaria um país completamente esfacelado, insolvente e com uma dívida interna praticamente impagável.

Sei que o leitor não costuma ter intimidade com o orçamento público, mas pode acreditar, nunca houve momento mais terrível do que o atual. São previsões de déficits colossais por 3 ou 4 anos seguidos, e nem essas metas horríveis estão sendo cumpridas.

A expectativa otimista, mesmo com a reforma de previdência, é de que não haverá nenhum centavo livre para investimento público já em 2024. Essa é a otimista, mas é bem provável que o choque orçamentário venha bem mais cedo.

Lula vai enfrentar isso com papo furado?

É provável que ocorra tudo de novo se ele vencer em 2018. Impeachment ou renúncia em 2 anos, talvez eleições antecipadas, agora com um discurso radicalíssimo ANTI-estado, demissões em massa de servidores, isso se não formos ainda mais para trás, e buscarmos a saída em uma nova constituição.

E essa nova constituição será radicalmente ANTI-estado, por um motivo simples, não haverá estado, apenas diarreia orçamentária e pobreza.

Em resumo, uma derrota de Lula, o evento mais provável, representaria o fim ordeiro e concatenado de uma era, o fim de uma experiência sociológica de esquerda que deu errado, em praticamente todos os seus aspectos. São 30 anos da Constituição-cidadã e o país é uma grande merda. Deu errado, muito errado.

Já uma vitória de Lula seria o fim, desordenado e caótico, dessa mesma experiência ideológica, porém o país que se reconstruirá a partir dessa mudança ainda é uma incógnita para mim. Apostaria numa secessão controlada, com quase extinção do nível federal, criação de Estados ou regiões com constituições soberanas, leis próprias etc. Acho que a federação não sobrevive.

A esquerda, tal como foi concebida no Brasil, acabou. Lula é apenas uma decisão sobre como querem ser enterrados, se em caixão fechado, sem expor o odor mortis, ou com missa de corpo presente, a empestear o Brasil, novamente, com o cheiro de ideias mortas há pelo menos 3 décadas, e que nem deveriam ter nascido.

O inimigo agora é Temer, se vencer a queda de braço com a sociedade, sairá poderosíssimo. O melhor para o país seria um outsider eleito presidente indiretamente, dando todo apoio à lava-jato até as eleições de 2018.

Esqueçam Lula. É um passado que já não serve mais.

 

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Temer Fica para a Economia Melhorar? Vocês entenderam tudo errado!

Posted on 19/05/2017. Filed under: Administração, Finanças, Política |

Quem pensa assim não faz ideia da REAL origem de nossa crise econômica. É muito diferente do que as pessoas pensam.

Falta de dinheiro público é só uma parte da explicação

É inegável, basta ver as contas do governo, a carga tributária e a relação dívida/PIB para constatar que o estado Brasileiro está em vias de falir. Falir mesmo, não aquelas bobagens que o PT dizia de FHC, que quebrou o Brasil 3 vezes. Nada disso, agora a coisa é real.

A expectativa do Itaú e de outros bancos é que, sem a reforma da previdência, chegaremos em 2 anos à fatídica relação dívida/PIB de 100%. Com juros ainda altíssimos. Isso é absolutamente insustentável.

Como o Brasileiro sente essa crise orçamentária?

Os governos do PT distribuíram alguns trilhões de reais na economia, seja com repasses diretos ou crédito subsidiado, tudo obtido a base de endividamento da União e das empresas públicas. Esse dinheiro na economia deu a (falsa) impressão de riqueza e prosperidade. Soldadores com salário de R$ 10.000 e operadores de guindaste ganhando mais que analistas do Banco Central foram apenas reflexo dessa exuberância de dinheiro público na economia.

Ocorre que essa fonte secou. Não só momentaneamente, mas para sempre. O único “motor” que os políticos brasileiros conhecem para mover a economia é o gasto público. Não temos mais acesso a isso. E teremos menos ainda no futuro.

MESMO com as reformas, a previsão é de orçamento cada vez mais apertado e a trajetória da dívida continuará explosiva, apenas ganhará uma sobrevida de alguns anos.

Em resumo, o Batman de outrora (dinheiro público na veia) não pode ser mais chamado. Está aposentado por invalidez permanente.

Quem poderá nos salvar?

Agora vem a REAL explicação do tamanho de nosso buraco econômico.

Dado que não há, e não haverá, excedentes de orçamento público para investimento, precisaremos contar com os excedentes de poupança privada. Mas é claro que isso NÃO EXISTE no Brasil. Nossa poupança privada nacional é pífia.

Mesmo durante o boom de aberturas de capital entre 2005 e 2008, mais de 80% do dinheiro era estrangeiro.

No exterior há vários trilhões de dólares investidos em títulos que rendem juro negativo, mas mesmo assim o Brasil não passa nem perto de ser um potencial destino para esse dinheiro. Preferem ter perda certa e pequena lá fora, do que se aventurar em terra brasilis.

Por quê?

Não amigo, não é pela crise política, não é pelo Foro de São Paulo, não é pela narrativa do golpe, não é nada disso. É por um motivo bem mais simples.

Existe um cerco violentíssimo contra a corrupção e a lavagem de dinheiro no mundo, há acordos de compartilhamento de informações entre bancos centrais e departamentos de justiça de vários países. Mesmo os paraísos fiscais mais relutantes, como o Panamá por exemplo, estão aos poucos cedendo à pressão internacional.

O que explodiu o sistema criminoso não foi o juiz Moro, ele foi uma parte apenas. O que foi definitivo para ruir o sistema foi o auditor da Petrobras ter se negado a assinar o balanço do terceiro trimestre de 2014.

O castelo de cartas da corrupção ruiu por medo dos fornecedores de serviços da Petrobras de sofrerem processos bilionários nos EUA e em seus países de origem. E foi exatamente o que aconteceu, e acontece até hoje.

Pouca gente acompanha os efeitos da lava-jato nos fornecedores estrangeiros da Petrobras, mas praticamente todos os envolvidos estão sendo (ou foram) processados em seus países de origem e até nos EUA, com pagamento de multas bilionárias e prejuízos gigantes. Prejuízos muito maiores do que os ganhos que tiveram por aqui.

E a tendência, a partir desses acordos internacionais anticorrupção e lavagem de dinheiro, é restringir ainda mais os recursos para países em que a corrupção é um método corriqueiro de fazer negócio.

A própria JBS, para conseguir se manter nos EUA, terá que fazer um acordo de leniência com as autoridades locais, com multas bilionárias e sanções pesadíssimas. Eles sabem disse e já iniciaram as conversas por lá.

E foram várias empresas brasileiras buscando acordos com o Departamento de Justiça dos EUA (e aqui também). Braskem, Embraer, Eletrobrás, Odebrecht, OAS etc., se enrolando com a justiça americana e brasileira.

Até pouco tempo atrás o risco moral e financeiro de participar de um sistema corrupto como o brasileiro era relativamente baixo. Não tínhamos notícias, até 2014, de empresas brasileiras processadas nos EUA e na Europa, fazendo acordos milionários (às vezes bilionários) para se livrar de sanções penais e administrativas no exterior.

E isso não é exclusividade do Brasil, os EUA penalizaram severamente bancos europeus envolvidos na crise de 2008, isso inclusive foi um dos motivos para o surgimento desse novo modelo de governança. Risco é custo e o risco da corrupção ficou altíssimo nos últimos 10 anos.

Esse movimento NÃO TEM VOLTA.

Se o Brasil quiser voltar a ser destino de pesados investimentos estrangeiros, e dinheiro há aos montes, além de ótimos projetos a realizar por aqui, precisará convencer as empresas e os investidores de que é possível fazer negócio por aqui sem o risco moral e econômico de fazer parte de uma teia criminosa.

Acreditem, é tão simplório quanto isso. Relação risco e retorno, tanto moral quanto econômica.

Para quem não sabe, a lei norte-americana (Foreign Corrupt Practices Act) permite responsabilização criminal e cível de qualquer ato de corrupção de qualquer empresa que tenha interesses nos EUA, seja ela americana ou não, esteja ela atuando nos EUA ou não. É uma lei criada para garantir a entrada de empresas norte-americanas em países altamente corruptos, onde essa prática destrói o ambiente competitivo. Outro objetivo é proteger investimentos de cidadãos americanos fora de seu país.

Lula ODEIA essa lei e já externou isso. É essa lei, que tem derivações em outros países, que assombra empresas que operam em países como Brasil e Venezuela. Lula acha que é uma invasão de soberania, mas na verdade o que ele quer é que o “jeitinho corrupto brasileiro” continue.

Antes da cooperação internacional o custo de pagar propina no metrô de SP ou na Sete Brasil era aceitável para esses operadores, hoje o custo é muitíssimas vezes maior do que qualquer lucro que se pode conseguir extrair desses contratos. Não vale a pena correr o risco.

É essa equação que explica nossa crise econômica, atual e futura: Falta estrutural e crescente de dinheiro público, falta de ambiente saudável e leal para investimentos privados e uma guerra entre os organismos da justiça e as várias organizações criminosas infiltradas em todas as instâncias de poder do país.

Independente das narrativas de esquerda e direita, dos Reinaldos Azevedos da vida e das viúvas de Dilma, o áudio e o comportamento de Temer, para qualquer investidor estrangeiro, é crime e demonstra que temos um mafioso sentado na cadeira de presidente. É um homem a serviço da proteção do mesmo sistema corrupto que destruiu reputações, empresas, empregos e fortunas, mas que insiste em se manter de pé no país.

E assim não tem negócio. Antigamente valia correr o risco de pagar o custo Brasil, no que se refere à corrupção, hoje não vale mais a pena investir bilhões e correr o risco de ser processado em seu país, multado em outros bilhões e, pior, ainda perder o dinheiro investido por aqui. O risco não se paga.

Há coisas sobre a qual ter dúvida é uma ingenuidade à qual não posso ceder.

Não tenho dúvidas de que Temer é apenas mais um proposto da organização criminosa que assola o país há décadas. Isso é muito claro para todos os operadores, em todos os países. A eventual vitória de Temer, mantendo-se na presidência e implantando as reformas parecerá uma vitória do Brasil, mas é só o caminho mais óbvio de fortalecimento da máfia. Acabamos de ver isso acontecer com Lula e a “Carta aos Brasileiros”. Seguir a cartilha do FMI e da austeridade, manter as regras do Plano Real foram só instrumentos para se perpetuar no poder, com volumes de propina inimagináveis. Era virtude de um lado, lamaçal de outro. Deu no que deu.

Se Temer vencer, sair ileso, e aprovar as reformas (o que considero praticamente impossível), será um vitória de Pirro para o Brasil. Venceremos da mesma forma de sempre, com a corrupção como método e a cara de pau como script.

Não torça por Temer, ele é exatamente a mesma coisa que Dilma e Lula, só mais envernizado.

A única saída duradoura para o Brasil é pela virtude. Não sei se vamos conseguir, mas certamente não será com Temer, Lula, Aécio ou adjacências.

Ps. Antes dos áudios talvez pairasse dúvidas sobre quem é Temer, eu mesmo lhe dava o benefício da dúvida. Mas depois não há mais NENHUMA dúvida. Por mais que se queira defender as reformas, é evidente que Temer é um inimigo da Lava-jato e agirá assim nas oportunidades que tiver. Lamento pelo Brasil, mas temos que tocar as reformas com outro personagem. Espero que seja rápido.

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Bolha Imobiliária – Arrecadação de ITBI no Rio de Janeiro em 2017 cairá a níveis de 2011.

Posted on 13/05/2017. Filed under: Administração, Finanças, Política | Tags: |

É um título forte, mas essa é uma previsão até otimista a respeito da arrecadação do ITBI na cidade do Rio de Janeiro para o ano de 2017.

A prefeitura, a partir da arrecadação de R$ 625 milhões em 2016 está prevendo para 2017 R$ 645 milhões. Ocorre que, até 13 de maio, havia atingido apenas R$ 166 milhões. Considerando a sazonalidade histórica (obtida dos dados mensais de ITBI), com forte concentração em novembro e dezembro, dá para estimar, se o mercado continuar com o mesmo apetite, que atingirá cerca de R$ 598 milhões, bem próximo da arrecadação de 2011 (ver tabela abaixo)

Aliás, a última vez em que os quatro primeiros meses  de arrecadação do ITBI estiveram na faixa de R$ 160 milhões foi em 2011 mesmo (R$ 165 milhões).

Vale lembrar que tanto o passado quanto o horizonte visível em 2011 eram infinitamente melhores do que em 2017. Vínhamos de um PIB crescendo 7,5% em 2010, e os juros atingiriam, em alguns meses, 7,25%. Além disso, atingiríamos em breve o pleno emprego e a expectativa do trabalhador e do mercado era a melhor possível. 2017 não se parece com 2011.

E pior, 2018 ainda é ano de eleição. Ano em que políticos são especialmente incompetentes e irresponsáveis. Não surpreenderia se o final de 2017 fosse (bem) pior que o final de 2011.

Isso tudo em valores nominais. Sem desconto da inflação.

Se descontarmos o INCC (inflação dos custos da construção civil) de um período iniciado em 2008, por exemplo, o valor previsto para a arrecadação do ITBI nesse ano será equivalente em termos reais ao de 2008.

Ano 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017P
ITBI R$ mi 344  388  494  589  744  786  737  667  625 598
INCC 3,20% 7,57% 7,58% 7,26% 8,07% 6,74% 7,22% 6,34% 1,10%
INCC Acumul 3,20% 11,01% 19,43% 28,10% 38,44% 47,77% 58,43% 68,47% 70,33%
Atualizado  344  376  445  493  581  568  499  421  371  351

Falta de dados…

Infelizmente a prefeitura poderia, com facilidade, pois são informações parametrizadas, prover dados robustos sobre as vendas de imóveis na cidade. Seria facílimo, por exemplo, nos fornecer o número de imóveis negociados, a metragem acumulada, as regiões da cidade etc. Saberíamos praticamente tudo do mercado de imóveis em nossa cidade. Mas não há onde achar essas informações.

Nos EUA quando você vai comprar um imóvel, consegue todo o histórico das últimas negociações do mesmo. Está na internet. Aqui no Brasil, tem que pagar um cartório para tirar uma certidão de ônus reais. Custo Brasil, mais motivos para nossa pobreza.

Voltando à bolha, o que sabemos é que os imóveis subiram, entre 2008 e 2017, muito mais do que o INCC acumulado. Quando trazemos a valor presente (para o final de 2008) a arrecadação prevista, e otimista, de 2017, há equilíbrio com a arrecadação de 2008. Porém, é razoável crer que os imóveis tenham subido, pelo menos, 3 vezes mais do que o INCC (210%). Eu até arriscaria que subiram mais do que isso, talvez umas 4 ou 5 vezes.

É bastante plausível que, em quantidade vendida, tenhamos menos de metade do que se verificou no fraco ano de 2008. Talvez bem menos da metade. Não surpreenderia se, em quantidade, estivéssemos vendendo menos de 1/4 das unidades que vendíamos em 2008 e 2009. O balanço da Brasil Brokers mostra uma realidade até pior do que essa.

Conceituando bolha

Bolha nada mais é que a observação de preços excessivamente irreais em um grupo de ativos. Mas nem sempre a bolha “estoura” como poderíamos esperar. O que estamos vendo, com certa clareza, é que os imóveis continuam com valores bem superiores à renda do mercado interessado, fenômeno que expliquei no início de 2014, motivo pelo qual há menos negócios, bem menos negócios, acontecendo.

Aliás, as incorporadoras não ajudam no processo de aquecer o mercado. Um dos mais importantes drives para compra de um imóvel e ter vendido outro. É bem mais comum alguém dar uma entrada de R$ 700 mil porque vendeu um imóvel por R$ 600 mil, do que alguém pegar R$ 700 mil da poupança privada que fez ao longo de anos e se descapitalizar para imobilizar esse dinheiro.

Como as incorporadoras pedem R$ 15 a 20 mil no metro quadrado, não resta opção ao interessado a não ser vender seu imóvel usado por R$ 12 a R$ 14 mil o metro quadrado.

E encalha, invariavelmente, encalha. Se o imóvel novo custasse R$ 12 mil (e existem alguns em botafogo e no jardim oceânico, mas também não estão vendendo) o metro quadrado, o interessado poderia baixar o seu para uma faixa bem mais acessível e dar liquidez no seu imóvel.

É um verdadeiro ciclo vicioso, de expectativas irreais e de muita perda econômica. Os balanços das construtoras não me deixam mentir.

O custo de oportunidade que ninguém entende.

É tolice esperar 2 anos para vender um imóvel por se recusar a dar 25% de desconto (em 2 anos você já poderia recuperar esse dinheiro com facilidade no mercado de renda fixa), mas é o que a maioria faz.

Não nota que 1 ano de espera representa 12% a 15% de custo de oportunidade jogado no lixo.

A continuar esse marasmo financeiro no Brasil, e não há muitos motivos para acreditar em recuperação firme antes de 2019, é provável que os preços reais dos imóveis (descontados pela inflação) em 2019 estejam em patamares próximos aos de 2010.

Vão continuar sendo pra lá de milhão, mas representando coisa semelhante ao preço de 2010.

Quais os sinais antecedentes de melhora?

Antes de aquecer o mercado imobiliário, será necessária uma melhora substancial em vários fatores. No emprego e na renda é algo básico e evidente. Mas também os bancos precisam repassar as quedas nos juros da SELIC para essas linhas de financiamento. Ainda não está acontecendo e, mesmo que a SELIC chegue a 1 dígito, rapidamente, não há garantias de transferência das quedas para o consumidor.

Aqui no RJ a coisa do emprego é mais delicada. A estimativa do ex-presidente, de 600 milhões de desempregados no setor de óleo e gás, é um pouco exagerada. Algo como 300 mil BONS empregos desapareceram aqui no RJ. Um pouco menos que os 600 milhões, mas ainda assim um péssimo número.

Há a questão dos servidores, tanto estaduais quanto municipais (se Crivella não estiver blefando, o dinheiro vai até setembro). Há o estoque boçal de imóveis na Zona Oeste, em especial Jacarepaguá e o Lado B da Avenida das Américas. O estoque do consórcio Carvalho Hoskem – Odebrecht na vila Olímpica é indecente. E olha que os imóveis da Vila do Pan AINDA não foram todos vendidos. O Pan foi em 2007.

That´s it Folks. Há o caminho do giro, que significa adaptar-se ao mercado, há o caminho da margem, que significa esperar o mercado se adaptar a você.

Por enquanto o mercado do Rio de Janeiro é um non sense só. É péssimo para ambos os lados, para compradores e vendedores. Não há non sense maior do que um mercado ruim tanto para vendedores quanto para compradores. Ou há um ajuste nas percepções e expectativas, ou vamos continuar fazendo cada vez menos negócios, como bem mostram os números.

Estamos no fundo do poço?

Naturalmente o poço tem fundo, mas não me arrisco a dizer que já chegamos a ele. Se fosse obrigado a apostar, apostaria em 2018 como fundo do poço, caso a reforma da previdência passe e elejamos um ser humano racional e menos comprometido com o lastro de falcatruas dos últimos 517 anos.

Mas se a Reforma da Previdência não passar, o que NÃO É IMPOSSÍVEL, aí o fundo do poço vai se movimentar bastante. Alegremente e serelepe para baixo.

E se ainda por cima elegermos um “cerumano” irracional, que chuta 600 milhões de desempregados sem perceber a bobagem que fala, por exemplo, aí o fundo do poço será como o tempo na física quântica. Teremos que remodelar o conceito para compreendê-lo. Vai ser bem feio. Recomendo estoques significativos de Rivotril, dólar e latinhas de atum.

Parece pessimismo, mas é só o caminho de sempre aqui em Vera Cruz.

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Bolha imobiliária. O resultado (assustador) da Brasil Brokers

Posted on 31/03/2017. Filed under: Finanças, Política | Tags:, , , , |

Vivemos uma realidade ainda bizarra no Rio de Janeiro. A violência está aumentando de forma MUITO evidente, as UPPs fizeram água, os morros onde tinham dado certo, na Tijuca, Botafogo, Copacabana e Ipanema, vivem aos tiros por aqui.

E, apesar de haver oportunidades quando há alguém REALMENTE interessado em vender (e que dê sorte de encontrar alguém realmente interessado em comprar), ainda há loucuras inomináveis como aptos a R$ 12.000 o metro quadrado na rua Bento Lisboa, a poucas centenas de metros de um morro barra pesada. E em um lugar bem feio.

No condomínio Morada do Sol há gente pedindo R$ 900.000, mesmo preço de 2013, e outros pedindo R$ 1.400.000, ambos em estados semelhantes. Isso não é mercado, é non sense.

Mas isso é problema de quem está interessado em vender e em comprar. Nós aqui vamos mostrar o inacreditável resultado da Brasil Brokers.

Brasil Brokers (BBr)

Quem mora no Rio e se interessou por imóveis nos últimos anos deve ter percebido que o nome Brasil Brokers foi crescendo assustadoramente no mercado de corretagem. Praticamente todas as corretoras se coligavam, algumas eram compradas e incorporadas.

A BBr não é construtora ou incorporadora, é uma empresa de intermediação (corretora). Seus dados são interessantes para mostrar o que REALMENTE vendeu e por quanto. E a quantas anda o mercado.

As demonstrações financeiras são um desastre, mas aqui vamos tratar apenas dos dados históricos operacionais, e ver o quanto eles nos dizem sobre os últimos 8 anos do mercado imobiliário.

Resultados Br Brokers 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016
Vendas (R$ Milhões)   11.025     15.303     17.569   18.897   16.815   12.324     7.037     4.880
Unidades vendidas   56.769     68.128     74.130   60.676   41.308   28.723   20.058   11.215
Ticket médio R$ mil       194 225 237 311 407 429 351 435
Unidades lançadas   77.839   102.451   128.414   89.470   79.980   61.946   33.824   29.424
Lançados – vendidos   21.070     34.323     54.284   28.794   38.672   33.223   13.766   18.209
Lançados/vendidos 1,37 1,50 1,73 1,47 1,94 2,16 1,69 2,62

 

A irracionalidade do mercado em números

Perceba que a BBr saiu de vendas na faixa de R$ 11 bi para quase R$ 19 bi entre 2009 e 2012, um ano antes do auge da bolha de preços.

Atingiu o volume máximo de vendas em 2011, 74.130 unidades.

Quem viveu esse mercado deve lembrar que a coisa cresceu seriamente (em termos de preço) entre 2011 e 2013, e isso dá para ver nos preços médios de vendas, saindo de R$ 237 mil para R$ 407 mil. A carteira da BBr também trabalhava com imóveis mais baratos. Os balanços não dividem as vendas por região, apenas por categoria.

O interessante dos números é que eles mostram, com clareza, como as pessoas e os empreendedores tomam decisões erradas, com base apenas em dados passados.

Quem me acompanha no blog sabe que escrevi EXATAMENTE nessa época que, ao menos no RJ (imagino que nos outros estados não fosse diferente), os imóveis tinham atingido valores irracionais para a renda da população. Não que não pudessem pagar, mas para morar num apto novo no Catete você precisaria de um casal de Juízes. Isso é non sense. Relendo todos os meus posts, vejo que era tudo meio óbvio. Mas as pessoas curtem mesmo se enganar.

Voltemos aos resultados…

Entre 2009 e 2012 houve algum equilíbrio entre lançados e vendidos, em torno de 1 vez e meia. Provavelmente por força do momento pujante, as apostas quase dobraram. Perceba que a relação lançados/vendidos aumentou muito, e mesmo com a redução recente nos lançamentos (de 2015 para cá), como as vendas são muito fracas, a relação explodiu. Mesmo em 2016 para cada unidade vendida, foram lançadas 2,62 unidades.

É um desequilíbrio duradouro, vai demorar bastante para cair. Mesmo que se equilibre o número de lançamentos, ainda há um estoque considerável para comercializar.

Quem passa ali na região Olímpica da Barra, no empreendimento da Carvalho Hosken com a Odebrecht (vila Olímpica, Ilha Pura), se assusta. São milhares de aptos completamente vazios.

Como os prédios são escuros, fica parecendo um mausoléu vertical. Sem exageros.

O volume de vendas e lançamentos

Do ápice de 74 mil unidades em 2011, fomos a 11 mil unidades em 2016. Uma queda de mais de 7 vezes.

2015 já foi um ano péssimo, conturbado e de queda brutal no PIB. Ainda assim, 2016 conseguiu ter queda de quase 50% no número de unidades vendidas.

Tivemos 128 mil lançamentos em 2011 e apenas 29 mil em 2016. Ainda assim o mercado absorve, percentualmente, muito menos.

Por que os preços não caem?

Essa não é uma questão simples.

Há o grupo dos investidores/gestores profissionais, o grupo dos que tem apenas um imóvel e o grupo das famílias que têm vários imóveis.

Profissionais

O resultado da PDG saiu no dia 29/03/2017. Um desastre assombroso. Prejuízo de R$ 2,4 bilhões SÓ no quarto trimestre.

São 5,4 bilhões de prejuízo em 2016, patrimônio líquido virado (passivo a descoberto) de R$ 3,4 bilhões e incríveis R$ 5,8 bilhões de passivo circulante, para quitar em até 1 ano. Profissionais também erram.

Recuperação judicial é legal, mas não faz milagres.

Os gestores profissionais dos fundos de investimento imobiliário atuam com a lógica financeira clássica. Oferta e demanda. Não há demanda, baixa-se o preço. E ainda assim a vacância é muito grande. O BRCR chegou a alugar para a TIM, empresa grande e com $$$, com 2 anos de carência. 2 anos sem pagar aluguel.

Como há muita liquidez nas cotas, o preço de mercado dos imóveis, com base nas cotas, chegou a desabar até 60% em alguns fundos.

Os pequenos e médios incorporadores e construtores continuam querendo dar vazão os terrenos caros que compraram na Zona Sul e Barra. Uma “zapeada” vai mostrar imóveis por empreitada em Botafogo e Jardim Oceânico a preço que eles chamam de “custo”, menos de R$ 9.000 o metro quadrado.

E, mesmo sendo poucas unidades e muito mais baratos do que as opções novas ou usadas do mesmo nível, os empreendimentos não decolam. E o motivo é simples. Famílias raramente compram imóveis nessas condições e não há mais investidores.

Antes, esses negócios voavam, pois havia muita gente disposta a comprar na planta e revender a posteriori. Isso acabou. Na verdade, quem tem dinheiro está esperando para ver até onde vai o mercado para entrar.

Um FII de participações (BPFF11) acaba de aprovar um aumento de capital de 40%, buscando dinheiro novo dos cotistas para aproveitar eventuais oportunidades de imóveis comerciais ou de fundos muito baratos. A oferta deve durar 6 meses e o dinheiro deve ser usado ao longo do ano de 2018.

Há dinheiro, mas não faz sentido investir diante de tantas turbulências e de tanta incerteza. Principalmente diante de tão avassaladora falta de demanda.

Os donos de um imóvel apenas

Esse é o cara que quer se mudar da cidade ou quer vender o imóvel em que morava para morar em algo mais modesto ou aplicar o dinheiro.

Esse costuma querer MESMO vender ou alugar, e aceita condições de mercado, reduz restrições de fiança e negocia preço.

Normalmente os imóveis estão em bom ou excelente estado, pois ele não é investidor e não vive de imóveis. Preparou o imóvel para morar.

Se você pretende comprar um imóvel, provavelmente vai comprar de alguém assim. Raramente esse cara se dá ao luxo de ser irracional, pois mesmo que dê descontos de 20% a 30% no preço, a aplicação do dinheiro no mercado vai dar de 3 a 4 vezes mais do que o aluguel.

Não são muitos nessa situação, pois o brasileiro é meio joão-de-barro, quer casa e vai lutar até o final, mesmo comprometendo as finanças e a racionalidade, para manter o teto.

Mas como há ainda menos compradores, pois a renda brasileira caiu a níveis de 2011 e continua em queda, e os preços não voltaram para os níveis de 2010-2011, mesmo ótimas oportunidades não vendem ou demoram a sair.

Hoje é uma questão de sorte, muita sorte, conseguir um negócio confortável para ambos os lados.

Os donos de vários imóveis

É bem comum haver famílias que vivem de um extenso patrimônio imobiliário. E, mesmo sentados em um patrimônio muito elevado, a renda gerada não costuma ser tão confortável.

Isso se reflete na qualidade sofrível dos imóveis. Não é raro você ver aptos em Ipanema com armários de péssima qualidade, pois o proprietário não negocia melhorias, daí o inquilino compra o mais barato. É meio bizarro o sujeito alugar um imóvel sem armários, mas é extremamente comum aqui no Rio.

Hoje é bem razoável estimar que o valor líquido que se consegue tirar de um patrimônio imobiliário na Zona Sul do Rio não passe de 0,2% a 0,25%. Isso contando Imposto de Renda, manutenção, vacância, administração etc.

Para ter uma renda mensal de R$ 10.000, o sujeito deve ter, em imóveis, cerca de R$ 4 milhões a R$ 5 milhões.

É um disparate financeiro. Se vendesse por R$ 2 milhões tiraria, investindo TAMBÉM em imóveis, porém através de fundos, receberia de R$ 12 mil a R$ 15 mil. Sem IR, gerido por terceiros, sem dor de cabeça de vacância (diluída).

Se conseguisse vender pelos R$ 4 milhões, poderia quase triplicar a renda com muito menos dor de cabeça.

Mas é impossível que isso aconteça. Esses proprietários raramente vendem, raramente investem e criam sérias dificuldades até para alugar.

Aqui no RJ já se está pedindo fiador com 2 imóveis e renda superior a 5 aluguéis. Além da avaliação da renda do próprio inquilino.

Ou o seguro-fiança, que é uma bizarrice brasileira. O banco paga 3 ou 4 aluguéis no caso de inadimplência, mas já recebeu de 4 a 5 do inquilino, em um contrato de 30 meses. E após pagar o locador pelo sinistro (evento de crédito), ainda vai executar o locatário.

Faz sentido o modelo, só não vejo sentido em cobrar 2 aluguéis por ano para uma situação em que o risco do banco é baixíssimo. E o retorno tende a ser gigantesco. Depois de um contrato de 30 meses, o risco do banco é virtualmente ZERO.

As pessoas que têm muitos imóveis, normalmente criam um sistema de dependência, com muitos familiares, principalmente idosos, dependendo dessa renda. Normalmente acabam criando sistemas dentro da própria família para fazer a gestão.

Como as rendas caíram bastante, aqueles que não são “podres de ricos”, podem colocar alguns imóveis à venda.

E são, normalmente, aqueles incríveis apartamentos velhíssimos por R$ 25 mil o metro quadrado no Leblon, ou por R$ 15 mil o m2 em Botafogo.

E não baixam, pois a necessidade não costuma ser grande o suficiente. Normalmente se resolve com um ajuste para baixo no padrão de vida, para preservar o patrimônio em tijolo.

Esses imóveis só vão a mercado por preço baixo quando os proprietários originais, as pessoas que formaram a poupança originalmente, falecem. Daí a corrida para o inventário e o interesse dos herdeiros acabam levando os imóveis a mercado em condições mais racionais.

Vai se ajustar?

Realmente não faço ideia.

Parece-me que ainda teremos problemas sérios com a renda e com o emprego por mais 12 a 18 meses. O governo não tem recurso algum para ajudar ou apoiar o emprego. Aliás, ajudaria se saísse da frente.

Aqui no RJ há a possibilidade da aprovação de medidas extremamente duras contra o funcionalismo, que já passa por um momento delicadíssimo.

Além da contribuição previdenciária de 20% e 22% por 3 anos, ainda querem aprovar (está no Congresso para depois vir para a Assembleia) a proposta de redução de salário e de jornada. São 600 mil pessoas, entre aposentados e na ativa, a maioria na Capital.

Aquele momento mágico de esperança, que fez os preços da Tijuca ultrapassarem Moema e Vila Olímpia (em imóveis de mesmo padrão), já era.

É difícil antecipar movimentos financeiros quando há tantos agentes que se comportam fora dos padrões de racionalidade do mercado.

Acertei com relação ao teto, pelos dados da BBr, o preço de 2012-2013 é o vigente, para negócios que FECHAM, não para essa loucura pedida no ZAP.

Mas eu não me arrisco a dizer que cairão para os valores de 2010, pois eram MUITO mais baixos do que os de 2012.

É mais provável que a oferta de lançamentos se restrinja MUITO para manter preços.

Isso já quebrou PDG e é uma aposta perigosa. Pode acabar levando outras para o buraco.

É uma queda de braço estranha, com dois braços fraquíssimos, oferta e demanda.

É mais um clássico brasileiro. Está péssimo para quem quer vender, e também para quem quer comprar. Economia brasileira PURA!

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Reforma da Previdência – Parte 2: Quem está por trás da reforma são os gestores da Previdência Privada?

Posted on 17/03/2017. Filed under: Filosofia, Finanças, Política | Tags:, , , |

Outro ponto bastante difundido, por quem é contra a reforma da Previdência, é que o objetivo seria rechear o bolso das entidades de previdência privada.

É bem comum esse pensamento no brasileiro. Sempre prefere acreditar que há um plano da burguesia para afastar o “povo” do seu suado dinheirinho. É uma conveniência histórica, moldada em décadas de crença de que a luta de classes é o único modelo para compreensão da sociedade.

Mas vamos assumir que seja isso mesmo. Que há um plano para migrar parte significativa dos recursos previdenciários para mãos privadas. Os malditos burgueses querem mais dinheiro!!! E também os Ianques malditos querem nossas riquezas!!!

Por que você deveria se importar com isso?

Caso seu dinheiro fosse aplicado em regimes de previdência privada, você poderia escolher entre centenas de gestores e ter vários fundos, com os mais variados perfis, se preferir diversificar.

Seu dinheiro seria SEU e não serviria para repartir com outros aposentados. Você teria condições de fiscalizar e avaliar a gestão do seu patrimônio, pedindo migração e portabilidade se não concordar com os caminhos ou não gostar da rentabilidade.

Vejo um monte de gente reclamando que pagou demais ao INSS, que o patrão pagou demais também, e que a aposentadoria é uma miséria. E estão certos!

Mas a regra é essa, desde o início. NÃO É MAIS RELEVANTE O QUE VOCÊ PAGOU, pois a previdência não tem patrimônio, não tem títulos públicos, não tem ações de empresa, não tem acumulação de capital, só tem receita e gasto. E hoje o gasto é bem maior que a receita, ou seja, jamais terá patrimônio, pois não conseguirá acumular, não há excedentes. O que você pagou, já foi pro bolo. E outra pessoa já comeu faz tempo.

É essa regra, injusta e cada vez mais injusta, principalmente com quem é mais jovem, que está vigendo hoje. É para a manutenção dessa regra que os sindicatos saem às ruas em greves. É para manter esse modelo que as pessoas demonizam a iniciativa e a previdência privadas.

É tolice acreditar que seu dinheiro do INSS estava guardado numa poupança em seu nome. Todo mundo sabe que isso não existe. O dinheiro entra e sai. Não acumula, ao contrário, falta.

As domésticas

As domésticas estão no grupo que paga menos INSS, pois recolhem cerca de 8% e o patrão outros 12%, totalizando 20% de contribuição mensal.

Imaginemos uma doméstica que receba R$ 1.000,00 na carteira. Sobrará mensalmente R$ 920,00 no contracheque e sua contribuição total mensal ao Regime Geral de Previdência seria de R$ 200,00 (somando o patronal).

Esse dinheiro, no modelo atual, não é dela, serve para engrossar o orçamento da União.

Se os R$ 200,00 estivessem aplicados num regime PRIVADO de previdência, onde o valor acumulado seria DELA e não do “bolo” previdenciário, teríamos várias possibilidades.

Vou assumir algumas premissas simples. Salário em moeda estável (para evitar cálculos complexos de inflação), Retorno dos investimentos de 5,0% acima da inflação (para poder usar moeda forte, com base em metas atuariais reais de fundos de previdência) e que os custos do gestor sejam pagos pelo 13°, que não está entrando na conta do patrimônio acumulado. IR de retirada de 10%, como a regra atual (após 10 anos)

Iniciando sua vida profissional aos 20 anos, contribuindo por 25 anos (de forma espaçada, acumulando 10 anos sem contribuir, porém rendendo) e se aposentando aos 55 anos.

Essa é uma história comum e plausível. Lembrando que os 55 anos não dependem de regra previdenciária, pois ela é dona do dinheiro. E pode retirar quando quiser.

Seria possível acumular, até os 55 anos, cerca de R$ 150.000 em valores de hoje. Permanecendo aplicados nas mesmas condições, ela poderia retirar um salário líquido de R$ 920 por exatos 224 meses. Pouco menos de 20 anos.

Iniciando sua vida profissional aos 20 anos, contribuindo por 30 anos (de forma espaçada, acumulando 10 anos sem contribuir, porém rendendo) e se aposentando aos 60 anos.

Seria possível acumular, até os 60 anos, cerca de R$ 208.000. Permanecendo aplicados nas mesmas condições, ela poderia retirar um salário líquido de R$ 920 (em valores estáveis) por exatos 436 meses. Pouco menos de 37 anos. Teria dinheiro até os 97 anos.

Se falecesse aos 80, sua família receberia um saldo bruto de R$ 140.000,00.

Iniciando sua vida profissional aos 20 anos, contribuindo por 35 anos (de forma espaçada, acumulando 10 anos sem contribuir, porém rendendo) e se aposentando aos 65 anos.

Seria possível acumular, até os 65 anos, cerca de R$ 282.000. Permanecendo aplicados nas mesmas condições, ela poderia retirar um salário líquido de R$ 920 (em valores estáveis) para sempre, o que significa que os herdeiros poderiam ter esse volume financeiro de forma vitalícia (mantendo-se as premissas iniciais).

Para brincar, no modelo “Temer”, contribuindo por 49 anos, iniciando a vida profissional aos 16 anos, e se aposentando aos 65 anos (sem interrupção).

Seria possível acumular, até os 65 anos, cerca de R$ 487.000. Permanecendo aplicados nas mesmas condições, ela poderia retirar um salário bruto de R$ 2.500 (em valores estáveis) por 32,5 anos (até os 97,5 anos).

Há problemas e riscos com esse modelo de acumulação privado?

Sem dúvida. Há possibilidade de má gestão, pode haver fraude, pode ser que os custos aumentem, pode ser que a rentabilidade seja menor, pode ser necessário complementar com um seguro de vida ou invalidez. Sem dúvida pode haver problemas.

E os problemas do sistema público?

Seriam, em suma, os mesmos, porém bastante amplificados pela falta de accountability (prestação de contas).

Poderia haver fraude? Não só poderia como é quase diário o sangramento das contas públicas com “jeitinhos” que oneram o INSS. Em um simples pente-fino o governo pôs em dúvida 90% dos benefícios de afastamento por invalidez ou doença. Há de tudo, picaretagem, má-fé, até desembargador e almirante de 90 anos solteiro, casando com meninas e meninos de 25 para manter a pensão por mais algumas décadas.

Pode haver má gestão no setor público? A dúvida nem é essa, mas se poderia haver boa gestão. Essa, nunca apareceu por essas bandas. É quase certeza de má gestão.

Os custos podem aumentar? Bom, creio que a Reforma proposta agora e as várias já feitas mostram que o custo pode, e VAI, aumentar bastante.

Em resumo, os problemas possíveis em ambos os sistemas de previdência são os mesmos, porém na iniciativa privada são uma possibilidade apenas remota (fraude), no setor público os problemas são quase uma certeza, além de uma rotina.

Mas o brasileiro prefere o sistema público.

Aposentadoria pública poderia ser um colchão de segurança contra a indigência e a pobreza extrema. Um valor relativamente baixo que protegeria as pessoas de viver em condições degradantes. Isso sim é “social”, isso faz parte do nosso Pacto democrático. Isto posto, entendo que, até determinado valor, poderíamos contribuir para um regime de partilha, mas deveríamos buscar o “conforto” da aposentadoria em outras bandas que não o regime previdenciário público.

Isso porque, quando recebo uma aposentadoria de R$ 30 mil, por mais justa e honesta que seja, não se pode justificar pelo “social”, mas apenas pelo direito adquirido na legislação vigente e passada. E o nosso Pacto Social não é para isso, para esse nível de garantia. Cedo ou tarde, por mais garantido que seja o direito, haverá ajustes orçamentários para fazer o custo caber na receita. É onde estamos hoje. Se não iniciarmos o ajuste, em 3 anos haverá ainda menos receita, e muito mais custo.

Em resumo, o sistema é péssimo e infinitamente pior do que qualquer regime privado, mas o brasileiro vê o governo como sua última tábua de salvação. O que é uma pena.

A natureza da nossa pobreza

Essas décadas de ensino e discurso “ideologizado”, de debates sobre luta de classes, sobre a vilania da burguesia, sobre a maldade do empresário, nos afastam, sobremaneira, da riqueza. Somos e seremos pobres, pois odiamos o sucesso.

Adoramos dinheiro público e nem ao menos nos tocamos que o orçamento público só é deficiente porque nossa economia é esquálida, fraca e sem dinheiro privado. Queremos crescer, queremos emprego, queremos mais orçamento público, mas demonizamos quem investe e traz divisas, quem “alimenta” todo o sistema, quem toma riscos privados. Principalmente estrangeiros.

A principal diferença entre a Previdência Pública e a Previdência Privada

Aqui é que, em minha opinião, a previdência privada dá um banho na pública em termos de importância para o desenvolvimento da nação.

Ambos os modelos são captadores de poupança popular, tomam dinheiro do cidadão hoje, com promessa de aposentadoria no futuro.

Porém a previdência pública não tem qualquer compromisso atuarial ou de formação de patrimônio, ou seja, o dinheiro captado NÃO SERÁ investido, não vai gerar negócios, não vai gerar recursos, não vai financiar a produção, não vai gerar riqueza, apenas será redistribuído.

Parece bonito falar em “distribuição” de renda e recursos, mas acho que os brasileiros concordam que essa distribuição não é, ou não parece ser, justa. Tanto é verdade que todos reclamam da aposentadoria do INSS, mas veem privilégios espalhados aos quatro cantos, como aposentadorias especiais, de perseguidos políticos, acumuladas há 100 anos etc.

Na Previdência Privada o pagamento das aposentadorias depende do acúmulo de patrimônio. Depende da qualidade do gestor. Depende da escolha dos projetos de investimento. Depende das ações em que se investe. Depende de quanta riqueza aquele dinheiro aplicado pode gerar.

A poupança popular captada pelo governo vira consumo imediato, vira sabonete, arroz, carne e, claro, azeita as engrenagens da corrupção estatal. A poupança popular captada pelos fundos de previdência privada vira investimento, vira financiamento de longo prazo, e todos os agentes (exceto em caso de corrupção) deveriam buscar a excelência na gestão, para se diferenciar na competição acirrada pelos recursos do poupador.

Por pior que seja o sistema privado, seria impossível se aproximar do desastre escabroso e da irracionalidade do sistema público. É uma roda da pobreza, girando cada vez mais rápido e de forma cada vez menos harmoniosa.

Manter previdência pública para reduzir a vulnerabilidade das pessoas na velhice, eu concordo, faz parte do nosso Pacto Social, estou dentro. Mas o ideal seria que o plus, o conforto, viesse de esforço e riscos privados. Seríamos bem mais ricos. Nossos filhos e netos agradeceriam.

Mas o brasileiro prefere acreditar ser altamente provável que o burguês e o empresário sejam maus, apesar de ser açoitado e humilhado nas filas dos hospitais, nas greves infinitas da educação pública e na aposentadoria insuficiente e injusta, oferecidos pelo estado brasileiro.

Fraudes em fundos de pensão

Sempre haverá quem faz questão de não entender coisas simples. Haverá aquele a criticar meu texto por não lembrar dos escândalos no Postalis, Petros, Funcef, inúmeros fundos de previdência municipais e estaduais etc., fraudes mil, destruição da poupança captada.

O burguesão raiz capta dinheiro, corre riscos com o próprio capital, prefere menos interferência estatal e investe para enriquecer a si e ao seu acionista, o burguesão brasileiro quer saber como é que vai sangrar o estado, os pensionistas e os funcionários públicos, como o estado vai protegê-lo da concorrência, para garantir seu enriquecimento fraudulento.

É sempre a falta de accountability do Estado que permite esses escabrosos escândalos. É triste, mas infelizmente em cada fraude e cada sistema de corrupção há alguma entidade pública, sindical ou política envolvida.

A fraude na operação “carne podre” de hoje, típica da burguesia brasileira. Conluio com políticos, agentes públicos, perseguição a funcionários públicos que denunciaram o esquema, ministros envolvidos, empresas penduradas no BNDES envolvidas. Tudo errado.

Demonizamos o capitalismo liberal brasileiro, o que é o mesmo que demonizar um unicórnio rosa. Ambos não existem e nunca existiram. Nos bastidores é sempre alguém pintando e enfeitando um jerico.

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A Bolha Imobiliária Que Não Existe. O Maior Estoque de Imóveis Está Com… Os Bancos!!!

Posted on 07/03/2017. Filed under: Finanças, Política | Tags:, , |

Eu escrevi muito sobre a bolha imobiliária, por quase 7 anos. Antes de muita gente se pronunciar sobre o tema.

Até desenvolvi uma planilha para cálculo de preço justo do imóvel. Através dela consegui descrever 4 momentos:

– Entre 2010 e 2011, NÃO havia bolha, pois as premissas e as expectativas colocadas na planilha, com quedas de juros e preços de aluguéis, mostravam que os imóveis, ao menos na área nobre do Rio de Janeiro, estavam com preços adequados.

– Entre 2012 e 2013 perdemos a mão nos preços. Altas de mais de 100% em alguns bairros. Estávamos no limite do aceitável em termos de preço justo, calculado pela planilha.

– Entre 2014 e 2015 o preço dos imóveis ultrapassou (e muito) a renda e o estilo de vida das famílias, de forma que se esperava que uma família com renda de R$ 40 mil por mês conseguisse comprar um imóvel que, 8 anos antes, era almejado por quem tinha renda de R$ 6 a 8 mil. Imóvel ruim e mal localizado. Non sense.

– Em 2016 e no início de 2017 temos o óbvio. Quebradeira de construtoras e recorde de retomada de imóveis.

O que é bolha?

Muita gente acha que, para se caracterizar a bolha, é necessário que exploda, ou seja, que a queda dos preços seja devastadora e imediata. Não é necessário que isso ocorra, principalmente em um país com inflação elevadíssima como o nosso.

Como já disse em outros posts, o preço dos aluguéis já retornou a patamares de 2012, em alguns lugares (com condomínios caros) voltou a 2010. Com relação ao preço dos imóveis, ainda que a maioria esteja em patamares elevados, já se encontra opções bem próximas ao que se via em 2012-2013.

Isso já significaria uma perda inflacionária de quase 30%. E não estamos nem perto do fim.

Por que não estourou?

Primeiro porque brasileiro não entende imóvel como investimento, não percebe que o mesmo pode ser um passivo ou ativo, dependendo do preço e do custo de oportunidade.

Quem tem 5 imóveis na Zona Sul do Rio pode estar “sentado” em cima de R$ 5 milhões, que, com certeza, estará lhe dando, tirando vacância, custos, manutenção, taxas e impostos, menos de 0,2% ao mês. Há investimentos com risco semelhante dando 0,7%. Mas é impossível que ele venda, pois imóvel é algo menos arriscado do que “dinheiro”. Já escrevi sobre o fetiche da iliquidez. É uma proteção contra o desequilíbrio orçamentário. Realmente o imóvel ajuda a manter o patrimônio de quem não é controlado nas finanças.

Segundo porque a estrutura de juros para empreendimentos imobiliários no Brasil é subsidiada. Mesmo para quem pega empréstimo fora do SFH, os juros são menores do que a captação básica bancária. Então, os juros sobem de 9% para 12%, e os contratos já firmados não mudam.

E terceiro porque ninguém sabe o que fazer com os estoques retomados. Estão ainda “encarteirados”.

Veja na reportagem do valor (reproduzo ao final):

http://www.valor.com.br/financas/4888230/calotes-levam-bancos-acumular-r-10-bilhoes-em-bens-retomados

A maior incorporadora do Brasil!

Não é a Cyrela, é a união de bancos. O estoque retomado pelos bancos é maior do que o estoque da Cyrela, e isso é particularmente ruim, pois os bancos têm imóveis mais baratos, usados, o que é raro no estoque de incorporadoras. O valor é maior, mas a quantidade deve ser muito maior.

E ainda não foram “distribuídos” os estoques da PDG, que acaba de entrar em Recuperação Judicial. Lembrando que os maiores credores são os próprios bancos.

E estamos falando prioritariamente de imóveis residenciais, os comerciais estão bem piores.

A bolha não estourou a ponto de comprarmos apartamentos excelentes em bairros nobres por preços muito baixos, e talvez isso não ocorra mesmo, pois há pouquíssima oferta, mas já destruiu, com segurança, mais de R$ 100 bilhões entre quebras, retomadas, perda de valor de fundos imobiliários, perda de valor nas incorporadoras etc. Só a PDG chegou a valor R$ 12 bilhões, hoje vale pouco mais que nada.

Isso ainda não se verificou nos estoques, continuam, nos balanços, a preços extremamente elevados. Vimos em um post recente meu, aptos de 92 metros quadrados na subida da favela, em Laranjeiras, por R$ 1,4 milhão NO BALANÇO da incorporadora, ou seja, nem era preço de venda, era contábil.

Para onde vão os estoques?

Dos lançamentos comerciais prefiro nem comentar, pois é catástrofe total. A região do Porto Maravilha tem 85% de vacância. Não entendo porque não alteraram a proposta para formatar empreendimentos residenciais na região. Mesmo que os lançamentos parem hoje, não deve levar menos que 10 anos para ocupar os imóveis comerciais da região. Talvez nunca sejam ocupados. O Rio está em franca decadência, precisa se recuperar.

Pelo visto os bancos não sabem bem o que fazer com os imóveis residenciais retomados. E poderão vir muitos, principalmente das SPEs da PDG.

Estão evitando os tradicionais leilões presenciais, pois há muita combinação de preços. Nos on-line os imóveis não estão saindo nem em segunda oportunidade, pois os preços estão quase a mercado.

Alguns estão pensando em criar empresas específicas para desovar os estoques. Outros já retiraram do jurídica o processo de retomada, de tão grande o volume.

Uma coisa é certa, os imóveis precisarão vir ao mercado, não há o que fazer com eles, exceto vender. E isso poderá pressionar ainda mais os preços.

Minha impressão pessoal é que ainda estamos longe da estabilização. A aprovação das reformas e o equilíbrio fiscal poderão ajudar na queda dos juros e na retomada da economia, mas ainda vai levar, pelo menos, de 12 a 18 meses para sentirmos a diferença.

Calotes levam bancos a acumular R$ 10 bilhões em bens retomados

Se os cinco maiores bancos brasileiros decidissem juntar todos os imóveis recebidos em garantia de empréstimos não pagos, brigariam pelo posto de maior incorporadora do país. Com o agravamento da crise, o estoque desse tipo de ativo mais que dobrou nos últimos dois anos e chegou a quase R$ 10 bilhões. Para efeito de comparação, a Cyrela, a maior empresa do setor, contava com R$ 6,4 bilhões em imóveis no estoque em setembro do ano passado.

O estoque de bens retomados pelos bancos é composto em sua maioria por imóveis, mas também inclui itens como veículos, máquinas e equipamentos. O crescimento desses ativos está principalmente relacionado ao avanço da inadimplência. Banco do Brasil (BB), Itaú Unibanco, Caixa Econômica Federal, Bradesco e Santander se tornaram donos de todo esse patrimônio quando executaram garantias de empréstimos não pagos. Agências bancárias que deixaram de ser usadas nos últimos anos também entram nessa conta, mas somam uma pequena fatia desse montante.

Apesar de representar uma oportunidade para as instituições financeiras recuperarem ao menos parte das perdas geradas pelos calotes, esses bens tomados também trazem alguma dor de cabeça, principalmente pelas proporções que tomaram. Para instituições que têm como objetivo abrir contas correntes e emprestar dinheiro, administrar um portfólio com características tão diversas tem sido uma tarefa bastante complexa.

Na pacata cidade de Conceição das Alagoas (MG), de 26,5 mil habitantes, o Bradesco tenta vender um imóvel ocupado pela Igreja do Deus de Maravilhas, por R$ 127 mil, em um leilão marcado para esta terça-feira. O Santander se tornou proprietário de um posto de combustível na Vila Olímpia, em São Paulo, avaliado em R$ 9,4 milhões, e também de um haras em Boituva (SP), cujo lance mínimo é de R$ 8,25 milhões.

Fazendas, mansões à beira-mar em Angra dos Reis (RJ), prédios comerciais e até casebres fazem parte dos bens que passaram a integrar o balanço dos bancos, conforme mostram os chamados dos leilões. Em um período de retração da economia, que levou a um excesso de oferta de imóveis, a venda em muitos casos tem sido feita a preços bem abaixo daqueles estimados inicialmente pelos bancos quando aceitaram as garantias. Isso quando eles conseguem se desfazer dos ativos.

Pelas normas do Banco Central, as instituições financeiras têm um prazo de até um ano para vender os bens que não fazem parte do uso. Esse período é prorrogável por até mais dois anos, mas esses bens trazem custos enquanto se mantêm no balanço. Eles consomem, por exemplo, o capital que poderia ser usado em empréstimos. Além disso, esses ativos precisam ter laudos de avaliação feitos por empresas independentes quando superam R$ 51,1 mil, um serviço pago pelo banco. Fora despesas que a própria venda traz, como corretagem e comissões.

O tamanho do estoque de ativos tomados dos devedores que atrasaram as prestações varia bastante de banco para banco. Entre as explicações estão o saldo e a maturidade da carteira de crédito de cada instituição financeira, além das operações em outras áreas, como seguros.

Dona da maior carteira de financiamentos para a compra da casa própria, a Caixa também detém o maior estoque de ativos tomados dos devedores que atrasaram as prestações. O banco público tem 24 mil imóveis disponíveis para venda. Segundo a Caixa informou por meio de sua assessoria de imprensa, o banco tem dado prioridade a empréstimos com garantia real como forma de mitigar riscos. Já o BB possui o menor estoque em balanço. Procurados, BB, Itaú, Bradesco e Santander não concederam entrevista.

Para evitar perdas no gerenciamento desses ativos, os bancos mudaram a forma como trabalham na cobrança, retomada e revenda de imóveis e outras garantias. Os leilões presenciais foram praticamente abolidos e agora se concentram na internet, por exemplo.

Em um grande banco, a área operacional que cuida dos financiamentos em atraso, como a cobrança, foi separada da equipe jurídica. As medidas ajudaram a reduzir o prazo entre a retomada e o leilão do bem dado em garantia para algo entre 45 a 60 dias, em média, segundo um executivo que pediu que seu nome e o da instituição para a qual trabalha não fossem revelados.

Outro banco estuda colocar esses bens dentro de uma empresa que vai cuidar especificamente da venda deles. Para isso, parcerias com empresas especializadas na comercialização de apartamentos e outros bens também estão no radar.

Na maioria dos casos, a execução das garantias serve apenas para diminuir o prejuízo dos bancos com o crédito inadimplente. Por isso, o tempo é crucial para evitar perdas ainda maiores. Não são raras as situações em que o devedor consegue travar a venda do ativo na Justiça. Há casos de veículos há 20 anos parados em razão de alguma pendência judicial. “Tudo isso se traduz em mais spread na hora do financiamento”, afirma uma fonte.

O número crescente de bens retomados colocados à venda pelos bancos tem despertado a atenção de empresas especializadas em ativos “estressados” – por exemplo, a Enforce, do BTG Pactual, e a Jive. Gestores de fundos imobiliários também começam a avaliar esses bens, mas ainda estão restritos a praças com bastante liquidez, como São Paulo.

Apesar do crescimento do volume de imóveis, veículos e máquinas no balanço dos bancos, o Banco Central diz que esses bens ainda são pouco relevantes para o sistema bancário. Eles representam 2,2% do patrimônio líquido e 0,2% do ativo total das instituições financeiras.

FONTE: Valor Econômico

 

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O mercado de imóveis comerciais no Rio de Janeiro. Um horror anunciado. PDG, CHL e a exuberância irracional de quem paga muito caro.

Posted on 06/03/2017. Filed under: Administração, Finanças, Política | Tags:, , , , , , , |

O Edifício Galeria EDGA11B é um retrofit de classe A num lugar privilegiado do centro do RJ, Rua da Quitanda 86. O empreendimento é de um fundo de investimento imobiliário (EDGA11B).

O fundo foi lançado em 2012 a R$ 380 milhões, com 24.400 metros quadrados de área locável. Hoje está valendo pouco mais de R$ 200 milhões.

É isso mesmo, algo como R$ 8.900 o metro quadrado para um imóvel classe A, no coração do centro do RJ. E tem gente comprando imóvel comercial no Leblon (na planta) por R$ 44.000 o metro quadrado. Cada um escolhe a lixeira em que quer jogar seu dinheiro.

Voltando à catástrofe particular desse fundo.

O administrador evita divulgar o nome dos inquilinos em atraso, mas há dívidas de mais de R$ 8 milhões com inadimplentes. Como a Secretaria de Cultura do Estado do RJ está lá, é provável que seja um dos inadimplentes.

Com a entrada em recuperação judicial da PDG, soubemos que sua subsidiária integral (CHL) também não vinha pagando aluguéis e despesas desde 05 de maio de 2016.

É isso mesmo, uma incorporadora que não paga o aluguel. Sensacional! É o personal trainer que vende a malhação, mas não malha…

Há 4 ações de cobrança e 1 de despejo em andamento.

O fundo chegou a valer, antes de o impeachment ser uma realidade plausível, R$ 140 milhões, o equivalente a cerca de R$ 6 mil o metro quadrado de escritórios TOP, Classe A.

Ainda assim, com toda essa catástrofe, o fundo paga o equivalente a 0,6% ao mês de aluguéis (os $$$ que entram, claro), isento de IR. Cerca de 2 a 3 vezes mais do que se ganha alugando por conta própria aqui no Rio de Janeiro (contando vacância, custos, IR etc.)

Mais um retrato do buraco imobiliário em que nos metemos.

Ps. aos que compram imóveis comerciais pagando R$ 25 mil, R$ 35 mil o metro quadrado fica o alerta. Finanças não têm muito espaço para tergiversações, se há aplicação de mesmo risco com rendimento 2, 3, 4 vezes maior, e você opta pela pior, estará agindo de forma irracional. PONTO. Além de perder rentabilidade muito maior com risco semelhante, você ainda ajuda a formar o preço irracional. O imóvel não “vale” X ou Y, você é que paga X ou Y, daí ele “vale” isso. A irracionalidade atrapalha o mercado. É o que estamos vendo no Brasil hoje. Em todas as áreas.

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Os posts proibidos sobre Eike Batista e a Petrobras estão de volta!

Posted on 01/02/2017. Filed under: Finanças, Humor, Política |

É amigos, só quem viveu aqueles anos de ouro, entre 2008 e 2010, com Lula aprovado por 97% da população, Eike no estrelato, sabe como era difícil combater a irracionalidade daqueles tempos.

Ainda no INI escrevi alguns posts (antes do blog era para uma lista de emails) com críticas ao Eike e a seus projetos, bem como à Petrobras.

Alguns amigos próximos, da área acadêmica e do mercado, me sugeriram retirar os posts, pois não se rema contra a maré, iria acabar sobrando para o peixe pequeno. E assim fiz, até porque Eike, em idos de 2008-2009, era a vedete da bolsa e muita gente com capacidade de análise investiu nas empresas dele. E a Petrobras era a vedete mundial das bolsas, com o Pre-sal. Falar mal era certeza de remar contra a maré e ser taxado de anti-patriota, invejoso, burro, fascista etc.

Creio que agora, com parte da caterva na cadeia, posso republicar. Foram excluídos em 2010 aqui do blog. Voltam agora.

EIKE BATISTA

12 de junho de 2008

É senhores…
Eike Batista, para se vingar de sua Ex, quer se tornar o homem mais rico do mundo. Se continuar vendendo “vento” a preço de “ouro”, vai conseguir rapidinho.
Há dois fenômenos importantes na Bolsa. O Mico Preto e a Pirâmide. São semelhantes, mas vale uma explicação para os que nunca se viram numa situação de mico ou de pirâmide.
Mico Preto – É quando todos começam a especular sobre uma ação sem fundamentos sólidos, e a boataria faz com que os traders comprem e vendam absurdamente o papel, fazendo com que suba vertiginosamente. Um dia, seu José de Arimatéia acorda e lê no jornal que a ação da Kepler Weber já subiu 1.000.000% em um dia. Seu josé então, vende suas VALE5 por R$ 100.000 e compra tudo de Kepler Weber. Daí, sai de férias. Quando volta, olha sua conta no home broker e tem 1 trilhão de ações da Kepler Weber que, a preço de mercado, estão valendo R$ 3.549,30. E SE CONSEGUIR VENDER, pois ninguém mais compra o lixo. Seu José de Arimatéia ficou com o Mico Preto.
Pirâmide – Um dia, alguns investidores descobrem uma empresinha chamada Plascar. Não negocia nada, tem um histórico de prejuízos, mas está para ser comprada por um grupo estrangeiro. Ela custa R$ 1,00 por ação. Daí esse grupo começa a comprar devagarzinho. Outros começam a entrar também, seguindo o grupo inicial e empurrando a cotação para cima. Daí o grupo americano entra com a boataria e outro grupo, muito maior, começa a entrar na ação. Depois que ela já subiu 1.500%, chegando a R$ 15,00 em 6 meses, seu José de Arimatéia abre o jornal e descobre a Plascar! Vende R$ 100.000 de PETR4 e compra tudo de PLAS3. Ocorre que, como nas pirâmides, os primeiros ganham muito, os que vêm logo depois ganham um pouco menos e os últimos pagam a conta dos primeiros. Quando seu José de Arimatéia, voltando das férias em São Tomé das Letras, abre o home broker vê que suas ações valem apenas R$ 5,00 e seu patrimônio está em R$ 33.000.
Eike Batista acaba de vender a OGX por um valor equivalente a R$ 31 bi. Mais que telemar, eletrobrás, 4x mais que Sadia, quase uma Itaúsa… Ai, ai…
O que OGX produz? Nada.
Quando vai produzir? Sei lá!
Vai ter lucro? Como vou saber!
Distribuirá dividendos? Só Deus sabe.
Se se o dólar disparar com os juros americanos subindo e o barril de petróleo cair…
O que ela tem, afinal, para valer R$ 31 bi?
AHHHHHH! Ela comprou os direitos de exploração de alguns poços de petróleo…
Só? Sim, só.
Já encomendou as sondas?
E se os poços não forem viáveis?
E se os custos de exploração subirem ainda mais?
A própria MMX só tem lucro pela reavaliação de ativos, pois seus resultados são inexpressivos. Ainda assim consegue vender por bilhões e bilhões!!! Muitos vão argumentar que a empresa valorizou 400% em 2 anos. É fato, mas quem era o investidor inicial? Ele mesmo, Eike Batista. Esse não tem o que perder.
Ainda bem que não vende aos pobres mortais, pois o mínimo para investir era R$ 300.000. Não dá para uma sardinha se aventurar nesse mercado.
O que acontecerá no futuro? Vai ser mais uma empresa a se mover de acordo com as cotações do Petróleo. Deve dar muito dinheiro para alguns, menos para outros e prejuízo para a maioria, falando a longo prazo, óbvio.
Esperemos…
DEPOIS DE DANIEL DANTAS
11 de julho de 2008
Uau…
A PF está cumprindo mandado de busca e apreensão na casa de Eike Batista…
Como os investidores não são bobos, estão torrando os papéis do Eike.
No momento, a OGXP3 está com queda de 20% e a MMXM3 está com queda de 13%.
É complicado mesmo, pois a OGX é só projeto, que sem o Eike perdem muito valor e a MMX pode ter problemas com suas minas, já que a PF está investigando justamente esses processos.
A bruxa tá solta!!!

Eike destrói o estatismo no setor de petróleo. Ou não?

 Caríssimos,

A leitura do release de resultados da OGX, para o ano de 2009, é um exercício muito elucidativo… ou não…

Para quem quiser ler a íntegra segue o link:
http://ogx.infoinvest.com.br/ptb/883/Release4T09portugusvfinal.pdf

Mas não será necessário, pois os dados mais importantes relatarei a seguir.

A confiar nas previsões da OGX, ou a Petrobras é um desastre como empresa, ou a OGX é um prodígio, um fenômeno.

Como não sou especialista em petróleo e gás, peço ajuda aos amigos leitores e a especialistas, que porventura passarem por aqui, para me ajudar na série:

Explica aí, que eu não entendi!

1. A projeção da OGX é de que estará produzindo 730 mil barris/dia em 2015 (7 anos após sua captação primária na bolsa) e 1,38 milhão de barris/dia em 2019 (11 anos de vida operacional).

Isso significa que:

  • A OGX afirma que vai atingir em 11 anos o que a petrobras levou 48 anos para atingir (2001-2002). Ainda, afirma que pretende atingir nos mesmos 11 anos de vida, quase 70% de toda a produção da Petrobras, no Brasil, para o ano de 2009, que era de 2,05 milhões de barris.

Pergunto aos visitantes do blog:

  • Isso faz sentido?
  • As previsões são excessivamente otimistas?
  • A Petrobras não é eficiente?
  • A OGX é um fenômeno sem par no mundo do petróleo?
  • Está muito mais fácil retirar petróleo hoje?

2. A OGX diz ter uma certificação elaborada pela D&M de até 6,7 bilhões de barris comprovados, em apenas 2,5 anos de operação.

Isso significa que:

As colocações são um pouco imprecisas no release. Confesso que não compreendi na íntegra oq que eles quiseram dizer. Mas a Petrobras tinha, em 2009, reservas provadas de 12,1 bilhões de barris, o que indica que a OGX teria um volume equivalente a quase 60% das reservas da Petrobras. AMBAS não consideram o pré-sal, pois os poços de Eike não estão lá e os 12,1 bi também não incluem o pré-sal.
Pergunto aos visitantes do blog:

  • É isso mesmo, ou entendi errado?

3. Por que não há informações sobre a qualidade do petróleo? O óleo a ser extraído dos poços de Eike é leve (valorizado) ou pesado (desvalorizado)? A diferença entre os preços do óleo leve e pesado é de quase 40%, pois seu refino custa muito mais caro.

4. A OGX tem em caixa R$ 7,3 bilhões. Ela teve lucro em 2008 e 2009 por conta das aplicações financeiras dessa dinheirama. Praticamente todo o gasto que faz com exploração não trata como custo, mas como ativo “intangível”, prática aceita pelos princípios contábeis.

Isso significa que:

  • A OGX captou, em meados de 2008, R$ 6,7 bilhões de dinheiro novo, proveniente do mercado, das pessoas, dos investidores. Terminou 2008 com R$ 7,6 bilhões em dinheiro e 2009 com R$ 7,3 bilhões. A OGX vale, em bolsa, R$ 58 bilhões. A Eike tem 62% da OGX, o que significa R$ 35,96 bilhões OU US$ 20,5 bilhões.

Pergunto aos visitantes do blog:

  • Se a empresa tinha, em 2008, R$ 7,6 bi em dinheiro e recebeu, no mesmo ano, R$ 6,7 b ilhões, quanto Eike colocou de grana DELE, na empresa?
  • O valor do ativo no balanço em 2008 era de R$ 9,7 bi, sendo R$ 7,6 bi de “tangíveis” e R$ 2,1 de “intangíveis”. Isso significa que Eike, no máximo, teria colocado R$ 3 bi na empresa, pouca coisa em grana e muito em “intangíveis”. Se colocou R$ 3 bi (foi muito menos), como poderia ter multiplicado seu capital por 12 em pouco mais de 2 anos?

Encerrando a batalha!

Senhores, tudo é possível. Tudo mesmo.

O petróleo pode ir a US$ 500,00, Eike pode ter descoberto o filé mignon do petróleo brasileiro (num poço que já havia sido devolvido pela Petrobras à ANP em 2001), mas não é provável.

A minha principal questão, no título do post, não é duvidar da capacidade operacional e do futuro brilhante da OGX, mas compará-la com a Petrobras.

Acho que Lula deveria pedir ao Eike para não divulgar releases tão espetaculares.

Fica dificílimo defender o monopólio estatal e a idéia de competência da Petrobras quando uma empresa com 2,5 anos de operação pretende chegar a produzir, em 11 anos, a 65% do que a Petrobras levou 56 anos para atingir. Isso com velhos campos já rejeitados pela própria estatal, de petróleo pesado.

O valor de mercado da OGX não faz qualquer diferença para o sucesso da empresa, exceto se Eike quiser levantar mais grana. Poderia ser R$ 100 bi ou R$ 10. Aliás, no auge da crise, chegou a valer menos do que o que tinha em caixa. Nessa época, era um negócio espetacular!

Agora, do fundo do coração, torço para estar errado em minhas desconfianças sobre o excessivo otimismo da OGX. Torço mesmo, pois se é possível fazer isso, não haverá qualquer problema de falta de petróleo no mundo. Será abundante em breve. Ou só existe uma OGX no mundo?

Enquanto isso, estima-se que os carros elétricos serão responsáveis por 86% das vendas de carros dos EUA, em 2030…

Esse mundo está muito complexo. Gostaria de entendê-lo melhor…

2- Eike Batista, o empresário-projeto, é o oitavo homem mais rico do mundo!

É meus amigos, o mundo das finanças, assim como o Brasil, não está mesmo para amadores…

Eike Batista, o empresário-relâmpago, o empresário-projeto, conseguiu amealhar uma fortuna de US$ 27 bilhões em poucos anos.

Apesar da EBX existir há muito tempo, foi de 2004 para cá, mais precisamente com a abertura de capital da MMX em 2006, que Eike conseguiu o milagre da multiplicação dos dólares.

Em pouco mais de 4 anos (a contar da abertura de capital da MMX) consegui atingir uma fortuna que rivaliza com grandes empresários e investidores de atuação mundial, com produtos e serviços vendidos em 200 países e quase 2 bilhões de pessoas atendidas. Veja:

1 – US$ 53,5 bi – Carlos Slim, dono da América móvil (Claro, no Brasil), começou a investir em 1965, iniciou o negócio de telefonia em 1990. Hoje tem cerca de 100 milhões de clientes no mundo e suas empresas pagam, por ano, mais de US$ 5 bilhões em impostos.

2- US$ 53,0 bi – Bill Gates, dispensa apresentações. Atinge o mundo todo, atua na vida das pessoas, mais de um bilhão delas, diariamente. Sem comentários sobre sua importância e sobre o tamanho de seus negócios.

3- US$ 47,0 bi – Warren Buffett, também dispensa comentários. Investe desde 1491, financiando a viagem de Colombo. É dono da mais respeitada empresa de participações dos EUA. Tem participações relevantes nas maiores companhias do mundo. Investe, sem brincadeira, há mais de 65 anos.

8 (por enquanto) – US$ 27,0 bi – Eike Batista. Tem uma infinidade de empresas que valem bilhões, mas que nada produzem (por isso empresário-projeto). Se não acreditam em mim, leiam o resumo do que fazem as empresas de Eika na página da própria EBX:
http://www.ebx.com.br/empresas.php

Conseguiram achar um barrilzinho de petróleo produzido? Alguma produção de minério relevante? Algum aluguel de estrada de ferro ou porto?

Não é mole, não!

O nome da brincadeira é: Mercado de Ações!

Eike, não demora, vai ser o mais rico do mundo.

(Re)Descobriu o jeito mais fácil de fazer fortuna. Aliou conhecimento privado e público, ótimos relacionamentos, projetos gigantescos, o maior período de liquidez do mercado mundial e aproveitou para fazer o lançamento de seus projetos, e captar fortunas no mercado de ações.

Agora vai lançar a OSX que, pelo que li, é uma empresa que presta serviços para a própria OGX e que pretende prestar serviços para as outras empresas de Eike. Espera captar R$ 10 bi.

É algo muito estranho você criar uma empresa para servir à sua própria empresa… e abrir seu capital!!!!

O cara consegue tirar bilhões até da verticalização de seus próprios projetos.

Imagino que ele tenha pensado o seguinte: pô, estou pagando uma fortuna para esses prestadores de serviço! Vou criar a OSX e pagar para mim mesmo.

Seria lindo, se não pudesse criar um evidente conflito de interesses. Bom, mas isso não somos nós que vamos dizer…

Como funciona o milagre da multiplicação dos bilhões?

É simples.

Quando você abre o capital de sua empresa, normalmente coloca algo como 30% à venda. Os outros 70% são seus.

Se você capta, R$ 10 bi, como se pretende com a OSX, por 30% do negócio. Significa que o valor dela na bolsa será de R$ 33,3 bi e que Eike vai ficar R$ 23,3 bi mais rico ou US$ 13 bi, em números internacionais.

Daí, basta inventar uma outra empresa para fornecer o papel higiênico, as canetas, os bloquinhos de papel para as empresas EBX aumentar sua fortuna em US$ 7 bi para passar Warren Buffett!

Não estou dizendo que os projetos não possam dar certo!

É claro que o investidor que colocou a grana dele nas empresas, acredita que os projetos serão um sucesso.

E ele até teve uma fantástica venda de parte da MMX por US$ 5 bi para a Anglo American. Um negócio que a Anglo deve estar lamentando até agora, pois logo depois seus lucros caíram 53% com a crise mundial…

Comprar promessa, dá nisso. O futuro a Deus pertence. Se houver outro boom de commodities nos próximos anos, recuperará o investimento. Se não… micou!

Justiça seja feita a Eike, ele não deixa pequenos investidores brincarem em suas ofertas públicos. É de R$ 300 mil para cima. As sardinhas estão a salvo!

O que o futuro nos reserva?

Acredito que Eike não tenha qualquer interesse em produzir nada. Se conseguir um ganho de capital vendendo seus ativos, vai fazê-lo. Daí com o dinheiro novo, vai comprar outros ativos, criar outros projetos e vender na bolsa.

Só vai parar quando atingir a fortuna de US$ 1 trilhão ou quebrar. Ou ainda, quando a Luma de Oliveira voltar para ele…

Aliás, tô achando que essa fortuna tá com cara de bombeiro, uniforme de bombeiro, perna de bombeiro, bíceps de bombeiro, peitoral de bombeiro…

E dá-lhe Eike! Detone esses ianques malditos!

KKKKKK

3- A Verdadeira Identidade de Eike Batista!

O Mr. X é sensacional.
Sua capacidade para comprar direitos de exploração das riquezas do país, abrir o capital sob promessas de gigantismo nacionalista e depois vender esses direitos, ou parte deles, para empresas estrangeiras, está começando a levantar desconfianças sérias em Lula.
MMX
Primeiro a MMX, que iria competir com a VALE, viu sua principal mina ser vendida para Sinhá Elizabeth e Nhô Edward, num negócio fantástico para os acionistas, mas estranho para os planos de gigantismo nacionalista.
A MMX ficou com patrimônio líquido negativo…
OGX
Agora Mr. Fujiro e Mr. Takaro estão querendo comprar participação nos poços da OGX. Nada contra, mas se o China comprou… é do China. Qual percentual? Ainda não se sabe.
Sonhos com a VALE
Se conseguir seu sonho de ouro de retirar Agnelli da presidência da Vale e assumir o posto que já foi de seu pai, é capaz de vender 30% de Carajás para o Burkina Faso ou para o Butão.
É um passaro, é um avião, não é…
Lula já está desconfiando que essa incrível capacidade de repassar a estrangeiros as riquezas nacionais jamais poderia vir de um vilão comum…
Lula teme descobrir que Eike Batista é, na realidade, … Fernando Henrique Cardoso!
ahahahaha!
Perdoem a brincadeira no meio de tanta coisa séria…
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As Construtoras já valorizaram até 190% em 2017! Chegou a recuperação do setor?

Posted on 17/01/2017. Filed under: Finanças, Política |

Tem coisa que dá certa preguiça.

Estava acompanhando as altas de Rossi, PDG e Viver (entre outras) nos últimos dias na bolsa. Coisa de 30% ao dia. Imaginei que o fato de os juros poderem chegar a 9,75% ainda esse ano talvez pudesse ter ajudado, mas estava meio exagerada aquela alta.

Pois que leio no Portal Infomoney que o principal motivo é uma mudança na regra dos distratos. Agora as construtoras poderão manter entre 9% e 15% do valor do imóvel, não serão obrigadas a devolver tudo.

http://www.infomoney.com.br/mercados/acoes-e-indices/noticia/6027113/entre-selic-solucao-para-distrato-imobiliarias-sobem-ate-190-2017

Isso é bom?

Das construtoras citadas uma já está em recuperação judicial e as outras pavimentam o caminho para lá. Para subir 190% em poucos dias, deveria ser uma notícia robusta e, principalmente, de resultado imediato.

Imediato não é, porque ainda que seja aprovada HOJE a regra, quem já comprou continua na regra antiga. E se não fosse continuar, se a regra fosse mudar contratos atuais (o que me parece impossível), vão devolver (mesmo quem estava propenso a manter o negócio) e judicializar.

Na prática o que ocorrerá será um aumento no risco do comprador, que estará com uma possibilidade de perda que não tinha antes. É SÓ ISSO que muda.

Olha, nessa hora tem que ser racional. O que vai acontecer?

  1. A) As pessoas vão comprar mais, porque ficou mais arriscado para elas? Com certeza, não.
  2. B) As pessoas vão sair desesperadas para comprar antes que mude a regra. Até poderia ser, mas não me parece que o “estoque” de demanda reprimida seja grande. Aliás, eu acho até que não existe, não com esse nível de preços. Uma família com R$ 500.000 guardados e renda bruta de R$ 25.000 por mês NÃO configura demanda para um imóvel de R$ 1.200.000, pois teria que ZERAR suas reservas e pagar uma prestação de R$ 8.500 por mês. Fica menos interessante ainda se ele puder alugar imóvel semelhante por R$ 3.500. Se o imóvel for a R$ 900.000 e os juros voltarem a 8,5% ao ano (crédito imobiliário) PODE SER que essa família seja uma demanda real para esse imóvel. Hoje, não.
  3. C) As vendas vão diminuir, pois aumentou o risco do investidor/trader (que já está em extinção) e os compradores de imóveis para uso próprio costumam ser conservadores, a decisão de compra, com risco aumentado, deve fazê-los esperar mais, fugir de lançamentos (que tem o risco de perder 10%, aliado ao risco da entrega, da construtora, da desvalorização etc.), requerer ainda mais descontos para se decidir.
  4. D) Os distratos vão aumentar, pois os novos contratos são PIORES para o comprador e contratos piores, com riscos maiores, tendem a ter preços depreciados. Não é a mesma coisa comprar um imóvel com entrada de 10% na planta e saber que receberei de volta se desistir, do que comprar sabendo que posso perder tudo. Quem tem um dos “últimos contratos” com garantia plena, pode tentar exercer esse direito e recomprar depois em condições melhores.

Um parêntese. Eu entendo o lado das construtoras ao tentar equilibrar a relação comercial, dividindo o risco com o comprador, mas elas reclamam HOJE dessa regra, porém é meio evidente que isso ajudou e muito nas vendas dos últimos anos. É claro que se meu risco é zero, eu assino o contrato com mais facilidade. Se quisessem, realmente, ter mudado a regra durante o boom, já teriam conseguido, lobby não faltava, ainda mais na era PT, com tapete vermelho ao empresariado “public-budget addicted”. Mas naquela época a regra ajudava, né?

Bom, não tenho bola de cristal, mas eu não acho razoável apostar em melhorias de curto prazo, pois me parece mais provável aproveitar para devolver (num mercado já muito fraco) e esperar o mercado com a nova regra (que pode piorar), do que sair correndo para aproveitar esse último suspiro da regra atual.

Ou seja, não dá para acreditar que, no curto prazo, teremos um boom de vendas.

Também não acho razoável acreditar que isso vá aumentar o número de negócios no longo prazo, pois impõe uma penalidade ao comprador que antes não havia. Não melhora nada para quem assina o cheque, aliás piora bastante. 10% de um imóvel é um risco MUITO alto. É provável que haja ainda menos negócios.

Se pudesse apostar, apostaria em queda no número de negócios após a entrada em vigor da regra e algum efeito imediato nos distratos, para pior.

Mas as ações subiram. Fazer o quê, né?

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  • Disclaimer

    Este blog é um ambiente privado para expor opiniões, estudos, reflexões e comentários sobre assuntos ligados a finanças, bolsa de valores, economia, política, música, humor e outros temas.

    Seus objetivos são educacionais ou recreativos, não configurando sob nenhuma hipótese recomendação de investimento.

    O investidor consciente deve tomar decisões com base em suas próprias crenças e premissas. Tudo que lê ou ouve pode ser levado em consideração, mas a decisão de investimento é sempre pessoal. Tanto na escolha de ações para carteira própria, quanto na escolha de gestores profissionais para terceirização da gestão.

    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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