Finanças

Dados da vacinação em Israel. Dúvidas sobre os cálculos de eficácia da terceira dose. Ago/Set 2021

Posted on 18/09/2021. Filed under: Finanças |

Desde 30 de julho, Israel iniciou um booster com a terceira dose da vacina da Pfizer para maiores de 60 anos, e 20 dias depois, iniciou a terceira dose para maiores de 40 anos.

O que percebi, após destrinchar os dados, é que, aparentemente, a terceira dose está sacrificando os dados de eficácia da segunda dose. Eu tinha percebido isso no dia em que alteraram a forma de divulgar os dados, mas decidi esperar alguns dias para ver se era erro na transição. E, aparentemente, é mesmo erro na transição dos dados. Isso ficará claro ao final do artigo.

Israel apresenta dados brutos com alguma qualidade para que possamos acompanhar a evolução dos testes vacinais (essa é a quarta fase das vacinas) no link a seguir. Até recentemente não apresentavam dados sobre mortalidade, mas há cerca de uma semana liberaram esses dados. Infelizmente ainda sem discriminação etária adequada.

https://datadashboard.health.gov.il/COVID-19/general

Resultados mais recentes (Agosto/Setembro).

Acompanho os dados de Israel com atenção há alguns meses, e no início, a eficácia das vacinas parecia espetacularmente alta, porém houve coincidência com uma queda brutal nos casos, até o início de abril. As pessoas associavam isso à alta vacinação em Israel (já superior a 55% em 2 doses, mais de 70% dos adultos).

Agora, Israel enfrenta uma onda que já ultrapassou a anterior em casos (com cerca de metade dos óbitos), mesmo com uma população massivamente vacinada, e com 30% da população já com a terceira dose.

Há algumas semanas eles alteraram a forma de divulgar os dados e, agora, são três grupos: vacinados com impulso (3ª dose), vacinados sem impulso e não vacinados.

Vamos aos principais resultados.

ALERTA: Estou fazendo os cálculos sobre eficácia conforme a literatura, mas não é a forma que considero certa de fazer. Para sabermos realmente o efeito das vacinas, temos que dividir em 4 grupos: (i) não vacinados que nunca tiveram contato com o vírus; (ii) não vacinados que já tiveram contato com o vírus; (iii) vacinados que não tinham sido infectados antes; e (iv) vacinados que já tinham sido infectados.

Sem essa divisão nós temos uma noção da eficácia, mas não conseguimos isolar o efeito exclusivo das vacinas.

Risco relativo de contrair COVID por faixa etária e por status de imunização:

É possível inferir pelos dados a queda na eficácia para a vacinação sem impulso. O risco para o não vacinado é sempre maior, mas muito mais próximo do que no início da vacinação. Por exemplo, de cada 1.000 pessoas de cada grupo de 70 a 79 anos, 54 vacinados (sem impulso) contraem a doença e 85 não vacinados. É uma queda de eficácia que ficará mais clara a seguir.

Eficácia para evitar contrair COVID por faixa etária e por status de imunização:

A queda de eficácia para quem tomou apenas 2 doses é brutal. Com esses números a vacina não teria aprovação em lugar nenhum.

A gente pode associar o motivo à variante Delta, mas, se fosse realmente isso, o que explicaria a ainda alta eficácia para quem tomou a terceira dose?

As hipóteses são: (i) eficácia cai muito com o tempo; ou (ii) a vacinação com terceira dose é muito recente para ter dados consistentes; ou (iii) a terceira dose aumenta a imunidade de fato.

Vamos ver o que aconteceu com os riscos de contrair COVID grave:

Risco relativo de contrair COVID GRAVE por faixa etária e por status de imunização:

O que fica bastante claro é que os riscos são muito baixos para adolescentes, tendo tomado ou não a vacina.

Como os números são extremamente baixos até os 29 anos (15 casos em um grupo de 685 mil jovens não vacinados, 21 casos graves por milhão), deve-se sopesar com os riscos associados à própria vacinação. Infelizmente esse tem sido um debate interditado e nós não temos acesso a dados confiáveis sobre efeitos adversos. O que consegui apurar, o CDC, é que a taxa de miocardite em MENINOS por MM de doses aplicadas nos EUA foi de 47,4 para o grupo entre 12 e 15 e 76,7 para o grupo entre 16-17 anos (somando as duas doses). Para meninas foi muito mais baixa.

Mas, repito, falta informação mais detalhada sobre os riscos, ao menos a informação não chega facilmente a todos. Quanto aos riscos de longo prazo, só saberemos no longo prazo mesmo.

https://www.cdc.gov/vaccines/acip/meetings/downloads/slides-2021-08-30/05-COVID-Lee-508.pdf

Não dá para saber a mortalidade nos grupos, mas deve ser mínima também, pois Israel informou a mortalidade nos últimos 28 dias e houve apenas 48 óbitos em todo o grupo menor de 60 anos.

Aparentemente a vacina mantém a redução de risco da gravidade da doença, ainda que em menor escala do que no passado. Veja a seguir.

Eficácia para evitar contrair COVID GRAVE por faixa etária e por status de imunização:

Infelizmente o dado de eficácia contra mortalidade não dá para ser calculado adequadamente, pois não temos a distribuição por faixa etária e, ainda pior, os óbitos entre agosto e setembro podem se referir a infecções ocorridas semanas ou até meses atrás. Tentei calcular, mas nada faz sentido.

Questões sobre a terceira dose

Os dados parecem formidáveis para a terceira dose, e bem inferiores para vacinação completa anterior, mas entendo que isso tem um viés difícil de contornar.

Os dados de vacinados e vacinados com impulso se confundem demais nesses 45 dias de vacinação da terceira dose. O denominador dos cálculos de risco muda muito rápido. Em 30 de julho havia ZERO vacinados com terceira dose, em 15/09, 2,8 milhões. Os casos em aberto há semanas podem estar contabilizados como vacinados sem impulso, mas quando ele contraiu esse número (base do denominador) era de 4 milhões de pessoas, em 15/09 eram 2,6 milhões. Na hora que fazemos o cálculo, dá errado. Mascara os números.

Uma evidência de que o que digo tem fundamento está no cálculo para o grupo que quase não tomou booster (12-15), onde a eficácia é MAIOR para os vacinados com 2 doses apenas do que para quem tomou o booster.

Em resumo, minha opinião é que esses números da terceira dose acabam amplificando artificialmente a eficácia do booster e sacrificando a eficácia da vacinação normal.

Sendo ainda mais claro, entendo que os números acima de 90% de eficácia para a terceira dose e abaixo de 50% para a vacinação padrão são fruto apenas de um ajuste estatístico, com a base (denominador) do risco flutuando muito e muito rápido. Nem é tão boa a terceira dose, nem é tão ruim a segunda.

A título de curiosidade, refiz os cálculos de eficácia contra infecção e doença grave, e a situação muda radicalmente, mas fica bem mais próxima das eficácias que eu vinha calculando antes de dividirem em 2 grupos de vacinados.

Com dados completos eu conseguiria verificar isso, mas certamente esses dados devem ser estratégicos e não serão divulgados (discriminando a trajetória de quem pegou, internou e morreu).

Questões sobre infectados após a vacinação.

A infecção em vacinados é uma faca de dois gumes. Por um lado, como há risco baixo de contrair a doença grave, a infecção natural vencida pode corrigir a imunologia gerada pela vacina e amplificá-la, deixando a pessoa ainda menos vulnerável. Por outro lado, com esse nível muito alto de infecções em organismos que deveriam ter uma competência extremamente elevada para enfrentar o vírus, há a preocupação pelo potencial de geração de variantes, dada a pressão evolutiva que é imposta ao vírus, ao vencer um vacinado.

Só o tempo dirá se estamos ou não perto do fim desse maldição.

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O que é ser de direita no século XXI? O conservador-liberal: a quimera direitista.

Posted on 12/08/2021. Filed under: Finanças |

A nova direita nacional costuma se classificar como conservadora nos costumes e liberal na economia, porém ser liberal na economia não é garantia de ser de direita. As questões são bem mais profundas. Veremos em detalhes.

Neste artigo endereço 5 questões fundamentais para a adequada caracterização do movimento de “direita” neste século XXI.

Para qualificarmos adequadamente um movimento como sendo de direita, é necessário entender e pacificar a história de conflitos entre o conservadorismo e o liberalismo nos últimos 250 anos. Sem isso, o “conservador-liberal” soa como uma quimera direitista, um oximoro.

O leitor verá uma proposta inovadora que, provavelmente, não será bem recebida por parte da direita (que verá não ser, de fato, de direita) e refutada por parte da esquerda (que verá não ter sobrado muita coisa do progressismo liberal dos séculos XVIII e XIX em suas pautas).

  • São as seguintes questões:
    1. Conservadorismo é condição para ser de direita, mas não é suficiente.
    2. Conservadores enfrentaram liberais em questões de direitos civis no século passado, e estiveram, muitas vezes, do lado errado.
    3. O conservadorismo incorporou vitórias do liberalismo clássico em seu sistema de valores.
    4. Liberalismo clássico não é liberalismo econômico. O clássico dá fundamento ao econômico, mas o econômico não garante o clássico.
    5. A esquerda do século XXI não é liberal.

Conservadorismo é condição para ser de direita, mas não é suficiente.

Não há direitista revolucionário. Preservar tradições que trouxeram prosperidade à humanidade, ainda que controversas ou excludentes, e evitar que os grandes feitos da raça humana se percam em processos revolucionários, está na base de ser de direita.

A leitura de autores como Russell Kirk, Thomas Sowell, Roger Scruton, entre outros, mostra a essência do conservadorismo, afastando-o da ideia equivocada do imobilismo irrefletido, que é o estereótipo mais comum, utilizado para desmerecer o movimento.

O conservadorismo não é imutável, porém a incorporação de novos valores às tradições que o conservador preserva deve ser amplamente debatida, lenta, não-revolucionária e construtora de uma tradição renovada, porém não inteiramente destruída. Enfim, uma tradição pode ser reformada se for de maneira lenta, sopesada, escrutinada, debatida e, principalmente, se provar seu valor no teste do tempo.

Mas ser conservador não garante ser de direita. Isso deveria ser razoavelmente claro, pois a história é plena de movimentos totalitários de cunho coletivista que buscaram preservar, em grande parte, valores e tradições de seus povos. A URSS e a China, por exemplo, romperam com parte da estrutura agrária de seus países, mas preservaram e valorizaram questões culturais, artísticas, históricas e filosóficas de seus povos.

Para ficar em exemplos recentes, o ministro Barroso chegou a sugerir que a Venezuela era uma ditadura de direita, por ser conservadora. Durante os protestos de 2021 em Cuba, alguns movimentos de esquerda ensaiaram associar Cuba ao conservadorismo. Não, não é suficiente ser conservador para ser de direita e, obviamente, o ministro está errado em associar a Venezuela à direita, exclusivamente por haver conservadorismo cultural em sua ideologia política e social. Não é aí que reside a diferença fundamental entre o movimento direitista e esquerdista. Talvez o ministro não saiba, pois isso é confuso mesmo.

Conservadores enfrentaram liberais em questões de direitos civis no século passado, e estiveram, muitas vezes, do lado errado.

Esta parte promete ser a mais controversa do artigo, mas entendo que dá sentido e resolve questões em aberto sobre essa tendência apresentada pelo conservador do século XXI de atrair para si a denominação de liberal.

O liberalismo, em seus primórdios, buscava reformar sistemas que oprimiam a liberdade individual. E atacou, a depender do que era o poder autoritário em determinado país, a monarquia, o clero ou a aristocracia. E nessa época, o conservador era tratado como reacionário, por reagir às reformas e ao progresso liberalizante.

O foco básico do liberalismo clássico era a proteção do indivíduo contra a potencial tirania do Estado e de suas estruturas de poder. Por isso seus movimentos acabaram culminando no estabelecimento de um sistema legal que seria compartilhado por todos, sem privilégios de classe, raça, credo, gênero etc., através do direito positivado. Essa foi parte significativa da luta dos liberais por mais de 200 anos.

Certa vez perguntaram ao Thomas Sowell o que ele diria para os ativistas de direitos civis. Ele respondeu que os mandaria para casa, pois venceram. Sim, o liberalismo clássico venceu no Ocidente, mas se vê em perigo nos dias de hoje, só que, dessa vez, a ameaça não vem do conservadorismo.

Voltando à história, nos EUA, como não havia nenhuma estrutura francamente dominante de burguesia, aristocracia, clero ou monarquia, contra a qual o liberalismo pudesse se insurgir, os ideais de liberdade foram mais facilmente adotados, sendo a Constituição Americana, em vigor desde 1789, provavelmente o documento liberal mais efetivo e influente da história.

O conservador de hoje tem dificuldade de entender o conservadorismo dos séculos XIX e XX, pois não consegue compreender como ideais de liberdade individual não faziam parte dos valores conservadores da época. Hoje a liberdade individual, em contraponto ao coletivismo, estatal, estrutural ou cultural, é um dos valores mais cultuados por conservadores de direita. Mas isso não era verdade há 200 anos.

E nessa questão mora um dos fundamentos da confusão que temos hoje nos movimentos que se intitulam de esquerda ou direita.

Nos séculos XVIII e XIX, essa definição era irrelevante (direita e esquerda), sendo mais comum falarmos de conservadorismo e liberalismo, falar de tradição e liberdade, direito natural e direito positivo. E conservadorismo e liberalismo eram vistos como posições antagônicas no quadro político, social, legal e moral.

Como a direita nunca negou suas raízes conservadoras, o conservadorismo permanece como característica inequívoca da direita.

Já o esquerdista atual ainda continua se proclamando liberal e/ou progressista, mesmo que a agenda atual da esquerda não tenha qualquer relação com a agenda liberal clássica, que lutou contra a escravidão, a favor do sufrágio universal e pela equalização de direitos civis. Tudo isso foi feito com foco no indivíduo e contra o poder estatal e não em nome da luta de classes, gêneros, raças ou buscando um estado hipertrofiado para garantir uma igualdade utópica e inexistente entre indivíduos.

O liberalismo clássico prega o respeito à pluralidade dos indivíduos, a agenda da esquerda nos últimos 50 anos, uma exige uma comunhão plena de valores, moralidade, recursos, renda entre outras medidas que poderiam refletir, eventualmente, desigualdade.

Temos, portanto, essa questão da esquerda americana sendo chamada de liberal, o que fazia sentido enquanto o espectro político se situava apenas entre progresso e reação, porém, desde que a esquerda passou a ser eminentemente coletivista e buscar reparações históricas em nome da igualdade de resultados (e não perante a lei), se afastou de forma irreconciliável dos princípios mais básicos do liberalismo e do combate à autoridade estatal.

Quem defende a Constituição Americana hoje, quem defende a liberdade de expressão, independente do conteúdo, quem luta contra a tirania do estado sobre o indivíduo são os republicanos. Isso é razoavelmente inequívoco. Creio que mesmo os esquerdistas concordariam com essa avaliação.

Nos EUA de hoje, as pautas da esquerda estão associadas ao aumento do estado, aumento da regulação, negação da história americana, desprezo pelos símbolos americanos, retirada de armas em circulação, reparações históricas, hostilização dos Founding Fathers etc., o que não guarda qualquer relação com o liberalismo clássico.

 O conservadorismo incorporou vitórias do liberalismo clássico em seu sistema de valores.

O conservadorismo incorporou vitórias do liberalismo clássico em seu sistema de valores.

O conservadorismo que permanece vigente e se mantém como força política e social precisou da incorporação de novos valores, sob risco de ser acusado, justamente, de imobilismo irrefletido e de perder o apelo a jovens críticos.

Qualquer bom autor conservador sabe que a questão não é “nunca mudar”, mas manter princípios básicos e mudar, sempre, de forma devagar e cautelosa, para evitar jogar fora o que deveria ser preservado.

O conservador atual considera o que já foi tratado como transgressão cultural como algo clássico. Ouve Beatles e Led Zeppelin e os trata como clássicos do Rock e do Pop. Houve integração aos valores conservadores de manifestações culturais, políticas e sociais que se mostraram, diante do teste do tempo, de alto valor ou dignas de preservação.

Isso não deveria surpreender ninguém, pois faz parte do debate que o conservador trava com a história. Aquilo que surge da livre manifestação artística, cultural, filosófica, científica e intelectual, aquilo que surge como fruto da expressão da liberdade individual em todas essas áreas, será incorporado após anos de escrutínio público e após mostrar um valor meritório e que deva ser preservado.

Por isso temos, hoje, muitos conservadores de direita defendendo direitos iguais perante a lei, o que era pauta exclusiva dos liberais nos séculos passados, e se mostrando contrários a políticas afirmativas e/ou segregação social praticada pela cultura do cancelamento em redes sociais (que é coletivismo, não liberalismo).

O espectro ideológico mais relevante nos dias de hoje opõe liberalismo clássico e coletivismo, opõe a defesa de direitos iguais na lei e a defesa de igualdade de resultados, opõe redução da opressão estatal sobre o indivíduo e aumento do poder estatal sobre a moralidade e o comportamento do cidadão.

Nesse aspecto, grande parte dos valores do liberalismo clássico foram incorporados pelo conservadorismo, ficando o coletivista atual com uma ideia distorcida de liberalismo. A influência marxista deslocou o foco da liberdade do âmbito individual e o posicionou em algo que só pode ser obtido pela coletividade, por isso a esquerda atual não vê problemas em retirar os direitos individuais em nome de um direito coletivo difuso, que é o direito de todos, mas não atende diretamente a ninguém.

E aqui surge mais uma questão delicada, motivo pelo qual não podemos assumir a priori que um defensor do liberalismo econômico seja, necessariamente, de direita. Pode não ser, e muitos dos que apareceram nas últimas eleições brasileiras como representantes de uma nova direita, defendem fervorosamente a redução do estado na economia, privatizações etc., mas são notavelmente coletivistas em suas visões de direito, liberdade e moralidade.

Liberalismo clássico não é liberalismo econômico. O clássico dá fundamento ao econômico, mas o econômico não garante o clássico.

Podemos associar o liberalismo econômico à defesa do livre mercado, à livre iniciativa e ao respeito à propriedade privada material. Busca-se redução da participação do estado, menos regulação, leis que promovam a concorrência etc.

Ocorre que esse tipo de abordagem econômica não necessariamente resulta em um ambiente de garantia ao liberalismo clássico, aquele que tem foco nas liberdades individuais fundamentais.

Uma distinção deve facilitar o entendimento dessa abordagem. Podemos ter um sistema contratual que garante plenamente o cumprimento de contratos entre nós e terceiros. Isso deve garantir que seus bens, seu dinheiro, seus ativos não serão usurpados pelo poder do estado ou por algum elemento fora-da-lei. Isso é uma garantia básica para o capitalismo florescer.

Ocorre que alguns contratos, de cunho liberal e não econômico, podem não ser garantidos por esse mesmo sistema que garante a propriedade privada material e as transações comerciais.

A liberdade de expressão, de credo, de defender a si e sua família contra o arbítrio do mais forte, de criar os seus de acordo com seus valores, de ir e vir, de buscar a vitória por mérito próprio entre outros direitos fundamentais, necessários para que uma pessoa possa ser e sentir-se dona de si mesma, podem não estar garantidos, mesmo sob um regime de grande liberdade econômica.

E temos exemplos disso em países comunistas e mesmo em democracias ocidentais. Fartos exemplos.

A China ostenta os melhores indicadores econômicos da história do capitalismo. Nunca ninguém cresceu tanto por tanto tempo. Recorde de produtividade, recorde de retirar pessoas da pobreza extrema, recorde de acúmulo de capitais, recorde de novos bilionários, recorde de participantes no mercado de capitais, recorde de poupança interna privada, recorde de poupança externa, praticamente nenhuma legislação trabalhista, ambiente contrário a sindicatos etc., porém, ninguém está autorizado a ter opinião própria.

Recentemente um bilionário chinês ousou criticar o sistema financeiro de seu país, desapareceu e voltou , aparentemente, “lobotomizado”. Parecia outra pessoa.

A questão material está garantida. Faça bilhões e seja bilionário. Consuma o melhor que o capitalismo pode lhe oferecer. Seja um nababo. Use Armani e dirija uma Ferrari. Mas sua alma, que é essencialmente o que diferencia você do outro, ou de um autômato operando pelo sucesso coletivo nacional, não é mais sua. É cada vez menos sua (alma aqui não tem sentido religioso ou metafísico, apenas uma referência ao que forma a individualidade de alguém – ontologia).

E esse controle, hoje, se amplia, através de sistemas de crédito social que garantem o microgerenciamento da moralidade do povo chinês, que perde ou ganha pontos por agir de acordo com uma cartilha moral do partido comunista, em um ambiente de vigilância ininterrupta. Isso é uma distopia autoritária que só víamos em ficções do século passado. Hoje é mais real do que o pior pesadelo de Orwell. E mais eficiente, pois a prosperidade gerada por um capitalismo quase selvagem de um lado, banca a obediência e a anulação da individualidade do outro.

Mas isso ocorre também nas democracias ocidentais.

O problema da falta de regulação e do “laissez-faire, laissez-passer” do liberalismo econômico é que, nem sempre, as forças econômicas se organizam em ambientes virtuosos competitivos. Principalmente se o capitalista não acredita nos valores do capitalismo e do liberalismo econômico ou clássico. Acreditem, alguns capitalistas de hoje não acreditam nem mesmo na meritocracia. Alguns não acreditam nem em valor presente líquido (VPL) positivo.

Hoje temos redes sociais de grandes corporações atuando como juízes da moralidade pública e privada, como senhores da verdade científica (que não existe, ver Karl Popper) e como censores de interpretações e opiniões que consideram inadequadas.

Entre 2020 e 2021 vivemos uma hipertrofia do poder das corporações sobre o debate público, seja pela cooptação das agências de regulação, seja pelo abuso de poder econômico, seja pela imposição de aceitação social, ainda que sob risco de perder mercado.

E tudo isso é frontalmente contrário ao liberalismo clássico. E não é uma ação do estado para reduzir liberdades individuais ou econômicas. É um capitalismo que deseja operar sem restrições estatais, porém não respeita as máximas do liberalismo clássico e cria instrumentos opressivos que, pasmem, chegam a assediar moralmente seus próprios consumidores, como faz o Uber em suas campanhas. O Uber é um exemplo de empresa que abriu o capital alertando que poderia, jamais, dar lucro. Perceba que o capitalismo sem respeito às liberdades individuais pode se tornar um instrumento de opressão, tão irracional e autoritário quando o aparelho estatal.

Uma das frases mais atribuídas aos liberais é a que diz o seguinte: posso não concordar com nada do que você diz, mas darei minha vida pelo seu direito de dizê-lo. O capitalista de hoje, em grande parte, vai frontalmente contra essa máxima liberal elementar.

É um capitalismo que quer ser livre de amarras estatais e de tradições morais, para formar uma nova moralidade coletiva em que todos devem se manifestar da mesma forma. E o mais curioso é que o faz com completa anuência e efusiva participação de coletivistas.

Pode-se até argumentar que esse controle arbitrário mental e moral, poderia trazer retorno econômico às empresas, mas isso não é liberalismo, muito menos o tipo de livre mercado que desejamos, seria apenas mais uma hierarquia forçada aos indivíduos, agindo em interesse próprio e sufocando a liberdade individual com abuso de poder econômico, tal e qual um estado totalitário. Aliás, muito semelhante à crítica que Marx fazia do capitalismo.

Boa parte dos liberais econômicos brasileiros, que procuravam se mostrar de direita há alguns anos, são, na verdade, coletivistas e antiliberais.

A esquerda do século XXI não é liberal.

Aqui entra Marx, que é, de fato, um divisor de águas no pensamento político, social e econômico.

Marx criou uma enorme confusão ao propor a ideia de que há uma (super)estrutura que impede as pessoas de serem livres, e que, para acabar com essa condição alienante e aprisionante, a estrutura precisa ser destruída.

Em seu tempo, essa estrutura era o capitalismo irrestrito do início da revolução industrial que trazia imensos graus de liberdade ao proprietário dos meios de produção, e pouquíssimos ao proletário.

Talvez sem querer ele tenha confrontado as doutrinas individualistas da época, aquelas que atribuem primordialmente à ação do indivíduo seu sucesso ou fracasso, como o cristianismo, o conservadorismo e o liberalismo clássico.

As doutrinas citadas consideram que o homem crescerá ou sucumbirá por seus próprios esforços, independentemente das oportunidades serem radicalmente diferentes. Um proletário trabalhador, crente e sem vícios viverá bem e encontrará a salvação, enquanto um proprietário de terras rico, porém descrente, alcoólatra e arrogante encontrará o infortúnio pessoal, na Terra ou na eternidade.

Como são doutrinas idealistas ou espiritualistas, a questão de ter mais ou menos recursos materiais não é decisiva. Já o marxismo é essencialmente materialista e considera, de fato, que a condição de riqueza material é superior à condição de pobreza material, sobre qualquer aspecto que se queira (material ou não). O rico estará melhor do que o pobre e ponto, não importa se este último recebe o amor da família diariamente, ou se se realiza na fé religiosa, e o primeiro convive com interesses mesquinhos em casa e pratica o mal a outrem. Para Marx, de forma simplificada, a estrutura beneficia o rico, mesmo que ele seja um inepto. A crença na filosofia moral do marxismo retira o poder do indivíduo e coloca-o na coletividade, que seria a única força que poderia destruir a estrutura opressora. Proletários de todo o mundo, uni-vos!

Não vou me estender neste artigo sobre a inconsistência desse pensamento, tanto do ponto de vista histórico quanto econômico, filosófico e sociológico, nem tratarei aqui da fragilidade intelectual dessa abordagem, pois escrevi um livro sobre filosofia da ciência e racionalidade que trata do assunto. Para mais detalhes, acessar a versão impressa AQUI e a versão online AQUI.

Voltando ao tema, ao retirar do indivíduo o poder sobre si mesmo, sobre sua vida, sobre seus resultados, sobre sua felicidade, sobre seu destino, sobre a própria interpretação que tem sobre seus feitos, e associar os fracassos ou sucessos a facilidades ou dificuldades determinadas quase que exclusivamente por uma estrutura social, econômica e ideológica, Marx criou uma variante do liberalismo que acredita que só seremos livres se todos mudarem, se tudo mudar, se todas as barreiras forem removidas, se todos viverem a mesma moral e a mesma percepção de justiça.

Acreditar nisso é necessário para formar o homem marxista, aquele que será o material humano final para a utopia de um mundo sem estados e sem países, onde todos trabalharão o que podem e receberão o que precisam. Muitos capitalistas e “democratas” ocidentais de hoje pregam isso abertamente, talvez sem perceber a relação com o marxismo.

O liberal clássico entende que o melhor mundo possível é aquele em que os indivíduos possam decidir por si mesmos quais potenciais de liberdade perseguir. Mas, obviamente, uma pessoa de um metro e cinquenta não terá facilidade para perseguir o potencial de liberdade de ser um jogador de basquete competitivo, assim como uma pessoa sem porte e saúde de atleta não perseguirá o potencial de liberdade de ser o mais forte da tribo.

O homem liberal, por ser responsável único por seu sucesso ou fracasso, busca perseguir o potencial de liberdade que lhe permite maior sucesso, e se organiza para ter a melhor vida possível dentro de suas restrições e facilidades. Potencial de liberdade significa os caminhos possíveis para percorrer. Nem todos estão à disposição, como caminhar não estará disponível para um paraplégico ou enxergar para um cego. A percepção da realidade como ela é, é variável inseparável da função de sucesso e felicidade para um indivíduo que se responsabiliza por si mesmo. O liberalismo é realista.

Seguir o marxismo e suas derivações é acreditar que “ninguém está salvo se todos não estiveram salvos”, o que é um julgamento paupérrimo sobre a realidade material. Muita gente está salva, muita gente está protegida, muita gente está em perigo, mas se considera salva, muita gente está desprotegida, mas se considera segura, assim como alguns estão ricos e se consideram falidos, outros estão plenos e se consideram vazios e assim por diante. E o tempo não para, a vida é aqui e agora, não é para quando uma utopia chegar. Ao nível do indivíduo, o coletivismo falha invariavelmente, pois trata a todos como obrigatoriamente iguais.

Por acreditar ser defensor dessa nova visão de “liberdade”, em que o homem não é nem responsável nem recipiente final da mesma, mas a coletividade é, a esquerda do século XXI ainda continua ostentando a denominação de liberal, apesar de o marxismo, na verdade, ferir o liberalismo de morte, ao torna-lo etéreo, impraticável, utópico e inatingível.

Marx conseguiu seguidores e arrebatou corações e mentes com sua guerra contra o capitalismo, porém, com a vitória evidente do capitalismo no ocidente, todas as profecias econômicas marxistas foram por água abaixo.

O capitalismo não sucumbiu, as pessoas não ficaram nominalmente mais pobres, os outros capitalistas não foram engolidos pela competição e o sistema, como um todo, trouxe enorme prosperidade aos países e povos ocidentais, ao menos para aqueles que ostentam melhores indicadores de liberdade econômica. A rigor, o capitalismo, enquanto sistema econômico e racional de alocação de valores, funcionou até em estados ditatoriais, como já tratamos sobre a China. Mas o capitalismo não é, e nunca foi, uma doutrina moral. O liberalismo é.

A ideia da ditadura do proletariado morreu. A esquerda atual não é mais sindical ou trabalhista. É mais fácil vermos um conservador pedindo sanções econômicas contra a China para trazer empregos de volta aos EUA, do que um coletivista moderno.

Mas como a estrutura mental já estava preparada, Marx não foi embora. Bastou deslocar a (super)estrutura de alienação do eixo burguesia-proletariado, para outras hierarquias sociais, comportamentais e biológicas como hetero-homo, homem-mulher, branco-negro, cis-trans, carnívoro-vegano, religioso-ateu etc.

A aderência massiva da esquerda moderna à luta contra “supremacias tradicionais e conservadoras” é uma derivação do pressuposto marxista de que ninguém pode ser livre enquanto viver sob o capitalismo, dessa forma ninguém pode ser livre sem a destruição do patriarcado, da heteronormatividade, do consumo de proteína animal, da religiosidade etc., pois são condições subjacentes que favorecem quem se encaixa nos padrões das “supremacias”.

Não cabe aqui, neste artigo, discutir a justiça de cada pleito, pois como tudo na vida, há nuances demais para afirmações categóricas. O objetivo é apenas demonstrar que isso não é liberalismo clássico, pois precisa forçar uma sociedade inteira à mudança, não reconhecendo os direitos básicos ao credo, ao livre arbítrio, a ir e vir, ao livre discurso, à livre associação etc.

A arma do revolucionário cultural não é a foice e o martelo, nem tanques ou bombas nucleares, mas a cultura do cancelamento, os fact checkers, a perseguição implacável aos conservadores, a pseudociência das certezas, o jornalismo engajado, a academia, entre outros grupos que valorizam mais a aceitação social e os likes no insta do que a própria dignidade acadêmica, higidez intelectual e livre-arbítrio.

É isso o que sobrou para a esquerda no século XXI.

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O risco de futilidade nas futuras pesquisas sobre medicamentos contra COVID

Posted on 30/07/2021. Filed under: Finanças |

Depois da corrida pelas vacinas, os grandes laboratórios passaram agora a apostar em novos medicamentos e/ou no reposicionamento de antigos para tratar COVID, seja a partir dos primeiros sintomas ou em casos graves.

O problema é que, caso as vacinas deem certo, ou seja, pelo menos reduzam de forma significativa a mortalidade e as internações, dificilmente conseguiremos montar um experimento que possa entregar significância estatística para corroborar a indicação de determinado remédio em larga escala, principalmente para cuidados no início dos sintomas.

Futilidade em experimentos científicos

Diz-se que uma pesquisa é fútil quando sua modelagem, seu desenho, não permitem evidenciar se um remédio difere do placebo.

Pegue os testes com vacinas. Aqui no Brasil foram 12.000 pessoas para entregar cerca de 250 pessoas infectadas em 5-6 meses. Com 250 pessoas infectadas, foi possível mostrar que a CORONAVAC tinha eficácia de 50,38%, com significância estatística (p-value < 0,05). Se o estudo tivesse sido montado com 1.200 pessoas, continuaríamos precisando de 250 casos para entregar o resultado, ou seja, talvez levasse anos para conseguir acumular essa quantidade. O estudo seria interrompido por futilidade.

Mas temos algo mais recente que corrobora o que escrevo.

No dia 28/07/2021, saiu um estudo sobre a avaliação de segurança e eficácia da vacina da Pfizer, por um período de 6 meses. Foram 44.000 voluntários, metade no grupo placebo, metade no grupo vacina.

Em 6 meses, houve 81 casos de COVID no grupo Vacina e 873 no grupo placebo, mostrando grande eficácia contra infecção, porém, foram 18 óbitos no grupo vacina e 16 óbitos no grupo placebo (ambos all cause mortality).

Cerca de 20.000 voluntários que não tomaram vacina entregaram, em 6 meses 873 casos. E no grupo que tomou vacina, apenas 81.

Os “grandes testes” que estão sendo feitos com remédios para tratamento inicial estão utilizando 1.000 até 3.000 voluntários, ou seja, entregarão pouquíssimos casos e, mesmo que se ache uma redução de 90% na mortalidade ou na infecção, serão tão poucos casos que não haverá significâncias estatística. Risco gigante de futilidade.

Um mundo vacinado e infectado complica demais a pesquisa

Outra questão é que, cada vez mais, não haverá grupo de voluntários não vacinados. E, também complicado, não haverá voluntários suficientes que ainda não tenha tido contato com o vírus.

Temos, hoje, 5 grupos que, infelizmente, não estão sendo divididos nas pesquisas:

  1. não vacinados que nunca tiveram COVID;
  2. não vacinados que tiveram COVID;
  3. vacinados que nunca tiveram COVID;
  4. vacinados que tomaram a vacina depois de ter COVID; e
  5. vacinados que pegaram a COVID depois de tomar a vacina.

São 5 grupos completamente diferentes e que deveriam entregar respostas imunológicas diferentes. Estamos falando de terceira dose, mas nem mesmo sabemos se uma infecção leve após a vacina geraria suficiente resposta imunológica para evitar novas infecções. Ou seja, esses novos picos na Europa, com mortalidade baixíssima, podem ter efeito de aumentar a imunidade das pessoas já vacinadas.

Isso já complica severamente as pesquisas sobre vacinas, pois sem dividir os grupos, não conseguimos isolar os efeitos de todas as formas de exposição, e ainda existe o agravante de haver várias marcas e várias tecnologias de vacina. Um pesadelo estatístico, um pesadelo para a modelagem científica.

Agora imagine pesquisas com remédios para uso inicial, nos primeiros sintomas. Teríamos que trabalhar com dezenas de milhares de voluntários, provavelmente quase todos vacinados e/ou já infectados no passado, para obter números mínimos de infecções e demonstrar a eficácia estatisticamente. E se a medida final for mortalidade, fica ainda mais difícil obter resultado estatístico, pois, como ficou claro na pesquisa com a vacina da Pfizer, em 40.000 pessoas, acompanhadas por 6 meses, houve apenas 34 óbitos, sendo que a maioria deles por questões alheias à COVID (1 óbito por COVID no grupo vacina e 2 no grupo placebo – ver quadro ao final).

Como resolver isso?

Sugeriria que os experimentos mudassem o foco da análise clínica para a análise subclínica. Deve-se fazer exames de sangue e de imagem nos voluntários para acompanhar, diariamente se possível, a evolução, pelo menos, de indicadores de coagulação e inflamação.

Isso poderia mostrar se o remédio tem potencial para reduzir os efeitos nocivos da COVID no organismo antes deles aparecerem no quadro clínico (falta de ar, trombose e embolia, por exemplo, costumam ser a manifestação clínica de algo que começa bem antes nos exames de sangue) e teríamos milhares de resultados para trabalhar, pois mesmo quando as pessoas se curam sozinhas, há uma batalha imunológica que pode deixar sequelas.

Se os remédios conseguirem barrar essa tempestade imunológica, ou reduzir seus efeitos, terão comprovação para uso.

Remédios para internados e casos severos

Para casos severos esse problema da modelagem é menos grave, pois já se parte de uma pessoa internada ou com sintomas graves. Nesse caso, como ainda é alto o índice de mortalidade para as pessoas que agravam e internam, provavelmente a variável de interesse para análise terá muitos resultados e será possível extrair significância estatística.

O problema é que, como a COVID grave gera um quadro devastador no organismo, o remédio ou será um milagre anti-inflamatório e anticoagulante, ou terá resultados pequenos, ainda que com relevância estatística.

What if…

Tudo o que escrevi depende, claro, de termos vacinas funcionais e eficazes. Se as vacinas realmente fizerem o serviço de longo prazo, provavelmente teremos pouco espaço para boas pesquisas de remédios eficazes. Não significa que não vão aparecer, provavelmente os eficazes já estão circulando há algum tempo off label, como aconteceu com o protocolo antiviral para AIDS, que levou anos para aprovação, mas era amplamente usado no mercado paralelo.

Se as vacinas não funcionarem como esperado, ou tiverem eficácia de curto prazo apenas, ou ainda se uma variante muito esperta conseguir escapar da vacina e passar a gerar problemas mesmo em vacinados, aí certamente haverá condições de montar bons estudos científicos, sem risco de futilidade, para demonstrar (ou não) a eficácia de medicamentos.

Uma coisa já é reconhecida até pelos fabricantes de vacina. O combo correto para enfrentamento da COVID é vacina + tratamento no início dos sintomas + protocolos para casos graves. Precisamos de eficácia nesses 3 pivôs, para que a pandemia fique, definitivamente, para trás.

PS. Este artigo não tem intenção de polêmica, de falar bem ou mal de qualquer abordagem, apenas discutir um problema razoavelmente evidente para a formatação de novos estudos científicos e propor diferentes abordagens para evitar o risco de futilidade nas pesquisas.

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Quem é o Verdadeiro Inimigo da Ciência: A Religião ou a Teoria Crítica?

Posted on 28/04/2021. Filed under: Finanças |

Quando tratamos de questões envolvendo marxismo, pós-modernismo, teoria crítica, pós-estruturalismo há sempre o risco de polêmica.

O vídeo a seguir é um questionamento aos (novos) ateus sobre quem seria o verdadeiro inimigo da ciência, se a religião ou a Teoria Crítica do Conhecimento (que renega o método científico como única, ou melhor, forma de sistematizar a realidade e/ou a verdade sobre a natureza).

Para quem gosta desse debate, escrevi um livro em resposta ao “Deus, um delírio” de Richard Dawkins, onde trato de questões de filosofia da ciência, natureza da verdade e da realidade objetiva e termino com uma complexa e inédita prova racional da existência de Deus (não é confortável para pessoas muito religiosas, devo alertar).

O livro está disponível gratuitamente para quem tem Kindle unlimited na Amazon:

ebook: https://www.amazon.com.br/dp/B083VW3LB9

Versão impressa: https://www.americanas.com.br/produto/1985665997

Divirtam-se (apesar de ser um vídeo denso e razoavelmente preocupante):

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Vai amortizar financiamento imobiliário? Em termos financeiros ($$$) é melhor reduzir o valor da prestação.

Posted on 26/04/2021. Filed under: Finanças |

É isso.

Muita gente tem a impressão de que é sempre melhor reduzir o prazo do financiamento, mas nesse vídeo mostro que, em condições aproximadamente iguais, as contas mostram que se gasta MENOS amortizando para reduzir o valor da prestação.

Há duas questões importantes, não financeiras:

1- A redução da prestação acaba por reduzir a pressão financeira sobre as famílias, nem sempre essa “sobra” vai ser usada para acelerar outras amortizações.

2- Do ponto de vista psicológico e comportamental, não dá para saber o que é melhor. Tem gente que prefere manter a pressão enorme de uma prestação pesada e cara para se obrigar a economizar mais e reduzir o PRAZO. Vai de cada um.

Vejam no vídeo a seguir:

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Moço, o senhor é comunista? 7 motivos (certos e errados) para chamar alguém de comunista.

Posted on 24/04/2021. Filed under: Finanças |

Virou moda chamar as pessoas de comunista no Brasil.

Mas que característica política, econômica, filosófica e moral das pessoas justificaria que fossem chamadas de comunista?

Nesse vídeo procuro debater o que é e o que não é característica do Marxismo e seus derivados.

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Dólar alto: mocinho ou bandido?

Posted on 23/04/2021. Filed under: Finanças |

Há três tipos de ciclos/círculo: o vicioso, o virtuoso e o misto.

No ciclo vicioso, as atitudes negativas e destruidoras alimentam-se a si mesmas levando o sistema a colapsar. É o caso de um casamento em crise, que leva a pessoa a beber, o que aprofunda a crise do casamento levando-o ao fim.

No ciclo virtuoso as atitudes positivas alimentam-se a si mesmas e levam o sistema ao progresso. É quando a dedicação e estudo levam a mais oportunidades de trabalho e pesquisa, o que culmina na excelência, prestígio e fortuna.

E há o ciclo misto, em que um desequilíbrio forte em uma área leva a um contraponto de equilíbrio em outra área.

É o que acontece com o dólar, que explico nesse vídeo (que é continuação desse aqui em que falei o mesmo, porém com o dólar ainda a 4 reais).

Dólar alto cria pressões terríveis por um lado, mas gera alívios enormes em outro. Isso é um ciclo misto.

Divirtam-se:

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Bitcoin: O que o IPO da COINBASE, maior corretora de criptos dos EUA, pode nos mostrar?

Posted on 21/04/2021. Filed under: Finanças |

Prezados leitores,

Aconteceu algo importante no mundo das criptomoedas, mas ainda sem a devida avaliação de impacto.

A abertura de capital da maior corretora de criptos dos EUA deve nos ajudar a conhecer melhor como funciona esse mercado, qual é seu real tamanho e, principalmente, qual o mecanismo de formação de preço das criptos.

O vídeo a seguir é uma continuação desse, em que discutimos a precificação do Bitcoin (clique no link). Divirtam-se.

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Histórias do meu querido errejota. Como o Big Brother Brasil 1 acabou com o icônico Bar Zeppelin.

Posted on 19/04/2021. Filed under: Finanças |

Caros leitores,

A seguir um vídeo abordando lugares icônicos, e que não existem mais, de um Rio de Janeiro que dá saudades.

Aos mais jovens, um relato de como nós músicos fazíamos para procurar uma música desejada e rara ANTES das facilidades da internet.

Divirtam-se com o Bar Zeppelin, a Modern Sound e um pouco de música.

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Mitos da Privatização – Fugindo das Armadilhas Ideológicas

Posted on 07/04/2021. Filed under: Finanças |

Prezados leitores,

Segue uma série com 2 vídeos sobre os principais mitos da Privatização no Brasil.

As pessoas podem ser contra ou a favor da privatização, mas o debate precisa afastar os motivos não-racionais e ideológicos, sob risco de ficarmos ainda mais presos em um pseudo-capitalismo tupiniquim.

Os mitos são:

Vídeo 1:

Mito #1: Vendemos mesmo as Riquezas Nacionais?

Mito #2: Qual é a verdadeira riqueza que uma empresa gera para o povo e o Estado brasileiros?

Vídeo 2:

Mito #3: As estatais foram vendidas a preço de banana?

Mito #4: A questão estratégica. O que é e o que não é razoável.

Divirtam-se!

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Em homenagem a Raymundo Magliano, o visionário.

Posted on 11/01/2021. Filed under: Finanças |

Hoje nos deixou Raymundo Magliano, presidente da Bovespa que promoveu a mais importante revolução da história do mercado de capitais brasileiro.

Olhando o sucesso da bolsa hoje, pode-se ter a falsa impressão de que sempre foi assim, mas não é verdade. Antes de Magliano, a bolsa era um clube com poucos operadores e com acesso limitado e impensável para pequenos investidores.

Se hoje consideramos fundamental que a bolsa seja destino para os pequenos investidores, com seus 100 reais por mês, devemos a ele. Todo o trabalho que desenvolvemos no Instituto Nacional de Investidores, deve-se à obra desse gentleman, desse visionário.

A ação da Bovespa pela popularização do investimento em ações preparou o caminho para as corretoras, os professores, os educadores financeiros e outros profissionais de varejo que hoje tornam o caminho do pequeno investidor muito mais confortável para investir em ações.

E nos deixou cedo demais. Espero que o mercado de ações não economize em render homenagens a Magliano.

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Amortização de Financiamento Imobiliário. Reduzir a Prestação ou Reduzir o Prazo?

Posted on 07/12/2020. Filed under: Finanças |

Prezados leitores,

Publiquei um vídeo sobre Amortização Extraordinária de Financiamento Imobiliário sugerindo, de forma ponderada e gentil, que é melhor reduzir o valor da prestação do que reduzir o prazo.

Algumas pessoas, nas diversas mídias em que publiquei, duvidaram dessa afirmação, acreditando que é melhor reduzir o prazo.

Entendo elas. Realmente quando estamos diante de 2 opções, por exemplo, reduzir a prestação em 10% (de 4.000 reais para 3.600 reais) ou reduzir o prazo em 30% (de 30 anos para 21 anos), dá a impressão de que é muito melhor reduzir o prazo.

Faço um mea culpa, pois eu fiz minha argumentação sem apresentar os números.

Agora refaço a argumentação com base nos números e, creio, ficará claríssimo que é preferível amortizar reduzindo o valor da prestação do que reduzindo o prazo.

Nosso exemplo:

Partiremos de um financiamento imobiliário de 360.000 reais, para ser pago em 360 meses, no sistema SAC (amortização constante), com juros de 0,8% ao mês.

O plano é quitar o financiamento em 5 anos. Isso significa, obviamente, que teremos que trazer “dinheiro novo” para fazer amortizações extraordinárias. Não considerei custos extras (seguros e taxa do banco), pois ambas as estratégias terminarão em 5 anos.

Vou comparar 2 estratégias: (i) amortizar reduzindo prestações; e (ii) amortizar reduzindo o prazo de financiamento.

O que é melhor? Veja a planilha para o primeiro ano:

O cálculo das prestações funciona assim:

  • Calculamos a amortização mensal: 360.000 em 360 meses, 1.000 reais por mês (o saldo devedor cai 1.000 reais por mês).
  • Calculamos 0,8% de juros sobre o saldo devedor. No primeiro mês pagaríamos 2.880 de juros (0,008 x 360.000). O montante de juros vai caindo, pois o saldo devedor vai caindo.
  • A prestação inicial é de 3.880 reais, e é decrescente, pois o saldo devedor sempre diminui (considerando que a TR seja zero, como tem sido).
  • No mês 12, a prestação será (desconsiderando os custos extras) de 3.784 reais.

1ª Amortização – Ano 1.

Apenas a primeira amortização será igual, pois a partir dela as prestações serão diferentes, pois uma estratégia terá redução de prazo, outra de prestação.

Restam 348.000 reais a quitar de saldo devedor. Queremos quitar em 5 anos, portanto considerarei pagar 1/5 (20%) desse saldo devedor = 69.600 reais. Após a amortização, o saldo cairá para 278.400 reais.

Cálculo da nova prestação reduzida:

  • O prazo não muda, portanto, seguiremos com 348 meses para o fim do financiamento.
  • O novo saldo devedor é R$ 278.400, para quitar em 348 meses, o que dá uma nova amortização constante mensal de 278.400 / 348 = R$ 800 por mês.
  • Os juros continuam em 0,8%, porém incidirão sobre R$ 278.400, o que daria R$ 2.227
  • A nova prestação será de R$ 3.027, 20% menor (800 + 2.227).
  • O prazo permanece em 348 meses.

Cálculo do novo prazo de financiamento reduzido:

  • A prestação não muda, portanto, seguiremos pagando, de início, R$ 3.784 (aproximadamente).
  • O novo saldo devedor é R$ 278.400, e vamos disponibilizar R$ 3.784 de início para pagar esse saldo devedor.
  • Os juros continuam em 0,8%, que incidirão sobre R$ 278.400, o que daria R$ 2.227
  • Como a prestação não muda, mas o montante de juros caiu, quanto sobra para amortização constante (o sistema continua SAC)?
  • R$ 3.874 – R$ 2.227 = 1.557. Na planilha, com arredondamentos, deu R$ 1.555.
  • Em quantos meses conseguimos pagar R$ 278.400, amortizando R$ 1.555 por mês?
  • Em 179 meses = 14 anos e 11 meses.

O que você prefere?

Reduzir a prestação de R$ 3.784 para R$ 3.027 para quitar em um prazo de 29 anos, ou

Manter a prestação em R$ 3.784 para quitar em um prazo de 14 anos e 11 meses?

Não é difícil entender por que as pessoas preferem reduzir o prazo.

Dá mesmo a impressão de que é muito melhor reduzir o prazo de pagamento em 50% do que reduzir a prestação em 20%.

Porém… a sensibilidade “correta” em finanças indica que o que acontece mês que vem é mais relevante do que o que acontece em 15 anos. Veremos.

Vamos continuar com as amortizações para ver o efeito.

2ª Amortização – Ano 2.

Desse ponto em diante as amortizações serão diferentes, pois os saldos devedores serão diferentes.

Fluxo amortizado com prestação reduzida:

  • Ao final de 24 meses, o saldo devedor será de R$ 269.600.
  • A prestação do mês 24 foi de R$ 2.957
  • Restam 28 anos (336 meses)

Fluxo amortizado com prazo reduzido:

  • Ao final de 24 meses, o saldo devedor será de R$ R$ 261.292.
  • A prestação do mês 24 foi de R$ 3.646
  • Restam 13 anos e 11 meses (167 meses)

Nós temos agora que calcular as amortizações extraordinárias, que serão diferentes, pois os saldos devedores são diferentes. Como queremos quitar ao final de 5 anos (60 meses), faremos uma amortização de ¼ (25%) do saldo devedor em ambos os fluxos:

  • No fluxo com prestação reduzida amortizaremos R$ 67.400, restando R$ 202.200.
  • No fluxo com prazo reduzido amortizaremos R$ 65.323, restando R$ 195.969.

Cálculo da nova prestação reduzida:

  • O prazo não muda, portanto, seguiremos com 336 meses para o fim do financiamento.
  • O novo saldo devedor é R$ 202.200, para quitar em 336 meses, o que dá uma nova amortização constante mensal de 202.200 / 336 = R$ 601 por mês (aproximadamente).
  • Os juros continuam em 0,8%, porém incidirão sobre R$ 202.200, o que daria R$ 1.618
  • A nova prestação será de R$ 2.219, 25% menor (1.618 + 601).
  • O prazo permanece em 336 meses.

Cálculo do novo prazo de financiamento reduzido:

  • A prestação não muda, portanto, seguiremos pagando, no mês 25, R$ 3.631 (aproximadamente a prestação que teríamos se não houvesse a amortização).
  • O novo saldo devedor é R$ 195.969, e vamos disponibilizar R$ 3.631 de início para pagar esse saldo devedor.
  • Os juros continuam em 0,8%, que incidirão sobre R$ 195.969, o que daria R$ 1.568
  • Como a prestação não muda, mas o montante de juros caiu, quanto sobra para amortização constante (o sistema continua SAC)?
  • R$ 3.631 – R$ 1.568 = 2.063.
  • Em quantos meses conseguimos pagar R$ 195.969, amortizando R$ 2.063 por mês?
  • Em 95 meses = 8 anos e 11 meses.

PARA TUDO!!!!!!!!

Neste momento o leitor deve estar certo de que é muito melhor reduzir o prazo do que reduzir a prestação e que eu estou errado…

Em 2 amortizações com valores próximos (R$ 137.000 para reduzir prestação e R$ 134.923 para reduzir prazo) a prestação cairia de 3.880 para 2.219 (43% menor), mas o prazo remanescente seria de 95 meses e não de 336 (71% menor).

Aí entra o “feeling” do financista. Dinheiro agora é melhor do que depois. Pagar menos agora é melhor que pagar menos depois. Tudo isso ponderado pela taxa de juros.

A grande vantagem de reduzir a prestação é fazer caírem os custos mensais HOJE e não daqui a 15 anos. E isso, numa lógica financeira e de fluxo de caixa descontado, fala muito alto. Veremos.

Resultados finais

Não vou demonstrar o efeito de todas as amortizações até quitar o saldo devedor em 5 anos. Está na planilha, para quem quiser acompanhar os detalhes. Vamos diretamente aos resultados finais.

A comparação que farei agora é quanto ao pagamento total de juros, de amortizações normais (mensais) e de amortizações extraordinárias.

A pessoa que defende a redução de prazo, se já estava certa de sua posição, agora vai parecer ter certeza… mais uma vez vai achar que estou errado.

Os totais pagos são muito próximos, diferença de apenas 524 reais. Porém esses totais ocorrem de formas muito diferentes.

Quem opta pela prestação reduzida precisa de 325.933 reais em amortizações extraordinárias, enquanto quem opta pelo prazo reduzido precisa apenas de 248.340 reais em amortizações extraordinárias. Uma diferença de 77.594 reais.

Porém, quem opta pela prestação reduzida gasta muito menos com amortizações normais mensais (36.073 reais contra 120.720).

Quem opta por reduzir a prestação acaba pagando 7.578 reais de juros a mais.

O que fica “oculto” nessas contas é que quem opta por reduzir a prestação, acaba pagando menos em prazos mais próximos, e quem opta por reduzir o prazo, acaba pagando menos em prazos mais distantes. Essa questão deve ficar clara adiante, quando olharmos para o fluxo de caixa de ambas as estratégias.

Perceba que, no primeiro ano, não há diferença (115.544). No segundo ano o fluxo nominal de quem reduziu a prestação é menor. Enquanto aquele que optou pela redução de prazo tem um desembolso de 109.892, quem optou pela redução da prestação tem um desembolso de 103.304 (já contando a nova amortização ao final do ano 2).

E essa realidade permanece no ano 3 e no ano 4, e apenas se reverte no ano 5.

Ou seja, quem optou por reduzir a prestação gastou MENOS nos anos 2, 3 e 4, enquanto que quem optou por reduzir o prazo pagou menos apenas no ano 5.

Quem optou por reduzir a prestação economizou R$ 6.588 no ano 2, R$ 8.729 no ano 3 e R$ 3.740 no ano 4. Pagará a mais R$ 19.580 no ano 5 (pois precisa fazer uma amortização extraordinária mais alta para quitar).

Pensando em termos nominais, a diferença é irrelevante (524 reais), mas em termos REAIS, ou seja, descontando pela taxa de juros apropriada, ficará evidente que escolher a redução da prestação é o correto a fazer.

Se descontarmos pela taxa do financiamento, 0,8%, o benefício HOJE, seria de R$ 4.812. Em outras palavras, você economizou, em termos reais, 4.812 ao optar por amortizar reduzindo a prestação e não o prazo.

A taxa de financiamento imobiliário costuma ser a melhor da economia, o financiamento para outras compras costuma ser ainda mais alto. Portanto, se essa economia feita for utilizada para evitar outros financiamentos mais caros, com taxa, por exemplo, de 1,2% ao ano (compra de carro, CDC, financiamento bancário etc.), a economia HOJE saltaria para 6.194.

Conclusão

Não há justificativa financeira ou até de planejamento patrimonial e/ou orçamentário para escolher reduzir o prazo em vez de escolher reduzir a prestação.

As pessoas têm uma visão de que conseguem quitar “mais rápido” se reduzirem o prazo, mas essa visão não tem respaldo nos cálculos. Se ela quitou o saldo devedor, é porque fez amortizações extraordinárias suficientes para pagar esse saldo devedor. Tanto faz se reduziu prestações ou o prazo.

Se escolher reduzir prazo, fará amortizações mensais muito altas e amortizações extraordinárias menores, se escolher reduzir a prestação fará amortizações mensais baixas e amortizações extraordinárias mais altas.

A decisão, porém, é de foro íntimo, e para alguns ter uma dívida muito longa é mais angustiante do que a prestação atual mais alta.

Mas, do ponto de vista financeiro, seu gasto será menor se reduzir a prestação.

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Como evitar a Síndrome do Otário na Bolsa? Balanceamento de carteira (1995 a junho de 2020).

Posted on 08/10/2020. Filed under: Finanças |

Série dividida em 2 vídeos sobre balanceamento de carteira.

Vídeo 01 – Como fazer o balanceamento de carteira.

Vídeo 02 – Gráficos e Tópicos Avançados
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Ferramentas para Seleção de Ações: o Envelope de Preço/Lucro (Banestes BEES3)

Posted on 01/10/2020. Filed under: Finanças |

Nesta série de 2 vídeos, mostramos o coração do Método INI (Stock Selection Guide – SSG): O histórico de máximas e mínimas da relação preço/lucro.

Parte 1: O que é o Preço/Lucro, o que significa seu histórico, qual sua relação com o estado da economia e com as taxas de juros, e o que é o “Envelope de P/L”.

Parte 2: Como construir o “Envelope de P/L” com ferramentas gratuitas na Internet.

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Como Transformar Lixo em Ouro? A história do CDO e do CDS

Posted on 12/09/2020. Filed under: Finanças, Matemática | Tags:, , , , , , , , |

O vídeo a seguir é para corrigir uma percepção errada que as pessoas tiveram assistindo ao filme “The Big Short” (A Grande Aposta).

O filme sugeriu, corretamente, que os bancos juntavam hipotecas podres em fundos (SIV) e vendiam como se fossem investimentos AAA (risco quase zero).

É verdade, fizeram isso, mas isso não é fraude, ao contrário, é genial.

A fraude veio de outro lugar (falta de transparência dos bancos e ganância excessiva dos operadores, corretores, proprietários etc.). CDO e CDS são dois instrumentos avançadíssimos em finanças.

Em 2008 cheguei a criticar o CDS, mas depois entendi que ele é um seguro “fake”, cujo único objetivo é dar preço para o risco de crédito.

Divirtam-se!

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Investimento Consciente em Ações – Os 5 princípios do INI.

Posted on 26/08/2020. Filed under: Filosofia, Finanças, Matemática |

Prezados,

Tivemos 900.000 pessoas entrando na bolsa durante essa pandemia. Resolvi resumir em 4 pequenos vídeos os princípios do investidor consciente em Bolsa de Valores.

São princípios trazidos para o Brasil pelo saudoso Instituto Nacional de Investidores, que operou de 2003 a 2012 e atingiu mais de 70.000 investidores ao redor do Brasil.

Os dados são baseados na revisão do meu livro “O Mercado de Ações em 25 Episódios” (em promoção na Amazon). Divirtam-se!

Primeiro Princípio: Investir regularmente pequenas quantias.

 

Segundo Princípio: Reinvestir ganhos e dividendos durante o período de acumulação

 

Terceiro Princípio: Comprar empresas de crescimento (growth stocks) a múltiplos razoáveis

 

Quarto Princípio: Diversificação e Quinto Princípio: Procurar empresas com elevados padrões de governança corporativa.

 

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O Grande Reset. Por que a cada crise econômica surgem essa ideias de “mudar o mundo”?

Posted on 09/08/2020. Filed under: Finanças |

Caros leitores.

Vamos a mais um “fim do capitalismo”. Deve ser o trigésimo desde que foi previsto em 1850.

Dessa vez a nova reformulação do capitalismo é chamada de “O Grande Reset”.

Querem “aproveitar” o caos econômico gerado pela pandemia para forçar mais ingerência de organismos multilaterais (ONU, OMS, FMI etc.) nos países e nas pessoas.

Essas ideias não são novas, na verdade voltam com força a cada crise econômica mundial. Assim com vêm, vão embora.

Há coisas gravíssimas para nos preocuparmos, mas certamente não é com um grande governo mundial que resolveremos problemas globais.

Neste vídeo relembro as origens dessa ideia de aldeia global, que remonta ao início da revolução industrial e aos diagnósticos (errados) de Marx sobre o futuro do capitalismo. Não há surpresa, isso sempre volta.

Ps. Sempre vem alguém me mandar “ler O Capital”. Bom, O Capital é um livro inútil para entender a filosofia de Marx. O Capital é a aplicação de ideias erradas sobre sociologia, psicologia e filosofia aplicadas em economia.

Para entender Marx tem que ler A Ideologia Alemã. Nesse livro tem tudo, O Capital só vai servir para propagar ideias econômicas erradas, baseadas em princípios e pressupostos errados, revelados em A Ideologia Alemã.

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Renda Mínima Universal é possível no Brasil?

Posted on 07/08/2020. Filed under: Finanças |

Caros leitores,

Será que o Brasil tem cacife para bancar uma renda mínima universal, ou, como querem governadores e prefeitos, manter o auxílio emergencial para sempre?

Primeiro, vale colocar, que distribuir a arrecadação de impostos diretamente para as pessoas NÃO é uma ideia “comunista”, é imposto negativo, bem liberal até. “Comunismo” pressupõe que o estado substitua o discernimento das pessoas, portanto ele, discricionariamente, oferece o serviço ou produto que ele entende melhor para a população. Entregar $$$ e deixar as pessoas decidirem, é prestigiar o discernimento do indivíduo.

Mas esse não é o nosso problema.

Você sabia que, se distribuíssemos toda a arrecadação de impostos, das 3 esferas, entre todos os brasileiros daria cerca de 950 reais por mês para cada um? E que se fizéssemos isso, não haveria mais nenhum serviço público e mais nenhuma aposentadoria paga?

Pois é. Na Dinamarca essa distribuição daria cerca de 12.000 reais por mês por habitante.

Mesmo no Chile, teríamos cerca de 1.300 reais por mês, mas com uma ENORME diferença: a carga tributária deles é de 21%, a nossa de 35%.

Falo desse e de outros temas, como impostos sobre dividendos, redução dos abatimentos no Imposto de Renda, imposto sobre fortunas etc., no vídeo a seguir:

 

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Por que os ateus sempre vencem os debates com os apologistas?

Posted on 05/08/2020. Filed under: Finanças |

Prezados leitores,

É claro que um ateu não consegue provar que Deus não existe para uma pessoa que acredita de fato nisso. Assim como o contrário também não acontece.

Mas por que temos a impressão de que os ateus estão mais bem preparados para o debate racional, mesmo quando enfrentam pessoas eloquentes como Jordan Peterson e Willian Lane Craig?

São dois pontos:

1- Os ateus forçam o jogo no campo do empiricismo e da lógica formal, campos onde só se pode provar Deus através de um debate causal e local, o que é incompatível com o conceito de entidade onipotente, onisciente e onipresente.

2- Quando os apologistas tentam trazer o Deus não causal e não local para o debate, são acusados de “inventar” outro Deus e são forçados a voltar ao campo do empiricismo e da lógica formal, que são instrumentos intelectuais interessantes para trabalhar conceitos parciais e reducionistas, jamais para trabalhar conceitos amplos.

Debato essas e outras questões no Livro: Tudo é Impossível, Portanto Deus Existe: Uma história da razão, da ciência e de Deus.

Versão Kindle: https://www.amazon.com.br/dp/B083VW3LB9

Versão impressa (USA, EU e Japão, entrega no Brasil): https://www.amazon.com/dp/1650847890

Impresso no Brasil (estoque limitado): https://produto.mercadolivre.com.br/MLB-1451924969-tudo-e-impossivel-portanto-deus-existe-paulo-portinho-_JM?quantity=1#position=1&type=item&tracking_id=9968e18d-bb11-42bb-a29a-52c1b3363615

 

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Devemos fazer poupança para os filhos? Prós, contras e os principais cuidados.

Posted on 22/07/2020. Filed under: Administração, Finanças |

Caros leitores,

Pode parecer uma coisa óbvia que é bom fazer poupança para os filhos, mas há muitos cuidados importantes e alguns perigos.

1. Essa poupança não deve comprometer a capacidade financeira dos pais para formarem sua própria poupança de longo prazo.

2. Tem que decidir se a poupança será para pagar algo específico no futuro (faculdade, intercâmbio), ou será integralmente entregue ao filho na maioridade.

3. Tem que associar poupança com educação financeira em mercados de risco desde cedo, para evitar que os recursos atrapalhem mais do que ajudem no processo de ensinar os filhos a lidar com dinheiro.

 

 

Quanto Custa Ficar Rico?

 

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  • Disclaimer

    Este blog é um ambiente privado para expor opiniões, estudos, reflexões e comentários sobre assuntos ligados a finanças, bolsa de valores, economia, política, música, humor e outros temas.

    Seus objetivos são educacionais ou recreativos, não configurando sob nenhuma hipótese recomendação de investimento.

    O investidor consciente deve tomar decisões com base em suas próprias crenças e premissas. Tudo que lê ou ouve pode ser levado em consideração, mas a decisão de investimento é sempre pessoal. Tanto na escolha de ações para carteira própria, quanto na escolha de gestores profissionais para terceirização da gestão.

    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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