Finanças

Mitos da Privatização – Série com 5 vídeos

Posted on 11/06/2018. Filed under: Filosofia, Finanças, Política | Tags: |

Prezados,

Eleição se avizinha e, provavelmente, haverá algum debate sobre a privatização de empresas públicas. Apesar de a maioria dos candidatos ser contra a privatização, ao menos de setores estratégicos, entendo que o debate está pobre, porque está interditado, desde 1950.

Tratarei de 5 mitos, os quais revelo no primeiro dos 5 vídeos, são eles: 1 – A venda das riquezas nacionais, 2 – A geração de riqueza para o povo brasileiro vem da operação ou do controle?, 3 – Estatais são sempre vendidas a preço de banana? e 4 – A questão estratégica.

Em meu entendimento as pessoas contrárias às privatizações não deveriam basear seus argumentos nos mitos que tratei nos vídeos, pois não fazem sentido.

Podem basear seu interesse em manter as empresas sob controle estatal por vários motivos, a maioria ideológicos.

Por exemplo, pode entender que o orçamento da empresa deverá ficar à disposição do controlador público. Como é na Venezuela ou na Arábia Saudita.

Ou pode achar, por motivo ideológico, que a empresa não deve ser gerida pelo interesse privado do lucro, que não deve buscar a maximização do seu tamanho (valor da firma) e do lucro. Ou seja, não deveria seguir a lógica capitalista.

Não deve JAMAIS usar a Equinor (Statoil) como exemplo, pois a empresa é gerida dentro da lógica capitalista, não mistura seu orçamento com o orçamento soberano norueguês, apenas contribui, com lógica eminentemente financeira e de mercado, para o fundo soberano do seu país (através de impostos e participações, principalmente). Statoil não é PDVSA ou Saudi Aramco, não está à disposição do governo norueguês (que tem 67% das ações), e atua de forma absolutamente capitalista em mais de 30 países, explorando petróleo e gás, com foco no lucro.

Entretanto, não há qualquer sentido em manter a empresa estatal se não for por motivos de cunho ideológico ou de crença anti-mercado ou anti-capitalista.

Isso deverá ficar claro nos vídeos abaixo.

Gostaria que o debate fosse nivelado por cima, por isso fiz os vídeos. Infelizmente, até agora, só vi afirmativas sem argumentos, sem números, sem dados (exceto os pequenos, que representam a lógica de mercado, como o João Amoedo e o Flávio Rocha).

Espero ajudar para elevar o nível do debate.

Seguem os vídeos:

 

 

 

 

 

 

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Fake News! Petrobras atinge o maior valor de mercado de sua história – Estadão 09/05/2018

Posted on 10/05/2018. Filed under: Finanças, Política | Tags:, , |

Good lord, you are fake news, diria Tio Trump.

Lamentável a notícia do Estadão de ontem, informando que a Petrobras havia atingido seu maior valor de mercado da história.

Quem acompanha o blog, sabe que é uma absurda mentira. Acompanhamos os altos e baixos da ação há mais de 10 anos.

Nem seria preciso fazer uma pesquisa extensa, basta lembrar dos valores da capitalização em 2010, cerca de 29 reais para a ON e 26 reais para a PN, patamares bem superiores aos atuais.

Mas o maior valor de mercado foi quando?

Vamos à realidade.

O maior valor de mercado foi atingido durante a exuberância irracional (tão tratada no blog e antes na lista de emails) do ano de 2008, mais precisamente no último mês dessa exuberância, antes da derrocada.

Em 21/05/2008 a Petrobras atingiu R$ 510.394.808.680, ou seja, 510 bilhões de reais

O tal “valor máximo” do Estadão é 38,8% menor do que o valor máximo verídico.

Antes de prosseguir, eu li a reportagem inteira, não vou reproduzir aqui, pois não tenho autorização,  mas adianto que não há qualquer consideração do tipo “maior valor desde a lava-jato” ou “maior valor da década” etc., ou seja, é fake news truly!

Pode ser proposital, pode ser fragilidade de conhecimento de mercado, não convém especular.

Mas a informação não está apenas errada, está erradíssima! A perda é muito pior.

Pensando em outros aspectos relevantes, esse valor de 312 bilhões informado como “máximo histórico” pelo Estadão é, na verdade, muito, muito, muito, muito menor do que os 510 bilhões de maio de 2008.

A perda de valor da Petrobras foi bem mais feia do que esses números conseguem mostrar.

Em Valor de mercado por ação

Em 2008 a Petrobras tinha exatamente 8,77 bilhões de ações emitidas, em 2018, por conta da capitalização de 2010, essa quantidade passou a 13,04 bilhões.

Ou seja, o valor médio de uma ação, na máxima de 21 de maio de 2008, era de R$ 58,17 (média, sem dividir em ON e PN). Em 2018, na “máxima do Estadão”, seria de R$ 23,91.

Ou seja, em termos de valor por ação a máxima seria de R$ 58,17 em 2008 e de R$ 23,91 em 2018.

A perda, em valor unitário das ações, chega a 59%.

Em dólar

Aí dá aquela tristeza…

O dólar em 21 de maio de 2008 estava em 1,6484 reais, em 09 de maio de 2018, atingiu R$ 3,59.

Prepare-se amigo.

O valor em dólar da Petrobras em 2018 atingiu, ontem, US$ 89,5 bilhões.

Em maio de 2008 era de incríveis US$ 309 bilhões.

Em dólar a perda é de 71%.

Fake news. Triste ver isso nas páginas de economia de um grande jornal.

 

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Guia financeiro para a compra e venda do imóvel próprio.

Posted on 07/05/2018. Filed under: Finanças | Tags:, , , , , , , |

Os leitores que acompanham o blog sabem que disponibilizei uma planilha para cálculo do valor justo dos imóveis, em 2010. Neste link.

Tenho notado a volta de lançamentos imobiliários em São Paulo e cidades do interior, com preço menor do que no pico em 2014-2015, porém ainda bem mais altos do que a realidade de 2009-2010.

O único mercado que continua forte é o do Minha Casa, Minha Vida, com a MRV e a Tenda mostrando resultados bem melhores do que as construtoras e incorporadoras de outros segmentos. Juro subsidiado e prestação menor do que o aluguel estimulam esse mercado.

Os juros para os outros segmentos estão em patamares de 2010.

Mesmo a SELIC estando no menor nível da história, isso ainda está longe de se refletir nos juros do SFH e dos financiamentos de imóveis mais caros.

Pesquiso o tema desde 2009. Em 2010 os juros para financiar imóveis fora do Sistema Financeiro de Habitação, para quem tinha risco baixo, atingiam cerca de 10,5% a 11% ao ano.

Em 2013, com SELIC em pouco mais de 7% ao ano, foi possível conseguir financiamento imobiliário a 8,5% ao ano, mesmo para imóveis acima do limite do SFH.

Em 2015, com SELIC a mais de 14%, esses 8,5% passaram a 9,5%-10%.

Hoje, com SELIC a 6,25%, estão na faixa de 10,5%-11% (fora do SFH).

Parece estranho, mas a explicação é simples. Juro de financiamento imobiliário é juro de longo prazo. Os bancos não acreditam que os juros possam se manter baixos por muito tempo. A julgar pelo crescente desequilíbrio das contas públicas, não estão errados.

Quanto pagar por um imóvel?

As planilhas a seguir são meramente financeiras. Não há qualquer consideração de caráter subjetivo, apenas uma equivalência de fluxos de caixa, ou seja, apenas calculo qual seria o valor a pagar por um imóvel a partir do aluguel observado na região.

Por exemplo:

R$ 25,00 por metro quadrado. Imóvel na Zona Oeste de São Paulo, 100 m2 a R$ 2.500 o aluguel. 

A planilha vai calcular o preço MÁXIMO a pagar por metro quadrado, a partir de duas variáveis:

  • Expectativa de valorização anual do imóvel
  • Retorno anual obtido com investimentos de risco similar (líquido de IR).

São as variáveis mais relevantes. Ambas NÃO consideram inflação, portanto, deve-se pensar em rentabilidade NOMINAL e não real.

Para essa região de SP, esse valor de R$ 25,00 o metro quadrado no aluguel se verifica em imóveis com 15 a 30 anos de construção, 1 vaga, alguma infraestrutura e condomínio máximo de R$ 1.500,00.

O condomínio hoje é um fator gravíssimo de destruição de valor dos imóveis. Em regiões como o Panamby e Real Parque, há imóveis de luxo com aluguéis de R$ 5,00 o metro quadrado, porque o condomínio chega a R$ 15,00 – R$ 20,00 por metro quadrado.

As premissas.

A realidade do Brasil hoje permitiria estimar que o investimento em ativos de risco semelhante daria algo como 8% ao ano (fundos de investimento imobiliário, CRI, debêntures etc.).

A estimativa para a valorização do imóvel, para ser razoável, não deveria considerar mais do que 1% a 2% acima da inflação no longo prazo. Hoje isso significaria algo entre 5% e 6% ao ano.

Isso daria, como preço justo do valor do Metro Quadrado de compra/venda, pela planilha que veremos a seguir, cerca de R$ 7.113. Valor muito próximo dos melhores negócios anunciados na região, com vários imóveis, até mais novos, entre 650.000 e 800.000 (com o mesmo patamar de aluguel).

R$ 60,00 por metro quadrado. Imóvel no Leblon, 80 m2 a R$ 4.800 o aluguel. 

Com as mesmas premissas, daria um valor MÁXIMO a pagar pelo metro quadrado de R$ 17.071, sugerindo um valor justo de R$ 1.365.000. Próximo ao verificado no bairro, para imóveis que efetivamente alugam a 4.800 reais.

R$ 15,00 por metro quadrado. Imóvel no interior, 120 m2 a R$ 1.800 o aluguel. 

Com as mesmas premissas, daria um valor MÁXIMO a pagar pelo metro quadrado de R$ 4.268, sugerindo um valor justo de R$ 512 mil.

Quanto pagar? As planilhas.

A partir da realidade dos aluguéis do seu bairro, município ou região, vejam a seguir os resultados, para cada premissa de crescimento dos investimentos e do preço do imóvel.

Valor do aluguel por m2 R$ 15,00
Taxa de juros % anual dos investimentos
% anual de valorização do imóvel

4%

6% 8%

10%

2%  R$     5.888  R$     3.778  R$     2.747  R$     2.143
4%  R$     7.789  R$     4.822  R$     3.401  R$     2.587
6%  R$   10.387  R$     6.226  R$     4.268  R$     3.164
8%  R$   13.936  R$     8.117  R$     5.417  R$     3.919

 

Como interpretar essa planilha?

Simples, para calcular o valor MÁXIMO a se pagar no metro quadrado, a primeira coisa a fazer é ver no mercado quanto se cobra pelo aluguel na região. Se, por exemplo, por um apto de 100 metros quadrados cobra-se em média R$ 1.500, a média da região é de R$ 15,00 por metro quadrado.

Após, pergunte-se: quanto o imóvel deve valorizar e quanto recebo dos meus investimentos (juros ao ano)?

Se pensou que o imóvel pode valorizar igual à inflação projetada (4% ao ano) e que seus investimentos estão remunerando seu capital em 8% líquidos de IR, basta procurar na planilha de R$ 15,00 a coluna de 8% e a linha de 4%. Você verá que só poderá pagar até R$ 3.401 por metro quadrado.

CUIDADO COM SUAS PREMISSAS!

Se considerar que o imóvel pode valorizar muito, por exemplo, 8% ao ano e seus investimentos vão dar apenas 4% ao ano, vai procurar na planilha a coluna de 4% e a linha de 8%. Aí o valor justo do metro quadrado passaria para R$ 13.936.

E é clara essa relação, pois se o imóvel vai valorizar mais do que o dinheiro aplicado, será uma aplicação melhor do dinheiro, por isso você poderia pagar mais caro por ele.

Porém esse excesso de otimismo pode fazer você pagar caro demais pelo imóvel. Exatamente o que ocorreu no Brasil de 2012 a 2015.

 

Valor do aluguel por m2 R$ 25,00
Taxa de juros % anual dos investimentos
% anual de valorização do imóvel

4%

6% 8%

10%

2%  R$     9.814  R$     6.296  R$     4.578  R$     3.571
4%  R$   12.981  R$     8.037  R$     5.669  R$     4.311
6%  R$   17.312  R$   10.377  R$     7.113  R$     5.274
8%  R$   23.226  R$   13.528  R$     9.028  R$     6.532

 

Valor do aluguel por m2 R$ 40,00
Taxa de juros % anual dos investimentos
% anual de valorização do imóvel

4%

6% 8%

10%

2%  R$   15.702  R$   10.074  R$     7.325  R$     5.714
4%  R$   20.770  R$   12.859  R$     9.070  R$     6.898
6%  R$   27.699  R$   16.603  R$   11.381  R$     8.438
8%  R$   37.162  R$   21.645  R$   14.445  R$   10.451

 

Valor do aluguel por m2 R$ 60,00
Taxa de juros % anual dos investimentos
% anual de valorização do imóvel

4%

6% 8%

10%

2%  R$   23.554  R$   15.110  R$   10.987  R$     8.570
4%  R$   31.154  R$   19.289  R$   13.606  R$   10.346
6%  R$   41.549  R$   24.905  R$   17.071  R$   12.658
8%  R$   55.742  R$   32.467  R$   21.667  R$   15.677

 

E para quem quer comprar para investir?

Bom, esse tem que comprar barato, caso contrário os retornos seriam péssimos.

Veja as planilhas de retorno mensal:

Taxa de juros % anual dos investimentos

% anual de valorização do imóvel

4%

6% 8%

10%

2% 0,25% 0,40% 0,55% 0,70%
4% 0,19% 0,31% 0,44% 0,58%
6% 0,14% 0,24% 0,35% 0,47%
8% 0,11% 0,18% 0,28% 0,38%

 

Como interpretar essa planilha?

Pense no imóvel que quer comprar para alugar.  Vamos supor que, por exemplo, o aluguel esteja na faixa de R$ 25,00 por metro quadrado.

Vá agora na planilha de preços de metro quadrado (R$ 25,00). Se você conseguir pagar R$ 3.571, o valor mais baixo da planilha, terá um retorno de 0,70% no aluguel. Se pagar o valor mais alto, R$ 23.226, terá um retorno com aluguel na faixa de 0,11% ao mês.

Pode-se considerar que seria um bom retorno, dada a realidade atual, ter entre 0,35% e 0,45% no aluguel. Isso significa que os patamares mais razoáveis de preço estão nas combinações seguintes ( coluna 8% / linha 6%), (coluna 8% / linha 4%), (coluna 6% / linha 2%), (coluna 10% / linha 8%) e (coluna 10% / linha 6%).

O que isso significa?

Que o mercado entende que a diferença razoável entre a rentabilidade obtida nas opções de investimento e a valorização do imóvel (ambas projetadas) está entre 2% e 4% ao ano.

Esses cálculos funcionam?

É apenas um cálculo de equivalência de fluxos de caixa, apenas compara valores presentes que equilibram financeiramente a relação entre alugar e comprar.

O preço justo está calculado corretamente, mas não tem nenhuma variável subjetiva, apenas grana.

O que o interessado em comprar um imóvel pode fazer é ver o preço justo na planilha e decidir-se por pagar 10% a 20% mais pela vontade de ter um imóvel próprio.

O investidor, porém, não deve jamais tomar decisão dessa forma.

Se o leitor procurar nos sites de busca de imóveis, vai ver que os preços estão bem próximos aos previstos, lembrando que sempre pode haver gente pedindo valores absurdos e, infelizmente, pode haver gente PAGANDO valores absurdos. A devolução recorde de imóveis nos últimos anos mostra que a irracionalidade financeira sempre pode ocorrer.

De qualquer forma, é importante para o interessado em comprar um imóvel que calcule seu preço justo FINANCEIRO para depois decidir o quanto poderá pagar a mais, caso não encontre um imóvel no preço justo.

Pense: qual é o motivo de pagar R$ 1,5 milhão por um imóvel que você pode alugar por R$ 3.000?

Parece absurdo não é, mas em 2015, no Leblon, havia apartamentos avaliados em R$ 2,5 milhões sendo alugados por menos de R$ 5.000 ao mês.

É absurdo mas acontece.

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O Brasil de 2018, o papel do BNDES e a Compra da National Beef pela Marfrig

Posted on 17/04/2018. Filed under: Finanças |

Um dos principais problemas da política industrial e econômica dos governos brasileiros, antes mesmo de Lula e Dilma, sempre foi a definição da participação e do papel do BNDES.

Até que ponto a participação do banco nos negócios privados seria saudável, tanto para o desenvolvimento dos mercados, quanto para a proteção do orçamento público?

Como o BNDES é um banco de fomento, cujo objetivo principal não é o lucro, mas o desenvolvimento da política de investimento do Governo Federal, não há uma racionalidade clara e objetiva a seguir. Veja o que está no Estatuto do Banco:

Art. 3º O BNDES é o principal instrumento de execução da política de investimento do Governo Federal e tem por objetivo primordial apoiar programas, projetos, obras e serviços que se relacionem com o desenvolvimento econômico e social do País.

 Art. 4º O BNDES exercitará suas atividades, visando a estimular a iniciativa privada, sem prejuízo de apoio a empreendimentos de interesse nacional a cargo do setor público.

Quando o objetivo é o lucro, as finanças falam mais alto e raramente um ente privado age de forma irracional ou inconsistente.

Mas o “interesse nacional”, o “desenvolvimento econômico e social do país” e a “política de investimento do governo” têm racionalidade atrelada ao sistema ideológico do próprio governo, que nem sempre foi favorável ao desenvolvimento do mercado e ao capitalismo.

Nem na era FHC, apesar das privatizações que, assim como hoje, ocorreram mais por questões de falência orçamentária, do que por crença na superioridade de gestão e de decisão da iniciativa privada.

A crença no Estado como principal fomentador de crescimento econômico

Aqui no Brasil a crença no papel agigantado do Estado é muito enraizada, está tanto nos mais pobres quanto nos mais ricos, isso faz com que o Brasil tenha uma elite pouco empreendedora, mas muito bem relacionada.

Nem sempre CEO´s e CFO´s, dirigentes de grandes empresas, são escolhidos por sua capacidade de realização técnica no trabalho, mas (para alguns setores), pelo trânsito com os donos do poder, do sistema legislativo, e do orçamento público.

Em países altamente coletivistas como o nosso (que desprezam o sucesso individual), a elite política se mantém criando bolsões de dependência para os pobres, ligados às políticas públicas de cunho social, e sistemas de dependência dos ricos, ligados às políticas de financiamento e participação em obras, concessões e parcerias públicas.

É do interesse do nosso sistema político ter à mão tanto os mais pobres, quanto a elite empresarial.

Só uma pessoa muito ingênua poderia olhar o país nos últimos 15-20 anos e não perceber que esse sistema de dependência retroalimentada do orçamento público, e das decisões de governo, praticamente determinou quem deveria ou não vencer na economia nacional.

Está aí a Lava-jato que não me deixa mentir.

O interesse público em uma economia liberal de mercado é medido de outra forma

O interesse público deveria ser o resultado que se obtém ao permitir que todas as pessoas ajam livremente, de acordo com seu melhor interesse, dentro das leis, regras, cultura e ética de uma sociedade.

Ou seja, a melhor expressão do interesse público não é o que um burocrata ou um líder coletivista dizem, mas o efeito da interação individual, em plena liberdade e dentro da lei e da boa governança.

Esse é o “preço de mercado” do melhor status possível de relacionamento social.

O coletivista não entende assim, crê que o interesse público não é atingido pela plana e livre interação entre interesses individuais, mas pela política pública coletiva (que ele próprio vai definir, claro).

São visões de mundo diversas. No Brasil imperou (e impera) o direito coletivo sobre o direito individual. E por isso os indivíduos perderam vários graus de liberdade a partir da Constituição Federal de 1988, em prol do direito de algumas coletividades sem personalidade jurídica (ás vezes até inexistentes mesmo), mas socialmente organizadas.

Na sociedade, esse coletivismo é altamente opressivo para o indivíduo, inclusive para aqueles a quem se pretende “proteger. E na economia, esse coletivismo é desastroso.

Não é à toa que países altamente dirigistas em suas economias, países antimercado e contra o livre empreendimento, acabam empobrecendo e levando sua população à fome.

Menosprezam a inteligência de milhões de agentes econômicos racionais, e prestigiam a “intelligentsia” de um grupo dirigente (que às vezes mal sabe escrever e fazer conta).

E assim foi por aqui. Grandes empresas brasileiras viveram sob os auspícios e subsídios do orçamento público. Precisaram se submeter à racionalidade de um grupo dirigente, em detrimento do verdadeiro interesse público (dentro de uma visão liberal).

Enquanto durou esse orçamento, bateram recordes de produção e de valor de mercado, quando o orçamento acabou, voltaram à dura realidade. Mercado reprimido e renda baixíssima.

Aqueles salários elevados de 2008 a 2014 eram puramente efeito do excesso de dinheiro público na economia, nenhuma relação com produtividade e geração de riqueza. O resultado foi eloquente nos PIBs de 2014, 2015 e 2016.

Foi uma onda fake que o governo entendeu ser aquela que faria de nós um país desenvolvido.

Como eram uma sucessão de decisões irracionais tomadas por meia dúzia de burocratas, fatalmente daria errado, pois o governo NUNCA será capaz de reproduzir “em laboratório” o interesse público/comum genuíno, pois esse só é atingido pelo indivíduo agindo em liberdade na direção de seu interesse pessoal, dentro da lei e da governança.

Acabou o orçamento

Falei da Marfrig no título, para celebrar uma mudança significativa na forma de nosso empresariado fazer negócio. Não vou analisar a compra, nem a posição da Marfrig, isso não interessa para esse texto.

Vou celebrar que uma Companhia brasileira se tornou uma das maiores do mundo com financiamento de um banco estrangeiro, sem qualquer ajuda do governo brasileiro.

Alvíssaras!

Com o BNDES tendo que devolver centenas de bilhões de reais ao Tesouro Nacional, o estoque disponível para financiamento tem enfraquecido.

Isso abre espaço para a racionalidade corriqueira das finanças corporativas. Os entes se unem para defender os interesses dos acionistas e dos credores (que também têm acionistas). E não há qualquer debate sobre inclusão, justiça social, setor estratégico, campeões nacionais, campanhas políticas etc., apenas valor presente líquido, taxa de retorno e custo de oportunidade.

Simples e objetivo, como deve ser. Riqueza não se gera com irracionalidade. A realidade é muito cruel com quem é inconsistente e incoerente, em termos de finanças corporativas.

Recado ao governo!

Se o governo quer equilibrar o desequilíbrio natural das relações humanas (a natureza é assim, desigual), que permita aos indivíduos agirem no interesse próprio, de sua família ou de sua sociedade empresarial, dentro da lei e de um sistema de governança virtuoso (esse é um bom papel para o governo, promover esse ambiente virtuoso).

Assim esses indivíduos gerarão a riqueza que o governo sonha em distribuir, mas não sabe gerar.

Orçamento público robusto requer desenvolvimento econômico e geração de riqueza.

Que os próximos governos permaneçam longe da tentação de dirigir a economia e substituir a racionalidade dos interesses individuais pelo direcionamento conveniente de verbas estatais.

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Leandro Karnal sequestrou a Declaração Universal dos Direitos humanos.

Posted on 14/04/2018. Filed under: Filosofia, Finanças, Política | Tags:, , , , , , , , |

Declaração Universal de Direitos Humanos (DUDH) não é um documento “de esquerda” ou progressista. Ao contrário, a DUDH é um documento pró-indivíduo e família, em defesa da propriedade privada, anti-coletivista e contra o poder estatal desproporcional.

É preciso relembrar o ambiente mundial de sua formulação. 1948, pós-guerra, o horror do nazismo relevado, mostrando que não há limites para a maldade humana, a Europa completamente destruída e os principais desdobramentos da guerra-fria só teriam início em 1949 e depois em 1951 com a guerra da Coréia.

Veja o que proclama em seu início: “Considerando que o desconhecimento e o desprezo dos direitos do Homem conduziram a atos de barbárie que revoltam a consciência da Humanidade e que o advento de um mundo em que os seres humanos sejam livres de falar e de crer, libertos do terror e da miséria, foi proclamado como a mais alta inspiração do Homem”.

Sem dúvida a principal motivação da DUDH foi se posicionar contra as atrocidades da segunda grande guerra, mas também proclamar que os homens deveriam viver sob um regime de direito e não opressivo, vejam:

Considerando que é essencial a proteção dos direitos do Homem através de um regime de direito, para que o Homem não seja compelido, em supremo recurso, à revolta contra a tirania e a opressão”.

Adiante trataremos da parte da declaração que poderia ser considerada contrária ao livre mercado e a favor do poder estatal, e que é amplamente recitada pelos grupos coletivistas (anti-individuo, anti-empreendimento e anti-capitalista).

Mas vamos iniciar com os direitos individuais e familiares para ver que a DUDH nada tem de coletivista ou “de esquerda”.

Para exemplificar como o conteúdo da DUDH é distorcido, vou usar um texto de Leandro Karnal, publicado em 01/04/2018, creio que no jornal O Estado de São Paulo, em que o filósofo trata da questão dos direitos humanos.

Quero ressaltar que estou usando o Karnal apenas para exemplificar a distorção do significado da DUDH. Não faço julgamento de valor sobre Karnal, apenas discuto algumas ideias colocadas por ele no artigo, e procuro mostrar que não são verdadeiras e que ele mesmo não as segue.

Vejamos como Karnal entende o significado da DUDH:

Direitos são humanos, ou seja, valem para todos, inclusive para criminosos presos. Sigo a tônica do documento assinado pelo Brasil na ONU: a Declaração Universal dos Direitos do Homem, de 1948. A palavra-chave é universal. Basta “ser humano” para ter direito ao direito. Eu, sem ficha policial, trabalhando 16 horas por dia, digno do ambíguo título de “homem de bem” não tenho mais direitos humanos do que um traficante. Ainda que o traficante deva ser processado e punido, ele continua dotado de direitos humanos. Deve ser julgado e encarcerado em caso de comprovada sua atividade criminosa. Porém, em nenhum momento ele deixa de ter direito a um habeas corpus ou perde a proteção de todo cidadão pela Constituição de 1988, que proíbe tortura em qualquer ser humano.”

A DUDH declara igualdade, mas não nivela os direitos de infratores e não-infratores. Muito pelo contrário, nem todos os direitos humanos valem para criminosos presos, e para saber disso basta ler a própria declaração universal dos direitos humanos – DUDH.

A declaração de direitos humanos reconhece o direito dos países ao encarceramento, desde que dentro do processo legal, e, por isso mesmo, reconhece que nem todos os direitos estarão a disposição de todos os seres humanos.

E isso, em si, já diferencia infratores de não-infratores.

O próprio Karnal definiu o “criminoso preso” como público de destaque de sua análise, e NESSA CONDIÇÃO há vários direitos da declaração que não lhe são garantidos.

Do artigo 3º ele não tem direito à liberdade.  Do artigo 13 não teria direito de livremente circular e escolher residência, nem de sair do país. A liberdade de reunião, prevista no artigo 20, não é plena. Do artigo 21 ele não terá os direitos políticos e à participação em funções públicas. Do artigo 23 não terá o condenado o direito à livre escolha de trabalho.

Isso sem falar que o gozo dos direitos de vários outros artigos fica bastante prejudicado pela condição de encarcerado.

Karnal diz que ele, “cidadão de bem”, não tem mais direitos do que um traficante e afirma que o traficante deveria ser processado e punido. Mas, se isso ocorrer, se for condenado, vários direitos previstos na carta não mais valerão para ele, enquanto apenado.

Ou seja, não é verdade. Pode ser um belo “argumento de prateleira”, uma estratégia para se sentir “bom e justo”, mas não é uma declaração verdadeira.

Por fim, vale corrigir o texto de Karnal, ninguém tem “direito a um Habeas Corpus”, as pessoas têm direito de peticionar. Petições de Habeas Corpus são negadas todos os dias, ele não tem o direito, apenas a expectativa de obter um Habeas Corpus.

E segue Karnal:

“Tão talentosa em tantas coisas, Hebe Camargo disse no ar, certa vez, que os “direitos humanos deveriam ser para humanos direitos”. A falácia faz sucesso, mas é um grave equívoco. Direitos humanos para todos os seres humanos, inclusive para quem desdenha deles ou que comete infrações. Os direitos humanos são para a sociedade entender que toda exclusão de uma vida do rol das existências defensáveis tem o dom de banalizar a própria vida e diluir a fronteira que nos separa da barbárie. Falamos de direitos universais para que o mal não atinja todos. É quase um gesto de egoísmo, pois significa que qualquer relativização de direitos humanos é uma maneira de eu despertar o ovo da serpente, liberar a violência de aparatos repressores que, historicamente, deixam de reconhecer contenção. Ao defender a dignidade básica como valor universal, eu abro uma brecha na represa do ódio que, com certeza, vai encontrando novos espaços para fluir. Em nenhum momento isso significa defesa do crime. Toda a sociedade deve ser implacável na prisão e julgamento de criminosos comprovados. Lutar contra o mal é lutar contra o conceito em todas as instâncias, desde o criminoso em si até o das forças policiais e do Estado. O relativismo no campo da lei cria monstros e é a gênese de todo fascismo.

Interessante Karnal falar de relativização dos direitos humanos e da lei.

Como a DUDH, enquanto declaração de direitos civis, é um documento focado no indivíduo e declara os direitos do indivíduo, é também um documento de proteção contra o coletivismo, contra a imposição de valores e crenças, seja de minorias ou de maiorias.

E os grupos coletivistas, dos quais Karnal faz parte, ainda que de forma indireta, relativizam a DUDH o tempo inteiro.

Vejamos.

Artigo 19: Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão; esse direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.

O que falar da liberdade de apoiar e votar no Bolsonaro, da liberdade de ser contra a ideologia de gênero, da liberdade para defender a escola sem partido, ou mesmo da liberdade de querer criar sua família dentro de uma religião?

 

E quando alguém profere uma ideia contrária à hegemonia moral politicamente correta e ouve “nazista”, “fascista”, “machista”, “capitão do mato” etc.? Isso acontece todos os dias.

Como essas clássicas atitudes do “debate e da luta política” se coadunam com os direitos humanos previstos na declaração?

E aqui não cabe dizer que “o outro lado também faz”, pois o criminoso também agride os direitos humanos, mas o coletivista defende que a sociedade não agrida os direitos humanos desse criminoso em resposta.

Dessa forma o coletivista não pode justificar seus ataques morais contra os “ignorantes, fascistas e nazistas” da “direita nacional”, alegando um justo revide.  Se não há justo revide contra estupradores e latrocidas, certamente não haverá contra quem tem opinião diversa, por pior que pareça, e que não é crime.

O descumprimento do artigo 19 é altamente opressivo em nossa sociedade, a “criminalização da opinião” virou regra nos debates das redes sociais. Pessoas são escorraçadas por opiniões política e ideologicamente não alinhadas à hegemonia moral politicamente correta, e Karnal não é diferente. Basta ver os vídeos com as opiniões dele sobre quem defende o “Escola sem Partido”. Não há argumento, apenas xingamento e desprezo pela opinião alheia. Além de evidente arrogância.

E o artigo 26, que diz que os pais têm prioridade de direito na escolha do tipo de instrução que será ministrada a seus filhos?

Esse direito humano vale ser lembrado sem tradução. Do original em inglês: “(3) Parents have a prior right to choose the kind of education that shall be given to their children.

Como se dá o respeito a esse artigo quando Karnal manifesta-se agressivamente contra a ofensiva dos pais que querem lutar contra a ideologia na escola (escola sem partido), que nada mais é do que querer garantir aos filhos uma educação escolhida por eles próprios, os pais, como está EXPLÍCITO na DUDH?

Como isso se coaduna com a base nacional curricular, como os pais terão a prioridade se alguns burocratas com valores desconhecidos pelos pais vão decidir sobre o tipo de educação que seus filhos terão?

Ainda que você defenda a BNCC e a ideologia na escola, é direito seu e posso respeitar sua opinião, é evidente que lutar contra isso NÃO é fascismo, obscurantismo, nazismo, é, tão somente, lutar por um direito humano previsto na DUDH.

E quando o artigo 16 afirma que: A família é o elemento natural e fundamental da sociedade e tem direito à proteção desta e do Estado?

Essa família deve ser protegida pela sociedade e pelo Estado como elemento natural e fundamental da sociedade. Como funciona esse direito humano fundamental com as doutrinas que querem destruir a família tradicional?

Lutar pelo seu direito à formação de uma família não-tradicional é uma coisa, plenamente justificável, mas lutar para destruir o modelo tradicional é infração (ou relativização) aos direitos humanos.

E o maravilhoso artigo 17, que diz que todo ser humano tem direito à propriedade e que ninguém será arbitrariamente privado de sua propriedade.

Como funciona esse direito fundamental na doutrina marxista de luta de classes, na doutrina das esquerdas latino-americanos, na defesa de Cuba e Venezuela, nos planos do MST e do MTST etc.?

Eu pergunto: Essas atitudes não configuram flexibilização dos artigos da declaração dos direitos humanos?

Com a devida vênia, a DUDH é relativizada com frequência, principalmente por quem mais se diz defensor de direitos humanos.

E isso é fácil de explicar. O coletivista só assume como direitos humanos, o direito da coletividade que ele representa. Quando a DUDH proclama direitos do indivíduo e da família, que não são classes protegidas, o coletivista ignora solenemente a declaração.

Não há qualquer dúvida que os coletivistas, progressistas e as pessoas que querem cercear as liberdades individuais em suposta proteção a minorias (a hegemonia moral do politicamente correto é isso), relativizam amplamente partes da DUDH quando lhes é interessante.

E a outra parte, que proclama direito à dignidade no trabalho, na saúde, economia etc., é amplamente distorcida pelo coletivista. Vejamos.

Artigos que proclamam o direito à dignidade humana

Já vimos que grande parte da DUDH trata de direitos do indivíduo e da família, direitos estes que deveriam ser garantidos pelo Estado Moderno. Ou seja, são um reconhecimento de obrigação do Estado para com o indivíduo.

Alguns artigos da DUDH declaram outras obrigações do Estado e da comunidade internacional, especificamente sobre os direitos sociais, culturais e econômicos.

O artigo 22 é base para os direitos detalhados nos artigos 23 a 27, que falam de direito a repouso, à educação fundamental básica gratuita, salário digno, seguridade social, seguro desemprego etc., diz ele:

Artigo 22 – Toda a pessoa, como membro da sociedade, tem direito à segurança social; e pode legitimamente exigir a satisfação dos direitos econômicos, sociais e culturais indispensáveis, graças ao esforço nacional e à cooperação internacional, de harmonia com a organização e os recursos de cada país

Apesar de garantir o direito de exigir direitos econômicos, sociais e culturais, a declaração não é irresponsável, pois também associa esses direitos às possibilidades e recursos do país.

Nos artigos seguintes, trata de direitos econômicos e sociais que, pelo artigo 22 , precisam estar de acordo com os recursos do país.

Declara-se que não deve haver discriminação nos salários, que deveriam ser garantidas férias pagas e o lazer, que todos deveriam ter um padrão de vida que garantisse a dignidade humana e que todos deveriam ter acesso a uma rede de proteção social que envolve segurança, saúde e previdência (seguro contra fatalidades).

No artigo 26, é direito humano a educação básica gratuita. Já a profissionalizante deverá ser garantida aos que se interessam, de acordo com o seu mérito.

Rede de proteção social não significa criar um povo dependente do Estado.

A declaração indica que um determinado padrão de dignidade humana é desejável, mas não é irresponsável a ponto de indicar os caminhos econômicos para esse feito. Não demoniza ou preconiza qualquer método de produção ou de geração de riqueza. Não é anti-capitalista, não mesmo. Nem poderia ser, protegendo o indivíduo, a família, a propriedade, o direito e os contratos.

O regime de plena atenção aos direitos humanos é o ambiente perfeito para o modo de produção capitalista. Salários dignos significam mais receitas e lucros, portanto mais remuneração do capital e investimento. Só um tolo acha que um acionista prefere que sua empresa venda menos por motivos ideológicos. Isso é non sense.

Mas o coletivista entende a DUDH como um argumento de luta, como um instrumento para acusar qualquer situação de desequilíbrio ou de pobreza como um descumprimento de direitos humanos básicos.

É uma ótica conveniente, porém errada, pois se esquece de que os direitos econômicos e sociais derivam do esforço nacional, do tipo de organização e dos recursos de cada país. Segundo a própria declaração dos direitos humanos.

Ou seja, não vêm de graça. Nunca vêm de graça.

Mas infelizmente garante discurso a quem crê que o direito prevalece, mesmo quando é inviável, infactível ou impossível. Ou até quando é indesejável.

A crença no direito, independente da sua factibilidade, é um entrave à formação de riqueza e à sabedoria.

Pessoalmente entendo ser necessário o desenvolvimento de uma rede de proteção social. Eu prefiro viver em um país em que as políticas públicas procurem equilibrar e harmonizar o desequilíbrio natural das relações humanas (são desiguais, pois somos desiguais). Essa é minha opinião.

Porém entendo que os indivíduos deveriam ser estimulados a NÃO DEPENDER dessa rede de proteção, a não contar com ela. Ela representa um ideal de proteção e seguridade, mas nada tem a ver com prosperidade ou liberdade. É tolice achar que o Estado poderá prover tudo para você atingir sua plenitude como ser humano. Jamais poderá.

A experiência, de todos os países e de todos os povos, mostra que o espírito empreendedor encontra as soluções para os problemas que aparecem diante de si e dos seus, mas o espírito coletivista tende a esperar por uma solução “de sistema”, que resolva tudo, todas as estruturas.

E, infelizmente, morre sem ver a solução “perfeita” e definitiva, enquanto poderia ter vivido em busca de soluções imperfeitas, mas funcionais, honestas e gratificantes.

Nesse ponto, o coletivista distorce o objetivo da DUDH, organizando a sociedade para cobrar os direitos sócio-econômicos, sem qualquer preocupação com a organização e os recursos de cada país.

E, por isso, fracassa. Fracassa com o país e, principalmente, com as pessoas a quem pretende proteger. Por isso os pobres salvos nos últimos anos não deixaram de ser pobres. O coletivista fracassou com eles, pois fracassou em gerar riqueza (e também em distribuí-la).

Enfim…

É possível compreender a Declaração Universal dos Direitos Humanos como sendo um documento de respeito ao indivíduo e à família, de proteção à propriedade e à opinião, de priorização dos pais na escolha da educação dos filhos, de reconhecimento da família como célula primordial da sociedade, isso tudo é muito claro e explícito.

E, infelizmente, são temas amplamente flexibilizados pelos coletivistas, que se autoproclamam os maiores defensores dos direitos humanos.

E também é possível compreender a DUDH como documento de estímulo à criação de redes de proteção social nos países, SEMPRE em harmonia com as condições econômicas e estruturais daquele país.

Nesse ponto, a principal distinção entre liberais e coletivistas, é que liberais entendem que essas redes de proteção social JAMAIS poderiam levar o indivíduo à dependência do Estado, pois resta evidente que depender de um ente terceiro para sua subsistência está longe de ser uma ideia razoável de liberdade. Lembremo-nos que a família é a célula a se proteger, portanto não deve ser aprisionada, não deve ser dependente. Dependência não é liberdade, é apenas uma das formas de aprisionamento. Melhor depender de si, com a proteção do direito.

Já o coletivista entende que o Estado é o único que pode “resolver” as contradições estruturais do capitalismo, portanto, não só as pessoas mais pobres devem depender do Estado, como também as mais ricas. Os governos totalitários são assim, mesmo os que permitem a propriedade privada e o empreendimento, acabam dando um jeito de fazer o empreendedor mendigar ajuda estatal.

Aliás, não foi muito diferente do que aconteceu no Brasil nos últimos 15 anos (e até antes). Coletivistas não suportam a vitória obtida sem apoio do Estado, por isso a subserviência da elite empresarial brasileira a um modelo corrupto de governança. Infelizmente os coletivistas no poder não deixam opção, ou está do lado do Estado, ou não compete.

Dessa maneira eu posso afirmar, com tranquilidade, que aceito viver sob os preceitos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, sem relativizá-los, seria bastante confortável para mim, pois não desrespeita nenhum fundamento do livre empreendimento, da sociedade contratual e da manutenção da lei e da ordem.

Um mundo em que a DUDH é respeitada é um mundo racional, é um ambiente perfeito para o capitalismo.

Mas os coletivistas não podem dizer o mesmo. E realmente não respeitam a DUDH, ou a entendem apenas no que lhes é conveniente.

Por que Karnal afirma que não relativiza os direitos humanos, mas age em desacordo com essa afirmação?

É super simples de entender.

Karnal é um pensador/filósofo “do bem”. Isso significa que precisa se posicionar do lado de uma moralidade absoluta e indiscutível. Do lado da “verdade”.

Mas essa é uma ideia e uma expectativa tola e irreal. Karnal, e qualquer pessoa, apenas se posiciona de acordo com uma determinada moralidade, nunca do lado da “verdade”. Isso é o ápice da arrogância, crer que sua opinião é a moralidade suprema, a verdade e o caminho a seguir. Só aceitaria isso de um profeta, mas isso se dá no campo do mistério e da imaterialidade. Na religião.

Filósofos e pensadores de verdade assumem seu lado da moralidade e o defendem. Não tem a expectativa irracional de estar certo, de forma absoluta, apenas consideram que suas ideias são virtuosas, nunca perfeitas, mas defensáveis e merecedoras de difusão e publicidade.

É assim com Rogers Scruton, Jordan Peterson e Thedore Dalrymple. São pensadores conservadores que apenas defendem sua posição na moralidade.

Karnal, e a maioria dos coletivistas, seriam muito mais felizes se assumissem que apenas defendem um determinado modelo de moralidade, e não moralidade absoluta.

Ficaria muito mais divertido ver Karnal assumir que relativiza vários direitos humanos e defender esse ponto de vista. Ao se posicionar do lado “do bem”, Karnal apenas demonstrou inconsistência e incoerência entre a visão que faz de si, e seus próprios atos.

E isso, apesar de toda a erudição e capacidade oratória, faz dele um pensador menor, inconsistente e incoerente.

Mas, claro, é só minha opinião. Apenas meu entendimento de como são as coisas. Nada mais do que isso. Não confundir com a verdade, por favor.

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O fim do capitalismo? Tem gente se esforçando para isso, e não são marxistas.

Posted on 02/04/2018. Filed under: Finanças, Matemática, Política | Tags:, , |

Nesse breve vídeo falo daquela que é, provavelmente, a maior e mais perigosa disfunção da história do capitalismo moderno.

A atuação dos bancos centrais está colocando em risco todo o sistema capitalista, distorcendo as relações de risco e retorno e comprometendo a poupança das gerações futuras.

Os 3 elementos.

O capitalismo precisa de 3 elementos básicos para existir. Na verdade, na presença desses 3 elementos ele surge naturalmente. Sempre foi assim, e sempre será.

Precisa de respeito ao contrato de proteção à propriedade privada, precisa de respeito ao contrato de proteção à livre iniciativa e, mais importante, precisa de escassez.

É isso mesmo, sem escassez, não há capitalismo. Não há por que nos organizarmos para produzir se todos têm o que precisam, a qualquer tempo e a qualquer hora.

Como os marxistas querem acabar com o capitalismo?

Não é o tema desse vídeo, mas os marxistas seguem uma profecia do fim do capitalismo, onde haverá uma sociedade em que todos trabalham o que podem, e recebem o que precisam. Se eu posso 10 vezes mais e preciso 10 vezes menos, minha recompensa será 100 vezes menor que o meu trabalho. E o homem da profecia marxista estará feliz com isso.

Como esse homem não existe, os sistemas baseados na filosofia marxista entendem que precisam mudar a humanidade. Como querem algo anti-natural, acaba-se por praticar atrocidades nas populações sob regimes marxistas. Mudar o homem na marra, essa é a solução para acabar com a escassez. Se ninguém quer nada, não há escassez, portanto não há capitalismo. Simples (e sangrento) assim.

Se fosse uma religião eu poderia entender, mas como sistema político-social-econômico, acaba se tornando altamente opressivo.

Já o capitalismo busca acabar com a escassez produzindo mais, melhor e mais barato. Demora, mas um celular já custou 50.000 dólares e hoje está nos bolsos de moçambicanos e senegaleses paupérrimos.

Os bancos centrais acabaram com a escassez de capital. E isso é PÉSSIMO para o capitalismo.

Veja no vídeo abaixo.

 

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Por que nossas aposentadorias estão em risco?

Posted on 24/03/2018. Filed under: Administração, Finanças, Política |

Prezados,

Lanço uma série de 7 vídeos sobre as questões que devem colocar em risco as aposentadorias dos brasileiros.

Não é um debate sobre déficit ou não, mas de como a organização de nosso país, de nossa economia, nos leva, invariavelmente, à pobreza.

E de como você, seus filhos e seus netos podem evitar essas armadilhas anti-mercado, anti-riqueza, anti-prosperidade.

Infelizmente os brasileiros recebem um “treinamento” anti-mercado, e passam a vida acreditando estar do lado certo da moral, mas estão amplamente equivocados, prejudicando a si mesmos e, principalmente, as futuras gerações.

Vamos entender as farsas que ensinaram a nós e ensinam a nossos filhos e netos.

Os objetivos da série de palestras são:

1- Mostrar como a ideologia tem atrapalhado os brasileiros, mesmo aqueles com disponibilidade financeira, a prosperar e não depender do Estado para garantir sua aposentadoria.
2- Mostrar o seu papel no Mercado de Capitais. Ele quer, e sempre quis, você. Por que o brasileiro nunca atendeu a esse chamado?
3- Mostrar qual a relação dos mercados financeiros e dos sistemas de aposentadoria ao redor do mundo.
4- Ensinar a identificar as falácias ideológicas e os mitos que nos afastam de uma vida financeira próspera e digna.

Série: O Mercado de Ações e Você. Como fugir dos mitos e ideologias e planejar sua aposentadoria. 

Vídeo 1: Introdução e apresentação dos objetivos.

 

Vídeo 2:  Mitologias empobrecedoras: A demonização da propriedade privada (dos outros).

– Neste vídeo abordo o mito que envolve a demonização da propriedade privada.
– Ao contrário do que prega a ideologia coletivista (marxiana), o conceito de propriedade privada, base fundamental do sistema capitalista, é anterior a toda organização social, até mesmo ao conceito de tempo, de valor e de preço. É parte indivisível da natureza humana.
– O coletivismo, sistema de pensamento ao qual a maioria dos políticos brasileiros presta devoção, busca concentrar o máximo de direitos de propriedade nas mãos do Estado.
– E isso, claro, empobrece a todos. Exceto a quem está no poder.

 

Vídeo 3:  Mitologias empobrecedoras: A história das taxas de juros, da acumulação de riqueza e do preço das coisas.

– Taxas de juros são medidas de equilíbrio entre o interesse das pessoas, poupadores, consumidores e investidores.
– Não é invenção do capitalismo financeiro, existe há pelo menos 5.000 anos.
– Acumulação de capital não existe ou, pelo menos, não funciona como você pensa. E é bem fácil entender os motivos.
A organização social em torno do capitalismo é uma resposta aos interesses dos próprios participantes dessa sociedade.
– Não se deve cair na falácia de associar o capitalismo à revolução industrial. Quando a mesma aconteceu, os pilares do sistema e do fluxo de capitais e interesses já existia há milhares de anos.

 

Vídeo 4: A grande farsa da superestrutura capitalista. O conceito de liberdade.

– Neste vídeo abordo os motivos pelos quais pessoas que têm ideologia contrária e hostil ao capitalismo tratam os seus oponentes ideológicos com desprezo.
– Partem de uma crença exótica de que “os outros” vivem sob um superestrutura determinística capitalista, todos seriam escravos de valores de produção e consumo.
– É uma grande farsa, pois não há nada oculto ou misterioso sobre o sistema capitalista. É até bem transparente. Não esconde nenhum de seus objetivos. Ao contrário, faz até propaganda de seus interesses. Só se engana quem quer.
– Mas, infelizmente, esse discurso existe e influencia milhões de jovens em nosso país, que acreditam ser “livres”, mas, na verdade, são apenas escravos de um outro sistema de pensamento. Um sistema confuso, inconsistente e empobrecedor. E ainda mais aprisionante.

 

Vídeo 5: O sistema capitalista é excludente para quem faz questão de se excluir. Trabalhadores americanos e europeus são “donos” de empresas brasileiras, dependem delas para suas aposentadorias, mas as nossas poupanças estão nas mãos do Estado.

– Para que o sistema de produção e de fluxo capitalista progrida, ao contrário do que dizem as ideologias coletivistas, ele precisa de todos, não só no papel de consumidores, mas também como credores e acionistas.
– As leis de sociedades anônimas, há alguns séculos, estabelecem as regras e proteções aos pequenos investidores, pois o objetivo do sistema é contar também com esse capital pulverizado.
– E funciona muitíssimo bem, exceto para quem demoniza o sistema. Aí nada funciona.

 

Vídeo 6: A inacreditável máquina de destruir dinheiro do INSS. Entenda como funciona o sistema de aposentadorias que impuseram a você, e como ele é empobrecedor, sob todos os aspectos.

– Como é o sistema de aposentadorias no Brasil e no resto do mundo.
– Por que nosso sistema é altamente empobrecedor, tanto para os indivíduos quanto para o próprio país?
– Para onde vai o dinheiro que nós e nossos empregadores “investimos” no INSS?
– Como a estrutura atual drena praticamente todos os recursos de poupança dos brasileiros, incha o Estado e destrói valor.
– Dá para sair dessa?

 

Vídeo 7: O sistema de aposentadorias do servidor público, o maior e mais longevo esquema Ponzi da história. Você é uma vítima, aprenda a se proteger dessa grande armadilha. E a conhecer o vilão.

– O sistema de aposentadorias de servidores públicos é ainda mais empobrecedor, tanto para o indivíduo quanto para a nação. Os servidores ainda não sentiram isso, porque é um esquema Ponzi, ganha muito quem entra primeiro, leva prejuízo quem fica por último.
– Quais os riscos desse sistema?
– Quais os principais problemas, tanto para o servidor quanto para o país.
– Como sair dessa armadilha de empobrecimento?

 

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Temer e o futuro que não vivemos.

Posted on 05/02/2018. Filed under: Finanças, Política | Tags:, , , , , , , |

Apesar da péssima popularidade do presidente Temer, ainda há muita gente de porte relevante que sai em sua defesa. Há empresários de peso, jornalistas, boa parte dos políticos e, claro, alguns sabujos.

A retórica é sempre a mesma. Que Temer conseguiu fazer a reforma trabalhista e aprovar o teto de gastos, que colocou uma equipe econômica competente que está promovendo mudanças importantes no Brasil.

Quanto às reformas que não conseguiu aprovar, colocam na conta do Janot. Segundo eles, se não tivéssemos o fatídico 17 de maio, o Brasil estaria voando baixo.

Mas essa retórica esconde o futuro que Temer impediu o Brasil de viver.

Vivemos momentos conturbados em que Lula, apesar da condenação, continua forte nas pesquisas, há riscos de volta do populismo, as contas públicas se deterioram rapidamente, a dívida bruta cresce a impressionantes 4% ao ano (em relação ao PIB), além dos vários reveses sofridos na reforma da previdência, adiamento do aumento dos servidores, adiamento da votação contra supersalários, da reoneração etc.

E a retórica insiste que a culpa é do Janot, que se Temer não tivesse que enfrentar a denúncia, estaríamos em um mar de rosas.

Pois é, mas havia várias possibilidades, quem escolheu esse caminho conturbado foi o próprio Temer.

Primeiro, diga-se que quem recebeu Joesley à noite na residência oficial foi Temer, quem ouviu relatos de crimes, compra de juízes e membros do MP etc. e nada fez, foi Temer. Se há um culpado de ser acusado, é Temer. Se Janot não o acusasse, estaria prevaricando. Ainda que se acredite na hipótese de “armação”, a obrigação funcional do Ministério Público era levar adiante.

Segundo, precisamos lembrar que Temer era o vice de Dilma. Não é nenhum reformista liberal, é cúmplice do PT. A aliança PT-PMDB elegeu Dilma em 2010 e a reelegeu em 2014. Temer era a figura proeminente. Sem o PMDB e suas mais de 1.000 prefeituras, o PT não venceria de jeito nenhum. Dilma está na conta do PMDB. Está na conta de Jucá, Temer, Renan etc.

Mas qual é o tal futuro que não vivemos, porque Temer nos impediu?

Temer poderia ter renunciado, ou aceitado a investigação no STF (sem manobrar no congresso).

Se Temer renunciasse, haveria eleição indireta em 1 mês. Se o congresso aceitasse a denúncia, ele ficaria fora por até 180 dias, período em que Rodrigo Maia o substituiria.

Em ambos os casos dependeríamos do congresso. O mesmo congresso que deu todas as tais vitórias de Temer.

A PEC do Teto teve 359 votos na Câmara e 53 no Senado. A reforma trabalhista teve 296 votos na Câmara e 50 no Senado, sendo que foi aprovada em 11 de julho de 2017, quando a história de Joesley ainda estava fervendo no noticiário.

Temer nos fez refém de sua situação criminal, em vez de deixar o caminho livre para as reformas.

Nada de benfeitor, de grande liderança ou de estadista, é apenas um político egoísta que submeteu o Brasil a meses de agruras que poderiam ter sido evitadas com uma simples renúncia, ou com a aceitação da denúncia e consequente julgamento no STF. Quem não deve, não teme.

É ingenuidade crer que um político que teve expressão durante décadas (foi presidente da câmara duas vezes), porém nunca teve substância eleitoral nem para almejar um Senado Federal, e que não traz no currículo nenhuma realização relevante para o país, seja o tal “salvador da pátria” pós-Dilma.

Depois de Dilma bastaria passarmos a presidência para uma porta envernizada para melhorar a economia.

O mal que a falta de grandeza de Temer nos fez ainda vai continuar a vigorar, ao menos até a próxima eleição.

Mas o congresso conseguiria fazer as reformas?

Se tivesse sido afastado, por renúncia ou aceitação da denúncia, teria permitido que os mesmos atores que aprovaram as tais reformas continuassem atuando por elas, dessa vez diretamente na casa legislativa.

É irracional acreditar que Temer, em si, pela figura que é, seja o grande artífice das reformas. Tanto é que por várias vezes o próprio Meirelles o escanteou, afirmando que as reformas seguiriam “não importa quem fosse o presidente”. Em que foi apoiado pelo próprio Rodrigo Maia, à época sendo chamado de traidor pelos apoiadores do presidente.

Se não tivéssemos Temer hoje na presidência, a prisão e os processos contra Geddel, Henrique Eduardo Alves, Rocha Loures entre outros não estariam pressionando o Brasil. Eram pessoas de confiança dele. Basta um deles abrir a boca para o Brasil desabar. De novo.

Temer nos deixou assim, reféns de uma possível delação de seus ex-ministros presos.

Faz sentido acreditar em um presidente que teve tantos ministros e aliados presos, e cujos principais assessores, Moreira Franco e Eliseu Padilha, só estão soltos por terem foro privilegiado?

E o que dizer de Marun e Cristiane Brasil? Que político habilidoso é esse, que é refém do baixíssimo clero?

Acreditar que o legislativo tocaria as reformas MELHOR que Temer não é uma crença em Rodrigo Maia em específico, que é um político pouco expressivo, mas tão somente um reconhecimento de que o legislativo é quem, efetivamente, vota as reformas, até as medidas provisórias, e também um reconhecimento de que, se não fôssemos reféns de uma denúncia que atingiria exclusivamente Temer, uma pessoa apenas, os vários bilhões de toma-lá-dá-cá e o tempo perdido com as negociações no congresso não teriam ocorrido (no que diz respeito à denúncia).

Um desperdício gigante de dinheiro e de tempo, só para salvar um político inepto que recebeu um gângster, ouviu sobre o gangsterismo e nada fez.

Mas o pior legado da teimosia egoísta de Temer é ter dado força ao insuportável discurso do “golpe”.

Se Temer (e Aécio) tivessem sofrido as consequências de seus atos, e aqui incluo a inacreditável performance de Gilmar Mendes no TSE, absolvendo a chapa Dilma-Temer, como ficaria o discurso de Lula et caterva sobre o tal “golpe misógino parlamentar”?

Como justificar que existiu Golpe se Temer TAMBÉM tivesse caído, seja no TSE, seja por renúncia ou no STF?

Como justificar o tal golpe se Aécio tivesse perdido o mandato e estivesse nas mãos de Moro?

Para o povo mais simples (e até para o mais sofisticado), ficou bem estranho ver Gilmar mudar de posição a respeito da cassação da chapa. Fica bizarro ver que Temer, com gravações bem mais comprometedoras do que Dilma, tenha recebido tanto apoio no Congresso, enquanto a “senhora de vermelho” caiu.

Imprensa a favor é propaganda.

E é o que estamos vendo. Jornalistas atolados em retóricas interesseiras, como Reinaldo Azevedo por exemplo, querendo nos fazer crer que a Lava-Jato é a culpada de todos os males brasileiros, desde o fracasso da aprovação das reformas, até a possível ascensão de Lula.

Mas a retórica antilava-jato quer, tão somente, livrar determinado grupo da cadeia e evitar a entrada de um outsider no jogo político. Não duvidem se virem Temer e Aécio unirem-se a Lula em torno de algum projeto político em 2018, é o caminho natural da sobrevivência dos esfarrapados.

O discurso “Azevediano” de que Moro é o maior cabo eleitoral de Lula é tão tosco que se esquece que se o juiz não tivesse liberado os áudios de Dilma, Lula teria sido ministro. E não sairia mais de lá. Seus processos iriam para o STF e ele concorreria, com a mesma aliança PT-PMDB em 2018, possivelmente com Temer de vice. Ou Aécio, em uma grande “união nacional para estancar essa sangria. Incluindo o STF”.

É viesada a visão que não aceita que a Lava-jato nos deu a única ferramenta para derrubar Lula, fazê-lo pagar por seus crimes.

Na lógica Azevediana, o fato de poder colocar Lula na cadeia ainda em abril ou maio, é algo bom para Lula!!!

Fico imaginando o que seria ruim para ele. Ser ministro? Ter seus casos julgados no STF por Tóffoli ou Lewandowsky?

É uma visão que seria limitada, se não fosse interesseira.

Repitamos o óbvio!

A Lava-Jato é uma inimiga de Lula, a única inimiga que pode feri-lo de morte. Já as vitórias de Temer são uma motivação para Lula repetir que pau que dá em Dilma, não dá em Temer.

E o PMDB será aliado de Lula ou de seu preposto (caso este seja preso pela Lava-Jato) em vários estados do Norte e do Nordeste, onde o ex-presidente ainda tem força, com apoios já declarados de Renan e Eunício.

Temer é ruim em escolher prioridades.

Pensa-se que Temer é um craque na política. Mas, em áreas que dependiam só dele e do seu governo para atuar, não foi tão craque assim.

Temer abandonou as MPs com efeito fiscal relevante de curto prazo, para fracassar na reforma da previdência que terá efeito só em alguns anos. A propaganda mesmo diz que a idade mínimo levará 20 anos para vigorar integralmente.

Por conta de sua priorização deficiente, não foram votadas em 2017 as propostas de redução dos supersalários, adiamento do aumento dos servidores + aumento da alíquota (esses então com liminar no STF), a reoneração das folhas e a tributação dos bilionários em fundos exclusivos.

Tudo isso, estima-se, traria um alívio de 20 a 25 bilhões já no próximo ano.

Nada foi votado, nada aprovado, aumentando o buraco para 2018.

Culpa exclusiva do governo, de suas prioridades erradas e de seus erros de cálculo político. Pudera, só pensam em uma coisa: livrar-se da cadeia.

Enfim…

Somos reféns de vários sexagenários e septuagenários com pendências na justiça, que insistem em manobrar a máquina estatal para a manutenção de seus feudos e de seus privilégios.

Não são gênios, não são honestos, não são altruístas e não são a nossa única opção.

E assim vamos, reféns de um grande sequestro coletivo, onde querem nos fazer crer que o rapto foi para o nosso bem. Querem que o sequestrador seja perdoado e incensado só porque alimentou o sequestrado no cárcere.

Está na hora de mudar, de verdade, o comando das coisas por aqui. Se não der no voto, dará, cedo ou tarde, na catástrofe da insolvência fiscal.

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Bitcoin. O que esperar do Mercado Futuro?

Posted on 11/12/2017. Filed under: Administração, Finanças, Política | Tags:, |

Em setembro de 2017 escrevi um artigo explicando o que é o Bitcoin, segundo minha percepção é claro.

Em resumo, expliquei que, no meu entendimento, o Bitcoin é como a moeda do Super Mário, ou seja, uma recompensa virtual que você recebe por jogar um determinado jogo. No caso do Bitcoin, seria a recompensa por oferecer capacidade computacional para que o próprio jogo “rode”.

A diferença entre as recompensas que você ganha por seus esforços em um videogame e o Bitcoin é a existência de um mercado secundário (o primário é dentro do jogo) relativamente líquido para comprar suas conquistas virtuais em moeda corrente.

E subiu mais 500% desde então!

É claro que fui confrontado, educadamente, por gente que não concordava com o que escrevi. Mas, creio eu, houve mudanças significativas nos últimos 3 meses que corroboram em grande parte o que está no artigo.

Primeiro, há apenas 3 meses ainda se falava que o Bitcoin viraria uma moeda de uso corrente, e que isso seria seu grande valor. Deveríamos entrar hoje e, quando a moeda fosse aceita em qualquer estabelecimento, estaríamos bastante ricos, pois o poder de compra já estaria nas alturas.

Nada disso fazia sentido e, hoje, acho que faz menos sentido ainda.

O que vimos foi uma quantidade crescente de pessoas aceitando Bitcoin, mas não para fazer disso uma moeda de troca. O quitandeiro que aceita Bitcoin não usa Bitcoin para pagar seu fornecedor. E assim vale para os estabelecimentos que aceitam a “moeda” virtual, eles o fazem EXCLUSIVAMENTE para acumular Bitcoins e não para circular como meio de pagamento.

A prova mais contundente de que Bitcoin não é (e provavelmente não será) moeda é que as narrativas adotadas, inclusive pelos defensores da “moeda” virtual, já não levam em consideração esse futuro.

A principal comparação do Bitcoin hoje é com o Ouro, que evidentemente não é moeda, mas é visto como reserva de valor que também não tem “fundamento”, ou seja, seu preço é dado por compradores e vendedores no mercado futuro e pouquíssimo se negocia no mercado à vista. Em resumo, o valor do OURO não é dado por seu uso (fundamento), mas pela percepção de reserva de valor medida pela negociação de derivativos de ouro.

Bitcoin então seria o novo “Ouro”?

Seria MUITO surpreendente se o Bitcoin virasse uma “commodity sem fundamento” como o Ouro. Isso porque o Ouro levou várias centenas de anos para se tornar o que é. Está presente e era valorizado na história de vários povos, está no imaginário popular há, talvez, 2 milênios (ou mais). Além disso, foi utilizado mundialmente como padrão de conversão e reserva de valor por vários países, inclusive e principalmente os mais desenvolvidos.

Não é impossível, mas parece improvável demais que o Bitcoin consiga, em alguns anos, ocupar o espaço de “commodity irracional universal” que o Ouro ocupa. Chamo de irracional, pois os preços de soja, petróleo, gás, carvão entre outras commodities tem relação direta com seu valor de uso, seu custo de produção, expectativa de demanda, expectativa de oferta etc., já o ouro é mais negociado como reserva de valor e pouca relação tem com seu valor de uso.

E o Mercado Futuro?

Tinha dúvidas se derivativos de Bitcoin iriam encontrar giro relevante em sua estreia, mas parece que tanto a demanda quanto a oferta desses derivativos foram bastante grandes, de forma que é possível acreditar que os contratos futuros e opções terão negociação suficiente para cumprir o papel de proteção (hedge) e de especulação que os derivativos costumam prover.

Coisa que pouca gente sabe é que várias cotações à vista costumam ser derivadas dos contratos a termo (futuros). É estranho, pois os derivativos é que deveriam se movimentar a partir das oscilações do ativo subjacente, porém isso é APENAS uma questão de fluxo, de liquidez e de volume. O mercado que forma preço é o que tem mais liquidez.

As operações com derivativos montam às centenas de trilhões de dólares. A maior parte das negociações envolvendo moedas, por exemplo, ocorre em mercados futuros, a negociação “física”, em que a moeda troca de mãos no mercado à vista, é mínima em comparação com os contratos de proteção e especulação. As operações do Banco Central, de SWAP Cambial, estão aí para demonstrar.

A respeito do futuro do Bitcoin com a introdução de um mercado de derivativos baseados nele apenas podemos especular, pois é tudo muito novo.

Mas provavelmente, caso o mercado tenha realmente grande liquidez, o Bitcoin deve frear sua oscilação.

A expectativa geral era de que o Bitcoin disparasse com a entrada do Mercado Futuro e aumentasse rapidamente seu valor ao longo do tempo. Mas se esse mercado funcionar como funciona para outras commodities, provavelmente o preço do ativo subjacente (ou seja lá o que for o Bitcoin), é que será influenciado pelo preço futuro.

Quem vai dizer qual mercado vai mandar nos preços à vista é a liquidez. Se o mercado futuro girar dezenas de vezes mais que o mercado à vista, provavelmente a lógica e a racionalidade dos traders de derivativos vai se impor sobre a negociação à vista do ativo subjacente. E isso deve frear a irracionalidade econômica do Bitcoin.

Deve, mas nunca podemos saber até que ponto as pessoas estão dispostas a se arriscar. Lembro que em 1997, metade da economia da Albânia foi varrida do mapa por um esquema de pirâmide.

O Bitcoin não é um Esquema Ponzi, não é ilegal, mas tem alguns aspectos parecidos. O principal é convencer milhões de pessoas a investirem com expectativas irracionais de retorno, o segundo aspecto é não ter qualquer fundamento econômico palpável e o terceiro é não ter qualquer regulação.

E por isso cresce, e pode crescer ainda mais. O céu (ou o inferno) é o limite quando não há fundamento. Tudo pode.

Outros riscos

Formação de preços é coisa séria para o mercado. Enquanto no mercado de Bitcoin, completamente desregulado, seria razoavelmente fácil montar uma operação Zé-com-Zé, em que dois ou mais grandes players dão liquidez ao Bitcoin elevando os preços artificialmente, no mercado comum isso é crime. E esses preços são formados nas corretoras, não necessariamente no blockchain.

A vantagem (ou desvantagem) de um mercado futuro forte, é que um grande player pode sair do ativo sem derrubar a cotação à vista. É um risco, pois se alguns tubarões saírem, devagar, as sardinhas não tem condição de manter a cotação. Mas para quem acumulou bilhões é um grande negócio vender no mercado futuro e garantir o preço. Dá para sair sem assustar. Pelo menos no início. Como já disse, o mercado futuro tende a negociar MUITO MAIS do que o próprio estoque da commodity. De valor nocional, o mercado de derivativos mundial beira o quatrilhão de dólares, mais de 10 vezes o PIB mundial.

Mas continua subindo!

A explicação é simples. O Bitcoin já é negociado por mais de 1 milhão de brasileiros. Da vovó ao verdureiro, todos querem comprar Bitcoin. E assim é no mundo. As pessoas com um pouco mais de instrução financeira também compram, mas normalmente com dinheiro de aposta (aquele que pode perder).

Bitcoin não tem fundamento, é só fluxo e, repito, a prova disso é que nem se fala mais nele como moeda, mas como tecnologia ou reserva de valor (como o Ouro). Isso em apenas 3 meses. Ninguém sabe qual será a narrativa para justificar seu valor em 3 meses.

É a moeda do Super Mário, com mercado secundário. E só. O que não significa que você não possa ficar milionário no mundo real. Ou não.

O futuro do Bitcoin chega rápido. Veremos o que acontecerá.

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O STF, Michel Temer, o Mercado e o único objetivo REAL do governo.

Posted on 23/11/2017. Filed under: Finanças, Política | Tags:, , , , , |

Hoje, dia 23/11/2017 o STF quase nos livrou da incrível excrescência do Foro Privilegiado, irrestrito e atemporal, para quase 55.000 autoridades públicas.

Por melhores que tenham sido os motivos para a criação da prerrogativa de Foro, o que ocorre hoje é uma vergonha. Qualquer crime, agressão a mulher, estupro, assassinato, roubo qualificado, latrocínio, participação em milícias, enfim, qualquer um, tendo sido cometido antes ou durante o mandato, dá prerrogativa de Foro às autoridades envolvidas.

Creio ser meio óbvio que o motivo da criação desse instituto não era entulhar tribunais superiores com estelionatários, traficantes, assassinos e estupradores comuns, com mandato. Mas é como funciona, como ficou evidente nos votos dos ministros.

Mas não salvou, conforme já havia sido antecipado na imprensa

Os meios de comunicação já haviam antecipado que algum ministro “alinhado aos foreiros” iria pedir vistas e, na prática, empurrar com a barriga, sem prazo, a decisão que já tem maioria.

A decisão que seria tomada hoje é ALVISSAREIRA. Só haverá foro para crimes cometidos durante o mandato e relacionados ao mesmo. Se for parlamentar e matar ou estuprar, primeira instância. Se estava respondendo na primeira instância ANTES de se eleger, continuará lá.

É o pesadelo dos políticos que buscam a eleição, desesperadamente, para evitar o julgamento pelo juiz natural. E o motivo é óbvio.

Relacionamento e indicação.

Enquanto em tribunais superiores há, por óbvio, um sistema de influências e de relacionamento entre os indicados e os políticos, às vezes não republicano, muito dificilmente um juiz natural fará parte da rede de influência do político-réu.

E é isso que não querem os parlamentares.

A justificativa de Toffoli foi meio ridícula, pois ele teve 177 dias desde a liberação do voto do relator e mais 56 dias para ler o voto parcialmente divergente do min. Alexandre de Moraes. Creio que tempo mais que suficiente para ao menos saber do que se trata a questão de ordem e o voto dos ministros. Ele afirmou que ainda “não estava clara” a questão.

Como não há o que fazer para evitar a sabujice, fazem o que querem sem qualquer accountability.

Temer e o paradoxo do “bom presidente forçado”.

Para entender a política brasileira não é preciso modelos sofisticados de pensamento. É tudo meio óbvio.

Os interesses são claros. As corporações, em todos os poderes (executivo, legislativo e judiciário) e em todos os níveis (federal, estadual e municipal) tem objetivo único de manter seu sistema de poder.

Quando um governante não privatiza, não é por ideologia de esquerda, mas por manutenção e/ou ampliação de seu poder de barganha, que o ajuda na perpetuação de seu sistema de poder.

Quando aparece uma inovação como o Uber ou o Netflix, as leis não são apenas relacionadas ao pagamento de impostos, mas ao controle dos empreendimentos. É preciso alvará, é preciso registro, é preciso carimbo, é preciso conteúdo específico, é preciso pedir benção ao Estado, é preciso dar ao governo a possibilidade de criar reservas de mercado para seus apoiadores, à custa da receita das empresas.

Quando o governo quer investimentos expressivos em infra-estrutura, ele cria regras que impossibilitam o agente privado de operar com lucro a juros de mercado. Daí ele acena com financiamento subsidiado público. Não há nada MENOS capitalista do que o capitalismo brasileiro.

Isso tudo dá poder de indicar QUEM VENCE no mercado brasileiro (lembram dos Campeões Nacionais?). E a máquina NÃO abre mão de poder e de legislar no sentido de controlar, e controlar significa também ter o poder de não controlar. A clássica criação de dificuldades para vender facilidades. Muitas vezes de forma não republicana.

Tinha uma lava-jato no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma lava-jato

Goste-se ou não, por evidente a lava-jato abalou a estrutura desse sistema retroalimentado de perpetuação de poder.

Alguns amigos defendem Temer, chego a ouvir que é o melhor presidente da história brasileira (é isso mesmo, ouvi isso), por entender que as aprovações, ou tentativas de aprovação, de grandes reformas do Estado Brasileiro estão saindo no governo Temer. E duas reformas importantes realmente saíram, a trabalhista (que provavelmente vai ser destroçada pelas emendas parlamentares) e o teto de gastos (que é boa, mas não deveria livrar legislativo e judiciário).

E ainda há outras na fila, como a da previdência.

E aqui o paradoxo me choca, profundamente, pois a situação é tão óbvia e tão dantesca que deveríamos estar escandalizados.

Temer tem 2 chances de se livrar da cadeia.

A primeira chance é tornar-se uma eminência parda, uma força política inequívoca, o homem que pegou o Brasil quebrado e entregou uma economia pujante.

A outra chance é manter foro privilegiado através de alguma emenda constitucional que garanta isso a ex-presidentes, ou eleger comparsas para pegar um ministério.

Essa segunda chance, ao que parece, está sendo orquestrada no congresso, o que salvaria inclusive Lula e Dilma. Faz sentido que isso ocorra, pois há uma maioria de 2/3 de investigados, ou quase isso.

Mas a primeira chance é que me intriga.

Os amigos que apoiam Temer, certamente não o fazem por coadunarem-se com as práticas criminosas do presidente, nem por sua relação com a lata do lixo da política. Eles apoiam porque entendem que ele conseguiu reformas revolucionárias em pouco tempo, o que é bastante difícil aqui no Brasil. Ele destruiu o movimento sindical “fake”, aquele que existe apenas porque “existe o dinheiro, tem que gastar”, mas não representa ninguém. Isso é revolucionário no país.

Ainda há uma ampla agenda de redução dessas amarras estatais, com privatizações de grandes sistemas de “poder” na Eletronorte, Furnas, Itaipu etc. Adicionalmente, a redução do nefasto papel destruidor de valor e concentrador de renda do BNDES, abrindo espaço para um mercado de dívida privada pujante e um mercado de capitais funcional (por aqui isso não existe).

Alvíssaras, alvíssaras!!! Só que não…

O que fica claro de tudo isso é que, não só Temer, mas TODOS os políticos, sabem EXATAMENTE o que fazer para o país decolar, para a economia se livrar das amarras e crescer como gente normal. Normal aqui refiro-me a Peru, Chile e Colômbia, nada fancy, mas apenas países menos amarrados, que tem juros baixos, baixíssimo imposto sobre o consumo, aliança com países vitoriosos, repúdio ao bolivarianismo e outras facilidades à população.

Então temos uma grande maldição, eterna maldição, que ora está explicitada por Temer e sua desesperada tentativa de se livrar da cadeia, através da virtude econômica.

Somos, e aqui não me refiro apenas ao “zé povinho”, mas ao empresariado também, marionetes à espera dos movimentos que o governo nos permitirá fazer, no tempo em que ele quiser, o quanto quiser e até quando deixar.

Foi assim com as reservas de informática. Era assim com a proibição de importação de instrumentos musicais. É assim com tudo. Por isso confundimos riqueza da nação com tamanho do orçamento público.

Recuso-me a aplaudir

Não posso me conformar com o sistema títere-titereiro. Não posso achar normal que os políticos soltem as amarras da economia de acordo com a conveniência de um pequeno grupo de novos senhores do engenho, dosando a ração de comida e liberdade de seus escravos e de sua criadagem, aqueles que existem apenas para servi-los.

Não há NADA de liberal em Temer. Ele está apresentando um receituário óbvio, que nunca foi aplicado porque nós, os selvagens, não “merecemos” a liberdade de empreendimento e o fluxo livre de capitais que o mundo já experimenta há pelo menos 50 anos.

E o está fazendo para livrar-se da cadeia e do “juiz natural”.

Durmamos com um barulho desses.

Para salvar a economia e promover o crescimento, Temer aplica um receituário que todos sempre souberam, todos pregaram e todos escreveram. De gente sofisticada, a gente simples. De Alexandre Schwartzman a Miriam Leitão. Do micro-empreendedor individual ao industrial. Mas o faz pelo motivo errado.

Poderia ser ingênuo e aplaudi-lo por tentar fazer tantas coisas demandadas há séculos por quem deseja investir no Brasil, mas eu não posso fechar os olhos para o óbvio.

O Status Quo é o que é porque sabe se manter como Status Quo. As movimentações são, como se vê, no sentido de voltar tudo como antes.

E aqui a união é plena, de todas as matizes, de PT a PSDB, direita, esquerda e centro.

Aliás, agora que surgiram efetivamente opções efetivamente de direita e/ou de mercado, é que ficou claro que vivemos uma ilusão de polarização direita-esquerda no país.

Em 2018 Alckmin será um candidato de esquerda. Sempre foi, só não víamos com clareza, pois o Status Quo é eficiente em criar estratégias diversionistas para nós, os selvagens, brigarmos com o que vemos, enquanto a boiada da corrupção e do compadrio entra inteira por outras portas.

Fernando Henrique nos enganou quando disse que o embate PT-PSDB era pela “chave do cofre”. Mentira, o cofre continuou aberto a todos.

Temer e 2018

Não haverá recuperação econômica que livre Temer do que ele é. Ele é o que é. É o que vimos e ouvimos que ele é. É o que suas alianças mostram que ele é. É o que os encontros secretos com Toffoli, Gilmar e Aécio mostram que ele é.

E não há crescimento de 3% em 2018 que fará as pessoas esquecerem isso.

Seu movimento será, cada vez mais, no sentido de livrar-se do juiz natural de formas heterodoxas. Ou conseguindo imunidade no congresso, ou destruindo cabalmente a lava-jato, ou costurando algum candidato pró-Status Quo que possa vencer as eleições de 2018.

E nesse caso entendo que o único candidato que se ajusta ao interesse de Temer é Lula. É ingênuo quem pensa que Lula e Temer estão em barcos diferentes, seguindo caminhos diferentes. É ingênuo e tem problemas de memória, pois Temer está lá por causa de Lula. Era vice do PT. Esteve (e está) na mesma canoa furada, ambos tirando a água e tentando remendar o furo.

Lula seria o único que poderia aglutinar todas as forças políticas encrencadas com a polícia em torno de algum projeto nacional pró-corrupção, anti-lava-jato.

O vencedor em 2018 será alguém que se mostrar disposto a explodir o Status Quo. Alguém sem compadrios nos tribunais superiores, e que não deve favor ao coronelado histórico brasileiro.

Se essa pessoa não existir, viveremos outra ilusão, outro mise-em-scène démodé. Mais um jogo para divertir-nos, os selvagens, enquanto passa a caravana da vagabundagem.

Como sói acontecer há 517 anos.

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Balanceamento de carteira 1995 a 2017, o que aconteceu?

Posted on 09/11/2017. Filed under: Administração, Finanças, Matemática |

Um dos estudos mais badalados que publiquei no livro O Mercado de Ações em 25 Episódios foi o que tratava do balanceamento de carteira de investimentos, como forma de aproveitar o melhor dos mundos da renda fixa e da renda variável.

Tratava-se de iniciar uma carteira com 50% em renda variável e 50% em renda fixa. Quando a diferença entre os montantes atingisse 30%, por exemplo, deveríamos retirar recursos de onde houve valorização e colocar onde houve desvalorização.

Por exemplo, se a bolsa disparasse e atingisse 65.000, enquanto a renda fixa permanecesse em 50.000, deveríamos vender 7.500 em ações e aplicar em renda fixa. Teríamos ao final, 57.500 em cada tipo de investimento na carteira balanceada.

Essa é uma técnica para evitar os sentimentos irracionais do investidor que, por natureza, se assusta quando a bolsa desaba e pensa em vender, assim como ao ver a bolsa disparar fica lamentando não ter colocado mais dinheiro, e desanda a colocar mais. Além de permitir que, num momento de baixa expressiva da bolsa, haja recursos em renda fixa para aproveitar a queda.

As principais lições

As principais lições do estudo são três. A primeira é que NÃO adianta fazer ajustes com oscilações pequenas, tipo 5% ou 10% de diferença. Tanto pela complexidade, quanto pelo custo de fazer centenas de operações, e também pelo simples fato de que fazer o ajuste com patamares maiores 20%, 30% ou 40% dá resultados melhores.

A segunda é que os resultados, se tomadas em prazo curto (5 a 8 anos), dependerão MUITO do início da renda variável. Se começarmos com a bolsa muito barata, teria sido melhor investir tudo em bolsa, assim como se tivermos começado com a bolsa muito alta (cara), teria sido melhor investir em renda fixa apenas (colocar os R$ 100.000 em renda fixa e não balancear). Mas quando vamos para horizontes maiores, esse “início” faz menos diferença.

Por fim a lição principal é que, ao seguir o método, seremos racionais sempre e, no longo prazo, isso fez uma diferença enorme, tanto em aumento de retorno quanto de redução de risco.

Aos leitores recomendo a leitura dos artigos originais, estão no blog e no livro. Aqui vamos apenas atualizar os resultados para um horizonte de quase 23 anos.

Resultados para o período de quase 23 anos.

Para um horizonte longo fica bem evidente não apenas os bons resultados do método, mas principalmente a redução dos riscos.

Peguemos o ano de 1995, o primeiro da análise (antes de 1995 não havia moeda no Brasil, de forma que o estudo ficaria excessivamente complexo e sem sentido).

O Ibovespa do início do ano estava em 4.319 pontos. Se colocássemos R$ 50.000 em renda fixa e R$ 50.000 em renda variável no início de janeiro de 1995 e fizéssemos o balanceamento de carteira cada vez que o montante de uma aplicação ultrapassasse 30%, teríamos o seguinte:

  • Teríamos feito 19 operações de balanceamento.
  • Se os R$ 100.000 tivessem sido investidos em Renda Variável apenas, teriam se tornado R$ 1.720.000.
  • Se os R$ 100.000 tivessem sido investidos em Renda Fixa apenas, teriam se tornado R$ 1.816.000.
  • Se os R$ 100.000 tivessem sido investidos metade em Renda Fixa e metade em Renda Variável fazendo o balanceamento, teriam se tornado R$ 2.487.000. 37% a mais do que investindo apenas em renda fixa e 45% a mais do que investindo apenas em renda variável.
  • Nos últimos 60 meses (de setembro de 2017 para trás), o valor investindo na carteira balanceada seria MAIOR do que o valor investindo em apenas um tipo de ativo em 100% dos meses.

Essas conclusões ficam claras no gráfico:

Perceba que a carteira balanceada, na maioria das vezes, esteve acima do investimento individual nos ativos.

Os piores anos para o balanceamento.

É importante colocar que estamos terminando o início dos aportes no ano de 2009, para que tenhamos um horizonte superior a 8 anos de investimento. Como já dito, no curto prazo, a dependência do “momento” é muito grande e distorce a prática de balanceamento, que deve ser pensada como gestão de longo prazo.

Nos 15 anos analisados (anos base de 1995 a 2009, de início do investimento), o método do balanceamento teria sido PIOR que investir tudo em Renda Variável apenas para quem começou no ano de 2003. O que faz sentido, pois viemos de uma dúvida econômica grande com a eleição e a bolsa tinha caído bastante. Como teríamos comprado “barato”, o investimento em Renda Variável teria vencido. Apenas para quem começou a investir nesse ano. Veja o Gráfico:

De qualquer maneira é muito evidente a redução da volatilidade (e do risco) para quem investiu na carteira balanceado.

Interessante também notar que a diferença não foi tão grande, de R$ 659 mil para R$ 625 mil (da RV para a balanceada). Mas em relação à renda fixa a diferença foi enorme. De R$ 625 mil para R$ 422 mil em RF.

De 2003 para hoje seriam quase 15 anos completos, perceba que, no início, como compramos a bolsa muito “barato”, o investimento em RV ganha quase sempre, pois os prazos são curtos. Já a partir dos últimos 5 anos, há bem mais equilíbrio entre a RV e o balanceamento. Na verdade, foram 40 meses em que a RV estaria na frente e 20 meses em que a balanceada estaria na frente. Pelo histórico da análise, não será surpreendente se nos próximos 60 meses essa lógica se inverter e a balanceada passar a ganhar na maioria dos meses.

a Renda Fixa (RF) teria vencido em 3 oportunidades, para quem iniciou seus investimentos em 2006, 2007 e 2008. Também faz sentido, pois foram os anos de recorde da bolsa, ou seja, compramos caro. Agora é que estamos batendo os patamares atingidos em 2008 e 2009.

No ano de 2008 a diferença foi a pior em favor da RF, com R$ 225 mil contra R$ 179 mil da balanceada e pífios R$ 116 mil da renda variável (pois 2008 se iniciou a 63 mil pontos o Ibovespa).

Vejamos o gráfico:

Mais uma vez se percebe redução da volatilidade e da eventual perda de arriscar investir apenas em bolsa, tendo comprado em um início tão ruim.

Em resumo

Nos 15 anos de início dos investimentos (inícios em 1995 a 2009), a carteira balanceada teria VENCIDO em 11, a carteira de renda variável em apenas 1 ano de início (2003) e a carteira de RF em 3 anos de início (2006, 2007 e 2008). Sendo que, em todos esses anos, houve atipicidades, como mínimas históricas ou máximas históricas.

Se considerarmos um horizonte mínimo de 15 anos, significa que teríamos que contar apenas que começou a investir de 2002 para trás. Nesse caso, o balanceamento teria vencido em TODOS os casos, com ampla vantagem na quantidade de meses em que esteve à frente das outras opções (considerando apenas os últimos 5 anos).

Por que funciona?

Na verdade, não há qualquer mistério no ocorrido, apenas reflete uma conduta racional, com parâmetros quantitativos claros. É extremamente provável que uma ação objetiva (balancear a cada 30% de diferença) que vai garantir comprar bolsa quando estiver barata (relativamente, não absolutamente) e vender bolsa quando estiver cara, traga melhores resultados no longo prazo do que tentar acertar.

Não é, entretanto, garantia de sucesso futuro. Como vimos, para períodos menores, houve momentos em que o balanceamento perdeu.

Parece uma panaceia, uma grande estratégia, que deveria ser seguida por todos. Parece mesmo, mas não é seguida por todos e provavelmente não será. E é fácil explicar.

Em quase 23 anos, de 1995 a 2017, o investidor teria feito APENAS 19 operações em 273 meses. Não há emoção.

Outro ponto é que, dificilmente alguém vai seguir os parâmetros de forma precisa (30%), muito provavelmente vai “achar” que a hora é outra e vender com diferenças menores. Seja por “intuição” ou por tédio mesmo.

E investidores profissionais, gestores de fundos, precisam se diferenciar, portanto se arriscam mais. Principalmente porque esse método é excepcional no longo prazo, mas nos primeiros anos é muito volátil e pode deixar os cotistas dos fundos ressabiados com a competência do gestor.

Mas para o pequeno investidor que quer evitar a “síndrome da troca de pernas”, que é comprar na alta e vender na baixa, ou que não quer ser uma mão Dinah da bolsa de valores para adivinhar o momento, o método é um guia anti-vacilo.

Não é panaceia, mas é racional e manterá o investidor na racionalidade básica do mercado que é, comprar na baixa e vender na alta. Comprar na “mais baixa” e vender na “mais alta”, não é racional é Lei de Bicks ou de Schultz. Popularmente, é chute.

Ps. Alerto que isso NADA tem a ver com análise gráfica, estamos falando de 19 operações em 273 meses e não de 273 operações em 19 segundos. São objetivos diferentes.

Baixar a planilha aqui.

 

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O que ninguém nos conta sobre o recorde nas bolsas e nos ativos de risco.

Posted on 06/10/2017. Filed under: Administração, Finanças, Política | Tags:, , , , , , , |

Retórica nuclear entre EUA e Coreia do Norte, retornos baixíssimos com dividendos, risco político no governo Trump, terrorismo mundial, ascensão do fundamentalismo, tensões geopolíticas no oriente médio, furacões, terremotos, ufa!, e as bolsas só sobem, praticamente sem volatilidade.

O que está acontecendo?

Por que ativos de risco NÃO se comportam como tal, ou seja, apresentando oscilações significativas diante de riscos mensuráveis, plausíveis e até quando se manifestam, de fato, as catástrofes?

É o que vou tentar responder.

Claro que vou tentar tratar por um prisma que ninguém tratou, ou que pouca gente tratou, uma vez que os principais analistas e economistas não chegam a um consenso sobre essa nova exuberância irracional nos mercados.

Ao final deste artigo, acredito eu, ficará demonstrado que há uma gigantesca disfunção nos mercados financeiros e de capitais, em todo o planeta. Vamos explorar esse tema, ver suas causas e elaborar esboços de solução. A ver.

Em artigo traduzido pelo jornal Valor Econômico, publicado em 25 de setembro de 2017, o professor Robert Shiller, prêmio Nobel de economia e um economista influente que previu a bolha imobiliária americana, demonstrou que o seu indicador de “preço-lucro corrigido ciclicamente (Cape)” estava acima de 30 no mercado americano, um forte indicador que as ações estariam sobreprecificadas (caras).

Além disso, o índice VIX, que mede a volatilidade no mercado estaria em níveis anormalmente baixos, e por tempo demasiado. Ele não se arriscou a dizer que estamos em uma bolha nos ativos de risco.

Alan Greenspan, que cansou de avisar sobre a exuberância irracional antes do crash de 2008, diz hoje que temos um risco significativo no mercado de renda fixa (dívida soberana e de empresas). Mas ninguém sabe quando e se vai estourar, nem ele.

No Brasil é ainda mais interessante. Em 11 de setembro último a revista exame publicou um estudo da economática mostrando que o dividend yield no Brasil (retorno com dividendos) era o MENOR desde 1995, apenas 1,34%. A julgar que em 1994 nem tínhamos moeda, é provável que seja o menor retorno da história. E estamos no recorde da bolsa.

Em outro artigo recente, Armínio Fraga relatou que ninguém consegue entender bem os motivos para que o crescimento econômico, com baixíssimas taxas de juros, não tenha gerado inflação mais alta. Ao que tudo indica, o Fed só não sobe as taxas de juros, por que a inflação está consistentemente abaixo das metas. Já está mudando, sinalizando entender que as taxas de juros baixas não vão levar a inflação para a meta.

Mas eu acho que não é tão difícil entender, se formularmos hipóteses diferentes

Ninguém se questiona sobre a natureza da taxa de juros, o motivo de sua existência e quais os fundamentos que deveriam guiá-la.

Tratamos apenas de relações de causa e efeito já padronizadas e predefinidas nos livros e finanças e economia. Porém, creio, não será a dinâmica dos fluxos de interesse pelo dinheiro (oferta e demanda de liquidez) que vão nos ajudar a entender a incrível disfunção que vive hoje o mercado de ativos financeiros em todo o planeta.

As taxas de juros não foram invenções da teoria financeira, na verdade a teoria financeira modelou e deu dinamismo à mediação QUE SEMPRE EXISTIU entre o interesse de poupadores e investidores. Essa negociação entre quem quer consumir/investir hoje e quem quer adiar esse consumo/investimento é muito anterior à teoria financeira. Desde que alguém topou ceder 10 vacas por um ano, para receber 11 vacas no futuro, já havia sensibilidade a taxas de juros, a matemática só permitiu registro, leitura e ampliação da complexidade.

E como a demanda e oferta de liquidez são resultado de uma interação humana, devem atender aos interesses de ambas as partes, ou seja, se me proponho a abrir mão de consumo por 30 anos, esse sacrifício atual deve atender meus interesses de consumo no futuro, bem como ao interesse do investidor/empreendedor no momento.

A racionalidade média dos agentes econômicos funcionou muito bem em todas as eras, mesmo quando ainda não se dominava técnica para cálculo de juros compostos. Funcionou ainda melhor com o desenvolvimento de técnicas para cálculo de valor presente de ativos complexos como derivativos, por exemplo.

Mas, hoje, não funciona mais. Não atende os interesses dos investidores/poupadores de curto ou de longo prazo. A teoria financeira continua existindo, as fórmulas e os cálculos continuam valendo, mas a realidade das finanças mundiais deixou de mediar corretamente os interesses de poupadores e investidores/empreendedores e, se nada for feito, poderá passar décadas destruindo valor de aposentadorias da geração atual e das próximas.

Mas o livre mercado não deveria regular esses interesses, ajustando o preço dos ativos?

Sim, correto. O problema é que há entidades gigantes e irracionais agindo de forma deliberada contra o equilíbrio natural dos preços dos ativos.

Antes de falarmos dessas entidades, vejamos os motivos pelos quais a realidade dos preços dos ativos, nos dias de hoje, NÃO ATENDE mais à racionalidade dos poupadores (aqueles que cedem o capital) e dos investidores/empreendedores (aqueles que usam o capital para dar retorno futuro aos poupadores). Eles continuam investindo por não haver opção, mas os objetivos racionais não serão atingidos.

Importante ressaltar que poupador, neste texto, é aquele que oferece capital hoje, para consumir no futuro, estamos falando APENAS de longo prazo, que é, em essência, o capital usado para investimento não especulativo. Investidor/empreendedor é aquele que toma o capital e usa em projetos não especulativos agora. Ambos não são atendidos pela realidade financeira atual. Veremos a seguir.

As taxas de juros, conforme já sugerido, devem refletir o preço de equilíbrio entre poupadores e investidores, oferta e demanda de capital.

O problema é que o interesse de poupadores deve se materializar em prazos que não devem exceder 30 a 35 anos, pensando em formação de patrimônio para aposentadoria.  É razoável crer que após engrenar a vida profissional, quando se melhora o salário ou se atinge um nível médio na carreira, entre 25 e 35 anos de idade, a expectativa do poupador (que abre mão de consumo hoje para garanti-lo no futuro) e de passar de 25 a 35 anos investindo para acumular capital de aposentadoria. Ninguém se programa para investir por 55-60 anos para conseguir se aposentar. Não cabe na expectativa de vida (life span) humana média.

Essa é uma realidade que se verifica individualmente, mas principalmente em fundos de pensão. As “contas” atuariais dos fundos sempre levam em consideração, um acúmulo por 25, 30, 35 anos, uma aposentadoria (retiradas) a partir dos 60-65 anos, com sobrevida de 25 a 30 anos. Isso não é por acaso, reflete a expectativa de vida das pessoas, capacidade produtiva por faixa etária etc.

Digo tudo isso para lembrarmos que as taxas de juros PRECISAM servir a esse objetivo dos poupadores. São centenas de milhões ao redor do mundo (a considerar os que fazem qualquer tipo de previdência, ultrapassa a casa do bilhão com certeza, dada a poupança privada de 50% da renda na China).

Com relação aos investidores/empreendedores (tomadores do capital), cada projeto deve apresentar a maturação e o retorno nos períodos planejados. Uma concessão governamental deverá dar o retorno esperado no prazo da concessão, um projeto altamente arriscado deverá apresentar seu retorno (ou prejuízo) num prazo de 5 anos. Em todas as áreas há uma expectativa de retorno e de taxas de juros, dentre de um prazo razoável. Ninguém investe racionalmente em retornos previstos para 80-100 anos.

O que diz a teoria financeira?

Vivemos uma era de juros baixíssimos e até negativos. E isso cria sérios problemas para toda a teoria e prática financeira com as quais estamos acostumados. Pior do que isso, afasta as finanças da necessidade prática da indústria de fundos de pensão e da realidade de poupadores de longo prazo. E também atrapalha investidores/empreendedores, por outros motivos.

A ver.

A aposentadoria possível

Pensemos em uma taxa de juros real da ordem de 3,5% ao ano, a partir de instrumentos de renda fixa de baixo ou baixíssimo risco, algo que era possível, num passado não remoto, nos títulos de países desenvolvidos de médio e longo prazo.

Com essa taxa, um indivíduo poderia acumular 20% de sua renda anual, por 35 anos, e conseguir se manter por mais 25 anos EXCLUSIVAMENTE com o dinheiro acumulado para a aposentadoria.

Ou seja, sem correr riscos em outros ativos, um conjunto de instrumentos de renda fixa seria suficiente para que ele próprio cuidasse de sua aposentadoria (ou que seu fundo de pensão o fizesse).

Correndo um pouco mais de risco, investindo em dívida privada + dívida soberana, há 10 ou 15 anos seria possível obter 5,5% ao ano em termos reais (apesar de que, se a renda subir, também subiria o aporte, de forma que o impacto de uma inflação baixa não seria tão significativo).

Nessas condições, sem ainda correr riscos excessivos, poupando 20% da renda anual por 26 anos apenas, seria possível viver com a mesma renda (efetivamente utilizada) pelos 26 anos seguintes.

Aos que consideram poupar 20% da renda “impossível”, vale lembrar que já deixamos 11% ao INSS, e a soma de décimo-terceiro e adicional de férias já significam outros 11,1%. Não é impossível e já é uma realidade para muita gente. Em termos mundiais, nem se fala, é até baixo esse percentual. O problema no Brasil é que a maioria das pessoas confia sua aposentadoria EXCLUSIVAMENTE ao governo, de forma que não formamos poupança e nem cultura de autonomia financeira.

A aposentadoria impossível

A realidade atual das taxas de juros torna quase impossível acumular dinheiro para se aposentar, com risco baixo, dentro de um prazo razoável ou com índice de poupança racional.

Vejamos.

Peguemos uma taxa de 1,5% ao ano, lembrando que alguns títulos soberanos de países europeus atingiram taxas NOMINAIS negativas para prazos de 10 anos, e menores que 0,5% para 30 anos.

Com essa taxa de 1,5% ao ano, acumulando 20% da renda anual por 35 anos, o dinheiro acumulado duraria APENAS 12 anos.

Para garantir que o montante acumulado dure 25 anos, seria necessário acumular dinheiro por 55 anos!!!!!!!!!!!!!

Essa realidade NÃO FAZ SENTIDO e NÃO ATENDE a realidade dos poupadores de longo prazo, menos ainda dos fundos de pensão. Não há fundo de pensão que exija investimentos por 55 anos para começar a pagar a aposentadoria. Ninguém investiria nisso.

Essa falta de retorno dos ativos menos arriscados vai exigir das pessoas MAIS poupança e menos consumo.

Para se aposentar com 35 anos de contribuição, seria necessário poupar 32% da renda anual, um sacrifício de consumo bem mais significativo do que os 20% de nossos exemplos iniciais.

A aposentadoria no infinito

Os juros negativos são uma distorção da realidade financeira, uma disfunção, uma anomalia que afasta a racionalidade mínima necessária para toda a teoria econômico-financeira funcionar.

Há menos de 1 ano estimava-se haver cerca de US$ 15 trilhões investidos a juro zero ou negativo. Isso é quase 20% do PIB mundial. Diante dessa realidade toda a estrutura teórica desmorona. Não é à toa que as políticas monetárias não funcionam e que ninguém consegue explicar como taxas de juros persistentemente baixas não levam as pessoas a consumir e elevar a inflação.

Juro positivo tem efeito de amplificar o capital investido, juro negativo tem efeito de IMPOSSIBILITAR atingir determinadas cifras.

Vejamos o desastre se nossas economias para a aposentadoria fossem investidas em juros negativos. Coloquemos 0,5% negativos ao ano.

OBSERVAÇÃO: Se o leitor pensou que bastaria deixar o dinheiro no banco, para evitar juros negativos, o governo Suíço, quando percebeu que isso poderia ocorrer, estabeleceu taxas em depósitos à vista. Para pequenos poupadores, poderia funcionar, mas grandes fundos não podem deixar o dinheiro em depósito à vista.

Com juro negativo de 0,5%, aplicando 20% de nossa renda anual por 35 anos, o dinheiro acumulado duraria pouco mais de 7 anos.

Para conseguirmos acumular dinheiro suficiente, poupando por 35 anos, para viver mais 25 anos após a aposentadoria, seria necessário acumular 46% da renda anual. Além de ser dificílimo, ainda teria impacto catastrófico na economia real, pois o consumo desabaria.

E como isso prejudica investidores/empreendedores?

O leitor deve estar se perguntando se esses juros baixos e excesso de liquidez não seriam bons para quem vai tomar capital. É inequívoco que tomar dinheiro emprestado a 5% ao ano é melhor do que tomar a 12%, mas essa é uma lógica linear curta. Na verdade essa grande irracionalidade gerada pelo excesso de liquidez (dinheiro demais no mundo) é péssima para todo o sistema e prejudica, e muito, os investidores.

Por quê?

Primeiro porque, ao demandar mais esforço de poupança, mais restrição ao consumo atual, para garantir fundos à aposentadoria, a tendência é de um consumo menor hoje e, a continuarem baixos os juros, ou pior, se nem houver a expectativa de alta no futuro, provavelmente mais recursos serão retirados do consumo atual. E isso é péssimo para empreendedores atuais e futuros.

Outro ponto é que, dado o excesso de liquidez, tanto o empreendedor quanto dezenas de concorrentes conseguem captar rapidamente grandes volumes a custo baixo. Isso pode até ser bom para os consumidores, mas é destruidor de capital.

Em um mundo de recursos escassos, os juros são maiores, mas a seleção de projetos é bem mais rigorosa, apenas os de maior potencial são escolhidos. Hoje surge um aplicativo de sucesso, em 5 minutos já há 20 concorrentes capitalizados entrando no negócio.

Repito, pode funcionar para o consumidor, mas isso impacta para baixo o fluxo de caixa mesmo dos projetos vitoriosos. E se o fluxo de caixa é menor, a remuneração do investidor também é menor. Easy money tem sempre o mesmo efeito, seleção menos criteriosa, voluntarismo financeiro e pouco controle. Invariavelmente gera pouco retorno.

Mas a alta nas bolsas e nos ativos de risco não ajudaria na formação de poupança de longo prazo?

Infelizmente não, e aqui mora o perigo maior para os poupadores de longo prazo. Como houve queda significativa na remuneração de ativos de baixo risco, o que torna mais difícil cumprir metas atuariais, os recursos acabam sendo canalizados para projetos de risco elevado.

O problema é que, se antes o investidor esperava 15% a 20% ao ano de um projeto arriscado, hoje se contenta com 6% a 8%.

Isso porque o cálculo de retorno DEPENDE dos juros pagos pelo ativo sem risco e também da relação oferta VS demanda por capital.

Qual é o problema de aceitar retornos menores de projetos de risco?

O problema é que pagamos mais caro pelo MESMO RISCO!

Isso mesmo, o risco do fluxo de caixa pouco muda. Ele depende das condições da economia, da capacidade técnica, da estrutura de custos da mercadoria, da concorrência, do interesse do consumidor e da vários fatores que não são (ou são pouco) influenciados pelas taxas de juros.

Na prática se um projeto tivesse chance de 20% de quebrar nos primeiros 5 anos, pouco importa se você espera dele retorno de 8% ao ano ou de 20%. Se quebrar, vai quebrar por fatores alheios ao seu investimento. O problema é que se você descontou esse fluxo de caixa à taxa de 8%, pagou MUITÍSSIMO MAIS CARO do que se tivesse descontado a 20%.

Em resumo, os riscos são os mesmos, só estamos pagando caríssimo por eles.

E é isso que estamos vendo no mundo hoje.

Quando os mercados de risco NÃO se movimentam diante de terremotos, furacões, retórica belicista, risco de shut down no governo americano, guerra nuclear, expansão fundamentalista, secessão no Iraque e na Espanha, retrocesso na relação EUA-Irã etc., não significa que os riscos não existam, eles estão lá e podem fazer o mesmo estrago de antes. Mas continuamos comprando…

No more fly-to-quality

Não há mais “fuga para qualidade”, por 2 motivos, porque a qualidade (risco baixo) paga juros baixíssimos (já em alta apenas nos EUA) e porque há excesso de dinheiro (liquidez) no mundo. Qualquer movimento brusco, com essa quantidade de dinheiro, poderia derrubar ainda mais o retorno dos ativos de “qualidade”. Aliás, o motivo dos juros negativos em países nórdicos, principalmente durante a crise do Euro, era excesso de “fuga para a qualidade”. Demanda demais e oferta de menos.

Quem é o paquiderme na sala que está causando esse alvoroço todo?

O livre mercado não consegue autorregular os interesses de ofertantes e demandantes de ativos porque há 2 paquidermes na sala, cujos movimentos impedem o mercado de agir racionalmente.

O primeiro é a China e sua economia e moeda controladas. São trilhões de dólares praticamente sem utilidade, sendo usados em projetos tocados pelo governo e por estatais chinesas. Nada disso dá retorno, é só jogar dinheiro fora e manter o “crescimento econômico” nas alturas. A questão da moeda chinesa é ainda mais grave, pois é mantida desvalorizada propositalmente para garantir exportações. Isso faz com que um grupo muito grande de poupadores e investidores sejam MENOS rico do que deveriam.

Mas não vou tratar especificamente desta questão, pois essa política chinesa de absorção da poupança privada mundial já existia e não e a causadora principal das disfunções atuais. É importante, mas além de não ser a principal, ainda depende de um país incontrolável e exótico ao sistema capitalista moderno. Não dá para “consertar” a China.

O problema maior são os GOVERNOS.

Mais precisamente os bancos centrais e as políticas monetárias e econômicas aplicadas após a crise de 2008.

Essa crise espalhou ativos péssimos pelo mundo inteiro. Lixo tóxico, papéis que não valiam nada, contratos descumpridos etc.

A solução global, para evitar o colapso do sistema financeiro e garantir que os bancos continuassem a emprestar, foi promover relaxamentos quantitativos (quantitative easing) e baixar os juros, uma coisa ajudando a outra.

Em outras palavras, os bancos centrais mundiais resolveram dar liquidez ao que não era líquido. Comprar ativos que os bancos não conseguiam vender e que não tinham aceitação no mercado.

Então os bancos centrais passaram a trocar os ativos tóxicos e/ou ilíquidos por títulos públicos de altíssima liquidez.

Essa brincadeira dura quase 10 anos e já inundou o mercado de ativos altamente líquidos, represando a porcaria nos ativos dos bancos centrais.

Um artigo recente publicado no jornal O Globo indica que os ativos dos quatro principais bancos centrais do mundo (EUA, Japão, União Europeia e China) saíram de US$ 6,5 trilhões em 2008 para mais de US$ 17 trilhões em 2016.

Muito desse crescimento se deveu a compra de ativos de baixa liquidez, que estão todos hoje nos balanços dos bancos centrais, principalmente nos EUA e Europa.

Uma boa imagem sobre o tema seria imaginar que os BCs receberam esgoto e pagaram com água limpa. Os reservatórios de água limpa do mercado financeiro privado estão abarrotados, pois não há sede ou asseio que precise de tanta água, mas os reservatórios dos Bancos Centrais estão represando trilhões de litros de esgoto. Ninguém quer que essa barragem estoure.

Como o livre mercado pode autorregular os preços dos ativos e ajustá-los o interesse dos agentes se há um agente gigantesco agindo de forma irracional, com objetivos completamente diversos dos de poupadores e de investidores/empreendedores?

É impossível, por isso essa disfunção tremenda nas finanças e esse medo recorrente de um grande estouro de bolhas por todos os lados. De dívida privada a bitcoin, de shadow banking na china e na índia ao S&P 500. Um medo generalizado que, por conta da irracionalidade e do excesso de dinheiro, não se converte em prudência e volatilidade.

As bolhas vão estourar?

A verdadeira bolha é de liquidez e essa dificilmente estoura. O evento que faria a disponibilidade financeira desaparecer é grave demais, algo como calote de um desses bancos centrais. Não deve ocorrer.

Falando de forma direta, a solução REAL seria o enxugamento da liquidez que, em outras palavras, o desaparecimento do dinheiro desnecessário. Daquele exagero de água limpa que ninguém consegue usar.

Para o mundo parece haver dois caminhos. O do medo, que significa empurrar tudo com a barriga e continuar fornecendo liquidez, permitindo que os governos continuem a ditar as regras econômicas, as taxas de câmbio e a estrutura das taxas de juros (China principalmente), fazendo o mundo virar um grande Japão, de economia modorrenta, pouco crescimento, juros baixíssimos, taxa de poupança cada vez maior para a aposentadoria, mas sem sofrer grandes colapsos. Para um país rico isso não é tão grave, mas para quem é pobre e tem pressa em crescer, é gravíssimo.

O resultado disso é um empobrecimento gradual, um desaparecimento da liquidez ao longo de 50 anos de investimento em péssimos projetos e de retorno baixíssimo.

O segundo caminho já está sendo trilhado pelo banco central americano. Subir juros, parar de comprar ativos ilíquidos e reduzir seu balanço. E o efeito já está sendo sentido, com juros de longo prazo na faixa de 2,5% a 2,6% ao ano. O Federal Reserve tem muito poder para restaurar a normalidade no mercado de ativos de risco zero (ou baixíssimo), para que volte a fazer sentido nas carteiras de longo prazo.

Já está, ao que parece, convencido de que até a inflação responderá melhor (no caso deles subindo) sob taxas de juros racionais.

O Fed está procurando fazer tudo de forma transparente e evitando grandes impactos no mercado. Se conseguir recolocar os títulos de 30 anos ao patamar de 3,5% a 4% ao ano, é extremamente provável que os ativos, ao menos os de renda fixa privada, percam significativo valor.

Os técnicos do Fed perceberam algo que os BCs do mundo ainda não notaram. Ao zerar as taxas de juros ele perdeu completamente o poder de política monetária. Gastou a última bala (zerar os juros) e seus objetivos foram apenas parcialmente cumpridos, uma vez que não temos crescimento pujante em lugar algum no mundo desenvolvido e a inflação continua persistentemente baixa. As pessoas não consomem, os salários não sobem, o endividamento das famílias está em queda e, pior, o endividamento das empresas está nas alturas.

Imagine se, por algum motivo, a recessão voltasse mesmo com os juros zerados e com os balanços empanturrados de ativos ilíquidos. Qual seria a ação possível dos bancos centrais? Nenhuma. Não haveria nada a fazer diante de um cenário de recessão se os juros já estão zerados. Teriam que se reinventar.

Não sei para onde vamos, mas com certeza estamos em um momento disfuncional do mercado financeiro, ou seja, ele não está cumprindo a função de satisfazer o interesse dos participantes livres.

Já havia debatido isso em julho de 2016, neste artigo. As coisas pouco mudaram.

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Bitcoins. Um sistema de pagamentos, uma moeda ou um grande videogame?

Posted on 14/09/2017. Filed under: Administração, Filosofia, Finanças | Tags:, , , , , , |

Não é um texto para explicar bitcoins, blockchain, algoritmos etc., mas para tentar desvendar REALMENTE o que é o fenômeno que tomou conta do imaginário dos investidores.

Como é um mundo de paixões, já aviso aos adoradores e detratores do Bitcoin que sou amigo de ambos, o que vou escrever a seguir é EXCLUSIVAMENTE minha opinião. E, como de hábito, só me dou ao trabalho de escrever porque acredito ser uma opinião diferente da que se lê no mainstream da imprensa especializada.

Por que o Bitcoin existe?

Primeiro é preciso entender que não é o Bitcoin que interessa, mas sim o sistema que foi criado para permitir que ele seja transacionado (a Rede ou Sistema Bitcoin).

Vou me aventurar a tentar entender os motivos que levaram o fantasma Satoshi Nakamoto a criar a Rede Bitcoin (ou sistema Bitcoin). É uma aventura e tanto, pois nem sabemos se Satoshi é uma pessoa, várias pessoas ou uma empresa.

Não acredito em interesses financeiros desses gênios da informática e de criptografia. Eles são mais recompensados “provando suas teorias” ou criando algoritmos impenetráveis ou geniais, do que recebendo dólares. Até porque, nesse nível de genialidade e domínio das ferramentas, dinheiro jamais seria problema para eles.

Eu não acho que o interesse por trás da criação da Rede Bitcoin, por mais que se tente provar o contrário, tenha sido econômico, ou seja enriquecer os criadores ou, ainda, vir a ser um benchmark de moeda transnacional, sem autoridade central.

Eu acho, tão somente, que os criadores acreditavam ter pensado e desenhado um modelo MUITO MELHOR, mais barato e mais seguro para registros de transações com moeda, transações financeiras. E isso é o que importava para eles. Nada de dominar o mundo ou substituir o sistema financeiro.

A criação de um videogame transnacional autônomo

Hoje estamos acostumados com jogos online, em que players de todo o mundo se encontram no game, se ajudam ou se enfrentam em algoritmos de guerra, zumbis, fazendinhas de unicórnios etc.

Essa grande rede requer investimentos constantes para existir e suportar os acessos. Quanto mais sucesso faz o jogo online, mais capacidade computacional, mais banda, mais nuvem, mais memória etc. serão necessários.

Quem faz isso acontecer (investimento e manutenção) é uma autoridade central, que ganha dinheiro através da venda dos consoles, dos games ou de assinaturas dos jogadores. Isso é um business clássico, com uma organização central, planos de negócios, análise de lucratividade, ajustes de custos, remuneração de acionistas etc.

E se pensássemos em fazer isso SEM a autoridade central (controlador da empresa dona do game)? Ou seja, se a própria interação entre os jogadores, do mundo todo, fosse capaz de prover toda a infraestrutura necessária para o jogo funcionar?

Significa que os próprios jogadores disponibilizariam a capacidade computacional de suas máquinas para que o algoritmo do jogo rodasse, disponibilizariam espaços na nuvem etc.. Tudo isso tem um custo na vida real. A energia, o aluguel de espaço etc..

Se fôssemos capazes de “remunerar” esses jogadores com coisas do próprio jogo como diamantes que compram bichinhos, vidas extras, energia extra, novas armas, novas cores e tudo o que fizer sentido e for valioso no jogo, as pessoas que querem jogar promoveriam esforços para comprar máquinas melhores, mais espaço na nuvem entre outros itens para ganhar mais benefícios e ter mais sucesso no game.

Aliás, isso já é feito com frequência. Os games são assim, toda hora cobrando uns trocados para dar mais vidas, mais moedas, mais dicas e outras coisas que são valiosas para os jogadores. E eles pagam. Mas, no caso, pagam para uma autoridade central, que desenvolveu o game, é responsável pelo seu funcionamento, por consertar bugs, por fornecer a capacidade computacional necessária e faz isso tudo com o dinheiro que recebe dos jogadores.

A estratégia da criação da Rede Bitcoin, no meu modo de ver, é semelhante à estratégia dos desenvolvedores de games, mas sem a autoridade central. Cria-se um algoritmo que tem algum interesse para as pessoas (inicialmente só iniciados e interessados em explorar a criação e o uso de criptomoedas), gera-se um modelo de recompensas para quem prover o necessário para o algoritmo rodar e torce-se para que a Rede cresça.

Nesse aspecto, a Rede Bitcoin não difere muito de um gigante videogame, onde jogar significa prover capacidade computacional para o próprio jogo (além de transacionar as moedas) e os Bitcoins seriam as recompensas coletadas (como as moedas do Super Mário).

Mas o que seria um sistema de pagamentos?

Falemos agora do que seria a parte séria do Bitcoin.

Um sistema de pagamentos é algo extremamente complexo, caro e que requer investimentos bilionários e constantes em segurança e capacidade computacional.

Pense na quantidade de transações que o sistema que processa os dados dos cartões VISA precisa fazer, por segundo, para garantir a fidelidade das informações, quem paga e quem recebe, que não haverá fraude, roubo de dados etc. Quanto custa fazer bilhões de operações por hora, garantindo segurança e a fidedignidade para isso tudo?

Pense agora em todas as transações bancárias, compensações e seus registros em bancos centrais, sistemas de controle de lavagem de dinheiro etc. Quanto custa para manter esse sistema financeiro interligado?

Agora vamos para outros sistemas menores, pense no Paypal, no sistema de pontos da Multiplus ou Smiles, no Mercado Pago etc.

No Multiplus você ganha os pontos por fazer transações que geram riqueza para terceiros parceiros. Esses pontos, ao entrarem no sistema, também precisarão de um sistema de pagamentos, que identifique as transações e faça os débitos e créditos corretamente, além de proteger as informações sobre as transações.

No Paypal ou Mercado Pago você poderia fazer suas compras e vendas por anos sem nunca precisar transferir o dinheiro para o sistema bancário normal. Imagine que você seja um vendedor do ebay ou mercado livre e também compre suas mercadorias por lá. Você, eventualmente, só precisaria retirar o lucro de suas transações, mantendo as compras todas em dinheiro registrado no próprio mercado pago.

A Rede Bitcoin NÃO É MUITO DIFERENTE DISSO, aliás é bem parecida, exceto por não ter um responsável central e único e por permitir que a própria Rede gere moedas.

O que importa é Rede ou Sistema Bitcoin e NÃO a criptomoeda!

Rede Bitcoin é o sistema de pagamentos (não vou entrar em detalhes técnicos, não é minha praia) e Bitcoin é a moeda do Super Mário de US$ 4.000 que remunera aqueles que ajudam essa rede a andar.

Eu acredito que a intenção do criador da Rede era provar que a lógica de seu algoritmo, que foi criado para construção de um sistema de pagamentos em que a segurança se baseia no controle realizado pela própria rede e sem autoridade central, seria superior, mais seguro e mais barato que os sistemas de pagamentos caríssimos utilizados hoje.

Entendo que seria impossível provar isso captando dinheiro no mercado para construir um protótipo e demonstrar sua segurança, estabilidade e confiabilidade . É uma ideia muito sofisticada para captar recursos suficientes para construir essa Rede sozinho.

Os bancos dificilmente se interessariam, de início, pois significaria perder o controle centralizado sobre o sistema, espalhando suas características de segurança para milhares de contrapartes. Muito arriscado.

O gênio então criou o tal sistema de investimento-recompensa autônomo para dar suporte a sua ideia (a do sistema de pagamentos). Criou o Bitcoin, que remuneraria as pessoas que colaborassem com o suporte e o “BackOffice de hardware” da Rede Bitcoin. A tal mineração nada mais é do que oferta de capacidade computacional PARA A REDE BITCOIN, não sai daí, não vai para o mundo.

No início fazia sentido apenas para uma rede de nerds (gênios com interesses peculiares) que compreenderam o “game”, se interessavam pela ideia de criptomoedas e “jogavam” para coletar suas recompensas. Era barato e divertido, para quem entendia o algoritmo e sabia como jogar.

Naturalmente levou muito tempo para despertar o interesse de investidores, que não necessariamente entenderam ou entendem a profundidade da rede e seus objetivos, mas conseguiram ver uma forma de ganhar dinheiro, investindo para prover capacidade computacional à própria rede e recebendo moedas que passaram a ter valor referenciado em dólar.

Vale repetir em negrito: O Bitcoin é uma remuneração virtual recebida por quem oferece capacidade computacional para a própria rede bitcoin existir.

Não me arriscaria a dizer que é mais do que isso. Ele pode ser interpretado pelas pessoas como muitas coisas, como dinheiro virtual, como o futuro das moedas ou como o passaporte para a fortuna, mas, a rigor, ele é SÓ ISSO que escrevi. Pelo menos na minha opinião.

Por que vale tanto a moeda do Super Mário?

O motivo é sempre o mesmo, muitos interessados em comprar e poucos interessados em vender. Quando sai negócio, o preço é alto.

Aliás, a própria moeda do Super Mário, a do jogo, poderia ter valor referenciado em dólar, caso os jogadores quisessem burlar o sistema de coletas e comprassem de terceiros (por fora do jogo, em dinheiro) que repassariam a eles suas conquistas.

Na verdade, como já dito, as recompensas de videogames tem valor referenciado em dólar, dado que é possível comprá-las do próprio desenvolvedor.

Mas vamos pensar numa hipótese interessante, relacionada a sistemas de pagamentos.

Pense que o Mercado Pago, sistema de pagamentos do Mercado Livre, comece a chamar de MP a sua moeda, e garanta que, ao entrar no sistema R$ 1,00 valerá 1 MP e quando sair do sistema 1 MP valerá R$ 1,00. Como é hoje, se você coloca R$ 1.000 poderá retirar R$ 1.000, não importa se a moeda se chama MP ou Narjara Turetta (sem contar as taxas).

Agora imagine que as pessoas PREFIRAM ter MP a Real. Pode ser por qualquer motivo, imagine que as transações em MP (dentro do sistema de pagamentos do Mercado Pago) fiquem fora do sistema financeiro nacional e permitam, por exemplo que se transacione sem imposto e sem identificação de compradores e vendedores.

COM CERTEZA as pessoas passariam a comprar “por fora” MPs e pagariam em R$, de forma a evitar transacionar pelo sistema tradicional e com registro (compra de MPs diretamente pelo Mercado Pago). Poderia pagar, por exemplo, R$ 1,50 por fora do sistema, para o detentor do MP transferir para ele por dentro do sistema 1 MP, pois esse 1 MP permitiria várias transações ocultas e sem impostos. Essa transação, em tese, estaria fora do sistema bancário e o repasse do dinheiro também.

É mais ou menos como funciona o sistema de dólar paralelo em países com controle cambial, ou o nefasto sistema de lavagem de dinheiro.

Isso é um sistema de pagamentos paralelo ao sistema financeiro, mas NÃO é como a Rede Bitcoin, pois existe uma contraparte central, o Mercado Pago, que precisa gastar fortunas para manter esse sistema funcionando e recebe comissões nas vendas para mantê-lo, além de garantir o câmbio na entrada e na saída (R$ 1,00 = 1 MP).

Na Rede Bitcoin quem sustenta a estrutura são os mineradores e quem garante a segurança é a própria rede e os mecanismos iniciados pelos fundadores. E também não há nenhuma contraparte central garantindo a troca de Bitcoins por dólares.

Por que usei o exemplo do MP? Para mostrar o que seria um sistema de pagamentos paralelo ao sistema financeiro em que as trocas POR FORA do sistema poderiam se dar em valores diferentes da “lógica oficial” ou do fundamento.

Retornando ao questionamento inicial, o Bitcoin só vale muito porque há compradores para pagar o preço que vendedores pedem.

Mas não se deve buscar “fundamento” no Bitcoin (como há no exemplo do MP). Ele não tem qualquer fundamento que justifique qualquer preço. É só uma questão de fluxo mesmo. Vamos explorar esse tema.

Tem perigo de não conseguir vender meus Bitcoins?

Essa pergunta é interessante. Não existe um “estoque” de dólares para pagar Bitcoins. As transações são sempre entre quem TEM os dólares para dar e quem TEM os bitcoins para entregar. As corretoras só fazem essa intermediação e cobram um fee por isso.

E, vale repetir, isso tudo é FORA do jogo, fora da Rede. Como seria aquela troca de reais por MPs no exemplo do Mercado Pago.

Exceto em casos de fraudes como as do Maddoff, em tese se você conseguir vender seus Bitcoins a contraparte pagará em dinheiro e você receberá.

O risco é tão somente o de liquidez. Se houver uma corrida por dólares (venda de bitcoins), o preço pode cair de US$ 4.000 para US$ 400 ou US$ 0,40. É só uma questão de fluxo. Desde que haja contraparte interessada em pagar, por algum preço você venderá.

Não há contraparte central garantindo NADA, se ele será vendido por US$ 4.000, US$ 30.000 ou US$ 0,01 depende apenas do interesse de vendedores e compradores.

Até porque, é PRECISO REPETIR, as transações de corretoras de Bitcoins NÃO FAZEM PARTE DO JOGO. O sistema não registra transações em dólar ou de câmbio, apenas a transferência do Bitcoin entre partes. As trocas ocorrem por fora.

O Bitcoin se tornará uma moeda amplamente aceita?

Acho que não era esse o objetivo de quem criou a rede. Não vejo motivo para a moeda ser aceita de forma global, pois isso exigiria integração com centenas de sistemas de pagamentos. Assim como você não consegue comprar nada em ações da Usiminas, dificilmente comprará tudo em bitcoins. Tanto é fato que não estamos falando majoritariamente de troca de Bitcoins por chocolate ou passagens aéreas, mas de troca por dólares em corretoras de fora do sistema.

O objetivo, na minha modestíssima opinião de quem NÃO é especialista no assunto, é que o Bitcoin foi criado APENAS para ser a moeda que recompensaria jogadores de um grande game cujo objetivo é manter a si mesmo vivo e operando, até provar um ponto: que o sistema de pagamentos é melhor, mais seguro e mais barato do que os atuais.

Não vejo o Bitcoin, nem hoje e provavelmente nunca, cobrindo as três funções básicas da moeda: ser meio de troca, sendo um intermediário entre as mercadorias; ser unidade de conta, como referencial das trocas, o instrumento pelo qual as mercadorias são cotadas, e reserva de valor: poder de compra que se mantém no tempo, ou seja, forma de se medir a riqueza.

O Bitcoin não é um meio de troca, não é um intermediário entre mercadorias, ele, para ser aceito livremente, precisa ser transformado em outra moeda. Uma moeda precisa SOZINHA representar preços que equiparam bananas e turbinas de jatos, o Bitcoin não é isso, ele precisa da referência de câmbio em dólar para fazer sentido como meio de pagamento. O dólar não precisa de nada.

Não é uma unidade de conta, pois não presta como referencial entre mercadorias, dada sua oscilação completamente alheia à realidade da economia real, dos custos, receitas, inflação etc.

E não é uma reserva de valor, pois não mantém poder de contra, ao contrário, dispara o poder de compra.

Bitcoin não é moeda, ao menos não do jeito que entendemos e com o objetivo que as moedas foram criadas, para facilitar a troca de mercadorias.

As pessoas sempre se questionam: E se todos os lugares passarem a aceitar o Bitcoin?

Esse é um artifício retórico, conveniente para manter a crença, mas despropositado como argumento lógico.

Se fosse possível, num estalar de dedos, que todas as mercadorias pudessem ser referenciadas em Bitcoins e estes fossem amplamente aceitos, EVIDENTEMENTE o valor do Bitcoin passaria a ser ditado pelo valor da Mercadoria e não o contrário. É uma tolice crer que se pudermos comprar hoje um pãozinho por 0,0001 BTC, em 100 dias poderíamos comprar 50 pãezinhos com a mesma quantidade de moeda. Se isso fosse possível, imediatamente o BTC perderia a função de moeda.

É possível que alguém acredite que, quando o estoque de Bitcoins estiver representando, por hipótese, US$ 1 trilhão, ele teria lastro para ser aceito universalmente e, mesmo que parasse de subir, quem investiu US$ 10 em 2013 já teria sua “riqueza” de US$ 10 milhões e poderia usar livremente nesse mundo novo em que o Bitcoin será amplamente aceito.

Há vários problemas com essa crença, o primeiro é acreditar em enriquecimento sem causa. Pode acontecer, mas é anormal. O segundo problema é acreditar que a entrada de um estoque gigante para consumo não impactaria os preços e, principalmente, não se tornaria alvo de política monetária dos países.

Se você pensar que o Bitcoin substituirá as moedas por estar livre de amarras impostas pelos bancos centrais, você já está considerando que ele não é uma moeda, mas um serviço. Você compra a possibilidade de ficar invisível ou transacionar em mercados ilícitos ou ocultos. Isso não é função da moeda, servir a determinados nichos de interesse.

Outro ponto é que nada impede que o próprio sistema financeiro utilize a tecnologia do blockchain e passe registrar as transações em moeda corrente. Tenho dificuldade para ver como o Bitcoin continuaria a existir depois que sua tecnologia fosse amplamente difundida no sistema financeiro.

Perceba: Para que o Bitcoin seja amplamente aceito, deveria ser irrelevante comprar com Bitcoin ou com dólares. E se for o caso, o Bitcoin não é necessário. E ainda que sobreviva, se virar moeda MESMO, seu valor vai variar de acordo com índices de preço. O rabo não abana o cachorro.

Claro, sempre pode haver aplicações de nicho.

Bitcoin é um ativo?

Entendo ser perigoso tratar Bitcoin como um ativo, pois, como já dito, toda a lógica da Rede Bitcoin e sua organização é hermética, ou seja, fechada em si mesma. Quem ganha Bitcoins pela mineração não está oferecendo capacidade computacional para fins externos à rede, mas exclusivamente para ela, de forma que tudo o que se gera no Bitcoin fica por lá mesmo.

Como já dito, as trocas de Bitcoins por dólares são feitas por corretoras, que não tem qualquer relação com o sistema em si (exceto o registro de cessão dos Bitcoins do vendedor para o comprador).

Não tem relação com o mundo real, não gera qualquer benefício ao mundo real, portanto não deveria gerar expectativa de benefícios futuros a ponto de ser chamado de um ativo.

Seu preço, vale repetir, é alto exclusivamente por que há compradores ao preço que os vendedores desejam vender.

A Rede Bitcoin poderia ser “vendida” e gerar riqueza para os detentores de Bitcoins?

Não, e mesmo que isso fosse possível, quem tem Bitcoins não tem uma “ação da Rede Bitcoin”, tem algo que, um dia, foi recompensa para manter essa rede funcionando. Ou seja, se fosse possível COMPRAR a rede (e não é, além de não fazer sentido) os detentores de Bitcoins NÃO são os acionistas que se beneficiariam de uma oferta pública de aquisição.

Como a Rede Bitcoin poderia ser útil ao mundo real?

Creio que já foi útil, tanto é verdade que há um pool de bancos gigantes na Europa estudando implementar um sistema semelhante para substituir várias partes de seus atuais sistemas de pagamentos, caros e inseguros.

Se, por exemplo, vários sistemas bancários e de integração com os sistemas financeiros nacionais começarem a usar o modelo de blockchain, ou outro que se prove mais barato, eficiente e seguro, todos sem autoridade central e com segurança garantida pela vigilância da própria rede, creio que o objetivo do criador do Bitcoin, ao menos o objetivo que acredito ser “o” verdadeiro, já terá sido alcançado e a rede e sua história ficarão famosos para sempre, mas as “moedas” serão o que sempre foram, uma recompensa para quem joga, por manter o  jogo funcionando.

Recentemente o governo Chinês proibiu ICOs (lançamento iniciais de moedas virtuais, tipo IPO de empresas abertas). A justificativa era que seria captação ilegal de recursos.

Se for troca de moedas virtuais por moedas virtuais novas, até acho que poderia passar pelo regulador, mas se for troca de dinheiro real por moedas virtuais, entendo que é mesmo fraude e captação ilegal de recursos.

Isso porque, como dito, o máximo que uma moeda virtual pode fazer é auxiliar na criação de um sistema de pagamentos baseado nessa própria moeda virtual. E, em sendo de código aberto como o Bitcoin (um diferencial de segurança), não há motivo para alguém “comprar” esse sistema, basta fazer outro.

Entendo que as moedas competidoras não trazem os mesmos atributos de sucesso da rede Bitcoin, que foi, tão somente, convencer as pessoas a investirem EXCLUSIVAMENTE para manter a rede funcionando e em teste contínuo. As novas moedas parecem ter objetivos mais mundanos, como fazer dinheiro real.

A estratégia para fazer dinheiro no mundo real é bem conhecida, investir grana e ganhar grana. Não é captar grana real, pagar em promessas de recebimento de moedas virtuais novas, e gastar a grana real para fazer um sistema em que essas moedas virtuais novas possam circular. É muito non sense para ser oferta pública de captação de poupança popular. É claro que o regulador vai bloquear.

Por que comprar Bitcoin?

O único motivo, de TODAS as pessoas que compraram Bitcoins, é ganhar dinheiro. Só esse, não há outro. Os mineradores iniciais, e talvez alguns que existam até hoje, podem ter objetivos diversos, como preservar e “provar” o modelo, mas quem faz mineração hoje, gastando milhões de dólares, também quer ganhar dinheiro.

Qualquer que seja a decisão, de comprar ou vender, eu teria em mente o seguinte:

O Bitcoin é uma remuneração virtual recebida por quem oferece capacidade computacional para a própria Rede Bitcoin existir. É um loop hermético que alimenta a si mesmo.

Ele não é mais nem menos do que isso. O que acontece fora da Rede Bitcoin, nas corretoras etc., não diz respeito ao projeto original e não impacta o processo interno, apenas estimula o crescimento da capacidade computacional MUITO acima das necessidades do próprio jogo.

Recomendo a mesma coisa que se recomenda para grafistas, especuladores, jogadores de cartas e frequentadores de cassinos. Tenham um objetivo, tanto de perda quanto de ganho. E fiquem nesse objetivo, pois depois que se entra no jogo é difícil manter a racionalidade.

Por fim, vale colocar que esse é um artigo exploratório, ou seja, reflete uma opinião que pode ser mudada, dado que o tema é muito recente, complexo e pouco estudado. Ninguém sabe ao certo o que fazer com as criptomoedas, nem mesmo saberiam afirmar que são mesmo moedas ou que serão moedas.

Mas, até o presente momento, é como entendo esse movimento. Um grande videogame que ganhou mercado secundário no mundo real para transacionar as recompensas obtidas por manter esse mesmo videogame funcionando. Não é nada mais do que isso. Se as pessoas pagam US$ 4.000 por um Bitcoin, o motivo NÃO está no jogo, mas fora dele.

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All in Love is Fair – Stevie Wonder – 2017 Version – Oil & Gas Trio

Posted on 10/09/2017. Filed under: Finanças |

Nossa releitura para um clássico de Stevie Wonder.

Espero que curtam!

 

 

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O PIB Trimestral e as Falsas Expectativas

Posted on 01/09/2017. Filed under: Finanças |

Acaba de sair o resultado do PIB do segundo trimestre. Alta de 0,2% em relação ao primeiro trimestre e alta de 0,3% em relação ao segundo trimestre de 2016.

No semestre (2016 x 2017) houve estabilidade, não crescemos nada.

Na comparação anual (últimos 12 meses x doze meses anteriores) estamos com uma queda de 1,4%.

Vai ter tweetaço do Meirelles e do Mansueto? Provavelmente, mas não há absolutamente nada a comemorar.

Nem vou entrar nos números em si, para ver os setores que foram bem ou mal, a queda nos investimentos etc., vou apenas relembrar os períodos de comparação.

Primeiro semestre de 2016.

Estávamos sob a batuta da “Senhora”. O Brasil em compasso de espera, praticamente tudo parado, bolsa abaixo dos 50.000 pontos, incerteza completa na economia e na política, congelamento de qualquer atitude de investimento e de consumo.

O petróleo estava em 30 dólares no início de 2016, só se recuperou no segundo semestre. O minério de ferro estava em US$ 40 no início de 2016, só se recuperou a partir de abril daquele ano. E o dólar? Bateu R$ 4,15! E a inflação, gigante.

Em resumo, era um Brasil parado, esperando definições, com commodities em baixa. O afastamento de Dilma ocorreu em 12 de maio, e o impeachment propriamente dito, em 31/08/2016.

Primeiro semestre de 2017

Esqueçam Temer, o mercado só vê Meirelles.

Bolsa subindo, perto de seu recorde histórico, liberação de 50 bilhões de reais diretamente nos bolsos dos brasileiros (FGTS), volta de IPOs, melhora das expectativas, entrada recorde de recursos externos, recorde de superávit na balança comercial, teto de gastos aprovado, reforma trabalhista aprovada, juros em queda livre, mercado externo favorável e… estamos comemorando uma estagnação em relação ao período da “Senhora”, de Bendine, de Tombini?

É como comemorar ser reserva do Muralha no Flamengo.

Chega a ser incrível que, mesmo com todos os estímulos, com gente racional na fazenda e no BACEN, com juros mais baixos, dólar confortável, inflação baixíssima, commodities recuperadas etc., estejamos comemorando um resultado pífio desses. Vamos relembrar que o Brasil do primeiro semestre de 2016 estava paralisado. Vamos olhar o fluxo e as circunstâncias e não o número em si.

Os segundos semestres…

A partir de agora Temer será comparado com Temer (pois Dilma já era carta fora do baralho no segundo semestre de 2016, mesmo faltando o desfecho no congresso).

E é bem difícil acreditar que Temer vencerá Temer, por motivos bastante simples.

Primeiro, o segundo semestre de 2016 foi MUITO melhor do que o primeiro, em termos de praticamente tudo. Commodities em alta, mercado externo pacificado, ainda havia algum investimento público, ainda havia orçamento público, o RJ não estava precisando de dinheiro federal ainda, dólar comportado, inflação comportada etc.

Para que o segundo semestre de 2017 seja bem melhor que o de 2016, precisaríamos de… outra liberação do FGTS? Que as commodities aumentem novamente em 50% seus preços? Que o governo tenha mais condições de investir e apoiar o investimento? BNDES?

Nada disso está na manga.

Aliás, os resultados da arrecadação nos primeiros meses desse trimestre (julho e agosto) mostram que a atividade está pífia, que as contas não fecham e que o governo vai ter que contingenciar praticamente TODO o investimento previsto, além de, eventualmente, cortar despesas obrigatórias.

Para conseguirmos atingir o crescimento previsto na revisão orçamentária (0,5%), teríamos que crescer mais de 2% (fazendo uma conta rápida) em relação ao segundo semestre de 2016.

Well, well, well… É uma luta complicada.

Mas teremos tweetaço! Teremos triunfalismo Temeriano.

Hy-Brasil is not sinking!

O Brasil me lembra da ilha de Hy-Brasil no filme “Erik, o Viking” (Monty Python).

Hy-Brasil era uma ilha paradisíaca, com habitantes alegres e crédulos. Tinha orgulho de sua música e acolhia bem os forasteiros.

Um dia (como na mitologia) a ilha começou a afundar. Seu rei (interpretado por Terry Jones, na foto) reuniu os habitantes para começar a cantoria e avisar: “Hy-Brasil não está afundando”. E todos acreditaram nele e tocaram até que a última tuba afundar no mar.

Estamos indo alegres, inzoneiros e faceiros, rumo ao abismo.

Com juízes ganhando 80 mil por mês e liberando ejaculadores de transporte público. Com a milícia tomando conta da baixada fluminense. Com Gilmar Mendes, que em si já é um símbolo do atraso institucional e moral.

Brasil, meu Brasil brasileiro, vou cantar-te nos meus versos, bloob, bloob…

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Jump Van Halen – Versão 2017 Trio Oil & Gas

Posted on 28/08/2017. Filed under: Finanças |

Aproveitando o post sobre a Petrobras de hoje, compartilho com vocês um pouco da minha versão “guitarra e voz”.

É uma versão da música Jump do Van Halen, mais lenta e swingada.

Espero que gostem!

 

 

 

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Erros grosseiros sobre a capitalização da Petrobras. Lamento ainda ter que explicar isso depois de 7 anos.

Posted on 28/08/2017. Filed under: Finanças, Política | Tags:, , |

O nobre consultor do Jornal O Globo para a área de óleo e gás, Adriano Pires, escreve um artigo (leia AQUI) impreciso e incorreto sobre a capitalização da Petrobras e o imbróglio envolvendo a União e a empresa a respeito da cessão onerosa.

É importante alertar, tanto investidores quanto contribuintes, sobre as imprecisões do artigo. Ele gera expectativas infundadas e conta de forma equivocada um momento triste do mercado de capitais brasileiro.

A cessão onerosa.

Adriano explica a cessão onerosa: “A Cessão onerosa é um regime jurídico criado em junho de 2010 através da Lei 12.276, em momento da grande capitalização da empresa. A ideia era que a  Petrobras tivesse condições econômicas de fazer frente aos vultosos investimentos necessários para exploração e desenvolvimento dos campos do pré-sal. Para isso, o governo cedeu cinco bilhões de barris de reserva de petróleo – ou seja, a serem descobertos – a US$ 8,56 dólares/barril em troca de ações. A operação resultou num aumento de capital de US$ 70 bilhões, dos quais US$ 42,5 bilhões foram subscritos pela União, através da transferência da propriedade sobre os ativos da chamada Cessão onerosa.”

Errado. Em essência e forma.

Acompanhei de perto o processo, fui, provavelmente, o primeiro a alertar que quem se capitalizaria seria a UNIÃO e não a Petrobras. Soube disso desde a primeira leitura do prospecto e falei no programa Conta Corrente especial junto com o próprio Adriano Pires.

A confusão dele é justificável, pois a propaganda do governo era de que a União “aportaria barris de petróleo” para acompanhar o aumento de capital.

Mas, como quase tudo na Era Lula-Dilma, era apenas uma farsa.

A lei citada pelo Adriano é bem clara e NÃO diz o que ele afirma. Apenas autoriza a VENDA (cessão onerosa é venda) de até 5 bilhões de barris diretamente e sem licitação à Petrobras. E também autoriza o governo a aumentar o capital na Petrobras aportando TÍTULOS PÚBLICOS e não barris. É o contrário do que Adriano afirma.

Vejam:

Art. 1°  Fica a União autorizada a ceder onerosamente à Petróleo Brasileiro S.A. – PETROBRAS, dispensada a licitação, o exercício das atividades de pesquisa e lavra de petróleo, de gás natural e de outros hidrocarbonetos fluidos de que trata o inciso I do art. 177 da Constituição Federal, em áreas não concedidas localizadas no pré-sal.”

“Art. 9°  Fica a União autorizada a subscrever ações do capital social da Petrobras e a integralizá-las com títulos da dívida pública mobiliária federal.”

O governo não subscreveu ações através da transferência da propriedade dos ativos da cessão onerosa, é um erro material afirmar isso. A União Federal aportou títulos públicos na capitalização e recebeu um cheque para pagar a cessão onerosa (de R$ 75 bilhões).

O erro material é óbvio, basta ler a lei, mas não seria grave se o governo tivesse REALMENTE aportado R$ 75 bilhões em títulos públicos. Não foi isso que aconteceu. A União autorizou vários entes ligados, como Caixa, BNDES e Fundo Soberano a entrar na capitalização para atingir os tais R$ 75 bi da cessão onerosa. Mas a União não chegou nem perto de aportar isso.

Foi uma “mágica” para transformar essa capitalização da Petrobras em RECEITA PRIMÁRIA do governo e superávit primário.

Ou seja, o governo levou cerca de R$ 30 bilhões da Petrobras em DINHEIRO. Os jornais da época noticiaram bastante isso, eu acompanhei no blog, não entendo o motivo de ainda haver quem pense que o governo “aportou barris de petróleo no aumento de capital”.

Vou colocar os artigos que escrevi à época, vale como relato de um momento confuso do mercado de capitais brasileiro e para mostrar que Adriano Pires ainda está com a visão “inicial” do processo de capitalização:

https://blogdoportinho.wordpress.com/2010/08/17/capitalizacao-da-petrobras-importante/

https://blogdoportinho.wordpress.com/2010/08/26/capitalizacao-da-petrobras-i-atualizacao-2608/

https://blogdoportinho.wordpress.com/2010/09/02/capitalizacao-da-petrobras-update-1-a-capitalizacao-do-bndes-e-da-caixa/

Nesse próximo artigo já dá para ver que a União estava se movimentando para NÃO precisar aportar os R$ 75 bi.

https://blogdoportinho.wordpress.com/2010/09/02/capitalizacao-da-petrobras-update-2-qual-sera-o-aporte/

Aqui em 03/09/2010, 6 dias antes do Estadão publicar, nosso blog já alertava que quem iria se capitalizar seria a UNIÃO.

https://blogdoportinho.wordpress.com/2010/09/03/capitalizacao-da-petrobras-update-3-leitura-do-prospecto/

No artigo publicado em 09/09/2010, perguntei:

1. A Petrobras vai transferir ao governo R$ 74,808 bilhões de CAIXA (títulos são quase tão líquidos quanto dinheiro).

  1. O Governo vai aportar, de acordo com as páginas 67-68 do Prospecto, aproximadamente R$ 48 bilhões, já considerando um percentual razoável de não-adesão dos minoritários.

Pergunto: Por que a Petrobras, que precisa de CAIXA, vai transferir ao governo quase R$ 27 bilhões (segundo as expectativas do próprio governo), dinheiro aportado por minoritários?

Seria razoável uma operação casada: aportou R$ 48 bilhões, transfere o número de barris que atinja os R$ 48 bilhões.

Ou, se o governo forçasse o aporte dos R$ 74,808 bilhões. Só que isso, pelas regras do Prospecto, só acontecerá se houver uma adesão baixíssima dos minoritários.

Esperemos os desdobramentos…

https://blogdoportinho.wordpress.com/2010/09/10/capitalizacao-da-petrobras-estadao-desvenda-o-misterio/

https://blogdoportinho.wordpress.com/2010/09/22/capitalizacao-da-petrobras-lei-de-bicks-ou-lei-de-schultz/

Após o fim do processo, praticamente todos os órgãos de imprensa noticiaram o que foi dito neste blog, que o governo foi capitalizado em cerca de R$ 30 bilhões.

https://oglobo.globo.com/economia/capitalizacao-da-petrobras-pode-dar-reforco-de-30-bi-para-superavit-primario-2947456

Foi uma grande “mágica” orçamentária, que acabou drenando os recursos da empresa culminando no desastre da dívida que explodiu em 2014 (além do Petrolão, que está intimamente ligado a essa megalomania governamental).

Diga-se, a informação ao mercado ESTAVA DADA, tanto é verdade que eu consegui chegar a essa conclusão apenas pela leitura do prospecto.

Voltando a Adriano

No artigo publicado em O Globo de hoje, Adriano ainda trata de forma imprecisa a questão da revisão da cessão onerosa:

O acordo rezava ainda que, quando a  Petrobras descobrisse esses barris, haveria um encontro de contas entre a estatal e o Tesouro, baseado no preço estabelecido em 2010 e o do momento da declaração de comercialidade. Ocorre que a empresa descobriu reservas que ultrapassaram os cinco bilhões de barris, alcançando cerca de 17 bilhões. Esses 12 bilhões de barris a mais levaram o nome de extensão da Cessão onerosa . E o regime jurídico para explorar e produzir esses barris no pré-sal e o regime da partilha também foram criados em 2010.”

O governo Dilma – aproveitando-se de artigo da Lei da Partilha, que permite dar à  Petrobras sem licitação áreas de pré-sal que sejam consideradas estratégicas – publicou uma resolução do Conselho Nacional de Politica Energética (CNPE) cedendo à estatal os 12 bilhões de barris de reserva da extensão da Cessão onerosa . Porém, o TCU bloqueou essa operação até o momento. Diante de tal quadro, o que o governo deveria fazer com o intuito de beneficiar o Tesouro e a  Petrobras ?

A revisão da Cessão Onerosa NÃO TEM QUALQUER RELAÇÃO com os 12 bilhões de barris a mais. É uma questão do preço pago pelos 5 bilhões de barris. Como se lê nas notas explicativas sobre o assunto no Balanço da Petrobras:

11.2. Direito de exploração de petróleo – Cessão Onerosa A Petrobras e a União assinaram, em 2010, o Contrato de Cessão Onerosa, pelo qual a União cedeu à Petrobras o direito de exercer as atividades de pesquisa e lavra de petróleo, gás natural e outros hidrocarbonetos fluidos localizados na área do pré-sal, com produção limitada ao volume máximo de 5 bilhões de barris equivalentes de petróleo, em até 40 anos, renováveis por mais cinco anos, sob determinadas condições. Em contrapartida, a Petrobras pagou à União o montante de R$ 74.808, que em 31 de março de 2017, encontra-se registrado no Ativo Imobilizado da companhia.”

O Contrato estabelece que, imediatamente após a declaração de comercialidade de cada área, são iniciados os procedimentos de revisão do Contrato, os quais devem estar baseados em laudos técnicos de certificadores independentes, contratados pela Petrobras e pela ANP.  A conclusão da revisão somente ocorre após o fim da revisão de todas as áreas.”

Caso a revisão conclua que os direitos adquiridos alcancem um valor maior do que o inicialmente pago, a companhia poderá pagar a diferença à União ou reduzir proporcionalmente o volume total de barris adquiridos nos termos do Contrato. Se a revisão concluir que os direitos adquiridos resultam em um valor menor do que o inicialmente pago pela companhia, a União reembolsará a diferença, em moeda corrente, títulos ou outro meio de pagamento, sujeito às leis orçamentárias.”

A questão dos 12 bilhões de barris é um “não-problema”, não tem aprovação do TCU e, principalmente, não tem registro contábil algum nas contas da Petrobras. Foi uma pedalada Dilmista que não tem qualquer efeito prático.

A questão da diferença de preço dos 5 bilhões de barris, essa sim é algo gravíssimo e urgente, uma vez que tanto a União quanto a Petrobras alegam ter mais de US$ 15 bi a receber.

Em resumo, Adriano quer sugerir, tão somente, que o governo poderia vender os barris excedentes do Pré-sal. Para chegar a tal conclusão não precisaria ter feito o preâmbulo incorreto e impreciso que fez, principalmente por ser consultor da área de óleo e gás de um dos principais jornais do Brasil.

Ao final do artigo, sugere que o governo pague a Petrobras com o resultado do leilão dessas áreas do Pré-sal, porém tanto o governo quanto a Petrobras se assumem como credores um do outro e não como devedores. Além de impreciso e incorreto, o artigo me pareceu ingênuo, principalmente quando sugere que as coisas sejam feitas com urgência. Nem a definição de quem deve a quem está tomada. E controlador e Companhia não se confundem, cada um tem que lutar pelo que considera correto (ou deveria ser assim).

Faço meu papel, como fiz à época, de ir além das obviedades e retratar o que me pareceu ter ocorrido. Ainda há muitos brasileiros que acham que o governo “aportou barris” na Petrobras. Não foi nada disso. Aportou dinheiro e teve um lucro de R$ 30 a 33 bilhões em parte ÀS CUSTAS dos minoritários.

Espero que O Globo corrija essas informações.

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Porque saí do RPPS ou A (minha) Reforma da Previdência

Posted on 21/08/2017. Filed under: Filosofia, Finanças, Matemática, Política | Tags:, , |

Bom, parece que a Reforma da Previdência vai virar mesmo um arremedo para durar uns 4 ou 5 anos, ou nem sairá.

Dado isso, temos que nós mesmos tratar de correr para organizar nossas finanças, pois, ainda que muitos neguem, o problema da previdência pública é real e impactará a vida de todos, NÃO SÓ DOS MAIS POBRES, mas, principalmente, dos que recebem mais.

Há fatos que considero incontestáveis, se o leitor não concorda com eles, não sei se o resto do texto interessará. São eles:

  • Há déficit na previdência e ele é crescente.
  • Com o passar dos anos e com o envelhecimento da população, esse déficit vai piorar.
  • O orçamento público é insuficiente. Para tudo (exceto para os barões).
  • O cobertor é curto, se aumentar o gasto com a previdência no nível previsto, vai faltar para outras áreas.
  • Direito adquirido e expectativa de direito são robustos conceitos jurídicos, mas fragilíssimos conceitos econômicos. Não há ordem judicial que faça aparecer um dinheiro que não há.
  • Quem deve se aposentar a partir de 2030, provavelmente (diria 99% de chance) precisará complementar significativamente a aposentadoria com recursos acumulados privadamente.

Adeus previdência pública!

Tomei posse na CVM, autarquia federal que regula o mercado de capitais, em fevereiro de 2012. Foi o último mês em que você pôde entrar no serviço público no regime de aposentadoria integral (ou pela média do salário da ativa).

Em março de 2012, Dilma regulamentou o Funpresp e, desde então, NENHUM servidor público federal pode se aposentar com mais do que o teto do INSS. Isso mesmo. Juiz ganhando R$ 80.000, sem entrou após a regulamentação, vai se aposentar com R$ 5.500. Vai precisar fazer poupança privada para compor a renda no futuro.

Alvíssaras, alvíssaras! Parabéns a Dilma e Lula! É muito importante que os servidores, que já ganham mais (por enquanto) e têm estabilidade (segurança de fluxo de caixa, também por enquanto), destinem boa parte de sua poupança privada de longo prazo para projetos e de investimento e NÃO para o orçamento público.

A janela de saída.

Há cerca de 1 ano o governo abriu uma janela para que os servidores ainda na regra antiga pudessem sair do regime próprio de previdência (RPPS). Isso significa pagar menos contribuição previdenciária (servidores pagam 11% em cima de todo o salário), porém abrir mão da tão sonhada aposentadoria pública integral.

Foi a minha oportunidade de dizer adeus à previdência pública!

Quer dizer, nem tanto, pois ainda sou obrigado a contribuir até o teto do INSS, mas o governo me deu a liberdade e a oportunidade de cuidar privadamente da minha aposentadoria, ao menos em parte.

Por que abandonei voluntariamente a tão sonhada aposentadoria do servidor público federal?

Há muitos motivos, alguns pessoais e morais, e outros financeiros e atuariais. Sou da área de finanças por gosto, vejo o futuro como um conjunto de probabilidades, analiso os eventos no futuro por sua densidade de probabilidade (chance de acontecerem) e, para o futuro, vejo algumas questões que me parecem bastante prováveis. Outras praticamente certas.

Antes de elencar os motivos, vale colocar que decisões pessoais são… pessoais! Nada do que escrevi, ou escreverei, deve ser visto como um caminho correto ou errado para as decisões dos leitores.

Vamos às questões.

Questões tributárias.

  • Hoje aposentados do serviço público pagam IR de 27,5% (mesmo com mais de 65 anos) + contribuição de 11% ao RPPS (sobre a parcela que excede o teto do INSS), com previsão de alta para 14%.
  • Ao acumular patrimônio pela previdência privada, paga-se apenas 10% sobre o valor retirado (mais de 10 anos de aporte). Além disso, o valor aplicado pode ser abatido do IRPF do exercício, o que traz um ganho de 27,5% de início.
  • É altamente provável que a contribuição suba, tão logo seja aprovada a reforma da previdência (se for), para 14% (essa proposta foi feita em 15/08/2017).
  • A continuar esse caminho do déficit, gigante e crescente, é altamente provável que, tanto a alíquota do IR para os maiores salários, quanto a contribuição ao RPPS continue subindo. Não estranharia se em 2030 estejamos pagando 35% de alíquota máxima de IR e entre 16% e 22% de contribuição ao RPPS. Aqui no RJ já houve propostas de contribuição extraordinária nesses níveis.
  • Não é impossível que aumentem o imposto sobre previdência privada, mas é um tiro no pé desestimular poupança privada de longo prazo, a única que vai sustentar o crescimento do país, dado que a poupança pública acabou.
  • Em resumo, meu custo tributário na aposentadoria estaria, hoje, na faixa de 35% (IR e RPPS), deve aumentar e não espantaria se chegasse a 50% em 20 anos. O custo atual de retirada dos valores acumulados em previdência privada está em 10%, e considero improvável que aumente (muito), dada a necessidade de estímulo à poupança privada de longo prazo.

Questões culturais.

  • Formar poupança privada é questão cultural. Você se surpreenderia com a quantidade de médicos, juízes, executivos, com rendas superiores a R$ 600 mil, R$ 1 milhão ao ano que não formam patrimônio, ou que mantêm reservas insignificantes perto de seus custos anuais. R$ 200 mil em reservas é muito para quem gasta R$ 80 mil por ano, mas é pouco relevante para quem gasta R$ 500 mil ao ano.
  • É comum ver as pessoas fazendo reformas de 5 em 5 anos na casa onde moram, ou até em casas de veraneio. Quando olham o que gastaram ao longo de décadas nessas reformas, poderiam ter acumulado patrimônio para complementar confortavelmente sua aposentadoria. E o imóvel de uso próprio não é ativo. Reduz necessidade de caixa, mas não gera renda.
  • A Previdência Pública reforça essa leniência com a poupança privada que vemos em toda a população. É inacreditável que um pedreiro que chega a cobrar de R$ 300 a R$ 400 a diária, sonhe em se aposentar com salário mínimo ou com R$ 1.500 por mês. Se acumulasse patrimônio por 10 anos ou 15 anos, sem ser genial nas finanças, já teria recursos suficientes em poupança privada para usufruir de renda semelhante.
  • Há o desconhecimento, mas há o desestímulo mesmo, provocado pela expectativa de que é inevitável depender do governo quando ficar mais velho. É uma expectativa altamente empobrecedora, tanto para o indivíduo, quanto para o país.
  • Para quem tem 15, 20 anos ou mais para acumular patrimônio, aprender sobre as formas de investimento privado (são muitas e para os mais diversos apetites por riscos) deve ajudar na aposentadoria. Mesmo para o aposentado que recebe um bom dinheiro, a falta de experiência na gestão financeira de sua renda e patrimônio prejudica bastante seu período de aposentadoria. Não é à toa que a maioria esmagadora dos aposentados, ESPECIALMENTE DO SERVIÇO PÚBLICO, vive com sua renda comprometida significativamente no consignado.
  • Enfim, é melhor levar a experiência de ter gerido sua própria vida financeira e sua própria poupança, além de ter uma reserva significativa durante a aposentadoria, do que ter passado a vida na expectativa de apoio do governo e sem reserva alguma.

Questões financeiras e de seguridade

Trato por “questões financeiras e de seguridade” aquelas decisões que envolvem variáveis de risco e retorno e de diversificação.

  • Os riscos da aposentadoria pública estão ligados ao orçamento público, tanto no RPPS quanto no RGPS (INSS). Ocorre que, como se sabe, o déficit do funcionalismo é muito mais elevado, o desequilíbrio é maior e os salários são 7 vezes maiores, de forma que podemos dividir o risco do RPPS e do RGPS, apesar de terem a mesma fonte de pagamento.
  • Os riscos de uma taxação extra, ou excessiva, sobre as pensões e aposentadorias me parecem muitíssimo mais elevados para quem está no RPPS. Primeiro porque o déficit é maior (e aqui não cabe discutir conceitos de justiça, apenas conceitos financeiros) e segundo porque é mais palatável para a sociedade sobretaxar quem ganha R$ 20.000,00 do que quem ganha R$ 984,00. Dessa forma, o risco de quem está no RGPS (ou nas mesmas regras) me parece MENOR do que o risco de quem está no RPPS. Em resumo, vão “descascar” primeiro os que ganham mais e têm maior déficit, para depois chegarem a quem ganha menos. Aliás, isso já tem sido uma realidade para os servidores públicos federais desde 2003, pois já pagam 11% sobre suas aposentadorias e tem idade mínima de 60 anos (não há idade mínima nem contribuição de aposentados no RGPS).
  • Os regimes de previdência pública também são regimes de seguridade, ou seja, buscam amparar o cidadão e sua família no caso de sinistros como morte e invalidez permanente. Na previdência privada esses seguros precisam ser contratados à parte. Nos regimes FECHADOS de previdência, como no FUNPRESP, há formação de fundos para garantir essa seguridade, ou seja, paga-se um pouco a mais para reservar fundos para pagar pensões por morte e invalidez. Mas isso nada tem a ver com capitalização, tem a ver com seguro mesmo.
  • A seguridade no RPPS (do governo puramente), para quem tem pouco tempo de serviço público, não é tão interessante, pois para o caso de invalidez e morte há substanciais cortes nos benefícios à família ou ao indivíduo. Entrando no FUNPRESP, há formação de um fundo (caro) para pagar pensões no caso de sinistros. Esse fundo, me parece, está superdimensionado, pois, para cada R$ aportado pelo beneficiário, cerca de 0,41 centavos são destinados ao fundo (porque o governo coloca também R$ 1). Além disso, o FUNPRESP é o regime para todos os novos servidores, desde 2012, com a aprovação da idade mínima de 65 anos (se não for agora, será em 2019 ou 2020), é provável que haja muitos servidores jovens entrando e contribuindo por 30 a 40 anos para o FUNPRESP. Não me parece que esse fundo ficará “sem dinheiro” para pagar as pensões. Acho até que está superdimensionado.
  • Já as regras de seguridade do RPPS tendem a piorar com as reformas da previdência, essa próxima e as várias outras que virão nos próximos 20 anos. É bem provável que as pensões por morte e invalidez sejam expressivamente reduzidas (já está em pauta). No caso do FUNPRESP ou da contratação de seguros privados, o que vale é o contrato e a disponibilidade financeira. É provável que, nos próximos anos, a seguridade contratada privadamente ou nos fundos fechados seja muito superior à seguridade social. Por incrível que pareça, a decisão de sair do RPPS, contratando os seguros corretos (ou entrando no FUNPRESP), pode reduzir os riscos de fluxo de caixa no caso de sinistros.
  • Há o risco de sucateamento do serviço público, esse risco não é desprezível (escrevi esse texto bem antes das mudanças propostas em 15/08). Achatamento salarial, redução de carga, PDV, está tudo na mira do governo. E continuará, pois o déficit pesado da previdência está no serviço público, em todos os níveis. Quando o Brasil estava “bombando” entre 2011 e 2014, os salários na iniciativa privada, para quem tem boa formação, estavam bastante atraentes. Se Dilma tivesse seguido o caminho proposto por Palocci e outros, de buscar o déficit nominal ZERO, talvez ainda estivessem todos na cadeia, mas a economia estaria voando. Nosso problema é essencialmente fiscal, se não houvesse isso, nossa economia estaria inundada de dinheiro barato (os juros seriam mínimos e sobra dinheiro no exterior). Seria altamente provável que profissionais bem formados deixassem o serviço público. Se isso acontecer, e você tiver 15 a 20 anos de contribuição ao RPPS, vai pensar duas vezes antes de sair e perder o dinheiro pago para a aposentadoria. Mas se esse dinheiro tiver sido acumulado no FUNPRESP ou em previdências privadas, o servidor poderá sair levando o dinheiro acumulado para a aposentadoria. A decisão fica bem menos difícil. Sair do RPPS reduz o risco de perder oportunidades por estar preso a um regime para o qual você já contribuiu muito.
  • Há o risco de gestão e de fraudes nas previdências privadas, inclusive no FUNPRESP. Ocorre que é possível diversificar as fontes de aposentadoria, como em outros fundos de previdência, fundos de investimento imobiliário, ações etc.. No RPPS há o risco de má gestão do orçamento público também, aliás, isso nem é risco, é certeza. Na verdade estamos trocando um risco sobre o qual temos algum controle (participação nas assembleias, troca de gestores, seleção de riscos da carteira, venda pura e simples etc.) por um risco sobre o qual nosso controle é apenas no voto nos políticos, e nunca deu muito certo.

Em resumo, com visão exclusivamente financeira (de riscos de fluxo de caixa), entendo que sair do RPPS foi “vender um ativo com perspectiva ruim” para selecionar e me posicionar em “ativos melhores e com maior diversificação”.

É evidente que, para quem tem 25 anos ou mais de contribuição ao RPPS e para quem está próximo de se aposentar (até 10 anos) os riscos são muito diferentes, até porque devem ter pouco tempo para acumular poupança privada. Talvez para estes a ideia seria apertar um pouco mais o cinto, renunciar a determinados padrões de consumo para acumular alguma poupança privada para compor com a aposentadoria pública e reduzir seus riscos.

Se eu pudesse resumir minha motivação para sair do RPPS diria apenas que entendo ser a coisa certa a fazer. Vou destinar a minha poupança com vistas à aposentadoria para investimentos privados e não para o orçamento público. Orçamento público não gera riqueza, aliás, há eloquentes exemplos no mundo inteiro que demonstram isso.

Se o Brasil entrar nos eixos e orçamento equilibrar, significa que a economia voltou a andar forte, gerar riqueza e pagar os impostos. Nesse caso os investimentos privados também devem dar resultado. Se o Brasil quebrar, é melhor ter a opção de mexer com a poupança acumulada privadamente (para comprar dólar, por exemplo, se a coisa for mesmo para o buraco) do que ficar com a expectativa de direito de receber uma aposentadoria de um estado quebrado.

A minha contribuição para a melhoria do Brasil é essa, reduzir o compromisso do governo comigo e destinar os excedentes para investimentos privados. Que espero que voltem com força. Os “investimentos públicos” já demonstraram que são sorvedouros de dinheiro, não geram qualquer riqueza.

Haverá leitores que vão me tomar por tolo, por acreditar em investimentos privados, em capitalismo etc.. Minha visão a esse respeito é bem simples. Há riscos nos investimentos privados, para esses riscos há cálculos de mitigação e diversificação. Posso acessar 4 grandes gestores para meus fundos de previdência privada, 12 ou 15 ações, mercado interno e externo, estratégias com opções etc.. Há riscos ao depender do governo para garantir meus proventos no futuro e para esses riscos eu não tenho nenhuma estratégia de mitigação, ninguém tem.

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O desastre de maio: Henrique “Mantega” Meirelles e Michel Temer “Rousseff” Lulia.

Posted on 30/06/2017. Filed under: Finanças |

Ontem (29.06.2017), ouvindo a CBN, começou uma propaganda da Petrobras, falando sobre a reestruturação da empresa. Não acho legal fazer propaganda institucional que não “vende” alguma coisa, parece desperdício de dinheiro, mas como a empresa estava muito desacreditada, compreendi a situação.

Ao final ouvi: “Petrobras, Governo Federal”. Qual é a lógica de fazer uma propaganda da empresa, para exaltar o controlador? Seria o mesmo que, há alguns anos, a Oi lançar a seguinte peça: “Venha para a Oi e obtenha 50% de desconto no primeiro ano de assinatura. Grupo Jereissati”ou o Itaú: “Juros mais baixos no cartão de crédito Personalité. Família Setúbal”.

Mesmíssima palhaçada que víamos e ouvíamos nos tempos de Inácio e Rousseff.

Ocultaram o resultado das contas públicas?

Não tinha conseguido ler o resultado das contas públicas de maio, que prometia ser absolutamente desastroso. Ouvi a CBN por mais de 1:30h e nada. Ao final do programa, perto das 19:00, Sardenberg citou que o déficit de maio foi recorde. Mas não elaborou nada, não chegou SEQUER a falar os números globais. Não citou número algum.

Aquelas chamadas de 30 em 30 minutos, que falam das principais notícias, não falaram NEM do próprio déficit, quiçá dos valores.

Por que ignorar algo tão estrondosamente desastroso?

Não sei se faz parte de algum pacote publicitário evitar alarde sobre notícias verdadeiramente ruins para a economia, que poderiam deixar os brasileiros e o empresariado mais pessimistas.

Mas a atitude frágil de Meirelles, diante de um desastre sem precedentes (já vou mostrar), mostra que estão querendo dourar a pílula até onde der.

O objetivo, assumido por Meirelles, de cumprir a meta de déficit, custe o que custar, a julgar pelos dados de maio e dos primeiros 5 meses de 2017, beira a irresponsabilidade. Vamos chegar em setembro sem saber onde cortar. Já há contingenciamento em gastos obrigatórios.

Já não é a primeira vez que Meirelles dá uma “Mantegada” nos dados econômicos. A comemoração do “fim da recessão”, com o tal aumento de 1% no PIB. Não há o que comemorar, principalmente porque a comparação é com o quarto trimestre dessazonalizado de 2016.

Se formos comparar com o primeiro trimestre de 2016, quando era Dilma ainda no comando, um caos na economia e ainda mais incerteza na política, com o petróleo a US$ 30 , dólar a R$ 4,00 e vários outros elementos horríveis, nossa economia CAIU 0,4%.

Isso mesmo. O primeiro trimestre de Temer perde para um primeiro trimestre ridículo, ainda sob o comando de Dilma.

O que há a comemorar, ministro?

Em mais uma “Mantegada”, o governo do Rio manobrou para aprovar um teto de gastos com base em 2015, ano de gastança generalizada, em vez de usar o ano de 2016, em que não havia o que gastar. Isso só foi feito por pressão do judiciário e do legislativo do Rio, que não queriam ficar restritos em seus orçamentos.

Ao que tudo indica, Meirelles vai topar essa manobra, e abrir os cofres para o Rio, os jornais do Rio só noticiam isso. Porteira que passa boi, passa uma boiada, virão outros, sedentos pelas mesmas benesses.

Vai pagar como ministro?

O desastre de maio

Todos já sabiam da queda da arrecadação em maio, mas o mercado errou FEIO a perspectiva de déficit para o mês. Estimavam entre R$ 12 bi e R$ 27,7 bi, na média R$ 19 bi.

E o que ocorreu? Impressionantes R$ 29,4 bilhões de déficit primário (sem contar os juros) para o mês de maio, o pior da história e acima da expectativa mais pessimista do mercado.

Não surpreende que não se queira alardear esses dados. Mas o Correio Brasiliense fez uma boa matéria sobre o assunto, que resumo para vocês a seguir.

Nossa meta fiscal desse ano é de R$ 139 bilhões de déficit, o que em si já é um vexame, mas conseguimos atingir inacreditáveis R$ 167,6 bilhões nos últimos 12 meses, terminados em maio.

O aumento das despesas em maio foi de 12%, a queda na receita foi de 1,6% em maio.

O que está acontecendo com as contas públicas, ministro? Não há investimento, não há receita, não há crescimento, só há buraco e crescimento de despesas.

A “expectativa” da secretária do Tesouro Nacional é de que os déficits sejam menores no futuro. Com base em quê?

Não bastam as “receitas extraordinárias”, que também estão difíceis de sair, pois o patamar de despesas não deve ceder, ou seja, se já estamos em 11,8% de alta com pessoal até aqui, mais 7,2% com benefícios previdenciários, não deve haver redução nestas rubricas nos próximos meses (comparando com o ano passado), principalmente porque, como se verá na tabela abaixo, não há muito espaço para reduzir ainda mais o investimento, já está mínimo.

Mantega?

O que me aborrece não é o resultado, mas a “Mantegada”, a falta de responsabilidade de assumir que, já em maio, comprometemos de morte a péssima meta estabelecida.

Ao fazer isso, ao tergiversar e transmitir mensagens tranquilizadores, nossos congressistas pensam que a situação não é urgente, que dá para empurrar com a barriga e barganhar um troquinho em apoio a Temer e às reformas, até o momento, pífias.

2018 é ano de eleição. É ano que não se corta nada, ao contrário, se gasta para garantir a reeleição.

Estamos próximos a um turning point, um momento em que, de manada, os investidores podem começar a desacreditar até em Meirelles e, por consequência, no próprio país. Se esse momento chegar, não haverá para onde correr, nem a tão sonhada redução de juros vai se manter. Vai fazer o quê, chamar o Armínio, ex-futuro-ministro de Aécio Neves?

Meirelles e sua equipe são o último fiapo de esperança dos donos do dinheiro mundial (e precisamos deles desesperadamente), caso se rompa, não vejo alternativa para recuperação da confiança.

Esperava menos “política” e mais economia de Meirelles.

Mansueto, corre daí…

Ps. Ao terminar essas mal traçadas linhas, vejo que o STF respondeu ao pedido de prisão de Aécio, não só negando, como mandando voltar ao Senado. E também que Fachin mandou soltar Rocha Loures.

Não me surpreenderia se grande parte dessa frustração de receitas seja de gente revoltada por pagar impostos, que faz questão de reduzir seu pacote de consumo ou evitar investir, para não municiar um bando de políticos e togados inconsequentes.

É quase um dever patriótico no Brasil tirar dinheiro dessa súcia que nos governa. Acho que a única solução vai ser deixar quebrar essa bodega, só assim para acabar com a mamata e a cara de pau.

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Por que não devemos temer Lula?

Posted on 23/06/2017. Filed under: Finanças |

É absolutamente inequívoco que Joesley sabe muito contra Lula e outros políticos, mas limitou-se, por enquanto, ao que atinge Temer, Aécio e satélites do PT e PMDB. Até Cunha está “jogando no ventilador”, confessando encontros suspeitíssimos (Cunha, Joesley e Lula em março de 2016? É assustador) provavelmente para forçar o STF a rever o acordo de delação.

É um tiro que pode sair pela culatra, pois se Joesley se julgar traído pela justiça brasileira, certamente fará um acordo semelhante nos EUA e entregará cada mísero detalhe da corrupção que ajudou a montar e irrigar.

Temer e seu ministro da justiça podem até estar torcendo por isso, mas um bilionário acuado, com 95% dos segredos ainda não revelados, e tentando manter seu negócio nos EUA, poderá deixar metade dos políticos brasileiros sem poder pisar em solo americano, quiçá sair do país. Rato acuado enfrenta leão.

É bom esses tupiniquins de colarinho branco lembrarem que o petrolão só explodiu depois que a auditoria independente da Petrobras se recusou a assinar o balanço, com receio das represálias violentas que poderiam sofrer nos EUA. É sujeira demais para pouco tapete, não será indolor.

Voltando a Lula

Mas, pelo que vejo, a principal vertente das teorias sobre a motivação de Janot e Fachin é a que estes estariam preparando o terreno para uma antecipação das eleições, dando espaço para Lula se candidatar. E pelo histórico medonho de Fachin de apoio ideológico ao PT e à Dilma Rousseff, não tiro o mérito da teoria.

Mas ninguém deveria ter medo de Lula candidato em eleições diretas, nem agora, nem em 2018 e nem nunca mais. Seus seguidores fiéis, aqueles que votariam nele mesmo se fosse filmado estuprando uma criança, talvez consigam um piso de 15% a 20% em majoritárias nacionais, mas Lula precisaria de mais, e não tem de onde tirar. Explico.

Lula é um ilusionista, um prestidigitador. Lula só funciona quando consegue emplacar um sistema de propaganda para disseminar as narrativas que lhe convém. E isso não depende só dele, depende, e muito, das circunstâncias.

Em 1989, 1994 e 1998 ele tentou isso. Como o representante dos trabalhadores (mesmo sem trabalhar), contra a elite, contra a Globo, contra o sistema financeiro, contra os EUA etc.. Deu completamente errado, perdeu primeiro para um neófito combatente de funcionários públicos abastados (marajás) em 1989, depois perdeu para o Plano Real em 1994, que tinha poucos meses de implantação e ninguém sabia se iria dar certo, e em 1998 para uma mínima sensação de bem-estar e riqueza, produzida pela queda da inflação, pelo frango a R$ 1,00 e pelo dólar baixo (artificialmente). E essas duas últimas, perdeu no primeiro turno.

Em 2002, 2006, 2010 e 2014 conseguiu sucesso na construção de narrativas. Mas as circunstâncias foram mudando. Muito.

Em 2002 iria perder a eleição, até que alguém resolveu forçá-lo a assinar uma carta de compromisso com a estabilidade. E, como não é burro, narrativas à parte, ao ser eleito continuou com a austeridade, quase que de forma intocada, durante 6 a 7 anos, no período mais longo sem crises, internas e externas (salvo o soluço do mensalão), da história recente do país.

Lula teve a faca e o queijo nas mãos para organizar o país de forma a manter seu grupo no poder por mais 30 anos. Não faltaram propostas, inclusive, e principalmente, de petistas em quem ele confiava, para mirarmos o déficit nominal ZERO.

Mas Lula é escravo da narrativa. Para ele, o mundo que facilita o discurso é mais interessante do que o mundo real. E ele se perdeu da realidade entre 2008 e 2010, ao assumir a narrativa da marolinha e conduzir todo o futuro do Brasil para “provar”que a crise não nos atingiria.

Repetiu as políticas de Andreazza e Delfim no início da década de 1980, quando expulsaram Mário Henrique Simonsen do governo e convenceram os militares de que conseguiríamos nadar da contramão da austeridade mundial. Tivemos uma década perdida lá, aqui teremos, possivelmente, 2 décadas perdidas.

Tudo para manter a narrativa triunfalista de PACs, Pré-sal, política contracíclica, MCMV, bolsas, revolução cultural, universidade para todos (Lula viaja até hoje no jatinho do dono da Kroton), Indústria Naval forte, Crédito farto para todos e muita retórica bonita que causou desarranjo fiscal severo nas contas dos governos. O Rio de Janeiro é só o primeiro a mostrar os efeitos mais devastadores desse desarranjo.

Os adversários.

A eleição de Dilma em 2014 nos remete a outro problema que garantiu a Lula ser eleito e manter seu sucessor, mesmo em situações adversas. Os adversários. Não vou tratar da fragilidade intelectual e moral de Aécio, Alckmin, Serra e outros, mas apenas demonstrar que eles não representam, em absoluto, os valores básicos dos brasileiros.

Dizer que o brasileiro gosta de governo grande é uma meia-verdade, pois gostar de receber benesses dos governos não é privilégio do brasileiro. Quando a Suíça fez um referendo sobre um salário mínimo a ser pago pelo governo de 6.000 euros por mês, 60% da população foi contra. Mas tinha 40% querendo a mamata. Não é privilégio de brasileiro querer um quinhão do orçamento público.

Existe o outro lado também, a parte do brasileiro que ODEIA o governo e o Estado. É a parte do brasileiro que tenta empreender, que tem que deixar 50% de sua renda em impostos, que não consegue andar nas ruas sem medo, que detesta políticas frouxas contra criminosos, que fica anos esperando uma cirurgia de catarata, que paga 3 vezes mais caro por bens acessíveis a todos em países desenvolvidos, que leva 30 anos para ter esgoto tratado, 20 anos para ter um metrô só esperando até que os políticos possam dividir a propina etc.

O brasileiro médio tem muito mais motivos para detestar um estado intrometido e musculoso do que para adorá-lo. Principalmente se não estiver nas castas privilegiadas.

Além disso, o brasileiro é, em sua maioria, um povo conservador, de modos simples e pensamento direto. Essas sofisticações de esquerda (PSDB é de esquerda, enrustida, mas é) funcionam como poesia econômica, mas o povo não entende nada disso. E não entende porque não é para entender mesmo, pois não faz sentido algum.

Para que ter medo de Lula em 2018?

Lula vai precisar adotar um discurso para 2018. Como ele vai conciliar o estado de completa destruição orçamentária do Brasil com sua narrativa de salvador da pátria?

Uma coisa é certa. O discurso incendiário de 1989 não o levará nem para o segundo turno. Mirar no sistema financeiro, nos rentistas, na renegociação da dívida, na baixa dos juros na marra, no aumento do gasto público, aumento de concursos etc., não funcionou NUNCA para Lula, mesmo quando poderia funcionar.

Esse discurso é inviável por conta de uma característica simples do cálculo financeiro. Investidores compram “valor presente de fluxos futuros”, se há uma perspectiva de que um candidato lhes tirará esse fluxo futuro, ou o reduzirá bastante, tudo se refletirá HOJE. Isso significa que praticamente TUDO vai explodir. Juros nas alturas (juro não é vontade política, é resultado de leilão), dólar em 6 reais, calotes generalizados nas dívidas das empresas e risco iminente de calote na dívida mobiliária interna. A semelhança com 2002 não será mera coincidência.

E esse desastre não vai esperar para acontecer em 2022, mas ocorrerá já em meados de 2018, bastando Lula ter alguma chance e os adversários continuarem fraquíssimos como foram em outras eleições.

Outro ponto, com esse discurso quem vai financiar o partido e a campanha? Os sindicatos de metalúrgicos da Alemanha Oriental, o ouro de Berlim, os petrodólares de Chávez, os pesos cubanos, as contas bloqueadas com o dinheiro da corrupção ou Jack Sparrow?

Ou será que Lula reencarnará o “paz e amor” e defenderá as reformas da previdência e trabalhista, a austeridade, o respeito aos contratos e a redução do gasto público?

Fica difícil de saber em que situação ele perderia mais votos, se assumindo o discurso de sua militância ou traindo seus devotos.

De novo,  os adversários.

Outra questão nova em 2018 serão as narrativas de contrapropaganda e os interlocutores.

Nunca houve debate político no Brasil, apenas diferentes matizes da mesma verve totalitária de esquerda, sempre em direção ao massacre dos direitos dos indivíduos em nome de um INEXISTENTE direito do povo e da coletividade. Direito da coletividade é um eufemismo teórico que serve apenas ao propósito de impor severas restrições aos direitos dos indivíduos. No Brasil esse modelo imperou e proliferou, principalmente a partir da constituição de 1988, aquela que garantia os direitos na canetada.

Isso acabou. Esse debate político monocromático, em 50 tons de vermelho, acabou. Haverá discurso para todo gosto em 2018. Desde aqueles fortemente armamentistas, que já em 2003 no estatuto do desarmamento representava 70% dos brasileiros, hoje talvez atinja 80% ou mais, até os radicalismos antiestatais.

Todos esses discursos são melhores e mais aderentes à verdadeira característica do povo brasileiro do que as narrativas de Lula.

É tolice achar que o brasileiro é de esquerda só porque curte receber dinheiro do estado. Ele pode curtir e ser de direita. Mas todos se encontram no mesmo lugar, detestam burocracia, detestam pagar impostos excessivos, detestam impunidade, odeiam a bandidagem e consideram os serviços públicos péssimos e muitíssimo piores do que os serviços privados.

Quem acompanhou os debates em SP viu que João Dória foi atacado com todas as falácias clássicas da esquerda, procuraram elitizá-lo, ele aceitou de bom grado, criticaram sua casa de milhões, ele disse que era dinheiro de trabalho, nada colou, saiu de 2% para a vitória no primeiro turno, CONTRA SEU PRÓPRIO partido, ou boa parte dele.

É improvável que Lula vença os debates com suas antigas armas, seja com Dória, Bolsonaro ou derivações, sem a proteção do esgarçado kevlar do politicamente correto.

De que adianta chamar alguém de armamentista, militarista etc., se ele se assumir assim, defender suas posições e estiver em consonância com grande parte do eleitorado?

Lula, e seus postes, precisam de um borra-botas da esquerda enrustida, acuado, para vencer. Foi assim com Alckmin, Marina, Aécio, Serra etc.

Se as pessoas não acharem loucura os discursos agressivos contra a bandidagem, não adianta invocar estatuto de direitos humanos ou o ECA para combater o discurso, só vai perder voto.

Se as pessoas não acharem loucura a privatização em massa, a redução do estado, a redução de privilégios de castas de servidores, não vai adiantar falar em estado grande, em grandes campeões nacionais, em investimento público, só vai perder voto.

Entendam que não é Dória ou Bolsonaro que representam a mudança, mas o reconhecimento de que não se combate propaganda com teses de doutorado e dados oficiais, propaganda se combate com técnicas de comunicação e, principalmente, com a criação de narrativas mais fortes, mais verossímeis do que a narrativa imposta pelo adversário.

Muitos candidatos já perceberam isso. Lula não está preparado para atacar valores capitalistas e ver o oponente agradecendo o ataque e exaltando os mesmos valores. Lula está acostumado a pseudo-capitalistas envergonhados. Esses também estão extintos. O PSDB, salvo Dória ou similares, não tem a menor condição de emplacar um quarto lugar com seus clássicos, inodoros e insípidos “cabeças brancas”.

E se tudo der errado e Lula ganhar?

Aí teríamos uma noção do que teria sido sua vitória em 1989. Em 2019 pegaria um país completamente esfacelado, insolvente e com uma dívida interna praticamente impagável.

Sei que o leitor não costuma ter intimidade com o orçamento público, mas pode acreditar, nunca houve momento mais terrível do que o atual. São previsões de déficits colossais por 3 ou 4 anos seguidos, e nem essas metas horríveis estão sendo cumpridas.

A expectativa otimista, mesmo com a reforma de previdência, é de que não haverá nenhum centavo livre para investimento público já em 2024. Essa é a otimista, mas é bem provável que o choque orçamentário venha bem mais cedo.

Lula vai enfrentar isso com papo furado?

É provável que ocorra tudo de novo se ele vencer em 2018. Impeachment ou renúncia em 2 anos, talvez eleições antecipadas, agora com um discurso radicalíssimo ANTI-estado, demissões em massa de servidores, isso se não formos ainda mais para trás, e buscarmos a saída em uma nova constituição.

E essa nova constituição será radicalmente ANTI-estado, por um motivo simples, não haverá estado, apenas diarreia orçamentária e pobreza.

Em resumo, uma derrota de Lula, o evento mais provável, representaria o fim ordeiro e concatenado de uma era, o fim de uma experiência sociológica de esquerda que deu errado, em praticamente todos os seus aspectos. São 30 anos da Constituição-cidadã e o país é uma grande merda. Deu errado, muito errado.

Já uma vitória de Lula seria o fim, desordenado e caótico, dessa mesma experiência ideológica, porém o país que se reconstruirá a partir dessa mudança ainda é uma incógnita para mim. Apostaria numa secessão controlada, com quase extinção do nível federal, criação de Estados ou regiões com constituições soberanas, leis próprias etc. Acho que a federação não sobrevive.

A esquerda, tal como foi concebida no Brasil, acabou. Lula é apenas uma decisão sobre como querem ser enterrados, se em caixão fechado, sem expor o odor mortis, ou com missa de corpo presente, a empestear o Brasil, novamente, com o cheiro de ideias mortas há pelo menos 3 décadas, e que nem deveriam ter nascido.

O inimigo agora é Temer, se vencer a queda de braço com a sociedade, sairá poderosíssimo. O melhor para o país seria um outsider eleito presidente indiretamente, dando todo apoio à lava-jato até as eleições de 2018.

Esqueçam Lula. É um passado que já não serve mais.

 

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  • Disclaimer

    Este blog é um ambiente privado para expor opiniões, estudos, reflexões e comentários sobre assuntos ligados a finanças, bolsa de valores, economia, política, música, humor e outros temas.

    Seus objetivos são educacionais ou recreativos, não configurando sob nenhuma hipótese recomendação de investimento.

    O investidor consciente deve tomar decisões com base em suas próprias crenças e premissas. Tudo que lê ou ouve pode ser levado em consideração, mas a decisão de investimento é sempre pessoal. Tanto na escolha de ações para carteira própria, quanto na escolha de gestores profissionais para terceirização da gestão.

    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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