Finanças

Os governos vão despejar dinheiro na economia. Como financiar esse esforço de guerra? War Bonds?

Posted on 23/03/2020. Filed under: Finanças |

Caros leitores,

Vamos a um debate exploratório sobre possíveis caminhos econômicos de governos do mundo inteiro para financiar os esforços de guerra contra o Coronavírus.

Trilhões de dólares prometidos a todos, de trabalhadores a bancos, de onde virá esse dinheiro?

Será que recriaremos os War Bonds? Ou o empréstimo compulsório da década de 1980?

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2008: Dinheiro público para bancos. 2020: Dinheiro público para os consumidores. Que Capitalismo Doido É Esse?

Posted on 19/03/2020. Filed under: Finanças |

Caros leitores,

Como, nos últimos 12 anos, acabamos forçando toda a economia a depender dos orçamentos públicos?

Do bailout aos bancos, seguradoras, fundos e grandes empresas de 2008-2009 à injeção de dinheiro vivo nas mãos do consumidor durante a crise do Coronavírus de 2020.

Como diria Compadre Washington, filósofo do É o Tchan, pau que nasce torno nunca se endireita. Não dá para fazer tudo errado por 10-12 anos e esperar que no final dê certo.

Orçamentos públicos existem para garantir as regras do jogo e a percepção de justiça entre os jogadores. Não existem para substituir os jogadores.

Poucos percebem, mas os juros negativos são uma forma de “imposto sobre grandes fortunas” disfarçados de liquidez bancária. O “capitalismo natural” não reclama, apenas se vinga.

 

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A guerra econômica contra o Corona Vírus. Como funciona uma economia de guerra?

Posted on 18/03/2020. Filed under: Finanças |

Caros leitores,

Sempre com o objetivo de debater o que não está sendo falado na mídia, vamos falar um pouco de uma economia de guerra.

Corremos, infelizmente, um risco de disfunção nos mercados de títulos soberanos e, consequentemente, na capacidade de autofinanciamento dos países.

Isso acontecia na guerra, mas como os países conseguiam financiar o esforço de guerra?

War bonds. Espero que não cheguemos a isso, mas é bom conhecer, já que todos estão falando em “guerra” contra o vírus.

 

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Coronavírus (COVID19) e a Economia Mundial. Autoridades financeiras precisam agir junto com as autoridades médicas e sanitárias!

Posted on 15/03/2020. Filed under: Finanças |

Em 14/03/2020, no início da crise europeia da Pandemia, o que poderiam fazer os órgãos financeiros internacionais para evitar a paralisia do sistema de financiamento e de crédito?

Os governos devem mesmo cuidar das pessoas, evitar mortes e o alastramento são suas prioridades. Paralelamente devemos evitar uma potencial enxurrada de execuções de dívidas e de cláusulas contratuais.

A coordenação entre bancos centrais, comitês de risco, reguladores financeiros, tesouros nacionais e órgãos financeiros multilaterais será fundamental. Não é possível “parar a economia” por alguns meses. Economia é fluxo contratual e os contratos não param, pois as cláusulas não conseguem prever tudo.

Em momentos de estresse grave como esse, não podemos deixar que os contratos se regulem sozinhos, sob o risco de uma cascata de execuções de dívidas sem precedentes. E contra empresas que pararam suas atividades por motivo de força maior e por ordem dos governos. Se quisermos manter a funcionalidade econômica, provavelmente vamos precisar criar regras prudenciais temporárias para que mesmo os estados nacionais não quebrem com a falta de receita orçamentária.

O foco sanitário e médico é prioridade, mas nessa hora os reguladores do sistema financeiro internacional precisam dar sua contribuição de forma proativa. Acho perigoso “esperar para ver”. Pode ser tarde, a economia, como disse, não consegue parar e recomeçar, precisa continuar seu fluxo, ainda que em condições estressantes.

Pense no fluxo sanguíneo do corpo humano. Conseguimos lidar com pequenos trombos e obstruções com remédios e exercícios, mas não conseguimos lidar com obstrução total de canal algum mais importante. É como funciona o sistema financeiro, as vias de crédito e de pagamento precisam ficar desobstruídas, ainda que com calibre menor, para evitar o colapso.

Enquanto isso torçamos para que esse momento terrível passe logo e para que a medicina nos presenteie com soluções engenhosas.

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Versão Kindle / Ebook. O Mercado de Ações em 25 Episódios – Nova edição atualizada

Posted on 10/02/2020. Filed under: Finanças |

Enfim senhores,

Versão on line disponibilizada! Para mais detalhes clicar na imagem do livro:

 

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E se pudéssemos pagar juros para nós mesmos? Melhorando a rentabilidade nos fundos de pensão (FUNPRESP).

Posted on 09/02/2020. Filed under: Finanças, Política | Tags:, , , , |

Caros leitores,

A sugestão que trago nesse post provavelmente é bloqueada por um sem número de regras prudenciais de fundos de pensão, mas será que essas regras fazem sentido?

Antes de respondermos essa questão, vamos mostrar o “milagre”.

Fundos de Pensão fechados, como o FUNPRESP, emprestam dinheiro aos seus participantes com taxas relativamente baixas. Hoje a carteira de investimentos do FUNPRESP tem cerca de 0,5% de fluxo de caixa que vem dos seus próprios participantes, que tomam empréstimos e pagam prestações com juros.

E se as regras permitissem que o participante pegasse esse empréstimo e pagasse juros para si mesmo?

Do ponto de vista de finanças (retorno e risco), não há nada de anormal na proposta. Tomemos um exemplo:

A pessoa tem 100.000 reais de patrimônio no FUNPRESP (vou usar como exemplo o FUNPRESP, pois tenho os dados) e quer tomar 100.000 reais emprestado. Hoje bastaria pedir autorização para um consignado e tomar o empréstimo. Normal, isso é feito o tempo inteiro nos dias de hoje. O dinheiro seria disponibilizado na conta e o pagamento das prestações sairia direto do salário do participante para o fundo. Totalmente legal, totalmente permitido.

Para um empréstimo de 48 meses, o FUNPRESP cobra 1,22% de juros ao mês. Isso daria 48 prestações de R$ 2.764,86.

As opções são as seguintes: deixar os R$ 100.000 rendendo na carteira geral ou tomar o empréstimo e pagar para você mesmo (se fosse permitido pela legislação).

Observe na simulação da planilha, considerando uma rentabilidade da carteira geral do FUNPRESP de 5% acima da inflação (9% de juros nominais).

A carteira geral vai começar com 100.000 e subirá a cada mês com base na rentabilidade de 9% ao ano.

Quando você toma o empréstimo, o fundo poderia organizar alguma engenharia financeira para que você recebesse de você mesmo (segregação de carteira). Mais adiante discutiremos como isso seria possível.

Nesse caso, todos as prestações voltariam para você mesmo, ao longo dos 48 meses. Os valores pagos para quitação do empréstimo passariam a render pela carteira própria do fundo.

Os resultados são bem interessantes. Se o FUNPRESP vai mal, a carteira segregada de empréstimos vai bem, se o FUNPRESP vai muito bem (rentabilidade acima das taxas cobradas no empréstimo), a carteira segregada de empréstimos também vai bem. Vejamos na tabela a seguir:

Perceba que as rentabilidades se diferenciam bastante quando o fundo está rendendo pouco (4% ou 5% reais ao ano).

A carteira segregada só perderia no caso de a rentabilidade da carteira própria ser maior do que a taxa do empréstimo.

Se em um ano a carteira própria do fundo rendesse 16%, a carteira segregada de empréstimos perderia dessa rentabilidade (renderia 15,84%).

O que se vê é que esse método reduziria a volatilidade da carteira própria.

 

 

Os problemas e as soluções.

Isso não é possível hoje, mas será que essa proibição faz sentido?

Com relação às coisas boas desse método de segregar a carteira de empréstimos individual, temos que o participante teria um relacionamento inteiramente novo com o financiamento. Mesmo que ele fosse superavitário e não precisasse de empréstimo, como os juros serviriam de “aporte” extra em suas economias, talvez optasse por comprar um carro parcelado em vez de à vista. E o dinheiro que ele teria para comprar o carro à vista, permaneceria aplicado. Você poderia tomar um empréstimo para consumir agora, mas o pagamento geraria ainda mais poupança de longo prazo.

Do ponto de vista prudencial, entendo que segregar a carteira de empréstimos individual não gera qualquer transtorno para o fundo, pois o risco de inadimplência acabaria recaindo sobre quem tem direito àquele fluxo de caixa (o próprio tomador do empréstimo). E, considerando empréstimo consignado de servidores públicos, o risco é baixo anyway (exceto se o governo e o congresso cortarem 25% do salário de todos, aí pode gerar uma quebradeira geral nos consignados, ou na vida privada dos próprios servidores).

A indústria financeira talvez não goste da hipótese. Provavelmente não gostaria, pois muitas pessoas passariam a recorrer a empréstimos em seus próprios fundos de pensão, em vez de acessar bancos.

Um problema que adianto, é que isso não poderia acontecer com 100% da carteira, pois nesse caso não existiria carteira própria para remunerar os pagamentos das prestações do empréstimo.

O governo e a regulação… Bom, aí é que as questões ficam nebulosas.

Se essa atitude fosse tomada por muitas pessoas, o dinheiro seria canalizado mais para consumo do que para investimento privado (ou gasto do governo). Quando colocamos dinheiro no fundo, o fundo empresta para o governo para ganhar entre 6% e 8% ao ano nos títulos público, ou investe em empresas.

Pode haver risco de redução de recursos para comprar títulos públicos, e isso prejudicaria o financiamento do governo. Por outro lado, haveria crescimento do consumo o que geraria mais impostos e mais investimentos privados (empresas crescendo por conta do consumo).

A questão tributária pode ser decisiva sobre o tema.

Ao colocarmos dinheiro no PGBL, temos um benefício fiscal de 27,5% de cara. O governo poderia entender que esse empréstimo pareceria com uma “retirada” simulada. Entendo esse ponto, mas a questão é que isso já ocorre. As pessoas podem retirar a título de empréstimo normalmente, a qualquer hora, a diferença é que o fluxo de caixa gerado é recebido por toda a carteira do fundo e não por uma carteira segregada apenas para o tomador de empréstimo.

Isso é justo? Imagine que 15% das pessoas peguem empréstimos (limite aceito pela regulação para disponibilização de recursos para empréstimo nos fundos de pensão) e paguem cerca de 16% ao ano. Só isso já garantiria uma rentabilidade de 2,4% ao fundo como um todo. E é um esforço exclusivo dos tomadores de empréstimo. Eles garantem, com fluxo de caixa gerado por eles mesmos, um bom retorno para o fundo. Perece que seria mais justo se esse esforço dos tomadores ficasse com eles mesmos.

Tudo isso é permitido, creio que a questão seria de mudança de regulação e de contabilidade mesmo, de questões de liberação de segregação de carteiras dentro do fundo e de ampliação dos limites para disponibilidade de recursos para empréstimos dentro do fundo (hoje, se não me engano, é de 15% da carteira).

Enfim, não vejo problema insolúvel para implementar uma proposta dessa na regulação.

Poderia ser uma solução para liberar bastante dinheiro na economia para consumo e estimular o crescimento, aliado a uma melhora potencial na evolução patrimonial dos fundos de pensão.

Caso o governo tenha receio dos impactos que isso geraria no financiamento da dívida pública, pode começar com uma autorização menor, por exemplo, de 25% do patrimônio individual do participante. Se o participante tomasse 100% de seu patrimônio a título de empréstimo, poderia destinar 1/4 disso para uma carteira segregada. Ou alternativamente, todos os tomadores de empréstimos poderiam participar da rentabilidade de toda a carteira de empréstimos (na proporção em que participam dessa carteira de empréstimos).

Enfim, ideias. Nada é fácil, eu sei, mas isso não impede que a gente tente pensar fora da caixinha. Vai que sai alguma coisa interessante.

Ps. Falando aos participantes do FUNPRESP, com base na regulação atual entendo que a única forma de participar de forma mais ativa dos fluxos de caixa gerados pelos próprios participantes, seria criar um perfil com até 15% de carteira de consignado e 85% de carteira própria. Já há 4 perfis com diferentes percentuais de investimento, criaria mais 1.

Esse perfil só poderia ser escolhido por tomadores de empréstimos (no mínimo 30% da reserva, por exemplo). É imperfeito, mas é justo com os geradores desse fluxo de caixa.

O que pode acontecer é o sucesso da estratégia levar mais pessoas a tomar consignado, o que é bom para o fundo de forma geral, um fluxo de caixa de risco baixo e retorno bem alto.

Se houver necessidade de bloquear novos empréstimos, por ter atingido os limites regulatórios, será o caso de pressionar por um aumento dos limites.

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Aposentadoria. Os diferentes tipos, a confusão com o sistema de repartição, fundos de pensão e poupança privada.

Posted on 08/02/2020. Filed under: Administração, Finanças | Tags:, , , , , , |

Prezados,

Em um dos capítulos da nova edição do “Mercado de Ações em 25 Episódios”, refaço as contas, de forma bem mais precisa, das possibilidades para a aposentadoria com ações.

Nos dois vídeos a seguir, explico as principais diferenças entre os métodos de acumulação (ou repartição) para a aposentadoria. Desde o inescapável INSS, passando pelos fundos de pensão e culminando nas possibilidades para acumulação privada de poupança.

Cada pessoa tem as suas próprias dificuldades durante a vida. Empregos oscilantes, renda variável, situações inesperadas, despesas aumentando com a família etc., provavelmente acabaremos fazendo um mix de estratégias para acumular patrimônio para a aposentadoria.

 

Na parte 1, discuto os modelos tradicionais de repartição e acumulação em fundos de pensão.

Na parte 2, trato das possibilidades para a aposentadoria com ações. Usei premissas pouco triviais, portanto não é possível investir sem conhecer alguma metodologia de investimento e de seleção de empresas no longo prazo.

Em 2014, para os que não lembram, eu adaptei o método da National Association of Investors Corporation (NAIC – https://www.betterinvesting.org/). O método foi inventado em 1949 nos EUA e se espalhou por mais de 20 países. Fiz profundas adaptações para que pudesse ser usado no Brasil, mas a lógica é a mesma, bem parecida com o que ensinou o guru de Buffett, Ben Graham.

 

 

 

 

 

 

 

 

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Fundos de Investimento Imobiliário – Estratégias para reduzir o estoque de Imposto sobre Ganho de Capital.

Posted on 06/02/2020. Filed under: Finanças |

Caros leitores,

Quem acompanha meus artigos conhece a estratégia para evitar carregar imposto de ganho de capital em carteiras de ações de longo prazo, que propus no meu livro “O Mercado de Ações em 25 Episódios” (ver nova edição atualizada AQUI).

Como há a possibilidade de vender até 20.000 reais por mês sem pagar Imposto, é possível passar 20 anos investindo (supondo que a lei não mude) e evitar ter um estoque enorme de imposto sobre ganho de capital a pagar.

Como fazer isso com os Fundos de Investimento Imobiliário (FII)?

Infelizmente (infelizmente MESMO), não há essa possibilidade de vender até 20.000 por mês de cotas de FII sem pagar imposto (20% sobre o ganho). Porém, há uma estratégia, ainda que imperfeita, para “limpar” os estoques de imposto.

Só é possível fazer isso a partir das ofertas públicas de emissão de cotas dos FIIs, sob algumas premissas e alguns cuidados.

Quem tem FII já deve ter percebido que as gestoras fazem, com alguma frequência (até excessiva) ofertas públicas para emitir novas cotas e capitalizar o fundo. É comum, pois no mercado imobiliário ter liquidez é importante para fazer bons negócios. E para fundos de papéis, é importante ter recursos para continuar a financiar o mercado imobiliário.

Como é comum que os gestores promovam emissões a preço MENOR que o de mercado e garantam direito de preferência aos atuais cotistas, há como se utilizar dessas condições para reduzir o estoque de imposto. Há, entretanto, alguns cuidados.

Vamos exemplificar, pois ficará mais fácil de entender as estratégias envolvidas e os cuidados a tomar.

Situação atual

Temos 1.000 cotas de um fundo a R$ 100 de custo médio.

O preço de mercado é de R$ 150,00.

Se fôssemos vender hoje teríamos um ganho de capital de 50 reais por cota, totalizando 50.000 reais, o que daria um estoque de imposto R$ 10.000.

Isso significa que nosso patrimônio potencial seria de R$ 150.000 – R$ 10.000 = R$ 140.000.

A oferta

O gestor propõe uma emissão para dobrar o número de cotas do fundo, ao custo de R$ 130,00. Você poderá dobrar sua posição se comprar mais 1.000 cotas (direito de preferência) na oferta a R$ 130,00 cada cota.

Estratégia A: Após o edital de convocação da Assembleia, onde a gestora informa as condições da oferta, o investidor vende a posição inteira para recomprar no dia em que as cotas ficarem EX-direitos de subscrição.

Em nosso exemplo as cotas estariam a R$ 150,00, portanto você venderá R$ 150.000 e terá que pagar um imposto de R$ 10.000 (20% sobre o ganho de R$ 50.000).

Não sabemos se as cotas estarão valendo mais ou menos do que R$ 150,00 até o último dia “COM direitos”. Supondo que estejam valendo os mesmos 150 reais, no dia seguinte, quando as cotas estiverem EX, abrirão ao preço teórico de 140,00 reais (subscrição de 100% de novas cotas a R$ 130,00). Supondo que você consiga comprar a R$ 140,00, terá um novo preço médio de R$ 140,00 por ação.

O estoque de imposto foi “pago” pela diferença de preço na subscrição.

Esse método é arriscado, pois depende dos humores do mercado. Você poderá vender mais caro que os R$ 150,00, comprar mais barato que os R$ 140,00, aumentando seu ganho, ou vice-versa, que reduziria seu ganho.

No fim você terá a mesma quantidade de cotas que tinha antes, com custo 40% maior.

Claro que, se você tiver recursos ilimitados, pode ser MELHOR, apenas comprar as novas cotas a preço mais baixo. Vai depender da sua estratégia e das suas possibilidades.

Estratégia B: espera a ação ficar EX-direitos e exercer o direito de preferência.

Como no exemplo anterior, a ação, no primeiro dia EX, estaria a R$ 140,00, venderíamos a R$ 140,00 e exerceríamos o direito de recomprar a R$ 130,00 adiante.

Sem considerar questões relacionadas aos proventos proporcionais e custos, venderíamos R$ 140.000, pagaríamos R$ 8.000 de impostos (20% de R$ 40.000) e compraríamos R$ 130.000 para repor a posição.

Parece que há uma vantagem nessa estratégia, de sobrar R$ 2.000, mas ela é compensada pelo fato de que nosso novo preço médio não será R$ 140,00, mas R$ 130,00. Em 1.000 cotas, essa diferença de 10 reais para menos explica o aparente ganho de R$ 2.000 (20% de ganho sobre R$ 10.000).

Na vida real as coisas não são tão simples!

Exemplo real: BPFF11

Custo médio do investidor = R$ 100,00

Em 07/01/2020 a gestora publicou um edital de convocação de Assembleia para deliberar sobre um aumento de capital nas seguintes condições:

  • Número de cotas: 1.000
  • Preço de emissão da cota: R$ 118,24
  • % de emissão de novas cotas 95,06%
  • A cotação de fechamento do dia foi de R$ 127,89.
  • A emissão foi aprovada em 29/01/2020. O preço de fechamento desse dia (último dia COM) foi de R$ 125,50 e a abertura no dia seguinte (dia EX) foi de R$ 121,50.

Na estratégia A, teríamos vendido 1.000 cotas por R$ 127,89 (fechamento do dia do edital de convocação) e recomprado a R$ 121,50, um ganho de R$ 6,39 por cota (sem considerar custos de transação). Nesse caso não precisamos vender apenas 950 cotas (95% de subscrição), pois não vamos exercer o direito, vamos vender e recomprar a mercado.

O imposto devido pela venda seria de R$ 5.578, sobrando R$ 812 dos R$ 6.390 que ganharíamos na operação.

No fim, sairíamos de um custo médio de R$ 100 para um custo médio de R$ 118,24.

Na estratégia B venderíamos 95% das cotas por R$ 121,50 (preço EX) e recompraríamos por R$ 118,24.

Supondo que temos 1.000 cotas, mas que só temos direito a comprar 95% (950 cotas), venderíamos por R$ 115.425 e recompraríamos por 112.328, totalizando R$ 3.097 de ganho.

O imposto devido pela venda seria de R$ 4.300, mas como só obtivemos R$ 3.097, teríamos que colocar dinheiro novo (R$ 1.203) para pagar o imposto, pois o ganho com a diferença não compensou o gasto com imposto.

Tem que fazer conta…

Premissas e cuidados:

  • Para quem pode colocar dinheiro novo, talvez o ideal seja acompanhar as ofertas e comprar mais cotas baratas.
  • Assumo na análise que a emissão NÃO deve baixar a rentabilidade prevista do fundo, ou seja, o gestor tomou a decisão porque viu oportunidade de manter ou até aumentar a rentabilidade do fundo.
  • Ambas as estratégias não “escapam” do imposto, como no caso das ações, elas antecipam o pagamento. No caso, o pagamento será feito pelo ganho gerado pelos direitos de preferência ou pelo ajuste teórico realizado pela bolsa.
  • Caso as cotas caiam de valor, pode parecer uma tolice ter adiantado o imposto para ter um custo médio menor, mas, no longo prazo, as coisas tendem a se ajustar, pois se você vender com prejuízo, se creditará desse prejuízo para abater de ganhos no futuro.
  • Essa estratégia não é perfeita, não é uma operação de arbitragem (ganho certo sem risco), e depende do interesse e da estratégia de cada investidor. Há muitos riscos de oscilação e os investidores especulam bastante nesse período de oferta. Não há quaisquer garantias de que os preços vão nos favorecer.
  • A forma menos arriscada de operar é vender já tendo o direito de preferência, daí você saberá que poderá comprar ao preço da oferta, mas vai depender do preço. Por exemplo, em dia 05/02/2020, o fundo IRDM11 estava EX-direitos, sendo negociado a R$ 122,00 e dando direito de recomprar a R$ 101. Nesse caso o risco é baixo (da oferta não sair, por exemplo).
  • Não é uma operação trivial, se o investidor estiver inseguro, principalmente com os cálculos e com as próprias premissas, o ideal é que não faça.
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O Mercado de Ações em 25 Episódios – Nova Edição. Veja as atualizações.

Posted on 27/01/2020. Filed under: Finanças |

Caros amigos e leitores,

Coloco a seguir uma breve lista com as principais alterações e atualizações da nova edição do livro “O Mercado de Ações em 25 Episódios”:

Prefácio à Edição Atualizada

Todos os episódios foram revistos, ampliados e/ou atualizados.

Quando foi necessário incluir comentários a respeito de eventos ocorridos recentemente, após a primeira edição de 2009, como o impeachment, o quantitative easing, o bitcoin, os juros baixos etc., o texto foi ampliado para mostrar os efeitos desses eventos.

Mas as principais mudanças, e são várias, dizem respeito à atualização dos vários estudos sobre o investimento em ações, para dar conta do período iniciado em 2009 e terminado no início de 2019. Os estudos do livro têm, com essa atualização, até 24 anos de histórico de resultados em bolsa de valores avaliado.

A lista a seguir indica as principais mudanças nos episódios originais. Em alguns casos, quando o tema do episódio deixou de ser tão relevante, substituímos o texto por tema de maior interesse para o leitor/investidor.

Os episódios que não aparecem na descrição, foram apenas revistos e atualizados com informações dos últimos anos tais como a lava-jato, o impeachment, juro zero etc.

As principais atualizações desta edição estão sumarizadas a seguir (indico apenas o título do episódio e relato as modificações):

23 anos investindo na bolsa. A história de Arnaldo, uma crônica motivacional.

A história publicada em 2009 apresentava a realidade de 13 anos de investimento regular na bolsa. Foi atualizada para o final do ano de 2018, complementando 23 anos de investimentos.

A atualização mostra significativas oscilações nas ações da VALE por força das turbulências dos anos de 2015-2016 na política e na economia brasileira.

Aposentadoria com ações? Vamos fazer as contas?

De 2009 a 2018-2019 saímos de uma realidade de renda fixa na faixa de 14% a 16% ao ano para algo como 5% a 6%, o que significou uma mudança nas expectativas de retorno, tanto para a renda fixa quanto para a renda variável.

Todos os cálculos foram refeitos para indicar as possibilidades de aposentadoria com ações a partir da nova realidade de taxas de juros.

Ao contrário do episódio da primeira edição, em que trabalhamos, por simplificação, com valores de retorno nominais, refiz as contas considerando de forma precisa os efeitos inflacionários, tanto na perda do poder aquisitivo quanto na variação dos salários.

Aposentadoria com ações? O décimo terceiro pode fazer muito mais do que você pensa.

Em linha com as atualizações do episódio citado anteriormente, foi atualizado para a nova realidade de taxas de juros e para refletir os efeitos da inflação tanto no poder de compra quanto na elevação salarial.

Você sempre soube investir em bolsa de valores, acredite! O primeiro princípio INI de investimento em ações.

O episódio não precisa de atualização em seus números, pois é apenas exemplificativo. Apenas há breves comentários sobre o fim do Instituto Nacional de Investidores – INI e a validade permanente de seus princípios.

O que o primeiro princípio do INI poderia ter feito por você. Testando o primeiro princípio entre 1996 e 2017.

Atualizados os dados para 22 anos de investimentos em Gerdau, Petrobras, Vale e Marcopolo, contra os 13 anos da primeira edição.

Também foi incluída uma comparação com a renda fixa no período.

Desculpem o spoiler, mas antecipo que o investimento regular em bolsa (nessas quatro ações ao menos) ainda venceu a polpuda renda fixa brasileira observada entre os anos de 1996 a 2011 (os juros caíram nos anos seguintes, até 6,5% em março de 2018).

E o motivo não é o crescimento expressivo das ações (ainda estavam, em dezembro de 2017, bem longe de seus recordes históricos REAIS, descontada a inflação), mas sim o comportamento do investidor. Os detalhes e os números finais estão na leitura adiante.

O que o segundo princípio do INI poderia ter feito por você. Testando o segundo princípio entre 1996 e 2017.

O episódio 5 atualizou o investimento em ações por 22 anos, mas SEM reinvestimento de dividendos. Neste episódio é calculado o retorno para 22 anos de investimentos em Gerdau, Petrobras, Vale e Marcopolo (contra os 13 anos da primeira edição) com reinvestimento de dividendos. A diferença é significativa.

Que empresa devo comprar? O terceiro princípio INI de investimento em ações.

Este é um dos episódios mais importantes, pois estuda a correlação entre o crescimento dos lucros e o crescimento do valor de mercado das empresas.

Atualizado para 22 anos de informações financeiras e ampliado para incluir quase 200 empresas na análise.

O que é dividend yield? Dividendos em tempos de crise.

Atualizado para colocar os maiores pagadores de dividendos dos anos recentes.

Gestão de carteira. A importância de estabelecer metas na estratégia do investidor

Atualização da estratégia de balanceamento de carteira (renda fixa e renda variável) para o período de 24 anos (janeiro de 1995 a dezembro de 2018).

Ações ON e PN, por que diferem tanto?

Atualização com exemplos recentes de empresas que migraram para o Novo Mercado e análise do caso Petrobras (pagamento de dividendo a maior para ações PN).

O verdadeiro longo prazo

Estudo sobre as rentabilidades acumuladas das ações brasileiras entre janeiro de 1995 e abril de 2018. A base de dados contou com 368 companhias que tinham cotações disponíveis em 30 de abril de 2018. Foram avaliados os resultados tanto positivos quanto negativos.

Apêndice A: Ferramentas para o investidor

O apêndice A foi trocado. Saiu o estudo sobre o cálculo da força relativa do investidor estrangeiro no índice Bovespa e entrou um breve relato das ferramentas que este autor disponibilizou para os investidores, a maioria delas de forma gratuita e ainda disponível, nos últimos 10 anos (de 2009 a 2019).

Apêndice B: Tóquio 1989: A bolsa que não se recuperou

Atualização de um estudo sobre o índice Nikkei 225 entre 1950 e 2017. Foi possível ver que, mesmo com a bolsa do Japão ainda longe dos quase 40.000 pontos atingidos em 1989 (eram 22.000 pontos em 2017), ainda foi grande a chance de ter sido bom investimento para o poupador disciplinado.

Apêndice E: Educação Financeira Para Crianças E Jovens.  O Caso Do Cofrinho.

Considerações sobre a poupança para os filhos e os princípios de educação financeira. O que se deve levar em conta?

 

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Em breve amigos, muito breve. A nova edição do livro “O Mercado de Ações em 25 episódios”. Atualizado até meados de 2019.

Posted on 14/01/2020. Filed under: Finanças |

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Imposto de Renda com Ações – Estratégias Inteligentes para o Investidor de Longo Prazo – Vídeo

Posted on 26/10/2019. Filed under: Finanças |

Olá amigos,

Aos que leram meu livro “O Mercado de Ações em 25 Episódios” o tema tratado aqui não é novo. Se seguiu essa metodologia, provavelmente evitou o pagamento de imposto de renda sobre ganho de capital com ações nos últimos 10 anos.

Em breve será lançada uma nova edição do livro com estudos de 1995 a 2019, praticamente 1/4 de século de bolsa brasileira. Aguardem!

O vídeo a seguir ilustra o que debati no livro, sobre como evitar carregar um estoque enorme de Imposto de Renda em suas aplicações de longo prazo. Quem tem Itaú, Vale, Bradesco, Weg entre outras ações há mais de 5 anos deve ter um estoque grande de IR a pagar, mas não precisaria!

Com uma estratégia simples e totalmente legal você pode evitar o carregamento desse estoque de imposto.

Descrevo a seguir. Divirtam-se!

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Nem De Esquerda, Nem De Direta. Somos Coletivistas Ou Individualistas.

Posted on 21/07/2019. Filed under: Filosofia, Finanças, Política | Tags:, , , , , , , , , |

O leitor deve se lembrar de uma polêmica recente nas redes sociais indagando se o nazismo foi um movimento de direita ou de esquerda.

Os lados contrários apresentaram seus argumentos e, aparentemente, ninguém mudou de opinião. Quem relacionava Hitler à esquerda entendeu que seus argumentos eram suficientes, quem o relacionava à direita, se manteve firme.

Não vou entrar na discussão se Hitler foi de esquerda ou de direita, mas com certeza ele era um coletivista. Assim como foram Stálin, Mao, Fidel, Mussolini etc.

Os conceitos de esquerda e direita ficaram muito fluidos e difíceis de definir. Tanto é verdade que a nova direita brasileira se define como “conservadora nos costumes” e “liberal na economia” e a esquerda procura se espelhar em regimes capitalistas europeus bem sucedidos de estado do bem estar social, para defender suas doutrinas.

Mas essa confusão seria desfeita se passássemos a classificar nossos pontos de vista entre o coletivismo e o individualismo, posicionando-nos em algum lugar entre esses dois pontos.

Coletivismo e Individualismo

Por conveniência histórica a esquerda demonizou o conceito de individualismo e enalteceu o conceito de coletivismo, sob o aspecto moral.

O individualista é associado ao egoísmo e ao desdém pelas questões sociais, o coletivista seria alguém preocupado com o outro, que quer resolver os problemas de todos. Criou-se uma falsa dualidade entre egoístas e altruístas.

É uma simplificação conveniente, mas errada.

As pessoas são individualistas ou coletivistas de acordo com sua visão fundamental do direito.

Não pretendo discorrer sobre questões específicas da doutrina do direito, pois não é minha área, mas apenas sobre como pensam os individualistas e coletivistas a respeito do regime ideal de direito.

UM ALERTA!

Muitas pessoas que se consideram “de direita” vão se identificar com traços do coletivismo. Aqui no Brasil fomos instruídos a depender do governo, tanto é fato que a maioria dos aposentados do INSS não guardou dinheiro (previdência individual) entregando seu futuro e sua sorte ao orçamento público. É uma confiança e tanto.

Não se assuste se você se identificar com aspectos do coletivismo, como disse, não há individualista puro e nem todos os aspectos do coletivismo são nocivos.

Não há qualquer julgamento de valor absoluto nesse artigo, apenas minhas opiniões.

Exemplos de diferentes visões de direito

Um exemplo polêmico pode demonstrar como os individualistas e coletivistas sentem a função do direito e o papel do Estado.

Até junho de 2008, não era automaticamente crime dirigir sob o efeito de álcool no Brasil. Além disso, a definição de crime no trânsito exigia a demonstração de que o motorista que bebeu expôs os outros a perigo.

Em junho de 2008 foi estabelecida a Lei Seca no país, criminalizando o motorista que tivesse um nível igual ou superior a 0,6 g/L de álcool no sangue.

Em 2012 adotou-se a tolerância zero para quem fosse pego dirigindo após ingerir qualquer volume de bebida alcoólica.

Sempre foi crime matar ou ferir alguém estando bêbado ao volante, mas a Lei Seca passou a tipificar como crime o próprio fato de dirigir após beber, independente das circunstâncias (expor ou não os outros a perigo, estar ou não em condições suficientes de reflexo) ou da existência, ou não, de danos mensuráveis.

Um individualista não concorda com legislações que restringem severamente direitos individuais a fim de coibir um crime potencial (aumento de probabilidade de acidentes). Entende que o regime de direito deveria ser rigoroso com quem efetivamente comete um crime contra o direito de outro indivíduo.

O histórico do Brasil nesse aspecto é péssimo. Além de as penas serem brandas (ainda são), poucas pessoas são realmente punidas. Se você matar alguém no trânsito, mesmo estando bêbado como um gambá, dificilmente permaneceria preso, mesmo hoje.

Para o individualista, o individuo que cometeu o crime, estava bêbado e matou uma pessoa no trânsito por exemplo, deveria ter uma pena elevada, compatível com o dano criado, rapidez no processo e na execução da pena e ônus financeiro, podendo ser processado por danos materiais e lucros cessantes, indenizando a família da vítima.

Se o risco de dirigir bêbado e atropelar alguém for pegar 20 anos de cadeia e perder seu patrimônio, e se esse risco for bem divulgado (publicidade é fundamental), a tendência seria, ao menos nas pessoas conscientes, evitar esse risco. Inconsequentes não se importam com nada, a lei não vai impedi-los.

Hoje, se você matar alguém no trânsito pode, acredite, ter sua pena de 5 a 8 anos de cadeia convertida em pagamento de cestas básicas. Para o individualista, é inadmissível que a conduta criminosa que tira efetivamente a vida de terceiros tenha pena tão desproporcional ao dano criado.

Para o coletivista criar uma lei punindo rigorosamente a todos, independente das características pessoais, das situações sociais e da quantidade de álcool ingerido, por um crime de caráter potencial (ele não matou, apenas elevou a probabilidade), é o caminho indicado.

A Lei Seca está longe de ser o único exemplo. Recentemente, no Rio de Janeiro, pela quantidade de crimes cometidos por duplas em motocicletas, aventou-se a possibilidade de PROIBIR andar em dupla. Não passou a legislação, mas o princípio era o mesmo, punir a todos pelo crime de uns poucos.

Em São Paulo volta e meia se aventa a possibilidade de reduzir as velocidades nas marginais para prevenir acidentes de trânsito.

Não tenho por objetivo discutir se as leis que punem o crime potencial tiveram ou não sucesso, pois, a rigor, o Estado poderia acabar com os acidentes de trânsito proibindo a venda de combustíveis ou baixando as velocidades máximas a zero.

Na prática a lei que busca punir a todos gera sempre externalidades negativas em cidadãos conscientes, que perdem o seu direito de discernir o que é ou não uma atitude prudente, e o limite para a geração dessas externalidades negativas está nas mãos do Estado, que se for excessivamente coletivista poderá impor sanções desproporcionais por atitudes que, há 10 anos, não eram consideradas nem crimes e nem imorais.

Para coletivistas o governo não precisa ter limites para impor sanções ao comportamento, para o individualista ele deveria focar mais nas sanções a crimes efetivamente cometidos do que em regular a vida, o discernimento e a moralidade alheios.

O brasileiro é bastante coletivista, nossa formação, infelizmente, prega a dependência do governo. Quando há algum problema, o brasileiro costuma pensar: – o governo tem que proibir isso!

Qual é o problema do direito coletivo?

Chamo de direito coletivo aquele que se propõe a defender determinada coletividade abstrata (conjunto de pessoas com características similares) de outra coletividade abstrata.

O direito individual é bastante claro e bem definido. Quem ofende e quem processa são polos claros na ação. Se há dano material ou moral ao indivíduo, o fato é passível de produção de prova e pode ser debatido com clareza nos tribunais. É possível medir o impacto do crime, o nível da ofensa e o prejuízo criado, COM BASE NA PERCEPÇÃO do ofendido.

Isso é impossível para o direito coletivo. O crime não depende da percepção individual de quem foi ofendido, mas do dano moral coletivo, que é medido por algum superpoder outorgado a servidor ou órgão público.

O direito coletivo, na prática, é o direito de todos, mas ao mesmo tempo não é o direito de ninguém em específico.

Esse direito tem mais efeito de ordem moral, pois acaba por punir comportamentos considerados genericamente ofensivos à determinada coletividade, independentemente do dano medido, ou até diante da inexistência de qualquer dano.

O episódio da russa assediada por brasileiros na copa dá um exemplo disso.

Em um tribunal, se a moça pedisse indenização por danos morais ou materiais, teríamos uma medida clara do prejuízo que lhe causou. Inclusive, poderia até entender que não houve dano relevante e que não haveria necessidade de judicialização.

Quando passamos para a moral coletiva, parte das pessoas entendeu que era um dano a todas as mulheres, parte entendeu que era irrelevante. Houve pedidos de condenação moral e de penas que iam desde o espancamento dos caras, à perda de emprego até, simplesmente, pena nenhuma.

Perceba, é a “justiça” de todos, mas não é a de ninguém em específico. Talvez alguns tenham ficado felizes com os danos sofridos na vida privada dos brasileiros (os que tiveram publicidade), outros podem ter considerado exagero, alguns podem ter ficado com medo, outros aproveitaram para surfar a onda e posar de bons moços (mesmo tendo uma vida privada repleta de episódios reais de machismo) e a maioria se calou.

Outro exemplo, para um coletivista, a tal “cultura do estupro” será resolvida a partir de uma agenda cultural para “mudar toda a sociedade”. Quando perguntaram à candidata do PCdoB à presidência em 2018 o que ela faria para acabar com os estupros, ela disse que “combateria a cultura do estupro” e que queria viver em um país onde não houvesse estupros.

Não há qualquer proposta de direito individual aqui, nem para proteger uma vítima específica, nem para apenar um ofensor, apenas uma vaga proposta de revolução cultural, que, por óbvio, deverá atingir a todos. Tanto a vítima quanto o agressor não tem identidade, não tem cara. São bandeiras, jargões e simplificações da agenda coletivista.

Por mais que a sociedade tenha mudado com a forte agenda cultural revolucionária, não me parece que a dança de rostinho colado de 30 anos atrás seja menos respeitosa com as mulheres do que os bailes funks das periferias ou as micaretas dos endinheirados.

Se mudamos, mudamos para pior em termos de respeito ao próximo.

Em resumo o direito individual é claro, assim como os mecanismos para sua imposição. O direito coletivo é turvo, por isso é mais utilizado como instrumento de enforcement da mudança cultural e moral, do que propriamente como sistema organizado para punição e ressarcimento de danos mensuráveis.

Pode parecer lindo, mas é evidente que não funcionou. Não estamos melhores, nem em números, nem em respeito, nem em percepção de respeito.

Talvez tenhamos apenas mais medo, o que promove maior afastamento e menos diálogo. Só isso.

Mas quem somos nós nessa régua do direito?

O individualista máximo “possível” é aquele que entende que o governo existe APENAS para garantir seus direitos individuais básicos. Parece simples, mas não é. É necessário estruturar um sistema legislativo, para definir essa lei, um sistema judiciário e uma força militar e policial. É difícil e não é barato.

Os direitos individuais básicos são aqueles que protegem o indivíduo da imposição da força e da arbitrariedade contra sua vida, sua propriedade e sua liberdade. Boa parte dos direitos enunciados na Declaração Universal dos Direitos Humanos diz respeito à proteção do indivíduo contra a imposição da arbitrariedade do Estado e dos outros, além da pregação de respeito à individualidade.

Um “conservador nos costumes” e “liberal na economia” será um individualista se entender que o direito ao seu conservadorismo não exige extinção ou perseguição da moralidade dos outros, e também se professar a crença no livre mercado, na livre associação e na livre concorrência. E isso vale para proteger o beato do justiceiro social, e vice-versa.

Ele NÃO será um individualista se entender que o Estado precisa impor uma moralidade específica ou se entender que o Estado pode substituir o livre mercado na decisão sobre os interesses subjetivos dos consumidores.

O Estado brasileiro é péssimo como mediador desses objetivos.

Do ponto de vista econômico, parece ter sido historicamente capturado em parte por forças oligárquicas que querem evitar a concorrência e agir de forma desleal com o consumidor e com o contribuinte. E isso nos afasta da riqueza e da liberdade econômica.

Nesse aspecto PT, MDB e PSDB atuam da forma bem semelhante. São contrários à liberdade econômica, e seu sistema de regulação defende interesses concentradores de poder e de processo decisório. Não é à toa que o empreendedor brasileiro tem que pedir a bênção ao estado antes de fazer qualquer investimento, sob o risco de ser, posteriormente, inviabilizado pela burocracia e pelo peso dos impostos.

Do ponto de vista do respeito à moralidade alheia, o Estado brasileiro também é péssimo garantidor. As lutas por direitos civis individuais, em vez de ocuparem racionalmente a agenda e o sistema legislativo e a representação política, transformam-se em batalhas morais e culturais altamente opressivas, divisoras da sociedade e promotoras de intolerância.

Um individualista apoiará sempre a igualdade de direitos civis, pois é também uma proteção contra a tirania individual e do Estado contra si. Direitos iguais independente da raça, credo e orientação sexual serão suas bandeiras.

Entretanto não concordará com a imposição de moralidade contrária a seus valores e buscará se proteger desse sistema opressivo. Enquanto a luta for por direitos iguais, o individualista estará dentro, quando for pela repressão moral e revolução cultural, estará fora e lutando contra esse novo modelo de tirania.

Já para o coletivista, o Brasil é um paraíso. Até nosso fracasso como nação é algo positivo para o coletivista (que entende o direito coletivo como superior ao direito individual).

Veja o que ocorre na Venezuela. Racionalmente é impossível acreditar que o bolivarianismo trouxe sucesso e prosperidade, sob qualquer ponto de vista, ao povo venezuelano. Porém, o regime ainda é considerado um símbolo para movimentos coletivistas por aqui. PT, PC do B, PSOL estão aí para provar meu ponto.

O sucesso de políticas liberais e individualistas seria algo destruidor para o sonho dos coletivistas, por isso não podem permitir, de maneira alguma, que essas experiências sejam implementadas no Brasil.

Tanto é verdade, que ainda se discutiu nas eleições de 2018 a volta de monopólios e a reestatização de empresas e de concessões.

Tanto é verdade, que o coletivista sabota qualquer tentativa de promoção da liberdade econômica no Brasil, odeia a concorrência e prefere que o povo maranhense, por exemplo, espere mais 150 anos por saneamento básico, a entregar esse ramo para a iniciativa privada.

Sendo mais preciso quanto a esse ponto, tanto a “direita” (MDB, PP, PR) quanto a esquerda brasileira, ambas coletivistas, rejeitam a iniciativa privada apenas até o ponto em que conseguirem encontrar uma forma de levar alguma vantagem com ela. Aí tudo fica liberado.

Está aí o Brasil dos últimos 30 anos que não me deixa mentir.

Para o coletivista puro, o regime de direito ideal é aquele que submete o direito à vida, à propriedade e à liberdade ao crivo do Estado.

A ofensa aberta à vida só tem lugar quando o regime coletivista já se consolidou (stalinismo e nazismo), mas a ofensa à propriedade e à liberdade são amplamente exercidas aqui no país.

Nossa constituição é coletivista. Submete a propriedade à sua função social e submete o poder de avalizar essa função social à burocracia estatal.

Ao contrário do ideal “virtuoso” imaginado pelos coletivistas utópicos, inocentes úteis, a desapropriação de terras acaba, sempre, atendendo ao interesse dos coletivos de poder. São as corporações, as oligarquias e os sistemas de apoio político. Não há “povo”, apenas interesses de repartição de benesses estatais e manutenção de poder, sem criação de riqueza.

No âmbito cultural, o país é ainda mais opressivo. Nosso regime de direito impõe, cada vez mais, diferenciação entre coletivos de cidadãos. Mas não só no direito. Há esforço integrado de forças coletivas organizadas para imposição de agendas morais tão modernas quanto confusas.

Uma clássica prisão sem grades stalinista, imposta pela ditadura moral do politicamente correto.

Lamento afirmar aos leitores que mesmo gente que se considera liberal na economia e conservadora nos costumes, volta e meia, acaba se entregando a alguma agenda moral a ser imposta, via governo, ou por outro sistema de propaganda.

Isso é evidente pelo comportamento revelado nas redes sociais.

A socialdemocracia, o coletivismo e o individualismo

É importante notar que é possível haver socialdemocracia tanto sob o ponto de vista coletivista, quanto individualista. É possível ter Estado do bem estar social sob qualquer um desses dois pactos do direito.

A diferença SEMPRE estará no papel do Estado sobre os direitos individuais básicos e sobre a moralidade.

Estados altamente liberais, que não se metem em questões morais e regulam os sistemas sob sua tutela buscando ampliar as liberdades individuais e proteger a vida e a propriedade, são individualistas.

O dinheiro de impostos, nesses Estados, não volta sob a forma de poder excessivo ao governo, ao contrário, volta como poder ao cidadão. Nesse aspecto, um sistema de vouchers, em que uma mãe recebe uma determinada quantia para matricular seu filho em qualquer escola, é individualista, enquanto um sistema educacional formatado e gerido por uma burocracia estatal tende a ser coletivista.

Perceba que coletivismo e individualismo são posturas relacionadas ao regime de direito e ao papel do Estado nesse balanço entre individuo e coletividade. Não necessariamente uma nação com ampla liberdade individual será uma nação com Estado mínimo (provendo apenas segurança).

Vale relembrar que um individualista está pacificado com um pacto social que pressupõe a existência de um governo, portanto entende que pagar impostos faz parte desse pacto.

A forma da distribuição desses impostos é que poderá trazer liberdade ao indivíduo, ou concentrar poder na burocracia estatal.

Resumindo o ponto fundamental do artigo.

O Brasil é um país fracassado não por ter sido governado até 1994 pela “direita”, ou desde então pela esquerda. É um país fracassado porque é COLETIVISTA.

É um país que despreza os direitos individuais básicos, de forma proposital e ideológica. É político fazendo pacto com o PCC, é partido defendendo a “humanidade” de estupradores e pedófilos. Para ambos, que se dane a vítima. É melhor defender uma “categoria” utópica ou um “bem maior” do que desvendar um assassinato ou um estupro e condenar o ofensor a 30 anos de prisão.

Despreza a propriedade. Nossa legislação foi sendo modificada de tal forma que, se invadem sua casa, não basta chamar a polícia para retirar o invasor, será necessário aguardar o judiciário emitir uma ordem para reintegração. E ainda vão discutir se você tem ou não esse direito, a depender da “função social” da sua casa. Tudo decidido pela burocracia estatal, que lhe atinge, mas protege o agressor.

Despreza a individualidade. Sob o pretexto de enfrentar o Status Quo, o patriarcado e o capitalismo liberal (que é raro por aqui) a elite política e intelectual brasileira cria campos minados ideológicos, com violenta repressão moral, confinando a maioria dos brasileiros a prisões politicamente corretas, das quais não saem com medo de pisar em uma bomba ideológica e sofrer nas mãos de justiceiros sociais.

Despreza a vida e o direito de defesa. O estatuto da legítima defesa no Brasil acabou. O revide precisa ser proporcional, ou seja, sempre que você vencer no revide, poderá (e será) processado pelo Estado com toda sua força, e ainda corre o risco de ter que indenizar o bandido e sua família. Não raro vemos comerciantes e cidadãos que revidaram sendo presos e processados. Recentemente um desembargador afirmou que o bandido atirar contra a polícia não é tentativa de homicídio, mas legítima defesa. Postura típica de Estado coletivista, protege o “coletivo de vulneráveis” e estraçalha o direito individual mais básico que é proteger sua vida e de sua família.

Esquerda e direita não são designações suficientes para entendermos a realidade brasileira (e mundial). Nesse aspecto, coletivismo e individualismo funcionam melhor.

É confuso, por exemplo, chamar George Soros, especulador do mercado financeiro, de esquerdista. Mas não é confuso chamá-lo de coletivista.

E assim vale para Fernando Henrique Cardoso, Sarney e a maioria dos políticos brasileiros “de direita”, que optam por concentrar poder nas mãos da burocracia estatal, reduzindo, cada vez mais, as liberdades individuais.

Isso atinge pobres, ricos, pretos, brancos, homo, hétero, trans, cis, e qualquer brasileiro individualista.

Minha posição.

Não consigo ser o individualista máximo possível. Não fico à vontade com a ideia de um governo exclusivamente dedicado à defesa de direitos individuais básicos (segurança).

Viveria tranquilamente sob um pacto de proteção social formatado para garantir serviços de educação básica (não a universitária), saúde pública e, claro, segurança, desde que o recurso público seja direcionado a prestigiar o emprendedorismo, a meritocracia, a liberdade de escolha, o comércio e o formalismo cultural/educacional.

Poderia ser um programa de vouchers para a família decidir onde gastar com saúde e educação, ou até renda mínima, desde que o governo tenha pouca, ou nenhuma, possibilidade de influir na conduta moral ou orientação política do segurado.

Assim eu topo. Hoje, como está, a impressão que tenho é que meu dinheiro é usado para sustentar tanto a burocracia estatal, quanto para viabilizar sistemas injustificados de privilégios e de mau uso de verbas públicas.

Em um sistema de liberdade individual de escolha cada beneficiário é, ao mesmo tempo, um fiscal do serviço prestado. Se recebe um voucher e procura um serviço, dentre várias opções concorrentes, cobra qualidade, pois pode escolher. Pune o mal gestor, pois pode escolher. Ninguém vai tratar o serviço público como algo “de graça”, pois seu custo será claro e evidente.

Quando alguém paga e recebe um mau serviço, reclama. Quando o estado presta um mau serviço, o povo resigna-se, pois não consegue ver com clareza o seu direito.

Um estado assim, que destina os recursos públicos para prover liberdade, eu topo bancar. Hoje, o uso dos recursos públicos apenas fomenta mais insegurança, intolerância, desperdício e incompetência. E eu banco mesmo sem concordar. Coletivismo puro.

 

PS, para quem ainda tiver paciência, aproveito para prestar reverência ao filósofo que melhor definiu o coletivismo.

Karl Popper contra Theodor Adorno e Olavo de Carvalho

Karl Popper é um filósofo da ciência muito lido, tanto por esquerdistas quanto por direitistas.

Mesmo tendo escrito o mais contundente documento antimarxista da história, foi mais contundente do que Hayek e Ayn Rand, Popper conseguiu ter alguns de seus livros lidos (e respeitados) em várias faculdades de ciências humanas e sociais, mesmo as que apresentam forte viés marxista.

Teve a coragem de enfrentar pessoalmente, no campo das ciências sociais, os membros da Escola de Frankfurt e tentar lhes mostrar que as ciências sociais não precisavam abdicar da lógica e do formalismo científico para serem efetivas. Foi tão bem sucedido que a réplica de Adorno (no debate de 1961) se limitava a dizer que “concordo, mas é insuficiente”.

Marxista típico, Adorno vê um caminho prático proposto por Popper, mas prefere continuar viajando na poesia infrutífera da dialética sem compromisso.

O método dialético, infelizmente, abre espaço para que um charlatão se passe por um perito, para sempre. Talvez por isso tenha tantos defensores.

Em sistemas científicos de verificação e validação (sociedades abertas) isso é muito mais difícil e, se acontecer, o charlatão vai durar pouco (vide a polêmica da Fusão a Frio em 1989).

Mas não é só a esquerda que ataca Popper. Olavo de Carvalho chegou a dizer que o livro “A Sociedade Aberta e Seus Inimigos” estava entre os 10 piores livros do Século XX.

Ao contrário da visão do filósofo brasileiro, considero que este livro traz a leitura que falta para os defensores das democracias liberais, da ciência e do direito individual compreenderem o mundo dos últimos três séculos.

No livro, escrito um ano depois de o “Caminho da Servidão” de Hayek, Popper faz a mais brilhante desconstrução de Marx, em termos sociológicos e políticos, e consegue definir o conceito de coletivismo para abarcar as principais experiências sociais de cunho marxista da humanidade.

Consegue reunir Hitler e Stálin em um mesmo grupo, de forma inequívoca.

Popper é ainda muito lido pelas esquerdas. Exceto esse livro.

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Bitcoin. Um museu de grandes novidades?

Posted on 19/07/2019. Filed under: Finanças | Tags:, , , , , , , |

A revolução das criptomoedas ainda está buscando sua significação. Apesar da profusão de lançamentos, do sucesso do Bitcoin e dos medos dos Bancos Centrais com a Libra (futura moeda do Facebook), as narrativas que explicam a tal revolução ainda não se consolidaram.

Já escrevi sobre o que é o Bitcoin em alguns artigos no passado. Minha visão continua a mesma, apesar de alguns pontos, como a tributação, já terem sido tratados pelas autoridades. Traterei de outro tema neste artigo.

Com o tempo passando, para mim faz cada vez menos sentido tratar a moeda em si, e mesmo a existência de um sistema seguro de transações, como algo revolucionário ou inovador.

Praticamente tudo o que o Bitcoin e as criptomoedas nos oferecem, em termos de facilidade transacional, nós já temos há décadas. Não há novidade alguma.

O dinheiro já é virtual há muito tempo no próprio sistema financeiro padrão. E mesmo fora desse sistema temos, e sempre tivemos, moedas paralelas, algumas físicas, como moedas de cooperativas no interior, e outras virtuais, como as moedas que transacionam exclusivamente em ambientes de pagamento como paypal, mercado livre etc., que nem precisam sair de lá.

A garotada está curtindo comprar cerveja e brigadeiro com Bitcoins na porta da universidade, mas é algo inteiramente bizarro que considerem razoável receber um preço em Bitcoins, converter em uma mínima fração de Reais com base em uma cotação que ninguém sabe se está correta ou se é manipulada, e fazer uma transação eletrônica privada.

Até haveria sentido se fosse uma transação ilícita, como compra de drogas, documentos falsos ou monografias, mas fazer isso para comprar cerveja é non sense. Mas jovens gostam de complicações desnecessárias. Jovens querem mudar o mundo até no ato de comprar uma latinha de Heineken.

Qual é a verdadeira revolução das criptomoedas?

Nós vivemos, basicamente, os mesmos dilemas de nossos antepassados. Para reduzir a complexidade e o custo do escambo os povos antigos passaram a transacionar metais (e outros materiais) representativos de valor. Enquanto as pessoas confiassem nesse sistema representativo, tudo funcionaria.

Enquanto as moedas representativas de valor estavam baseadas em metais raros, não havia muito risco de emissões clandestinas deturparem o sistema. Mas quando surgiu o papel-moeda, o risco aumentou e a emissão descontrolada levou à hiperinflação em alguns países.

Isso mostra um óbvio problema das emissões descontroladas de “criptomoedas”. Se todas, de fato, passassem a valer trilhões de dólares e fossem despejadas no mercado de consumo, correríamos sério risco de provocar inflação sem controle, por um motivo óbvio, excesso de dinheiro e falta de produtos.

O papel dos bancos centrais é exatamente esse, controlar a oferta de moeda para evitar descontroles graves nas economias. Quando falham, as economias correm risco.

Vivemos hoje uma enorme disfunção causada pelos próprios bancos centrais. A atual situação é de excesso de liquidez, que não gera inflação nos bens de consumo, mas no mercado de ativos (inclusive no das criptomoedas). Já escrevi muito sobre o tema neste blog.

Mas por que as pessoas confiam nas moedas fiduciárias? O que faz do Real, por exemplo, uma moeda em que as pessoas confiam?

É principalmente a qualidade do sistema transacional. É raríssimo haver alguma falha na contabilidade bancária, de forma que as pessoas acreditam de verdade que os R$ 10,00 enviados para determinada pessoa, sairão da conta do pagador e entrarão na conta do recebedor.

Se depositarmos R$ 100,00 no caixa eletrônico, aparecerão em nossa conta. Se tomarmos um empréstimo, entrará dinheiro em nossa conta agora e pagaremos prestações. Se comprarmos algo no cartão de crédito, pagaremos na data de vencimento e o comerciante receberá o valor contratado com a operadora.

Enfim, temos razoável confiança nas operações básicas de contabilidade bancária. Vivemos a nossa vida sem questionar esse funcionamento (raramente dá erro e quando acontece um erro, confiamos na correção rápida).

Mas isso não é de graça, pelo contrário. É um negócio multibilionário. Garantir a higidez do sistema, inclusive prevenindo fraudes cada vez mais sofisticadas, é caríssimo e boa parte da receita do sistema bancário vai para a manutenção dessas garantias de funcionamento.

É possível que a verdadeira revolução das criptomoedas possa estar na possibilidade de criar sistemas hígidos, seguros e BARATOS para suas transações. É como se criassem um sistema de contabilidade bancária que não poderia ser fraudado, o que traz enorme redução de custos e aumento na confiança.

O sistema do Bitcoin, por exemplo, garante que uma operação seja validada por boa parte da comunidade e evita duplicidades, erros, inconsistências etc. Ele faz isso por manter todo o histórico de transações em um sistema que não pode ser mudado.

É um sistema parecido com o que temos para registro de imóveis, em quem todas as transações, desde o início, ficam registradas no cartório. Com o blockchain a manutenção de registros poderia ficar mais segura (pois todas as mudanças ficarão eternamente gravadas) e bem mais barata. Vale lembrar o que escrevi em outros artigos: o Bitcoin não se confunde com seu sistema de contabilidade. O blockchain pode ser usado em qualquer atividade, sem qualquer relação com a criptomoeda.

Talvez aqui resida a única grande revolução das criptomoedas, permitirem a construção simples e barata de sistemas de contabilidade bancária.

A impressão que tenho é que as novas tecnologias tornaram possível e barato criar um “mini-sistema financeiro” com regras de emissão de moedas, regras de transação, segurança intrínseca e rigor contábil. Talvez por isso tenhamos essa profusão absurda de novas moedas surgindo. São microcosmos que espelham a complexidade do sistema financeiro, com mais segurança e sem os custos bilionários de manutenção.

Criptomoedas com e sem lastro

As criptomoedas lastreadas não deverão criar problemas para o sistema financeiro global, pois terão regulação indireta, pelo menos. Não haverá “dinheiro facebookiano” que não represente moeda fiduciária (ou cesta de moedas). No máximo, o facebook vai virar uma instituição financeira transnacional gigantesca. No big deal, na verdade, um grande risco para o próprio facebook. Uma crise monetária poderia destruir a confiança na brincadeira, levando o próprio site junto. Aliás, uma “corrida aos saques” no facebook, com 2,4 bilhões de contas, poderia quebrar qualquer moeda, inclusive o dólar, e isso poderá levar os reguladores e as instituições antitruste a, eventualmente, proibir a própria operação de moedas do facebook de início.

Já as criptomoedas que vivem de forma autônoma, como sendo de fato um microcosmo financeiro independente, que tem mecanismos para sua emissão sem lastro algum, enquanto forem pequenas podem existir sem grande alarde, mas se puderem criar problemas como excesso de liquidez e inflação, provavelmente vão ser reguladas pelos bancos centrais, ou até mesmo coibidas. Ou simplesmente as pessoas vão perder o interesse.

A preocupação central

Creio que o principal problema da existência de um mini-sistema financeiro barato, seguro, privado, transnacional e não regulado deve ser endereçado pelo prisma do combate à corrupção e à lavagem de dinheiro.

O objetivo de quem transaciona a partir de operações ilegais é esconder o fluxo das autoridades. Sempre fizeram isso através de brechas que (intencionalmente?) o próprio sistema financeiro permitia, como os paraísos fiscais, determinadas espécies de empresas e sistemas de laranjas e testas-de-ferro.

Nos últimos 20 anos um esforço mundial tem reduzido as possibilidades de transacionar sem ser visto, fechando o cerco em paraísos fiscais e instituições financeiras, com multas bilionárias e processos caríssimos.

Seja qual for o destino das criptomoedas, não pode de forma alguma parecer um facilitador para atividades criminosas. Isso seria um enorme retrocesso. Não podem ser refúgio para contrabandistas de órgãos, pedófilos, traficantes de pessoas etc..

Os jovens e os libertários (de esquerda e de direita) aclamam as criptomoedas como sendo caminhos para reduzir o poder do Estado e das instituições financeiras sobre os cidadãos. Sem dúvida são.

Mas os erros (e acertos) do Estado e das instituições financeiras no que se refere à gestão da oferta monetária são bem documentados, escrutinados por todos os agentes financeiros no mundo inteiro. Conhecemos muito bem, estudamos o assunto e as reuniões dos bancos centrais são avaliadas por especialistas e mercados há décadas.

Já os erros privados na gestão da oferta monetária, considerando a possibilidade de, quem sabe, cada um de nós ter um sistema financeiro próprio, ou fazer parte de uma rede privada não regulada e invisível às autoridades, são potencialmente graves.

A julgar pelo histórico que conhecemos nos mercados financeiros, provavelmente os espertalhões vão concentrar os ganhos, e muitos milhões de incautos vão dividir o prejuízo.

Na verdade o Bitcoin especificamente nem poderia ser visto como uma proposta libertária, ao contrário, parece altamente concentradora de poder e riqueza. A mineração é uma atividade cara, de forma que quem enriquece com ela é quem já tem bastante capital. Além disso, como não há limites e nem regras de controle, nada impede o conluio entre poucos players para manipular o mercado. Estima-se que 1% dos endereços de Bitcoin controle mais de 50% do mercado. Dada a baixa liquidez do mercado, a concentração e a completa falta de regulação antitruste e anti-manipulação, não seria surpreendente se estivermos vivendo apenas outro jogo onde os ricos ficam mais ricos e manipulam o mercado para garantir seus lucros. E esse jogo é pior do que o do sistema financeira tradicional, pois quem tem o poder de emitir moeda é quem já é riquíssimo. Não é nada libertador.

O libertário tem confiança demais na boa-fé humana e esquece que basta um punhado de picaretas para passar a perna em milhões de agentes de boa-fé. O ser humano sem controle é isso mesmo, um ser humano sem controle. É imprevisível a capacidade de destruição.

PS:

Não escrevi um texto contrário às criptomoedas, apenas entendo que sua única novidade é a facilidade de criar sistemas financeiros paralelos com riscos baixos de fraude. O resto já estamos acostumados, o sistema financeiro nos dá dinheiro virtual há mais de 40 anos.

Também o texto não critica quem investe nas criptomoedas, o valor delas depende do mercado e enquanto ele precificar de forma favorável o especulador ganhará dinheiro. Apenas entendo que os argumentos eram válidos e continuam válidos.

Já há testes para uso de blockchain para substituir o registro de imóveis. Isso é, de fato, um sucesso.

 

 

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Mitos da Privatização – Série com 5 vídeos

Posted on 11/06/2018. Filed under: Filosofia, Finanças, Política | Tags: |

Prezados,

Eleição se avizinha e, provavelmente, haverá algum debate sobre a privatização de empresas públicas. Apesar de a maioria dos candidatos ser contra a privatização, ao menos de setores estratégicos, entendo que o debate está pobre, porque está interditado, desde 1950.

Tratarei de 5 mitos, os quais revelo no primeiro dos 5 vídeos, são eles: 1 – A venda das riquezas nacionais, 2 – A geração de riqueza para o povo brasileiro vem da operação ou do controle?, 3 – Estatais são sempre vendidas a preço de banana? e 4 – A questão estratégica.

Em meu entendimento as pessoas contrárias às privatizações não deveriam basear seus argumentos nos mitos que tratei nos vídeos, pois não fazem sentido.

Podem basear seu interesse em manter as empresas sob controle estatal por vários motivos, a maioria ideológicos.

Por exemplo, pode entender que o orçamento da empresa deverá ficar à disposição do controlador público. Como é na Venezuela ou na Arábia Saudita.

Ou pode achar, por motivo ideológico, que a empresa não deve ser gerida pelo interesse privado do lucro, que não deve buscar a maximização do seu tamanho (valor da firma) e do lucro. Ou seja, não deveria seguir a lógica capitalista.

Não deve JAMAIS usar a Equinor (Statoil) como exemplo, pois a empresa é gerida dentro da lógica capitalista, não mistura seu orçamento com o orçamento soberano norueguês, apenas contribui, com lógica eminentemente financeira e de mercado, para o fundo soberano do seu país (através de impostos e participações, principalmente). Statoil não é PDVSA ou Saudi Aramco, não está à disposição do governo norueguês (que tem 67% das ações), e atua de forma absolutamente capitalista em mais de 30 países, explorando petróleo e gás, com foco no lucro.

Entretanto, não há qualquer sentido em manter a empresa estatal se não for por motivos de cunho ideológico ou de crença anti-mercado ou anti-capitalista.

Isso deverá ficar claro nos vídeos abaixo.

Gostaria que o debate fosse nivelado por cima, por isso fiz os vídeos. Infelizmente, até agora, só vi afirmativas sem argumentos, sem números, sem dados (exceto os pequenos, que representam a lógica de mercado, como o João Amoedo e o Flávio Rocha).

Espero ajudar para elevar o nível do debate.

Seguem os vídeos:

 

 

 

 

 

 

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Fake News! Petrobras atinge o maior valor de mercado de sua história – Estadão 09/05/2018

Posted on 10/05/2018. Filed under: Finanças, Política | Tags:, , |

Good lord, you are fake news, diria Tio Trump.

Lamentável a notícia do Estadão de ontem, informando que a Petrobras havia atingido seu maior valor de mercado da história.

Quem acompanha o blog, sabe que é uma absurda mentira. Acompanhamos os altos e baixos da ação há mais de 10 anos.

Nem seria preciso fazer uma pesquisa extensa, basta lembrar dos valores da capitalização em 2010, cerca de 29 reais para a ON e 26 reais para a PN, patamares bem superiores aos atuais.

Mas o maior valor de mercado foi quando?

Vamos à realidade.

O maior valor de mercado foi atingido durante a exuberância irracional (tão tratada no blog e antes na lista de emails) do ano de 2008, mais precisamente no último mês dessa exuberância, antes da derrocada.

Em 21/05/2008 a Petrobras atingiu R$ 510.394.808.680, ou seja, 510 bilhões de reais

O tal “valor máximo” do Estadão é 38,8% menor do que o valor máximo verídico.

Antes de prosseguir, eu li a reportagem inteira, não vou reproduzir aqui, pois não tenho autorização,  mas adianto que não há qualquer consideração do tipo “maior valor desde a lava-jato” ou “maior valor da década” etc., ou seja, é fake news truly!

Pode ser proposital, pode ser fragilidade de conhecimento de mercado, não convém especular.

Mas a informação não está apenas errada, está erradíssima! A perda é muito pior.

Pensando em outros aspectos relevantes, esse valor de 312 bilhões informado como “máximo histórico” pelo Estadão é, na verdade, muito, muito, muito, muito menor do que os 510 bilhões de maio de 2008.

A perda de valor da Petrobras foi bem mais feia do que esses números conseguem mostrar.

Em Valor de mercado por ação

Em 2008 a Petrobras tinha exatamente 8,77 bilhões de ações emitidas, em 2018, por conta da capitalização de 2010, essa quantidade passou a 13,04 bilhões.

Ou seja, o valor médio de uma ação, na máxima de 21 de maio de 2008, era de R$ 58,17 (média, sem dividir em ON e PN). Em 2018, na “máxima do Estadão”, seria de R$ 23,91.

Ou seja, em termos de valor por ação a máxima seria de R$ 58,17 em 2008 e de R$ 23,91 em 2018.

A perda, em valor unitário das ações, chega a 59%.

Em dólar

Aí dá aquela tristeza…

O dólar em 21 de maio de 2008 estava em 1,6484 reais, em 09 de maio de 2018, atingiu R$ 3,59.

Prepare-se amigo.

O valor em dólar da Petrobras em 2018 atingiu, ontem, US$ 89,5 bilhões.

Em maio de 2008 era de incríveis US$ 309 bilhões.

Em dólar a perda é de 71%.

Fake news. Triste ver isso nas páginas de economia de um grande jornal.

 

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Guia financeiro para a compra e venda do imóvel próprio.

Posted on 07/05/2018. Filed under: Finanças | Tags:, , , , , , , |

Os leitores que acompanham o blog sabem que disponibilizei uma planilha para cálculo do valor justo dos imóveis, em 2010. Neste link.

Tenho notado a volta de lançamentos imobiliários em São Paulo e cidades do interior, com preço menor do que no pico em 2014-2015, porém ainda bem mais altos do que a realidade de 2009-2010.

O único mercado que continua forte é o do Minha Casa, Minha Vida, com a MRV e a Tenda mostrando resultados bem melhores do que as construtoras e incorporadoras de outros segmentos. Juro subsidiado e prestação menor do que o aluguel estimulam esse mercado.

Os juros para os outros segmentos estão em patamares de 2010.

Mesmo a SELIC estando no menor nível da história, isso ainda está longe de se refletir nos juros do SFH e dos financiamentos de imóveis mais caros.

Pesquiso o tema desde 2009. Em 2010 os juros para financiar imóveis fora do Sistema Financeiro de Habitação, para quem tinha risco baixo, atingiam cerca de 10,5% a 11% ao ano.

Em 2013, com SELIC em pouco mais de 7% ao ano, foi possível conseguir financiamento imobiliário a 8,5% ao ano, mesmo para imóveis acima do limite do SFH.

Em 2015, com SELIC a mais de 14%, esses 8,5% passaram a 9,5%-10%.

Hoje, com SELIC a 6,25%, estão na faixa de 10,5%-11% (fora do SFH).

Parece estranho, mas a explicação é simples. Juro de financiamento imobiliário é juro de longo prazo. Os bancos não acreditam que os juros possam se manter baixos por muito tempo. A julgar pelo crescente desequilíbrio das contas públicas, não estão errados.

Quanto pagar por um imóvel?

As planilhas a seguir são meramente financeiras. Não há qualquer consideração de caráter subjetivo, apenas uma equivalência de fluxos de caixa, ou seja, apenas calculo qual seria o valor a pagar por um imóvel a partir do aluguel observado na região.

Por exemplo:

R$ 25,00 por metro quadrado. Imóvel na Zona Oeste de São Paulo, 100 m2 a R$ 2.500 o aluguel. 

A planilha vai calcular o preço MÁXIMO a pagar por metro quadrado, a partir de duas variáveis:

  • Expectativa de valorização anual do imóvel
  • Retorno anual obtido com investimentos de risco similar (líquido de IR).

São as variáveis mais relevantes. Ambas NÃO consideram inflação, portanto, deve-se pensar em rentabilidade NOMINAL e não real.

Para essa região de SP, esse valor de R$ 25,00 o metro quadrado no aluguel se verifica em imóveis com 15 a 30 anos de construção, 1 vaga, alguma infraestrutura e condomínio máximo de R$ 1.500,00.

O condomínio hoje é um fator gravíssimo de destruição de valor dos imóveis. Em regiões como o Panamby e Real Parque, há imóveis de luxo com aluguéis de R$ 5,00 o metro quadrado, porque o condomínio chega a R$ 15,00 – R$ 20,00 por metro quadrado.

As premissas.

A realidade do Brasil hoje permitiria estimar que o investimento em ativos de risco semelhante daria algo como 8% ao ano (fundos de investimento imobiliário, CRI, debêntures etc.).

A estimativa para a valorização do imóvel, para ser razoável, não deveria considerar mais do que 1% a 2% acima da inflação no longo prazo. Hoje isso significaria algo entre 5% e 6% ao ano.

Isso daria, como preço justo do valor do Metro Quadrado de compra/venda, pela planilha que veremos a seguir, cerca de R$ 7.113. Valor muito próximo dos melhores negócios anunciados na região, com vários imóveis, até mais novos, entre 650.000 e 800.000 (com o mesmo patamar de aluguel).

R$ 60,00 por metro quadrado. Imóvel no Leblon, 80 m2 a R$ 4.800 o aluguel. 

Com as mesmas premissas, daria um valor MÁXIMO a pagar pelo metro quadrado de R$ 17.071, sugerindo um valor justo de R$ 1.365.000. Próximo ao verificado no bairro, para imóveis que efetivamente alugam a 4.800 reais.

R$ 15,00 por metro quadrado. Imóvel no interior, 120 m2 a R$ 1.800 o aluguel. 

Com as mesmas premissas, daria um valor MÁXIMO a pagar pelo metro quadrado de R$ 4.268, sugerindo um valor justo de R$ 512 mil.

Quanto pagar? As planilhas.

A partir da realidade dos aluguéis do seu bairro, município ou região, vejam a seguir os resultados, para cada premissa de crescimento dos investimentos e do preço do imóvel.

Valor do aluguel por m2 R$ 15,00
Taxa de juros % anual dos investimentos
% anual de valorização do imóvel

4%

6% 8%

10%

2%  R$     5.888  R$     3.778  R$     2.747  R$     2.143
4%  R$     7.789  R$     4.822  R$     3.401  R$     2.587
6%  R$   10.387  R$     6.226  R$     4.268  R$     3.164
8%  R$   13.936  R$     8.117  R$     5.417  R$     3.919

 

Como interpretar essa planilha?

Simples, para calcular o valor MÁXIMO a se pagar no metro quadrado, a primeira coisa a fazer é ver no mercado quanto se cobra pelo aluguel na região. Se, por exemplo, por um apto de 100 metros quadrados cobra-se em média R$ 1.500, a média da região é de R$ 15,00 por metro quadrado.

Após, pergunte-se: quanto o imóvel deve valorizar e quanto recebo dos meus investimentos (juros ao ano)?

Se pensou que o imóvel pode valorizar igual à inflação projetada (4% ao ano) e que seus investimentos estão remunerando seu capital em 8% líquidos de IR, basta procurar na planilha de R$ 15,00 a coluna de 8% e a linha de 4%. Você verá que só poderá pagar até R$ 3.401 por metro quadrado.

CUIDADO COM SUAS PREMISSAS!

Se considerar que o imóvel pode valorizar muito, por exemplo, 8% ao ano e seus investimentos vão dar apenas 4% ao ano, vai procurar na planilha a coluna de 4% e a linha de 8%. Aí o valor justo do metro quadrado passaria para R$ 13.936.

E é clara essa relação, pois se o imóvel vai valorizar mais do que o dinheiro aplicado, será uma aplicação melhor do dinheiro, por isso você poderia pagar mais caro por ele.

Porém esse excesso de otimismo pode fazer você pagar caro demais pelo imóvel. Exatamente o que ocorreu no Brasil de 2012 a 2015.

 

Valor do aluguel por m2 R$ 25,00
Taxa de juros % anual dos investimentos
% anual de valorização do imóvel

4%

6% 8%

10%

2%  R$     9.814  R$     6.296  R$     4.578  R$     3.571
4%  R$   12.981  R$     8.037  R$     5.669  R$     4.311
6%  R$   17.312  R$   10.377  R$     7.113  R$     5.274
8%  R$   23.226  R$   13.528  R$     9.028  R$     6.532

 

Valor do aluguel por m2 R$ 40,00
Taxa de juros % anual dos investimentos
% anual de valorização do imóvel

4%

6% 8%

10%

2%  R$   15.702  R$   10.074  R$     7.325  R$     5.714
4%  R$   20.770  R$   12.859  R$     9.070  R$     6.898
6%  R$   27.699  R$   16.603  R$   11.381  R$     8.438
8%  R$   37.162  R$   21.645  R$   14.445  R$   10.451

 

Valor do aluguel por m2 R$ 60,00
Taxa de juros % anual dos investimentos
% anual de valorização do imóvel

4%

6% 8%

10%

2%  R$   23.554  R$   15.110  R$   10.987  R$     8.570
4%  R$   31.154  R$   19.289  R$   13.606  R$   10.346
6%  R$   41.549  R$   24.905  R$   17.071  R$   12.658
8%  R$   55.742  R$   32.467  R$   21.667  R$   15.677

 

E para quem quer comprar para investir?

Bom, esse tem que comprar barato, caso contrário os retornos seriam péssimos.

Veja as planilhas de retorno mensal:

Taxa de juros % anual dos investimentos

% anual de valorização do imóvel

4%

6% 8%

10%

2% 0,25% 0,40% 0,55% 0,70%
4% 0,19% 0,31% 0,44% 0,58%
6% 0,14% 0,24% 0,35% 0,47%
8% 0,11% 0,18% 0,28% 0,38%

 

Como interpretar essa planilha?

Pense no imóvel que quer comprar para alugar.  Vamos supor que, por exemplo, o aluguel esteja na faixa de R$ 25,00 por metro quadrado.

Vá agora na planilha de preços de metro quadrado (R$ 25,00). Se você conseguir pagar R$ 3.571, o valor mais baixo da planilha, terá um retorno de 0,70% no aluguel. Se pagar o valor mais alto, R$ 23.226, terá um retorno com aluguel na faixa de 0,11% ao mês.

Pode-se considerar que seria um bom retorno, dada a realidade atual, ter entre 0,35% e 0,45% no aluguel. Isso significa que os patamares mais razoáveis de preço estão nas combinações seguintes ( coluna 8% / linha 6%), (coluna 8% / linha 4%), (coluna 6% / linha 2%), (coluna 10% / linha 8%) e (coluna 10% / linha 6%).

O que isso significa?

Que o mercado entende que a diferença razoável entre a rentabilidade obtida nas opções de investimento e a valorização do imóvel (ambas projetadas) está entre 2% e 4% ao ano.

Esses cálculos funcionam?

É apenas um cálculo de equivalência de fluxos de caixa, apenas compara valores presentes que equilibram financeiramente a relação entre alugar e comprar.

O preço justo está calculado corretamente, mas não tem nenhuma variável subjetiva, apenas grana.

O que o interessado em comprar um imóvel pode fazer é ver o preço justo na planilha e decidir-se por pagar 10% a 20% mais pela vontade de ter um imóvel próprio.

O investidor, porém, não deve jamais tomar decisão dessa forma.

Se o leitor procurar nos sites de busca de imóveis, vai ver que os preços estão bem próximos aos previstos, lembrando que sempre pode haver gente pedindo valores absurdos e, infelizmente, pode haver gente PAGANDO valores absurdos. A devolução recorde de imóveis nos últimos anos mostra que a irracionalidade financeira sempre pode ocorrer.

De qualquer forma, é importante para o interessado em comprar um imóvel que calcule seu preço justo FINANCEIRO para depois decidir o quanto poderá pagar a mais, caso não encontre um imóvel no preço justo.

Pense: qual é o motivo de pagar R$ 1,5 milhão por um imóvel que você pode alugar por R$ 3.000?

Parece absurdo não é, mas em 2015, no Leblon, havia apartamentos avaliados em R$ 2,5 milhões sendo alugados por menos de R$ 5.000 ao mês.

É absurdo mas acontece.

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O Brasil de 2018, o papel do BNDES e a Compra da National Beef pela Marfrig

Posted on 17/04/2018. Filed under: Finanças |

Um dos principais problemas da política industrial e econômica dos governos brasileiros, antes mesmo de Lula e Dilma, sempre foi a definição da participação e do papel do BNDES.

Até que ponto a participação do banco nos negócios privados seria saudável, tanto para o desenvolvimento dos mercados, quanto para a proteção do orçamento público?

Como o BNDES é um banco de fomento, cujo objetivo principal não é o lucro, mas o desenvolvimento da política de investimento do Governo Federal, não há uma racionalidade clara e objetiva a seguir. Veja o que está no Estatuto do Banco:

Art. 3º O BNDES é o principal instrumento de execução da política de investimento do Governo Federal e tem por objetivo primordial apoiar programas, projetos, obras e serviços que se relacionem com o desenvolvimento econômico e social do País.

 Art. 4º O BNDES exercitará suas atividades, visando a estimular a iniciativa privada, sem prejuízo de apoio a empreendimentos de interesse nacional a cargo do setor público.

Quando o objetivo é o lucro, as finanças falam mais alto e raramente um ente privado age de forma irracional ou inconsistente.

Mas o “interesse nacional”, o “desenvolvimento econômico e social do país” e a “política de investimento do governo” têm racionalidade atrelada ao sistema ideológico do próprio governo, que nem sempre foi favorável ao desenvolvimento do mercado e ao capitalismo.

Nem na era FHC, apesar das privatizações que, assim como hoje, ocorreram mais por questões de falência orçamentária, do que por crença na superioridade de gestão e de decisão da iniciativa privada.

A crença no Estado como principal fomentador de crescimento econômico

Aqui no Brasil a crença no papel agigantado do Estado é muito enraizada, está tanto nos mais pobres quanto nos mais ricos, isso faz com que o Brasil tenha uma elite pouco empreendedora, mas muito bem relacionada.

Nem sempre CEO´s e CFO´s, dirigentes de grandes empresas, são escolhidos por sua capacidade de realização técnica no trabalho, mas (para alguns setores), pelo trânsito com os donos do poder, do sistema legislativo, e do orçamento público.

Em países altamente coletivistas como o nosso (que desprezam o sucesso individual), a elite política se mantém criando bolsões de dependência para os pobres, ligados às políticas públicas de cunho social, e sistemas de dependência dos ricos, ligados às políticas de financiamento e participação em obras, concessões e parcerias públicas.

É do interesse do nosso sistema político ter à mão tanto os mais pobres, quanto a elite empresarial.

Só uma pessoa muito ingênua poderia olhar o país nos últimos 15-20 anos e não perceber que esse sistema de dependência retroalimentada do orçamento público, e das decisões de governo, praticamente determinou quem deveria ou não vencer na economia nacional.

Está aí a Lava-jato que não me deixa mentir.

O interesse público em uma economia liberal de mercado é medido de outra forma

O interesse público deveria ser o resultado que se obtém ao permitir que todas as pessoas ajam livremente, de acordo com seu melhor interesse, dentro das leis, regras, cultura e ética de uma sociedade.

Ou seja, a melhor expressão do interesse público não é o que um burocrata ou um líder coletivista dizem, mas o efeito da interação individual, em plena liberdade e dentro da lei e da boa governança.

Esse é o “preço de mercado” do melhor status possível de relacionamento social.

O coletivista não entende assim, crê que o interesse público não é atingido pela plana e livre interação entre interesses individuais, mas pela política pública coletiva (que ele próprio vai definir, claro).

São visões de mundo diversas. No Brasil imperou (e impera) o direito coletivo sobre o direito individual. E por isso os indivíduos perderam vários graus de liberdade a partir da Constituição Federal de 1988, em prol do direito de algumas coletividades sem personalidade jurídica (ás vezes até inexistentes mesmo), mas socialmente organizadas.

Na sociedade, esse coletivismo é altamente opressivo para o indivíduo, inclusive para aqueles a quem se pretende “proteger. E na economia, esse coletivismo é desastroso.

Não é à toa que países altamente dirigistas em suas economias, países antimercado e contra o livre empreendimento, acabam empobrecendo e levando sua população à fome.

Menosprezam a inteligência de milhões de agentes econômicos racionais, e prestigiam a “intelligentsia” de um grupo dirigente (que às vezes mal sabe escrever e fazer conta).

E assim foi por aqui. Grandes empresas brasileiras viveram sob os auspícios e subsídios do orçamento público. Precisaram se submeter à racionalidade de um grupo dirigente, em detrimento do verdadeiro interesse público (dentro de uma visão liberal).

Enquanto durou esse orçamento, bateram recordes de produção e de valor de mercado, quando o orçamento acabou, voltaram à dura realidade. Mercado reprimido e renda baixíssima.

Aqueles salários elevados de 2008 a 2014 eram puramente efeito do excesso de dinheiro público na economia, nenhuma relação com produtividade e geração de riqueza. O resultado foi eloquente nos PIBs de 2014, 2015 e 2016.

Foi uma onda fake que o governo entendeu ser aquela que faria de nós um país desenvolvido.

Como eram uma sucessão de decisões irracionais tomadas por meia dúzia de burocratas, fatalmente daria errado, pois o governo NUNCA será capaz de reproduzir “em laboratório” o interesse público/comum genuíno, pois esse só é atingido pelo indivíduo agindo em liberdade na direção de seu interesse pessoal, dentro da lei e da governança.

Acabou o orçamento

Falei da Marfrig no título, para celebrar uma mudança significativa na forma de nosso empresariado fazer negócio. Não vou analisar a compra, nem a posição da Marfrig, isso não interessa para esse texto.

Vou celebrar que uma Companhia brasileira se tornou uma das maiores do mundo com financiamento de um banco estrangeiro, sem qualquer ajuda do governo brasileiro.

Alvíssaras!

Com o BNDES tendo que devolver centenas de bilhões de reais ao Tesouro Nacional, o estoque disponível para financiamento tem enfraquecido.

Isso abre espaço para a racionalidade corriqueira das finanças corporativas. Os entes se unem para defender os interesses dos acionistas e dos credores (que também têm acionistas). E não há qualquer debate sobre inclusão, justiça social, setor estratégico, campeões nacionais, campanhas políticas etc., apenas valor presente líquido, taxa de retorno e custo de oportunidade.

Simples e objetivo, como deve ser. Riqueza não se gera com irracionalidade. A realidade é muito cruel com quem é inconsistente e incoerente, em termos de finanças corporativas.

Recado ao governo!

Se o governo quer equilibrar o desequilíbrio natural das relações humanas (a natureza é assim, desigual), que permita aos indivíduos agirem no interesse próprio, de sua família ou de sua sociedade empresarial, dentro da lei e de um sistema de governança virtuoso (esse é um bom papel para o governo, promover esse ambiente virtuoso).

Assim esses indivíduos gerarão a riqueza que o governo sonha em distribuir, mas não sabe gerar.

Orçamento público robusto requer desenvolvimento econômico e geração de riqueza.

Que os próximos governos permaneçam longe da tentação de dirigir a economia e substituir a racionalidade dos interesses individuais pelo direcionamento conveniente de verbas estatais.

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Leandro Karnal sequestrou a Declaração Universal dos Direitos humanos.

Posted on 14/04/2018. Filed under: Filosofia, Finanças, Política | Tags:, , , , , , , , |

Declaração Universal de Direitos Humanos (DUDH) não é um documento “de esquerda” ou progressista. Ao contrário, a DUDH é um documento pró-indivíduo e família, em defesa da propriedade privada, anti-coletivista e contra o poder estatal desproporcional.

É preciso relembrar o ambiente mundial de sua formulação. 1948, pós-guerra, o horror do nazismo relevado, mostrando que não há limites para a maldade humana, a Europa completamente destruída e os principais desdobramentos da guerra-fria só teriam início em 1949 e depois em 1951 com a guerra da Coréia.

Veja o que proclama em seu início: “Considerando que o desconhecimento e o desprezo dos direitos do Homem conduziram a atos de barbárie que revoltam a consciência da Humanidade e que o advento de um mundo em que os seres humanos sejam livres de falar e de crer, libertos do terror e da miséria, foi proclamado como a mais alta inspiração do Homem”.

Sem dúvida a principal motivação da DUDH foi se posicionar contra as atrocidades da segunda grande guerra, mas também proclamar que os homens deveriam viver sob um regime de direito e não opressivo, vejam:

Considerando que é essencial a proteção dos direitos do Homem através de um regime de direito, para que o Homem não seja compelido, em supremo recurso, à revolta contra a tirania e a opressão”.

Adiante trataremos da parte da declaração que poderia ser considerada contrária ao livre mercado e a favor do poder estatal, e que é amplamente recitada pelos grupos coletivistas (anti-individuo, anti-empreendimento e anti-capitalista).

Mas vamos iniciar com os direitos individuais e familiares para ver que a DUDH nada tem de coletivista ou “de esquerda”.

Para exemplificar como o conteúdo da DUDH é distorcido, vou usar um texto de Leandro Karnal, publicado em 01/04/2018, creio que no jornal O Estado de São Paulo, em que o filósofo trata da questão dos direitos humanos.

Quero ressaltar que estou usando o Karnal apenas para exemplificar a distorção do significado da DUDH. Não faço julgamento de valor sobre Karnal, apenas discuto algumas ideias colocadas por ele no artigo, e procuro mostrar que não são verdadeiras e que ele mesmo não as segue.

Vejamos como Karnal entende o significado da DUDH:

Direitos são humanos, ou seja, valem para todos, inclusive para criminosos presos. Sigo a tônica do documento assinado pelo Brasil na ONU: a Declaração Universal dos Direitos do Homem, de 1948. A palavra-chave é universal. Basta “ser humano” para ter direito ao direito. Eu, sem ficha policial, trabalhando 16 horas por dia, digno do ambíguo título de “homem de bem” não tenho mais direitos humanos do que um traficante. Ainda que o traficante deva ser processado e punido, ele continua dotado de direitos humanos. Deve ser julgado e encarcerado em caso de comprovada sua atividade criminosa. Porém, em nenhum momento ele deixa de ter direito a um habeas corpus ou perde a proteção de todo cidadão pela Constituição de 1988, que proíbe tortura em qualquer ser humano.”

A DUDH declara igualdade, mas não nivela os direitos de infratores e não-infratores. Muito pelo contrário, nem todos os direitos humanos valem para criminosos presos, e para saber disso basta ler a própria declaração universal dos direitos humanos – DUDH.

A declaração de direitos humanos reconhece o direito dos países ao encarceramento, desde que dentro do processo legal, e, por isso mesmo, reconhece que nem todos os direitos estarão a disposição de todos os seres humanos.

E isso, em si, já diferencia infratores de não-infratores.

O próprio Karnal definiu o “criminoso preso” como público de destaque de sua análise, e NESSA CONDIÇÃO há vários direitos da declaração que não lhe são garantidos.

Do artigo 3º ele não tem direito à liberdade.  Do artigo 13 não teria direito de livremente circular e escolher residência, nem de sair do país. A liberdade de reunião, prevista no artigo 20, não é plena. Do artigo 21 ele não terá os direitos políticos e à participação em funções públicas. Do artigo 23 não terá o condenado o direito à livre escolha de trabalho.

Isso sem falar que o gozo dos direitos de vários outros artigos fica bastante prejudicado pela condição de encarcerado.

Karnal diz que ele, “cidadão de bem”, não tem mais direitos do que um traficante e afirma que o traficante deveria ser processado e punido. Mas, se isso ocorrer, se for condenado, vários direitos previstos na carta não mais valerão para ele, enquanto apenado.

Ou seja, não é verdade. Pode ser um belo “argumento de prateleira”, uma estratégia para se sentir “bom e justo”, mas não é uma declaração verdadeira.

Por fim, vale corrigir o texto de Karnal, ninguém tem “direito a um Habeas Corpus”, as pessoas têm direito de peticionar. Petições de Habeas Corpus são negadas todos os dias, ele não tem o direito, apenas a expectativa de obter um Habeas Corpus.

E segue Karnal:

“Tão talentosa em tantas coisas, Hebe Camargo disse no ar, certa vez, que os “direitos humanos deveriam ser para humanos direitos”. A falácia faz sucesso, mas é um grave equívoco. Direitos humanos para todos os seres humanos, inclusive para quem desdenha deles ou que comete infrações. Os direitos humanos são para a sociedade entender que toda exclusão de uma vida do rol das existências defensáveis tem o dom de banalizar a própria vida e diluir a fronteira que nos separa da barbárie. Falamos de direitos universais para que o mal não atinja todos. É quase um gesto de egoísmo, pois significa que qualquer relativização de direitos humanos é uma maneira de eu despertar o ovo da serpente, liberar a violência de aparatos repressores que, historicamente, deixam de reconhecer contenção. Ao defender a dignidade básica como valor universal, eu abro uma brecha na represa do ódio que, com certeza, vai encontrando novos espaços para fluir. Em nenhum momento isso significa defesa do crime. Toda a sociedade deve ser implacável na prisão e julgamento de criminosos comprovados. Lutar contra o mal é lutar contra o conceito em todas as instâncias, desde o criminoso em si até o das forças policiais e do Estado. O relativismo no campo da lei cria monstros e é a gênese de todo fascismo.

Interessante Karnal falar de relativização dos direitos humanos e da lei.

Como a DUDH, enquanto declaração de direitos civis, é um documento focado no indivíduo e declara os direitos do indivíduo, é também um documento de proteção contra o coletivismo, contra a imposição de valores e crenças, seja de minorias ou de maiorias.

E os grupos coletivistas, dos quais Karnal faz parte, ainda que de forma indireta, relativizam a DUDH o tempo inteiro.

Vejamos.

Artigo 19: Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão; esse direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.

O que falar da liberdade de apoiar e votar no Bolsonaro, da liberdade de ser contra a ideologia de gênero, da liberdade para defender a escola sem partido, ou mesmo da liberdade de querer criar sua família dentro de uma religião?

 

E quando alguém profere uma ideia contrária à hegemonia moral politicamente correta e ouve “nazista”, “fascista”, “machista”, “capitão do mato” etc.? Isso acontece todos os dias.

Como essas clássicas atitudes do “debate e da luta política” se coadunam com os direitos humanos previstos na declaração?

E aqui não cabe dizer que “o outro lado também faz”, pois o criminoso também agride os direitos humanos, mas o coletivista defende que a sociedade não agrida os direitos humanos desse criminoso em resposta.

Dessa forma o coletivista não pode justificar seus ataques morais contra os “ignorantes, fascistas e nazistas” da “direita nacional”, alegando um justo revide.  Se não há justo revide contra estupradores e latrocidas, certamente não haverá contra quem tem opinião diversa, por pior que pareça, e que não é crime.

O descumprimento do artigo 19 é altamente opressivo em nossa sociedade, a “criminalização da opinião” virou regra nos debates das redes sociais. Pessoas são escorraçadas por opiniões política e ideologicamente não alinhadas à hegemonia moral politicamente correta, e Karnal não é diferente. Basta ver os vídeos com as opiniões dele sobre quem defende o “Escola sem Partido”. Não há argumento, apenas xingamento e desprezo pela opinião alheia. Além de evidente arrogância.

E o artigo 26, que diz que os pais têm prioridade de direito na escolha do tipo de instrução que será ministrada a seus filhos?

Esse direito humano vale ser lembrado sem tradução. Do original em inglês: “(3) Parents have a prior right to choose the kind of education that shall be given to their children.

Como se dá o respeito a esse artigo quando Karnal manifesta-se agressivamente contra a ofensiva dos pais que querem lutar contra a ideologia na escola (escola sem partido), que nada mais é do que querer garantir aos filhos uma educação escolhida por eles próprios, os pais, como está EXPLÍCITO na DUDH?

Como isso se coaduna com a base nacional curricular, como os pais terão a prioridade se alguns burocratas com valores desconhecidos pelos pais vão decidir sobre o tipo de educação que seus filhos terão?

Ainda que você defenda a BNCC e a ideologia na escola, é direito seu e posso respeitar sua opinião, é evidente que lutar contra isso NÃO é fascismo, obscurantismo, nazismo, é, tão somente, lutar por um direito humano previsto na DUDH.

E quando o artigo 16 afirma que: A família é o elemento natural e fundamental da sociedade e tem direito à proteção desta e do Estado?

Essa família deve ser protegida pela sociedade e pelo Estado como elemento natural e fundamental da sociedade. Como funciona esse direito humano fundamental com as doutrinas que querem destruir a família tradicional?

Lutar pelo seu direito à formação de uma família não-tradicional é uma coisa, plenamente justificável, mas lutar para destruir o modelo tradicional é infração (ou relativização) aos direitos humanos.

E o maravilhoso artigo 17, que diz que todo ser humano tem direito à propriedade e que ninguém será arbitrariamente privado de sua propriedade.

Como funciona esse direito fundamental na doutrina marxista de luta de classes, na doutrina das esquerdas latino-americanos, na defesa de Cuba e Venezuela, nos planos do MST e do MTST etc.?

Eu pergunto: Essas atitudes não configuram flexibilização dos artigos da declaração dos direitos humanos?

Com a devida vênia, a DUDH é relativizada com frequência, principalmente por quem mais se diz defensor de direitos humanos.

E isso é fácil de explicar. O coletivista só assume como direitos humanos, o direito da coletividade que ele representa. Quando a DUDH proclama direitos do indivíduo e da família, que não são classes protegidas, o coletivista ignora solenemente a declaração.

Não há qualquer dúvida que os coletivistas, progressistas e as pessoas que querem cercear as liberdades individuais em suposta proteção a minorias (a hegemonia moral do politicamente correto é isso), relativizam amplamente partes da DUDH quando lhes é interessante.

E a outra parte, que proclama direito à dignidade no trabalho, na saúde, economia etc., é amplamente distorcida pelo coletivista. Vejamos.

Artigos que proclamam o direito à dignidade humana

Já vimos que grande parte da DUDH trata de direitos do indivíduo e da família, direitos estes que deveriam ser garantidos pelo Estado Moderno. Ou seja, são um reconhecimento de obrigação do Estado para com o indivíduo.

Alguns artigos da DUDH declaram outras obrigações do Estado e da comunidade internacional, especificamente sobre os direitos sociais, culturais e econômicos.

O artigo 22 é base para os direitos detalhados nos artigos 23 a 27, que falam de direito a repouso, à educação fundamental básica gratuita, salário digno, seguridade social, seguro desemprego etc., diz ele:

Artigo 22 – Toda a pessoa, como membro da sociedade, tem direito à segurança social; e pode legitimamente exigir a satisfação dos direitos econômicos, sociais e culturais indispensáveis, graças ao esforço nacional e à cooperação internacional, de harmonia com a organização e os recursos de cada país

Apesar de garantir o direito de exigir direitos econômicos, sociais e culturais, a declaração não é irresponsável, pois também associa esses direitos às possibilidades e recursos do país.

Nos artigos seguintes, trata de direitos econômicos e sociais que, pelo artigo 22 , precisam estar de acordo com os recursos do país.

Declara-se que não deve haver discriminação nos salários, que deveriam ser garantidas férias pagas e o lazer, que todos deveriam ter um padrão de vida que garantisse a dignidade humana e que todos deveriam ter acesso a uma rede de proteção social que envolve segurança, saúde e previdência (seguro contra fatalidades).

No artigo 26, é direito humano a educação básica gratuita. Já a profissionalizante deverá ser garantida aos que se interessam, de acordo com o seu mérito.

Rede de proteção social não significa criar um povo dependente do Estado.

A declaração indica que um determinado padrão de dignidade humana é desejável, mas não é irresponsável a ponto de indicar os caminhos econômicos para esse feito. Não demoniza ou preconiza qualquer método de produção ou de geração de riqueza. Não é anti-capitalista, não mesmo. Nem poderia ser, protegendo o indivíduo, a família, a propriedade, o direito e os contratos.

O regime de plena atenção aos direitos humanos é o ambiente perfeito para o modo de produção capitalista. Salários dignos significam mais receitas e lucros, portanto mais remuneração do capital e investimento. Só um tolo acha que um acionista prefere que sua empresa venda menos por motivos ideológicos. Isso é non sense.

Mas o coletivista entende a DUDH como um argumento de luta, como um instrumento para acusar qualquer situação de desequilíbrio ou de pobreza como um descumprimento de direitos humanos básicos.

É uma ótica conveniente, porém errada, pois se esquece de que os direitos econômicos e sociais derivam do esforço nacional, do tipo de organização e dos recursos de cada país. Segundo a própria declaração dos direitos humanos.

Ou seja, não vêm de graça. Nunca vêm de graça.

Mas infelizmente garante discurso a quem crê que o direito prevalece, mesmo quando é inviável, infactível ou impossível. Ou até quando é indesejável.

A crença no direito, independente da sua factibilidade, é um entrave à formação de riqueza e à sabedoria.

Pessoalmente entendo ser necessário o desenvolvimento de uma rede de proteção social. Eu prefiro viver em um país em que as políticas públicas procurem equilibrar e harmonizar o desequilíbrio natural das relações humanas (são desiguais, pois somos desiguais). Essa é minha opinião.

Porém entendo que os indivíduos deveriam ser estimulados a NÃO DEPENDER dessa rede de proteção, a não contar com ela. Ela representa um ideal de proteção e seguridade, mas nada tem a ver com prosperidade ou liberdade. É tolice achar que o Estado poderá prover tudo para você atingir sua plenitude como ser humano. Jamais poderá.

A experiência, de todos os países e de todos os povos, mostra que o espírito empreendedor encontra as soluções para os problemas que aparecem diante de si e dos seus, mas o espírito coletivista tende a esperar por uma solução “de sistema”, que resolva tudo, todas as estruturas.

E, infelizmente, morre sem ver a solução “perfeita” e definitiva, enquanto poderia ter vivido em busca de soluções imperfeitas, mas funcionais, honestas e gratificantes.

Nesse ponto, o coletivista distorce o objetivo da DUDH, organizando a sociedade para cobrar os direitos sócio-econômicos, sem qualquer preocupação com a organização e os recursos de cada país.

E, por isso, fracassa. Fracassa com o país e, principalmente, com as pessoas a quem pretende proteger. Por isso os pobres salvos nos últimos anos não deixaram de ser pobres. O coletivista fracassou com eles, pois fracassou em gerar riqueza (e também em distribuí-la).

Enfim…

É possível compreender a Declaração Universal dos Direitos Humanos como sendo um documento de respeito ao indivíduo e à família, de proteção à propriedade e à opinião, de priorização dos pais na escolha da educação dos filhos, de reconhecimento da família como célula primordial da sociedade, isso tudo é muito claro e explícito.

E, infelizmente, são temas amplamente flexibilizados pelos coletivistas, que se autoproclamam os maiores defensores dos direitos humanos.

E também é possível compreender a DUDH como documento de estímulo à criação de redes de proteção social nos países, SEMPRE em harmonia com as condições econômicas e estruturais daquele país.

Nesse ponto, a principal distinção entre liberais e coletivistas, é que liberais entendem que essas redes de proteção social JAMAIS poderiam levar o indivíduo à dependência do Estado, pois resta evidente que depender de um ente terceiro para sua subsistência está longe de ser uma ideia razoável de liberdade. Lembremo-nos que a família é a célula a se proteger, portanto não deve ser aprisionada, não deve ser dependente. Dependência não é liberdade, é apenas uma das formas de aprisionamento. Melhor depender de si, com a proteção do direito.

Já o coletivista entende que o Estado é o único que pode “resolver” as contradições estruturais do capitalismo, portanto, não só as pessoas mais pobres devem depender do Estado, como também as mais ricas. Os governos totalitários são assim, mesmo os que permitem a propriedade privada e o empreendimento, acabam dando um jeito de fazer o empreendedor mendigar ajuda estatal.

Aliás, não foi muito diferente do que aconteceu no Brasil nos últimos 15 anos (e até antes). Coletivistas não suportam a vitória obtida sem apoio do Estado, por isso a subserviência da elite empresarial brasileira a um modelo corrupto de governança. Infelizmente os coletivistas no poder não deixam opção, ou está do lado do Estado, ou não compete.

Dessa maneira eu posso afirmar, com tranquilidade, que aceito viver sob os preceitos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, sem relativizá-los, seria bastante confortável para mim, pois não desrespeita nenhum fundamento do livre empreendimento, da sociedade contratual e da manutenção da lei e da ordem.

Um mundo em que a DUDH é respeitada é um mundo racional, é um ambiente perfeito para o capitalismo.

Mas os coletivistas não podem dizer o mesmo. E realmente não respeitam a DUDH, ou a entendem apenas no que lhes é conveniente.

Por que Karnal afirma que não relativiza os direitos humanos, mas age em desacordo com essa afirmação?

É super simples de entender.

Karnal é um pensador/filósofo “do bem”. Isso significa que precisa se posicionar do lado de uma moralidade absoluta e indiscutível. Do lado da “verdade”.

Mas essa é uma ideia e uma expectativa tola e irreal. Karnal, e qualquer pessoa, apenas se posiciona de acordo com uma determinada moralidade, nunca do lado da “verdade”. Isso é o ápice da arrogância, crer que sua opinião é a moralidade suprema, a verdade e o caminho a seguir. Só aceitaria isso de um profeta, mas isso se dá no campo do mistério e da imaterialidade. Na religião.

Filósofos e pensadores de verdade assumem seu lado da moralidade e o defendem. Não tem a expectativa irracional de estar certo, de forma absoluta, apenas consideram que suas ideias são virtuosas, nunca perfeitas, mas defensáveis e merecedoras de difusão e publicidade.

É assim com Rogers Scruton, Jordan Peterson e Thedore Dalrymple. São pensadores conservadores que apenas defendem sua posição na moralidade.

Karnal, e a maioria dos coletivistas, seriam muito mais felizes se assumissem que apenas defendem um determinado modelo de moralidade, e não moralidade absoluta.

Ficaria muito mais divertido ver Karnal assumir que relativiza vários direitos humanos e defender esse ponto de vista. Ao se posicionar do lado “do bem”, Karnal apenas demonstrou inconsistência e incoerência entre a visão que faz de si, e seus próprios atos.

E isso, apesar de toda a erudição e capacidade oratória, faz dele um pensador menor, inconsistente e incoerente.

Mas, claro, é só minha opinião. Apenas meu entendimento de como são as coisas. Nada mais do que isso. Não confundir com a verdade, por favor.

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O fim do capitalismo? Tem gente se esforçando para isso, e não são marxistas.

Posted on 02/04/2018. Filed under: Finanças, Matemática, Política | Tags:, , |

Nesse breve vídeo falo daquela que é, provavelmente, a maior e mais perigosa disfunção da história do capitalismo moderno.

A atuação dos bancos centrais está colocando em risco todo o sistema capitalista, distorcendo as relações de risco e retorno e comprometendo a poupança das gerações futuras.

Os 3 elementos.

O capitalismo precisa de 3 elementos básicos para existir. Na verdade, na presença desses 3 elementos ele surge naturalmente. Sempre foi assim, e sempre será.

Precisa de respeito ao contrato de proteção à propriedade privada, precisa de respeito ao contrato de proteção à livre iniciativa e, mais importante, precisa de escassez.

É isso mesmo, sem escassez, não há capitalismo. Não há por que nos organizarmos para produzir se todos têm o que precisam, a qualquer tempo e a qualquer hora.

Como os marxistas querem acabar com o capitalismo?

Não é o tema desse vídeo, mas os marxistas seguem uma profecia do fim do capitalismo, onde haverá uma sociedade em que todos trabalham o que podem, e recebem o que precisam. Se eu posso 10 vezes mais e preciso 10 vezes menos, minha recompensa será 100 vezes menor que o meu trabalho. E o homem da profecia marxista estará feliz com isso.

Como esse homem não existe, os sistemas baseados na filosofia marxista entendem que precisam mudar a humanidade. Como querem algo anti-natural, acaba-se por praticar atrocidades nas populações sob regimes marxistas. Mudar o homem na marra, essa é a solução para acabar com a escassez. Se ninguém quer nada, não há escassez, portanto não há capitalismo. Simples (e sangrento) assim.

Se fosse uma religião eu poderia entender, mas como sistema político-social-econômico, acaba se tornando altamente opressivo.

Já o capitalismo busca acabar com a escassez produzindo mais, melhor e mais barato. Demora, mas um celular já custou 50.000 dólares e hoje está nos bolsos de moçambicanos e senegaleses paupérrimos.

Os bancos centrais acabaram com a escassez de capital. E isso é PÉSSIMO para o capitalismo.

Veja no vídeo abaixo.

 

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Por que nossas aposentadorias estão em risco?

Posted on 24/03/2018. Filed under: Administração, Finanças, Política |

Prezados,

Lanço uma série de 7 vídeos sobre as questões que devem colocar em risco as aposentadorias dos brasileiros.

Não é um debate sobre déficit ou não, mas de como a organização de nosso país, de nossa economia, nos leva, invariavelmente, à pobreza.

E de como você, seus filhos e seus netos podem evitar essas armadilhas anti-mercado, anti-riqueza, anti-prosperidade.

Infelizmente os brasileiros recebem um “treinamento” anti-mercado, e passam a vida acreditando estar do lado certo da moral, mas estão amplamente equivocados, prejudicando a si mesmos e, principalmente, as futuras gerações.

Vamos entender as farsas que ensinaram a nós e ensinam a nossos filhos e netos.

Os objetivos da série de palestras são:

1- Mostrar como a ideologia tem atrapalhado os brasileiros, mesmo aqueles com disponibilidade financeira, a prosperar e não depender do Estado para garantir sua aposentadoria.
2- Mostrar o seu papel no Mercado de Capitais. Ele quer, e sempre quis, você. Por que o brasileiro nunca atendeu a esse chamado?
3- Mostrar qual a relação dos mercados financeiros e dos sistemas de aposentadoria ao redor do mundo.
4- Ensinar a identificar as falácias ideológicas e os mitos que nos afastam de uma vida financeira próspera e digna.

Série: O Mercado de Ações e Você. Como fugir dos mitos e ideologias e planejar sua aposentadoria. 

Vídeo 1: Introdução e apresentação dos objetivos.

 

Vídeo 2:  Mitologias empobrecedoras: A demonização da propriedade privada (dos outros).

– Neste vídeo abordo o mito que envolve a demonização da propriedade privada.
– Ao contrário do que prega a ideologia coletivista (marxiana), o conceito de propriedade privada, base fundamental do sistema capitalista, é anterior a toda organização social, até mesmo ao conceito de tempo, de valor e de preço. É parte indivisível da natureza humana.
– O coletivismo, sistema de pensamento ao qual a maioria dos políticos brasileiros presta devoção, busca concentrar o máximo de direitos de propriedade nas mãos do Estado.
– E isso, claro, empobrece a todos. Exceto a quem está no poder.

 

Vídeo 3:  Mitologias empobrecedoras: A história das taxas de juros, da acumulação de riqueza e do preço das coisas.

– Taxas de juros são medidas de equilíbrio entre o interesse das pessoas, poupadores, consumidores e investidores.
– Não é invenção do capitalismo financeiro, existe há pelo menos 5.000 anos.
– Acumulação de capital não existe ou, pelo menos, não funciona como você pensa. E é bem fácil entender os motivos.
A organização social em torno do capitalismo é uma resposta aos interesses dos próprios participantes dessa sociedade.
– Não se deve cair na falácia de associar o capitalismo à revolução industrial. Quando a mesma aconteceu, os pilares do sistema e do fluxo de capitais e interesses já existia há milhares de anos.

 

Vídeo 4: A grande farsa da superestrutura capitalista. O conceito de liberdade.

– Neste vídeo abordo os motivos pelos quais pessoas que têm ideologia contrária e hostil ao capitalismo tratam os seus oponentes ideológicos com desprezo.
– Partem de uma crença exótica de que “os outros” vivem sob um superestrutura determinística capitalista, todos seriam escravos de valores de produção e consumo.
– É uma grande farsa, pois não há nada oculto ou misterioso sobre o sistema capitalista. É até bem transparente. Não esconde nenhum de seus objetivos. Ao contrário, faz até propaganda de seus interesses. Só se engana quem quer.
– Mas, infelizmente, esse discurso existe e influencia milhões de jovens em nosso país, que acreditam ser “livres”, mas, na verdade, são apenas escravos de um outro sistema de pensamento. Um sistema confuso, inconsistente e empobrecedor. E ainda mais aprisionante.

 

Vídeo 5: O sistema capitalista é excludente para quem faz questão de se excluir. Trabalhadores americanos e europeus são “donos” de empresas brasileiras, dependem delas para suas aposentadorias, mas as nossas poupanças estão nas mãos do Estado.

– Para que o sistema de produção e de fluxo capitalista progrida, ao contrário do que dizem as ideologias coletivistas, ele precisa de todos, não só no papel de consumidores, mas também como credores e acionistas.
– As leis de sociedades anônimas, há alguns séculos, estabelecem as regras e proteções aos pequenos investidores, pois o objetivo do sistema é contar também com esse capital pulverizado.
– E funciona muitíssimo bem, exceto para quem demoniza o sistema. Aí nada funciona.

 

Vídeo 6: A inacreditável máquina de destruir dinheiro do INSS. Entenda como funciona o sistema de aposentadorias que impuseram a você, e como ele é empobrecedor, sob todos os aspectos.

– Como é o sistema de aposentadorias no Brasil e no resto do mundo.
– Por que nosso sistema é altamente empobrecedor, tanto para os indivíduos quanto para o próprio país?
– Para onde vai o dinheiro que nós e nossos empregadores “investimos” no INSS?
– Como a estrutura atual drena praticamente todos os recursos de poupança dos brasileiros, incha o Estado e destrói valor.
– Dá para sair dessa?

 

Vídeo 7: O sistema de aposentadorias do servidor público, o maior e mais longevo esquema Ponzi da história. Você é uma vítima, aprenda a se proteger dessa grande armadilha. E a conhecer o vilão.

– O sistema de aposentadorias de servidores públicos é ainda mais empobrecedor, tanto para o indivíduo quanto para a nação. Os servidores ainda não sentiram isso, porque é um esquema Ponzi, ganha muito quem entra primeiro, leva prejuízo quem fica por último.
– Quais os riscos desse sistema?
– Quais os principais problemas, tanto para o servidor quanto para o país.
– Como sair dessa armadilha de empobrecimento?

 

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  • Disclaimer

    Este blog é um ambiente privado para expor opiniões, estudos, reflexões e comentários sobre assuntos ligados a finanças, bolsa de valores, economia, política, música, humor e outros temas.

    Seus objetivos são educacionais ou recreativos, não configurando sob nenhuma hipótese recomendação de investimento.

    O investidor consciente deve tomar decisões com base em suas próprias crenças e premissas. Tudo que lê ou ouve pode ser levado em consideração, mas a decisão de investimento é sempre pessoal. Tanto na escolha de ações para carteira própria, quanto na escolha de gestores profissionais para terceirização da gestão.

    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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