Finanças

O desastre de maio: Henrique “Mantega” Meirelles e Michel Temer “Rousseff” Lulia.

Posted on 30/06/2017. Filed under: Finanças |

Ontem (29.06.2017), ouvindo a CBN, começou uma propaganda da Petrobras, falando sobre a reestruturação da empresa. Não acho legal fazer propaganda institucional que não “vende” alguma coisa, parece desperdício de dinheiro, mas como a empresa estava muito desacreditada, compreendi a situação.

Ao final ouvi: “Petrobras, Governo Federal”. Qual é a lógica de fazer uma propaganda da empresa, para exaltar o controlador? Seria o mesmo que, há alguns anos, a Oi lançar a seguinte peça: “Venha para a Oi e obtenha 50% de desconto no primeiro ano de assinatura. Grupo Jereissati”ou o Itaú: “Juros mais baixos no cartão de crédito Personalité. Família Setúbal”.

Mesmíssima palhaçada que víamos e ouvíamos nos tempos de Inácio e Rousseff.

Ocultaram o resultado das contas públicas?

Não tinha conseguido ler o resultado das contas públicas de maio, que prometia ser absolutamente desastroso. Ouvi a CBN por mais de 1:30h e nada. Ao final do programa, perto das 19:00, Sardenberg citou que o déficit de maio foi recorde. Mas não elaborou nada, não chegou SEQUER a falar os números globais. Não citou número algum.

Aquelas chamadas de 30 em 30 minutos, que falam das principais notícias, não falaram NEM do próprio déficit, quiçá dos valores.

Por que ignorar algo tão estrondosamente desastroso?

Não sei se faz parte de algum pacote publicitário evitar alarde sobre notícias verdadeiramente ruins para a economia, que poderiam deixar os brasileiros e o empresariado mais pessimistas.

Mas a atitude frágil de Meirelles, diante de um desastre sem precedentes (já vou mostrar), mostra que estão querendo dourar a pílula até onde der.

O objetivo, assumido por Meirelles, de cumprir a meta de déficit, custe o que custar, a julgar pelos dados de maio e dos primeiros 5 meses de 2017, beira a irresponsabilidade. Vamos chegar em setembro sem saber onde cortar. Já há contingenciamento em gastos obrigatórios.

Já não é a primeira vez que Meirelles dá uma “Mantegada” nos dados econômicos. A comemoração do “fim da recessão”, com o tal aumento de 1% no PIB. Não há o que comemorar, principalmente porque a comparação é com o quarto trimestre dessazonalizado de 2016.

Se formos comparar com o primeiro trimestre de 2016, quando era Dilma ainda no comando, um caos na economia e ainda mais incerteza na política, com o petróleo a US$ 30 , dólar a R$ 4,00 e vários outros elementos horríveis, nossa economia CAIU 0,4%.

Isso mesmo. O primeiro trimestre de Temer perde para um primeiro trimestre ridículo, ainda sob o comando de Dilma.

O que há a comemorar, ministro?

Em mais uma “Mantegada”, o governo do Rio manobrou para aprovar um teto de gastos com base em 2015, ano de gastança generalizada, em vez de usar o ano de 2016, em que não havia o que gastar. Isso só foi feito por pressão do judiciário e do legislativo do Rio, que não queriam ficar restritos em seus orçamentos.

Ao que tudo indica, Meirelles vai topar essa manobra, e abrir os cofres para o Rio, os jornais do Rio só noticiam isso. Porteira que passa boi, passa uma boiada, virão outros, sedentos pelas mesmas benesses.

Vai pagar como ministro?

O desastre de maio

Todos já sabiam da queda da arrecadação em maio, mas o mercado errou FEIO a perspectiva de déficit para o mês. Estimavam entre R$ 12 bi e R$ 27,7 bi, na média R$ 19 bi.

E o que ocorreu? Impressionantes R$ 29,4 bilhões de déficit primário (sem contar os juros) para o mês de maio, o pior da história e acima da expectativa mais pessimista do mercado.

Não surpreende que não se queira alardear esses dados. Mas o Correio Brasiliense fez uma boa matéria sobre o assunto, que resumo para vocês a seguir.

Nossa meta fiscal desse ano é de R$ 139 bilhões de déficit, o que em si já é um vexame, mas conseguimos atingir inacreditáveis R$ 167,6 bilhões nos últimos 12 meses, terminados em maio.

O aumento das despesas em maio foi de 12%, a queda na receita foi de 1,6% em maio.

O que está acontecendo com as contas públicas, ministro? Não há investimento, não há receita, não há crescimento, só há buraco e crescimento de despesas.

A “expectativa” da secretária do Tesouro Nacional é de que os déficits sejam menores no futuro. Com base em quê?

Não bastam as “receitas extraordinárias”, que também estão difíceis de sair, pois o patamar de despesas não deve ceder, ou seja, se já estamos em 11,8% de alta com pessoal até aqui, mais 7,2% com benefícios previdenciários, não deve haver redução nestas rubricas nos próximos meses (comparando com o ano passado), principalmente porque, como se verá na tabela abaixo, não há muito espaço para reduzir ainda mais o investimento, já está mínimo.

Mantega?

O que me aborrece não é o resultado, mas a “Mantegada”, a falta de responsabilidade de assumir que, já em maio, comprometemos de morte a péssima meta estabelecida.

Ao fazer isso, ao tergiversar e transmitir mensagens tranquilizadores, nossos congressistas pensam que a situação não é urgente, que dá para empurrar com a barriga e barganhar um troquinho em apoio a Temer e às reformas, até o momento, pífias.

2018 é ano de eleição. É ano que não se corta nada, ao contrário, se gasta para garantir a reeleição.

Estamos próximos a um turning point, um momento em que, de manada, os investidores podem começar a desacreditar até em Meirelles e, por consequência, no próprio país. Se esse momento chegar, não haverá para onde correr, nem a tão sonhada redução de juros vai se manter. Vai fazer o quê, chamar o Armínio, ex-futuro-ministro de Aécio Neves?

Meirelles e sua equipe são o último fiapo de esperança dos donos do dinheiro mundial (e precisamos deles desesperadamente), caso se rompa, não vejo alternativa para recuperação da confiança.

Esperava menos “política” e mais economia de Meirelles.

Mansueto, corre daí…

Ps. Ao terminar essas mal traçadas linhas, vejo que o STF respondeu ao pedido de prisão de Aécio, não só negando, como mandando voltar ao Senado. E também que Fachin mandou soltar Rocha Loures.

Não me surpreenderia se grande parte dessa frustração de receitas seja de gente revoltada por pagar impostos, que faz questão de reduzir seu pacote de consumo ou evitar investir, para não municiar um bando de políticos e togados inconsequentes.

É quase um dever patriótico no Brasil tirar dinheiro dessa súcia que nos governa. Acho que a única solução vai ser deixar quebrar essa bodega, só assim para acabar com a mamata e a cara de pau.

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Por que não devemos temer Lula?

Posted on 23/06/2017. Filed under: Finanças |

É absolutamente inequívoco que Joesley sabe muito contra Lula e outros políticos, mas limitou-se, por enquanto, ao que atinge Temer, Aécio e satélites do PT e PMDB. Até Cunha está “jogando no ventilador”, confessando encontros suspeitíssimos (Cunha, Joesley e Lula em março de 2016? É assustador) provavelmente para forçar o STF a rever o acordo de delação.

É um tiro que pode sair pela culatra, pois se Joesley se julgar traído pela justiça brasileira, certamente fará um acordo semelhante nos EUA e entregará cada mísero detalhe da corrupção que ajudou a montar e irrigar.

Temer e seu ministro da justiça podem até estar torcendo por isso, mas um bilionário acuado, com 95% dos segredos ainda não revelados, e tentando manter seu negócio nos EUA, poderá deixar metade dos políticos brasileiros sem poder pisar em solo americano, quiçá sair do país. Rato acuado enfrenta leão.

É bom esses tupiniquins de colarinho branco lembrarem que o petrolão só explodiu depois que a auditoria independente da Petrobras se recusou a assinar o balanço, com receio das represálias violentas que poderiam sofrer nos EUA. É sujeira demais para pouco tapete, não será indolor.

Voltando a Lula

Mas, pelo que vejo, a principal vertente das teorias sobre a motivação de Janot e Fachin é a que estes estariam preparando o terreno para uma antecipação das eleições, dando espaço para Lula se candidatar. E pelo histórico medonho de Fachin de apoio ideológico ao PT e à Dilma Rousseff, não tiro o mérito da teoria.

Mas ninguém deveria ter medo de Lula candidato em eleições diretas, nem agora, nem em 2018 e nem nunca mais. Seus seguidores fiéis, aqueles que votariam nele mesmo se fosse filmado estuprando uma criança, talvez consigam um piso de 15% a 20% em majoritárias nacionais, mas Lula precisaria de mais, e não tem de onde tirar. Explico.

Lula é um ilusionista, um prestidigitador. Lula só funciona quando consegue emplacar um sistema de propaganda para disseminar as narrativas que lhe convém. E isso não depende só dele, depende, e muito, das circunstâncias.

Em 1989, 1994 e 1998 ele tentou isso. Como o representante dos trabalhadores (mesmo sem trabalhar), contra a elite, contra a Globo, contra o sistema financeiro, contra os EUA etc.. Deu completamente errado, perdeu primeiro para um neófito combatente de funcionários públicos abastados (marajás) em 1989, depois perdeu para o Plano Real em 1994, que tinha poucos meses de implantação e ninguém sabia se iria dar certo, e em 1998 para uma mínima sensação de bem-estar e riqueza, produzida pela queda da inflação, pelo frango a R$ 1,00 e pelo dólar baixo (artificialmente). E essas duas últimas, perdeu no primeiro turno.

Em 2002, 2006, 2010 e 2014 conseguiu sucesso na construção de narrativas. Mas as circunstâncias foram mudando. Muito.

Em 2002 iria perder a eleição, até que alguém resolveu forçá-lo a assinar uma carta de compromisso com a estabilidade. E, como não é burro, narrativas à parte, ao ser eleito continuou com a austeridade, quase que de forma intocada, durante 6 a 7 anos, no período mais longo sem crises, internas e externas (salvo o soluço do mensalão), da história recente do país.

Lula teve a faca e o queijo nas mãos para organizar o país de forma a manter seu grupo no poder por mais 30 anos. Não faltaram propostas, inclusive, e principalmente, de petistas em quem ele confiava, para mirarmos o déficit nominal ZERO.

Mas Lula é escravo da narrativa. Para ele, o mundo que facilita o discurso é mais interessante do que o mundo real. E ele se perdeu da realidade entre 2008 e 2010, ao assumir a narrativa da marolinha e conduzir todo o futuro do Brasil para “provar”que a crise não nos atingiria.

Repetiu as políticas de Andreazza e Delfim no início da década de 1980, quando expulsaram Mário Henrique Simonsen do governo e convenceram os militares de que conseguiríamos nadar da contramão da austeridade mundial. Tivemos uma década perdida lá, aqui teremos, possivelmente, 2 décadas perdidas.

Tudo para manter a narrativa triunfalista de PACs, Pré-sal, política contracíclica, MCMV, bolsas, revolução cultural, universidade para todos (Lula viaja até hoje no jatinho do dono da Kroton), Indústria Naval forte, Crédito farto para todos e muita retórica bonita que causou desarranjo fiscal severo nas contas dos governos. O Rio de Janeiro é só o primeiro a mostrar os efeitos mais devastadores desse desarranjo.

Os adversários.

A eleição de Dilma em 2014 nos remete a outro problema que garantiu a Lula ser eleito e manter seu sucessor, mesmo em situações adversas. Os adversários. Não vou tratar da fragilidade intelectual e moral de Aécio, Alckmin, Serra e outros, mas apenas demonstrar que eles não representam, em absoluto, os valores básicos dos brasileiros.

Dizer que o brasileiro gosta de governo grande é uma meia-verdade, pois gostar de receber benesses dos governos não é privilégio do brasileiro. Quando a Suíça fez um referendo sobre um salário mínimo a ser pago pelo governo de 6.000 euros por mês, 60% da população foi contra. Mas tinha 40% querendo a mamata. Não é privilégio de brasileiro querer um quinhão do orçamento público.

Existe o outro lado também, a parte do brasileiro que ODEIA o governo e o Estado. É a parte do brasileiro que tenta empreender, que tem que deixar 50% de sua renda em impostos, que não consegue andar nas ruas sem medo, que detesta políticas frouxas contra criminosos, que fica anos esperando uma cirurgia de catarata, que paga 3 vezes mais caro por bens acessíveis a todos em países desenvolvidos, que leva 30 anos para ter esgoto tratado, 20 anos para ter um metrô só esperando até que os políticos possam dividir a propina etc.

O brasileiro médio tem muito mais motivos para detestar um estado intrometido e musculoso do que para adorá-lo. Principalmente se não estiver nas castas privilegiadas.

Além disso, o brasileiro é, em sua maioria, um povo conservador, de modos simples e pensamento direto. Essas sofisticações de esquerda (PSDB é de esquerda, enrustida, mas é) funcionam como poesia econômica, mas o povo não entende nada disso. E não entende porque não é para entender mesmo, pois não faz sentido algum.

Para que ter medo de Lula em 2018?

Lula vai precisar adotar um discurso para 2018. Como ele vai conciliar o estado de completa destruição orçamentária do Brasil com sua narrativa de salvador da pátria?

Uma coisa é certa. O discurso incendiário de 1989 não o levará nem para o segundo turno. Mirar no sistema financeiro, nos rentistas, na renegociação da dívida, na baixa dos juros na marra, no aumento do gasto público, aumento de concursos etc., não funcionou NUNCA para Lula, mesmo quando poderia funcionar.

Esse discurso é inviável por conta de uma característica simples do cálculo financeiro. Investidores compram “valor presente de fluxos futuros”, se há uma perspectiva de que um candidato lhes tirará esse fluxo futuro, ou o reduzirá bastante, tudo se refletirá HOJE. Isso significa que praticamente TUDO vai explodir. Juros nas alturas (juro não é vontade política, é resultado de leilão), dólar em 6 reais, calotes generalizados nas dívidas das empresas e risco iminente de calote na dívida mobiliária interna. A semelhança com 2002 não será mera coincidência.

E esse desastre não vai esperar para acontecer em 2022, mas ocorrerá já em meados de 2018, bastando Lula ter alguma chance e os adversários continuarem fraquíssimos como foram em outras eleições.

Outro ponto, com esse discurso quem vai financiar o partido e a campanha? Os sindicatos de metalúrgicos da Alemanha Oriental, o ouro de Berlim, os petrodólares de Chávez, os pesos cubanos, as contas bloqueadas com o dinheiro da corrupção ou Jack Sparrow?

Ou será que Lula reencarnará o “paz e amor” e defenderá as reformas da previdência e trabalhista, a austeridade, o respeito aos contratos e a redução do gasto público?

Fica difícil de saber em que situação ele perderia mais votos, se assumindo o discurso de sua militância ou traindo seus devotos.

De novo,  os adversários.

Outra questão nova em 2018 serão as narrativas de contrapropaganda e os interlocutores.

Nunca houve debate político no Brasil, apenas diferentes matizes da mesma verve totalitária de esquerda, sempre em direção ao massacre dos direitos dos indivíduos em nome de um INEXISTENTE direito do povo e da coletividade. Direito da coletividade é um eufemismo teórico que serve apenas ao propósito de impor severas restrições aos direitos dos indivíduos. No Brasil esse modelo imperou e proliferou, principalmente a partir da constituição de 1988, aquela que garantia os direitos na canetada.

Isso acabou. Esse debate político monocromático, em 50 tons de vermelho, acabou. Haverá discurso para todo gosto em 2018. Desde aqueles fortemente armamentistas, que já em 2003 no estatuto do desarmamento representava 70% dos brasileiros, hoje talvez atinja 80% ou mais, até os radicalismos antiestatais.

Todos esses discursos são melhores e mais aderentes à verdadeira característica do povo brasileiro do que as narrativas de Lula.

É tolice achar que o brasileiro é de esquerda só porque curte receber dinheiro do estado. Ele pode curtir e ser de direita. Mas todos se encontram no mesmo lugar, detestam burocracia, detestam pagar impostos excessivos, detestam impunidade, odeiam a bandidagem e consideram os serviços públicos péssimos e muitíssimo piores do que os serviços privados.

Quem acompanhou os debates em SP viu que João Dória foi atacado com todas as falácias clássicas da esquerda, procuraram elitizá-lo, ele aceitou de bom grado, criticaram sua casa de milhões, ele disse que era dinheiro de trabalho, nada colou, saiu de 2% para a vitória no primeiro turno, CONTRA SEU PRÓPRIO partido, ou boa parte dele.

É improvável que Lula vença os debates com suas antigas armas, seja com Dória, Bolsonaro ou derivações, sem a proteção do esgarçado kevlar do politicamente correto.

De que adianta chamar alguém de armamentista, militarista etc., se ele se assumir assim, defender suas posições e estiver em consonância com grande parte do eleitorado?

Lula, e seus postes, precisam de um borra-botas da esquerda enrustida, acuado, para vencer. Foi assim com Alckmin, Marina, Aécio, Serra etc.

Se as pessoas não acharem loucura os discursos agressivos contra a bandidagem, não adianta invocar estatuto de direitos humanos ou o ECA para combater o discurso, só vai perder voto.

Se as pessoas não acharem loucura a privatização em massa, a redução do estado, a redução de privilégios de castas de servidores, não vai adiantar falar em estado grande, em grandes campeões nacionais, em investimento público, só vai perder voto.

Entendam que não é Dória ou Bolsonaro que representam a mudança, mas o reconhecimento de que não se combate propaganda com teses de doutorado e dados oficiais, propaganda se combate com técnicas de comunicação e, principalmente, com a criação de narrativas mais fortes, mais verossímeis do que a narrativa imposta pelo adversário.

Muitos candidatos já perceberam isso. Lula não está preparado para atacar valores capitalistas e ver o oponente agradecendo o ataque e exaltando os mesmos valores. Lula está acostumado a pseudo-capitalistas envergonhados. Esses também estão extintos. O PSDB, salvo Dória ou similares, não tem a menor condição de emplacar um quarto lugar com seus clássicos, inodoros e insípidos “cabeças brancas”.

E se tudo der errado e Lula ganhar?

Aí teríamos uma noção do que teria sido sua vitória em 1989. Em 2019 pegaria um país completamente esfacelado, insolvente e com uma dívida interna praticamente impagável.

Sei que o leitor não costuma ter intimidade com o orçamento público, mas pode acreditar, nunca houve momento mais terrível do que o atual. São previsões de déficits colossais por 3 ou 4 anos seguidos, e nem essas metas horríveis estão sendo cumpridas.

A expectativa otimista, mesmo com a reforma de previdência, é de que não haverá nenhum centavo livre para investimento público já em 2024. Essa é a otimista, mas é bem provável que o choque orçamentário venha bem mais cedo.

Lula vai enfrentar isso com papo furado?

É provável que ocorra tudo de novo se ele vencer em 2018. Impeachment ou renúncia em 2 anos, talvez eleições antecipadas, agora com um discurso radicalíssimo ANTI-estado, demissões em massa de servidores, isso se não formos ainda mais para trás, e buscarmos a saída em uma nova constituição.

E essa nova constituição será radicalmente ANTI-estado, por um motivo simples, não haverá estado, apenas diarreia orçamentária e pobreza.

Em resumo, uma derrota de Lula, o evento mais provável, representaria o fim ordeiro e concatenado de uma era, o fim de uma experiência sociológica de esquerda que deu errado, em praticamente todos os seus aspectos. São 30 anos da Constituição-cidadã e o país é uma grande merda. Deu errado, muito errado.

Já uma vitória de Lula seria o fim, desordenado e caótico, dessa mesma experiência ideológica, porém o país que se reconstruirá a partir dessa mudança ainda é uma incógnita para mim. Apostaria numa secessão controlada, com quase extinção do nível federal, criação de Estados ou regiões com constituições soberanas, leis próprias etc. Acho que a federação não sobrevive.

A esquerda, tal como foi concebida no Brasil, acabou. Lula é apenas uma decisão sobre como querem ser enterrados, se em caixão fechado, sem expor o odor mortis, ou com missa de corpo presente, a empestear o Brasil, novamente, com o cheiro de ideias mortas há pelo menos 3 décadas, e que nem deveriam ter nascido.

O inimigo agora é Temer, se vencer a queda de braço com a sociedade, sairá poderosíssimo. O melhor para o país seria um outsider eleito presidente indiretamente, dando todo apoio à lava-jato até as eleições de 2018.

Esqueçam Lula. É um passado que já não serve mais.

 

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Temer Fica para a Economia Melhorar? Vocês entenderam tudo errado!

Posted on 19/05/2017. Filed under: Administração, Finanças, Política |

Quem pensa assim não faz ideia da REAL origem de nossa crise econômica. É muito diferente do que as pessoas pensam.

Falta de dinheiro público é só uma parte da explicação

É inegável, basta ver as contas do governo, a carga tributária e a relação dívida/PIB para constatar que o estado Brasileiro está em vias de falir. Falir mesmo, não aquelas bobagens que o PT dizia de FHC, que quebrou o Brasil 3 vezes. Nada disso, agora a coisa é real.

A expectativa do Itaú e de outros bancos é que, sem a reforma da previdência, chegaremos em 2 anos à fatídica relação dívida/PIB de 100%. Com juros ainda altíssimos. Isso é absolutamente insustentável.

Como o Brasileiro sente essa crise orçamentária?

Os governos do PT distribuíram alguns trilhões de reais na economia, seja com repasses diretos ou crédito subsidiado, tudo obtido a base de endividamento da União e das empresas públicas. Esse dinheiro na economia deu a (falsa) impressão de riqueza e prosperidade. Soldadores com salário de R$ 10.000 e operadores de guindaste ganhando mais que analistas do Banco Central foram apenas reflexo dessa exuberância de dinheiro público na economia.

Ocorre que essa fonte secou. Não só momentaneamente, mas para sempre. O único “motor” que os políticos brasileiros conhecem para mover a economia é o gasto público. Não temos mais acesso a isso. E teremos menos ainda no futuro.

MESMO com as reformas, a previsão é de orçamento cada vez mais apertado e a trajetória da dívida continuará explosiva, apenas ganhará uma sobrevida de alguns anos.

Em resumo, o Batman de outrora (dinheiro público na veia) não pode ser mais chamado. Está aposentado por invalidez permanente.

Quem poderá nos salvar?

Agora vem a REAL explicação do tamanho de nosso buraco econômico.

Dado que não há, e não haverá, excedentes de orçamento público para investimento, precisaremos contar com os excedentes de poupança privada. Mas é claro que isso NÃO EXISTE no Brasil. Nossa poupança privada nacional é pífia.

Mesmo durante o boom de aberturas de capital entre 2005 e 2008, mais de 80% do dinheiro era estrangeiro.

No exterior há vários trilhões de dólares investidos em títulos que rendem juro negativo, mas mesmo assim o Brasil não passa nem perto de ser um potencial destino para esse dinheiro. Preferem ter perda certa e pequena lá fora, do que se aventurar em terra brasilis.

Por quê?

Não amigo, não é pela crise política, não é pelo Foro de São Paulo, não é pela narrativa do golpe, não é nada disso. É por um motivo bem mais simples.

Existe um cerco violentíssimo contra a corrupção e a lavagem de dinheiro no mundo, há acordos de compartilhamento de informações entre bancos centrais e departamentos de justiça de vários países. Mesmo os paraísos fiscais mais relutantes, como o Panamá por exemplo, estão aos poucos cedendo à pressão internacional.

O que explodiu o sistema criminoso não foi o juiz Moro, ele foi uma parte apenas. O que foi definitivo para ruir o sistema foi o auditor da Petrobras ter se negado a assinar o balanço do terceiro trimestre de 2014.

O castelo de cartas da corrupção ruiu por medo dos fornecedores de serviços da Petrobras de sofrerem processos bilionários nos EUA e em seus países de origem. E foi exatamente o que aconteceu, e acontece até hoje.

Pouca gente acompanha os efeitos da lava-jato nos fornecedores estrangeiros da Petrobras, mas praticamente todos os envolvidos estão sendo (ou foram) processados em seus países de origem e até nos EUA, com pagamento de multas bilionárias e prejuízos gigantes. Prejuízos muito maiores do que os ganhos que tiveram por aqui.

E a tendência, a partir desses acordos internacionais anticorrupção e lavagem de dinheiro, é restringir ainda mais os recursos para países em que a corrupção é um método corriqueiro de fazer negócio.

A própria JBS, para conseguir se manter nos EUA, terá que fazer um acordo de leniência com as autoridades locais, com multas bilionárias e sanções pesadíssimas. Eles sabem disse e já iniciaram as conversas por lá.

E foram várias empresas brasileiras buscando acordos com o Departamento de Justiça dos EUA (e aqui também). Braskem, Embraer, Eletrobrás, Odebrecht, OAS etc., se enrolando com a justiça americana e brasileira.

Até pouco tempo atrás o risco moral e financeiro de participar de um sistema corrupto como o brasileiro era relativamente baixo. Não tínhamos notícias, até 2014, de empresas brasileiras processadas nos EUA e na Europa, fazendo acordos milionários (às vezes bilionários) para se livrar de sanções penais e administrativas no exterior.

E isso não é exclusividade do Brasil, os EUA penalizaram severamente bancos europeus envolvidos na crise de 2008, isso inclusive foi um dos motivos para o surgimento desse novo modelo de governança. Risco é custo e o risco da corrupção ficou altíssimo nos últimos 10 anos.

Esse movimento NÃO TEM VOLTA.

Se o Brasil quiser voltar a ser destino de pesados investimentos estrangeiros, e dinheiro há aos montes, além de ótimos projetos a realizar por aqui, precisará convencer as empresas e os investidores de que é possível fazer negócio por aqui sem o risco moral e econômico de fazer parte de uma teia criminosa.

Acreditem, é tão simplório quanto isso. Relação risco e retorno, tanto moral quanto econômica.

Para quem não sabe, a lei norte-americana (Foreign Corrupt Practices Act) permite responsabilização criminal e cível de qualquer ato de corrupção de qualquer empresa que tenha interesses nos EUA, seja ela americana ou não, esteja ela atuando nos EUA ou não. É uma lei criada para garantir a entrada de empresas norte-americanas em países altamente corruptos, onde essa prática destrói o ambiente competitivo. Outro objetivo é proteger investimentos de cidadãos americanos fora de seu país.

Lula ODEIA essa lei e já externou isso. É essa lei, que tem derivações em outros países, que assombra empresas que operam em países como Brasil e Venezuela. Lula acha que é uma invasão de soberania, mas na verdade o que ele quer é que o “jeitinho corrupto brasileiro” continue.

Antes da cooperação internacional o custo de pagar propina no metrô de SP ou na Sete Brasil era aceitável para esses operadores, hoje o custo é muitíssimas vezes maior do que qualquer lucro que se pode conseguir extrair desses contratos. Não vale a pena correr o risco.

É essa equação que explica nossa crise econômica, atual e futura: Falta estrutural e crescente de dinheiro público, falta de ambiente saudável e leal para investimentos privados e uma guerra entre os organismos da justiça e as várias organizações criminosas infiltradas em todas as instâncias de poder do país.

Independente das narrativas de esquerda e direita, dos Reinaldos Azevedos da vida e das viúvas de Dilma, o áudio e o comportamento de Temer, para qualquer investidor estrangeiro, é crime e demonstra que temos um mafioso sentado na cadeira de presidente. É um homem a serviço da proteção do mesmo sistema corrupto que destruiu reputações, empresas, empregos e fortunas, mas que insiste em se manter de pé no país.

E assim não tem negócio. Antigamente valia correr o risco de pagar o custo Brasil, no que se refere à corrupção, hoje não vale mais a pena investir bilhões e correr o risco de ser processado em seu país, multado em outros bilhões e, pior, ainda perder o dinheiro investido por aqui. O risco não se paga.

Há coisas sobre a qual ter dúvida é uma ingenuidade à qual não posso ceder.

Não tenho dúvidas de que Temer é apenas mais um proposto da organização criminosa que assola o país há décadas. Isso é muito claro para todos os operadores, em todos os países. A eventual vitória de Temer, mantendo-se na presidência e implantando as reformas parecerá uma vitória do Brasil, mas é só o caminho mais óbvio de fortalecimento da máfia. Acabamos de ver isso acontecer com Lula e a “Carta aos Brasileiros”. Seguir a cartilha do FMI e da austeridade, manter as regras do Plano Real foram só instrumentos para se perpetuar no poder, com volumes de propina inimagináveis. Era virtude de um lado, lamaçal de outro. Deu no que deu.

Se Temer vencer, sair ileso, e aprovar as reformas (o que considero praticamente impossível), será um vitória de Pirro para o Brasil. Venceremos da mesma forma de sempre, com a corrupção como método e a cara de pau como script.

Não torça por Temer, ele é exatamente a mesma coisa que Dilma e Lula, só mais envernizado.

A única saída duradoura para o Brasil é pela virtude. Não sei se vamos conseguir, mas certamente não será com Temer, Lula, Aécio ou adjacências.

Ps. Antes dos áudios talvez pairasse dúvidas sobre quem é Temer, eu mesmo lhe dava o benefício da dúvida. Mas depois não há mais NENHUMA dúvida. Por mais que se queira defender as reformas, é evidente que Temer é um inimigo da Lava-jato e agirá assim nas oportunidades que tiver. Lamento pelo Brasil, mas temos que tocar as reformas com outro personagem. Espero que seja rápido.

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Bolha Imobiliária – Arrecadação de ITBI no Rio de Janeiro em 2017 cairá a níveis de 2011.

Posted on 13/05/2017. Filed under: Administração, Finanças, Política | Tags: |

É um título forte, mas essa é uma previsão até otimista a respeito da arrecadação do ITBI na cidade do Rio de Janeiro para o ano de 2017.

A prefeitura, a partir da arrecadação de R$ 625 milhões em 2016 está prevendo para 2017 R$ 645 milhões. Ocorre que, até 13 de maio, havia atingido apenas R$ 166 milhões. Considerando a sazonalidade histórica (obtida dos dados mensais de ITBI), com forte concentração em novembro e dezembro, dá para estimar, se o mercado continuar com o mesmo apetite, que atingirá cerca de R$ 598 milhões, bem próximo da arrecadação de 2011 (ver tabela abaixo)

Aliás, a última vez em que os quatro primeiros meses  de arrecadação do ITBI estiveram na faixa de R$ 160 milhões foi em 2011 mesmo (R$ 165 milhões).

Vale lembrar que tanto o passado quanto o horizonte visível em 2011 eram infinitamente melhores do que em 2017. Vínhamos de um PIB crescendo 7,5% em 2010, e os juros atingiriam, em alguns meses, 7,25%. Além disso, atingiríamos em breve o pleno emprego e a expectativa do trabalhador e do mercado era a melhor possível. 2017 não se parece com 2011.

E pior, 2018 ainda é ano de eleição. Ano em que políticos são especialmente incompetentes e irresponsáveis. Não surpreenderia se o final de 2017 fosse (bem) pior que o final de 2011.

Isso tudo em valores nominais. Sem desconto da inflação.

Se descontarmos o INCC (inflação dos custos da construção civil) de um período iniciado em 2008, por exemplo, o valor previsto para a arrecadação do ITBI nesse ano será equivalente em termos reais ao de 2008.

Ano 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017P
ITBI R$ mi 344  388  494  589  744  786  737  667  625 598
INCC 3,20% 7,57% 7,58% 7,26% 8,07% 6,74% 7,22% 6,34% 1,10%
INCC Acumul 3,20% 11,01% 19,43% 28,10% 38,44% 47,77% 58,43% 68,47% 70,33%
Atualizado  344  376  445  493  581  568  499  421  371  351

Falta de dados…

Infelizmente a prefeitura poderia, com facilidade, pois são informações parametrizadas, prover dados robustos sobre as vendas de imóveis na cidade. Seria facílimo, por exemplo, nos fornecer o número de imóveis negociados, a metragem acumulada, as regiões da cidade etc. Saberíamos praticamente tudo do mercado de imóveis em nossa cidade. Mas não há onde achar essas informações.

Nos EUA quando você vai comprar um imóvel, consegue todo o histórico das últimas negociações do mesmo. Está na internet. Aqui no Brasil, tem que pagar um cartório para tirar uma certidão de ônus reais. Custo Brasil, mais motivos para nossa pobreza.

Voltando à bolha, o que sabemos é que os imóveis subiram, entre 2008 e 2017, muito mais do que o INCC acumulado. Quando trazemos a valor presente (para o final de 2008) a arrecadação prevista, e otimista, de 2017, há equilíbrio com a arrecadação de 2008. Porém, é razoável crer que os imóveis tenham subido, pelo menos, 3 vezes mais do que o INCC (210%). Eu até arriscaria que subiram mais do que isso, talvez umas 4 ou 5 vezes.

É bastante plausível que, em quantidade vendida, tenhamos menos de metade do que se verificou no fraco ano de 2008. Talvez bem menos da metade. Não surpreenderia se, em quantidade, estivéssemos vendendo menos de 1/4 das unidades que vendíamos em 2008 e 2009. O balanço da Brasil Brokers mostra uma realidade até pior do que essa.

Conceituando bolha

Bolha nada mais é que a observação de preços excessivamente irreais em um grupo de ativos. Mas nem sempre a bolha “estoura” como poderíamos esperar. O que estamos vendo, com certa clareza, é que os imóveis continuam com valores bem superiores à renda do mercado interessado, fenômeno que expliquei no início de 2014, motivo pelo qual há menos negócios, bem menos negócios, acontecendo.

Aliás, as incorporadoras não ajudam no processo de aquecer o mercado. Um dos mais importantes drives para compra de um imóvel e ter vendido outro. É bem mais comum alguém dar uma entrada de R$ 700 mil porque vendeu um imóvel por R$ 600 mil, do que alguém pegar R$ 700 mil da poupança privada que fez ao longo de anos e se descapitalizar para imobilizar esse dinheiro.

Como as incorporadoras pedem R$ 15 a 20 mil no metro quadrado, não resta opção ao interessado a não ser vender seu imóvel usado por R$ 12 a R$ 14 mil o metro quadrado.

E encalha, invariavelmente, encalha. Se o imóvel novo custasse R$ 12 mil (e existem alguns em botafogo e no jardim oceânico, mas também não estão vendendo) o metro quadrado, o interessado poderia baixar o seu para uma faixa bem mais acessível e dar liquidez no seu imóvel.

É um verdadeiro ciclo vicioso, de expectativas irreais e de muita perda econômica. Os balanços das construtoras não me deixam mentir.

O custo de oportunidade que ninguém entende.

É tolice esperar 2 anos para vender um imóvel por se recusar a dar 25% de desconto (em 2 anos você já poderia recuperar esse dinheiro com facilidade no mercado de renda fixa), mas é o que a maioria faz.

Não nota que 1 ano de espera representa 12% a 15% de custo de oportunidade jogado no lixo.

A continuar esse marasmo financeiro no Brasil, e não há muitos motivos para acreditar em recuperação firme antes de 2019, é provável que os preços reais dos imóveis (descontados pela inflação) em 2019 estejam em patamares próximos aos de 2010.

Vão continuar sendo pra lá de milhão, mas representando coisa semelhante ao preço de 2010.

Quais os sinais antecedentes de melhora?

Antes de aquecer o mercado imobiliário, será necessária uma melhora substancial em vários fatores. No emprego e na renda é algo básico e evidente. Mas também os bancos precisam repassar as quedas nos juros da SELIC para essas linhas de financiamento. Ainda não está acontecendo e, mesmo que a SELIC chegue a 1 dígito, rapidamente, não há garantias de transferência das quedas para o consumidor.

Aqui no RJ a coisa do emprego é mais delicada. A estimativa do ex-presidente, de 600 milhões de desempregados no setor de óleo e gás, é um pouco exagerada. Algo como 300 mil BONS empregos desapareceram aqui no RJ. Um pouco menos que os 600 milhões, mas ainda assim um péssimo número.

Há a questão dos servidores, tanto estaduais quanto municipais (se Crivella não estiver blefando, o dinheiro vai até setembro). Há o estoque boçal de imóveis na Zona Oeste, em especial Jacarepaguá e o Lado B da Avenida das Américas. O estoque do consórcio Carvalho Hoskem – Odebrecht na vila Olímpica é indecente. E olha que os imóveis da Vila do Pan AINDA não foram todos vendidos. O Pan foi em 2007.

That´s it Folks. Há o caminho do giro, que significa adaptar-se ao mercado, há o caminho da margem, que significa esperar o mercado se adaptar a você.

Por enquanto o mercado do Rio de Janeiro é um non sense só. É péssimo para ambos os lados, para compradores e vendedores. Não há non sense maior do que um mercado ruim tanto para vendedores quanto para compradores. Ou há um ajuste nas percepções e expectativas, ou vamos continuar fazendo cada vez menos negócios, como bem mostram os números.

Estamos no fundo do poço?

Naturalmente o poço tem fundo, mas não me arrisco a dizer que já chegamos a ele. Se fosse obrigado a apostar, apostaria em 2018 como fundo do poço, caso a reforma da previdência passe e elejamos um ser humano racional e menos comprometido com o lastro de falcatruas dos últimos 517 anos.

Mas se a Reforma da Previdência não passar, o que NÃO É IMPOSSÍVEL, aí o fundo do poço vai se movimentar bastante. Alegremente e serelepe para baixo.

E se ainda por cima elegermos um “cerumano” irracional, que chuta 600 milhões de desempregados sem perceber a bobagem que fala, por exemplo, aí o fundo do poço será como o tempo na física quântica. Teremos que remodelar o conceito para compreendê-lo. Vai ser bem feio. Recomendo estoques significativos de Rivotril, dólar e latinhas de atum.

Parece pessimismo, mas é só o caminho de sempre aqui em Vera Cruz.

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Bolha imobiliária. O resultado (assustador) da Brasil Brokers

Posted on 31/03/2017. Filed under: Finanças, Política | Tags:, , , , |

Vivemos uma realidade ainda bizarra no Rio de Janeiro. A violência está aumentando de forma MUITO evidente, as UPPs fizeram água, os morros onde tinham dado certo, na Tijuca, Botafogo, Copacabana e Ipanema, vivem aos tiros por aqui.

E, apesar de haver oportunidades quando há alguém REALMENTE interessado em vender (e que dê sorte de encontrar alguém realmente interessado em comprar), ainda há loucuras inomináveis como aptos a R$ 12.000 o metro quadrado na rua Bento Lisboa, a poucas centenas de metros de um morro barra pesada. E em um lugar bem feio.

No condomínio Morada do Sol há gente pedindo R$ 900.000, mesmo preço de 2013, e outros pedindo R$ 1.400.000, ambos em estados semelhantes. Isso não é mercado, é non sense.

Mas isso é problema de quem está interessado em vender e em comprar. Nós aqui vamos mostrar o inacreditável resultado da Brasil Brokers.

Brasil Brokers (BBr)

Quem mora no Rio e se interessou por imóveis nos últimos anos deve ter percebido que o nome Brasil Brokers foi crescendo assustadoramente no mercado de corretagem. Praticamente todas as corretoras se coligavam, algumas eram compradas e incorporadas.

A BBr não é construtora ou incorporadora, é uma empresa de intermediação (corretora). Seus dados são interessantes para mostrar o que REALMENTE vendeu e por quanto. E a quantas anda o mercado.

As demonstrações financeiras são um desastre, mas aqui vamos tratar apenas dos dados históricos operacionais, e ver o quanto eles nos dizem sobre os últimos 8 anos do mercado imobiliário.

Resultados Br Brokers 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016
Vendas (R$ Milhões)   11.025     15.303     17.569   18.897   16.815   12.324     7.037     4.880
Unidades vendidas   56.769     68.128     74.130   60.676   41.308   28.723   20.058   11.215
Ticket médio R$ mil       194 225 237 311 407 429 351 435
Unidades lançadas   77.839   102.451   128.414   89.470   79.980   61.946   33.824   29.424
Lançados – vendidos   21.070     34.323     54.284   28.794   38.672   33.223   13.766   18.209
Lançados/vendidos 1,37 1,50 1,73 1,47 1,94 2,16 1,69 2,62

 

A irracionalidade do mercado em números

Perceba que a BBr saiu de vendas na faixa de R$ 11 bi para quase R$ 19 bi entre 2009 e 2012, um ano antes do auge da bolha de preços.

Atingiu o volume máximo de vendas em 2011, 74.130 unidades.

Quem viveu esse mercado deve lembrar que a coisa cresceu seriamente (em termos de preço) entre 2011 e 2013, e isso dá para ver nos preços médios de vendas, saindo de R$ 237 mil para R$ 407 mil. A carteira da BBr também trabalhava com imóveis mais baratos. Os balanços não dividem as vendas por região, apenas por categoria.

O interessante dos números é que eles mostram, com clareza, como as pessoas e os empreendedores tomam decisões erradas, com base apenas em dados passados.

Quem me acompanha no blog sabe que escrevi EXATAMENTE nessa época que, ao menos no RJ (imagino que nos outros estados não fosse diferente), os imóveis tinham atingido valores irracionais para a renda da população. Não que não pudessem pagar, mas para morar num apto novo no Catete você precisaria de um casal de Juízes. Isso é non sense. Relendo todos os meus posts, vejo que era tudo meio óbvio. Mas as pessoas curtem mesmo se enganar.

Voltemos aos resultados…

Entre 2009 e 2012 houve algum equilíbrio entre lançados e vendidos, em torno de 1 vez e meia. Provavelmente por força do momento pujante, as apostas quase dobraram. Perceba que a relação lançados/vendidos aumentou muito, e mesmo com a redução recente nos lançamentos (de 2015 para cá), como as vendas são muito fracas, a relação explodiu. Mesmo em 2016 para cada unidade vendida, foram lançadas 2,62 unidades.

É um desequilíbrio duradouro, vai demorar bastante para cair. Mesmo que se equilibre o número de lançamentos, ainda há um estoque considerável para comercializar.

Quem passa ali na região Olímpica da Barra, no empreendimento da Carvalho Hosken com a Odebrecht (vila Olímpica, Ilha Pura), se assusta. São milhares de aptos completamente vazios.

Como os prédios são escuros, fica parecendo um mausoléu vertical. Sem exageros.

O volume de vendas e lançamentos

Do ápice de 74 mil unidades em 2011, fomos a 11 mil unidades em 2016. Uma queda de mais de 7 vezes.

2015 já foi um ano péssimo, conturbado e de queda brutal no PIB. Ainda assim, 2016 conseguiu ter queda de quase 50% no número de unidades vendidas.

Tivemos 128 mil lançamentos em 2011 e apenas 29 mil em 2016. Ainda assim o mercado absorve, percentualmente, muito menos.

Por que os preços não caem?

Essa não é uma questão simples.

Há o grupo dos investidores/gestores profissionais, o grupo dos que tem apenas um imóvel e o grupo das famílias que têm vários imóveis.

Profissionais

O resultado da PDG saiu no dia 29/03/2017. Um desastre assombroso. Prejuízo de R$ 2,4 bilhões SÓ no quarto trimestre.

São 5,4 bilhões de prejuízo em 2016, patrimônio líquido virado (passivo a descoberto) de R$ 3,4 bilhões e incríveis R$ 5,8 bilhões de passivo circulante, para quitar em até 1 ano. Profissionais também erram.

Recuperação judicial é legal, mas não faz milagres.

Os gestores profissionais dos fundos de investimento imobiliário atuam com a lógica financeira clássica. Oferta e demanda. Não há demanda, baixa-se o preço. E ainda assim a vacância é muito grande. O BRCR chegou a alugar para a TIM, empresa grande e com $$$, com 2 anos de carência. 2 anos sem pagar aluguel.

Como há muita liquidez nas cotas, o preço de mercado dos imóveis, com base nas cotas, chegou a desabar até 60% em alguns fundos.

Os pequenos e médios incorporadores e construtores continuam querendo dar vazão os terrenos caros que compraram na Zona Sul e Barra. Uma “zapeada” vai mostrar imóveis por empreitada em Botafogo e Jardim Oceânico a preço que eles chamam de “custo”, menos de R$ 9.000 o metro quadrado.

E, mesmo sendo poucas unidades e muito mais baratos do que as opções novas ou usadas do mesmo nível, os empreendimentos não decolam. E o motivo é simples. Famílias raramente compram imóveis nessas condições e não há mais investidores.

Antes, esses negócios voavam, pois havia muita gente disposta a comprar na planta e revender a posteriori. Isso acabou. Na verdade, quem tem dinheiro está esperando para ver até onde vai o mercado para entrar.

Um FII de participações (BPFF11) acaba de aprovar um aumento de capital de 40%, buscando dinheiro novo dos cotistas para aproveitar eventuais oportunidades de imóveis comerciais ou de fundos muito baratos. A oferta deve durar 6 meses e o dinheiro deve ser usado ao longo do ano de 2018.

Há dinheiro, mas não faz sentido investir diante de tantas turbulências e de tanta incerteza. Principalmente diante de tão avassaladora falta de demanda.

Os donos de um imóvel apenas

Esse é o cara que quer se mudar da cidade ou quer vender o imóvel em que morava para morar em algo mais modesto ou aplicar o dinheiro.

Esse costuma querer MESMO vender ou alugar, e aceita condições de mercado, reduz restrições de fiança e negocia preço.

Normalmente os imóveis estão em bom ou excelente estado, pois ele não é investidor e não vive de imóveis. Preparou o imóvel para morar.

Se você pretende comprar um imóvel, provavelmente vai comprar de alguém assim. Raramente esse cara se dá ao luxo de ser irracional, pois mesmo que dê descontos de 20% a 30% no preço, a aplicação do dinheiro no mercado vai dar de 3 a 4 vezes mais do que o aluguel.

Não são muitos nessa situação, pois o brasileiro é meio joão-de-barro, quer casa e vai lutar até o final, mesmo comprometendo as finanças e a racionalidade, para manter o teto.

Mas como há ainda menos compradores, pois a renda brasileira caiu a níveis de 2011 e continua em queda, e os preços não voltaram para os níveis de 2010-2011, mesmo ótimas oportunidades não vendem ou demoram a sair.

Hoje é uma questão de sorte, muita sorte, conseguir um negócio confortável para ambos os lados.

Os donos de vários imóveis

É bem comum haver famílias que vivem de um extenso patrimônio imobiliário. E, mesmo sentados em um patrimônio muito elevado, a renda gerada não costuma ser tão confortável.

Isso se reflete na qualidade sofrível dos imóveis. Não é raro você ver aptos em Ipanema com armários de péssima qualidade, pois o proprietário não negocia melhorias, daí o inquilino compra o mais barato. É meio bizarro o sujeito alugar um imóvel sem armários, mas é extremamente comum aqui no Rio.

Hoje é bem razoável estimar que o valor líquido que se consegue tirar de um patrimônio imobiliário na Zona Sul do Rio não passe de 0,2% a 0,25%. Isso contando Imposto de Renda, manutenção, vacância, administração etc.

Para ter uma renda mensal de R$ 10.000, o sujeito deve ter, em imóveis, cerca de R$ 4 milhões a R$ 5 milhões.

É um disparate financeiro. Se vendesse por R$ 2 milhões tiraria, investindo TAMBÉM em imóveis, porém através de fundos, receberia de R$ 12 mil a R$ 15 mil. Sem IR, gerido por terceiros, sem dor de cabeça de vacância (diluída).

Se conseguisse vender pelos R$ 4 milhões, poderia quase triplicar a renda com muito menos dor de cabeça.

Mas é impossível que isso aconteça. Esses proprietários raramente vendem, raramente investem e criam sérias dificuldades até para alugar.

Aqui no RJ já se está pedindo fiador com 2 imóveis e renda superior a 5 aluguéis. Além da avaliação da renda do próprio inquilino.

Ou o seguro-fiança, que é uma bizarrice brasileira. O banco paga 3 ou 4 aluguéis no caso de inadimplência, mas já recebeu de 4 a 5 do inquilino, em um contrato de 30 meses. E após pagar o locador pelo sinistro (evento de crédito), ainda vai executar o locatário.

Faz sentido o modelo, só não vejo sentido em cobrar 2 aluguéis por ano para uma situação em que o risco do banco é baixíssimo. E o retorno tende a ser gigantesco. Depois de um contrato de 30 meses, o risco do banco é virtualmente ZERO.

As pessoas que têm muitos imóveis, normalmente criam um sistema de dependência, com muitos familiares, principalmente idosos, dependendo dessa renda. Normalmente acabam criando sistemas dentro da própria família para fazer a gestão.

Como as rendas caíram bastante, aqueles que não são “podres de ricos”, podem colocar alguns imóveis à venda.

E são, normalmente, aqueles incríveis apartamentos velhíssimos por R$ 25 mil o metro quadrado no Leblon, ou por R$ 15 mil o m2 em Botafogo.

E não baixam, pois a necessidade não costuma ser grande o suficiente. Normalmente se resolve com um ajuste para baixo no padrão de vida, para preservar o patrimônio em tijolo.

Esses imóveis só vão a mercado por preço baixo quando os proprietários originais, as pessoas que formaram a poupança originalmente, falecem. Daí a corrida para o inventário e o interesse dos herdeiros acabam levando os imóveis a mercado em condições mais racionais.

Vai se ajustar?

Realmente não faço ideia.

Parece-me que ainda teremos problemas sérios com a renda e com o emprego por mais 12 a 18 meses. O governo não tem recurso algum para ajudar ou apoiar o emprego. Aliás, ajudaria se saísse da frente.

Aqui no RJ há a possibilidade da aprovação de medidas extremamente duras contra o funcionalismo, que já passa por um momento delicadíssimo.

Além da contribuição previdenciária de 20% e 22% por 3 anos, ainda querem aprovar (está no Congresso para depois vir para a Assembleia) a proposta de redução de salário e de jornada. São 600 mil pessoas, entre aposentados e na ativa, a maioria na Capital.

Aquele momento mágico de esperança, que fez os preços da Tijuca ultrapassarem Moema e Vila Olímpia (em imóveis de mesmo padrão), já era.

É difícil antecipar movimentos financeiros quando há tantos agentes que se comportam fora dos padrões de racionalidade do mercado.

Acertei com relação ao teto, pelos dados da BBr, o preço de 2012-2013 é o vigente, para negócios que FECHAM, não para essa loucura pedida no ZAP.

Mas eu não me arrisco a dizer que cairão para os valores de 2010, pois eram MUITO mais baixos do que os de 2012.

É mais provável que a oferta de lançamentos se restrinja MUITO para manter preços.

Isso já quebrou PDG e é uma aposta perigosa. Pode acabar levando outras para o buraco.

É uma queda de braço estranha, com dois braços fraquíssimos, oferta e demanda.

É mais um clássico brasileiro. Está péssimo para quem quer vender, e também para quem quer comprar. Economia brasileira PURA!

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Reforma da Previdência – Parte 2: Quem está por trás da reforma são os gestores da Previdência Privada?

Posted on 17/03/2017. Filed under: Filosofia, Finanças, Política | Tags:, , , |

Outro ponto bastante difundido, por quem é contra a reforma da Previdência, é que o objetivo seria rechear o bolso das entidades de previdência privada.

É bem comum esse pensamento no brasileiro. Sempre prefere acreditar que há um plano da burguesia para afastar o “povo” do seu suado dinheirinho. É uma conveniência histórica, moldada em décadas de crença de que a luta de classes é o único modelo para compreensão da sociedade.

Mas vamos assumir que seja isso mesmo. Que há um plano para migrar parte significativa dos recursos previdenciários para mãos privadas. Os malditos burgueses querem mais dinheiro!!! E também os Ianques malditos querem nossas riquezas!!!

Por que você deveria se importar com isso?

Caso seu dinheiro fosse aplicado em regimes de previdência privada, você poderia escolher entre centenas de gestores e ter vários fundos, com os mais variados perfis, se preferir diversificar.

Seu dinheiro seria SEU e não serviria para repartir com outros aposentados. Você teria condições de fiscalizar e avaliar a gestão do seu patrimônio, pedindo migração e portabilidade se não concordar com os caminhos ou não gostar da rentabilidade.

Vejo um monte de gente reclamando que pagou demais ao INSS, que o patrão pagou demais também, e que a aposentadoria é uma miséria. E estão certos!

Mas a regra é essa, desde o início. NÃO É MAIS RELEVANTE O QUE VOCÊ PAGOU, pois a previdência não tem patrimônio, não tem títulos públicos, não tem ações de empresa, não tem acumulação de capital, só tem receita e gasto. E hoje o gasto é bem maior que a receita, ou seja, jamais terá patrimônio, pois não conseguirá acumular, não há excedentes. O que você pagou, já foi pro bolo. E outra pessoa já comeu faz tempo.

É essa regra, injusta e cada vez mais injusta, principalmente com quem é mais jovem, que está vigendo hoje. É para a manutenção dessa regra que os sindicatos saem às ruas em greves. É para manter esse modelo que as pessoas demonizam a iniciativa e a previdência privadas.

É tolice acreditar que seu dinheiro do INSS estava guardado numa poupança em seu nome. Todo mundo sabe que isso não existe. O dinheiro entra e sai. Não acumula, ao contrário, falta.

As domésticas

As domésticas estão no grupo que paga menos INSS, pois recolhem cerca de 8% e o patrão outros 12%, totalizando 20% de contribuição mensal.

Imaginemos uma doméstica que receba R$ 1.000,00 na carteira. Sobrará mensalmente R$ 920,00 no contracheque e sua contribuição total mensal ao Regime Geral de Previdência seria de R$ 200,00 (somando o patronal).

Esse dinheiro, no modelo atual, não é dela, serve para engrossar o orçamento da União.

Se os R$ 200,00 estivessem aplicados num regime PRIVADO de previdência, onde o valor acumulado seria DELA e não do “bolo” previdenciário, teríamos várias possibilidades.

Vou assumir algumas premissas simples. Salário em moeda estável (para evitar cálculos complexos de inflação), Retorno dos investimentos de 5,0% acima da inflação (para poder usar moeda forte, com base em metas atuariais reais de fundos de previdência) e que os custos do gestor sejam pagos pelo 13°, que não está entrando na conta do patrimônio acumulado. IR de retirada de 10%, como a regra atual (após 10 anos)

Iniciando sua vida profissional aos 20 anos, contribuindo por 25 anos (de forma espaçada, acumulando 10 anos sem contribuir, porém rendendo) e se aposentando aos 55 anos.

Essa é uma história comum e plausível. Lembrando que os 55 anos não dependem de regra previdenciária, pois ela é dona do dinheiro. E pode retirar quando quiser.

Seria possível acumular, até os 55 anos, cerca de R$ 150.000 em valores de hoje. Permanecendo aplicados nas mesmas condições, ela poderia retirar um salário líquido de R$ 920 por exatos 224 meses. Pouco menos de 20 anos.

Iniciando sua vida profissional aos 20 anos, contribuindo por 30 anos (de forma espaçada, acumulando 10 anos sem contribuir, porém rendendo) e se aposentando aos 60 anos.

Seria possível acumular, até os 60 anos, cerca de R$ 208.000. Permanecendo aplicados nas mesmas condições, ela poderia retirar um salário líquido de R$ 920 (em valores estáveis) por exatos 436 meses. Pouco menos de 37 anos. Teria dinheiro até os 97 anos.

Se falecesse aos 80, sua família receberia um saldo bruto de R$ 140.000,00.

Iniciando sua vida profissional aos 20 anos, contribuindo por 35 anos (de forma espaçada, acumulando 10 anos sem contribuir, porém rendendo) e se aposentando aos 65 anos.

Seria possível acumular, até os 65 anos, cerca de R$ 282.000. Permanecendo aplicados nas mesmas condições, ela poderia retirar um salário líquido de R$ 920 (em valores estáveis) para sempre, o que significa que os herdeiros poderiam ter esse volume financeiro de forma vitalícia (mantendo-se as premissas iniciais).

Para brincar, no modelo “Temer”, contribuindo por 49 anos, iniciando a vida profissional aos 16 anos, e se aposentando aos 65 anos (sem interrupção).

Seria possível acumular, até os 65 anos, cerca de R$ 487.000. Permanecendo aplicados nas mesmas condições, ela poderia retirar um salário bruto de R$ 2.500 (em valores estáveis) por 32,5 anos (até os 97,5 anos).

Há problemas e riscos com esse modelo de acumulação privado?

Sem dúvida. Há possibilidade de má gestão, pode haver fraude, pode ser que os custos aumentem, pode ser que a rentabilidade seja menor, pode ser necessário complementar com um seguro de vida ou invalidez. Sem dúvida pode haver problemas.

E os problemas do sistema público?

Seriam, em suma, os mesmos, porém bastante amplificados pela falta de accountability (prestação de contas).

Poderia haver fraude? Não só poderia como é quase diário o sangramento das contas públicas com “jeitinhos” que oneram o INSS. Em um simples pente-fino o governo pôs em dúvida 90% dos benefícios de afastamento por invalidez ou doença. Há de tudo, picaretagem, má-fé, até desembargador e almirante de 90 anos solteiro, casando com meninas e meninos de 25 para manter a pensão por mais algumas décadas.

Pode haver má gestão no setor público? A dúvida nem é essa, mas se poderia haver boa gestão. Essa, nunca apareceu por essas bandas. É quase certeza de má gestão.

Os custos podem aumentar? Bom, creio que a Reforma proposta agora e as várias já feitas mostram que o custo pode, e VAI, aumentar bastante.

Em resumo, os problemas possíveis em ambos os sistemas de previdência são os mesmos, porém na iniciativa privada são uma possibilidade apenas remota (fraude), no setor público os problemas são quase uma certeza, além de uma rotina.

Mas o brasileiro prefere o sistema público.

Aposentadoria pública poderia ser um colchão de segurança contra a indigência e a pobreza extrema. Um valor relativamente baixo que protegeria as pessoas de viver em condições degradantes. Isso sim é “social”, isso faz parte do nosso Pacto democrático. Isto posto, entendo que, até determinado valor, poderíamos contribuir para um regime de partilha, mas deveríamos buscar o “conforto” da aposentadoria em outras bandas que não o regime previdenciário público.

Isso porque, quando recebo uma aposentadoria de R$ 30 mil, por mais justa e honesta que seja, não se pode justificar pelo “social”, mas apenas pelo direito adquirido na legislação vigente e passada. E o nosso Pacto Social não é para isso, para esse nível de garantia. Cedo ou tarde, por mais garantido que seja o direito, haverá ajustes orçamentários para fazer o custo caber na receita. É onde estamos hoje. Se não iniciarmos o ajuste, em 3 anos haverá ainda menos receita, e muito mais custo.

Em resumo, o sistema é péssimo e infinitamente pior do que qualquer regime privado, mas o brasileiro vê o governo como sua última tábua de salvação. O que é uma pena.

A natureza da nossa pobreza

Essas décadas de ensino e discurso “ideologizado”, de debates sobre luta de classes, sobre a vilania da burguesia, sobre a maldade do empresário, nos afastam, sobremaneira, da riqueza. Somos e seremos pobres, pois odiamos o sucesso.

Adoramos dinheiro público e nem ao menos nos tocamos que o orçamento público só é deficiente porque nossa economia é esquálida, fraca e sem dinheiro privado. Queremos crescer, queremos emprego, queremos mais orçamento público, mas demonizamos quem investe e traz divisas, quem “alimenta” todo o sistema, quem toma riscos privados. Principalmente estrangeiros.

A principal diferença entre a Previdência Pública e a Previdência Privada

Aqui é que, em minha opinião, a previdência privada dá um banho na pública em termos de importância para o desenvolvimento da nação.

Ambos os modelos são captadores de poupança popular, tomam dinheiro do cidadão hoje, com promessa de aposentadoria no futuro.

Porém a previdência pública não tem qualquer compromisso atuarial ou de formação de patrimônio, ou seja, o dinheiro captado NÃO SERÁ investido, não vai gerar negócios, não vai gerar recursos, não vai financiar a produção, não vai gerar riqueza, apenas será redistribuído.

Parece bonito falar em “distribuição” de renda e recursos, mas acho que os brasileiros concordam que essa distribuição não é, ou não parece ser, justa. Tanto é verdade que todos reclamam da aposentadoria do INSS, mas veem privilégios espalhados aos quatro cantos, como aposentadorias especiais, de perseguidos políticos, acumuladas há 100 anos etc.

Na Previdência Privada o pagamento das aposentadorias depende do acúmulo de patrimônio. Depende da qualidade do gestor. Depende da escolha dos projetos de investimento. Depende das ações em que se investe. Depende de quanta riqueza aquele dinheiro aplicado pode gerar.

A poupança popular captada pelo governo vira consumo imediato, vira sabonete, arroz, carne e, claro, azeita as engrenagens da corrupção estatal. A poupança popular captada pelos fundos de previdência privada vira investimento, vira financiamento de longo prazo, e todos os agentes (exceto em caso de corrupção) deveriam buscar a excelência na gestão, para se diferenciar na competição acirrada pelos recursos do poupador.

Por pior que seja o sistema privado, seria impossível se aproximar do desastre escabroso e da irracionalidade do sistema público. É uma roda da pobreza, girando cada vez mais rápido e de forma cada vez menos harmoniosa.

Manter previdência pública para reduzir a vulnerabilidade das pessoas na velhice, eu concordo, faz parte do nosso Pacto Social, estou dentro. Mas o ideal seria que o plus, o conforto, viesse de esforço e riscos privados. Seríamos bem mais ricos. Nossos filhos e netos agradeceriam.

Mas o brasileiro prefere acreditar ser altamente provável que o burguês e o empresário sejam maus, apesar de ser açoitado e humilhado nas filas dos hospitais, nas greves infinitas da educação pública e na aposentadoria insuficiente e injusta, oferecidos pelo estado brasileiro.

Fraudes em fundos de pensão

Sempre haverá quem faz questão de não entender coisas simples. Haverá aquele a criticar meu texto por não lembrar dos escândalos no Postalis, Petros, Funcef, inúmeros fundos de previdência municipais e estaduais etc., fraudes mil, destruição da poupança captada.

O burguesão raiz capta dinheiro, corre riscos com o próprio capital, prefere menos interferência estatal e investe para enriquecer a si e ao seu acionista, o burguesão brasileiro quer saber como é que vai sangrar o estado, os pensionistas e os funcionários públicos, como o estado vai protegê-lo da concorrência, para garantir seu enriquecimento fraudulento.

É sempre a falta de accountability do Estado que permite esses escabrosos escândalos. É triste, mas infelizmente em cada fraude e cada sistema de corrupção há alguma entidade pública, sindical ou política envolvida.

A fraude na operação “carne podre” de hoje, típica da burguesia brasileira. Conluio com políticos, agentes públicos, perseguição a funcionários públicos que denunciaram o esquema, ministros envolvidos, empresas penduradas no BNDES envolvidas. Tudo errado.

Demonizamos o capitalismo liberal brasileiro, o que é o mesmo que demonizar um unicórnio rosa. Ambos não existem e nunca existiram. Nos bastidores é sempre alguém pintando e enfeitando um jerico.

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A Bolha Imobiliária Que Não Existe. O Maior Estoque de Imóveis Está Com… Os Bancos!!!

Posted on 07/03/2017. Filed under: Finanças, Política | Tags:, , |

Eu escrevi muito sobre a bolha imobiliária, por quase 7 anos. Antes de muita gente se pronunciar sobre o tema.

Até desenvolvi uma planilha para cálculo de preço justo do imóvel. Através dela consegui descrever 4 momentos:

– Entre 2010 e 2011, NÃO havia bolha, pois as premissas e as expectativas colocadas na planilha, com quedas de juros e preços de aluguéis, mostravam que os imóveis, ao menos na área nobre do Rio de Janeiro, estavam com preços adequados.

– Entre 2012 e 2013 perdemos a mão nos preços. Altas de mais de 100% em alguns bairros. Estávamos no limite do aceitável em termos de preço justo, calculado pela planilha.

– Entre 2014 e 2015 o preço dos imóveis ultrapassou (e muito) a renda e o estilo de vida das famílias, de forma que se esperava que uma família com renda de R$ 40 mil por mês conseguisse comprar um imóvel que, 8 anos antes, era almejado por quem tinha renda de R$ 6 a 8 mil. Imóvel ruim e mal localizado. Non sense.

– Em 2016 e no início de 2017 temos o óbvio. Quebradeira de construtoras e recorde de retomada de imóveis.

O que é bolha?

Muita gente acha que, para se caracterizar a bolha, é necessário que exploda, ou seja, que a queda dos preços seja devastadora e imediata. Não é necessário que isso ocorra, principalmente em um país com inflação elevadíssima como o nosso.

Como já disse em outros posts, o preço dos aluguéis já retornou a patamares de 2012, em alguns lugares (com condomínios caros) voltou a 2010. Com relação ao preço dos imóveis, ainda que a maioria esteja em patamares elevados, já se encontra opções bem próximas ao que se via em 2012-2013.

Isso já significaria uma perda inflacionária de quase 30%. E não estamos nem perto do fim.

Por que não estourou?

Primeiro porque brasileiro não entende imóvel como investimento, não percebe que o mesmo pode ser um passivo ou ativo, dependendo do preço e do custo de oportunidade.

Quem tem 5 imóveis na Zona Sul do Rio pode estar “sentado” em cima de R$ 5 milhões, que, com certeza, estará lhe dando, tirando vacância, custos, manutenção, taxas e impostos, menos de 0,2% ao mês. Há investimentos com risco semelhante dando 0,7%. Mas é impossível que ele venda, pois imóvel é algo menos arriscado do que “dinheiro”. Já escrevi sobre o fetiche da iliquidez. É uma proteção contra o desequilíbrio orçamentário. Realmente o imóvel ajuda a manter o patrimônio de quem não é controlado nas finanças.

Segundo porque a estrutura de juros para empreendimentos imobiliários no Brasil é subsidiada. Mesmo para quem pega empréstimo fora do SFH, os juros são menores do que a captação básica bancária. Então, os juros sobem de 9% para 12%, e os contratos já firmados não mudam.

E terceiro porque ninguém sabe o que fazer com os estoques retomados. Estão ainda “encarteirados”.

Veja na reportagem do valor (reproduzo ao final):

http://www.valor.com.br/financas/4888230/calotes-levam-bancos-acumular-r-10-bilhoes-em-bens-retomados

A maior incorporadora do Brasil!

Não é a Cyrela, é a união de bancos. O estoque retomado pelos bancos é maior do que o estoque da Cyrela, e isso é particularmente ruim, pois os bancos têm imóveis mais baratos, usados, o que é raro no estoque de incorporadoras. O valor é maior, mas a quantidade deve ser muito maior.

E ainda não foram “distribuídos” os estoques da PDG, que acaba de entrar em Recuperação Judicial. Lembrando que os maiores credores são os próprios bancos.

E estamos falando prioritariamente de imóveis residenciais, os comerciais estão bem piores.

A bolha não estourou a ponto de comprarmos apartamentos excelentes em bairros nobres por preços muito baixos, e talvez isso não ocorra mesmo, pois há pouquíssima oferta, mas já destruiu, com segurança, mais de R$ 100 bilhões entre quebras, retomadas, perda de valor de fundos imobiliários, perda de valor nas incorporadoras etc. Só a PDG chegou a valor R$ 12 bilhões, hoje vale pouco mais que nada.

Isso ainda não se verificou nos estoques, continuam, nos balanços, a preços extremamente elevados. Vimos em um post recente meu, aptos de 92 metros quadrados na subida da favela, em Laranjeiras, por R$ 1,4 milhão NO BALANÇO da incorporadora, ou seja, nem era preço de venda, era contábil.

Para onde vão os estoques?

Dos lançamentos comerciais prefiro nem comentar, pois é catástrofe total. A região do Porto Maravilha tem 85% de vacância. Não entendo porque não alteraram a proposta para formatar empreendimentos residenciais na região. Mesmo que os lançamentos parem hoje, não deve levar menos que 10 anos para ocupar os imóveis comerciais da região. Talvez nunca sejam ocupados. O Rio está em franca decadência, precisa se recuperar.

Pelo visto os bancos não sabem bem o que fazer com os imóveis residenciais retomados. E poderão vir muitos, principalmente das SPEs da PDG.

Estão evitando os tradicionais leilões presenciais, pois há muita combinação de preços. Nos on-line os imóveis não estão saindo nem em segunda oportunidade, pois os preços estão quase a mercado.

Alguns estão pensando em criar empresas específicas para desovar os estoques. Outros já retiraram do jurídica o processo de retomada, de tão grande o volume.

Uma coisa é certa, os imóveis precisarão vir ao mercado, não há o que fazer com eles, exceto vender. E isso poderá pressionar ainda mais os preços.

Minha impressão pessoal é que ainda estamos longe da estabilização. A aprovação das reformas e o equilíbrio fiscal poderão ajudar na queda dos juros e na retomada da economia, mas ainda vai levar, pelo menos, de 12 a 18 meses para sentirmos a diferença.

Calotes levam bancos a acumular R$ 10 bilhões em bens retomados

Se os cinco maiores bancos brasileiros decidissem juntar todos os imóveis recebidos em garantia de empréstimos não pagos, brigariam pelo posto de maior incorporadora do país. Com o agravamento da crise, o estoque desse tipo de ativo mais que dobrou nos últimos dois anos e chegou a quase R$ 10 bilhões. Para efeito de comparação, a Cyrela, a maior empresa do setor, contava com R$ 6,4 bilhões em imóveis no estoque em setembro do ano passado.

O estoque de bens retomados pelos bancos é composto em sua maioria por imóveis, mas também inclui itens como veículos, máquinas e equipamentos. O crescimento desses ativos está principalmente relacionado ao avanço da inadimplência. Banco do Brasil (BB), Itaú Unibanco, Caixa Econômica Federal, Bradesco e Santander se tornaram donos de todo esse patrimônio quando executaram garantias de empréstimos não pagos. Agências bancárias que deixaram de ser usadas nos últimos anos também entram nessa conta, mas somam uma pequena fatia desse montante.

Apesar de representar uma oportunidade para as instituições financeiras recuperarem ao menos parte das perdas geradas pelos calotes, esses bens tomados também trazem alguma dor de cabeça, principalmente pelas proporções que tomaram. Para instituições que têm como objetivo abrir contas correntes e emprestar dinheiro, administrar um portfólio com características tão diversas tem sido uma tarefa bastante complexa.

Na pacata cidade de Conceição das Alagoas (MG), de 26,5 mil habitantes, o Bradesco tenta vender um imóvel ocupado pela Igreja do Deus de Maravilhas, por R$ 127 mil, em um leilão marcado para esta terça-feira. O Santander se tornou proprietário de um posto de combustível na Vila Olímpia, em São Paulo, avaliado em R$ 9,4 milhões, e também de um haras em Boituva (SP), cujo lance mínimo é de R$ 8,25 milhões.

Fazendas, mansões à beira-mar em Angra dos Reis (RJ), prédios comerciais e até casebres fazem parte dos bens que passaram a integrar o balanço dos bancos, conforme mostram os chamados dos leilões. Em um período de retração da economia, que levou a um excesso de oferta de imóveis, a venda em muitos casos tem sido feita a preços bem abaixo daqueles estimados inicialmente pelos bancos quando aceitaram as garantias. Isso quando eles conseguem se desfazer dos ativos.

Pelas normas do Banco Central, as instituições financeiras têm um prazo de até um ano para vender os bens que não fazem parte do uso. Esse período é prorrogável por até mais dois anos, mas esses bens trazem custos enquanto se mantêm no balanço. Eles consomem, por exemplo, o capital que poderia ser usado em empréstimos. Além disso, esses ativos precisam ter laudos de avaliação feitos por empresas independentes quando superam R$ 51,1 mil, um serviço pago pelo banco. Fora despesas que a própria venda traz, como corretagem e comissões.

O tamanho do estoque de ativos tomados dos devedores que atrasaram as prestações varia bastante de banco para banco. Entre as explicações estão o saldo e a maturidade da carteira de crédito de cada instituição financeira, além das operações em outras áreas, como seguros.

Dona da maior carteira de financiamentos para a compra da casa própria, a Caixa também detém o maior estoque de ativos tomados dos devedores que atrasaram as prestações. O banco público tem 24 mil imóveis disponíveis para venda. Segundo a Caixa informou por meio de sua assessoria de imprensa, o banco tem dado prioridade a empréstimos com garantia real como forma de mitigar riscos. Já o BB possui o menor estoque em balanço. Procurados, BB, Itaú, Bradesco e Santander não concederam entrevista.

Para evitar perdas no gerenciamento desses ativos, os bancos mudaram a forma como trabalham na cobrança, retomada e revenda de imóveis e outras garantias. Os leilões presenciais foram praticamente abolidos e agora se concentram na internet, por exemplo.

Em um grande banco, a área operacional que cuida dos financiamentos em atraso, como a cobrança, foi separada da equipe jurídica. As medidas ajudaram a reduzir o prazo entre a retomada e o leilão do bem dado em garantia para algo entre 45 a 60 dias, em média, segundo um executivo que pediu que seu nome e o da instituição para a qual trabalha não fossem revelados.

Outro banco estuda colocar esses bens dentro de uma empresa que vai cuidar especificamente da venda deles. Para isso, parcerias com empresas especializadas na comercialização de apartamentos e outros bens também estão no radar.

Na maioria dos casos, a execução das garantias serve apenas para diminuir o prejuízo dos bancos com o crédito inadimplente. Por isso, o tempo é crucial para evitar perdas ainda maiores. Não são raras as situações em que o devedor consegue travar a venda do ativo na Justiça. Há casos de veículos há 20 anos parados em razão de alguma pendência judicial. “Tudo isso se traduz em mais spread na hora do financiamento”, afirma uma fonte.

O número crescente de bens retomados colocados à venda pelos bancos tem despertado a atenção de empresas especializadas em ativos “estressados” – por exemplo, a Enforce, do BTG Pactual, e a Jive. Gestores de fundos imobiliários também começam a avaliar esses bens, mas ainda estão restritos a praças com bastante liquidez, como São Paulo.

Apesar do crescimento do volume de imóveis, veículos e máquinas no balanço dos bancos, o Banco Central diz que esses bens ainda são pouco relevantes para o sistema bancário. Eles representam 2,2% do patrimônio líquido e 0,2% do ativo total das instituições financeiras.

FONTE: Valor Econômico

 

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O mercado de imóveis comerciais no Rio de Janeiro. Um horror anunciado. PDG, CHL e a exuberância irracional de quem paga muito caro.

Posted on 06/03/2017. Filed under: Administração, Finanças, Política | Tags:, , , , , , , |

O Edifício Galeria EDGA11B é um retrofit de classe A num lugar privilegiado do centro do RJ, Rua da Quitanda 86. O empreendimento é de um fundo de investimento imobiliário (EDGA11B).

O fundo foi lançado em 2012 a R$ 380 milhões, com 24.400 metros quadrados de área locável. Hoje está valendo pouco mais de R$ 200 milhões.

É isso mesmo, algo como R$ 8.900 o metro quadrado para um imóvel classe A, no coração do centro do RJ. E tem gente comprando imóvel comercial no Leblon (na planta) por R$ 44.000 o metro quadrado. Cada um escolhe a lixeira em que quer jogar seu dinheiro.

Voltando à catástrofe particular desse fundo.

O administrador evita divulgar o nome dos inquilinos em atraso, mas há dívidas de mais de R$ 8 milhões com inadimplentes. Como a Secretaria de Cultura do Estado do RJ está lá, é provável que seja um dos inadimplentes.

Com a entrada em recuperação judicial da PDG, soubemos que sua subsidiária integral (CHL) também não vinha pagando aluguéis e despesas desde 05 de maio de 2016.

É isso mesmo, uma incorporadora que não paga o aluguel. Sensacional! É o personal trainer que vende a malhação, mas não malha…

Há 4 ações de cobrança e 1 de despejo em andamento.

O fundo chegou a valer, antes de o impeachment ser uma realidade plausível, R$ 140 milhões, o equivalente a cerca de R$ 6 mil o metro quadrado de escritórios TOP, Classe A.

Ainda assim, com toda essa catástrofe, o fundo paga o equivalente a 0,6% ao mês de aluguéis (os $$$ que entram, claro), isento de IR. Cerca de 2 a 3 vezes mais do que se ganha alugando por conta própria aqui no Rio de Janeiro (contando vacância, custos, IR etc.)

Mais um retrato do buraco imobiliário em que nos metemos.

Ps. aos que compram imóveis comerciais pagando R$ 25 mil, R$ 35 mil o metro quadrado fica o alerta. Finanças não têm muito espaço para tergiversações, se há aplicação de mesmo risco com rendimento 2, 3, 4 vezes maior, e você opta pela pior, estará agindo de forma irracional. PONTO. Além de perder rentabilidade muito maior com risco semelhante, você ainda ajuda a formar o preço irracional. O imóvel não “vale” X ou Y, você é que paga X ou Y, daí ele “vale” isso. A irracionalidade atrapalha o mercado. É o que estamos vendo no Brasil hoje. Em todas as áreas.

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Os posts proibidos sobre Eike Batista e a Petrobras estão de volta!

Posted on 01/02/2017. Filed under: Finanças, Humor, Política |

É amigos, só quem viveu aqueles anos de ouro, entre 2008 e 2010, com Lula aprovado por 97% da população, Eike no estrelato, sabe como era difícil combater a irracionalidade daqueles tempos.

Ainda no INI escrevi alguns posts (antes do blog era para uma lista de emails) com críticas ao Eike e a seus projetos, bem como à Petrobras.

Alguns amigos próximos, da área acadêmica e do mercado, me sugeriram retirar os posts, pois não se rema contra a maré, iria acabar sobrando para o peixe pequeno. E assim fiz, até porque Eike, em idos de 2008-2009, era a vedete da bolsa e muita gente com capacidade de análise investiu nas empresas dele. E a Petrobras era a vedete mundial das bolsas, com o Pre-sal. Falar mal era certeza de remar contra a maré e ser taxado de anti-patriota, invejoso, burro, fascista etc.

Creio que agora, com parte da caterva na cadeia, posso republicar. Foram excluídos em 2010 aqui do blog. Voltam agora.

EIKE BATISTA

12 de junho de 2008

É senhores…
Eike Batista, para se vingar de sua Ex, quer se tornar o homem mais rico do mundo. Se continuar vendendo “vento” a preço de “ouro”, vai conseguir rapidinho.
Há dois fenômenos importantes na Bolsa. O Mico Preto e a Pirâmide. São semelhantes, mas vale uma explicação para os que nunca se viram numa situação de mico ou de pirâmide.
Mico Preto – É quando todos começam a especular sobre uma ação sem fundamentos sólidos, e a boataria faz com que os traders comprem e vendam absurdamente o papel, fazendo com que suba vertiginosamente. Um dia, seu José de Arimatéia acorda e lê no jornal que a ação da Kepler Weber já subiu 1.000.000% em um dia. Seu josé então, vende suas VALE5 por R$ 100.000 e compra tudo de Kepler Weber. Daí, sai de férias. Quando volta, olha sua conta no home broker e tem 1 trilhão de ações da Kepler Weber que, a preço de mercado, estão valendo R$ 3.549,30. E SE CONSEGUIR VENDER, pois ninguém mais compra o lixo. Seu José de Arimatéia ficou com o Mico Preto.
Pirâmide – Um dia, alguns investidores descobrem uma empresinha chamada Plascar. Não negocia nada, tem um histórico de prejuízos, mas está para ser comprada por um grupo estrangeiro. Ela custa R$ 1,00 por ação. Daí esse grupo começa a comprar devagarzinho. Outros começam a entrar também, seguindo o grupo inicial e empurrando a cotação para cima. Daí o grupo americano entra com a boataria e outro grupo, muito maior, começa a entrar na ação. Depois que ela já subiu 1.500%, chegando a R$ 15,00 em 6 meses, seu José de Arimatéia abre o jornal e descobre a Plascar! Vende R$ 100.000 de PETR4 e compra tudo de PLAS3. Ocorre que, como nas pirâmides, os primeiros ganham muito, os que vêm logo depois ganham um pouco menos e os últimos pagam a conta dos primeiros. Quando seu José de Arimatéia, voltando das férias em São Tomé das Letras, abre o home broker vê que suas ações valem apenas R$ 5,00 e seu patrimônio está em R$ 33.000.
Eike Batista acaba de vender a OGX por um valor equivalente a R$ 31 bi. Mais que telemar, eletrobrás, 4x mais que Sadia, quase uma Itaúsa… Ai, ai…
O que OGX produz? Nada.
Quando vai produzir? Sei lá!
Vai ter lucro? Como vou saber!
Distribuirá dividendos? Só Deus sabe.
Se se o dólar disparar com os juros americanos subindo e o barril de petróleo cair…
O que ela tem, afinal, para valer R$ 31 bi?
AHHHHHH! Ela comprou os direitos de exploração de alguns poços de petróleo…
Só? Sim, só.
Já encomendou as sondas?
E se os poços não forem viáveis?
E se os custos de exploração subirem ainda mais?
A própria MMX só tem lucro pela reavaliação de ativos, pois seus resultados são inexpressivos. Ainda assim consegue vender por bilhões e bilhões!!! Muitos vão argumentar que a empresa valorizou 400% em 2 anos. É fato, mas quem era o investidor inicial? Ele mesmo, Eike Batista. Esse não tem o que perder.
Ainda bem que não vende aos pobres mortais, pois o mínimo para investir era R$ 300.000. Não dá para uma sardinha se aventurar nesse mercado.
O que acontecerá no futuro? Vai ser mais uma empresa a se mover de acordo com as cotações do Petróleo. Deve dar muito dinheiro para alguns, menos para outros e prejuízo para a maioria, falando a longo prazo, óbvio.
Esperemos…
DEPOIS DE DANIEL DANTAS
11 de julho de 2008
Uau…
A PF está cumprindo mandado de busca e apreensão na casa de Eike Batista…
Como os investidores não são bobos, estão torrando os papéis do Eike.
No momento, a OGXP3 está com queda de 20% e a MMXM3 está com queda de 13%.
É complicado mesmo, pois a OGX é só projeto, que sem o Eike perdem muito valor e a MMX pode ter problemas com suas minas, já que a PF está investigando justamente esses processos.
A bruxa tá solta!!!

Eike destrói o estatismo no setor de petróleo. Ou não?

 Caríssimos,

A leitura do release de resultados da OGX, para o ano de 2009, é um exercício muito elucidativo… ou não…

Para quem quiser ler a íntegra segue o link:
http://ogx.infoinvest.com.br/ptb/883/Release4T09portugusvfinal.pdf

Mas não será necessário, pois os dados mais importantes relatarei a seguir.

A confiar nas previsões da OGX, ou a Petrobras é um desastre como empresa, ou a OGX é um prodígio, um fenômeno.

Como não sou especialista em petróleo e gás, peço ajuda aos amigos leitores e a especialistas, que porventura passarem por aqui, para me ajudar na série:

Explica aí, que eu não entendi!

1. A projeção da OGX é de que estará produzindo 730 mil barris/dia em 2015 (7 anos após sua captação primária na bolsa) e 1,38 milhão de barris/dia em 2019 (11 anos de vida operacional).

Isso significa que:

  • A OGX afirma que vai atingir em 11 anos o que a petrobras levou 48 anos para atingir (2001-2002). Ainda, afirma que pretende atingir nos mesmos 11 anos de vida, quase 70% de toda a produção da Petrobras, no Brasil, para o ano de 2009, que era de 2,05 milhões de barris.

Pergunto aos visitantes do blog:

  • Isso faz sentido?
  • As previsões são excessivamente otimistas?
  • A Petrobras não é eficiente?
  • A OGX é um fenômeno sem par no mundo do petróleo?
  • Está muito mais fácil retirar petróleo hoje?

2. A OGX diz ter uma certificação elaborada pela D&M de até 6,7 bilhões de barris comprovados, em apenas 2,5 anos de operação.

Isso significa que:

As colocações são um pouco imprecisas no release. Confesso que não compreendi na íntegra oq que eles quiseram dizer. Mas a Petrobras tinha, em 2009, reservas provadas de 12,1 bilhões de barris, o que indica que a OGX teria um volume equivalente a quase 60% das reservas da Petrobras. AMBAS não consideram o pré-sal, pois os poços de Eike não estão lá e os 12,1 bi também não incluem o pré-sal.
Pergunto aos visitantes do blog:

  • É isso mesmo, ou entendi errado?

3. Por que não há informações sobre a qualidade do petróleo? O óleo a ser extraído dos poços de Eike é leve (valorizado) ou pesado (desvalorizado)? A diferença entre os preços do óleo leve e pesado é de quase 40%, pois seu refino custa muito mais caro.

4. A OGX tem em caixa R$ 7,3 bilhões. Ela teve lucro em 2008 e 2009 por conta das aplicações financeiras dessa dinheirama. Praticamente todo o gasto que faz com exploração não trata como custo, mas como ativo “intangível”, prática aceita pelos princípios contábeis.

Isso significa que:

  • A OGX captou, em meados de 2008, R$ 6,7 bilhões de dinheiro novo, proveniente do mercado, das pessoas, dos investidores. Terminou 2008 com R$ 7,6 bilhões em dinheiro e 2009 com R$ 7,3 bilhões. A OGX vale, em bolsa, R$ 58 bilhões. A Eike tem 62% da OGX, o que significa R$ 35,96 bilhões OU US$ 20,5 bilhões.

Pergunto aos visitantes do blog:

  • Se a empresa tinha, em 2008, R$ 7,6 bi em dinheiro e recebeu, no mesmo ano, R$ 6,7 b ilhões, quanto Eike colocou de grana DELE, na empresa?
  • O valor do ativo no balanço em 2008 era de R$ 9,7 bi, sendo R$ 7,6 bi de “tangíveis” e R$ 2,1 de “intangíveis”. Isso significa que Eike, no máximo, teria colocado R$ 3 bi na empresa, pouca coisa em grana e muito em “intangíveis”. Se colocou R$ 3 bi (foi muito menos), como poderia ter multiplicado seu capital por 12 em pouco mais de 2 anos?

Encerrando a batalha!

Senhores, tudo é possível. Tudo mesmo.

O petróleo pode ir a US$ 500,00, Eike pode ter descoberto o filé mignon do petróleo brasileiro (num poço que já havia sido devolvido pela Petrobras à ANP em 2001), mas não é provável.

A minha principal questão, no título do post, não é duvidar da capacidade operacional e do futuro brilhante da OGX, mas compará-la com a Petrobras.

Acho que Lula deveria pedir ao Eike para não divulgar releases tão espetaculares.

Fica dificílimo defender o monopólio estatal e a idéia de competência da Petrobras quando uma empresa com 2,5 anos de operação pretende chegar a produzir, em 11 anos, a 65% do que a Petrobras levou 56 anos para atingir. Isso com velhos campos já rejeitados pela própria estatal, de petróleo pesado.

O valor de mercado da OGX não faz qualquer diferença para o sucesso da empresa, exceto se Eike quiser levantar mais grana. Poderia ser R$ 100 bi ou R$ 10. Aliás, no auge da crise, chegou a valer menos do que o que tinha em caixa. Nessa época, era um negócio espetacular!

Agora, do fundo do coração, torço para estar errado em minhas desconfianças sobre o excessivo otimismo da OGX. Torço mesmo, pois se é possível fazer isso, não haverá qualquer problema de falta de petróleo no mundo. Será abundante em breve. Ou só existe uma OGX no mundo?

Enquanto isso, estima-se que os carros elétricos serão responsáveis por 86% das vendas de carros dos EUA, em 2030…

Esse mundo está muito complexo. Gostaria de entendê-lo melhor…

2- Eike Batista, o empresário-projeto, é o oitavo homem mais rico do mundo!

É meus amigos, o mundo das finanças, assim como o Brasil, não está mesmo para amadores…

Eike Batista, o empresário-relâmpago, o empresário-projeto, conseguiu amealhar uma fortuna de US$ 27 bilhões em poucos anos.

Apesar da EBX existir há muito tempo, foi de 2004 para cá, mais precisamente com a abertura de capital da MMX em 2006, que Eike conseguiu o milagre da multiplicação dos dólares.

Em pouco mais de 4 anos (a contar da abertura de capital da MMX) consegui atingir uma fortuna que rivaliza com grandes empresários e investidores de atuação mundial, com produtos e serviços vendidos em 200 países e quase 2 bilhões de pessoas atendidas. Veja:

1 – US$ 53,5 bi – Carlos Slim, dono da América móvil (Claro, no Brasil), começou a investir em 1965, iniciou o negócio de telefonia em 1990. Hoje tem cerca de 100 milhões de clientes no mundo e suas empresas pagam, por ano, mais de US$ 5 bilhões em impostos.

2- US$ 53,0 bi – Bill Gates, dispensa apresentações. Atinge o mundo todo, atua na vida das pessoas, mais de um bilhão delas, diariamente. Sem comentários sobre sua importância e sobre o tamanho de seus negócios.

3- US$ 47,0 bi – Warren Buffett, também dispensa comentários. Investe desde 1491, financiando a viagem de Colombo. É dono da mais respeitada empresa de participações dos EUA. Tem participações relevantes nas maiores companhias do mundo. Investe, sem brincadeira, há mais de 65 anos.

8 (por enquanto) – US$ 27,0 bi – Eike Batista. Tem uma infinidade de empresas que valem bilhões, mas que nada produzem (por isso empresário-projeto). Se não acreditam em mim, leiam o resumo do que fazem as empresas de Eika na página da própria EBX:
http://www.ebx.com.br/empresas.php

Conseguiram achar um barrilzinho de petróleo produzido? Alguma produção de minério relevante? Algum aluguel de estrada de ferro ou porto?

Não é mole, não!

O nome da brincadeira é: Mercado de Ações!

Eike, não demora, vai ser o mais rico do mundo.

(Re)Descobriu o jeito mais fácil de fazer fortuna. Aliou conhecimento privado e público, ótimos relacionamentos, projetos gigantescos, o maior período de liquidez do mercado mundial e aproveitou para fazer o lançamento de seus projetos, e captar fortunas no mercado de ações.

Agora vai lançar a OSX que, pelo que li, é uma empresa que presta serviços para a própria OGX e que pretende prestar serviços para as outras empresas de Eike. Espera captar R$ 10 bi.

É algo muito estranho você criar uma empresa para servir à sua própria empresa… e abrir seu capital!!!!

O cara consegue tirar bilhões até da verticalização de seus próprios projetos.

Imagino que ele tenha pensado o seguinte: pô, estou pagando uma fortuna para esses prestadores de serviço! Vou criar a OSX e pagar para mim mesmo.

Seria lindo, se não pudesse criar um evidente conflito de interesses. Bom, mas isso não somos nós que vamos dizer…

Como funciona o milagre da multiplicação dos bilhões?

É simples.

Quando você abre o capital de sua empresa, normalmente coloca algo como 30% à venda. Os outros 70% são seus.

Se você capta, R$ 10 bi, como se pretende com a OSX, por 30% do negócio. Significa que o valor dela na bolsa será de R$ 33,3 bi e que Eike vai ficar R$ 23,3 bi mais rico ou US$ 13 bi, em números internacionais.

Daí, basta inventar uma outra empresa para fornecer o papel higiênico, as canetas, os bloquinhos de papel para as empresas EBX aumentar sua fortuna em US$ 7 bi para passar Warren Buffett!

Não estou dizendo que os projetos não possam dar certo!

É claro que o investidor que colocou a grana dele nas empresas, acredita que os projetos serão um sucesso.

E ele até teve uma fantástica venda de parte da MMX por US$ 5 bi para a Anglo American. Um negócio que a Anglo deve estar lamentando até agora, pois logo depois seus lucros caíram 53% com a crise mundial…

Comprar promessa, dá nisso. O futuro a Deus pertence. Se houver outro boom de commodities nos próximos anos, recuperará o investimento. Se não… micou!

Justiça seja feita a Eike, ele não deixa pequenos investidores brincarem em suas ofertas públicos. É de R$ 300 mil para cima. As sardinhas estão a salvo!

O que o futuro nos reserva?

Acredito que Eike não tenha qualquer interesse em produzir nada. Se conseguir um ganho de capital vendendo seus ativos, vai fazê-lo. Daí com o dinheiro novo, vai comprar outros ativos, criar outros projetos e vender na bolsa.

Só vai parar quando atingir a fortuna de US$ 1 trilhão ou quebrar. Ou ainda, quando a Luma de Oliveira voltar para ele…

Aliás, tô achando que essa fortuna tá com cara de bombeiro, uniforme de bombeiro, perna de bombeiro, bíceps de bombeiro, peitoral de bombeiro…

E dá-lhe Eike! Detone esses ianques malditos!

KKKKKK

3- A Verdadeira Identidade de Eike Batista!

O Mr. X é sensacional.
Sua capacidade para comprar direitos de exploração das riquezas do país, abrir o capital sob promessas de gigantismo nacionalista e depois vender esses direitos, ou parte deles, para empresas estrangeiras, está começando a levantar desconfianças sérias em Lula.
MMX
Primeiro a MMX, que iria competir com a VALE, viu sua principal mina ser vendida para Sinhá Elizabeth e Nhô Edward, num negócio fantástico para os acionistas, mas estranho para os planos de gigantismo nacionalista.
A MMX ficou com patrimônio líquido negativo…
OGX
Agora Mr. Fujiro e Mr. Takaro estão querendo comprar participação nos poços da OGX. Nada contra, mas se o China comprou… é do China. Qual percentual? Ainda não se sabe.
Sonhos com a VALE
Se conseguir seu sonho de ouro de retirar Agnelli da presidência da Vale e assumir o posto que já foi de seu pai, é capaz de vender 30% de Carajás para o Burkina Faso ou para o Butão.
É um passaro, é um avião, não é…
Lula já está desconfiando que essa incrível capacidade de repassar a estrangeiros as riquezas nacionais jamais poderia vir de um vilão comum…
Lula teme descobrir que Eike Batista é, na realidade, … Fernando Henrique Cardoso!
ahahahaha!
Perdoem a brincadeira no meio de tanta coisa séria…
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As Construtoras já valorizaram até 190% em 2017! Chegou a recuperação do setor?

Posted on 17/01/2017. Filed under: Finanças, Política |

Tem coisa que dá certa preguiça.

Estava acompanhando as altas de Rossi, PDG e Viver (entre outras) nos últimos dias na bolsa. Coisa de 30% ao dia. Imaginei que o fato de os juros poderem chegar a 9,75% ainda esse ano talvez pudesse ter ajudado, mas estava meio exagerada aquela alta.

Pois que leio no Portal Infomoney que o principal motivo é uma mudança na regra dos distratos. Agora as construtoras poderão manter entre 9% e 15% do valor do imóvel, não serão obrigadas a devolver tudo.

http://www.infomoney.com.br/mercados/acoes-e-indices/noticia/6027113/entre-selic-solucao-para-distrato-imobiliarias-sobem-ate-190-2017

Isso é bom?

Das construtoras citadas uma já está em recuperação judicial e as outras pavimentam o caminho para lá. Para subir 190% em poucos dias, deveria ser uma notícia robusta e, principalmente, de resultado imediato.

Imediato não é, porque ainda que seja aprovada HOJE a regra, quem já comprou continua na regra antiga. E se não fosse continuar, se a regra fosse mudar contratos atuais (o que me parece impossível), vão devolver (mesmo quem estava propenso a manter o negócio) e judicializar.

Na prática o que ocorrerá será um aumento no risco do comprador, que estará com uma possibilidade de perda que não tinha antes. É SÓ ISSO que muda.

Olha, nessa hora tem que ser racional. O que vai acontecer?

  1. A) As pessoas vão comprar mais, porque ficou mais arriscado para elas? Com certeza, não.
  2. B) As pessoas vão sair desesperadas para comprar antes que mude a regra. Até poderia ser, mas não me parece que o “estoque” de demanda reprimida seja grande. Aliás, eu acho até que não existe, não com esse nível de preços. Uma família com R$ 500.000 guardados e renda bruta de R$ 25.000 por mês NÃO configura demanda para um imóvel de R$ 1.200.000, pois teria que ZERAR suas reservas e pagar uma prestação de R$ 8.500 por mês. Fica menos interessante ainda se ele puder alugar imóvel semelhante por R$ 3.500. Se o imóvel for a R$ 900.000 e os juros voltarem a 8,5% ao ano (crédito imobiliário) PODE SER que essa família seja uma demanda real para esse imóvel. Hoje, não.
  3. C) As vendas vão diminuir, pois aumentou o risco do investidor/trader (que já está em extinção) e os compradores de imóveis para uso próprio costumam ser conservadores, a decisão de compra, com risco aumentado, deve fazê-los esperar mais, fugir de lançamentos (que tem o risco de perder 10%, aliado ao risco da entrega, da construtora, da desvalorização etc.), requerer ainda mais descontos para se decidir.
  4. D) Os distratos vão aumentar, pois os novos contratos são PIORES para o comprador e contratos piores, com riscos maiores, tendem a ter preços depreciados. Não é a mesma coisa comprar um imóvel com entrada de 10% na planta e saber que receberei de volta se desistir, do que comprar sabendo que posso perder tudo. Quem tem um dos “últimos contratos” com garantia plena, pode tentar exercer esse direito e recomprar depois em condições melhores.

Um parêntese. Eu entendo o lado das construtoras ao tentar equilibrar a relação comercial, dividindo o risco com o comprador, mas elas reclamam HOJE dessa regra, porém é meio evidente que isso ajudou e muito nas vendas dos últimos anos. É claro que se meu risco é zero, eu assino o contrato com mais facilidade. Se quisessem, realmente, ter mudado a regra durante o boom, já teriam conseguido, lobby não faltava, ainda mais na era PT, com tapete vermelho ao empresariado “public-budget addicted”. Mas naquela época a regra ajudava, né?

Bom, não tenho bola de cristal, mas eu não acho razoável apostar em melhorias de curto prazo, pois me parece mais provável aproveitar para devolver (num mercado já muito fraco) e esperar o mercado com a nova regra (que pode piorar), do que sair correndo para aproveitar esse último suspiro da regra atual.

Ou seja, não dá para acreditar que, no curto prazo, teremos um boom de vendas.

Também não acho razoável acreditar que isso vá aumentar o número de negócios no longo prazo, pois impõe uma penalidade ao comprador que antes não havia. Não melhora nada para quem assina o cheque, aliás piora bastante. 10% de um imóvel é um risco MUITO alto. É provável que haja ainda menos negócios.

Se pudesse apostar, apostaria em queda no número de negócios após a entrada em vigor da regra e algum efeito imediato nos distratos, para pior.

Mas as ações subiram. Fazer o quê, né?

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Oportunidade! Apto de 92 mts por R$ 2,16 milhões, Laranjeiras, comunidade pacificada! PDG Vende!

Posted on 05/01/2017. Filed under: Administração, Finanças |

No mercado imobiliário brasileiro há coisas bizarras. E outras ainda mais bizarras. Após isso tudo, encontramos a PDG Realty.

Duas notícias sobre a PDG chamaram a atenção nos últimos 15 dias. No final de dezembro ela decidiu parar de pagar os juros de uma série de debêntures. Total das debêntures: R$ 206 milhões. Alguém está no preju brabo. No começo de 2017, a securitizadora que concentra os CRIs da PDG informou que a mesma não pagou cerca de R$ 300.000 devidos. Vai convocar assembleia para decidir o que fazer.

Nada disso é bom.

Mas não adianta espernear, pois é meio evidente que ela não paga porque não pode.

Uma breve incursão em seus resultados nos mostra números impressionantes.

No terceiro trimestre de 2016 ela teve receita NEGATIVA. Isso mesmo, teve mais devoluções do que vendas.

O patrimônio líquido é NEGATIVO (R$ 838 milhões). Isso mesmo, ela tem mais dívidas do que ativos. E olha que os ativos… estão por um preço pra lá de irreal.

Estoques de R$ 3 bilhões. Contas a receber de R$ 3,4 bilhões. Essa parte seria ótima, se os imóveis realmente fossem vendidos e, principalmente, se esse “contas a receber” não tivesse sendo revertido, pois as pessoas DEVOLVEM os imóveis, portanto a empresa não teria mais o que receber.

Só entre o segundo e o terceiro trimestres de 2016 a queda no “contas a receber” foi de R$ 1,2 bilhão. E obviamente não foi porque os clientes pagaram, provavelmente foi porque devolveram e não devem mais. É um número que impressiona.

Bolha imobiliária? Bobagem, é só momento.

Alguns leitores não gostam quando escrevo sobre bolha imobiliária. Pois não deveriam, eu sou amigo da matemática, portanto sou amigo de vocês. Escrevo sobre isso há muito tempo. Quem acompanhou e acreditou, certamente tomou decisões corretas.

Em 2010 fiz as contas para mostrar que não havia evidência de bolha imobiliária. Quem viveu aquele tempo sabe que entre 2007 e 2010 os imóveis quase triplicaram, dando impressão de bolha, mas a matemática não mostrava isso. Vale a pena reler:

https://blogdoportinho.wordpress.com/2010/10/05/bolha-imobiliaria-o-que-a-matematica-tem-a-dizer-sobre-isso/

No final de 2012 escrevi procurando demonstrar que o valor dos imóveis, aqui no Rio de Janeiro, tinha atingido um limite quase inviável para as famílias da região. A bolha estava a todo vapor.

Usei a matemática apenas para demonstrar que pessoas de renda muito acima da média não conseguiriam comprar aptos de nível razoável e isso significava um mercado irracional. Vale a pena reler:

https://blogdoportinho.wordpress.com/2012/11/30/bolha-imobiliaria-rio-de-janeiro-zona-sul-chegamos-ao-teto/

Em 2013 escrevi uma sugestão ao governo Dilma. Hoje não é mais necessário, mas ainda seria bem vinda.

https://blogdoportinho.wordpress.com/2013/01/03/bolha-imobiliaria-2013-sugestao-ao-governo-dilma/

No meio de 2013 o mercado de aluguéis de Ipanema e Leblon estava saturadíssimo. E o índice Fipe-Zap nem se dava conta do início estouro da bolha.

https://blogdoportinho.wordpress.com/2013/07/30/bolha-imobiliaria-no-rio-de-janeiro-o-inacreditavel-mercado-de-alugueis-em-ipanema-e-no-leblon/

Em meados de 2014, os preços NOMINAIS começavam a ceder.

https://blogdoportinho.wordpress.com/2014/05/23/imoveis-comprar-ou-alugar-eis-a-questao-e-a-bolha-imobiliaria-da-suas-caras-aqui-no-rj/

Em 2015-2016 a bolha estourou pesadamente nos fundos de investimento imobiliário.

https://blogdoportinho.wordpress.com/2016/02/29/a-bolha-imobiliaria-brasileira-ja-explodiu-mas-voce-ainda-nao-viu/

Hoje afirmo sem qualquer medo de errar que os preços efetivos de negociação estão no mesmo patamar (nominal) de 2012. E os aluguéis também, em alguns casos (de imóveis de luxo), estão bem mais baratos.

É pedagógico reler. Não mudaria uma vírgula das análises.

Voltando à PDG

O valor de mercado da PDG indica que os investidores já esperam um evento grave, como uma recuperação judicial, por exemplo. Ela vale R$ 70 milhões, uma empresa com R$ 3 bilhões de imóveis em estoque vale o mesmo que um apartamento no Cap Ferrat em Ipanema (de frente para a praia).

C’est bizarre.

Por que a PDG chegou a esse ponto?

Aqui vai uma crítica às incorporadoras, corretoras e outros agentes que julgavam que os preços dos imóveis seriam definidos apenas por suas planilhas otimistas e não guardavam relação com a renda das famílias.

O balanço das construtoras e incorporadoras está repleto de registro de sonhos. Sonhos dos vendedores e pesadelo dos compradores. Balanço patrimonial não é para isso, é para registrar realidade, valor justo. Quem diz isso é a contabilidade e o IFRS, não eu.

Esse é um mercado em que não dá para ser irracional, nem do lado da oferta, nem do lado da demanda.

Se você quiser vender uma coca-cola por R$ 10,00 para quem está com sede, ele vai pagar e te odiar por 10 minutos. Se você convencer uma família a se endividar por 30 anos, se descapitalizar para dar uma boa entrada, tudo isso num ambiente econômico hostil, para comprar um imóvel que você subiu o preço em 50% após o lançamento, ela não vai te odiar por 30 anos, ela vai te devolver em 30 meses.

E se não devolver para você, devolverá para o mercado (vendendo) ou para o banco (perdendo).

De uma forma ou de outra o preço do negócio TERIA QUE SER o de equilíbrio entre as possibilidades de longo prazo das famílias e a necessidade de curto e médio prazo da construtora, caso contrário acontece o que se vê hoje. Recordes de devolução, falta de negócios e preços irrazoáveis, disparatados em relação às possibilidades das famílias.

Os imóveis da PDG.

Quando olhamos os imóveis que estão no estoque da PDG dá para entender porque as coisas não deram certo.

Na lista dos imóveis que receberam “habite-se” em 2016 há um empreendimento que eles classificam como sendo de alta renda.

O condomínio Cenário Laranjeiras. São apartamentos a partir de 92 metros quadrados na Rua Pereira da Silva, que dá subida para o morro “Pereirão”, comunidade pacificada. O VGV médio registrado no balanço da PDG é de cerca de R$ 1,37 milhão. Mas o preço “pedido” de venda, pasmem, está a partir de R$ 2,16 milhões.

O que é isso?????

Qual é o modelo de negócios em que isso faz sentido? Qual é a expectativa de futuro promissor em que alguém se baseou para chegar a um disparate grosseiro desses? Quem compra um imóvel desses tem que ter renda familiar bruta superior a R$ 50.000 por mês, e dar uma entrada de pelo menos R$ 800.000, por que moraria em Laranjeiras, num apto de 92 metros quadrados, na subida do morro, pagando R$ 14.000 de prestação, se pode alugar um apartamento melhor, por R$ 5.000 colado na praia de Ipanema? Ou morar em outro na própria Pereira da Silva, de 120 metros quadrados, por R$ 3.200 o aluguel?

A lógica do proprietário pessoa física, da liberdade individual, de pedir o quanto quer, por mais bizarro que seja o preço, não é válida para uma empresa. Uma empresa, ainda mais com ações na bolsa, precisa ter responsabilidade para obter resultados.

Um senhorzinho do Leblon pode querer pedir R$ 30.000 por metro quadrado no apartamento velho dele, mas uma Companhia grande como a PDG, com centenas de profissionais experientes, deveria saber que realizar (vender) por um preço irracional nesse mercado seca a poupança das famílias e eleva os riscos de fluxo de caixa a níveis insustentáveis (vide as devoluções). Preço de imóvel TEM QUE SER RACIONAL.

O que temos hoje é um estoque completamente irreal, correndo o risco de ser usado para pagar credores numa recuperação judicial.

Quem acompanha o mercado do RJ sabe que só as barbadas têm sido vendidas. E mesmo assim há muitas barbadas encalhadas, pois não há comprador.

Comprador de imóvel caro é uma pessoa que está segura no emprego, tem credit score excelente, acesso às melhores linhas de financiamento e renda elevada e crescente. Nem funcionários públicos aqui no RJ estão nessa condição, menos ainda quem está na iniciativa privada.

Há imóveis em construção em Botafogo (Calper, Even etc.) em situação de barbada (para padrões de 2014-2015), menos de R$ 10.000 o metro quadrado. As construtoras estão fazendo uma blitz nos sinais da região há 4 meses. Nem isso garante a venda. Está difícil o mercado.

Esse imóvel na Pereira da Silva, se a PDG realmente quiser vender, pode pensar na faixa de R$ 8.500 o metro quadrado dos imóveis pequenos e não mais que R$ 7.500 nas plantas grandes.

E ainda assim, mesmo estando dentro das possibilidades de famílias de classe média alta, não acredito que haja compradores suficientes para receber o estoque (e honrar a compra).

Chegamos a um ponto inacreditável, em que mesmo grandes barbadas mofam no mercado, pois quase não há demanda firme. Como disse em um dos artigos (o da Dilma), os imóveis giravam muito bem por conta da MP do Bem, que praticamente exigia que você comprasse outro em até 180 dias (benefício fiscal fantástico). Cada imóvel vendido, era um imóvel comprado, ninguém embolsava o dinheiro.

Não tem ninguém vendendo caro o seu imóvel, não vai ter ninguém comprando caro. As simple as that (vale reler o artigo da sugestão que fiz à Dilma).

Lamentavelmente a culpa desse desequilíbrio, principalmente no Rio de Janeiro, é dos formadores profissionais de preço, como a PDG. Saiu da condição de ser a maior incorporadora das Américas (isso mesmo, EUA incluído), para ter valor de mercado menor do que o preço de uma cobertura na Vieira Souto.

Lamento pelos acionistas, pelos compradores, mas não lamento pela instituição. Quando se fala no “papel social” de uma Companhia, apenas se quer dizer que ela precisa ter responsabilidade para se perpetuar no mercado e continuar gerando valor.

E valor não é preço.

Entendeu agora, PDG?

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A respeito da economia em 2016. Por que o desastre? E 2017?

Posted on 30/12/2016. Filed under: Finanças, Política |

Acompanho com atenção o noticiário econômico. É meu trabalho. Há excelentes análises sobre o buraco econômico em que se encontra o Brasil, mas são apenas parciais e não formam um “modelo de compreensão” que nos permita mapear o futuro e diagnosticar corretamente o presente.

Apresentar um modelo para compreendermos razoavelmente o que está acontecendo é o objetivo deste artigo.

Essa é uma crise como todas as outras?

Há gente boa dizendo isso. Que sairemos dessa rápido e tudo voltará a ser como antes, pois já vivemos muitas crises.

Discordo frontalmente. Não é igual e nunca seremos os mesmos novamente. E isso pode ser até bom.

Até o Plano Real nossas crises eram, essencialmente, de balança de pagamentos, de falta de dólares. Havia outras questões, mas sempre caímos em dois destinos: Pedir dinheiro ao FMI, ou assemelhados, e dar calote. Demos vários calotes. O de Sarney destruiu nossa economia por 10 anos, no mínimo. O de JK foi patético, não era necessário, mas o “auxílio” dos cepalinos e de Celso Furtado foi decisivo para a “aventura soberana de não respeitar contratos”. Como se isso fosse bonito.

A hiperinflação era um problema?

Para a economia e para o cidadão desbancarizado sem dúvida, mas não para o mercado financeiro e PRINCIPALMENTE para os entes da federação. Para o setor público a inflação era uma benção. Facilitava o fechamento de contas.

Quando veio o Plano Real os desequilíbrios, que sempre existiram, mas eram escondidos pela inflação, vieram à tona. Foi necessário o PROER, mesmo assim vários bancos quebraram e/ou foram absorvidos por bancos menos enrolados.

Com relação aos desequilíbrios nos entes da federação, foram propostos e aprovados vários mecanismos de governança para a União, Estados e Municípios, como a centralização da dívida no governo central, lei de responsabilidade fiscal, proibição de o governo se financiar com bancos públicos ligados diretamente à administração central etc.

E passamos por outras tantas crises durante a implantação do Plano Real, ao menos até 2002. Ainda prioritariamente por questões de desequilíbrio cambial, mas agora com inflação controlada e boas regras e leis de governança.

Qual a grande diferença dessa crise para as outras?

Primeiro, não há o componente cambial. Ótimo!

Segundo, é a primeira vez que não temos a “solução fiscal”. Em resumo, não existe a possibilidade de “abrir o cofre, subir a dívida e deixar para o próximo governante o pepino”.

Ao brasileiro que me lê, lamento afirmar que não vivemos num capitalismo normal ou saudável. Num capitalismo normal há apelo à poupança popular (das pessoas) para o investimento. São investidores, fundos de pensão privados, pequenos poupadores entregando dinheiro no interesse de obter renda, dividendos, aluguéis etc.

Aqui no Brasil praticamente tudo, todas as decisões, passam pela opção de aportes, planos ou subsídios do governo. Mercado de caminhões cresceu por crédito subsidiado do governo. Concessões cresceram porque o BNDES financiou barato, às vezes 100% do investimento. Mercado de petróleo cresceu porque a política permitiu que a Petrobras se endividasse em R$ 500 bilhões para bancar a política de conteúdo nacional (que pode até ser justificável, mas nunca em patamares de 65%).

Em resumo, toda a pujança dos últimos anos foi sustentada, quase que exclusivamente, com dinheiro público. O setor privado praticamente não correu riscos. Estão quebradas as empresas? Sim, mas não porque correram riscos privados e sim porque correram o risco da dependência de políticas públicas para crescer, se endividaram, ou por conta própria ou por exigência do próprio governo (mesmo quando não queriam ou não precisavam). Acabou o dinheiro público, acabou a receita pujante e sobrou a dívida.

Quando digo que não há mais a solução fiscal, significa que não há mais como aumentar nossa dívida interna para, de forma falsa, forjar uma nova era de crescimento econômico a base do orçamento público.

De todas as crises anteriores nós saímos com “estímulo público”. Essa opção não está disponível, pois o estoque da dívida é alto e os juros ainda muito altos, de forma que o custo de manutenção dessa dívida é extremamente pesado. Não dá para brincar e se arriscar perto de uma relação de 90% a 100% de dívida/PIB.

Em resumo, não dá para chamar o Public-Batman. Sempre chamamos o salvador que abriria as torneiras. Podem tentar chamar, não há mais água. Nem sei se ainda há torneiras.

E a solução inflacionária?

Alguns analistas dizem que a solução vai ser imprimir dinheiro. Novamente discordo. Não somos mais o mesmo país da década de 1980.

Para que um governante começasse a imprimir dinheiro, teríamos que mudar todas as legislações que permitiram o equilíbrio monetário e inflacionário. Se fizessem hoje, sem mudar as leis, cometeriam uma série de crimes evidentes.

Por que Dilma usou a contabilidade criativa? Porque não podia imprimir dinheiro, tinha que “burlar” o sistema parecendo fazer a coisa dentro da lei e das boas práticas.

Quando Temer levantou o tapete e foi obrigado a olhar com os óculos da contabilidade normal viu que teríamos (e teremos) uns R$ 500 bilhões de déficits nos 3 anos seguintes POR CAUSA do elefante embaixo do tapete.

Se até Dilma e Arno Augustin, que nunca tiveram qualquer escrúpulo ou respeito pela LRF, não conseguiram imprimir dinheiro DENTRO da lei e da ética contábil, não será Temer a conseguir.

Há a possibilidade de destruirmos as leis que seguram a inflação e os governantes? Há. E já começamos, mas não será tão simples.

Querem exemplos do que o Brasil poderá fazer para voltar à década de 1980? Cito alguns (ainda não ocorreram, mas fiquemos de olho):

  • Autorização legal para os bancos e empresas públicas emprestarem para os governos (todos), ou financiarem seus déficits (comprarem debêntures do RJ, por exemplo).
  • Permissão para que os Estados se endividem por conta própria, sem aval da União e sem limite, como funcionava antes.
  • Abertura de cofres da União para salvar estados e municípios quebrados, sem contrapartida de longo prazo.
  • Desconstrução das propostas de reforma previdenciária, em todos os níveis federativos (o RJ terá 50% do total dos servidores aposentados em 8 a 10 anos).
  • Controle cambial, caso haja fuga de capitais, por não aprovarmos nenhuma reforma (está longe, mas não se esqueçam da Argentina e da Venezuela, começou devagar por lá).

Alguns desses itens até são feitos, de forma moderada e com controle central. O BACEN e o Tesouro sabem o que está acontecendo e monitoram.

Ainda se fizéssemos tudo o que foi dito acima, tenho dúvidas se haveria qualquer alívio para a crise, mesmo que de curto prazo. A única certeza seria a destruição dos avanços anti-inflacionários do Plano Real.

O RJ até tentou acessar os mercados recentemente, com venda de créditos fiscais através da sua entidade de previdência (uma burla da governança e da ética contábil). Não funcionou, pois os investidores pediram mais de 60% ao ano de taxas de juros.

Maldade dos investidores? Eu acho que foi é burrice aceitar 60%, eu não emprestaria mesmo que o governo me prometesse 200% de juros. Iria receber com precatórios com desconto de 90% a partir de 2050.

Mas por que parecemos TÃO mal?

Realmente essa crise parece não ter fim, mas a nossa percepção está agravada pelo mesmo motivo discutido antes, neste artigo.

Infelizmente o “sangue nas veias” da economia brasileira tem sido, por longas décadas, quiçá séculos, o dinheiro público.

E não só os subsídios a empresas, mas também as transferências às pessoas. Há cidades (não me surpreenderia se ultrapassassem 50% do total dos municípios) que vivem quase que exclusivamente das pensões, aposentadorias, bolsas e salários pagos pelos governos (todos).

Aqui no RJ a renda desabou para taxistas, para comerciantes do SAARA, para restaurantes e para o comércio em geral porque as pessoas com salários médios mais elevados (servidores e aposentados do serviço público) não estão recebendo. O valor dos aluguéis está igual aos de 2012. E ainda assim os imóveis não estão sendo alugados. Os aluguéis comerciais nem existem mais. É melhor deixar o inquilino de graça, pagando os custos. São 35% de vacância.

E a coisa se alastra por vários municípios da baixada. Os prefeitos não reeleitos abandonaram suas funções no final de 2016. Simplesmente sumiram.

Um parêntese penal. Falta rigor em nossa lei. Se todos esses prefeitos fujões fossem presos e tivessem seus bens confiscados, não teríamos tanto lixo moral e intelectual se candidatando. A prisão é pouco para um covarde que abandona a cidade e deixa os servidores e a população sem coleta de lixo, sem salários etc.

O RJ pode ser uma antecipação do quadro que pode acontecer no resto do país. É um laboratório, precisamos resolver rápido (não será indolor) a questão fiscal daqui e promover as mesmas reformas em outros estados.

A percepção de que estamos MUITO MAL vem daí, da falta de “sangue” nas veias da economia, porque o coração que a bombeava (o orçamento público) está parando.

Qual a solução para 2017 (e adiante)?

Infelizmente a tentativa dos nossos políticos será evitar medidas impopulares. É pouco provável, no que depender dos legislativos (todos os níveis), que haja medidas severas para cortar na carne e reduzir privilégios.

E isso, dado que não há solução fiscal disponível, deve agravar ainda mais a situação.

Há dinheiro privado para investir, principalmente estrangeiro, mas não há qualquer confiança no país, qualquer confiança de que estancaremos a sangria nas contas públicas e o crescimento vertiginoso da dívida (prevista para atingir 77% do PIB em 2017).

Sem dúvida as ações impopulares, que devolveriam o equilíbrio fiscal, poderiam despertar o interesse de quem quer garantias para investir no Brasil, mas os parlamentares, principalmente nos estados e municípios não me parecem interessados em tomar qualquer decisão nesse sentido. Um cortezinho de cargos aqui, uma redução de benefícios ali, mas nada de longo prazo.

Creio que, dessa vez, vamos até o limite, até a ruptura, até o impossível. Impossível que já é realidade no Rio de Janeiro.

E o impossível pode ser a própria solução, ou seja, confrontados com a inevitável e inexorável falência do nosso modelo de capitalismo de estado (inchadíssimo e de privilégios), precisaremos, sem qualquer outra opção viável, de redução significativa da máquina pública.

E aqui não se está falando de reduzir investimentos saúde, educação e segurança, é tolo quem acha que nossos impostos são arrecadados para isso, são arrecadados para distribuir e manter privilégios, ao povo vai a parte magra, vai o chã de dentro, o filé mignon fica com os Odebrechts, as vacas de Picciani e o implante de Renan.

Vale repetir: É tolo quem acha que nossos impostos são arrecadados para que o Estado nos sirva bem. Creio que o nível avassalador de comprometimento dos nossos políticos com propinas que destruíram a nação mostra a quem nosso orçamento serve realmente.

Quando falo de reduzir o Estado, é simplesmente parar de tentar controlar a economia, parar de criar dificuldades para “vender” facilidades, enfim, sair da frente de quem quer empreender, além de reduzir privilégios, corrigir distorções, criar legislação mais pesada para punir corruptos etc.

A solução, pelo que parece, será a própria falta dela.

O que NÃO é solução!

Sempre há pessoas de esquerda, progressistas, anti-capitalistas etc., me lendo, e certamente devem achar tudo que escrevo uma grande bobagem, julgando que o Brasil sairá do buraco com aumento de investimento público, calote da dívida interna, redução dos juros na marra etc..

Recomendaria parar de pensar nessas soluções, pois além de não funcionarem, elas decretariam o fim do seu sonho socialista brasileiro (que na prática sempre foi um pesadelo).

Primeiro porque não há espaço fiscal para aumento do investimento público, ou seja, não torça pelo impossível. É insensatez.

Segundo porque o calote na dívida interna não pode ser dado “apenas nos ricos e nos bancos”, ele só pode ser dado a todos, e isso nos levaria a um lugar que vocês não conhecem, apesar de sempre terem torcido por isso, o caos financeiro absoluto.

E o caos financeiro absoluto reduziria tão dramaticamente o poder econômico do governo, que seria a forma mais rápida de exterminar com qualquer sonho socialista que vocês venham a ter. Por um motivo simples, vocês só são socialistas por acreditarem que o governo proverá. Após um calote da dívida interna, o governo não conseguirá prover nem os salários de servidores de qualquer nível. Faltará arrecadação e o mercado de crédito não existirá mais. Será o inverno nuclear das finanças públicas, o ambiente onde nada floresce. Esqueçam, o calote é a hecatombe do seu ideal de esquerda, é o governo sem dinheiro e sem crédito. Se acham que a experiência de calote da Argentina e do Equador são exemplos (ou da Islândia), é provável que não saibam a diferença entre dívida interna e externa.

Terceiro porque os juros, hoje, até poderiam cair a uma faixa de 11 a 12% ao ano (no início do governo Temer esse era o juro dos prefixados), mas o efeito só seria sentido, em termos fiscais, em uns 3 ou 4 anos. E ainda precisamos resolver os salários de novembro do ano de 2016.

O melhor que vocês podem fazer é tocar suas vidas, fazer oposição alegórica às medidas de austeridade e torcer para o capitalismo por aqui florescer para você poder usar suas boas intenções a partir de um orçamento farto e crescente, coisa que só a geração de riqueza, típica da liberdade econômica e do livre mercado, pode dar.

Ps. Preciso comentar sobre Lula. Há um vídeo dele propondo pegar parte das nossas reservas em dólares para estimular a economia. E ele fala de usar esse dinheiro, aqui, pagando em Reais obras de infra-estrutura. É evidente que está, mais uma vez, fazendo lobby para empreiteiras bilionárias, e com o aplauso entusiasmado da plateia petista. Deus sabe onde encontram esses cérebros.

Mas isso também não é uma solução, aliás, isso não é nada. Primeiro porque o próprio Lula, em 2009, já autorizou o uso da valorização das reservas para capitalizar o tesouro nacional. Nós estamos usando isso há anos para amortizar a dívida e pagar juros. Segundo porque você não consegue fazer os dólares “desaparecerem”, portanto, eles precisarão ser comprados por alguém. Se o governo colocar US$ 100 bi à venda, provavelmente o câmbio vai se apreciar, tornando nossos produtos menos atraentes lá fora, piorando a situação da indústria. Há compradores com excesso de R$ interessados em comprar US$ 100 bi? À vista? E terceiro porque as reservas não são dinheiro de orçamento ou dinheiro para investir, são o que o próprio nome diz: RESERVAS. É algo que você usa de acordo com a necessidade de dólares na economia. É como se fosse um estoque regulador de alguma commodity. Se as reservas não tiverem volume relevante, não vão servir como proteção.

Pelo jeito, a aposta de Lula e do PT era mesmo uma volta acelerada à década de 1980, com vulnerabilidade cambial e tudo.

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Renan Calheiros venceu o STF. E a corte absolutista insiste em não entregar Luís XVI.

Posted on 07/12/2016. Filed under: Filosofia, Finanças, Política | Tags:, , , , |

Por quem os sinos dobram, brasileiro?

Pela constituição brasileira de 1988 e pelo governo Temer que pereceram hoje, dia 07 de dezembro de 2016.

O Brasil se superou ao referendar a desobediência civil em nome da governabilidade e do conveniente conchavo.

Conseguimos decidir que um presidente do senado não pode suceder o presidente da república, criando duas categorias de “chefes de poder”.

A categoria constitucional e a categoria paraconstitucional, ou categoria “Renan”. Conseguimos fugir da categoria “Cunha”, mas não conseguimos fugir de sermos humilhados pelo homem que usa aviões da FAB, que faltam para transportar órgãos e salvar vidas, para seu seboso e milionário implante capilar.

Num momento em que Temer, cada vez mais esquálida figura, precisa de apoio para aprovar reformas extremamente impopulares, e fundamentais, os poderes conseguem se unir para homologar a desobediência civil, encarnada no Renan fujão e na mesa do senado escorregadia.

Perdeu Temer. Perdeu Brasil. O interino que virou efetivo precisa do maior sacrifício que a história já requereu do povo brasileiro, e lutou para mostrar que há categorias de cidadãos que jamais passarão pelo constrangimento de serem interpelados pela justiça, por mais que roubem, por mais que estuprem a moralidade e a urbanidade.

O povo, Temer, contrariado, talvez lhe desse apoio na empreitada de salvar o Brasil, mas teria sido necessário entregar Renan e alguma parte significativa da horda de corruptos que transforma a governabilidade num jogo mafioso. E tão exclusivamente um jogo mafioso.

Agora acabou. Esqueça. Eu sei que o Brasil quebrou e precisa de nossa ajuda, mas não há um só poder em que se possa confiar. A constituição é rasgada, categorias e gradações de desacato são autorizadas, em conluio evidente para a retirada de pautas desconfortáveis para o judiciário. Não esperaram nem o defunto esfriar para retirar a urgência da pauta-chantagem do abuso de autoridade. Somos idiotas para não notar a coincidência?

Por quem os sinos dobram? Dobram em choro por todos nós.

Não acredite, Temer, que haverá conforto nos corredores palacianos. Não haverá. Não acredito em você, não tenho interesse em fazer qualquer sacrifício para manter essa ordem constitucional. Defendi a racionalidade contra os raivosos, me expus por 14 anos, me indispus em vários meios. Tudo pela racionalidade financeira. Agora deixarei você explicar aos raivosos que estes devem se sacrificar pelo status quo. Vai fundo. Tá contigo a bola.

Mais 2 anos de desordem e desconfiança e o país implode em uma nova constituição, que será extremamente desagradável para todos, mas eu poderia apostar que no interregno entre a desordem e a nova ordem, a coisa não vai funcionar bem para quem está, evidentemente, escandalosamente, desavergonhadamente e gritantemente do lado da imoralidade, da vergonha e da patifaria.

PEC 55, reforma da previdência, novos refis etc., de que adianta? Quem quer pagar para ver? Quem quer sustentar, pagar impostos, para deleite da imoralidade? Quem nos poderes da república tem moral para pedir sacrifício?

Qual o seu sacrifício Temer?

Jogaram pesado hoje.

É o fim da constituição cidadã. É, de certa forma, o fim das sequelas do regime militar.

Espero que, dessa vez, joguemos fora a água imunda de esgoto parlamentar e os bebês de Rosimery, Sarney, Calheiros, Barbalhos além de toda essa fantasmagórica esquerda lunática que ainda vive escondida atrás da perspectiva de um verde-oliva que já não existe há décadas.

A lata do lixo da história é um lugar que não merece receber tamanha toxicidade. Nós brasileiros precisamos inventar um novo inferno para desejar aos nossos representantes. O pior pesadelo de Dante não merece vocês.

Zerou a confiança. Tchau, querido.

Ps. aos inacreditáveis seres que acham que isso só está acontecendo porque Dilma saiu, só tenho a lamentar a incapacidade analítica. Não fazem a menor ideia do que está por vir. Uma nova constituição não promete ser “progressista”. Serão atropelados.

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A Lei do Abuso de Autoridade dá superpoderes a bandidos.

Posted on 05/12/2016. Filed under: Finanças, Política | Tags:, , |

Se a lei de abuso de autoridade passar como está, no Senado Federal, parece-me que só será preso no Brasil quem implorar pela prisão à autoridade policial ou judiciária.

Não sou jurista, mas parece-me que há artigos que praticamente inviabilizariam qualquer procedimento investigativo.

Deixa um espaço infinito para interpretações de advogados de suspeitos buscarem processar a autoridade judiciária ou policial.

Alguns pontos:

Art. 9º Decretar prisão preventiva, busca e apreensão de menor ou outra medida de privação da liberdade, em manifesta desconformidade com as hipóteses legais: Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.

Ora, todos os advogados da Odebrecht, de Lula e dos envolvidos no Petrolão tiveram entendimento de que o Juiz Sérgio Moro prendia em desconformidade com as hipóteses legais. Mesmo suas prisões não tendo sido revertidas em tribunais superiores. Após a lei, se um colegiado de segunda instância revir a posição do juiz que mandou prender, este será preso?

Na prática o que ocorrerá é que os juízes vão evitar a prisão, deixando o caminho livre e folgado para a bandidagem. E não só o colarinho branco. Ou, o que também é ruim, por corporativismo os juízes de segunda instância não reverterão as decisões de primeira.

Juízes deveriam poder ter sua decisão revista sem que configure crime. Estão, literalmente, criminalizando o judiciário.

Art. 10. Decretar a condução coercitiva de testemunha ou investigado desnecessariamente ou sem prévia intimação de comparecimento ao juízo: Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.

Ora, é realmente necessário convite formal? E no caso de ser necessário surpreender o suspeito? Fulano, você poderia vir aqui na PF tomar um café e trocar dois dedinhos de prosa?

Há gente inocente passando por constrangimento? Pode até ser, mas é meio óbvio que é uma minoria insignificante.

Vamos mesmo dar a meliantes o direito de um convite formal antes da condução coercitiva?

Parece uma lei feita sob medida para o “Caso Lula”. Quando a PF esteve na casa do ex-presidente tinha um mandado de condução coercitiva, mas só usaria se Lula se recusasse a ir. NÃO USOU!

Com esse artigo, parece-me que o procedimento seria criminalizado, pois indicaria premeditação e o mandado teria sido expedido ANTES do convite.

Devemos mesmo tratar patifes e pilantras com essa deferência, com esse carinho?

Art. 13. Constranger o preso ou o detento, mediante violência, grave ameaça ou redução de sua capacidade de resistência, a: I – exibir-se ou ter seu corpo ou parte dele exibido à curiosidade pública; II – submeter-se a situação vexatória ou a constrangimento não autorizado em lei; Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa, sem prejuízo da pena cominada à violência.

Redução de sua capacidade de resistência pode significar qualquer coisa, até forçá-lo a entrar na viatura segurando seus braços para trás. Toda e qualquer prisão, por si só, já é uma situação vexatória e um constrangimento. Como agirá um policial federal sabendo que seus procedimentos podem levá-lo à cadeia por 4 anos, de acordo com a interpretação dos rechonchudos e riquíssimos advogados de defesa e da relação dos senhores congressistas com ministros de tribunais superiores que, não raro, lhes devem favores?

Se eu fosse policial, não prenderia mais ninguém.

Art. 14. Fotografar ou filmar, permitir que fotografem ou filmem, divulgar ou publicar filme ou filmagem de preso, internado, investigado, indiciado ou vítima em processo penal, sem seu consentimento ou com autorização obtida mediante constrangimento ilegal: Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.

Você pode ir para a cadeia porque alguém filmou a prisão e você não viu e não evitou. Aqui até atitude de terceiros pode virar crime imputado à autoridade policial.

O que fazer agora para prender alguém? Evacuar o prédio, retirar todas as pessoas das ruas e entrar na garagem retirando ela com capuz até um carro de vidros espelhados?

Isso talvez garanta que ninguém verá o “corpo” do suspeito, nem filmará suas vergonhas, mas tem cabimento esse procedimento? Por que não há pudor algum ao roubar e sequestrar a legislação para interesse próprio, mas deverá haver na hora de prender Renan, Lula ou Collor?

Art. 15. Deixar de advertir o investigado ou indiciado do direito ao silêncio e do direito de ser assistido por advogado ou defensor público: Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. Parágrafo único. Incorre nas mesmas penas quem: I – prossegue com o interrogatório de quem decidiu exercer o direito ao silêncio ou o de quem optou por ser assistido por advogado ou defensor público, sem defensor;

Tem algum cabimento proibir a autoridade de prosseguir com o interrogatório quando alguém diz que quer ficar em silêncio? O que é isso? Não pode mais continuar perguntando, modificar a questão, tentar obter informação?

Bandido virou o que agora? É hipossuficiente para ser interrogado, mas não para cometer o crime? Entenda que o problema não é preservar garantias, pois estas já estão garantidas, é criminalizar, de forma severa, um procedimento fundamental para a instrução processual. Pelo teor da lei, se o bandido disser que quer ficar em silêncio, a autoridade que tentar continuar o interrogatório poderá ser presa.

Várias atitudes de autoridades policiais, do MP e do judiciário restariam criminalizadas com esse artigo. Faz sentido um juiz ser preso por continuar a perguntar a quem se recusa a responder? Que crime é esse?

Art. 18. Submeter o preso a interrogatório policial durante o período de repouso noturno, salvo se capturado em flagrante delito ou se ele, devidamente assistido, consentir em prestar declarações: Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.

O cara preferencialmente assalta, rouba bancos, estupra, mata etc., à noite e de madrugada, mas temos que respeitar seu horário de sono para interrogá-lo? Que isso seja uma prática desejável, ok, eu pessoalmente não acho, mas transformar em crime com pena de prisão um interrogatório às 22:00?

Art. 23. Invadir ou adentrar, clandestina, astuciosamente ou à revelia da vontade do ocupante, o imóvel alheio ou suas dependências, assim como nele permanecer nas mesmas condições, sem determinação judicial e fora das condições estabelecidas em lei: Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. 1º Incorre nas mesmas penas quem, na forma prevista no caput: II – executa mandado de busca e apreensão em imóvel alheio ou suas dependências, mobilizando veículos, pessoal ou armamento de forma ostensiva e desproporcional, ou de qualquer modo extrapolando os limites da autorização judicial, para expor o investigado a situação de vexame;

O que é desproporcional? Os carros da polícia devem ficar ocultos? Os policiais não devem usar uniforme? O que é ostensivo? Aparecer? Ser visto? Quanto ao armamento, não pode usar .45, tem que ser .38?

Que mundo é esse em que vamos deixar criminosos melindrados se sentirem “ofendidos” e pedirem prisão para os executores dos mandados de prisão? Que raio de superpoder é esse?

Art. 28. Induzir ou instigar pessoa a praticar infração penal com o fim de capturá-lo em flagrante delito, fora das hipóteses previstas em lei: Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (anos) anos, e multa.

Quer dizer então que se um cidadão recebe pedido de propina, avisa às autoridades, as autoridades não mais poderão sugerir que ele vá ao encontro do político ladrão para consumar o ato de corrupção?

Esse artigo ajuda a quem? À sociedade ou aos meliantes?

Art. 31. Prestar informação falsa sobre procedimento judicial, policial, fiscal ou administrativo com o fim de prejudicar interesse de investigado: Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. Parágrafo único. Incorre nas mesmas penas quem, com a igual finalidade, omite dado ou informação sobre fato juridicamente relevante e não sigiloso.

Essa é ótima, não só a autoridade não poderá criar situações hipotéticas para buscar informações do preso (como a possibilidade de um comparsa entregar ele, por exemplo), como terá obrigação de contar TUDO o que sabe ao suspeito, sob pena de ir para a cadeia.

Quer dizer, se 2 comparsas estão sendo interrogados em salas diferentes a polícia precisaria transmitir tudo o que eles falam e alegam um do outro, pois são fatos jurídicos relevantes?

Como será o interrogatório daqui por diante? Esperar que a providência divina ilumine o suspeito e este confesse?

Art. 38. Coibir, dificultar ou, por qualquer meio, impedir a reunião, a associação ou o agrupamento pacífico de pessoas para fim legítimo: Pena – detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa.

Ora, há políticos que entendem a ação dos Black blocs e dos arruaceiros com coquetel molotov como ordeiras e legais. Vamos prender o policial que coibir?

É inegável a aderência de muitos desses pontos ao interesse de políticos encrencados com o MP e o judiciário.

É inegável que muitos pontos aqui são de especial interesse para advogados de clientes riquíssimos e poderosos.

É inegável que Renan e seus asseclas querem mesmo criminalizar procedimentos que os incomodam ou podem incomodar. É tolice achar que serviria para proteger os pobres.

A impressão que dá é que querem transformar bandidos em mais uma minoria protegida, com superpoderes que jamais estarão ao alcance dos cidadãos que não cometem crimes.

Nós que sofremos com os efeitos do crime, seja com a falta de dinheiro para pagar serviços públicos básicos ou com atentados à nossa própria vida, não temos e não teremos poder algum.

O Brasil é realmente um paraíso para a bandidagem.

Ps. Não sou jurista, apenas falo o que seria o senso comum.

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A esquerda brasileira e a Revolução Francesa. Entenderam tudo errado.

Posted on 30/11/2016. Filed under: Filosofia, Finanças, Política | Tags:, , , , , , , , |

Há uma bizarrice nas redes sociais, sugerindo que os movimentos de esquerda que atacaram Brasília no dia 29.11.2016 seriam o povo que tomou a bastilha e derrubou a Monarquia.

Nada mais falso que isso.

Black blocs, MST, MTST, UNE etc., são franjas da mesma monarquia que está implorando por ser derrubada por OUTROS movimentos, estes liberais, pró-mercado e anticorrupção.

Isso mesmo, meu nobre gauchiste, você estaria do lado da Monarquia e do Clero em 1789 e jamais do lado dos que queriam reduzir privilégios, impostos e o poder do Estado.

Primeiro, Segundo e Terceiro Estado.

O Clero, o Primeiro Estado, seria os nossos políticos que recusam qualquer mudança que possa lhes tirar poder. E você apoia! Ontem, mesmo dia 29.11.2016, na câmara o PC do B e o PT foram os partidos que mais atacaram o poder judiciário e rejeitaram a criminalização de enriquecimento ilícito de servidor público e as mudanças nas regras na prescrição de crimes contra o patrimônio público.

Até o ressarcimento aos cofres públicos  de dinheiro roubado do Estado foi negado pela “frente esquerdista” em aliança com PMDB, PP etc. (exatamente como nos governos Lula e Dilma).

A nobreza, o Segundo Estado, era composto pela realeza e por milhares de cortesãos (puxa-sacos), que sobreviviam a base do Estado. Quer coisa mais “de esquerda” do que isso, viver às custas do Estado por subserviência a uma causa? Não é esse o ideal marxista-leninista, o Estado como único provedor inquestionável?

O Terceiro Estado era explorado pelos dois primeiros e incluía burgueses, sans-cullotes e camponeses. Todo o peso dos impostos recaia sobre este último Estado, dado que os dois primeiros tinham isenção tributária e usufruíam do Tesouro da Realeza com gordas pensões, empregos públicos e subvenções.

Luta contra a PEC não faz de você um Jacobino, nem um esquerdista clássico da revolução.

Nossos Girondinos são os membros da Alta Burguesia, que não querem mudanças radicais, mas já entenderam que seus negócios não vão prosperar na continuidade da corrupção estatal. É fácil ver, dado que todos os que se locupletaram de dinheiro público e promessas de políticos estão em recuperação judicial, enrolados com a polícia ou em situação econômica muito pior do que antes da cleptocracia PT-PMDB. Estão aí os gigantes da indústria e do setor financeiro. Até eles querem mudança.

Já nossos Jacobinos são os pequenos empresários, profissionais liberais e trabalhadores em geral que odeiam a pressão do Estado sobre seus bolsos e os péssimos serviços públicos que recebem em troca dessa opressiva carga tributária e regulatória.

Até a “esquerda” jacobina, mais agressiva, não representaria JAMAIS o interesse dos que incendiaram Brasília em 29.11.2016, pois eram, em essência, burgueses, profissionais liberais e artesãos com interesses AINDA mais radicais contra o Estado. Nada a ver com você amigo vermelho.

Coxinhas e vermelhinhos

Os “coxinhas”, em suas diversas matizes, representam os ideais da Revolução Francesa, sem o interesse no período de terror, pois não quer que a Monarquia volte.

São eles que saem às ruas pela prisão de TODOS os políticos envolvidos em falcatruas, pelo aumento das penas, pela redução da impunidade, pelo apoio às medidas anticorrupção, pela redução do poder do Estado, pelo fim do compadrio na indicação de membros do STJ, STF, Tribunais de contas, pela agilidade no STF, enfim, exclusivamente medidas que TIRAM poder do Estado, do “Clero” e da “Monarquia”.

Você, amigo de esquerda, quer, na verdade, a volta de Luís XVI e Maria Antonieta. Nem preciso dizer quem são, não é mesmo?

Quer apenas que as verbas públicas estejam ao seu serviço. Dizem que pensam nos pobres, desvalidos etc., mas se assim fosse, iriam querer a expansão do livre mercado, das empresas, da burguesia, da livre iniciativa, do investimento privado etc., que, por evidente, é o único caminho conhecido pelo homem, em todos os tempos, em todos os povos, para gerar riqueza e retirar as pessoas da miséria.

É claro que o amigo esquerdista não vê isso, pois associa a própria existência da pobreza ao capitalismo, quando, por óbvio, a pobreza é a condição natural do ser humano e jamais poderá ser suplantada SEM liberdade de associação, respeito à propriedade privada e aos contratos.

O fato de existirem pobres e “podres de ricos” numa mesma sociedade não a torna pior do que uma onde só há pobres e miseráveis. Nessa última além de não haver ricos, não há qualquer expectativa para um pobre sair de sua condição, pois não há para onde ir. Procure nascer na Selva (ou na Venezuela) para ver como a pobreza, em ambientes anticapitalistas, é uma condição intransponível. Exceto para o Clero e para a Monarquia, que vocês tanto defendem (Chávez, Fidel, Stálin eram mais absolutistas, para seus povos, que Luis XVI e todos os Papas pós inquisição.)

A constituinte

Vale lembrar aos vermelhinhos que se sentem “do lado certo” da Revolução Francesa Tupiniquim, que a Constituição Francesa pós-Revolução inspirou-se na Constituição dos Estados Unidos da América (de 1787) e foi a síntese do pensamento iluminista liberal e burguês.

Acho que não há nada MENOS esquerdista que isso, não é mesmo?

Vocês não vão mudar o Brasil, representam a falência, representam a continuidade de um Estado paquidérmico de direitos infinitos e deveres incompatíveis com o financiamento desses direitos. Representam o próprio desequilíbrio fiscal, hoje quase intransponível. Representam a crença de que calotes e descumprimentos de contratos, valentia anticapital, nos levariam ao paraíso de um mundo sem dívidas reconhecidas e juros escorchantes.

Estão errados. Há farto material de prova que esse modelo é fracassado, leva à miséria e ao desespero e distribui pobreza, cada vez maior, exceto para o Clero e a Monarquia.

Na verdade, no fundo, vocês querem mesmo é fazer parte desses dois últimos. Apesar de, erroneamente, acharem-se Jacobinos.

Não se iludam, à época vocês dariam suas vidas por Luís XVI e não por Danton.

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Michel Temer, o Golpe da Anistia ao Caixa 2 e os Escravos da Narrativa

Posted on 25/11/2016. Filed under: Filosofia, Finanças, Política | Tags:, , , , , , , , , , , , , , |

Diante de todo o descalabro na política nacional, com forte reação da opinião pública, pressão da mídia, do MP e do judiciário, das redes sociais e até de grupos de enfrentamento, como o que invadiu o congresso por acreditar que a Anistia havia sido votada, ouvimos uma voz irritante falando:

– Cadê as panelas?

Meu Deus, como é insuportável! Como é desagradável! Como é equivocado perguntar, diante de toda a gritaria ensurdecedora, onde estão as panelas!

Em busca da narrativa perdida.

A esquerda, o petismo e suas franjas e adjacências viajam, sem perceber, num mundo paralelo. São escravos cegos, remando ao ritmo ditado pelos almirantes intelectuais das Galés em busca de um porto seguro de ideias erradas e inverossímeis.

As pessoas que vivem a normalidade da razão, que buscam porto seguro em evidências empíricas ou corroboração factual de seus pressupostos, veem, e não acreditam no que veem, a vergonhosa impostura intelectual que assola os novos escravos da narrativa.

Perdem-se no mar dos fatos e, de vez em quando, aportam em uma ilha de conforto no erro e na confusão mental e moral.

Para quem vive de narrativa, é imperioso descobrir fragmentos de realidade e transformar em vergonhosa retórica moral e intelectual.

Após o mensalão, inventaram um mundo em que quem fura a fila não pode reclamar de desvios bilionários dos políticos de estimação do petismo e dos intelectuais da esquerda. Uma pessoa normal sabe que até o goleiro Bruno pode reclamar do roubo de dinheiro público, qualquer um pode, pois um erro moral ou crime não justificará o outro nunca. A hipocrisia de quem agride não conserta o erro do agredido.

Hoje nossos heróis, perdidos e sem rumo, aportam em qualquer ilha de bobagens para justificar suas narrativas de ideias erradas e distorcidas sobre o mundo.

É Moro à serviço da CIA, é o MP em conluio com a Chevron, é o Cunha que não iria ser preso após a queda da Dilma, é Sérgio Cabral que ficaria livre, é a PF que não prende ninguém de direita etc.

Foreign Corrupt Practices Act

A minha “ilha da fantasia moral esquerlouca” preferida, uma das coisas mais ridículas que já ouvi, é a história de que as leis anti corrupção nos EUA, que punem qualquer empresa que tenha negócios por lá e tenham cometido atos de corrupção em qualquer lugar do mundo, seriam um instrumento imperialista para permitir que empresas norte-americanas possam concorrer sem o peso da corrupção local nos países “periféricos”.

O mais divertido é que é isso mesmo. O objetivo do Foreign Corrupt Practices Act é justamente combater a concorrência desleal da corrupção, do conluio e da fraude.

Essa ilha de narrativa é tão inacreditável que o sujeito mira num fato virtuoso, conhecido e compartilhado por todas as empresas que fazem negócios com os EUA, para justificar a corrupção local como se fora uma vantagem competitiva das nossas empresas e do nosso jeitinho maravilhoso de roubar a nós mesmos.

E acham que é imperialismo, mesmo sabendo que há multas pesadíssimas inclusive contra bancos suíços e europeus.

É ou não é inacreditável?

A mais recente ilha da fantasia da narrativa.

Essa bizarrice de perguntar onde estão as panelas é inacreditável. Elas estão soando de forma ensurdecedora, mas não são de metal.

Por que insistem no inexplicável?

Porque vivem, como já dito, numa Galé de escravos, remando ao som de fragmentos de ideias propostas por construtores de narrativas, em busca de um porto seguro para “verdades” inverossímeis.

Perceba que, quando criticam, o fazem com “certeza absoluta” de que estão certos. A ponto de se indispor com gente realmente preocupada com a situação calamitosa do país e engajada em não permitir a continuidade do descalabro.

Os deputados e senadores estão tentando, diuturnamente, salvar suas próprias peles e as de seus corruptores. E voltam atrás regularmente, pois a pressão é gigante. Eles afirmaram em várias oportunidades que a pressão está insuportável. Abriram fogo contra o ministério público e contra o judiciário (estratégia usada para acabar com a operação Mãos Limpas na Itália) e até contra O Antagonista, o porta-voz do Impeachment, que hoje é o principal calo no sapato de Temer e de Renan.

Quem faz essa pressão em cima dos “nobres” congressistas? Você que critica as panelas? O PT? Lula e Dilma? Os ex-aliados de Dilma, como: Renan Calheiros, Jáder, Requião e até o Temer (esqueceram de quem ele era vice)?

Não, meu amigo. Quem está tentando salvar o Brasil dessa imoralidade são as pessoas a quem você quer atingir perguntando “onde estão as panelas”. São as pessoas que gritam contra a corrupção com todas as forças e ferramentas que têm, que estão ao seu lado, mas você prefere ignorar e ofender com sua retórica jocosa e pretensiosa. Não tem graça nenhuma. E não tem sofisticação alguma.

Quem encheu o telefone do Rodrigo Maia e de vários congressistas com cobranças contra a anistia foram os mesmos que bateram panelas para tirar Dilma. Assim como quem enche diariamente as caixas de mensagem, whatsapps, emails, perfis, twitters etc, de congressistas cobrando compostura e vergonha na cara também bateram panela contra Lula.

Você acha que as panelas não estão soando, mas diariamente mensagens contra a corrupção e a vergonhosa anistia atingem top trends mundiais no twitter. E concorrendo contra escândalos de celebridades mundiais como Justin Bieber e até contra a fúria atleticana e colorada contra seus técnicos e times.

Vocês perguntam onde estão as pessoas que foram às ruas, onde estão os movimentos “de direita” que levaram à queda de Dilma e do petismo necrosado, mesmo diante de uma enxurrada de eventos criados justamente para encher as ruas no combate à corrupção NO GOVERNO DO SEU VICE!

Abandonem a escravidão da narrativa a que servem, o Brasil precisa disso!

Nenhum fato real se encaixa na narrativa do “cadê as panelas”. É uma atitude que tenta atingir gente que está preocupadíssima com a situação do país, que está sofrendo e com medo de perder a guerra contra os barões do Brasil, contra Renan e sua camarilha. Essa situação é ruim para você também, e pode piorar bastante.

O que você ganha dividindo os esforços de quem quer combater a escumalha que governa o Brasil entre pressionar os congressistas e se defender do grotesco “cadê as panelas”?

O Brasil vive um frágil equilíbrio econômico, entre a esperança de retomar a normalidade e receber investimentos, ainda que pequenos, ou cair de vez no descrédito nacional e internacional e passar longos anos sem crescimento e, pior, sem orçamento público suficiente para pagar os serviços mínimos à população.

Michel Temer não entendeu que é IMPOSSÍVEL recuperar a credibilidade econômica mantendo o modelo de aceitação da corrupção como método de fazer política. O PT foi o partido que institucionalizou e justificou moralmente a corrupção NACIONAL como método de enfrentamento das “elites imperialistas brancas de olhos azuis”. Isso destruiu o Brasil, ou reconstruímos ou voltaremos à década de 1980, mas com um país infinitamente pior, mais violento e com menos espaço orçamentário.

A crise é moral, a crise é ética. E sem resolvermos isso, não há dinheiro, não há esperança e não há investimento externo.

A polarização não vai acabar se o antagonismo, mesmo diante de temas de interesse comum, continuar.

A retórica de esquerda reinou incólume no Brasil, desde o fim do governo JK até 2014. Falavam sozinhos com o campo de força invisível do politicamente correto mantendo as pessoas de fora do “grupo” bem distantes de importuná-los no campo de ideias tortas e erradas que cultivavam. Nunca houve contraditório para o ideário de esquerda, até 2 ou 3 anos atrás. Roberto Campos morreu falando sozinho. Hoje seria o líder liberal que não existe no Brasil.

A revolução da racionalidade trivial (do homem simples) contra a impostura arrogante da narrativa é coisa recente. Eu pessoalmente sofri o preconceito esquerdista contra a racionalidade instrumental básica por longos anos, mesmo estando certo em quase tudo o que apontei como destruidor, como está claro nos textos do meu blog.

Não fiquem melindrados por perder a guerra dos fatos e também das versões. Vocês reinaram 95% do tempo, agora o barco virou e não vão reinar mais. O escudo que permitia que bobagens soassem como sofisticação hegemônica (moral e intelectual) acabou.

O Rei está nu e não toma banho desde 1917.

Há uma oportunidade para a aliança neste momento em que, EVIDENTEMENTE, os inimigos são os mesmos e os métodos de luta contra eles também podem se somar.

Mas você prefere a etiqueta da grosseria.

Você prefere ofender quem grita contra a corrupção a se unir para cobrar os corruptos.

Sua única luta agora, parece, é por outra narrativa conveniente, como a que quer manter o sorvedouro de dinheiro público para projetos fracassados, refletida nos movimentos de ocupação das escolas, nos pleitos dos sindicatos, MSTs e outras franjas que sobrevivem apenas do orçamento público.

Gastamos todo o dinheiro que tínhamos e somos uma nação de analfabetos com diploma de pós-graduação. Somos uma nação de viciados em dinheiro públicos.

Em crise de abstinência.

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Putin e Trump, o que a imprensa não vê. Ou se recusa a ver.

Posted on 21/11/2016. Filed under: Filosofia, Finanças, Política | Tags:, , , , , |

No sábado, dia 19.11.2016, o programa do Willan Waack na Globo News se propôs a discutir a futura geopolítica de Trump.

3 especialistas, que realmente entendiam do assunto, nos brindaram com algumas boas ideias e com um monte de trivialidades.

Mas, a meu ver, todos erram por evitar pensar “fora da caixinha”. Há uma unanimidade ao assumir que a situação com Trump ficaria mais perigosa, que Trump aceitaria a política expansionista de Putin na Criméia, na Ucrânia e nos Balcãs.

Porém esquecem de um ponto, Putin disse que haveria a terceira guerra mundial se Hillary vencesse, e não Trump. Logo Hillary e Obama, que nunca confrontaram Putin em nada. A doutrina Obama é clara ao retirar dos EUA protagonismo na geopolítica mundial.

Mas a explicação é meio óbvia, apesar de nenhum dos especialistas ter levado para esse lado.

Putin é remanescente da Guerra Fria. Putin sabe que a Rússia Grande só existirá no campo bélico. Fora disso, a Rússia é apenas uma economia menor que a da Coréia do Sul e totalmente dependente de seus vizinhos europeus para consumir seu gás e óleo, cada vez mais baratos.

Obama não o enfrentou. Obama permitiu o protagonismo da Rússia, mesmo em situações vexatórias como na Ucrânia e na Síria. O mundo inteiro sabe que a Rússia afirma enfrentar o ISIS, mas é pretexto para destruir os rebeldes e garantir Bashar Al Assad no poder.

Putin continua abertamente sua corrida armamentista, lançando há pouco o Satã 2, arma nuclear que poderia atingir qualquer cidade do mundo. Putin fala abertamente em uso tático de armas nucleares (menores). Putin fala abertamente em retomar sua área de influência no leste europeu. Putin quer instalar mísseis na Venezuela.

Obama não se importa. Obama é Ghandi no lugar errado. A não violência e a não intervenção (objetivos declarados de Obama, porém não totalmente cumpridos) retirou o protagonismo dos EUA e é por isso que Putin atribui a terceira guerra mundial à gestão de Obama e à ex-possível gestão de Hillary, e não à Trump.

Ele não é Hitler. Ele sabe que a Rússia grande não é a da terceira guerra mundial, mas a da guerra fria.

Putin quer e precisa de um adversário também belicoso. Se ele quisesse um adversário frágil e calado, iria preferir a continuidade da Doutrina Obama.

Não é verdade, portanto, que o mundo ficará mais perigoso com Trump. Talvez regridamos para ter tensões geopolíticas que há muito não víamos, mas nós convivemos com isso por quase 50 anos.

O mundo que não conhecemos é o de Putin livre, sem oponente. Só sabemos que ele demonstra interesse em recuperar a influência da antiga URSS. Mas não conhecemos esse mundo sem os EUA de Reagan.

Na minha modesta opinião, que é contrária à da maioria dos analistas, Putin quer retomar o único quadro geopolítico em que ele é relevante, o da corrida armamentista e da guerra fria.

Mas precisa de um oponente.

Hitler queria dominar o mundo, portanto não precisava de nenhum adversário forte, Putin sabe que dominar um mundo com armas atômicas é impossível (ele acabaria e não haveria o que dominar), portanto PRECISA de um adversário. Obama nunca foi.

Obama está certo? Trump está errado?

Essas perguntas não fazem muito sentido, apenas apaziguam nossa necessidade de assumir lados, de procurar alguma moralidade que nos traga conforto.

O que importa é saber o interesse dos protagonistas. Se soubermos, podemos tomar decisões corretas, se nos recusarmos a saber, por motivos moralistas, vamos tomar decisões erradas.

Infelizmente o mundo inebriado pelo politicamente correto não consegue pensar fora dessa ética globalista.

Mas a realidade não se encaixa no pensamento confortável. É por isso que estamos em crise econômica, moral e, futuramente, poderemos estar de volta à guerra fria.

Nós continuamos sendo inteligentes, porém o politicamente correto “proíbe” que trabalhemos intelectualmente cenários incômodos, fora da moral geralmente aceita. A imprensa está tomada por essa vírus do caminho intelectual proibido.

E dessa forma continuaremos com opiniões bovinas, convenientes e erradas.

Por que será que todos dizem que Trump irá iniciar a terceira guerra mundial, enquanto Putin diz justamente o contrário, que Hillary o faria, mesmo com a doutrina Obama deixando o baixinho russo deitar e rolar na geopolítica mundial? Todos os cenários apresentados pelos “analistas” corretos, não explicam isso!

Porque Putin, provavelmente, quer a guerra fria e não a terceira guerra. E esta seria provável, sem adversários. Há 2 cenários para quem é forte militarmente. Conquista e equilíbrio. Putin clama, desesperadamente, pelo equilíbrio. Mas dentro da guerra fria, onde a mãe Rússia voltará a dar as cartas, mesmo sendo uma economia esquálida e frágil. Pior será se o futuro do petróleo for tenebroso. Não sobrará muito da economia russa.

Se estou errado nem é tão importante. Mas é bom deixar um pensamento fora da caixinha circulando, para as pessoas raciocinarem de maneira alternativa. Todo mundo pensando do mesmo jeito é um saco.

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Rio de Janeiro: O Caos financeiro, a Casta de Privilegiados e o Ocaso do Brasil

Posted on 17/11/2016. Filed under: Filosofia, Finanças, Política |

O governo do Rio de Janeiro quebrou e não deve se recuperar antes de 2022, se conseguir.

Em essência o problema foi utilizar todo o espaço fiscal gerado pelo boom do petróleo, da ilusão da copa e das olimpíadas para permitir o crescimento de despesas permanentes.

Há um grupo de “analistas” que dizem que o problema não é de crescimento de despesas, mas de redução de receitas. É uma análise conveniente, mas errada e ineficaz. Uma análise honesta deve encarar o problema de acordo com as armas que o estado tem para solucioná-lo. E certamente não está à disposição aumentar a receita em 30%. Nem com aumento de impostos, nem com a expectativa de crescimento econômico. Não há qualquer arsenal de aumento de receitas à disposição de QUALQUER governo na federação, nem no Governo Federal.

Ou se olha pelo lado dos cortes, ou deixamos a coisa explodir em uns 3 anos. Quando falo explodir, não é nada perto do que vivemos nos últimos 516 anos. É algo que ainda não ocorreu por aqui.

O Rio já dá uma ideia de como seria essa explosão. Falta dinheiro para coisas básicas como pagar salário e aposentadorias, mas há uma luta, principalmente por parte da ala mais privilegiada (judiciário e legislativo), para defender o recebimento prioritário de seus vencimentos. Clássico “farinha pouca, meu pirão primeiro”. O problema é que a farinha é, em última análise, fornecida por quem já recebe pouquíssimo pirão e não tem qualquer motivo para entender o faisão dos desembargadores do TJ-RJ.

O ocaso do Brasil

Busca-se o socorro do governo federal. Se vier essa ajuda, comprar dólar vai ser uma boa opção para o médio prazo. Vamos quebrar.

Seria o clássico abraço de afogado. Se o governo central oferecer ao RJ qualquer tábua de salvação, mais 10 estados destruídos virão abraçar a frágil boia, o que levará todos para um buraco que ainda não vimos.

O governo central tem déficits que beiram 10% do PIB ao ano. A dívida cresce sem limites. Os juros voltaram a subir forte em novembro. Com Dilma já teríamos quebrado, sem as iniciativas tímidas de redução de gasto promovidas por Temer, o mercado já teria se retirado do Brasil e de seu futuro. Mas Temer também corre esse risco, de quebrar o Brasil, pois as resistências ao controle de gastos, mesmo numa expectativa péssima para o futuro das receitas, são fortíssimas, principalmente por quem não quer perder privilégios sobre o orçamento público. Aqui inclui-se de tudo. Empreiteiros, empresários, funcionários públicos, bolsistas e outros grupos estado-dependentes.

Mas esse orçamento acabou.

A injustiça e a percepção da injustiça.

Do ponto de vista dos “direitos adquiridos”, todo corte parece injustiça. Mas não é isso que pode gerar convulsão social. Pagar o pato faz parte. Mas pagar sozinho, não.

Enquanto os governos pedem sacrifício aos servidores e à população, principalmente aos menos abastados e protegidos, a estrutura inadmissível de privilégios continua incólume, inabalável e crescente.

O servidor que ganha R$ 3.500,00 não entende porque seu salário precisa ser reduzido em 20% enquanto membros do legislativo e do judiciário ostentam remunerações, que são decididas por eles mesmos, que ultrapassam R$ 100.000 por mês.

O problema é que a redução ou congelamento de salários em poderes que usam seu orçamento como bem entendem, é ineficaz, pois sempre haverá retroativos convenientemente inventados, sempre haverá ressarcimento de despesas médicas infinitas, sempre haverá uma portaria ou norma à disposição para repor qualquer “necessidade” de quem não precisa de nada.

Na verdade, quem pagará o pato é aquele que vive no limite. Tirará o filho da escola, cortará no mercado, cancelará o plano de saúde, vai se mudar para longe do trabalho para poder pagar o aluguel. O Estado não estará lá para lhes prover reembolsos do Samaritano ou auxílio moradia no Leblon.

Não vai dar certo

O nível de desequilíbrio das contas é tão alto, e contínuo, que não adiantará empurrar com a barriga até uma eventual melhora da economia. Esta não virá antes de 2018, se é que virá.

O problema é que vivemos um momento em que as principais lideranças brasileiras estão envolvidas com problemas pessoais, principalmente com a polícia.

Os chefes do executivo, atuais e anteriores, estão enrolados na lava-jato, os chefes do legislativo também. Só conseguem pensar em legislar para se livrar da justiça. O país precisa desesperadamente de reformas, em todas as áreas, mas os esforços mais eloquentes estão em livrar Renan Calheiros da cadeia. Com o STF empenhadíssimo nessa e em outras operações-abafa.

A maioria dos privilégios nababescos pagos ao legislativo e ao judiciário, principalmente estaduais, já poderiam ter sido barrados no STF, há anos, mas convenientemente dormitam até hoje nas gavetas de quem pediu vista ou trancou a pauta. Corporativismo? Talvez seja pior que isso.

Pedir sacrifícios ao povo brasileiro e desfilar imoralidades com dinheiro público não vai dar certo. Os “senhores do orçamento” precisam, voluntariamente, extinguir obscenidades como usar de aviões da FAB indiscriminadamente, gastos milionários com cartões corporativos e penduricalhos imorais (ainda que pseudo-legais) nos vencimentos de quem abriga até colégio bilíngue de filho no orçamento público.

Análise puramente econômica

Na verdade, a análise não pretende ser um libelo puritano e moral, nada disso.

Os caminhos para a solução estão dados, todos conhecemos há décadas. É sacrifício mesmo. E barra pesada.

Quando o mercado aplaudiu a PEC 241 e a futura reforma da previdência não o fez por ser “mal”, por ser o “grande satã”, ou por que o “FMI mandou”. O fez porque é da sua natureza entender as contas de risco e retorno.

Se o ente tomador de empréstimo (Brasil) é solvente e tem uma evolução positiva nessa solvência, o mercado empresta barato. Caso contrário, empresta caro. Ou não empresta.

Isso não é matéria de caráter moral, é tão somente cálculo estatístico trivial de desvios padrões, médias e covariâncias. Ser estúpido com matemática custa caro, por isso o mercado costuma não falhar nessas modelagens simples.

Podemos mandar o mercado às favas?

Sim, e, se isso acontecer, há opções para quem quer se proteger como o dólar e os títulos pós-fixados, ou até os atrelados à inflação. Ou até sair do país, caso migremos ao modelo bolivariano (que já foi brasileiro) de controle cambial, inflação mascarada e controle de capitais. Aí é dólar a R$ 7,00 e inflação descontrolada.

 

Há boas perspectivas para a economia?

Não vejo nenhuma. Se os governantes brasileiros decidirem esperar por um milagre, é bom desistirem e se acostumarem com invasões de assembleias, de câmaras e de suas próprias privacidades.

Petróleo não subirá de forma significativa, aliás corre o risco de cair. Trump pode reduzir o poderio econômico chinês, consequentemente o preço de outras commodities que vendemos. Nossas receitas orçamentárias não vão subir. Há fila de empresas com risco de pedir recuperação judicial. Os juros voltaram a subir, pois o Brasil está menos confiável. O mercado imobiliário não passará nem perto da recuperação, sem crédito e sem emprego. A queda na renda dos funcionários públicos, forçada pelos desequilíbrios orçamentários, pelos aumentos de contribuições previdenciárias e pela incerteza quanto ao pagamento, vai reduzir significativamente o poder de consumo em várias cidades brasileiras, dificultando a recuperação econômica. A carência de recursos nos governos vai reduzir demais os projetos privados que, infelizmente, se acostumaram e ficaram viciados em dinheiro público, em correr risco com o dinheiro do contribuinte. Não há dinheiro privado para investimento nas empresas brasileiras, estão todas cortando.

A única boa expectativa que tínhamos era receber dinheiro do exterior, abundante e barato. O problema é que o Brasil enfeiou. O Brasil está fedorento. O Brasil está sanguinário. O Brasil não fez, e pelo jeito não fará, nenhum dos seus deveres de casa.

O Brasil não é mais destino para nada. Levaremos, nessa toada, outros 500 anos para voltar ao grau de investimento.

O que fazer?

Equilibrar o que está desequilibrado, moralizar o que está imoral, para então pedir apoio e sacrifício à população.

Temer não tem a legitimidade do voto e de um projeto de governo vitorioso nas urnas. Mas isso é o de menos, pois ele poderia “ganhar” essa legitimidade, honrando os motivos que levaram as pessoas às ruas pelo fim do governo inacreditável de Dilma Rousseff.

Para começar, poderia parar de jantar com Renan Calheiros. Aliás, se o STF julgar e condenar Renan, o que já poderia ter feito há 2 anos, será um bom início. Dará o sinal de que a monarquia está acabando.

O caminho, único e evidente, é entregar Luis XVI e Maria Antonieta ao povo, antes que o povo resolva toma-los à força. Força aqui não é “força de expressão”, a invasão da Assembleia do RJ, do Congresso Nacional e a hostilização de políticos e juízes do STF já são realidade.

Os caminhos constitucionais estão abertos. Fim de dinheiro subsidiado para empresas bilionárias (o maior de todos os pecados do PT). Teto constitucional está aí para ser cumprido. Demissão de servidores (o que Pezão quer evitar) também. Para a demissão chegar aos servidores estáveis, os governos têm que cortar todos os cargos em comissão, ou seja, retirar da máquina milhares de apadrinhados, por que não fazem? Reforma da previdência, reforma trabalhista etc., estão todas aí.

Pudemos empurrar com a barriga por 516 anos, mas acabou a barriga e o caminho. Não dá para esconder nada embaixo do tapete agora.

Não dá para pedir sacrifício ao povo sem mostrar severos cortes em benefícios injustificáveis e imorais.

É difícil demais ver um salário de R$ 5.000 cair para R$ 4.000, por um esforço de equilíbrio orçamentário, e saber que há salários imunes a esses cortes, pois sua composição é de penduricalhos bilionários.

Talvez seja a hora de um “populismo salarial”, ou seja, não cortar de quem ganha menos e buscar o ressarcimento em quem ganha mais. Prefiro ver meu PM ganhando os mesmos R$ 3.000 e meus desembargadores vendo seus vencimentos caírem de R$ 100.000 para R$ 30.000. É justo e moral. Não vou entrar no mérito da legalidade, pois quem faz as leis e quem as julga são exatamente os que mais benefícios auferem da legislação e de sua interpretação. É causa própria, só consigo avaliar a moralidade. É imoral e, ainda que fosse legal, é conflito de direito adquirido. Nosso pacto social promete o paraíso em troca de nossos impostos. Recebemos o inferno. Nós contribuintes temos nosso direito constitucional negado diariamente.

Nem Bolsonaro, nem Trump, em 2018.

A julgar pelo caminho que o Brasil está tomando, de total confusão orçamentária, o próximo presidente não precisará apenas ser boquirroto, falastrão e conservador. Não adianta querer perseguir os bandidos de rua e destroçar a esquerda e o insuportável “politicamente correto”, apenas. Vai ter que endereçar a questão de Luís XVI e Maria Antonieta.

Vai ser a principal guerra em 2018. Quem mostrar que consegue transformar a destinação dos recursos públicos em algo mais equilibrado, menos imoral e menos injusto, deve vencer a eleição.

O discurso está dado. Pezão não usou, mas se fosse eu, usaria.

Quando recebesse a ordem judicial para pagar primeiro o salário dos juízes e desembargadores, eu chamaria a TV, rasgaria a ordem ao vivo, e diria que o salário de quem ganha menos será pago primeiro, se sobrar pagaria o resto. Falaria o seguinte:

– Descumpro a ordem judicial sim, pode mandar me prender. Não vou pagar salário de R$ 170.000 a desembargador e deixar professor de R$ 1.600 sem dinheiro. Se quiser, liga para a PM e convença-os a me prender por pagar primeiro o salário do soldado que toma tiro pela população, em vez do auxílio moradia de quem tem apartamento próprio em Ipanema.

Está na hora de mudar o equilíbrio de forças no orçamento público. Ou é voluntário, ou será pela desobediência civil pura. Chegará um momento em que sonegar será questão de honra para a população.

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Bolha imobiliária: O bizarro mercado imobiliário da Zona Sul do Rio e sua comparação com o mercado de São Paulo.

Posted on 18/10/2016. Filed under: Finanças | Tags:, , , , , |

Apesar do derretimento significativo no mercado de aluguéis aqui no Rio de Janeiro, ainda há evidências de que o valor dos imóveis está exageradamente alto, ao menos nas regiões nobres da cidade.

Apesar de ser possível comprar imóveis a preço de 2012, até de 2010 (quem precisa vender baixa), não é difícil achar pedidas de R$ 20.000 o metro quadrado para venda, num mesmo imóvel que se aluga por 40 a 50 reais o metro quadrado, algo como 0,2% e 0,25% ao mês (líquido de IR e custos, algo como 0,14% e 0,17%).

E os imóveis, quase todos, são bem ruins, sem infraestrutura de lazer, garagens precárias e prédios bem antigos e sem modernização.

Comparação com São Paulo

Como todo bom carioca, nascido e criado em Ipanema, numa época bem diferente da de hoje, nunca concebi que São Paulo pudesse competir com o Rio em termos de qualidade de vida.

Mas mudei de opinião nos últimos 15 anos. Aliás, antes nem era uma opinião, era só bairrismo mesmo.

Frequentei bastante a região dos Jardins, Moema, Paraíso, Vilas etc., a partir de 2003 por força do trabalho, e continuo, pois a família da minha mulher é dessa região.

Viajei também por uns 20 estados brasileiros, sempre para as regiões nobres, e para mais de 10 países na América do Norte e Europa.

Com tantas viagens, ficando em bons hotéis e regiões prestigiadas, percebi que São Paulo, em termos de estrutura de lazer, bares, comércio sofisticado etc., não tem comparação com nenhum lugar do Brasil. O Rio com certeza vem na segunda posição, mas com não mais que 15% da oferta de São Paulo. Não estaria errado de dizer que apenas o distrito de Moema tem mais ofertas de serviços sofisticados do que todo o Rio de Janeiro.

Normalmente o mercado imobiliário costuma ser mais pujante em torno de centros de excelência de serviços, colégios, comércio e, principalmente, de onde se ganha dinheiro.

E também pelo glamour das regiões. Por isso é tão caro morar bem em Paris, Nova Iorque e Londres.

Qual é a diferença entre os mercados imobiliários do Rio e de São Paulo?

É colossal. Tanto quantitativamente quanto em qualidade.

Separei 1 região de São Paulo e 2 do Rio para compararmos.

Deixei de fora áreas de metro quadrado mais barato (ou menos caro), como Barra da Tijuca, Recreio, Granjas, Alphaville, Morumbi, Panamby etc. e me fixei nas regiões mais caras das cidades.

Em São Paulo peguei os distritos que cercam o Ibirapuera, Vila Mariana, Moema, Jardim Paulista e Itaim Bibi. Essencialmente os jardins e as vilas. É inegavelmente a região de metro quadrado mais caro e, para quem conhece, e sem dúvida uma região MUITO nobre. Chamaremos de SP01.

No Rio precisei separar o United Kingdom of Ipanema do resto da Zona Sul, pois não fazem parte do mesmo mercado imobiliário. Apesar de todos serem próximos da praia, o UKI custa, facilmente, o dobro.

No UKI teremos Ipanema, condado central, Leblon, Lagoa, Jardim Botânico, Gávea e Urca. Chamaremos de UKI.

No restante da zona sul temos Copacabana,  Botafogo, Flamengo, Laranjeiras, Catete, Leme, Glória, Humaitá e Cosme Velho. Chamaremos de RJ01.

Características demográficas e de oferta de imóveis.

Em SP01 moram aproximadamente 342.000 pessoas, em RJ01 moram 390.000 e no UKI cerca de 150.000.

Utilizei o site www.vivareal.com.br para fazer as comparações, pois me parece mais completo e com mais ofertas que o ZAP.

Não vou falar de “imóveis” à venda, mas de “ofertas”. Às vezes um imóvel aparece mais de uma vez, o que distorce o número real de imóveis à venda. Outra coisa importante é que peguei APENAS apartamentos, nada de casas ou imóveis comerciais.

Número de anúncios de imóveis por região

SP01: 68.181 para venda, 54.579 para alugar (80%).

RJ01: 21.747 para venda, 3.539 para alugar (16%).

UKI: 10.317 para venda, 3.762 para alugar (36%).

Filtro 1: Com garagem

SP01: 65.713 de 68.181 tem garagem,  96% do total.

RJ01: 12.138 de 21.747 tem garagem, 56% do total.

UKI: 8.503 de 10.317 tem garagem, 82% do total.

Filtro 2: Imóveis acima de R$ 3 milhões com garagem.

SP01: 14% das ofertas são de imóveis acima de R$ 3 milhões.

RJ01: 11% das ofertas são de imóveis acima de R$ 3 milhões.

UKI: 42% das ofertas são de imóveis acima de R$ 3 milhões.

Filtro 3: Imóveis abaixo de R$ 1.200.000 com garagem.

SP01: 29.491 de 68.181,  43% do total.

RJ01: 3.656 de 21.747, 17% do total.

UKI: 324 de 10.317, 3% do total.

Filtro 4: Imóveis abaixo de R$ 1.200.000 com garagem, com mais de 120 metros quadrados de área.

SP01: 3.529 de 68.181,  5,18% do total.

RJ01: 261 de 21.747, 1,20% do total.

UKI: 1 de 10.317, 0,01% do total.

Filtro 5: Aluguel superior a R$ 5.000

SP01: 12.123 de 54.579,  22% do total.

RJ01: 883 de 3.539, 25% do total.

UKI: 2.399 de 3.762, 64% do total.

 

Filtros mais específicos.

Antes de falarmos da questão qualitativa, mais alguns filtros para mostrar a diferença entre os mercados.

3 Quartos ou mais com garagem, entre 90 e 120 metros quadrados de área.

Em SP01 há 9.988 anúncios com essas características, indo do mais caro, a R$ 3,2 mihões ao mais barato a R$ 435.000.

Em termos de aluguel há 2.864 anúncios com essas características em SP01, variando de um máximo de R$ 15.000 a um mínimo de R$ 1.600.

Em RJ01 há 2.716 anúncios com essas características, indo do mais caro, a R$ 4,2 mihões ao mais barato a R$ 750.000.

Em termos de aluguel há 262 anúncios com essas características em RJ01, variando de um máximo de R$ 12.000 a um mínimo de R$ 2.600.

No UKI há 1.834 anúncios com essas características, indo do mais caro, a R$ 7 mihões ao mais barato a R$ 950.000.

Em termos de aluguel há 313 anúncios com essas características no UKI, variando de um máximo de R$ 12.000 a um mínimo de R$ 3.000.

 

Aqui já aparece a primeira inconsistência financeira.

O que fica evidente ao avaliar ofertas do tipo “vendo ou alugo”, que são abundantes em São Paulo e mais raras no Rio, é que o aluguel em São Paulo é mais caro. Por quê?

Porque não vale a pena alugar no RJ. Não é “indiferente” alugar ou vender no RJ, mas em São Paulo é.

E isso fica um pouco claro quando vemos que os imóveis, nas características propostas, têm aluguel mais caro em SP do que nas regiões nobres do Rio.

É fácil achar imóveis com o aluguel oscilando entre 0,4% e 0,5% do valor de pedida de venda em São Paulo e impossível no Rio. Ao contrário, no RJ é facílimo achar imóveis sendo alugados por 0,25% de seu valor de pedida.

A lógica é simples. Circula mais dinheiro por lá. Aluguel é poder aquisitivo, é renda, já compra de imóvel é crédito e estoque de capital.

Mas o que impressiona não são nem os números, mas a qualidade dos imóveis. Veja nos exemplos a seguir.

O que é possível comprar entre R$ 900.000 e R$ 950.000 (3 quartos ou mais com garagem)?

Tentei escolher os melhores. Em São Paulo não foi possível escolher, pois há muita oferta de bons imóveis.

No UKI não foi possível escolher, pois não há aptos nesse valor com essas características.

No RJ01 não havia nada que prestasse. Mas selecionei alguns.

RJ01

https://www.vivareal.com.br/imovel/apartamento-3-quartos-botafogo-zona-sul-rio-de-janeiro-com-garagem-80m2-venda-RS950000-id-73163387/

https://www.vivareal.com.br/imovel/apartamento-3-quartos-botafogo-zona-sul-rio-de-janeiro-com-garagem-162m2-venda-RS900000-id-72248034/

SP01

https://www.vivareal.com.br/imovel/apartamento-3-quartos-jardim-paulista-zona-sul-sao-paulo-com-garagem-140m2-venda-RS950000-id-69135011/

https://www.vivareal.com.br/imovel/apartamento-4-quartos-vila-mariana-zona-sul-sao-paulo-com-garagem-166m2-venda-RS950000-id-67833949/

https://www.vivareal.com.br/imovel/apartamento-3-quartos-vila-mariana-zona-sul-sao-paulo-com-garagem-152m2-venda-RS930000-id-59579574/

https://www.vivareal.com.br/imovel/apartamento-3-quartos-vila-mariana-zona-sul-sao-paulo-com-garagem-158m2-venda-RS920000-id-58921734/

https://www.vivareal.com.br/imovel/apartamento-3-quartos-moema-zona-sul-sao-paulo-com-garagem-130m2-venda-RS950000-id-47794627/

https://www.vivareal.com.br/imovel/apartamento-3-quartos-vila-mariana-zona-sul-sao-paulo-com-garagem-124m2-venda-RS950000-id-56403699/

 

O que é possível comprar entre R$ 1.450.000 e R$ 1.550.000 (3 quartos ou mais com garagem)?

Tentei escolher os melhores. Em São Paulo não foi possível escolher, pois há muita oferta de bons imóveis.

No UKI e no RJ01 há boas opções, muito inferiores às de SP01, mas bem melhores que nas outras faixas de preço. No UKI só havia 17 aptos à venda nessas características, 3 aptos muito bons.

RJ01

https://www.vivareal.com.br/imovel/apartamento-3-quartos-flamengo-zona-sul-rio-de-janeiro-com-garagem-180m2-venda-RS1550000-id-63845539/

https://www.vivareal.com.br/imovel/apartamento-3-quartos-botafogo-zona-sul-rio-de-janeiro-com-garagem-90m2-venda-RS1550000-id-58718845/

https://www.vivareal.com.br/imovel/apartamento-3-quartos-copacabana-zona-sul-rio-de-janeiro-com-garagem-110m2-venda-RS1550000-id-71938266/

https://www.vivareal.com.br/imovel/apartamento-3-quartos-copacabana-zona-sul-rio-de-janeiro-com-garagem-98m2-venda-RS1550000-id-71451902/

https://www.vivareal.com.br/imovel/apartamento-3-quartos-leme-zona-sul-rio-de-janeiro-com-garagem-100m2-venda-RS1550000-id-73017934/

https://www.vivareal.com.br/imovel/apartamento-3-quartos-botafogo-zona-sul-rio-de-janeiro-com-garagem-115m2-venda-RS1550000-id-70462561/

UKI

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https://www.vivareal.com.br/imovel/apartamento-3-quartos-lagoa-zona-sul-rio-de-janeiro-com-garagem-132m2-venda-RS1500000-id-71919036/

https://www.vivareal.com.br/imovel/apartamento-3-quartos-gavea-zona-sul-rio-de-janeiro-com-garagem-120m2-venda-RS1450000-id-72315390/

SP01

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O que podemos concluir disso?

É difícil entender tamanha discrepância, ainda mais quando sabemos que em São Paulo há muito mais dinheiro circulando e menos violência do que no Rio, segundo os dados do ministério da justiça.

Pode ser a praia e o lazer gratuito, apesar dos arrastões frequentes.

Pode ser o Tom Jobim e sua garota.

Pode ser excesso de oferta de um lado, falta de outro. Mas aí teríamos que ponderar com a demanda, para a qual não temos os dados. E também fica difícil entender por que o aluguel seria mais caro, dado que também tem bem mais ofertas do que no Rio.

Talvez seja o efeito NYC. A pessoa rica tem um apartamento lá só por ter. Não há necessidade de racionalidade financeira ou de moradia.

Mas, infelizmente, e quem conhece sabe, nem Rio e nem São Paulo são Toronto, o centro de Paris e de Londres, a ilha de Manhattan. Não chegam nem perto da ordem urbana e social desses centros. E, principalmente, não circula uma fração do dinheiro e dos recursos que circula por lá.

O que parece é que em SP há mais equilíbrio entre a racionalidade financeira e a necessidade de moradia, já no Rio não parece haver. Parece ser outra coisa.

Faz sentido comprar para morar ou para investir em São Paulo, dado o retorno possível com aluguéis, já no Rio me parece que não há sentido em comprar, uma vez que o aluguel corresponde a 0,25, 0,25% do valor do imóvel.

Quais apostas podemos fazer?

Após a crise braba que o Brasil está passando, os preços dos imóveis vão subir em São Paulo? Cair no Rio?

Ou vocês acreditam que essa diferença se sustenta apenas pelo diferencial geográfico?

A minha aposta é que, em algum momento, haverá equilíbrio financeiro, como sempre houve, entre o preço dos aluguéis e de venda, em ambas as cidades.

Pelas minhas planilhas, há boas oportunidades de compra em São Paulo e quase nada no Rio de Janeiro, lembrando sempre que as planilhas são meramente financeiras, não captam o Tom e sua garota ou o glamour da princesinha do mar.

Não seria surpreendente se, após essa crise, nos estabilizarmos com alta moderada de preços em São Paulo e baixa no Rio. Sempre levando em conta que há inflação e juros altos no Brasil. Se um imóvel subir 20% em 5 anos, com inflação de 40% e acumulado de juros de 70%, significa queda brutal no preço real.

O problema é o fim da crise. Aqui no Rio não consigo enxergar o fim da crise orçamentária do estado. E isso impacta bastante os preços, pois há insegurança financeira até no serviço público, e medo da deterioração dos serviços, principalmente em relação à segurança.

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PEC 241 e a falácia da tal “fraude na cessão dos créditos tributários”.

Posted on 11/10/2016. Filed under: Finanças, Política | Tags:, , , , , |

Circula nas redes um vídeo que demonstraria uma grande fraude nas contas públicas, com a cessão de créditos tributários podres a entes privados. Veja:

Já há algum tempo alguns entes da federação criaram empresas estatais não dependentes para vender seus créditos tributários, principalmente aqueles de difícil cobrança, vencidos ou parcelados.

Não vou entrar no mérito se houve ou não picaretagem, burla à Lei de Responsabilidade Fiscal ou ao entendimento do Ministério Público de Contas, pois, se houve, com certeza o investidor privado vai ser responsabilizado e vai tomar seu prejuízo.

Mas, assim como a venda de créditos podres da Caixa para o BTG foi cercada de dúvidas à época, e depois vimos a proximidade do Sr. André Esteves com entes do poder público federal, não surpreenderia se houvesse desvios nas operações já feitas.

Ocorre que há total insegurança jurídica no que ocorreu antes, tanto é assim, que há 3 propostas no Congresso, as quais o vídeo quer demonstrar serem fraudulentas, justamente para encerrar essa controvérsia jurídica.

Aliás, se houvesse segurança dos entes que estão fazendo isso, não haveria necessidade de aprovar essas leis.

A tal “operação fraudulenta”

A operação apresentada no vídeo é bastante inverossímil. O investidor pagaria R$ 10.000 por ano recebendo R$ 23.000, também ao ano, num retorno de 130%. É provável que nenhum negócio no mundo, nem ilícitos como exploração da prostituição, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro confiram esse retorno aos tomadores de risco.

Meu conhecimento de CDO (Collateralized Debt Obligation) e de cessão de direitos de recebíveis, me leva a crer que a “garantia” do ente federativo se dá APENAS para a existência e legalidade do crédito e não para o fluxo de recebíveis.

É muito provável, muito mesmo, que a garantia sejam os próprios créditos tributários. Se não for possível reaver, não haverá remuneração das debêntures.

A existência de debêntures subordinadas me parece corroborar isso, pois é a parte que vai absorver as primeiras perdas (como num CDO padrão).

Mas nem vamos nos ater muito a essa questão. Eu realmente acho que a operação, conforme foi explicada no vídeo, é feita de outra forma, não dá retorno exagerado para ninguém e o juro alto é proveniente do risco alto.

Ainda mais porque são operações públicas, com contratos públicos, escrituradores autorizados, dentro do sistema financeiro regulado etc.

Parece bullshit, mas nem precisamos entrar nos detalhes dessa “fraude” inverossímil.

A nova legislação

O PLP 181/2015 e o PL 3337/2015 são projetos de origem na antiga situação, no PT e aliados. Vicente Cândido, Jandira Feghali, Sibá Machado, Leonardo Picciani, Celso Russomano etc.

Li os dois projetos, são bem pequenos.

Os projetos visam, simplesmente, permitir a cessão de direitos sobre créditos tributários da dívida ativa consolidada (crédito não pago há bastante tempo).

Isso acontece toda hora com os bancos. E com deságios enormes. Quem ficou devendo muito tempo sabe que não é o banco que cobra, mas uma outra empresa que comprou esses direitos.

Há talvez confusão sobre dois dispositivos:

  • 1º O crédito cedido mantém as garantias e privilégios assegurados à dívida ativa da Fazenda Pública.
  • 3º O cedente responde perante o cessionário somente pela existência e legalidade do crédito.

Manter as garantias e privilégios, ao contrário do que pode parecer, NÃO significa garantia do ente federativo à dívida cedida. É apenas uma forma de garantir que possa ser cobrada, como se dívida tributária fosse, MESMO que fosse cedida. Se não fosse assim, o ente privado não teria o direito de cobrar, ou melhor, não teria o direito de impor as restrições que são privativas do poder público, como multas, impedimento de participar de licitações etc.

Tanto é assim, que o parágrafo terceiro deixa claro que o poder público só responde pela existência e legalidade dos créditos, não por seu adimplemento.

O outro PL tão somente detalha melhor as condições para a União fazer a cessão, e fala sobre o processo de leilão desses créditos, o que deveria garantir ao menos um preço justo aos créditos.

O PLS 204/2016 de José Serra

Não vi nada desabonador nos projetos anteriores. Parece-me uma forma de ajudar o governo a receber créditos já devidos (de forma que não é antecipação de receitas) de difícil execução, ainda que com grande deságio, como fazem TODAS AS INSTITUIÇÕES financeiras ao redor do mundo.

Há estimativa de receber até 110 bilhões com a dívida ativa da União.

E é até interessante passar para o interesse privado essa cobrança, pois, como sabemos, às vezes os órgãos públicos ficam sob influência de interesses não republicanos, como vimos recentemente no CARF, esquema desvendado pela operação Zelotes da PF.

O PLS do Serra tem ainda menos problemas que os outros e é ainda mais claro. Veja:

Art. 39-A. É permitido aos entes da federação, mediante autorização legislativa, ceder direitos creditórios originados de créditos tributários e não tributários, objeto de parcelamentos administrativos ou judiciais, inscritos ou não em dívida ativa, a pessoas jurídicas de direito privado.

Ou seja, exige autorização legislativa. Não dá para ser uma ação apenas do executivo.

  • 1º Para gozar da permissão de que trata o caput, a cessão deverá observar as características e os limites seguintes:

I – não modificar a natureza do crédito que originou o direito creditório objeto da cessão, o qual manterá suas garantias e privilégios;

II – não alterar as condições de pagamento, critérios de atualização e data de vencimento, nem transferir a prerrogativa de cobrança judicial e extrajudicial dos créditos originadores, que permanece com os órgãos que detenham essa competência;

III – corresponder a operações definitivas e que não acarretem para o cedente a responsabilidade pelo efetivo pagamento a cargo do contribuinte ou de qualquer outra espécie de compromisso financeiro; e

IV – compreender apenas o direito autônomo ao recebimento do crédito e recair somente sobre o produto de créditos tributários cujo fato gerador já tenha ocorrido e créditos não tributários vencidos, efetivamente constituídos, e reconhecidos pelo contribuinte ou devedor mediante a formalização de parcelamento.

Releia a parte grifada.

Qual é a parte de “não acarretar para o cedente a responsabilidade pelo pagamento a cargo do contribuinte ou QUALQUER OUTRA ESPÉCIE DE COMPROMISSO FINANCEIRO”, que não ficou clara?

Cadê o pagamento de juros, cadê a dívida gerada?

Não significa que não possa haver picaretagem

No Brasil temos leis excelentes, como a LRF por exemplo. Dilma rasgou a mesma, tentando dar ares de normalidade, tanto é que, mesmo com todos os rombos decorrentes nas contas públicas, ainda se fala em golpe.

Não é a lei, que me parece EXCELENTE, que faz a picaretagem acontecer, é o agente público.

Se as empresas securitizadoras virarem cabides de empregos e precisarem de aportes do ente federativo para pagar salários, será patético. Se pagarem régias comissões e salários, será patético. Se houver conluio na licitação, será fraude.

Tudo o que sempre ocorre, com as leis que já temos.

Mas a fraude não está nas linhas da lei, mas na ação desses agentes corruptos que os próprios brasileiros, reiteradas vezes, colocam no poder para nos governar.

Essa nossa cleptocracia é que é o problema, não uma legislação simplória para gerir um modelo trivial de cessão de direitos creditórios (abundante no mercado privado) e de montagem de CDOs.

Quanto ao ministério público de contas

Sou da área de finanças. Entendo de produto financeiro. Por isso tenho bastante segurança de que aquele modelo que remunera o investidor em 130% ao ano NÃO EXISTE, foi uma má interpretação dos criadores do vídeo.

Se fosse algo “por baixo dos panos”, ok, mas com contrato público de debêntures, não é provável. Até pode haver essa taxa de juros, mas apenas se o crédito for performado integralmente. Se não for, é prejuízo para o detentor do papel.

Da forma como foi descrita a operação, seria flagrante a burla à Lei de Responsabilidade Fiscal. É a tal fraude com recibo, performada dentro do sistema financeiro regulado, com contratos públicos etc. Ninguém é tão idiota assim.

Não me interessa aqui discutir a legalidade da cessão de dívida tributária a entes privados, há MPs e TJs para debater isso.

Mas, do ponto de vista de finanças públicas, supondo haver lisura nos processos, não há porque impedir os entes federativos de vender um crédito de liquidação duvidosa, como é recorrente no mercado financeiro privado.

Parece-me que os PLs vêm justamente no sentido de sanar os problemas levantados pelos MPs de contas.

Mas é importante lembrar ao MP que não devemos fazer da coisa pública uma “reserva de mercado”, ou seja, não é para trazer tudo para o estado, com fins de aumentar a necessidade de máquina, aumentar os ônus de sucumbência, precisar de mais auditores e procuradores etc..

Não é esse o caminho que o Brasil precisa. Ainda mais hoje.

Aos que pensam o contrário, fiquem à vontade. Mas me parece que o alarde é infundado.

Ah, vale lembrar que não trabalho para CIA, para a NSA, para o BCE, para o FED etc., sou apenas professor de finanças e estou de saco cheio desses falsos dilemas que jogam o Brasil na pobreza.

 

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  • Disclaimer

    Este blog é um ambiente privado para expor opiniões, estudos, reflexões e comentários sobre assuntos ligados a finanças, bolsa de valores, economia, política, música, humor e outros temas.

    Seus objetivos são educacionais ou recreativos, não configurando sob nenhuma hipótese recomendação de investimento.

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  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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