Finanças

Em homenagem a Raymundo Magliano, o visionário.

Posted on 11/01/2021. Filed under: Finanças |

Hoje nos deixou Raymundo Magliano, presidente da Bovespa que promoveu a mais importante revolução da história do mercado de capitais brasileiro.

Olhando o sucesso da bolsa hoje, pode-se ter a falsa impressão de que sempre foi assim, mas não é verdade. Antes de Magliano, a bolsa era um clube com poucos operadores e com acesso limitado e impensável para pequenos investidores.

Se hoje consideramos fundamental que a bolsa seja destino para os pequenos investidores, com seus 100 reais por mês, devemos a ele. Todo o trabalho que desenvolvemos no Instituto Nacional de Investidores, deve-se à obra desse gentleman, desse visionário.

A ação da Bovespa pela popularização do investimento em ações preparou o caminho para as corretoras, os professores, os educadores financeiros e outros profissionais de varejo que hoje tornam o caminho do pequeno investidor muito mais confortável para investir em ações.

E nos deixou cedo demais. Espero que o mercado de ações não economize em render homenagens a Magliano.

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Amortização de Financiamento Imobiliário. Reduzir a Prestação ou Reduzir o Prazo?

Posted on 07/12/2020. Filed under: Finanças |

Prezados leitores,

Publiquei um vídeo sobre Amortização Extraordinária de Financiamento Imobiliário sugerindo, de forma ponderada e gentil, que é melhor reduzir o valor da prestação do que reduzir o prazo.

Algumas pessoas, nas diversas mídias em que publiquei, duvidaram dessa afirmação, acreditando que é melhor reduzir o prazo.

Entendo elas. Realmente quando estamos diante de 2 opções, por exemplo, reduzir a prestação em 10% (de 4.000 reais para 3.600 reais) ou reduzir o prazo em 30% (de 30 anos para 21 anos), dá a impressão de que é muito melhor reduzir o prazo.

Faço um mea culpa, pois eu fiz minha argumentação sem apresentar os números.

Agora refaço a argumentação com base nos números e, creio, ficará claríssimo que é preferível amortizar reduzindo o valor da prestação do que reduzindo o prazo.

Nosso exemplo:

Partiremos de um financiamento imobiliário de 360.000 reais, para ser pago em 360 meses, no sistema SAC (amortização constante), com juros de 0,8% ao mês.

O plano é quitar o financiamento em 5 anos. Isso significa, obviamente, que teremos que trazer “dinheiro novo” para fazer amortizações extraordinárias. Não considerei custos extras (seguros e taxa do banco), pois ambas as estratégias terminarão em 5 anos.

Vou comparar 2 estratégias: (i) amortizar reduzindo prestações; e (ii) amortizar reduzindo o prazo de financiamento.

O que é melhor? Veja a planilha para o primeiro ano:

O cálculo das prestações funciona assim:

  • Calculamos a amortização mensal: 360.000 em 360 meses, 1.000 reais por mês (o saldo devedor cai 1.000 reais por mês).
  • Calculamos 0,8% de juros sobre o saldo devedor. No primeiro mês pagaríamos 2.880 de juros (0,008 x 360.000). O montante de juros vai caindo, pois o saldo devedor vai caindo.
  • A prestação inicial é de 3.880 reais, e é decrescente, pois o saldo devedor sempre diminui (considerando que a TR seja zero, como tem sido).
  • No mês 12, a prestação será (desconsiderando os custos extras) de 3.784 reais.

1ª Amortização – Ano 1.

Apenas a primeira amortização será igual, pois a partir dela as prestações serão diferentes, pois uma estratégia terá redução de prazo, outra de prestação.

Restam 348.000 reais a quitar de saldo devedor. Queremos quitar em 5 anos, portanto considerarei pagar 1/5 (20%) desse saldo devedor = 69.600 reais. Após a amortização, o saldo cairá para 278.400 reais.

Cálculo da nova prestação reduzida:

  • O prazo não muda, portanto, seguiremos com 348 meses para o fim do financiamento.
  • O novo saldo devedor é R$ 278.400, para quitar em 348 meses, o que dá uma nova amortização constante mensal de 278.400 / 348 = R$ 800 por mês.
  • Os juros continuam em 0,8%, porém incidirão sobre R$ 278.400, o que daria R$ 2.227
  • A nova prestação será de R$ 3.027, 20% menor (800 + 2.227).
  • O prazo permanece em 348 meses.

Cálculo do novo prazo de financiamento reduzido:

  • A prestação não muda, portanto, seguiremos pagando, de início, R$ 3.784 (aproximadamente).
  • O novo saldo devedor é R$ 278.400, e vamos disponibilizar R$ 3.784 de início para pagar esse saldo devedor.
  • Os juros continuam em 0,8%, que incidirão sobre R$ 278.400, o que daria R$ 2.227
  • Como a prestação não muda, mas o montante de juros caiu, quanto sobra para amortização constante (o sistema continua SAC)?
  • R$ 3.874 – R$ 2.227 = 1.557. Na planilha, com arredondamentos, deu R$ 1.555.
  • Em quantos meses conseguimos pagar R$ 278.400, amortizando R$ 1.555 por mês?
  • Em 179 meses = 14 anos e 11 meses.

O que você prefere?

Reduzir a prestação de R$ 3.784 para R$ 3.027 para quitar em um prazo de 29 anos, ou

Manter a prestação em R$ 3.784 para quitar em um prazo de 14 anos e 11 meses?

Não é difícil entender por que as pessoas preferem reduzir o prazo.

Dá mesmo a impressão de que é muito melhor reduzir o prazo de pagamento em 50% do que reduzir a prestação em 20%.

Porém… a sensibilidade “correta” em finanças indica que o que acontece mês que vem é mais relevante do que o que acontece em 15 anos. Veremos.

Vamos continuar com as amortizações para ver o efeito.

2ª Amortização – Ano 2.

Desse ponto em diante as amortizações serão diferentes, pois os saldos devedores serão diferentes.

Fluxo amortizado com prestação reduzida:

  • Ao final de 24 meses, o saldo devedor será de R$ 269.600.
  • A prestação do mês 24 foi de R$ 2.957
  • Restam 28 anos (336 meses)

Fluxo amortizado com prazo reduzido:

  • Ao final de 24 meses, o saldo devedor será de R$ R$ 261.292.
  • A prestação do mês 24 foi de R$ 3.646
  • Restam 13 anos e 11 meses (167 meses)

Nós temos agora que calcular as amortizações extraordinárias, que serão diferentes, pois os saldos devedores são diferentes. Como queremos quitar ao final de 5 anos (60 meses), faremos uma amortização de ¼ (25%) do saldo devedor em ambos os fluxos:

  • No fluxo com prestação reduzida amortizaremos R$ 67.400, restando R$ 202.200.
  • No fluxo com prazo reduzido amortizaremos R$ 65.323, restando R$ 195.969.

Cálculo da nova prestação reduzida:

  • O prazo não muda, portanto, seguiremos com 336 meses para o fim do financiamento.
  • O novo saldo devedor é R$ 202.200, para quitar em 336 meses, o que dá uma nova amortização constante mensal de 202.200 / 336 = R$ 601 por mês (aproximadamente).
  • Os juros continuam em 0,8%, porém incidirão sobre R$ 202.200, o que daria R$ 1.618
  • A nova prestação será de R$ 2.219, 25% menor (1.618 + 601).
  • O prazo permanece em 336 meses.

Cálculo do novo prazo de financiamento reduzido:

  • A prestação não muda, portanto, seguiremos pagando, no mês 25, R$ 3.631 (aproximadamente a prestação que teríamos se não houvesse a amortização).
  • O novo saldo devedor é R$ 195.969, e vamos disponibilizar R$ 3.631 de início para pagar esse saldo devedor.
  • Os juros continuam em 0,8%, que incidirão sobre R$ 195.969, o que daria R$ 1.568
  • Como a prestação não muda, mas o montante de juros caiu, quanto sobra para amortização constante (o sistema continua SAC)?
  • R$ 3.631 – R$ 1.568 = 2.063.
  • Em quantos meses conseguimos pagar R$ 195.969, amortizando R$ 2.063 por mês?
  • Em 95 meses = 8 anos e 11 meses.

PARA TUDO!!!!!!!!

Neste momento o leitor deve estar certo de que é muito melhor reduzir o prazo do que reduzir a prestação e que eu estou errado…

Em 2 amortizações com valores próximos (R$ 137.000 para reduzir prestação e R$ 134.923 para reduzir prazo) a prestação cairia de 3.880 para 2.219 (43% menor), mas o prazo remanescente seria de 95 meses e não de 336 (71% menor).

Aí entra o “feeling” do financista. Dinheiro agora é melhor do que depois. Pagar menos agora é melhor que pagar menos depois. Tudo isso ponderado pela taxa de juros.

A grande vantagem de reduzir a prestação é fazer caírem os custos mensais HOJE e não daqui a 15 anos. E isso, numa lógica financeira e de fluxo de caixa descontado, fala muito alto. Veremos.

Resultados finais

Não vou demonstrar o efeito de todas as amortizações até quitar o saldo devedor em 5 anos. Está na planilha, para quem quiser acompanhar os detalhes. Vamos diretamente aos resultados finais.

A comparação que farei agora é quanto ao pagamento total de juros, de amortizações normais (mensais) e de amortizações extraordinárias.

A pessoa que defende a redução de prazo, se já estava certa de sua posição, agora vai parecer ter certeza… mais uma vez vai achar que estou errado.

Os totais pagos são muito próximos, diferença de apenas 524 reais. Porém esses totais ocorrem de formas muito diferentes.

Quem opta pela prestação reduzida precisa de 325.933 reais em amortizações extraordinárias, enquanto quem opta pelo prazo reduzido precisa apenas de 248.340 reais em amortizações extraordinárias. Uma diferença de 77.594 reais.

Porém, quem opta pela prestação reduzida gasta muito menos com amortizações normais mensais (36.073 reais contra 120.720).

Quem opta por reduzir a prestação acaba pagando 7.578 reais de juros a mais.

O que fica “oculto” nessas contas é que quem opta por reduzir a prestação, acaba pagando menos em prazos mais próximos, e quem opta por reduzir o prazo, acaba pagando menos em prazos mais distantes. Essa questão deve ficar clara adiante, quando olharmos para o fluxo de caixa de ambas as estratégias.

Perceba que, no primeiro ano, não há diferença (115.544). No segundo ano o fluxo nominal de quem reduziu a prestação é menor. Enquanto aquele que optou pela redução de prazo tem um desembolso de 109.892, quem optou pela redução da prestação tem um desembolso de 103.304 (já contando a nova amortização ao final do ano 2).

E essa realidade permanece no ano 3 e no ano 4, e apenas se reverte no ano 5.

Ou seja, quem optou por reduzir a prestação gastou MENOS nos anos 2, 3 e 4, enquanto que quem optou por reduzir o prazo pagou menos apenas no ano 5.

Quem optou por reduzir a prestação economizou R$ 6.588 no ano 2, R$ 8.729 no ano 3 e R$ 3.740 no ano 4. Pagará a mais R$ 19.580 no ano 5 (pois precisa fazer uma amortização extraordinária mais alta para quitar).

Pensando em termos nominais, a diferença é irrelevante (524 reais), mas em termos REAIS, ou seja, descontando pela taxa de juros apropriada, ficará evidente que escolher a redução da prestação é o correto a fazer.

Se descontarmos pela taxa do financiamento, 0,8%, o benefício HOJE, seria de R$ 4.812. Em outras palavras, você economizou, em termos reais, 4.812 ao optar por amortizar reduzindo a prestação e não o prazo.

A taxa de financiamento imobiliário costuma ser a melhor da economia, o financiamento para outras compras costuma ser ainda mais alto. Portanto, se essa economia feita for utilizada para evitar outros financiamentos mais caros, com taxa, por exemplo, de 1,2% ao ano (compra de carro, CDC, financiamento bancário etc.), a economia HOJE saltaria para 6.194.

Conclusão

Não há justificativa financeira ou até de planejamento patrimonial e/ou orçamentário para escolher reduzir o prazo em vez de escolher reduzir a prestação.

As pessoas têm uma visão de que conseguem quitar “mais rápido” se reduzirem o prazo, mas essa visão não tem respaldo nos cálculos. Se ela quitou o saldo devedor, é porque fez amortizações extraordinárias suficientes para pagar esse saldo devedor. Tanto faz se reduziu prestações ou o prazo.

Se escolher reduzir prazo, fará amortizações mensais muito altas e amortizações extraordinárias menores, se escolher reduzir a prestação fará amortizações mensais baixas e amortizações extraordinárias mais altas.

A decisão, porém, é de foro íntimo, e para alguns ter uma dívida muito longa é mais angustiante do que a prestação atual mais alta.

Mas, do ponto de vista financeiro, seu gasto será menor se reduzir a prestação.

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Como evitar a Síndrome do Otário na Bolsa? Balanceamento de carteira (1995 a junho de 2020).

Posted on 08/10/2020. Filed under: Finanças |

Série dividida em 2 vídeos sobre balanceamento de carteira.

Vídeo 01 – Como fazer o balanceamento de carteira.

Vídeo 02 – Gráficos e Tópicos Avançados
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Ferramentas para Seleção de Ações: o Envelope de Preço/Lucro (Banestes BEES3)

Posted on 01/10/2020. Filed under: Finanças |

Nesta série de 2 vídeos, mostramos o coração do Método INI (Stock Selection Guide – SSG): O histórico de máximas e mínimas da relação preço/lucro.

Parte 1: O que é o Preço/Lucro, o que significa seu histórico, qual sua relação com o estado da economia e com as taxas de juros, e o que é o “Envelope de P/L”.

Parte 2: Como construir o “Envelope de P/L” com ferramentas gratuitas na Internet.

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Como Transformar Lixo em Ouro? A história do CDO e do CDS

Posted on 12/09/2020. Filed under: Finanças, Matemática | Tags:, , , , , , , , |

O vídeo a seguir é para corrigir uma percepção errada que as pessoas tiveram assistindo ao filme “The Big Short” (A Grande Aposta).

O filme sugeriu, corretamente, que os bancos juntavam hipotecas podres em fundos (SIV) e vendiam como se fossem investimentos AAA (risco quase zero).

É verdade, fizeram isso, mas isso não é fraude, ao contrário, é genial.

A fraude veio de outro lugar (falta de transparência dos bancos e ganância excessiva dos operadores, corretores, proprietários etc.). CDO e CDS são dois instrumentos avançadíssimos em finanças.

Em 2008 cheguei a criticar o CDS, mas depois entendi que ele é um seguro “fake”, cujo único objetivo é dar preço para o risco de crédito.

Divirtam-se!

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Investimento Consciente em Ações – Os 5 princípios do INI.

Posted on 26/08/2020. Filed under: Filosofia, Finanças, Matemática |

Prezados,

Tivemos 900.000 pessoas entrando na bolsa durante essa pandemia. Resolvi resumir em 4 pequenos vídeos os princípios do investidor consciente em Bolsa de Valores.

São princípios trazidos para o Brasil pelo saudoso Instituto Nacional de Investidores, que operou de 2003 a 2012 e atingiu mais de 70.000 investidores ao redor do Brasil.

Os dados são baseados na revisão do meu livro “O Mercado de Ações em 25 Episódios” (em promoção na Amazon). Divirtam-se!

Primeiro Princípio: Investir regularmente pequenas quantias.

 

Segundo Princípio: Reinvestir ganhos e dividendos durante o período de acumulação

 

Terceiro Princípio: Comprar empresas de crescimento (growth stocks) a múltiplos razoáveis

 

Quarto Princípio: Diversificação e Quinto Princípio: Procurar empresas com elevados padrões de governança corporativa.

 

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O Grande Reset. Por que a cada crise econômica surgem essa ideias de “mudar o mundo”?

Posted on 09/08/2020. Filed under: Finanças |

Caros leitores.

Vamos a mais um “fim do capitalismo”. Deve ser o trigésimo desde que foi previsto em 1850.

Dessa vez a nova reformulação do capitalismo é chamada de “O Grande Reset”.

Querem “aproveitar” o caos econômico gerado pela pandemia para forçar mais ingerência de organismos multilaterais (ONU, OMS, FMI etc.) nos países e nas pessoas.

Essas ideias não são novas, na verdade voltam com força a cada crise econômica mundial. Assim com vêm, vão embora.

Há coisas gravíssimas para nos preocuparmos, mas certamente não é com um grande governo mundial que resolveremos problemas globais.

Neste vídeo relembro as origens dessa ideia de aldeia global, que remonta ao início da revolução industrial e aos diagnósticos (errados) de Marx sobre o futuro do capitalismo. Não há surpresa, isso sempre volta.

Ps. Sempre vem alguém me mandar “ler O Capital”. Bom, O Capital é um livro inútil para entender a filosofia de Marx. O Capital é a aplicação de ideias erradas sobre sociologia, psicologia e filosofia aplicadas em economia.

Para entender Marx tem que ler A Ideologia Alemã. Nesse livro tem tudo, O Capital só vai servir para propagar ideias econômicas erradas, baseadas em princípios e pressupostos errados, revelados em A Ideologia Alemã.

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Renda Mínima Universal é possível no Brasil?

Posted on 07/08/2020. Filed under: Finanças |

Caros leitores,

Será que o Brasil tem cacife para bancar uma renda mínima universal, ou, como querem governadores e prefeitos, manter o auxílio emergencial para sempre?

Primeiro, vale colocar, que distribuir a arrecadação de impostos diretamente para as pessoas NÃO é uma ideia “comunista”, é imposto negativo, bem liberal até. “Comunismo” pressupõe que o estado substitua o discernimento das pessoas, portanto ele, discricionariamente, oferece o serviço ou produto que ele entende melhor para a população. Entregar $$$ e deixar as pessoas decidirem, é prestigiar o discernimento do indivíduo.

Mas esse não é o nosso problema.

Você sabia que, se distribuíssemos toda a arrecadação de impostos, das 3 esferas, entre todos os brasileiros daria cerca de 950 reais por mês para cada um? E que se fizéssemos isso, não haveria mais nenhum serviço público e mais nenhuma aposentadoria paga?

Pois é. Na Dinamarca essa distribuição daria cerca de 12.000 reais por mês por habitante.

Mesmo no Chile, teríamos cerca de 1.300 reais por mês, mas com uma ENORME diferença: a carga tributária deles é de 21%, a nossa de 35%.

Falo desse e de outros temas, como impostos sobre dividendos, redução dos abatimentos no Imposto de Renda, imposto sobre fortunas etc., no vídeo a seguir:

 

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Por que os ateus sempre vencem os debates com os apologistas?

Posted on 05/08/2020. Filed under: Finanças |

Prezados leitores,

É claro que um ateu não consegue provar que Deus não existe para uma pessoa que acredita de fato nisso. Assim como o contrário também não acontece.

Mas por que temos a impressão de que os ateus estão mais bem preparados para o debate racional, mesmo quando enfrentam pessoas eloquentes como Jordan Peterson e Willian Lane Craig?

São dois pontos:

1- Os ateus forçam o jogo no campo do empiricismo e da lógica formal, campos onde só se pode provar Deus através de um debate causal e local, o que é incompatível com o conceito de entidade onipotente, onisciente e onipresente.

2- Quando os apologistas tentam trazer o Deus não causal e não local para o debate, são acusados de “inventar” outro Deus e são forçados a voltar ao campo do empiricismo e da lógica formal, que são instrumentos intelectuais interessantes para trabalhar conceitos parciais e reducionistas, jamais para trabalhar conceitos amplos.

Debato essas e outras questões no Livro: Tudo é Impossível, Portanto Deus Existe: Uma história da razão, da ciência e de Deus.

Versão Kindle: https://www.amazon.com.br/dp/B083VW3LB9

Versão impressa (USA, EU e Japão, entrega no Brasil): https://www.amazon.com/dp/1650847890

Impresso no Brasil (estoque limitado): https://produto.mercadolivre.com.br/MLB-1451924969-tudo-e-impossivel-portanto-deus-existe-paulo-portinho-_JM?quantity=1#position=1&type=item&tracking_id=9968e18d-bb11-42bb-a29a-52c1b3363615

 

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Devemos fazer poupança para os filhos? Prós, contras e os principais cuidados.

Posted on 22/07/2020. Filed under: Administração, Finanças |

Caros leitores,

Pode parecer uma coisa óbvia que é bom fazer poupança para os filhos, mas há muitos cuidados importantes e alguns perigos.

1. Essa poupança não deve comprometer a capacidade financeira dos pais para formarem sua própria poupança de longo prazo.

2. Tem que decidir se a poupança será para pagar algo específico no futuro (faculdade, intercâmbio), ou será integralmente entregue ao filho na maioridade.

3. Tem que associar poupança com educação financeira em mercados de risco desde cedo, para evitar que os recursos atrapalhem mais do que ajudem no processo de ensinar os filhos a lidar com dinheiro.

 

 

Quanto Custa Ficar Rico?

 

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O Paradoxo da Onipotência de Deus: São Tomás de Aquino e a Conjectura do Multiverso.

Posted on 01/07/2020. Filed under: Finanças |

Prezados leitores,

Para os que curtem física quântica, teísmo e ateísmo, Richard Dawkins, Filosofia da Ciência, Yuval Harari (Sapiens), Karl Popper e o debate sobre a existência de Deus, um pouco do debate que promovo no meu livro “Tudo é Impossível, Portanto Deus Existe”.

O problema do Paradoxo clássico da Onipotência não está na submissão que Deus deve prestar à lógica formal, nem na fragilidade do idioma de que Wittgenstein falou, mas na própria história da racionalidade e da ciência.

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O Novo Normal na Economia. O “Estado Forte” vai nos tirar do buraco econômico?

Posted on 05/06/2020. Filed under: Finanças |

Prezados leitores,

Muito se fala que essa pandemia vai reforçar o papel do Estado como guia da economia.

Que teremos um New Deal para recuperar a economia.

Apesar de parecer uma ideia promissora, é uma non-starter. Deve acontecer justamente o contrário.

Só há uma forma de salvar a economia. E não é o Estado que vai resolver.

 

Para quem quiser saber mais sobre filosofia da ciência, segue o link do meu livro na Amazon: https://www.amazon.com.br/dp/B083VW3LB9

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Pandemia, Comunismo, OMS, Ciência e o insight de Slavoj Zizek, teórico cultural marxista.

Posted on 01/06/2020. Filed under: Ateísmo, Filosofia, Finanças, Humor, Política | Tags:, , , , , |

Prezados leitores,

Zizek lançou um livro sobre a Pandemia, pois vê alguns caminhos para a reinvenção do comunismo.

É gente, apesar de algumas pessoas acreditarem que o comunismo não existe mais, Zizek é respeitadíssimo, muito lido e seu livro, lançado pela Boitempo (apresentada nas palavras de um de seus autores assim: “a Boitempo, sem estar linkada a um partido, ela faz o papel que o Gramsci queria: da hegemonia cultural”), já está bombando e dando o que falar!

Como a Pandemia vai ajudar a reinventar o comunismo? Como vai organizar o mundo em um só diapasão, como vai reforçar os valores coletivistas, como vai ajudar na construção da hegemonia cultura e do pensamento único?

Veja no vídeo!

 

Ps. Tenho dificuldade para entender por que esses teóricos Marxistas falam tanto de comunismo, se o comunismo não existe… rsrsrs

Para quem quiser saber mais sobre filosofia da ciência, segue o link do meu livro na Amazon: https://www.amazon.com.br/dp/B083VW3LB9

 

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Paulo Guedes não é o ministro da economia. É o discurso econômico vitorioso nas urnas.

Posted on 15/05/2020. Filed under: Finanças |

Falo no vídeo da importância de tentarmos blindar o ministro Paulo Guedes de todas as confusões entre governo, congresso e STF.

A luta política pode continuar, mas, diante dos riscos incríveis para o futuro do país, se perdermos o discurso econômico, vitorioso nas urnas e da confiança dos agentes econômicos, podemos ir à bancarrota de uma forma inédita.

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Não teremos inflação? Por que Monica de Bolle (com todo o respeito) está errada?

Posted on 13/05/2020. Filed under: Finanças |

Prezados,

Comento o vídeo da economista Monica de Bolle em que ela sugere que não teremos inflação e nem grandes problemas com impressão de dinheiro e com câmbio apreciado.

As ideias dela começam ao minuto 33:55, mas pode ver o vídeo inteiro, dá uma boa noção do relacionamento do BACEN com os bancos. https://www.youtube.com/watch?v=peiokiuoCpo

 

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Vídeo de Paulo Guedes: “Me ouçam enquanto é tempo”. Não podemos perder a curva de juros.

Posted on 11/05/2020. Filed under: Finanças |

Prezados leitores,

Em 2 dias (23 e 24 de abril) os juros futuros explodiram no Brasil, fruto da tensão política.

Nesse vídeo alerto que não podemos perder a curva de juros e que precisamos ouvir as vozes que tentam nos convencer a continuar respeitando contratos.

Devemos ouvir o Paulo Guedes. Enquanto é tempo.

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A principal falha da filosofia econômica marxista. Economia não é estoque, economia é fluxo.

Posted on 10/05/2020. Filed under: Finanças |

Prezados leitores,

A origem da dicotomia entre marxistas e economistas liberais não está na interpretação do funcionamento econômico.

Um interpreta a economia com um “problema a ser resolvido”, um objetivo a ser atingido, mas economia é fluxo. Sempre foi.

Um pouco do que escrevi no meu livro de filosofia da ciência “Tudo é Impossível, Portanto Deus Existe”.

https://www.amazon.com.br/dp/B083VW3LB9

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20/04/2020 – O dia em que o Petróleo caiu abaixo de ZERO e foi vendido por até 40 dólares negativos!

Posted on 09/05/2020. Filed under: Finanças |

Prezados,

O que significa vender algo por preço negativo?

Por que as pessoas venderam petróleo a US$ 40 negativos?

Pode acontecer de novo? Outros mercados podem ser impactados?

COVID19 e a sensação de que o longo prazo está comprometido.

No vídeo a seguir:

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COVID19, Karl Popper, Karl Marx e a delimitação científica.

Posted on 13/04/2020. Filed under: Finanças |

Caros leitores,

Como saber se uma proposta é, de fato, científica?

Neste vídeo falo brevemente da teoria da delimitação científica de Karl Popper e discuto se há evidências de que estamos mesmo seguindo a ciência nesse enfrentamento da Pandemia de COVID19.

Divirtam-se!

 

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E se o Banco Central (DE FATO) emprestasse dinheiro pra nós? Agora falando sério.

Posted on 12/04/2020. Filed under: Administração, Finanças, Política | Tags:, , |

Prezados,

No vídeo em que brinquei sugerindo que o BACEN poderia emprestar dinheiro para as pessoas físicas, muita gente levou a sério.

Pois bem, o vídeo era uma brincadeira, pois não fiz uma avaliação mínima sobre a viabilidade, mas dado o interesse que chegou até mim, e as dúvidas, pretendo esclarecer alguns pontos.

A ideia, para quem não viu o vídeo, seria simples. Assim como o BACEN está agora autorizado a emprestar diretamente para empresas, poderia emprestar para pessoas físicas quitarem seu brutal endividamento.

Os bancos centrais do mundo inteiro regulam a oferta de moeda. Desde 2008 os BCs pelo mundo têm tentado capitalizar o sistema financeiro para que os bancos repassem esse crédito para investimentos. Sem sucesso. Destruiu a rentabilidade dos bancos, aumentou a alavancagem e nada de gerar grande crescimento econômico. Um fracasso que está cobrando seu preço agora, nessa crise do COVID19.

E esse insucesso é porque as pessoas não tomam o crédito. Nem as empresas. É dinheiro demais e projeto de menos.

No Brasil temos, hoje, o mesmo problema, com uma “pitada de sal tupiniquim”. O dinheiro liberado às centenas de bilhões pelo BACEN está “empoçado” nos bancos. E os motivos são óbvios. Tomar crédito em banco, no Brasil, é mortal. O banco se capitaliza a 3,75%, ou perto disso, e repassa a 20%, 30%, 300%.

Outro problema é que os bancos estão negando 60% do crédito. E não estão errados, há previsão de quebra de até 80% de restaurantes, por exemplo, se o lockdown durar 2 meses. Vão emprestar para quem vai morrer em 2 meses?

Bom, não está funcionando dar liquidez aos bancos para emprestar. E não vai funcionar.

  1. Isso não é imprimir dinheiro

Acho que a primeira dúvida que todos têm é se isso não seria “imprimir dinheiro”. Precisamos esclarecer o que é imprimir dinheiro.

O BACEN regula a oferta monetária aos trilhões. Uma pequena mudança nos compulsórios ou em regras prudenciais dos bancos pode liberar ou retirar de circulação centenas de bilhões de reais.

Isso NÃO é imprimir dinheiro. Isso é regular a oferta de moeda e buscar meta de juros.

As pessoas estão CERTAS ao dizer que isso, por si, não gera inflação, pois é como o processo de acelerar ou frear um carro. Se queremos manter o carro a 80 por hora, vamos ter que frear numa ladeira íngreme, e acelerar fortemente numa subida.

Imprimir dinheiro é uma coisinha específica: Usar o BACEN para financiar diretamente os gastos do governo. É emitir títulos e o BACEN usar sua liberdade para ampliar a base monetária para comprar os títulos no MERCADO PRIMÁRIO.

Isso é “imprimir dinheiro” como?

Simples. O BACEN trabalha no mercado SECUNDÁRIO de títulos públicos. Portanto ele não atua dando liquidez ao caixa do governo central diretamente, mas apenas regulando a oferta de dinheiro e títulos

E para isso tem um “colchão de liquidez” colossal, há pouco tempo era coisa de quase R$ 1 trilhão.

Essas ações no mercado secundário é que permitem a regulação da taxa de juros e da base monetária.

Mas esses títulos foram originalmente emitidos para terceiros no mercado primário, o BACEN só regula seu fluxo de demanda e oferta no mercado secundário (dívida já tomada e assumida por terceiros). Há uma forma do governo capitalizar o BACEN diretamente, para evitar que este fique sem títulos para regular o mercado, mas isso também não é financiar o Tesouro, pois o BACEN não paga ao governo pela emissão de títulos, apenas é capitalizado com eles.

Imprimir dinheiro é o BACEN aumentar, por exemplo, a base monetária em 500 bilhões e usar essa liquidez para comprar títulos DIRETAMENTE do Tesouro, dando grana para o governo gastar.

Isso é proibido pela CF e por todo o arcabouço que nos tirou da hiperinflação. Se voltar, a inflação começará em 10%, depois 20% e não há limite. Estou certo disso, pois é a história do Brasil, a história da Argentina, do Zimbábue, da Venezuela etc.

Claro que o leitor pode acreditar que os políticos vão mudar as leis e a constituição federal para imprimir dinheiro “só essa vez”. Eu não me permito essa ingenuidade.

  1. Isso não é a proposta do Ciro. Banco Comercial não tem condição de regular oferta monetária.

Ciro queria usar o Banco do Brasil para quitar as dívidas do pessoal do SPC. O BACEN cria moeda, ele existe justamente para regular liquidez do sistema. E faz isso às centenas de bilhões regularmente.

Bancos comerciais não tem essa “bala na agulha”. Suas disponibilidades não fariam cócegas no sistema monetário. BB e caixa, juntos, não têm R$ 30 bilhões de disponibilidades, e comprometida com seus correntistas. O resto do balanço é ativo comprometido com passivo. Não dá para “usar”.

Basta olhar para o passado recente pós-crise de 2008 para ver que bancos não conseguem nem mesmo dar vazão à liquidez que os bancos centrais injetaram nos Quantitative Easing.

Um banco comercial não pode ser voluntarioso na concessão de crédito, pois quebra. E rápido, com uma inadimplência grande. Além disso vive de spread, tem custos elevados e alta inadimplência. E limitações para cobrança.

No caso específico de usar o BB, tem que combinar com os acionistas privados, pois é companhia aberta. Provavelmente, na assembleia, isso seria rejeitado e, provavelmente, o controlador não poderia votar, por ter interesse particular no caso.

  1. BACEN não é banco comercial

Se alguém inadimplir com o Itaú, poderá passar a vida inteira sem se relacionar com o Itaú. Mas não poderá passar a vida inteira sem se relacionar com o governo.

As formas de “cobrança” de um empréstimo do BACEN para CPFs são, potencialmente, infinitas, dado que todo CPF se relaciona com o governo diariamente através do seu consumo e da receita federal.

Basta uma lei para garantir o pagamento através das rendas declaradas do devedor. Basta estar no mercado formal de trabalho, basta declarar IR, enfim, ele vai pagar.

  1. Prejuízo do BACEN não é prejuízo de Banco comercial

O BACEN consegue absorver prejuízos gigantes, os bancos comerciais já quebram com um prejuízo razoavelmente pequeno. Um prejuízo de R$ 20 bi para o Banco do Brasil iria gerar uma enorme necessidade de capitalização, para recuperar a capacidade de emprestar (regras prudenciais). O banco, ou quebra, ou fica muito menor.

Isso não existe para o BACEN. O prejuízo dele é de fluxo, não compromete seu patrimônio e ele não está sujeito às mesmas regras prudenciais de bancos comerciais.

  1. A brincadeira do vídeo NÃO falou de emprestar dinheiro para as pessoas gastarem, mas para aliviar o endividamento e seus efeitos.

A ideia não era capitalizar as pessoas para gastarem, mas para trocarem suas dívidas caras, por dívidas baratas.

Trocar um consignado a 20% ao ano por um empréstimo a 3,75% permitiria conceder uma carência de até 6 meses e ainda voltar com uma prestação menor.

Por exemplo, R$ 50.000 para pagar em 60 meses, a 20% ao ano + IOF, taxas bancárias, taxa de administração, tarifa de abertura de crédito etc., geraria uma prestação próxima a R$ 1.350 por mês.

Tomando no BACEN com juros de 3,75% e sem parte dos custos acima (BACEN não é instituição comercial), seria possível dar 6 meses de carência (o principal iria para R$ 50.928) e a prestação, quando voltasse, seria de R$ 930.

Em conta de padaria, seria um alívio de quase R$ 25.000 no período inteiro do empréstimo.

Se pegarmos dívidas mais caras, como para comprar carro, CDC etc., o alívio é ainda maior.

  1. Problema número 1: excesso de liquidez?

Vamos considerar que o BACEN se prepare para absorver 500 bilhões da carteira livre de crédito a pessoas físicas. É muito, mas menos de 10% do crédito ampliado a empresas e pessoas físicas. É muito, provavelmente não seria necessário tanto, a carteira de consignados total é de pouco mais de R$ 140 bi.

Isso funcionaria como uma “brincadeira” de ciranda no próprio sistema financeiro. Esses 500 bi voltariam às carteiras dos originadores do crédito (bancos), pois os empréstimos seriam quitados. Isso viraria “liquidez”, provavelmente indesejada, pois os bancos não teriam para quem emprestar imediatamente.

A liquidez pode ser enxugada pelo próprio BACEN, ou seja, o dinheiro acabaria voltando para o Banco Central, podendo ser liberado no futuro em um momento de economia aquecida.

Em resumo, o BACEN emprestaria, e o dinheiro voltaria para o próprio BACEN. Não há motivo para alarde nesse movimento. É como funciona o jogo.

  1. Problema número 2: A queda nos “negócios bancários”

Preferi escrever negócios bancários do que lucro dos bancos.

Haveria, obviamente, um enxugamento nas carteiras de crédito de onde os bancos tiram spreads expressivos. Mas não é nada substantivo e não há a menor possibilidade de quebrar bancos, pois, ao contrário, eles aumentariam sua liquidez com a quitação antecipada de empréstimos.

O que vai acontecer é uma queda no lucro. As carteiras de crédito direcionado e outros não será afetada, e grande parte do “negócio bancário” estaria preservado.

Mas, obviamente, teríamos uma redução razoável no lucro dos bancos. E duradoura, pelo menos de 3 a 5 anos, enquanto durar a recessão (ou depressão).

O que poderia acontecer, após essa crise MONUMENTAL que estamos contratando, e que ainda é desconhecida, seria o próprio BACEN vender essa carteira para os bancos comerciais.

Como o BACEN não tem estrutura de banco comercial, provavelmente a operacionalização dessa troca de dívidas seria feita através dos próprios bancos comerciais, aquela “queda na prestação” e a carência nós perceberíamos mantendo nosso empréstimo no próprio banco de origem, que ganharia apenas pela operacionalização (a tal taxa de administração), mas perderia o spread.

Uma carteira de R$ 500 bi a 3,75% poderia ser vendida por R$ 370 bi para que os bancos ganhassem os mesmos 20% ao ano.

O BACEN perderia R$ 130 bi, o que, repito, não é de forma alguma grave para o sistema financeiro.

Na verdade, R$ 130 bi de custos para aliviar 50 milhões de famílias e/ou indivíduos não é nada. Peanuts. Além de não ser “gasto público”, mas uma redução na carteira do BACEN.

Nada disso é trânsito de dinheiro no caixa do governo. É só controle de liquidez.

Os bancos centrais do mundo inteiro têm aumentado suas carteiras fazendo exatamente isso, mas comprando essas carteiras podres de crédito diretamente dos bancos, e também títulos de empresas.

É praticamente a mesma coisa, mas não gera qualquer alívio para o tomador de crédito na ponta.

Em países desenvolvidos esse alívio não seria tão grande, pois os juros já são extremamente baixos, mas no Brasil, chegam a 20%, 30%, 50% até 350% ao ano.

Com juros de 3,75% na SELIC é até difícil explicar a existência de linhas de crédito a 15% ao mês. AO MÊS.

Talvez esse “tranco” do BACEN funcione até como um gatilho para que os spreads caiam na marra.

  1. Questões ideológicas.

As pessoas refratárias ao proposto, normalmente baseiam-se no conceito de Moral Hazard (risco moral) ou no princípio de que as pessoas não devem ser “salvas” pelo governo.

Compreendo e acho que estão certas.

Mas, infelizmente, esse “salvamento” pelo governo acontece diariamente nas operações corriqueiras do próprio BACEN. Sempre que há um evento de liquidez, um default, o banco acaba absorvendo algum prejuízo para manter o sistema funcionando.

O BACEN foi autorizado a comprar títulos de empresas pequenas. Empresas para quem os bancos não vão emprestar, pois o risco de colapsarem é gigante, se a economia permanecer mais algumas semanas fechada.

A operação de salvar empresas pequenas é MUITO MAIS arriscada e com muito mais moral hazard do que emprestar para pessoas físicas.

De que adianta uma promissória de uma empresa que pode falir em dois meses? O BACEN não tem instrumentos para recuperar esse crédito. E só vai recuperar parte disso.

Uma pessoa física, salvo em caso de falecimento precoce, permanecerá oferecendo seus fluxos de caixa para quitar o empréstimo.

Enfim, só não fazemos isso por questões de princípios mesmo.

Não gosto da ideia em tempos normais, mas em tempos em que o próprio governo determinou o fechamento de empresas e contratou o desemprego de uns 15 a 20 milhões de brasileiros (a mais do que já tínhamos), é algo a considerar.

PS. Este é apenas um artigo exploratório, dado que algumas pessoas levaram a sério o vídeo que fiz sugerindo, em tom de brincadeira, que o BACEN emprestasse dinheiro para nós. Não pretende ser uma proposta de nada, apenas ideias sobre um debate incipiente e inédito no Brasil.

 

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  • Disclaimer

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  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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