Matemática

Balanceamento de carteira 1995 a 2017, o que aconteceu?

Posted on 09/11/2017. Filed under: Administração, Finanças, Matemática |

Um dos estudos mais badalados que publiquei no livro O Mercado de Ações em 25 Episódios foi o que tratava do balanceamento de carteira de investimentos, como forma de aproveitar o melhor dos mundos da renda fixa e da renda variável.

Tratava-se de iniciar uma carteira com 50% em renda variável e 50% em renda fixa. Quando a diferença entre os montantes atingisse 30%, por exemplo, deveríamos retirar recursos de onde houve valorização e colocar onde houve desvalorização.

Por exemplo, se a bolsa disparasse e atingisse 65.000, enquanto a renda fixa permanecesse em 50.000, deveríamos vender 7.500 em ações e aplicar em renda fixa. Teríamos ao final, 57.500 em cada tipo de investimento na carteira balanceada.

Essa é uma técnica para evitar os sentimentos irracionais do investidor que, por natureza, se assusta quando a bolsa desaba e pensa em vender, assim como ao ver a bolsa disparar fica lamentando não ter colocado mais dinheiro, e desanda a colocar mais. Além de permitir que, num momento de baixa expressiva da bolsa, haja recursos em renda fixa para aproveitar a queda.

As principais lições

As principais lições do estudo são três. A primeira é que NÃO adianta fazer ajustes com oscilações pequenas, tipo 5% ou 10% de diferença. Tanto pela complexidade, quanto pelo custo de fazer centenas de operações, e também pelo simples fato de que fazer o ajuste com patamares maiores 20%, 30% ou 40% dá resultados melhores.

A segunda é que os resultados, se tomadas em prazo curto (5 a 8 anos), dependerão MUITO do início da renda variável. Se começarmos com a bolsa muito barata, teria sido melhor investir tudo em bolsa, assim como se tivermos começado com a bolsa muito alta (cara), teria sido melhor investir em renda fixa apenas (colocar os R$ 100.000 em renda fixa e não balancear). Mas quando vamos para horizontes maiores, esse “início” faz menos diferença.

Por fim a lição principal é que, ao seguir o método, seremos racionais sempre e, no longo prazo, isso fez uma diferença enorme, tanto em aumento de retorno quanto de redução de risco.

Aos leitores recomendo a leitura dos artigos originais, estão no blog e no livro. Aqui vamos apenas atualizar os resultados para um horizonte de quase 23 anos.

Resultados para o período de quase 23 anos.

Para um horizonte longo fica bem evidente não apenas os bons resultados do método, mas principalmente a redução dos riscos.

Peguemos o ano de 1995, o primeiro da análise (antes de 1995 não havia moeda no Brasil, de forma que o estudo ficaria excessivamente complexo e sem sentido).

O Ibovespa do início do ano estava em 4.319 pontos. Se colocássemos R$ 50.000 em renda fixa e R$ 50.000 em renda variável no início de janeiro de 1995 e fizéssemos o balanceamento de carteira cada vez que o montante de uma aplicação ultrapassasse 30%, teríamos o seguinte:

  • Teríamos feito 19 operações de balanceamento.
  • Se os R$ 100.000 tivessem sido investidos em Renda Variável apenas, teriam se tornado R$ 1.720.000.
  • Se os R$ 100.000 tivessem sido investidos em Renda Fixa apenas, teriam se tornado R$ 1.816.000.
  • Se os R$ 100.000 tivessem sido investidos metade em Renda Fixa e metade em Renda Variável fazendo o balanceamento, teriam se tornado R$ 2.487.000. 37% a mais do que investindo apenas em renda fixa e 45% a mais do que investindo apenas em renda variável.
  • Nos últimos 60 meses (de setembro de 2017 para trás), o valor investindo na carteira balanceada seria MAIOR do que o valor investindo em apenas um tipo de ativo em 100% dos meses.

Essas conclusões ficam claras no gráfico:

Perceba que a carteira balanceada, na maioria das vezes, esteve acima do investimento individual nos ativos.

Os piores anos para o balanceamento.

É importante colocar que estamos terminando o início dos aportes no ano de 2009, para que tenhamos um horizonte superior a 8 anos de investimento. Como já dito, no curto prazo, a dependência do “momento” é muito grande e distorce a prática de balanceamento, que deve ser pensada como gestão de longo prazo.

Nos 15 anos analisados (anos base de 1995 a 2009, de início do investimento), o método do balanceamento teria sido PIOR que investir tudo em Renda Variável apenas para quem começou no ano de 2003. O que faz sentido, pois viemos de uma dúvida econômica grande com a eleição e a bolsa tinha caído bastante. Como teríamos comprado “barato”, o investimento em Renda Variável teria vencido. Apenas para quem começou a investir nesse ano. Veja o Gráfico:

De qualquer maneira é muito evidente a redução da volatilidade (e do risco) para quem investiu na carteira balanceado.

Interessante também notar que a diferença não foi tão grande, de R$ 659 mil para R$ 625 mil (da RV para a balanceada). Mas em relação à renda fixa a diferença foi enorme. De R$ 625 mil para R$ 422 mil em RF.

De 2003 para hoje seriam quase 15 anos completos, perceba que, no início, como compramos a bolsa muito “barato”, o investimento em RV ganha quase sempre, pois os prazos são curtos. Já a partir dos últimos 5 anos, há bem mais equilíbrio entre a RV e o balanceamento. Na verdade, foram 40 meses em que a RV estaria na frente e 20 meses em que a balanceada estaria na frente. Pelo histórico da análise, não será surpreendente se nos próximos 60 meses essa lógica se inverter e a balanceada passar a ganhar na maioria dos meses.

a Renda Fixa (RF) teria vencido em 3 oportunidades, para quem iniciou seus investimentos em 2006, 2007 e 2008. Também faz sentido, pois foram os anos de recorde da bolsa, ou seja, compramos caro. Agora é que estamos batendo os patamares atingidos em 2008 e 2009.

No ano de 2008 a diferença foi a pior em favor da RF, com R$ 225 mil contra R$ 179 mil da balanceada e pífios R$ 116 mil da renda variável (pois 2008 se iniciou a 63 mil pontos o Ibovespa).

Vejamos o gráfico:

Mais uma vez se percebe redução da volatilidade e da eventual perda de arriscar investir apenas em bolsa, tendo comprado em um início tão ruim.

Em resumo

Nos 15 anos de início dos investimentos (inícios em 1995 a 2009), a carteira balanceada teria VENCIDO em 11, a carteira de renda variável em apenas 1 ano de início (2003) e a carteira de RF em 3 anos de início (2006, 2007 e 2008). Sendo que, em todos esses anos, houve atipicidades, como mínimas históricas ou máximas históricas.

Se considerarmos um horizonte mínimo de 15 anos, significa que teríamos que contar apenas que começou a investir de 2002 para trás. Nesse caso, o balanceamento teria vencido em TODOS os casos, com ampla vantagem na quantidade de meses em que esteve à frente das outras opções (considerando apenas os últimos 5 anos).

Por que funciona?

Na verdade, não há qualquer mistério no ocorrido, apenas reflete uma conduta racional, com parâmetros quantitativos claros. É extremamente provável que uma ação objetiva (balancear a cada 30% de diferença) que vai garantir comprar bolsa quando estiver barata (relativamente, não absolutamente) e vender bolsa quando estiver cara, traga melhores resultados no longo prazo do que tentar acertar.

Não é, entretanto, garantia de sucesso futuro. Como vimos, para períodos menores, houve momentos em que o balanceamento perdeu.

Parece uma panaceia, uma grande estratégia, que deveria ser seguida por todos. Parece mesmo, mas não é seguida por todos e provavelmente não será. E é fácil explicar.

Em quase 23 anos, de 1995 a 2017, o investidor teria feito APENAS 19 operações em 273 meses. Não há emoção.

Outro ponto é que, dificilmente alguém vai seguir os parâmetros de forma precisa (30%), muito provavelmente vai “achar” que a hora é outra e vender com diferenças menores. Seja por “intuição” ou por tédio mesmo.

E investidores profissionais, gestores de fundos, precisam se diferenciar, portanto se arriscam mais. Principalmente porque esse método é excepcional no longo prazo, mas nos primeiros anos é muito volátil e pode deixar os cotistas dos fundos ressabiados com a competência do gestor.

Mas para o pequeno investidor que quer evitar a “síndrome da troca de pernas”, que é comprar na alta e vender na baixa, ou que não quer ser uma mão Dinah da bolsa de valores para adivinhar o momento, o método é um guia anti-vacilo.

Não é panaceia, mas é racional e manterá o investidor na racionalidade básica do mercado que é, comprar na baixa e vender na alta. Comprar na “mais baixa” e vender na “mais alta”, não é racional é Lei de Bicks ou de Schultz. Popularmente, é chute.

Ps. Alerto que isso NADA tem a ver com análise gráfica, estamos falando de 19 operações em 273 meses e não de 273 operações em 19 segundos. São objetivos diferentes.

Baixar a planilha aqui.

 

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Porque saí do RPPS ou A (minha) Reforma da Previdência

Posted on 21/08/2017. Filed under: Filosofia, Finanças, Matemática, Política | Tags:, , |

Bom, parece que a Reforma da Previdência vai virar mesmo um arremedo para durar uns 4 ou 5 anos, ou nem sairá.

Dado isso, temos que nós mesmos tratar de correr para organizar nossas finanças, pois, ainda que muitos neguem, o problema da previdência pública é real e impactará a vida de todos, NÃO SÓ DOS MAIS POBRES, mas, principalmente, dos que recebem mais.

Há fatos que considero incontestáveis, se o leitor não concorda com eles, não sei se o resto do texto interessará. São eles:

  • Há déficit na previdência e ele é crescente.
  • Com o passar dos anos e com o envelhecimento da população, esse déficit vai piorar.
  • O orçamento público é insuficiente. Para tudo (exceto para os barões).
  • O cobertor é curto, se aumentar o gasto com a previdência no nível previsto, vai faltar para outras áreas.
  • Direito adquirido e expectativa de direito são robustos conceitos jurídicos, mas fragilíssimos conceitos econômicos. Não há ordem judicial que faça aparecer um dinheiro que não há.
  • Quem deve se aposentar a partir de 2030, provavelmente (diria 99% de chance) precisará complementar significativamente a aposentadoria com recursos acumulados privadamente.

Adeus previdência pública!

Tomei posse na CVM, autarquia federal que regula o mercado de capitais, em fevereiro de 2012. Foi o último mês em que você pôde entrar no serviço público no regime de aposentadoria integral (ou pela média do salário da ativa).

Em março de 2012, Dilma regulamentou o Funpresp e, desde então, NENHUM servidor público federal pode se aposentar com mais do que o teto do INSS. Isso mesmo. Juiz ganhando R$ 80.000, sem entrou após a regulamentação, vai se aposentar com R$ 5.500. Vai precisar fazer poupança privada para compor a renda no futuro.

Alvíssaras, alvíssaras! Parabéns a Dilma e Lula! É muito importante que os servidores, que já ganham mais (por enquanto) e têm estabilidade (segurança de fluxo de caixa, também por enquanto), destinem boa parte de sua poupança privada de longo prazo para projetos e de investimento e NÃO para o orçamento público.

A janela de saída.

Há cerca de 1 ano o governo abriu uma janela para que os servidores ainda na regra antiga pudessem sair do regime próprio de previdência (RPPS). Isso significa pagar menos contribuição previdenciária (servidores pagam 11% em cima de todo o salário), porém abrir mão da tão sonhada aposentadoria pública integral.

Foi a minha oportunidade de dizer adeus à previdência pública!

Quer dizer, nem tanto, pois ainda sou obrigado a contribuir até o teto do INSS, mas o governo me deu a liberdade e a oportunidade de cuidar privadamente da minha aposentadoria, ao menos em parte.

Por que abandonei voluntariamente a tão sonhada aposentadoria do servidor público federal?

Há muitos motivos, alguns pessoais e morais, e outros financeiros e atuariais. Sou da área de finanças por gosto, vejo o futuro como um conjunto de probabilidades, analiso os eventos no futuro por sua densidade de probabilidade (chance de acontecerem) e, para o futuro, vejo algumas questões que me parecem bastante prováveis. Outras praticamente certas.

Antes de elencar os motivos, vale colocar que decisões pessoais são… pessoais! Nada do que escrevi, ou escreverei, deve ser visto como um caminho correto ou errado para as decisões dos leitores.

Vamos às questões.

Questões tributárias.

  • Hoje aposentados do serviço público pagam IR de 27,5% (mesmo com mais de 65 anos) + contribuição de 11% ao RPPS (sobre a parcela que excede o teto do INSS), com previsão de alta para 14%.
  • Ao acumular patrimônio pela previdência privada, paga-se apenas 10% sobre o valor retirado (mais de 10 anos de aporte). Além disso, o valor aplicado pode ser abatido do IRPF do exercício, o que traz um ganho de 27,5% de início.
  • É altamente provável que a contribuição suba, tão logo seja aprovada a reforma da previdência (se for), para 14% (essa proposta foi feita em 15/08/2017).
  • A continuar esse caminho do déficit, gigante e crescente, é altamente provável que, tanto a alíquota do IR para os maiores salários, quanto a contribuição ao RPPS continue subindo. Não estranharia se em 2030 estejamos pagando 35% de alíquota máxima de IR e entre 16% e 22% de contribuição ao RPPS. Aqui no RJ já houve propostas de contribuição extraordinária nesses níveis.
  • Não é impossível que aumentem o imposto sobre previdência privada, mas é um tiro no pé desestimular poupança privada de longo prazo, a única que vai sustentar o crescimento do país, dado que a poupança pública acabou.
  • Em resumo, meu custo tributário na aposentadoria estaria, hoje, na faixa de 35% (IR e RPPS), deve aumentar e não espantaria se chegasse a 50% em 20 anos. O custo atual de retirada dos valores acumulados em previdência privada está em 10%, e considero improvável que aumente (muito), dada a necessidade de estímulo à poupança privada de longo prazo.

Questões culturais.

  • Formar poupança privada é questão cultural. Você se surpreenderia com a quantidade de médicos, juízes, executivos, com rendas superiores a R$ 600 mil, R$ 1 milhão ao ano que não formam patrimônio, ou que mantêm reservas insignificantes perto de seus custos anuais. R$ 200 mil em reservas é muito para quem gasta R$ 80 mil por ano, mas é pouco relevante para quem gasta R$ 500 mil ao ano.
  • É comum ver as pessoas fazendo reformas de 5 em 5 anos na casa onde moram, ou até em casas de veraneio. Quando olham o que gastaram ao longo de décadas nessas reformas, poderiam ter acumulado patrimônio para complementar confortavelmente sua aposentadoria. E o imóvel de uso próprio não é ativo. Reduz necessidade de caixa, mas não gera renda.
  • A Previdência Pública reforça essa leniência com a poupança privada que vemos em toda a população. É inacreditável que um pedreiro que chega a cobrar de R$ 300 a R$ 400 a diária, sonhe em se aposentar com salário mínimo ou com R$ 1.500 por mês. Se acumulasse patrimônio por 10 anos ou 15 anos, sem ser genial nas finanças, já teria recursos suficientes em poupança privada para usufruir de renda semelhante.
  • Há o desconhecimento, mas há o desestímulo mesmo, provocado pela expectativa de que é inevitável depender do governo quando ficar mais velho. É uma expectativa altamente empobrecedora, tanto para o indivíduo, quanto para o país.
  • Para quem tem 15, 20 anos ou mais para acumular patrimônio, aprender sobre as formas de investimento privado (são muitas e para os mais diversos apetites por riscos) deve ajudar na aposentadoria. Mesmo para o aposentado que recebe um bom dinheiro, a falta de experiência na gestão financeira de sua renda e patrimônio prejudica bastante seu período de aposentadoria. Não é à toa que a maioria esmagadora dos aposentados, ESPECIALMENTE DO SERVIÇO PÚBLICO, vive com sua renda comprometida significativamente no consignado.
  • Enfim, é melhor levar a experiência de ter gerido sua própria vida financeira e sua própria poupança, além de ter uma reserva significativa durante a aposentadoria, do que ter passado a vida na expectativa de apoio do governo e sem reserva alguma.

Questões financeiras e de seguridade

Trato por “questões financeiras e de seguridade” aquelas decisões que envolvem variáveis de risco e retorno e de diversificação.

  • Os riscos da aposentadoria pública estão ligados ao orçamento público, tanto no RPPS quanto no RGPS (INSS). Ocorre que, como se sabe, o déficit do funcionalismo é muito mais elevado, o desequilíbrio é maior e os salários são 7 vezes maiores, de forma que podemos dividir o risco do RPPS e do RGPS, apesar de terem a mesma fonte de pagamento.
  • Os riscos de uma taxação extra, ou excessiva, sobre as pensões e aposentadorias me parecem muitíssimo mais elevados para quem está no RPPS. Primeiro porque o déficit é maior (e aqui não cabe discutir conceitos de justiça, apenas conceitos financeiros) e segundo porque é mais palatável para a sociedade sobretaxar quem ganha R$ 20.000,00 do que quem ganha R$ 984,00. Dessa forma, o risco de quem está no RGPS (ou nas mesmas regras) me parece MENOR do que o risco de quem está no RPPS. Em resumo, vão “descascar” primeiro os que ganham mais e têm maior déficit, para depois chegarem a quem ganha menos. Aliás, isso já tem sido uma realidade para os servidores públicos federais desde 2003, pois já pagam 11% sobre suas aposentadorias e tem idade mínima de 60 anos (não há idade mínima nem contribuição de aposentados no RGPS).
  • Os regimes de previdência pública também são regimes de seguridade, ou seja, buscam amparar o cidadão e sua família no caso de sinistros como morte e invalidez permanente. Na previdência privada esses seguros precisam ser contratados à parte. Nos regimes FECHADOS de previdência, como no FUNPRESP, há formação de fundos para garantir essa seguridade, ou seja, paga-se um pouco a mais para reservar fundos para pagar pensões por morte e invalidez. Mas isso nada tem a ver com capitalização, tem a ver com seguro mesmo.
  • A seguridade no RPPS (do governo puramente), para quem tem pouco tempo de serviço público, não é tão interessante, pois para o caso de invalidez e morte há substanciais cortes nos benefícios à família ou ao indivíduo. Entrando no FUNPRESP, há formação de um fundo (caro) para pagar pensões no caso de sinistros. Esse fundo, me parece, está superdimensionado, pois, para cada R$ aportado pelo beneficiário, cerca de 0,41 centavos são destinados ao fundo (porque o governo coloca também R$ 1). Além disso, o FUNPRESP é o regime para todos os novos servidores, desde 2012, com a aprovação da idade mínima de 65 anos (se não for agora, será em 2019 ou 2020), é provável que haja muitos servidores jovens entrando e contribuindo por 30 a 40 anos para o FUNPRESP. Não me parece que esse fundo ficará “sem dinheiro” para pagar as pensões. Acho até que está superdimensionado.
  • Já as regras de seguridade do RPPS tendem a piorar com as reformas da previdência, essa próxima e as várias outras que virão nos próximos 20 anos. É bem provável que as pensões por morte e invalidez sejam expressivamente reduzidas (já está em pauta). No caso do FUNPRESP ou da contratação de seguros privados, o que vale é o contrato e a disponibilidade financeira. É provável que, nos próximos anos, a seguridade contratada privadamente ou nos fundos fechados seja muito superior à seguridade social. Por incrível que pareça, a decisão de sair do RPPS, contratando os seguros corretos (ou entrando no FUNPRESP), pode reduzir os riscos de fluxo de caixa no caso de sinistros.
  • Há o risco de sucateamento do serviço público, esse risco não é desprezível (escrevi esse texto bem antes das mudanças propostas em 15/08). Achatamento salarial, redução de carga, PDV, está tudo na mira do governo. E continuará, pois o déficit pesado da previdência está no serviço público, em todos os níveis. Quando o Brasil estava “bombando” entre 2011 e 2014, os salários na iniciativa privada, para quem tem boa formação, estavam bastante atraentes. Se Dilma tivesse seguido o caminho proposto por Palocci e outros, de buscar o déficit nominal ZERO, talvez ainda estivessem todos na cadeia, mas a economia estaria voando. Nosso problema é essencialmente fiscal, se não houvesse isso, nossa economia estaria inundada de dinheiro barato (os juros seriam mínimos e sobra dinheiro no exterior). Seria altamente provável que profissionais bem formados deixassem o serviço público. Se isso acontecer, e você tiver 15 a 20 anos de contribuição ao RPPS, vai pensar duas vezes antes de sair e perder o dinheiro pago para a aposentadoria. Mas se esse dinheiro tiver sido acumulado no FUNPRESP ou em previdências privadas, o servidor poderá sair levando o dinheiro acumulado para a aposentadoria. A decisão fica bem menos difícil. Sair do RPPS reduz o risco de perder oportunidades por estar preso a um regime para o qual você já contribuiu muito.
  • Há o risco de gestão e de fraudes nas previdências privadas, inclusive no FUNPRESP. Ocorre que é possível diversificar as fontes de aposentadoria, como em outros fundos de previdência, fundos de investimento imobiliário, ações etc.. No RPPS há o risco de má gestão do orçamento público também, aliás, isso nem é risco, é certeza. Na verdade estamos trocando um risco sobre o qual temos algum controle (participação nas assembleias, troca de gestores, seleção de riscos da carteira, venda pura e simples etc.) por um risco sobre o qual nosso controle é apenas no voto nos políticos, e nunca deu muito certo.

Em resumo, com visão exclusivamente financeira (de riscos de fluxo de caixa), entendo que sair do RPPS foi “vender um ativo com perspectiva ruim” para selecionar e me posicionar em “ativos melhores e com maior diversificação”.

É evidente que, para quem tem 25 anos ou mais de contribuição ao RPPS e para quem está próximo de se aposentar (até 10 anos) os riscos são muito diferentes, até porque devem ter pouco tempo para acumular poupança privada. Talvez para estes a ideia seria apertar um pouco mais o cinto, renunciar a determinados padrões de consumo para acumular alguma poupança privada para compor com a aposentadoria pública e reduzir seus riscos.

Se eu pudesse resumir minha motivação para sair do RPPS diria apenas que entendo ser a coisa certa a fazer. Vou destinar a minha poupança com vistas à aposentadoria para investimentos privados e não para o orçamento público. Orçamento público não gera riqueza, aliás, há eloquentes exemplos no mundo inteiro que demonstram isso.

Se o Brasil entrar nos eixos e orçamento equilibrar, significa que a economia voltou a andar forte, gerar riqueza e pagar os impostos. Nesse caso os investimentos privados também devem dar resultado. Se o Brasil quebrar, é melhor ter a opção de mexer com a poupança acumulada privadamente (para comprar dólar, por exemplo, se a coisa for mesmo para o buraco) do que ficar com a expectativa de direito de receber uma aposentadoria de um estado quebrado.

A minha contribuição para a melhoria do Brasil é essa, reduzir o compromisso do governo comigo e destinar os excedentes para investimentos privados. Que espero que voltem com força. Os “investimentos públicos” já demonstraram que são sorvedouros de dinheiro, não geram qualquer riqueza.

Haverá leitores que vão me tomar por tolo, por acreditar em investimentos privados, em capitalismo etc.. Minha visão a esse respeito é bem simples. Há riscos nos investimentos privados, para esses riscos há cálculos de mitigação e diversificação. Posso acessar 4 grandes gestores para meus fundos de previdência privada, 12 ou 15 ações, mercado interno e externo, estratégias com opções etc.. Há riscos ao depender do governo para garantir meus proventos no futuro e para esses riscos eu não tenho nenhuma estratégia de mitigação, ninguém tem.

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Reforma da Previdência – Parte 1: há déficit?

Posted on 15/03/2017. Filed under: Administração, Filosofia, Matemática, Política | Tags:, , , , , |

Iniciamos nossa série sobre a Reforma da Previdência com o principal motor dos debates, se a previdência está quebrada ou não.

Os que argumentam que não está partem do pressuposto que o dinheiro da previdência vem de uma arrecadação mais ampla, e não apenas com a contribuição do empregado e do patrão ao RGPS ou RPPS (regimes geral e próprio da previdência social), que serve a outros propósitos sociais e que bastaria uma redistribuição para arcar com as aposentadorias e pensões.

Outros ainda afirmam que o dinheiro arrecadado com esse propósito é “desviado” para outras finalidades pela desvinculação das receitas da união.

Um último grupo associa a falta de dinheiro com má gestão do governo, dívidas de contribuintes inadimplentes, pagamento de juros da dívida pública e corrupção.

Há déficit?

Não é necessário apelar às filigranas orçamentárias para convencer as pessoas de que há déficit. Basta que qualquer brasileiro se pergunte:

  • Pago pouco imposto? Dá para pagar mais?
  • Os serviços públicos que recebo em troca são bons?

Exceto por grupos privilegiadíssimos, qualquer brasileiro responderia que paga impostos demais e recebe serviços de menos. Aliás, o Brasil é lanterna nos rankings internacionais de retorno com pagamento de impostos.

A impressão é meio óbvia, o governo arrecada muito e oferece pouco. As aposentadorias são insuficientes (no RGPS), o sistema de saúde é sofrível, a segurança é nula e ninguém confia na educação pública para formar bem seu filho (salvo raríssimas exceções).

Pois é. Retorno à pergunta: há déficit?

Vou deixar dois artigos, para quem quiser ler em detalhes os números que apresentarei.

Artigo 1.

Artigo 2.

O buraco que todo mundo vê.

Pouca gente sabe, mas o tal “superávit primário” que o governo busca NÃO é superávit de verdade (nominal). Não leva em consideração o pagamento de juros. Na verdade, os governos, desde 1994 pelo menos, NUNCA tiveram superávit nominal. Rodamos no vermelho sempre.

E a conta desse buraco se reflete no aumento da dívida pública.

A dívida pública, que todos demonizam, serviu para pagar o que faltava no orçamento. Quem empresta dinheiro ao governo, não é vilão, é só alguém que quer poupar e encontra um ente descontrolado, ávido por dinheiro para fechar suas contas. O vilão nessa história é outro.

Veja o governo do RJ, por exemplo. Pela lei de responsabilidade fiscal não pode se endividar sem aval do Tesouro Nacional. O que está acontecendo? Não paga ninguém. O funcionalismo está com salários atrasados 1 ou 2 meses, mas tem fornecedor que não vê a cor do dinheiro há 2 anos. E talvez nunca veja. E o Estado não paga porque não pode se endividar e, mesmo que pudesse, não encontraria quem quisesse lhe emprestar dinheiro, pois o risco é altíssimo.

Antes de demonizar a “dívida pública”, procure imaginar como seria rodar no vermelho e NÃO poder se endividar. Se tiver dificuldade de imaginar, olhe para o Rio de Janeiro.

Demonizar aquele que empresta e perdoar aquele que gasta em excesso é o caminho do calote, da insensatez financeira, e, claro, da miséria. Imagine o Brasil inteiro nas condições do Rio de Janeiro? Sem dinheiro, com déficit e sem ter a quem recorrer para captar recursos (se endividar)? Infelizmente isso NÃO é impossível de acontecer.

Há déficit nas contas públicas. Em TODAS. Aliás, na verdade NUNCA houve foi superávit.

Você pensa: Ah, mas esse déficit não é da previdência. Correto, não é mesmo, mas isso importa? Se falta para saúde, educação, assistência básica, segurança etc., também falta (e faltará mais ainda) para pagamento de aposentadorias decentes.

O numerário do caos.

Em 1995 o governo pagou R$ 17,9 bilhões em juros da dívida pública, teve um déficit nominal (já incluído o pagamento de juros) de R$ 14 bilhões, cerca de 2% do PIB. A dívida pública em R$ era R$ 61 bilhões e de US$ 106 bi, totalizando cerca de R$ 150 bi (o dólar era barato em 1995).

Em 2016 atingimos números catastróficos. Pagamos R$ 407 bilhões de juros nominais (conta própria do TN), somados a um déficit primário (tínhamos superávit primário até 2013!!!) de R$ 155 bilhões, conseguimos a proeza de “arrombar” o cofre público (dinheiro nosso) em mais de R$ 560 bilhões, coisa de 9% do PIB. A dívida pública bruta atingiu impressionantes R$ 4,37 trilhões, quase 70% do PIB.

Repito a pergunta: Há déficit?

Aliás, modifico a pergunta:

Cara, você realmente acha que não há déficit? 

As discussões sobre filigranas orçamentárias são mesmo relevantes? Os números que são públicos, e com os quais todos concordam, já não são aterrorizantes?

Saímos de R$ 18 bilhões de juros nominais pagos em 1995 para R$ 407 bilhões em 2016, coisa de 16% ao ano de alta.

Saímos de uma dívida bruta de R$ 150 bilhões para R$ 4,37 trilhões, alta de 17,5% ao ano.

Saímos de um déficit nominal de R$ 14 bilhões em 1995 para impressionantes R$ 560 bi em 2016.

Parece sustentável isso? Basta dar uma “ajeitada” nos números, tirar um pouquinho daqui e dali para pagar as aposentadorias?

Qual é a vantagem de acreditar que não há déficit? Qual o conforto disso?

Se você não se assustou com os dados atuais, provavelmente não faz ideia do que está acontecendo com o país. Não é nem questão de perguntar se há déficit, mas de como vamos parar essa sangria antes do colapso total das contas públicas.

O buraco atual é claro, evidente e inequívoco. Quem está lutando para “provar” que não há déficit, provavelmente tem interesses corporativistas (alguns funcionários públicos insensíveis ao desequilíbrio e que querem manter o status quo), ideológicos (acefalia matemática pura e simples) ou políticos (querem se reeleger dando esperanças vãs às pessoas).

O presente é desastroso, mas e o futuro, como será?

Reverteremos esse déficit, sobrará dinheiro para pagar as aposentadorias e serviços públicos?

Os otimistas acham que vamos parar de piorar e voltar a ter superávit primário em 2020, ou seja, esse buraco, na melhor das hipóteses, vai piorar as contas públicas, dívida etc., por mais três ou quatro anos.

Mas esses são os otimistas.

Sem forte disciplina fiscal atingiremos uma dívida bruta de mais de 80% do PIB já em 2018. A continuar a gastança, o céu é o limite. Aliás, o inferno do Rio de Janeiro é o limite.

gasto com previdência saiu de 3,4% do PIB em 1988 para 11,2% em 2016. Parece sustentável? Vai aumentar ou não?

Por que o brasileiro acha confortável acreditar que o dinheiro público é infinito, se é ele próprio que paga?

We are not getting any younger…

Nem os defensores de que a previdência está nadando em dinheiro se atrevem a dizer que o futuro será melhor do que passado ou o presente.

Haverá mais aposentados em 2030 e menos trabalhadores na ativa. E em 2040. E em 2050.

É longe? Quem tem 48 anos deveria se preocupar com 2030, pois estará aposentado até lá. Assim como quem tem 38 anos, ou 28 anos.

Nossa juventude tem demonstrado ser trabalhadora, devotada e dedicada ao trabalho e estudo, ou está cada vez mais perdida no hedonismo, nas facilidades da era digital e na superproteção parental e estatal?

Eu, com 30 anos de estudo, mestrado e pós-graduações, vários livros escritos, várias atividades remuneradas e tributadas, estou pagando a aposentadoria dos brasileiros já aposentados e prestes a se aposentar.

Mas quem vai pagar a minha está sendo instruído nas escolas públicas e privadas a fugir do empreendedorismo e odiar o capitalismo, a fugir dos objetivos “pequeno-burgueses” de estudar, ganhar dinheiro, empreender e vencer.

E mesmo quem está começando a vida profissional de forma centrada e focada, nem sonha em usar o regime da previdência social para se aposentar.

É isso mesmo que você leu. Jovens bem formados, em sua maioria, estão mandando uma banana para o sistema previdenciário público, já entenderam que desse mato não sai cachorro. Quem tem 25 a 35 anos hoje, e está bem empregado, tem certeza absoluta que não poderá contar com a previdência pública. E isso TAMBÉM é uma realidade no serviço público, federal ao menos. A garotada que vai produzir os excedentes para as futuras aposentadorias, se pudesse, guardaria o dinheiro para si.

Eles não são “maus”, apenas não são tolos.

A pergunta fica ainda mais assustadora: haverá déficit no futuro?

Bom, os artigos apresentados utilizam números reais do Tesouro e do BACEN, não são reportagens de jornal ou luta política. Quem quiser se aprofundar pode lê-los, pois não pretendo “provar” que há déficit. É matéria de crença e de decisão, não de prova. Quem acredita no que é altamente provável e verossímil, consegue decidir se proteger.

Qualquer brasileiro com mais de 30 anos é capaz de entender que está assolado por impostos, não é à toa que pagamos 2 a 3 vezes mais caro por carros, eletrônicos, remédios e até comida do que um norte-americano médio ou até do que um português ou italiano.

É capaz de entender que não recebe NADA em troca. Ou melhor, recebe 60.000 homicídios, recebe filas de 5 anos para um exame simples, recebe descaso, recebe tapas na cara com privilégios INJUSTIFICADOS a alguns membros da casta do funcionalismo e da política, recebe, enfim, muito pouco para nossa pesada estrutura tributária.

Qualquer um pode ver que há desequilíbrio generalizado nas contas públicas, não faz sentido achar que está tudo péssimo no orçamento, mas tudo ótimo na parte que paga minha aposentadoria. Isso é uma negação que pode custar o futuro de muita gente.

Na verdade, o artigo não responde, mas devolve a pergunta: há déficit?

Você leitor, precisa escolher em que acreditar. Na avalanche de números catastróficos ou no terninho dos desembargadores e auditores fiscais sindicalizados, cuja aposentadoria DEPENDE que você continua quietinho. Mas pagando.

Nessa primeira parte tratamos apenas do déficit. Em outros artigos trataremos de assuntos delicados como a demonização INJUSTIFICADA do fator previdenciário, a injustiça e o desequilíbrio com o pessoal do RGPS, o erro de confundir expectativa de vida ao nascer com idade mínima de aposentadoria, a questão atuarial e, principalmente, debater o que efetivamente ocorre com pessoas vulneráveis, com pouca instrução e empregabilidade. Dá para falar em idade mínima de 65 anos para eles?

Façamos um concurso de direitos adquiridos: o que pesaria mais?

Cada um crê no que lhe é conveniente. O que me é conveniente é acreditar que vou ter que me cuidar à parte da previdência pública, pois é bastante provável que esta tenha pouco dinheiro para distribuir no futuro. Além disso sou sensível para entender que, em havendo pouco dinheiro, será necessário prevalecer o direito do mais vulnerável ou necessitado. Ambos teremos “direitos adquiridos”, mas seria insensível demais esmagar os miseráveis para manter pensões e aposentadorias recheadas para poucos.

Por isso apelo a quem ganha bem, por favor, não se passe por HIPOSSUFICIENTE! Garanta-se por contra própria, há muitos vulneráveis no Brasil para que precisemos ajudar a quem ganha bem, tem estudo, instrução e amparo. 

Mas se você não quiser acreditar em nada disso e pensar que está tudo bem e que, ao final, tudo vai se acertar, pois o Brás é tesoureiro, ok.

It´s only your future.

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A Classe Média quer ser burguesa? O que aprendi com Marilena Chauí #SQN

Posted on 12/09/2016. Filed under: Administração, Finanças, Matemática, Política |

Essa campanha a vereador aqui no RJ, pelo Partido Novo, tem me exposto a ideias MUITO loucas. Está sendo um grande aprendizado, ao menos consigo entender o que passa na cabeça de quem defende um estado máximo, controlador e centralizador, e um regime socialista.

É uma cabeça bem diferente. E interessante, na medida em que acham suficiente um modelo básico de entendimento sociológico e antropológico para debater finanças contra gente que domina o assunto. É divertido, apesar de ser chamado de ignorante, de serviçal do sistema, de burro, de idiota etc., por gente que não diferencia mercado primário de secundário, desconhece a função dos derivativos e acha que a culpa da dívida pública é do credor.

Eu postei um vídeo questionando o’ entendimento de mundo de Marilena Chauí, pensamento esse que influencia CENTENAS de milhares de jovens no Brasil. Ela dizia que: A Classe Média quer ser dona dos meios privados de produção, mas jamais será, por isso é frustrada.

Eu achava que para desmontar essa afirmação bastaria lembrar a Marinela Chauí e à intelligentsia esquerdista que qualquer pessoa consegue comprar ações de companhias abertas e se tornar acionista.

Ledo engano, o nível de deturpação do entendimento sobre o mercado de capitais é bem mais profundo do que eu pensava. Precisamos de outras ferramentas de argumentação para combater essa besteira que amaldiçoa nossa juventude.

Peço aos amigos da liberdade financeira e econômica que acompanhem a leitura para ajudar a desconstruir essa onda de pobreza que assola o país.

Para quem acredita em Marilena e quer continuar acreditando, recomendo que pare de ler. Pode doer.

No entendimento dos que vivem presos à explicação sociológica única da luta de classes, todo o sistema financeiro e o mercado de capitais seriam uma farsa para o capitalista captar recursos SEM perder o controle dos “meios privados de produção”.

Se eu comprei ações lançadas pela VALE, seria dono de um “bebedouro” da sede, mas não da VALE. Se comprei debêntures sou credor, mas não mando nada. Quem manda é o bigode e o olho azul.

Sociedade contratual

É muito aterrador perceber que tanta gente não faz a menor ideia do que seja um contrato. Nossa sociedade é contratual, e o respeito a esses contratos é o que nos aproximará da riqueza.

Ao lançar ações no mercado ou mesmo dívida, o “dono dos meios privados de produção”, o burguês, abre mão de parte significativa de seu poder.

Ele vai se sujeitar a pagar MAIS dividendos para o acionista preferencialista, se sujeitar a não cometer abuso de poder de controle, vai se sujeitar a informar TUDO o que acontece na empresa para toda a sociedade, vai ser obrigado a antecipar o pagamento da dívida se descumprir cláusulas restritivas (covenants). Além de dar prioridade aos acionistas preferencialistas e credores sobre o patrimônio e os resultados da Companhia. Não é pouco.

Quando compro uma ação ou debênture compro um contrato, de 600 páginas, regulado, completo e que traz deveres pesadíssimos que o “dono dos meios privados” não tinha, e que agora tem. Quer meu dinheiro, vai ter que cumprir.

Ninguém está sendo enganado. E se for enganado, os diretores e controladores podem ser processados. Aliás, o que acontece com a Petrobras no Brasil e nos EUA deixa isso bem claro. A punição por abuso ou descumprimento de contrato é SEVERA.

Mas vamos ver o mundo maravilhoso de Marilena, o mundo em que o povo é dono dos meios de produção.

Se o mercado de capitais não permite que as pessoas sejam “donas dos meios privados de produção”, imagino que de uma empresa 100% estatal seríamos TODOS donos, não é?

Imagino isso porque não há outra forma, ou são privadas (e dos burgueses) ou são públicas (e do povo).

Nesse caso, seríamos mesmo donos?

Na verdade estaríamos numa situação bem pior do que na sociedade contratual.

As decisões CONTINUARÃO sendo tomadas em assembleia, de forma colegiada ou direto da autoridade pública. Você manda em quê?

No imaginário esquerdista talvez essa seja uma forma de TODOS participarem dos dividendos, de todos participarem das decisões (pois votaram no projeto de poder) etc.

É super interessante, veja:

Eu “não sou dono” porque tenho que votar com outros 300 ou 400 acionistas em 3 ou 4 assembleias por ano, exclusivamente sobre temas relevantes à empresa, mas meu voto sozinho não vence.

Mas eu “sou dono” quando tenho que votar com outros 120 milhões de eleitores uma vez a cada 4 anos para eleger os representantes do povo que vão gerir a empresa, sendo que os “temas” dessa eleição NADA tem a ver com a gestão dessa empresa. Nessa “assembleia” do povo, não discutimos distribuição de dividendos, plano de gestão, aprovação de contas, remuneração dos executivos etc., mas eu seria DONO da empresa estatal… Que loucura!

Em meados de 2010 eu, com pouco mais de 1.000 ações da Petrobras, demiti toda a diretoria, o conselho e o controlador da empresa. Demiti da minha vida, demiti do meu patrimônio, afastei o risco dela destruir minhas economias.

Como? Ora, vendi todas as ações a R$ 35 cada, pois simplesmente não acreditava no projeto. Simples e rápido. Teria perdido uns 80% de valor real se fosse “obrigado” a continuar.

E o socialista, como faz para se livrar de ações de empresas que drenam o patrimônio público? Como faz para se livrar de uma empresa estatal que quebra e toma recursos dos seus impostos para se manter artificialmente viva?

Não faz. Sucumbe junto com ela. Talvez em 4 anos possa votar em um político inepto e despreparado que vai prometer “salvar a empresa do povo”.

Quem acredita em Marilena e nessa falácia, na verdade, curte mesmo é falta de liberdade individual. Curte mesmo é que ninguém possa ter nada, para que ele tenha a ilusão de ter alguma coisa.

Quem realmente acredita que o acionista de uma companhia aberta NÃO É DONO, mas acredita que o povo seja dono de uma empresa estatal, terá problemas para entender de onde vem a riqueza.

O sujeito vê um regime de liberdade plena, em que divido o poder com outras 300 pessoas em assembleia, em que todos têm que respeitar contratos e leis com 400 anos de refinamento, e que, caso discorde dos rumos, tenho condições de vender imediatamente e sair da sociedade, e acha que é uma farsa montada pelo burguês para me enganar.

E sonha com um regime onde a empresa será integralmente gerida por um grupo de políticos eleitos (se houver eleições) a cada 4 anos, de cuja gestão ele nem chegará perto, nem saberá dos rumos (não há obrigação de publicidade), será obrigado a cobrir prejuízos e jamais poderá sair, mesmo que tenha votado no outro grupo que perdeu as eleições. Você paga MESMO sem “comprar”.

Infelizmente não é só desconhecimento de direito societário e finanças, é deficiência em conceitos básicos da teoria geral dos conjuntos, de lógica trivial e de raciocínio sistêmico. O sujeito vê 1.000 e não diferencia de 10 ou de 1 bilhão. E tem certeza de que está certo.

É triste DEMAIS que tenhamos criado uma juventude tão incapaz de sair do preconceito clássico da “luta de classes”, e não tenha condições de perceber a pobreza intelectual de seu pensamento.

É uma prisão, uma condenação eterna à miséria material, intelectual e até espiritual. Não há espírito que se alimente de ignorância autoimposta. Se você pensa da mesma forma há décadas e não muda, provavelmente não aprendeu nada, apesar de achar que sabe tudo.

Somos pobres e continuamos empobrecendo, essa é a evidência empírica dos erros de pensamento que assolam nosso país.

https://www.facebook.com/pauloportinhoRJ/

 

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Vão Privatizar a Marmita!

Posted on 09/07/2016. Filed under: Administração, Filosofia, Finanças, Humor, Matemática, Política | Tags:, , , , , , , , , |

Esse senhor do vídeo, Bohn Gass (pum cheiroso em alemão), está preocupado com o fim do conteúdo nacional, pois até a marmita será estrangeira.

Apesar de ser careca, barbudo e articulado, o que, aliado ao sotaque sulista é quase uma garantia de conteúdo, o youtubber não tem a mais remota noção da realidade.

Não me importaria em rebater, se imposturas como essa não influenciassem tantas pessoas. Influenciam.

Vamos, humildemente, demonstrar as aberrações intelectuais de Herr Bohn Gass.

Brevemente!!!

“Os golpistas querem tirar o pré-sal da Petrobras”.

Errado! O pré-sal não é da Petrobras, é da União. A única parte do pré-sal licitada recentemente foi arrematada por um consórcio do qual a Petrobras tem apenas 40%. Nem da área licitada a Petrobras é dona.

“Estudos sérios dizem que podemos chegar a 200 bilhões de barris no pré-sal, o que daria US$ 10 trilhões de dólares”.

É encantador.

A Petrobras tinha reservas provadas de 16 bilhões de barris em 2012. Em 2016 (em janeiro, ainda não tinha dado tempo de o Serra doar as reservas para a Chevron) as reservas tinham caído para 13 bilhões de barris. Dados da própria Petrobras (última planilha, barris equivalentes):

http://www.investidorpetrobras.com.br/pt/destaques-operacionais/reservas-provadas

Outra coisa ma-ra-vi-lho-sa é fazer a conta de receita sem considerar custos. A Petrobras hoje perde dinheiro na extração. Se realmente tivesse 200 bilhões de barris e começasse a produzir TUDO de uma vez só, o preço do petróleo iria a 5 dólares. Produzir sem demanda, oferta sem demanda… preço baixo.

Mesmo assim, e o custo? Não conta? Sai de graça o petróleo de lá?

“Lula e Dilma fizeram um projeto (partilha) para garantir emprego no Brasil, tecnologia brasileira, ajudar a indústria nacional e garantir recursos para programas sociais”.

Esse vídeo é recente. É até difícil saber a que planeta, ou a que época, Herr Bohn Gass pertence.

Garantir emprego no Brasil?

A indústria do petróleo demitiu mais de 150.000 pessoas em 2 anos. Os maiores salários do Brasil. Beiramos 12 milhões de desempregados.

Garantir tecnologia brasileira?

Temos a impressão de que a “tecnologia é brasileira”. Não é. É mundial e está a serviço de quem pagar. A lista de fornecedores de tecnologia da Petrobras é majoritariamente de estrangeiros.

Mas a Petrobras já mandou tudo para o exterior. As gestões anteriores pegaram dinheiro emprestado na China. E o chinês exigiu “conteúdo chinês”. Olha que coisa! Isso na gestão de Aldemir Bendine e Graça Foster.

Não foi a Chevron. Não foram os Rotschild. Nem os Rockfeller. Nem o FBI. Nem a CIA. A culpa é do FHC.

Apoiar a indústria nacional?

A Odebrecht agradece. A Andrade Gutierrez agradece. A Queiróz Galvão agradece. A Sete Brasil agradece. Vou parar por aqui ou a CIA vai acabar me lendo.

Garantir recursos para programas sociais?

Bom, com rombo de R$ 140 bi em 2015, expectativa de rombos de R$ 170 bi em 2016 e R$ 139 bi em 2017, temos é que torcer para que exista ainda algum Estado Brasileiro após esse período.

Se isso tudo foi um projeto de Lula e Dilma (e foi), tenho dificuldade de lembrar de fracasso tão avassalador. Acho que é a maior experiência de perda de dinheiro da história do planeta.

Parabéns! Querem acabar com o capitalismo queimando todo o dinheiro dos investidores!

“Michel Temer retirou a urgência dos projetos de combate à corrupção enviados por Dilma”

Pois é. Agora foi a Dilma que propôs as 10 medidas contra a corrupção, não foi iniciativa dos procuradores da República que integram a força-tarefa da Operação Lava Jato, endossada pela Procuradoria-Geral da República. E que obteve cerca de 2 milhões de assinaturas!

Esse pessoal rouba tudo mesmo.

“Quem vai se dar bem com a mudança do sistema de partilha é a Chevron, a Exxon, a Shell, a BP, as grandes empresas de petróleo”.

Essas empresas operam no mundo inteiro. Pagando muitíssimo menos em royalties e impostos do que pagam no Brasil. Será que elas exploram os EUA, a Noruega, o Canadá, a Escócia etc.? Sério? Mesmo o americano pagando metade do que pagamos pelo combustível?

Que exploração é essa que, para produzir no Brasil, paga royalties, participações, bônus da assinatura, uma tonelada de impostos, e despeja tudo no bolso do consumidor brasileiro?

Ah, essa exploração eu conheço. E o explorador começa com a letra “Estado” e termina com a letra “Mais Estado”.

“Se a Chevron e as outras vencerem, o emprego vai para fora do Brasil”.

Bom, só se levarem o pré-sal embora. Na verdade o emprego vai embora se elas forem embora.

E é o que está acontecendo. Bye-bye emprego. A Chevron, a Exxon, a Shell, a BP vão levar seus investimentos para outro lugar. E gerar empregos por lá.

Herr Bohn Gass não gosta de empresa estrangeira. Herr Bohn Gass gosta é de Tudobras S.A..

“Se tirar o conteúdo nacional, desde a marmita, que é o alimento do trabalhador, até a plataforma, vão para fora do Brasil, transferindo renda para o exterior”.

É realmente um problema grave. Conteúdo nacional na marmita. Seria garantia de haver feijão? Ou legumes de assentamentos do MST?

Será que seremos obrigados a comer chucrute? Ou cachorro, se a marmita for chinesa?

Jesus Cristo amado, o que é isso?

Tô rindo tanto que nem consigo tratar dos impropérios do final do vídeo…

Seria hilário, se não fosse tão trágico.

 

 

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O preço justo dos imóveis. Julho de 2016. E as irracionalidades.

Posted on 07/07/2016. Filed under: Filosofia, Finanças, Matemática, Política | Tags:, , , , , , , , , , , , , |

Alguns leitores não conseguem “ver” a tal explosão da bolha imobiliária. Nem sempre é fácil ver, pois em alguns lugares ela nunca vai estourar e às vezes a expectativa do efeito da “explosão” está superdimensionada.

Aqui no RJ há imóveis sendo vendidos (preço pedido) pelo mesmo valor de 2012. Sei disso, pois vendi um em 2012 e, no mesmo prédio e há outro (melhor que o meu) pelo mesmo valor que pedi.

Há um prédio com infra aqui no Catete que os preços estão batendo os pedidos em 2013.

Mas há gente pedindo 20%, 30% mais caro.

Um preço estagnado por 3 anos, já é uma perda de uns 23% com a inflação passada.

 

Mas vai explodir MESMO?

Olha… Imagino que a expectativa de destruição de valor, cair, por exemplo, ao preço de 2009 (ou 2007), AINDA não é razoável.

Durante a crise imobiliária no exterior a expectativa de comprar imóveis 30% mais baratos em Manhattan ou no centro de Londres e Paris não se verificou.

Lugar desejado, com poucas ofertas de imóveis, dificilmente “derretem”. Mas Ipanema não é Manhattan. Já caiu bastante.

Já em áreas não tão procuradas, com excesso de imóveis, é possível uma queda forte. Imóvel comercial em área de pouco interessante, infelizmente pode significar vários anos de prejuízo.

As construtoras resistem em baixar os preços. Há empreendimentos na Península, condomínio de luxo na Barra, lançados, com imóveis prontos, e 90% vazios. Alguns nem conseguiram fechar o lançamento. E não baixam os preços.

 

A irracionalidade e dois exemplos de estouro.

Uma senhorinha, dona de vários imóveis comerciais no Leblon, resolveu, há uns 2 anos, subir significativamente o aluguel das lojas e não aceitar oferta.

Muito rica, preferia deixar os imóveis vazios. Atrapalhou bastante o bairro, mas continuam lá, vazios.

Em Ipanema, num dos principais pontos comerciais, desalojaram uma padaria famosa, pedindo 150% mais pelo aluguel. Está vazia há 2 anos, pelo menos.

Não há como exigir do miúdo, da pessoa física, racionalidade comercial pura. Às vezes o tino comercial perde para a teimosia.

Mas fundos de investimento imobiliário não podem se dar ao luxo da irracionalidade.

Isso porque as cotas são negociadas em bolsa. Se o gestor não trabalhar corretamente o preço cai e ele pode ser destituído em Assembleia.

Edifício Galeria – Rua do Ouvidor – Retrofit – Centro do RJ.

Antigo prédio da Sulamérica, um dos pontos mais nobres do centro do RJ, prédio todo reformado, alto luxo.

São cerca de 25.000 metros quadrados (incluindo lojas sofisticadas no Mall do térreo).

Foi lançado em 31.10.2012 por R$ 381 milhões (colocação das cotas de fundo, todas vendidas). Isso dava R$ 15 mil por M2, o que era normal para imóveis desse nível.

O imóvel estava pronto, mas sem inquilinos. O fundo pagaria 9% ao ano, por 12 meses (pagamento mensal de 0,75%), até conseguir alugar as lojas.

Em março de 2016 o “valor justo” deste imóvel estava em R$ 339 milhões. Valor justo é calculado por especialistas, e informado nos documentos do fundo.

Mas o valor de mercado tinha batido R$ 155 milhões (R$ 6 mil o metro quadrado) em final de fevereiro de 2016. Hoje está em cerca de R$ 230 milhões (R$ 9 mil o metro quadrado).

Se descontarmos a inflação, a queda chegou a quase 70% do valor de lançamento (pouco antes de março de 2016) e hoje estaria em cerca de 50% de perda. Para quem comprou a perda não é tão grande, pois recebeu aluguéis.

Senhores, é IMPOSSÍVEL comprar um imóvel comercial físico, real, de 30 metros quadrados em prédio novo, área nobre do centro do RJ, por R$ 180.000.

Mas não para quem comprou o FII EDGA11B no final de fevereiro.

Mas vamos piorar um pouco. O EDGA não é o pior exemplo.

Shopping Sulacap – Zona Oeste do RJ

Shopping novo, inaugurado no final de 2013. Não vingou ainda, muitas lojas satélite vazias. Resultado operacional baixo (cerca de R$ 0,20 de aluguel por cota).

O fundo foi vendido por R$ 108 milhões no lançamento, correspondendo a 44% de um empreendimento com 29 mil metros quadrados (cerca de 12,6 mil metros quadrados para o empreendimento). Lançado, portanto, a R$ 8,5 mil o m2.

Mais ou menos na mesma época da queda do fundo galeria (turbulências econômicas e políticas) esse fundo chegou a ser negociado a menos de R$ 33 milhões (R$ 30 por cota), o que daria impressionantes R$ 2.600 por metro quadrado. Em um shopping novo. Hoje está na faixa de R$ 40 milhões.

Se formos descontar a inflação, chegaríamos fácil a algo como 75% de perda.

A perda para quem recebeu os aluguéis é menor (a General Shopping pagará quase 3% ao mês até 10 de outubro de 2016).

Agora, imagina que não fosse um fundo. Uma pessoa comprou uma lojinha de 50 metros por R$ 425.000 lá no lançamento. Tente convencê-la a vender hoje por R$ 150.000 (R$ 3.000 o metro quadrado).

Ela vai fazer as contas e pedir R$ 600.000. E não vai vender. Talvez nunca.

Estourou amigos. Em ambientes onde a racionalidade impera, é devastador o estouro.

No residencial, a irracionalidade impera.

O derretimento dos alugueis no RJ eu vejo no dia a dia. Muitos colegas que trabalham comigo vieram de outras cidades para o RJ em 2012 buscando imóveis próximos ao centro. Imóveis péssimos, caindo aos pedaços, na zona sul, 2 quartos, sem garagem, 60-80 metros quadrados, preço mínimo 2.250, 2.500.

Exatamente o mesmo preço que se paga hoje, até dá para pagar menos. Em termos reais, descontando a inflação, teríamos uma perda superior a 30%.

Já em imóveis de alto padrão, alguns aluguéis caíram 50%, 60% NOMINAIS, com a saída em massa dos estrangeiros do petróleo.

Imóvel comercial é até difícil alugar a preço “zero”, pois os condomínios são caríssimos. Ficam fechados dando prejuízo mesmo.

Mas ninguém vende. Só vende barato, ou a preço justo, quem precisa.

Brasileiro é de tijolo. Mesmo quem tem 10, 15 imóveis, ganhando 0,2%-0,25% ao mês, NÃO VENDE.

É o benefício da iliquidez. A pessoa tem medo de ser perdulária com dinheiro, que é muito líquido, e está na mão.

É claro que se a situação do Brasil piorar, se houver demissão de servidores do estado aqui no RJ (que seguram bastante o preço dos imóveis, pois tem renda mais alta e estabilidade), não seria impossível um derretimento ainda maior. Com uma grande quantidade de pessoas tentando vender para se manter.

No fundo será sempre oferta e demanda. Se houver muita oferta e pouca demanda, é derretimento.

Calculando o preço justo dos imóveis

Quando comprar? Por qual preço comprar?

Essas questões são, antes de tudo, matemáticas. Depois a gente tempera com interesse pessoal.

Há uns 6 anos lancei uma planilha que ajuda a calcular o valor justo dos imóveis. Ela me permitiu ver que os imóveis estavam sendo negociados a preço justo em 2010, mas já estavam bem salgados em 2012. E ainda mais em 2014-2015.

Pode ser baixada aqui (junto com outras).

Dois parênteses, peço desculpas pela propaganda do livro, mas a planilha foi lançada por ocasião de seu lançamento, então há menções. A planilha é complexa, precisa habilitar o uso de macros, pois ela funciona por iteração.

Vamos calcular o preço justo daqueles imóveis que foram alugados em 2012 e tem quase o mesmo aluguel hoje. Essa É a realidade da zona sul do Rio. Vivo isso diariamente, pois meus colegas estão se mudando para aptos melhores ou renegociando para baixo.

Brasil de 2012 – Premissas.

  • Aluguel – R$ 2.250
  • Taxa SELIC – Entre 9,75% e 7,25%
  • % de financiamento a pegar – 50%
  • Taxa do financiamento – 9% ao ano
  • Remuneração líquida dos ativos (fundos DI) – 9% ao ano
  • Percentual esperado de valorização do imóvel – 7% ao ano

A premissa de 7% ao ano de crescimento do valor do imóvel é um pouco alta, pois o razoável é estimar entre 0,5% e 1% acima da inflação esperada. Mas em 2012 todo mundo achava que os imóveis iriam subir 10%-15% ao ano.

O preço JUSTO desse imóvel seria R$ 677 mil.

É claro que se você for otimista e achar que o imóvel subirá 10% ao ano, acabará pagando bem caro por isso. O preço justo iria para R$ 1.148.000.

Aliás, muitas das compras “caras”, foram com base nesse pensamento. Se não comprar agora, não comprarei mais, pois o imóvel vai dobrar de valor em 3 anos.

Brasil de 2016 – Premissas.

  • Aluguel – R$ 2.500
  • Taxa SELIC – 14,25%
  • % de financiamento a pegar – 50%
  • Taxa do financiamento – 11% ao ano
  • Remuneração líquida dos ativos (fundos DI) – 11% ao ano
  • Percentual esperado de valorização do imóvel – 7% ao ano

Mantive a premissa de 7% de valorização (otimista demais) e subi um pouco o aluguel.

O preço JUSTO desse imóvel seria R$ 408 mil.

Considerações sobre o preço justo

Justo aqui é “FINANCEIRAMENTE justo”. Pagar o aluguel (que consideramos que vai subir exatamente como o preço do imóvel) ou comprar o imóvel por R$ 408 mil seria indiferente, em termos de fluxo financeiro.

Não batam na planilha. She´s only the Messenger. Only the piano player.

Por que o imóvel continua valendo R$ 700 mil e não cai?

Ora, o fetiche da iliquidez. Prefiro ter um imóvel de 700 mil rendendo 0,25% ao mês do que correr o risco de vendê-lo, ter uma renda de 0,9% ao mês, mas cair na tentação de gastar “um pouquinho a mais”.

Com o aluguel você não tem chance. É aquilo que você tem para gastar e pronto. Mas com o dinheiro na mão…

Sempre vale colocar um exemplo, né?

Que tal morar no Recreio, perto da praia, numa cobertura linear com churrasqueira, 180 metros quadrados, por R$ 2.000 ao mês?

O mais legal é que o sujeito quer R$ 1.250.000 no imóvel, que ele mesmo pede R$ 2.000 no aluguel (menos de 0,2% de retorno).

O amor pela iliquidez e o medo de fazer bobagem com dinheiro nas mãos leva as pessoas a cometerem verdadeiras atrocidades financeiras!!!!

O anúncio deve sair rápido, mas o link é esse:

http://www.vivareal.com.br/imovel/cobertura-2-quartos-recreio-dos-bandeirantes-zona-oeste-rio-de-janeiro-com-garagem-180m2-venda-RS2000-id-61193940/

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É possível lutar contra a corrupção se utilizando de anti-heróis reconhecidamente corruptos? Immanuel Kant nos explica.

Posted on 21/04/2016. Filed under: Filosofia, Humor, Matemática, Política |

Para qualquer pessoa que discuta política nos dias de hoje é meio óbvio que a questão está centrada na dimensão ética e moral. Tanto para justificar, quanto para desqualificar qualquer objetivo.

Seja a viabilidade ou inviabilidade do impeachment, seja a nomeação de Lula, sejam as supostas relações “internacionais” dos movimentos sociais liberais (novidade por aqui) etc..

Um amigo, professor de filosofia, especialista em Immanuel Kant me questionou sobre como seria possível entender como legítimo um processo de impeachment conduzido por uma câmara infestada de políticos envolvidos nas mais intrincadas redes de corrupção, imoralidade etc.

Lembrou-me que um dos mais respeitados conceitos sobre moral, o Imperativo Categórico, poderia estar sendo descumprido.

E aí, como seria possível justificar apoio a um processo de impeachment liderado por gente em quem não confiamos?

Ou, como seria possível justificar o voto em um político em quem não confiamos ou não temos afinidade, apenas para que outro não vença?

Utilitarismo? Opção pelo menos nocivo? Limpeza gradual? Depois a gente cuida do bandido menos poderoso?

Dá para analisar exclusivamente do ponto de vista moral, de uma justificativa que seja, de fato, ética, ou será necessário SEMPRE recorrer à ordem prática (utilitarismo) para ter essa resposta?

Vamos ver.

O Imperativo Categórico (IC), o uso do acostamento e a atitude de furar a fila

Mesmo você leitor, que não está familiarizado com Kant, tem o Imperativo Categórico bem entendido na sua estrutura moral.

Se você nunca entendeu claramente o que seria o IC, vai dirimir essa dúvida nos próximos parágrafos.

Por que você se incomoda quando um motorista passa correndo pelo acostamento, enquanto você espera pacientemente no trânsito?

Por que você se incomoda quando alguém fura a fila, enquanto você, pacientemente, espera sua vez?

Melhor: por que você ESPERA e não fura a fila ou invade o acostamento como os outros?

Você pode até pensar que o medo da multa, sanção social, cara feia, risco de ser agredido etc., são os motivos que fazem as pessoas não transgredirem, porém, para Kant, é a dimensão moral que faz as pessoas evitarem a transgressão.

Kant explica que, para se pretender ético, o ser humano precisa agir de forma que sua atitude pudesse ser uma lei universal. (Importante, aqui não faço distinção entre ética e moral, não é necessária essa distinção aos objetivos do texto, basta o entendimento corriqueiro dos termos).

Na verdade, seria uma obrigação incondicional que o ser humano “sente”, independente de suas vontades ou desejos pessoais.

Trocando em miúdos, significa pensar: se todos agissem como eu, nesse caso, como seria o mundo?

– Se todos furassem fila ou pegassem o acostamento, como seria o mundo?

– Se todos respeitassem a fila e deixassem o acostamento livre, como seria o mundo?

O Imperativo Categórico indicaria que a atitude moral seria a segunda, evidentemente, pois é a única que poderia ser uma “lei universal”, a outra, a da transgressão, resultaria em caos.

Em tese, saber, interiormente, que sua atitude levaria o mundo ao caos se fosse reproduzida por todos, traz a clara percepção de que isso é errado e deveria servir de freio moral para suas atitudes.

Perceba que aqui não falo de seguir a legislação, apenas de uma evidência de que sua atitude imoral tornaria o mundo caótico, o que deveria servir para balizar uma conduta moral.

Mas o Imperativo Categórico funciona em qualquer situação?

O problema do IC é trabalhar com fragmentos muito simplificados da realidade. A atitude de pegar o acostamento ou ir atrás de uma ambulância para cortar o trânsito seria profundamente imoral, ou plenamente justificável, se soubermos os detalhes. Detalhes que, normalmente, não sabemos.

Perceba:

– Se todas as pessoas que estão com parentes enfermos seguissem a ambulância no trânsito, isso levaria ao caos no trânsito?

Poder, legalmente, matar uma pessoa sã é certamente algo que não poderia ser generalizado, caso contrário seria o caos social. Mas leia o que segue:

– Poder matar uma pessoa que ameaça sua vida de forma iminente, presente e imediata, com uma arma em punho apontada para você, por exemplo, é um direito que levaria o mundo ao caos?

Esse último exemplo é bem mais grave do que os relativos ao trânsito, e, mesmo que a legítima defesa esteja prevista em todos os códigos penais, desde sempre, o homicídio ainda é algo gravíssimo e, provavelmente, o indivíduo que matou será processado e obrigado a provar que realmente o fez em legítima defesa, e que não havia alternativa viável.

A imperfeição de todos nós

Considero a estratégia de apelar à nossa imperfeição moral, enquanto seres humanos, para justificar desvios próprios ou de terceiros, uma simplificação oportunista dos conceitos de ética e moral. Essa estratégia, apesar de bem mal educada, é usada e abusada por políticos para “neutralizar” a indignação das pessoas com a corrupção. Poxa, mas você jogou papel no chão, como pode falar de caixa 2 de campanha? Por aí.

É louvável apelar aos brasileiros para que não transgridam a moral em atitudes simples, como não furar a fila, não andar no acostamento ou não subornar um guarda. Realmente a mudança na estrutura e na hierarquia de valores é o que poderá melhorar o país. Precisamos melhorar esses valores por aqui.

Mas é imoral acusar a imperfeição do outro para justificar a sua própria, ou para aliviar algum delito próprio que consideramos menor ou justificável.

Se todos fizessem isso não haveria mais ser humano moral, pois não há ser humano perfeito. Todos iriam buscar uma escala de delitos justificáveis, ou comparativamente menores, para ficarem em “paz” ou se defender de suas próprias transgressões.

Isso não é ético, isso é caótico.

Mas como ser ético sem ser perfeito?

Há três formulações ligadas ao Imperativo Categórico. A fórmula da lei universal, da qual já tratamos, a fórmula da humanidade e a fórmula da autonomia.

fórmula da humanidade parte do pressuposto que nenhum ser humano vale mais do que outro e diz que devemos agir de tal maneira a usar a humanidade do outro como fim e não como meio.

Em outras palavras, não se deve utilizar alguém como mero instrumento de nossos objetivos pessoais. Não é imoral utilizar alguém como meio, mas é FUNDAMENTAL que essa pessoa esteja ciente desse uso e em concordância de que é, também, o que ela deseja.

Em resumo, para agir moralmente com outro ser humano é fundamental preservar o livre arbítrio desse interlocutor. Quem está sendo enganado, tem seu livre arbítrio cerceado pelo enganador. Isso é imoral.

fórmula da autonomia diz respeito à capacidade dos seres racionais de “legislar” sobre a lei moral, ou seja, de ser capaz de redigir seus próprios códigos morais e viver de acordo com eles.

Pecadilhos cotidianos

É claro que costumamos nos considerar éticos e que agimos de acordo com preceitos morais que consideramos valiosos. Mas também é claro que somos imperfeitos.

No mundo real é impossível agir em qualquer atividade complexa, por tempo suficiente, sem transgredir.

Imagine você alugando sua casa para um estrangeiro na olimpíada. Ele paga em dólar e não conseguirá, mesmo que queira, declarar ao fisco brasileiro a renda que lhe deu. Você declararia a renda e pagaria imposto?

Isso vale para qualquer verba recebida. Músicos, artistas de rua, proprietários de taxis, gente que compra e vende na internet, artesãos etc., declarariam a íntegra de seus ganhos, caso houvesse imposto a pagar, ainda que a autoridade fiscal jamais pudesse saber disso?

Comprar regularmente uma bala ou um chiclete de um menor de 9 anos nas ruas pode ser visto como estímulo ao trabalho infantil. Assim como pagar a um menor de 10 anos para engraxar seus sapatos semanalmente, também. Trabalho infantil é crime, com previsão constitucional.

Se você ganha um carro do seu pai. Quais os desdobramentos fiscais esperados: seu pai registra a doação a você e paga o imposto. Se ele não fizer isso, você, ao vender o carro, deveria pagar imposto sobre ganho de capital sobre todo o valor da venda. Alguém faz isso?

Baixar filmes ou séries sem pagar? É ilegal, mas 1/3 da população Suíça faz.

Beber e dirigir não era crime. Depois passou a ser, a partir de determinados níveis de álcool no sangue. Hoje é tolerância zero, bombom de licor e Listerine já pegam.

Não estou discutindo a moralidade desses atos, deixemos para depois, mas apenas ilustrando a impossibilidade prática de ser perfeitamente moral (sem transgressões à lei) sob um pesado arcabouço legal, tributário, constitucional, penal, cível etc.

No universo de Kant estávamos sob decisões morais mais simples, sem a superestrutura legal que tipifica milhões de possíveis delitos, alguns a depender tão somente da interpretação do agente da lei ou da avaliação de um colegiado. As pressões éticas eram mais “universais” do que práticas. Não eram impostas pelo homem, pelos lobbies, pelas corporações, pelo ativismo, pela pressão das minorias, pelo politicamente correto etc.

É bem razoável crer que não é possível a um cidadão comum sequer saber se cumpre na totalidade e a contento todo o rigor burocrático do estado ou se age de acordo com os inúmeros códigos morais presentes na sociedade em que vive.

Já não estamos mais no campo da razoabilidade ou das obrigações morais fundamentais de Kant.

Creio que o que fica claro em Kant, e em qualquer estudo que se faça sobre ética e moral, é que os princípios indicam, mas não resolvem.

Seríamos, pois, seres imorais, por sermos imperfeitos?

Certamente que não.

Quando quiserem convencê-lo de que jogar papel no chão ou baixar filmes na internet o colocaria no mesmo patamar (i)moral de quem rouba dinheiro público, mata por queima de arquivo ou frauda fundos de pensão de gente humilde, lembre-se de que o Imperativo Categórico não foi pensado para tipificar atitudes cotidianas contra códigos casuísticos criados pelo próprio homem, mas para trabalhar conceitos gerais de moralidade.

E, certamente, o código moral que condenaria jogar lixo no chão ou o download ilegal, não está no mesmo nível do código moral que condenaria o crime do colarinho branco, a fraude eleitoral, o homicídio por motivo vil, a formação de quadrilha e outros crimes que existem desde o primeiro código penal ou eleitoral.

Não é uma questão do “tamanho da pena”, mas da existência do crime moral a priori. Não temos sistema de esgoto ou coleta de lixo em muitas cidades do planeta, assim como nem todos os países tipificam como crime o download de conteúdos protegidos. Mas em todos esses lugares os crimes contra a pessoa, contra a boa-fé pública e contra o patrimônio são tipificados e tem previsão de punição. Em alguns lugares, punição severíssima.

Não é necessário ser perfeito para ser ético. É meio óbvio isso, nem precisaria dizer, mas no Brasil desses novos tempos parece que o indivíduo deve portar uma certa “credencial” de perfeição para que sua opinião moral tenha validade. Bobagem. É só estratégia retórica, não tem embasamento teórico e, muito menos, prático.

Mas como ter, então, uma postura ética e moral em um mundo ultracomplexo? Como ter uma postura ética e moral, precisando optar pelo político A ou B?

É evidente que as pessoas preferem se considerar éticas ao avaliar seu próprio comportamento. Buscam isso, se policiam para ser assim e se penalizam por agir de forma diferente.

Mas haveria pessoas que agem deliberadamente de forma antiética ou imoral, estuprando por vontade própria as proposições morais de Kant? Sim, os psicopatas se comportam dessa maneira. Sem qualquer empatia por valores universais, pela humanidade, agem exclusivamente por interesse próprio, utilizando a tudo e a todos como meios para levar a efeito sua insanidade.

Mas há também pessoas psicologicamente saudáveis que agem de forma imoral. Na maioria das vezes, o fazem por desconhecimento de suas próprias motivações, por falta de estímulo suficiente para a mudança ou por dificuldade de confrontar-se com suas próprias atitudes injustificáveis. Se demoram muito a mudar, correm o risco de perder a própria capacidade de perceber seu estado de sanidade mental e moral. Por isso um ambiente crítico é tão importante para manutenção da sanidade. Pessoas que vivem cercadas de aduladores, que aplaudem qualquer besteira que fazem, costumam perder a capacidade de discernir o que é razoável e o que não é. Artistas e políticos têm esses problemas.

Esse texto não pretende debater sobre as pessoas que não conseguem mudar, mas apenas sobre os que pretendem viver uma existência altiva, vertical, em que possam reconhecer seus próprios atos e valores. Não só para si mesmos, mas para quem os cerca e para quem vier a ter contato com sua obra.

É necessário saber! É necessário ter consciência de suas próprias transgressões e de suas verdadeiras motivações.

É extremamente difícil saber o que, realmente, nos move. Talvez não exista o ser humano plenamente consciente de todas as suas motivações, de todos os seus drives, de todos os seus pecados (contra si mesmo e contra os outros).

Se não é fácil saber o que nos move, e é a única forma de medirmos nossa moral, ou de modificarmos nossa conduta para algo que consideramos ético (a partir da identificação de um desvio), resta-nos, apenas, a reflexão incessante e a dúvida constante sobre nossa própria postura.

Provavelmente o “ser humano ético possível” será aquele em constante mudança de seu comportamento e de seu entendimento das coisas. Aqui não falo dos imperativos categóricos morais a priori (que não trariam espaço para dúvidas, precisam ser respeitados por todos, pois seriam valores perenes), mas da interpretação do cotidiano, dos fatos, das versões, do mundo. A Metamorfose Ambulante de Raul Seixas parece ter sido um esboço de resposta às prisões impostas pelos falsos pressupostos e pelas verdades absolutas.

Como ser ético votando em quem não confiamos?

Não é sua opinião política, suas decisões utilitárias ou seu viés ideológico que vai medir a moralidade do seu comportamento.

Gastar de alguém é, e sempre será, gostar de algumas poucas facetas daquele alguém. Quem gosta de Chico Buarque, gosta de determinados aspectos do que ele consegue externar, FORA de sua privacidade. Assim como quem gosta de Bolsonaro e Jean Wyllis não o fazem pela plenitude das ideias e atos daquelas pessoas. Apenas determinados aspectos de suas atitudes (ínfimos em comparação com o que, realmente, são) são aprovados ou desaprovados pelos seguidores.

Ninguém merece a prisão de ser obrigado a defender a priori tudo o que vem do outro, daquele que gostamos. Isso é um dos caminhos mais rápidos e infalíveis para a imoralidade: justificar atitudes de outrem, apenas pela empatia à pessoa e não pela avaliação moral do ato.

Para ter atitude ética é FUNDAMENTAL reconhecer os verdadeiros motivos de seus atos e os drives de suas ideias. Se eles são misteriosos para você, investigue-os de forma humilde. Se você crê saber o que lhe move, então relate, revele, diga ao seu interlocutor. Garanta condições para o debate moralmente saudável.

Quem é contra o estado empreendedor, dinheiro público para grandes empresas, cotas raciais, bolsas, politização do ensino fundamental, comunismo, marxismo, gramscismo, e é a favor de reduzir o tamanho do estado, da venda de estatais, da meritocracia, do rigor penal, da intransigência com a corrupção, etc., precisa revelar essas ideias e buscar os argumentos que explicam e justificam, PARA VOCÊ MESMO, sua posição. Assim será capaz de defendê-las em público.

O contrário também é válido. Revele todas as suas convicções ditas progressistas. Revele-se contrário à meritocracia, se o for, contrário ao capitalismo, se o for, a favor do regime cubano ou venezuelano, se o for. Tenha seus argumentos afiados, logicamente encadeados e formulados. Saiba com clareza como explicar e como justificar para VOCÊ MESMO, suas posições, suas crenças e seus pressupostos.

Para você o “petróleo é nosso” é uma verdade intocável? Pergunte-se por que e tente se colocar no lugar de quem não concorda, partindo do pressuposto que seu interlocutor é um ser humano ético. Acredita em meritocracia ou no capitalismo liberal? Faça o mesmo.

Aprender é mudar. Se não há mudança, não há aprendizado. Professor não é aquele que sabe mais, mas aquele que conquista a mudança no outro.

Quando ambos estiverem afiados em seus argumentos, teremos um bom caminho. Ao menos um bom início, pois todos os objetivos estarão revelados. As crenças, os pressupostos, as justificativas e, principalmente, a sua verdadeira posição diante do interlocutor, estarão expostos.

Mas não revelar seus objetivos ao debater é afronta direta à moral kantiana. É usar o ser humano como meio exclusivo para fins que ele desconhece, não sabe avaliar e, talvez, não queira. E como não sabe, estará privado de seu livre arbítrio.

Por isso é preciso que você mesmo justifique, com clareza, seu próprio código moral. Que você “legisle” sobre sua própria lei moral, respeitando as formulações de Kant. Essa é uma previsão Kantiana. Uma prescrição Kantiana.

O Brasil precisará descobrir se é progressista ou conservador em seus costumes, se é liberal ou intervencionista na economia, se concorda em abandonar o eurocentrismo na educação ou quer mantê-lo, se é de tabuada ou é construtivista, se as leis de incentivo à cultura devem indistinguir o pancadão do funk do balé clássico, e por aí vai.

Não conseguimos discutir isso nos últimos 40 anos. Melhorou com as redes sociais, ao menos é possível debater entre quem pensa igual e incrementar as justificativas racionais e morais para os diversos entendimentos de mundo. Mas é necessário permear a eloquência entre lados opostos.

Quem quiser defender seu ponto de vista, a hora é essa, mas não dá mais para se esconder atrás do maniqueísmo e do politicamente correto. Não há mais “verdades” autorreveladas ao povo brasileiro. Nós estamos confusos e precisamos nos ajudar. E só seremos ajudados sob pressupostos éticos e morais.

Conclusão?

Não queria ter que concluir, pois, parece-me, já disse tudo o que deveria.

Mas como o texto começou com uma pergunta, vale reunir o que tratei para respondê-la.

O que fica claro no texto é que o julgamento de moralidade de cada pessoa depende apenas das atitudes dela própria. É injusto e preconceituoso julgar a moral de uma pessoa apenas pelas páginas que curte no facebook ou por gostar de Chico Buarque, Bolsonaro e Jean Wyllis. Ou por curtir funk e sertanejo.

Assim como você defender o impeachment, ou ser contra ele, não o faz patrocinador ou adulador da imoralidade de Eduardo Cunha ou de Dilma Rousseff (Lula, se preferir).

Conheça-se, seja capaz de criar um código moral pessoal robusto, defensável, e que lhe confira paz e altivez para agir.

Kant nos deu vários caminhos para aprendermos a viver de forma ética. As formulações do Imperativo Categórico são preciosas para nos guiar.

Se o impeachment for capitaneado por um escroque como Eduardo Cunha, ou derrubado por um não menos escroque como Renan Calheiros, isso não tem NADA A VER com sua posição pessoal contra ou a favor do impeachment.

É um falso pressuposto. O pressuposto da perfeição moral do ato complexo. Esqueçam, isso não existe. A moralidade e a ética estão à disposição de quem quer se conhecer.

Eduardo Cunha, Dilma Rousseff, Bolsonaro, Jean Wyllis etc., não são balizadores morais de nada. Você é. Você é quem importa, de fato.

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Conhecimento Googliano e as Viúvas do Decoreba

Posted on 05/04/2016. Filed under: Filosofia, Humor, Matemática, Política | Tags:, , , , , , , , , , |

Fiz uma prova há alguns dias, sobre Fundos de Investimento, no Ibmec. Sem consulta.

Eis que surgiram questões que exigiam o tradicional “decoreba”. Não faço uma prova que precisa decorar desde o colégio. Nem na engenharia, nem no Mestrado precisei “decorar” qualquer coisa para fazer uma prova.

Uns dias antes dessa prova, um amigo de longa data não quis nem escutar minhas ideias a respeito da situação do Brasil, porque eu não tinha lido um livro do Raimundo Faoro, e não era qualquer edição, tinha que ser das primeiras.

Esses dois eventos me levaram a escrever esse texto, para demonstrar que o Google nos libertou para sermos, de fato, inteligentes. Veremos.

 

Conhecimento Googliano x Conhecimento Real

No tempo das enciclopédias de 50 Kg e 10.000 reais era uma grande vantagem a erudição e a capacidade de armazenar grande quantidade de informações para poder utilizá-las em seus trabalhos científicos, artigos ou até conversas de bar. Era caríssimo ter esse conhecimento à mão.

Mas hoje não faz tanta diferença ser capaz de responder questões diretas como definições, fórmulas ou trechos do pensamento de alguém.

Lembro de um dos filmes de terror da série Demian, em que o garoto, filho daquele de quem não se fala o nome, começou a ser desafiado pelo professor a dizer a data precisa de vários eventos históricos. Acertou todas. Como o Google acertaria. E sem ser filho do tranca-rua. Aos novos, o nome do tranca-rua não é Valdemort.

É claro que a erudição é desejável, mas é só 1 dos instrumentos para análise da realidade. E, com o advento do Google (e outras ferramentas) e com a inacreditável facilidade para se dispor da informação imediatamente, a custo praticamente zero, creio que há caminhos e instrumentos mais dinâmicos para o desenvolvimento do trabalho científico (ou corriqueiro) e de pensamento relevante.

 

Pensamento linear-mecanicista-newtoniano

Sempre ouvimos falar que o conhecimento do complexo precisa do conhecimento do básico. Isso nos guiou em nossa jornada nas escolas e universidades, desde sempre. Faz parte do método científico.

Mas não é assim que aprendemos ou produzimos. É inegável que o conhecimento, em praticamente todas as áreas, é construído de forma orgânica, múltipla, multidisciplinar, holística e não de forma mecânica. Se o leitor discorda dessa premissa, talvez não se interesse pelo que vem a seguir.

É claro que há ferramentas basilares, como a lógica formal (teoria geral dos conjuntos), os idiomas como o português e a matemática (que é linguagem), mas aprendemos a falar com lógica muito antes de aprendermos lógica formalmente.

Quem tem filhos pequenos deve ter percebido que a formação lógica das frases e do comportamento, o significado do não, do sim, a identificação das diferenças e das combinações lógicas surgem de forma natural. Nenhum pai ou mãe precisa explicar. A própria convivência com o idioma, que é um arcabouço lógico-matemático, organiza a ideia da criança.

Digo isso para ressaltar que o aprendizado é um organismo complexo e provém, basicamente, da necessidade.

Observe o trabalho de Einstein, Newton, Mendel, Darwin etc. Não havia nem cálculo diferencial para Newton trabalhar sua física. Ele construiu essa matemática. Ao mesmo tempo, Leibniz criava, praticamente, a mesma matemática sem ter contato com Newton e com necessidades diferentes.

O trabalho científico realmente inovador surge de hipóteses que não estavam disponíveis exclusivamente à erudição.

Einstein chegou a um impasse sem solução na teoria geral da relatividade, até se deparar com a geometria de Riemann, que a desenvolveu por puro desafio lógico. Einstein não conhecia a ferramenta. O verdadeiro caminho do conhecimento não é linear. Ainda que seja útil ter vasto conhecimento, não necessariamente vai lhe garantir relevante produção científica, filosófica ou política. Einstein não conhecia a geometria Riemanianna. E ela foi imprescindível.

Precisaremos ler Marx no original em alemão, para iniciarmos um estudo econômico crítico ao capitalismo? Por que um livro de 150 anos deveria ser o início da trajetória do conhecimento, se temos, talvez, 3 ou 4 livros escritos nos últimos 15 anos, por gente séria e competente, debatendo, apresentando e discutindo as ideias de Marx, reconhecidos como especialistas ou intérpretes do filósofo prussiano?

Não faria mais sentido que a investigação começasse pelo mais recente e que, posteriormente, desencadeasse um conjunto de outras leituras necessárias para aprofundar o conhecimento?

Não é assim que aprendemos quase tudo na vida? A partir da necessidade, a partir da experiência cotidiana, a partir das demandas que as próprias perguntas que fazemos a nós mesmos vão indicar, a partir da nossa capacidade de perceber lacunas em nosso conhecimento e do nosso talento (ou esforço) para preenchê-las?

Há 30 anos seria uma grande vantagem partir de uma bibliografia parruda, extensa, exaustiva, para formular uma questão científica relevante.

Hoje, me arrisco a dizer, pode mais atrapalhar do que ajudar.

Para escrever um parecer jurídico em 1985 o advogado enciclopédico valia ouro. Hoje, me parece muito mais razoável que, a partir do conhecimento que se tem, se construa a argumentação após a visita a dezenas de sites ou fontes online confiáveis que não só ajudarão na construção da narrativa, mas indicarão algumas dezenas de livros, artigos, pareceres, doutrinas e caminhos úteis à elaboração do parecer.

Essa é a dinâmica que não tem volta. Os jovens serão assim. Aliás, é bem provável que nossa “memória erudita” seja armazenada em HD externo em breve, à disposição ao piscar de um olho num Google glass ou Google brain-cloud.

Se aparecer esse brand “brain-cloud”, vocês leram aqui primeiro… Opa… verifiquei no Google e brain-cloud já é uma expressão amplamente utilizada, para inteligência artificial, para bandas de rock, para armazenamento à distância etc.. Quanto tempo levaria para saber isso em 1984? Capisce? Uau! Quanto tempo levaria para saber a grafia correta de capisce em 1971? É até difícil saber quantas inserções eu fiz no Google para construir esse texto…

40 dias. É o tempo que levaria pra escrever esse texto, com a mesma investigação bibliográfica e documental, em 1991, quando estava na PUC.

Ainda bem que ainda não preciso do Google para saber onde estava em 1991. Já os novinhos, saberão pelo facebook onde estavam em 2010…

 

O que é preciso para não escrever besteira?

Mesmo os eruditos e acumuladores de informações não estão livres de escrever bobagem, de pecar na lógica, de chegar a conclusões erradas ou mistificadoras.

O que garantirá a higidez do texto e do discurso NÃO é, em essência, a erudição, mas a metodologia do pensamento, a perspicácia de descobrir o que não se sabe e a humildade para reconhecer que a “verdade” não está disponível como fato, apenas como caminho.

Na prática é fazer ciência. O cientista de fato é aquele que preza a lógica formal, evita ao máximo a polarização e reconhece erros em seu trabalho com certa facilidade e até com alívio, dado que é muito desagradável publicar algo com erro. Não se agarra às premissas ou a um resultado ainda não revelado que considera “superior” aos outros. Desconfia das próprias premissas.

O tema “Capitalismo de Estado no Brasil”, por exemplo, poderia ser investigado a partir da observação crítica dos últimos 10 anos, ainda que o interessado não tenha lido todos (ou muitos) livros sobre o assunto.

É desejável que tenha lido 300 livros sobre o assunto? Não dá para responder. Pode ser (e normalmente é) contraproducente esperar até que o background bibliográfico seja vasto para se partir à investigação do fenômeno, principalmente pela atualidade deste fenômeno. Ele muda a toda hora. Tanto o homem da ciência muda, quanto o método que ele usa muda. Se muda tudo, por que deveríamos aceitar, sem questionar, que é imprescindível ler o que se falava do tema em 1978?

Fosse assim, não teríamos genética, teologia, física, química, evolucionismo etc. A maioria (se não todos) dos reais avanços da ciência se deu por caminhos nunca dantes navegados, com conhecimento original sendo criado. Não raro, os únicos ferramentais relevantes eram a lógica formal e a capacidade de fugir dos grilhões da erudição engessante da época.

 

O Google (e outros) como árvore do conhecimento necessário

Fica aqui um parêntese. É meio óbvio que não estou discutindo aqui se o Google é fonte confiável, até por que isso seria uma bobagem, uma vez que o Google não é fonte, apenas meio, ferramenta. Só digo, e isso é um pouco óbvio, que é uma ferramenta relevante para preencher o vazio inicial de um trabalho inovador.

É evidente também que o vazio inicial para quem é capaz de produzir um trabalho não é um vácuo intelectual, mas sim um terreno adubado, à disposição do plantio.

É importante também dizer que o investigador precisa ser correto e honesto intelectualmente. Como já disse, eruditos ou não eruditos com viés, jamais serão cientistas, apenas serão manipuladores de opiniões.

Crio que meu artigo sobre ideologia e ciência poderá ajudar a elucidar esse aspecto. Clicando aqui.

Se fôssemos começar a escrever seriamente sobre “Capitalismo de Estado no Brasil Atual”, me parece que o status quo seria o ponto de partida mais provável. Raimundo Faoro e até Roberto Campos (um erudito bem mais significativo em economia brasileira), poderiam ser acessórios. Luxuosos acessórios, mas não seriam a fonte primária a aguçar o interesse do pesquisador e, provavelmente, não serão os questionamentos de outrora os relevantes para hoje.

Ainda que os mundos se pareçam, acreditar que são sempre iguais é apenas resquício de nossa linearidade newtoniana. Nenhum mundo é igual. Nem no segundo seguinte.

Ao investigador sério, honesto e metodologicamente preparado, as pesquisas via internet podem trazer: dezenas de artigos recentes, teses e dissertações, opiniões, livros relacionados, críticas aos livros, definições, reflexões, aulas, PDFs etc., e até a opinião de um barbudo estoniano, que ninguém leu ou se importou, que trará a luz necessária ao breakthrough científico. Whoever the hell seja esse barbudo.

Pensem comigo queridíssimos leitores que me acompanharam até aqui. Não faz muito mais sentido percorrer esse caminho sugerido no texto? Um caminho direto ao ponto, sem a necessidade de uma “bibliografia imprescindível”, intimidante, para compreender como o fenômeno era visto no século XIX?

Será que é necessário ler Raimundo Faoro, Celso Furtado ou Sérgio Buarque de Holanda para se vir apto a discorrer sobre um fenômeno que assola o país em 2016?

Aí é que meu ponto fica mais eloquente: você NUNCA saberá de antemão.

Os trabalhos relevantes e recentes incorporam à base do conhecimento dos autores clássicos, 100, 200, 400 anos de vivência e história que esses escritores não conheceram.

Ler os livros de Schumpeter é algo engraçado, pois ele mesmo corrige as premissas que basearam seus trabalhos anteriores, e reformula suas teorias. Para quê você leria os livros que ele mesmo considera equivocados? Leia os outros!

Por que leria os livros que Fernando Henrique Cardoso escreveu, não concorda mais e faz questão de que todos esqueçam?

Pode ser que, durante a investigação, você considere razoável ler esse material, mas, repito, de antemão, você NUNCA saberá se ajuda ou não no caminho da sua investigação séria e honesta.

 

Charles Chaplin e Henry Ford. Paulo Portinho e Larry Page.

Entendedores entenderão. Mas eu vou parar o texto, com uma vergonha avassaladora por ter o atrevimento de me inserir nesse subtítulo.

Pelo impeachment de Paulo Portinho da frase que associa a libertação do trabalho mecânico à libertação do conhecimento enciclopédico!

Companheiros, uni-vos!

Atualização após 24 horas de críticas inteligentes!

Pelos comentários em redes sociais, percebi que o texto pode sugerir a “desvalorização” dos clássicos. Não é isso, e o experimento a seguir demonstrará com clareza:

Imagine uma pessoa capaz, bem formada, com ótima interpretação de texto, lógica formal impecável, porém sem qualquer background na filosofia da ética e da moral. Considere 2 estratégias:

  1. Inicia a investigação pela web, lê por 4 ou 5 semanas vários artigos, críticas, blogs, aulas online, apresentações de powerpoint, opiniões, livros recentes, enfim, lê o equivalente a 3.000 páginas sobre sobre Kant e sua filosofia da moral. Após essa investigação, decide ler a Crítica da Razão Pura, a Crítica da Razão Prática e a Metafísica da Moral.
  2. É aconselhado a estudar os mesmos 3 livros imprescindíveis de Kant, os lê e depois procura acesso às críticas, opiniões, aulas, artigos, livros recentes, etc., dedicando também várias horas e páginas para formar seu conhecimento.

A não-linearidade ensina a entender que os resultados, em termos de conhecimento sobre a filosofia moral de Kant, NÃO serão idênticos.

E, entendo, não há como asseverar categoricamente que é melhor, mais profícuo, mais interessante, mais correto etc., começar dos clássicos ou terminar por eles (se necessário).

Conhecer Kant de fonte primária, após conhecê-lo profundamente de fonte secundária, não é um procedimento didático/pedagógico inferior a seguir o pressuposto clássico linear de ir da fonte primária para a secundária.

É um procedimento diferente. E, por experiência própria, é sensacional ler fragmentos de Marx depois de ler as críticas e as defesas que fazem de seu pensamento. Você tem mais interesse. Tem outro tipo de capacidade intelectual para entendê-lo com a profundidade que a modernidade exige. É mais divertido também.

É uma ideia super simples, mas robusta e aderente aos pressupostos libertadores que física das partículas nos trouxe nos últimos 100 anos.

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Promoção de Lançamento do livro “Investimentos para Não Especuladores – O Método Sempre”

Posted on 25/09/2014. Filed under: Administração, Finanças, Matemática |

Atualização de 30/09/2014.

Prezados, infelizmente a promoção terminou. Acho que estava limitada a uma quantidade de livros.

Sempre que receber essas promoções, eu aviso. Se possível, indicando o prazo ou o volume (a Saraiva não tinha informado).

Não há nada mais importante para o escritor que seus leitores.

Muito obrigado!

Paulo Portinho

Caros leitores,

Alguns amigos já se anteciparam ao lançamento e fizeram a pré-reserva. Alguns já até receberam, leram e fizeram várias análises!!!

Agora recebi oficialmente da Saraiva a promoção de lançamento.

De R$ 32,50 por R$ 24,40!

http://e.envio.livrariasaraiva.com.br/index.dma/DmaPreview?1786.5553.12020051.6f32985be96c7b2b58cd71d208187777.1

Para os que ainda não sabem, o Método SEMPRE (Selecionando Empresas Racionalmente) é uma versão brasileira do Método INI, que teve mais de 15.000 adeptos entre o ano de 2003 e de 2012.

Um resumo do livro:

Pense em 5 empresas que considera bons investimentos para o longo prazo. Agora escreva os preços das 5 ações que pensou.

Em qual investir?

  • Menor P/L? Método insuficiente, pois não leva considera as perspectivas de crescimento nos fundamentos.
  • Maior perspectiva de crescimento? Método insuficiente, pois não considera os múltiplos atuais.
  • Melhores dividendos? Método insuficiente, pois não considera as perspectivas de crescimento na cotação e nos múltiplos.

O Método SEMPRE junta, em uma formulação muito simples e amplamente acessível a iniciantes, os principais guias fundamentalistas para investimento racional em ações.

 

Breve história do Método

Inicialmente formatado na década de 1950, o Stock Selection Guide (SSG) já ajudou milhões de investidores, em mais de 20 países, a aprender a investir em ações.

Difundido mundialmente pela NAIC (National Association of Investors Corporation) e pela Federação Mundial de Investidores (WFIC) o SSG chegou ao Brasil em 2003, através do INI – Instituto Nacional de Investidores, ficando conhecido no país como Método INI.

Os materiais, softwares, sites e outras ferramentas do INI ajudaram mais de 15.000 pessoas a aprender sobre investimento consciente em ações, entre 2003 e 2012, ano em que o Instituto encerrou suas atividades.

Este livro apresenta uma “versão brasileira” do Método INI, com base em 10 anos de experiência, milhares de horas-aula de testes em todo o Brasil e nas peculiaridades do nosso mercado.

A proposta é mostrar um lado mais simples, mais prático e mais didático, com menos aproximações e com mais liberdade para o usuário. Esse é o Método SEMPRE – Selecionando Empresas Racionalmente.

Algumas das adaptações sugeridas já existem em versões do SSG adaptadas a outros países como a Suécia e a Dinamarca, mas a maioria é fruto da introdução de características muito particulares do mercado brasileiro. Um mercado ainda emergente, com taxas de juros elevadas e múltiplos fundamentalistas mais contidos.

O Método SEMPRE é diferente de outros métodos fundamentalistas, pois funciona por comparação. Todos sabem quais são as empresas “boas” na bolsa brasileira, mas poucas pessoas saberiam escolher entre a “C3PO” a R$ 53,50 ou a “R2D2” a R$ 13,50. E é isso que o método oferece. Um instrumental poderoso para SELECIONAR EMPRESAS RACIONALMENTE.

O elemento mais importante do SEMPRE é dar ao investidor a possibilidade de aprender fazendo. Ao contrário de outros métodos fundamentalistas, o SEMPRE oferece instrumentos objetivos para decisão de investimento, com base nas premissas dos próprios usuários. E, enquanto pratica e investe, acaba aprendendo cada vez mais sobre as companhias e sobre o mercado.

 

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Os Médicos Cubanos e uma Demonstração Matemática…

Posted on 26/08/2013. Filed under: Matemática, Política |

Amigos… como sabem, detesto usar meu blog para tratar de temas polêmicos que não dizem respeito a finanças, poupança, liberdade etc.

Mas esse caso dos médicos cubanos não está sendo tratado da forma adequada, ou, ao menos, os argumentos, tanto contra quanto a favor não dão conta dos verdadeiros motivos para isso ser reprovável.

Demonstração matemática…

Evidentemente não se trata de demonstração numérica, mas de lógica matemática trivial. Teoria Geral dos Conjuntos, poderia se dizer.

Essa “importação” tem ferido os sentimentos de muitas pessoas e, a maior parte, tem dificuldade para verbalizar o que a ofende.

Talvez não fira adoradores da ditadura Castrista ou seguidores da tal “teoria crítica”, que rejeitam a lógica e a razão, por considerá-las instrumentos de dominação capitalista.

Estão rindo?, pois leiam vocês mesmos:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Escola_de_Frankfurt

Ficariam assustados, meus amigos, com a quantidade gigantesca de professores brasileiros que consideram Newton-Descartes uma ameaça capitalista ou imperialista. Até considero Newton-Descartes uma ameaça, mas filosófica, nunca capitalista.

À demonstração, pois!

Vamos fazer um exercício simples.

Peguemos funcionários públicos brasileiros. Digamos, auditores da Receita, analistas do BC ou da CVM, juízes federais ou promotores.

O governo brasileiro faz um acordo com um país africano (hipotético) extremamente carente, recém saído de guerra civil, que não tem instituições formadas. Carece de mercado de capitais, de um sistema de impostos, de magistratura etc.

Não há qualquer dúvida do humanismo na intenção de ajudar.

Abramos as vagas para aqueles servidores públicos, assim:

  • Salário equivalente a R$ 50 mil por mês será pago em petróleo, pedras preciosas e dinheiro, diretamente ao governo brasileiro.
  • O candidato receberia cerca de R$ 2.000 em dinheiro local.
  • O candidato teria que ficar em alojamentos providenciados pelas cidades do interior do país que o recebe, comer o que lhes servirem e habitar nas condições que a região puder oferecer.
  • Ficará de 2 a 3 anos longe de sua família (que não poderá ir).
  • Não receberá qualquer direito trabalhista.
  • Terá monitoramento de agentes do governo para não desertar e cumprir o contrato até o fim.

Imaginaram?

Respondam, quantos candidatos teríamos?

Eu não tenho qualquer dificuldade para dizer: ZERO.

E se…

Numa propaganda ufanista, o governo indicasse que a receita prevista com a “exportação” de quadros qualificados iria atingir R$ 20 bilhões por ano, o que seria imprescindível para manter projetos sociais aqui no Brasil.

E… OBRIGASSE o funcionário a ir, sob pena de exoneração por insubordinação.

Uau! Imaginem?

10.000 brasileiros enviados contra sua vontade a países estrangeiros!

Você seria a favor?

Ah… mas não sou funcionário público…

Se você pensou isso e é a favor, imagine a mesma cena com engenheiros, petroleiros, pedreiros etc.

Já acontece com petroleiros e outras categorias, mas pergunte quanto ganham a mais para sair do Brasil. Ficariam espantados leitores…

Você seria a favor, pergunto novamente?

Já até vejo algumas pessoas argumentando que os cubanos QUEREM vir e que vão ganhar mais do que lá!!!!!!

Olha, pra você que pensou assim, lamento informar que não poderá ser contra empregar bolivianos ou haitianos em confecções clandestinas.

Não poderá, pois eles CERTAMENTE vieram ao Brasil procurando condições melhores, e, pasmem, as condições de quase escravidão por aqui, não são piores do que o que eles encontram de opção em seu país.

Diga-se de passagem, eles vêm, em sua maioria, por que querem, e, mesmo nessas confecções clandestinas ganham muito mais do que em seu país.

Matematicamente não é possível apoiar o governo brasileiro e descer o sarrafo na Le Lis Blanc…

Ah, mas um é medicina o outro é roupa…

Ué, então vamos chamar os bolivianos e haitianos para trabalhar de graça na Fiocruz, produzindo vacinas? Há um monte de quadros de apoio que poderiam ser preenchidos por eles, mesmo sem qualificação.

Pode?

Síndrome de Estocolmo

Cuba é um grande experimento de sequestro coletivo. Mesmo os adoradores não podem negar que é proibido sair da ilha. Não faz muito tempo cubanos pegos em balsas em direção à Miami foram fuzilados.

Fuzilados com apoio do Brasil, diga-se de passagem:

http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI119930-EI1194,00-Embaixador+brasileiro+defende+fuzilamentos+em+Cuba.html

Não importa o que há e o que não há lá dentro da Ilha, se não existe direito de sair, é sequestro.

Imagine-se em qualquer situação em que você não pode sair mesmo que queira MUITO.

Não estou falando de situações dúbias, tipo amor bandido ou emprego nocivo, estou falando de clareza: QUERO SAIR.

Pois bem, infelizmente, após tantos anos, é razoável crer na existência de condições para o desenvolvimento da síndrome de Estocolmo, vejam uma breve descrição:

“As vítimas começam por identificar-se emocionalmente com os sequestradores, a princípio como mecanismo de defesa, por medo de retaliação e/ou violência. Pequenos gestos gentis por parte dos raptores são frequentemente amplificados porque, do ponto de vista do refém é muito difícil, senão impossível, ter uma visão clara da realidade nessas circunstâncias e conseguir mensurar o perigo real. As tentativas de libertação, são, por esse motivo, vistas como uma ameaça, porque o refém pode correr o risco de ser magoado. É importante notar que os sintomas são consequência de um stress físico e emocional extremo. O complexo e dúbio comportamento de afetividade e ódio simultâneo junto aos raptores é considerado uma estratégia de sobrevivência por parte das vítimas.”

Lamentando pelo Brasil…

Lamento que em agosto de 2013 o Brasil ainda tenha que discutir esse tipo de problema.

Se deixássemos de planejar trens-bala, de fazer super-estádios, de construir refinarias que custam 30 vezes mais e nunca ficam prontas, sobraria dinheiro para que os Estados possam ter planos de carreira coerentes para profissionais de saúde.

Meu sogro precisa de uma cirurgia de artrose. Está há 3 anos na fila na CIDADE DO RIO DE JANEIRO.

Não consigo entender porque precisamos esperar médicos cubanos para resolver isso…

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Enigma matemático – A Porta dos Desesperados

Posted on 08/12/2011. Filed under: Matemática |

De volta à matemática… ou melhor, à didática.

Resolvi escrever sobre o enigma matemático/estatístico da “Porta dos Desesperados” por considerar insatisfatórias as explicações que encontrei na internet.

Há um sem número de sites que apresentam o dilema contra-intuitivo, alguns até o provam empiricamente, mas as pessoas comuns, sem ferramental matemático, continuam sem entender por que a resposta é SIM!!!!!

Vamos ao problema!

Imagine-se em um programa de auditório em que 3 portas são colocadas à sua frente. Atrás de uma delas há um prêmio milionário e atrás das outras duas não há nada.

O apresentador pede que você escolha uma das 3 portas. Após sua escolha, o apresentador vai até uma das duas portas restantes e a abre, mostrando que está vazia. Daí ele faz a pergunta:

– VOCÊ QUER TROCAR DE PORTA, OU PREFERE MANTER A PORTA QUE ESCOLHEU?

A maioria das pessoas. Maioria MESMO, tipo 99%, responde que tanto faz. Pois há 2 portas restantes e em apenas uma há o prêmio. Para a maioria das pessoas a probabilidade é de 50%-50%.

Mas a matemática e a teoria das probabilidaes indica que você deve responder SIM, EU QUERO TROCAR. Isso lhe daria uma probabilidade 2 vezes maior de ganhar o prêmio. Estranho, não?

Para quem não acredita, pode fazer o teste empírico (na prática) AQUI.

Sou um pobre mortal. E pobres mortais abrem o “espaço amostral”.

Sempre gostei de probabilidade, apesar de saber que é uma das áreas mais difíceis para matemática pura. Porém, desde sempre, soube que gente normal precisa encarar probabilidade com humildade. Quase tudo é contra-intuitivo.

Humildade nesse caso é abrir o espaço amostral, ou seja, identificar o conjunto de todos os resultados possíveis de um evento. Só depois calcular a probabilidade.

Feito isso, o problema fica bem fácil e qualquer um pode entender.

Espaço amostral

 

 

 

 

 

 

Antes de fazer o cálculo, veja que só abri o espaço amostral para escolha da porta 1. É que as portas, em princípio, são idênticas. Se fizer mais 3 espaços amostrais o resultado será o mesmo. Basta o que está acima.

Veja que o EVENTO não é “escolher uma porta” apenas. São 2 eventos: “escolher uma porta” e “trocar”

O que se percebe pelos resultados acima é que ele ganha 2 vezes e perde uma toda vez que troca de porta.

Isso significa que, mesmo antes de o experimento se iniciar, já se sabe que, ao escolher TROCAR, sua probabilidade de ganho é de 2 para 1. São 66,7% de chance de ganhar e 33,3% de chance de perder.

That´s All folks.

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Enigma matemático. Tente resolver!

Posted on 26/02/2010. Filed under: Matemática |

Todo mundo já ouviu falar da teoria dos jogos, seja por ter visto o filme “Uma Mente Brilhante”, sobre o matemático esquizofrênico John Nash, seja por ter lido alguma coisa na faculdade ou nos jornais.
 
Pois lendo o livro “O Último Teorema de Fermat” encontrei um interessantíssimo exemplo do uso da teoria dos jogos para resolver conflitos bélicos. Durante anos a teoria dos jogos foi a base da estratégia americana na guerra fria.
 
Para os que gostam de matemática, vai aí um belo exemplo de como a aplicação de uma teoria tem implicações práticas relevantes.
 
A solução, com todos os detalhes matemáticos, está no post a seguir.
 
Vamos lá:
 
Um problema bastante didático sobre a teoria dos jogos diz respeito ao truelo. Truelo é uma disputa entre 3 partes (duelo, entre duas, dããã…). Pois 3 cavalheiros desafiam-se para um truelo, a seguir temos as regras:

Certa manhã o Sr. Black, o Sr. Gray e o Sr. White decidem resolver um conflito truelando com pistolas até que somente um deles fique vivo.

 O Sr. Black é o pior atirador, acertando seu alvo, em média, uma vez em cada três tentativas.

O Sr. Gray é um atirador melhor e acerta no alvo em dois de cada três tiros.

Já o Sr. White é um atirador exímio e nunca erra o alvo.

Para tornar o truelo mais justo, o Sr. Black tem a permissão de atirar primeiro, seguido pelo Sr. Gray (se ele ainda estiver vivo) e depois pelo Sr. White (também se ele ainda estiver vivo).

O processo se repete até que só reste um deles.

A pergunta é: Contra quem deve o Sr. Black atirar primeiro?

Ah… A solução, com detalhes matemáticos, está no post que vem logo em seguida, mas não olhe!!!
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Enigma matemático – Resposta

Posted on 26/02/2010. Filed under: Matemática |

Só relembrando o problema:
 
Certa manhã o Sr. Black, o Sr. Gray e o Sr. White decidem resolver um conflito truelando com pistolas até que somente um deles fique vivo.

O Sr. Black é o pior atirador, acertando seu alvo, em média, uma vez em cada três tentativas.

O Sr. Gray é um atirador melhor e acerta no alvo em dois de cada três tiros.

Já o Sr. White é um atirador exímio e nunca erra o alvo.

Para tornar o truelo mais justo, o Sr. Black tem a permissão de atirar primeiro, seguido pelo Sr. Gray (se ele ainda estiver vivo) e depois pelo Sr. White (também se ele ainda estiver vivo).

O processo se repete até que só reste um deles.

A pergunta é: Contra quem deve o Sr. Black atirar primeiro?

 
A probabilidade do Sr. Black acertar é de 1/3 (33,33%)
A probabilidade do Sr. Gray acertar é de 2/3 (66,67%)
A probabilidade do Sr. White acertar é de 1/1 (100%)
 
A resposta é: Sr. Black deve atirar primeiro para o alto. Vamos calcular a probabilidade dele ficar vivo.
 
Atirando para o alto vai passar a chance para o Sr. Gray, que vai tentar matar o Sr. White, pois é o adversário mais perigoso. Portanto há dois desfechos possíveis:
 
– Sr. Gray acerta e o Sr. White morre (2/3 de chance)
– A vez volta para o Sr. Black que atira contra seu adversário, tendo 1/3 de chance de matá-lo.
Logo, a probabilidade de ficar vivo é de 2/3 x 1/3 = 2/9 = 22,2%
 
– Sr. Gray erra e o Sr. White vive (1/3 de chance)
– O Sr. white mata o Sr. Gray (1/1 de chance)
– A vez volta para o Sr. Black que atira contra seu adversário, tendo 1/3 de chance de matá-lo.
Logo, a probabilidade de ficar vivo é de 1/3 x 1/1 x 1/3 = 1/9 = 11,1%
 
As probabilidades são multiplicadas, pois os eventos devem ocorrer em conjunto, para que o Sr. Black sobreviva.
Porém, ambas as possibilidades acima podem ocorrer, OU uma OU outra, de forma que a chance total do Sr. Black ficar vivo é de 1/9 + 2/9 = 3/9 = 1/3 = 33,3%. O que é óbvio, pois ele acabou transformando o truelo em um duelo, dado que, se ele errar, um dos outros dois, certamente, morrerá.
 
Para quem não acreditou em mim e quiser ver que as probabilidades são menores no caso do Sr. Black atirar em alguém, veja abaixo as outras probabilidades:
 
– Sr. Black atira no Sr. Gray e o mata (1/3 de chance)
– Sr. White atira e erra (0% de chance, pois ele não erra)
Chance de ficar vivo, nessa hipótese: 0%
 

– Sr. Black atira no Sr. Gray e NÃO o mata (2/3 de chance)
– A partir daí as probabilidades são idênticas às calculadas anteriormente, porém há um evento anterior com 2/3 de chance que deve acontecer. Dessa forma, deveríamos pegar a probabilidade calculada e multiplicar por 2/3, o que implicará em uma probabilidade menor.
 
– Sr. Black atira no Sr. White e o mata (1/3 de chance)
– Sr. Gray atira no Sr. Black e erra (1/3 de chance)
– Sr. Black atira no Sr. Gray e o mata (1/3 de chance)
Chance dessa hipótese ocorrer: 1/3 x 1/3 x 1/3 = 1/27 = 3,7%
 

– Sr. Black atira no Sr. White e erra (2/3 de chance)
– A partir daí as probabilidades são idênticas às calculadas anteriormente, porém há um evento anterior com 2/3 de chance que deve acontecer. Dessa forma, deveríamos pegar a probabilidade calculada e multiplicar por 2/3, o que implicará em uma probabilidade menor.

 
Provado está!
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  • Disclaimer

    Este blog é um ambiente privado para expor opiniões, estudos, reflexões e comentários sobre assuntos ligados a finanças, bolsa de valores, economia, política, música, humor e outros temas.

    Seus objetivos são educacionais ou recreativos, não configurando sob nenhuma hipótese recomendação de investimento.

    O investidor consciente deve tomar decisões com base em suas próprias crenças e premissas. Tudo que lê ou ouve pode ser levado em consideração, mas a decisão de investimento é sempre pessoal. Tanto na escolha de ações para carteira própria, quanto na escolha de gestores profissionais para terceirização da gestão.

    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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