O fim do capitalismo? Tem gente se esforçando para isso, e não são marxistas.

Posted on 02/04/2018. Filed under: Finanças, Matemática, Política | Tags:, , |

Nesse breve vídeo falo daquela que é, provavelmente, a maior e mais perigosa disfunção da história do capitalismo moderno.

A atuação dos bancos centrais está colocando em risco todo o sistema capitalista, distorcendo as relações de risco e retorno e comprometendo a poupança das gerações futuras.

Os 3 elementos.

O capitalismo precisa de 3 elementos básicos para existir. Na verdade, na presença desses 3 elementos ele surge naturalmente. Sempre foi assim, e sempre será.

Precisa de respeito ao contrato de proteção à propriedade privada, precisa de respeito ao contrato de proteção à livre iniciativa e, mais importante, precisa de escassez.

É isso mesmo, sem escassez, não há capitalismo. Não há por que nos organizarmos para produzir se todos têm o que precisam, a qualquer tempo e a qualquer hora.

Como os marxistas querem acabar com o capitalismo?

Não é o tema desse vídeo, mas os marxistas seguem uma profecia do fim do capitalismo, onde haverá uma sociedade em que todos trabalham o que podem, e recebem o que precisam. Se eu posso 10 vezes mais e preciso 10 vezes menos, minha recompensa será 100 vezes menor que o meu trabalho. E o homem da profecia marxista estará feliz com isso.

Como esse homem não existe, os sistemas baseados na filosofia marxista entendem que precisam mudar a humanidade. Como querem algo anti-natural, acaba-se por praticar atrocidades nas populações sob regimes marxistas. Mudar o homem na marra, essa é a solução para acabar com a escassez. Se ninguém quer nada, não há escassez, portanto não há capitalismo. Simples (e sangrento) assim.

Se fosse uma religião eu poderia entender, mas como sistema político-social-econômico, acaba se tornando altamente opressivo.

Já o capitalismo busca acabar com a escassez produzindo mais, melhor e mais barato. Demora, mas um celular já custou 50.000 dólares e hoje está nos bolsos de moçambicanos e senegaleses paupérrimos.

Os bancos centrais acabaram com a escassez de capital. E isso é PÉSSIMO para o capitalismo.

Veja no vídeo abaixo.

 

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O Canecão e o Socialismo. Uma história de fracasso.

Posted on 14/09/2016. Filed under: Administração, Filosofia, Finanças, Política | Tags:, , , |

Fui criado aqui na Zona Sul do Rio de Janeiro. Desde que me entendo por gente o Canecão era uma referência em shows e cultura por aqui.

Havia um embate entre o capitalista que explorava o local e a UFRJ, que durou anos. Enquanto a universidade não conseguiu tirar o empresário a casa funcionou a todo vapor, gerando emprego e renda para garçons, músicos, cantores, pessoal da limpeza, comerciantes locais, ambulantes etc.

Aí o pessoal do almoço grátis tomou conta. E o Canecão não gera mais riqueza, é só patrimônio público mal empregado depreciando e perdendo valor.

Em meados de 2016 parece que o pessoal do Ocupaminc resolveu “tomar” o Canecão para fazer uns shows gratuitos etc. aparentemente com forte conexão política, o Fora Temer corre solto.

Essa ocupação é bem divertida, pois mostra com clareza a inexistência do almoço grátis.

Eles alegam que os shows são “gratuitos”, mas esquecem que SEMPRE há financiamento.

Se a UFRJ cedeu o espaço, a luz, funcionários para a segurança e limpeza, se terceiros cederam os equipamentos, os técnicos e a iluminação, se músicos tocaram sem cachê, se a prefeitura não coletou impostos, se os direitos autorais não foram pagos etc. HOUVE CUSTO. Alguém arcou com isso tudo, mas na cabeça dos organizadores, tudo foi de graça.

É um sistema fadado ao fracasso, pois a motivação para a “doação” de uma extensa e cara infraestrutura depende de fatores alheios ao projeto, alheios ao evento. Se qualquer elo quebrar, não tem mais nada.

Na época do bom e velho capitalismo, toda essa estrutura era financiada por uma única motivação. Uma motivação GENUÍNA, o meu interesse de ver o show. Meu interesse de deixar de consumir outra coisa, o meu interesse em deixar de poupar para transferir essa riqueza para ESSE SISTEMA.

A ilusão do almoço grátis é um fardo para nosso país. Vejam o vídeo, explico claramente porque não há sucesso no socialismo. É coisa bem simples. Os interesses do socialista são bonitos, mas falsos.

Curioso é que o vídeo foi publicado pouco antes do Ocupaminc “retomar” o canecão… Viralizou no facebook, será que viram?

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A Juíza e a meritocracia. Uma verdade dolorosa.

Posted on 14/09/2016. Filed under: Filosofia, Finanças, Política | Tags:, , , , , , , , |

Viralizou o post de uma mulher que passou num concurso para juíza, onde ela atribuía grande parte do seu sucesso ao fato de ser branca, ter família estruturada, ter estudado em bons colégios etc., e estava triste por que o governo não garantia essas oportunidades a todos.

O post viralizou, pois muitos leitores viam nele um reconhecimento de que a meritocracia não funciona, que seria uma farsa ou uma estratégia das elites para se manter no poder.

Pois o que está por trás desse movimento, fortíssimo, anti-meritocracia, é outra coisa.

Um sistema em que você é recompensado por seu esforço é desejado por todos. Não há um só desses contrários à meritocracia que não espera ser recompensado por fazer mais e melhor.

O ponto não é o pobre, não é a justiça social, não é a luta de classes. O ponto também não é a meritocracia.

O ponto é o mérito em si. É o sistema que avalia o mérito. São os valores que a sociedade considera meritórios.

Quem avalia o mérito em uma sociedade capitalista é o mercado. E os valores do mercado são bem claros: produtividade, empreendedorismo, respeito aos contratos, respeito à propriedade privada, respeito às leis etc.

A vitória do indivíduo nessa sociedade EXIGE respeito a esses cânones. Não há garantias de sucesso, de igualdade ou de facilidade, mas é extremamente improvável ser reconhecido por seu mérito sem seguir esses valores no livre mercado.

Em uma sociedade autocrática, o mérito é avaliado pelo grupo que está no poder. E é tão somente a subserviência ao projeto de poder implementado por esse grupo que trará a recompensa.

É extremamente provável que o indivíduo “fiel”, verdadeiramente fiel, ao partido, ao tirano ou ao populista da vez, ganhe espaço na burocracia estatal.

E é isso que vimos nos últimos anos no Brasil, na Venezuela, na Argentina e historicamente na URSS, em Cuba e na Coréia do Norte (entre outros).

Quem indica o mérito é o grupo no poder. Quem recompensa por esse mérito é o grupo no poder.

É por isso que as mesmas pessoas que são “contra” a meritocracia, afirmando que ela é uma farsa e só serve às elites, também não enxergam a roubalheira do PT, a farsa de Lula, os crimes (não só os do impeachment) de Dilma, a destruição da economia etc.

Elas querem, realmente, a recompensa por sua servidão irracional e cega.

Perceba que não é a meritocracia em si que atacam, pois, assim que seu grupo chegou ao poder, eles se esforçaram pela recompensa. Seu esforço foi servir, cegamente, ao projeto.

Qualquer ser humano vive na perspectiva de retorno por seu esforço. Nos EUA ou na Coréia do Norte.

Nos EUA vence quem gera valor para muitos, ainda que apenas como pequena parte de um projeto vitorioso, de uma empresa lucrativa ou até de uma obra espiritual ou religiosa.

Os 2 bilhões de pessoas que usam windows reconhecem diariamente o mérito do Tio Bill. Outros bilhões reconhecem o mérito do Tio Zuckerberg, do Tio Jobs, do Tio Alexander Fleming etc.

Na Coréia do Norte vence quem serve a um interesse particular.

– Ah! Mas os governos têm que dar oportunidades iguais a todos!

Essa é mais uma farsa na história dos contrários à meritocracia. É evidente que em uma sociedade menos desigual, mais pessoas poderiam atingir o sucesso. Mas não é esse o ponto.

A desigualdade em países ricos e empreendedores, onde o mérito é avaliado pelo mercado, é grande. Mas a desigualdade em países autocráticos é ainda maior. É maior e PIOR!

O nível de acesso aos bens e ao consumo por gente pobre nos EUA é infinitamente superior ao nível de acesso dos cubanos ou venezuelanos de classe média ou até ricos. Uma médica cubana terá dificuldade para comprar absorvente íntimo, um industrial venezuelano não conseguirá comprar papel higiênico.

Mas o ditador e sua família, a cúpula da burocracia estatal e do partido, consomem sem restrições. Não ficam “ricos”, pois não é necessário, o Estado está a serviço de seus luxos e seus pecados.

Não se iluda brasileiro, com esse discurso fácil.

A luta dos contrários à meritocracia é outra, é para que um regime autocrático decida quem merece e quem não merece.

Não tem nada a ver com os pobres, nada a ver com justiça social, nada a ver com redução da desigualdade ou luta de classes.

É só interesse de se dar bem, bajulando o déspota da vez.

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Escola é mesmo lugar para ideologia? Cuidado com Leandro Karnal.

Posted on 13/09/2016. Filed under: Administração, Filosofia, Finanças, Política | Tags:, , , , , , , |

Escola é mesmo lugar de ideologia?

Karnal diz que é. E que sonha ver alunos debatendo Stuart Mill e Marx.

Há incontáveis evidências de que as ideias de John Stuart em economia influenciaram sistemas vitoriosos, empiricamente observáveis, duradouros, que enriquecem, que reduzem a escassez, que respeitam as liberdades individuais.

Quando Karnal pede para mantermos a “ideologia” na escola, é para que se discuta o marxismo que é, em essência, uma sucessão de fracassos econômicos e sociais, baseado num modelo de homem que não existe, no mesmo patamar de sistemas vitoriosos e com previsões verificáveis há centenas de anos (antes mesmo de Mill).

Ele quer nos fazer crer que acreditar em premissas liberais com 6.000 anos (isso mesmo 6.000) de resultados notáveis para reduzir a escassez, gerar riqueza e respeitar a livre iniciativa, o indivíduo e a propriedade privada (humanismo puro) é tão ideológico quanto acreditar num sistema fracassado, que não respeita liberdade alguma e que não tem qualquer verificação empírica ou lógica de sucesso ou mínima condição de funcionamento.

Se uma escola privada quiser fazer do Marxismo um Totem, problema de quem paga. Em escola pública acho temerário. Já há poucos recursos para instrumentalizar os meninos com o mínimo de capacidade interpretativa, se perdermos tempo com ilusões inverificáveis, tiraremos desse garoto a chance de conseguir, realmente, a compreender o que lê.

Talvez seja esse o objetivo de Leandro Karnal. Para acreditar em Marx é conveniente confundir milhão com bilhão.

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O capitalismo é a única forma de organização sócio-econômica que respeita a natureza humana

Posted on 04/08/2016. Filed under: Finanças, Política | Tags:, , , , |

O título é polêmico, mas a ideia vai ficar bem clara no vídeo abaixo.

Nós precisamos aproveitar esse momento de profunda crise sócio-econòmica e política para levar o Brasil ao rumo da riqueza.

Mas para fazer isso temos que encarar nossos fantasmas e exorcizá-los. O primeiro fantasma é o horror ao capitalismo.

No vídeo proponho a ideia de que não há outra forma de organização sócio-econômica que respeite mais a natureza humana do que o sistema capitalista.

Convido vocês a virarmos essa página de atraso na história do Brasil.

Vamos ver o mundo como ele é e não como a gente acha que ele deveria ser.

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O cabo de força de 1,5 metro e as origens da nossa pobreza.

Posted on 20/07/2016. Filed under: Administração, Filosofia, Finanças, Música, Política | Tags:, , , , |

Brasilzão na contramão da riqueza!

Precisei comprar um cabo de força de 3 metros para meu amplificado e PÁ!!!! Descobri que padronizaram os tamanhos, agora só há uma “necessidade” aceitável: 1,46 metro.

Então é isso. O fabricante ou importador não podem mais se guiar pela demanda de mercado. Dane-se a demanda. Ela está errada. Quer 3 metros? Exagero. Quer 5 metros? Ostentação! Metro e meio é suficiente para tudo.

Aí a gente empobrece e dizem que a culpa é do capitalismo, do liberalismo. Brincadeira!

 

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Brasil, origens da nossa pobreza. O remédio para Porfiria e o Uber.

Posted on 11/07/2016. Filed under: Administração, Filosofia, Finanças, Política | Tags:, , , , , , , , , , , , , , , , , |

Porfiria não é uma pessoa, é uma doença genética rara, bastante agressiva, que pode paralisar os músculos e levar à morte.

As pessoas que têm a forma mais grave da doença precisam de um remédio produzido na França, caríssimo (hematina). Esse remédio poderia ser usado para controlar crises severas (devastadoras), mas custa cerca de R$ 100 mil por crise. Ver reportagem do JN aqui.

A falta de liberdade para empreender

Há pouquíssimas pessoas que precisariam dessa medicação, mas ainda assim, segundo a ANVISA, uma empresa pediu para fazer a importação e comercialização desse remédio no Brasil.

Mesmo com pouco mercado, o laboratório resolveu empreender, assumir os riscos, a regulação dura, controles de preços etc., e investir para oferecer o produto a quem precisa (inclusive para o Estado).

A ANVISA negou, pois a norma brasileira só permite a importação em casos excepcionais, por requisição de hospitais ou por prescrição médica.

????

Mas não será SEMPRE excepcional, requerido por hospitais onde o paciente está internado ou por prescrição médica, que o remédio será usado?

As pessoas não conseguem comprar e, mesmo que consigam o direito de importar, pelo custo, certamente só o fariam durante uma crise. Imagine a angústia…

Os Estados, que perdem ações na justiça e são obrigados a comprar, também não conseguem comprar.

E, com certeza, pelas dificuldades enfrentadas todos pagam mais caro.

Não seria melhor se fosse vendido aqui mesmo?

O normativo brasileiro

Não são todas, mas as normas brasileiras costumam engessar o livre empreendimento. Impõem custos desnecessários. São contrárias à livre iniciativa.

Quando o governo tem o direito de permitir ou não algum serviço ou produto, parece que ficamos 20 ou 30 anos atrasados em relação aos países desenvolvidos.

Foi assim com a lei de reserva de informática. Todos tinham computadores bons, menos nós.

É assim com a obrigação de manter orelhões (custo pesado às Teles), mesmo havendo quase 300 milhões de linhas móveis no Brasil.

Faltam normas pró-mercado, que ajudem a livre iniciativa.

Aqui no Brasil a impressão é que, de início, é proibido empreender. Todo o normativo é feito para enquadrar o livre empreendedor em alguma transgressão e proibi-lo de atuar.

Depois de proibir, um dia, quem sabe, daqui a 10 anos, o Estado possa estudar a liberação. Devagar.

O que estamos vivendo com o Uber e os Táxis é bem isso.

Nem o taxista que paga diária e se diz explorado, quer largar seu patrão e sair em busca de empreender por conta própria.

Até nessa falta de iniciativa tem a influência do Estado, pois o taxista deve saber que, cedo ou tarde, o Leviatã brasileiro vai dar um jeito de sufocar a livre iniciativa. Seja com um batalhão de regras anticoncorrenciais, seja com normas sem sentido, seja com proibição pura e simples.

A corrida não é pela livre iniciativa, não é pelo século XXI, não é pela riqueza, não é pela liberdade. É pelo fim do Uber. É pelo monopólio estatal que vai dizer quando (e se) o brasileiro vai poder usar um produto que revoluciona o serviço de transporte.

Voltando à Porfiria

O normativo do Estado faz o quê: Prejudica os pacientes, prejudica a indústria brasileira, prejudica o comércio brasileiro, prejudica os médicos e hospitais e prejudica até o próprio Estado e seus entes, que pagam mais caro e não conseguem cumprir nem ordens judiciais.

A que serve o normativo? Exclusivamente para deixar o poder na mão do Estado. Poder é dinheiro. Negar é dinheiro. Liberar é dinheiro.

Deixar a livre iniciativa funcionar é dinheiro, muito dinheiro, mas nas mãos do mercado, dos empresários e dos trabalhadores.

O político brasileiro não suporta ver as coisas funcionarem sem poder tirar uma casquinha, seja em espécie, seja em propaganda pessoal.

O cara inventa o Uber e revoluciona o mundo, mas o político que libera o serviço é que é o “grande empreendedor”, aquele a quem, pobres brasileiros, devemos reverenciar.

Vergonha!

Fiquemos animado!

Sim!!! Essa situação sugere que uma reforma pró-mercado nas normas brasileiras, talvez com um modelo Federal servindo de base aos outros entes federativos, faria os nós se desatariam por si mesmos. E rapidíssimo.

Normas pró-mercado mudam o mundo corporativo em meses.

Até na União Soviética pós-revolução houve afrouxamento no controle estatal, e floresceu uma burguesia firme e produtiva, sob Lênin. A nova política econômica – NEP.

Depois Stálin mandou matar todo mundo.

Tem gente que não acredita em livre iniciativa. Acredita no Estado ditando as regras econômicas.

Está aí o resultado. Brasilzão 60.000 homicídios por ano! Com leis vigentes que proíbem o cavalo das carruagens de fazer cocô na rua.

Espero que os “estatólatras” não precisem pegar um táxi com 2 crianças em dia de chuva. Ou que não tenham alguma doença “protegida pelo Estado”.

Ave Ceasar!

 

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Juros negativos. O fim do capitalismo? Com certeza não, é exatamente o contrário.

Posted on 05/07/2016. Filed under: Administração, Filosofia, Finanças, Humor, Política | Tags:, , , , , , , , , , , , |

Esperei bastante, mas infelizmente não consegui ler nenhuma interpretação razoável, ou minimamente coerente, sobre o inacreditável fenômeno dos juros negativos (em países ricos e confiáveis). Acho que ninguém está interessado em revelar as contradições da relação entre o sistema financeiro e os orçamentos públicos.

É tudo tratado como se fosse uma trivialidade, mas não é. Parece non sense uma pessoa investir 1.000 euros para retirar 995 euros após 10 anos, mas não é. Parece inofensivo, mas não é. Parece que será rápido e indolor, mas não será.

Parece o fim do capitalismo, mas é exatamente o contrário.

Ao leitor que não acompanha de perto as finanças internacionais, é isso mesmo que leu. Investir 1.000 euros para retirar 995 euros em 10 anos. Os títulos do governo alemão pagam juros negativos. E são títulos longos. Se segurar por 10 anos, vai perder.

Comecemos pelo fim. Pelo diagnóstico.

Qualquer que seja o caminho de análise uma coisa é certa: há dinheiro demais no mundo. Quando digo dinheiro, quero falar de ativos ultralíquidos, caixa ou equivalente. Não estou falando de patrimônio em ações, em limitadas, em imóveis ou outro ativo físico. É grana. É pila.

Parece bom, poderíamos resolver os problemas do mundo, mas é bem ruim e não, não poderíamos resolver os problemas do mundo. Vai ficar claro adiante.

Taxa de juros é preço do dinheiro.

Se são negativas (preço muito baixo), é porque há bem mais oferta do que demanda por dinheiro. Gente demais querendo emprestar, gente de menos querendo tomar. O tomador de crédito NÃO QUER aquele dinheiro. A única forma de ele externar isso é não remunerando os recursos que recebe, ou exigindo que alguém PAGUE para que ele aceite receber dinheiro.

Isso é uma gigantesca disfunção do sistema financeiro.

A persistir, o sistema de aposentadorias não funcionará mais. Nunca mais.

Um indivíduo que investe R$ 10.000 por ano a uma taxa de 2% ao ano, chegaria a R$ 500.000 em 35 anos (tempo de aposentadoria). Se a taxa fosse negativa (-2%) ao ano, não chegaria nunca a R$ 500 mil. Em 100 anos de indivíduo teria investido R$ 1.000.000 e seu saldo seria de R$ 433 mil.

Os valores são exagerados (os juros não são tão negativos), mas a lógica é válida.

Parte da culpa é do medo da catástrofe financeira

A última estimativa que li, do JP Morgan, indicava haver US$ 6 trilhões investidos em taxas negativas ou bem próximas de zero.

Ao que parece, a mão invisível está no bolso. E não sai de lá.

Na crise das pontocom, início dos anos 2000, houve brutal destruição de valor. Cerca de 4.000 empresas da NASDAQ deixaram de existir. Só o Yahoo fez a bolsa eletrônica perder US$ 90 bi de valor de mercado dos ativos listados.

Isso é capitalismo puro, na veia. Risco privado sofrendo severamente quando age por imprudência, imperícia e vaidade. As empresas sumiram, pois aquela riqueza não existia. O dinheiro sumiu.

Em 2008…

Ah, 2008…

Foi o inverso. Provavelmente foi o momento mais anticapitalista de história da economia moderna.

Tudo que aprendemos sobre livre mercado, baixa intervenção estatal, moral hazard (risco moral), agency costs (conflito de agência), mão invisível, destruição criativa etc., foi jogado no lixo. Por medo. Pavor, diga-se, de ruptura do sistema financeiro.

Será?

Jeremy Irons e o monte de lixo tóxico

Jeremy Irons é o dono de um banco no filme Margin Call (2011). Diante da equipe ele repete o diagnóstico: – Estamos sentados no maior monte de lixo da história do capitalismo. Amanhã vocês vão ligar para todos os seus clientes, parentes, amigos, até para a sua mãe, e vão vender tudo.

A crise de 2008 revelou que o mundo tinha alguns trilhões de dólares em papéis podres.

O que é isso?

Ora, se o banco emprestou US$ 500 mil para o sujeito comprar uma casa, o banco tem os recebíveis do tomador do empréstimo e a casa para retomar, se ele falhar. O tomador falhou com os pagamentos e a casa valia apenas US$ 100 mil. E ainda assim não tinha comprador.

Então é isso. Os bancos e algumas agências governamentais tinham emprestado trilhões. E isso não valia nada.

O que os governos fizeram?

Com medo de uma ruptura drástica, em que bancos grandes CERTAMENTE quebrariam, promovendo um colapso no sistema financeiro, “deram liquidez” para o lixo.

É mais ou menos o seguinte. Você tem um papel que ninguém quer. O governo compra de você por um preço MUITO acima do que valeria no mercado.

Um nome bonitinho, “quantitative easying”, que significou alguns trilhões de dólares dos ORÇAMENTOS PÚBLICOS para dar liquidez a lixo.

Olha uma coisa bem inútil na sua casa. Um carrinho de bebê velho. O governo compra pelo preço de um novo. Você venderia?

Quantitative easying significa “dinheiro correndo frouxo”. Grande parte é dinheiro público. A única fonte de recursos que havia sobrado, em 2008, eram os orçamentos dos países.

Trilhões que não deveriam existir

Qual é o propósito do dinheiro, da instituição “dinheiro”?

É circular. Para circular, ele precisa ser atraente. Para o comerciante que quer vender seu produto, para o produtor rural que quer financiamento, para o empresário que quer ampliar etc.

Aos que pensam, até aqui, que bastaria “pulverizar” esse dinheiro na África ou no América Latina, é importante esclarecer que dinheiro não existe como entidade absoluta. Dinheiro é entidade relativa. Ele faz sentido “em relação” ao que pode comprar ou produzir, não faz sentido absoluto. Nem é real, são só bits e bytes ao redor dos computadores do mundo.

O fluxo dele precisa fazer sentido, se o dinheiro perder o sentido, ele não valerá nada.

Antes de concluir, falemos da China

A China, em meu modesto entendimento, é o motivo subjacente que permitiu esse momento único da história das finanças mundiais.

Há um non sense nas finanças chinesas que, de certa forma, deixa a noção de dinheiro meio perdida.

É um país importante na economia mundial. Talvez o mais importante, em termos de “troca” de mercadorias e “posse” de recursos financeiros líquidos no mundo. Uma irracionalidade duradoura por lá, vai ter impacto em todos os países.

Na década de 1980 o Japão vivia momento semelhante. Sua moeda era artificialmente barata, de forma que seus produtos vendiam como água.

As gestões do governo americano e da comunidade internacional fizeram o Japão liberar o câmbio (quase isso), fazendo com que os japoneses enriquecessem em 5-6 anos. Enriquecessem MUITO. Foi a época em que apartamentos de 2 quartos em Tóquio valiam US$ 2 milhões. Em dinheiro da época.

Gerou uma bolha danada, que estourou em 1989 e durante a década seguinte, mas continuaram ricos. Racionalmente ricos.

A China resiste. Artificialmente ela mantém seus superávits de dólares. Acumula dólares. Não tem o que fazer com esses dólares. Algo próximo a US$ 3,2 trilhões. Vai fazer o quê com isso?

Moeda NÃO EXISTE em termos absolutos.

Moeda é relação. Não dá pra usar de forma irracional. Se fizer, vai destruir valor.

A China faz o quê? Cidades para 1 milhão de pessoas. Todas vazias. Produz aço para projetos que não tem qualquer sentido econômico.

Ou seja, lembra o Richard Pryor no filme “Chuva de Milhões” precisando gastar US$ 30 milhões em 30 dias (para herdar US$ 300 milhões). Isso em 1985. Sem comprar bens! Tinha que GASTAR! Não dá. Fazer o dinheiro sumir. Não dá. É muito difícil.

Quem me lê deve pensar que é mole gastar. Se você receber US$ 10 milhões, vai torrar com facilidade. Mas se é um hedge fund com US$ 1 trilhão, com deveres fiduciários com seus clientes, NÃO vai e não pode torrar.

A beleza do capitalismo

Estou me lixando para as ideologias. Gosto do fato. Gosto da evidência científica. Gosto de análise ética e honesta.

Ao contrário das ideologias dirigistas, que vão até o limite da inteligência de um grupelho de burocratas tarados, o Capitalismo é um sistema maior e mais inteligente do que as nações e seus dirigentes. Mais inteligente do que os banqueiros e do que os financistas. Ele é o caminho escolhido naturalmente, desde o início da sociedade contratual (início da linguagem escrita). Ele é o mercado em que todas as trocas de interesses acontecem.

A resposta natural que o capitalismo está dando a essa disfunção é: JURO NEGATIVO. Dinheiro demais, vamos resolver isso fazendo você PERDER dinheiro.

O interessante é que, dessa vez, quem vai perder mais é quem tem estoque de capital. Não é o pobre e o desvalido. O pobre ou a classe média podem até se beneficiar, pois o dinheiro barato vai acabar gerando negócios que não existiriam em um mundo de juros positivos. Ainda que estejam fadados à destruição de valor.

Foi o que ocorreu no Brasil. O setor de Petróleo empregava gente com exigência de segundo grau e curso técnico de apenas 6 meses, por R$ 8 mil por mês, o mesmo que um gerente de empresa média, com pós-graduação em finanças.

Acabou a bonança do setor, o salário caiu 4 vezes.

Aos que pensam: Ora, por que não investir esse dinheiro na economia, na produção, nas start ups?

Ora queridos! Porque essa cumbuquinha tá cheia.

Se o inventor do Uber conseguiu fazer o que fez com financiamento de US$ 50 milhões, porque pegaria US$ 1 bilhão? Seja em ações ou dívida? Seria estupidez, seria reduzir sua rentabilidade por vontade própria. Quem pega mais do que precisa é porque tem um projeto péssimo. E projeto péssimo é destruição de valor. Mais rápida que o juro zero.

Se você levar a irracionalidade, o “quantitative easying”, para a bolsa e para o setor produtivo, imobiliário, ou qualquer outro da economia real, vai gerar outras bolhas. E os ativos REAIS já estão caríssimos.

O sujeito prefere perder 0,15% ao ano em títulos alemães, do que se arriscar a perder 50% investindo no Linkedin, Google, Exxon, imóveis etc.

Não dá para fugir. Há uma disfunção. Há dinheiro demais.

E os países pobres?

Aqui acho que fica a lição mais importante desse artigo.

Dinheiro não é “realidade” material e objetiva, dinheiro é fluxo, dinheiro é circulação, dinheiro é meio.

Esse dinheiro “salvaria” nações pobres? Será?

Peguemos a Petrobras. Em 2007 chegou a valor US$ 300 bilhões. Recebeu uma capitalização na faixa de US$ 50 bi em 2010. Entre 2007 e 2016 investiu cerca de US$ 400 bilhões (refinarias, novos poços). Valeria então US$ 750 bilhões? NÃO!

Hoje vale US$ 35 bilhões e produz o mesmo que em 2010.

O dinheiro foi usado. Resolveu alguma coisa? O orçamento brasileiro está “garantido” com os bilhões investidos? O povo se beneficiou em quê? A educação, saúde, emprego e segurança estão garantidos?

Em apenas um exemplo vimos que não é difícil fazer US$ 700 bi evaporarem.

As dívidas de Oi, Gol, Usiminas, General Shopping e outras tantas valem 50% do valor de face. Às vezes 20%. Dados públicos, basta olhar na bloomberg.

Dá pra destruir dinheiro, é fácil. Mas isso não ajuda pobre. Não ajuda país pobre.

A África tem (quase) tudo para receber investimentos. Tem povo sedento por bens de consumo, por emprego, por segurança. Tem terra. Tem riquezas naturais. Tem tudo ainda por construir. Casas, fábricas, rodovias etc.

Tenho certeza de que o dinheiro sonha em ir para um ambiente tão promissor.

Mas sabe o que falta?

Incentivo à livre iniciativa. Capitalismo. Mão invisível. Liberdade econômica. Economia de mercado. Respeito a contratos. Respeito à propriedade privada. Países onde essas coisas não existem odeiam dinheiro.

De que adiante haver trilhões de dólares loucos por boas oportunidades de investimento se os governantes desses países NÃO querem esse dinheiro.

O dinheiro só vai para lá se puder voltar. As regras mudam todos os dias. Há corrupção generalizada. Há ainda resquícios de guerras e grupos como o Boko Haram. Você constrói uma ferrovia, e morre de medo do governo mudar as tarifas de uma hora para outra. Morre de medo de tomarem a concessão (vi isso in loco com uma empresa brasileira).

A quem, efetivamente, você daria o dinheiro? A grupos realmente empreendedores ou a grupos ligados aos governos locais?

Investidor só entende como interesse genuíno aquele que multiplicará seu dinheiro.

Não é interesse genuíno enriquecer ainda mais oligarquias tirânicas ou grupos de interesse que não tem qualquer compromisso com a economia de seu país.

Quer dinheiro para investir? Tá sobrando. Mas ele não vai para onde é detestado e maltratado. Dinheiro não troca de mãos se o contrato é maroto.

Acreditem. Se despejássemos alguns trilhões em 10 anos nos países pobres, geraríamos a maior concentração de riqueza de história. E o povo continuaria paupérrimo.

Dei o exemplo da Petrobras. Só uma empresa. Dá pra destruir fácil, fácil. Somos mais pobres hoje do que quando começamos a surfar na ilusão do petróleo. E muito mais endividados, pois foi dívida pública que gerou essas distorções e a ilusão de prosperidade. Vendemos 20 anos do nosso futuro, para viver 5 anos de gala.

A solução?

Ou a bola murcha devagar, está cheíssima, ou explode.

Evitamos a explosão destroçando orçamentos públicos, que não estão sentindo muito, pois os juros estão baixos, então é barato se financiar.

Mas esses orçamentos NÃO estão mais disponíveis.

As quebradeiras no mercado de crédito podem ajudar a reduzir essa abundância de dinheiro. Algumas dívidas soberanas (Venezuela por exemplo) desaparecerão, e também vão ajudar. A Grécia é um super exemplo, sua dívida, impagável, imputou perdas de dezenas de bilhões ao sistema.

Não sei se dá tempo, ou quanto tempo levaria para que o estoque de “cash” se normalize.

Se fosse possível fazer o dinheiro DESAPARECER, mas veja, não é trocar de mãos, é ir para o espaço sideral, sem uso, os juros subiriam, a demanda por dinheiro seria grande, as moedas fortes ficariam mais fortes e países pobres se fartariam de ganhar dinheiro (quanto mais capitalistas forem, se forem socialistas vão sofrer absurdamente), pois ficariam baratos.

A maioria dos países é CREDOR em moeda forte. Até o Brasil. É diferente da época em que a dívida externa massacrava os países periféricos.

O ideal seria que países bem pobres tivessem um surto de livre iniciativa, redução das barreiras comerciais, privatização, fim da corrupção etc., o dinheiro fluiria para lá e a bola ficaria menos cheia. Talvez até voltasse ao equilíbrio virtuoso de longo prazo.

Mas o mundo tá doido. Discute irrelevâncias.

O dinheiro existe. Falta o projeto.

O dinheiro está sem amigos.

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  • Disclaimer

    Este blog é um ambiente privado para expor opiniões, estudos, reflexões e comentários sobre assuntos ligados a finanças, bolsa de valores, economia, política, música, humor e outros temas.

    Seus objetivos são educacionais ou recreativos, não configurando sob nenhuma hipótese recomendação de investimento.

    O investidor consciente deve tomar decisões com base em suas próprias crenças e premissas. Tudo que lê ou ouve pode ser levado em consideração, mas a decisão de investimento é sempre pessoal. Tanto na escolha de ações para carteira própria, quanto na escolha de gestores profissionais para terceirização da gestão.

    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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