Archive for julho \29\UTC 2010

Usiminas – Comentários sobre o resultado do 2T10 – Clube Stratocaster

Posted on 29/07/2010. Filed under: Finanças |

Link para o relatório do 2T10:
http://www.usiminas.com/irj/servlet/prt/portal/prtroot/pcd!3aportal_content!2fusiminas!2fcomum!2fconteudo!2fiviews!2fbr.com.su.i.iview.JAI_iView_Publica_do_KM/prtl_doc/corporativo/Resultados/resultados.pdf

2008, 2009… 2010

Com o Perdão da brincadeira, comparar os resultados da Usiminas nos 3 anos acima, é como comparar o Flamengo de hoje, com o de Maurinho, Fernando e Felipe Melo (é, nós já tivemos essa joça) e com o de Zico, Júnior, Leandro e Cia…

O de hoje é muito superior ao “esquadrão” de 2002, mas não engraxa a bota do time de 1979-1983;

Os resultados de 2010 para a Usiminas são muito superiores aos verificados em 2009, porém perdem de “goleada” para o excepcional ano de 2008.

Esse padrão deve se repetir nos resultados das empresas de commodities e de bens de capital aqui no Brasil.

Vejam a comparação dos lucros por ação:

  • LPA 2008: R$ 6,36
  • LPA 2009: R$ 2,65
  • LPA 2010 (acumulado últimos 12m): R$ 3,49

Isso faz com que a Usiminas, mesmo no auge de seu preço ajustado em 2008 (R$ 86,42) estivesse mais “barata”, em termos de Preço/Lucro, do que hoje, vejam:

  • No auge: R$ 86,42/6,36 = 13,6
  • Hoje: R$ 53,50/3,49 = 15,32

Recuperação nas vendas, mas não nos preços

O volume de vendas da Usiminas atingiu pouco mais de 1,8 milhão de toneladas, resultado próximo ao verificado no 1T08 e 10% abaixo do recorde do 3T07.

A queda expressiva nas receitas (de R$ 15,7 bi em 2008 para algo como R$ 11 bi no acumulado de hoje), deve-se primordialmente à queda nos preços do aço.

Enquanto no 4T08 os 3 principais produtos da empresa, chapas grossas, laminados a quente e laminados a frio, eram vendidos R$ 2.993/ton, R$ 2.202/ton e R$ 2.391/ton respectivamente, no 2T10 atingiram R$ 1.631, R$ 1.683 e R$ 1.919.

A empresa também indicou um forte crescimento nos custos, por força da elevação de mais de 100% no minério de ferro. Alertou também que espera nova elevação no insumo e também no carvão.

Para fazer frente, deverá elevar os preços em breve.

Mudança de estratégia, maior endividamento

A Usiminas continua com um nível de endividamento de baixo a moderado. Entretanto, há uma mudança significativa na dívida líquida, que era negativa no 4T07 e fechou em R$ 4,1 bi no 2T10.

Em termos de Dívida líquida / fluxo de caixa, os números melhoraram em relação ao 4T09, principalmente pela melhoria nas vendas.

Aquecimento do mercado interno é sustentável?

Os analistas internacionais entendem que a recuperação nos países desenvolvidos será lenta. O volume de endividamento das nações e o alto desemprego não permitem uma visão muito otimista para os próximos 2-3 anos.

Aliás, há mais riscos iminentes do que soluções de curto prazo.

O mercado interno brasileiro vem batendo recordes nos últimos meses, com base em um grande incremento no volume de investimentos e de crédito, principalmente por parte do governo, BNDES e bancos estatais.

O crédito imobiliário disparou no último trimestre.

A estratégia do governo, em minha modesta visão, é louvável e trouxe resultados durante a crise e mesmo após a mesma. Mas é claramente insustentável.

Até poderia ser sustentável se o mundo se recuperasse MUITO mais rápido e o volume de exportações voltasse a crescer fortemente. Isso faria o governo receber muito mais em impostos e em dólares, financiando o maior déficit externo desde 1963.

O que está ocorrendo é a distribuição de crédito subsidiado em volumes impressionantes. O governo empresta, através do BNDES, do BB e agora da Caixa, a juros muito mais baixos (6,5% a 8% ao ano) do que consegue captar no mercado (10,75% ao ano).

Isso é lindo, pode até dar certo no curto prazo, mas no longo prazo é insustentável. Em algum momento vai ter que parar. É como comprar por R$ 200,00 e vender por R$ 100,00

Essa diferença significa que o governo perde de 2% a 4% (sem considerar os custos e a volta do IR) para cada empréstimo que faz.

Se empresta 400 bi, significa que pagará A MAIS de juros, 8 bi a 16 bi por ano. Com recordes de arrecadação é mole, com queda…

Pode ser só o efeito da eleição. Talvez o novo governo, seja ele qual for, já saiba que vai precisar desarmar essa bomba.

Só há uma forma de desarmar isso sem impactar demais a capacidade do governo de investir… seria a redução significativa nos juros…

Infelizmente não há político com “peito” suficiente para mexer nesse vespeiro que é a renda fixa do país.

Lula até poderia, do alto de seus 145% de aprovação, mas não o fez. Mexer na poupança e reduzir o ganho dos rentistas do país traria danos à sua imagem. Talvez caísse para 123% de aprovação.

Pena que não tenha corrigido esse mal, que faz com que o Brasil não consiga ter juros menores do que 8% ao ano.

O que esperar da Usiminas?

O resultado foi positivo e os planos de investimento foram mantidos. Há boas perspectivas, mas não é possível afirmar que aquele lucro de mais de R$ 6,00 por ação esteja num horizonte próximo.

Pelo histórico de P/L da Usiminas, os patamares atuais estão bem acima das médias. Eu ficaria mais surpreso se a ação disparasse a R$ 70,00 ou R$ 75,00, do que se caísse a R$ 40,00 ou R$ 35,00. Isso a deixaria dentro das médias históricas de P/L.

Em resumo: Tá tudo normal, sem surpresas positivas ou negativas.

Ps.
Como curiosidade a respeito da pior fase do Flamengo nos últimos 30 anos. Em março de 2002 o Flamengo foi escalado com o seguinte time: Zé Romario, Isael, Anderson Luiz, Edson, Alessandro, André Gomes, Fabiano Cabral, Carlinhos, Agnaldo, Edmilson e Espíndola.

Só faltou Tangerina, Espoleta e Tião Pedrada. Jesus nos livre disso!!! Época de Edmundo Santos Silva…

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Entrevista na Globo News sobre o livro “Quanto Custa Ficar Rico?”

Posted on 28/07/2010. Filed under: Finanças |

Prezados,

Mais uma vez o programa Conta Corrente da Globo News abre generosamente suas portas para o amigo de vocês.

Dessa vez fui tratar do tema e do livro “Quanto Custa Ficar Rico”, que será lançado no dia 11/08/2010 às 19:00 na Saraiva do Botafogo Praia Shopping.

Para os amigos que quiserem acompanhar, segue o link do programa:

Entrevista Conta Corrente 27/07/2010

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Sumário e detalhes do livro “Quanto Custa Ficar Rico?”

Posted on 27/07/2010. Filed under: Administração, Finanças |

Capa do livro:

Quanto Custa Ficar Rico?

Esse livro é bem diferente do anterior, que tratava exclusivamente de mercado de ações.

Leiam o que iria nas orelhas e quarta capa do livro:

Primeira Orelha

A riqueza que estou construindo, aprisiona ou liberta?

Pelos conceitos tradicionais de “riqueza” acabamos por identificar como “ricos” aqueles que têm bons carros, freqüentam bons restaurantes e moram em coberturas na praia do Leblon. Até podem mesmo ser ricos, mas também podem, apenas, estar destruindo valor e riqueza, e cultivando um futuro de dificuldades.

Não é raro encontrar herdeiros que conseguem destruir a riqueza deixada por pais ou avós, justamente por não compreenderem os conceitos que serão demonstrados neste livro. Também não é incomum ver um jovem rico e esbanjador tornar-se um aposentado em desequilíbrio financeiro.

Aprenda a fugir dessas armadilhas de destruição de valor e a planejar sua “liberdade” financeira e a sonhada aposentadoria equilibrada.

Para os novos, quanto mais cedo começarem, menor será o esforço necessário. Para os que estão próximos da aposentadoria ou já aposentados é imprescindível saber tratar seu portfólio com sabedoria.  Este livro busca atender a todos esses públicos.

Segunda orelha

Para minha idade, qual seria a melhor distribuição para meus ativos?

Poupança, imóveis, ações, debêntures, CDB’s, tesouro direto, previdência privada e pública são formas de investimento com características muito particulares. Para cada fase de sua “vida de investidor”, para cada perfil profissional e pessoal e para cada história de vida, há um leque diferente de opções para a distribuição de portfólio. Este livro procura transmitir conhecimento para que você monte seu.

Viver melhor é o grande objetivo desse guia de finanças pessoais. E isso, ao menos do ponto de vista do equilíbrio financeiro de um indivíduo ou de uma família, requer um instrumental mínimo de educação financeira. Educação MESMO, aquela que significa mudança de cultura e de valores. Você verá!

Quarta Capa

O que é SER RICO para você?

Certamente sua definição pessoal sobre riqueza é muito diferente da de Donald Trump ou de Eike Batista, o que demonstra certa relatividade nesse conceito. Antes de buscar sua aposentadoria confortável é preciso estabelecer metas quantitativas que definam os termos dessa “liberdade financeira”.

Ao contrário do que muitos imaginam, não basta ser cada vez mais bem sucedido em seu emprego e em seu negócio para ser rico. Este livro procura mostrar que suas decisões financeiras podem transformar uma prodigiosa carreira em uma prisão financeira “sem grades”. Acontece muito, não deixe acontecer com você.

Uma simples decisão pode fazer o indivíduo ficar “R$ 5.000” mais próximo da liberdade financeira, ou “R$ 40.000” mais distante. Uma série de decisões como essa ao longo de 5, 10 ou 15 anos podem fazer a diferença entre ser rico e livre, ou ser cada vez mais dependente das suas 16 horas diárias de trabalho.

Vejam também o belo trabalho de capa:

Quanto Custa Ficar Rico

Atualização de 04/11/2010:

Vou tentar postar aqui qualquer promoção especial que nossos leitores me indicarem. A de hoje é a seguinte:

O livro está em promoção na siciliano on-line (somente através do Buscapé). De R$ 49,90 por R$ 33,92. Veja aqui.

Por fim, vejam o sumário com os capítulos e apêndices:

Sumário

Prefácio
Parte 1: Diagnóstico das finanças pessoais: ativos, passivos e índice de riqueza pessoal
O conceito tradicional de riqueza e o custo oculto do status em sua aposentadoria
Os meus ativos e os meus passivos. Como está o meu equilíbrio financeiro?
O índice de riqueza pessoal – Definições e cálculos
Já sei o que é ser Rico, agora quero saber como chegar lá. A semente do pé-de-dinheiro.
Quanto tempo leva para atingir o patrimônio necessário à aposentadoria?
A matriz da riqueza pessoal.
O gráfico da riqueza pessoal.
Parte 2: Ferramentas de finanças pessoais.
O conceito de yield.
Definindo os passivos de sustentação e orçamento pessoal
Ativos de remuneração: Renda fixa
Ativos de remuneração: Renda variável
Ativos de remuneração: Imóveis
Ativos de remuneração: Previdência social e privada
PARTE 3: Gestão de patrimônio com foco na riqueza pessoal
O conceito de risco de fluxo de caixa. De quanto deve ser minha reserva financeira?
Infância e adolescência. Cuidados com a poupança e com a educação financeira dos filhos.
Do início da vida profissional à pré-aposentadoria. Do risco máximo ao mix equilibrado de ativos.
Preparando-se para viver de renda. O que é necessário saber.
Apêndice
Ativos ambíguos: Qual o valor máximo que posso pagar por um carro?
Ativos ambíguos: Qual o valor máximo que posso pagar pela casa própria?
Por fim, no link abaixo a capa aprovada pela editora:Quanto Custa Ficar Rico – Capa
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Convite para lançamento do livro “Quanto Custa Ficar Rico?”

Posted on 27/07/2010. Filed under: Administração, Finanças |

Aos amigos que puderem comparecer, farei o lançamento do meu novo livro no próximo dia 11 de agosto, na livraria Saraiva do Botafogo Praia Shopping,  a partir das 19:00hs.

Vejam o convite oficial:

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Entrevista para Invista Magazine

Posted on 27/07/2010. Filed under: Finanças |

Caros amigos,

No link a seguir há uma entrevista que concedi à Invista Magazine, revista do portal Infomoney.

Conta um pouco do nosso trabalho no INI e da filosofia de investimento que queremos implementar no país.

Entrevista para Invista Magazine.pdf

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Dividendos e Juros Sobre Capital Próprio do Banestes (BEES3)

Posted on 27/07/2010. Filed under: Finanças |

O Banco do Estado do Espírito Santo (BANESTES – BEES3) tem uma política curiosa de dividendos e JSCP.

Conforme se pode ler no link abaixo, o banco paga JSCP com base na remuneração pela TJLP (6% aa) de seu patrimônio líquido.

http://www.banestes.com.br/banestes_ri/arquivos/2010/01mar10_aviso_acionistas_jscp.pdf

Como o banco tem um patrimônio próximo a 700 milhões de reais e um preço de mercado de pouco mais de 830 milhões, a remuneração fica bem interessante para o clube, principalmente por ser paga mensalmente.

No último dia primeiro de julho recebemos quase R$ 35,00 de JSCP (o clube não paga IR sobre isso). Nosso patrimônio em Banestes (1.600 ações) chegava a R$ 8.560 (R$ 5,35 por ação).

Isso significa que o clube recebeu quase 0,41% de JSCP mensal. Lembrando que a poupança paga pouco mais de 0,5%, não é nada mal…

O único “porém”, que é sério… é que é um banco estadual. O governador do ES, Paulo Hartung, não é candidato, pois já foi reeleito.

Isso é um risco bem complicado. Vai que ganha o PSTU…

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Dilma, Serra e a obrigatoriedade do título de eleitor. Quem se beneficia?

Posted on 27/07/2010. Filed under: Política |

O Governo Lula e o PT prestaram, no mínimo, 1 grande serviço à nação:  exterminaram os ingênuos.

É por ser um daqueles que abandonou a ingenuidade que me sinto na obrigação de revelar um episódio, aparentemente inocente, que pode trazer desequilíbrio inaceitável ao pleito eleitoral de 2010.

O projeto de lei número 5.498 que deu origem à chamada mini-reforma eleitoral, sancionada por Lula em 2009, introduziu um elemento que pode favorecer significativamente Dilma Rousseff nas próximas eleições. Em seu artigo 91-A, a reforma modifica a situação vigente e passa a exigir a apresentação do título de eleitor e de um documento com foto à seção eleitoral. Antes bastava apresentar o documento com foto.

Por que a mudança pode favorecer Dilma?

Em princípio os leitores poderiam achar que é uma mudança com impactos estatisticamente proporcionais, mas uma leitura um pouco mais aprofundada pode revelar indícios que corroboram a preocupação com o desequilíbrio. Estão elencados a seguir:

1. O título de eleitor tem importância DIFERENTE para grupos bem definidos de eleitores.

Como não era obrigatória sua apresentação para votar, o título de eleitor deixou de ser um documento importante para uma grande parte dos brasileiros. Salvo em algumas situações, como tirar passaporte ou fazer concurso público, sua utilidade era bastante reduzida. E pelo que me lembro, da última vez que renovei meu passaporte bastou apresentar o comprovante de votação na eleição anterior.

O título, porém, é fundamental para um grupo enorme de eleitores, que são os beneficiários de programas sociais registrados no cadastro único do governo federal.

Apesar da cautela do Ministério do Desenvolvimento Social ao não expor em seu site a exigência explícita da apresentação do título original no cadastro, uma simples viagem pela internet vai mostrar que as prefeituras, durante os recadastramentos dos últimos anos, exigiram SIM o título. Alguns exemplos:

http://www.contagem.mg.gov.br/?guia=1

http://www.cabofrio.rj.gov.br/detalhenoticia.aspx?id=aed72b65-cf5b-4abd-84d0-dc1a02d08598

http://www.portalclick.com.br/portalclick/2009/08/27/recadastramento-do-bolsa-familia-em-muriae-termina-na-proxima-segunda-feira/

Não é possível afirmar que são todas as cidades, mas em todas as que pude averiguar na internet, a exigência do título original estava lá.

Pois bem, qualquer pessoa de boa-fé, compreende que, para esse público, o documento tem um grande valor, pois é necessário para a sua manutenção em programas que ajudam no sustento de suas próprias famílias.

E para o empresário, pai e mãe de classe média, médico, motorista, engenheiro que, como eu, nunca utilizaram o título eleitoral para votar, apenas a carteira de identidade?

2. A lei mudou uma cultura histórica, mas não conta com divulgação adequada.

O TSE afirma que não haverá maior abstenção, pois fará propaganda ostensiva para alertar à população da mudança. Está em seu site.

É uma declaração lamentável do TSE.

E por que é uma declaração lamentável? Nos links a seguir está a evidência de que o TSE não tem feito muito esforço para alertar as pessoas que precisarão tirar a segunda via do título, para votar esse ano.

Na página do TSE o leitor encontrará inacreditáveis documentos.

Um plano de mídia com um número muito pequeno e sem qualquer detalhamento de inserções em rádio e TV. Quantidade irrisória para algo tão importante.

Além disso, as peças publicitárias são tecnicamente defeituosas. Deveriam alertar que houve MUDANÇA na lei, mas não o fazem. Qualquer estudante de segundo ano do curso de publicidade sabe que as peças, para cumprirem a obrigação de comunicar a alteração na lei, deveriam focar na mudança e no alerta. Mas não é isso que fazem. Parecem as mesmas peças utilizadas nos anos anteriores.

Vejam e ouçam nos links acima ou no site abaixo, não é necessário acreditar em mim.

http://www.tse.gov.br/internet/eleicoes/campanha_publicitaria.htm

Outro ponto é que não é nada simples tirar segunda via do título. Se o leitor não acredita em mim, sugiro que entre no site http://www.tse.gov.br e tente achar a informação oficial sobre como tirar a segunda via do título.

Posso estar enganado, mas acho que não vai encontrar… Talvez nos sites dos TRE´s, mas a regra não deveria estar explícita no site do órgão responsável pela comunicação da mudança?

Uma simples consideração lógica

A última pesquisa do Ibope, que mostrou um empate em 37% entre Dilma e Serra, constatou que pelo menos 14% dos eleitores são atendidos por algum programa do governo federal. Na pesquisa anterior, do mesmo instituto, havia a indicação de que Dilma liderava com folga (43% a 33%) entre beneficiários de programas ligados ao cadastro do governo federal.

Não dá para saber quantos eleitores, dos 86% que não tem benefício do governo, perderam o título e não serão devidamente avisados a tempo de tirar segunda via, nem a diferença percentual de portadores de título nos dois grupos (atendidos x não atendidos).

Mas não é preciso. A lógica básica está posta.

Se eu fosse das campanhas de José Serra e Marina, apresentaria requerimento para que o TSE permitisse o voto a quem apresentar somente o documento com foto, como é desde 1986.

E a justificativa é simples: não houve suficiente esclarecimento aos brasileiros sobre essa importante mudança na lei.

Mais do que uma mudança na lei, é uma mudança nos hábitos e na cultura do eleitor brasileiro. São 24 anos votando assim.

E por fim… o que se ganha levando o título de eleitor?

Atualização do dia 20/07/2010

No dia 20 de julho passado, o site G1 trouxe uma manchete indicando que o número de eleitores entre 2006 e 2010 aumentou mais do que o dobro da média histórica (8,5% no período, contra uma média de 4%).

O que levaria a esse salto desproporcional?

Poderia ser a integração de milhões de brasileiros ao cadastro único do Governo Federal?

São dois pontos possíveis de desequilíbrio:

1. Os 86% de eleitores que NÃO FAZEM PARTE DO CADASTRO, tem muito maior probabilidade de não ter o título original, pois pouco precisaram desse documento em suas vidas. Os 14% de eleitores que FAZEM PARTE DO CADASTRO tem probabilidade MUITO MAIOR de estar com os títulos em mãos e novinhos, pois acabaram de passar por um recadastramento, durante os quatro últimos anos.

2. O crescimento do eleitorado em patamares muito superiores à média não deve ter sido fruto do acaso, mas do mesmo fator acima.

O segundo item talvez consiga ser captado pelas pesquisas, mas o primeiro certamente não, pois não existe uma pergunta que indique se o entrevistado tem certeza de possuir o original do título de eleitor.

Em eleições apertadas, tudo isso faz muita diferença. Pelo bem da democracia brasileira, essa questão deve ser levada em consideração.

Ao contrário do que pensam alguns políticos, não é nada saudável viver em um país com desequilíbrio entre as forças políticas.

Ter 95% de aprovação, ao contrário do que parece, é uma mazela e não uma virtude de nossa democracia. O “unânime” pode tudo, faz tudo e não há força que consiga ser ouvida para se contrapor. Ninguém é inteligente o suficiente para poder TUDO e ser justo!

Espero que seja corrigido, mas se não for, verifique em sua gaveta de documentos se o seu título está por lá. Você vai precisar dele para fazer valer a sua vontade e o seu direito democrático mais sagrado.

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Clube de Investimentos Stratocaster – Porto Seguro PSSA3

Posted on 12/07/2010. Filed under: Finanças |

Caros cotistas,

A Porto Seguro (PSSA3) é uma das empresas que temos há mais tempo, junto com a Itaúsa.

Os motivos para manter a Porto Seguro, com objetivos de longo prazo, são os seguintes:

  • O setor de seguros cresce de acordo com o desenvolvimento econômico e social do país. São mais bens de valor comprados, mais financiamentos e busca por proteção familiar e patrimonial. Em países desenvolvidos é facílimo encontrar seguro para qualquer item doméstico ou bem de valor. De residência, de conteúdo, de carro, de notebook, de câmeras digitais etc. Aqui no Brasil essa busca pelo seguro AINDA não é uma realidade. Outro ponto é que, via de regra, bens novos financiados costumam ter seguro obrigatório.
  • A Porto Seguro foi a empresa do setor que mais cresceu nos últimos 6 anos. Com a recente integração com a Itaú Seguros chegou a um market share de 28% em automóveis e 28,5% em residências.
  • A empresa é reconhecida por seus pares como de performance excelente, como benchmark de qualidade e de relacionamento com os canais.
  • Iniciou operações com seguros de baixo valor e vem crescendo acima de 30% ao ano (Azul Seguros).

4 anos muito complicados para a sinistralidade da Porto

A Porto Seguro atingiu seu lucro anual recorde em 2006, com baixíssimo índice de sinistralidade.
A seqüência de graves chuvas em SP e RJ, locais onde a PSSA tem maior penetração, iniciada no ano de 2007 e culminando com o segundo maior índice pluviométrico verificado em SP em toda a história fez com que, mesmo crescendo significativamente a venda de seguros, os lucros não tenham AINDA retornado ao patamar recorde de 2006.

O índice de sinistralidade saiu de 50% em 2007 para 60% em 2008. Naturalmente nesses números há uma participação cada vez maior de sinistros vindos da Azul Seguros, cujo índice é pior.

2009 – Uma rendição à competência!

Vocês devem lembrar das propagandas da Unibanco Seguros, tentando desmoralizar as estratégias comerciais da PSSA (dando desconto em estacionamento…). A guerra comercial entre elas estava comprometendo muitos recursos de comunicação.

Pois bem, nos últimos anos houve rumores de fusão entre a Porto e a Bradesco Seguros, criando um verdadeiro gigante de seguros no país. Como o negócio de seguros para o Bradesco chega a representar 1/3 do lucro, a modelagem acabou não sendo acertada.

Em 2009 a PSSA assumiu as operações de seguros residenciais e de automóveis da Itaú (Unibanco) Seguros com a emissão de aproximadamente 30% de novas ações da PSSA.

Durante todo o ano de 2010 a PSSA vai buscar fazer o mesmo que o Itaú vem fazendo após a fusão: promover a integração com ganhos de escala, redução de custos, corte de redundâncias e aproveitamento dos novos canais.

Os efeitos já puderam ser sentidos agora no 1T10, com um lucro de R$ 130 milhões, equivalente a R$ 0,40 por ação.

As expectativas para a PSSA

No webcast da Porto em maio, sobre o 1T10, os executivos mostraram confiança na força da integração com a Itaú Seguros.

Disseram haver espaço para: redução de custos administrativos, redução de custos comerciais (pouca), redução da sinistralidade, elevação das vendas pela incorporação de novos canais.

A empresa não está “barata”, pelo critério do P/L. Hoje o índice está próximo a 16. Mais alto do que o da Sulamérica e do que a média de mercado.

A justificativa estaria na percepção de que a união vá transformar a PSSA numa potência no mercado de seguros.

Lembrem-se, P/L alto costuma estar associado a projeções otimistas dos analistas.

Caso se verifique, até o fim de 2010, a sinergia completa, em custos e vendas, proveniente da união entre as empresas, uma redução nos índices de sinistralidade e o tal crescimento de 7% da economia brasileira, é possível esperar bons resultados, talvez a superação do lucro recorde (R$ 1,40 por ação), verificado em 2006. O primeiro trimestre de 2010 já é recorde para o período e foi 45% superior ao verificado em 2006 (1T06).

Sugiro a leitura dos releases de 2009 e 1T10.

http://ri.portoseguro.com.br/portoseguro/web/conteudo_pt.asp?idioma=0&tipo=28454&conta=28&id_arquivo=143374

http://ri.portoseguro.com.br/portoseguro/web/conteudo_pt.asp?idioma=0&tipo=28454&conta=28&id_arquivo=131464

That´s it!

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Clube Stratocaster – Comentários sobre a Randon (RAPT4)

Posted on 08/07/2010. Filed under: Finanças |

Resultados da Randon e comentários.

Caros cotistas,

O Clube de Investimentos Stratocaster tem aproximadamente 12% de seu patrimônio em ações da Randon, companhia que apresentou um dos melhores resultados em bolsa nos últimos 18 meses.

A seguir comentários sobre os resultados da empresa.

Antes, relembrem o que é a Randon (extraído do site):

A Randon S.A. Implementos e Participações é uma holding mista, líder de um conjunto de nove empresas operacionais que atuam nas áreas de implementos rodoviários/vagões ferroviários/veículos especiais, autopeças/sistemas automotivos e serviços. Todas são líderes nacionais de mercado nos segmentos em que atuam, referências em tecnologia e qualidade no Brasil e exterior e importantes players no mercado globalizado. Exportam para mais de uma centena de países e contam com uma Rede Internacional de Vendas e Serviços.

Há 60 anos a Randon vem fabricando diferentes tipos de equipamentos rodoviários entre carrocerias, reboques e semirreboques e, desde 1998, investiu no desenvolvimento da área ferroviária com o lançamento Transtrailer. Desde então, produz vagões ferroviários de carga dos tipos hopper, gôndola, tanque, carga geral, plataforma, entre outros.

Considerações sobre os resultados do 1T10 e de 2009

A Randon vinha de um ano excepcional (2008), onde obteve um lucro por ação de R$ 0,95 e uma receita de R$ 3,059 bilhões.

A cotação máxima naquele ano (já considerando a bonificação e proventos) foi de R$ 12,23, o que indicaria um P/L de 12,8, em linha com a média brasileira e bastante razoável para uma empresa com o histórico de crescimento da Randon.

A empresa foi atingida em cheio pela recessão de 2009, principalmente por depender MUITO (80%) do crescimento e do investimento aqui no Brasil. Sua receita acumulada caiu de R$ 3 bi para R$ 2,47 bi ao final de 2009. Seu lucro por ação foi a R$ 0,57, próximo ao verificado em 2006.

A cotação máxima ajustada em 2009 foi de 10,59, indicando um P/L de 18, porém foi possível comprar por MUITO TEMPO Randon a valores ajustados próximos a R$ 3,50, o que estaria indicando um P/L bastante interessante, menor do que 7.

A leitura do release de resultados da Randon para o 1T10 indica que a recuperação está muito forte, mas os resultados ainda são inferiores aos observados no 1T08.

http://www.mzweb.com.br/randon/web/arquivos/randon_1T2010_Release_Resultados_20101005_pt.pdf

Pode ser que a Randon ainda não consiga, em 2010, retomar o desempenho de 2008 (R$ 0,95 de LPA e margens mais altas).

Aliás, no guidance para 2010 (publicação de estimativas) que a Randon enviou no final de 2009 já havia a previsão de que a Receita Líquida Consolidada seria levemente inferior à verificada em 2008 (R$ 2,8 bi contra R$ 3,059 bi)

Fatores de crescimento para a Randon

O valor de mercado da empresa, somando ações ON (R$ 8,55) e PN (R$ 10,67) está em R$ 2,4 bi. O lucro acumulado nos últimos quatro trimestres está próximo a R$ 155 milhões, o que dá um P/L atual de 15,5, mais alto do que a média brasileira, porém calculado com os lucros deprimidos de 2009.

Supondo ser possível retornar ao LPA de 2008 (R$ 231 mi), isso indicaria um P/L a valores de hoje, pouco maior do que 10. Número bastante interessante para empresas de crescimento.

O que faz a Randon crescer?

  • Crescimento sustentável da economia brasileira
  • Crédito farto para compra de caminhões, vagões e peças
  • Crescimento da carga transportada
  • Investimento em melhorias nas estradas brasileiras
  • Dólar comportado, preferencialmente em valores mais altos
  • Retomada do crescimento no mundo
  • Habilidade da administração
  • Abertura de novos mercados no exterior

Todos os elementos se verificam até o presente momento (julho de 2010).

Para que a Randon continue seu brilhante histórico de resultados e crescimento, será muito importante que não haja turbulências nesses fatores.

As previsões dos analistas e do boletim do BC dão conta de crescimento acima de 7% neste ano e em torno de 3,5% a 4% para os próximos. Talvez o mercado exterior demore um pouco mais para retomar o crescimento.

É possível que, com déficits em conta corrente, o dólar apresente apreciação comportada. Seria interessante para muitas exportadoras brasileiras. A valorização prevista para o YUAN deve ajudar.

Os investimentos em estradas não devem parar. Dependendo do próximo presidente poderá sofrer ajustes nos modelos, mas não é possível continuar com o gargalo de infra-estrutura que o país tem.

A habilidade da administração tem garantido bons anos à Randon e o desempenho em 2009, ano de pesadas perdas, pode ser considerado muito bom. Enquanto outras companhias tiverem pesados prejuízos, a Randon manteve lucro em todos os trimestres.

O endividamento líquido da companhia é conservador (76% da geração de caixa anual, mesmo num ano de queda).

Mas a questão do crédito é muito delicada.

O crédito dado a investimentos tem sido fartamente subsidiado. O governo capta dinheiro via Tesouro Nacional (10,25% ao ano), repassa ao BNDES que empresta a TJLP + x% (algo como 8% ao ano). E é uma operação invisível no curto prazo, pois não aumenta a dívida líquida do país (o governo capta R$ X a 10,25% e empresta R$ X a 8%).

Naturalmente essa operação não é sustentável no longo prazo. Será necessária uma redução nos juros para que a TJLP se mantenha em patamares mais baixos.

É coisa para o próximo governo, seja qual for.

Randon ON x PN, algumas considerações.

Em novembro do ano passado a Randon publicou um fato relevante indicando que a controladora DRAMD (78% das ON) entrou em negociação com a PREVI (10% das ON) para uma troca de ações ON por ações PN.

http://www.mzweb.com.br/randon/web/conteudo_pt.asp?idioma=0&tipo=12949&conta=28&id=76855

O objetivo CLARO era tirar de circulação as ON. Em janeiro fizeram um contrato na seguinte condição: Para cada ação PN dada em troca pela DRAMD, a PREVI daria 1,15 ação ON.

Ao preço de hoje isso significaria que que a ON deveria estar a R$ 9,20 (Está em R$ 8,55) OU a PN deveria estar a R$ 9,83 (está em R$ 10,60).

São diferenças pouco significativas. Não há arbitragem a fazer.

Supondo que as condições acertadas entre DRAMD e PREVI forem estendidas a todo o mercado, é bom ficar de olho em eventuais desequilíbrios nos preços das ações ON e PN.

Se o motivo de recolher TODAS as ON for colocar a empresa no Novo Mercado (maior grau de governança corporativa), é possível que a RANDON tenha ainda mais flexibilidade para obter capital e investir.

Porém, não há qualquer indicação segura de que o motivo é esse.

Por fim

Naturalmente a RANDON não está figurando em nossas compras dos últimos 2 meses, pois disparou após os resultados e após a bonificação. Foi um “hit” de compra no primeiro semestre de 2009, quando apresentou preços incrivelmente baixos, mas em 2010 já atingiu um certo grau de “normalidade”.

Porém a empresa também não atingiu múltiplos proibitivos, que nos façam pensar em vender toda a posição.

That´s all!

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Clube Stratocaster – Comentários sobre a Equatorial (EQTL3)

Posted on 05/07/2010. Filed under: Finanças |

Resultados da Equatorial e Cisão Parcial da Companhia.

Caros cotistas,

O Clube de Investimentos Stratocaster tem aproximadamente 10% de seu patrimônio em ações da Equatorial, uma companhia de participações na área de energia elétrica.

No início desse ano a companhia foi bastante penalizada em bolsa por conta de 2 eventos:

  • Grande queda no lucro no 4T09
  • Expectativa não verificada de recebimento de dividendos extraordinários por conta de venda da participação na Light.

A Equatorial tem (direta e indiretamente) 65% da CEMAR (Maranhão), 13,03% da Light e 25% da Geranorte.

Considerações sobre o lucro do 4T09

Mais adiante será visto que a participação da Light irá para uma outra companhia, portanto o que interessa MESMO é o resultado da CEMAR, pois a Geranorte ainda está começando seus negócios.

A CEMAR aderiu ao “Novo Refis” para parcelar dívidas com a Receita em pequenas parcelas e com desconto. Isso fez com que tivesse que registrar quase R$ 60 milhões como despesa financeira não recorrente.

Mesmo com esse impacto, o lucro da CEMAR (já rateado para a participação da Equatorial) representava algo como R$ 1,21 por ação da EQTL3. Se não fossem os eventos não recorrentes o lucro poderia ter sido superior a R$ 1,50 por ação.

Veja relatório: http://www.mzweb.com.br/equatorial/web/arquivos/ER%20EQTL%204T09.PDF

A cisão parcial, oportunidades e algumas dúvidas

Cada ação da Equatorial HOJE carrega o direito a 1 ação de uma nova companhia, a Redentor, que ficará com os ativos da Light SA hoje pertencentes à EQTL.

Resumindo, o acionista da Equatorial, em algum momento no futuro, terá 2 ações para cada EQTL3 que detiver. 1 da própria EQTL3 e 1 da Redentor. Naturalmente o preço da EQTL3 SEM os direitos será menor.

O valor de mercado da EQTL3 hoje é de R$ 1,8 bi, ou R$ 16,60 por ação.

O valor de mercado da Light hoje é de R$ 4,2 bi ou pouco mais de R$ 20,00 por ação.

A parte que vai “sair” da EQTL3 corresponde a 13,03% da Light ou R$ 547 milhões. Se dividirmos esse valor pela quantidade de ações da EQTL (108 milhões) teríamos algo como R$ 5,04.

Uma conta trivial indicaria que o preço da EQTL ficaria em R$ 11,56 (16,60 – 5,04). Não será isso, pois há regras mais complexas para calcular o preço, mas basta para termos uma idéia.

Considerando que o principal ativo que vai ficar na EQTL (a CEMAR) teve um lucro de R$ 1,21, que poderia chegar a R$ 1,50 sem os efeitos do REFIS, o P/L da EQTL continuaria baixo, com base nos lucros de 2009 (entre 7,7 e 9,6).

O preço que a CEMIG concordou em pagar pela Redentor.

Não há qualquer explicação qualitativa sobre os motivos da venda da Light através dessa nova empresa.

É possível, entretanto, que os controladores da EQTL prefiram vender a participação que a empresa tem na Light FORA da EQTL, para que possam receber diretamente a sua parte.

Se vendessem DENTRO da EQTL teriam que colocar o dinheiro no caixa da companhia e seria necessário distribuir esses valores como parte do lucro da Equatorial.

Na Redentor eles seriam donos de 55% (mesma proporção que têm na EQTL) e os 45% restantes estariam na mão do mercado.

Poderiam vender diretamente à CEMIG a parte deles, sem ter que transitar pelo caixa da EQTL.

Há um acordo de que a CEMIG pagará R$ 785 milhões pela participação, isso representa quase 50% mais do que o valor atual da light. Equivale a mais de R$ 30 por ação da light.

A EQTL pediu registro da Redentor no novo mercado no último dia 29/06.

http://www.mzweb.com.br/equatorial/web/arquivos/Comunicado%20Pedido%20Listagem%20Redentor.pdf

A impressão que se tem, pelos fatos relevantes, é que a CEMIG vai pagar R$ 785 milhões por 13,03% da Light, sendo que o valor de mercado dessa participação seria, hoje, de R$ 547 milhões (43% de prêmio). Não está claro, preto no branco, que TODOS terão direito a esse prêmio, mas é o que parece.

Vejam o que está no site da companhia:

Em novembro de 2009, a RME, holding controladora da Light S.A., foi cindida em 3 partes, sendo que parte das ações da Light pertencentes à RME foram transferidas à CEMIG, Andrade Gutierrez e Luce Empreendimentos e Participações. A Equatorial permaneceu como única acionista da RME, cuja participação em Light passou a ser de 13,03%.

Em dezembro de 2009, a Equatorial anunciou que seu controlador, FIP PCP, celebrou Contrato de Compra e Venda de Ações com a CEMIG, visando alienar sua participação indireta na Light. Como parte da operação, a Equatorial passou por uma cisão na qual sua participação na RME foi cindida para uma nova companhia Redentor Energia S.A., que será listada no Novo Mercado da Bovespa. A Equatorial permanecerá com suas participações em CEMAR, Geranorte e Equatorial Soluções. No processo de cisão, cada acionista da Equatorial recebeu 1 ação da Redentor Energia para cada 1 ação de Equatorial que detiver.

Uma vez listada na Bovespa, o FIP PCP alienará sua participação na Redentor Energia para uma sociedade da qual a CEMIG participe em, no mínimo, 20%. Posteriormente, uma Oferta Pública deverá ser feita para aquisição da participação dos minoritários da Redentor Energia. A participação da Redentor Energia em Light foi avaliada em R$785 milhões em dezembro de 2009.

Mesmo que isso ocorra, NÃO É GARANTIA de ganho no processo inteiro, pois o preço da companhia restante (EQTL só com CEMAR e Geranorte) será definido pelo mercado e pode cair.

Como a equatorial é uma companhia de energia elétrica, um dos setores menos voláteis da bolsa, e tem resultados operacionais crescentes, é improvável que haja uma forte queda no preços dos ativos remanescentes (EQTL3 sem a parte da light).

Parece um bom negócio, mas só para quem quer TER NA CARTEIRA Equatorial.

Os R$ 785 milhões + CDI já estão em R$ 806 milhões. Divididos pelas 108 milhões de ações a EQTL daria algo como R$ 7,43 por ação.

Ao preço de hoje (R$ 16,60), as ações remanescentes poderiam valer até R$ 9,17 para que não houvesse perdas (caso TODOS os acionistas da Redentor recebam os R$ 7,43).

Isso deixaria o P/L da equatorial entre 6,11 e 7,57. Um múltiplo bem confortável em relação aos seus pares privados, que partem de 8,5 a 9,0 de P/L.

Como o grupo controlador é extremamente agressivo (FIP PCP, fundo formado por ex-sócios do Pactual), acredito que estes entendem estar fazendo um bom negócio.

Fiquemos atentos, pois isso deve ser resolvido nos próximos 60 dias.

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  • Disclaimer

    Este blog é um ambiente privado para expor opiniões, estudos, reflexões e comentários sobre assuntos ligados a finanças, bolsa de valores, economia, política, música, humor e outros temas.

    Seus objetivos são educacionais ou recreativos, não configurando sob nenhuma hipótese recomendação de investimento.

    O investidor consciente deve tomar decisões com base em suas próprias crenças e premissas. Tudo que lê ou ouve pode ser levado em consideração, mas a decisão de investimento é sempre pessoal. Tanto na escolha de ações para carteira própria, quanto na escolha de gestores profissionais para terceirização da gestão.

    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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