Administração

Temer Fica para a Economia Melhorar? Vocês entenderam tudo errado!

Posted on 19/05/2017. Filed under: Administração, Finanças, Política |

Quem pensa assim não faz ideia da REAL origem de nossa crise econômica. É muito diferente do que as pessoas pensam.

Falta de dinheiro público é só uma parte da explicação

É inegável, basta ver as contas do governo, a carga tributária e a relação dívida/PIB para constatar que o estado Brasileiro está em vias de falir. Falir mesmo, não aquelas bobagens que o PT dizia de FHC, que quebrou o Brasil 3 vezes. Nada disso, agora a coisa é real.

A expectativa do Itaú e de outros bancos é que, sem a reforma da previdência, chegaremos em 2 anos à fatídica relação dívida/PIB de 100%. Com juros ainda altíssimos. Isso é absolutamente insustentável.

Como o Brasileiro sente essa crise orçamentária?

Os governos do PT distribuíram alguns trilhões de reais na economia, seja com repasses diretos ou crédito subsidiado, tudo obtido a base de endividamento da União e das empresas públicas. Esse dinheiro na economia deu a (falsa) impressão de riqueza e prosperidade. Soldadores com salário de R$ 10.000 e operadores de guindaste ganhando mais que analistas do Banco Central foram apenas reflexo dessa exuberância de dinheiro público na economia.

Ocorre que essa fonte secou. Não só momentaneamente, mas para sempre. O único “motor” que os políticos brasileiros conhecem para mover a economia é o gasto público. Não temos mais acesso a isso. E teremos menos ainda no futuro.

MESMO com as reformas, a previsão é de orçamento cada vez mais apertado e a trajetória da dívida continuará explosiva, apenas ganhará uma sobrevida de alguns anos.

Em resumo, o Batman de outrora (dinheiro público na veia) não pode ser mais chamado. Está aposentado por invalidez permanente.

Quem poderá nos salvar?

Agora vem a REAL explicação do tamanho de nosso buraco econômico.

Dado que não há, e não haverá, excedentes de orçamento público para investimento, precisaremos contar com os excedentes de poupança privada. Mas é claro que isso NÃO EXISTE no Brasil. Nossa poupança privada nacional é pífia.

Mesmo durante o boom de aberturas de capital entre 2005 e 2008, mais de 80% do dinheiro era estrangeiro.

No exterior há vários trilhões de dólares investidos em títulos que rendem juro negativo, mas mesmo assim o Brasil não passa nem perto de ser um potencial destino para esse dinheiro. Preferem ter perda certa e pequena lá fora, do que se aventurar em terra brasilis.

Por quê?

Não amigo, não é pela crise política, não é pelo Foro de São Paulo, não é pela narrativa do golpe, não é nada disso. É por um motivo bem mais simples.

Existe um cerco violentíssimo contra a corrupção e a lavagem de dinheiro no mundo, há acordos de compartilhamento de informações entre bancos centrais e departamentos de justiça de vários países. Mesmo os paraísos fiscais mais relutantes, como o Panamá por exemplo, estão aos poucos cedendo à pressão internacional.

O que explodiu o sistema criminoso não foi o juiz Moro, ele foi uma parte apenas. O que foi definitivo para ruir o sistema foi o auditor da Petrobras ter se negado a assinar o balanço do terceiro trimestre de 2014.

O castelo de cartas da corrupção ruiu por medo dos fornecedores de serviços da Petrobras de sofrerem processos bilionários nos EUA e em seus países de origem. E foi exatamente o que aconteceu, e acontece até hoje.

Pouca gente acompanha os efeitos da lava-jato nos fornecedores estrangeiros da Petrobras, mas praticamente todos os envolvidos estão sendo (ou foram) processados em seus países de origem e até nos EUA, com pagamento de multas bilionárias e prejuízos gigantes. Prejuízos muito maiores do que os ganhos que tiveram por aqui.

E a tendência, a partir desses acordos internacionais anticorrupção e lavagem de dinheiro, é restringir ainda mais os recursos para países em que a corrupção é um método corriqueiro de fazer negócio.

A própria JBS, para conseguir se manter nos EUA, terá que fazer um acordo de leniência com as autoridades locais, com multas bilionárias e sanções pesadíssimas. Eles sabem disse e já iniciaram as conversas por lá.

E foram várias empresas brasileiras buscando acordos com o Departamento de Justiça dos EUA (e aqui também). Braskem, Embraer, Eletrobrás, Odebrecht, OAS etc., se enrolando com a justiça americana e brasileira.

Até pouco tempo atrás o risco moral e financeiro de participar de um sistema corrupto como o brasileiro era relativamente baixo. Não tínhamos notícias, até 2014, de empresas brasileiras processadas nos EUA e na Europa, fazendo acordos milionários (às vezes bilionários) para se livrar de sanções penais e administrativas no exterior.

E isso não é exclusividade do Brasil, os EUA penalizaram severamente bancos europeus envolvidos na crise de 2008, isso inclusive foi um dos motivos para o surgimento desse novo modelo de governança. Risco é custo e o risco da corrupção ficou altíssimo nos últimos 10 anos.

Esse movimento NÃO TEM VOLTA.

Se o Brasil quiser voltar a ser destino de pesados investimentos estrangeiros, e dinheiro há aos montes, além de ótimos projetos a realizar por aqui, precisará convencer as empresas e os investidores de que é possível fazer negócio por aqui sem o risco moral e econômico de fazer parte de uma teia criminosa.

Acreditem, é tão simplório quanto isso. Relação risco e retorno, tanto moral quanto econômica.

Para quem não sabe, a lei norte-americana (Foreign Corrupt Practices Act) permite responsabilização criminal e cível de qualquer ato de corrupção de qualquer empresa que tenha interesses nos EUA, seja ela americana ou não, esteja ela atuando nos EUA ou não. É uma lei criada para garantir a entrada de empresas norte-americanas em países altamente corruptos, onde essa prática destrói o ambiente competitivo. Outro objetivo é proteger investimentos de cidadãos americanos fora de seu país.

Lula ODEIA essa lei e já externou isso. É essa lei, que tem derivações em outros países, que assombra empresas que operam em países como Brasil e Venezuela. Lula acha que é uma invasão de soberania, mas na verdade o que ele quer é que o “jeitinho corrupto brasileiro” continue.

Antes da cooperação internacional o custo de pagar propina no metrô de SP ou na Sete Brasil era aceitável para esses operadores, hoje o custo é muitíssimas vezes maior do que qualquer lucro que se pode conseguir extrair desses contratos. Não vale a pena correr o risco.

É essa equação que explica nossa crise econômica, atual e futura: Falta estrutural e crescente de dinheiro público, falta de ambiente saudável e leal para investimentos privados e uma guerra entre os organismos da justiça e as várias organizações criminosas infiltradas em todas as instâncias de poder do país.

Independente das narrativas de esquerda e direita, dos Reinaldos Azevedos da vida e das viúvas de Dilma, o áudio e o comportamento de Temer, para qualquer investidor estrangeiro, é crime e demonstra que temos um mafioso sentado na cadeira de presidente. É um homem a serviço da proteção do mesmo sistema corrupto que destruiu reputações, empresas, empregos e fortunas, mas que insiste em se manter de pé no país.

E assim não tem negócio. Antigamente valia correr o risco de pagar o custo Brasil, no que se refere à corrupção, hoje não vale mais a pena investir bilhões e correr o risco de ser processado em seu país, multado em outros bilhões e, pior, ainda perder o dinheiro investido por aqui. O risco não se paga.

Há coisas sobre a qual ter dúvida é uma ingenuidade à qual não posso ceder.

Não tenho dúvidas de que Temer é apenas mais um proposto da organização criminosa que assola o país há décadas. Isso é muito claro para todos os operadores, em todos os países. A eventual vitória de Temer, mantendo-se na presidência e implantando as reformas parecerá uma vitória do Brasil, mas é só o caminho mais óbvio de fortalecimento da máfia. Acabamos de ver isso acontecer com Lula e a “Carta aos Brasileiros”. Seguir a cartilha do FMI e da austeridade, manter as regras do Plano Real foram só instrumentos para se perpetuar no poder, com volumes de propina inimagináveis. Era virtude de um lado, lamaçal de outro. Deu no que deu.

Se Temer vencer, sair ileso, e aprovar as reformas (o que considero praticamente impossível), será um vitória de Pirro para o Brasil. Venceremos da mesma forma de sempre, com a corrupção como método e a cara de pau como script.

Não torça por Temer, ele é exatamente a mesma coisa que Dilma e Lula, só mais envernizado.

A única saída duradoura para o Brasil é pela virtude. Não sei se vamos conseguir, mas certamente não será com Temer, Lula, Aécio ou adjacências.

Ps. Antes dos áudios talvez pairasse dúvidas sobre quem é Temer, eu mesmo lhe dava o benefício da dúvida. Mas depois não há mais NENHUMA dúvida. Por mais que se queira defender as reformas, é evidente que Temer é um inimigo da Lava-jato e agirá assim nas oportunidades que tiver. Lamento pelo Brasil, mas temos que tocar as reformas com outro personagem. Espero que seja rápido.

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Bolha Imobiliária – Arrecadação de ITBI no Rio de Janeiro em 2017 cairá a níveis de 2011.

Posted on 13/05/2017. Filed under: Administração, Finanças, Política | Tags: |

É um título forte, mas essa é uma previsão até otimista a respeito da arrecadação do ITBI na cidade do Rio de Janeiro para o ano de 2017.

A prefeitura, a partir da arrecadação de R$ 625 milhões em 2016 está prevendo para 2017 R$ 645 milhões. Ocorre que, até 13 de maio, havia atingido apenas R$ 166 milhões. Considerando a sazonalidade histórica (obtida dos dados mensais de ITBI), com forte concentração em novembro e dezembro, dá para estimar, se o mercado continuar com o mesmo apetite, que atingirá cerca de R$ 598 milhões, bem próximo da arrecadação de 2011 (ver tabela abaixo)

Aliás, a última vez em que os quatro primeiros meses  de arrecadação do ITBI estiveram na faixa de R$ 160 milhões foi em 2011 mesmo (R$ 165 milhões).

Vale lembrar que tanto o passado quanto o horizonte visível em 2011 eram infinitamente melhores do que em 2017. Vínhamos de um PIB crescendo 7,5% em 2010, e os juros atingiriam, em alguns meses, 7,25%. Além disso, atingiríamos em breve o pleno emprego e a expectativa do trabalhador e do mercado era a melhor possível. 2017 não se parece com 2011.

E pior, 2018 ainda é ano de eleição. Ano em que políticos são especialmente incompetentes e irresponsáveis. Não surpreenderia se o final de 2017 fosse (bem) pior que o final de 2011.

Isso tudo em valores nominais. Sem desconto da inflação.

Se descontarmos o INCC (inflação dos custos da construção civil) de um período iniciado em 2008, por exemplo, o valor previsto para a arrecadação do ITBI nesse ano será equivalente em termos reais ao de 2008.

Ano 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017P
ITBI R$ mi 344  388  494  589  744  786  737  667  625 598
INCC 3,20% 7,57% 7,58% 7,26% 8,07% 6,74% 7,22% 6,34% 1,10%
INCC Acumul 3,20% 11,01% 19,43% 28,10% 38,44% 47,77% 58,43% 68,47% 70,33%
Atualizado  344  376  445  493  581  568  499  421  371  351

Falta de dados…

Infelizmente a prefeitura poderia, com facilidade, pois são informações parametrizadas, prover dados robustos sobre as vendas de imóveis na cidade. Seria facílimo, por exemplo, nos fornecer o número de imóveis negociados, a metragem acumulada, as regiões da cidade etc. Saberíamos praticamente tudo do mercado de imóveis em nossa cidade. Mas não há onde achar essas informações.

Nos EUA quando você vai comprar um imóvel, consegue todo o histórico das últimas negociações do mesmo. Está na internet. Aqui no Brasil, tem que pagar um cartório para tirar uma certidão de ônus reais. Custo Brasil, mais motivos para nossa pobreza.

Voltando à bolha, o que sabemos é que os imóveis subiram, entre 2008 e 2017, muito mais do que o INCC acumulado. Quando trazemos a valor presente (para o final de 2008) a arrecadação prevista, e otimista, de 2017, há equilíbrio com a arrecadação de 2008. Porém, é razoável crer que os imóveis tenham subido, pelo menos, 3 vezes mais do que o INCC (210%). Eu até arriscaria que subiram mais do que isso, talvez umas 4 ou 5 vezes.

É bastante plausível que, em quantidade vendida, tenhamos menos de metade do que se verificou no fraco ano de 2008. Talvez bem menos da metade. Não surpreenderia se, em quantidade, estivéssemos vendendo menos de 1/4 das unidades que vendíamos em 2008 e 2009. O balanço da Brasil Brokers mostra uma realidade até pior do que essa.

Conceituando bolha

Bolha nada mais é que a observação de preços excessivamente irreais em um grupo de ativos. Mas nem sempre a bolha “estoura” como poderíamos esperar. O que estamos vendo, com certa clareza, é que os imóveis continuam com valores bem superiores à renda do mercado interessado, fenômeno que expliquei no início de 2014, motivo pelo qual há menos negócios, bem menos negócios, acontecendo.

Aliás, as incorporadoras não ajudam no processo de aquecer o mercado. Um dos mais importantes drives para compra de um imóvel e ter vendido outro. É bem mais comum alguém dar uma entrada de R$ 700 mil porque vendeu um imóvel por R$ 600 mil, do que alguém pegar R$ 700 mil da poupança privada que fez ao longo de anos e se descapitalizar para imobilizar esse dinheiro.

Como as incorporadoras pedem R$ 15 a 20 mil no metro quadrado, não resta opção ao interessado a não ser vender seu imóvel usado por R$ 12 a R$ 14 mil o metro quadrado.

E encalha, invariavelmente, encalha. Se o imóvel novo custasse R$ 12 mil (e existem alguns em botafogo e no jardim oceânico, mas também não estão vendendo) o metro quadrado, o interessado poderia baixar o seu para uma faixa bem mais acessível e dar liquidez no seu imóvel.

É um verdadeiro ciclo vicioso, de expectativas irreais e de muita perda econômica. Os balanços das construtoras não me deixam mentir.

O custo de oportunidade que ninguém entende.

É tolice esperar 2 anos para vender um imóvel por se recusar a dar 25% de desconto (em 2 anos você já poderia recuperar esse dinheiro com facilidade no mercado de renda fixa), mas é o que a maioria faz.

Não nota que 1 ano de espera representa 12% a 15% de custo de oportunidade jogado no lixo.

A continuar esse marasmo financeiro no Brasil, e não há muitos motivos para acreditar em recuperação firme antes de 2019, é provável que os preços reais dos imóveis (descontados pela inflação) em 2019 estejam em patamares próximos aos de 2010.

Vão continuar sendo pra lá de milhão, mas representando coisa semelhante ao preço de 2010.

Quais os sinais antecedentes de melhora?

Antes de aquecer o mercado imobiliário, será necessária uma melhora substancial em vários fatores. No emprego e na renda é algo básico e evidente. Mas também os bancos precisam repassar as quedas nos juros da SELIC para essas linhas de financiamento. Ainda não está acontecendo e, mesmo que a SELIC chegue a 1 dígito, rapidamente, não há garantias de transferência das quedas para o consumidor.

Aqui no RJ a coisa do emprego é mais delicada. A estimativa do ex-presidente, de 600 milhões de desempregados no setor de óleo e gás, é um pouco exagerada. Algo como 300 mil BONS empregos desapareceram aqui no RJ. Um pouco menos que os 600 milhões, mas ainda assim um péssimo número.

Há a questão dos servidores, tanto estaduais quanto municipais (se Crivella não estiver blefando, o dinheiro vai até setembro). Há o estoque boçal de imóveis na Zona Oeste, em especial Jacarepaguá e o Lado B da Avenida das Américas. O estoque do consórcio Carvalho Hoskem – Odebrecht na vila Olímpica é indecente. E olha que os imóveis da Vila do Pan AINDA não foram todos vendidos. O Pan foi em 2007.

That´s it Folks. Há o caminho do giro, que significa adaptar-se ao mercado, há o caminho da margem, que significa esperar o mercado se adaptar a você.

Por enquanto o mercado do Rio de Janeiro é um non sense só. É péssimo para ambos os lados, para compradores e vendedores. Não há non sense maior do que um mercado ruim tanto para vendedores quanto para compradores. Ou há um ajuste nas percepções e expectativas, ou vamos continuar fazendo cada vez menos negócios, como bem mostram os números.

Estamos no fundo do poço?

Naturalmente o poço tem fundo, mas não me arrisco a dizer que já chegamos a ele. Se fosse obrigado a apostar, apostaria em 2018 como fundo do poço, caso a reforma da previdência passe e elejamos um ser humano racional e menos comprometido com o lastro de falcatruas dos últimos 517 anos.

Mas se a Reforma da Previdência não passar, o que NÃO É IMPOSSÍVEL, aí o fundo do poço vai se movimentar bastante. Alegremente e serelepe para baixo.

E se ainda por cima elegermos um “cerumano” irracional, que chuta 600 milhões de desempregados sem perceber a bobagem que fala, por exemplo, aí o fundo do poço será como o tempo na física quântica. Teremos que remodelar o conceito para compreendê-lo. Vai ser bem feio. Recomendo estoques significativos de Rivotril, dólar e latinhas de atum.

Parece pessimismo, mas é só o caminho de sempre aqui em Vera Cruz.

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Reforma da Previdência – Parte 1: há déficit?

Posted on 15/03/2017. Filed under: Administração, Filosofia, Matemática, Política | Tags:, , , , , |

Iniciamos nossa série sobre a Reforma da Previdência com o principal motor dos debates, se a previdência está quebrada ou não.

Os que argumentam que não está partem do pressuposto que o dinheiro da previdência vem de uma arrecadação mais ampla, e não apenas com a contribuição do empregado e do patrão ao RGPS ou RPPS (regimes geral e próprio da previdência social), que serve a outros propósitos sociais e que bastaria uma redistribuição para arcar com as aposentadorias e pensões.

Outros ainda afirmam que o dinheiro arrecadado com esse propósito é “desviado” para outras finalidades pela desvinculação das receitas da união.

Um último grupo associa a falta de dinheiro com má gestão do governo, dívidas de contribuintes inadimplentes, pagamento de juros da dívida pública e corrupção.

Há déficit?

Não é necessário apelar às filigranas orçamentárias para convencer as pessoas de que há déficit. Basta que qualquer brasileiro se pergunte:

  • Pago pouco imposto? Dá para pagar mais?
  • Os serviços públicos que recebo em troca são bons?

Exceto por grupos privilegiadíssimos, qualquer brasileiro responderia que paga impostos demais e recebe serviços de menos. Aliás, o Brasil é lanterna nos rankings internacionais de retorno com pagamento de impostos.

A impressão é meio óbvia, o governo arrecada muito e oferece pouco. As aposentadorias são insuficientes (no RGPS), o sistema de saúde é sofrível, a segurança é nula e ninguém confia na educação pública para formar bem seu filho (salvo raríssimas exceções).

Pois é. Retorno à pergunta: há déficit?

Vou deixar dois artigos, para quem quiser ler em detalhes os números que apresentarei.

Artigo 1.

Artigo 2.

O buraco que todo mundo vê.

Pouca gente sabe, mas o tal “superávit primário” que o governo busca NÃO é superávit de verdade (nominal). Não leva em consideração o pagamento de juros. Na verdade, os governos, desde 1994 pelo menos, NUNCA tiveram superávit nominal. Rodamos no vermelho sempre.

E a conta desse buraco se reflete no aumento da dívida pública.

A dívida pública, que todos demonizam, serviu para pagar o que faltava no orçamento. Quem empresta dinheiro ao governo, não é vilão, é só alguém que quer poupar e encontra um ente descontrolado, ávido por dinheiro para fechar suas contas. O vilão nessa história é outro.

Veja o governo do RJ, por exemplo. Pela lei de responsabilidade fiscal não pode se endividar sem aval do Tesouro Nacional. O que está acontecendo? Não paga ninguém. O funcionalismo está com salários atrasados 1 ou 2 meses, mas tem fornecedor que não vê a cor do dinheiro há 2 anos. E talvez nunca veja. E o Estado não paga porque não pode se endividar e, mesmo que pudesse, não encontraria quem quisesse lhe emprestar dinheiro, pois o risco é altíssimo.

Antes de demonizar a “dívida pública”, procure imaginar como seria rodar no vermelho e NÃO poder se endividar. Se tiver dificuldade de imaginar, olhe para o Rio de Janeiro.

Demonizar aquele que empresta e perdoar aquele que gasta em excesso é o caminho do calote, da insensatez financeira, e, claro, da miséria. Imagine o Brasil inteiro nas condições do Rio de Janeiro? Sem dinheiro, com déficit e sem ter a quem recorrer para captar recursos (se endividar)? Infelizmente isso NÃO é impossível de acontecer.

Há déficit nas contas públicas. Em TODAS. Aliás, na verdade NUNCA houve foi superávit.

Você pensa: Ah, mas esse déficit não é da previdência. Correto, não é mesmo, mas isso importa? Se falta para saúde, educação, assistência básica, segurança etc., também falta (e faltará mais ainda) para pagamento de aposentadorias decentes.

O numerário do caos.

Em 1995 o governo pagou R$ 17,9 bilhões em juros da dívida pública, teve um déficit nominal (já incluído o pagamento de juros) de R$ 14 bilhões, cerca de 2% do PIB. A dívida pública em R$ era R$ 61 bilhões e de US$ 106 bi, totalizando cerca de R$ 150 bi (o dólar era barato em 1995).

Em 2016 atingimos números catastróficos. Pagamos R$ 407 bilhões de juros nominais (conta própria do TN), somados a um déficit primário (tínhamos superávit primário até 2013!!!) de R$ 155 bilhões, conseguimos a proeza de “arrombar” o cofre público (dinheiro nosso) em mais de R$ 560 bilhões, coisa de 9% do PIB. A dívida pública bruta atingiu impressionantes R$ 4,37 trilhões, quase 70% do PIB.

Repito a pergunta: Há déficit?

Aliás, modifico a pergunta:

Cara, você realmente acha que não há déficit? 

As discussões sobre filigranas orçamentárias são mesmo relevantes? Os números que são públicos, e com os quais todos concordam, já não são aterrorizantes?

Saímos de R$ 18 bilhões de juros nominais pagos em 1995 para R$ 407 bilhões em 2016, coisa de 16% ao ano de alta.

Saímos de uma dívida bruta de R$ 150 bilhões para R$ 4,37 trilhões, alta de 17,5% ao ano.

Saímos de um déficit nominal de R$ 14 bilhões em 1995 para impressionantes R$ 560 bi em 2016.

Parece sustentável isso? Basta dar uma “ajeitada” nos números, tirar um pouquinho daqui e dali para pagar as aposentadorias?

Qual é a vantagem de acreditar que não há déficit? Qual o conforto disso?

Se você não se assustou com os dados atuais, provavelmente não faz ideia do que está acontecendo com o país. Não é nem questão de perguntar se há déficit, mas de como vamos parar essa sangria antes do colapso total das contas públicas.

O buraco atual é claro, evidente e inequívoco. Quem está lutando para “provar” que não há déficit, provavelmente tem interesses corporativistas (alguns funcionários públicos insensíveis ao desequilíbrio e que querem manter o status quo), ideológicos (acefalia matemática pura e simples) ou políticos (querem se reeleger dando esperanças vãs às pessoas).

O presente é desastroso, mas e o futuro, como será?

Reverteremos esse déficit, sobrará dinheiro para pagar as aposentadorias e serviços públicos?

Os otimistas acham que vamos parar de piorar e voltar a ter superávit primário em 2020, ou seja, esse buraco, na melhor das hipóteses, vai piorar as contas públicas, dívida etc., por mais três ou quatro anos.

Mas esses são os otimistas.

Sem forte disciplina fiscal atingiremos uma dívida bruta de mais de 80% do PIB já em 2018. A continuar a gastança, o céu é o limite. Aliás, o inferno do Rio de Janeiro é o limite.

gasto com previdência saiu de 3,4% do PIB em 1988 para 11,2% em 2016. Parece sustentável? Vai aumentar ou não?

Por que o brasileiro acha confortável acreditar que o dinheiro público é infinito, se é ele próprio que paga?

We are not getting any younger…

Nem os defensores de que a previdência está nadando em dinheiro se atrevem a dizer que o futuro será melhor do que passado ou o presente.

Haverá mais aposentados em 2030 e menos trabalhadores na ativa. E em 2040. E em 2050.

É longe? Quem tem 48 anos deveria se preocupar com 2030, pois estará aposentado até lá. Assim como quem tem 38 anos, ou 28 anos.

Nossa juventude tem demonstrado ser trabalhadora, devotada e dedicada ao trabalho e estudo, ou está cada vez mais perdida no hedonismo, nas facilidades da era digital e na superproteção parental e estatal?

Eu, com 30 anos de estudo, mestrado e pós-graduações, vários livros escritos, várias atividades remuneradas e tributadas, estou pagando a aposentadoria dos brasileiros já aposentados e prestes a se aposentar.

Mas quem vai pagar a minha está sendo instruído nas escolas públicas e privadas a fugir do empreendedorismo e odiar o capitalismo, a fugir dos objetivos “pequeno-burgueses” de estudar, ganhar dinheiro, empreender e vencer.

E mesmo quem está começando a vida profissional de forma centrada e focada, nem sonha em usar o regime da previdência social para se aposentar.

É isso mesmo que você leu. Jovens bem formados, em sua maioria, estão mandando uma banana para o sistema previdenciário público, já entenderam que desse mato não sai cachorro. Quem tem 25 a 35 anos hoje, e está bem empregado, tem certeza absoluta que não poderá contar com a previdência pública. E isso TAMBÉM é uma realidade no serviço público, federal ao menos. A garotada que vai produzir os excedentes para as futuras aposentadorias, se pudesse, guardaria o dinheiro para si.

Eles não são “maus”, apenas não são tolos.

A pergunta fica ainda mais assustadora: haverá déficit no futuro?

Bom, os artigos apresentados utilizam números reais do Tesouro e do BACEN, não são reportagens de jornal ou luta política. Quem quiser se aprofundar pode lê-los, pois não pretendo “provar” que há déficit. É matéria de crença e de decisão, não de prova. Quem acredita no que é altamente provável e verossímil, consegue decidir se proteger.

Qualquer brasileiro com mais de 30 anos é capaz de entender que está assolado por impostos, não é à toa que pagamos 2 a 3 vezes mais caro por carros, eletrônicos, remédios e até comida do que um norte-americano médio ou até do que um português ou italiano.

É capaz de entender que não recebe NADA em troca. Ou melhor, recebe 60.000 homicídios, recebe filas de 5 anos para um exame simples, recebe descaso, recebe tapas na cara com privilégios INJUSTIFICADOS a alguns membros da casta do funcionalismo e da política, recebe, enfim, muito pouco para nossa pesada estrutura tributária.

Qualquer um pode ver que há desequilíbrio generalizado nas contas públicas, não faz sentido achar que está tudo péssimo no orçamento, mas tudo ótimo na parte que paga minha aposentadoria. Isso é uma negação que pode custar o futuro de muita gente.

Na verdade, o artigo não responde, mas devolve a pergunta: há déficit?

Você leitor, precisa escolher em que acreditar. Na avalanche de números catastróficos ou no terninho dos desembargadores e auditores fiscais sindicalizados, cuja aposentadoria DEPENDE que você continua quietinho. Mas pagando.

Nessa primeira parte tratamos apenas do déficit. Em outros artigos trataremos de assuntos delicados como a demonização INJUSTIFICADA do fator previdenciário, a injustiça e o desequilíbrio com o pessoal do RGPS, o erro de confundir expectativa de vida ao nascer com idade mínima de aposentadoria, a questão atuarial e, principalmente, debater o que efetivamente ocorre com pessoas vulneráveis, com pouca instrução e empregabilidade. Dá para falar em idade mínima de 65 anos para eles?

Façamos um concurso de direitos adquiridos: o que pesaria mais?

Cada um crê no que lhe é conveniente. O que me é conveniente é acreditar que vou ter que me cuidar à parte da previdência pública, pois é bastante provável que esta tenha pouco dinheiro para distribuir no futuro. Além disso sou sensível para entender que, em havendo pouco dinheiro, será necessário prevalecer o direito do mais vulnerável ou necessitado. Ambos teremos “direitos adquiridos”, mas seria insensível demais esmagar os miseráveis para manter pensões e aposentadorias recheadas para poucos.

Por isso apelo a quem ganha bem, por favor, não se passe por HIPOSSUFICIENTE! Garanta-se por contra própria, há muitos vulneráveis no Brasil para que precisemos ajudar a quem ganha bem, tem estudo, instrução e amparo. 

Mas se você não quiser acreditar em nada disso e pensar que está tudo bem e que, ao final, tudo vai se acertar, pois o Brás é tesoureiro, ok.

It´s only your future.

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O mercado de imóveis comerciais no Rio de Janeiro. Um horror anunciado. PDG, CHL e a exuberância irracional de quem paga muito caro.

Posted on 06/03/2017. Filed under: Administração, Finanças, Política | Tags:, , , , , , , |

O Edifício Galeria EDGA11B é um retrofit de classe A num lugar privilegiado do centro do RJ, Rua da Quitanda 86. O empreendimento é de um fundo de investimento imobiliário (EDGA11B).

O fundo foi lançado em 2012 a R$ 380 milhões, com 24.400 metros quadrados de área locável. Hoje está valendo pouco mais de R$ 200 milhões.

É isso mesmo, algo como R$ 8.900 o metro quadrado para um imóvel classe A, no coração do centro do RJ. E tem gente comprando imóvel comercial no Leblon (na planta) por R$ 44.000 o metro quadrado. Cada um escolhe a lixeira em que quer jogar seu dinheiro.

Voltando à catástrofe particular desse fundo.

O administrador evita divulgar o nome dos inquilinos em atraso, mas há dívidas de mais de R$ 8 milhões com inadimplentes. Como a Secretaria de Cultura do Estado do RJ está lá, é provável que seja um dos inadimplentes.

Com a entrada em recuperação judicial da PDG, soubemos que sua subsidiária integral (CHL) também não vinha pagando aluguéis e despesas desde 05 de maio de 2016.

É isso mesmo, uma incorporadora que não paga o aluguel. Sensacional! É o personal trainer que vende a malhação, mas não malha…

Há 4 ações de cobrança e 1 de despejo em andamento.

O fundo chegou a valer, antes de o impeachment ser uma realidade plausível, R$ 140 milhões, o equivalente a cerca de R$ 6 mil o metro quadrado de escritórios TOP, Classe A.

Ainda assim, com toda essa catástrofe, o fundo paga o equivalente a 0,6% ao mês de aluguéis (os $$$ que entram, claro), isento de IR. Cerca de 2 a 3 vezes mais do que se ganha alugando por conta própria aqui no Rio de Janeiro (contando vacância, custos, IR etc.)

Mais um retrato do buraco imobiliário em que nos metemos.

Ps. aos que compram imóveis comerciais pagando R$ 25 mil, R$ 35 mil o metro quadrado fica o alerta. Finanças não têm muito espaço para tergiversações, se há aplicação de mesmo risco com rendimento 2, 3, 4 vezes maior, e você opta pela pior, estará agindo de forma irracional. PONTO. Além de perder rentabilidade muito maior com risco semelhante, você ainda ajuda a formar o preço irracional. O imóvel não “vale” X ou Y, você é que paga X ou Y, daí ele “vale” isso. A irracionalidade atrapalha o mercado. É o que estamos vendo no Brasil hoje. Em todas as áreas.

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Oportunidade! Apto de 92 mts por R$ 2,16 milhões, Laranjeiras, comunidade pacificada! PDG Vende!

Posted on 05/01/2017. Filed under: Administração, Finanças |

No mercado imobiliário brasileiro há coisas bizarras. E outras ainda mais bizarras. Após isso tudo, encontramos a PDG Realty.

Duas notícias sobre a PDG chamaram a atenção nos últimos 15 dias. No final de dezembro ela decidiu parar de pagar os juros de uma série de debêntures. Total das debêntures: R$ 206 milhões. Alguém está no preju brabo. No começo de 2017, a securitizadora que concentra os CRIs da PDG informou que a mesma não pagou cerca de R$ 300.000 devidos. Vai convocar assembleia para decidir o que fazer.

Nada disso é bom.

Mas não adianta espernear, pois é meio evidente que ela não paga porque não pode.

Uma breve incursão em seus resultados nos mostra números impressionantes.

No terceiro trimestre de 2016 ela teve receita NEGATIVA. Isso mesmo, teve mais devoluções do que vendas.

O patrimônio líquido é NEGATIVO (R$ 838 milhões). Isso mesmo, ela tem mais dívidas do que ativos. E olha que os ativos… estão por um preço pra lá de irreal.

Estoques de R$ 3 bilhões. Contas a receber de R$ 3,4 bilhões. Essa parte seria ótima, se os imóveis realmente fossem vendidos e, principalmente, se esse “contas a receber” não tivesse sendo revertido, pois as pessoas DEVOLVEM os imóveis, portanto a empresa não teria mais o que receber.

Só entre o segundo e o terceiro trimestres de 2016 a queda no “contas a receber” foi de R$ 1,2 bilhão. E obviamente não foi porque os clientes pagaram, provavelmente foi porque devolveram e não devem mais. É um número que impressiona.

Bolha imobiliária? Bobagem, é só momento.

Alguns leitores não gostam quando escrevo sobre bolha imobiliária. Pois não deveriam, eu sou amigo da matemática, portanto sou amigo de vocês. Escrevo sobre isso há muito tempo. Quem acompanhou e acreditou, certamente tomou decisões corretas.

Em 2010 fiz as contas para mostrar que não havia evidência de bolha imobiliária. Quem viveu aquele tempo sabe que entre 2007 e 2010 os imóveis quase triplicaram, dando impressão de bolha, mas a matemática não mostrava isso. Vale a pena reler:

https://blogdoportinho.wordpress.com/2010/10/05/bolha-imobiliaria-o-que-a-matematica-tem-a-dizer-sobre-isso/

No final de 2012 escrevi procurando demonstrar que o valor dos imóveis, aqui no Rio de Janeiro, tinha atingido um limite quase inviável para as famílias da região. A bolha estava a todo vapor.

Usei a matemática apenas para demonstrar que pessoas de renda muito acima da média não conseguiriam comprar aptos de nível razoável e isso significava um mercado irracional. Vale a pena reler:

https://blogdoportinho.wordpress.com/2012/11/30/bolha-imobiliaria-rio-de-janeiro-zona-sul-chegamos-ao-teto/

Em 2013 escrevi uma sugestão ao governo Dilma. Hoje não é mais necessário, mas ainda seria bem vinda.

https://blogdoportinho.wordpress.com/2013/01/03/bolha-imobiliaria-2013-sugestao-ao-governo-dilma/

No meio de 2013 o mercado de aluguéis de Ipanema e Leblon estava saturadíssimo. E o índice Fipe-Zap nem se dava conta do início estouro da bolha.

https://blogdoportinho.wordpress.com/2013/07/30/bolha-imobiliaria-no-rio-de-janeiro-o-inacreditavel-mercado-de-alugueis-em-ipanema-e-no-leblon/

Em meados de 2014, os preços NOMINAIS começavam a ceder.

https://blogdoportinho.wordpress.com/2014/05/23/imoveis-comprar-ou-alugar-eis-a-questao-e-a-bolha-imobiliaria-da-suas-caras-aqui-no-rj/

Em 2015-2016 a bolha estourou pesadamente nos fundos de investimento imobiliário.

https://blogdoportinho.wordpress.com/2016/02/29/a-bolha-imobiliaria-brasileira-ja-explodiu-mas-voce-ainda-nao-viu/

Hoje afirmo sem qualquer medo de errar que os preços efetivos de negociação estão no mesmo patamar (nominal) de 2012. E os aluguéis também, em alguns casos (de imóveis de luxo), estão bem mais baratos.

É pedagógico reler. Não mudaria uma vírgula das análises.

Voltando à PDG

O valor de mercado da PDG indica que os investidores já esperam um evento grave, como uma recuperação judicial, por exemplo. Ela vale R$ 70 milhões, uma empresa com R$ 3 bilhões de imóveis em estoque vale o mesmo que um apartamento no Cap Ferrat em Ipanema (de frente para a praia).

C’est bizarre.

Por que a PDG chegou a esse ponto?

Aqui vai uma crítica às incorporadoras, corretoras e outros agentes que julgavam que os preços dos imóveis seriam definidos apenas por suas planilhas otimistas e não guardavam relação com a renda das famílias.

O balanço das construtoras e incorporadoras está repleto de registro de sonhos. Sonhos dos vendedores e pesadelo dos compradores. Balanço patrimonial não é para isso, é para registrar realidade, valor justo. Quem diz isso é a contabilidade e o IFRS, não eu.

Esse é um mercado em que não dá para ser irracional, nem do lado da oferta, nem do lado da demanda.

Se você quiser vender uma coca-cola por R$ 10,00 para quem está com sede, ele vai pagar e te odiar por 10 minutos. Se você convencer uma família a se endividar por 30 anos, se descapitalizar para dar uma boa entrada, tudo isso num ambiente econômico hostil, para comprar um imóvel que você subiu o preço em 50% após o lançamento, ela não vai te odiar por 30 anos, ela vai te devolver em 30 meses.

E se não devolver para você, devolverá para o mercado (vendendo) ou para o banco (perdendo).

De uma forma ou de outra o preço do negócio TERIA QUE SER o de equilíbrio entre as possibilidades de longo prazo das famílias e a necessidade de curto e médio prazo da construtora, caso contrário acontece o que se vê hoje. Recordes de devolução, falta de negócios e preços irrazoáveis, disparatados em relação às possibilidades das famílias.

Os imóveis da PDG.

Quando olhamos os imóveis que estão no estoque da PDG dá para entender porque as coisas não deram certo.

Na lista dos imóveis que receberam “habite-se” em 2016 há um empreendimento que eles classificam como sendo de alta renda.

O condomínio Cenário Laranjeiras. São apartamentos a partir de 92 metros quadrados na Rua Pereira da Silva, que dá subida para o morro “Pereirão”, comunidade pacificada. O VGV médio registrado no balanço da PDG é de cerca de R$ 1,37 milhão. Mas o preço “pedido” de venda, pasmem, está a partir de R$ 2,16 milhões.

O que é isso?????

Qual é o modelo de negócios em que isso faz sentido? Qual é a expectativa de futuro promissor em que alguém se baseou para chegar a um disparate grosseiro desses? Quem compra um imóvel desses tem que ter renda familiar bruta superior a R$ 50.000 por mês, e dar uma entrada de pelo menos R$ 800.000, por que moraria em Laranjeiras, num apto de 92 metros quadrados, na subida do morro, pagando R$ 14.000 de prestação, se pode alugar um apartamento melhor, por R$ 5.000 colado na praia de Ipanema? Ou morar em outro na própria Pereira da Silva, de 120 metros quadrados, por R$ 3.200 o aluguel?

A lógica do proprietário pessoa física, da liberdade individual, de pedir o quanto quer, por mais bizarro que seja o preço, não é válida para uma empresa. Uma empresa, ainda mais com ações na bolsa, precisa ter responsabilidade para obter resultados.

Um senhorzinho do Leblon pode querer pedir R$ 30.000 por metro quadrado no apartamento velho dele, mas uma Companhia grande como a PDG, com centenas de profissionais experientes, deveria saber que realizar (vender) por um preço irracional nesse mercado seca a poupança das famílias e eleva os riscos de fluxo de caixa a níveis insustentáveis (vide as devoluções). Preço de imóvel TEM QUE SER RACIONAL.

O que temos hoje é um estoque completamente irreal, correndo o risco de ser usado para pagar credores numa recuperação judicial.

Quem acompanha o mercado do RJ sabe que só as barbadas têm sido vendidas. E mesmo assim há muitas barbadas encalhadas, pois não há comprador.

Comprador de imóvel caro é uma pessoa que está segura no emprego, tem credit score excelente, acesso às melhores linhas de financiamento e renda elevada e crescente. Nem funcionários públicos aqui no RJ estão nessa condição, menos ainda quem está na iniciativa privada.

Há imóveis em construção em Botafogo (Calper, Even etc.) em situação de barbada (para padrões de 2014-2015), menos de R$ 10.000 o metro quadrado. As construtoras estão fazendo uma blitz nos sinais da região há 4 meses. Nem isso garante a venda. Está difícil o mercado.

Esse imóvel na Pereira da Silva, se a PDG realmente quiser vender, pode pensar na faixa de R$ 8.500 o metro quadrado dos imóveis pequenos e não mais que R$ 7.500 nas plantas grandes.

E ainda assim, mesmo estando dentro das possibilidades de famílias de classe média alta, não acredito que haja compradores suficientes para receber o estoque (e honrar a compra).

Chegamos a um ponto inacreditável, em que mesmo grandes barbadas mofam no mercado, pois quase não há demanda firme. Como disse em um dos artigos (o da Dilma), os imóveis giravam muito bem por conta da MP do Bem, que praticamente exigia que você comprasse outro em até 180 dias (benefício fiscal fantástico). Cada imóvel vendido, era um imóvel comprado, ninguém embolsava o dinheiro.

Não tem ninguém vendendo caro o seu imóvel, não vai ter ninguém comprando caro. As simple as that (vale reler o artigo da sugestão que fiz à Dilma).

Lamentavelmente a culpa desse desequilíbrio, principalmente no Rio de Janeiro, é dos formadores profissionais de preço, como a PDG. Saiu da condição de ser a maior incorporadora das Américas (isso mesmo, EUA incluído), para ter valor de mercado menor do que o preço de uma cobertura na Vieira Souto.

Lamento pelos acionistas, pelos compradores, mas não lamento pela instituição. Quando se fala no “papel social” de uma Companhia, apenas se quer dizer que ela precisa ter responsabilidade para se perpetuar no mercado e continuar gerando valor.

E valor não é preço.

Entendeu agora, PDG?

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Por que o povo brasileiro tem se sentido cada vez mais pobre?

Posted on 19/09/2016. Filed under: Administração, Filosofia, Finanças, Política |

Por que o povo brasileiro tem se sentido cada vez mais pobre?

Quem ganha salário mínimo até conseguiu manter o poder de compra dos últimos 20 anos. Em 1997 1 salário mínimo comprava 1,26 cesta básica. Em 2016 compra mais, compra 2,02 cestas básicas.

Mas e o SEU salário?

O salário médio foi destroçado nos últimos 20 anos. Mesmo com todo o boom dos últimos anos, foi tudo ilusão.

Ilusão que passou e deixou R$ 4 trilhões de dívida para nossos filhos e netos pagarem.

Nesse vídeo mostro um pequeno resumo do achatamento salarial do brasileiro. E mostro onde erramos.

Triste é saber que tem gente que AINDA acredita no papo furado de político populista.

 

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O Canecão e o Socialismo. Uma história de fracasso.

Posted on 14/09/2016. Filed under: Administração, Filosofia, Finanças, Política | Tags:, , , |

Fui criado aqui na Zona Sul do Rio de Janeiro. Desde que me entendo por gente o Canecão era uma referência em shows e cultura por aqui.

Havia um embate entre o capitalista que explorava o local e a UFRJ, que durou anos. Enquanto a universidade não conseguiu tirar o empresário a casa funcionou a todo vapor, gerando emprego e renda para garçons, músicos, cantores, pessoal da limpeza, comerciantes locais, ambulantes etc.

Aí o pessoal do almoço grátis tomou conta. E o Canecão não gera mais riqueza, é só patrimônio público mal empregado depreciando e perdendo valor.

Em meados de 2016 parece que o pessoal do Ocupaminc resolveu “tomar” o Canecão para fazer uns shows gratuitos etc. aparentemente com forte conexão política, o Fora Temer corre solto.

Essa ocupação é bem divertida, pois mostra com clareza a inexistência do almoço grátis.

Eles alegam que os shows são “gratuitos”, mas esquecem que SEMPRE há financiamento.

Se a UFRJ cedeu o espaço, a luz, funcionários para a segurança e limpeza, se terceiros cederam os equipamentos, os técnicos e a iluminação, se músicos tocaram sem cachê, se a prefeitura não coletou impostos, se os direitos autorais não foram pagos etc. HOUVE CUSTO. Alguém arcou com isso tudo, mas na cabeça dos organizadores, tudo foi de graça.

É um sistema fadado ao fracasso, pois a motivação para a “doação” de uma extensa e cara infraestrutura depende de fatores alheios ao projeto, alheios ao evento. Se qualquer elo quebrar, não tem mais nada.

Na época do bom e velho capitalismo, toda essa estrutura era financiada por uma única motivação. Uma motivação GENUÍNA, o meu interesse de ver o show. Meu interesse de deixar de consumir outra coisa, o meu interesse em deixar de poupar para transferir essa riqueza para ESSE SISTEMA.

A ilusão do almoço grátis é um fardo para nosso país. Vejam o vídeo, explico claramente porque não há sucesso no socialismo. É coisa bem simples. Os interesses do socialista são bonitos, mas falsos.

Curioso é que o vídeo foi publicado pouco antes do Ocupaminc “retomar” o canecão… Viralizou no facebook, será que viram?

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Escola é mesmo lugar para ideologia? Cuidado com Leandro Karnal.

Posted on 13/09/2016. Filed under: Administração, Filosofia, Finanças, Política | Tags:, , , , , , , |

Escola é mesmo lugar de ideologia?

Karnal diz que é. E que sonha ver alunos debatendo Stuart Mill e Marx.

Há incontáveis evidências de que as ideias de John Stuart em economia influenciaram sistemas vitoriosos, empiricamente observáveis, duradouros, que enriquecem, que reduzem a escassez, que respeitam as liberdades individuais.

Quando Karnal pede para mantermos a “ideologia” na escola, é para que se discuta o marxismo que é, em essência, uma sucessão de fracassos econômicos e sociais, baseado num modelo de homem que não existe, no mesmo patamar de sistemas vitoriosos e com previsões verificáveis há centenas de anos (antes mesmo de Mill).

Ele quer nos fazer crer que acreditar em premissas liberais com 6.000 anos (isso mesmo 6.000) de resultados notáveis para reduzir a escassez, gerar riqueza e respeitar a livre iniciativa, o indivíduo e a propriedade privada (humanismo puro) é tão ideológico quanto acreditar num sistema fracassado, que não respeita liberdade alguma e que não tem qualquer verificação empírica ou lógica de sucesso ou mínima condição de funcionamento.

Se uma escola privada quiser fazer do Marxismo um Totem, problema de quem paga. Em escola pública acho temerário. Já há poucos recursos para instrumentalizar os meninos com o mínimo de capacidade interpretativa, se perdermos tempo com ilusões inverificáveis, tiraremos desse garoto a chance de conseguir, realmente, a compreender o que lê.

Talvez seja esse o objetivo de Leandro Karnal. Para acreditar em Marx é conveniente confundir milhão com bilhão.

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A Classe Média quer ser burguesa? O que aprendi com Marilena Chauí #SQN

Posted on 12/09/2016. Filed under: Administração, Finanças, Matemática, Política |

Essa campanha a vereador aqui no RJ, pelo Partido Novo, tem me exposto a ideias MUITO loucas. Está sendo um grande aprendizado, ao menos consigo entender o que passa na cabeça de quem defende um estado máximo, controlador e centralizador, e um regime socialista.

É uma cabeça bem diferente. E interessante, na medida em que acham suficiente um modelo básico de entendimento sociológico e antropológico para debater finanças contra gente que domina o assunto. É divertido, apesar de ser chamado de ignorante, de serviçal do sistema, de burro, de idiota etc., por gente que não diferencia mercado primário de secundário, desconhece a função dos derivativos e acha que a culpa da dívida pública é do credor.

Eu postei um vídeo questionando o’ entendimento de mundo de Marilena Chauí, pensamento esse que influencia CENTENAS de milhares de jovens no Brasil. Ela dizia que: A Classe Média quer ser dona dos meios privados de produção, mas jamais será, por isso é frustrada.

Eu achava que para desmontar essa afirmação bastaria lembrar a Marinela Chauí e à intelligentsia esquerdista que qualquer pessoa consegue comprar ações de companhias abertas e se tornar acionista.

Ledo engano, o nível de deturpação do entendimento sobre o mercado de capitais é bem mais profundo do que eu pensava. Precisamos de outras ferramentas de argumentação para combater essa besteira que amaldiçoa nossa juventude.

Peço aos amigos da liberdade financeira e econômica que acompanhem a leitura para ajudar a desconstruir essa onda de pobreza que assola o país.

Para quem acredita em Marilena e quer continuar acreditando, recomendo que pare de ler. Pode doer.

No entendimento dos que vivem presos à explicação sociológica única da luta de classes, todo o sistema financeiro e o mercado de capitais seriam uma farsa para o capitalista captar recursos SEM perder o controle dos “meios privados de produção”.

Se eu comprei ações lançadas pela VALE, seria dono de um “bebedouro” da sede, mas não da VALE. Se comprei debêntures sou credor, mas não mando nada. Quem manda é o bigode e o olho azul.

Sociedade contratual

É muito aterrador perceber que tanta gente não faz a menor ideia do que seja um contrato. Nossa sociedade é contratual, e o respeito a esses contratos é o que nos aproximará da riqueza.

Ao lançar ações no mercado ou mesmo dívida, o “dono dos meios privados de produção”, o burguês, abre mão de parte significativa de seu poder.

Ele vai se sujeitar a pagar MAIS dividendos para o acionista preferencialista, se sujeitar a não cometer abuso de poder de controle, vai se sujeitar a informar TUDO o que acontece na empresa para toda a sociedade, vai ser obrigado a antecipar o pagamento da dívida se descumprir cláusulas restritivas (covenants). Além de dar prioridade aos acionistas preferencialistas e credores sobre o patrimônio e os resultados da Companhia. Não é pouco.

Quando compro uma ação ou debênture compro um contrato, de 600 páginas, regulado, completo e que traz deveres pesadíssimos que o “dono dos meios privados” não tinha, e que agora tem. Quer meu dinheiro, vai ter que cumprir.

Ninguém está sendo enganado. E se for enganado, os diretores e controladores podem ser processados. Aliás, o que acontece com a Petrobras no Brasil e nos EUA deixa isso bem claro. A punição por abuso ou descumprimento de contrato é SEVERA.

Mas vamos ver o mundo maravilhoso de Marilena, o mundo em que o povo é dono dos meios de produção.

Se o mercado de capitais não permite que as pessoas sejam “donas dos meios privados de produção”, imagino que de uma empresa 100% estatal seríamos TODOS donos, não é?

Imagino isso porque não há outra forma, ou são privadas (e dos burgueses) ou são públicas (e do povo).

Nesse caso, seríamos mesmo donos?

Na verdade estaríamos numa situação bem pior do que na sociedade contratual.

As decisões CONTINUARÃO sendo tomadas em assembleia, de forma colegiada ou direto da autoridade pública. Você manda em quê?

No imaginário esquerdista talvez essa seja uma forma de TODOS participarem dos dividendos, de todos participarem das decisões (pois votaram no projeto de poder) etc.

É super interessante, veja:

Eu “não sou dono” porque tenho que votar com outros 300 ou 400 acionistas em 3 ou 4 assembleias por ano, exclusivamente sobre temas relevantes à empresa, mas meu voto sozinho não vence.

Mas eu “sou dono” quando tenho que votar com outros 120 milhões de eleitores uma vez a cada 4 anos para eleger os representantes do povo que vão gerir a empresa, sendo que os “temas” dessa eleição NADA tem a ver com a gestão dessa empresa. Nessa “assembleia” do povo, não discutimos distribuição de dividendos, plano de gestão, aprovação de contas, remuneração dos executivos etc., mas eu seria DONO da empresa estatal… Que loucura!

Em meados de 2010 eu, com pouco mais de 1.000 ações da Petrobras, demiti toda a diretoria, o conselho e o controlador da empresa. Demiti da minha vida, demiti do meu patrimônio, afastei o risco dela destruir minhas economias.

Como? Ora, vendi todas as ações a R$ 35 cada, pois simplesmente não acreditava no projeto. Simples e rápido. Teria perdido uns 80% de valor real se fosse “obrigado” a continuar.

E o socialista, como faz para se livrar de ações de empresas que drenam o patrimônio público? Como faz para se livrar de uma empresa estatal que quebra e toma recursos dos seus impostos para se manter artificialmente viva?

Não faz. Sucumbe junto com ela. Talvez em 4 anos possa votar em um político inepto e despreparado que vai prometer “salvar a empresa do povo”.

Quem acredita em Marilena e nessa falácia, na verdade, curte mesmo é falta de liberdade individual. Curte mesmo é que ninguém possa ter nada, para que ele tenha a ilusão de ter alguma coisa.

Quem realmente acredita que o acionista de uma companhia aberta NÃO É DONO, mas acredita que o povo seja dono de uma empresa estatal, terá problemas para entender de onde vem a riqueza.

O sujeito vê um regime de liberdade plena, em que divido o poder com outras 300 pessoas em assembleia, em que todos têm que respeitar contratos e leis com 400 anos de refinamento, e que, caso discorde dos rumos, tenho condições de vender imediatamente e sair da sociedade, e acha que é uma farsa montada pelo burguês para me enganar.

E sonha com um regime onde a empresa será integralmente gerida por um grupo de políticos eleitos (se houver eleições) a cada 4 anos, de cuja gestão ele nem chegará perto, nem saberá dos rumos (não há obrigação de publicidade), será obrigado a cobrir prejuízos e jamais poderá sair, mesmo que tenha votado no outro grupo que perdeu as eleições. Você paga MESMO sem “comprar”.

Infelizmente não é só desconhecimento de direito societário e finanças, é deficiência em conceitos básicos da teoria geral dos conjuntos, de lógica trivial e de raciocínio sistêmico. O sujeito vê 1.000 e não diferencia de 10 ou de 1 bilhão. E tem certeza de que está certo.

É triste DEMAIS que tenhamos criado uma juventude tão incapaz de sair do preconceito clássico da “luta de classes”, e não tenha condições de perceber a pobreza intelectual de seu pensamento.

É uma prisão, uma condenação eterna à miséria material, intelectual e até espiritual. Não há espírito que se alimente de ignorância autoimposta. Se você pensa da mesma forma há décadas e não muda, provavelmente não aprendeu nada, apesar de achar que sabe tudo.

Somos pobres e continuamos empobrecendo, essa é a evidência empírica dos erros de pensamento que assolam nosso país.

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Marilena Chaui enfrenta princípios básicos de finanças

Posted on 21/07/2016. Filed under: Administração, Filosofia, Finanças, Humor, Política |

Que tal ver Marilena Chauí enfrentando princípios básicos de finanças? Chega a ser engraçado.

Toda a verborragia ideológica não dura 3 minutos diante de conhecimentos triviais sobre financiamento, propriedade e renda.

É assustador que um discurso tão frágil, arcaico e errado consiga repercutir em tantas mentes jovens. Vamos compartilhar e tentar fazer o iluminismo, o século das luzes, chegar a esses meninos e meninas.

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O cabo de força de 1,5 metro e as origens da nossa pobreza.

Posted on 20/07/2016. Filed under: Administração, Filosofia, Finanças, Música, Política | Tags:, , , , |

Brasilzão na contramão da riqueza!

Precisei comprar um cabo de força de 3 metros para meu amplificado e PÁ!!!! Descobri que padronizaram os tamanhos, agora só há uma “necessidade” aceitável: 1,46 metro.

Então é isso. O fabricante ou importador não podem mais se guiar pela demanda de mercado. Dane-se a demanda. Ela está errada. Quer 3 metros? Exagero. Quer 5 metros? Ostentação! Metro e meio é suficiente para tudo.

Aí a gente empobrece e dizem que a culpa é do capitalismo, do liberalismo. Brincadeira!

 

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Brasil: Origens da nossa pobreza. A gasolina (oficialmente) batizada.

Posted on 11/07/2016. Filed under: Administração, Finanças, Política |

Por que nossa gasolina é “batizada” com álcool anidro?

Você verá de tudo na internet, mas o motivo REAL é um só: dar ao governo poder de influir diretamente na economia, de influir nos preços e da apoiar empresários do setor.

Se você tem dúvida, veja o que diz o Decreto-Lei 737, de 1938, que regulamentou essa proibição:

“CONSIDERANDO que a produção de gasolina no país, presentemente em escala diminuta, tenderá a desenvolver-se sob o amparo das medidas consubstanciadas nos Decretos-leis ns. 395, de 29 de abril de 1938, e 538, de 7 de julho de 1938, que declararam de utilidade pública o abastecimento nacional de petróleo, nacionalizaram a indústria da refinação do petróleo bruto e criaram o Conselho Nacional do Petróleo;

CONSIDERANDO que a este orgão incumbe a execução de todas as disposições legais e regulamentares relativas ao abastecimento nacional do petróleo, inclusive decidir da natureza e qualidade dos produtos de refinação, e julgar da conveniência da adição de alcool anidro nos vários casos;

CONSIDERANDO, finalmente, a imperiosa necessidade de proteger o desenvolver a indústria de fabricação do alcool anidro, não só para debelar as crises de superprodução da indústria açucareira, restabelecendo o equilíbrio entre a produção e o consumo, mas, igualmente para diminuir a importação de carburante estrangeiro;

Ler a íntegra aqui.

Não há dúvida dos motivos de antes. Não há dúvida dos motivos de hoje.

Eu e meu Toyota…

Depois do nascimento do meu segundo filho, resolvi voltar a ter carro no Rio de Janeiro. E comprei um carro à gasolina apenas, um Toyota Fielder.

Quando foi comprado, o teor da gasolina no álcool era de 18%. O carro fazia, no computador de bordo, excelentes 11,5 Km/L em uso misto (cidade e estrada).

E o governo começou a mexer no percentual…

Ao final, pouco antes de vender o carro, já estávamos em 27% de álcool na gasolina. Meu carro não fazia mais que 9 Km/L e já tinha levado ao mecânico 2 vezes em menos de um ano para fazer limpeza de bico.

Comprei outro carro à gasolina, e hoje só abasteço com gasolina Premium, aqui no RJ a R$ 5,299 o litro.

Mas isso, pelo que entendi nos fóruns de internet, é problema de muitos donos de carros à gasolina, principalmente os mais antigos. É isso mesmo, chevettes e fuscas precisam de gasolina Premium!!!

Governo forte, cidadão fraco

Ainda que existam motivos técnicos para misturar álcool à gasolina, e existem, é inacreditável que milhões de cidadãos estejam na dependência do interesse de alguns poucos usineiros. Ou à mercê de interesses políticos inconfessáveis.

Essas legislações dão superpoderes ao Estado brasileiro. Ele tem poder de autorizar ou negar receitas de bilhões de reais a uma determinada indústria. Tem poder de regular a produção de açúcar e de álcool. Tem poder de criar dificuldades e vender facilidades.

E, claro, ao usar esse poder de forma contrária ao cidadão, o Estado desgasta a poupança e os recursos de milhões de proprietários de veículos, em nome de uma “sabedoria” estatal.

Tem gente que adora isso, mas não há nada mais concentrador de renda. É dinheiro do pobre e da classe média direto na veia do empresário bajulador e bem relacionado. Bumlai era usineiro. É só concentração de poder. É só desvio de finalidade.

É só o que se observa em governos hipertrofiados.

Quem perde é o cidadão. Quem perde é o Brasil.

E quem ganha?

Ninguém, pois a indústria sucro-alcooleira, entra ano e sai ano, está de novo de pires na mão pedindo socorro ao governo, renegociação de dívidas, mais subsídios, menos concorrência etc.

Aliás, quem ganha é a pobreza e a incompetência. É o moto-perpétuo da nossa miséria.

Desde 1938. Desde 1500. Até hoje.

 

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Brasil, origens da nossa pobreza. O remédio para Porfiria e o Uber.

Posted on 11/07/2016. Filed under: Administração, Filosofia, Finanças, Política | Tags:, , , , , , , , , , , , , , , , , |

Porfiria não é uma pessoa, é uma doença genética rara, bastante agressiva, que pode paralisar os músculos e levar à morte.

As pessoas que têm a forma mais grave da doença precisam de um remédio produzido na França, caríssimo (hematina). Esse remédio poderia ser usado para controlar crises severas (devastadoras), mas custa cerca de R$ 100 mil por crise. Ver reportagem do JN aqui.

A falta de liberdade para empreender

Há pouquíssimas pessoas que precisariam dessa medicação, mas ainda assim, segundo a ANVISA, uma empresa pediu para fazer a importação e comercialização desse remédio no Brasil.

Mesmo com pouco mercado, o laboratório resolveu empreender, assumir os riscos, a regulação dura, controles de preços etc., e investir para oferecer o produto a quem precisa (inclusive para o Estado).

A ANVISA negou, pois a norma brasileira só permite a importação em casos excepcionais, por requisição de hospitais ou por prescrição médica.

????

Mas não será SEMPRE excepcional, requerido por hospitais onde o paciente está internado ou por prescrição médica, que o remédio será usado?

As pessoas não conseguem comprar e, mesmo que consigam o direito de importar, pelo custo, certamente só o fariam durante uma crise. Imagine a angústia…

Os Estados, que perdem ações na justiça e são obrigados a comprar, também não conseguem comprar.

E, com certeza, pelas dificuldades enfrentadas todos pagam mais caro.

Não seria melhor se fosse vendido aqui mesmo?

O normativo brasileiro

Não são todas, mas as normas brasileiras costumam engessar o livre empreendimento. Impõem custos desnecessários. São contrárias à livre iniciativa.

Quando o governo tem o direito de permitir ou não algum serviço ou produto, parece que ficamos 20 ou 30 anos atrasados em relação aos países desenvolvidos.

Foi assim com a lei de reserva de informática. Todos tinham computadores bons, menos nós.

É assim com a obrigação de manter orelhões (custo pesado às Teles), mesmo havendo quase 300 milhões de linhas móveis no Brasil.

Faltam normas pró-mercado, que ajudem a livre iniciativa.

Aqui no Brasil a impressão é que, de início, é proibido empreender. Todo o normativo é feito para enquadrar o livre empreendedor em alguma transgressão e proibi-lo de atuar.

Depois de proibir, um dia, quem sabe, daqui a 10 anos, o Estado possa estudar a liberação. Devagar.

O que estamos vivendo com o Uber e os Táxis é bem isso.

Nem o taxista que paga diária e se diz explorado, quer largar seu patrão e sair em busca de empreender por conta própria.

Até nessa falta de iniciativa tem a influência do Estado, pois o taxista deve saber que, cedo ou tarde, o Leviatã brasileiro vai dar um jeito de sufocar a livre iniciativa. Seja com um batalhão de regras anticoncorrenciais, seja com normas sem sentido, seja com proibição pura e simples.

A corrida não é pela livre iniciativa, não é pelo século XXI, não é pela riqueza, não é pela liberdade. É pelo fim do Uber. É pelo monopólio estatal que vai dizer quando (e se) o brasileiro vai poder usar um produto que revoluciona o serviço de transporte.

Voltando à Porfiria

O normativo do Estado faz o quê: Prejudica os pacientes, prejudica a indústria brasileira, prejudica o comércio brasileiro, prejudica os médicos e hospitais e prejudica até o próprio Estado e seus entes, que pagam mais caro e não conseguem cumprir nem ordens judiciais.

A que serve o normativo? Exclusivamente para deixar o poder na mão do Estado. Poder é dinheiro. Negar é dinheiro. Liberar é dinheiro.

Deixar a livre iniciativa funcionar é dinheiro, muito dinheiro, mas nas mãos do mercado, dos empresários e dos trabalhadores.

O político brasileiro não suporta ver as coisas funcionarem sem poder tirar uma casquinha, seja em espécie, seja em propaganda pessoal.

O cara inventa o Uber e revoluciona o mundo, mas o político que libera o serviço é que é o “grande empreendedor”, aquele a quem, pobres brasileiros, devemos reverenciar.

Vergonha!

Fiquemos animado!

Sim!!! Essa situação sugere que uma reforma pró-mercado nas normas brasileiras, talvez com um modelo Federal servindo de base aos outros entes federativos, faria os nós se desatariam por si mesmos. E rapidíssimo.

Normas pró-mercado mudam o mundo corporativo em meses.

Até na União Soviética pós-revolução houve afrouxamento no controle estatal, e floresceu uma burguesia firme e produtiva, sob Lênin. A nova política econômica – NEP.

Depois Stálin mandou matar todo mundo.

Tem gente que não acredita em livre iniciativa. Acredita no Estado ditando as regras econômicas.

Está aí o resultado. Brasilzão 60.000 homicídios por ano! Com leis vigentes que proíbem o cavalo das carruagens de fazer cocô na rua.

Espero que os “estatólatras” não precisem pegar um táxi com 2 crianças em dia de chuva. Ou que não tenham alguma doença “protegida pelo Estado”.

Ave Ceasar!

 

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Vão Privatizar a Marmita!

Posted on 09/07/2016. Filed under: Administração, Filosofia, Finanças, Humor, Matemática, Política | Tags:, , , , , , , , , |

Esse senhor do vídeo, Bohn Gass (pum cheiroso em alemão), está preocupado com o fim do conteúdo nacional, pois até a marmita será estrangeira.

Apesar de ser careca, barbudo e articulado, o que, aliado ao sotaque sulista é quase uma garantia de conteúdo, o youtubber não tem a mais remota noção da realidade.

Não me importaria em rebater, se imposturas como essa não influenciassem tantas pessoas. Influenciam.

Vamos, humildemente, demonstrar as aberrações intelectuais de Herr Bohn Gass.

Brevemente!!!

“Os golpistas querem tirar o pré-sal da Petrobras”.

Errado! O pré-sal não é da Petrobras, é da União. A única parte do pré-sal licitada recentemente foi arrematada por um consórcio do qual a Petrobras tem apenas 40%. Nem da área licitada a Petrobras é dona.

“Estudos sérios dizem que podemos chegar a 200 bilhões de barris no pré-sal, o que daria US$ 10 trilhões de dólares”.

É encantador.

A Petrobras tinha reservas provadas de 16 bilhões de barris em 2012. Em 2016 (em janeiro, ainda não tinha dado tempo de o Serra doar as reservas para a Chevron) as reservas tinham caído para 13 bilhões de barris. Dados da própria Petrobras (última planilha, barris equivalentes):

http://www.investidorpetrobras.com.br/pt/destaques-operacionais/reservas-provadas

Outra coisa ma-ra-vi-lho-sa é fazer a conta de receita sem considerar custos. A Petrobras hoje perde dinheiro na extração. Se realmente tivesse 200 bilhões de barris e começasse a produzir TUDO de uma vez só, o preço do petróleo iria a 5 dólares. Produzir sem demanda, oferta sem demanda… preço baixo.

Mesmo assim, e o custo? Não conta? Sai de graça o petróleo de lá?

“Lula e Dilma fizeram um projeto (partilha) para garantir emprego no Brasil, tecnologia brasileira, ajudar a indústria nacional e garantir recursos para programas sociais”.

Esse vídeo é recente. É até difícil saber a que planeta, ou a que época, Herr Bohn Gass pertence.

Garantir emprego no Brasil?

A indústria do petróleo demitiu mais de 150.000 pessoas em 2 anos. Os maiores salários do Brasil. Beiramos 12 milhões de desempregados.

Garantir tecnologia brasileira?

Temos a impressão de que a “tecnologia é brasileira”. Não é. É mundial e está a serviço de quem pagar. A lista de fornecedores de tecnologia da Petrobras é majoritariamente de estrangeiros.

Mas a Petrobras já mandou tudo para o exterior. As gestões anteriores pegaram dinheiro emprestado na China. E o chinês exigiu “conteúdo chinês”. Olha que coisa! Isso na gestão de Aldemir Bendine e Graça Foster.

Não foi a Chevron. Não foram os Rotschild. Nem os Rockfeller. Nem o FBI. Nem a CIA. A culpa é do FHC.

Apoiar a indústria nacional?

A Odebrecht agradece. A Andrade Gutierrez agradece. A Queiróz Galvão agradece. A Sete Brasil agradece. Vou parar por aqui ou a CIA vai acabar me lendo.

Garantir recursos para programas sociais?

Bom, com rombo de R$ 140 bi em 2015, expectativa de rombos de R$ 170 bi em 2016 e R$ 139 bi em 2017, temos é que torcer para que exista ainda algum Estado Brasileiro após esse período.

Se isso tudo foi um projeto de Lula e Dilma (e foi), tenho dificuldade de lembrar de fracasso tão avassalador. Acho que é a maior experiência de perda de dinheiro da história do planeta.

Parabéns! Querem acabar com o capitalismo queimando todo o dinheiro dos investidores!

“Michel Temer retirou a urgência dos projetos de combate à corrupção enviados por Dilma”

Pois é. Agora foi a Dilma que propôs as 10 medidas contra a corrupção, não foi iniciativa dos procuradores da República que integram a força-tarefa da Operação Lava Jato, endossada pela Procuradoria-Geral da República. E que obteve cerca de 2 milhões de assinaturas!

Esse pessoal rouba tudo mesmo.

“Quem vai se dar bem com a mudança do sistema de partilha é a Chevron, a Exxon, a Shell, a BP, as grandes empresas de petróleo”.

Essas empresas operam no mundo inteiro. Pagando muitíssimo menos em royalties e impostos do que pagam no Brasil. Será que elas exploram os EUA, a Noruega, o Canadá, a Escócia etc.? Sério? Mesmo o americano pagando metade do que pagamos pelo combustível?

Que exploração é essa que, para produzir no Brasil, paga royalties, participações, bônus da assinatura, uma tonelada de impostos, e despeja tudo no bolso do consumidor brasileiro?

Ah, essa exploração eu conheço. E o explorador começa com a letra “Estado” e termina com a letra “Mais Estado”.

“Se a Chevron e as outras vencerem, o emprego vai para fora do Brasil”.

Bom, só se levarem o pré-sal embora. Na verdade o emprego vai embora se elas forem embora.

E é o que está acontecendo. Bye-bye emprego. A Chevron, a Exxon, a Shell, a BP vão levar seus investimentos para outro lugar. E gerar empregos por lá.

Herr Bohn Gass não gosta de empresa estrangeira. Herr Bohn Gass gosta é de Tudobras S.A..

“Se tirar o conteúdo nacional, desde a marmita, que é o alimento do trabalhador, até a plataforma, vão para fora do Brasil, transferindo renda para o exterior”.

É realmente um problema grave. Conteúdo nacional na marmita. Seria garantia de haver feijão? Ou legumes de assentamentos do MST?

Será que seremos obrigados a comer chucrute? Ou cachorro, se a marmita for chinesa?

Jesus Cristo amado, o que é isso?

Tô rindo tanto que nem consigo tratar dos impropérios do final do vídeo…

Seria hilário, se não fosse tão trágico.

 

 

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Juros negativos. O fim do capitalismo? Com certeza não, é exatamente o contrário.

Posted on 05/07/2016. Filed under: Administração, Filosofia, Finanças, Humor, Política | Tags:, , , , , , , , , , , , |

Esperei bastante, mas infelizmente não consegui ler nenhuma interpretação razoável, ou minimamente coerente, sobre o inacreditável fenômeno dos juros negativos (em países ricos e confiáveis). Acho que ninguém está interessado em revelar as contradições da relação entre o sistema financeiro e os orçamentos públicos.

É tudo tratado como se fosse uma trivialidade, mas não é. Parece non sense uma pessoa investir 1.000 euros para retirar 995 euros após 10 anos, mas não é. Parece inofensivo, mas não é. Parece que será rápido e indolor, mas não será.

Parece o fim do capitalismo, mas é exatamente o contrário.

Ao leitor que não acompanha de perto as finanças internacionais, é isso mesmo que leu. Investir 1.000 euros para retirar 995 euros em 10 anos. Os títulos do governo alemão pagam juros negativos. E são títulos longos. Se segurar por 10 anos, vai perder.

Comecemos pelo fim. Pelo diagnóstico.

Qualquer que seja o caminho de análise uma coisa é certa: há dinheiro demais no mundo. Quando digo dinheiro, quero falar de ativos ultralíquidos, caixa ou equivalente. Não estou falando de patrimônio em ações, em limitadas, em imóveis ou outro ativo físico. É grana. É pila.

Parece bom, poderíamos resolver os problemas do mundo, mas é bem ruim e não, não poderíamos resolver os problemas do mundo. Vai ficar claro adiante.

Taxa de juros é preço do dinheiro.

Se são negativas (preço muito baixo), é porque há bem mais oferta do que demanda por dinheiro. Gente demais querendo emprestar, gente de menos querendo tomar. O tomador de crédito NÃO QUER aquele dinheiro. A única forma de ele externar isso é não remunerando os recursos que recebe, ou exigindo que alguém PAGUE para que ele aceite receber dinheiro.

Isso é uma gigantesca disfunção do sistema financeiro.

A persistir, o sistema de aposentadorias não funcionará mais. Nunca mais.

Um indivíduo que investe R$ 10.000 por ano a uma taxa de 2% ao ano, chegaria a R$ 500.000 em 35 anos (tempo de aposentadoria). Se a taxa fosse negativa (-2%) ao ano, não chegaria nunca a R$ 500 mil. Em 100 anos de indivíduo teria investido R$ 1.000.000 e seu saldo seria de R$ 433 mil.

Os valores são exagerados (os juros não são tão negativos), mas a lógica é válida.

Parte da culpa é do medo da catástrofe financeira

A última estimativa que li, do JP Morgan, indicava haver US$ 6 trilhões investidos em taxas negativas ou bem próximas de zero.

Ao que parece, a mão invisível está no bolso. E não sai de lá.

Na crise das pontocom, início dos anos 2000, houve brutal destruição de valor. Cerca de 4.000 empresas da NASDAQ deixaram de existir. Só o Yahoo fez a bolsa eletrônica perder US$ 90 bi de valor de mercado dos ativos listados.

Isso é capitalismo puro, na veia. Risco privado sofrendo severamente quando age por imprudência, imperícia e vaidade. As empresas sumiram, pois aquela riqueza não existia. O dinheiro sumiu.

Em 2008…

Ah, 2008…

Foi o inverso. Provavelmente foi o momento mais anticapitalista de história da economia moderna.

Tudo que aprendemos sobre livre mercado, baixa intervenção estatal, moral hazard (risco moral), agency costs (conflito de agência), mão invisível, destruição criativa etc., foi jogado no lixo. Por medo. Pavor, diga-se, de ruptura do sistema financeiro.

Será?

Jeremy Irons e o monte de lixo tóxico

Jeremy Irons é o dono de um banco no filme Margin Call (2011). Diante da equipe ele repete o diagnóstico: – Estamos sentados no maior monte de lixo da história do capitalismo. Amanhã vocês vão ligar para todos os seus clientes, parentes, amigos, até para a sua mãe, e vão vender tudo.

A crise de 2008 revelou que o mundo tinha alguns trilhões de dólares em papéis podres.

O que é isso?

Ora, se o banco emprestou US$ 500 mil para o sujeito comprar uma casa, o banco tem os recebíveis do tomador do empréstimo e a casa para retomar, se ele falhar. O tomador falhou com os pagamentos e a casa valia apenas US$ 100 mil. E ainda assim não tinha comprador.

Então é isso. Os bancos e algumas agências governamentais tinham emprestado trilhões. E isso não valia nada.

O que os governos fizeram?

Com medo de uma ruptura drástica, em que bancos grandes CERTAMENTE quebrariam, promovendo um colapso no sistema financeiro, “deram liquidez” para o lixo.

É mais ou menos o seguinte. Você tem um papel que ninguém quer. O governo compra de você por um preço MUITO acima do que valeria no mercado.

Um nome bonitinho, “quantitative easying”, que significou alguns trilhões de dólares dos ORÇAMENTOS PÚBLICOS para dar liquidez a lixo.

Olha uma coisa bem inútil na sua casa. Um carrinho de bebê velho. O governo compra pelo preço de um novo. Você venderia?

Quantitative easying significa “dinheiro correndo frouxo”. Grande parte é dinheiro público. A única fonte de recursos que havia sobrado, em 2008, eram os orçamentos dos países.

Trilhões que não deveriam existir

Qual é o propósito do dinheiro, da instituição “dinheiro”?

É circular. Para circular, ele precisa ser atraente. Para o comerciante que quer vender seu produto, para o produtor rural que quer financiamento, para o empresário que quer ampliar etc.

Aos que pensam, até aqui, que bastaria “pulverizar” esse dinheiro na África ou no América Latina, é importante esclarecer que dinheiro não existe como entidade absoluta. Dinheiro é entidade relativa. Ele faz sentido “em relação” ao que pode comprar ou produzir, não faz sentido absoluto. Nem é real, são só bits e bytes ao redor dos computadores do mundo.

O fluxo dele precisa fazer sentido, se o dinheiro perder o sentido, ele não valerá nada.

Antes de concluir, falemos da China

A China, em meu modesto entendimento, é o motivo subjacente que permitiu esse momento único da história das finanças mundiais.

Há um non sense nas finanças chinesas que, de certa forma, deixa a noção de dinheiro meio perdida.

É um país importante na economia mundial. Talvez o mais importante, em termos de “troca” de mercadorias e “posse” de recursos financeiros líquidos no mundo. Uma irracionalidade duradoura por lá, vai ter impacto em todos os países.

Na década de 1980 o Japão vivia momento semelhante. Sua moeda era artificialmente barata, de forma que seus produtos vendiam como água.

As gestões do governo americano e da comunidade internacional fizeram o Japão liberar o câmbio (quase isso), fazendo com que os japoneses enriquecessem em 5-6 anos. Enriquecessem MUITO. Foi a época em que apartamentos de 2 quartos em Tóquio valiam US$ 2 milhões. Em dinheiro da época.

Gerou uma bolha danada, que estourou em 1989 e durante a década seguinte, mas continuaram ricos. Racionalmente ricos.

A China resiste. Artificialmente ela mantém seus superávits de dólares. Acumula dólares. Não tem o que fazer com esses dólares. Algo próximo a US$ 3,2 trilhões. Vai fazer o quê com isso?

Moeda NÃO EXISTE em termos absolutos.

Moeda é relação. Não dá pra usar de forma irracional. Se fizer, vai destruir valor.

A China faz o quê? Cidades para 1 milhão de pessoas. Todas vazias. Produz aço para projetos que não tem qualquer sentido econômico.

Ou seja, lembra o Richard Pryor no filme “Chuva de Milhões” precisando gastar US$ 30 milhões em 30 dias (para herdar US$ 300 milhões). Isso em 1985. Sem comprar bens! Tinha que GASTAR! Não dá. Fazer o dinheiro sumir. Não dá. É muito difícil.

Quem me lê deve pensar que é mole gastar. Se você receber US$ 10 milhões, vai torrar com facilidade. Mas se é um hedge fund com US$ 1 trilhão, com deveres fiduciários com seus clientes, NÃO vai e não pode torrar.

A beleza do capitalismo

Estou me lixando para as ideologias. Gosto do fato. Gosto da evidência científica. Gosto de análise ética e honesta.

Ao contrário das ideologias dirigistas, que vão até o limite da inteligência de um grupelho de burocratas tarados, o Capitalismo é um sistema maior e mais inteligente do que as nações e seus dirigentes. Mais inteligente do que os banqueiros e do que os financistas. Ele é o caminho escolhido naturalmente, desde o início da sociedade contratual (início da linguagem escrita). Ele é o mercado em que todas as trocas de interesses acontecem.

A resposta natural que o capitalismo está dando a essa disfunção é: JURO NEGATIVO. Dinheiro demais, vamos resolver isso fazendo você PERDER dinheiro.

O interessante é que, dessa vez, quem vai perder mais é quem tem estoque de capital. Não é o pobre e o desvalido. O pobre ou a classe média podem até se beneficiar, pois o dinheiro barato vai acabar gerando negócios que não existiriam em um mundo de juros positivos. Ainda que estejam fadados à destruição de valor.

Foi o que ocorreu no Brasil. O setor de Petróleo empregava gente com exigência de segundo grau e curso técnico de apenas 6 meses, por R$ 8 mil por mês, o mesmo que um gerente de empresa média, com pós-graduação em finanças.

Acabou a bonança do setor, o salário caiu 4 vezes.

Aos que pensam: Ora, por que não investir esse dinheiro na economia, na produção, nas start ups?

Ora queridos! Porque essa cumbuquinha tá cheia.

Se o inventor do Uber conseguiu fazer o que fez com financiamento de US$ 50 milhões, porque pegaria US$ 1 bilhão? Seja em ações ou dívida? Seria estupidez, seria reduzir sua rentabilidade por vontade própria. Quem pega mais do que precisa é porque tem um projeto péssimo. E projeto péssimo é destruição de valor. Mais rápida que o juro zero.

Se você levar a irracionalidade, o “quantitative easying”, para a bolsa e para o setor produtivo, imobiliário, ou qualquer outro da economia real, vai gerar outras bolhas. E os ativos REAIS já estão caríssimos.

O sujeito prefere perder 0,15% ao ano em títulos alemães, do que se arriscar a perder 50% investindo no Linkedin, Google, Exxon, imóveis etc.

Não dá para fugir. Há uma disfunção. Há dinheiro demais.

E os países pobres?

Aqui acho que fica a lição mais importante desse artigo.

Dinheiro não é “realidade” material e objetiva, dinheiro é fluxo, dinheiro é circulação, dinheiro é meio.

Esse dinheiro “salvaria” nações pobres? Será?

Peguemos a Petrobras. Em 2007 chegou a valor US$ 300 bilhões. Recebeu uma capitalização na faixa de US$ 50 bi em 2010. Entre 2007 e 2016 investiu cerca de US$ 400 bilhões (refinarias, novos poços). Valeria então US$ 750 bilhões? NÃO!

Hoje vale US$ 35 bilhões e produz o mesmo que em 2010.

O dinheiro foi usado. Resolveu alguma coisa? O orçamento brasileiro está “garantido” com os bilhões investidos? O povo se beneficiou em quê? A educação, saúde, emprego e segurança estão garantidos?

Em apenas um exemplo vimos que não é difícil fazer US$ 700 bi evaporarem.

As dívidas de Oi, Gol, Usiminas, General Shopping e outras tantas valem 50% do valor de face. Às vezes 20%. Dados públicos, basta olhar na bloomberg.

Dá pra destruir dinheiro, é fácil. Mas isso não ajuda pobre. Não ajuda país pobre.

A África tem (quase) tudo para receber investimentos. Tem povo sedento por bens de consumo, por emprego, por segurança. Tem terra. Tem riquezas naturais. Tem tudo ainda por construir. Casas, fábricas, rodovias etc.

Tenho certeza de que o dinheiro sonha em ir para um ambiente tão promissor.

Mas sabe o que falta?

Incentivo à livre iniciativa. Capitalismo. Mão invisível. Liberdade econômica. Economia de mercado. Respeito a contratos. Respeito à propriedade privada. Países onde essas coisas não existem odeiam dinheiro.

De que adiante haver trilhões de dólares loucos por boas oportunidades de investimento se os governantes desses países NÃO querem esse dinheiro.

O dinheiro só vai para lá se puder voltar. As regras mudam todos os dias. Há corrupção generalizada. Há ainda resquícios de guerras e grupos como o Boko Haram. Você constrói uma ferrovia, e morre de medo do governo mudar as tarifas de uma hora para outra. Morre de medo de tomarem a concessão (vi isso in loco com uma empresa brasileira).

A quem, efetivamente, você daria o dinheiro? A grupos realmente empreendedores ou a grupos ligados aos governos locais?

Investidor só entende como interesse genuíno aquele que multiplicará seu dinheiro.

Não é interesse genuíno enriquecer ainda mais oligarquias tirânicas ou grupos de interesse que não tem qualquer compromisso com a economia de seu país.

Quer dinheiro para investir? Tá sobrando. Mas ele não vai para onde é detestado e maltratado. Dinheiro não troca de mãos se o contrato é maroto.

Acreditem. Se despejássemos alguns trilhões em 10 anos nos países pobres, geraríamos a maior concentração de riqueza de história. E o povo continuaria paupérrimo.

Dei o exemplo da Petrobras. Só uma empresa. Dá pra destruir fácil, fácil. Somos mais pobres hoje do que quando começamos a surfar na ilusão do petróleo. E muito mais endividados, pois foi dívida pública que gerou essas distorções e a ilusão de prosperidade. Vendemos 20 anos do nosso futuro, para viver 5 anos de gala.

A solução?

Ou a bola murcha devagar, está cheíssima, ou explode.

Evitamos a explosão destroçando orçamentos públicos, que não estão sentindo muito, pois os juros estão baixos, então é barato se financiar.

Mas esses orçamentos NÃO estão mais disponíveis.

As quebradeiras no mercado de crédito podem ajudar a reduzir essa abundância de dinheiro. Algumas dívidas soberanas (Venezuela por exemplo) desaparecerão, e também vão ajudar. A Grécia é um super exemplo, sua dívida, impagável, imputou perdas de dezenas de bilhões ao sistema.

Não sei se dá tempo, ou quanto tempo levaria para que o estoque de “cash” se normalize.

Se fosse possível fazer o dinheiro DESAPARECER, mas veja, não é trocar de mãos, é ir para o espaço sideral, sem uso, os juros subiriam, a demanda por dinheiro seria grande, as moedas fortes ficariam mais fortes e países pobres se fartariam de ganhar dinheiro (quanto mais capitalistas forem, se forem socialistas vão sofrer absurdamente), pois ficariam baratos.

A maioria dos países é CREDOR em moeda forte. Até o Brasil. É diferente da época em que a dívida externa massacrava os países periféricos.

O ideal seria que países bem pobres tivessem um surto de livre iniciativa, redução das barreiras comerciais, privatização, fim da corrupção etc., o dinheiro fluiria para lá e a bola ficaria menos cheia. Talvez até voltasse ao equilíbrio virtuoso de longo prazo.

Mas o mundo tá doido. Discute irrelevâncias.

O dinheiro existe. Falta o projeto.

O dinheiro está sem amigos.

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A Verdadeira Injustiça Tributária Brasileira não é como você pensa.

Posted on 12/05/2016. Filed under: Administração, Filosofia, Finanças, Política | Tags:, , , , , , |

Frequentemente reclamamos que a carga tributária no Brasil é alta. Se compararmos a carga tributária com o retorno que nos proporciona, como cidadãos, ficamos mais aborrecidos ainda, pois o resultado é pífio.

Há ainda críticas indicando a necessidade de fazer os mais ricos pagarem mais impostos, para aliviar o peso sobre os mais pobres.

Mas esses números sobre os impostos, tanto sobre a renda quanto sobre o consumo, não explicam adequadamente o peso dos impostos na vida dos brasileiros.

 

Como entender a “injustiça” tributária no Brasil

Primeiro, esqueçamos, por enquanto, as empresas. Ainda que achássemos que as empresas, por serem “ricas”, poderiam pagar mais impostos (não concordo), esses impostos seriam pagos, direta ou indiretamente por nós, através do consumo e dos preços majorados pelos custos tributários.

 

Categorias fiscais de brasileiros

Precisamos dividir os brasileiros em grupos, a partir de sua relação com a fazenda pública, para verificar qual a VERDADEIRA carga tributária de cada grupo.

A relação com a fazenda pública é o fluxo de dinheiro entre o indivíduo ou a família e o governo. Não são só impostos. Vejamos.

 

Grupo 1 – Duplo 100% – Os mais pobres

Qual a carga tributária de quem tem 100% de sua renda proveniente de subsídios do governo e consome 100% do que recebe?

Estou tratando de subsídios, bolsas etc. NÃO trato de aposentadorias, pois entendo que não deveriam estar nessa categoria.

A pessoa que tem 100% de sua renda proveniente do governo e gasta tudo, paga, de volta em impostos, 40% sobre esse consumo. Em média.

Sua carga tributária seria: +40% – 100% = – 60%

Não vou entrar no mérito de multiplicadores econômicos, mas, grosso modo, a relação dessas pessoas com a fazenda pública é positiva para eles, pois têm carga tributária negativa (recebe mais do que paga).

Apesar de ser um grupo grande no Brasil, seu custo (descontado o retorno tributário do seu consumo) não chega a R$ 15 bilhões ao ano. Entre 1% e 1,5% do orçamento público federal.

Podemos até discutir se as bolsas (federais, estaduais ou municipais) desestimulam o empreendedorismo, mas certamente os custos são bem pequenos, em termos orçamentários. NÃO SÃO os mais pobres os que criam transtornos severos aos orçamentos públicos.

 

Grupo 2 – Grupo 0%-100% CD – Classes C e D em equilíbrio

Esse grupo é aquele que não recebe qualquer subsídio (renda direta) e gasta tudo que ganha.

Nesse grupo falaremos de quem não tem renda suficiente para pagar Imposto de Renda direto na fonte (de forma simplificada, classes C e D)

Seria uma renda familiar entre 2.000 e 4.000 por mês (com 2 pessoas trabalhando).

Essa pessoa/família recebe e gasta 100% da renda.

 

Parêntese previdenciário!

Veja que não coloco INSS nessa conta, pois entendo que é uma contrapartida da contribuição previdenciária. Quem paga por 35-40 anos 11% do salário (mais o percentual do empregador) poderia receber até MAIS do que o INSS paga, se esse dinheiro fosse investido privadamente.

Dessa forma não vejo sentido em tratar o dinheiro de aposentadoria como “subsídio ou benefício” do governo. Se há desequilíbrio, a CULPA é de quem faz as leis.

 

Voltando à carga tributária…

Esses brasileiros têm uma carga tributária de + 40%, pois consomem tudo que gastam.

A fazenda pública não lhes dá nada (em termos de subsídio, bolsas etc.) e a carga tributária de 40% sobre o consumo pesa sobre 100% de sua renda, pois gasta tudo o que ganha.

Dos R$ 4.000 ganhos, R$ 4.000 são gastos. Desses R$ 4.000, R$ 1.600, em média, são tributos sobre consumo.

 

Grupo 3 – Grupo 0%-100% AB – Classes A e B em equilíbrio

Esse é o grupo em que incide o imposto de renda pessoa física e que gasta toda a renda disponível. É a tal classe média alta (classes A e B).

São pessoas com renda bruta média familiar entre R$ 5.000 e R$ 20.000 por mês. Pode até ser maior a renda para estar nesse grupo, desde que GASTEM tudo.

Em média, esse grupo já deixa 20% de sua renda direta para pagar o leão, de forma que gasta os 80% restantes. Desses 80%, 40% são de impostos sobre o consumo (pois gasta tudo). Seriam, sobre a renda total, um percentual de 32%.

Em resumo, o sujeito ganha R$ 10.000 (após INSS), mas só recebe R$ 8.000 e gasta tudo, o que significa que pagará R$ 3.200 de impostos sobre o consumo.

Essa pessoa pagou R$ 2.000 de IRPF + R$ 3.200 de imposto sobre consumo = R$ 5.200.

Sua carga tributária (retirando contribuição previdenciária) é de 52%.

Relembrando que estou tratando como “carga tributária” a relação dessa pessoa com a fazenda pública.

Ela não recebe NADA e paga sobre a renda e sobre o consumo.

 

Quem mais sofre com os tributos

Esses dois grupos são gigantes (classes ABCD que gasta tudo que ganha), a maioria esmagadora dos brasileiros. São os que mais pagam e, normalmente, pagam 2 vezes, pois têm planos de saúde, escola particular e pagam por segurança privada, seguros caros etc.

Aqui não falo de sofrimento “pessoal”, mas tributário.

 

Agora vamos falar de grupos com situação mais amena.

 

Importante! Os grupos superavitários são geradores de poupança privada. São ALTAMENTE benéficos para nossa economia. Como temos pouca poupança privada, o governo acaba “tomando” tudo e pouco sobra para investimento produtivo (apenas juros).

Se houvesse MUITA oferta de poupança privada (muitos superavitários), o custo do dinheiro cairia, as empresas poderiam se financiar sem depender de subsídios governamentais, etc.

 

Grupo 4 – Grupo 10%-10%– Classes pouco Superavitárias

Chamei de 10% – 10%, mas poderiam ser outros percentuais BAIXOS.

São as pessoas que conseguem poupar e investir.

Por que coloquei 10% como se recebesse algo do governo?

Porque o governo é o maior devedor da nação, provavelmente o investimento dessa família, direta ou indiretamente, receberá juros do governo.

Com dívida pública bruta de mais de R$ 4 trilhões, sobra muito pouco para receber juros de dívida privada.

Se a família guarda 10% do que ganha, sua carga tributária seria (supondo classe A e B):

Ganha R$ 20.000, guarda R$ 2.000, paga R$ 4.000 de IRPF e sobram R$ 14.000. Consome os R$ 14.000 e paga 40% de imposto sobre o consumo.

No total repassaria de imposto R$ 4.000 da renda + R$ 5.600 de consumo = R$ 9.600, de um total de R$ 20.000. 48% de carga tributária antes dos juros.

 

E o recebimento de juros?

Em 1 ano juntando 10% da renda, daria para acumular (a 0,35% de juros líquidos de impostos e inflação), cerca de R$ 24.500, o que daria de juros cerca de R$ 85 por mês no segundo ano.

Como já descontamos a inflação, dá para projetar a carga tributária decrescente do superavitário.

Relembrando que estamos tratando de fluxo financeiro da fazenda pública como carga tributária.

O volume de juros recebidos ZERARIA a carga tributária desse indivíduo em 42 anos.

Acumulando a 0,35% ao mês, ele teria um montante de R$ 2,62 milhões no ano 42 e receberia, de juros mensais (0,35% ao mês), mais do que os R$ 9.600 que paga de CARGA tributária direta.

O fluxo de tributos e juros com a fazenda pública faria a pessoa passar de 48% de fluxo negativo tributário para 0% em 41 anos. Claro, considerando os juros gigantescos de hoje.

 

Grupo 4 – Grupo X%-40%– Classes MUITO Superavitárias

Aqui há 2 pontos. Normalmente quem é MUITO superavitário, paga menos imposto de renda, às vezes não paga nada.

Mas vou considerar que pagam os mesmos 20% das classes altas pouco superavitárias (ou em equilíbrio).

Uma pessoa com renda de R$ 80.000 por mês e que poupa 40% da renda teria a seguinte configuração mensal:

Dos R$ 80.000, R$ 16.000 iriam para o IRPF, R$ 32.000 iriam para a poupança e R$ 32.000 para consumo (o que dá R$ 12.800 como imposto sobre consumo).

A carga tributária desse grupo já partiria de 36% (R$ 28.800 em R$ 80.000).

Pra “zerar” seu fluxo negativo com a fazenda pública (supondo que recebe juros APENAS do governo), levaria 15 anos. Os juros mensais seriam de R$ 28.800 no ano 15 e equilibrariam o fluxo de impostos pagos.

Alguns leitores devem estar pensando que são esses os “marajás” brasileiros. Ledo engano. Estes estão na ponta dos bons moços do orçamento. Fazem esforços de poupança, destinando parte para o financiamento do gasto público. Em sua maioria são trabalhadores ou empreendedores bem sucedidos que geram empregos e divisas, não são cupins de orçamento, pelo contrário.

 

Grupo 5 – Donos do orçamento público

Esse grupo não tem carga tributária calculável. São os comandantes do orçamento público. Não estou falando de servidores que trabalham e recebem apenas seus vencimentos, dentro das normas republicanas, dentro dos tetos constitucionais etc., estes estão em algum dos grupos acima.

Falo dos que têm acesso e poder sobre o orçamento público para, dentro da lei, incluir benefícios que, praticamente, fazem com que o estado retire qualquer preocupação de subsistência de suas vidas.

Se o servidor tem sua saúde integralmente custeada pelo Estado (privada, nos melhores hospitais), se conta com auxílio para moradia, mesmo morando em sua cidade natal ou tendo imóvel próprio na cidade, se não precisa se preocupar com custos de vestimenta, se não paga por sua própria gasolina, se o Estado reembolsa as melhores escolas para seus filhos, se, com uma canetada, decide sobre o orçamento como lhe convier, criando benefícios retroativos, criando espaço para que sua necessidade de caixa seja satisfeita pelos cofres públicos, ele estará na melhor situação tributária do Brasil. Isso é melhor que ser rico.

Não precisará de esforço de poupança. Não precisará se preocupar com sua subsistência, mesmo que viva em altíssimo nível.

Não há que se falar em carga tributária para quem tem o orçamento público à sua disposição.

Normalmente os servidores do executivo (federais, estaduais ou municipais) não estão nessa categoria. Não fazem as leis e não tem orçamento próprio.

Já no legislativo e no judiciário, seja por fazerem as leis ou por terem poder discricionário sobre o seu orçamento, o risco de distorções como essas é bem maior.

E não falo de “orelhada”. Vi na minha família.

Meu avô era aposentado do Senado. Como taquígrafo. Ganhava, antes de morrer há alguns anos, uns R$ 30.000 por mês.

Eu não lembro de meu avô trabalhando no Senado. Acho que trabalhou, no máximo, uns 10 a 12 anos lá. No final da década de 1960 já cuidava de seu negócio no RJ.

Meu avô adoeceu e, antes de morrer, passou uns 200 dias (num período de 3 ou 4 anos) no Pro Cardíaco, um dos mais caros e melhores hospitais do RJ.

Não custou menos de que R$ 5 milhões ao Senado, chutando baixo. Várias operações com os melhores médicos.

Tem gente que se sente à vontade quando um familiar tem um benefício extravagante, ainda que legal.

Eu não. Como escrevi no artigo sobre Kant, o comportamento moral pressupõe que nossos atos (e também os atos que recaem sobre nós), possam servir de regra universal.

É impossível, para mim, não ficar incomodado com algo tão extravagante e desproporcional.

 

O que fazer para reduzir a injustiça tributária brasileira?

Já dá para ver que a chave é o uso do orçamento público.

O grupo que vive de renda baixíssima proveniente do Estado não traz qualquer transtorno relevante para o orçamento público. Provavelmente até traz benefícios. Aqui o ponto é, tão somente, exigir contrapartidas que tenham sinergia com o desenvolvimento do país e dessas pessoas. Escola, cultura formal, esportes etc.

Quanto aos grupos que vivem no limite de suas rendas, não há mais sacrifícios a demandar. Ao contrário, deveriam ter alívio dessa carga tributária. Tanto na parte da renda quanto na parte do consumo.

Quanto aos grupos superavitários, o Brasil precisa fazer o dever de casa. Tem que “precisar” menos de financiamento privado, “precisar” menos de dívida. EQUILÍBRIO ORÇAMENTÁRIO. Isso acontecendo, os juros cairiam e boa parte da poupança dos superavitários iria para projetos de risco privado.

Tivemos isso no Brasil, quando os juros da dívida pública (meta SELIC) estavam em 7,25% ao ano. Grande migração para projetos privados mais arriscados. Já escrevi sobre como perdemos esse momento. Tem que voltar.

 

Já no grupo que comanda orçamento público próprio, é preciso que entendam em que situação está o Brasil.

Há um número relevante de servidores que recebem além do teto constitucional. Há um número significativo de valores pagos a título de benefícios extravagantes. Benefícios que nem mesmo grandes empresas na iniciativa privada conseguem pagar.

Tudo (ou quase tudo) dentro da lei e do normativo dos órgãos e poderes.

Há as “garantias constitucionais” dos direitos adquiridos.

Mas é preciso lembrar que o direito adquirido, que tem por base o orçamento público, é também dever imposto a terceiros, pois deverá ser pago com deveres do contribuinte. O direito de um sobre o orçamento público é sempre dever do outro, contribuinte desse orçamento.

Eu não tenho ideia do volume de recursos que o respeito ao teto constitucional ou a extinção (ou redução a valores razoáveis) de benefícios extravagantes poderia economizar.

Mas não é o ponto. Evidentemente não é o ponto.

É o pacto social. Não me parece que o sacrifício de pagar 40 a 52% da renda, sem conseguir poupar nada, endividadíssimo (isso é outro problema), de 85% dos contribuintes deva ser destinado a extravagâncias e superpoderes sobre o orçamento público.

O ajuste virá.

É recomendável que os poderes RECONHEÇAM sua posição destoante na realidade brasileira, e proponham soluções parcimoniosas e adequadas ao orçamento público.

A continuar o desastre orçamentário brasileiro haverá espaço para lideranças diversas, de liberais a populistas, bastante hostis ao uso despudorado do orçamento público.

Recentemente (atualizo este artigo em novembro de 2016), o Estado do Rio de Janeiro está estudando impor contribuições previdenciárias extras que podem fazer os descontos irem até 30% do salário dos servidores para sanear a previdência. A regra na iniciativa privada é essa, se há rombo atuarial, todos são chamados a saldar. É lei. É justo, pois no mundo privado, se não há dinheiro para pagar, não há direito a garantir.

O caminho é traumático, mas o orçamento e o endividamento atingiram situações de calamidade.

Está na hora de quem comanda o próprio salário, os próprios benefícios e as próprias regras, tudo baseado em orçamento público, oferecer sua cota de sacrifício. Será bem menor do que a de todos os outros contribuintes.

Ou é isso, ou veremos a quebradeira do Estado brasileiro em não mais que 3 anos.

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O Dia em que o PT Perdeu o Brasil. E não foi em 2016.

Posted on 28/04/2016. Filed under: Administração, Filosofia, Finanças, Humor, Política | Tags:, , , , , , , , , |

Eu tenho diferenças conceituais, de visão de mundo, em relação ao PT e à maioria das ideias de esquerda no Brasil.

Nunca fui de esquerda, nunca consegui compartilhar das soluções propostas pela esquerda. Eu realmente achava, já em 2004-2005, que seria impossível o Brasil funcionar da forma como estava sendo planejado. Nem preciso dizer que falei praticamente sozinho por uns 6 a 7 anos.

Combati bastante as ideias de hegemonia do PT. Quando ninguém falava em Gramsci (ou pouquíssima gente) estava lá eu lendo “A revolução Gramscista no Ocidente (de 2002)” e depois os cadernos 3 e 4 de Gramsci. Não recomendo a leitura de Gramsci. Ele escreveu da prisão, então precisou, propositalmente, não fazer sentido. Se conseguirem, leiam o primeiro livro citado.

Vi o Brasil esfacelar seus já frágeis alicerces, tanto morais quanto econômicos, sem se dar conta de que estava construindo um caminho sem volta, de uma ditadura do pensamento, uma prisão sem grades.

 

E entre 2011 e 2012 cheguei a achar que a vitória do PT e de seu projeto seria irreversível. Vi que poderiam garantir um mínimo de crescimento econômico, mesmo em ambiente inóspito aos empreendedores.

Tínhamos chegado a impressionantes 7,25% de meta de juros SELIC. Commodities em alta, país bem avaliado (investment grade), planos de expansão das empresas. Pleno emprego. Superávits primários relevantes. Orçamento equilibrado. E nem sinal de crise.

Nessa época, com esses juros, tudo faria sentido na economia brasileira.

Como os juros eram baixos, mexemos na poupança que deve ter chegado a uns 4,5% a 5% ao ano. Como era baixo o retorno na renda fixa, os investidores tinham apetite por risco, tanto os institucionais quanto as pessoas físicas. Ganhar só 5% ao ano (com inflação de 5%) não era bom, precisavam investir em debêntures de empresas privadas, projetos de expansão, ramo imobiliário etc.

Tudo estava dado para o PT nunca mais sair do poder, ao menos não por motivos de esfacelamento econômico. E, claro, a agenda hegemônica, antes oculta e hoje na boca do povo, poderia seguir seu caminho sem empecilhos.

Um parêntese. Fico feliz de ver que o modelo de hegemonia cultural e intelectual do PT, com base nas ideias de Antonio Gramsci, hoje é evidente para todas as classes sociais. Ao menos para a maioria da população que se interessa por isso. O discurso recente do senador Magno Malta demonstra como isso já está evidente mesmo para quem não é especialista no assunto. Ver aqui.

É divertido ver que os que tratavam desse assunto não falaram em vão.

Espero que, até aqui, os que não compartilham de minhas ideais não se sintam ofendidos. Não há qualquer ofensa em se dizer contrário a um pensamento e explicar os porquês. Não há mesmo.

Aliás, esse é um legado nefasto do atual momento político. Você tem que se desculpar o tempo inteiro, pisar em ovos, para dar sua opinião. Isso é muito ruim para o país.

O que era esse Brasil de 2011-2012?

Seria absurdamente fácil “soltar” o Brasil rumo ao mundo desenvolvido, economicamente falando.

Com o quadro econômico dado, bastaria reduzir subsídios, reduzir a participação de BB, Caixa e BNDES na economia, permitir que a iniciativa privada corresse os riscos que ela estava disposta a correr.

Ao retirar (reduzir) os subsídios do setor produtivo, a concessão de crédito se faria por lógica econômica, não política ou de compadrio. E teríamos, vejam só, superávits ainda maiores e poderíamos reduzir a dívida pública, abrindo espaço para mais quedas de juros e para mais investimentos sociais.

Isso seria extremamente fácil de fazer, bastava não fazer nada. Bastava fazer a conta básica de não mais perder dinheiro com juros subsidiados, bilionários subsidiados etc.

É claro que a velocidade dos investimentos seria outra, pois os bancos privados não concederiam crédito a um monte de tolices econômicas, projetos de VPL negativo, sem o governo para segurar o prejuízo. Teríamos, entretanto, um crescimento saudável, baseado em risco ao setor privado e não ao setor público.

E o mundo? Ao contrário do que tentam vender, o mundo nunca atrapalhou. O excesso de liquidez, grana firme, no mundo, e os juros baixíssimos desde 2009, fariam com que o Brasil recebesse muitos bilhões de dólares de dinheiro de risco.

Enfim, poderíamos ter dado certo. Mas é evidente que não demos certo. Aliás, estamos no pior momento econômico da história do Brasil. Não há qualquer dúvida disso. É o único momento em que a solução fiscal (mais endividamento, mais inflação, mais impostos) não está disponível. E sempre esteve. Hoje não mais.

Como o PT perdeu o Brasil?

É super simples entender.

Dobrando a aposta no Estado empreendedor, no Leviatã absoluto da economia, naquele que dita todas as regras e os caminhos para o desenvolvimento.

O que fizemos?

Dobramos a aposta no BB e na Caixa. Dobramos a aposta no BNDES. Dobramos a aposta no Pré-sal e na Petrobras. Dobramos a aposta no mercado imobiliário. Dobramos a aposta nos campeões nacionais. Dobramos a aposta no país da Copa do mundo e das Olimpíadas. Dobramos a aposta no crescimento pelo crédito e pelo consumo.

E tudo isso com dinheiro público, via Tesouro subsidiando juros para grandes grupos nacionais e internacionais. Pela relação entre BNDES-Tesouro-BACEN, que “criou”, por baixo”, R$ 1,5 trilhão em dinheiro “novo”, que nada mais é do que dívida futura trazida a valor presente. E que nem apareceu nos balanços ainda.

Estimo, sem medo de errar, que, no mínimo, R$ 2 trilhões circularam na economia, SEM JUSTIFICATIVA econômica. Ou seja, dinheiro injetado sem que o sistema produtivo pudesse suportar ou pudesse transformar em ganhos de longo prazo esse montante.

Onde foi parar esse dinheiro?

Fácil demais saber.

Em 2012 um gerente operacional de uma multinacional de telefonia, com 200 pessoas sob seu comando (trabalho de TI), ganhava entre R$ 9 mil e R$ 12 mil por mês. Nessa mesma época, um soldador no sistema Petrobras tinha promessa de salário inicial de R$ 8 mil, podendo chegar a R$ 15 mil. Um operador de guindaste, descobrimos isso quando caiu parte do Itaquerão, ganhava R$ 19 mil. Os ganhos salariais nos setores que o governo elegeu para investir pesado foram astronômicos.

E estamos falando de um gerente de TI com faculdade de primeira linha, MBAs e etc., ganhando bem menos do que pessoas formadas em cursos técnicos. Alguns de menos de 1 ano de duração.

Parte desses R$ 2 tri virou salário, nesses mercados “eleitos” pelo governo.

O problema é que os estádios não dão dinheiro. Os imóveis construídos estão sendo devolvidos. A produção de petróleo cai (caiu uns 8% esse ano) e o preço também. Praticamente todas as empresas que surfaram no crédito barato estão ultra-endividadas e não conseguem gerar caixa de seus negócios.

Essa parte que virou salário ajudou a dar a impressão de que estávamos no caminho certo. Gente ganhando cada vez melhor (nos setores “eleitos”), comprando cada vez mais, tomando dívida de longo prazo, tomando crédito de curto prazo. Vivendo o brazilian dream.

Outra parte desses R$ 2 tri viraram pó mesmo. São refinarias, complexos petroquímicos, imóveis comerciais e residenciais, estádios, expansões de fábricas, expansão de produção, créditos podres etc., que estão sendo baixados a prejuízo, às centenas de bilhões de reais todos os anos. Só no ano passado Vale e Petrobras deram prejuízos na faixa de R$ 80 bilhões, somados.

Vale é privada? Como disse Roberto Campos: “No Brasil a empresa privada é controlada pelo governo. A empresa estatal não é controlada por ninguém.”.

Então é esse o quadro. Torramos R$ 2 trilhões, no mínimo, entre subsídios e investimentos (não naturais) forçados por estatais e pela relação entre o trio BNDES-Tesouro-BACEN, e o resultado econômico é um total fiasco. Nem poderia ser diferente, pois os projetos jamais sairiam do papel se o financiamento e o risco fossem totalmente privados.

Ué, mas o empresário tomou o risco, tomou o empréstimo subsidiado, só porque o governo deu crédito barato?

Sim, mas não é para culpar apenas o empresário que não fez conta. Todos tomaram crédito subsidiado, principalmente os mais pobres. É para culpar, também e principalmente, o governo, que resolveu fazer caridade a bilionários com o nosso dinheiro.

E deu errado, tudo errado.

Os R$ 2 trilhões, que viraram pó no mercado, que não construíram nosso caminho para o desenvolvimento, vão nos atormentar por muitos anos, pois somos nós que vamos pagar essa conta.

Hoje temos repactuação das aposentadorias nos correios. 17% ao mês por 20 anos, é o custo no salário do trabalhador que confiou no sistema.

Temos o estado do RJ que vai pagar os aposentados, com atraso, e não terá dinheiro para comprar gasolina para a polícia e algodão para hospital.

E ainda falamos em “preservar direitos dos trabalhadores”. Sem dinheiro? Será que precisaremos ver o governo federal parando de pagar seus servidores, o que geraria uma quebradeira bancária sem precedentes, para acreditarmos que estamos quebrados?

O Brasil discute se alguém poderia se aposentar aos 50-55 anos, como se o pagamento disso caísse do céu, da graça divina. Como se não fosse outro brasileiro a pagar. Senhores, não é o governo que paga. Governo não tem dinheiro. O dinheiro é nosso.

Talvez esse momento inacreditável que o PT nos proporcionou permita a repactuação federativa e social e traga o Brasil para pensar sua realidade.

Mas e o PT?

Eu acho que perdeu a chance de ver o “projeto” funcionar. Nunca mais voltará com essa vibe hegemônica, esse discurso maniqueísta. Se continuar a existir (dependerá dos desdobramentos policiais) vai precisar fugir dos dinossauros da ditadura militar. Quem manda no PT tem 60 a 70 anos de idade. Não faz a menor ideia do que é o mundo nos anos 2000. Discute problemas que acabaram há 30 anos.

Se você tenta resolver um problema que não existe mais, talvez acabe o recriando. E não é o que estamos vendo?

Não tinha acabado a ditadura militar, a hiperinflação, a década perdida etc.?

Pois é, fomos enfrentar o que já estava morto, olha aí de novo. Chutaram tanto o cadáver que ele ressuscitou!

Senhores, por favor, a partir de 2018, vamos debater problemas atuais. Não queremos mortos-vivos andando pelas ruas no Brasil. Vai que aparece um Juscelino querendo reconstruir a capital federal na Lua, bem longe dos eleitores? Custando 3% do PIB? Xô Exu! Vade Retro!

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A Pirataria, a Incompetência Empresarial e uma Solução Jurídica Original

Posted on 10/03/2016. Filed under: Administração, Filosofia, Finanças, Música, Política | Tags:, , , , |

Recentemente um órgão internacional de proteção aos direitos autorais revelou que o Brasil era o segundo país onde mais se baixa ou se utiliza, irregularmente, conteúdo protegido, atrás apenas dos Estados Unidos.

Parece que o maior problema seria com games, segundo eles.

Eu não vou “chover no molhado” discutindo a moralidade, legalidade ou as implicações da atitude de usar conteúdo protegido sem pagar, ou pagando muito pouco. Não é o objetivo desse artigo.

Pretendo sugerir que a legislação atual, que criminaliza de forma direta e objetiva a atitude da pirataria, é contraproducente e atrapalha demais o desenvolvimento dos mercados de direitos autorais.

 

A incompetência empresarial

Temos um modelo de entendimento a respeito do mundo empresarial e financeiro extremamente equivocado.

O fato de alguém ser rico, bem sucedido, não faz dele, necessariamente, uma pessoa brilhante.

Na maior parte das vezes, as pessoas são ricas porque compram algo por R$ 10,00 e vendem por R$ 20,00. E fazem isso milhares de vezes por mês.

Essa mesma pessoa não estaria apta, só por ter feito fortuna, a opinar sobre estratégia empresarial, desenvolvimento da indústria ou o futuro da nação. Muitas vezes é apenas um bom comerciante, ou teve uma boa formação técnica e ocupa um cargo de destaque em algum grupo empresarial.

Eu compartilho do entendimento de Carl Icahn e outros investidores ativistas dos EUA, de que as Companhias são, na maioria das vezes, geridas de forma pobre, pouco criativa e pouco inteligente. E na maioria das vezes o sucesso vem por acaso.

Infelizmente o recente boom das commodities no Brasil mostrou isso. Dependendo do vento, até tijolo voa. Ventou muito. Pouca gente continuou voando quando o vento acabou. Quase ninguém, nem o próprio país.

A lógica de Icahn, da qual compartilho, é que a vida empresarial no topo tende a ser conservadora, tende a se preocupar, principalmente, em manter o status quo, na marra, com hordas de advogados, se for necessário.

 

O Napster

Creio que o primeiro grande caso que me incomodou foi o da briga da indústria fonográfica com o Napster.

Escrevi sobre isso em 2001 e enviei para a Enanpad, apenas para deixar registrado. No artigo sugiro uma visão de futuro completamente diferente para a época, mas hoje meio óbvia. A seguir, para quem quiser ler em retrospectiva.

Artigo

O Napster foi o primeiro grande sucesso no compartilhamento de arquivos, quando a internet ainda era, praticamente, uma tartaruga discada. Chegou a ter 100 milhões de usuários, o que para o início dos anos 2.000 era um feito e tanto!

A indústria fonográfica viu no napster uma ameaça, eu vi a redenção. Eu vi, com clareza, um modelo que poderia reduzir extremamente a ineficiência da própria indústria.

Indústrias têm objetivos sociais, aqui não falo de filantropia ou responsabilidades socioambientais, falo da tal “razão social”, o que ela agrega à sociedade e o que faz a sociedade pagar por esses benefícios.

A indústria do entretenimento nos traz estímulo sensorial. Nos traz sentimentos, vibração, memórias, amor, raiva e tudo o que aquela música ou filme conseguir despertar no “consumidor de sensações”.

A razão social ERA distribuir e entregar CDs ou DVDs, quando isso exigia parrudos investimentos em logística. Esse ERA o valor agregado. Não é mais e a indústria demorou a ver isso.

O Napster fez coisas incríveis. Fez você consumir esses sentimentos de outra forma. Não precisava mais comprar 10 músicas para ouvir uma. Não ficava à mercê de um sistema de distribuição e de promoção para ouvir uma música “fora de catálogo”, esperando um “The Best Of”. Não precisava gastar horas no rádio tentando gravar sua música antiga favorita.

E o que fez a indústria contra um garoto que, sozinho, revolucionou o sistema de distribuição de sensações?

Bom, dentro do ambiente empresarial a atitude, conservadora, hipócrita e, claro, destruidora de valor, foi iniciar uma guerra jurídica para destruir o Napster.

Não se deve ouvir seu corpo jurídico nessas horas. Não são especialistas nos negócios que defendem e, jamais, irão sugerir algo que lhes tire as “billable hours” do litígio sem fim.

A estimativa à época era de que a indústria gastou alguns bilhões de dólares, e muitos mais adiante, para destruir um modelo que, obviamente, viria a ser vitorioso NA MARRA anos mais tarde. E a indústria, praticamente, quebrou.

 

A guerra jurídica e a destruição de valor

Tenho muitos amigos defensores do liberalismo econômico puro, acreditam que o “mercado” resolverá suas inconsistências.

Tendo a concordar com eles em muitas coisas, mas não concordo que o mercado seja virtuoso a ponto de nos criar SEMPRE mais valor.

Na verdade acho que a evolução é no sentido de gerar valor, mas, muitas vezes, o corpo empresarial, político e jurídico atuam para nos atrasar por décadas.

Lembro-me de dizer várias vezes a um amigo que trabalhava na Microsoft, isso há mais de uma década, que o modelo de negócios estava errado. Não fazia sentido vender software caro, era muito mais inteligente alugar barato.

Até acho que os dirigentes da pequena e mole (Microsoft) sabiam disso, mas a justificativa era essa: “It´s a multi-billion dollar business”. Não se mexe com isso.

Os libertários acreditam na virtude mundo empresarial, para nos levar a um mundo melhor. Lamento, mas o mundo empresarial, na maioria das vezes, só discute quanto tempo mais eles precisam para amortizar seus investimentos.

Talvez pudéssemos, num mundo ideal de concorrência, onde os lobbies, os corpos jurídicos e os empresários jurássicos estivessem em segundo plano, ter carros a hidrogênio ou movidos a flatulência, ter energia gratuita em casa, ter descoberto a cura do câncer e da Aids, entre outras coisas.

Não temos esses benefícios e jamais saberemos se foi por incompetência técnica, ou porque “you don´t mess with a multi-billion dollars business”. Nas planilhas, tem que se usar AZT e gasolina por mais uns 20 anos para pagar os planos de negócios, as TIRs e os VPLs.

Esse é o mundo, desculpem pela franqueza.

Existe um mundo pior, entretanto. Está na Coréia do Norte, em Cuba etc., onde nem os “multi-billion dollars businesses” existem. Existe apenas o Estado.

Agora me desculpo com o “outro lado”, os estatistas. É inacreditavelmente pior assim.

 

Bill Gates e Steve Jobs

Recomendo ler sobre a vida de Steve Jobs. Ele levou sua Apple às alturas com um monte de loucura empresarial. Em determinado momento contratou o “melhor CEO do mundo”, que vendia água com açúcar e corante (Pepsi).

Em pouco tempo o conselho de administração, que representa quem colocou grana no negócio, expulsou Jobs da empresa para implantar um regime trivial de planos de negócios, taxas de retorno e outras tecnicalidades financeiras.

Como disse no início, dependendo o vento até tijolo voa. No caso, o fim do vento foi a demissão de Jobs. Foi taxado de maluco por querer vender um computador que custava US$ 2.000 por US$ 999. E parece loucura, mas em vez de forçar a engenharia a reduzir esses custos, a Apple trilhou o caminho dos burocratas das taxas internas de retorno e quase faliu.

Talvez falisse com Jobs também, à época, se não fosse possível baixar os custos. Mas custos são diminuídos com boa técnica. Genialidade não se encontra em CEOs que seguem a cartilha do Conselho de Administração, sem questionar.

Jobs voltou e, utilizando muito do que o Napster nos ensinou (com o Ipod), levou a empresa a valer mais do que todas as empresas brasileiras listadas em bolsa juntas.

Recomendo também o filme “Os piratas do vale do silício”, que conta a história de Jobs e de Bill Gates. Piratas que hasteavam bandeiras de piratas.

Bill Gates não é bobo. Usou a pirataria para levar a Microsoft ao monopólio do sistema operacional.

Quem usa Windows há 20 anos ou mais sabe que era caríssimo no início. Um pacote Office com Access era quase impagável para uma pessoa física ou para pequenas empresas.

Mas a pirataria de Windows era recorrente, quase a totalidade dos domicílios brasileiros, que tinham computadores, não tinham cópias legalizadas. Chego a afirmar que, mesmo em empresas, a maioria dos softwares era pirata.

Vale lembrar que, na década de 1990, os computadores não vinham com Windows. Não era fácil e barato como hoje.

E o esforço contra isso, por parte da Microsoft, era mínimo, no início, quando o Windows ainda não era o padrão mundial de sistema operacional.

Se Bill Gates tivesse gastado bilhões para destruir essa pirataria inicial, e efetivamente conseguisse garantir que apenas quem comprasse usaria o Windows, COM CERTEZA, outros sistemas operacionais apareceriam e o Windows jamais teria esse monopólio. Provavelmente nem existiria mais.

A pirataria foi a maior aliada de Bill e ele sabe disso. A facilidade de usar Windows e a suíte Office fez com que, naturalmente, as pessoas só soubessem usar isso. As empresas contratavam pedindo conhecimento em: Windows, Excel, Word etc.. Olha que reserva natural de mercado!

Creio que a prova disso é que nem sistemas operacionais gratuitos, ou planilhas gratuitas conseguiram tirar da Microsoft seu monopólio.

Bill, se pudesse, agradeceria a todos os bilhões de piratas que fizeram do Windows o padrão da computação doméstica e empresarial.

 

A pirataria como reguladora da incompetência empresarial no mundo do entretenimento

É claro que, quando você vira um “multi-billion dollar business” você abandona a pirataria e faz contas sofisticadas, para demonstrar que, por exemplo, uma superinovação precisa esperar de 5 a 10 anos para ser lançada, para não prejudicar os produtos atuais.

E assim caminha a humanidade. Refém das taxas internas de retorno, do judicialismo, dos lobbies para afastar a concorrência e esconder a podridão etc..

Parece-me óbvio, muito óbvio, deveras óbvio, que a modelagem atual de consumo legal de conteúdos protegidos, como Netflix, Itunes, You tube etc., existe porque se impôs na marra.

Existe porque a indústria falhou no protecionismo jurídico e policial. Apesar de AINDA tentar combater esses meios, pelos quais a maioria dos seres humanos vê e ouve seu entretenimento sensorial.

O que é um crime?

É o que está tipificado no código penal.

Quando você gravava os discos emprestados de um amigo num K7, ninguém via nisso um crime. Ainda que pudesse ser.

Há alguns anos, se você soprasse um bafômetro depois de 1 copo de cerveja, seria liberado. Se soprar hoje, será processado como criminoso.

Quem define é o legislador. O que era comum há 20 anos, hoje talvez seja crime inafiançável.

Se o Estado quiser, o cidadão jamais conseguirá viver dentro da lei. Você pode ser processado, por exemplo, por pagar um engraxate de 12 anos. Será estímulo ao trabalho infantil.

O Estado precisa entender que não está lá para isso.

Como o legislador poderia proteger os conteúdos e seus proprietários e, ao mesmo tempo, exigir contrapartida empresarial?

Em vez de, simplesmente, dar garantias de uso da força policial e judicial do Estado contra os consumidores irregulares de conteúdo protegido, deveria exigir que a proprietária dos direitos dê a opção de compra, com as mesmas facilidades, para o consumo do conteúdo.

Explico.

Um filme recém-lançado no cinema.

Para ver esse filme há que se consumir vários outros serviços ou produtos. Gasolina, transporte público, estacionamento, salas, ar-condicionado, energia elétrica, projetores, películas, manutenções etc.

Para quem tem filhos, uma ida ao cinema a 2 pode custar fácil 300 reais, entre baby-sitter e esses consumos casados.

Como é evidentemente possível fazer esse conteúdo chegar com qualidade às casas, entendo que os detentores dos direitos só devam estar aptos, juridicamente, a interpelar quem baixa conteúdos irregularmente se houver a possibilidade de compra pelo meio mais simples, sem vendas casadas.

Aos protecionistas, um parêntese.

Dizer que os cinemas poderiam ir à falência NÃO é um argumento razoável, é protecionista e cartorial. Um negócio deve existir porque agrega valor e não porque é a única forma que a lei ou a indústria nos permite para ver um lançamento.

O cinema vencerá, com certeza, por oferecer segurança, telas e sons maravilhosos, um escurinho para abrigar os namorados, uma pipoca, som, enfim, por ser um EVENTO em si, e não pelo protagonismo imposto por um modelo de negócios arcaico.

Voltando ao novo modelo jurídico…

Imagine se os detentores dos direitos autorais fossem obrigados, para poder interpelar judicialmente um consumidor pirata, a oferecer opções de compra, sem venda casada, ou da mesma forma que ele consegue ver em casa.

Tenha certeza de que o streaming de vídeo já seria o que é hoje em 2004, o Netflix e afins seriam hoje, provavelmente, maiores do que a TV aberta e até do que a TV paga. O Youtube seria hoje, o que será apenas daqui a 10 anos.

Poxa, mas isso iria reduzir a rentabilidade de outras indústrias?

Ai, ai, ai! Olha a verve protecionista atacando de novo!

O que não é justo é que o mundo se atrase apenas por conveniência de gente que não quer inovar, de empresários de planilhas e de VPLs calculados para projetos de 10 anos.

Não é justo que se gaste bilhões de dólares em lobbies do atraso e com corpos jurídicos que existem para proteger esse atraso, em vez de criar modelagens que efetivamente agregam valor ao consumidor.

 

Encerrando.

O mundo de hoje é estranho. Há mecanismos claros para que os modelos de consumo de entretenimento sejam revolucionados a cada ano. A cada minuto até.

Mas o que fazemos?

Preferimos criminalizamos 35% da população suíça. Isso mesmo, aquele país com 3 homicídios por ano, 7 roubos, tem cerca de 3 milhões de usuários ilegais de conteúdo protegido.

Esses suíços são uns picaretas! Cadeia neles!

 

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O Brasil está mesmo à beira de um Calote?

Posted on 04/03/2016. Filed under: Administração, Finanças, Política | Tags:, , , , , , , , , |

Primeiro foi a Empíricus a alardear um provável calote nos títulos públicos, por conta do desequilíbrio fiscal brasileiro.

Mas vários outros analistas também indicam, no Brasil e no exterior, que o ritmo de crescimento da relação dívida/PIB seria insustentável e poderia resultar em um possível calote em 2018.

O banqueiro Luiz Cezar Fernandes, ex-sócio do Pactual e do grupo Garantia, foi mais longe e previu, além do calote, uma quebradeira de bancos, inclusive bancos grandes, para 2018.

Antes de continuar, vale ressaltar que esse seria calote clássico, não o “branco” que muitos tem alardeado. É aquele calote em que o governo, simplesmente, para de pagar os juros, ou o principal. Ou, como na época do Collor, promove uma interrupção de todos os pagamentos e sequestro do principal por algum tempo.

Será que esse calote clássico virá?

A turma do “calote branco”.

Há quem defenda que o governo não precisaria chegar a tanto, pois tem como “imprimir” dinheiro e pagar os juros e o principal. Isso levaria ao tal “calote branco”, pois a emissão de moeda geraria inflação, o que reduziria o ganho real dos investidores.

Mesmo quem tem NTNs, atreladas ao IPCA, perderia, pois o imposto também é pago sobre a correção da inflação.

De que adiantaria ganhar 1% ao mês, se a inflação for de 3%?

Será que esse “calote branco” virá?

Qual a probabilidade dos calotes?

Os analistas não estão errados. Mas também não estão inteiramente certos. Subestimam alguns pontos. Em minha opinião.

A dívida pública está mesmo numa rota insustentável. Ela cresce, nominalmente, quase 2,5% ao mês e, em termos de PIB, quase 10% ao ano. Nesse ritmo chegará fácil a 80% de relação dívida/PIB no início de 2018. O professor Pastore acha que chega a 90% no mesmo período.

Engana-se quem julga nossa dívida pequena ao compará-la com a relação dívida/PIB de 243% do Japão ou de outros países desenvolvidos. Eles financiam suas dívidas em moeda forte e com juro praticamente zero. O custo médio da dívida brasileira é de quase 17% ao ano. Uma relação de 80% significa que pagaríamos 13,6% do PIB só de juros. Insustentável. Inacreditável.

Esse calote, a continuar a letargia política brasileira e sem reformas LIBERALIZANTES, infelizmente é possível e até provável. O ritmo brasileiro está ditado por questões policiais e paroquiais. A continuar assim até 2018, não seria surpreendente um discurso demonizando os rentistas para justificar a tungada nos poupadores.

Esse calote definitivamente é possível e, a continuar na toada política atual, lamento que seja até provável.

(Enquanto escrevo vemos o vazamento da delação de Delcídio e a condução coercitiva de Lula. A ver os desfechos, por enquanto voltemos aos calotes.)

Mas e se o governo imprimir dinheiro e soltar a inflação?

Esse caminho, em minha opinião, não existe.

Ou melhor, existe, mas seria muito pior, em todos os aspectos, do que o calote clássico. Pior para todos, inclusive e principalmente para o governo.

O medo, justificável, das pessoas esclarecidas é que a inflação desenfreada pudesse dar folga orçamentária ao governo, nos mesmos moldes do “imposto inflacionário” das décadas de 1970 a 1990. Ou seja, o governo conseguiria financiar suas contas pela corrosão que a inflação imporia aos brasileiros, principalmente aos mais pobres.

E o medo é mesmo justificável, pois essa inflação e a atitude perdulária iriam requerer ainda mais inflação e dinheiro impresso para continuar programas populares (ou populistas, como queiram), necessários para amenizar as perdas das classes menos abastadas e para manter apoio ao governo.

Enfim, retorno aos desequilíbrios pré-Real.

Não creio ser possível.

Até aqui o leitor deve pensar que estou otimista. Mas não é isso.

Eu entendo que o caminho da perdição orçamentária e do remediação populista não existe, pois, infelizmente, levaria o Brasil à bancarrota ANTES do calote clássico.

O sócio de Jorge Paulo Lemann no Garantia está correto quando afirma que o calote clássico geraria uma quebradeira generalizada nos bancos. É razoável crer que, o governo interrompendo o pagamento da dívida, os balanços dos bancos não resistam.

Porém, o caminho da inflação desenfreada levará ao mesmo lugar, mas antes.

Explico e ficará claro.

Aos brasileiros que não acompanham o noticiário financeiro vale comentar que a percepção de que os bancos brasileiros enfrentarão uma onda de calotes privados é generalizada.

Além de um sem número de matérias e opiniões nesse sentido, isso já se reflete no balanço dos bancos e, principalmente, nos preços de mercado.

Desde que acompanho o mercado, tem quase 14 anos, não me lembro de ter analisado Bradesco e Itaú em patamares tão baixos de índice preço/lucro. Recentemente vi Bradesco a P/L 5,5. É históricamente 60% mais baixo do que a média.

Por que estão baratos com lucros crescentes?

Ricardo Knoepfelmacher, maior gestor de crises do mercado brasileiro, afirmou em uma entrevista recente que sumirão dos balanços dos maiores bancos privados entre 150 e 200 bilhões de reais de dívidas corporativas, entre 2016 e 2017. Ver aqui.

Um misto de hiperendividamento, má gestão e falta de crescimento econômico, além de questões externas ligadas a commodities, o faz crer nesse quadro.

Creio que o noticiário sobre dívidas de empresas como Oi, Usiminas, Petrobras, Sete Brasil entre outras, deixa claro que a preocupação de Ricardo Knoepfelmacher não é em vão.

Segundo ele, não haveria problemas em bancos grandes, já os pequenos e médios, poderiam ter problemas. O Jornal O Globo publicou uma matéria recente sobre os péssimos resultados dos bancos médios. Há 19 bancos com prejuízos nos últimos 2 anos. Isso é muito diferente da realidade de Bradesco, Itaú e BB. O governo parece saber desse perigo, tanto que reeditou a medida que permite aos bancos públicos comprarem carteiras de bancos pequenos.

Todos sabem o que está acontecendo. Tudo o que disse é de conhecimento público.

Por que, então, não haveria como consertar os déficits do orçamento público pelo “calote branco”?

Ora, por um motivo simples.

O que é inflação? É perda de poder aquisitivo.

De que vivem as empresas endividadas? De onde vêm suas receitas? Exceto as puramente exportadoras, as receitas vêm do consumo das famílias (e do governo).

A inflação invade os orçamentos domésticos e vai “expulsando” todos os gastos supérfluos, inicialmente. Após isso, as famílias começam a invadir suas poupanças. Quando não há poupança, ou quando essa termina, as famílias escolhem o que não pagar.

Creio que o noticiário deixa isso claro.

Em 12 meses, 1 milhão de pessoas retiraram os filhos de colégios particulares, outro milhão e meio abandonaram os planos de saúde. É recorde de inadimplência em condomínios, contas de luz, prestação dos carros etc.

E se os itens essenciais dispararem, por conta desse “dinheiro impresso” pelo governo?

Será que as famílias, na maior crise econômica da história brasileira, conseguiriam reajustes salariais expressivos para repor seu poder de compra? Como, se nem emprego parece haver? Como, se os salários estão sendo negociados para baixo, por conta das novas regras aprovados pelo governo (reduzir carga horária e salário)?

Hoje, não há qualquer espaço de manobra nos orçamentos das famílias, e em suas poupanças, para acomodar com pouca “dor” uma inflação descontrolada.

Se a inflação invade o orçamento para necessidades básicas, as pessoas deixam de pagar outras coisas. O carnê das casas Bahia, do carro, as dívidas bancárias etc.

Isso significa que, além do calote das pessoas físicas, os bancos terão que encarar o das pessoas jurídicas, que vivem, essencialmente, da venda dos produtos às famílias e ao governo (que também está sem dinheiro).

E não estamos num momento confortável. Não há qualquer espaço nos balanços das empresas, e dos bancos, para suportar qualquer choque de (falta de) demanda ou de inadimplência.

E, claro, não há espaço orçamentário no governo para salvar ninguém.

O “calote branco”, infelizmente, anteciparia os efeitos do calote clássico e não resolveria o problema orçamentário do governo. A economia colapsaria antes.

Em 1980 e 1990, nós tínhamos inúmeros mecanismos para amenizar a perda de poder aquisitivo imposta pela inflação de 20% ao mês.

Hoje, não há qualquer mecanismo para proteger os orçamentos das famílias.

Inflação alta no curto e médio prazos significaria, nas condições de hoje, calote em efeito dominó. Falta de dinheiro das famílias gera inadimplência civil, inadimplência empresarial e, por fim, inadimplência do estado.

Se alguém no governo imagina que seja uma solução, é melhor esquecer. Não é.

É uma questão de timing. Para uma economia se “acostumar” com uma ciranda inflacionária “redentora” das contas públicas, leva tempo. Não menos do que 3 a 4 anos. Foi o tempo que a Argentina levou para estabelecer gatilhos salariais e outros instrumentos para lidar com inflação de 30% ao ano (a real).

Mas a inflação elevada nos próximos meses, dadas as condições de endividamento das famílias, de queda severa na atividade econômica e da falta de perspectivas no campo político, tenderá ase transformar numa sucessão de calotes, bem antes desses 3 anos. Entre 12 e 18 meses, sendo otimista.

O ideal, hoje, seria deflação, para abrir espaço para mais consumo e quitação de dívidas nos orçamentos familiares.

Não é impossível. Até porque o consumo deve reduzir ainda mais, o que poderia pressionar os preços para baixo.

Seria um bom ciclo, pois permitiria que o BACEN reduzisse um pouco os juros, aliviando a questão orçamentária.

O que fazer então? O calote é inevitável?

Não, o calote não é inevitável.

É relativamente trivial o que deve ser feito. Reformas liberalizantes. Fim do falido “Estado Empreendedor”. Venda de ativos. Concessões. Redução da burocracia, entre outros itens que todos conhecemos.

Isso já foi dito milhões de vezes. Roberto Campos morreu há mais de uma década, mas ainda continua ficando rouco de tanto nos alertar dos motivos de nossa pobreza.

Seria fácil fazer o certo, mas teríamos que ignorar os apelos corporativistas dos que se locupletam da máquina pública brasileira. Infelizmente há muitos nessa condição de dependentes da máquina estatal. De empresários bilionários a pessoas comuns.

Uma guinada nessa direção, ainda que inicial, mas com compromisso REAL, já permitiria um redirecionamento de capitais estrangeiros, de risco, para o Brasil. Já permitiria, em médio prazo, redução significativa dos juros.

Há US$ 6 trilhões aplicados em taxas de juro negativas no mundo. Dois meses de reformas liberalizantes e de respeito às regras e a Argentina renasceu para o sistema financeira internacional, com a expectativa de investimentos de US$ 80 bilhões nos próximos anos.

Imagine quanto poderia vir para o Brasil, se renegarmos o tradicional Império do almoço grátis e da falta de responsabilidade individual e corporativa (accountability)?

A saída é evidente e, creio, rápida. É só seguir a racionalidade econômica mais simples por alguns poucos meses, e direcionar o Estado para o que ele realmente deve fazer.

Apesar dos slogans nacionalistas tais como “O Petróleo é nosso”, “Petrobras, orgulho da nação”, entre outros, o nosso pacto social NÃO É ESSE.

Nosso pacto social espera, em troca dos penosos impostos, serviços públicos de qualidade na área de saúde, educação, segurança, jurídica e previdenciária.

É o que o brasileiro quer, apesar de ter sido convencido de que quer ser sócio de empresas elétricas, de petróleo, de telefonia etc.

É fácil, é simples. É até rápido.

Só falta, infelizmente, o líder.

Ainda não vi.

Não há político REALMENTE interessado em liberar o Brasil das amarras do corporativismo estatal.

Mas tenho esperança.

Ao menos já sabemos o que é errado. Há inúmeras evidências de nossos erros. Aprendamos, pois.

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Para entender a crise na Grécia. E é importantíssimo entender!

Posted on 29/06/2015. Filed under: Administração, Finanças, Política | Tags:, , , , , , , |

É amigos,

Estamos, 4 anos depois, discutindo a Grécia e a Zona do Euro novamente.

Reli meus posts de 2011 e, infelizmente, não mudaria uma vírgula da análise feita à época.

Para quem quiser entender a natureza dos problemas, vale a leitura. Não mudou nada.

Em 17/10/2011:

Dívida Grega: Erros que parecem acertos…

Em 19/10/2011:

Bancos x Governos – Erros e Acertos

Em 03/11/2011:

Referendo na Grécia? Enfim uma atitude que combate causas, não sintomas.

Em 07/11/2011:

“A Grécia não é mais um país” ou “Deixe-me ser pobre em paz!”

Em 08/11/2011:

A Itália e a invenção da “Chamada de Margem” política e social

Em 02/12/2011:

Lições da Islândia. A ressurreição de um país.

E vamos acompanhar para ver se, dessa vez, entendem que o problema não é a Grécia, é o Euro.

 

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  • Disclaimer

    Este blog é um ambiente privado para expor opiniões, estudos, reflexões e comentários sobre assuntos ligados a finanças, bolsa de valores, economia, política, música, humor e outros temas.

    Seus objetivos são educacionais ou recreativos, não configurando sob nenhuma hipótese recomendação de investimento.

    O investidor consciente deve tomar decisões com base em suas próprias crenças e premissas. Tudo que lê ou ouve pode ser levado em consideração, mas a decisão de investimento é sempre pessoal. Tanto na escolha de ações para carteira própria, quanto na escolha de gestores profissionais para terceirização da gestão.

    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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