Capitalização da Petrobras – Update 4 – A Imprensa não está informando adequadamente…

Posted on 06/09/2010. Filed under: Finanças |

A imprensa não está fazendo um bom trabalho na informação dos desdobramentos do prospecto da Petrobras. Não é culpa dos jornalistas, como ficou evidente no UPDATE 3, há muitas dúvidas mesmo para quem leu todo o prospecto e tem bom entendimento do mercado de ações.

Leiam o que saiu na Agência Estado hoje: aqui.

No sábado, o Jornal O Globo (não tenho o link) afirmou que a Oferta Prioritária seria de 80% das ações emitidas e que os 20% restantes iriam para as ofertas de Varejo e Institucional. A primeira informação está correta e é tratada de forma claríssima no prospecto. A segunda informação é duvidosa. Não há, em qualquer parte do prospecto (eu li a versão do dia 03, não sei se há outra) a indicação de que os 20% restante iria para essas ofertas.

No link da Agência Estado, ao menos, eles não se aventuram a informar o que não está claramente explícito no prospecto. Porém, deixam claras as inconsistências.

Afirmam que serão 3 ofertas. A Prioritária, que será exclusiva dos acionistas atuais, a de Varejo, que distribuirá as sobras da Prioritária e a Institucional, que distribuirá as sobras das duas ofertas.

Pois bem… se a prioritária distribuirá 80% do total ofertado, para onde vão os 20%?

Outra informação imprecisa que está sendo veiculada é que o acionista precisa aportar 34% de seu patrimônio atual para não ser diluído.

Não é verdade. Serão emitidas 42,85% de novas ações, mesmo que o acionista compre 34% ele será diluído. Ele poderá ser diluído em 30% (se não entrar) ou 6% (se entrar com 34%).

O resumo das dúvidas

Para facilitar, coloco um resumo das dúvidas que tive ao ler o release. Caso algum leitor mais atento tenha conseguido compreender o prospecto melhor, coloque os esclarecimentos nos comentários. Vai nos ajudar bastante!
Ah… não esqueça de indicar a fonte, ou a página do prospecto que tira a dúvida.

1. Qual o destino dos 20% de ações não distribuídas na Oferta Prioritária?

2. O Governo afirmou que vai subscrever até R$ 75 bilhões sem limite de preço. Como seu direito é bem menor (entre R$ 40 e R$ 48 bilhões), essa “compra firme” vai impactar de que forma o bookbuilding? Sabemos que se há um comprador enorme, que paga qualquer preço, isso pode puxar bastante o preço para cima. Existe esse risco?

3. Na página 140 do prospecto, a empresa afirma que 68% dos R$ 110 bi irá para pagar a cessão onerosa. Se a capitalização for um sucesso e os minoritários exercerem maciçamente seu direito de preferência, o governo NÃO VAI colocar os R$ 75 bilhões (iria, no máximo, a R$ 48 bilhões).
Se o governo não colocar os R$ 75 bilhões, equivalente à cessão onerosa, a Petrobras vai precisar pagar o valor integral?
Trocando em miúdos: Existe o risco do governo aportar, por hipótese, R$ 48 bilhões em títulos, e receber de volta R$ 75 bilhões em títulos e dinheiro?

4. Há a previsão de rateio das sobras da oferta prioritária para os que compraram ações. Há também previsão de rateio das sobras das sobras.
Pergunto: É possível que todas as ações sejam subscritas pelos atuais acionistas, comprando as sobras das sobras?
Outra: Se isso é possível, e o Governo vai comprar 68% do valor total previsto para a oferta, isso significa que o governo vai atuar nas sobras e nas sobras das sobras?
Se for assim, dificilmente vai sobrar ações para o varejo. Exceto se for muito ruim a adesão ao direito de preferência.

É isso.

São dúvidas que a empresa consegue dirimir em segundos. Vamos esperar!

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  • Disclaimer

    Este blog é um ambiente privado para expor opiniões, estudos, reflexões e comentários sobre assuntos ligados a finanças, bolsa de valores, economia, política, música, humor e outros temas.

    Seus objetivos são educacionais ou recreativos, não configurando sob nenhuma hipótese recomendação de investimento.

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    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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