A queda das elétricas – ameaça ou oportunidade?

Posted on 10/09/2010. Filed under: Finanças |

A ANEEL

Como vocês já devem ter lido ou visto em jornais e programas de TV, a ANEEL resolveu publicar várias regras que beneficiam o consumidor, especialmente o inadimplente, e aumentam os custos das concessionárias do setor elétrico.

Além disso, arbitrariamente definiu uma taxa de desconto (ganho máximo das elétricas) de 7,15%, hoje está em 9,95% para a definição das futuras tarifas.

As primeiras regras já entram em vigor neste ano, a nova taxa vai ficar em consulta pública até dezembro. Se a taxa for inviável, é possível que as empresas consigam uma revisão para cima.

Leiam aqui.

Por que as elétricas caíram de 8% a 15% em 3 dias?

A perda não é imediata, vai vigorar a partir de 2011, porém as perspectivas de receita, geração de caixa e lucro mudam imediatamente. Dessa forma, alguns analistas estimam uma queda de até 10% para os preços-justos dessa ações.

Valuation é isso aí. Fluxo de caixa descontado. Caiu a perspectiva de fluxo… caiu o preço justo.

Meus dividendos, como ficam?

Se os lucros caem, os dividendos tende a cair, mas não necessariamente o dividend yield (DY), pois esse depende do preço que você pagou pela ação.

Quem comprou Eletropaulo a R$ 37 há algum tempo, provavelmente teria um DY menor do quem a comprou a R$ 30,50 ontem. Mesmo que, naquela época, ainda não houvesse a possibilidade de uma redução tão forte nos termos que balizarão reajustes futuros.

E certamente para quem já há alguns anos faz poupança em Eletropaulo, Equatorial, AES Tietê e Coelce, tendo comprado essas empresas a valores 40% – 50% menores do que os que estão hoje (já depois da queda), não deverá ser significativamente afetado pela possível mudança;

Redução de preço traz…

Aumento de demanda. É a lei. E, ao menos no Brasil, funciona melhor até do que o código penal. Não é impossível que uma redução nas tarifas, como ocorrido algumas vezes, tenha impacto direto no aumento de demanda.

Dessa forma, não necessariamente as perdas com preço se transfeririam integralmente para perdas na receita e no lucro.

Elétricas crescem com…

Elétricas crescem com o crescimento do PIB do país, melhorias operacionais e redução de perdas e roubos, crescimento da população, crescimento no número de domicílios e no número de eletrodomésticos por domicílio, redução de custos de financiamento (BNDES a 4,5% ou 6%) etc.

É normal o nervosismo e a venda desenfreada. Há todos os perfis possíveis na bolsa. Há até quem faça trade com elétricas. É o trade-jabuti, dada a baixa volatilidade das ações.

Apesar da imprudência da ANEEL, ao oferecer um WACC quase 30% menor do que o anterior, e das interessantes benesses ao consumidor, especialmente em época de eleição, o sistema ANEEL-Elétricas-Consumidores é complexo demais e tenderá a buscar uma convivência aceitável para todos.

E se o DY de COELCE já estava em 15% quando a COCE3 custava R$ 30,00, é possível que fique até maior para quem a comprou ontem por R$ 26,80.

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  • Disclaimer

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  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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