O desastre de maio: Henrique “Mantega” Meirelles e Michel Temer “Rousseff” Lulia.

Posted on 30/06/2017. Filed under: Finanças |

Ontem (29.06.2017), ouvindo a CBN, começou uma propaganda da Petrobras, falando sobre a reestruturação da empresa. Não acho legal fazer propaganda institucional que não “vende” alguma coisa, parece desperdício de dinheiro, mas como a empresa estava muito desacreditada, compreendi a situação.

Ao final ouvi: “Petrobras, Governo Federal”. Qual é a lógica de fazer uma propaganda da empresa, para exaltar o controlador? Seria o mesmo que, há alguns anos, a Oi lançar a seguinte peça: “Venha para a Oi e obtenha 50% de desconto no primeiro ano de assinatura. Grupo Jereissati”ou o Itaú: “Juros mais baixos no cartão de crédito Personalité. Família Setúbal”.

Mesmíssima palhaçada que víamos e ouvíamos nos tempos de Inácio e Rousseff.

Ocultaram o resultado das contas públicas?

Não tinha conseguido ler o resultado das contas públicas de maio, que prometia ser absolutamente desastroso. Ouvi a CBN por mais de 1:30h e nada. Ao final do programa, perto das 19:00, Sardenberg citou que o déficit de maio foi recorde. Mas não elaborou nada, não chegou SEQUER a falar os números globais. Não citou número algum.

Aquelas chamadas de 30 em 30 minutos, que falam das principais notícias, não falaram NEM do próprio déficit, quiçá dos valores.

Por que ignorar algo tão estrondosamente desastroso?

Não sei se faz parte de algum pacote publicitário evitar alarde sobre notícias verdadeiramente ruins para a economia, que poderiam deixar os brasileiros e o empresariado mais pessimistas.

Mas a atitude frágil de Meirelles, diante de um desastre sem precedentes (já vou mostrar), mostra que estão querendo dourar a pílula até onde der.

O objetivo, assumido por Meirelles, de cumprir a meta de déficit, custe o que custar, a julgar pelos dados de maio e dos primeiros 5 meses de 2017, beira a irresponsabilidade. Vamos chegar em setembro sem saber onde cortar. Já há contingenciamento em gastos obrigatórios.

Já não é a primeira vez que Meirelles dá uma “Mantegada” nos dados econômicos. A comemoração do “fim da recessão”, com o tal aumento de 1% no PIB. Não há o que comemorar, principalmente porque a comparação é com o quarto trimestre dessazonalizado de 2016.

Se formos comparar com o primeiro trimestre de 2016, quando era Dilma ainda no comando, um caos na economia e ainda mais incerteza na política, com o petróleo a US$ 30 , dólar a R$ 4,00 e vários outros elementos horríveis, nossa economia CAIU 0,4%.

Isso mesmo. O primeiro trimestre de Temer perde para um primeiro trimestre ridículo, ainda sob o comando de Dilma.

O que há a comemorar, ministro?

Em mais uma “Mantegada”, o governo do Rio manobrou para aprovar um teto de gastos com base em 2015, ano de gastança generalizada, em vez de usar o ano de 2016, em que não havia o que gastar. Isso só foi feito por pressão do judiciário e do legislativo do Rio, que não queriam ficar restritos em seus orçamentos.

Ao que tudo indica, Meirelles vai topar essa manobra, e abrir os cofres para o Rio, os jornais do Rio só noticiam isso. Porteira que passa boi, passa uma boiada, virão outros, sedentos pelas mesmas benesses.

Vai pagar como ministro?

O desastre de maio

Todos já sabiam da queda da arrecadação em maio, mas o mercado errou FEIO a perspectiva de déficit para o mês. Estimavam entre R$ 12 bi e R$ 27,7 bi, na média R$ 19 bi.

E o que ocorreu? Impressionantes R$ 29,4 bilhões de déficit primário (sem contar os juros) para o mês de maio, o pior da história e acima da expectativa mais pessimista do mercado.

Não surpreende que não se queira alardear esses dados. Mas o Correio Brasiliense fez uma boa matéria sobre o assunto, que resumo para vocês a seguir.

Nossa meta fiscal desse ano é de R$ 139 bilhões de déficit, o que em si já é um vexame, mas conseguimos atingir inacreditáveis R$ 167,6 bilhões nos últimos 12 meses, terminados em maio.

O aumento das despesas em maio foi de 12%, a queda na receita foi de 1,6% em maio.

O que está acontecendo com as contas públicas, ministro? Não há investimento, não há receita, não há crescimento, só há buraco e crescimento de despesas.

A “expectativa” da secretária do Tesouro Nacional é de que os déficits sejam menores no futuro. Com base em quê?

Não bastam as “receitas extraordinárias”, que também estão difíceis de sair, pois o patamar de despesas não deve ceder, ou seja, se já estamos em 11,8% de alta com pessoal até aqui, mais 7,2% com benefícios previdenciários, não deve haver redução nestas rubricas nos próximos meses (comparando com o ano passado), principalmente porque, como se verá na tabela abaixo, não há muito espaço para reduzir ainda mais o investimento, já está mínimo.

Mantega?

O que me aborrece não é o resultado, mas a “Mantegada”, a falta de responsabilidade de assumir que, já em maio, comprometemos de morte a péssima meta estabelecida.

Ao fazer isso, ao tergiversar e transmitir mensagens tranquilizadores, nossos congressistas pensam que a situação não é urgente, que dá para empurrar com a barriga e barganhar um troquinho em apoio a Temer e às reformas, até o momento, pífias.

2018 é ano de eleição. É ano que não se corta nada, ao contrário, se gasta para garantir a reeleição.

Estamos próximos a um turning point, um momento em que, de manada, os investidores podem começar a desacreditar até em Meirelles e, por consequência, no próprio país. Se esse momento chegar, não haverá para onde correr, nem a tão sonhada redução de juros vai se manter. Vai fazer o quê, chamar o Armínio, ex-futuro-ministro de Aécio Neves?

Meirelles e sua equipe são o último fiapo de esperança dos donos do dinheiro mundial (e precisamos deles desesperadamente), caso se rompa, não vejo alternativa para recuperação da confiança.

Esperava menos “política” e mais economia de Meirelles.

Mansueto, corre daí…

Ps. Ao terminar essas mal traçadas linhas, vejo que o STF respondeu ao pedido de prisão de Aécio, não só negando, como mandando voltar ao Senado. E também que Fachin mandou soltar Rocha Loures.

Não me surpreenderia se grande parte dessa frustração de receitas seja de gente revoltada por pagar impostos, que faz questão de reduzir seu pacote de consumo ou evitar investir, para não municiar um bando de políticos e togados inconsequentes.

É quase um dever patriótico no Brasil tirar dinheiro dessa súcia que nos governa. Acho que a única solução vai ser deixar quebrar essa bodega, só assim para acabar com a mamata e a cara de pau.


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    O investidor consciente deve tomar decisões com base em suas próprias crenças e premissas. Tudo que lê ou ouve pode ser levado em consideração, mas a decisão de investimento é sempre pessoal. Tanto na escolha de ações para carteira própria, quanto na escolha de gestores profissionais para terceirização da gestão.

    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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