Porque saí do RPPS ou A (minha) Reforma da Previdência

Posted on 21/08/2017. Filed under: Filosofia, Finanças, Matemática, Política | Tags:, , |

Bom, parece que a Reforma da Previdência vai virar mesmo um arremedo para durar uns 4 ou 5 anos, ou nem sairá.

Dado isso, temos que nós mesmos tratar de correr para organizar nossas finanças, pois, ainda que muitos neguem, o problema da previdência pública é real e impactará a vida de todos, NÃO SÓ DOS MAIS POBRES, mas, principalmente, dos que recebem mais.

Há fatos que considero incontestáveis, se o leitor não concorda com eles, não sei se o resto do texto interessará. São eles:

  • Há déficit na previdência e ele é crescente.
  • Com o passar dos anos e com o envelhecimento da população, esse déficit vai piorar.
  • O orçamento público é insuficiente. Para tudo (exceto para os barões).
  • O cobertor é curto, se aumentar o gasto com a previdência no nível previsto, vai faltar para outras áreas.
  • Direito adquirido e expectativa de direito são robustos conceitos jurídicos, mas fragilíssimos conceitos econômicos. Não há ordem judicial que faça aparecer um dinheiro que não há.
  • Quem deve se aposentar a partir de 2030, provavelmente (diria 99% de chance) precisará complementar significativamente a aposentadoria com recursos acumulados privadamente.

Adeus previdência pública!

Tomei posse na CVM, autarquia federal que regula o mercado de capitais, em fevereiro de 2012. Foi o último mês em que você pôde entrar no serviço público no regime de aposentadoria integral (ou pela média do salário da ativa).

Em março de 2012, Dilma regulamentou o Funpresp e, desde então, NENHUM servidor público federal pode se aposentar com mais do que o teto do INSS. Isso mesmo. Juiz ganhando R$ 80.000, sem entrou após a regulamentação, vai se aposentar com R$ 5.500. Vai precisar fazer poupança privada para compor a renda no futuro.

Alvíssaras, alvíssaras! Parabéns a Dilma e Lula! É muito importante que os servidores, que já ganham mais (por enquanto) e têm estabilidade (segurança de fluxo de caixa, também por enquanto), destinem boa parte de sua poupança privada de longo prazo para projetos e de investimento e NÃO para o orçamento público.

A janela de saída.

Há cerca de 1 ano o governo abriu uma janela para que os servidores ainda na regra antiga pudessem sair do regime próprio de previdência (RPPS). Isso significa pagar menos contribuição previdenciária (servidores pagam 11% em cima de todo o salário), porém abrir mão da tão sonhada aposentadoria pública integral.

Foi a minha oportunidade de dizer adeus à previdência pública!

Quer dizer, nem tanto, pois ainda sou obrigado a contribuir até o teto do INSS, mas o governo me deu a liberdade e a oportunidade de cuidar privadamente da minha aposentadoria, ao menos em parte.

Por que abandonei voluntariamente a tão sonhada aposentadoria do servidor público federal?

Há muitos motivos, alguns pessoais e morais, e outros financeiros e atuariais. Sou da área de finanças por gosto, vejo o futuro como um conjunto de probabilidades, analiso os eventos no futuro por sua densidade de probabilidade (chance de acontecerem) e, para o futuro, vejo algumas questões que me parecem bastante prováveis. Outras praticamente certas.

Antes de elencar os motivos, vale colocar que decisões pessoais são… pessoais! Nada do que escrevi, ou escreverei, deve ser visto como um caminho correto ou errado para as decisões dos leitores.

Vamos às questões.

Questões tributárias.

  • Hoje aposentados do serviço público pagam IR de 27,5% (mesmo com mais de 65 anos) + contribuição de 11% ao RPPS (sobre a parcela que excede o teto do INSS), com previsão de alta para 14%.
  • Ao acumular patrimônio pela previdência privada, paga-se apenas 10% sobre o valor retirado (mais de 10 anos de aporte). Além disso, o valor aplicado pode ser abatido do IRPF do exercício, o que traz um ganho de 27,5% de início.
  • É altamente provável que a contribuição suba, tão logo seja aprovada a reforma da previdência (se for), para 14% (essa proposta foi feita em 15/08/2017).
  • A continuar esse caminho do déficit, gigante e crescente, é altamente provável que, tanto a alíquota do IR para os maiores salários, quanto a contribuição ao RPPS continue subindo. Não estranharia se em 2030 estejamos pagando 35% de alíquota máxima de IR e entre 16% e 22% de contribuição ao RPPS. Aqui no RJ já houve propostas de contribuição extraordinária nesses níveis.
  • Não é impossível que aumentem o imposto sobre previdência privada, mas é um tiro no pé desestimular poupança privada de longo prazo, a única que vai sustentar o crescimento do país, dado que a poupança pública acabou.
  • Em resumo, meu custo tributário na aposentadoria estaria, hoje, na faixa de 35% (IR e RPPS), deve aumentar e não espantaria se chegasse a 50% em 20 anos. O custo atual de retirada dos valores acumulados em previdência privada está em 10%, e considero improvável que aumente (muito), dada a necessidade de estímulo à poupança privada de longo prazo.

Questões culturais.

  • Formar poupança privada é questão cultural. Você se surpreenderia com a quantidade de médicos, juízes, executivos, com rendas superiores a R$ 600 mil, R$ 1 milhão ao ano que não formam patrimônio, ou que mantêm reservas insignificantes perto de seus custos anuais. R$ 200 mil em reservas é muito para quem gasta R$ 80 mil por ano, mas é pouco relevante para quem gasta R$ 500 mil ao ano.
  • É comum ver as pessoas fazendo reformas de 5 em 5 anos na casa onde moram, ou até em casas de veraneio. Quando olham o que gastaram ao longo de décadas nessas reformas, poderiam ter acumulado patrimônio para complementar confortavelmente sua aposentadoria. E o imóvel de uso próprio não é ativo. Reduz necessidade de caixa, mas não gera renda.
  • A Previdência Pública reforça essa leniência com a poupança privada que vemos em toda a população. É inacreditável que um pedreiro que chega a cobrar de R$ 300 a R$ 400 a diária, sonhe em se aposentar com salário mínimo ou com R$ 1.500 por mês. Se acumulasse patrimônio por 10 anos ou 15 anos, sem ser genial nas finanças, já teria recursos suficientes em poupança privada para usufruir de renda semelhante.
  • Há o desconhecimento, mas há o desestímulo mesmo, provocado pela expectativa de que é inevitável depender do governo quando ficar mais velho. É uma expectativa altamente empobrecedora, tanto para o indivíduo, quanto para o país.
  • Para quem tem 15, 20 anos ou mais para acumular patrimônio, aprender sobre as formas de investimento privado (são muitas e para os mais diversos apetites por riscos) deve ajudar na aposentadoria. Mesmo para o aposentado que recebe um bom dinheiro, a falta de experiência na gestão financeira de sua renda e patrimônio prejudica bastante seu período de aposentadoria. Não é à toa que a maioria esmagadora dos aposentados, ESPECIALMENTE DO SERVIÇO PÚBLICO, vive com sua renda comprometida significativamente no consignado.
  • Enfim, é melhor levar a experiência de ter gerido sua própria vida financeira e sua própria poupança, além de ter uma reserva significativa durante a aposentadoria, do que ter passado a vida na expectativa de apoio do governo e sem reserva alguma.

Questões financeiras e de seguridade

Trato por “questões financeiras e de seguridade” aquelas decisões que envolvem variáveis de risco e retorno e de diversificação.

  • Os riscos da aposentadoria pública estão ligados ao orçamento público, tanto no RPPS quanto no RGPS (INSS). Ocorre que, como se sabe, o déficit do funcionalismo é muito mais elevado, o desequilíbrio é maior e os salários são 7 vezes maiores, de forma que podemos dividir o risco do RPPS e do RGPS, apesar de terem a mesma fonte de pagamento.
  • Os riscos de uma taxação extra, ou excessiva, sobre as pensões e aposentadorias me parecem muitíssimo mais elevados para quem está no RPPS. Primeiro porque o déficit é maior (e aqui não cabe discutir conceitos de justiça, apenas conceitos financeiros) e segundo porque é mais palatável para a sociedade sobretaxar quem ganha R$ 20.000,00 do que quem ganha R$ 984,00. Dessa forma, o risco de quem está no RGPS (ou nas mesmas regras) me parece MENOR do que o risco de quem está no RPPS. Em resumo, vão “descascar” primeiro os que ganham mais e têm maior déficit, para depois chegarem a quem ganha menos. Aliás, isso já tem sido uma realidade para os servidores públicos federais desde 2003, pois já pagam 11% sobre suas aposentadorias e tem idade mínima de 60 anos (não há idade mínima nem contribuição de aposentados no RGPS).
  • Os regimes de previdência pública também são regimes de seguridade, ou seja, buscam amparar o cidadão e sua família no caso de sinistros como morte e invalidez permanente. Na previdência privada esses seguros precisam ser contratados à parte. Nos regimes FECHADOS de previdência, como no FUNPRESP, há formação de fundos para garantir essa seguridade, ou seja, paga-se um pouco a mais para reservar fundos para pagar pensões por morte e invalidez. Mas isso nada tem a ver com capitalização, tem a ver com seguro mesmo.
  • A seguridade no RPPS (do governo puramente), para quem tem pouco tempo de serviço público, não é tão interessante, pois para o caso de invalidez e morte há substanciais cortes nos benefícios à família ou ao indivíduo. Entrando no FUNPRESP, há formação de um fundo (caro) para pagar pensões no caso de sinistros. Esse fundo, me parece, está superdimensionado, pois, para cada R$ aportado pelo beneficiário, cerca de 0,41 centavos são destinados ao fundo (porque o governo coloca também R$ 1). Além disso, o FUNPRESP é o regime para todos os novos servidores, desde 2012, com a aprovação da idade mínima de 65 anos (se não for agora, será em 2019 ou 2020), é provável que haja muitos servidores jovens entrando e contribuindo por 30 a 40 anos para o FUNPRESP. Não me parece que esse fundo ficará “sem dinheiro” para pagar as pensões. Acho até que está superdimensionado.
  • Já as regras de seguridade do RPPS tendem a piorar com as reformas da previdência, essa próxima e as várias outras que virão nos próximos 20 anos. É bem provável que as pensões por morte e invalidez sejam expressivamente reduzidas (já está em pauta). No caso do FUNPRESP ou da contratação de seguros privados, o que vale é o contrato e a disponibilidade financeira. É provável que, nos próximos anos, a seguridade contratada privadamente ou nos fundos fechados seja muito superior à seguridade social. Por incrível que pareça, a decisão de sair do RPPS, contratando os seguros corretos (ou entrando no FUNPRESP), pode reduzir os riscos de fluxo de caixa no caso de sinistros.
  • Há o risco de sucateamento do serviço público, esse risco não é desprezível (escrevi esse texto bem antes das mudanças propostas em 15/08). Achatamento salarial, redução de carga, PDV, está tudo na mira do governo. E continuará, pois o déficit pesado da previdência está no serviço público, em todos os níveis. Quando o Brasil estava “bombando” entre 2011 e 2014, os salários na iniciativa privada, para quem tem boa formação, estavam bastante atraentes. Se Dilma tivesse seguido o caminho proposto por Palocci e outros, de buscar o déficit nominal ZERO, talvez ainda estivessem todos na cadeia, mas a economia estaria voando. Nosso problema é essencialmente fiscal, se não houvesse isso, nossa economia estaria inundada de dinheiro barato (os juros seriam mínimos e sobra dinheiro no exterior). Seria altamente provável que profissionais bem formados deixassem o serviço público. Se isso acontecer, e você tiver 15 a 20 anos de contribuição ao RPPS, vai pensar duas vezes antes de sair e perder o dinheiro pago para a aposentadoria. Mas se esse dinheiro tiver sido acumulado no FUNPRESP ou em previdências privadas, o servidor poderá sair levando o dinheiro acumulado para a aposentadoria. A decisão fica bem menos difícil. Sair do RPPS reduz o risco de perder oportunidades por estar preso a um regime para o qual você já contribuiu muito.
  • Há o risco de gestão e de fraudes nas previdências privadas, inclusive no FUNPRESP. Ocorre que é possível diversificar as fontes de aposentadoria, como em outros fundos de previdência, fundos de investimento imobiliário, ações etc.. No RPPS há o risco de má gestão do orçamento público também, aliás, isso nem é risco, é certeza. Na verdade estamos trocando um risco sobre o qual temos algum controle (participação nas assembleias, troca de gestores, seleção de riscos da carteira, venda pura e simples etc.) por um risco sobre o qual nosso controle é apenas no voto nos políticos, e nunca deu muito certo.

Em resumo, com visão exclusivamente financeira (de riscos de fluxo de caixa), entendo que sair do RPPS foi “vender um ativo com perspectiva ruim” para selecionar e me posicionar em “ativos melhores e com maior diversificação”.

É evidente que, para quem tem 25 anos ou mais de contribuição ao RPPS e para quem está próximo de se aposentar (até 10 anos) os riscos são muito diferentes, até porque devem ter pouco tempo para acumular poupança privada. Talvez para estes a ideia seria apertar um pouco mais o cinto, renunciar a determinados padrões de consumo para acumular alguma poupança privada para compor com a aposentadoria pública e reduzir seus riscos.

Se eu pudesse resumir minha motivação para sair do RPPS diria apenas que entendo ser a coisa certa a fazer. Vou destinar a minha poupança com vistas à aposentadoria para investimentos privados e não para o orçamento público. Orçamento público não gera riqueza, aliás, há eloquentes exemplos no mundo inteiro que demonstram isso.

Se o Brasil entrar nos eixos e orçamento equilibrar, significa que a economia voltou a andar forte, gerar riqueza e pagar os impostos. Nesse caso os investimentos privados também devem dar resultado. Se o Brasil quebrar, é melhor ter a opção de mexer com a poupança acumulada privadamente (para comprar dólar, por exemplo, se a coisa for mesmo para o buraco) do que ficar com a expectativa de direito de receber uma aposentadoria de um estado quebrado.

A minha contribuição para a melhoria do Brasil é essa, reduzir o compromisso do governo comigo e destinar os excedentes para investimentos privados. Que espero que voltem com força. Os “investimentos públicos” já demonstraram que são sorvedouros de dinheiro, não geram qualquer riqueza.

Haverá leitores que vão me tomar por tolo, por acreditar em investimentos privados, em capitalismo etc.. Minha visão a esse respeito é bem simples. Há riscos nos investimentos privados, para esses riscos há cálculos de mitigação e diversificação. Posso acessar 4 grandes gestores para meus fundos de previdência privada, 12 ou 15 ações, mercado interno e externo, estratégias com opções etc.. Há riscos ao depender do governo para garantir meus proventos no futuro e para esses riscos eu não tenho nenhuma estratégia de mitigação, ninguém tem.

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86 Respostas to “Porque saí do RPPS ou A (minha) Reforma da Previdência”

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Amigo,

Boa tarde,

Primeiramente, gostaria de parabeniza-lo pela iniciativa de trazer essa relevante discussão.

Também sou servidor público federal há cerca de 21 anos, com mais 3 anos e meio de iniciativa privada, mas como tenho 44 anos, posso ser atingido violentamente pela Reforma da Previdência, cujo texto em discussão hoje me exigiria ficar até os 65 anos para conseguir a integralidade, além da iminente majoração da CPSS para 14%

Nesse contexto, pergunto:
a) numa eventual migração para o Funpresp, eu seria ressarcido, de alguma maneira, pela CPSS de 11% paga sobre a integralidade dos meus salários por 2 décadas?
b) e em relação à parcela paga ao INSS (inclusive pelo empregador), por 3 anos e meio?

Agradeço desde já pela atenção

A previsão de ressarcimento se dá através do benefício especial. Como vc tem 21 anos, provavelmente esse adicional ao salário será grande. Esse valor é baseado no que vc pagou a mais para o RPPS, em relação ao que pagaria no INSS. A parcela do INSS fica a mesma.

Ola! Parabéns pelo artigo. Valiosas informações. Estou pensando em sair do RPPS na regra antiga. Vc acha que vale a pena entrar na Funpresp ou é melhor deixar todos os recursos em investimentos privados?

Eu optei pelo Funpresp por conta dos benefícios de seguridade (pensões), mas cada realidade é diferente. Depende muito do tempo que ainda falta para acumular patrimônio. O ideal mesmo é, se ficar no FUNPRESP, também compor com outras poupanças pessoais.

Bom Dia, achei muito interessante esse seu artigo, sou bem leiga nessa parte de investimento mas estou pensando seriamente tb em deixar o regime antigo. Tenho uma dúvida: em que vc investiu a diferença do salário? Funpresp e oq mais?

oi Aline, invisto no Funpresp e em fundos de previdência privada abertos (Icatu e Verde).

Olá, primeiramente, parabéns pelo post.

Tenho pesquisado a respeito desse tema, mas não vejo quase ninguém que resolveu migrar para o FUNPRESP falar de algo que acho essencial: o IR.

Hoje, com a nova alíquota prevista na reforma da previdência, passarei a pagar R$ 1700 para o RPPS.
Caso migre para o funpresp; na alíquota de 8,5; pagaria para o FUNPRESP cerca de R$ 1000.

Ou seja, sobrará da minha renda o valor de R$ 700. Com isso, sobre esse valor, incidirá 27,5% de IR.

Não tem investimento no mundo que faça eu repor esses 27,5%.

A solução seria fazer o aporte facultativo da FUNPRESP, mas, nesse caso, volto a situação de não diversificar e deixar tudo na mão da FUNPRESP.

Oi Aline, essa análise não está sendo feita, pois você abate esse valor pago ao Funpresp da base de cálculo do IR. O valor pago ao FUNPRESP não entra naqueles 12% da renda bruta que vc pode investir em previdência privada. Se você entrar como ativo normal, o governo aportará R$ 1,00 para cada real aportado. Mesmo depois dos descontos, para cada 1.000 reais aportados, entram na conta cerca de 1.440.

“Há cerca de 1 ano o governo abriu uma janela para que os servidores ainda na regra antiga pudessem sair do regime próprio de previdência (RPPS).”

Olá, Portinho,

sobre a janela mencionada acima, até quando estará disponível? E para os servidores que migrarem nessa “janela” haverá a contribuição da União?

Pegunto porque segundo o site do LegisPrev (https://www.funpresp.com.br/portal/?page_id=641):

“Podem aderir ao LegisPrev os servidores públicos titulares de cargo efetivo do Poder Legislativo Federal e os membros do Tribunal de Contas da União que entraram em exercício após 07/05/2013. Aqueles que ingressaram no quadro efetivo anteriormente a 07/05/2013 poderão aderir ao Plano como Participante Ativo Alternativo, na qual não há contribuição da patrocinadora.”

Grata!

Oi Juliane, eu não saberia dizer se o legisprev tem a mesma regra do executivo. Aqui ficará aberto até 2018, para ser ativo normal.

Boa tarde Portinho. Gostaria de saber como você fez a migração. Gostaria que explicasse o passo a passo do procedimento para sair do RPPS. Sou servidor público federal e gostaria de sair do RPPS para eu mesmo gerir minha aposentadoria. Gostaria de saber com quanto contribui e como é essa contribuição. Ganho hoje mais de 13000R$. Uma pessoa falou que se mudasse do RPPS pagaria só 608,44R$ (11% de 5.531,31R$ – teto). É possível isso? Se possível, qual é o passo a passo no sítio do SIGEPE? Uma coisa importante: não quero me filiar ao FUNPRESP. Gostaria de contribuir somente com os 608,44R$, é possível? Agradeço, desde já. Fico na espera da resposta.

Se vc migrar pagaria apenas 608, que é 11% sobre o Teto do RGPS-INSS. Creio que o mais indicado é entrar em contato com o RH da sua instituição, a migração é bem simples, são apenas alguns documentos e a aceitação através do SIGEPE.

Portirio, ótimo artigo. Parabéns!

Tenho 11 anos de serviço publico federal, e estou muito inclinado em optar por sair do RPPS e não aderir ao FUNPRESP, aplicando a diferença e gerindo eu mesmo essa diferença. O que pega são esses 11 anos de contribuição acima do teto. Já entrei no SIGEPE e fiz a simulação do benefício especial, mas fiquei com uma dúvida: Esse benifício só é pago em caso de aposentadoria? E para isso eu teria que estar no FUNPRESP? E se eu resolver sair do Serviço Público, eu NÃO teria o direito de sacar esse benifício?

Grato,
Marcos.

oi Marcos, essas questões ainda são confusas, mas a explicação que está valendo é que o benefício especial não depende de adesão ao FUNPRESP, mas aparentemente você precisaria se aposentar no serviço público. Acho que isso foi um erro do governo, pois ao assumir a existência do benefício especial, e ainda apresentar seu cálculo, ele assume os valores pagos a maior. Para os que quisessem sair do serviço público, o que reduziria até o gasto do governo, creio que o melhor seria manter o benefício especial ou pagar seu valor presente em dinheiro, em títulos ou até em aporte no FUNPRESP.

Caro Portinho,

Entrei no Ministerio da Fazenda em 1995. Tenho 46 anos e 22 anos de contribuição. Fiz a opção ao RPC no mes passado sem adesão ao FUNPRESP. Minha analise pessoal é exatamente identica a sua. Parabens pela coragem e lucidez.

Tenho uma duvida… Caso eu optasse pelo PDV, eu poderia continuar contribuindo com o teto do INSS e me aposentar pelas regras futuras…e receberia o teto do INSS… E quanto ao beneficio especial a que tenho direito quando fiz a adesão ao RPC? A Lei que a instituiu diz que ela seria paga quando eu completasse os requisitos de aposentadoria no regime geral. Mas nem a lei do PDV nem sua Portaria regulatoria citaram esta hipotese. O que voce acha?

Oi Marcus, até onde sei esse caso do benefício especial está mal parado, ou seja, ainda não sabemos se será pago mesmo saindo do serviço público. O pessoal daqui garante que o servidor perderá, mas entendo que é um tema a judicializar, pois esse benefício nada mais é do que o reconhecimento de um pagamento a maior feito pelo servidor. Mas ainda não sabemos bem como será.

Perfeito. Tambem estou consciente da possibilidade de judicialização futura. Mas ainda o considero mais liquido e certo do que a integralidade.

Caro portinho, vc falou que saindo do RPPS vc contribui mais para o país pois os recursos vão para iniciativa privada. Mas 90 por cento do FUNPRESP vai para títulos públicos. Não dá na mesma? Vale também lembrar que um dos motivos da quebra da Petros foi o investimento na Eldorado da J&F, ou seja, a iniciativa privada precisa mostrar mais e principalmente deixar de ser corrupta para que eu queira investir nela.

No início do fundo não tem mesmo muita opção, tem que ser em título público. O que quebrou os fundos de pensão ligados a estatais foram as indicações políticas, que levam a investir em projetos fadados ao fracasso. A corrupção principal é do gestor do fundo, o dinheiro só foi para esse projeto porque ele concordou e investiu.
Todos os fundos fechados não ligados a estatais e sem indicação política não apresentaram nenhum problema nesses anos. O corrupto da iniciativa privada vai ter que encontrar um corrupto no fundo de previdência para roubar os beneficiários.
No mundo inteiro a complementação das aposentadorias é feita assim, não há outra opção. Mesmo que seja ruim, depender apenas do orçamento público é um risco que não quero ter que correr.

Pois é, mas o funpresp também não está livre das temerosas indicações políticas. Quem garante que o governo não coloque um geddel lá um dia? Hoje está com credibilidade, comandada por um auditor fiscal é acompanhada de perto por procuradores e outros, mas e depois? Outra coisa que não ficou bem clara pra mim no artigo, vc optou pela funpresp ou foi pro regime geral? Abraço

Oi Rodrigo, sempre existe esse risco, por enquanto está organizado. Eu optei pela contribuição mínima ao FUNPRESP por conta da seguridade, pensando em pensão por morte ou invalidez. São 3 frentes, RGPS (teto do INSS), FUNPRESP pelo mínimo e para garantias de seguridade (é mais barato que fazer seguro por fora) e Previdência privada (aqui entenda-se como fundos de previdência, ações, fundos e poupança privada em geral).

Em relação a postagem original, penso que a questão da alíquota de contribuição se 11% ou 14% não é tão relevante, basta capitalizar a diferença (no caso 3%) durante o tempo que falta para a aposentadoria para se ter uma noção do ganho que se teria até a data do benefício. Penso ser muito mais relevante um eventual aumento da alíquota de imposto de renda, desde que se tenha optado pela tributação reduzida. Nesse caso, um aumento de 1% na alíquota de IR já faria uma diferença muito grande. Por fim, pelo que entendi o benefício é composto de três elementos: 1º) O valor correspondente ao maior benefício do RGPS (hoje em 5.531,19); 2º) o benefício especial, calculado pelo 80% maiores salários de contribuição e (3º) o benefício do Funpresp, que depende do montante acumulado entre a data de entrada e a data do deferimento do benefício. O primeiro componente penso que se pode descartar em eventual análise se compensa ou não migrar, porque esse limite impacta ambos os regimes. O segundo dá para calcular porque aí só estaríamos olhando para trás. A questão é o terceiro, que leva em considerações hipóteses e premissas que certamente não se realizarão. Nesse ponto, temos de ser bem conservadores.

A única hipótese e premissa que não vai se realizar é a sustentabilidade do sistema previdenciário brasileiro. Os números estão claros e abundantes, mas cada um se protege como entende melhor. Eu faço o óbvio, diversifico o risco, não quero chegar daqui a 20 anos reclamando contra o governo, contra a previdência, contra os políticos, quero depender pouco deles.

De fato, existe o risco do patrocinador não arcar com sua contraparte? A princípio penso que sim, tanto o é que são previstas penalidades (art. 15 do Regulamento). E nesse caso o que ocorrerá? o órgão teria que tentar receber na justiça do patrocinador. Imagine quanto tempo isso demoraria. Existe o risco do patrocinador sequer repassar a parte do segurado. Ou seja, reter e não passar à Funpresp. Também penso que sim e duvido que já não tenha acontecido, sequer por alguns dias. Li o regulamento todo e não vi nada que mitigasse esse risco. É bem o que acontece com os RPPS dos Estados e Municípios: na teoria todos estão buscando o equilíbrio financeiro e atuarial, mas esquecem de combinar com o patrocinador de repassar regularmente sua contribuição. Ora, se os recursos não entram não há o que render e o plano de financiamento vai pro beleléu. Então tem que se fazer novo plano de equacionamento do que chamam déficit atuarial; cria-se uma contribuição suplementar para o patrocinador, que mais uma vez não paga e sabem onde a corda arrebenta.

Os riscos de o governo não pagar a parte dele (quebra de contrato) ou reter a parte do servidor (apropriação indébita), ambos estão associados ao interesse do governo em manter e respeitar contratos, em última análise, da estabilidade financeira do país. Esse risco é o mesmo de o governo não pagar as aposentadorias, a diferença é que a poupança acumulada no FUNPRESP é sua, não do governo.
Há no seu comentário confusões entre os regimes. O RPPS de estados e municípios é regime de partilha, de benefício definido, no FUNPRESP é regime de capitalização, não tem garantia de benefício, depende da acumulação. Não existe no regime de capitalização déficit atuarial, plano de equacionamento ou contribuição suplementar do patrocinador. Esses riscos são exclusivos dos planos de benefício definido. Ou seja, esses riscos não estão no FUNPRESP, apenas no RPPS.

Bem lembrado, de fato terminei por esquecer tratar-se de contribuição definida. Obrigado.

É um grande engano confiar em poupança privada no Brasil. Já existiu no passado e todas, sem exeção, inclusive uma dos funcionários do Banco Central, foram à falência, deixando os contribuintes otários na mão.

Quase todos os aspectos que levaram vc a migrar para o FUNPRESP serviram para eu tomar a mesma decisão no início de 2017.
Tem um detalhe que está neste pacote de maldades anunciado pelo Governo Federal que pode impactar e muito o fortalecimento do FUNPRESP. Refiro-me à ” juniorização das carreiras típicas de Estado”, que faria com que os novos servidores tivessem salário de entrada no valor de R$ 5.000,00. Com essa nova estrutura remuneratória, o FUNPRESP não receberia aportes dessa nova turma por um bom tempo (com crescimento gradativo lento). Ou seja, o FUNPRESP ficaria praticamente estagnado por um bom tempo, contando apenas com os atuais filiados para sua manutenção. O que vc acha disso? Parabéns pela clareza na análise!

Vejo com preocupação. Muita preocupação. Por isso acho que essa proposta do governo é um improviso, ainda deve ter análise dos impactos em várias áreas. Se for para destruir o serviço público, seria melhor devolver o dinheiro pago a mais para o RPPS, corrigido, estabelecer uma indenização que leve em conta o tempo de serviço e a perda da estabilidade e abrir um PDV. Daria menos questionamento judicial. Temos que aguardar.

E para casos como o meu, em que estou próximo da aposentadoria? Só de Justiça Federal já tenho 27 anos, sem contar o tempo em outras instituições.
Abraço,
Marlon.

oi Marlon, essas questões são pessoais mesmo, tenho muitos amigos na mesma situação, alguns se apegam às garantias legais para permanecer, outros, com medo, pensam em sair. A única coisa que todos concordam é que se o governo devolvesse em dinheiro a diferença paga a maior para o RPPS, todos sairiam. Não seria muito caro para o governo, e em termos atuariais seria um sucesso.

Olá, Portinho. Obrigada pela reflexão! Acabei de conhecer o seu Blog e gostei muito! Tenho uma dúvida: ainda não sou servidora, tenho 34 anos e estudo para concurso público. Tenho pouco mais de 5 anos de contribuição como contribuinte individual. Considerando a atual conjuntura, a possibilidade de a Reforma virar realidade e as mudanças ocorridas na previdência do servidor público, pergunto: vale a pena continuar contribuindo para o INSS, pelo menos até a minha aprovação, para que eu possa averbar o tempo de contribuição depois quando for aprovada? Ou seria melhor parar de contribuir agora e investir esse valor (aproximadamente R$ 200,00), no Tesouro Direto, por exemplo? Agradeço imenso a atenção! Rachel.

O INSS tem uma questão de seguridade, como auxílio doença, licença maternidade, sinistros, pensões etc., mas mesmo mantendo esse pagamento para garantir os seguros, é fundamental fazer poupança privada para compor.

Concordo com você. Certamente, irei investir boa parte da minha remuneração futuramente, pois quero um velhice tranquila. Mas a dúvida é mesmo se vale a pena continuar contribuindo para o INSS com o objetivo de depois averbar esse tempo de contribuição no serviço público…. Obrigada 😉

É difícil avaliar, pois não dá para antecipar todos os valores. Depende do salário a receber, do tempo contribuído e a contribuir, é o tipo de análise complexa. Pensando no curto prazo e no presente, tem-se que avaliar a conveniência de manter o pagamento do INSS para se precaver de sinistros e/ou necessidades especiais.

Entendo… É complexo mesmo, ainda mais com tantas mudanças acontecendo e em vias de acontecer… De toda maneira, seu Blog e seus comentários sempre ajudam! Obrigada 😉

Olá Portinho. Excelente reflexão. Obrigado por compartilhar.

Estou decidido a migrar para o Regime Geral e gerir o meu patrimônio por conta e risco. Estou em dúvida, no entanto, com relação a vantagem ou não de aderir ao Funpresp no regime de co-participação do Governo.

Conversando com outros colegas em situação semelhante, nos parece que a conclusão é em linha com a sua estratégia, o seguro de vida/invalidez da Funpresp, hoje, representaria uma oferta mais vantajosa do que recorrer a estes produtos no mercado.

Entretanto, me parece que seria possível aderir a Funpresp por meio de um PGBL (contribuindo com uma quantia mínima em torno de 100 reais) e ter acesso a estes seguros, contudo, sem a obrigatoriedade de contribuir a Funpresp naquelas alíquotas pré-definidas de 7,5/8/8,5 no caso do Funpresp-Exec do regime de co-participação.

Me parece que o regime de co-participação fica mais vantajoso somente após um longo período de contribuição que permitiria você resgatar uma parte significativa do montante que o patrocinador contribuiu. Estou aventando a hipotes de resgate, pois como você bem colocou, acredito em risco real de sucateamento do serviço público no curto-médio prazo.

Você chegou a avaliar estas opções? Pelo que eu extrai dos comentários, você optou por migrar de regime e contribuir com a alíquota de 7,5% sob a diferença do salário total-teto do INSS, correcto?

Obrigado pela atenção !

Otávio

oi Otávio, o Funpresp tem abatimento do IR, adicionais aos planos abertos, de forma que há também um ganho fiscal logo de início. Entendo o FUNPRESP como um elemento adicional ao esforço de poupança, e como veículo para seguridade (garantias em caso de sinistros). Tenho consciência de que será necessário acumular em outras fontes.

Portinho, já tenho os seus livros, me ajudaram muito no entendimento inicial da bolsa e, principalmente, no aspecto psicológico, que é o mais importante.
Mas eu queria mesmo era estudar finanças, para entender a saúde financeira das empresas. Pensei até em fazer um curso de contabilidade, mas acho que não tenho mais paciência de frequentar uma faculdade com professores marxistas, já cumpri a minha cota.
Você poderia me indicar uns livros bons de nível inicial e intermediário? Já pedi para várias pessoas e nada de receber indicações bibliográficas.

Os livros do Damodaran são fortemente recomendados. Eu não sei se vc tem o meu livro “Investimentos para não especuladores”, pela Saraiva. é um livro sobre avaliação de empresas bem básico.

Este eu não tinha, já comprei aqui. O Damodaran tem três livros principais, Valuation, Avaliação de investimentos e Avaliação de empresas. Compro os três e por qual começo ?

PElo Valuation. Mas o meu livro é bem mais simples.

Boa tarde.
Perfeito o artigo. Fui servidor federal por 7 anos e estou há 3 no gdf.
Acontece que aqui não há ainda previdência complementar (estão em discussão isso).
Corre o risco do governo não me possibilitar migrar para previdência complementar. Tenho esse receio. O que vc acha?

Não saberia dizer. Teve uma reportagem essa semana sobre o GDF dizendo que querem misturar os fundos (benefício definido e contribuição definida). Me pareceu preocupante, mas não tenho os detalhes.

Acho que não.
Acho que o governador só quer juntar o fundo do IPREV que foi criado pós 2007, para pagar os servidores pós 2007 (que está, obviamente, com dinheiro sobrando, já que o pessoal não se aposentou ainda), com a previdência dos pre 2007 que é deficitário e da grande maioria.
Mas ao mesmo tempo o GDF tb criaria uma funpresp DF. o que é muito salutar, acredito que nos moldes da federal. Ai nesse caso, zarparia para lá rapidamente.

Pelo que li vão pegar superávits de fundos com contribuição definida para pagar fundos de benefício definido. Não sou especialista, mas são regimes que não se confundem. Há estatais com os dois modelos, quando o BD dá déficit, quem paga é o participante, não o fundo com superávit.
é importante entender que o que vai bancar sua aposentadoria no futuro é o valor acumulado por você no fundo.
Minhas cotas no FUNPRESP são minhas, se o fundo der 100% em um ano, esse rendimento é meu, da minha conta, não serve para pagar prejuízos de outros fundos.
Como disse, não sou especialista, se fosse comigo procuraria saber melhor, pois o regime de capitalização não é o mesmo que regime de partilha, que os que entram depois, pagam pelos que entraram antes.

Gostei do artigo. Muito bom. Porém em um dos comentários respondidos não compreendi. Portinho você disse: “Para quem sair do sistema o governo contabiliza um benefício especial, baseado nos valores pagos a maior nos anos de serviço público. Tem gente com 10 anos de serviço público que, se sair, já contabiliza R$ 5.000 extras para a aposentadoria (corrigido pela inflação), mas tem que ficar até se aposentar.”

Pois bem, tenho 11 anos de carreira com Servidor Federal, tenho 43 anos e estou analisando a possibilidade de deixar o RPPS e aplicar a diferença resultante em aplicações, renda fixa, eu mesmo gerindo por 21 anos. O que pega são os 11 anos de contribuição que pensava que perderia. Ai está a dúvida, Portinho onde você baseou (artigo de lei etc) para afirmar que o Governo Contabiliza um beneficiário especial? Não compreendi de onde você tirou essa afirmação e como se daria isso?

Há algum consultor financeiro/tributário/previdenciário que possa me indicar, para fazer uma estudo do meu caso?

Desde já agradeço a atenção.

Oi Adriano, esse cálculo está no SIGEPE, acho que o benefício especial foi criado na regulamentação do FUNPRESP. Artigo terceiro da Lei 12.618.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12618.htm

Obrigado por responder Portinho. Porém, verifiquei a Lei 12.618/2012 e não encontrei artigo ou menção a respeito de que o Governo poderá contabilizar um beneficiário especial para aqueles eu estão na integralidade (80% do maiores vencimentos) caso migrem para a Funpresp.

O problema é ter contribuído 11% do valor bruto durante 11 anos e simplesmente perder a diferença dessa contribuição para o teto do INSS em caso de migração. Pensando a respeito uma solução seria o governo talvez pudesse emitir títulos públicos para essa diferença e os servidores públicos resgatassem depois de uma carência e/ou com opção de vender a mercado esses papeis, pois assim teria um impacto menor na questão fiscal. Enfim.. terei que optar em perder 11 anos e gerir os recursos daqui para frente por 21 anos ou arriscar e acreditar em Papai Noel de que o Governo vai garantir a aposentadoria nos moldes atuais de 80% e condições tributárias rsrsrs.

Não sou especialista em FUNPRESP, mas a conta do que paguei a mais está bem próxima da realidade no meu caso. Tente entrar on SIGEPE, na area de previdência complementar para ver o cálculo do benefício especial. Tem que ver caso a caso.

Portinho,

E o que acontece com o valor já contribuído pelo RPPS acima do teto? Somente contaria o tempo de serviço e o dinheiro acima disso vira “pó”, ou conta o dinheiro todo, ou talvez até o limite dos 11% da diferença acima do teto? Considere que optei por contribuir somente com o valor até o teto do rgps.

Exemplo: suponhamos o teto a 5.000 e que contribuo em cima de 10.000 no rpps, ou seja 1.100. O que aconteceria com os 550 que contribuí além do teto por x anos? Vai tudo pro funpresp também ou só vai os 550 referentes ao teto? O governo, atualmente, contribui com 22%, e eu com 11%. Nesse caso eu teria mensalmente na minha “conta” do rpps 3.300. Eu levaria esses 3.300 (tudo), 1.100 (somente a minha parte) ou apenas 550 (limite do teto) para a nova “conta” do funpresp?

Para quem sair do sistema o governo contabiliza um benefício especial, baseado nos valores pagos a maior nos anos de serviço público. Tem gente com 10 anos de serviço público que, se sair, já contabiliza R$ 5.000 extras para a aposentadoria (corrigido pela inflação), mas tem que ficar até se aposentar.

Mas pra isso tem que aderir ao FUNPRESP? Se eu apenas sair do RPPS e não migrar para o FUNPRESP ao me aposentar pelo RGPS eu teria direito a aposentaria pelo RGPS + Benefício Especial?
Obrigado,
Marcos.

Até onde sabemos, não está claro, mas a inferência é que quem sair perderá. Mas realmente não está claro.

Pergunta: Considerando que não haverá futuro para ninguém nesta porcaria de país, não seria melhor manter suas garantias atuais ? E se te acontecer algo hoje (que Deus te proteja, mas é uma hipotése…) não seria mais previdente manter o regime RPPS para o bem da sua família.? Duvido muito que haja interesse do INSS ou dos planos privados de planejar a sua aposentadoria, eles só querem seu dinheiro… hoje!

O INSS e o RPPS tem a mesma fonte, o orçamento público, só que um abrange 32 milhões de aposentados e o RPPS pouco mais de 1 milhão. Prefiro ficar com a maioria, pois essas questões se decidem no voto. Se vier um político dizendo que vai cortar dos servidores que ganham mais, deve se eleger (Collor se elegeu assim). Previdência privada é todo o esforço de poupança individual que fazemos, não só em fundos de previdência, mas em outros ativos como fundos, títulos, ações, debêntures etc.. Se ficar só no RPPS e ele quebrar, perco tudo, se ficar em 5 ou 6 opções, reduzo meus riscos.
Outra coisa é que os servidores aposentados do RJ já não recebem suas aposentadorias e o Brasil está indo pelo mesmo caminho. Só não quebrou porque pode se endividar e porque o mundo está com dinheiro sobrando. Se a maré virar, é provável que tenhamos cortes ainda mais severos no orçamento.
Com relação à proteção em caso de sinistros, temos que tratar isso com seguros, o RPPS sozinho não ajuda e o governo quer mudar as regras para piorar ainda mais a questão das pensões.
Enfim, para os meus objetivos, a diversificação aliada a seguros privados, se encaixou melhor. Mas é sempre um risco.

Se eu tivesse sobra no orçamento (não tenho, pois trabalho apenas o mínimo possível para dar um padrão de vida confortável para minha família, nesta merda desse país a prosperidade é crime) eu adotaria o plano de previdencia do pirata:convertia todo meu patrimonio em ouro e enterrava. Assim nem banco nem governo se aproprriaria do que é meu. Vou esperar a dívida pública ficar impagável e ver o que acontece.

Portinho. Mais uma vez, excelente artigo! Tomo a liberdade de compartilhá-lo pois a reflexão é bem válida neste momento de turbulência no nosso país.

Claro Max, à vontade.

Portinho, excelente artigo!

Sou servidor do judiciário federal desde 2011 e, por isso, ainda estou no regime antigo. Como ganho cerca de 7K liquido e considerando que se migrasse para a FUNPRESP e contribuísse apenas com o mínimo legal, pelas minhas contas economizaria cerca de 250,00 por mês com previdência. Nesse caso, mesmo servidores com remuneração próxima do limite do INSS seria vantagem migrar para o novo regime?

Grande Abraço!

Olá, é realmente uma decisão pessoal. 250 reais por mês está longe de ser uma poupança desprezível, se você tiver ainda muito tempo a contribuir. É uma decisão difícil, envolve família e premissas individuais. Eu sou da área de finanças, minha família deixa essas decisões para mim apenas, foi mais fácil me decidir. Mas, como disse, é sempre de foro pessoal.

Olá, estou em situação parecida com a sua, fiz uma conta simples e a “sobra” na troca de regime seria de R$ 130,00. Poderia explicar como fez sua conta?

Oi Tiago, a conta aproximada é a diferença entre o que vc paga hoje ao RPPS (por exemplo 1.500) e o que vc passará a pagar (600). Do valor que sobra, 900, tire uns 27,5% de IRPF. Se vc entrar no Funpresp esse custo de IR cai.

O RPPS e RGPS são praticamente pirâmides financeiras. São baseados num pacto entre gerações. Quem trabalha hoje paga a aposentadoria de quem já está na inatividade. Só que cada vez mais nasce menos gente. A conta não vai fechar.

Quem está com 20 a 40 anos hoje, vai ter uma ingrata surpresa no futuro. Isso porque as futuras gerações tendem a ser cada vez menos numerosas. Isso significa menos gente trabalhando e mais gente aposentada nos próximos anos.

Toda vez que eu vejo pessoas entre 20 e 40 anos reclamando da reforma da previdência, me pergunto se eles sabem na enrascada em que eles se meteram. A previdência já quebrou e o futuro é cada vez mais sombrio. Se a reforma não passar, o governo fará uma reforma à brasileira: aumentando a alíquota da contribuição.

Já vai aumentar para servidor público.

Boa tarde portinho. Vale a pena adquirir produtos financeiros como pgbl e vgbl? As taxas de adm e os impostos nao sao muito altos?
Você pretende sair tesouro direto entao, em virtude desse descontrole fiscal?

Oi Lucas, os produtos comuns dos bancos nunca gostei, mas agora com essa boutiques de investimento oferecendo gestores antes acessíveis só a endinheirados, tenho usado. Para mim funciona até o limite de 12% da renda tributável, pois tenho restituição do IR. Para quem não tem esse IR a receber, pode ser que não seja uma boa. Mas como diversificação, tenho intenção de acumular uns 20 anos em 4 ou 5 fundos de previdência de gestores Top. Até nisso tem que diversificar… rsrsrs

Aonde encontro isso, Portinho? Esses gestores? Me dá uma luz.

Normalmente através de corretoras ou assets como XP, Órama, easyinvest e outras. Alguns bancos também oferecem. Há pouco tempo os bancos apenas ofereciam produtos próprios, agora pela concorrência estão distribuindo outros fundos.

Mas são fundos de previdência privada com aportes mensais como os dos bancos? Obrigado

Normalmente vc precisa fazer um aporte maior (tipo 15 ou 20 mil), depois pode colocar 500 reais por mês.

Boa tarde, Paulo.Muito boa a construção do seu artigo. Parabéns.Já compartilhei.Fique bem, Félix.

Ótimo texto..parabéns pela escolha!

Em janeiro fiz a mesma coisa. Mesmo contando com 10 anos de serviço público federal, optei em sair do RPPS. Prefiro cuidar eu mesmo do meu futuro financeiro. Infelizmente não dá pra confiar nos políticos que cuidam do orçamento público. Como tenho uns 30 anos de trabalho pela frente, achei que era uma boa oportunidade.

Bom texto. Só uma correção: o ingresso no RPPS “antigo” só acabou em 04 de fevereiro de 2013. Foi a partir dessa data que o ingresso no Funpresp passou a ocorrer.

Tem razão,a regulamentação é que foi em abril (a lei), mas teve 180 das para criar os FUNPRESPs.

Muito boa a sua análise, concordo com seu ponto de vista.

Sou servidor público Estadual e não possuo a opção de pagar somente até o teto do INSS. Já comecei a fazer a minha própria previdência também. No meu caso particular tenho pelo menos 24 anos de contribuição pela frente e estou disposto a correr alguns risco (oscilações) no curto prazo.
Poderia fazer mais postagens sobre a sua estratégia da carteira previdenciária? Quais são os grandes gestores de Fundo de Previdência que você ressaltou?

Parabéns pela forma clara e objetiva que você expõe os seus critérios. Abraço!

Olá. Eu tenho aproveitado essa onda de corretoras oferecendo fundos de bons gestores (Verde, Icatu, Safra e outros). Antes estavam disponíveis apenas para quem tinha muito dinheiro, hoje corretoras e assets como XP e Órama acabam aproximando o pequeno investidor desses ativos.
Sempre invisto até o limite da renda tributável, para receber os 27,5% na restituição do IR. O resto é pouquinho todo mês em FIIs, renda fixa e ações.

Minha carreira é municipal e ainda não implantaram o sistema de previdência complementar.

Quando este dia chegar, serei um dos primeiros (talvez o único) a fazer uma escolha parecida com a sua.

Já tenho 14 anos de contribuição, mas, em virtude do longo tempo faltante, ainda considero a troca vantajosa.

A única dúvida que fiquei em relação a sua escolha é se você contribuirá para o Funpresp.

Eu, particularmente, ficaria apenas com a contribuição mínima ao RGPS.

A adesão ao Funpresp PARECE atuarialmente vantajosa, até pensarmos no que aconteceu com Postalis, Funcef, Petros e inúmeros outros fundos de pensão que tem relação direta ou indireta com o governo.

Em algum momento estes recursos serão objeto de algum desvio, por isso, melhor não entregar o ouro para o bandido.

Eu aderi por questões financeiras e de seguridade. Com a paridade colocada pelo governo federal, mesmo que a gestão fique em linha com o mercado, sem bater metas atuarias, já haveria um ganho significativo. E também aderi porque é a única forma de garantir seguros para a minha família no caso de invalidez e morte do titular. É a forma mais barata.

A contribuição do governo resulta em um ganho imediato de 50 ou 100%, dependendo das regras de cada regime. É realmente difícil ignorar este retorno, porém, nunca subestime a capacidade dos nossos governantes de destruir o capital do fundo.

Sei que está totalmente a par de casos como o do Postalis, mas talvez não esteja tomando este exemplo como regra.

Porém, a regra parece ser essa sim, como as investigações da lava-jato têm demonstrado em relação a diversos outros fundos de pensão, inclusive de Municípios.

Em relação ao seguro por morte ou invalidez, você deve considerar a real necessidade desta cobertura.

Para quem tem zero de patrimônio, é difícil abrir mão da proteção.

Já para pessoas como você, que investem faz algum tempo e já acumularam parte do necessário para se aposentar, talvez seja um seguro caro para um evento improvável e para o qual tem capacidade parcial de se autosegurar.

Faça-se a seguinte pergunta: “se eu morresse hoje, meu patrimônio acumulado cobriria as despesas dos meus filhos/dependentes por quanto tempo?

Dependendo da resposta, eles talvez já estejam segurados por você, ainda que o evento morte implique em perspectivas futuras não tão promissoras como antes.

Outro ponto que deve considerar é o que você não precisa segurar 100% da sua renda atual, mas tão somente 100% das despesas dos filhos/dependentes.

Nesse caso, um seguro privado pode ser uma alternativa melhor. O eventual benefício em caso de sinistro certamente será inferior ao do regime complementar, porém, o prêmio a ser pago, que é a única certeza do segurado, também será.

Será que você precisa comprometer 11% da sua renda bruta com um seguro?

O único risco verdadeiro que enxergo de não estar segurado no regime complementar seria o de invalidez, já que continuaria vivo (e gerando despesas além do período de formação de seus filhos), mas impossibilitado de trabalhar.

Ainda assim contaria com o teto do INSS e o consumo gradual do patrimônio já acumulado.

Não é o melhor dos mundos, mas daria para sobreviver dignamente por algumas décadas.

Abraço

Há muitas diferenças entre o FUNPRESP e o Postalis, bem como outros fundos de benefício definido. Fundo de pensão por benefício definido é muito arriscado, pois como há promessa de um benefício no futuro, qualquer desvio faz com que o fundo fique deficitário. Na contribuição definida você vê o valor capitalizado acumulado na sua conta.
Infelizmente os beneficiários de fundos de pensão ligados a estatais sempre acreditaram que no fim o governo (ou a empresa estatal) vai salvar. E o modelo de benefício definido não permite que você acompanhe seus resultados, apenas os resultados gerais do fundo.
Outra diferença grande é que o FUNPRESP é o plano de juízes, procuradores, fiscais da receita, analistas da CVM, do Banco Central, Susep, Previc, Polícia Federal etc., é um grupo atento, conhecedor das leis e do processo. Sempre há o risco, mas são milhares de especialistas em fraude (contra o sistema financeiro etc.) acompanhando os resultados de perto.
Com relação à organização para proteção da família, é decisão pessoal mesmo. Analisei vários cenários, e me pareceu mais adequado o Funpresp pelo valor mínimo. Entendo ter tomado a decisão adequada. Se fosse mais jovem e não tivesse família, talvez fizesse diferente.

Olá Portinho, ótimo artigo. Agora me surgiu uma dúvida relacionada a esse comentário. Caso opte por migrar de regime sem aderir a funpresp, eu teria direito a benefício por invalidez no valor do teto do INSS?

Obs. Não conhecia seus livros, fiquei interessado já que estou começando nos investimentos e pretendo investir na bolsa, estão todos na Saraiva?

Oi Tiago, eu não analisei a regra do benefício por invalidez sem o FUNPRESP. Com o FUNPRESP vc consegue manter uma boa parte do salário da ativa, mas realmente não saberia dizer se a regra permanece a mesmo do RPPS (com o novo teto) ou fica a mesma regra do INSS.

Ótimo artigo, nos faz refletir muito.

Muito bom o artigo, parabéns! Sou servidor público federal com mais de 11 anos de casa e tenho refletido bastante sobre a possibilidade de migrar o meu regime de previdência.


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  • Disclaimer

    Este blog é um ambiente privado para expor opiniões, estudos, reflexões e comentários sobre assuntos ligados a finanças, bolsa de valores, economia, política, música, humor e outros temas.

    Seus objetivos são educacionais ou recreativos, não configurando sob nenhuma hipótese recomendação de investimento.

    O investidor consciente deve tomar decisões com base em suas próprias crenças e premissas. Tudo que lê ou ouve pode ser levado em consideração, mas a decisão de investimento é sempre pessoal. Tanto na escolha de ações para carteira própria, quanto na escolha de gestores profissionais para terceirização da gestão.

    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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