Planilha sobre Balanceamento de Carteira – Renda Fixa x Renda Variável

Posted on 22/12/2010. Filed under: Finanças |

Balanceamento de carteira como forma de evitar a “síndrome da troca de pernas”

O investidor JURA que a Lei de Murphy funciona perfeitamente no mercado de ações.

Ele segura uma ação por meses e, quando resolve vendê-la, o papel dispara.

Por outro lado, o papel vem subindo e, quando o investidor compra, ele desaba.

Essas percepções derivam da nossa propensão à “síndrome da troca de pernas”, que é caracterizada por uma vontade imensa de entrar na bolsa quando ele está subindo, e uma vontade ainda maior de sair quando ela está desabando.

O sentimento acima é próprio da natureza humana, mas atrapalha demais a vida do investidor.

No livro “O Mercado de Ações em 25 Episódios” há uma técnica que, forçosamente, faz o investidor evitar a “troca de pernas”, que significa, em bolsa, comprar na alta e vender na baixa.

Na realidade é um estudo de 11 anos, mostrando que um investidor que iniciou sua carteira com R$ 50.000 em renda fixa e R$ 50.000 em renda variável, com o objetivo de manter a distribuição 50%-50% ao longo dos anos, e fez ajustes quando a diferença entre os montantes ultrapassava 30%, chegou a ter quase 25% a mais do que aquele que nada fez.

O mais importante não é o resultado final, mas a estratégia de proteção contra a “troca de pernas”. Como ele vai vender “bolsa” sempre que ela estiver 30% acima do que a posição de renda fixa, venderá por um preço alto. Talvez não O MAIS ALTO, mas certamente a rentabilidade terá sido muito superior à da renda fixa.

Da mesma forma, comprará bolsa, quando o montante em Renda Fixa estiver 30% maior que o montante em bolsa.

50%-50%, e se eu quiser fazer com 30%-70%?

Apesar de parecer simples, os ajustes para outros percentuais (diferentes de 50%-50%) são complexos. É necessário estabelecer algumas premissas menos óbvias.

Há um artigo no blog tratando do assunto:

Balanceamento de carteira Como fazer para valores diferentes de 50% 50%?

A leitora Daniela, que conheceu o balanceamento através do livro 25 Episõdios, pediu uma planilha para que esses ajustes ficassem automáticos.

E foi feita. Clique aqui para baixá-la.

Instruções para uso da planilha

O uso é bem simples, o investidor deve escolher sua distribuição, por exemplo, 40% em RF e 60% em RV.

Depois deve colocar o percentual de ajuste, que significa a distância entre os portfolios. Lembre-se de que fazer muitos ajustes, quando a diferença é pequena, é caro e ineficaz.

O estudo do livro mostrou que ajustes a cada 30% ou 40% trouxeram muito mais rentabilidade do que a cada 5% ou 10%.

Toda vez que os montantes apresentarem desequilíbrio que necessite de balanceamento, a planilha vai indicar.

Qualquer dúvida sobre o uso da planilha, pode enviar na área de comentários.

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13 Respostas to “Planilha sobre Balanceamento de Carteira – Renda Fixa x Renda Variável”

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[…] foram impressionantes (mesmo com a forte queda de 2008). Na atualização de dezembro de 2010 (ler aqui), resultados ainda mais contundentes, mesmo com a recuperação forte da […]

Boa Noite, Fiz um levantamento investindo a partir de 01/2009 a 09/2011, 50% em renda fixa DI(100%) e 50% em Renda variável. A cada tres meses ajustava no patamar de 50%, correspondentemente. O resultado no final mostrou que esse ajuste trouxe um patrimonio inferior, comparado se tivesse iniciado em 50% e se mantido até a data final. NA sua teoria o balanceamento traz resultado melhor. Questiono: Se vender ações na alta e aplicar em renda fixa, fico menos exposto ai risco e por consequencia meu ganho é menor estou correto?

Oi Lazinho. Como de 2009 a até 2011 a bolsa subiu muito, pode ter sido esse o motivo.
Porém há uma diferença crucial na sua metodologia. O ajuste que propus baseia-se na diferença entre os patamares de RF e RV (no caso 30% de diferença). O ajuste não é por data.
Isso é importante, pois em um período de 3 meses você pode ter passado por diferenças de 30% – 40% entre os montantes, mas no final, quando for ajustar, essa diferença ser bem menor (5% ou 10%).
É como iniciar com RV 50 mil + RF 50 mil.
Em 45 dias (metade do prazo) chegar a RV R$ 75 mil + RF R$ 51 mil
Em 90 dias (hora do ajuste) chegar a RV R$ 58 mil + RF R$ 52 mil.
Seu ajuste foi feito na data certa, mas com o montante errado. Seria muito melhor ter feito antes.
O “gatilho” do ajuste não deve ser o tempo, mas a diferença entre os montantes.
Abraço,
Paulo Portinho

E possivel fazer rebalanceamento de carteira apenas com dinheiro novo , mensalmente , é uma boa estrategia?

Oi Carlos,
Sim é possível. Se sua estratégia é balancear a carteira com, por exemplo, 50% renda variável e 50% renda fixa, todo dinheiro novo deve entrar na mesma proporção.
Isso gerará alguma distorção no início, quando os aportes representarem mais de 5% da carteira total, mas depois isso para.
A estratégia de balanceamento de carteira serve para impedir duas coisas:
– Que o investidor aja de forma atabalhoada, sem critérios técnicos ou quantitativos
– Que o investidor venda bolsa barata e compre cara. Fazendo o balanceamento, vai sempre comprar nas baixas e vender nas altas. Claro que relativamente ao seu percentual de balanceamento.
A pesquisa que fiz para o livro 25 episódios mostra que o balanceamento fica melhor para valores mais altos, como 30% de diferença entre os portfólios.

Oi Carlos,
agora que eu li que você quer fazer “rebalanceamento”.
Se isso significa que você vai colocar dinheiro novo no portfolio que caiu (ou cresceu menos) até que volte a 50%-50%, não vai funcionar, ao menos não da forma que coloquei no livro.
Isso porque o objetivo é aproveitar grandes altas ou grandes baixas e fazer o rebalanceamento todo na hora, para aproveitar os preços baixos (ou altos). Se esperarmos alguns meses, a oportunidade terá passado.

Eu intendi ,mas a minha intencao é tentar gerar menos custos , por exemplo :

Carteira : 50% renda variavel/50% renda fixa

Vamos dizer q a carteira esta no momento assim :

Renda Variavel : 6.000,00
Renda Fixa : 4.000,00

O certo nesse caso seria tirar R$ 1.000,00 da renda variavel e colocar na renda fixa para rebalancear , mas vamos dizer que esse investidor faz aportes mensais de R$ 2.000,00 , ele poderia colocar os R$ 2.000,00 na renda fixa , assim estaria rebalanceando sem mexer na aplicacão , vc sab se isso é tao efetivo quanto apenas fazer o rebalanceamento ? É claro que vao ter periodos que ele nao vai conseguir rebalancear apenas com os aportes mensais , ai sim ele faria a diferenca rebalanceando.

nao tinha visto o segundo comentario , entendi obrigado.

o problema ( E GRANDE ) é o pagamento de imposto sempre que rebalanceia na alta das ações….

Oi Renato,
Você pode usar o balanceamento em conjunto com a técnica de elevação do custo médio, discutida no livro “O Mercado de Ações em25 Episódios” para reduzir o estoque de IR aproveitando os 20.000 por mês. No caso da Renda fixa não dá para reduzir o IR.

Olá, na verdade estou dividindo minha carteira em 3 categorias, baixo, médio e alto risco. Gostaria de saber se fica muito dificil fazer um balanceamento de carteiras deste tipo. Invisto em Ações, FII’s, fundos Long Short (que considero de risco menor que ação pura), e renda fixa.

Obrigado, Felipe Lopes.

Caro Felipe,
São categorias de risco diferentes e fazer balanceamento com 4 variáveis fica muito complexo. Como sugestão, tome FII e Renda Fixa como “Renda Fixa” e Ações e Fundos Long Short como “Renda Variável”, acho que é uma boa aproximação.
Infelizmente não há dados suficientes para fazer um estudo estatístico sobre esse modelo, mas vai, com certeza, evitar a “troca de pernas”.
Abraço!

[…] Planilha sobre Balanceamento de Carteira Renda Fixa x Renda Variável […]


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  • Disclaimer

    Este blog é um ambiente privado para expor opiniões, estudos, reflexões e comentários sobre assuntos ligados a finanças, bolsa de valores, economia, política, música, humor e outros temas.

    Seus objetivos são educacionais ou recreativos, não configurando sob nenhuma hipótese recomendação de investimento.

    O investidor consciente deve tomar decisões com base em suas próprias crenças e premissas. Tudo que lê ou ouve pode ser levado em consideração, mas a decisão de investimento é sempre pessoal. Tanto na escolha de ações para carteira própria, quanto na escolha de gestores profissionais para terceirização da gestão.

    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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