Balanceamento de Carteira – Evitando a Síndrome da “Troca de Pernas”.

Posted on 07/01/2014. Filed under: Finanças |

Um dos “episódios” mais comentados e utilizados pelos leitores do livro “O Mercado de Ações em 25 Episódios”, é o que trata de Gestão de Portfólio (episódio 18).

A lógica é simples, gerir ativamente um portfólio de 50% de renda fixa e 50% de Ibovespa (renda variável) daria melhor resultado do que apenas deixar os valores investidos nesses ativos ao longo dos anos.

Muitos investidores se perguntam se não seria razoável vender ações quando o ganho for muito elevado, ou comprar quando caem muito, mas não sabem QUANDO.

O método proposto mostra que isso se resolve facilmente, estabelecendo um percentual de “desajuste” para o qual a carteira deverá ser rebalanceada.

Exemplo para 30%

Supondo uma carteira de 100.000, sendo 50.000 em renda fixa e 50.000 em renda variável, a carteira deveria ser rebalanceada (vender o que subiu demais e comprar o mais barato), toda vez que a diferença entre os ativos atingir 30%.

Se, por hipótese, a renda variável atingisse 65.000 e a renda fixa estivesse em 50.000, seria uma diferença de 30% (65.000 ÷ 50.000 – 1).

Dessa forma, deve-se vender R$ 7.500 de “ações” e “comprar” R$ 7.500 de renda fixa, deixando a carteira com R$ 57.500 de cada tipo de ativo (somando os mesmos R$ 115.000 iniciais).

Os resultados no livro já foram impressionantes (mesmo com a forte queda de 2008). Na atualização de dezembro de 2010 (ler aqui), resultados ainda mais contundentes, mesmo com a recuperação forte da bolsa.

Atualização de dezembro de 2013.

Bom, a atualização do estudo mostra que, quanto maior o prazo, mais benefícios essa estratégia “à prova de idiotice” (parodiando Eike rsrsrs) traz.

Adiantando alguns resultados…

Para quem tinha R$ 100.000 em 1° janeiro de 1998, sendo R$ 50.000 em renda fixa (descontado o IR) e R$ 50.000 em bolsa (Ibovespa), teria R$ 571.518 caso mantivesse suas posições intactas.

Caso tivesse rebalanceado sua carteira (igualado o valor aplicado) a cada diferença de 40% nos ativos (Renda fixa e Ibovespa), teria muito mais. Teria R$ 725.578, tendo feito APENAS 8 operações de ajuste em 192 meses!!!!

Pouco trabalho, para ter um patrimônio 27% maior!!!

O Gráfico ilustra muito bem essa realidade:

Grafico

Perceba como raras vezes a carteira balanceada perde das carteiras de ativo único (comparando para os mesmos valores iniciais).

Bom, as implicações, detalhes sobre impostos, melhor percentual estão detalhadas no livro.

Fica um resumo em forma de tabela da atualização de 2013:

tabela

E para os que quiserem a planilha completa com o estudo, cliquem no link abaixo:

Planilha.

Atualização 18:06…

Aos amigos que trabalham com finanças, professores, agentes autônomos, analistas etc.

Seria muito bom se pudessem refazer o estudo considerando o Ibovespa diário (pode aproximar a rentabilidade da RF pela mensal ou pro rata).

É óbvio que a oportunidade se apresenta por conta da volatilidade, no meu estudo há apenas o rebalanceamento tomando por base o Ibovespa do fim do mês, mas seria interessante ver se o IBOV diário não apresentaria outras oportunidades.

Não sei se fará muita diferença, mas é um bom objeto de estudo para alunos de graduação e pós.

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29 Respostas to “Balanceamento de Carteira – Evitando a Síndrome da “Troca de Pernas”.”

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Descobri uma coisa interessante. Essa sua planilha, voce fez o balanceamento quando as carteiras tinham uma diferença de +40% e -40%. Quando a bolsa está em baixa, a diferença de 40% é realmente um desvio de 40%. Agora quando a bolsa está em alta, os -40% significa uma diferença na verdade de 68%. Se você fizer a simulação no braço naquele sua outra planilha, vai entender o que estou falando. Então a estratégia vendedora é adotar parâmetros diferentes de balanceamento para bolsa em alta e bolsa em baixa. Consegui explicar direito?

Oi Guilherme, isso é mais uma questão conceitual do que de matemática. Suponha que estivéssemos balanceando renda variável com caixa (rendimento zero). 50.000 no colchão, 50.000 no Ibov. É bastante razoável aceitar que uma diferença de 40% pra cima indique bolsa a 70.000 e de 40% pra baixo indique bolsa a 30.000. Mas, se considerarmos 30.000/80.000 (com caixa), será 37,5%. Por outro lado, se considerarmos 70.000/120.000 seria 58%. Não entendi bem o ponto, mas não é um purismo teórico matemático, apenas uma forma razoável de estimar uma diferença entre os dois. A diferença de 40% entre as carteiras é que conta.

é uma questão matemática mesmo.
Mas veja que legal. Ao invés de fazer o balanceamento quando a diferença for de -30% ou +30%, Faça o balanceamento quando a diferença bater -44% ou +30%
O resultado será R$ 745.750,00; 9 operações; e 73% os meses que vence.

O que estou defendendo é que podemos adotar critérios diferentes de balanceamento quando a bolsa está em alta ou baixa.

O pensamento do investidor nesse caso é o seguinte: Depois de balancear, a bolsa não precisa cair tanto para eu compra-la (vender RF e comprar RV), mas precisa subir um pouco mais para eu vender (Vender RV e comprar RF).

Oi Guilherme,
Compreendo. Talvez funcione, mas o ponto principal é parametrizar de início e não mexer. Se deixarmos a subjetividade falar em algum momento, não dá pra saber o resultado.

Bom dia Paulo. O que é aquela SELIC ajustada, porque você multiplicou por 0,8? Também queria entender porque não é igual ao histórico da SELIC conforme o site do BACEN . Lá tem os valores mensalizados. Vou fazer algumas simulações e gostaria de entender melhor a planilha e as taxas utilizadas.😉

Oi Guilherme, acho que os valores não ajustados são os mesmo do site do BACEN. Lembra que você falou da calculadora do cidadão. Calculei valores idênticos aos que você apresentou. A fonte é a mesma. Quanto aos 20% de imposto, talvez pudéssemos colocar 15% e usar o come-cotas semestral, mas é um refinamento desnecessário.

A SELIC que você colocou ta igual desse site: http://br.advfn.com/indicadores/taxa-selic . Qual a diferença desse para esse direto do banco central? http://www.bcb.gov.br/?COPOMJUROS . Parece que um apresenta a meta selic e o outro o realizado.

A SELIC é o que efetivamente apareceu nos leilões. A meta é decisão de política monetária, mas nem sempre fica precisa.

Gostei do artigo. Creio que essa estratégia pode dar certo para alguns períodos e em outros não.
Entretanto, o importante é lembrar que se deve comprar os ativos que estão mais baratos e realizar o lucro em relação aos que se valorizaram.
Conforme o perfil do interessado, é fundamental discutir a proporção entre renda fixa, ações e, ainda, fundos imobiliários.
Também é relevante a pessoa decidir que tipo de renda fixa considera mais interessante (atrelada ao CDI, NTN-F, NTN-B) e se prefere comprar ações diretamente ou via fundos.
Obrigado.

[…] Balanceamento de Carteira – Evitando a Síndrome da “Troca de Pernas”. […]

Fala, Portinho,

baixei sua planilha e fiquei com uma dúvidas em relação aos resultados que você resumiu na tabela acima.

Pela Calculadora do Cidadão, utilizando a SELIC como referência, um valor de 100k aplicado em 01/01/1998 até 31/12/2013 estaria valendo 1037k. Pela sua tabela o valor final na RF seria de 651k, outra grande diferença. Tudo bem que é bruto, não sei como seria a questão da tributação, mas mesmo assim a diferença está estranha.

Poderia verificar, por favor?

[]s!

Oi Dimarcinho, é efeito da tributação mesmo.
Se você pegar os valores da SELIC que coloquei (fonte BACEN), e capitalizá-los sem imposto, daria 10,37, exatamente o que você achou. Retirando 20% ao mês, cai para 6,51, o valor que achei. O efeito do imposto é mesmo horroroso…
Poderia ter usado o índice de 15% no IR, mas isso iria acabar deixando o resultado ainda melhor.

Entendi! Valeu!

Obrigado por mais este post. Relevante como sempre. Admiro muito seu trabalho.

Portinho, eu havia feito várias simulações e havia até largado o assunto de mão. O que você acha:
http://di-finance.blogspot.com.br/2012/04/asset-allocation-novo-estudo.html

Não teria sido uma situação muito específica na qual deu certo?

Oi dimarcinho.
Li seu estudo e entendo suas colocações.
Creio que você não tenha achado bons resultados nas simulações pelo prazo utilizado. Amanhã tento postar planilhas com o método sendo aplicado a partir de diversos anos (de 1995 a 2009, como início). Fica bem evidente que, quanto menor o prazo, menos eficaz fica a metodologia.
O que demonstrará com clareza que funciona (ou que funcionou para esse perfil), será o ano de 1996. Tomei como base o último Ibovespa de 1995, 4.299 pontos, essa pontuação foi a MENOR de todos na série, e não foi pouco menor… ela foi 15% menor do que as duas outros menores (4.958 e 4.955), ou seja, não havia start melhor para a renda variável!
E, mesmo assim, por pouco é verdade (96 a 95), o método teve melhor resultado do que o investimento puro.
Outro ponto é que a comparação que fiz do método com os investimentos individuais não é “correto” estatisticamente. Eu deveria comparar uma carteira 50%-50% imutável (sem gestão) com o método.
A carteira sem gestão (50%-50%) perde de forma incontestável para prazos mais longos (o que é até óbvio).
Amanhã eu posto os dados.
Abraço!
Paulo Portin

Portinho,

não teria como a propria planilha já calcular automaticamente os ajuste que devem ser feitos?
abraços

Oi Zózimo,
Infelizmente não consegui deixá-la automática.
Mas a lógica é simples:
(Patrimônio em RV – Patrimônio em RF) – 1 = variação. Se for superior a 40% (RV>RF) ou inferior a -40% (RF>RV), venda [(RV – RF) / 2] do que estiver maior e compre o que estiver menor.
É muito raro ter diferença de 40%, tanto é que foram apenas 8 operações em 16 anos.

Caro Portinho,

sigo vc com atenção

baixei sua planilha e tentei entendê-la, mas fiquei com uma dúvida

considerando o ajuste toda vez que a diferença chegasse a 40%, não consegui ver isso na planilha (50-50)

por exemplo: o primeiro ajuste se deu com a diferença de 9,06%, sendo vendido 12.748 de rf para ajustar a rv.

não seria para ajustar quando a difernça atingisse 40% ?

abraço

Zózimo

Caro Portinho,sigo vc com atençãobaixeis sua planilha e tentei entendê-la, mas fiquei com uma dúvidaconsiderando o ajuste toda vez que a diferença chegasse a 40%, não consegui ver isso na planilha (50-50)por exemplo: o primeiro ajuste se deu com a diferença de 9,06%, sendo vendido 12.748 de rf para ajustar a rv.não seria para ajustar quando a difernça atingisse 40% ?abraçoZózimo(Proteja meu endereço como estou protegendo o seu. Envie sempre com Cco (com cópia oculta).Quando for reenviar emails EXCLUA  todos os endereços presentes no corpo da mensag

Olá Zózimo,
Agradeço por ter perguntado, pois me ajuda a explicar para outros leitores.
Os 9,06% são do mês anterior. No mês seguinte, a bolsa desabou e a diferença ficou em 25.496, por isso o ajuste de 12.748 (comprando bolsa, vendendo renda fixa).
Perceba que a diferença ficou zerada após o ajuste.

Mas paulo, aí a carteira fica sempre a mesma?…

Enviado via iPad

>

Oi Menezes, se o objetivo é 50%-50%, o foco é manter esse percentual. Quando se afastarem muito, devemos retirar do que subiu mais para colocar no que caiu.
A estratégia tem 2 objetivos, o primeiro é ganhar mais do que em carteiras individuais, o segundo é evitar que o investidor de bolsa perca as oportunidades de realização e de compra (altas e baixas exageradas).
O resultado para o passado recente foi muito eloquente.
E ainda traz um certo conforto, pois quando a bolsa sobe muito, ao menos uma boa parte do ganho você garante passando para a renda fixa. Quando cai muito, ao menos uma boa parte dessa oportunidade você aproveita, pois tem dinheiro na renda fixa para comprar ações.

Portinho,

Como anda o livro sobre o método SEMPRE?

Um abraço,

Lênio

Oi Lênio.
Está nas mãos da maior editora do Brasil, em processo de revisão. Já acertamos os termos do contrato, mas ainda não posso divulgar o nome, pois não assinamos.
Aliado a isso, estamos desenvolvendo um sistema acessível para prover os dados.
Infelizmente não tenho esperanças de lançá-lo antes de abril. Vou fazer todo o possível.
Abraço!
Paulo Portinho

Portinho, como vc classificaria FII em RV ou RF? Ou algo a parte?

Oi Márcio,
FII, no meu entendimento, é imóvel. Mas é mais parecido com renda variável. A renda fixa, como fica evidente no gráfico, serviria como “porto seguro”, para manter o dinheiro durante as oscilações. Perceba, no gráfico, que a linha “balanceada” é parecida com a linha da renda variável, porém é um pouco menos “volátil” e aproveita a solidez da linha “comportada’ da renda fixa.
Eu trataria FII à parte, com outros objetivos (como renda mensal etc.), isso porque tende a “atrapalhar” a volatilidade de bolsa, que é de onde o Método do balanceamento tira seus melhores resultados.

Valeu Portinho! Sou um grande fã de seus trabalhos. Parabéns.


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  • Disclaimer

    Este blog é um ambiente privado para expor opiniões, estudos, reflexões e comentários sobre assuntos ligados a finanças, bolsa de valores, economia, política, música, humor e outros temas.

    Seus objetivos são educacionais ou recreativos, não configurando sob nenhuma hipótese recomendação de investimento.

    O investidor consciente deve tomar decisões com base em suas próprias crenças e premissas. Tudo que lê ou ouve pode ser levado em consideração, mas a decisão de investimento é sempre pessoal. Tanto na escolha de ações para carteira própria, quanto na escolha de gestores profissionais para terceirização da gestão.

    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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