Imprimir dinheiro? Henrique Meirelles está ERRADO!

Posted on 09/04/2020. Filed under: Administração, Filosofia, Finanças, Humor, Política | Tags:, , |

O ex-ministro Henrique Meirelles está errado ao pedir para imprimir dinheiro, ainda aos 35 minutos do primeiro tempo da crise.

É fácil demonstrar isso, e o farei neste artigo.

Entendo o lado dos governadores. Eles foram voluntaristas alardeando que deveríamos fechar a economia para salvarmos as pessoas. Quando temos medo de morrer, o protocolo do medo é a resposta evolutiva básica.

Contudo confesso-me um pouco decepcionado com gestores públicos que não conseguiram ver questões óbvias de segunda ordem. Entendo o Zema seguir o desespero (justificável) e fechar MG, mas é um pouco naive achar que isso não acabaria com o dinheiro para pagar os servidores já no mês seguinte. Foi o que aconteceu. É o que está acontecendo. I see dead budgets everywhere!

Essa crise nos entregou dois problemas graves de início (além das questões médicas): impedimos as pessoas de produzirem, asfixiando a geração de impostos, e as convencemos de que os contratos não deveriam ser cumpridos, matando de vez as arrecadações (por meses, talvez anos).

Vejo com um certo ar quixotesco na luta do presidente do BACEN para tentar fazer as pessoas acreditarem que devem honrar contratos. Depois desse clima de “guerra dos mundos”, em que cada governador assumiu a postura de presidente dos EUA em Independence Day e partiu voluntarioso para destruir o inimigo alienígena, creio que é uma luta inglória. Too little, too late.

A Federação foi a primeira a decidir por quebrar os contratos mais básicos que são os direitos fundamentais e ir e vir, de trabalhar, de busca de felicidade, de decidir seu caminho etc. Isso, em termos institucionais, é uma espécie de suicídio federativo. É o estado negando a si mesmo seu papel e, simultaneamente, tirando de si os meios próprios para cumprir esse papel. É um estado moderno decidindo sua própria morte.

Não estou indo contra os governadores ou prefeitos, o protocolo do medo é muito forte e estamos todos com medo dos ETs. Mas nosso papel de cidadão é ter medo mesmo, estou em casa preocupadíssimo, pois já me convenceram que sair às ruas é uma roleta russa. Uma arma com 1.000 cavidades e uma bala. Mas o papel dos governantes é garantir que nossa sociedade contratual continue de pé, para que os sobreviventes do ataque do vírus possam voltar para suas vidas ao fim dessa loucura.

 

O fim da sociedade contratual.

Quando os Vice-Reis engomados decidiram romper o contrato social mais básico, por um medo justificável, não deixaram aos habitantes de Vera Cruz outra alternativa senão romperem eles mesmos os seus contratos pessoais. E isso ainda está sendo ampliado, com waivers generalizados para toda a sorte de dívidas, de cartões de crédito a hipotecas, de contas de luz a impostos.

Contratamos o fim do estado brasileiro para breve. Mas ele ainda não acabou, ainda tem jogo. Ainda estamos aos 35 do primeiro tempo, pois a queda de arrecadação dos entes federativos ainda não chegou ao fundo do poço, chegará em maio.

Como já dito, Pindorama deveria ser o último a desonrar contratos, mas, infelizmente, por motivo de força maior, já descumpriu vários pontos do contrato social e de nossa constituição. Por força do vírus maldito estamos vivendo cenas que nem em Estado de Sítio o governo brasileiro teria autonomia para performar.

Temos prefeituras dando mata-leão em vendedores ambulantes, guardas municipais expulsando banhistas no tapa das praias. Coisa que nem um Estado Marcial faria. E são prefeitos fazendo, não militares brucutus, a SS ou o exército vermelho de Stalin.

E tudo isso com amplo apoio da mídia e de grande parte da população. Eu entendo. Acho estranho, mas entendo.

Contudo, se desonrarmos os últimos bastiões contratuais da república, aí ela acaba mesmo. Estaremos entregando o jogo ainda no primeiro tempo. E a federação acaba. Isso não é uma hipérbole, repito: ISSO NÃO É UMA HIPÉRBOLE.

 

Meirelles propõe a impressão de dinheiro. Por que isso é o descumprimento último de contratos?

Simples. Por que, parafraseando o avô do presidente do BACEN, não existe uma pequena inflação, da mesma forma que não existe uma pequena gravidez. E adiciono: não existe imprimir dinheiro “só essa vez”.

As pessoas estão preocupadas com a geração de inflação, mas isso é o menor dos problemas. A inflação vai chegar depois do estrago. O problema principal é destruir o sistema de financiamento da dívida pública, e do próprio Estado Brasileiro.

Pensemos.

É razoável que as pessoas entendam que imprimir “pouco dinheiro” não gere desequilíbrio generalizado no sistema monetário (poder de compra em circulação). Um pequeno falsário não aumenta a inflação em sua pequena cidade.

Mas se o objetivo é imprimir “pouco dinheiro”, por que não usar os meios tradicionais de emissão de dívida? Se o sistema está disfuncional para levantar 50-100 bilhões de reais, já estamos quebrados e não sabemos. Lamento, mas, se isso é verdade, quebramos.

Agora, se o objetivo é imprimir 500 bilhões, 1 trilhão ou mais, por que alguém, em algum tempo no futuro, voltaria a emprestar dinheiro para Pindorama? Não é a Nhá Margareth “dos olhinho azul” e o Nhô Wilhelm que financiam a dívida pública. Estrangeiros são peanuts nesse mercado. Quem financia a dívida pública é a crença no futuro do Brasil que os próprios brasileiros têm. Os empresários, pequenos poupadores e TODOS os aposentados, de hoje e, principalmente, do futuro.

Lamento queridos, mas há uma verdade inexorável no mercado financeiro: ele vive o futuro no presente. O nome disso é valor presente líquido.

Não vão esperar a inflação, não vão esperar o fim da Pandemia, não vão esperar o Thanos, vão mandar os juros nas alturas, pois o risco de termos “impressão de dinheiro” para cobrirmos buracos menores (e certos de acontecer no futuro) é enorme. Risco futuro impacta preços presentes. Isso é aula 000001, tatibitati, massinha ZERO do curso de finanças.

Não haverá título a salvo, nem de inflação (pois ele oscila com o cupom de juros e não com a inflação que é adicionada a posteriori). Para os queridos que acham que títulos pós-fixados estariam livres, peço que voltem às crises do final do governo FHC para ver que a “meta da SELIC” não valia mais nada. O governo tinha que pagar mais, mesmo em pós-fixados (aqueles ágios e deságios de hoje, pequeninos, eram enormes em 2002).

Pois bem, já chutamos o balde em quase tudo no pacto social. De certa forma capitulamos diante do virus, antes dele nos matar. Não estou criticando, entendo que o protocolo do medo seja forte demais para ser enfrentado, ninguém quer morrer. Estou em casa convencido a ter muito medo.

Se chutarmos o resto, não haverá Federação. Repito pela segunda vez: Isso não é uma hipérbole.

Faltam poucas coisas para serem destruídas aqui em Terra Brasilis, e estamos caminhando a passos largos para fazê-lo. O Plano Mansueto se tornou o embrião de uma bomba nuclear no orçamento federal, com todos os entes federativos se refestelando no cadáver do orçamento público. Todo mundo que estava nadando nu vai comprar roupa roubando de si mesmo, roubando seu próprio futuro.

Agora estamos querendo imprimir dinheiro, jogando no lixo a última racionalidade do período pós-inflacionário, que é a LRF e o sistema de financiamento do déficit público.

Não é possível destruir tudo e preservar tudo ao mesmo tempo. You can´t eat the cake and have it too. Se formos no caminho da heterodoxia isso não vai levar os mercados a dançar alegremente com essa irracionalidade. O mercado vai manter-se tentando reduzir seus prejuízos e, nesse caso, seria uma enorme corrida ao dólar, e não só por vias bancárias, uma fuga enorme dos títulos públicos, o que significa, na prática juros nas alturas.

 

Isso não seria uma previsão catastrofista, Portinho?

Respondo: para começar isso nem é uma previsão, é só uma lembrança. Tenho 47 anos, nada disso é novo. Me bancarizei em um país assim. Tive dinheiro confiscado, tive que lembrar o nome de 5 moedas em 10 anos, vi a minha mãe guardar notas de empréstimo compulsório, vi contas bancárias gerando correção de 1% por dia útil etc.

Para falar pela terceira vez de Roberto Campos, esse texto não é uma previsão é uma Lanterna na Popa.

 

Don´t do funny things.

Não é mais uma questão de salvar vidas e salvar a economia. Num cenário como esse, de total descumprimento de contratos, o Átila Iamarino vai parecer uma Pollyanna de previsões cadavéricas. Vão lembrar dele como aquele menino otimista. As vidas estão sendo destruídas pelo vírus, a economia, por nós. Voluntariamente e de forma anormalmente rápida.

Please: don´t do funny things.

 

Ps. Se você leu esse texto e o achou alarmista, quero me desculpar, pois tentei ser didático e não alarmista. Eu achei o texto até otimista, pois ainda podemos vencer sem esfacelar a federação. Podemos empobrecer com dignidade.

Ler Post Completo | Make a Comment ( 5 so far )

O Brasil está mesmo à beira de um Calote?

Posted on 04/03/2016. Filed under: Administração, Finanças, Política | Tags:, , , , , , , , , |

Primeiro foi a Empíricus a alardear um provável calote nos títulos públicos, por conta do desequilíbrio fiscal brasileiro.

Mas vários outros analistas também indicam, no Brasil e no exterior, que o ritmo de crescimento da relação dívida/PIB seria insustentável e poderia resultar em um possível calote em 2018.

O banqueiro Luiz Cezar Fernandes, ex-sócio do Pactual e do grupo Garantia, foi mais longe e previu, além do calote, uma quebradeira de bancos, inclusive bancos grandes, para 2018.

Antes de continuar, vale ressaltar que esse seria calote clássico, não o “branco” que muitos tem alardeado. É aquele calote em que o governo, simplesmente, para de pagar os juros, ou o principal. Ou, como na época do Collor, promove uma interrupção de todos os pagamentos e sequestro do principal por algum tempo.

Será que esse calote clássico virá?

A turma do “calote branco”.

Há quem defenda que o governo não precisaria chegar a tanto, pois tem como “imprimir” dinheiro e pagar os juros e o principal. Isso levaria ao tal “calote branco”, pois a emissão de moeda geraria inflação, o que reduziria o ganho real dos investidores.

Mesmo quem tem NTNs, atreladas ao IPCA, perderia, pois o imposto também é pago sobre a correção da inflação.

De que adiantaria ganhar 1% ao mês, se a inflação for de 3%?

Será que esse “calote branco” virá?

Qual a probabilidade dos calotes?

Os analistas não estão errados. Mas também não estão inteiramente certos. Subestimam alguns pontos. Em minha opinião.

A dívida pública está mesmo numa rota insustentável. Ela cresce, nominalmente, quase 2,5% ao mês e, em termos de PIB, quase 10% ao ano. Nesse ritmo chegará fácil a 80% de relação dívida/PIB no início de 2018. O professor Pastore acha que chega a 90% no mesmo período.

Engana-se quem julga nossa dívida pequena ao compará-la com a relação dívida/PIB de 243% do Japão ou de outros países desenvolvidos. Eles financiam suas dívidas em moeda forte e com juro praticamente zero. O custo médio da dívida brasileira é de quase 17% ao ano. Uma relação de 80% significa que pagaríamos 13,6% do PIB só de juros. Insustentável. Inacreditável.

Esse calote, a continuar a letargia política brasileira e sem reformas LIBERALIZANTES, infelizmente é possível e até provável. O ritmo brasileiro está ditado por questões policiais e paroquiais. A continuar assim até 2018, não seria surpreendente um discurso demonizando os rentistas para justificar a tungada nos poupadores.

Esse calote definitivamente é possível e, a continuar na toada política atual, lamento que seja até provável.

(Enquanto escrevo vemos o vazamento da delação de Delcídio e a condução coercitiva de Lula. A ver os desfechos, por enquanto voltemos aos calotes.)

Mas e se o governo imprimir dinheiro e soltar a inflação?

Esse caminho, em minha opinião, não existe.

Ou melhor, existe, mas seria muito pior, em todos os aspectos, do que o calote clássico. Pior para todos, inclusive e principalmente para o governo.

O medo, justificável, das pessoas esclarecidas é que a inflação desenfreada pudesse dar folga orçamentária ao governo, nos mesmos moldes do “imposto inflacionário” das décadas de 1970 a 1990. Ou seja, o governo conseguiria financiar suas contas pela corrosão que a inflação imporia aos brasileiros, principalmente aos mais pobres.

E o medo é mesmo justificável, pois essa inflação e a atitude perdulária iriam requerer ainda mais inflação e dinheiro impresso para continuar programas populares (ou populistas, como queiram), necessários para amenizar as perdas das classes menos abastadas e para manter apoio ao governo.

Enfim, retorno aos desequilíbrios pré-Real.

Não creio ser possível.

Até aqui o leitor deve pensar que estou otimista. Mas não é isso.

Eu entendo que o caminho da perdição orçamentária e do remediação populista não existe, pois, infelizmente, levaria o Brasil à bancarrota ANTES do calote clássico.

O sócio de Jorge Paulo Lemann no Garantia está correto quando afirma que o calote clássico geraria uma quebradeira generalizada nos bancos. É razoável crer que, o governo interrompendo o pagamento da dívida, os balanços dos bancos não resistam.

Porém, o caminho da inflação desenfreada levará ao mesmo lugar, mas antes.

Explico e ficará claro.

Aos brasileiros que não acompanham o noticiário financeiro vale comentar que a percepção de que os bancos brasileiros enfrentarão uma onda de calotes privados é generalizada.

Além de um sem número de matérias e opiniões nesse sentido, isso já se reflete no balanço dos bancos e, principalmente, nos preços de mercado.

Desde que acompanho o mercado, tem quase 14 anos, não me lembro de ter analisado Bradesco e Itaú em patamares tão baixos de índice preço/lucro. Recentemente vi Bradesco a P/L 5,5. É históricamente 60% mais baixo do que a média.

Por que estão baratos com lucros crescentes?

Ricardo Knoepfelmacher, maior gestor de crises do mercado brasileiro, afirmou em uma entrevista recente que sumirão dos balanços dos maiores bancos privados entre 150 e 200 bilhões de reais de dívidas corporativas, entre 2016 e 2017. Ver aqui.

Um misto de hiperendividamento, má gestão e falta de crescimento econômico, além de questões externas ligadas a commodities, o faz crer nesse quadro.

Creio que o noticiário sobre dívidas de empresas como Oi, Usiminas, Petrobras, Sete Brasil entre outras, deixa claro que a preocupação de Ricardo Knoepfelmacher não é em vão.

Segundo ele, não haveria problemas em bancos grandes, já os pequenos e médios, poderiam ter problemas. O Jornal O Globo publicou uma matéria recente sobre os péssimos resultados dos bancos médios. Há 19 bancos com prejuízos nos últimos 2 anos. Isso é muito diferente da realidade de Bradesco, Itaú e BB. O governo parece saber desse perigo, tanto que reeditou a medida que permite aos bancos públicos comprarem carteiras de bancos pequenos.

Todos sabem o que está acontecendo. Tudo o que disse é de conhecimento público.

Por que, então, não haveria como consertar os déficits do orçamento público pelo “calote branco”?

Ora, por um motivo simples.

O que é inflação? É perda de poder aquisitivo.

De que vivem as empresas endividadas? De onde vêm suas receitas? Exceto as puramente exportadoras, as receitas vêm do consumo das famílias (e do governo).

A inflação invade os orçamentos domésticos e vai “expulsando” todos os gastos supérfluos, inicialmente. Após isso, as famílias começam a invadir suas poupanças. Quando não há poupança, ou quando essa termina, as famílias escolhem o que não pagar.

Creio que o noticiário deixa isso claro.

Em 12 meses, 1 milhão de pessoas retiraram os filhos de colégios particulares, outro milhão e meio abandonaram os planos de saúde. É recorde de inadimplência em condomínios, contas de luz, prestação dos carros etc.

E se os itens essenciais dispararem, por conta desse “dinheiro impresso” pelo governo?

Será que as famílias, na maior crise econômica da história brasileira, conseguiriam reajustes salariais expressivos para repor seu poder de compra? Como, se nem emprego parece haver? Como, se os salários estão sendo negociados para baixo, por conta das novas regras aprovados pelo governo (reduzir carga horária e salário)?

Hoje, não há qualquer espaço de manobra nos orçamentos das famílias, e em suas poupanças, para acomodar com pouca “dor” uma inflação descontrolada.

Se a inflação invade o orçamento para necessidades básicas, as pessoas deixam de pagar outras coisas. O carnê das casas Bahia, do carro, as dívidas bancárias etc.

Isso significa que, além do calote das pessoas físicas, os bancos terão que encarar o das pessoas jurídicas, que vivem, essencialmente, da venda dos produtos às famílias e ao governo (que também está sem dinheiro).

E não estamos num momento confortável. Não há qualquer espaço nos balanços das empresas, e dos bancos, para suportar qualquer choque de (falta de) demanda ou de inadimplência.

E, claro, não há espaço orçamentário no governo para salvar ninguém.

O “calote branco”, infelizmente, anteciparia os efeitos do calote clássico e não resolveria o problema orçamentário do governo. A economia colapsaria antes.

Em 1980 e 1990, nós tínhamos inúmeros mecanismos para amenizar a perda de poder aquisitivo imposta pela inflação de 20% ao mês.

Hoje, não há qualquer mecanismo para proteger os orçamentos das famílias.

Inflação alta no curto e médio prazos significaria, nas condições de hoje, calote em efeito dominó. Falta de dinheiro das famílias gera inadimplência civil, inadimplência empresarial e, por fim, inadimplência do estado.

Se alguém no governo imagina que seja uma solução, é melhor esquecer. Não é.

É uma questão de timing. Para uma economia se “acostumar” com uma ciranda inflacionária “redentora” das contas públicas, leva tempo. Não menos do que 3 a 4 anos. Foi o tempo que a Argentina levou para estabelecer gatilhos salariais e outros instrumentos para lidar com inflação de 30% ao ano (a real).

Mas a inflação elevada nos próximos meses, dadas as condições de endividamento das famílias, de queda severa na atividade econômica e da falta de perspectivas no campo político, tenderá ase transformar numa sucessão de calotes, bem antes desses 3 anos. Entre 12 e 18 meses, sendo otimista.

O ideal, hoje, seria deflação, para abrir espaço para mais consumo e quitação de dívidas nos orçamentos familiares.

Não é impossível. Até porque o consumo deve reduzir ainda mais, o que poderia pressionar os preços para baixo.

Seria um bom ciclo, pois permitiria que o BACEN reduzisse um pouco os juros, aliviando a questão orçamentária.

O que fazer então? O calote é inevitável?

Não, o calote não é inevitável.

É relativamente trivial o que deve ser feito. Reformas liberalizantes. Fim do falido “Estado Empreendedor”. Venda de ativos. Concessões. Redução da burocracia, entre outros itens que todos conhecemos.

Isso já foi dito milhões de vezes. Roberto Campos morreu há mais de uma década, mas ainda continua ficando rouco de tanto nos alertar dos motivos de nossa pobreza.

Seria fácil fazer o certo, mas teríamos que ignorar os apelos corporativistas dos que se locupletam da máquina pública brasileira. Infelizmente há muitos nessa condição de dependentes da máquina estatal. De empresários bilionários a pessoas comuns.

Uma guinada nessa direção, ainda que inicial, mas com compromisso REAL, já permitiria um redirecionamento de capitais estrangeiros, de risco, para o Brasil. Já permitiria, em médio prazo, redução significativa dos juros.

Há US$ 6 trilhões aplicados em taxas de juro negativas no mundo. Dois meses de reformas liberalizantes e de respeito às regras e a Argentina renasceu para o sistema financeira internacional, com a expectativa de investimentos de US$ 80 bilhões nos próximos anos.

Imagine quanto poderia vir para o Brasil, se renegarmos o tradicional Império do almoço grátis e da falta de responsabilidade individual e corporativa (accountability)?

A saída é evidente e, creio, rápida. É só seguir a racionalidade econômica mais simples por alguns poucos meses, e direcionar o Estado para o que ele realmente deve fazer.

Apesar dos slogans nacionalistas tais como “O Petróleo é nosso”, “Petrobras, orgulho da nação”, entre outros, o nosso pacto social NÃO É ESSE.

Nosso pacto social espera, em troca dos penosos impostos, serviços públicos de qualidade na área de saúde, educação, segurança, jurídica e previdenciária.

É o que o brasileiro quer, apesar de ter sido convencido de que quer ser sócio de empresas elétricas, de petróleo, de telefonia etc.

É fácil, é simples. É até rápido.

Só falta, infelizmente, o líder.

Ainda não vi.

Não há político REALMENTE interessado em liberar o Brasil das amarras do corporativismo estatal.

Mas tenho esperança.

Ao menos já sabemos o que é errado. Há inúmeras evidências de nossos erros. Aprendamos, pois.

Ler Post Completo | Make a Comment ( 7 so far )

  • Disclaimer

    Este blog é um ambiente privado para expor opiniões, estudos, reflexões e comentários sobre assuntos ligados a finanças, bolsa de valores, economia, política, música, humor e outros temas.

    Seus objetivos são educacionais ou recreativos, não configurando sob nenhuma hipótese recomendação de investimento.

    O investidor consciente deve tomar decisões com base em suas próprias crenças e premissas. Tudo que lê ou ouve pode ser levado em consideração, mas a decisão de investimento é sempre pessoal. Tanto na escolha de ações para carteira própria, quanto na escolha de gestores profissionais para terceirização da gestão.

    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

Liked it here?
Why not try sites on the blogroll...