O STF, Michel Temer, o Mercado e o único objetivo REAL do governo.

Posted on 23/11/2017. Filed under: Finanças, Política | Tags:, , , , , |

Hoje, dia 23/11/2017 o STF quase nos livrou da incrível excrescência do Foro Privilegiado, irrestrito e atemporal, para quase 55.000 autoridades públicas.

Por melhores que tenham sido os motivos para a criação da prerrogativa de Foro, o que ocorre hoje é uma vergonha. Qualquer crime, agressão a mulher, estupro, assassinato, roubo qualificado, latrocínio, participação em milícias, enfim, qualquer um, tendo sido cometido antes ou durante o mandato, dá prerrogativa de Foro às autoridades envolvidas.

Creio ser meio óbvio que o motivo da criação desse instituto não era entulhar tribunais superiores com estelionatários, traficantes, assassinos e estupradores comuns, com mandato. Mas é como funciona, como ficou evidente nos votos dos ministros.

Mas não salvou, conforme já havia sido antecipado na imprensa

Os meios de comunicação já haviam antecipado que algum ministro “alinhado aos foreiros” iria pedir vistas e, na prática, empurrar com a barriga, sem prazo, a decisão que já tem maioria.

A decisão que seria tomada hoje é ALVISSAREIRA. Só haverá foro para crimes cometidos durante o mandato e relacionados ao mesmo. Se for parlamentar e matar ou estuprar, primeira instância. Se estava respondendo na primeira instância ANTES de se eleger, continuará lá.

É o pesadelo dos políticos que buscam a eleição, desesperadamente, para evitar o julgamento pelo juiz natural. E o motivo é óbvio.

Relacionamento e indicação.

Enquanto em tribunais superiores há, por óbvio, um sistema de influências e de relacionamento entre os indicados e os políticos, às vezes não republicano, muito dificilmente um juiz natural fará parte da rede de influência do político-réu.

E é isso que não querem os parlamentares.

A justificativa de Toffoli foi meio ridícula, pois ele teve 177 dias desde a liberação do voto do relator e mais 56 dias para ler o voto parcialmente divergente do min. Alexandre de Moraes. Creio que tempo mais que suficiente para ao menos saber do que se trata a questão de ordem e o voto dos ministros. Ele afirmou que ainda “não estava clara” a questão.

Como não há o que fazer para evitar a sabujice, fazem o que querem sem qualquer accountability.

Temer e o paradoxo do “bom presidente forçado”.

Para entender a política brasileira não é preciso modelos sofisticados de pensamento. É tudo meio óbvio.

Os interesses são claros. As corporações, em todos os poderes (executivo, legislativo e judiciário) e em todos os níveis (federal, estadual e municipal) tem objetivo único de manter seu sistema de poder.

Quando um governante não privatiza, não é por ideologia de esquerda, mas por manutenção e/ou ampliação de seu poder de barganha, que o ajuda na perpetuação de seu sistema de poder.

Quando aparece uma inovação como o Uber ou o Netflix, as leis não são apenas relacionadas ao pagamento de impostos, mas ao controle dos empreendimentos. É preciso alvará, é preciso registro, é preciso carimbo, é preciso conteúdo específico, é preciso pedir benção ao Estado, é preciso dar ao governo a possibilidade de criar reservas de mercado para seus apoiadores, à custa da receita das empresas.

Quando o governo quer investimentos expressivos em infra-estrutura, ele cria regras que impossibilitam o agente privado de operar com lucro a juros de mercado. Daí ele acena com financiamento subsidiado público. Não há nada MENOS capitalista do que o capitalismo brasileiro.

Isso tudo dá poder de indicar QUEM VENCE no mercado brasileiro (lembram dos Campeões Nacionais?). E a máquina NÃO abre mão de poder e de legislar no sentido de controlar, e controlar significa também ter o poder de não controlar. A clássica criação de dificuldades para vender facilidades. Muitas vezes de forma não republicana.

Tinha uma lava-jato no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma lava-jato

Goste-se ou não, por evidente a lava-jato abalou a estrutura desse sistema retroalimentado de perpetuação de poder.

Alguns amigos defendem Temer, chego a ouvir que é o melhor presidente da história brasileira (é isso mesmo, ouvi isso), por entender que as aprovações, ou tentativas de aprovação, de grandes reformas do Estado Brasileiro estão saindo no governo Temer. E duas reformas importantes realmente saíram, a trabalhista (que provavelmente vai ser destroçada pelas emendas parlamentares) e o teto de gastos (que é boa, mas não deveria livrar legislativo e judiciário).

E ainda há outras na fila, como a da previdência.

E aqui o paradoxo me choca, profundamente, pois a situação é tão óbvia e tão dantesca que deveríamos estar escandalizados.

Temer tem 2 chances de se livrar da cadeia.

A primeira chance é tornar-se uma eminência parda, uma força política inequívoca, o homem que pegou o Brasil quebrado e entregou uma economia pujante.

A outra chance é manter foro privilegiado através de alguma emenda constitucional que garanta isso a ex-presidentes, ou eleger comparsas para pegar um ministério.

Essa segunda chance, ao que parece, está sendo orquestrada no congresso, o que salvaria inclusive Lula e Dilma. Faz sentido que isso ocorra, pois há uma maioria de 2/3 de investigados, ou quase isso.

Mas a primeira chance é que me intriga.

Os amigos que apoiam Temer, certamente não o fazem por coadunarem-se com as práticas criminosas do presidente, nem por sua relação com a lata do lixo da política. Eles apoiam porque entendem que ele conseguiu reformas revolucionárias em pouco tempo, o que é bastante difícil aqui no Brasil. Ele destruiu o movimento sindical “fake”, aquele que existe apenas porque “existe o dinheiro, tem que gastar”, mas não representa ninguém. Isso é revolucionário no país.

Ainda há uma ampla agenda de redução dessas amarras estatais, com privatizações de grandes sistemas de “poder” na Eletronorte, Furnas, Itaipu etc. Adicionalmente, a redução do nefasto papel destruidor de valor e concentrador de renda do BNDES, abrindo espaço para um mercado de dívida privada pujante e um mercado de capitais funcional (por aqui isso não existe).

Alvíssaras, alvíssaras!!! Só que não…

O que fica claro de tudo isso é que, não só Temer, mas TODOS os políticos, sabem EXATAMENTE o que fazer para o país decolar, para a economia se livrar das amarras e crescer como gente normal. Normal aqui refiro-me a Peru, Chile e Colômbia, nada fancy, mas apenas países menos amarrados, que tem juros baixos, baixíssimo imposto sobre o consumo, aliança com países vitoriosos, repúdio ao bolivarianismo e outras facilidades à população.

Então temos uma grande maldição, eterna maldição, que ora está explicitada por Temer e sua desesperada tentativa de se livrar da cadeia, através da virtude econômica.

Somos, e aqui não me refiro apenas ao “zé povinho”, mas ao empresariado também, marionetes à espera dos movimentos que o governo nos permitirá fazer, no tempo em que ele quiser, o quanto quiser e até quando deixar.

Foi assim com as reservas de informática. Era assim com a proibição de importação de instrumentos musicais. É assim com tudo. Por isso confundimos riqueza da nação com tamanho do orçamento público.

Recuso-me a aplaudir

Não posso me conformar com o sistema títere-titereiro. Não posso achar normal que os políticos soltem as amarras da economia de acordo com a conveniência de um pequeno grupo de novos senhores do engenho, dosando a ração de comida e liberdade de seus escravos e de sua criadagem, aqueles que existem apenas para servi-los.

Não há NADA de liberal em Temer. Ele está apresentando um receituário óbvio, que nunca foi aplicado porque nós, os selvagens, não “merecemos” a liberdade de empreendimento e o fluxo livre de capitais que o mundo já experimenta há pelo menos 50 anos.

E o está fazendo para livrar-se da cadeia e do “juiz natural”.

Durmamos com um barulho desses.

Para salvar a economia e promover o crescimento, Temer aplica um receituário que todos sempre souberam, todos pregaram e todos escreveram. De gente sofisticada, a gente simples. De Alexandre Schwartzman a Miriam Leitão. Do micro-empreendedor individual ao industrial. Mas o faz pelo motivo errado.

Poderia ser ingênuo e aplaudi-lo por tentar fazer tantas coisas demandadas há séculos por quem deseja investir no Brasil, mas eu não posso fechar os olhos para o óbvio.

O Status Quo é o que é porque sabe se manter como Status Quo. As movimentações são, como se vê, no sentido de voltar tudo como antes.

E aqui a união é plena, de todas as matizes, de PT a PSDB, direita, esquerda e centro.

Aliás, agora que surgiram efetivamente opções efetivamente de direita e/ou de mercado, é que ficou claro que vivemos uma ilusão de polarização direita-esquerda no país.

Em 2018 Alckmin será um candidato de esquerda. Sempre foi, só não víamos com clareza, pois o Status Quo é eficiente em criar estratégias diversionistas para nós, os selvagens, brigarmos com o que vemos, enquanto a boiada da corrupção e do compadrio entra inteira por outras portas.

Fernando Henrique nos enganou quando disse que o embate PT-PSDB era pela “chave do cofre”. Mentira, o cofre continuou aberto a todos.

Temer e 2018

Não haverá recuperação econômica que livre Temer do que ele é. Ele é o que é. É o que vimos e ouvimos que ele é. É o que suas alianças mostram que ele é. É o que os encontros secretos com Toffoli, Gilmar e Aécio mostram que ele é.

E não há crescimento de 3% em 2018 que fará as pessoas esquecerem isso.

Seu movimento será, cada vez mais, no sentido de livrar-se do juiz natural de formas heterodoxas. Ou conseguindo imunidade no congresso, ou destruindo cabalmente a lava-jato, ou costurando algum candidato pró-Status Quo que possa vencer as eleições de 2018.

E nesse caso entendo que o único candidato que se ajusta ao interesse de Temer é Lula. É ingênuo quem pensa que Lula e Temer estão em barcos diferentes, seguindo caminhos diferentes. É ingênuo e tem problemas de memória, pois Temer está lá por causa de Lula. Era vice do PT. Esteve (e está) na mesma canoa furada, ambos tirando a água e tentando remendar o furo.

Lula seria o único que poderia aglutinar todas as forças políticas encrencadas com a polícia em torno de algum projeto nacional pró-corrupção, anti-lava-jato.

O vencedor em 2018 será alguém que se mostrar disposto a explodir o Status Quo. Alguém sem compadrios nos tribunais superiores, e que não deve favor ao coronelado histórico brasileiro.

Se essa pessoa não existir, viveremos outra ilusão, outro mise-em-scène démodé. Mais um jogo para divertir-nos, os selvagens, enquanto passa a caravana da vagabundagem.

Como sói acontecer há 517 anos.

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O brasileiro em geral gosta de ser enganado e prefere direcionar o ódio e culpa a um único agente ao invés de avaliar com imparcialidade. E assim seguimos. Um país onde funcionário público defende estado mínimo, poderes defendem o congelamento de gastos (excluindo o legislativo e o sagrado judiciário claro). A verdade é que todas as grandes classes possuem lobby no congresso, desde empresários e bancos até categorias do funcionalismo público, o que se reflete nas reformas. A da previdência por exemplo já excluiu os militares e policias e continua o tratamento diferenciado com o judiciário. Mudança para quem cara pálida?

Portinho, sua análise é muito boa sempre. Eu sou de esquerda, mas vejo muitos erros na esquerda. Assim, como não é possível ignorar os muitos erros no centro e na direita. Os que justificam o Temer pelas reformas caem no mesmo poço dos que votam em Maluf pelo “Rouba mas faz”. Relativizar a corrupção não nos levará a um bom futuro, mas sim apenas a mais do mesmo.

Como você disse, é hora de alterar o status quo, de mexer no stablishment, de fazer uma espécie de “orçamento base zero” da política. O país precisa de uma nova ordem, com menos compadrio e mais eficiência, produtividade, objetividade.

Portinho parabéns pelo artigo, realmente muito bom.
Concordo sobre tudo que você disse sobre o Temer e pelo que disse em respostas sobre nossos partidos políticos. Não temos adversários, temos alternância de poder que se auto ajudam.
Porém gostaria de descordar de sua confiança em nosso Excelentíssimo Ministro Meirelles. Ele é tão suspeito quanto Temer em minha opinião. Gostaria de uma análise sua sobre alguns fatos sobre esse senhor.

Primeiro: como você já deve saber, vazaram dados sobre pagamentos provenientes de “consultorias” dadas por ele em que recebeu mais de 160 milhões de reais e isso apenas 3 meses antes de assumir o posto de ministro e 50 milhões 4 meses após tomar posse;

Segundo: ele subiu o imposto sobre combustível para balancear as contas públicas e fazer o povo pagar mais imposto ao mesmo tempo que mantém a fortuna dele em offshore para pagar menos imposto;

Terceiro: repare como ele ameaça o povo dizendo que se não reformar a previdência o povo não vai ter aposentadoria e quando perguntam pra ele sobre os refis de perdões de dívida ele fica muito mais “manso”, dizendo que tem que ver a questão;

Quarto: parte do dinheiro que ele recebeu veio proveniente da JBS que inclusive ele foi parte do conselho entre 2012 e 2016 e hoje ninguém liga esses pontos, pra mim, protegendo ele.

Creio que Meirelles esteja fazendo as reformas que você e muitos brasileiros consideram boas para o Brasil, mas acho que você deixou de considerar esses fatos que faria Meirelles também suspeito para o cargo.

Na minha opinião Meirelles é o que o mercado quer e talvez tenha sido cooptado pelo mercado, ou certeza, e faz tudo o que o mercado quer, porém nem tudo que o mercado quer é bom para todo mundo.

Grato pela atenção

Suas colocações são perfeitamente plausíveis. É difícil explicar como ele recebeu mais de 200 milhões de reais de “consultoria” para a JBS. O Banco Original não é nada, só teve lucro com uma operação (de conhecimento público) de venda da marca para o controlador.
Existe o mercado livre e o mercado cooptado. Creio que Meirelles atenda os anseios dos dois. Às pessoas que querem livre empreendimento e redução do papel do governo, mas também àqueles que querem manter o compadrio.
De qualquer forma, se ele sair o governo acaba.

É engraçada a despolitização da direita que você representa, Portinho. Você prefere concentrar críticas no Temer a concentrar em Lula (porque considera que este está morto, que piada), prefere descer a marreta em Gilmar Mendes a descer em Barroso e Fachin, prefere criticar Alexandre de Moraes a criticar Janot. Aplaude o STF petista legislador que passa por cima da lei “em nome do combate à corrupção”, “porque eu não tenho bandido de estimação ao contrário dos petistas”. Passa mais tempo preocupado com alguém que pretende te roubar do que em quem quer te escravizar. Numa eleição entre Temer e Lula, este venceria de goleada. E você acha isso normal e que suas ideias da realpolitik não têm nada a ver com isso. Não, meu caro, PMDB, PSDB, DEM são lixos, mas não são iguais a PT, PSOL. No fundo, você quer preservar uma pureza infantil em nome de algo que não vai acontecer. A realidade sempre vai perder da utopia, meu caro. Você, como um não socialista, deveria saber disso. No entanto, faz o jogo da esquerda, do PSOL, do PT. Perceba que os alvos diários deles são os mesmos seus. Agora deve pensar que eu caí na narrativa de um lixo como Reinaldo Azevedo, embora possa concordar com poucos pontos. Enfim.

Vamos pagar o preço por igualar todo mundo, por igualar corrupção individual à corrupção a serviço de um projeto totalitário. 2018 chegará em breve. Lula vencerá. PT vencerá. Eles vencerão. E você contribuirá pra isso.

Agradeço os comentários, mas não posso concordar, principalmente com as avaliações sobre o meu pensamento.
Não represento despolitização. Sou filiado a partido político, contribuo todos os meses há 2 anos e fui candidato a vereador no RJ. Não voto em branco ou nulo e faço campanha pelo menos pior desde sempre (contra o PT). Querer tirar bandidos da vida pública não é lutar contra a política, é apenas querer tirar bandidos da vida pública.
Lula está morto, já escrevi sobre isso e a recente ultrapassagem de Bolsonaro nas pesquisas mostra isso. Quando digo que está morto, significa que não tem e não terá discurso. Agora, é claro que um acordão PT-PSDB-PMDB que extingua a Lava-Jato ou dê foro privilegiado a ex-presidentes poderá salvá-lo da cadeia. E, claro, com anuência de Temer, Aécio, Gilmar, Moraes et caterva.
Quanto a apoiar ou deixar de apoiar Gilmar, Moraes, Fachin ou Barroso, tenho uma política que considero mais sensata. Não sou ingênuo para achar que agem de forma técnica. São políticos e têm agenda. Eu também tenho, você também tem. Eu avalio seus atos e discordo ou concordo de acordo com meu discernimento. Já apoiei Gilmar quando ele SOZINHO recolocou a chapa Dilma-Temer na berlinda. Quando foi votar para cassá-la, Gilmar mudou de opinião. Eu não mudei. E isso mostra que eu sou eu, represento meus interesses, já Gilmar mudou de acordo com as forças políticas do momento. Já discordei de Fachin e Barroso, pois tenho compromisso apenas com o que acredito.
Com relação a combater o PT e o gramscismo, tive a honra de ser aluno informal do maior especialista do exército Brasileiro em Gramsci, o general Avelar Coutinho. Conheço e combato há muitos anos a “prisão sem grades” do gramscismo e sua versão tupiniquim.
Como o PT chegou lá? Com sorrisos largos de FHC ao entregar a faixa a Lula. Como amplo apoio do PMDB, mesmo antes de ter o vice.
Onde estava a política para nos salvar da “escravização das mentes”? Estava apoiando o senhor de escravos, aprovando todas as suas iniciativas, econômicas e comportamentais, e, claro, se locupletando das mentes escravizadas.
Eu não faço jogo da esquerda, ao contrário, quem está crescendo fortemente é de direita, outrora inexistente no campo político. Alckmin, enfim, resolveu sair do armário e, ao se unir à esquerda do PSDB, assumiu que detesta o liberalismo. Acha que o liberalismo é o ocaso do ser humano. É o que sempre foi. De esquerda.
Pureza infantil por atacar o Status Quo? Ora, então é uma pureza compartilhada por Bolsonaro, Gustavo Franco, João Amoedo, Alexandre Schwartzman, Paulo Guedes e grande elenco, todos em uníssono afirmando e acreditando que o liberalismo econômico e a ordem social serão os principais motes da campanha de 2018. E olha que Bolsonaro não tem nada de liberal, mas já anunciou um cracaço na economia. E o motivo é o mesmo que coloco aqui há anos. Quebramos e não temos mais como pagar populismo. Não haverá orçamento para 2020.
Entendo que são apenas narrativas e não verdades, o que estamos colocando. Eu construo aquela que acho correta e avalio o que falei ao longo do tempo. Tenho bastante orgulho de reler meus textos escritos há 8, 10 anos, e não precisar reparar significativamente nenhum, além de ver que as coisas aconteceram da forma como esperado.
Já Reinaldo Azevedo achava que os movimentos de 2013 iriam fortalecer a esquerda e não seriam capazes de retirar a Dilma. Eu, que sou pessoa simples, vi que ali nascia o movimento de direita, e que derrubaria o governo, MESMO tendo sido iniciados por movimentos de esquerda e tomados, ao final, por black blocks. Ele errou feio. Dilma caiu, o PT está fora do poder, Lula está empatado ou perdendo de Bolsonaro (nos últimos 30 anos sempre esteve à frente nas pesquisas).
Continuo acreditando que meu modelo é mais plausível e vai prevalecer.

Parabéns Portinho! Como seria bom que esse seu artigo fosse lido por todos os brasileiros, de coronéis à selvagens! Como é gratificante saber que existem pessoas que ainda tem lucidez intelectual nesse país! Estou aplaudindo em pé!
Abraços!

Portinho, me desculpe a franqueza. Sou seu leitor (tenho seus livros) , mas você parece um universitário contra Temer.
Olhe os fatos, contra todo os esqueletos herdados do PT, Temer faz a coisa certa, que ninguém fez na história, e vai colocando o país nos trilhos do desenvolvimento.
O resto é coisa de esquerdinha, de querer achar defeitos…
Temer é, disparado, o presidente certo para este país sair do rumo venezuelano.
PS: É como a história da mala. Qualquer um que tem dois neurônios sabe que, no flagrante armado pela corja do PT (Janot, Joesley etc) usando aquele deputado idiota, a mala sempre tem grampo para rastrear o destino. Como não chegou ao Temer, com certeza, tiraram o grampo e, por ilação, disseram que a mala era para… o Temer.
Tenham paciência!

Na verdade conheço bem os esqueletos do PT, todos eles, pois sou obrigado a acompanhar o mercado de perto.
O meu raciocínio leva em conta todos os fatos que me chegam, não posso ignorar fatos só porque não se coadunam com minha análise.
Se afirmo que Temer é irrelevante para as reformas, estou apenas repetindo o que o próprio Meirelles falou, quando havia risco dele renunciar ou de ser afastado. Meirelles foi categórico ao dizer que as reformas não dependem do presidente. Rodrigo Maia também falou isso, e também falou o presidente do senado, que é aliado de Temer.
Outro ponto é que ficou evidente que a polarização PT-PSDB sempre foi uma farsa, vide Aécio mantendo, com anuência de Lula e Dilma, seu poder em Furnas e até na Vale.
Não posso me esquecer que Lula indicou Meirelles para Dilma logo depois que Levy naufragou. Nem posso me esquecer que Temer era vice de Dilma.
Também não posso deixar passar que o alicerce do governo é Meirelles e sua equipe econômica. Ninguém no mercado se preocupa com Temer, mas com Meirelles. Se cair o ministro, cai o governo todo. Aliás, não sobra nada se sair a equipe econômica. Os outros ministros são irrelevantes.
O crime que Temer cometeu não foi o da mala, mas foi ter ouvido relatos de crimes e não feito nada. Esse é um crime inequívoco de servidor público. A Globo é tola, a narrativa da Globo e de Janot foi tola, o crime inequívoco, que Temer sabiamente evitou tratar, foi prevaricação. E isso é inequívoco.
A minha mais honesta opinião é que Temer é apenas um estorvo no caminho do mercado e do investimento. Se estivéssemos com um presidente eleito indiretamente pelo congresso, desde 2016 (antes teriam novas eleições), tudo estaria fluindo no caminho do interesse da economia, pois só isso pode salvar o país da bancarrota e manter o sistema político funcionando. Nossos políticos são ladrões, mas não são burros e sabem o que é necessário para se manter no poder.
Hoje Temer serve apenas ao propósito de manter o controle, inclusive dos tribunais superiores.
Ontem foi Toffoli a pedir vistas para obstruir uma mudança alvissareira. Toffoli encontrou-se com Temer, fora da agenda.
Não posso deixar de ver e utilizar fatos tão importantes. A Globo, Janot, Temer, Gilmar et caterva são parciais, eu procuro aceitar os fatos e analisar todos, sem excluir nada do que me chega. E analisando tudo, deu na opinião que escrevi no meu texto. Temer funciona apenas como cavalo de Troia do sistema político, aguardando o momento para destruir as forças que estão minando o sistema político corrupto brasileiro. O resto é estratégia diversionista, são reformas comandadas por quem realmente manda, o poder econômico. Aconteceriam, e acontecerão, com ou sem Temer. Quebramos, e não vamos sair disso sem reformas violentas. Se não agora, em 2 ou 3 anos.
Abraço!

Olá Portinho.

Se não aplaudirmos a gestão reformista do Temer vamos ficar esperando sentados alguém para aplaudir.

Sou da opinião também que o PMDB aproveitou a situação para retomar o poder, mas o ganho do plano de reformas do governo Temer será muito maior que uma possível impunidade de alguns políticos.

Não adianta querer que o país mude de um dia para o outro, infelizmente o processo de aperfeiçoamento é lento. Destruir todo o processo político só ajuda a salvadores messiânicos.

Decisões equivocadas de políticos incompetentes (ou maliciosos) como Dilma são muito mais custosas que alguns atos corruptos, basta ver por exemplo o estrago que a MP do setor elétrico causou.

Quem sabe daqui uns 20 anos poderemos nos “dar ao luxo” de conseguir ter um grupo de políticos limpos e estadistas ao mesmo tempo. Mas ainda estamos distantes disso.

Abraço.

Caro Alemão,
Aplaudo todas as reformas, inclusive a primeira previdenciária que economizaria 700 bi, apenas discuti que Temer só fez isso, exclusivamente, para se safar da cadeia, e para se manter no poder e controlar, no que puder, os rumos da lava-jato. Estão aí o ministro da justiça e o chefe da PF que não me deixam mentir.
Defendo o processo político, tanto que sou filiado a partido político, faço doações mensais há 3 anos e me candidatei a vereador no RJ.
A dança de Temer com o congresso não é o processo político, é um processo político. Um processo vergonhoso que, diuturnamente, busca soluções para evitar que um sistema gigantesco de corrupção não seja detido.
Não estamos condenados a isso, e não precisamos de um salvador da pátria (que aliás é como Temer tem se vendido ao povo), basta um político que consiga explodir o Status Quo. E basta que esse político não esteja no mesmo esquema.
Vivemos a ilusão de polarização de PT-PSDB, que era, evidentemente, falsa, uma vez que Aécio indicava diretores em Furnas e presidente da Vale.
Meu ponto, já explicado em outro post, é que o sistema faliu o Brasil e, se ressurgir, vai nos conduzir para um buraco ainda maior.
Recebemos pouco investimento porque somos uma republiqueta de propinas. Empresas sérias e globais correm risco ao vir aqui fazer negócio.
Aliás, só estamos passando por isso tudo porque a Price não quis assinar o balanço da Petrobras em 2014, daí tudo teve que vir à tona. E, claro, a Price não estava preocupada com os líderes da republiqueta, mas com o departamento de justiça dos EUA.
Vale sempre lembrar que Temer foi vice de Dilma, e que Meirelles só não foi ministro de Dilma, porque ela peitou o Lula. Se fosse pelo Lula, Meirelles já estaria no governo desde 2015, quando saiu o Levy.
E todos concordam que, se Meirelles sair, o governo desaba, o mercado desaba e Temer vai virar um peso morto para o país.
Se tivessem cassado a chapa, se tivessem afastado ele por 6 meses, se ele tivesse renunciado, teríamos as mesmas reformas, pois, como Meirelles cansou de falar, com Temer ou sem Temer, o caminho era o mesmo.
Temer só está lá para não perder o controle da situação. Todos os ministros que não tinham foro estão presos. Os outros só estão soltos por que tem foro (ele inclusive). Assim como no RJ, só Pezão está solto.
É cristalino que esse processo político usa as reformas apenas como estratégia diversionista, o objetivo real é manter o controle.
As reformas, repito as palavras de Meirelles, não dependem de Temer, seriam votadas, pois também são a salvação dos parlamentares. Ninguém quer disputar uma eleição sob escombros econômicos e sob um orçamento destruído.
É como penso, minha mais honesta opinião sobre o assunto.

Olá novamente Portinho. Obrigado pela resposta.

Entendo sua visão da situação, mas discordo em partes. Concordo que Temer e cia aproveitam a situação para tomar o poder.

Discordo que precisamos implodir o status quo. Esse não é o caminho. E a lava-jato está errando em querer fazer isso.

Quantos políticos estão presos, gente graúda, muitos inclusive com prisão preventiva há meses. A justiça está avançando.

Agora não adianta querer resolver todo problema de uma só vez.

E vamos combinar que o Temer nem precisava fazer tantas reformaz para poder se safar. A agenda está sendo muito maior do que ele precisaria.

Quanto às reformas não necessitarem do Temer para prosseguirem, discordo também. Temer tem transito político muito maior. E o transito junto ao mercado do Meirellese complementa.

Vamos repetir aqui no Brasil o estrago que a operação Mãos Limpas fez na Itália?

De qualquer forma, discordando de alguns pontos seus, sou um leitor assíduo do blog. São bastante enriquecedotes seus textos.

Abraço.

Então, para eu concordar com as teses colocadas teria que desprezar muitos fatos que considero relevantes. Por exemplo, teria que esquecer que Meirelles, Rodrigo Maia e Eunício Oliveira se manifestaram, quando Temer esteve para cair, afirmando que as reformas continuariam independente do que acontecesse com o presidente.
Teria que acreditar que um presidente proveniente ou eleito indiretamente pelo congresso, não teria trânsito no congresso. Se Temer fosse afastado, Rodrigo Maia assumiria por 6 meses, se renunciasse, haveria eleição indireta. Para mim parece bastante razoável que em ambos os casos estaríamos nas mãos de políticos tão ou mais habilidosos do que Temer. Ah, e sem ter que entregar vários bilhões para engavetar denúncias e sem atrasos nas reformas.
Penso que se Temer tivesse renunciado, todas já teriam passado. Um presidente eleito indiretamente pelo congresso (que deu 359 votos para a PEC do teto de gastos), certamente seria um político hábil e coadunado com essa folgada maioria do teto dos gastos, até porque se elegeria por maioria dos votos.
Penso de forma bem simples, tentando assimilar todos os fatos e eventos altamente prováveis.
A mim parece, cada vez mais, que Temer é irrelevante no processo.
Outro ponto importante é que quebramos. Quebramos como nunca antes na história. O RJ é o laboratório do que ocorrerá se mantivermos as distorções orçamentárias por mais 3 ou 4 anos. Por instinto de sobrevivência, entendo que QUALQUER político, até Lula (que fez isso em 2003), encaminhará reformas duras. Até porque elas já existem desde sempre, só dormitam em gavetas no executivo e no próprio legislativo. Temer não inventou nada. Os planos sempre existiram, só vivemos num jogo de poder que, infelizmente, atrasa nosso desenvolvimento, enquanto mantém o sistema político forte.
A piora consistente na representação parlamentar, eleição após eleição, mostra que estamos atraindo o que há de pior, do crime organizado, milícia etc.
O que me entristece nas análises contra a lava-jato é a questão da operação mãos limpas. A narrativa brasileira faz parecer que a operação foi um estorvo para a Itália, um retrocesso.
Não limpou a política inteiramente, pois isso é impossível, mas o foco era a máfia. A máfia italiana era terrorista, foi muito debilitada pela operação mãos limpas e o que se sucedeu dela. Nunca mais houve explosões de carros de agentes públicos, de prédios, assassinato de juízes e procuradores etc.
É triste que as narrativas anti-lava-jato façam a operação que praticamente acabou com a máfia que praticava o terrorismo (ainda existe a máfia, mas os métodos são outros), algo que assustava os italianos e o mundo, em algo ruim para a Itália e seu povo.
Se Berlusconi apareceu por conta disso, provavelmente teria ocorrido o mesmo sem a operação mãos limpas, só que Berlusconi teria sido ainda mais corrupto, pois o ambiente era totalmente corrompido.
É o mesmo caso com Lula. Dizem que atacar Temer faz Lula crescer. Mas eu nunca vi Lula em patamares inferiores a 30% de intenção de voto. Desde 1989. Já acho um feito que ele esteja na faixa dos 25%. Sem Temer, estaria no mesmo lugar.
O estrago no Brasil já foi feito. Ainda que não houvesse a lava-jato, os executivos e as empresas brasileiras seriam processados no exterior. Isso está só começando.
Os trilhões de reais desviados do orçamento público para projetos ineficientes e deficitários já foram perdidos, restou apenas a dívida. Não há como estragar mais, só se voltarmos ao Status Quo da propina e do compadrio, hoje em banho-maria por conta da lava-jato.
E para acabar com isso, basta eleger alguém que não esteja no esquema.
Aliás, esse é o problema do Brasil, mesmo quando há aparente alternância de poder, os esquemas são exatamente os mesmos, por isso não conseguimos desmontar nada. Se tivéssemos bandidos de lados realmente opostos, a alternância de poder iria reduzir significativamente o poder de destruição desses caras. Mas quando Aécio perde a eleição para Dilma, e continua dando as cartas em Furnas, pedindo propina para um empresário financiado pelo BNDES e indicando presidente da Vale, vemos que os esquemas permanecem intactos, por isso ficam tão grandes.
Essa história do Aécio é INCRÍVEL, pois, em tese, ele não teria poder para pedir propina, não teria como abrir porta alguma para a JBS, pois não está no governo. Ainda assim pediu e foi atendido. Só fortalece minha percepção de que vivemos uma grande encenação, uma falsa polarização que serve apenas ao propósito de termos a ilusão de opção, a ilusão da possibilidade de mudança no processo eleitoral.
Não precisa entrar alguém vestal, honestíssimo, já seria bom entrar um outsider que esteja fora dos esquemas atuais. De preferência inteligente e honesto.

Ok, Portinho.

Mais uma vez obrigado pela resposta. Temos argumentos discordantes mas que ambos são plausíveis.

Abraço.

Portinhola boa noite!
Muito bom seus post e só elogios
Agora venho te pedir para que veja essa nova.modalidade de geração de dívidas, baseadas em Securitizacao de Dívidas Ativas que está em esforço junto com a pls204/2016 do Serra.
Esse esquema é altamente destruidor
Dizem que foi a destruição da.Grécia
Poderíamos debater?

Oi João, não tenho muito conhecimento sobre o tema. Pelo que li apenas os débitos já em dívida ativa seriam leiloados. O problema é que, no Brasil, dar poder aos políticas é sempre um problema. Não surpreenderia se vendessem o jantar para pagar o almoço, ou seja, que vendam dívida boa e que pode ser cobrada e como dívida podre e embolsem gorda propina.


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  • Disclaimer

    Este blog é um ambiente privado para expor opiniões, estudos, reflexões e comentários sobre assuntos ligados a finanças, bolsa de valores, economia, política, música, humor e outros temas.

    Seus objetivos são educacionais ou recreativos, não configurando sob nenhuma hipótese recomendação de investimento.

    O investidor consciente deve tomar decisões com base em suas próprias crenças e premissas. Tudo que lê ou ouve pode ser levado em consideração, mas a decisão de investimento é sempre pessoal. Tanto na escolha de ações para carteira própria, quanto na escolha de gestores profissionais para terceirização da gestão.

    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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