O PIB Trimestral e as Falsas Expectativas

Posted on 01/09/2017. Filed under: Finanças |

Acaba de sair o resultado do PIB do segundo trimestre. Alta de 0,2% em relação ao primeiro trimestre e alta de 0,3% em relação ao segundo trimestre de 2016.

No semestre (2016 x 2017) houve estabilidade, não crescemos nada.

Na comparação anual (últimos 12 meses x doze meses anteriores) estamos com uma queda de 1,4%.

Vai ter tweetaço do Meirelles e do Mansueto? Provavelmente, mas não há absolutamente nada a comemorar.

Nem vou entrar nos números em si, para ver os setores que foram bem ou mal, a queda nos investimentos etc., vou apenas relembrar os períodos de comparação.

Primeiro semestre de 2016.

Estávamos sob a batuta da “Senhora”. O Brasil em compasso de espera, praticamente tudo parado, bolsa abaixo dos 50.000 pontos, incerteza completa na economia e na política, congelamento de qualquer atitude de investimento e de consumo.

O petróleo estava em 30 dólares no início de 2016, só se recuperou no segundo semestre. O minério de ferro estava em US$ 40 no início de 2016, só se recuperou a partir de abril daquele ano. E o dólar? Bateu R$ 4,15! E a inflação, gigante.

Em resumo, era um Brasil parado, esperando definições, com commodities em baixa. O afastamento de Dilma ocorreu em 12 de maio, e o impeachment propriamente dito, em 31/08/2016.

Primeiro semestre de 2017

Esqueçam Temer, o mercado só vê Meirelles.

Bolsa subindo, perto de seu recorde histórico, liberação de 50 bilhões de reais diretamente nos bolsos dos brasileiros (FGTS), volta de IPOs, melhora das expectativas, entrada recorde de recursos externos, recorde de superávit na balança comercial, teto de gastos aprovado, reforma trabalhista aprovada, juros em queda livre, mercado externo favorável e… estamos comemorando uma estagnação em relação ao período da “Senhora”, de Bendine, de Tombini?

É como comemorar ser reserva do Muralha no Flamengo.

Chega a ser incrível que, mesmo com todos os estímulos, com gente racional na fazenda e no BACEN, com juros mais baixos, dólar confortável, inflação baixíssima, commodities recuperadas etc., estejamos comemorando um resultado pífio desses. Vamos relembrar que o Brasil do primeiro semestre de 2016 estava paralisado. Vamos olhar o fluxo e as circunstâncias e não o número em si.

Os segundos semestres…

A partir de agora Temer será comparado com Temer (pois Dilma já era carta fora do baralho no segundo semestre de 2016, mesmo faltando o desfecho no congresso).

E é bem difícil acreditar que Temer vencerá Temer, por motivos bastante simples.

Primeiro, o segundo semestre de 2016 foi MUITO melhor do que o primeiro, em termos de praticamente tudo. Commodities em alta, mercado externo pacificado, ainda havia algum investimento público, ainda havia orçamento público, o RJ não estava precisando de dinheiro federal ainda, dólar comportado, inflação comportada etc.

Para que o segundo semestre de 2017 seja bem melhor que o de 2016, precisaríamos de… outra liberação do FGTS? Que as commodities aumentem novamente em 50% seus preços? Que o governo tenha mais condições de investir e apoiar o investimento? BNDES?

Nada disso está na manga.

Aliás, os resultados da arrecadação nos primeiros meses desse trimestre (julho e agosto) mostram que a atividade está pífia, que as contas não fecham e que o governo vai ter que contingenciar praticamente TODO o investimento previsto, além de, eventualmente, cortar despesas obrigatórias.

Para conseguirmos atingir o crescimento previsto na revisão orçamentária (0,5%), teríamos que crescer mais de 2% (fazendo uma conta rápida) em relação ao segundo semestre de 2016.

Well, well, well… É uma luta complicada.

Mas teremos tweetaço! Teremos triunfalismo Temeriano.

Hy-Brasil is not sinking!

O Brasil me lembra da ilha de Hy-Brasil no filme “Erik, o Viking” (Monty Python).

Hy-Brasil era uma ilha paradisíaca, com habitantes alegres e crédulos. Tinha orgulho de sua música e acolhia bem os forasteiros.

Um dia (como na mitologia) a ilha começou a afundar. Seu rei (interpretado por Terry Jones, na foto) reuniu os habitantes para começar a cantoria e avisar: “Hy-Brasil não está afundando”. E todos acreditaram nele e tocaram até que a última tuba afundar no mar.

Estamos indo alegres, inzoneiros e faceiros, rumo ao abismo.

Com juízes ganhando 80 mil por mês e liberando ejaculadores de transporte público. Com a milícia tomando conta da baixada fluminense. Com Gilmar Mendes, que em si já é um símbolo do atraso institucional e moral.

Brasil, meu Brasil brasileiro, vou cantar-te nos meus versos, bloob, bloob…

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5 Respostas to “O PIB Trimestral e as Falsas Expectativas”

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Mais um excelente texto. Concordo que estamos afundando a “passos” rápidos, mas infelizmente não há organização social para discutir isso. COnsidero o desrespeito ao teto salarial, especialmente pelo judiciário, uma afronta ao país. Gilmar Mendes personifica bem o corporativismo e a parcialidade que impedem que este poder seja moderador dos outros dois, que se não estão em situação pior, estão iguais. Corramos para as colinas, enquanto ainda há colinas no país.

Ainda acredita nas nobres intenções de Janot e Joesley? Continua nas finanças, Portinho, porque na política você é muito ingênuo.

Concordo por completo com seus comentários. Temos um país de deboches, de cinismo. Onde se joga com os numeros e as palavras ao bel prazer de cada interessado em tirar vantagens para si próprio. Ao mesmo tempo , temos uma imprensa que apoia este tipo de atitude, pois reforça o que foi divulgado sem nenhum análise com mais profundidade e clara como esta feita aqui. Parabéns!!

Exatamente como enxergo, não resolveram nenhum dos nossos problemas mais sérios E a bolsa subindo, subindo, subindo.

A bolsa sobe, no mundo inteiro, pelo mesmo motivo. Ninguém sabe a hora de parar de dançar, e tem medo de ser o primeiro a apostar que a música vai mudar.


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    Seus objetivos são educacionais ou recreativos, não configurando sob nenhuma hipótese recomendação de investimento.

    O investidor consciente deve tomar decisões com base em suas próprias crenças e premissas. Tudo que lê ou ouve pode ser levado em consideração, mas a decisão de investimento é sempre pessoal. Tanto na escolha de ações para carteira própria, quanto na escolha de gestores profissionais para terceirização da gestão.

    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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