Renan Calheiros venceu o STF. E a corte absolutista insiste em não entregar Luís XVI.

Posted on 07/12/2016. Filed under: Filosofia, Finanças, Política | Tags:, , , , |

Por quem os sinos dobram, brasileiro?

Pela constituição brasileira de 1988 e pelo governo Temer que pereceram hoje, dia 07 de dezembro de 2016.

O Brasil se superou ao referendar a desobediência civil em nome da governabilidade e do conveniente conchavo.

Conseguimos decidir que um presidente do senado não pode suceder o presidente da república, criando duas categorias de “chefes de poder”.

A categoria constitucional e a categoria paraconstitucional, ou categoria “Renan”. Conseguimos fugir da categoria “Cunha”, mas não conseguimos fugir de sermos humilhados pelo homem que usa aviões da FAB, que faltam para transportar órgãos e salvar vidas, para seu seboso e milionário implante capilar.

Num momento em que Temer, cada vez mais esquálida figura, precisa de apoio para aprovar reformas extremamente impopulares, e fundamentais, os poderes conseguem se unir para homologar a desobediência civil, encarnada no Renan fujão e na mesa do senado escorregadia.

Perdeu Temer. Perdeu Brasil. O interino que virou efetivo precisa do maior sacrifício que a história já requereu do povo brasileiro, e lutou para mostrar que há categorias de cidadãos que jamais passarão pelo constrangimento de serem interpelados pela justiça, por mais que roubem, por mais que estuprem a moralidade e a urbanidade.

O povo, Temer, contrariado, talvez lhe desse apoio na empreitada de salvar o Brasil, mas teria sido necessário entregar Renan e alguma parte significativa da horda de corruptos que transforma a governabilidade num jogo mafioso. E tão exclusivamente um jogo mafioso.

Agora acabou. Esqueça. Eu sei que o Brasil quebrou e precisa de nossa ajuda, mas não há um só poder em que se possa confiar. A constituição é rasgada, categorias e gradações de desacato são autorizadas, em conluio evidente para a retirada de pautas desconfortáveis para o judiciário. Não esperaram nem o defunto esfriar para retirar a urgência da pauta-chantagem do abuso de autoridade. Somos idiotas para não notar a coincidência?

Por quem os sinos dobram? Dobram em choro por todos nós.

Não acredite, Temer, que haverá conforto nos corredores palacianos. Não haverá. Não acredito em você, não tenho interesse em fazer qualquer sacrifício para manter essa ordem constitucional. Defendi a racionalidade contra os raivosos, me expus por 14 anos, me indispus em vários meios. Tudo pela racionalidade financeira. Agora deixarei você explicar aos raivosos que estes devem se sacrificar pelo status quo. Vai fundo. Tá contigo a bola.

Mais 2 anos de desordem e desconfiança e o país implode em uma nova constituição, que será extremamente desagradável para todos, mas eu poderia apostar que no interregno entre a desordem e a nova ordem, a coisa não vai funcionar bem para quem está, evidentemente, escandalosamente, desavergonhadamente e gritantemente do lado da imoralidade, da vergonha e da patifaria.

PEC 55, reforma da previdência, novos refis etc., de que adianta? Quem quer pagar para ver? Quem quer sustentar, pagar impostos, para deleite da imoralidade? Quem nos poderes da república tem moral para pedir sacrifício?

Qual o seu sacrifício Temer?

Jogaram pesado hoje.

É o fim da constituição cidadã. É, de certa forma, o fim das sequelas do regime militar.

Espero que, dessa vez, joguemos fora a água imunda de esgoto parlamentar e os bebês de Rosimery, Sarney, Calheiros, Barbalhos além de toda essa fantasmagórica esquerda lunática que ainda vive escondida atrás da perspectiva de um verde-oliva que já não existe há décadas.

A lata do lixo da história é um lugar que não merece receber tamanha toxicidade. Nós brasileiros precisamos inventar um novo inferno para desejar aos nossos representantes. O pior pesadelo de Dante não merece vocês.

Zerou a confiança. Tchau, querido.

Ps. aos inacreditáveis seres que acham que isso só está acontecendo porque Dilma saiu, só tenho a lamentar a incapacidade analítica. Não fazem a menor ideia do que está por vir. Uma nova constituição não promete ser “progressista”. Serão atropelados.

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  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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