Brasil, origens da nossa pobreza. O remédio para Porfiria e o Uber.

Posted on 11/07/2016. Filed under: Administração, Filosofia, Finanças, Política | Tags:, , , , , , , , , , , , , , , , , |

Porfiria não é uma pessoa, é uma doença genética rara, bastante agressiva, que pode paralisar os músculos e levar à morte.

As pessoas que têm a forma mais grave da doença precisam de um remédio produzido na França, caríssimo (hematina). Esse remédio poderia ser usado para controlar crises severas (devastadoras), mas custa cerca de R$ 100 mil por crise. Ver reportagem do JN aqui.

A falta de liberdade para empreender

Há pouquíssimas pessoas que precisariam dessa medicação, mas ainda assim, segundo a ANVISA, uma empresa pediu para fazer a importação e comercialização desse remédio no Brasil.

Mesmo com pouco mercado, o laboratório resolveu empreender, assumir os riscos, a regulação dura, controles de preços etc., e investir para oferecer o produto a quem precisa (inclusive para o Estado).

A ANVISA negou, pois a norma brasileira só permite a importação em casos excepcionais, por requisição de hospitais ou por prescrição médica.

????

Mas não será SEMPRE excepcional, requerido por hospitais onde o paciente está internado ou por prescrição médica, que o remédio será usado?

As pessoas não conseguem comprar e, mesmo que consigam o direito de importar, pelo custo, certamente só o fariam durante uma crise. Imagine a angústia…

Os Estados, que perdem ações na justiça e são obrigados a comprar, também não conseguem comprar.

E, com certeza, pelas dificuldades enfrentadas todos pagam mais caro.

Não seria melhor se fosse vendido aqui mesmo?

O normativo brasileiro

Não são todas, mas as normas brasileiras costumam engessar o livre empreendimento. Impõem custos desnecessários. São contrárias à livre iniciativa.

Quando o governo tem o direito de permitir ou não algum serviço ou produto, parece que ficamos 20 ou 30 anos atrasados em relação aos países desenvolvidos.

Foi assim com a lei de reserva de informática. Todos tinham computadores bons, menos nós.

É assim com a obrigação de manter orelhões (custo pesado às Teles), mesmo havendo quase 300 milhões de linhas móveis no Brasil.

Faltam normas pró-mercado, que ajudem a livre iniciativa.

Aqui no Brasil a impressão é que, de início, é proibido empreender. Todo o normativo é feito para enquadrar o livre empreendedor em alguma transgressão e proibi-lo de atuar.

Depois de proibir, um dia, quem sabe, daqui a 10 anos, o Estado possa estudar a liberação. Devagar.

O que estamos vivendo com o Uber e os Táxis é bem isso.

Nem o taxista que paga diária e se diz explorado, quer largar seu patrão e sair em busca de empreender por conta própria.

Até nessa falta de iniciativa tem a influência do Estado, pois o taxista deve saber que, cedo ou tarde, o Leviatã brasileiro vai dar um jeito de sufocar a livre iniciativa. Seja com um batalhão de regras anticoncorrenciais, seja com normas sem sentido, seja com proibição pura e simples.

A corrida não é pela livre iniciativa, não é pelo século XXI, não é pela riqueza, não é pela liberdade. É pelo fim do Uber. É pelo monopólio estatal que vai dizer quando (e se) o brasileiro vai poder usar um produto que revoluciona o serviço de transporte.

Voltando à Porfiria

O normativo do Estado faz o quê: Prejudica os pacientes, prejudica a indústria brasileira, prejudica o comércio brasileiro, prejudica os médicos e hospitais e prejudica até o próprio Estado e seus entes, que pagam mais caro e não conseguem cumprir nem ordens judiciais.

A que serve o normativo? Exclusivamente para deixar o poder na mão do Estado. Poder é dinheiro. Negar é dinheiro. Liberar é dinheiro.

Deixar a livre iniciativa funcionar é dinheiro, muito dinheiro, mas nas mãos do mercado, dos empresários e dos trabalhadores.

O político brasileiro não suporta ver as coisas funcionarem sem poder tirar uma casquinha, seja em espécie, seja em propaganda pessoal.

O cara inventa o Uber e revoluciona o mundo, mas o político que libera o serviço é que é o “grande empreendedor”, aquele a quem, pobres brasileiros, devemos reverenciar.

Vergonha!

Fiquemos animado!

Sim!!! Essa situação sugere que uma reforma pró-mercado nas normas brasileiras, talvez com um modelo Federal servindo de base aos outros entes federativos, faria os nós se desatariam por si mesmos. E rapidíssimo.

Normas pró-mercado mudam o mundo corporativo em meses.

Até na União Soviética pós-revolução houve afrouxamento no controle estatal, e floresceu uma burguesia firme e produtiva, sob Lênin. A nova política econômica – NEP.

Depois Stálin mandou matar todo mundo.

Tem gente que não acredita em livre iniciativa. Acredita no Estado ditando as regras econômicas.

Está aí o resultado. Brasilzão 60.000 homicídios por ano! Com leis vigentes que proíbem o cavalo das carruagens de fazer cocô na rua.

Espero que os “estatólatras” não precisem pegar um táxi com 2 crianças em dia de chuva. Ou que não tenham alguma doença “protegida pelo Estado”.

Ave Ceasar!

 

Make a Comment

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

  • Disclaimer

    Este blog é um ambiente privado para expor opiniões, estudos, reflexões e comentários sobre assuntos ligados a finanças, bolsa de valores, economia, política, música, humor e outros temas.

    Seus objetivos são educacionais ou recreativos, não configurando sob nenhuma hipótese recomendação de investimento.

    O investidor consciente deve tomar decisões com base em suas próprias crenças e premissas. Tudo que lê ou ouve pode ser levado em consideração, mas a decisão de investimento é sempre pessoal. Tanto na escolha de ações para carteira própria, quanto na escolha de gestores profissionais para terceirização da gestão.

    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

Liked it here?
Why not try sites on the blogroll...

%d blogueiros gostam disto: