Brasil: Origens da nossa pobreza. A gasolina (oficialmente) batizada.

Posted on 11/07/2016. Filed under: Administração, Finanças, Política |

Por que nossa gasolina é “batizada” com álcool anidro?

Você verá de tudo na internet, mas o motivo REAL é um só: dar ao governo poder de influir diretamente na economia, de influir nos preços e da apoiar empresários do setor.

Se você tem dúvida, veja o que diz o Decreto-Lei 737, de 1938, que regulamentou essa proibição:

“CONSIDERANDO que a produção de gasolina no país, presentemente em escala diminuta, tenderá a desenvolver-se sob o amparo das medidas consubstanciadas nos Decretos-leis ns. 395, de 29 de abril de 1938, e 538, de 7 de julho de 1938, que declararam de utilidade pública o abastecimento nacional de petróleo, nacionalizaram a indústria da refinação do petróleo bruto e criaram o Conselho Nacional do Petróleo;

CONSIDERANDO que a este orgão incumbe a execução de todas as disposições legais e regulamentares relativas ao abastecimento nacional do petróleo, inclusive decidir da natureza e qualidade dos produtos de refinação, e julgar da conveniência da adição de alcool anidro nos vários casos;

CONSIDERANDO, finalmente, a imperiosa necessidade de proteger o desenvolver a indústria de fabricação do alcool anidro, não só para debelar as crises de superprodução da indústria açucareira, restabelecendo o equilíbrio entre a produção e o consumo, mas, igualmente para diminuir a importação de carburante estrangeiro;

Ler a íntegra aqui.

Não há dúvida dos motivos de antes. Não há dúvida dos motivos de hoje.

Eu e meu Toyota…

Depois do nascimento do meu segundo filho, resolvi voltar a ter carro no Rio de Janeiro. E comprei um carro à gasolina apenas, um Toyota Fielder.

Quando foi comprado, o teor da gasolina no álcool era de 18%. O carro fazia, no computador de bordo, excelentes 11,5 Km/L em uso misto (cidade e estrada).

E o governo começou a mexer no percentual…

Ao final, pouco antes de vender o carro, já estávamos em 27% de álcool na gasolina. Meu carro não fazia mais que 9 Km/L e já tinha levado ao mecânico 2 vezes em menos de um ano para fazer limpeza de bico.

Comprei outro carro à gasolina, e hoje só abasteço com gasolina Premium, aqui no RJ a R$ 5,299 o litro.

Mas isso, pelo que entendi nos fóruns de internet, é problema de muitos donos de carros à gasolina, principalmente os mais antigos. É isso mesmo, chevettes e fuscas precisam de gasolina Premium!!!

Governo forte, cidadão fraco

Ainda que existam motivos técnicos para misturar álcool à gasolina, e existem, é inacreditável que milhões de cidadãos estejam na dependência do interesse de alguns poucos usineiros. Ou à mercê de interesses políticos inconfessáveis.

Essas legislações dão superpoderes ao Estado brasileiro. Ele tem poder de autorizar ou negar receitas de bilhões de reais a uma determinada indústria. Tem poder de regular a produção de açúcar e de álcool. Tem poder de criar dificuldades e vender facilidades.

E, claro, ao usar esse poder de forma contrária ao cidadão, o Estado desgasta a poupança e os recursos de milhões de proprietários de veículos, em nome de uma “sabedoria” estatal.

Tem gente que adora isso, mas não há nada mais concentrador de renda. É dinheiro do pobre e da classe média direto na veia do empresário bajulador e bem relacionado. Bumlai era usineiro. É só concentração de poder. É só desvio de finalidade.

É só o que se observa em governos hipertrofiados.

Quem perde é o cidadão. Quem perde é o Brasil.

E quem ganha?

Ninguém, pois a indústria sucro-alcooleira, entra ano e sai ano, está de novo de pires na mão pedindo socorro ao governo, renegociação de dívidas, mais subsídios, menos concorrência etc.

Aliás, quem ganha é a pobreza e a incompetência. É o moto-perpétuo da nossa miséria.

Desde 1938. Desde 1500. Até hoje.

 

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Uma resposta to “Brasil: Origens da nossa pobreza. A gasolina (oficialmente) batizada.”

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Bom texto, Portinho….Aqui em paragens tupiniquins, em um caso hipotético , se vc abrir um posto e conseguir vender gasolina pura vc é preso por não batiza – la….ahuahauaah…..país da loucura pronta !.


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    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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