Petrobras, um panorama realista

Posted on 06/01/2015. Filed under: Administração, Finanças |

Esse post visa ilustrar alguns desdobramentos possíveis (bem como elencar alguns dos motivos) para essa crise sem precedentes na Petrobras. É importante ler, tanto para o acionista atual quanto para aqueles que pensam em aproveitar o momento para entrar no papel.

Quem tiver paciência, viajará pela história que nos trouxe até aqui.

Exuberância irracional – 2007-2008

Estava na Expomoney RJ quando informaram da “descoberta” do pré-sal. Vimos opções da Petr4 subindo 7.000%, com volume de milhões de reais. Foi um alvoroço! Mais ainda quando Delfim Netto, que estava dando palestra no evento, ao ser alertado da “descoberta”, falou: “Ué, mas a gente já sabia!”.

Quem estava lá lembra. Não sei se ele estava falando que sabia desde o governo militar, ou de alguma informação privilegiada. Sei que o pessoal do estande da Petrobras cortou um dobrado pra explicar essa possível inconfidência do ex-ministro.

Fiquei bem triste quando um amigo, mega inteligente, ligou para o meu celular dizendo que tinha comprado R$ 40.000 de Petrobras a R$ 80,00 (antes do desdobramento) em 2007. Ele, que não é do ramo, mas estava encantando com o “futuro promissor”.

Pois bem, não vou me alongar sobre isso, mas escrevi na era pré-blog (de 2007 a 2010) sobre o assunto, mostrando a exuberância irracional. Vale a leitura pelo relato histórico.

Petrobras e os novos poços. Cuidados necessários. (11/11/2007)

Mais uma da Petrobras… (21/12/2007)

Petrobras, mais um poço! (31/03/2008)

 

Comprando o prejuízo futuro…

Sem entrar no mérito das “intenções” dos agentes públicos, pois não é esse o ponto desse artigo, a partir da descoberta do Pré-sal começamos a formar o impressionante buraco em que TODA a indústria hoje se vê. E com poucas perspectivas de saída.

– Suspendemos todos os leilões

Jogamos no lixo as regras que vinham funcionando MUITO BEM desde 1997. Nossa produção, entre 1997 e 2008 subiu significativamente, de 2010 até hoje, está estagnada (recentemente batemos o recorde de 2010).

Sem leilão, sem planejamento, e com a criação de uma regra complexa, inútil e que onera a Petrobras sempre que houver algum leilão. Resultado, no primeiro leilão, 5 anos depois da descoberta, só houve um grupo interessado. Deus sabe o motivo…

Hoje vemos a indústria reduzindo significativamente o número de sondas no Brasil. Não há o que prospectar.

– Iniciamos uma política agressiva de conteúdo nacional

Lembro quando a Petrobras assinou um contrato-jumbo de compra de navios com um estaleiro nacional, a notícia no Brasil foi patriótica, alvissareira etc.

Li a mesma notícia na bloomberg (estava ministrando um curso na sede deles em SP), informando que a Petrobras pagaria um sobrepreço de centenas de milhões de reais por não comprar no exterior.

E assim começou a fábula do estímulo à indústria nacional.

Entenda leitor, se o governo garantir o financiamento e a demanda, até a indústria de Carruagens volta a funcionar. De pager. De TV à válvula. De fogão à lenha.

Não há qualquer mérito em dizer que ressuscitou uma indústria, se você garante o funding (BNDES emprestando com prejuízo do tesouro, ou seja, nós) e a demanda (Petrobras comprando a qualquer preço).

Haveria se essa indústria se tornasse competitiva, mas acho que a operação Lava-jato mostrou que os objetivos eram outros.

Deu errado. E o futuro é complicado, uma vez que o funding subsidiado PRECISA acabar e o comprador irracional não tem mais dinheiro.

Mas essa política do conteúdo nacional já foi flexibilizada, o que permitiu o afretamento imediato de embarcações estrangeiras e permitiu o crescimento da produção nos últimos meses.

Em resumo, nós contratamos o buraco. Nós pagamos para estar nele. Na ordem das centenas de bilhões de reais simplesmente jogados fora.

A indústria que, se precisar se financiar a preço de mercado e se precisar competir internacionalmente para vender seu produto, criamos simplesmente não se sustenta.

Há alguns dias em O Globo, o deputado Luiz Sérgio defendia essa política afirmando que precisamos preservar o emprego de 80.000 metalúrgicos. Seria mais barato, talvez 100 vezes mais barato, se pagássemos a eles de forma vitalícia para ficarem em casa.

Tenho muitos amigos nessa indústria, mas não posso me furtar a dizer o óbvio. Já era óbvio há vários anos, mas agora a situação é mais grave, pois a equação precisava de lados perdedores para fechar, e esses lados não podem mais perder…

A capitalização de 2010 e o que ninguém percebe

Eu avisei milhões de vezes, no blog, no INI, na TV, em revistas etc., que a diluição precisava ser levada em conta!

Hoje vemos pessoas dizendo que a “Petrobras está barata”, mas se ela precisar de uma capitalização de, por exemplo, R$ 50 bi (o que não faz cócegas na dívida), teria que emitir 5,5-6 bilhões de ações. Só isso já traria uma redução no lucro por ação de 34%.

Falo disso mais adiante, mas deixo os links para quem quiser entender os efeitos graves da capitalização. Além de ser um belo documento histórico da nossa derrocada.

Capitalização da Petrobras – Importante! (17/08/2010)

Capitalização Petrobras – O que fazer com os fundos do FGTS? (19/08/2010)

Exuberância irracional – Petrobras x Exxon (26/08/2010)

Capitalização, BNDES e as Medidas Provisórias (02/09/2010)

Capitalização da Petrobras – Lei de Bicks ou Lei de Schultz (22/09/2010)

No post a seguir, mostro como a capitalização da Petrobras, na verdade, foi uma estratégia para capitalizar a união. Até onde sei, fui o primeiro a falar isso.

A verdade sobre a capitalização (24/09/2010)

 

As anomalias que essas atitudes criaram

– Crescimento “fake” do Patrimônio Líquido (PL)

Com grande parte do dinheiro aportado na capitalização voltou para a união, o PL da Petrobras cresceu a base de ativos intangíveis. E isso destruiu os dividendos da ON, pois a Petrobras é obrigada a pagar dividendos para as PN com base em 3% do PL. Como o PL é desproporcionalmente alto, não sobrou dinheiro para pagar bons dividendos à ON.

Isso fez com que as ON, antes com 15% a 20% de prêmio sobre as PN, hoje sejam negociadas com desconto de 10% a 15%.

– Salários exorbitantes para indústrias ineficientes

Como o governo garantia o funding e a Petrobras comprava a qualquer preço, contratava-se funcionários de nível médio com salário de gerente de banco, gerente médio de TI, de telefonia etc.

Isso aconteceu em outras áreas, também influenciadas pela equação “dinheiro barato + demanda irracional = ineficiência”. Lembram da queda da viga no Estádio do Corínthians? Lá soubemos que um operador de guindastes ganhava de R$ 15.000 a R$ 20.000 por mês. Se procurarmos na pesquisa de salários da Catho, infomoney e outros, veremos que diretor de empresa média não ganha isso.

Aliás, esse pessoal preocupa, pois se houver significativa redução no dinheiro para essas indústrias, será difícil se reposicionar a R$ 8 mil em posições de nível médio em.

O mercado de imóveis da Zona Sul do RJ também foi bastante impactado, principalmente na área mais nobre. Só um dos diretores indiciados da Petrobras comprou 3 imóveis em Ipanema e Leblon. Na verdade uma offshore do Uruguai comprou…

Enfim, indústrias que perdem dinheiro (e isso é evidente) e destroem valor remuneram muito melhor que indústrias superavitárias. Non sense.

Creio que, nesse tema, ninguém bate o Eike. Conseguiu pagar os maiores salários da história das indústrias de petróleo, mineração, logística etc., com base na maior distruição de valor da história da bolsa brasileiras. Non sense.

Soubemos que o Mr. Oil, que era gerente da Petrobras?!?!?!?! antes de virar chefão da OGX, vive hoje de aluguéis de imóveis no Leblon.

A irracionalidade custa caro.

– Perdemos o bonde…

Parece que o mercado de petróleo agora é outro. A impressão que temos é que seria muito mais barato, hoje, comprar petróleo e derivados do exterior. E talvez fique ainda mais barato.

Fizemos uma refinaria no RJ com orçamento que levaria o homem à Lua, pra quê?

Em 7 anos a produção nos EUA aumentou 2 Brasis. E ficamos quase na mesma.

Acho que é meio evidente, hoje, que fizemos tudo errado. Aliás, era evidente à época também. Mas a propaganda convence de tudo, até do inacreditável.

Agora há um dilema colocado nos jornais. Poderia ficar mais barato importar combustíveis do que comprar da Petrobras. O que o governo fará? Proibirá a importação? Criará mais uma taxa de “proteção à indústria nacional” para tornar o combustível produzido por aqui?

Quem paga? Nós é claro!

 

O tamanho do buraco…

A minha opinião, e é só opinião mesmo, é que o problema da Petrobras é majoritariamente contábil e financeiro. E não é pouco!

Parece evidente, pelos resultados, que a parte operacional da Companhia é muito valiosa. Pela evolução crescente das receitas, pela expressiva geração de caixa, mesmo com tanto desvio e tanto sobrepreço etc.

Mas isso é irrelevante, se a estrutura contábil e financeira estiver deteriorada.

Para não alongar a análise histórica neste artigo, há outro que escrevi em maio de 2014 que trata da incrível evolução da dívida bruta da Petrobras em 7 anos (600%!!!) Se colocarmos a dívida de hoje, chega a quase 10 vezes a de 2007! E é a dívida BRUTA!!!

Petrobras… É hora de investir?

A leitura do artigo mostra que “perdemos a mão” a partir de 2007-2008 na Petrobras. E isso fica bem evidente nos negócios mostrados pela Lava-jato.

Por que balanço não saiu?

Dadas as evidências de corrupção e sobrepreço, não há como considerar que o patrimônio registrado pela Companhia esteja correto. Não há segurança, nem na própria área de contabilidade da Petrobras sobre qual o valor justo dos ativos em balanço.

E não são pequenas as rubricas que poderiam sofrer abalos. Só uma, que registra Obras em Andamento, tinha um montante de R$ 201 bilhões no segundo trimestre de 2014.

Provavelmente está lá a maioria das obras em investigação na Lava-jato.

Sem balanço, não há financiamento nos mercados. Não há como captar. E a necessidade de caixa novo da Petrobras, para manter os investimentos, estava na ordem de R$ 50 bi por ano.

Imagino que os investimentos ficarão comprometidos. Mas nem é possível dizer se isso é suficiente para viver sem crédito.

O dólar e a dívida líquida

Outro ponto grave é que a dívida está 80% dolarizada. E é a maior do mundo. A Petrobras está numa situação em que é, ao mesmo tempo, vítima e fonte de uma possível crise cambial brasileira.

Recentemente a empresa divulgou que, caso não apresente seu balanço nos primeiros 180 dias de 2015, poderá ter US$ 97 bilhões de dívidas aceleradas, ou seja, precisaria pagar antecipadamente (ou renegociar em condições bem dramáticas).

Não é um evento pequeno, mesmo para quem tem reservas significativas. Certamente pressionaria o dólar. Certamente pressionaria os juros. Em que montante? É uma incógnita. Por sorte teremos racionalidade no ministério e no BACEN para enfrentar esse possível cenário.

Alie-se a isso, o fato de a Presidente da Petrobras indicar que não faz ideia de quando sairá o balanço auditado. Chegando a sugerir períodos perigosos, como 300 dias ou até 700 dias… Não é muito confortante essa fala.

Mesmo que a Petrobras consiga renegociar as dívidas, para não ter que antecipá-las, as taxas de juros exigidas parecem proibitivas.

Em 17/12/2014 exigia-se no mercado secundário, taxas de 8,48% ao ano (em dólar) para negociar os títulos. Lembro que Eike colocou dívida primária a 8,5% em 2011.

É absolutamente inviável captar a 8,5% em dólar. Isso é taxa de junk bond.

 

O provável e o improvável…

Nessa hora é melhor não fugir do óbvio. Isso porque, nesse caso, fugir do óbvio é cair no abismo e no colapso. Não há solução heterodoxa brilhante, todas seriam destruidoras de valor. A ortodoxia é o caminho.

Há algumas consultorias especializadas em contabilidade de fraudes trabalhando dentro da Petrobras. Recentemente contrataram uma firma de auditoria para trabalhar só nisso (US$ 18 milhões de honorários), para dar apoio a esse trabalho.

Recentemente o trabalho dessas firmas foi estendido à Petros, o que é, no mínimo, estranho.

Há uma investigação bem relevante no âmbito da SEC, além do esforço da CVM. Mas a questão da SEC é mais grave, pois se a Petrobras perder a listagem nos EUA, não parece que conseguirá mais se financiar adequadamente, pois nenhum ente nacional conseguiria suprir a necessidade de caixa da Companhia.

Isso parece indicar que, em algum momento, algum relatório indicativo das baixas contábeis será aceito pela Price (auditora), o que lhe dará conforto para assinar o balanço.

Muito provavelmente esse balanço trará ajustes significativos no patrimônio e, possivelmente, em outras rubricas. Isso se não exigirem republicação de anos anteriores, como já noticiou o Valor Econômico.

A partir desse momento, entendo eu, não poderemos fugir de uma nova capitalização.

Por quê?

Ora, simples demais. O mercado de crédito, mesmo reaberto, será mais caro, bem mais caro. Os indicadores financeiros, que dependem do Patrimônio líquido, serão piores. Mesmo fazendo “contabilidade de hedge” não dá para fugir de ajustes pela desvalorização significativa do Real.

A saída mais vantajosa, para o Brasil e para os investidores, seria uma mudança na lei para, entre outros, permitir a conversão de todas as ações em ON, fazer uma chamada de capital significativa SEM a participação do governo, e transferir o controle da Companhia para a iniciativa privada (diluição do controlador).

Mas isso, acho que não vai acontecer.

O pior cenário…

Nos últimos sete dias houve um movimento preocupante do controlador (União). Através de medidas provisórias, liberou crédito (dívida) de cerca de R$ 46 bilhões para a Petrobras.

É evidente que isso foi feito para evitar asfixia de todo o sistema e evitar parada total dos investimentos.

Mas preocupa, pois se o controlador tiver emprestado significativo valor à Companhia, poderia resolver usar esse valor como aporte, perdoando a dívida e emitindo novas ações. Ao preço de hoje, seriam emitadas cerca de 5,5 bilhões de ações.

E não é improvável que haja mais concessões de crédito, assim como não é improvável que a ação caia mais.

O risco seria uma queda significativa no valor das ações e uma conversão de créditos em ações. Isso poderia diluir muito a participação dos minoritários.

O que aconteceu com a OGX é exemplar. Na conversão das dívidas em novas ações, os minoritários perderam cerca de 95% de sua participação.

O pior cenário para o Brasil

Perdemos o melhor momento para leiloar áreas de exploração. Em 2008 talvez o governo tivesse arrecadado algumas dezenas de bilhões de reais, talvez na casa da centena, se tivesse leiloado áreas do Pré-sal.

Isso morreu, especialmente com o petróleo a US$ 50 e representantes da Árabia Saudita afirmando com todas as letras que querem combater o gás de xisto e as operações em águas profundas.

Agora, com o petróleo barato, estamos para perder outra oportunidade, que seria reduzir custos com energia. Isso porque, parece óbvio, o governo não vai permitir que a Petrobras compre combustível a preço de banana para revender mais barato aqui.

O que fazer com Abreu e Lima? O que fazer com o COMPERJ?

Pois é. Fica difícil achar alguma coisa certa.

A derradeira análise

Infelizmente a Petrobras está numa condição que inviabiliza qualquer análise fundamentalista racional.

Os analistas que “indicam” Petrobras deveriam colocar a mão na consciência e lembrar que seu instrumento de trabalho são as demonstrações financeiras. E essas são completas desconhecidas. Tanto as do terceiro trimestre, quanto as de anos anteriores. Tudo poderá mudar.

Não existe qualquer análise disponível para a Petrobras, apenas de caráter especulativo.

Se alguém disser que está barato, o fará por puro chute. Não há balanço. Não há segurança sobre o Patrimônio Líquido, sobre o Ativo, sobre o endividamento (que depende do dólar), sobre as condições do crédito extraordinário etc.

Lancei recentemente um livro sobre o Método Sempre e a Petrobras era uma das empresas analisadas.

O Método continua de pé, firme e forte, mas os dados simplesmente desapareceram. Não existem mais.

E isso é triste. Muito triste.

Diria que esse episódio jogou 14 anos de trabalho da Bovespa no lixo. Lamento pelo trabalho brilhante do Raymundo Magliano Filho, do Gilberto Mifano, da humilde contribuição do INI, da Expomoney e de tantos outros.

O mercado brasileiro vai demorar a se recuperar.

 

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32 Respostas to “Petrobras, um panorama realista”

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Prezado Portinho, gostaria de uma opinião sua. Com os recentes fatos da Petrobras, podemos dizer que investir numa companhia em que o governo detém controle é mais arriscado? Visto os recentes escândalos de corrupção? Seria mais prudente que investir numa empresa 100% privada corre-se menos risco?

Oi Albert,
Em princípio as empresas de economia mista, cujo controlador são os entes estatais, poderiam agir de forma contrária ao interesse do acionistas DESDE QUE fosse de interesse público.
Mas não é “certo” que uma empresa 100% privada vá garantir elevados níveis de governança.
A solução é a permanente diligência, é fundamental que o investir aja e se sinta “sócio” daquele negócio.
Muitas empresas que não agiram no interesse do acionista deram sinais disso por vários trimestres, os investidores mais atentos poderiam ter saído, mesmo assumindo algum prejuízo.
Nenhuma empresa, infelizmente, pode ser considerada “Porto Seguro” para sempre.
Essa é a principal lição dos recentes episódios.

Caro Paulo, sou admirador de seu incansável trabalho desde os tempos do INI. Por isso, visito sempre seu blog, buscando cultura e informação relevante e de qualidade.
Conforme o tempo passou, também passei a pensar e discernir, e chegou um momento (dez meses atrás) que, literalmente, me desfiz de tudo que restava de PETR4 em minha carteira, pois em meu íntimo, eu sentia vergonha de ser associado de uma empresa que mais parecia uma pocilga.
Suas últimas frases soam tenebrosas; entendi que o mercado de ações no Brasil sofreu um enorme revés, talvez permanente, devido ao peso da Petrobrás, ao tamanho do estrago que isso irá causar e à prorrogação da mesma mão estatal por mais quatro anos, ou seja, um viés de continuidade.
O revés se dará como uma crise de confiabilidade jamais visto na regulação e governança do mercado de capitais. Estou certo? Você acha que é hora de sentar e planejar seriamente em mudar o foco, e passar a investir em mercados maduros e regulados, como NYSE? Agradeço seu comentário. Abraço.

Ainda não é uma realidade para nós investir como pequeno investidor (pessoa física) na bolsa dos EUA. Infelizmente. Há alguns problemas, custos elevados e, principalmente, a questão cambial.
Seria bem mais interessante se o Brasil fosse um país aberto, que permitisse a manutenção de ativos denominados em dólar com facilidade. Mas ainda não somos assim.
Lembro que em 2004 emprestei meu computador, no Rio de Janeiro, para um dinamarquês comprar ADR´s da Petrobras, usando um banco europeu (Saxobank), moeda própria (coroa dinamarquesa), liquidando em dólares na bolsa de nova iorque. Ah, e a corretagem era de graça, pois o banco (corretora) ganhava no trade de moedas.
Passados 10 anos… não estamos nem perto disso…
Dado que todo brasileiro inicia na bolsa buscando o conforto das blue chips, a situação da Petrobras é devastadora para a confiança do pequeno investidor. O setor elétrico é outro que tem dado dor de cabeça. É torcer para que não mexam no setor bancário…

Otima analise, Portinho.
Nessas horas eh que a irracionalidade e o wishful thinking se apoderam da gente. Investir por um impulso eh dar tiro pela culatra. Vinha sentindo essa comichao ha algum tempo, mesmo com a minha cabeca dizendo NAO o tempo todo. Se o seu artigo dissuadir outros investidores de cair nessa armadilha, terah feito mais e melhor que a maior parte da imprensa “especializada”.
Grande post, parabens!

Portinho, obrigado por salvar um pedaço do meu patrimonio, estava pensando exatamente em como esta barato as ações da Petrobras, e como principiante pensava um bom investimento por uns 5 anos.

Oi Moacyr,
Meu ponto principal é lembrar as pessoas que, quando há capitalização, a gente costuma perder a noção do que seria caro ou barato.
E, no caso de Petrobras, há o agravante de não ter balanço divulgado. Pode ser uma baixa contábil pequena, mas pode ser devastadora. Ninguém sabe ao certo, nem as casa de análise, que oscilam entre 10 bilhões e 50 bilhões.
Abraço!

Excelente análise!

O triste resultado da mistura de voluntarismo, ufanismo, nacionalimso irracional e irresponsabilidade política

A Petrobras reflete apenas esse mar de lama chamado governo brasileiro.

O mundo possui tantas oportunidades que chega a ser de uma inocência pueril investir nesse tipo de empresa.

Artigo coerente e muito racional. Portinho sempre nos brindando com seus artigos sensatos. Considero você como um dos melhores profissionais/autores nacionais sobre o tema.

Parabéns

São palavras generosas, muito obrigado!

Portinho, excelente artigo. Muito instrutivo sobre a atual situação da Petrobrás!
Realmente analisando sobre um ponto de vista racional, não há porque investir em uma empresa num momento tão turbulento com tantas outras opções mais interessantes no mercado.
Uma outra pergunta: como anda a o projeto de disponibilizar dados para o Método Sempre pela ADVFN?
Abraço!

Oi Rodrigo,
Sim o projeto está ok, mas enfrentando alguns percalços técnicos. Estamos na luta. Pequenos e sem apoio não é muito fácil…
Abraço
Paulo Portinho

Olá Portinho,
Muito obrigado pela sua exposição! eu não entendo nada do mercado financeiro, então é muito complicado para mim avaliar as infos que você colocou de uma forma técnica, mas posso dizer que pelo menos o meu feeling é que você explicou, com alguns dados e fatos, de forma bem objetiva o cenário e me arrisco a dizer que foi um dos melhores relatos que já li a respeito. Bem, tenho ações da Petrobrás a muitos anos e esta opção de compra sempre foi por pura emoção, acreditando que uma empresa dessa envergadura e com tamanha significância para o País(que inclusive colocou o FGTS na jogada) jamais chegaria em uma situação dessas. Frequentemente nos últimos 3 anos me pego refletindo se devo ou não vender as ações, porém sempre decido por manter pelas razões acima. Gostaria de te fazer uma pergunta que certamente vários te fazem, pergunta essa que também venho fazendo a outros especialistas mas as respostas sempre são evasivas.

Devo reconhecer a perda e vender minhas ações?

Muito obrigado mais uma vez!

Oi Marcelo,
Agradeço as palavras gentis.
Quanto a vender ou não as ações, vale ressaltar que apenas analistas credenciados poderiam opinar a respeito, para seguir as normas da CVM. Fico bem triste ao ver gente que não é analista, mas que tem exposição na imprensa, como o Sr. Dinheiro por exemplo, dizer que “quem não comprar ações da Petrobras vai se arrepender!” E falou isso com a ação a R$ 18,00.
Na verdade o que o artigo quis alertar é para o fato de que não faz sentido imaginar que a Petrobras não possa cair mais só porque já caiu demais, ou não possa precisar de resgate financeiro.
É o que todos estão dizendo, mas não é verdade.
Que a parte operacional da Companhia será salva, não há dúvida, pois vale muito dinheiro. Aliás, se a empresa estivesse com o financeiro saudável, poderia estar, facilmente, na casa dos R$ 280 bi, com índice Preço/Lucro na faixa de 9-10 (faixa “barata” para seus pares internacionais). Hoje vale perto de R$ 110-120 bi.
A nossa dúvida é quanto será necessário para sanear as finanças da empresa. Se for necessário aporte significativo, é possível que caia mais.
Sei que não respondi diretamente a pergunta, mas, honestamente, é uma pergunta que ninguém sabe a resposta, pois nem o instrumento mais simples de análise (a demonstração financeira) está disponível.
Tem a “pergunta de um milhão de dólares”, essa é, provavelmente, a “pergunta de 150 bilhões de reais”!
Abraço!

Olá Portinho,

Muito obrigado mais uma vez pelas suas infos!….aproveito para desejar um excelente 2015 a você e familiares!…Abraço!

Muito obrigado Marcelo, para você também!

Portinho, pelo que entendi do final do seu artigo, Petrobras vai demorar e muito para se recuperar. É essa sua visão?

Oi Anderson, creio que a visão mais importante que quis transmitir é a de que, sem balanço auditado, não existe análise fundamentalista, apenas especulação.
Outro ponto relevante é que, a depender do volume da capitalização (que considero certa), 8,00 pode não ser barato. Eu não tomaria decisão de compra até saber disso.
Tem muitos amigos comprando toneladas de Petr só porque caiu muito. Isso é um erro, pois se a capitalização for, por exemplo, no mesmo nível do que se viu em 2010, a diluição será imensa.
Ninguém deve comprar uma empresa só porque caiu. O que formará os preços no futuro são os eventos futuros!
Abraço!

Excelente artigo Portinho…muito abrangente e esclarecedor.

O que aconteceria se a grande maioria dos títulos caíssem nas mãos desta Organização Criminosa, que todo mundo sabe qual, e a presidtª retratar a divida e alavancar com dinheiro público a petrobras?

Oi Luciana, sei que a gente fica triste com o que acontece no Brasil, mas essa hipótese não seria viável, pois é algo público, ao qual será dado grande exposição. A Petrobras não vai poder enrolar a SEC, pois se perder a listagem no mercado americano, provavelmente vai ter que reduzir seus investimentos drasticamente.
Abraço!

Parabens pela analise! Eu trabalho neste setor e compartilho o mesmo ponto de vista.

Obrigado Cesar,
Tenho muitos amigos na área. Creio que a racionalização do setor será excelente para todos.

Eu achei a sua análise uma exposição ideológica e não contábil como eu esperava que fosse.
Vou resumir o balanço da petrobrás nos últimos 19 anos:
Média de lucro no governo FHC: 4,4 bi
Média de lucro nos governos petistas: 25,6 bi.
Com relação ao balanço do 3T2014 a companhia divulgou que será publicado ainda neste mês. Eu penso que, com o conhecimento dos desvios, a empresa poderá fazer um levantamento do que foi roubado e incluir isto no ativo. Ou seja, vai melhorar o balanço. À propósito, diga-se que a roubalheira vem de muito longe. São muitos créditos para serem recuperados.

Prezado Mário,
Reli o texto e não consegui ver o viés ideológico que você cita.
O objetivo é, como sempre, educacional. Tenho muitos leitores interessados em compreender o que está acontecendo.
Mas respeito sua opinião, só atentaria para um ponto:
– O reconhecimento de roubos não vai para o ativo, ao contrário, poderá ser expurgado do ativo. Assim como o superfaturamento. Só iria para o ativo se já estivesse fora e fosse recuperado. E, no caso da Petrobras isso já está no ativo, pois não houve impairment de nada (exceto Pasadena), não faz sentido imaginar que o balanço vá melhorar.
Isso não é questão ideológica, é questão contábil/financeira trivial.

Prezado Portinho, em breve sai o resultado do 3T e se saberá qual o efeito das fraudes no balanço da companhia.
Na minha opinião o momento é excelente para comprar Petrobrás, mas isso só o tempo vai confirmar.

Meu Zeus, até aqui no blog do Portinho tem MAV postando tabelinha Lula x FHC… Valha-me Deus! Vai procurar um trabalho digno. Trabalhar a troco de pão com mortadela + R$ 50,00 é vergonhoso pra alguém que é alfabetizado.

Boa Tarde Sr. Portinho!

Maravilha de Ponto de Vista essa sua publicação, segue minha opinião reforçando em outros flancos, se quiser é só me contatar sobre o assunto na área energética agrícola.

Acompanho de outra forma, esses desdobramentos de uma empresa, que de certa forma foi muito arrogante e até vigilante com os seus cristais, quando de fato se deslumbrou na era LULA_DILMA e por fim está sem face qualquer de seus cristais para refletir o que fez. De paralelo, na minha microregião, Ribeirão Preto-SP, vejo as coisas sob o manto da energia “vulgo renovável”, e me surpreendo com a reação dos Sheiks do Etanol, dizendo que o governo os abandonou na esteira da política do álcool. Com certeza é pura falsidade ideológica e científica, mascarada até com o que Vossa Senhoria fala de grana tipo FUNDS, desde os tempos remotos da semente do proálcool. Bem como a capacidade energética do álcool , que mal serve para acender um fogão de cozinha e roda lindos carrinhos otto gasolina adaptados para fazer bonito na falsidade ideológica. Agora com o óleo crú na faixa abaixo de U$$ 60,00 o Barril, como diz uns dos maiores da grana mundial: “Vamos aguardar a maré abaixar , para ver quem está nadando pelado”. Enfim, sempre acreditei que o petróleo é ainda fonte esgotável mais importante de energia para a humanidade, desde que a racionalidade em todas as etapas sejam respeitadas e ponderadas Abraços João Antonio de Carvalho

Bela postagem, Portinho. Muito bem escrita, de fácil entendimento e com informações que poucos possuem.
Abraços e sucesso


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  • Disclaimer

    Este blog é um ambiente privado para expor opiniões, estudos, reflexões e comentários sobre assuntos ligados a finanças, bolsa de valores, economia, política, música, humor e outros temas.

    Seus objetivos são educacionais ou recreativos, não configurando sob nenhuma hipótese recomendação de investimento.

    O investidor consciente deve tomar decisões com base em suas próprias crenças e premissas. Tudo que lê ou ouve pode ser levado em consideração, mas a decisão de investimento é sempre pessoal. Tanto na escolha de ações para carteira própria, quanto na escolha de gestores profissionais para terceirização da gestão.

    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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