Crossroads 1986 – O Duelo Final. Homenagem aos guitarristas “behind-the-scenes”. Post sobre música.

Posted on 06/11/2013. Filed under: Música |

Amigos… alguns poucos sabem, mas atuei como guitarrista e band leader aqui no Rio por quase 20 anos.

Para quem não conhece (ou quer rever…), vai aí um registro bem raro da minha banda DuCarvalho (a original), com meus irmãos Bruno e Marquinhos:

DuCarvalho Medley Santana – Soul Sacrifice/Black Magic Woman

A Encruzilhada – 1986

Um dos filmes que mais marcaram os guitarristas mundo afora foi o clássico Crossroads (A encruzilhada – 1986), em que Ralph Macchio interpreta um aluno de violão clássico apaixonado por blues que vai atrás da “música perdida” de Robert Johnson.

O filme é obrigatório para qualquer guitarrista, de qualquer idade e tendência. Mas esse post quer reparar uma injustiça não intencional do filme.

À época, internet era coisa de supernerd em superuniversidades (se tanto…). Pesquisa era algo caríssimo e dificílimo de fazer.

O “duelo final” de Ralph Macchio contra Steve Vai, literalmente o guitarrista do capeta, elevou Vai ao nível de superguitarrista (que sempre foi), mesmo tendo sido derrotado no final.

Mas o que poucos sabem, é que outros 3 guitarristas foram absolutamente fundamentais para imortalizar aquele duelo entre o estilo “fast-and-furious” de Steve Vai e o bom e tradicional Blues, com um gran finale clássico. Arrisco a dizer que foram até mais importantes do que o próprio Vai.

Para quem quiser (re)ver:

O Duelo Final – Crossroads 1986

Era praticamente impossível descobrir, à época, os detalhes daquele duelo, quem tocou o Blues, quem tocou o clássico etc..

Mas com as facilidades de hoje isso está a poucos cliques de distância.

Sabendo os detalhes, vale prestar reverência a esses músicos que povoaram o imaginário de nós guitarristas e nunca tiveram o devido reconhecimento.

Arlen Roth

Esse ficou de fora mesmo, pois nem apareceu nos créditos devido a alguma briga com o estúdio.

Mas fez o mais difícil dos trabalhos: Foi coach de Macchio e garantiu que, mesmo sem ser responsável pelo som, a “mímica” do ator ficasse perfeita. Bem, exceto pela interpretação final, mas seria mesmo impossível fazer mímica de Paganini.

Ry Cooder

Esse é o cara dos slides, em minha opinião o melhor do mundo nessa técnica, ao lado de Derek Trucks e do meu amigo Big Gilson.  Esse é quem conseguiu criar linhas simples de blues que conseguiram “combater” a supercomplexa técnica de Vai.

Espetacular. A simplicidade do feeling do blues de poucas notas contra a superpotência técnica e cênica de Steve Vai. Cara, quanto significado tinha (e tem!) aquilo para os guitarristas…

Para conhecer esse gênio do Slide, vai uma sensacional versão de Jesus on the Mainline, com um coro inacreditável (presta atenção no baixo):

Ry Cooder – Jesus on the Mainline

Willian (Bill) Kanengiser

Bom, a mensagem do filme, ao menos para guitarristas, é que, em algum ponto, a supertécnica e incrível presença cênica de Steve Vai iriam vencer o Blues de Cooder/Macchio. Massacre certo!

Ocorre que o personagem de Macchio tinha formação em violão clássico e, quando já estava tudo perdido para o Blues, lançou uma adaptação de Paganini para dar o golpe final em Vai e evitar que sua alma fosse levada pelo tinhoso.

Aqui vale registrar dois reconhecimentos:

Um para Bill Kanengiser, pela adaptação e execução de Paganini, mesmo em guitarra elétrica distorcida (que não é seu instrumento).

Veja a linda interpretação de Bill:

Willian Kanengiser Sample

E o segundo reconhecimento, para a evidentemente superior complexidade harmônica e melódica da música clássica. É inegável.

A sorte de Vai é que ele não teve que enfrentar um violinista como Shlomo Mintz interpretando o Paganini original (Caprice N° 5).

Seria um massacre em 30 segundos.

Duvidam? Vejam lá:

Paganini: Caprice No. 5 (Shlomo Mintz)

Por fim… a mudança nos tempos.

É isso amigos. Para se ter noção de como eram os tempos pré-internet, eu passei bons anos acreditando que Steve Vai tinha interpretado as duas linhas de guitarra. Não era possível saber for sure sem investir recursos significativos de tempo e grana. Iria procurar onde?

Pois em pouco mais de 40 minutos, praticamente toda a história se revela neste ano de 2013.

E vamos ler o Post antes que Roberto Carlos consiga proibir biografias… não sei se isso que escrevi se enquadraria…

rsrsrs

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3 Respostas to “Crossroads 1986 – O Duelo Final. Homenagem aos guitarristas “behind-the-scenes”. Post sobre música.”

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Eu acho que Shlomo teria apanhado de steve vai pois creio que ninguem conseguiu tocar tao bem e ser tao espressivo em suas frases e performaces como ele

O guitarrista que enfrentou Vai foi o Ry Cooder.

Caramba… Esse foi um filme que vi e revi várias vezes. Muito bom. Mas sempre achei que interpretação fosse do próprio Steve Vai, encenada pelo Machio. Bom saber a verdade, parabéns pelo Post.


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  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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