Bolha Imobiliária 2013 – Sugestão ao Governo Dilma

Posted on 03/01/2013. Filed under: Finanças |

Antes da sugestão, vale colocar um breve histórico dos posts sobre a possível bolha imobiliária:

Artigo 1: Bolha Imobiliária? O que a matemática tem a dizer sobre isso.

Escrito em 05/10/2010, indicava que a evolução nos preços dos imóveis não parecia ser uma bolha até aquele momento, ou seja, os ativos estavam apenas se ajustando à nova realidade de juros e renda do país.

Artigo 2: Quanto Custa o Seu Imóvel? Bolha Imobiliária?

Escrito em 21/06/2011, não tratava diretamente da bolha, mas do valor justo de um imóvel. Como os preços continuavam subindo, eu criei uma planilha que ajudava a EVITAR pagar preços irreais.

Artigo 3: Bolha Imobiliária – Rio de Janeiro – Zona Sul – Chegamos ao teto?

Nesse artigo, de 30/11/2012, parecia claro que, ao menos, o preço dos imóveis na zona sul do Rio de Janeiro tinha ultrapassado o limite da renda das famílias.

Agora voltando ao objetivo deste artigo…

Como evitar um estouro descontrolado, caso exista a bolha?

Se o leitor tiver paciência para ler até o final, o que muito me honraria, verá uma sugestão bastante simples para evitar um estouro descontrolado e também para RETIRAR um elemento anômalo da formação da demanda por imóveis no país.

A MP do bem (252/2005).

Essa medida provisória, que ajudou a economia em muitos pontos, introduziu uma demanda anormal no mercado imobiliário, ao isentar do pagamento de imposto de renda sobre GANHO IMOBILIÁRIO quem comprasse um imóvel residencial em até 180 dias, a contar do contrato de alienação do seu imóvel original.

Isso significava que, quem comprou um imóvel por R$ 200.000 em 2004 e o vendeu por R$ 700.000 em 2012 (evento corriqueiro no Rio e em SP), caso comprasse outro imóvel de valor superior, NÃO PRECISARIA PAGAR imposto de 15% sobre aquele ganho de R$ 500.000.

Ora… evitar o pagamento de R$ 75.000 CASH (é menor um pouco pelo fator de redução) estimula qualquer um a comprar outro imóvel.

É claro que para imóveis mais em conta, até R$ 440.000, caso seja o único, o vendedor também fica isento. Porém, uma pequena busca no ZAP, mostra que das cerca de 100.000 ofertas de imóveis em SP, 80% tem valor superior a esse. E 28% superior a R$ 1 milhão!!!!

É razoável acreditar que a possibilidade de NÃO pagar, em dinheiro vivo, dezenas de milhares de reais (até centenas de milhares…) levou muitos vendedores a comprar outro imóvel, mesmo acreditando que os preços já estivessem muito altos.

Qual o tamanho dessa demanda anômala?

Infelizmente não há dados disponíveis, mas é possível (e esse era o objetivo da MP) que tenha sido bem relevante.

Mas isso não é uma demanda normal…

Essa isenção desestimula o proprietário que quer “embolsar” o lucro incrível que conseguiu no seu imóvel nos últimos 5 anos.

Se os imóveis valorizaram, em média, 300% nos últimos 5 anos, estima-se que o Lucro Imobiliário seja de aproximadamente 12% do valor final de venda do imóvel.

Para um 3 quartos em botafogo, isso seria algo entre R$ 100.000 e R$ 150.000!!!!

Pergunto: Se alguém comprou um imóvel por R$ 250.000 em 2005 e pode vendê-lo por R$ 1 milhão, o que o impede de fazê-lo?

R$ 1 milhão aplicado em fundos de investimento imobiliário baseados em ALUGUEL poderia dar de R$ 5.000 a R$ 6.500 líquidos de IR e com valorização baseada na inflação (contratos) e no valor do imóvel.

Isso, para falar de investimentos de risco semelhante (risco imobiliário).

Poderia morar no mesmo apartamento, e ainda sobrar de R$ 2.000 a R$ 3.000 por mês.

Mas a pessoa não faz isso, pois teria que pagar mais de R$ 100.000 de imposto sobre lucro imobiliário.

A sugestão

Não há dúvida de que essa isenção foi uma ótima medida de estímulo ao mercado imobiliário. E que também ajudou bastante a quem precisava ou queria trocar de imóvel.

Mas esse momento já passou, os imóveis de MÉDIO NÍVEL estão sendo negociados a patamares que EXIGEM renda mensal de executivo (R$ 25 mil a R$ 50 mil).

Já não faz mais sentido manter essa demanda anômala.

A sugestão é isentar, por X anos, qualquer vendedor de pagar imposto sobre o Lucro Imobiliário.

É claro que  criando restrições ao abuso da regra.

Quais os efeitos?

  • Aumento moderado na oferta de imóveis à venda.
  • Redução na demanda por imóveis, pois os vendedores poderão embolsar os lucros sem pagar imposto.
  • Injeção de dinheiro na economia, que será utilizado, prioritariamente, para INVESTIMENTOS (POUPANÇA), coisa da qual o país carece bastante. Parte seria utilizada para consumo.
  • Extinção de uma demanda anômala, que, no médio prazo, acaba distorcendo o mercado.

É claro que há riscos na estratégia.

O principal risco, no qual não acredito MESMO, seria o de uma queda muito expressiva no valor dos imóveis. Algo como 25% a 40%. Nesses patamares de queda certamente poderia haver devoluções aos bancos, para quem financiou 80%-90% do imóvel.

Mas a probabilidade disso ocorrer é muito pequena.

Ainda há demanda, há gente querendo imóveis e, provavelmente, esse público não deixaria a queda ser tão grande.

Essa sugestão afetaria APENAS aqueles que acreditam que o valor do seu imóvel está alto demais e querem embolsar o lucro e aplicar em outro ativo.

A maior vantagem não será obtida pelo aumento do número de imóveis à venda. Aumentará pouco, é provável. O que realmente poderá fazer diferença é a redução da demanda. Hoje, todo vendedor é um potencial comprador, pois ninguém quer pagar uma fortuna de imposto. Isso não faz sentido, é uma demanda anormal.

Sem esse público, ao menos uma parte do nosso mercado imobiliário pode voltar ao normal.

Atualização de 04/01/2013

Novo insight 01

Uma grande explicação para a disparada do preço dos imóveis, é que muitos foram pagos utilizando OUTROS imóveis.

É o efeito bola de neve. Você não se importa em pagar R$ 1,2 milhão num 2 quartos em Ipanema, se conseguiu vender seu 3 quartos em copacabana por R$ 950 mil, que por sua vez foi comprado por alguém que vendeu um 4 quartos na Tijuca por R$ 750 mil…

Mas DUVIDO, que se os R$ 950 mil estivessem em bolsa, renda fixa, FII etc. você tiraria TUDO (+ financiamento ) para comprar um imóvel de R$ 1,2 milhão, que poderia ser alugado por R$ 3,5 mil – R$ 4 mil.

Novo insight 02

Outro ponto, surgido em resposta a um comentarista do blog, é que, ao abrir mão do imposto sobre o lucro imobiliário NO CASO de compra de outro imóvel em 180 dias, o governo está subsidiando essa compra.

Permitir que se venda, por 2 ou 3 anos, imóveis com isenção desse imposto, ajudaria a reduzir esse desequilíbrio na demanda e PRINCIPALMENTE, permitiria que os recursos de um mercado que valorizou 400%, possam ir para outros mercados que tanto carecem de investimento.

As famílias nunca tiveram tanto dinheiro… imobilizado!!!

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25 Respostas to “Bolha Imobiliária 2013 – Sugestão ao Governo Dilma”

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Escrevi hoje sobre esse assunto, acredito que com cautela tudo vai passar sem muitos problemas, veja em http://noticias.sosconsultor.com.br/a-bolha-imobiliaria-esta-chegando-ao-brasil/

Já que você acha dificil tal isenção por parte do governo, que tal o oposto?
Aplicar os 15% em cima de qualquer venda?
Consequencias:
– Estagnação das vendas de usados. (ninguem iria querer vender)
– Deflação(O dinheiro que circula vindo das vendas estaria imobilizado “eternamente”)
– Queda dos preços imediata dos novos (sem o “subsidio”, e sem dar outro imóvel de entrada. O dinheiro viria apenas do financiamento que é limitado pela renda.)
– Maior arrecadação por parte do governo.
– Construtoras quebrando.

Oi Evandro,
Não seria tão incisivo. Essa realidade dos 15% vigorou até antes da mudança nas regras, há alguns anos. Havia negociação normalmente, o que acabava acontecendo era o registro por valores menores do que os pagos efetivamente.
De qualquer forma, mesmo que o governo queira voltar com o imposto, acredito que teria que avisar com certa antecedência e/ou passar por algum período de imposto zero.
Não acho que isso aconteceria de forma abrupta.
[]
Paulo Portinho

A ideia é boa mas carece de outras medidas para sanar a malícia do mercado imobiliário. O bolha que se instala no Rio de Janeiro é resultado da revenda de imóveis por parte de especuladores. A maioria dos imóveis situados em bairros valorizados ofertados no Rio são de especuladores. As corretoras não ficam atrás e incitam os pobres consumidores ricos de esperança à financiarem o saldo devedor que sobra dos especuladores em parcelas à perder de vista. Você termina de pagar a sua 6000:1 Tekpix e ainda tem anos de correção monetária pela frente. Resultado, alguns usados são encontrados pelo preço de apartamentos novos à vista, e o círculo continua.

Acredito que regras rígidas que limitem a influência dos especuladores no mercado imobiliário, como um teto para a correção do valor do bem anunciado baseado nos índices do último ano para apartamentos comprados à menos de um ano, ajudem a estabilizar o mercado. O teto limitaria a atuação dos especuladores e a alta desenfreada dos preços, além de melhorar a disponibilidade de imóveis novos para aluguel, relacionados atualmente com os valores exorbitantes dos apartamentos. Indiretamente, os alugueis teriam um leve declínio nos ‘juros’. A medida de isenção sobre o lucro imobiliário confortaria investidores que adquiririam apartamentos (por completo) tendo em vista um investimento de médio à longo prazo, o que não acontece no Rio de Janeiro. Sendo assim, essas e outras medidas são bem-vindas. Outra medida interessante seria limitar os índices para a correção do saldo devedor, muitas construtoras exigem mais de um índice, as vezes até um índice usado para calcular o outro, um absurdo.

A copa e as olimpíadas vão marcar o ápice dessa era, só Jízuis sabe o que vai acontecer depois. O que será dessa bolha?

Qualquer um percebe que o preço dos imóveis está fora da realidade. A bolha imobiliária existe, mas acho que ela não estoura, ela murcha: http://www.forumimobiliario.com.br/2013/03/bolha-imobiliaria-no-brasil-nao-estoura-murcha/

Alo Portinho
Conheci voce aqui na universidade, usp sao carlos em 2011, apliquei todo o conhecimento que voce me agregou, sem estrapolar e consegui boas rentabilidades.. principalmente pelas tormentas crises do dia 10 de agosto de 2010 e 8 de dezembro de 2010.. fantastico
e graças a essa entrada na hora boa no merdado da bolsa, deixei de lado os fundos de energia eletrica que investia anteriormente, outro feito na hora certa!
aprovei o blog!

escreva mais!
saudaçoes
Giovanni C.

Muito obrigado pelo feedback!

Sou carioca (de Copacabana). mas moro nos Estados Unidos atualmente. Eu me lembro da época (anos 90) em que minha vizinha lutava para vender um apartamento de 3 quartos em Copacabana por 90 mil dólares!!! Mesmo não sendo economista, fui capaz de pressentir a bolha imobliliária americana, que eu imaginei “iria trazer tudo mais abaixo”. Na época (em 2006), pensaram que eu estava imaginando coisas! Vejo muitos elementos em comum com a realidade atual da Zona Sul carioca. O negócio é ficar quieto e ver o que acontece… A única coisa que não vi ainda no Brasil foi o crédito fácil, como eu vi nos Estados Unidos. No mais, parece tudo com algum filme que já vi antes…

A partir do momento em que temos preço descolado da renda, alto percentual de compradores na planta pra investir e outra parte significativa comprando e revendendo sempre com preços 20 ou 30% mais alto, tem-se configurado o cenário de bolha.

E a partir do momento em que a demanda fica menor que a oferta, tem-se o cenário de estouro da bolha. Pode não ser de uma hora pra outra, pode não ser uma queda vertiginosa, mas este cenário já está se configurando no país. Vamos analisar sem números oficiais, apenas no achismo e no bom senso:

1 – Quando toda a quantidade de lançamentos for entregue, este ano, ano que vem e 2015, a oferta dará um salto vertiginoso em contrapartida com a demanda que terá queda.

2 – Não estão incluídos ainda os que serão obrigados a devolver o imóvel por ter comprado na planta pagando prestação pequena, com intenção de revender antes do imóvel ser entregue,sem condições de contrair o financiamento com a CEF.

3 – A inflação está alta. Em breve o governo terá que subir a taxa de juros para dar uma segurada. Aumentando os juros, aumenta a TR, que corrige os saldos devedores. Mais dinheiro que o povo tem que desembolsar pra pagar o AP.

4 – A indústria está em nítida desaceleração, nem com IPI zerado está estável. Por enquanto os números mostram que estão demitindo e contratando muito, trazendo equilíbrio. Só que este equilíbrio no saldo de empregos não mostra a realidade, que é que a indústria e comércio estão demitindo e recontratando por salários mais baixos. Em breve, se continuar em queda, vai haver extinção de vagas. Demissão sem contratação correspondente. Resultado = aumento de desemprego. IBGE tem índice de 5,8% maquiado, pois não consideram desempregados os que estão em casa de bobeira nem os que estão subempregados. Segundo o DIEESE, o desemprego está em 11%. Por que tamanha disparidade entre as duas taxas? O desemprego aumentando, o dinheiro real sumirá do mercado, restando apenas crédito, o que levará à inadimplência. Esta inadimplência vai atingir os financiamentos imobiliários e de autos. O banco tomando mais imóveis, aumentará mais ainda a oferta. Resultado = mais queda nos preços.

5 – Considere também que a partir de 2015 teremos todo o capital especulativo indo embora rumo à próxima sede de copa. O túmulo será fechado depois de 2016, com o fim das olim-piadas. Isto reduzirá mais ainda a demanda.

6 – Quando não existe a menor chance de um fato ser verdade, não se veem notícias atrás de notícias negando o tal fato, simplesmente isola-se e ignora-se os que proclamam o fato. Não é o que está acontecendo na mídia atualmente. Se você pesquisar, todo dia verá reportagens dos mais diferentes meios de comunicação do país negando a bolha imobiliária. Ultimamente nem afirmam mais que o preço vai subir. Afirmam apenas que está estável e a tendência é acompanhar a inflação. Daqui alguns meses veremos gente falando de ligeira queda, ajuste, correção. É assim mesmo. Negam o óbvio até o fim. Só vão assumir a veracidade da situação depois que todo mundo já tiver tido o encontro com o motumbo.

7 – Qualquer investimento real tem risco de perda. Com imóvel não é diferente.

8 – Gente com 15K de salário (1% da população) só consegue financiar 384 mil na CEF. Com 384 mil é impossível comprar um imóvel, hoje em dia, na Tijuca, zona norte do Rio, cercada de favelas. Na zona sul então é sonho de uma noite de verão com este valor.

9 – Utilizar o PIB como parâmetro para a pesquisa e pra negar a bolha é falacioso. O Produto interno Bruto desconsidera que existe um abismo na distribuição de renda. Poucos com muito e muitos com pouco. A realidade é que poucas pessoas tem condições de comprar moradias no valor que elas estão sendo oferecidas.

Veja que nao estou apresentando nenhum número, estou me baseando apenas em noticiário tendencioso de jornal.

Eu chuto que o Rio de Janeiro ficará anos sem ter lançamentos por parte das construtoras, exatamente como era antes de 2006. Era 1 ou 2 lançamentos que se via. Nos últimos 3 anos era 1 panfleto a cada 500m percorridos com o carro.

Mas, sendo insistente, avaliem com bom senso. O uso de séries temporais, processos estocásticos, distribuição gaussiana, análise multivariada, econometria, etc. é desnecessário, até porque este tipo de análise e cálculo é impossível de ser feito sem dados confiáveis.

Basta o bom senso pra saber que a coisa está indo pro buraco e os preços estão muito altos.

Muito bom Rodrigo, parabéns.
Vamos aguardar pq esta bolha vai estourar.

Abraços

Tem gente que não vai gostar nadinha de encontrar o Motumbo… rsrsrs

Olá, Portinho,

olhando novamente sua postagem há um problema na sua sugestão no que se refere ao governo hoje:

“Injeção de dinheiro na economia, que será utilizado, prioritariamente, para INVESTIMENTOS (POUPANÇA), coisa da qual o país carece bastante. Parte seria utilizada para consumo.”

Qual o problema? O brasileiro médio que comprou um apt por 100mil e vendeu por 400mil não vai aplicar os 300mil. Pode ter certeza q ele vai pegar uns 100-150 e vai TORRAR. Trocar de carro, comprar TV LED 3D de 4mil polegadas, um iPad e um iPhone 4S pra cada um na família.

Enfim, vai torrar como louco. E isso irá dar um empurrãozão na inflação. E o governo só pensa em inflação, apesar de não tentar controlá-la (ele quer tentar controlar os preços, doce ilusão).

Enfim, acho que tia Dilma se pensar nisso não acataria sua sugestão por nada…. rsrsrsrs

[]s!

É o dilema do governo: estimular consumo e conter a inflação ao mesmo tempo.
Como a sugestão iria atingir apenas imóveis caros (acima de 440 mil, pois abaixo já tem isenção de IR), creio que o direcionamento seria ou para investimento ou para consumo de bens de luxo (carros, eletrodomésticos, viagens etc.). Não haveria demanda por bens primários, serviços básicos etc.
A inflação é pouco influenciada por esses itens de luxo. A coisa aperta mesmo é nos preços controlados, remédios, serviços etc.
O governo, provavelmente, não vai nem ouvir a sugestão. Mas se ouvisse, imagino que ignoraria por ter outras prioridades.
Mas que seria uma boa, seria. Pelo menos parece…
Abraço!
Paulo Portinho

Parabéns, Portinho, pelos ótimos e esclarecedores artigos que você escreve aqui. Tudo que já aprendi por meio de você tem sido de grande valia.
Sua forma de encarar a realidade imobiliária do Rio faz todo o sentido. É, no entanto, ao meu ver, muito improvável que esse governo adote alguma medida nesse sentido. Para eles deve ser inconcebível isentar o IR de alguém com patrimônio de seis dígitos só para corrigir uma distorção que afeta, em tese, um mercado de famílias de altíssimo poder aquisitivo para o padrão brasileiro (o que não é verdade, esse é o mercado da classe média).
Se algum dia esse fenômeno levar ao colapso de preços, vai acontecer o que o colega comentou: “o governo dirá que isso é culpa dos especuladores “. Só vai esquecer de dizer que são especuladores que ele mesmo ajudou a criar, seja pela “MP do Bem” ou seja pela inércia frente ao problema. Abraço!

Olá!
Agradeço a visita.
Eu até acho que a idéia da isenção na MP do Bem, lá no início, ajudou a aquecer o mercado. Mas essa demanda artificial, pois cada vendedor é um potencial comprador para garantir o benefício fiscal, já não ajuda mais.
Ao contrário, atrapalha um mercado já superaquecido (ao menos em preços).
Quanto ao público afetado, não existem apenas famílias de altíssimo poder aquisitivo. Essas são as compradoras que partem do zero (sem imóvel próprio anterior). As famílias vendedoras, muitas vezes, tem renda baixa, mas como comprou ou herdou um imóvel bem localizado, tem patrimônio grande.
Há um sem número de pessoas com renda modesta morando em aptos de 800 mil, 1,2 milhão etc. em Copacabana, Botafogo etc.
Esses imóveis valiam pouco mais de 60 mil em 1996 e pouco mais de 150 mil em 2003.
Agora concordo com a análise de que o governo não “aceitaria” uma sugestão dessas. Até porque não chegará aos seus ouvidos.
É pena. Essa distorção acaba gerando uma bola de neve, pois eu compro cada vez mais caro, porque vendo também cada vez mais caro.
Abraço!

Caro Portinho, sempre nos presenteando com seus excelentes e oportunos comentários. Parabéns, muito obrigado.
Aproveito para desejar-lhe um excelente Ano de 2013.
Atenciosamente
Noracir

Obrigado Noracir!

Duvido que o PT proponha iseno sobre ganho de capital.

Tenho os livros sobre justia fiscal escrito pelo sindicato dos auditores fiscais (unafisco) filiado CUT (PT).

Eles esto criticando a iseno sobre 20 K na venda de aes e a iseno para os dividendos.

[]s

Oi Otavio,
Nesse caso o governo já oferece a isenção, porém exige que vc compre outro imóvel.
A idéia é atacar um foco falso de demanda. Se a pessoa está comprando outro imóvel para evitar pagar imposto, o governo, na verdade, está subsidiando esse mercado.
Se vc tem R$ 700.000 da venda do seu imóvel e, caso não compre outro, tenha que pagar R$ 100.000 a título de imposto sobre lucro imobiliário, na verdade o governo está de dando um estímulo de R$ 100.000 para a compra.
Isso é subsídio, talvez indireto.
Funcionou por algum tempo, mas atingiu um patamar perigoso.
Isso porque os proprietários de imóveis viram seus ativos, nos últimos 6-7 anos triplicarem, quadruplicarem. Até mais em algumas áreas.
Isso faz com que eles tenham um valor ENORME para dar de entrada. Uma pessoa que, em 2005, tivesse aplicado R$ 100.000 em bolsa ou renda fixa, teria, talvez entre R$ 180.000 e R$ 250.000. E PAGANDO IMPOSTO, no matter what!
Em imóvel teria algo entre R$ 300.000 e R$ 500.000.
Não sabemos até que ponto os imóveis estão valendo o que valem por conta de terem sua aquisição bancada, em grande parte, pela valorização de outro imóvel (o que foi vendido).
Pode ser uma bola de neve.
Tipo: “Eu acho caro R$ 1,2 milhão por um 2 quartos em Ipanema, mas vou comprar porque vendi meu 3 quartos em laranjeiras por R$ 950.000”.
Entendo que o governo ajudaria MUITO retirando esse subsídio indireto para a compra de outro imóvel.

Acredito que se ocorrer um implosão de preços o governo dirá que isso é culpa dos especuladores imobiliários que criaram uma bolha para se locupletarem. O povo mesmo, diriam eles, não teriam sido prejudicados porque conseguiram comprar seu primeiro imóvel. Diriam e capitalizariam em cima disso. Aqueles que tiveram lucros abusivos e que criaram a bolha teriam sido os verdadeiros culpados. Por outro lado, se não houver implosão de preços e conseguirem manter a economia aquecida com construção civil como carro chefe, e pela sustentação de crédito além de limites inimagináveis, tanto melhor! Posterga-se uma crise e dá-se tempo para a recuperação de preços internacionais das nossas commodities. Après mois, le déluge!

Seja bemv vindo de volta ao blog!
Eu não acredito em implosão, pois realmente há demanda e há crédito. Com a queda dos juros até bancos privados estão oferecendo crédito a 8% – 8,5% da carteira própria.
Mas acho que, em alguns lugares, o preço tornou-se proibitivo. É possível ver a enorme frustração em jovens com ótimo salário, que não conseguem comprar imóvel de qualidade nas zonas nobres do RJ. Imóvel novo por aqui é R$ 11 mil o M2 no mínimo.

Não sei o quanto essa “demanda anômala” empurrou o mercado, que transformou cada vendedor em um comprador “forçado”, mas seria bom que ela saísse da formação de preços.
Se um ativo subiu muito e o dono acha que está acima do valor justo, deveria vender e aplicar EM OUTRA COISA e não, novamente, no mercado de onde saiu este ativo.

Excelente, Portinho!

Essa MP aliada ao MCMV formaram um verdadeiro COMBO (na linguagem dos games).

Infelizmente não tinha nem capital nem acompanhava o mercado na época. Passou uma oportunidade divina neste mercado. Teve gente ficando milionária em 3 anos, investindo 100mil (totalmente alavancados).

Mas mercado é isso….

Agora, concordo contigo que aqui no RJ os preços estão impraticáveis…. e ainda tem Copa/Olimpíadas pra “ajudar” a gente….

Até onde isso vai?? Bom, eu não sei…. to só observando….

[]s!

No último post, sobre a bolha na zona sul do RJ, abordei o tema sob a ótica da renda das famílias.
Se você partir do zero, sem imóvel próprio ou de herança, vai precisar de uma renda familiar próxima a R$ 40 mil para comprar um razoável apto de 3 quartos no Flamengo ou Botafogo.
O problema é que R$ 40 mil é uma renda muito elevada para a “qualidade” do imóvel que se pode comprar.
É possível alugar por 5.000 ou 6.000 aptos do mesmo nível, até melhores, em lugares mais valorizados, com mais status.
Posso estar enganado, mas acho que, aqui no RJ, o preço bateu no teto. Ao menos no teto da renda.
A não ser que R$ 40 mil por mês seja um salário normal no Brasil…
Aí complicou geral…


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  • Disclaimer

    Este blog é um ambiente privado para expor opiniões, estudos, reflexões e comentários sobre assuntos ligados a finanças, bolsa de valores, economia, política, música, humor e outros temas.

    Seus objetivos são educacionais ou recreativos, não configurando sob nenhuma hipótese recomendação de investimento.

    O investidor consciente deve tomar decisões com base em suas próprias crenças e premissas. Tudo que lê ou ouve pode ser levado em consideração, mas a decisão de investimento é sempre pessoal. Tanto na escolha de ações para carteira própria, quanto na escolha de gestores profissionais para terceirização da gestão.

    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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