MMX, OGX e projeções na entrevista do Eike à Revista EXAME.

Posted on 13/07/2012. Filed under: Finanças |

Well, well…

Poucas notícias sobre o mercado merecem um comentário mais profundo. Na maioria das vezes são pouco reveladoras, ou são antigas.

Mas acredito que Eike tenha cometido uma imprudência em sua entrevista à Revista Exame. Vejam no link:

http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/1020/noticias/eike-batista-responde-ao-mercado-financeiro?page=2

 

Projeções…

O empresário afirma:

“O que as pessoas não entendem é que as bacias de petróleo que vamos explorar têm 8 trilhões de dólares em óleo e gás. Não entendem que temos 2 trilhões de dólares de minério de ferro em Minas Gerais.”

Como pouca gente faz conta, pode ser que esse volume de dinheiro passe despercebido, como algo natural, mas não parecem ser estimativas plausíveis.

Antes de mostrar as contas, ressalto que:

  • Posso estar enganado com relação às premissas. Não tenho conhecimento profundo sobre os mercados.
  • O empresário pode ter se equivocado quanto aos números.

 

8 trilhões de dólares em óleo e gás.

Para evitar erros, no que se refere à comparabilidade dos preços e volumes de óleo e gás, vamos idealizar o que seria, a preços de hoje, US$ 8 tri só em gás e só em petróleo. A realidade proposta por Eike estaria entre as duas.

US$ 8 tri em gás

Ao preço atual de US$ 103 por mil metros cúbicos (aqui), seria necessário vender cerca de 77,67 trilhões de metros cúbicos (bilhões x 1.000).

Não parece razoável, pois as reservas provadas do Brasil situavam-se em 364 bilhões de metros cúbicos em 2010, 213 vezes menos do que o volume necessário.

As reservas da Rússia, maior detentor, situavam-se em 55 trilhões de metros cúbicos, menos do que o proposto por Eike. Veja aqui.

US$ 8 tri em petróleo

Trabalhar com gás é mais difícil, pois poucos investidores estão acostumados com as unidades métricas e com o valor.

Com petróleo é mais fácil.

Considerando o Brent a US$ 100 (para arredondar, ver valor real aqui) e sem levar em conta algum desconto no petróleo futuro produzido pela OGX (a Petrobras vende bem mais barato por ser petróleo pesado), seria necessário vender 80 bilhões de barris.

Nesse caso nem precisa acessar a internet para ver que a projeção é exagerada. As reservas provadas da Petrobras oscilam entre 12 e 14 bilhões de barris (2011). A Exxon tem um pouco mais de 30 bilhões. O Kuwait tem 100 bilhões de barris.

Não parece fazer sentido.

 

US$ 2 tri em minério de ferro

A US$ 140 a tonelada, seria necessário um volume de vendas de 14 bilhões de toneladas.

Isso significa 43 anos de vendas da VALE, com base nas 327 milhões de toneladas produzidas em 2011. Ou 15 anos de toda a produção da China.

Em relação a reservas, estima-se que as reservas mundiais situem-se em 87 bilhões de toneladas (aqui). Eike teria que vender 16% das reservas mundiais.

 

Finalizando… o benefício da dúvida

A análise, superficial que seja, mostra projeções irrealistas.

Aos leitores que sejam especialistas no assunto, peço que iluminem esta análise com suas críticas e eventuais correções.

Se este escriba não errou em sua análise trivial, é possível (e provável) que Eike tenha se equivocado nos números.

Num mercado como esse, é bom não aceitar qualquer informação publicada, não é?

E vamos aos números!

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16 Respostas to “MMX, OGX e projeções na entrevista do Eike à Revista EXAME.”

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Simplesmente fantástico esta postagem. Parabéns Portinho pela alta qualidade do texto e pelo esclarecimento do assunto.

Abraços

I watched one youtube video and he mentioned the whole Brazil potential, including pre-salt and inner reserves of minerals. Not only his companies OGX and MMX. Now I am doubtful on this…

Portinho, não precisa ser especialista para constatar que o cara é um falastrão. Quanto ao óleo, ainda teríamos de descontar dos U$100 do brent os custos de produção, ou o Eike também disse na entrevista que esse óleo vai surgir do fundo do mar e escoar para as refinarias graças ao Saci-Pererê?

Mais uma declaração ” exagerada ” do Eike com sua ganância. Nunca investi nada nas empresas ” X ” e não pretendo fazer no médio prazo. Quando as empresas começarem a dar resultados… quem sabe. Já li por ai que as empresas ” X ” se parecem com a antiga Enron ( que se sustentava de falsas promessas) e espero que isso esteja errado pois são grandes projetos, mas infelizmente recebem promessas que nunca serão cumpridas – como essa.

Oi Osvaldo,
Também torço pelos projetos. Mesmo que não consiga os milagres propostos, ficará alguma infra para o país.
Não, infelizmente, como forjar uma indústria complexa se o país não tem vocação. E mesmo que tenha, leva 30 anos.
Fazer o porto mais moderno do mundo? Bom, quem conhece Roterdã sabe que não acontecerá.
Fazer sondas com 65% de conteúdo nacional? Talvez em 20 ou 30 anos, se deixarmos a tecnologia entrar, conseguiremos.
Mas o que assustou mesmo foi a postura do Eike. Parecia estar sem qualquer assessoria. Chegou a falar que era um “engenheiro de mão cheia”, o que levou a revista a apartear informando que ele abandonou o curso.
Não consegui entender bem o motivo da entrevista.

A matemática do Eike é incrível! A as pessoas continuam aceitando….

Eu havia falado diversas vezes das projeções e produção dele no meu blog e só recebia críticas…. e a OGX publicou oficialmente dados muito abaixo dos esperados.

Enfim, pra vender o IPO e conseguir crédito pras empresas girarem ele teve q inventar mta coisa, né? rsrsrsrs

[]s!

O momento era favorável para IPO, agora já não é mais possível obter recursos sem limites para projetos de maturação complexa.
Agora as empresas, todas elas, terão que apresentar fluxo de caixa consistente e positivo para sustentar esses elevados preços de mercado.
Já discuti bastante as premissas da OGX. Tem no meu blog. Se a OGX conseguisse o que prometeu, deveríamos jogar a Petrobras no lixo. Em 11 anos produziria o que a Petrobras levou 50 anos para atingir.
Nem entro no mérito das projeções oficiais, mas dessa vez, ao falar em US$ 10 trilhões em reservas, só há duas opções: ou ele errou, ou o jornalista publicou errado.

Portinho;

esse cara é um fanfarrão…só para lembrar, ele comprou blocos marginais oferecidos pela ANP,ou seja, ele vai tirar esse desempenho todo em campos que nem em sonho interessariam a Petrobras…só daí pá para ver o tamanho do abacaxi que é investir seriamente em OGX. Acho que as demais X são do mesmo naipe.

Abção;

Max

Oi Max,
Eu raramente falo algo sobre projeções, pois não tenho conhecimento profundo do que a empresa está fazendo.
Mas o Eike, como membro do conselho das empresas, deveria ser prudente nas declarações. Os trilhões de dólares sugeridos por ele na entrevista pode levar investidores incautos ao erro.
Não dá para ter certeza, mas é absurdamente improvável que as reservas dele tenham potencial para US$ 10 trilhões de dólares. Isso é 65% do PIB americano, ou mais de 2 x o PIB do Japão ou da China.
[]
Portinho

Grande Portinho….
Realmente… só devemos investir em empresas com FATOS E DADOS !!!
Obs: Vc deve escrever mais

Abraço

Abraço Ricardo!
Vou tentar escrever mais.

Paulo, mais um post fantástico. Não compro empresa “x” de jeito maneira, sô…rss Escreva mais, faz tempo que não leio post novo.

um abraço

Os números parecem muito estranhos. Devem estar errados, não fazem sentido.
abraço!

Tenho para mim que ele quer que as suas empresas valorizem só no gogó! Mostre resultados que elas valorizarão!


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  • Disclaimer

    Este blog é um ambiente privado para expor opiniões, estudos, reflexões e comentários sobre assuntos ligados a finanças, bolsa de valores, economia, política, música, humor e outros temas.

    Seus objetivos são educacionais ou recreativos, não configurando sob nenhuma hipótese recomendação de investimento.

    O investidor consciente deve tomar decisões com base em suas próprias crenças e premissas. Tudo que lê ou ouve pode ser levado em consideração, mas a decisão de investimento é sempre pessoal. Tanto na escolha de ações para carteira própria, quanto na escolha de gestores profissionais para terceirização da gestão.

    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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