Eletropaulo – Dívidas e Risco Regulatório – Formulário de Referência

Posted on 30/03/2012. Filed under: Finanças |

Há alguns meses os fóruns de mercado fervilhavam com informações de que a Eletropaulo (ELPL4) não seria um bom investimento, pois havia riscos regulatórios (concessões) e jurídicos (ações na justiça) muito elevados.

Na realidade buscava-se explicação para a diferença entre os múltiplos fundamentalistas da Eletropaulo e da AES Tietê (GETI3), empresas com estruturas de controle  semelhantes e atuando em setores complementares.

A questão principal: Qual o sentido da GETI ter P/L 12 e a ELPL ter P/L 4?

  • A ELPL teve lucro, em 2011, de R$ 1,572 bilhão e valia, em 30/03/2012 R$ 6,446 bilhões.
  • A GETI teve lucro, em 2011, de R$ 844 milhões e valia, em 30/03/2012 R$ 9,931 bilhões.
  • A ELPL distribuiu R$ 1,207 bilhão a título de dividendos + JSCP, representando, com base no preço mínimo de mercado de 2010, um Dividend Yield máximo de 24,06%.
  • A GETI distribuiu R$ 873 milhões a título de dividendos + JSCP, representando, com base no preço mínimo de mercado de 2010, um Dividend Yield máximo de 13,15%.
  • O crescimento das receitas e lucros de ambas as empresas é semelhante, principalmente a partir de 2007.

Fonte: Comdinheiro.com – TIB – INI

A justificativa dos fóruns

Bom, havia algumas explicações recorrentes nos fóruns e sites que tratavam do assunto:

  • A ELPL reduziu sua distribuição de dividendos para provisionar uma possível necessidade de devolver dinheiro aos consumidores, pois a ANEEL só vai definir a nova tarifa, com grande atraso, em meados de 2012.
  • A ELPL tem uma dívida enorme com a Eletrobrás, que está em vias de ser executada.
  • A concessão da ELPL iria se encerrar em 2015, exigindo nova licitação e possível devolução (com indenização) dos ativos ao Estado.

Bom, são mesmo questões assustadoras, que justificariam amplamente uma companhia com 1,6 bi de lucro valer apenas R$ 6,5 bi.

A explicação oficial está em algo que ninguém usa, que ninguém lê. Infelizmente. O Formulário de Referência (FRE).

Na esteira de exigir mais disciplina e transparência do mercado, o regulador passou a exigir em 2009 um documento completo onde a Companhia deveria trazer informações sobre todos os riscos relevantes que enfrenta ou poderá enfrentar.

É um documento grande e pouco difundido pelos RI´s, que dão preferência aos relatórios de resultado, mais simples e mais fáceis de entender.

Mas quando há dúvidas, o FRE revela-se uma fonte valiosíssima para o investidor.

O caminho do FRE

Raramente está exposto de forma destacada nas páginas de RI, até por sua complexidade e tamanho.

Pode ser encontrado tanto no site da BM&FBOVESPA quanto no site da CVM. Basta entrar no site da CVM e clicar em “ITR, DFP, IAN, IPE, FC. FR e outras Informações”, digitar o nome ou parte do nome da empresa e selecionar Formulário de Referência nas opções que aparecerão.

O que diz o FRE

Na parte 7 – Atividades do Emissor, item 7.5 – Efeitos da Regulação Estatal, há um documento de 19 páginas, bem completo, com o histórico dessa regulação e seus efeitos atuais.

Na página 18, está escrito:

“A Companhia opera, nos termos de um contrato de concessão, o negócio de distribuição de energia elétrica. O contrato de concessão, com término em 15 de junho de 2028, impõe exigências sobre as operações e os negócios. Estas exigências incluem manutenção e/ou aperfeiçoamento de determinadas normas de serviço, incluindo a frequência e a duração de interrupções no fornecimento de energia elétrica aos consumidores ou grupo de consumidores…”.

  • A informação de que o contrato de concessão termina em 2015 é incorreta.

A dívida com a Eletrobrás está descrita na parte 4 – Fatores de Risco, item 4.3 – Processos Não Sigilosos Relevantes – página 8.

A informação é muito grande para transcrever aqui, mas até 2010 (o FRE de 2011 ainda não saiu, sai até o final de maio), o valor era de R$ 1,1 bilhão e, ao que tudo indica, está mesmo em vias de execução. Vale a leitura.

Outros itens relevantes.

Em outras áreas do FRE há a indicação de que a ELPL tem contrato com a Fundação CESP para arcar com déficits no fundo de pensão. É algo para ser pago em mais de 200 prestações, num montante próximo a R$ 1 bilhão.

Alguns itens nem precisam do FRE

Na apresentação que a ELPL fez à APIMEC em 16/03/2012 e em fato relevante divulgado em 27/02/2012, a Cia estimava que o impacto no fluxo de caixa será de, no máximo, R$ 357 milhões a título de revisão tarifária.

A companhia divulgou que fez retenção de lucro (Reserva Especial) da ordem de R$ 765 milhões em 2011.

Em resumo.

O investidor realmente interessado em ser ACIONISTA da companhia, tem um volume e uma qualidade de informação bastante significativa, para não deixar dúvidas simples sem resposta.

Apesar das questões reveladas, não dá para entender plenamente a defasagem do preço entre as companhias.

Os valores são muito grandes, mas a geração de caixa da Cia chegou perto de R$ 2,9 bilhões em 2011.

Ainda, a reserva especial provisiona um valor bem superior ao máximo que a Cia espera perder com o reajuste tarifário. Não está claro nem dito, mas pode ser a expectativa de ser executada pela ação judicial da Eletrobrás.

Não é fácil ser investidor consciente, mas a ELPL foi um pródigo ativo nos últimos anos, batendo de longe a renda fixa em termos de DY e ainda com valorização (pequena) na cotação.

Isso passou. Para o investidor consciente, as informações que o FRE e outros instrumentos transmitem, permite avaliar se o futuro poderá ser igualmente (ou suficientemente) pródigo.

 

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40 Respostas to “Eletropaulo – Dívidas e Risco Regulatório – Formulário de Referência”

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Li tudo que todos escreveram e gostaria da sua opinião vale a pena investir na Eletropaulo mesmo agora que ação está 25 tendendo a 22 por causa da Moods e da Barclays?
Estou achando que está ficando super barato parece promocão, mas como toda esmola ó santo desconfia, gostaria da sua opinião?
Porque acredito que em 3 anos a eletropaulo volte a pagar bons dividendos espero que eles nesses tres anos pague dividendos razoáveis, entao tenho razao ou estou totalmente errado?
Nao sou especialista. Sou contador e pelo balanco que ela apresenta e os numeros de clientes etc.. acredito que a melhora de atendimento e o alto investimento que ela esta fazendo mais a revisao tarifaria tem causado um panico na acao em curto prazo e para quem pensa em curto prazo nao recomendaria pois esses proximos 3 anos acredito que nao serão os melhores, mas acredito que depois que a melhora na eficiencia da distribuicao e os novos clientes e o barateamento da energia fora do horario de pico o que baratea a entrega de energia tb e o pagamento da acao com a eletrobras a acao da eletropaulo volte a pagar excelentes dividendos esse é o cenario que enxergo, se os numeros continuarem é isso que enxergo porque clientes sempre terão as dividas serão sanadas e a diminuicao do juros”selic” diminuirao suas dividas com debentures o que aumentará sua eficiencia.
Posso estar completamente errado por isso quero sua opiniao.

Oi Douglas,
Há a história dos fluxos e há a história dos fundamentos…
A Cia certamente vai se estabilizar em algum patamar de lucros, provavelmente bem menor do que os últimos. Não seria surpreendente que caíssem 60%, pois os últimos foram inflados com eventos não recorrentes.
Mesmo assim, a empresa teria um P/L próximo a 8-9 (600mi contra 5 bi). DEve-se entender que esse preço de 5 bi da ELPL não é completamente real, pois leva em consideração o preço da ELPL3 que não tem qualquer liquidez. O preço estaria em pouco mais de R$ 4,00 bi, com base na ELPL4. Ou seja, o P/L das preferenciais é quase 40% menor do que o das ordinárias.
Essa redução nos impostos pode ser benéfica para a empresa, apesar de poder sobrecarregar o sistema. Os industriais devem continuar a consumir o que a demanda pedir, mas talvez seja compensado pelo aumento nos residenciais.
Bom… isso não é muito assustador, já o fluxo…

Infelizmente uma saída da Grécia do Euro, apesar de correta, traria um deserto de liquidez a todos os mercados do mundo. Nada a ver com o Lehman, muito pior.
Pior porque o “problema” continuará lá, o EURO. Para ele dar certo, os países tem que abrir mão de sua soberania. Aqui no Brasil é assim, se há um estado deficitário, o superavitário paga por ele. Paga mesmo e sem reclamar! Na Europa eles querem brincar disso, mas só na parte boa. Meu superávit é MEU (Alemanha) o seu déficit é SEU (PIIGS).
Isso é uma inconsistência política-econômica. É inviável, a não ser que eles aceitem esse modelo de “federação”.
Isso posto, é possível que tudo o que está barato possa ficar ainda muito mais barato.
Essa realidade é meio clara, meio óbvia. o site da Bloomberg só trata disso. Todos os dias. PRecisamos ajustar isso às nossas estratégias de investimento.
Abraço!

Olá a todos.
Esta é minha primeira vez no blog e gostaria de parabenizar o Portinho pelo excelente conteúdo disponibilizado! Tb aos comentários dos blogueiros, sempre pertinentes e relevantes.
Decidi optar pelo método INI após algumas perdas no mercado de ações.
Pretendo me associar ainda esta semana ao INI, como devo proceder?
Obrigado.

Oi Rosieu,
Entre no site http://www.ini.org.br, lá tem as explicações.
Abraço e seja bem vindo.

Boa Noite a todos! Pela primeira vez aqui, agradeço o cabedal de conhecimento disponibilizado. Como voce bem o diz: Amanhã 17/04, teremos oportunidade de melhor observar o comportamento do ativo, após ex. Tenho assistido apresentações da empresa, e observa-se uma grande transparencia em suas apresentações. Como acionista, tenho pela empresa, admiração e apreço. Uai!

O primeiro dia EX costuma ser bem “irracional”. É bom ficar atento, pois às vezes o inexplicável acontece.
Pela quantidade de indicações de venda, principalmente de bancos do exterior, é possível que a empresa ainda sofra um pouco na bolsa.
Abraço e seja bem vindo!

Olá, atualização ELPL….sem atualizações, apenas incertezas….agora, temos que elucubrar sobre a redução da base regulatória, conforme nota técnica. É muita incerteza para ser capturada por uma métrica. E agora, com a quebra de uma série no lucro líquido em novo ambiente de margens bem mais baixas, a série histórica da ELPL vai ser útil para estabelecer um critério de compra/venda? Mas, parabéns pelo caráter firme e justo com o qual defende suas idéias.

Na verdade meu objetivo era só divulgar o uso do formulário de referência como importante ferramenta para o investidor, não queria falar de ELPL propriamente. Bolsa no longo prazo é fundamento, no curto é fluxo. Não dá para saber o quanto é fundamento o quanto é fluxo nessa hora.
O histórico da ELPL será útil, mas o usuário do Método INI vai precisar seu um pouco mais “iniciado” para trabalhar com esse histórico descontinuado, assim como ocorreu com cisão na Equatorial. Dava para usar, mas só com muita experiência no método.

Novo mundo, nova empresa. Quem sabe, a partir de agora com os novos desafios, ela realmente se torne uma bela empresa…Estamos de olho, independente do DY e do P/L. Abraços.

Lucas, desculpe corrigir sua colocação, mas é que muita gente lê esse blog e não posso deixar passar uma incorreção.
Os investidores de ELPL, ao menos nos últimos 10-12 anos, não tem do que se queixar. Busque o histórico de preços ajustados no infomoney ou no comdinheiro. Você verá que o valor ajustado da ELPL4 em 2002 era próximo a R$ 2,00 – R$ 2,50.
Se a empresa será um bom investimento de hoje em diante, concordo que é matéria de debate. Mas não há debate sobre os resultados passados da companhia. Quem comprou ganhou rios de dinheiro. Deu banho na renda fixa e no próprio índice. Isso não é matéria de debate, é fato.
A impressão que um investidor leigo em ELPL teria ao ler sua colocação é que a empresa era muito ruim e pode ficar boa. É o contrário. Ela foi sucesso nas carteiras por 10-12 anos. É no futuro que está a incógnita e não no passado.
Desculpe, mais uma vez, corrigir a colocação, mas esse é um blog exclusivamente educacional, não posso deixar passar uma premissa que considero equivocada.

Ok, desculpe. Não me fiz compreender. Copo pela metade. Meio cheio/meio vazio. Mas, como eu sou otimista e estou (HOJE) interessado no FUTURO da empresa, ela já está sendo monitorada e estudada. E o debate quanto ao futuro da EL, definitivamente, não vai ser feito olhando para o passado. Quem comprou a métrica do P/L baixo, HOJE, pode ter comprado, HOJE, um value trap. Parabéns àqueles que compraram no PASSADO, em 2002, ano em que eu estava saindo da puberdade. E sou otimista com a empresa, mesmo com desafios. Obrigado! E vamos estudar mais! Diga não ao automático!

Show! That´s it!

Outro coisa. Vamos ficar de olho na ELPL no dia 17 (dia ex). Normalmente é um dia onde grandes irracionalidades acontecem, para cima ou para baixo.

Desculpa se dei a entender um tom inamistoso nas mensagens. Não é minha intenção. Mas, agora que a ELPL caiu, realmente já dá para pensar. Acho que o Buffet tem razão. Em primeiro lugar, nós temos que pensar em não perder. E para isso, não podemos ignorar ciclos regulatórios de revisão tarifária em um mercado altamente indexador de inflação….justamente o calcanhar de aquiles do governo. Simplesmente por obedecer uma métrica. Agora, uma dúvida. Recorrentemente, os lucros da EL são crescentes e se enquadram no INI? Aos leitores: http://www.acaoereacao.net/

Ademais, procurem informações em fóruns. Por exemplo, os da Infomoney.

A ELPL tem crescimento baixo de receita, mas poderia passar no método INI pela distribuição de dividendos e pelos múltiplos deprimidos.
O método INI usa fundamentos e múltiplos. Combina os dois. Empresas com crescimento baixo, elevado dividend yield e múltiplos próximos ao piso histórico, podem ter boas perspectivas pelo Método INI.
A ELPL pode trazer amarguras para o futuro, mas foi um investimento absolutamente excepcional nos últimos 10 anos, quase 1.400%, com reinvestimento de dividendos (comdinheiro.com.br, histórico de cotações ajustadas).
Nenhum investidor de longo prazo (não trader) de ELPL pode reclamar do passado recente da Cia.
Se Buffet tivesse investido na empresa, seu lucro, em dólar, teria sido (2002-2012) de 2.500% – 2.800%, pela valorização do real.
Certamente teria ficado bem feliz. Aliás, provavelmente a empresa teria apresentado a melhor (ou uma das melhores) performance da carteira de Buffet.
Mas repito aos leitores: ISSO É PASSADO. O futuro traz sempre todas as incertezas que vimos no formulário de referência.

O problema é que não dá para saber qual vai ser a porrada na última linha devido à revisão tarifária. O máximo que temos são inferências….-20%? Durante quanto tempo? O Pay Out vai depender da eficiência da administração da ELPL sob novas circunstâncias. E o pagamento retroativo da revisão? Como vai se dar: de uma vez ou ao longo dos anos? Além do quê, historicamente a ELPL é empresa de não recorrentes (na maioria das vezes, não recorrentes positivos). Será que os acionistas serão eternamente beneficiados por não recorrentes? Não critico quem investe em ELPL. O problema é se concentrar em demasia em uma métrica do tipo P/L. Veja um bom blog….http://www.valor.com.br/valor-investe/o-estrategista

Caro Lucas,
O motivo do Post não foi a ELPL, mas o formulário de referência. A ELPL foi o enredo para ajudar na ilustração dessa importante ferramenta disponibilizada ao investidor.
Quanto ao futuro da Cia, será sempre uma incógnita, como para todas. Quanto ao passado, a gente pode calcular. A ELPL, ajustando aos dividendos, rendeu, em média, 28% ao ano em juros compostos de jan/2007 a abril/2012 (comdinheiro.com.br). A maior parte disso em dinheiro. quem aportou 110.000 em 2007 teria 380.000, com reinvestimento dos dividendos, em 2012.
Foi um ótimo investimento. Para o futuro, não tem como afirmar.

Muitíssimo obrigado! Parabéns pela sua brilhante análise. Hoje vou dormir mais tranquilo.

Ola Portinho…….

Para me associar ao INI e aprender melhor o metodo junto con software, o que devo fazer ?

Abraços

Oi Ricardo,
Entre no site do INI, http://www.ini.org.br, e veja os procedimentos.
Peça à Juliana (juliana@ini.org.br) para lhe conceder o desconto de 40% por indicação do meu blog.
Abraço,
Portinho

OI Portinho,

Eu tinha um colega que fazia gestão de um clube de investimento baseado no método INI em Brasília. Em 2008, maravilhas com o mercado subindo até o ploc do subprime. Daí, surgiram alguns micos a partir de blue chips. Telemar, Usiminas, Petrobrás, Aracruz (hoje Fibria) e BBAS, POMO e CMIG. Do jeito que está indo o BBAS, só sobrarão Marcopolo e Cemig . Não acha que é muito perigoso este mercado de ações?

Oi Lucas,
Eu faço a gestão dos meus investimentos há 7 anos pelo Método INI e não acho que o Método tenha indicado, em momento algum, compra de Telemar nem fibria. A Telemar tem lucros estagnados há muitos anos.
Quanto à Aracruz, o Método teria impedido compra de PN, pelo quinto princípio, pois a Cia não tinha Tag Along. E quem tinha ON ganhou muito dinheiro, pois vendou as ações a algo como R$ 15 (ver meu livro 25 episódios).
Sei disso porque tinha Sadia e, justamente por ter Tag Along, não perdi nada. Consegui sair com preço médio de R$ 4,18 numa venda (troca) a R$ 5,60.
A Usiminas tem lucro decrescente há 5-6 anos, um usuário aplicado do método não ficaria com ela por mais que 6 ou 8 trimestres de queda nos lucros e nas margens. Aliás, um usuário rigoroso não se manteria por 2-3 trimestres.
A Petrobras não teria sido uma má ação pelo Método INI se não fosse a capitalização que diluiu em 40% o capital do minoritário. Essa era uma informação pública desde que a Cia era negociada a R$ 35 para cima. Neste mesmo blog demonstrei que a PETR tinha GANHADO valor de mercado em 2010 e não perdido, como a maioria dos investidores pensa. Assim como demonstrei matematicamente o efeito da diluição.
O Banco do Brasil, realmente, deveria estar dando bons lucros pelo Método INI. Acredito que o investidor esteja com medo dessa nova fase agressiva com os juros. Torço para que dê certo para o Banco, pois será bom para o país.
MArcopolo, dependendo da época, deu de 300% a 400%. Tudo ok.
A CEMIG também foi bem, mas não é, de longe, a mais indicada do setor elétrico pelo Método INI. Há muitas outras companhias com crescimento mais robusto e consistente.
Há um último fator, relacionado à diversificação. A carteira tinha 3 empresas estatais e 1 concessionária. É uma concentração muito forte e muito dependente da ingerência governamental.
Por fim, o Método é mais um instrumento de investigação do mercado e das Cias. É para conhecê-las ao longo dos anos e ser, realmente, um acionista.
Hoje, como juros ainda próximos a 7% (-IR) ao ano, pode ser que o mercado ainda seja negligenciado. Se o país atingir patamares racionais de juros, e há sinais disso com a possível mudança na poupança, não haverá opção a não ser o risco.
E quem conhecer profundamente um método fundamentalista, o do INI ou outro, levará grande vantagem aos novos entrantes nesse mercado.
Abraço!
Portinho
Ps. O mercado não é perigoso, é arriscado.

Ola portinho,

1 – com uma reserva acumulada de 765 milhões, sendo provavel a pagar R$ 357 milhões a título de revisão tarifária, ainda sobra uns trocos ai a favor da eletropaulo.
2 – sobre o fundo de pensao apesar do alto valor de aproximadamente 1B é de LP devido as 200 prestações visto que a geração de caixa é bem alto na empresa, não vejo grande problema nisso.
3 – a minha duvida vem no ponto da ação judicial da eletrobras de 1,1B se bem entendi vao usar o troco que sobrar da reserva construida, mais ainda vai faltar bastante para liquidar isso, o que na pratica pode pode ocorrer com as cotações e DY ? (a minha idéia é que vai diminuir o Payout para provisionar e pagar essa divida e consequentemente os investidores podem avaliar que a empresa ja não vale mais aquela cotação fazendo as mesmas cairem um pouco, mais sera que isso perdura por mais de 1 ano ? o que acha de minha conclusão ?

abs.

Oi Higa,

A empresa não disse, ao menos eu não vi, o motivo de ter provisionado mais do que espera pagar. Pode ser que esteja se preparando para o pagamento da ação.
Pelo que dá para entender no formulário, a ação da Eletrobrás pode ser executada a qualquer momento. Parece estar em fase final mesmo. Não sei se isso seria para médio ou longo prazo.
O mercado é movido pela assimetria de informações. É bem provável que uma notícia de que a Cia teria que pagar imediatamente 1 bi faça as ações cairem imediatamente. O importante é saber se confia nos lucros futuros da Cia.
Mas sua análise tem bom senso.
[]
Portinho

Acompanho esse processo da eletrobras x ELPL pelo sistema push do TJRJ desde 2010.
Apesar de os esclarecimentos sobre o caso contidos nos relatórios da própria empresa darem a indenização como praticamente inevitável, afirmação que me parecesse correta, do que percebi até agora, o processo está andando a passos mais lentos do que de uma tartaruga.
Por isso, correndo o risco de queimar a língua, arriscaro dizer que esta indenização seguramente não sairá em 2012 e dificilmente em 2013.

Oi Rogério,
Em se tratando da justiça brasileira, é provável mesmo que demore indefinidamente.
O que deve guiar a Cia agora é o tamanho da queda do fluxo de caixa. Há previsões oscilando entre 30% e 70%. Ou seja, nem os analistas estão se entendendo.

Portinho,

Bom artigo. Parabéns.

Tenho uma dúvida sobre concessões. O que aconteceria com estas empresas listadas em bolsa se perdessem a concessão? Ou se não fossem renovadas?

Somente o controle foi transferido na concessão, o pequeno investidor não teria problemas?

Grato,
Sir Income

Oi Sir,
Pela leitura do Formulário de Referência entende-se que a perda da concessão significa devolução dos ativos ao Estado, com alguma indenização.
Certamente o pequeno investidor poderia ter problemas (eles até dizem isso na área de riscos).
Não tenho certeza, mas pelo que consegui pesquisar, nunca houve perda ou cassação unilateral de concessão no Brasil.
Para o pequeno investidor, ao chegar perto do fim da concessão, o que importa é:
– O fluxo de dividendos previsto
– O valor residual (indenização) dos ativos
– A cotação da empresa.
Se, faltando 4 anos, a empresa valer R$ 5 bi, for pagar R$ 1 bi por ano de dividendos E for representar uma indenização de R$ 1 bi, o fluxo se equivale (sem contar o desconto pelo custo de oportunidade.
Abraço!
Portinho

Caro Paulo Porto, bom dia!

Sou acionista da Eletropaulo e achei muito enriquecedor seus comentários e avaliações, no entanto a base de informação de lucro apresentado no seu Blog, não desconsiderou os efeitos não recorrentes que “turbinaram” os resultados da Companhia nos dois últimos anos.

Levando em conta apenas efeitos recorrentes, o impacto de R$ 357 Milhões devido a revisão tarifária torna-se expressivo. Somando-se a dívida da Eletrobras e as questões dos fundos de pensão, temos um futuro nebuloso quanto a continuidade dessa excelente performance observada nos últimos anos. (Mesmo com o provisionamento citado).

Em contra partida, considero a Eletropaulo uma das companhias com maior competência de gestão das que estão listada na bolsa.

Forte Abraço.

Luciano Dantas

Oi Luciano,
Não era o objetivo apresentar as perspectivas de crescimento do lucro, apenas “introduzir” a idéia de ler o FRE.
Mas concordo plenamente que não se deve esperar os resultados dos últimos anos, principalmente o do último ano.
Há um número elevado de contingências para a empresa enfrentar, mas isso é mais corriqueiro do que parece. Quando lemos os formulários de referência de outras companhias, vemos riscos jurídicos incrivelmente altos também. Veja o da VALE com os 30 bi e o da Localiza com as ações sobre ICMS sobre venda de frota.
Ela realmente merece um desconto em relação a empresas como menos “riscos”, mas cabe ao investidor decidir se esse desconto (mais de 60% em relação a outras cias do setor) é adequado, elevado ou baixo.
A questão do fundo de pensão não me pareceu muito relevante, dada a geração de caixa da cia e o prazo.
O que me parece sério é a possível execução da ação de Eletrobrás. Apesar de a Cia ter começado a acumular um fundo de reserva considerável.
A questão regulatória também é séria. Principalmente por não levar em conta a equação OfertaxDemanda. Se baixar muito o valor da tarifa, o consumo pode aumentar consideravelmente e eu não saberia dizer se a Cia consegue entregar mais 10%-15% de carga pelo mesmo preço.
O Brasil é interessantíssimo. Só aqui um bem escasso fica cada vez mais barato.

Ótima análise. Inclusive postei o link deste post no fórum Infomoney para dar uma acalmada nos ânimos por lá. Espero que não se incomode. Parabéns pelo trabalho.
http://forum.infomoney.com.br/viewtopic.php?t=14667&start=1220.

À vontade, principalmente se puder enriquecer o debate. A ELPL com P/L 4 é um mistério que precisa mesmo ser debatido.

Ola Portinho…. Que bom que esta de volta !!!
Baita dica… pois estou começando no mercado de ações e desconhecia o RFE….

Abraços

Ricardo

É mesmo. Uma peça tão importante, quase desconhecida.
É longa, mas não existe guia melhor para compreender o que acontece “nos bastidores” das companhias.

Grande Portinho,

Cada vez melhor seu Blog.
Continuaremos prestigiando seu excelente trabalho.
Ex-alunos da UCB estão na torcida por você!

Abraço!!

Oi Elias,
Cara, um abração para você e para todos os amigos do UCB!
Abraço,
Portinho

Que bom que voltou a ativa com o blog! Ótimo texto! O principal defeito da ELPL4 é que o DY nos deixa mal acostumados! Achando que 6% a. a. em outros bons papéis é pouco…

Abraço,

Arthur

Oi Arthur,
É mesmo… que dá uma saudade dos 15%-20%, ah dá…
Mas a leitura do FRE é muito interessante. Acho que é o instrumento de maior transparência disponível.
[]
Portinho

prazer em ler seus artigos novamente.
parabéns

Caro Portinho, que bom voce voltar com seus ensinamentos, ver e ler seus comentários sera sempre um privilegio,, também sou grande admirador da ELPL.Vou buscar e aprender com o FRE
Um abraco
Noracir


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  • Disclaimer

    Este blog é um ambiente privado para expor opiniões, estudos, reflexões e comentários sobre assuntos ligados a finanças, bolsa de valores, economia, política, música, humor e outros temas.

    Seus objetivos são educacionais ou recreativos, não configurando sob nenhuma hipótese recomendação de investimento.

    O investidor consciente deve tomar decisões com base em suas próprias crenças e premissas. Tudo que lê ou ouve pode ser levado em consideração, mas a decisão de investimento é sempre pessoal. Tanto na escolha de ações para carteira própria, quanto na escolha de gestores profissionais para terceirização da gestão.

    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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