Forjas Taurus – FJTA4 – Breve comentário sobre os resultados do 3T11

Posted on 22/11/2011. Filed under: Finanças |

Enfim o resultado incorporando a Polimetal

Como sabem os que acompanham o blog, as Forjas Taurus fizeram uma operação há alguns meses em que a companhia aceitava incorporar uma empresa de propriedade dos controladores, Polimetal, em troca de uma forte diluição na posição de controle.

Conversei com muito gente no mercado e, pelo que pude apurar, pouca gente entendeu a operação. Acho que nem a bolsa entendeu, pois fez uma ajuste estranhíssimo no valor de mercado da FJTA. A empresa fechou num preço e abriu ex com, praticamente, a mesma quantidade de ações e 25% de ajuste para baixo. Bizarre….

A empresa apanhou na bolsa, e continua apanhando, por conta dessa incorporação.

Enfim saiu o release do 3T11 e trouxe, realmente, uma deterioração forte em muitos aspectos, principalmente no endividamento.

Endividamento

A Polimetal realmente estava com problemas. Ela acrescentou pouco mais de R$ 100 milhões ao Ativo da FJTA, mas reduziu o Patrimônio Líquido em mais de R$ 120 milhões. Isso significa que a empresa tinha passivo a descoberto (patrimônio líquido negativo).

Infelizmente não dá para entender em detalhes, pois há poucas informações, mas pelo que li, provavelmente a FJTA já dava garantias aos empréstimos da Polimetal. Com a incorporação a rubrica de AVAIS E GARANTIAS saiu de R$ 111 milhões para zero, mas o endividamento de longo prazo foi de R$ 132 milhões para R$ 235 milhões.

É provável também que a FJTA tenha incorporado um valor próximo a R$ 40 milhões em debêntures da Poli. Não dá para saber, mas é o que parece na mudança do 2T11 para o 3T11.

Isso tudo posto, e com a queda na geração de caixa, O endividamento líquido da companhia subiu de R$ 312 milhões (2,24x o EBITDA) para R$ 383 milhões (3,17x).

O mercado podia não saber por que estava batendo, mas a danada sabia por que estava apanhando (rsrsrs).

Câmbio pesou.

O 3T11 ainda não havia incorporado a recente valorização do dólar. Na média, entre julho e meados de setembro, a moeda ficou em ridículos R$ 1,60.

Essa cotação prejudicou bastante a FJTA, principalmente na área de armamentos, mais sensível ao câmbio.

Preço de mercado não é bem esse…

A companhia está com valor de mercado, hoje, próximo a R$ 190 milhões. Há, entretanto, cerca de 10% das ações emitidas em tesouraria. Isso significa que essas ações são dos atuais investidores.

A FJTA não tem o que fazer com essas ações. Não é possível vendê-las a mercado, pois a liquidez é baixa. Vender R$ 19 milhões a mercado pode ser doloroso para as ações, que já estão sofrendo bastante. Se cancelar as ações, não haverá ganho. É capaz de forçar ainda mais a queda.

A empresa não tem fluxo, não está no radar de ninguém, por isso não há como incorporar “notícias fundamentalistas” de forma racional.

Mas, em tese, o investidor de FJTA pode considerar que seu P/L é cerca de 10% menor e/ou que seu LPA é cerca de 10% maior. Não é nada, não é nada… não é nada mesmo!

O futuro e a governança

Quem acompanha o movimento diário da FJTA sabe que não há possibilidade de milagre de fluxo. E também sabe que, infelizmente, bons fundamentos não necessariamente seriam incorporados ao preço das ações. Ao menos não imediatamente ou não racionalmente.

A companhia precisa indicar sinais de mudança na governança. Que o mercado dela é bom e crescente, todos sabem. Que o dólar em elevação poderá trazer alento aos números, também. Mas o mercado precisa voltar a tê-la como alvo.

Outro ponto possível seria uma eventual venda de controle. Uma empresa que futura R$ 650 milhões, já teve lucro de R$ 70 milhões (2010), tem ativos de R$ 1,1 bi, Patrimônio líquido de R$ 323 milhões, pode ser considerada “barata” a R$ 190 milhões.

Mesmo com a enorme queda no lucro o P/L da Cia está em 6,15. Descontando as ações em tesouraria estaria em 5,50. O P/VPA esta em 0,59.

Well. Acho que a FJTA prova uma das máximas do mercado: Contra fluxo, não há argumentos.

Até a Geração Futuro que tanto apostou na companhia, já não se mostra tão confiante. Aliás, nem dá para saber a “confiança” da Geração, pois ela publica as posições dos fundos misturando Randon e FJTA. Não dá para saber se, dos 15% do setor de bens de capital, FJTA é 2%, 1% ou 0,000001%. Está certa, é um direito dela. Mas, infelizmente, o papel perdeu um dos mais proeminentes avalistas. Ou não?

Por fim… não é o fim.

Ao contrário dos episódios de Sadia e Aracruz, a deterioração no balanço da FJTA parece reversível, sem a necessidade de extravagâncias.

No plano dos fundamentos dá para acompanhar e identificar os caminhos. No plano do mercado não dá. A empresa precisa de liquidez e quem tem Market Value de R$ 190 milhões dificilmente tem liquidez.

É trabalho para muitos anos. Seria um grande conforto para os acionistas se a companhia contratasse algum especialista nessa área.

Ou então a gente se reúne, bate na porta do Eike Batista e diz: Eike, quer comprar uma beretta? É R$ 1,99!

Brincadeira…

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21 Respostas to “Forjas Taurus – FJTA4 – Breve comentário sobre os resultados do 3T11”

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Adorei as informações, qual a atual situação da Forjas Taurus, já que as informações são de 2012?

Grata

Oi Kelly,
Eu acompanhava mais quando estava no INI. Agora na CVM, não tenho muito como falar de algumas companhias abertas. Em breve pretendo lançar um livro ensinando a avaliar as companhias para investimento.
Assim que lançado, aviso por aqui. Abraço!

ADOREI O BLOG . ME AVISA SE A TAURUS VAI QUEBRAR QUE EU SAIO DESTA EMPRESA , TRABALHO NA SEGURANÇA ,,, MAS QUEM NÃO TA SEGURO SOU EU SERÁ/ HEHEHEHEHEEHEHEHEHEEHEH

Oi Jeferson,
Infelizmente é difícil prever. Raramente essas informações chegam aos investidores em tempo hábil.
Mas vamos ficar atentos!

Poxa Portinho. Mas apesar do preço de mercado ínfimo e da nova dívida assumida, não há nada que possa indicar uma quebra, né? A empresa tem um bom histórico de lucros…

Oi Carlos,
Não é possível ter certeza disso. Mas não vi evidência alguma de que quebraria, até porque pagou bons dividendos. O balanço ficou bem ruim. Devemos ficar atentos ao fechamento de 2011.

Primeiro quero cumprimentá-lo pelo excelente blog.

Como pequeno acionista da Forja taurus, gostaria que me ajudasse na seguinte dúvida: na época da reestruturação possuía apenas papéis preferenciais que foram acrescidos de uma quantidade proporcional de acões ordinárias. Minha dúvida é como declarar as ações ordinárias recebidas em “bonificação” para efeito de declaração de ajuste anual. Seriam declaradas a custo zero ou haveria um critério de rateio ?

Desde já agradeço qualquer ajuda !

Paulo, primeiro quero dar os parabéns pelo excelente blog.
Como pequeno acionista da Forjas Taurus, fico na dúvida da maneira como devo proceder quanto às ações ordinárias recebidas em função de deter uma certa quantidade de papéis preferenciais. Estas ações ordinárias recebidas em “bonificação” serão declaradas para efeito de IRPF como custo zero Ou será utilizado algum critério de rateio ? Desde já agradeço qualquer ajuda .

Caro Luiz,
Essa é uma das questões mais complexas do ano passado. A bolsa fez um ajuste no preço da FJTA que, em minha opinião foi indevido, pois na operação as ações trocaram de mãos. Mas talvez ela tenha feito isso para que no IR não haja ganho de capital para o acionista.
Pelo fato relevante, há desdobramento e bonificação, além de uma reestruturação. No meu entendimento as ações ON entram com custo ZERO e as PN devem ter seu preço médio reduzido na proporção de 21/29.
Se você tiver valores modestos em FJTA poderia “limpar” esse histórico vendendo e recomprando (conforme ensinado no livro O Mercado de Ações em 25 Episódios). É mais prático.
Infelizmente, para ter segurança da operação, é melhor ligar para o RI da FJTA. Acabaram de mudar a diretoria, talvez o atendimento melhore.
Abraço e seja bem vindo.

Obrigado pela informação. Na semana passada, já postei esta questão ao RI da Forjas Taurus, mas, até a presente data, não obtive resposta.
Muito obrigado pelo esclarecimento e acrescento que já li o “mercado de ações em 25 episódios”. Gostei muito da filosofia de investimento exposta na obra e, como investidor de longo prazo, me deu mais estímulo para continuar com a estratégia.

Grande Abraço.

Oi Luiz, fico feliz que tenha gostado.
Abraço,
Portinho

Bom dia Portinho,
Também estou em dúvida quanto a declaração das ações da Forjas Taurus. Entrei em contato com o RI e recebi a seguinte resposta:
Prezado Senhor,
Vou reproduzir abaixo a orientação que já lhe demos, recebida de nossa assessoria jurídica:
“Assim, os acionistas que detinham PN de emissão da Taurus imediatamente antes da Reestruturação Societária trocaram duas vezes de posição, (i) atribuindo o custo das PN que detinham antes da operação para a quantidade de ONA e ONB de emissão da Polimetal que receberam em decorrência da incorporação de ações da Taurus pela Polimetal; e, em seguida, (ii) atribuindo tal custo para a quantidade de PN e ON de emissão da Taurus que receberam em decorrência da incorporação de ações da Polimetal pela Taurus, sem distinguir tal custo para as espécies de ações recebidas.” Ou seja, atribuir o mesmo custo histórico para ambas, as ON e as PNs. No entanto , como se trata de uma interpretação da lei e uma matéria complexa, reproduzo novamente a nossa orientação abaixo já envaida ao Senhor:
De qualquer forma, tendo em vista a complexidade da matéria e a ausência de disposição normativa especial, aconselhamos aos acionistas que procurem de orientação tributária específica, de modo a formar convicção própria em relação ao custo a ser atribuído às ações recebidas em decorrência da Reestruturação Societária (pode ser no plantão da Receita Federal).
Atenciosamente,
Doris Wilhelm
Diretora de Relações com Investidores / Investor Relations Officer

Será que ficou claro pra alguém qual o valor a ser atribuído às ações após a reestruturação, porque eu realmente não consegui chegar a uma conclusão.
Ah, Portinho parabéns pelo Blog, eu sempre acompanho.
Abraço!

Oi Fábio,
A companhia, em resumo, não assumiu nenhuma posição.
Eles dizem que que, se você tinha 1.000 taurus PN a um custo de R$ 2.500,00, passou a ter ações da polimetal com o mesmo custo, depois 1.000 PN + 250 ON (por hipótese), ao mesmo custo R$ 2.500,00. O custo individual de cada seria R$ 2,00.
Mas, nem eles assumem que é assim que se faz…

Obrigado pelas considerações, Portinho!
Abraço

De todas empresas listadas na bovespa essa é com certeza das que está atrativa e menos mal das pernas !!!

Caro Ede,
Eu teria cuidado com a liquidez, que é muito baixa, e com a dívida, que é alta.
A empresa poderá ter bons resultados se o dólar se mantiver acima de 1,80-1,90.
Como acionista minha principal reclamação é quanto à qualidade e quantidade de informações. É muito pouco que recebemos e muito superficial.
FTJA está no share de risco de nossa carteira. Espero que não nos decepcione!

Valeu Portinho, obrigado por colocar suas considerações.

Acredito que no preço atual vale manter posição, pois entendo que já está embutido na cotação ao menos grande parte dos problemas.

Vamos acompanhar.

Abraço,

Fabiano

Portinho estou um tanto quanto confuso, sou muito novo no mercado, aproximadamente 1 ano e meio, e recentemente tive o privilégio de receber a indicação de uma boa leitura, o seu livro “O Mercado de Ações em 25 Episódios”, dentre as premissas indicadas no livro, fiz minha escolha FJTA4 e desde então venho melhorando minha posição mensalmente, após ler sua notícia, não consigo interpretar os resultados, sigo a risca a estratégia?

Um grande abraço.

Oi Bruno,
A estratégia requer comprar pouco e sempre, de companhias que têm perspectivas de crescimento E que estejam com múltiplos baixos.
A FJTA está com preços realmente muito baixos, porém o crescimento das ações vai depender da recuperação do balanço (endividamento) e, principalmente, do apetite dos investidores.
Nosso clube tem FJTA a R$ 2,50 de custo médio, ou seja, está com grande perda. O que nos ajuda é a diversificação. FJTA representa menos de 6% da carteira. O impacto é desagradável, mas não compromete o resultado final do clube.
Nós ficaremos com ela até perdermos a confiança na possibilidade de crescimento. Se isso acontecer, não importa a que preço, sairemos. No momento só nos resta acompanhar os releases e os fatos relevantes para avaliar se a Cia consegue sair dessa “armadilha de liquidez”.

Eu estava esperando ansiosamente seu comentário sobre o 3T11 da FJTA4… Vou digerir este assunto mais um pouco agora. Depois vou dar mais uma lida nos relatórios… Valeu Portinho!

Oi Carlos,
A FJTA me parece estar numa armadilha de liquidez. É quando a companhia atinge valores irrisórios (vis mesmo), porém não consegue mudar esse quadro por não ter volume de negociação.
E a armadilha é cruel, pois quando menor o valor de mercado e maior a queda, menor é a liquidez, pois as pessoas fogem com medo e o volume disponível para negociação cai.
Acredito que, mais do que a questão operacional, a companhia vai precisar adotar práticas de governança muito agressivas. Talvez aumentar o free float, contratar um especialista em formação de mercado.
Caso isso não aconteça, a melhora vai depender dos fundamentos apenas, o que pode demorar um pouco.
Nós temos FJTA no clube e o resultado é muito ruim para a carteira.
Só vamos vender se houver sinais claros de que a empresa se perdeu como “negócio”. Perdeu o rumo.
Isso aconteceu com ECOD. Após essas últimas fusões, a empresa simplesmente deixou de fazer sentido. Enquanto era biodiesel, os drives pareciam claros, depois que virou TUDO, não dava mais para enxergar a possibilidade de lucro crescente.
Acabamos vendendo ECOD com lucro, mas foi por acaso. Mesmo que tivesse no prejuízo, sairia da carteira com prazer.
A decisão de ficar ou não com uma empresa não deve ser tomada por lucros ou perdas passados, mas sim pela possibilidade futura.
Se acharmos que FJTA não tem futuro claro, ou drives de crescimento coerentes, vendemos. Mesmo com perdas. Qualquer perda.
O investidor não deve se apegar a performances passadas das cotações. Perdeu 90% e não acredita mais na empresa. Faça como Guilherme Arantes: “Adeus também foi feito pra se dizer. E bye, bye e so long e farewell…”


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  • Disclaimer

    Este blog é um ambiente privado para expor opiniões, estudos, reflexões e comentários sobre assuntos ligados a finanças, bolsa de valores, economia, política, música, humor e outros temas.

    Seus objetivos são educacionais ou recreativos, não configurando sob nenhuma hipótese recomendação de investimento.

    O investidor consciente deve tomar decisões com base em suas próprias crenças e premissas. Tudo que lê ou ouve pode ser levado em consideração, mas a decisão de investimento é sempre pessoal. Tanto na escolha de ações para carteira própria, quanto na escolha de gestores profissionais para terceirização da gestão.

    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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