Investidores em debandada. Visão de curto prazo?

Posted on 04/07/2011. Filed under: Finanças |

Renda fixa e imóveis na mira

O Jornal O Globo de 3 de julho trouxe uma reportagem mostrando um movimento fortíssimo de saída de investidores individuais da bolsa.

Leia AQUI.

Isso, em parte, deve ser explicado pelo aumento da taxa de juros da renda fixa e pode explicar, também em parte, a continuidade da elevação dos preços dos imóveis.

É simples. R$ 3,7 bilhões saíram da bolsa, é razoável esperar que migraram para alternativas de investimento. As mais comuns são: Renda fixa e Imóveis.

Visão de curto prazo?

A maioria das pessoas, na vida e na bolsa, pensa de forma imediatista, vê algumas árvores à frente, mas perde a capacidade de ver a floresta como um todo.

Isso é normal, faz parte da nossa natureza. Não há do que se envergonhar, somos todos assim.

Num momento em que a bolsa está de lado (ou em queda) há 3 anos e os imóveis em alta forte há, pelo menos, 3 anos, só há uma visão vencedora: Bolsa é ruim imóvel é bom!

Lembrar que os imóveis foram os piores investimentos do país entre 1994 e 2006-2007? Nem pensar? Lembrar que a bolsa subiu 800% em dólar entre 2003 e 2008? Sai daqui!

O longo prazo existe, apesar de pouca gente acreditar.

Falar que bolsa é para longo prazo, normalmente faz parte de um discurso vazio de alguém que quer justificar o mau momento do mercado ou que não entende do que está falando.

Pouca gente entende isso de verdade.

Pouca gente entende que, ao comprar regularmente ações de companhias em que acredita e confia, o investidor dilui o “risco bolsa” e fica com o risco da empresa. Se a empresa crescer, há grande chance de seu patrimônio crescer significativamente.

Ainda mais se utilizar o Método INI ou algum outro método fundamentalista (filtros de graham e outras técnicas de value investing) para evitar selecionar empresas com múltiplos muito altos.

Longo prazo? Que tal 200 anos em 4 minutos

Calma, não é análise técnica!

É só um estatístico sueco contando a história do desenvolvimento dos países nos últimos 200 anos, num pequeno vídeo de 4 minutos.

Veja AQUI.

O objetivo do blog, ao postar o vídeo, é mostrar DE NOVO a floresta e não só 3 ou 4 árvores.

Todos os dias alguém escreve algum post em algum fórum ou blog para denegrir a imagem dos pobres investidores de longo prazo. São tratados como tolos, pseudo-investidores e, algumas vezes, como burros mesmo.

E sempre com inúmeros argumentos que refutam o buy-and-hold, o longo prazo e outras técnicas e conceitos de poupança em ações.

Mal sabem eles que grande parte da previdência privada (com gestão pessoal ou terceirizada) em países desenvolvidos depende das companhias listadas em bolsa de valores.

De fundos de pensão a pequenas carteiras de clubes de investimento, é assim que a maioria das pessoas no mundo desenvolvido cuida de seu complemento de aposentadoria.

É um fato evidente, não há qualquer dúvida disso, basta ver o percentual de investimentos da indústria mundial de fundos em ativos de renda variável. Chega a 80% em países como o Japão e a 50% nos EUA.

Nem precisa ir longe, a PREVI chegou a ter mais de 65% de seus ativos em renda variável. Isso significa que a aposentadoria de milhares de funcionários do Banco do Brasil, atuais e futuros, dependia E MUITO do “longo prazo”. Aliás, investir conforme o método INI (de forma passiva) é o que fazem esse funcionários ao comprar mensalmente umas poucas cotas do seu fundo de pensão.

Mas não, isso não serve. Só servem aquelas 3 ou 4 árvores que estamos vendo hoje.

Voltando ao vídeo, nos 200 anos que o professor Hans Rosling ilustra no vídeo acima, o desenvolvimento econômico e social do mundo fica evidente. Também suas disparidades, é verdade.

Sei que o passado não garante o futuro, mas por que refutar as evidências do passado?

Não é o que fazem ao denegrir os poupadores que passam 20-30 anos comprando ações?

Quanto ao futuro, o professor é otimista. Até mais que eu. Vamos torcer para que esteja certo!

Aos muitos amigos grafistas, por favor peguem leve, poupem esse pobre blogueiro. Esse post (assim como todos os outros) não busca depreciar técnicas de curto prazo. É apenas a defesa de um comportamento simples, histórico e bem sucedido há 200 anos.

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6 Respostas to “Investidores em debandada. Visão de curto prazo?”

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Isso aí Portinho!

Excelente post, relembra algumas premissas básicas que até nós, seguidores do value investing, as vezes deixamos passar.

Grande abraço,

Fabiano

Valeu Fabiano!

Paulo Portinho, como sempre vc foi perfeito.

Caro Jose Manoel,
Agradeço as palavras de incentivo.
[]
Paulo Portinho

Portinho, acho que a “baixa popularidade” da análise fundamentalista é o que há de melhor para os investidores! Muito mais fácil pechinchar! Por sinal, infelizmente acho que o repique dos últimos dias já foi muito.

Caro Fabio,
Não se preocupe, pois o buy-and-hold nunca foi formador de preço. Mesmo com a bolsa disparando, quem forma preço é o especulador, o trader, o descoberto, o short seller e outros.
Haverá oportunidades sempre, mesmo no dia que nosso país tiver 5 milhões de investidores.
Abraço!


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  • Disclaimer

    Este blog é um ambiente privado para expor opiniões, estudos, reflexões e comentários sobre assuntos ligados a finanças, bolsa de valores, economia, política, música, humor e outros temas.

    Seus objetivos são educacionais ou recreativos, não configurando sob nenhuma hipótese recomendação de investimento.

    O investidor consciente deve tomar decisões com base em suas próprias crenças e premissas. Tudo que lê ou ouve pode ser levado em consideração, mas a decisão de investimento é sempre pessoal. Tanto na escolha de ações para carteira própria, quanto na escolha de gestores profissionais para terceirização da gestão.

    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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