Opções – Estudos nos EUA (CBOE)

Posted on 26/04/2011. Filed under: Finanças |

Um dos mais atuantes comentaristas do blog mandou alguns estudos feitos pela bolsa de opções de Chicago (CBOE – Chicago Board Options Exchange). Ver site: http://www.cboe.com/

Pediu especial atenção para o estudo de caso feito pelo consultoria Ibbotson Associates (ver aqui).

Well…

Um parênteses sobre a lógica norte-americana de “livre mercado”

Sugiro fortemente o documentário “inside job” que investiga os motivos para a crise de 2008. Além de ser um documento didático sobre a crise (nunca vi explicações melhores para CDS), mostra com precisão como se faz negócio nos EUA.

Meus amigos sabem que adoro os EUA. Vou a NY deste 1997 e nos últimos 7 anos tento voltar ao menos uma vez por ano (antes de ser pai… rsrsrs). Porém não tenho ilusões quanto a uma suposta perfeição do livre mercado e da livre iniciativa. Até acredito nos princípios, só tenho certeza que jamais haverá mercado “livre”. Nem nos EUA, nem em lugar nenhum.

A atuação dos lobistas, das agências de rating e de uma rede de professores universitários renomados a serviço de quem pagar mais, complicaram BASTANTE a situação já terrível da bolha imobiliária e, principalmente, do abuso de instrumentos derivativos.

Houve, pasmem, professores renomados, de universidades caríssimas, com artigos rasgando elogios ao sistema financeiro da… ISLÂNDIA!!! E pouco antes de o país ser destruído por esse sistema financeiro.

Eu fico imaginando o que leva um professor universitário a sugerir o investimento na Islândia, sabendo que a dívida externa de seus bancos era 12 vezes maior do que o PIB do país. Ah… e a dívida era em Euro, mas a moeda da Islândia era a coroa… Bizarro! Qualquer economista de primeiro período sabe que isso é uma bomba-relógio.

A resposta é simples. Centenas de milhares de dólares.

Os estudos etc……..

Isso posto, é importante que qualquer estudo feito por uma instituição com interesse comercial direto no objeto estudado seja corroborado ou pela nossa própria capacidade de análise OU por instituições que não tenham NENHUM interesse, direto ou indireto, nos resultados.

O estudo da Ibbotson, em minha opinião, trouxe resultados muito ruins para o tal índice de “lançamento-coberto” que um professor universitário criou, e que depois foi incorporado na lista da S&P.

O resultado aparentemente foi bom, pois deu um retorno médio de 12,39% para o índice CBOE BXM contra 12,20% do S&P 500 em 190 meses de estudo.

O CBOE BXM é um índice hipotético que exige grande complexidade para ser reproduzido na prática. Tanto é verdade que não há (ou não conheço) ETF´s baseados nele. Além disso, em toda parte do site há instruções para que o usuário da técnica verifique com seu corretor se é possível obter, na prática, o que o índice faz na teoria.

Acreditando na metodologia do índice, não parece muito ruim que seja necessário fazer operações complexas a cada mês, tendo que acertar, conseguir vender uma opção a um preço hipotético, durante 190 meses, para atingir uma rentabilidade adicional de 0,19% ao ano?

E os custos envolvidos, que não fazem parte do cálculo do índice? Não conheço a estrutura de custos de corretagem, emolumentos etc., nem a realidade tributária nos EUA, mas sem dúvida seriam muitíssimo maiores do que 0,19% ao ano.

Outras considerações

Li a metodologia e não me sinto apto a criticá-la. Entendi, mas não tenho os dados e não conheço a mecânica de apreçamento de opções na CBOE.

As explicações, a meu ver, foram omissas quanto ao exercício das opções. Isso preocupa. Se alguém puder investigar mais a fundo e compartilhar conosco, agradeço.

Minha impressão leiga é que um professor criou um método de lançamento coberto hipotético que “favorece” a criação de um índice amigável para a CBOE, mas que não tem sentido na prática, pois não poderá ser reproduzido.

Outra coisa que me chamou atenção foi o fato de não haver estudos recentes (posteriores a 2006) sobre o tema.

A instituição (CBOE) tem interesse direto em ampliar o uso de opções, mais até do que as corretoras, e apresentou estudos dando rentabilidade quase equivalente ao buy-and-hold em vários períodos.

A Callan Associates verificou que o BXM entre 1988 e 2006 teve um retorno de 11,77% e o S&P 500 de 11,67%!!!!!!

Um décimo de ponto percentual a cada ano para fazer várias operações complexas e correr risco de não reproduzir o que prega a teoria?

Por fim, mesmo que o método seja uma reprodução fiel dos efeitos do lançamento coberto, os resultados, caso consideremos os custos e, principalmente, o enorme custo do nosso tempo, não foram suficientemente eloquentes para que Warren Buffett pare de comprar e guardar e inicie uma estratégia de lançamentos cobertos mensais, a preços teóricos…

If you know what I mean…

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3 Respostas to “Opções – Estudos nos EUA (CBOE)”

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E quem te garante que o Warren não faz lançamento coberto? Paulo, esse tipo de argumento não vale, hehehe.
Eu até concordo com você de que o lançamento coberto pode não bater o BH, mas como você mesmo colocou em vários momentos nos textos anteriores, é o momento que diz quando a estratégia adotada vai ser melhor ou não. Você concorda que é impossível prever o futuro, sei lá se daqui a alguns meses a bolha das commodities estoura e eu vou ficar com as minhas PETR4/VALE5 encalhadas até Deus sabe quando. Com o financiamento eu ao menos poderei ganhar uns trocadinhos.
Meu sucesso no lançamento coberto deve-se ao comportamento da BVMF3 que se mantem entre 10 e 15 reais, variando pouco neste intervalo. Mas empresas como PETRO e VALE tendem a oscilar muito mais, girando entre 25 e 60 reais, ficando praticamente impossível de manter a estratégia.
Contudo, nada melhor do que fazer um financiamento quando o valor da ação está no topo, ela pode subir mais? claro que pode, mas quais são as chances?
Concluindo, admito que LC não ganha sempre do BH, mas há casos que sim.

KKKKK
Você tem razão, eu não sei se o Buffet faz lançamento coberto… mas seu eu tivesse 60 bilhões de dólares, certamente não faria… Pra quê???? Vai pra casa Buffet!!!
Brincadeiras à parte, eu acho que há objetivos diversos entre os investidores e todos têm que ser respeitados.
Não existe uma regra comum a todos.
Isso é tão verdade que há daytraders, amparados pela corretora, sem nenhum patrimônio, girando 10, 15 milhões por mês e vivendo disso. Confesso que é uma coragem que eu não tenho… mas quem vai dizer que o modo de vida do cara está errado?
O lançamento coberto pode não ter batido o B&H (no passado, no futuro não se sabe), mas, se feito corretamente por gente experiente, pode render um yield extra muito interessante.
Outro ponto importante é a fase de vida do investidor. Quando o sujeito está só semeando, deve se preocupar mais em buscar grana em sua profissão para acumular patrimônio mais rápido, com aportes mais vigorosos.
Quando ele já começa a colher um pouco, faz todo sentido buscar um yield extra em dinheiro.
E quando está só na colheita, pode ser uma ótima opção.
Mas insisto: não é coisa para iniciante.
Aquela história que você falou dos 50% ao ano, já vi falarem e prometerem (400% do CDI). Na realidade eles não estão mentindo, apenas omitem que, ao lançar NO DINHEIRO, o investidor pode perder patrimônio.
E quem não entende… acaba se dando mal.
Abraço a grato pela visita bem humorada!


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  • Disclaimer

    Este blog é um ambiente privado para expor opiniões, estudos, reflexões e comentários sobre assuntos ligados a finanças, bolsa de valores, economia, política, música, humor e outros temas.

    Seus objetivos são educacionais ou recreativos, não configurando sob nenhuma hipótese recomendação de investimento.

    O investidor consciente deve tomar decisões com base em suas próprias crenças e premissas. Tudo que lê ou ouve pode ser levado em consideração, mas a decisão de investimento é sempre pessoal. Tanto na escolha de ações para carteira própria, quanto na escolha de gestores profissionais para terceirização da gestão.

    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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