Parte 7: Financiamento de carteira com Strikes Longos

Posted on 11/04/2011. Filed under: Finanças |

Na parte 6 o financiamento com strikes longos foi simulado para opções da VALE5.

A seguir os resultados para a PETR4. Alguns leitores perguntaram quais seriam os resultados para PETR4, dado que a VALE5 teve valorização quase 40% acima da PETR4 na estratégia buy-and-hold.

Os resultados

Para quem quiser acompanhar com a planilha, pode baixar clicando AQUI.

Strike 6% mais alto do que o valor de mercado

Ao lançar uma opção com strike 6% mais alto, é razoável esperar entre 0,5% e 0,8% de rentabilidade líquida por mês (sem exercício).

No estudo feito com base em 6 anos de operações com a PETR4, o patamar de 6% de diferença trouxe os seguintes resultados:

  • O investidor foi exercido em 25 meses
  • O investidor não foi exercido em 46 meses
  • Para garantir o mesmo ganho patrimonial do buy-and-hold, teria sido necessária uma rentabilidade líquida de 2,16% ao mês com o financiamento.
  • Para garantir o mesmo ganho patrimonial da renda fixa, teria sido necessária uma rentabilidade líquida de 1,85% ao mês com o financiamento.

Strike 10% mais alto do que o valor de mercado

Ao lançar uma opção com strike 10% mais alto, é razoável esperar entre 0,2% e 0,3% de rentabilidade líquida por mês (sem exercício).

No estudo feito com base em 6 anos de operações com a PETR4, o patamar de 10% de diferença trouxe os seguintes resultados:

  • O investidor foi exercido em 15 meses
  • O investidor não foi exercido em 56 meses
  • Para garantir o mesmo ganho patrimonial do buy-and-hold, teria sido necessária uma rentabilidade líquida de 1,14% ao mês com o financiamento.
  • Para garantir o mesmo ganho patrimonial da renda fixa, teria sido necessária uma rentabilidade líquida de 0,83% ao mês com o financiamento. Exatamente o que se consegue na prática.

Strike 15% mais alto do que o valor de mercado

Ao lançar uma opção com strike 15% mais alto, é razoável esperar entre 0,05% e 0,1% de rentabilidade líquida por mês (sem exercício).

No estudo feito com base em 6 anos de operações com a PETR4, o patamar de 15% de diferença trouxe os seguintes resultados:

  • O investidor foi exercido em 9 meses
  • O investidor não foi exercido em 62 meses
  • Para garantir o mesmo ganho patrimonial do buy-and-hold, teria sido necessária uma rentabilidade líquida de 0,39% ao mês com o financiamento.
  • Ele já estaria obtendo ganho patrimonial superior ao verificado na renda fixa.

Strike 20% mais alto do que o valor de mercado

Ao lançar uma opção com strike 20% mais alto, é razoável esperar entre 0,01% e 0,03% de rentabilidade líquida por mês (sem exercício).

No estudo feito com base em 6 anos de operações com a PETR4, o patamar de 20% de diferença trouxe os seguintes resultados:

  • O investidor só foi exercido em 3 mês, em setembro de 2007
  • O investidor não foi exercido em 68 meses
  • Para garantir o mesmo ganho patrimonial do buy-and-hold, teria sido necessária uma rentabilidade líquida de 0,11% ao mês com o financiamento.
  • Ele já estaria obtendo ganho patrimonial superior ao verificado na renda fixa.

Conclusões

As mesmas escritas para a VALE5.

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13 Respostas to “Parte 7: Financiamento de carteira com Strikes Longos”

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[…] de Carteira com Strikes Longos – A pedidos! Parte 6: Financiamento de carteira com Strikes Longos Parte 7: Financiamento de carteira com Strikes Longos Comparativo: Rolagem ou Exercício de opções Opções – Estudos nos EUA […]

Portinho,
parabéns pelo blog, li seus dois livros e posso dizer que o lançamento de opções é um aliado ao buy-and-hold que só deve ser feita quando preencher critérios pré-estabelecidos e não aleatoriamente, e o eventual lucro deve ser utilizado para comprar novas ações assim como o dinheiro proveniente de dividendos.

linhares

Oi Linhares,
Agradeço pelas palavras amigas.
Seja bem vindo ao blog.
[]
Portinho

Caro Porto,

Não sei se entendi corretamente, mas nos seus estudos você nunca levou em consideração a possibilidade de encerrar o lançamento das opções antes de ser exercido, correto ?

Acredito que se levarmos isso em consideração, ou seja, encerrar o lançamento da opção antes da data de vencimento, quando a opção estiver próxima de virar pó, teremos um resultado bem diferente, pois você irá sempre manter o valor do bem principal, que é o valor das ações.

Caro Mauro,
Agradeço a sugestão, mas nela está contida uma premissa que pode ou não ser verdadeira.
Não há garantias de que, uma vez lançada a opção, seja possível encerrá-la com valores menores do que os de lançamento (menos ainda de que cheguem a pó).
Como você pode ver nos estudos, mesmo para lançamentos longos (>6%) ainda houve, para VALE e PETR, muitos momentos em que houve exercício. Nesses momentos, mesmo encerrando antes, o lançador, provavelmente, teria pagado mais do que recebeu, pois as ações subiram.
Sendo assim, não vejo como o encerramento prévio possa modificar significativamente o que achei no estudo.
Relembro que fiz o teste mesmo para lançamentos 20% fora do preço, em que o lançador foi exercido apenas uma vez e, mesmo nesse caso teria sido muito difícil bater o buy and hold.
Teria sido necessário vender a opção com 0,11% de ganho líquido (0,13% nominal), enquanto que na prática só se consiga 0,2% a 0,4%.
[]
Portinho

Caro Porto,

Achei muito válido e interessante este seu estudo sobre financiamento coberto. Porém, para que pudessemos comparar este resultado com as demais opções de inventimento em Renda Fixa, gostaria de saber se você já possui algum artigo ou poderia nos escrever algo sobre outras possibilidade deste tipo de investimento.

Obrigado e mais uma vez, parabéns pelo ótimo trabalho

Oi Mauro,
As partes anteriores de 1 a 7 comparam com a renda fixa.
O que deve ficar claro que é estou comparando o financiamento com a renda fixa do ponto de vista patrimonial. É possível ganhar 200%, 300% do CDI, mas isso reduzirá o patrimônio no longo prazo.
Uma coisa é remunerar a carteira, sem se preocupar com a perda patrimonial, outra é crescer seu patrimônio.
Dê uma olhada na parte em que uso o CDI como parâmetro da renda fixa.
Abraço e grato pela visita.

Caro portinho, conheci seu blog hoje e já fiquei decepcionado. Se você observar as suas estimativas, elas estão pra lá de erradas. Observei nas planilhas que as estimativas de ganho que você colocou para cada operação de venda coberta, estão pra lá de equivocadas. Na planilha da VALE, fui atras dos valores das opções a partir de janeiro de 2008, enquanto suas estimativas apontavam um ganho de 0,70% a realidade dava um ganho de 1.32%, bem acima dos seus valores.
Sugiro que você utilize os valores de fechamento das opções no dia em que você monta a operação. O financiamento é uma forma viável de rentabilizar a carteira, e ganha muito facilmente da renda fixa. Estou a 1 ano operando dessa forma na BVMF e posso te garantir que tenho tido uma rentabilidade de mais de 20% ao ano, gostaria de saber qual aplicação de renda fixa retorna isso?
Agora é bom alertar os leitores que tem gente prometendo rentabilidades de 50% ao ano, e isso é uma mentira.

Caro Adonay, infelizmente não é um método adequado utilizar os valores de fechamento. Isso porque o derivativo está atrelado ao preço do ativo e no final do pregão os leilões trazem imprecisões que podem ser gigantescas para uma opção. Se num leilão o valor da ação cai R$ 0,50 e a opção se mantém, já há uma severa distorção aí. E isso ocorre muito, pois no leilão você perde o poder de escolher o valor “justo”, “matemático” da opção.
O mais indicado seria utilizarmos métodos numéricos computacionais para calcular as médias e os desvios padrões dos retornos a cada instante, no último dia antes do exercício.
De qualquer forma acredito que minha metodologia de trabalhar somente com a expectativa de rentabilidade líquida se aproxima bastante desse método computacional mais apurado.
Quanto à imprecisão das premissas, se fizer uma investigação mais profunda da planilha verá que a premissa pode ser modificada. Não é necessário ficar com 0,7% é possível testar outros valores. Mesmo com o valor de 1,32% ao mês, o financiamento teria sido pior do que o buy-and-hold. Aliás, seria necessário 2,15% ao mês, líquidos de impostos e taxas, em todos os meses, para empatar com o buy-and-hold como estratégia de evolução patrimonial.
É importante ficar claro também que a estratégia de financiamento não tem por objetivo a evolução patrimonial e sim a remuneração de carteira.
Aliás, isso ficou bem evidente no estudo, pois teria sido possível conseguir 400% do CDI lançando “no dinheiro”, apesar do desastre patrimonial em 6 anos.
Posso estar errado tanto nas premissas quanto na metodologia, e ficaria grato se alguém pudesse me mostrar o erro, mas até o presente tenho a convicção de que o financiamento de opções em VALE e PETR nos últimos 6 anos trouxe uma evolução patrimonial menor do que a estratégia de buy-and-hold. Apesar de ter gerado um caixa elevado mês-a-mês.
Veja que não significa necessariamente perda de dinheiro, só uma evolução menor.
Se eu estivesse na fase de remunerar o patrimônio, talvez lançasse opções com strike longo, mas para quem está na fase de acumulação de patrimônio, ao menos na minha modesta opinião, o lançamento não me parece uma boa estratégia.

Portinho,

Os resultados apresentados podem ser imediatamente modificados com a colocação em prática de 1 coisa … rolagem.

No caso da VALE apenas os meses de out/07, nov/07 e dez/07 foram particularmente problemáticos.

Seu estudo está incompleto nesse sentido, pois não considera uma operação que é absolutamente normal para quem faz lançamento coberto.

Não analisa se as rolagens seriam ou não possíveis em virtude da liquidez caso o lançamento ficasse deep ITM.

Isso faz toda a diferença …

Sem contar que não entra no mérito do estudo de Valores Extrínsicos e Valores Intrísicos e se o lançador considera isso ou não em seus lançamentos … ou se o lançador alia algum estudo gráfico para balizar seus lançamentos … ou seja não entra no mérito do momento ideal para se lançar.

Enfim, a inúmeras variáveis que não foram consideradas. Este estudo, da forma como foi apresentado, está longe de ser conclusivo.

Caro Marcus,
O estudo é só uma modelagem teórica sobre o lançamento coberto, com base em rentabilidades hipotéticas para as operações.
Não é possível fazer um estudo prático sobre o tema, pois, como disse, os prêmios oscilam incrivelmente durante o dia e, segundo black-scholes, de acordo com o preço da ação. A escolha dos dados seria impossível. Teria que trabalhar com frações de segundo e fazer um média ao longo do dia. Impraticável, ao menos para os meus recursos.
Outro ponto que esclareci é que o talento do operador não foi considerado, pois é outra variável subjetivo, incapaz de ser testada.
Para mim, entretanto, os resultados são suficientes para mostrar que, em condições normais, FOI muito difícil ganhar do buy-and-hold nos últimos 6 anos. Grifei FOI porque o futuro pode trazer outro perfil de volatilidade e trazer ganhos ao financiador.
Com relação à rolagem, do ponto de vista matemático, não faz muita diferença.
É difícil ver isso a “olho nu”, vou tentar, assim que conseguir um tempo, explicitar essa indiferença em forma de planilha.
De qualquer forma, é evidente que operadores experientes tendem a encontrar caminhos mais lucrativos, a se aproveitar de distorções nos preços e a usar gráficos para compras ou vendas menos arriscadas.
Mas agora, com o uso crescente de robôs, a possibilidade de ganhos extraordinários fica cada vez menor. Isso porque robôs não erram trivialidades matemáticas, como operadores humanos costumam fazer.
Não é minha intenção afirmar que é impossível ganhar mais do que no buy-and-hold, a maior prova de que é possível são os resultados de alguns fundos históricos como do Soros e do Buffett, que bateram amplamente o mercado em décadas.
Sempre é possível e, acredito sinceramente, o investidor experiente e talentoso tende a criar métodos próprios que podem bater os ganhos triviais das operações de bolsa.
O problema é que, assim como em qualquer outra área do conhecimento ou das artes, o talento é reservado a um pequeníssimo grupo de seres humanos.
Costumo falar sempre para a média dos investidores.

Portinho,

Tenho um estudo com relação a lançamento coberto e B&H que gostaria de compartilhar contigo.

Para qual email posso mandar ?

P.S.

1)Parabéns pelo conteúdo do blog.

2)Sou adepto do Buy and Hold … mas remunero a carteira.

Oi Marcus, pode enviar para home@portinho.com. Abraço e obrigado pelo estudo.


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  • Disclaimer

    Este blog é um ambiente privado para expor opiniões, estudos, reflexões e comentários sobre assuntos ligados a finanças, bolsa de valores, economia, política, música, humor e outros temas.

    Seus objetivos são educacionais ou recreativos, não configurando sob nenhuma hipótese recomendação de investimento.

    O investidor consciente deve tomar decisões com base em suas próprias crenças e premissas. Tudo que lê ou ouve pode ser levado em consideração, mas a decisão de investimento é sempre pessoal. Tanto na escolha de ações para carteira própria, quanto na escolha de gestores profissionais para terceirização da gestão.

    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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