Parte 6: Financiamento de carteira com Strikes Longos

Posted on 08/04/2011. Filed under: Finanças |

Antes de ler esse post, é recomendável a leitura das outras 5 partes. Pelo menos a leitura da Parte 5, pois algumas premissas utilizadas nesse novo estudo são explicadas por lá.

Os resultados

Para quem quiser acompanhar com a planilha, pode baixar clicando AQUI.

Strike 6% mais alto do que o valor de mercado

Ao lançar uma opção com strike 6% mais alto, é razoável esperar entre 0,5% e 0,7% de rentabilidade líquida por mês (sem exercício).

No estudo feito com base em 6 anos de operações com a VALE5, o patamar de 6% de diferença trouxe os seguintes resultados:

  • O investidor foi exercido em 25 meses
  • O investidor não foi exercido em 46 meses
  • Para garantir o mesmo ganho patrimonial do buy-and-hold, teria sido necessária uma rentabilidade líquida de 2,15% ao mês com o financiamento.
  • Para garantir o mesmo ganho patrimonial da renda fixa, teria sido necessária uma rentabilidade líquida de 1,42% ao mês com o financiamento.

Strike 8% mais alto do que o valor de mercado

Ao lançar uma opção com strike 8% mais alto, é razoável esperar entre 0,3% e 0,5% de rentabilidade líquida por mês (sem exercício).

No estudo feito com base em 6 anos de operações com a VALE5, o patamar de 8% de diferença trouxe os seguintes resultados:

  • O investidor foi exercido em 23 meses
  • O investidor não foi exercido em 48 meses
  • Para garantir o mesmo ganho patrimonial do buy-and-hold, teria sido necessária uma rentabilidade líquida de 1,52% ao mês com o financiamento.
  • Para garantir o mesmo ganho patrimonial da renda fixa, teria sido necessária uma rentabilidade líquida de 0,78% ao mês com o financiamento.

Strike 10% mais alto do que o valor de mercado

Ao lançar uma opção com strike 10% mais alto, é razoável esperar entre 0,2% e 0,3% de rentabilidade líquida por mês (sem exercício).

No estudo feito com base em 6 anos de operações com a VALE5, o patamar de 10% de diferença trouxe os seguintes resultados:

  • O investidor foi exercido em 19 meses
  • O investidor não foi exercido em 52 meses
  • Para garantir o mesmo ganho patrimonial do buy-and-hold, teria sido necessária uma rentabilidade líquida de 0,98% ao mês com o financiamento.
  • Para garantir o mesmo ganho patrimonial da renda fixa, teria sido necessária uma rentabilidade líquida de 0,25% ao mês com o financiamento. Exatamente o que se consegue na prática.

Strike 12% mais alto do que o valor de mercado

Ao lançar uma opção com strike 12% mais alto, é razoável esperar entre 0,15% e 0,25% de rentabilidade líquida por mês (sem exercício).

No estudo feito com base em 6 anos de operações com a VALE5, o patamar de 12% de diferença trouxe os seguintes resultados:

  • O investidor foi exercido em 13 meses
  • O investidor não foi exercido em 58 meses
  • Para garantir o mesmo ganho patrimonial do buy-and-hold, teria sido necessária uma rentabilidade líquida de 0,57% ao mês com o financiamento.
  • Ele já estaria obtendo ganho patrimonial superior ao verificado na renda fixa.

Strike 15% mais alto do que o valor de mercado

Ao lançar uma opção com strike 15% mais alto, é razoável esperar entre 0,05% e 0,1% de rentabilidade líquida por mês (sem exercício).

No estudo feito com base em 6 anos de operações com a VALE5, o patamar de 15% de diferença trouxe os seguintes resultados:

  • O investidor foi exercido em 7 meses
  • O investidor não foi exercido em 64 meses
  • Para garantir o mesmo ganho patrimonial do buy-and-hold, teria sido necessária uma rentabilidade líquida de 0,20% ao mês com o financiamento.
  • Ele já estaria obtendo ganho patrimonial superior ao verificado na renda fixa.

Strike 20% mais alto do que o valor de mercado

Ao lançar uma opção com strike 20% mais alto, é razoável esperar entre 0,01% e 0,03% de rentabilidade líquida por mês (sem exercício).

No estudo feito com base em 6 anos de operações com a VALE5, o patamar de 20% de diferença trouxe os seguintes resultados:

  • O investidor só foi exercido em 1 mês, em setembro de 2007
  • O investidor não foi exercido em 70 meses
  • Para garantir o mesmo ganho patrimonial do buy-and-hold, teria sido necessária uma rentabilidade líquida de 0,09% ao mês com o financiamento.
  • Ele já estaria obtendo ganho patrimonial superior ao verificado na renda fixa.

Conclusões

Fica evidente a percepção dos comentaristas do blog de que, quanto menos exercido for o sujeito, menor será sua perda patrimonial.

O estudo, porém, mostrou que o financiamento de opções pode ser uma estratégia válida para elevar o yield, mas não foi eficiente, ao menos nos últimos 6 anos, para evolução patrimonial (em comparação com o buy-and-hold).

Mesmo para lançamentos absurdos (15% ou 20% fora do preço), a rentabilidade exigida para “bater” o buy-and-hold ficaria bem superior à obtida na prática.

O que faz todo sentido, pois o mercado também age racionalmente ao dar preço aos derivativos. Muito raramente alguém oferecerá, por exemplo, 0,5% de ganho para um strike com vencimento em 30 dias, 15% acima do preço de mercado.

Não há almoço de graça.

Agora, com relação à renda fixa ficou evidente que strikes superiores a 10% protegeram o patrimônio do indivíduo, e ainda lhe deram remuneração mensal. Baixa, mas sem perda patrimonial (em relação ao investimento em renda fixa).

Por fim, quero relembrar. Esse estudo diz respeito à evolução patrimonial do investidor, que, ao menos no passado, ficou prejudicada pelo uso do financiamento. Não significa que perdeu dinheiro, mas que ganhou menos do que quem deixou as ações na carteira.

As estratégias para gerar yield, liquidez, são derivadas de objetivos diferentes e não são, de forma alguma, refutadas pelo estudo.

Cada objetivo tem sua estratégia própria.

Mas falo, principalmente aos que têm pouca experiência e àqueles que ainda estão na luta por construir um patrimônio confortável.

As evidências, com base nos dados dos últimos 6 anos, não corroboram o uso de financiamento de opções para evolução patrimonial.

Para finalizar, quero reiterar que não me julgo dono da verdade e ficaria genuinamente feliz de receber um estudo que refutasse minhas conclusões.

Se alguém fizer algo no gênero, estudo e publico com toda a divulgação que merece. Queremos todos aprender!

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3 Respostas to “Parte 6: Financiamento de carteira com Strikes Longos”

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[…] “longos” Parte 5: Opções – Financiamento de Carteira com Strikes Longos – A pedidos! Parte 6: Financiamento de carteira com Strikes Longos Parte 7: Financiamento de carteira com Strikes Longos Comparativo: Rolagem ou Exercício de […]

Prezado Portinho,

Muito interessante seu estudo – até porque eu acabei de escrever um artigo sobre o tema no meu blog, “O pequeno investidor”. Posso republicar seus textos lá – evidentemente, mencionando a fonte?

Oi Fábio,
Cara, parabéns pelo artigo. Muito didático.
É claro que pode republicar os estudos, mencionando a fonte.
Eu acabo de publicar uma atualização deles, com comentários sobre um outro estudo que, em tese, favoreceria o lançamento coberto.
É interessante, pois permitiu que eu trouxesse uma outra dimensão ao debate.
Abraço,
Portinho


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  • Disclaimer

    Este blog é um ambiente privado para expor opiniões, estudos, reflexões e comentários sobre assuntos ligados a finanças, bolsa de valores, economia, política, música, humor e outros temas.

    Seus objetivos são educacionais ou recreativos, não configurando sob nenhuma hipótese recomendação de investimento.

    O investidor consciente deve tomar decisões com base em suas próprias crenças e premissas. Tudo que lê ou ouve pode ser levado em consideração, mas a decisão de investimento é sempre pessoal. Tanto na escolha de ações para carteira própria, quanto na escolha de gestores profissionais para terceirização da gestão.

    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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