Parte 3: Opções – Lançamento Coberto para Financiamento de Carteira, um estudo ASSUSTADOR!

Posted on 07/04/2011. Filed under: Finanças |

Habeas Corpus Científico Preventivo!

Investimento acaba sempre envolvendo muitas paixões. Há gente que lamenta que as ações da Ecodiesel não venahm em cautelas físicas, pois assim poderiam dormir com elas (rsrsrs)…

Dessa forma parodio Elton John: “Don´t shoot me. I´m only the piano player“.

Fiz uma investigação complexa APENAS por interesse científico e educacional. Não gosto de falar do que não investiguei a fundo e muitas pessoas me perguntam sobre o financiamento de opções.

Os resultados a seguir são francamente desfavoráveis à estratégia. Isso pode chatear quem a utiliza e julga estar ganhando muito dinheiro.

É possível que esteja. O Método de teste que propus não leva em conta o talento ou o feeling do investidor. É apenas matemática aplicada a um padrão QUANTIFICÁVEL de comportamento.

No hard feelings, please!

A metodologia

O que sempre me impediu de fazer esse estudo foi a dificuldade para identificar os prêmios reais das opções nos dias de lançamento coberto e também de verificar os ganhos com exercício (ou não) a cada mês.

Isso seria, praticamente, impossível dada a volatilidade das opções. Mas essa dificuldade foi contornada com algumas premissas simples:

  • O preço de lançamento será considerado como sendo o preço de fechamento da última sexta-feira antes do vencimento das opções.
  • Em vez de calcular mês-a-mês os ganhos percentuais REAIS (o que seria quase impossível, pois varia segundo a segundo), estima-se um ganho percentual mensal.
  • Assume-se que haverá exercício TODA VEZ que a ação, no mês seguinte, estiver cotada a um valor SUPERIOR ao de lançamento. É como se o strike fosse considerado como sendo o preço de lançamento.
  • Não haverá exercício se a ação, no mês seguinte, estiver cotada a valores INFERIORES aos de lançamento.
  • Todo ganho será reinvestido na compra de mais ações, ou na reposição da carteira, no caso de exercício.
  • Opta-se por utilizar sempre o fechamento da última sexta-feira antes do vencimento das opções como preço base para recompra de ações e relançamento de opções. Isso porque o exercício pode ocorrer a qualquer hora do dia de vencimento, sendo único para cada investidor.
  • Essas estratégias simples transformam um problema quase intratável numa complexa, mas factível, planilha de excel. Será disponibilizada para download mais adiante.

Veja o exemplo a seguir (para 20.000 ações VALE5 em 2005):

No dia 18/02/2005 o financiador é exercido, dessa forma ele vai pegar o patrimônio que obteve no exercício (considerando, por conveniência metodológica, que o strike é o preço de lançamento), mais o ganho com a venda da opção e recomprar ações.

  • R$ 1.340.000 + R$ 40.200 = R$ 1.380.200
  • Vai recomprar ações a R$ 68,00 (fechamento de 18/02/2005)
  • Reiniciará o financiamento com um total de 20.297 ações

No dia 18/03/2005 o financiador é novamente exercido. Ele venderá as ações a R$ 68,00 (strike = preço de lançamento) e embolsará os R$ 41.406 das opções vendidas. Recomprará ações a R$ 74,90.

  • R$ 1.380.200 + R$ 41.406 = R$ 1.421.606
  • Vai recomprar ações a R$ 74,90 (fechamento de 18/03/2005)
  • Reiniciará o financiamento com um total de 18.980 ações
  • Perceba que ele tem menos ações, mas um patrimônio financeiro maior.

No dia 15/04/2005 ele não é exercido, portanto manterá as 18.980 ações que tinha e comprará mais algumas com os R$ 42.648 que ganhou lançando opções no mês anterior.

  • 18.980 ações + 42.648 divididos por R$ 60,35 = 19.687 ações.

Comparando com a renda fixa

Em 2005 o CDI estava muito mais elevado do que em 2011, mas, mesmo assim, as taxas de financiamento ofereceram um ganho bem maior.

  • CDI Fevereiro – 1,22% – Ganho bruto: R$ 16.348 – Ganho bruto com financiamento: R$ 41.406.
  • CDI Março – 1,52% – Ganho bruto: R$ 20.616 – Ganho bruto com financiamento: R$ 42.648.

Estratégia tentadora!

Não há qualquer dúvida dos motivos que levam tantas pessoas a tentar esse estratégia, e até a permanecer nela.

Os argumentos são muito fortes e convincentes. Qualquer um que fizer as contas verá que obter 200% do CDI com financiamento de opções não requer sorte nem perícia.

Pois é, mas o teste da metodologia entre 2005 e 2010 (6 anos) mostrou de forma eloqüente que, para ganhar consistentemente EM TERMOS PATRIMONIAIS, o investidor teria que obter rentabilidades líquidas praticamente impossíveis, a longo prazo.

Há anos em que, para bater o CDI e a estratégia buy-and-hold seria necessário, pasmem, rentabilidades líquidas de até 10% ao mês.

Bom, sem mais suspense, os resultados serão apresentados na Parte 4 desse série.

Segue na Parte 4…

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8 Respostas to “Parte 3: Opções – Lançamento Coberto para Financiamento de Carteira, um estudo ASSUSTADOR!”

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Depois de ler todos os post´s sobre este seu estudo fiquei intrigado e contra os resultados. Vi que o problema foi o método pois ao comprar uma ação por, digamos, 20,00 e vender uma opção ITM por, digamos, 3,00 reduzimos o nosso custo para 17,00 e só há duas regras para encerrarmos esta operação: A) sendo exercido ou quando o excel + DDE mostrar que uma possível alta da ação garantirá naquele instante uma rentabilidade aceitável. Ou seja, não é necessário esperar o dia do vencimento. B) Num stop caso a ação caia a, digamos, 17,50, neste caso desmontamos a operação no lucro (pequeno é claro).

Isso falando em rentabilizar dinheiro e não carteira.

Caro Sirius, eu já enfrentei algumas dezenas de críticas a respeito dos estudos, há relatos nos comentários.
É claro que não consigo testar estratégias não parametrizadas, em que o “feeling” ou a “tendência” vão indicar o que o investidor deveria fazer. Isso não é parametrizável, portanto não se pode testar. E, ainda, vai depender do talento (ou sorte) do trader, o que também não pode ser testado a priori, apenas explicado a posteriori.
Os resultados dos estudos, em meu entendimento, foram bem eloquentes e continuam válidos, são eles:
– As ações adequadas para lançamento coberto NÃO são as adequadas para acumular patrimônio, pois quanto melhor o desempenho destas, pior seria o resultado do lançamento coberto.
– Lançamento coberto tem objetivos próprios, mas se aplicado em empresas de crescimento, no longo prazo, tende a formar um patrimônio significativamente menor.
Em resumo, não é razoável usar LC para dar um boost na formação de patrimônio, o ideal é buscar posicionar seu dinheiro de longo prazo em ações de crescimento e, caso não performem (nos fundamentos), cogitar sua troca por outras.
Isso aliado ao balanceamento de carteira e diversificação são atitudes simples, mas amplamente testadas para formar patrimônio.
Isso não desabona o uso de lançamento coberto, mas é uma operação com caráter de financiamento de carteira, não pode ser considerado um “plus” no buy and hold.
Sugiro a leitura dos comentários dos leitores, há excelentes argumentações.

[…] Parte 2: Opções – Lançamento Coberto para Financiamento de Carteira, um estudo ASSUSTADOR! Parte 3: Opções – Lançamento Coberto para Financiamento de Carteira, um estudo ASSUSTADOR! Parte 4: Opções – Lançamento Coberto para Financiamento de Carteira, um estudo ASSUSTADOR! […]

[…] renda fixa obteve pouco mais de 10% ao ano. Indico a leitura do artigo, dividido em 4 partes: 1, 2, 3 e […]

Olá, Paulo, recebi a indicação do seu blog de um amigo. Gostaria de fazer alguns comentários.

Possuo uma extensa carteira de ações de longuissímo prazo (e sou muito apegado as minhas ações !!!)faço financiamento de ações há mais de três anos e tenho como objetivo rentabilizar adicionalmente a minha carteira. Não tenho como objetivo bater o cdi.

Eu lanço mensalmente as minhas opções fora do dinheiro (“out of money”), a rentabilidade é bem inferior ao cdi, mas o meu risco de ser exercido é bem menor. E a cada lançamento de opções reduzo o custo da minha carteira, no longo prazo faz uma grande diferença positiva, sem contar que o dinheiro está na conta corrente no dia seguinte da operação. Não compro novas ações com esse recurso. A único fator chato é ter que recolher 15% de ir.

Na hipotése de correr o risco de ser exercido, eu troco a atual opção pela do mês seguinte no “strike” mais alto.

Recomendo a operação, não sem antes entender muito bem o que é uma opção.

abs, Antonio Corrêa.

Oi Antônio,
Agradeço a visita.
Eu não testei o caso de lançar uma opção fora do preço. Mas é uma boa sugestão.
Ocorre que o financiamento de opções conforme difundido no mercado busca remuneração MESMO, sem apego às ações. E isso, ao menos no estudo que fiz, foi algo potencialmente destruidor de patrimônio.
Normalmente o financiador costuma dizer que consegue 300%, 400% do CDI. E isso só é possível lançando próximo ao strike e para um mês.
Vou tentar ajustar o estudo para ver se lançar com strike, por hipótese, 6% ou 8% acima do preço atual eleva o ganho no longo prazo.
Pelo que vi nos 71 meses de estudo, houve 24 com altas superiores a 6%, 22 com altas superiores a 8% e 18 com altas superiores a 10%.
São meses com potencial de exercício. Talvez no caso da Petr tenha menos meses com potencial de exercício. Preciso ver.
Obrigado pela sugestão!
Paulo Portinho

Paulo, se no seu estudo você deduzir o ir e as corretagens a “destruição de patrimônio” será inacreditável. Por isso evito a todo custo ser exercido. Principalmente no meu caso que as ações foram compradas a muito tempo o ir seria proibitivo. Nesse sentido entendo que o resultado da operação de financiamento é um pequeno dividendo adicional.

Outro recurso que utilizo para rentabilizar adicionalmente a minha carteira de buy and hold é alugar as ações. As taxas são pequenas, entre 0,5% e 4% ao ano, mas serve para pagar a pizza do fim de semana !

Abraços e parabnens pelo trabalho.

Oi Antonio,
Agradeço a visita e as palavras de apoio.
Muita gente comentou o post indicando que lançam opções a strikes bem altos e, caso estejam com perigo de exercício, compram opções perto do vencimento para evitar vender as ações.
Isso é uma estratégia diferente da que tratei. Financiamento é vender próximo ao preço e não se importar com o exercício. Trabalhar o dinheiro.
Lançar com strikes 6%, 8% acima do preço atual é, como você disse, buscar um pequeno dividendo extra. Algo como 0,2% a 0,3% ao mês.
Vou tentar adaptar as planilhas para avaliar essa situação.
Não tenho certeza de que seria “loss-free” porque, na VALE houve 18 períodos onde a ação subiu mais de 10% no mês.
Se fizermos 20 lançamentos a 0,3%, perderemos tudo o que ganhamos na primeira alta de 12%, pois teremos que colocar dinheiro novo para garantir o não exercício.
Mas não posso afirmar. Preciso criar um modelo e testar. Talvez o lançamento coberto com strike “longo” seja “loss-free”, mas preciso testar.
Prometo tentar…
Abraço e, mais uma vez, obrigado pelas palavras generosas.
Paulo Portinho


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  • Disclaimer

    Este blog é um ambiente privado para expor opiniões, estudos, reflexões e comentários sobre assuntos ligados a finanças, bolsa de valores, economia, política, música, humor e outros temas.

    Seus objetivos são educacionais ou recreativos, não configurando sob nenhuma hipótese recomendação de investimento.

    O investidor consciente deve tomar decisões com base em suas próprias crenças e premissas. Tudo que lê ou ouve pode ser levado em consideração, mas a decisão de investimento é sempre pessoal. Tanto na escolha de ações para carteira própria, quanto na escolha de gestores profissionais para terceirização da gestão.

    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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