Parte 2: Opções – Lançamento Coberto para Financiamento de Carteira, um estudo ASSUSTADOR!

Posted on 07/04/2011. Filed under: Finanças |

Financiamento de carteira com opções

É uma estratégia que, basicamente, utiliza uma grande carteira de VALE5 ou PETR4 para lançamento coberto de opções, com objetivo de extrair uma rentabilidade mensal, em dinheiro, desse patrimônio. Essa rentabilidade costuma ser bem superior à obtida com a renda fixa.

E, realmente, as rentabilidades têm se situado entre 200% e 400% do CDI em situações normais (sem desconto de IR).

A estratégia consiste em vender uma opção de compra, que dará direito (mas não a obrigação) ao comprador desta opção de comprar essa ação por um preço específico (strike ou preço de exercício) num vencimento contratado.

A regra mais aceita para o financiamento é que o vendedor deve buscar lançar opções com strike próximo ao preço de mercado e em vencimentos também próximos, isso para evitar volatilidades excessivas derivadas do tempo.

Um exemplo prático

Pense num sujeito que estudou bastante sobre financiamento de carteira, foi a várias palestras e se consultou com especialistas.

Após ser convencido, decidiu pegar uma parte de seus investimentos em renda fixa para comprar 10.000 ações PN da VALE (VALE5), e buscar rentabilidades superiores, com base no lançamento coberto de opções.

Em 18/03/2011 ele comprou as 10.000 ações VALE5 pelo preço de fechamento, R$ 46,83, totalizando R$ 468.300 de patrimônio “a rentabilizar” (estou desconsiderando os custos e o IR, por ora).

No mesmo dia ele vai lançar opções cobertas. As opções são as seguintes:

  • VALED48 – Strike: R$ 47,73 – Vencimento: 18/04/2011 (31 dias) – Preço de fechamento (prêmio): R$ 0,97
  • VALED46 – Strike: R$ 46,00 – Vencimento: 18/04/2011 (31 dias) – Preço de fechamento (prêmio): R$ 1,95

Observe que estou trabalhando com as cotações de fechamento para a ação e para as opções. Como as opções oscilam muito mais do que as ações, em termos percentuais, é importante pegar as cotações em MOMENTOS equivalentes. Isso porque as opções se movimentam COM BASE no movimento das ações. São derivativos.

Quando uma ação se movimenta R$ 1,00 no dia, isso significa uma amplitude de oscilação de 2% de seu valor. R$ 0,50 para uma opção pode significar uma amplitude de oscilação de 50%, 100% de seu valor.

Obs: Essa exigência, de comparar o prêmio da opção com o valor da ação NO MESMO MOMENTO, é um dos obstáculos quase instransponíveis para fazer uma verificação com dados reais, sem aproximações. Os bancos de dados disponíveis costumam dar apenas cotações de abertura, fechamento, máxima, mínima e média. Poderia optar por comparar o prêmio e a cotação em cada um desses momentos (exceto na média), optei pelo fechamento.

Ganhos lançando VALED48

Sem exercício

Se não houver exercício, significa que as ações estarão mais baratas do que os R$ 47,73 a que o comprador tem direito. Dessa forma, o financiador ganhará todo o prêmio da opção, R$ 0,97, configurando um ganho de 2,00% ao mês, bem superior aos 0,842% do CDI.

Com exercício

Ao contrário do que poderiam imaginar os leitores, ao ser exercido o ganho do financiador, no caso de strikes superiores ao valor de mercado no lançamento, é ainda maior.

Ele venderá as ações por R$ 47,73, R$ 0,90 a mais do que o preço inicial de lançamento (e de compra). Adicionando a esse ganho o valor do prêmio de R$ 0,97, o retorno total será de R$ 1,87, correspondendo a 3,86% ou 458% do CDI.

Ganhos lançando VALED46

Sem exercício

Se não houver exercício, significa que as ações estarão mais baratas do que os R$ 46,00 a que o comprador tem direito. Dessa forma, o financiador ganhará todo o prêmio da opção, R$ 1,95, configurando um ganho de 4,03% ao mês, ou 478% do CDI.

Com exercício

Como nesse caso o financiador lançou opções com strike MENOR do que o preço da ação no lançamento, quando há o exercício a rentabilidade é menor do que quando não há.

Ele venderá as ações por R$ 46,00, R$ 0,83 a menos do que o preço inicial. Seu ganho será dado pelo valor recebido pelo prêmio (R$ 1,95) MENOS os R$ 0,83 de perda na cotação, totalizando R$ 1,12. Mesmo assim a rentabilidade atingiu 2,31%, 275% do CDI.

Foco no dinheiro, não nas ações

O Financiador tem que entender que está trabalhando para rentabilizar um patrimônio financeiro. Se não for exercido pode, por exemplo, pegar os 3% ou 4% que ganhou para comprar mais ações.

Se for exercido deve pegar seu montante (que é maior do que o que tinha) e comprar tudo novamente, recompondo a carteira e reiniciando o processo de financiamento.

É muito provável que, no caso de ser exercido, o investidor fique com mais dinheiro do que no mês anterior, mas, ao recompor a carteira, compre MENOS ações.

Para quem tem apego às ações o financiamento é desaconselhável, pois vai trazer tensões indesejáveis e torcida para que NÃO HAJA o exercício. E como já ficou demonstrado, às vezes o ganho percentual é maior quando há o exercício.

Parece infalível…

Honestamente eu sempre achei que essa estratégia fosse claramente vencedora. Mesmo que perdesse para o buy-and-hold no longo prazo, compensaria nos elevados ganhos mensais em dinheiro. Jamais imaginei que pudesse perder do CDI, dado que tem sido possível obter entre 200% e 500% do CDI a cada mês.

Tenho certeza de que a maioria dos profissionais de bolsa que oferecem essa estratégia a seus clientes o faz na maior boa-fé. Parece mesmo infalível. Não há por que duvidar da lógica cristalina do financiamento.

A carência de estudos técnicos e sérios sobre o mercado brasileiro (esse escriba é um dos poucos que se aventuram) faz com que as estratégias não sejam submetidas a testes para verificar sua eficácia.

E testar essa estratégia é mesmo muito complicado. Mas é possível, e os resultados foram, em minha opinião, surpreendentes.

Segue na parte 3…

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    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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