Investidor Estrangeiro Continua Sendo o Grupo Mais Influente na Direção do Índice Bovespa

Posted on 01/02/2011. Filed under: Finanças |

Estudo mostra o impacto do Investidor Estrangeiro da direção do Índice Bovespa

Em 2008 e 2009 o INI publicou em seu informativo um artigo com metodologia inovadora para calcular o impacto das compras e vendas dos diferentes grupos de investidores no índice Bovespa.

O primeiro estudo foi realizado para o período de janeiro de 2005 a junho de 2008, e o segundo para o período de janeiro 2005 a dezembro de 2008.

Em ambos os casos o investidor estrangeiro respondia diretamente pela direção do movimento do Ibovespa (alta/baixa) com uma correlação superior a 70%.

Pós-crise

O período pós-crise e a elevação da participação de outros grupos nos movimentos de compra e venda na bolsa, trouxeram a impressão de que o impacto do investidor estrangeiro estaria sendo reduzido, porém a atualização do estudo, num período que vai de janeiro de 2005 a dezembro de 2010 (72 meses), mostra justamente o contrário.

Resultados

Para acessar o artigo completo e ter acesso aos detalhes da metodologia, clique AQUI.

O resumo dos resultados segue abaixo:

Resultado 1:

Quantas vezes o movimento de alta e de baixa da bolsa e o movimento que indica venda ou compra de cada grupo, moveram-se na mesma direção?

No período de 72 meses, a Bovespa apresentou 44 movimentos de alta contra 28 movimentos de baixa.

Percebe-se que a bolsa se moveu na MESMA direção dos movimentos de venda e de compra do investidor estrangeiro em 53 dos 72 meses (74% dos períodos).

Já com relação aos movimentos do investidor individual, essa coincidência de direção (compra e venda) só ocorreu em 13 dos 72 meses (18%).

Esse primeiro resultado indica que há um forte indício de que a movimento dos investidores estrangeiros está fortemente correlacionado com o movimento da bolsa. O próximo resultado clarifica esse ponto.

Resultado 2:

Qual a correlação entre os movimentos de compra e venda e a direção do índice Ibovespa?

Uma correlação superior a 60% já pode ser considerada forte. No caso, há dois grupos com correlações relevantes:

  1. Investidores individuais. Vemos que os movimentos de compra e venda do investidor individual estão na contramão do índice, com 75% de correlação negativa. Em outras palavras, quando o índice sobe o investidor está vendendo mais ações do que comprando, e vice-versa, com 75% de correlação.
  2. Investidores estrangeiros. Vemos que os movimentos de compra e venda do investidor estrangeiro está na direção do índice, com 71% de correlação positiva. Em outras palavras, quando o índice sobe o investidor está comprando mais ações do que vendendo, e vice-versa, com 71% de correlação.

Conclusão

A conclusão é que o peso do investidor estrangeiro ainda é muito grande na movimentação do índice. Isso porque ele tem a posição ativa, ou seja, sua movimentação de compra ou de venda está na MESMA direção do índice.

Muitos devem estar pensando que os resultados já poderiam ser antecipados, por intuição. Bom, agora, além da intuição, há números para mostrar o que já estava no consciente coletivo, que o investidor estrangeiro representa muito do movimento do Ibovespa e que o Investidor Individual, mesmo tendo uma participação grande no movimento da bolsa, ainda não consegue segurar esse fluxo.

Uma dúvida poderia surgir. Como a correlação NEGATIVA do investidor individual é ainda maior do que a correlação POSITIVA do estrangeiro, alguns poderiam pensar que, na realidade, quem impacta o resultado da Bolsa é o investidor individual.

Mas esse pensamento não está correto, pois seria ilógico. Faz sentido que, por algum motivo forte, os estrangeiros vendam suas posições com rapidez e derrubem o índice, o que faria com que os investidores individuais aproveitassem as oportunidades e comprassem as ações que estão sendo vendidas a qualquer custo.

Agora, não faz sentido imaginar o contrário, que os investidores individuais resolva comprar fortemente e, por conta disso o índice caia !?!, fazendo com que os estrangeiros resolvam vender, justamente porque o índice está caindo.

É uma hipótese obtusa, sem qualquer lógica.

Enfim, a resposta é inequívoca:

Os movimentos dos investidores estrangeiros explicam, ao menos, 71% dos movimentos do índice Ibovespa.

No caso, a percepção de 10 entre 10 investidores está corretíssima.

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3 Respostas to “Investidor Estrangeiro Continua Sendo o Grupo Mais Influente na Direção do Índice Bovespa”

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Parabéns pelo estudo, twittei pra minha base. Abraço!!!

Excelente trabalho, se adicionar a evolução do contratos Futuros pelos estrangeiros, esta correlação tende a ficar melhor. Eles fizeram muito LONG/Short Comprando Bolsa e Vendendo Futuro para ganhar renda Fixa.

Oi Leonardo,
Boa proposta de pesquisa.
Abraço,
Portinho


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  • Disclaimer

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    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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