Deterioração das contas públicas – Queda de Marcopolo, Randon, Eztec etc.

Posted on 28/01/2011. Filed under: Finanças |

Nos últimos dias empresas que dependem da oferta de crédito da economia apresentaram quedas severas na bolsa.

Infelizmente a prevenção dos investidores tem bastante sentido.

Os setores de automóveis, bens de capital, construção etc. foram amplamente beneficiados por subsídios governamentais nos últimos anos.

Para evitar que a crise se alastrasse, o governo ampliou bastante a oferta de créditos subsidiado para vários setores.

A Randon já havia alertado isso em seu release. Compra-se caminhões e chassis de ônibus com juros de 4,5% ao ano. Havia farta oferta de crédito imobiliário com juros de até 4,5% ao ano. Num país que capta a 11,25% ao ano, isso é um subsídio e tanto!

A tsunami financeira mundial, por aqui, pareceu uma marolinha, justamente pelos subsídios e elevação dos gastos governamentais, mas agora vem cobrar seu preço.

Todos sabiam que a injeção de dinheiro por parte do governo iria deteriorar as contas públicas e gerar inflação, como, inclusive, ocorreu em muitas partes do mundo.

O governo tem um desafio grande pela frente pois não pode elevar demais os juros, nossa dívida pública BRUTA é estratosférica, a líquida é bem menor, porém é, em grande parte, falsa, pois não leva em conta o crédito subsidiado.

O governo pegava dinheiro a 10,25% ao ano e repassava ao BNDES, que emprestava a 4,5% ao ano. No fim das contas, a dívida líquida zerava, mas o serviço dos juros ficava disparatado.

Podemos sanar esse problema em alguns anos e retomar a trajetória de queda dos juros, mas será necessária muita competência.

O que fazer na bolsa?

Ao longo dos últimos anos escrevemos sobre várias estratégias: Comprar sempre e pouco, balancear a carteira, redução de estoque de IR etc.

Para quem tem estratégia, movimentos como esse soam mais como oportunidade do que como risco.

Para quem usa balanceamento, talvez atinja o ponto de ajuste. Para quem compra sempre, talvez as próximas compras sejam mais baratas.

Mas para quem não tem estratégia… não há o que fazer, pois os objetivos e as técnicas ainda não foram definidos.

A bolsa é o de menos

O que entristece não é a queda da bolsa, mas a evidência de que precisaremos de gestores públicos competentes para enfrentar um problema sério.

Entristece porque só o que se lê nos jornais, a respeito do governo, é política, nenhuma técnica.

O governo Dilma não poderá errar e nem empurrar com a barriga, pois a conjuntura internacional é bem diferente daquela enfrentada por Lula.

Se o fizer, voltaremos ao equilíbrio, como sempre, mas num cenário bem mais deteriorado. A carne já beira R$ 20,00 o quilo. Se chegar a R$ 40,00, significa, metaforicamente, que estaremos 50% menos ricos (ou mais pobres).

A inflação é a vingança mais cruel da economia. É com ela que a velha ciência da escassez nos alerta: você não é tão rico assim.

É continuar torcendo e cobrando.

Fazer como Guido Mantega fez no dia de hoje, dizendo que “um velhinho do FMI” criticou as contas públicas brasileiras, não é exatamente o que se entende por competência.

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3 Respostas to “Deterioração das contas públicas – Queda de Marcopolo, Randon, Eztec etc.”

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Portinho,
Segue resposta do Ri da Eztec sobre o FR relativo a alienação das ações. Achei bem interessante.
Agora não sei qual o impacto da alta da selic nas suas vendas. Como trata-se de um setor que está sendo subsidiado pelo governo, não acredito em grandes impactos.

Abraço,
____________________
Prezado,

Em abril de 2008, a EZTEC aprovou seu 1° programa de recompra de ações, no qual adquiriu 4.451.300 ações ao custo médio de R$3,72 por ação, das quais 2.562.412 ações foram canceladas, sem redução de capital social, mantendo em tesouraria 1.888.888 ações. Esse programa teve fim em setembro de 2008, segundo as diretrizes da Reunião do Conselho de Administração que, na mesma ocasião, aprovou um novo programa de recompra de ações.

Nesse 2° programa, a Companhia adquiriu mais 1.552.700 ações ao custo médio de R$2,35 por ação. Atualmente há 3.441.588 ações em tesouraria, considerando ambos os programas de recompra.

O objetivo desses programas de recompra era promover a aplicação de forma eficiente dos recursos disponíveis em caixa, visando a maximização do retorno aos acionistas. Analisando do ponto de vista financeiro, tal operação se mostrou acertada, já que a alienação ao preço atual de mercado traz um ganho de mais de 330% no período. Além disso, cabe ressaltar que esses recursos serão reaplicados em uma operação que gera, regularmente, margens brutas superiores a 40%, margens líquidas superiores a 30% e ROEs (Retorno sobre o Patrimônio) da ordem de 25% ao ano. Em respeito aos seus acionistas, a administração da EZTEC sempre deixou claro que a alienação das ações em tesouraria só ocorreria em preços superiores aos negociados no IPO.

Contudo, conforme destacado em nosso fato relevante, mais importante do que o ganho financeiro com a alienação das ações, está o fomento na liquidez das ações. Alguns fundos (tanto nacionais quanto estrangeiros) tem restrição quanto a investir em empresas com menor liquidez. Dessa forma, por mais que os gestores desses fundos gostem do caso de investimento da EZTEC (e queiram investir), o regulamento dos fundos não os permite comprar ações da EZTEC (até que a mesma atinja uma liquidez diária mínima estipulada por cada fundo). A nossa expectativa é que a alienação das ações em tesouraria gere um aumento de liquidez diária de cerca de R$500 mil (crescimento de quase 20% em relação aos R$2,7 milhões que a EZTEC negocia atualmente diariamente). Dessa forma, com um maior número de fundos podendo investir na EZTEC, naturalmente a demanda por ações aumenta, gerando valorização para a ação.

Do ponto de vista da redução nos dividendos no curto prazo, a análise fica mais fácil caso façamos um exemplo numérico. Vamos extrapolar que o lucro líquido de 2010 seja igual ao lucro dos 9M10 anualizado (R$181 milhões /3 *4), ou seja, R$241 milhões (isso não representa um guidance, apenas uma extrapolação para a demonstração dos impactos). Caso seja mantido o payout de 25%, serão distribuídos, a título de dividendos, R$60 milhões. Dessa forma:

Dividendo (s/ alienação): R$0,4210/ação;
Dividendo (c/alienação): R$0,4112/ação.

Dessa forma, a redução do dividendo por ação é inferior a R$0,01/ação, valor irrelevante frente aos benefícios que o aumento de liquidez pode gerar no preço da ação.

Por fim, cabe ressaltar que o grupo de controle (que detém 70,9% das ações da Companhia) está representado no Conselho de Administração, e a aprovação por unanimidade da operação demonstra a confiança desse grupo de que os benefícios no longo prazo superam, em muito, a redução nos dividendos de curto prazo.

Estamos à disposição para o esclarecimento de eventuais dúvidas.

Atenciosamente.

Área de Relações com Investidores
EZTEC S.A.
T. + 55 11 5056-8328
ri@eztec.com.br
http://www.eztec.com.br/ri

Oi Fabiano,

O medo dos investidores é justamente a falta de dinheiro do governo para manter esses subsídios.

A coisa tá meio deteriorada por lá. Cada aumentod e juros representa bilhões a menos para investir, pagar folha, dar subsídios, reduzir impostos.

Tia Dilma herdou uma verdadeira lambança…

[]
Portinho

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  • Disclaimer

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    Seus objetivos são educacionais ou recreativos, não configurando sob nenhuma hipótese recomendação de investimento.

    O investidor consciente deve tomar decisões com base em suas próprias crenças e premissas. Tudo que lê ou ouve pode ser levado em consideração, mas a decisão de investimento é sempre pessoal. Tanto na escolha de ações para carteira própria, quanto na escolha de gestores profissionais para terceirização da gestão.

    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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