MAD – Método dos Aportes Dobrados – Exceções

Posted on 07/01/2011. Filed under: Finanças |

Após a divulgação do artigo sobre o MAD (Método dos Aportes Dobrados), muitos amigos, gestores de fundos, agentes autônomos e investidores começaram a testar o método nas cotas históricas de seus fundos e/ou clubes.

Recebi duas planilhas mostrando que o MAD não funcionou nos fundos estudados. Não vou revelar os fundos, pois não é o objetivo desse post.

A ciência…

Aprendi com a Prof. Sylvia Vergara, no Mestrado de ADM, que não há nada mais valioso para o (verdadeiro) pesquisador do que encontrar divergências nos resultados dos estudos. Essa é a fonte da evolução científica.

Pois bem, antes de estudar os casos isolados, fiz testes com valores aleatórios para o Ativo (Ibovespa originalmente) e com diferentes períodos. O resumo dos testes está a seguir:

  • Teste 1: Ativo aleatório entre (8.000 pontos e 73.000 pontos), 154 meses
  • Teste 2: Ativo aleatório entre (10.500 pontos e 73.000 pontos), 96 meses
  • Teste 3: Ativo aleatório entre (31.000 pontos e 73.000 pontos), 60 meses
  • Teste 4: Ativo aleatório entre (31.000 pontos e 73.000 pontos), 48 meses

Os resultados mostraram o MAD funcionando sempre, em todas as condições aleatórias, porém com uma diferença de ganho de rentabilidade média diminuindo de acordo com o número de períodos e com a amplitude dos pontos.

Quanto menor a amplitude e quanto menor o período, menor a diferença entre usar o MAD e não usar o MAD.

Clique AQUI para ver a planilha com os resultados.

Não resolveu…

Sinceramente eu esperava que esse teste objetivo fosse resolver a questão, mostrando que, quanto menor o período e a amplitude do ativo, maior a probabilidade de o MAD não funcionar.

Infelizmente ele funcionou em 100% dos estudos. Foram 30 estudos para cada TESTE, num total de 120 estudos. Acabou não resolvendo os casos acima.

Análise caso-a-caso

Passei à análise caso-a-caso.

1° Fundo

Para o primeiro fundo foi fácil descobrir os motivos pelos quais o MAD não funcionou. O fundo tinha oscilações de 20% a 110% ao mês, o que caracteriza gestão ativa e/ou fundo alavancado.

Nesse tipo de gestão, onde o risco é grande, o mais adequado para o investidor é entregar um volume de recursos do qual não vai precisar ao gestor, para que ele busque as rentabilidades espetaculares.

Sempre ciente de que (caso o fundo seja alavancado) pode perder mais do que investiu, como aconteceu com cotistas de alguns desses fundos durante a crise.

A resposta: Para esse tipo de fundo e para esse tipo de investimento, esqueça análise fundamentalista e formação de patrimônio de longo prazo. Não dá para misturar. Seria como estudar para um concurso da Magistratura, usando a coleção “Ofélia e Sua Cozinha Maravilhosa – 12 Volumes”.

2° Fundo

Para esse fundo as questões não foram respondidas de forma tão óbvia. Realmente o que fez o MAD ter resultado inferior aos aportes regulares foi a peculiaridade das cotas.

O MAD, para períodos inferiores a 7 anos (um ciclo econômico completo), pode apresentar resultados piores do que os aportes regulares se:

  • Houver um longo período de estagnação no início do período. Isso fará com que os aportes regulares sejam muito maiores do que os aportes do MAD.
  • O ativo se valorizar MUITO, de forma rápida e constante por muitos meses, do meio para a frente do período de análise.
  • Nos últimos 12 meses, houver desvalorização constante, porém pequena do ativo.

Tudo isso fará com que o investidor de aportes regulares coloque MUITO MAIS DINHEIRO durante a estagnação e o usuário do MAD coloque a maior parte de seus aportes na desvalorização final.

Cheguei a criar uma planilha sobre o MAD Ajustado, de forma que o investidor só dobrasse o aporte se o ativo caísse, por hipótese, 5% ou 10%, e vice-versa.

Foi um desastre completo. Resultados muito piores do que o MAD puro.

Para quem quiser conferir, clique AQUI.

A conclusão

Antes de finalizar, o investidor precisa entender que NÃO SE ESTÁ FALANDO DE PERDAS, mas de ganhos maiores ou menores.

No período de 1998 a 2010 o Ibovespa só apresentou 1 período de 6 altas seguidas (Jul/03 a Dez/03) e 1 período de 6 baixas seguidas (Jun/08 a Dez/08). Foram 2 períodos de 5 altas seguidas (Ago/99 a Dez/99 e Set/06 a Jan/07) e 2 períodos de 5 baixas seguidas (Mai/01 a Set/01 e Mar/02 a Jul/02).

No 2° Fundo estudado, em apenas 55 meses, há um período ininterrupto de 11 altas seguidas (Nov/08 a Set/09) e, após esse período, nos 13 meses seguintes, 10 foram de baixa, sendo 6 de forma ininterrupta.

São condições atípicas, porém possíveis.

Os estudos mostram que fundos alavancados pertencem a outro “planeta” de investimentos e que alguns perfis de valorização/desvalorização podem deixar os aportes regulares com melhor desempenho do que o MAD.

Como o futuro “a Deus pertence” (que os grafistas não me ouçam…), não há garantias de que o MAD vai ser SEMPRE melhor do que o MAR (método de aportes regulares), mas a probabilidade do MAD vencer é grande, dados os muitos testes feitos e a lógica por trás da técnica.

O MAIS IMPORTANTE!

Feliz da vida eu estou, pois a discussão aqui é se o investidor deve utilizar o MAR ou o MAD

Ambos significam “investir regularmente durante um longo período” para formação de patrimônio. Ou seja, independente do método escolhido, o investidor estará se comportando exatamente como dezenas de milhões de investidores ao longo dos últimos 2 séculos nos mercados desenvolvidos.

É o que o INI, a Federação Mundial de Investidores, a NAIC e outras dezenas de instituições sérias e respeitadas vêm pregando ao longo dos últimos 60 anos em 20 países.

É ou não é motivo para ficar feliz?

Agradeço também a qualidade da intervenção dos leitores do blog.

Anúncios

Make a Comment

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

8 Respostas to “MAD – Método dos Aportes Dobrados – Exceções”

RSS Feed for Blog do Portinho Comments RSS Feed

[…] Relembro que quando escrevi o artigo sobre o Método dos Aportes Dobrados recebi alguns contrapontos interessantes e frutíferos. Alguns perfis de fundos e de evolução de cotas em que o MAD não funcionava tão bem. Viraram um novo post e um novo estudo que pode ser lido aqui. […]

Conheci o seu site deste inicio de 201, tenho lido bastante, a prendedido muitas coisas novas e legais, estou estudando os fundamentos, embora prefira AT., pode ser que nun futuro próximo eu prefira fundamentalista,
Pretendo agora em 2011 usar o MAD em uma das ninhas ações individuais que tenho em carteira de longo prazo
Grato pelas informações
EvertonRic

AT é uma estratégia para ganhar dinheiro.
AF é uma estratégia para ficar rico.

AT é uma estratégia de remuneração de patrimônio
AF é uma estratégia de formação de patrimônio

Não são antagônicas, podem ser utilizadas pelo mesmo indivíduo, ao mesmo tempo.

Se ele gira um patrimônio de R$ 200.000 para rentabilizá-lo, mas também faz aportes mensais de R$ 1.000, está utilizando o melhor dos dois mundos.

[]
Paulo Portinho

No metodo MAD(Metodo Aporte Dobrados) como faço para usá-lo em 04 ações diferentes?

Caro Marco, o MAD é mais simples de ser usado para cotas de fundo. No caso de carteira pessoal, a idéia é comparar o valor TOTAL da carteira (se caiu ou subiu).
Agora, para escolher em que empresa colocar o novo aporte, sugiro fortemente o uso de um método de seleção de empresas de crescimento, como o método INI.
Ele vai lhe dar um instrumento objetivo para saber se, por hipótese, é melhor comprar VALE a R$ 53,00, PETR a R$ 28,00, RANDON a R$ 12,50 ou MARCOPOLO a R$ 7,00.
E sempre com base nas suas próprias premissas.

[…] MAD Método dos Aportes Dobrados Exceções […]

Concordo que o ponto mais importante é o que você descreveu.

O melhor investimento que existe é o FIF. Ele não é nenhum fundo atrelado a nenhum índice ou indicador. FIF significa: “Fazer Investimentos com Frequência”.

Parabéns pelo artigo!

Roberto Pontes.

É isso aí Roberto. Quando a BM&FBOVESPA entender isso, aí teremos 5 milhões de investidores.
O dia em que os tradicionais investidores de renda fixa entenderem que seu comportamento regular é adequadíssimo para investir em bolsa, teremos 5 milhões de investidores.
Já com o Pelé, milhagem, futuros, termo e outras complicações de marketing… não sei, não…
Abraço e parabéns pelo trabalho. Dei uma olhada no site, muito interessante.
Portinho


Where's The Comment Form?

  • Disclaimer

    Este blog é um ambiente privado para expor opiniões, estudos, reflexões e comentários sobre assuntos ligados a finanças, bolsa de valores, economia, política, música, humor e outros temas.

    Seus objetivos são educacionais ou recreativos, não configurando sob nenhuma hipótese recomendação de investimento.

    O investidor consciente deve tomar decisões com base em suas próprias crenças e premissas. Tudo que lê ou ouve pode ser levado em consideração, mas a decisão de investimento é sempre pessoal. Tanto na escolha de ações para carteira própria, quanto na escolha de gestores profissionais para terceirização da gestão.

    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

Liked it here?
Why not try sites on the blogroll...

%d blogueiros gostam disto: