Método dos Aportes Dobrados (MAD) aplicado ao fundo Programado da Geração Futuro

Posted on 08/12/2010. Filed under: Finanças |

Método dos Aportes Dobrados (MAD) aplicado ao fundo Programado da Geração Futuro

O MAD (Método dos Aportes Dobrados) foi testado para o índice Bovespa e mostrou resultados muito superiores aos obtidos com aportes iguais.

O artigo com os resultados foi publicado no meu blog e no blog do INI. Para quem ainda não leu, veja link abaixo:

O Método dos Aportes Dobrados Técnicas para gestão de aportes em carteira própria e em fundos de Ações

O pedido

Alguns amigos e leitores que estão em fundos e clubes do Banco Geração Futuro pediram para que eu aplicasse o mesmo método tomando por base a evolução das cotas desses fundos.

Achei a idéia interessante, pois estaria aplicando o MAD para comprar cotas de fundos, isso significa que os custos (administração, corretagem e outros) já estariam contabilizados no resultado. Isso não ocorria no exemplo com o Ibovespa.

A escolha do fundo

Não dá para trabalhar com vários clubes específicos e também não dá para usar o fundo mais antigo da Geração, pois seu aporte mínimo é de R$ 5.000,00, o que impossibilita o uso do MAD (exceto para clientes absurdamente ricos).

Optei pelo Geração Programado FIA que tem aporte inicial de R$ 100,00 e aporte mínimo de também R$ 100,00.

Além do fato de usar o MAD em cotas de fundos reais, foi interessante também utilizar um fundo que começou em maio de 2006, pois é um período curto onde as rentabilidades não foram tão grandes como de 1998 até outubro de 2010 (período utilizado para o teste do MAD no Ibovespa).

O Método dos Aportes Dobrados – MAD

Para relembrar, o MAD nada mais é do que uma técnica de gestão dos aportes em fundos ou carteira própria.

Essa técnica pressupõe as seguintes regras

  • Inicia-se com um valor mínimo de, por hipótese, R$ 100,00.
  • Sempre que, no mês seguinte, a bolsa (ou a cota) cair, o aporte deverá ser dobrado.
  • Sempre que, no mês seguinte, a bolsa (ou a cota) subir, o aporte será dividido pela metade.
  • Deve-se estipular um limite máximo para o aporte.

Aplicando o método ao GF Programado

O período vai de 11 de maio de 2006, quando a cota estava em R$ 1,00, até o último dia útil de outubro de 2010, quando o valor da cota estava em R$ 1,8246.

Como regra, o investidor iniciaria com R$ 100,00 em 11 de maio e dobraria seus aportes, no caso de queda da cota, até o limite de R$ 6.400,00.

Ao final os números são comparados com a técnica do aporte regular de MESMO VALOR, de forma que o total investido, naturalmente, seja igual em ambos os casos.

A planilha com os resultados completos pode ser baixada aqui.

Os resultados

Assim como no caso de compra do índice, simulado no artigo original, o uso do MAD apresentou resultados bem mais expressivos do que a técnica do aporte regular de mesmo valor.

Foram 54 períodos (meses) de aportes, totalizando R$ 32.400,00, uma média de R$ 589,09 por mês.

Sem MAD (aportes iguais de R$ 589,09):

  • Patrimônio atingiu R$ 41.183
  • Rentabilidade total de 27,01%
  • Rentabilidade anual equivalente de 5,47%

Com MAD:

  • Patrimônio atingiu R$ 52.697
  • Rentabilidade total de 62,6%
  • Rentabilidade anual equivalente de 11,41%

Curiosidades:

  • O aporte de R$ 6.400 (limite máximo) só foi necessário uma vez, em novembro de 2008. O MAD teria levado o cotista a fazer o maior aporte justamente na menor cota de final de mês da série histórica, R$ 0,9117.
  • O patrimônio de quem usou o MAD foi 28% maior do que o de quem não usou.
  • Assim como, nas mesmas circunstâncias, a rentabilidade anual foi 5,9% superior para quem usou o MAD, quase uma “poupança”.

Limitações e cuidados

Simplificando um pouco a realidade do mercado, pode-se dizer que o investidor tem o risco BOLSA/MERCADO e o risco EMPRESA (ou CARTEIRA).

Ao utilizar aportes regulares, o objetivo é reduzir o risco bolsa, no longo prazo. Como compra na baixa e também na alta, a tendência é ter um preço médio que diminua os efeitos da volatilidade.

Ao usar o MAD, o investidor aumenta o peso nas cotações mais baixas, reduzindo ainda mais o preço médio de compra, por isso o ganho verificado no estudo.

Mas tudo isso só faz sentido se o investidor confiar no crescimento da empresa (ou no crescimento das empresas na carteira do fundo).

Em resumo, ao fazer aportes regulares o investidor tende a minimizar o risco BOLSA/MERCADO e ficar exposto ao risco EMPRESA/CARTEIRA.

(Quase) Encerrando…

Durante a crise de 2008/2009 nosso clube Stratocaster sofreu bastante com resgates “no fundo do poço”. Isso fez com que tivéssemos que vender ações a preços 60%-70% abaixo do que se vê hoje, 2 anos depois.

A rentabilidade da carteira do clube ficou bem prejudicada.

Se, ao contrário, os cotistas utilizassem o MAD, a situação poderia ser muitíssimo diferente.

Não sei se isso aconteceu também no fundo da GF, mas fica aqui um importante alerta para o investidor individual.

O gestor tem controle sobre a alocação dos recursos que já estão no patrimônio do clube/fundo, mas não tem qualquer influência na gestão de aportes/resgates de cada cotista.

Em resumo, a rentabilidade do cotista depende da qualidade do gestor, mas também de seu próprio comportamento.

Para quem quiser estudar o uso do MAD em outros fundos (ou períodos), segue o estudo completo com o Ibovespa neste link.

Um pequeno ajuste permite o uso da planilha para qualquer fundo de ações.

Mas e vender na alta e comprar na baixa, não seria melhor?

Com certeza alguns leitores vão ver os dados e pensar que teria sido melhor vender tudo na alta e recomprar tudo na mínima.

Essa, infelizmente, é uma técnica que não consigo medir cientificamente, pois parte de pressupostos de futuro, que guiariam o passado.

É a já famosa “profecia do passado“. Não costuma servir na vida real e não atende às necessidades do método científico.

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8 Respostas to “Método dos Aportes Dobrados (MAD) aplicado ao fundo Programado da Geração Futuro”

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[…] exemplo é Paulo Portinho que em seu blog esse método se chama Método dos Aportes Dobrados ele apresenta simulações com vários valores e nota-se sempre uma diferença entre utilizar esse […]

Paulo,

Cabe ressaltar que o método descrito (MAD) não funciona para todos os casos, há contra-exemplos.

Um deles pode ser observado no arquivo abaixo, onde os aportes dobrados têm um desempenho pior do que os aportes iguais.

http://www.neuroinvest.com.br/FalhaMetodo.xls

Roberto.

Oi Roberto,

Desculpe a demora na resposta, mas é que tive que estudar bem os motivos do MAD não ter funcionado no fundo. Fiz um post exatamente para explicar esse caso e o de um outro fundo que também apresentou rentabilidade menor para o MAD.
Abraço,
Portinho

Paulo,

O Clube Stratocaster ainda está em funcionamento? É aberto a novos cotistas?

Oi Roberto,

O clube está funcionando, mas é fechado. Criamos somente para meus amigos músicos aqui do RJ e suas famílias. É uma decisão de estatuto.
Abraço!
Paulo Portinho

Paulo,

boa tarde. Belo artigo sobre o MAD!

Vejo que a técnica do MAD se parece com a do Value Averaging (VA), que já é um refinamento do Dollar Cost Averaging (DCA) tradicional (se rebalanceamento).

O problema que vejo tanto com o VA e tb com o MAD é: COMO AUMENTAR OS APORTES se já invisto o percentual máximo que me propus a investir em bolsa?

Se investir mais, tirarei dinheiro da renda fixa e ficarei com o meu porfólio completamente desbalanceado (pendendo muito para a renda variável).

Será que a técnica do DCA com rebalanceamento, no final das contas, não obtem rentabilidade semelhante ao MAD/VA sem o risco de ficar muito posicionado em renda variável?

Só uma reflexão, tendo em vista que não tenho condições de fazer sumilações para testar essa hipótese do rebalanceamento.

Grande abraço!

Oi Deuteron,
O balanceamento de carteira e o MAD são duas técnicas para evitar “trocar de perna” na bolsa, ou seja, evitar comprar na alta e vender na baixa. Por incrível que pareça, é o que mais acontece.
No livro “25 Episódios” mostrei que o balanceamento de carteira é muito melhor quando esperamos a diferença entre RV e RF ficar grande, superior a 20%, preferencialmente 30%.
Lembro que em 11 anos de estudo, só foram necessários 9 ajustes de carteira e a rentabilidade final foi 24% maior do que a gestão passiva (não mexer nos ativos de RF e RV).
Como sugestão, você poderia estipular uma média de R$ 800,00 de investimento mensal. Desses R$ 800, poderia destinar R$ 400,00 para aportes fixos em RF e iniciar aportes com base no MAD em RV, indo de R$ 100,00 a R$ 1.600,00 (isso deve dar, na média, R$ 400,00).
Sempre que a diferença entre RF e RV atingir 30%, faça o balanceamento de carteira.
Não é muito fácil juntar as duas técnicas, mas seria muito interessante, pois ambas ajudam o investidor a ter o comportamento “certo” na bolsa.
Lembrando o mais importante: deve ter confiança nos ativos de RV, seja na carteira própria ou no fundo de investimentos.
Abraço,
Portinho

[…] Método dos Aportes Dobrados (MAD) aplicado ao fundo Programado da Geração Futuro […]


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  • Disclaimer

    Este blog é um ambiente privado para expor opiniões, estudos, reflexões e comentários sobre assuntos ligados a finanças, bolsa de valores, economia, política, música, humor e outros temas.

    Seus objetivos são educacionais ou recreativos, não configurando sob nenhuma hipótese recomendação de investimento.

    O investidor consciente deve tomar decisões com base em suas próprias crenças e premissas. Tudo que lê ou ouve pode ser levado em consideração, mas a decisão de investimento é sempre pessoal. Tanto na escolha de ações para carteira própria, quanto na escolha de gestores profissionais para terceirização da gestão.

    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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