Bônus de Subscrição – Entendendo e avaliando BBAS13

Posted on 13/10/2010. Filed under: Finanças |

Há pouco pouco mais de 1 ano escrevi para meu mail list e, posteriormente, publiquei no informativo do INI um artigo sobre os bônus de subscrição do Banco do Brasil (BBAS13).

À época eles estavam começando a se tornar um hit entre os investidores. E realmente tiveram bom desempenho, saindo de R$ 38,00 para mais de R$ 70,00 nos últimos dias.

Alguns leitores de então pedem para que atualize os dados, pois o bônus subiu muito recentemente.

Como nem todos leram, vale incluir o texto que ensina a trabalhar com os bônus, afinal o objetivo do blog é a educação financeira voltada para formação de patrimônio.

BÔNUS DE SUBSCRIÇÃO. VEJA COMO ENTENDER E AVALIAR UM CASO REAL BBAS13.

Muitos fundos e relatórios de análise, a partir do início de 2009, começaram a aparecer com um código diferente em suas carteiras recomendadas, BBAS13. Esse código refere-se ao Bônus de Subscrição do Banco do Brasil série C, lançado em 1996 e com vencimento no segundo trimestre de 2011.

Mesmo com tantas indicações de boas corretoras e casas de análise, o investidor pode se mostrar receoso, pois desconhece, ou conhece pouco, as ferramentas para avaliar a conveniência de se investir em um bônus, em vez de comprar ações diretamente.

Não é algo trivial, ainda mais em um bônus corrigido pelo IGP-DI com mais de 13 anos de vida, porém é algo que vale ser debatido.

Esses bônus podem representar uma opção ao investimento direto nas ações do BB, desde que se consiga calcular os riscos envolvidos. A seguir, algumas ferramentas simples para que o investidor consiga tirar suas próprias conclusões.

A história dos Bônus de Subscrição do BB, séries A, B e C.

Poucos lembram, mas o Banco do Brasil precisou de uma forte capitalização adicional em 1996, sob a proposta de fazer um ajuste no balanço, o que o levou a requisitar aos acionistas de então um aporte de capital.

Para estimular a participação dos acionistas, em 17/06/1996, os bônus de subscrição foram creditados na posição acionária de todos os acionistas do BB, na proporção de um bônus para cada ação possuída naquela data, conforme tabela a seguir:

À época funcionou, porém a circulação desses bônus acabou se tornando um obstáculo à valorização das ações do BB, pois o fantasma da diluição, através do exercício desses bônus, deixava os acionistas com receio.

Esse fantasma foi praticamente dizimado quando, em 2004, o BB fez uma oferta pública para retirada desses bônus do mercado. Com a adesão dos principais acionistas, Tesouro Nacional, Previ e BNDESPar, mais de 90% dos bônus foram retirados de circulação, fazendo cair significativamente os riscos de diluição aos acionistas atuais.

Explicando o que são esses bônus BBAS13

Bom, os únicos em circulação são os com vencimento entre 31/03/2011 a 30/06/2011.

Do início da circulação até hoje, as ações do Banco do Brasil sofreram algumas alterações.

Primeiro as ações PN foram convertidas em ON, dessa forma CADA BÔNUS que, antes, daria direito de subscrever 0,56067 ação ON e 0,43933 ação PN (total 1 ação), passou a dar direito de subscrever 1,043933 ação ON (BBAS3), pois havia um prêmio de 10% nas ações PN.

Ainda em 2007, houve um desdobramento na proporção de 1:3, SEM DESDOBRAMENTO DOS BÔNUS, o que significa que o direito de subscrever 1,043933 ação ON passou a ser de subscrever 3 vezes isso, 3,131799 ações ON.

Isso significa que o detentor dos bônus poderá comprar 3,131799 ações, a partir de 31.03.2011 e até 30.06.2011, ao preço de R$ 8,50 corrigidos pelo IGP-DI, um índice de inflação criado pela FGV em 1944.

Só para ter uma idéia de como funciona o bônus, pegue o último valor atualizado do preço de exercício, que é de setembro (aqui).

O valor corrigido daqueles R$ 8,50 era de R$ 27,74. As ações do BB estavam sendo negociadas em 13/10/2010 a R$ 34,85, logo 3,131799 ações valiam R$ 109,14.

Pagar R$ 27,74 para receber R$ 109,14 de valor não é nada mal…

Lembrem que os detentores dos bônus ou os receberam em 1996 e estão esperando por 13 anos, ou compraram no mercado secundário e tiveram que desembolsar um valor significativo para ter esse direito.

Das duas uma: ou ele esperou 13 anos, ou pagou pelo direito. Ambos os casos trazem seu próprio custo.

Quanto vale o bônus BBAS13?

É evidente que esse direito tem um valor econômico, mas quanto vale?

A resposta é simples: vale o que alguém está disposto a pagar, desde que tenha alguém interessado em vender por aquele preço. Em outras palavras… vale o que está no mercado!

É evidente que, como direito só poderá ser exercido em 2011, poderá haver um desconto para comprá-lo hoje. Veja o cálculo desse desconto a seguir:

  • Preço ação ON BBAS3 em 13/10/2010 R$ 34,85
  • Preço do bônus BBAS13 em 13/10/2010 R$ 72,50
  • Valor atualizado de exercício da subscrição em setembro (último disponível) R$ 27,74

Ora, para ter direito a comprar 3,131799 ações ON a partir de 31/03/2011 o investidor teria que pagar R$ 72,50 (pelo direito de subscrição) mais o valor atualizado do preço de exercício.

Em valores de outubro de 2010, se está falando de R$ 72,50 + R$ 27,74 = R$ 100,24

O valor das ações seria, em valores de 13/10/2010, 3,131799 x R$ 34,85 = R$ 109,14

O desconto seria de aproximadamente 8,2%.

Para esperar 6 meses até que 8,2% não é uma taxa de juros desprezível, dado que os juros da renda fixa estão na faixa de 8% ao ano, descontados os impostos e as taxas de administração.

Mas até 2011 tudo pode mudar. Como calcular os cenários?

Bom, a primeira questão a ser respondida é a seguinte:

O Investidor QUER comprar e manter ações do Banco do Brasil?

Se a resposta for positiva, ele pode passar à fase seguinte. Se não quiser ter BB na carteira, ou não acreditar que as ações vão se valorizar, nem deve se preocupar com os bônus.

É evidente que o detentor dos bônus pode se beneficiar de duas formas:

  1. Se a inflação for baixa, o preço de exercício será pouco diferente do de hoje
  2. Se a ação disparar, o valor do bônus tende a subir. Subirá ainda mais ao chegar perto do período de exercício, pois o “desconto pelo tempo” tende a zero na data de subscrição.

Os cenários

Para o cálculo dos ganhos (ou perdas) para diferentes cenários, serão consideradas as seguintes premissas:

  • Variação do IGP-DI de 13/10/2010 a 31/03/2011 Serão considerados 1%, 2%, 4% e 8%.
  • Cotações em 31/03/2011 Serão consideradas as opções: R$ 25,00, R$ 30,00, R$ 34,85 (a de hoje), R$ 40,00 e R$ 50,00

Depois de calculados os ganhos/perdas da compra dos bônus, os resultados serão comparados com a compra pura e simples das ações.

OBS: No exercício dos bônus haverá um ajuste para incorporar a diluição pelas novas ações emitidas. Esse ajuste não será levado em consideração no estudo, pois o impacto é reduzido e será sentido tanto pelas novas ações quanto pelas antigas. Como um dos objetivos é comparar a compra dos bônus com a compra das ações diretamente, não há prejuízo ao contexto.

Se o investidor comprasse o bônus por R$ 72,500 em 13/10/2010 e exercesse seu direito em 31/03/2011 ele perderia em torno de 22% no caso das ações caírem a R$ 25,00. Porém, poderia ganhar algo como 55% no caso das ações se valorizarem a R$ 50,00.

O cálculo é simples, basta pegar o valor pago pelo bônus, R$ 72,50, somar ao preço de exercício, que é calculado acrescendo o IGP-DI aos R$ 27,74 referentes a setembro de 2010. Depois, compara-se esse valor com a multiplicação da cotação estimada por 3,131799 ações.

Mas e se o investidor comprasse as ações em vez de comprar os bônus?

A conta é ainda mais fácil, pois em 13/10/2010 ele teria pagado R$ 34,85 por cada ação ON do Banco do Brasil. Veja o ganho/perda:

Não precisa ser expert em finanças para perceber que EM TODOS OS CASOS DA HIPÓTESE, inclusive com inflação mais alta, a compra do bônus teria sido mais interessante do que a compra direta da ação.

Não existe almoço de graça, o que você perdeu nessa explicação?

Da forma como foi colocada a estratégia, parece dinheiro fácil, não é? Não tem como perder!

Mas não é nada disso. O investidor não tem APENAS 2 opções de investimento, tem inúmeras.

Se ele acredita que investir em ações do Banco do Brasil será melhor (ou semelhante) do que investir em ações da VALE, da Petrobras, do Itaú, do Bradesco, da Cemig, da Randon, da Usiminas etc., ou seja, se JÁ É a sua opção de investimento, e ainda, se o investidor desejar manter as ações até o vencimento, aí sim, nesse caso específico pode ser mais inteligente investir nos bônus.

Não existe MESMO almoço de graça. Nem na bolsa, nem em lugar algum…

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7 Respostas to “Bônus de Subscrição – Entendendo e avaliando BBAS13”

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Prezado amigo Portinho, estou com um problema, a pessoa detentora dos bonus e das ações faleceu no ano de 1998 e a inventariante certamente não exerceu o direito de compra. Tampouco temos informações do andamento do inventário, ela se recusa a dizer quantas ações possuimos e ese ela ainda existem??? Vamos suopr que fossem 10.000 ações no ano de 1996. Consta um crédito de bônus de 20%, 30% e 50%. Estes bônus ainda tem valor de mercado??? se tiverem que o que podem valer?? E quanto as ações, se não foram vendidas (nesta altura não se sabe o que fizeram) que quantidade elas podem ter agora?. Qual o valor de cada uma? Agradeço desde já.

Oi Osmar,
As ações do BB sofreram muito com essa recapitalização.
Não sou especialista no assunto, mas creio que, se os bônus não foram exercidos (ou vendidos), perdem o valor. Isso por que, ao final, o detentor deveria ter depositado dinheiro para compra das ações a que teria direito. Se não o fez, acredito eu, perdeu o direito.
Mas não tenho certeza.
Só o inventariante consegue exigir as informações do banco, será necessário pedir que faça.
Abraço,
Paulo Portinho

[…] Bônus de Subscrição Entendendo e avaliando BBAS13 Para quem não leu, vale relembrar… […]

Sr Portinho,

li em seu livro (O Mercado de ações em 25 Episódios) pg 82, 83, 84, qual a fórmula para o cálculo da “perpetuidade”? No caso, 21,3010 ; 21,3010 e 30,0958 respectivamente.

Não consigo chegar nesses valores e no livro não é explicado.

Ficarei muito grata se puder esclarecer!

Parabéns pelo trabalho.

abs
Juliana

Oi Juliana,
A perpetuidade é calculada pela divisão entre o valor a perpetuar (R$ 9,40) e a taxa de juros (0,13) = R$ 72,30769.
Só que esse valor “cai” no ano 10 (um ano antes do ANO 1 da Perpetuidade, que é o ano 11).
Deve-se, então, para saber o valor no ano ZERO, dividir pela décima potência de (1+0,13) = 3,394567
Isso dá = R$ 21,3010

Abraço e obrigado!
Paulo Portinho

Paulo,

conhece mais algum bônus semelhante que esteja em negociação na BOVESPA?

Tentei pesquisar no site da Bolsa sobre isso e não encontrei anda.

Se puder ajudar, agradeço.

Abs!

Oi Deuteron,
Acredito que não existam mais bônus desse tipo. Hoje parece um ótimo negócio, mas na época o pessoal chiou bastante. É mais comum a negociação de direitos de subscrição (códigos 1 e 2), mas normalmente duram pouco tempo. Algo como um mês.
Abraço!
Portinho


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  • Disclaimer

    Este blog é um ambiente privado para expor opiniões, estudos, reflexões e comentários sobre assuntos ligados a finanças, bolsa de valores, economia, política, música, humor e outros temas.

    Seus objetivos são educacionais ou recreativos, não configurando sob nenhuma hipótese recomendação de investimento.

    O investidor consciente deve tomar decisões com base em suas próprias crenças e premissas. Tudo que lê ou ouve pode ser levado em consideração, mas a decisão de investimento é sempre pessoal. Tanto na escolha de ações para carteira própria, quanto na escolha de gestores profissionais para terceirização da gestão.

    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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