Eletropaulo ELPL5 x ELPL6 / PETR3 x PETR4 – Dúvida de um leitor

Posted on 11/10/2010. Filed under: Finanças |

No último post sobre dividendos, um leitor levantou uma dúvida sobre a ELPL5 (Eletropaulo PNA). A movimentação da PNB (ELPL6) chega a R$ 24 milhões por dia e a PNB não gira mais que R$ 350 mil.

Em vez de responder diretamente a ele, escrevo essa pequena explicação sobre o tema.

No livro “O Mercado de Ações em 25 Episódios“, reservo um espaço para discussão sobre os motivos da diferença entre os preços das ações ON e PN.

Há casos em que há lógica, outros em que manda somente o mercado e ninguém sabe explicar ao certo o motivo da diferença.

Motivos para diferenças entre os preços de ON e PN

Normalmente são os seguintes:

  • Diferença no dividendo pago (em algumas empresas, 10% a mais para a PN)
  • Diferença elevada no free float (ações em circulação)
  • Diferença na liquidez (muitas vezes derivada do free float)
  • Prêmio pelo direito a voto (ON mais cara que PN)
  • Negociação mais relevante no exterior (VALE e PETR)

No caso da ELPL5, o motivo da baixa negociação parece claro. Veja aqui os dados da distribuição acionária.

A empresa tem 100.739.070 ações PN emitidas.

Em circulação (free float), tem:

  • 2.369.091 PNA (ELPL5)
  • 90.200.756 PNB (ELPL6)

Há 38 vezes mais PNB que PNA no mercado. Não há dúvidas de que o free float é responsável pela baixa liquidez. E com baixa liquidez o preço fica mais errático. Se um detentor de PNA quiser sair do papel e vender 200 mil reais, poderá forçar uma baixa acentuada na PNA. Isso dificilmente aconteceria com PNB, pois há negócio suficiente durante o dia para absorver pequenas forças vendedoras.

PETR3 x PETR4

Quando investiguei as diferenças de preço entre ON e PN para o “25 Episódios” entrei em contato com todos os departamentos de RI para ver se havia alguma explicação oficial para as diferenças.

A resposta de todos foi a mesma: Não há explicação. O mercado é que determina esses preços.

Uma das possíveis explicações para o valor mais apreciado da ON, no caso da Petrobras, era a força de sua negociação no exterior. Estrangeiros costumam encarar ações ON como “ações” e PN como “dívida”. É claro que não é dívida, mas para quem está acostumado só com ON…

Para muitos ainda vale a máxima “one share, one vote”.

Segundo o site do INI, a diferença entre PETR3 e PETR4 está em um dos menores níveis dos últimos anos (menos de 11% no fechamento do dia 11/10). Veja aqui.

Os estrangeiros participaram com muito menos que seu “share” original na capitalização (tinham quase 60% da empresa, entraram com 14%). Será que eles estão enxergando menos valor nas ações com direito a voto?

O governo passou a deter mais de 65% das ON, deixando pouco mais de 34% de free float.

Para os investidores de Petrobras ou para os que fazem estratégias long-short entre ON e PN (muito comum com Usiminas), é algo para ficar atento.

Mas lembre-se: o mercado manda. A diferença será sempre definida pelo embate “forças compradoras x forças vendedoras”.

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  • Disclaimer

    Este blog é um ambiente privado para expor opiniões, estudos, reflexões e comentários sobre assuntos ligados a finanças, bolsa de valores, economia, política, música, humor e outros temas.

    Seus objetivos são educacionais ou recreativos, não configurando sob nenhuma hipótese recomendação de investimento.

    O investidor consciente deve tomar decisões com base em suas próprias crenças e premissas. Tudo que lê ou ouve pode ser levado em consideração, mas a decisão de investimento é sempre pessoal. Tanto na escolha de ações para carteira própria, quanto na escolha de gestores profissionais para terceirização da gestão.

    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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