Petrobras em Queda. Por quê?

Posted on 07/10/2010. Filed under: Finanças |

A única explicação que todos aceitam!

A Petrobras cai porque a força vendedora é maior do que a força compradora.

Sei que é uma obviedade, mas é bom começar pelo REAL motivo da queda. Mas o motivo da corrida às vendas, ah…, esse sempre é um pouco incerto.

O objetivo desse post não é “explicar” a queda, pois isso seria especulação pura, mas alertar os investidores para algumas premissas imprecisas que ainda permanecem no imaginário de muita gente no mercado.

É importante a leitura. Muito importante.

Esquecer de contabilizar a diluição

Está na mente das pessoas aquela PETR4 acima de R$ 50,00. É muito comum as pessoas pensarem: – Poxa, a ação está valendo metade do que valia, está muito barata!

É um erro perigoso. A Petrobras que chegou a R$ 50,00 tinha 8,77 bilhões de ações. Em setembro, com a PN acima de R$ 27,00, a empresa tinha um Valor de Mercado de R$ 260 bilhões.

Se utilizarmos o maior lucro da história da Companhia (R$ 32,47 bi), isso daria um P/L de 8,01. Que está abaixo de seus pares internacionais, que oscilavam entre 10 e 12 em setembro de 2010.

A empresa, em 05/10, tinha 12,86 bilhões de ações. Ao preço de abertura, o valor de mercado chegaria a R$ 360 bilhões de reais. Utilizando o mesmo lucro máximo, o P/L estaria em 11,1, em linha com o de seus pares internacionais.

Dividendos dependem do P/L

No livro “O Mercado de Ações em 25 Episódios”, sugiro uma forma diferente de ver o DY (dividend yield).

A fórmula é simples, o DY é igual ao inverso do P/L vezes a taxa de payout. Isso significa que, quanto maior o P/L, menor o retorno com dividendos (considerando o mesmo payout).

Supondo para a Petrobras um payout de 35% do lucro, antes o DY esperado poderia ser = 1/8 * 35% = 4,38%.

Com o P/L atual = 1/11,1 * 35% = 3,15%

Aportaram R$ 120 bilhões da companhia

Sim, mas em dinheiro sobraram R$ 45 bilhões do aporte total. Os outros 75 bilhões entram no Ativo como um direito comprado pela companhia.

Os 120 bilhões ajudarão a empresa na busca de recursos via endividamento. Os 45 bilhões ajudarão nos projetos atuais da companhia, pois estão disponíveis no caixa.

Volatilidade dos ativos vendidos à empresa

Boa parte do novo patrimônio líquido da companhia foi integralizado via Cessão Onerosa dos 5 bilhões de barris. Isso equivale a R$ 74,808 bilhões do novo PL.

Pela regra atual (IFRS) o patrimônio da empresa precisa ser registrado a preço de mercado. Ativos não negociados em mercado como marca, ágio, alguns direitos etc. e, portanto, como preço estimado, precisam ser reavaliados de tempos em tempos para refletir seu “fair value”.

OBS: No livro “25 Episódios” explico como a Alcacel-Lucent conseguia registrar prejuízos trimestrais MAIORES do que o seu valor de mercado. Foi baixa de um ágio (goodwill) no montante pago pela Alcatel na compra da Lucent.

Os barris só serão contabilizados como reservas, segundo a teleconferência com o presidente Gabrielli, a partir de 2015. Até lá esses direitos poderão oscilar de acordo com as perspectivas do mercado.

Qualquer ajuste promoverá modificação no patrimônio líquido e no ativo, alterando os índices de endividamento.

Se o petróleo voltar a 150 dólares, é possível que a consultoria avalie essas reservas em mais do que R$ 74,8 bi. Mas se permanecer em 80 dólares, ou cair, pode ser que tenha que se ajustar o ativo para baixo.

Outros itens

Quanto aos outros itens, tais como: influência governamental, inexistência de tecnologia para exploração, incerteza sobre custos entre outros, não há muito o que dizer. Ou envolvem elevada subjetividade ou exercício de futurologia.

Mas os itens anteriores não são subjetivos, são fatos. E o investidor de Petrobras não pode ficar sem reconhecer essa nova realidade. Investidor consciente é aquele que encara sua participação na empresa como um verdadeiro acionista. Desenvolve intimidade com os números da companhia. Não esqueçamos isso!

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  • Disclaimer

    Este blog é um ambiente privado para expor opiniões, estudos, reflexões e comentários sobre assuntos ligados a finanças, bolsa de valores, economia, política, música, humor e outros temas.

    Seus objetivos são educacionais ou recreativos, não configurando sob nenhuma hipótese recomendação de investimento.

    O investidor consciente deve tomar decisões com base em suas próprias crenças e premissas. Tudo que lê ou ouve pode ser levado em consideração, mas a decisão de investimento é sempre pessoal. Tanto na escolha de ações para carteira própria, quanto na escolha de gestores profissionais para terceirização da gestão.

    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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